0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações36 páginas

Direitos Humanos e Empresas: Princípios Essenciais

O documento aborda a teoria geral dos direitos humanos, enfatizando sua indivisibilidade e interdependência, além de discutir a aplicação desses direitos nas empresas. Destaca a Agenda 2030 da ONU como um compromisso global para promover direitos humanos e desenvolvimento sustentável, e apresenta os princípios orientadores sobre empresas e direitos humanos, que incluem a proteção estatal, o respeito corporativo e a reparação. Por fim, menciona a evolução histórica dos direitos humanos e a importância do diálogo intercultural para a sua efetividade.

Enviado por

Mariana Saggiomo
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações36 páginas

Direitos Humanos e Empresas: Princípios Essenciais

O documento aborda a teoria geral dos direitos humanos, enfatizando sua indivisibilidade e interdependência, além de discutir a aplicação desses direitos nas empresas. Destaca a Agenda 2030 da ONU como um compromisso global para promover direitos humanos e desenvolvimento sustentável, e apresenta os princípios orientadores sobre empresas e direitos humanos, que incluem a proteção estatal, o respeito corporativo e a reparação. Por fim, menciona a evolução histórica dos direitos humanos e a importância do diálogo intercultural para a sua efetividade.

Enviado por

Mariana Saggiomo
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

HUMANOS

1. Teoria Geral dos Direitos Humanos. Direitos Humanos nas empresas.

A indivisibilidade dos direitos humanos nada mais é do que o reconhecimento


de que todos eles possuem a mesma proteção jurídica, já que são essenciais
para uma vida digna.

A abertura nacional dos direitos humanos consiste na possibilidade de expandir


o rol dos direitos humanos

Os Direitos Humanos podem ser definidos como aqueles direitos que nos
pertencem pelo simples fato de sermos humanos, pois são normas que
reconhecem e protegem a dignidade de todos os seres humanos, regendo o
modo como esses seres humanos individualmente vivem em sociedade e entre
si, além da sua relação com o Estado e, finalmente, as obrigações que o Estado
tem em relação a eles. NESSE CONTEXTO, OS PRINCÍPIOS DOS DIREITOS
HUMANOS SÃO INTERDEPENDENTES, PORQUE UM DIREITO
COMPLEMENTA O OUTRO.

Características dos DH:

 Historicidade (Abertura dos DH, Aperfeiçoamento ou Não tipicidade);


 Universalidade;
 Relatividade;
 Irrenunciabilidade;
 Inalienabilidade;
 Imprescritibilidade;
 Unidade, Indivisibilidade e Interdependência;
 Inerência;
 Transnacionalidade;
 Essencialidade;
 Superioridade;
 Reciprocidade;

PRINCIPIOS DOS DIREITOS HUMANOS

 Universalidade: Todos têm direitos humanos, não importa quem


sejam.

Universalidade/Transnacionalidade – os DH se destinam a todas as


pessoas, sem qualquer tipo de discriminação e independentemente da sua
nacionalidade.

 Historicidade: Direitos humanos são desenvolvidos ao longo da


história.
 Superioridade: Normas de direitos humanos são mais importantes
que outras leis.
 Indisponibilidade: Não se pode abrir mão dos direitos humanos;
renunciar a eles é inválido.
 Inalienabilidade: Direitos humanos não podem ser vendidos ou
transferidos para outros.
 Imprescritibilidade: Direitos humanos não se perdem com o tempo
ou falta de uso.
 Interdependência: Direitos humanos estão conectados e devem ser
vistos juntos.
 Indivisibilidade: Todos os direitos humanos merecem proteção igual.
 Limitabilidade: Direitos humanos podem ter limites para proteger
outros direitos.
 Inexauribilidade: Direitos humanos estão sempre crescendo e devem
ser interpretados amplamente.
 Efetividade: Direitos humanos devem ser aplicados na prática, não
apenas reconhecidos teoricamente.
 Exigibilidade imediata: Direitos humanos podem ser exigidos e
aplicados diretamente.
 Vedação do retrocesso: Direitos humanos conquistados não podem
ser retirados; devem ser progressivamente melhorados.

UNIVERSALISMO E RELATIVISMO CULTURAL

O universalismo de confluência pode ser definido como uma visão complexa


dos direitos e um ponto de chegada, após um processo conflitivo e de diálogo, e
não um ponto de partida.
Concepções doutrinárias a respeito da natureza dos direitos humanos:

O universalismo de partida é a concepção tradicional do universalismo e


os defensores dessa concepção partem de um conjunto de direitos
preestabelecidos, normalmente pela cultura
ocidental, desconsiderando, muitas vezes, características culturais
importantes e marcantes de determinado povo.

Segundo Herrera Flores, o localismo também, e a seu modo, constrói


um universalismo – chamado por ele de “universalismo
de retas paralelas” – , quando se fecha em si mesmo e impede o
indivíduo de compreender que há outras formas de visão de mundo.

O universalismo de chegada corresponde a uma concepção discursiva,


fruto do entrecruzamento dos diversos particularismos e o universal,
em uma ampla gama de relações que envolvem o local–global e o
global–local.

Universalismo de chegada ou de confluência, conceito trazido pelo


espanhol Joaquim Herrera Flores, propõe um diálogo entre as diferentes
culturas, de forma que os indivíduos tentem chegar a uma concepção
universalista de direitos humanos por meio da convivência entre os
povos, respeitando as diferenças, sem intuito de excluir nenhum ser
humano na luta por seus valores. É a partir dessa concepção que se propõe
a hermenêutica diatópica, configurando o entrelaçamento das culturas, sem a
imposição de determinados direitos. Assim, para se caracterizar determinado
direito como irrenunciável e indisponível, o diálogo é imprescindível, pois é
através dele que há o reconhecimento da incompletude mútua das culturas.
Trata-se do universalismo que respeita as diferentes culturas existentes, sem
imposição de valores predominantes na cultura ocidental.

Universalismo Tradicional:

 Parte do pressuposto de que existem noções universais de direitos


humanos que são preestabelecidas e aplicáveis a todas as culturas.
 Considera esses direitos como um ponto de partida para a discussão e
promoção dos direitos fundamentais.
 Muitas vezes baseado em valores e normas ocidentais.

Relativismo:

 Defende o respeito à diversidade cultural e aos costumes específicos


de cada sociedade.
 Contrapõe-se à teoria universalista, argumentando que os direitos
humanos devem ser interpretados de acordo com o contexto cultural.

UNIVERSALISMO DE CONFLUÊNCIA:

 CONSIDERA OS DIREITOS HUMANOS COMO UM PONTO DE


CHEGADA, ou seja, um objetivo a ser alcançado.
 Busca conciliar o universalismo com o respeito ao relativismo cultural.
 Reconhece que a aplicação dos direitos deve ser sensível às realidades
locais.

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, que possui metas


importantes a serem cumpridas, conta com a participação e o engajamento do
Poder Judiciário brasileiro. A AGENDA 2030 É COMPOSTA POR OBJETIVOS E
METAS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, TRATANDO-SE DE UM
TÍPICO DIPLOMA DE SOFT LAW, NO QUAL HÁ O DEVER DE PROTEGER OS
DIREITOS HUMANOS EM PARALELO AO DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL.

A Agenda 2030 é um compromisso assumido por todos os países que


compuseram a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento
Sustentável, em 2015 – os 193 Estados-membros da ONU, incluindo o Brasil – e
tornou-se a principal referência na formulação e implementação de políticas
públicas para governos em todo o mundo. É UM APANHADO DE METAS,
NORTEADORES E PERSPECTIVAS DEFINIDOS PELA ONU PARA
ATINGIRMOS A DIGNIDADE E A QUALIDADE DE VIDA PARA TODOS OS
SERES HUMANOS DO PLANETA, SEM COMPROMETER O MEIO AMBIENTE,
E, CONSEQUENTEMENTE, AS GERAÇÕES FUTURAS.

Um dos pilares dos Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos


da ONU pode ser descrito como o dever de o Estado garantir meios eficazes de
reparação às vítimas em caso de violações por parte de empresas.

As denominadas DIRETRIZES DA OCDE PARA EMPRESAS


MULTINACIONAIS são um instrumento importante, pois estabelecem padrões
para as empresas multinacionais em áreas como Direitos Humanos, meio
ambiente e trabalho. Trata-se de norma de soft law, cujo a aplicabilidade é
voluntária.

Nas palavras do professor André de Carvalho Ramos o PACTO GLOBAL é uma


iniciativa da ONU para mobilizar, de modo voluntário, a comunidade
empresarial internacional rumo a implementação de boa governança
empresarial nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio
ambiente e combate à corrupção refletidos em 10 princípios.

Extrai-se dos princípios referentes à responsabilidade das empresas em


respeitar os direitos humanos que a responsabilidade da empresa é plena: “14)
A responsabilidade das empresas quanto ao respeito de direitos humanos é
plena, independentemente de seu tamanho, setor, contexto operacional,
proprietário e estrutura, mas as exigências quanto aos meios e recursos que
devem ser disponibilizados podem variar, a depender desses fatores”.

Um dos pilares dos princípios referentes ao acesso a mecanismos de reparação


compreende o dever do Estado em estabelecer meios eficazes de reparação. Na
literalidade dos princípios entabulados: “25) Os Estados devem adotar medidas
de reparação eficazes, pelas vias judiciais, administrativas, legislativas ou
outros meios. 26) Os Estados devem assegurar a eficácia dos mecanismos
judiciais nos casos abordando violações de direitos humanos por parte de
empresas”.

Princípio 11 de Ruggie que dispõe: “As empresas devem respeitar os direitos


humanos, abstendo-se de infringir direitos de terceiros e reparando os danos
eventualmente causados.

ACESSO A MECANISMOS DE REPARAÇÃO. Como parte de seu dever de


proteção contra violações a direitos humanos relacionadas com atividades
empresariais, os Estados devem tomar medidas adequadas para
garantir, por meios judiciais, administrativos, legislativos ou outros
meios apropriados que, quando essas violações ocorram em seu
território e/ou jurisdição, os indivíduos ou grupos impactados
tenham acesso a mecanismos de reparação eficazes.

Sobre DH e empresas: Lembrar!

Os princípios Ruggie são um conjunto de princípios criado por John Ruggie


e aprovado pelo Conselho de Direitos Humanos da Organização das
Nações Unidas (ONU), em 16 de junho de 2011. Tais princípios foram
positivados por meio da Resolução 17/4, intitulada Princípios sobre
Empresas e Direitos Humanos: Implementando os Parâmetros de
Proteger, Respeitar e Reparar das Nações Unidas.

Esse conjunto de princípios não é considerado uma norma jurídica vinculante,


não tendo sido adotado por meio de tratado ou convenção. Trata-se de um
documento expedido no âmbito da ONU, com força apenas de uma
recomendação (soft law), de caráter ético dissuasório.

Esse conjunto de princípios é especificamente destinado aos Estados e às


empresas.

ATENÇÃO! Os princípios de Ruggie foram expressamente


mencionados na sentença da FÁBRICA DE FOGOS (condenação BR).

Os princípios Ruggie são divididos em três pilares:

1) proteção estatal: o dever do Estado de proteger os direitos humanos


contra abusos de terceiros, incluídas as empresas privadas;
2) respeito corporativo: a responsabilidade de as empresas respeitarem os
direitos humanos e se comprometerem publicamente com a defesa deles;

3) reparação (remedy): facilitação à reparação das vítimas de violações a


direitos humanos, garantindo-se o acesso a procedimentos para reparar os
abusos e as consequências negativas aos direitos humanos que empresas e
Estados causem ou contribuam para causar.

Resumo de direitos humanos para empresas

principios prientadores

o estado - protege

a empresa - respeita

se violado - repara

proteger, respeitar e reparar. os 3 pilares/principios.

-os dh nas empresas contam com normas de soft law.

-existem direitos humanos pra empresas?

polemico, mas os principios orientadores da onu (art. 1) trazem que o estado


deve proteger a todos, inclusive empresas, de violacoes de d.h.

no sistema europeu, é expresso o direito fundamental/humano à propriedade,


para as empresas

a corte interamericana e a onu, entretanto, em consulta, disseram que nao


há dh de titularidade das empresas.

vide questao 2449461

-o pressuposto dos dh nas empresas é a eficacia horizontal (ou diagonal)


destes direitos

-o estado nao sera responsabilizado por todo e qualquer caso de


descumprimento de direitos humanos nas empresas. tem de haver uma acao
omissiva ou comissiva pra justificar. exemplos: caso damiao ximenes e fogos
santo antonio.

OS DIREITOS HUMANOS TÊM VALIDADE EM TODOS OS LUGARES DO


PLANETA, ALCANÇADA POR UMA NOVA PERSPECTIVA COMUNITÁRIA,
COM A ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS INTERNACIONAIS DE PROTEÇÃO
DESTES DIREITOS.
CASO O reconhecimento da multiculturalidade demanda um esforço de análise
do caso concreto para se compatibilizar um direito humano em descompasso
com a cultura daquele país. ERRADA, POIS A CULTURA DEVERA SE
ADEQUAR AOS DIREITOS HUMANOS.

I. 1ª geração: direitos da liberdade, direitos civis e políticos.


II. 2ª geração: direitos da igualdade, direitos sociais, econômicos e
culturais.
III. 3ª geração: direitos da fraternidade, direitos difusos, dos povos
da humanidade.
IV. 4ª geração: direitos de participação democrática, direito ao
pluralismo, bioética.

1º geração: liga o PC ( Políticos e Civis ) Liberdade

2ºgeração: aperta ESC ( Econômicos, Sociais e Culturais ) Igualdade

3º geração: coloca o CD ( Coletivos e Difusos ) Fraternidade

Para Paulo Bonavides, os direitos de 4ª geração estão associados à informação,


democracia e pluralismo.

A FUNDAMENTAÇÃO POSITIVISTA AFIRMA QUE A VALIDADE DOS


DIREITOS HUMANOS DECORRE DA SUA PREVISÃO EM UMA NORMA
POSTA, EDITADA CONFORME AS REGRAS ESTABELECIDAS NA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988.

Sobre o conceito de direito fundamental em relação ao de Direito Humano,


assinale a afirmação correta: Não coincidem, pois é possível haver Direito
Humano que não seja direito fundamental e vice-versa.

Os Direitos Humanos são frutos do processo histórico, sendo reconhecidos


gradativamente ao passar dos anos.

A LEGALIDADE DO USO DA FORÇA ENTRE ESTADOS É UMA QUESTÃO DE


JUS AD BELLUM, MAS, A RIGOR, É IRRELEVANTE NO QUE DIZ RESPEITO
À APLICABILIDADE DO DIH ÀS OPERAÇÕES ILEGAIS POR VENTURA
DESENVOLVIDAS, AÍ INCLUÍDAS AS DE FORÇAS NACIONAIS OU
MULTINACIONAIS.

ENQUANTO O JUS IN BELLO ESTABELECE PADRÕES MÍNIMOS DE


HUMANIDADE QUE SÃO APLICÁVEIS A QUALQUER CONFLITO ARMADO,
INTERNACIONAL OU NÃO, O JUS AD BELLUM REGULA A LEGITIMIDADE
DO USO DA FORÇA POR UMA MISSÃO CONFIADA A FORÇAS NACIONAIS
OU MULTINACIONAIS.
Direito à Guerra: Jus ad Bellum.

Direito internacional Humanitário: Jus in Bellum.

Direito da Prevenção a Guerra: Jus contra Bellum.

Jus ad Bellum: Refere-se ao direito para recorrer à guerra. Envolve os


critérios e princípios que justificam o início de uma guerra, como legítima
defesa ou autorização do Conselho de Segurança da ONU.

Jus in Bello: Relaciona-se com o direito durante a guerra. Diz respeito às


regras éticas e legais que governam o comportamento das partes envolvidas
em conflitos armados, visando minimizar o sofrimento e proteger não
combatentes. Inclui conceitos como proporcionalidade e distinção entre alvos
militares e civis.

Jus contra Bellum: Este termo não é tão comum, mas pode referir-se ao
direito contra a guerra ilegal ou injusta. Pode abordar os meios legais para
evitar ou condenar a agressão militar injustificada.

 Primeira Convenção de Genebra (1863)


 Segunda Convenção de Genebra (1906)
 Terceira Convenção de Genebra (1929)
 Quarta Convenção de Genebra (1949)

As Convenções de Genebra e seus Protocolos Adicionais constituem o núcleo do


Direito Internacional Humanitário (DIH), o qual regula a condução dos conflitos
armados e busca limitar os seus efeitos. Protegem as pessoas que não
participam e as que deixaram de participar das hostilidades.

Os direitos humanos são: universais, indivisíveis, interdependentes e


interrelacionados.

ESTATUTO DOS REFUGIADOS Lei nº 9.474/1997

Art. 8º O ingresso irregular no território nacional NAO constitui impedimento


para o estrangeiro solicitar refúgio às autoridades competentes.

Não se beneficiarão da condição de refugiado os indivíduos que: Art 3

III - tenham cometido crime contra a paz, crime de guerra, crime contra a
humanidade, crime hediondo, participado de atos terroristas ou tráfico de
drogas;
IV - sejam considerados culpados de atos contrários aos fins e princípios das
Nações Unidas.

Art. 39. Implicará perda da condição de refugiado:

III - o exercício de atividades contrárias à segurança nacional ou à ordem


pública;

Os refugiados reconhecidos no Brasil têm direito de obter o Registro Nacio- nal


de Estrangeiros (RNE), documento de identidade dos estrangeiros no Brasil;
uma Carteira de Trabalho e Previdência Social de nitiva (CTPS); um número de
Cadastro de Pessoa Física (CPF) e um documento de viagem.

Art. 21. Recebida a solicitação de refúgio, o Departamento de Polícia Federal


emitirá protocolo em favor do solicitante e de seu grupo familiar que se
encontre no território nacional, o qual autorizará a estada até a decisão final do
processo.

§ 1º O protocolo permitirá ao Ministério do Trabalho expedir carteira de trabalho


provisória, para o exercício de atividade remunerada no País.

Art. 28. No caso de decisão positiva, o refugiado será registrado junto ao


Departamento de Polícia Federal, devendo assinar termo de responsabilidade e
solicitar cédula de identidade pertinente.

COM RELAÇÃO AOS PRINCIPAIS RESULTADOS DO PLANO DE VIENA,


ASSINALE A AFIRMATIVA CORRETA: COLOCAR NA AGENDA
INTERNACIONAL OS TEMAS RELACIONADOS AO ENVELHECIMENTO
INDIVIDUAL E DA POPULAÇÃO. A Assembleia Geral convocou a primeira
Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento em 1982, que produziu o Plano de
Ação Internacional de Viena sobre o Envelhecimento, com 62 pontos. Ele insta
para ação em assuntos como saúde e nutrição, proteção de consumidores
idosos, habitação e meio ambiente, família, bem-estar social, segurança de
renda e emprego, educação e a coleta e análise de dados de pesquisa. Logo, o
plano de Viena foi o marco inaugural dos debates acerca dos direitos humanos
dos idosos no plano internacional.

O envelhecimento populacional é reconhecido como uma das fundamentais


conquistas do século XX, assim como um grande desafio para as políticas
públicas. Um dos desafios mais importantes, sinalizado desde o Plano de Viena
em 1982, seria o de garantir: um patamar econômico mínimo que assegure a
dignidade humana quanto a equidade entre grupos etários na divisão dos
recursos, direitos e responsabilidades sociais.

O Plano de Ação Internacional de Viena sobre o Envelhecimento foi


apresentado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1982 e é
considerado o marco inicial para o estabelecimento de uma agenda
internacional de políticas públicas para a população idosa. Os principais
objetivos do plano, segundo Camarano e Pasinato, eram garantir a segurança
econômica e social das pessoas idosas e identificar oportunidades para a sua
integração ao processo de desenvolvimento dos países.

As autoras destacam que:

"Apesar de o envelhecimento populacional ser amplamente reconhecido


como uma das principais conquistas sociais do século XX, reconhece-se,
também, que este traz grandes desafios para as políticas públicas. Um dos
mais importantes é o de assegurar que o processo de desenvolvimento
econômico e social ocorra de forma contínua, com base em princípios
capazes de garantir tanto um patamar econômico mínimo para a manutenção
da dignidade humana, quanto a equidade entre os grupos etários na partilha
dos recursos, direitos e responsabilidades sociais", que é uma preocupação
expressa desde o Plano de Viena de 1982.

2. Sistema global de proteção dos direitos humanos.

A INDIVISIBILIDADE DOS DIREITOS HUMANOS NADA MAIS É DO QUE O


RECONHECIMENTO DE QUE TODOS ELES POSSUEM A MESMA PROTEÇÃO
JURÍDICA, JÁ QUE SÃO ESSENCIAIS PARA UMA VIDA DIGNA. É verdadeira.
A indivisibilidade dos direitos humanos refere-se ao fato de que todos os
direitos humanos, sejam eles civis, políticos, econômicos, sociais ou culturais,
são interdependentes e possuem a mesma importância para garantir uma vida
digna.

A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS APRESENTA


IDEAIS E PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM OS INSTRUMENTOS
INTERNACIONAIS SUBSEQUENTES, ALÉM DE INSPIRAR CONSTITUIÇÕES
E NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS DE DIVERSOS ESTADOS-PARTES.

DUDH

 É uma resolução
 Também conhecida como Declaração de Paris
 10 de dezembro de 1948
 NÃO prevê sanções
 a soma da DUDH+PIDCP+PIDESC= Carta Internacional dos DH

1. Proclamada pela ONU em 1948


2. 48 países aprovaram e 8 abstenção

Estrutura:

1. . 30 artigos
2. . Constam os direitos de 1° e 2° geração
3. . Artigo 1: Introdução ( Princípios, Direitos de Liberdade, Igualdade)
4. . Artigos 2 até 20 (Direitos Civis)
5. . Artigo 21 (Direitos Políticos)
6. . Artigos 22 até 28 (Direito de Igualdade, 2° geração: Sociais,
Econômicos e Culturais)
7. .Artigo 29 (Deveres)
8. .Artigo 30 ( Regras de Interpretação)

DUDH É APENAS UMA DECLARAÇÃO, NÃO SENDO TRATADO OU


CONVENÇÃO!!!

Parte da doutrina entende que, por não ser tratado/convenção/acordo/ pacto,


ela não gera obrigação. Isso significa dizer que ela não tem força
vinculante, mas sim de uma
DECLARAÇÃO/RECOMENDAÇÃO/RESOLUÇÃO da ONU. Assim, é
importante entender que essa Resolução não gera obrigações para os
Estados. Trata-se de um instrumento meramente de orientação aos Estados

Por outro lado há doutrinadores que defendem o caráter vinculante da DUDH.

A exemplo da professora Flávia Piovesan, que assim se posiciona: “a


Declaração Universal de 1948, ainda que não assuma a forma de tratado
internacional, apresenta força jurídica obrigatória e vinculante, na
medida em que constitui a interpretação autorizada da expressão
“direitos humanos” constante dos arts. 1º (3) e 55 da Carta das
Nações Unidas

A RESPEITO DA NATUREZA DOS DIREITOS RECONHECIDOS PELA


DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS SÃO PRIMORDIALMENTE
DIREITOS DE DEFESA, OBSTANDO O AVANÇO DO PODER PÚBLICO
SOBRE A ESFERA JURÍDICA INDIVIDUAL, EMBORA TAMBÉM SEJAM
RECONHECIDOS DIREITOS PRESTACIONAIS.

O texto discute a tensão entre a universalidade dos direitos humanos


(igualdade) e a especificidade cultural e social de diferentes grupos e países
(diferença). Enquanto a Declaração Universal dos Direitos Humanos propõe
direitos que se aplicam a todos os seres humanos, independentemente de sua
cultura ou localização geográfica, alguns grupos questionam essa
universalidade, argumentando que ela reflete principalmente as perspectivas
ocidentais e europeias. Portanto, eles estão buscando o reconhecimento de
suas diferenças particulares dentro do quadro dos direitos humanos.

Assumindo-se que os recursos internos para salvaguardar o direito à igualdade


e não discriminação na implementação da política pública de educação foram
esgotados ou se mostraram insuficientes, o mecanismo a ser utilizado, no
âmbito do sistema onusiano, para reclamar quanto à violação do direito à
educação sem discriminação pelo Estado brasileiro é: o procedimento previsto
na Resolução 5/1, de 18 de junho de 2007, perante o Conselho de Direitos
Humanos da ONU, que sucedeu o procedimento de reclamações sigiloso
previsto na Resolução 1503 (XLVIII), de 27 de maio de 1970, do Conselho
Econômico e Social (Ecosoc), revisto pela Resolução 2000/3, de 19 de junho de
2000, que demanda o esgotamento dos recursos internos e a inexistência de
submissão da questão aos procedimentos especiais da ONU ou a mecanismos
vinculados aos tratados de direitos humanos.

O RPU baseia-se na revisão por pares, segundo a qual um Estado tem a sua
situação de direitos humanos analisada pelos demais Estados da ONU, em
período de 4 a 5 anos.

A Revisão Periódica Universal (RPU) consiste em um mecanismo desenvolvido


pelo Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações
Unidas (ONU), para oportunizar a avaliação da situação de Direitos
Humanos em cada um dos países-membros do Sistema ONU.

Criado através de resolução, portanto, extraconvencional, baseia-se


na revisão por pares. O exame é baseado no diálogo construtivo, segundo
qual aduz Carvalho Ramos (2019, p.620), “permite ao Estado examinado
responder às dúvidas e ainda opinar sobre os comentários e sugestões dos
demais Estados. Não há, então, condenação ou conclusões vinculantes.
Busca-se a cooperação e adesão voluntária do Estado examinado”.

Comitê sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU -> o


Comitê só pode receber denúncia dos Estados que assinaram o Protocolo
Facultativo ao PIDESC e o Brasil ainda não assinou.

Nem toda afronta ao jus cogens irá caracterizar uma afronta aos direitos
humanos;

QUESTAO ANALISADA

1. sistemas de proteção serem exclusivamente consensuais INCORRETO.

Venho falando há tempos nos comentários das questões que se deve


esquecer aquela ideia antiga de que direito internacional é soft law. As
bancas cada vez mais afastam esse posicionamento que, há muito, é
minoritário e superado. Os tratados internacionais não se tratam de softlaw e
os sistemas de proteção deixaram há tempos de ser exclusivamente
consensuais. O chamado enforcement dos tratados estão cada vez mais
presentes e o grande exemplo somos nós, que gozamos de mais de uma
dezena de condenações nas cortes internacionais, especialmente na Corte
Interamericana de Direitos Humanos.

2. sistemas universais disporem de mecanismos de acesso com eficácia


inferior aos regionais CORRETO.

Correto, pessoal. A ONU conta hoje com os chamados Treaty bodies, que
nada mais são que comitês. Contudo, esses comitês apenas monitoram o
cumprimento, fazem relatórios e recomendam mudanças. Além disso, nem
todos estão adequados ao sistema de peticionamento individual. Por outro
lado, os sistemas regionais, como o interamericano, contam com cortes,
capaz de impor observância dos tratados, em alguma medida. POR ISSO, É
CORRETO AFIRMAR QUE OS SISTEMAS UNIVERSAIS POSSUEM ACESSO
MENOS EFICAZ DO QUE OS SISTEMAS REGIONAIS

3. existência do domínio reservado de jurisdição interna, o que significa dizer


que atos afetos à soberania estatal não podem ser avaliados por organismos
internacionais fora de bases de natureza consensual INCORRETO.

Como dito, pessoal, não se há falar em impossibilidade de exame de atos. As


cortes internacionais analisam e julgam os atos, impondo sanções e
indenizações.

[Link] regional interamericano de proteção dos direitos humanos

CASO DAMIÃO XIMENES LOPES

Em 22 de novembro de 1999, Irene Ximenes Lopes Miranda apresentou, à


Comissão Interamericana, petição contra o Brasil, em que denunciou fatos
ocorridos em detrimento de seu irmão, o senhor Damião Ximenes Lopes. Em 30
de setembro de 2004, a Comissão decidiu submeter esse caso à Corte
Interamericana de Direitos Humanos

FOI O PRIMEIRO CASO ENVOLVENDO PESSOA COM DEFICIÊNCIA NA


CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS E FOI RESPONSÁVEL
POR MOSTRAR QUE O BRASIL PODE SER CONDENADO POR ATO DE
ENTE FEDERADO OU POR ATO DO PODER JUDICIÁRIO, NÃO SENDO
ACEITAS ALEGAÇÕES COMO “RESPEITO AO FEDERALISMO” OU
“RESPEITO À SEPARAÇÃO DE PODERES”.

SUA SENTENÇA DETERMINOU QUE O ESTADO BRASILEIRO ELABORASSE


UMA POLÍTICA ANTIMANICOMIAL.

Caso Damião Ximenes Lopes vs. República Federativa do Brasil

A Comissão recebeu a petição dos familiares em 22 de novembro de 1999 e


apresentou o caso à Corte em 1º de outubro de 2004. Foram proferidas
sentenças em 30 de novembro de 2005 (exceções preliminares) e 4 de julho
de 2006 (mérito). O Sr. Damião Ximenes Lopes, pessoa com doença mental,
foi assassinado cruelmente em 1999 na Casa de Repouso de Guararapé
(Ceará). Com a delonga nos processos cível e criminal na Justiça Estadual do
Ceará, a família peticionou à Comissão IDH alegando violação do direito à
vida, integridade psíquica (dos familiares, pela ausência de punição aos
autores do homicídio) devido processo legal em prazo razoável. Na sentença
de mérito da Corte, ficou reconhecida a violação do direito à vida e à
integridade pessoal, bem como das garantias judiciais, e, consequentemente,
foram fixadas diversas obrigações de reparação, além de ter sido
estabelecidos deveres do Estado de elaboração de política antimanicomial.
Na sentença a Corte concluiu que o Brasil pode ser condenado por ato de
ente federado ou por ato do Poder Judiciário, não sendo aceitas alegações
como “respeito ao federalismo” ou “respeito à separação de poderes”.

Importância: O caso representa a primeira condenação do Brasil pela


Corte Interamericana de Direitos Humanos. Além disso, é o primeiro
caso envolvendo pessoa com deficiência na Corte IDH.

OBS somente os Estados partes podem peticionar a Corte Interamericana.

Caso Damião Ximenes vs. Brasil:

Este caso gira em torno dos maus tratos e da morte de Damião Ximenes
Lopes numa clínica privada de saúde mental vinculada ao Sistema Único de
Saúde – SUS.

→ É a primeira condenação do Brasil na Corte IDH;

→ É o primeiro caso em que a Corte analisa a violação de direitos humanos


de pessoa com deficiência mental em sua jurisdição contenciosa; e

→ Corte atribuiu responsabilidade ao Estado mesmo com relação a atos


comissivos ou omissivos cometidos por particulares.

→ A Corte definiu que a sujeição só pode ser utilizada para proteger a


integridade física do paciente ou de terceiros e apenas pessoal treinado e
qualificado pode utilizar a sujeição, que é “qualquer ação que interfira na
capacidade de um paciente de tomar decisões ou que restrinja sua liberdade
de movimento”. Deve haver acompanhamento médico durante e após a
sujeição. A sujeição deve ser restritiva e a força não pode ser usada de
maneira desproporcional.

CASO ARRELANO E OUTROS VS. CHILE, a Corte Interamericana de Direitos


Humanos decidiu que “a Corte tem consciência de que os juízes e tribunais
internos estão sujeitos ao império da lei e, por isso, são obrigados a aplicar as
disposições vigentes no ordenamento jurídico. Mas quando um Estado ratifica
um tratado internacional como a Convenção Americana, seus juízes, como parte
do aparato estatal, também estão submetidos a ela, o que os obriga a velar
para que os efeitos das disposições da Convenção não se vejam diminuídos
pela aplicação de leis contrárias a seu objeto e a seu fim e que, desde o início,
carecem de efeitos jurídicos

O Poder Judiciário DEVE EXERCER uma espécie de “controle de


convencionalidade” entre as normas jurídicas internas aplicadas a casos
concretos e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos; nessa tarefa, o
Poder Judiciário deve levar em conta não apenas o tratado, mas também a
interpretação que a Corte Interamericana, intérprete última da Convenção
Americana, fez do mesmo.

O controle de convencionalidade pode ser definido como a verificação da


compatibilidade vertical entre os atos normativos e administrativos domésticos
e os tratados internacionais de direitos humanos, sendo fixado na doutrina e na
jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos que tal controle
compete tanto ao Poder Judiciário quanto a funcionários
administrativos e aos demais atores do sistema de justiça (delegados
de polícia, promotores, procuradores, defensores públicos, etc.).

1. Juízes e Tribunais Nacionais: São os principais responsáveis pelo


controle de convencionalidade. Eles devem interpretar e aplicar as
normas internas de maneira compatível com os tratados internacionais
de direitos humanos. Isso inclui tanto juízes de primeira instância
quanto os de instâncias superiores, como tribunais de apelação e
cortes supremas.
2. Cortes Constitucionais: Em países que possuem cortes
constitucionais, estas desempenham um papel crucial no controle de
convencionalidade, verificando se as normas internas estão em
conformidade com os tratados internacionais de direitos humanos.
3. Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH): Embora não
exerça controle direto sobre as normas internas dos países, a CIDH
influencia significativamente o controle de convencionalidade através
de suas decisões e sentenças. As decisões da CIDH são vinculantes
para os Estados membros da OEA, orientando a interpretação e
aplicação dos tratados de direitos humanos.
4. Procuradores e Defensores Públicos: Também podem levantar
questões de convencionalidade em seus argumentos perante os
tribunais, incentivando a revisão das normas internas à luz dos
tratados internacionais de direitos humanos.
5. Legisladores: Embora o controle de convencionalidade seja
predominantemente uma função do Judiciário, os legisladores também
devem considerar a conformidade das leis que criam com os tratados
internacionais de direitos humanos, prevenindo possíveis conflitos
desde a elaboração das normas.
CASO DO POVO INDÍGENA XUCURU E SEUS MEMBROS VERSUS BRASIL
foi levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos (IDH) pela Comissão
Interamericana de Direitos Humanos em razão de supostas violações contra o
direito de propriedade e integridade do Povo Xucuru.

I. O Caso do Povo Indígena Xucuru e seus membros vs. Brasil foi o primeiro caso
envolvendo povos originários e o Estado brasileiro na Corte IDH.

II. Além da questão de propriedades de terras indígenas, o caso tratou também


de violação às garantias judiciais, já que fora descumprida a garantia do prazo
razoável mencionado no processo administrativo.

III. Foi alegado pelo Estado brasileiro, nas exceções preliminares,


incompetência ratione temporis e ratione materiae. A primeira deu-se em razão
dos fatos discutidos terem sido anteriores à data de reconhecimento da
jurisdição da Corte e a segunda em razão da suposta violação da Convenção
169 da OIT.

CONDENAÇÕES DO BRASIL NA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS


HUMANOS

1) Caso Damião Ximenes Lopes vs. Brasil – 2006

2) Caso Gilson Nogueira de Carvalho vs. Brasil – 2006

3) Caso Escher e outros vs. Brasil – 2009

4) Caso Garibaldi vs. Brasil – 2009

5) Caso Gomes Lund e outros (“Guerrilha do Araguaia”) vs. Brasil – 2010

6) Caso Trabalhadores da Fazenda Brasil Verde vs. Brasil – 2016

7) Caso Cosme Rosa Genoveva (Favela Nova Brasília) vs. Brasil – 2017

8) Caso do Povo Indígena Xucuru e seus membros vs. Brasil – 2018

9) Caso Vladimir Herzog e outros vs. Brasil – 2018

10) Caso Empregados da Fábrica de Fogos de Santo Antônio de Jesus vs.


Brasil – 2020

11) Caso Márcia Barbosa de Souza - 2021

12) Caso Gabriel Sales Pimenta vs. Brasil – 2022

13) Caso Antônio Tavares de Pereira – 2024

14) Caso Operação Castelinho (Honorato e outros) – 2024


CASOS EM TRAMITAÇÃO NA CORTE INTERAMERICANA

1) Caso Cley Mendes e outros vs. Brasil

2) Caso Luiza Melinho vs. Brasil

3) Caso Hernandez Norambuena vs. Brasil

4) Caso Muniz da Silva vs. Brasil

5) Caso Collen Leite e outros vs. Brasil

6) Caso Leite de Souza e outros vs. Brasil

7) Caso comunidades Quilombolas de Alcântara vs. Brasil

8) Caso da Silva e outros vs. Brasil

9) Caso dos Santos Nascimento e Ferreira Gomes vs. Brasil

CASO INDÍGENAS XUCURU vs. BRASIL

O caso submetido à Corte. – Em 16 de março de 2016, a Comissão


Interamericana de Direitos Humanos (doravante denominada “Comissão
Interamericana” ou “Comissão”) submeteu à Corte o Caso do Povo Indígena
Xucuru e seus membros contra a República Federativa do Brasil (doravante
denominado “Estado” ou “Brasil”). De acordo com a Comissão, o caso se refere
à suposta violação do direito à propriedade coletiva e à integridade pessoal do
Povo Indígena Xucuru, em consequência: i) da alegada demora de mais de 16
anos, entre 1989 e 2005, no processo administrativo de reconhecimento,
titulação, demarcação e delimitação de suas terras e territórios ancestrais; e ii)
da suposta demora na desintrusão total dessas terras e territórios, para que o
referido povo indígena pudesse exercer pacificamente esse direito. O caso
também se relaciona à suposta violação dos direitos às garantias judiciais e à
proteção judicial, em consequência do alegado descumprimento do prazo
razoável no processo administrativo respectivo, bem como da suposta demora
em resolver ações civis iniciadas por pessoas não indígenas com relação a parte
das terras e territórios ancestrais do Povo Indígena Xucuru. A Comissão
salientou que o Brasil violou o direito à propriedade, bem como o direito à
integridade pessoal, às garantias e à proteção judiciais previstos nos artigos 21,
5, 8 e 25 da Convenção Americana, em relação aos artigos 1.1 e 2 do mesmo
instrumento.

O caso do Povo Indígena Xucuru envolve a luta pela demarcação e


regularização de suas terras tradicionais no Brasil, que se desenrolou ao
longo de décadas e incluiu conflitos com fazendeiros e invasores, além de
batalhas judiciais.

### Contexto Histórico:


O povo Xucuru, que habita a região do município de Pesqueira, em
Pernambuco, tem uma longa história de resistência em defesa de seu
território. A terra indígena Xucuru é um território tradicional que foi alvo de
invasões ao longo do tempo, especialmente durante o período da colonização
e nos anos subsequentes, quando as terras foram gradualmente tomadas por
fazendeiros e outros não-indígenas.

### Luta pela Demarcação:

O processo de demarcação da Terra Indígena Xucuru começou nos anos


1980, mas enfrentou grandes obstáculos. Após anos de reivindicações e
mobilizações, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) iniciou os estudos de
demarcação, que culminaram na publicação do relatório de identificação em
1989. No entanto, a homologação, que deveria garantir a posse permanente
do território aos Xucuru, só ocorreu em 2001, após muita pressão e luta.

### Conflitos e Violência:

A luta pela terra dos Xucuru foi marcada por graves conflitos e violência.
Lideranças indígenas foram perseguidas e ameaçadas, e o cacique Xicão
Xucuru, uma importante liderança na luta pela demarcação, foi assassinado
em 1998. A violência contra os Xucuru chamou a atenção nacional e
internacional, aumentando a pressão sobre o governo brasileiro para resolver
a questão da demarcação.

### Decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos:

Dada a demora e as violações sofridas pelos Xucuru, o caso foi levado à Corte
Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH). Em 2018, a Corte IDH
condenou o Estado brasileiro por não proteger adequadamente os direitos
territoriais do povo Xucuru e por falhas no processo de demarcação, bem
como por não ter garantido a segurança das lideranças indígenas. A decisão
da Corte foi histórica, ordenando que o Brasil conclua a regularização das
terras e adote medidas para proteger os direitos dos Xucuru.

### Importância do Caso:

O caso do Povo Indígena Xucuru é emblemático na luta pelos direitos


territoriais dos povos indígenas no Brasil. Ele destaca as dificuldades
enfrentadas na efetivação dos direitos reconhecidos pela Constituição Federal
de 1988 e a importância de organismos internacionais na defesa dos direitos
humanos, especialmente quando o Estado nacional falha em cumprir suas
obrigações. A decisão da Corte IDH reforça o dever do Estado brasileiro de
proteger os direitos dos povos indígenas, incluindo a demarcação e a
regularização de suas terras tradicionais.

O direito à liberdade de expressão, de acordo com a Comissão Interamericana


de Direitos Humanos, em todas as suas formas e manifestações, é um direito
fundamental e inalienável, inerente a todas as pessoas. É, ademais, um
requisito indispensável para a própria existência de uma sociedade
democrática.
O Caso A Última Tentação de Cristo, também conhecido como Olmedo Bustos e
outros vs. Chile, é considerado o leading case sobre liberdade de expressão na
Corte Interamericana de Direitos Humanos.

O STF já decidiu ser incompatível com a Constituição Federal a ideia de um


direito ao esquecimento. Entretanto, ressalvou que eventuais excessos ou
abusos no exercício da liberdade de expressão e de informação devem ser
analisados caso a caso, a partir dos parâmetros constitucionais.

O STF não veda o proselitismo e, de fato, considera a liberdade de expressão


um direito fundamental. Críticas a religiões, incluindo as de matriz africana
como umbanda e candomblé, são permitidas dentro dos limites da liberdade de
expressão, desde que não configurem discurso de ódio ou incitação à violência,
e desde que não haja abuso do direito. OBS< proselitismo significa tentar
converter as pessoas, veja a definição do Google: é o intento ou empenho de
converter pessoas, ou determinados grupos, a uma determinada ou conseguir
adeptos via instrução oral.

CASO OLMEDO BUSTOS E OUTROS VS. CHILE (OU CASO "A ÚLTIMA
TENTAÇÃO DE CRISTO")

O Caso Olmedo Bustos e outros vs. Chile, decidido pela Corte Interamericana de
Direitos Humanos (Corte IDH) em 2001, encontra-se na encruzilhada entre o
direito à liberdade religiosa e o direito à liberdade de expressão, especialmente
cinematográfica, já que envolve a condenação do Estado do Chile por censurar
o filme “A última tentação de Cristo”, Martin Scorsese, por violação à honra
religiosa.

A controvérsia orbitava os artigos 12 e 13 da Convenção Americana de Direitos


Humanos (CADH), um conflito material entre Liberdade de Consciência e
Religião e à Liberdade de Pensamento e Expressão, de forma respectiva. Para
além deste encontro dos direitos, questionava-se o que é, de fato, Liberdade de
Consciência: tanto no que tange a liberdade de expressão como no que tange a
liberdade de religião. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)
submeteu a demanda à Corte em 15 de janeiro de 1999.

O Estado do Chile é condenado, em 5 de fevereiro de 2001, pela Corte IDH. A


apreciação da Corte IDH tem como base a decisão da última instância do
judiciário chileno pela manutenção da censura do filme “A última tentação de
Cristo”. O filme, cuja polêmica ao redor do mundo é notória, retrata a vida de
Jesus Cristo de forma diversa à preconizada na doutrina Católica. Decide-se,
portanto, pela validade da transmissão de determinada mensagem, isto é, da
liberdade de expressão, mas também é decidida a validade de mutação de
ideias religiosas, a consciência de religião.

A ADPF 635 FOI PROPOSTA JUNTO AO STF (Supremo Tribunal Federal) em


novembro de 2019 pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), com a finalidade de
enfrentar a violência policial no Rio de Janeiro. A petição, de um modo geral,
questiona dois decretos estaduais que regulamentam a política de segurança
fluminense e pede o reconhecimento das graves violações de direitos humanos
cometidas pelas forças policiais nas favelas, além da implementação de
medidas concretas para reduzir a letalidade e garantir justiça às vítimas.

Em relação à temática, avalie as afirmativas a seguir.

I. O PROTOCOLO DE MINNESOTA SOBRE INVESTIGAÇÃO DE MORTES


POTENCIALMENTE ILÍCITAS CONSISTE EM UM CONJUNTO DE REGRAS
SOBRE COMO PROCEDER A INVESTIGAÇÃO DE MORTES QUE POSSAM
SER TIDAS COMO ILÍCITOS, POR MEIO DE UMA INVESTIGAÇÃO EFICAZ
DE TODA E QUALQUER MORTE POTENCIALMENTE INJUSTA.

II. O STF, NO JULGAMENTO DA ADPF, 635 VETOU O USO DE


HELICÓPTEROS COMO PLATAFORMA DE TIRO, RESTRINGIU OPERAÇÕES
POLICIAIS EM PERÍMETROS ESCOLARES E HOSPITALARES, DETERMINOU
A PRESERVAÇÃO DOS VESTÍGIOS DA CENA DO CRIME E REMOÇÕES DE
CORPOS PARA A REALIZAÇÃO DE PERÍCIA.

III. O ESTADO BRASILEIRO FOI CONDENADO PELA CORTE IDH NO CASO


FAVELA NOVA BRASÍLIA, TENDO SIDO RECONHECIDO QUE OS
FAMILIARES DAS VÍTIMAS DE VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS
TAMBÉM PODEM SER VÍTIMAS, EM RAZÃO DA VIOLAÇÃO DA
INTEGRIDADE PSÍQUICA E MORAL DESTES ANTE AS VIOLAÇÕES
PERPETRADAS, BEM COMO PELA FALTA DE DILIGÊNCIA POR PARTE DO
ESTADO A FIM DE ELUCIDAR O CASO.

Em operações de segurança pública, à luz da teoria do risco


administrativo, será objetiva a responsabilidade civil do Estado quando
não for possível afastá-la pelo conjunto probatório, recaindo sobre ele
o ônus de comprovar possíveis causas de exclusão.

I.O Protocolo de Minnesota é destinado a policiais, médicos, advogados,


oficiais de Justiça, ONGs e outros atores envolvidos em investigações de
homicídios potencialmente ilegais. É aplicado principalmente às investigações
realizadas em tempos de paz, mas também abrange homicídios durante
conflitos. O protocolo estimula que as investigações devem buscar todas as
linhas legítimas de inquérito sobre potenciais assassinatos ilegais; e que oficiais
devem buscar determinar a causa, a maneira, o local e a hora da morte, assim
como suas circunstâncias.

II.A Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635 foi


ajuizada pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) com a pretensão de que fossem
reconhecidas e sanadas graves lesões a preceitos fundamentais constitucionais,
decorrentes da política de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro
marcada pela "excessiva e crescente letalidade da atuação policial". A ADPF
635 aborda os seguintes temas: fim do uso dos blindados aéreos em operações
policiais, a proteção a comunidade escolar, a garantia do direito à participação
e ao controle social nas políticas de segurança pública, o acesso à justiça e a
construção de perícias e de provas que incluam a participação da sociedade
civil e movimentos sociais como uma das ferramentas principais na resolução
das investigações de casos de homicídios e desaparecimentos forçados.

III.O caso Favela Nova Brasília versa sobre a responsabilidade internacional


do Estado brasileiro pela violação do direito à vida e à integridade pessoal das
vítimas – 26 homens vítimas de homicídio e 3 mulheres vítimas de violência
sexual – durante operações policiais realizadas na Favela Nova Brasília,
Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em 2 incursões ocorridas nos dias 18
de outubro de 1994 e em 8 de maio de 1995.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos proferiu sentença no CASO


SALES PIMENTA, que reconheceu, entre outras situações, a omissão do
Estado brasileiro em investigar, processar e punir os autores do crime de
homicídio de Gabriel Sales Pimenta, advogado do Sindicato de Trabalhadores
Rurais de Marabá (PA), ocorrido em 1982, cuja ação penal foi arquivada em
razão da prescrição. Ademais, destacou a necessidade de maior diligência nos
casos de violência contra defensores de direitos humanos, com base no
ocorrido no referido caso.

Nesse sentido, com relação aos programas de proteção de direitos humanos,


assinale a afirmativa correta. O Conselho Deliberativo do programa de proteção
de defensores de direitos humanos será composto, majoritariamente, por
representantes de organizações da sociedade civil.

PROTOCOLO DE MINNESOTA

1 I. Objetivos e âmbito de aplicação do Protocolo de Minnesota de 2016

1. O objetivo do Protocolo de Minnesota é proteger o direito à vida e


promover a justiça, a responsabilização e o direito à preparação, promovendo
uma investigação eficaz de qualquer morte potencialmente ilegal ou suspeita
de desaparecimento forçado. O Protocolo estabelece um padrão comum de
desempenho na investigação de uma morte potencialmente ilegal ou
suspeita de desaparecimento forçado, bem como um conjunto comum de
princípios e diretrizes para os Estados, instituições e indivíduos que
participam na investigação.

2. O Protocolo de Minnesota se aplica à investigação de qualquer “morte


potencialmente ilegal” e, mutatis mutandis, de qualquer suspeita de
desaparecimento forçado.

Para efeitos do Protocolo, prevê principalmente situações em que:

a) A morte pode ter sido causada por atos ou omissões do Estado, dos seus
órgãos ou agentes, ou pode ser imputável ao Estado, em violação da sua
obrigação de respeitar o direito à vida. Inclui, por exemplo, todas as mortes
possivelmente causadas por agentes responsáveis pela aplicação da lei ou
outros agentes do Estado; mortes causadas por grupos paramilitares, milícias
ou “esquadrões da morte” suspeitos de agir sob a direção do Estado ou com
o seu consentimento ou aquiescência; bem como mortes causadas por forças
militares ou de segurança privadas no exercício de funções do Estado.

b) A morte ocorreu quando a pessoa estava detida ou sob custódia do Estado,


seus órgãos ou agentes. Isto inclui, por exemplo, todas as mortes de pessoas
detidas em prisões, noutros locais de confinamento (oficiais e outros) e em
outras instalações onde o Estado exerce maior controlo sobre as suas vidas.

c) A morte pode ser o resultado do não cumprimento por parte do Estado da


sua obrigação de proteger a vida. Isto inclui, por exemplo, qualquer situação
em que um Estado não exerce a devida diligência para proteger uma pessoa
ou pessoas contra ameaças externas previsíveis ou atos de violência por
parte de intervenientes não estatais.

É também uma obrigação geral do Estado investigar qualquer morte que


ocorra em circunstâncias suspeitas, mesmo quando não é comunicada ou
quando se suspeita que o Estado causou a morte ou se absteve ilegalmente
de evitá-la.

O Art. 26 da Convenção Interamericana de Direitos Humanos dispõe sobre o


desenvolvimento progressivo dos Direitos Econômicos, Sociais, Ambientais e
Culturais (DESCA). EMBORA O ART. 26 DA CONVENÇÃO TENHA SIDO
APLICADO PELA PRIMEIRA VEZ DE FORMA AUTÔNOMA NO CASO LAGOS
DEL CAMPO VS. PERU, EM 2017, A CORTE IDH JÁ HAVIA, ANOS ANTES,
RECONHECIDO SUA COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR SOBRE
VIOLAÇÕES AO REFERIDO DISPOSITIVO CONVENCIONAL DESDE O
CASO ACEVEDO BUENDÍA VS. PERU.

Para resolver a questão é preciso saber o que é justiciabilidade -


> Justiciabiliade é o reconhecimento de um direito como possível de
reclação. É direta quando o direito transpõe o juízo de
admissibildiade sozinho, por sua vez, é indireta quando depende de
outro direito.

Em que pese a aplicação da justiciabilidade direta tenha se dado apenas no


ano de 2017 a sentença do caso Acevedo Buendia vs Perú data de 2009,
podendo-se concluir que embora a decisão faça referência ao precedente
determinado no Caso Acevedo Buendía, o posicionamento adotado no caso
Lagos del Campo é distinto daquele, atribuindo maior alcance à competência
da Corte e a exigibilidade direta dos DESCA através do artigo 26 da
Convenção Americana sobre Direitos Humanos, não definida no, em tese,
precedente sobre o tema(de Moraes MV, Hennig Leal MC. Casos Lagos Del
Campo X Acevedo Buendía: Nova Interpretação da Corte Interamericana de
Direitos Humanos Quanto à Justiciabilidade dos Direitos Sociais?. RDP
[Internet]. 31º de janeiro de 2023).

A corte IDH admite a aplicação em modo direto de proteção de direitos


humanos com base na violação ao art. 26 da CADH.

Uma vez adotada a Carta da OEA e a Declaração Americana, “iniciou-se um


lento desenvolvimento da proteção interamericana de direitos humanos. O
primeiro passo foi a criação de um órgão especializado na promoção e
proteção de direitos humanos no âmbito da OEA. Na 5ª Reunião de consultas
dos Ministros de Relações Exteriores, realizada em Santiago do Chile em
1959, foi aprovada moção pela criação de um órgão voltado para a proteção
de direitos humanos no seio da OEA, que veio a ser a Comissão
Interamericana de Direitos Humanos. Pela proposta aprovada, a Comissão
funcionará provisoriamente até a adoção de uma “Convenção Interamericana
de Direitos Humanos”.

Após o ano de 2017, a Corte IDH manteve em seus julgamentos posteriores o


modelo de justiciabilidade direta. Assim, após o “Caso Lagos del Campo vs.
Peru78. Foi declarado, de ofício (sem pedido das vítimas ou da Comissão
Interamericana de Direitos Humanos), a violação ao art. 26 da CADH. Foi a
primeira vez que a Corte declarou violado pelo Estado o art. 26 da CADH,
mantendo essa linha em julgados subsequentes, a saber: Caso dos
Trabalhadores Despedidos da Empresa Petroperu79 (2017), Caso Poblete
Vilches vs. Chile (2018)80 e Caso San Miguel Sosa vs. Venezuela81 (2018)”
(Ramos, 2020).

Com a aplicação do modo direto da justiciabilidade das decisões da Corte


IDH, tem-se que cada direito pode ser pleiteado individualmente em face do
Estado posto a existência de direitos subjetivos distintos da vítima em relação
a ele. Com efeito, “A justiciabilidade direta dos direitos sociais implica no
reconhecimento de direitos subjetivos oponíveis aos Estados (tais como os
direitos civis e políticos), afastando-se a tese de que tais direitos
representariam somente normas programáticas aos Estados (RAMOS, 2020).

O sistema interamericano de direitos humanos foi criado pela Organização dos


Estados Americanos (OEA) com a aprovação e publicação da Convenção
interamericana de direitos humanos (Pacto de São José da Costa Rica), a qual
foi ratificada pelo Brasil. A Convenção Interamericana contra o Racismo, a
Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância foi promulgada pelo
Brasil com status de emenda constitucional.

TRATADOS COM STATUS DE EMENDA CONSTITUCIONAL

I - Convenção Internacional da Pessoa com Deficiência (Convenção de


Nova York);

II- Protocolo facultativo da Convenção sobre os Direitos das Pessoas


com Deficiência;

III- Tratado de Marraqueche para Facilitar o Acesso a Obras Publicadas


para Pessoas Cegas;

IV- Convenção Interamericana contra o Racismo (2021).

Por meio de nota transmitida ao Secretário-Geral da OEA no DIA 10 DE


DEZEMBRO DE 1998, o Brasil reconheceu a jurisdição da Corte, com cláusula
temporal pela qual somente fatos ocorridos após o reconhecimento poderiam
ser julgados pela Corte. NÃO FOI RECONHECIDA COM O ADVENTO DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 88.

TRIBUNAL DE HAIA FAZ PARTE DA ESTRUTURA INTERNACIONAL


(SISTEMA GLOBAL), JÁ O SISTEMA INTERAMERICANO É REGIONAL.

OEA É COMPOSTA POR ÓRGÃOS, NÃO ESTADOS.

A petição de caso individual deverá ser acompanhada da respectiva procuração


do advogado constituído, com a comprovação da ausência de apreciação pela
jurisdição interna. ERRADA> NÃO PRECISA DE ADVOGADO. A COMISSÃO
SÓ PODERÁ EXAMINAR UMA DENÚNCIA DEPOIS QUE FOREM
ESGOTADOS OS RECURSOS JUDICIAIS INTERNOS, EM CONFORMIDADE
COM A LEGISLAÇÃO VIGENTE NO ESTADO ENVOLVIDO.

Existem sete principais Comitês e Comissões dentro da OEA. Esses sete corpos
são: o Comitê Interamericano de Combate ao Terrorismo (CICTE); a Comissão
Jurídica Interamericana; a Comissão Interamericana de Direitos Humanos; a
Corte Interamericana de Direitos Humanos; a Comissão Interamericana para o
Controle de Abuso de Drogas; a Comissão Interamericana de
Telecomunicações; e o Comitê Interamericano de Portos.

Diferentemente da Carta das Nações Unidas, que contempla a possibilidade de


expulsar um Estado membro que viole repetidamente os princípios contidos no
seu artigo 6, a Carta da OEA não considera essa possibilidade. Assim a
Comissão estima que o carácter de Estado membro constitui um direito de
acordo com as previsões da Carta, sendo assim, nenhum Estado pode ser
privado dessa qualidade; a condição de Estado membro somente pode ser
renunciada pelo Governo que considere que esta medida é pertinente, mas não
pode ser perdida por meio da aplicação de uma sanção que não está
contemplada na Carta”

De acordo com a Convenção Americana, somente os Estados Partes e a


Comissão Interamericana têm direito de submeter um caso à decisão da Corte.
Em consequência, o Tribunal pode atender petições formuladas pelos indivíduos
ou organizações. Desta maneira, os indivíduos ou organizações que considerem
que exista uma situação que viola as disposições da Convenção e desejem
recorrer ao Sistema Interamericano, devem dirigir suas denúncias à Comissão
Interamericana, a qual é competente para reconhecer petições que lhe sejam
apresentadas por qualquer pessoa, grupo de pessoas, ou entidade não-
governamental legalmente reconhecida, que contenham denúncias ou queixas
de violação da Convenção por um Estado Parte.

Tratados Internacionais de Direitos Humanos incorporados com


status de emenda constitucional no Brasil:

1. Convenção da ONU sobre Direito das Pessoas com Deficiência


(Convenção de Nova York);
2. Protocolo Adicional da Convenção da ONU sobre Direito das Pessoas
com Deficiência;
3. Tratado de Marraqueche (dispõe sobre acesso a obras literárias para
pessoas cegas);
4. Convenção Interamericana contra o Racismo.

Tratados Internacionais de Direitos Humanos incorporados com status


supralegal:

1. -Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura, em


20 de julho de 1989;
2. -Convenção sobre os Direitos da Criança, em 24 de setembro de
1990;
3. -Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, em 24 de
janeiro de 1992;
4. -Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais, em 24 de janeiro de 1992;
5. -Convenção Americana de Direitos Humanos, em 25 de setembro
de 1992;
6. -Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar
a Violência contra a Mulher, em 27 de novembro de 1995.

Em relação ao controle de convencionalidade, assinale a afirmativa correta.


DE ACORDO COM A TEORIA DO DUPLO CONTROLE, AS NORMAS
JURÍDICAS DEVEM GUARDAR COMPATIBILIDADE NÃO APENAS COM A
RESPECTIVA CONSTITUIÇÃO NACIONAL, MAS TAMBÉM COM AS
DISPOSIÇÕES INTERNACIONAIS ACOLHIDAS PELO RESPECTIVO ESTADO-
PARTE. ASSIM, PARA SER CONSIDERADA HÍGIDA, A NORMA DEVE
PASSAR TANTO PELO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE QUANTO
PELO CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE.

Para a Corte IDH o controle de convencionalidade compete a TODOS os


poderes do Estado. (Caso Cabrera García e Montiel Flores vs. México)

Em outras palavras, o Poder Judiciário deve exercer uma espécie de


“controle de convencionalidade" entre as normas jurídicas internas
aplicadas a casos concretos e a Convenção Americana sobre Direitos
Humanos. Nesta tarefa, o Poder Judiciário deve levar em conta não
apenas o tratado, mas também a interpretação que a Corte
Interamericana, intérprete última da Convenção Americana, fez do
mesmo" .

Válido citar ainda dois casos da Corte IDH:

 Caso Gelman vs. Uruguai: Corte IDH ressalta que os agentes


estatais, na ordem interna, devem obedecer ao Direito Internacional,
e, dentro de suas competências, exercer o controle de
convencionalidade.
 Caso Cabrera Garcia e Montiel Flores vs. México: em que umas
das marcas do julgado é a obrigação de se velar pelo “efeito útil do
Pacto”, ou seja, por se realizar o controle de convencionalidade
difuso a partir da atuação de todos os juízes nacionais, criando
um dever de atuação no âmbito interno. Portanto, o caso trata sim
de controle de convencionalidade.
O caso VALÊNCIA CAMPOS E OUTROS VS. BOLÍVIA, apreciado pela Corte
Interamericana de Direitos Humanos em 2022, suscitou a análise acerca das
garantias que devem ser asseguradas no curso de operações policiais de busca
e apreensão em domicílios no período noturno. A Corte IDH declarou a
responsabilidade do Estado boliviano à luz da Convenção Americana sobre
Direitos Humanos (“Convenção”) pela violação de uma série de direitos das
vítimas que, à época dos fatos, foram alvo de uma operação policial que tinha
por objetivo identificar e deter os supostos autores de um roubo de grande
repercussão na Bolívia.
Sobre as contribuições dessa sentença à jurisprudência interamericana,
assinale a afirmativa correta. O ENTENDIMENTO DA CORTE IDH SOBRE A
LIMITAÇÃO DE OPERAÇÕES DE INVASÃO DOMICILIAR DURANTE A NOITE
TEM POR FUNDAMENTO O DIREITO À VIDA PRIVADA, PREVISTO NO ART.
11 DA CONVENÇÃO E AS OBRIGAÇÕES ESTATAIS DE PROTEÇÃO DA
FAMÍLIA, DECORRENTES DO ART. 17 DA CONVENÇÃO.

Maria tem acesso direto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos,


pois qualquer pessoa (individual ou em grupo) ou ONG legalmente
reconhecida em um ou mais Estados membros pode peticionar junto à
Comissão. É o que consta no art. 23 do Regulamento da Comissão
Interamericana de Direitos Humanos, aprovado em 2009. Veja-se:

Artigo 23. Apresentação de petições: Qualquer pessoa ou grupo de


pessoas, ou entidade não-governamental legalmente reconhecida em
um ou mais Estados membros da Organização pode apresentar à
Comissão petições em seu próprio nome ou no de terceiras pessoas,
sobre supostas violações dos direitos humanos reconhecidos [...] O
peticionário poderá designar, na própria petição ou em outro instrumento
por escrito, um advogado ou outra pessoa para representá-lo perante a
Comissão.

ATENÇÃO! É diferente da Corte Interamericana de DH (somente os


Estados Partes e a Comissão têm direito de submeter caso à decisão da Corte
- artigo 61 da Convenção Americana).

Legitimidade para demandar na comissão de DH -> qualquer pessoa;


grupo de pessoa; ou organização não governamental.

Legitimidade para demandar na corte de DH -> comissão de DH e os


estados- partes;

COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS

§ Órgão de fiscalização, supervisiona o cumprimento das obrigações


internacionais.
§ Integra a estrutura da OEA

§ 7 membros- ELEITOS POR 4 ANOS, admitida uma recondução;

§ NÃO ADMITE 2 MEMBROS DA MESMA NACIONALIDADE.

Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não


governamental legalmente reconhecida em um ou mais Estados
membros da Organização pode apresentar à Comissão petições em
seu próprio nome ou no de terceiras pessoas, sobre supostas
violações dos direitos humanos reconhecidos. Art. 23 do PSJCR

CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS

· Órgão jurisdicional

· 7 JUÍZES – Eleitos a título pessoal

· NÃO ADMITE 2 JUÍZES DA MESMA NACIONALIDADE

· ELEITOS: votação secreta e pelo voto de maioria absoluta

· MANDATO: 6 ANOS, admitida uma recondução

· QUORUM DE DILIBERAÇÃO: 5 JUÍZES

· Competência: Contenciosa e Consultiva

· A competência da corte é facultativa

· BRASIL: reconheceu a competência obrigatória;

· LEGITIMIDADE: Estados partes e a Comissão

· NÃO MATERIALIZA O JUS STANDI (possibilidade de acesso direto


ao tribunal)

· A participação da comissão é obrigatória “custos legis”

· PESSOAS E ENTIDADES: podem habilitar-se no processo, atuando


como assistentes da comissão ou amicus curiae. MATERIALIZA O
LOCUS STANDI (possibilidade de ser ouvida autonomamente no
processo)

· DECISÃO DA CORTE: natureza vinculante e caráter obrigatório

· DECISÃO DA CORTE: definitiva e inapelável;

· DECISÃO DA CORTE: Não são homologadas por qualquer Tribunal


brasileiro; o cumprimento da sentença não depende de manifestação do STF;
· A decisão vira título executivo judicial;

A deficiência é considerada um conceito social (e não médico) em evolução,


resultante da interação entre pessoas com deficiência e as barreiras geradas
por atitudes e pelo ambiente que impedem a plena e efetiva participação
dessas pessoas na sociedade em igualdade de oportunidades com as demais
pessoas.
RAMOS, André de Carvalho, Curso de Direitos Humanos. São Paulo: Saraiva
Educação, 6ª ed. 2019, pág.839.

A luta pela implementação dos direitos das pessoas com deficiência culminou
na edição do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei no 13.146/2015), entre
outros diplomas legais, além de ensejar também constante evolução
jurisprudencial dos Tribunais Superiores.
Nesse sentido, de acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, analise as
afirmativas a seguir.

I. É POSSÍVEL A COMPENSAÇÃO POR DANO MORAL DECORRENTE DE


FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE COLETIVO
PÚBLICO ÀS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA QUANDO OFERTADO DE
FORMA NEGLIGENTE E/OU DISCRIMINATÓRIA, SEM CONDIÇÕES DIGNAS
DE ACESSIBILIDADE.

III. O CASO DAMIÃO XIMENES LOPES (2006) FOI A PRIMEIRA


CONDENAÇÃO DO BRASIL NA CORTE IDH SOBRE VIOLAÇÃO DE DIREITOS
HUMANOS DE PESSOA COM ENFERMIDADE MENTAL. RESTOU DECIDIDO
QUE A RESPONSABILIDADE ESTATAL TAMBÉM PODE OCORRER POR
ATOS DE PARTICULARES EM PRINCÍPIO NÃO ATRIBUÍVEIS AO ESTADO,
TAL COMO OCORRE QUANDO SE PRESTAM SERVIÇOS EM NOME DO
ESTADO.

HAVERÁ ISENÇÃO TRIBUTÁRIA NA COMPRA DO VEÍCULO ADQUIRIDO


POR PESSOA COM DEFICIÊNCIA MESMO QUE O AUTOMÓVEL VÁ SER
DIRIGIDO POR OUTRA TERCEIRA PESSOA. ENTENDIMENTO DO STJ

"Extrai-se da jurisprudência desta Corte(STJ) (REsp. 567.873/MG, Rel. Min. LUIZ


FUX, DJ 25.2.2004; AgRg no AREsp 50.688/RS, Rel. Min. ARNALDO ESTEVES
LIMA, DJe 2.5.2012) a conclusão de que a peculiaridade de que o veículo seja
conduzido por terceira pessoa não constitui óbice razoável ao gozo da isenção
fiscal, de sorte que, preponderando o princípio da proteção aos deficientes
(físicos ou mentais), ante os desfavores sociais de que tais pessoas são vítimas,
deve ser superado o alcance da norma em prol das ações afirmativas, já que
incumbe ao Estado soberano assegurar por si ou por seus delegatários o
cumprimento do postulado do acesso adequado às pessoas portadoras de
deficiência."

1. Caso "Ximenes Lopes vs. Brasil" (2006)

 Contexto: Este foi o primeiro caso em que o Brasil foi condenado pela
Corte Interamericana de Direitos Humanos. Damião Ximenes Lopes,
portador de doença mental, foi internado em uma clínica psiquiátrica
onde sofreu maus-tratos e morreu em 1999.
 Decisão: A Corte concluiu que o Estado brasileiro violou o direito à
vida, à integridade pessoal e à proteção judicial de Ximenes Lopes.

2. Caso "Gomes Lund e outros (Guerrilha do Araguaia) vs. Brasil"


(2010)

 Contexto: Este caso tratou das violações de direitos humanos


ocorridas durante a ditadura militar no Brasil, especificamente
relacionadas às operações contra a Guerrilha do Araguaia nos anos
1970.
 Decisão: A Corte determinou que o Brasil deveria investigar os
desaparecimentos forçados, identificar os responsáveis e proporcionar
reparações às famílias das vítimas.

3. Caso "Escher e outros vs. Brasil" (2009)

 Contexto: Envolveu a interceptação telefônica ilegal de membros do


Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Associação
Comunidade Unidos para o Desenvolvimento de Antônio Conselheiro
(ACUDA) no estado do Paraná.
 Decisão: A Corte concluiu que o Brasil violou os direitos à privacidade,
à proteção judicial e à liberdade de associação dos indivíduos
envolvidos.

4. Caso "Favelas Nova Brasília vs. Brasil" (2017)

 Contexto: O caso está relacionado com a violência policial e


execuções extrajudiciais em operações nas favelas Nova Brasília, no
Rio de Janeiro, em 1994 e 1995, resultando na morte de 26 pessoas.
 Decisão: A Corte ordenou ao Brasil que implementasse medidas para
prevenir a violência policial e reparasse as vítimas.

5. Caso "Herzog e outros vs. Brasil" (2018)

 Contexto: O caso aborda a tortura e morte do jornalista Vladimir


Herzog em 1975, durante a ditadura militar, sob custódia do Estado.
 Decisão: A Corte considerou que o Brasil violou os direitos à vida, à
integridade pessoal, à liberdade pessoal, à liberdade de expressão e à
proteção judicial de Herzog.
CASO TZOMPAXTLE TECPILE VS. MÉXICO:

A CORTE IDH, NO CASO TZOMPAXTLE TECPILE VS. MÉXICO, DECIDIU


QUE QUALQUER FIGURA DE NATUREZA PRÉ-PROCESSUAL QUE
BUSQUE RESTRINGIR A LIBERDADE DE UMA PESSOA PARA CONDUZIR
UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE DELITO QUE SUPOSTAMENTE COMETEU
RESULTA INTRINSECAMENTE CONTRÁRIA AO CONTEÚDO DA
CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS (CADH) E VIOLA DE
FORMA MANIFESTA SEUS DIREITOS À LIBERDADE PESSOAL E À
PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA.

Segundo esse caso, no ano de 2006, os indígenas Jorge Marcial Tzompaxtle


Tecpile, Gerardo Tzompaxtle Tecpile e Gustavo Robles López pediram ajuda a
policiais para consertar o carro. Todavia, os agentes resolveram revistar o
veículo e encontraram livros de ideias do revolucionário Lênin, jornais,
revistas, um documento com dizeres “morte ao imperialismo e uma foto do
Che Guevera. Por esse motivo foram presos por suspeita de ligação com o
crime organizado, com fundamento no “arraigo” (prisão preventiva sem
ordem judicial para investigar pessoas suspeitas de ligação com o crime
organizado)

A CORTE IDH DECLAROU QUE O ESTADO DO MÉXICO É RESPONSÁVEL


PELA VIOLAÇÃO DOS DIREITOS À INTEGRIDADE PESSOAL, LIBERDADE
PESSOAL, ÀS GARANTIAS JUDICIAIS E À PROTEÇÃO JUDICIAL
COMETIDAS.

Minha crítica: Na minha opinião a decisão da corte não vedou “qualquer


figura de natureza pré-processual que busque restringir a liberdade”, mas sim
a prisão preventiva sem ordem judicial (que é o caso do arraigo). Por
exemplo, a prisão em flagrante é pré-processual e não é vedada. (Se eu
estiver errado me corrijam por favor)

CASO LUIZA MELINHO VS. BRASIL:

O caso Luiza Melinho passou a tramitar no Sistema Interamericano


de Direitos Humanos em 2009. Em decisão recente, a COMISSÃO
INTERAMERICANA concluiu que o Estado brasileiro não garantiu
acesso à saúde a Melinho ao impor obstáculos para acessar a
cirurgia de transgenitalização solicitada.

Ainda não há julgamento definitivo na corte, mas a comissão já reconheceu a


violação:

A Comissão Interamericana colocou o Brasil no banco dos réus da Corte


Interamericana no caso Luiza Melinho vs. Brasil. Trata-se do primeiro caso a
respeito de cirurgias de redesignação sexual para pessoas trans no
sistema interamericano e o primeiro caso contra o Brasil envolvendo
essa minoria. Segundo o relatório da Comissão, o Estado brasileiro falhou
ao não garantir à vítima o acesso à saúde em condições de
igualdade, levando em conta também sua condição de
vulnerabilidade. A comissão também destacou a demora judicial de cinco
anos e meio para o julgamento do seu caso pelas cortes nacionais.

CASO MANUELA E OUTROS VS. EL SALVADOR:

NO CASO MANUELA E OUTROS VS. EL SALVADOR RESTOU DECIDIDO


PELA CORTE I.D.H. QUE, QUANDO DO ATENDIMENTO DE UMA MULHER
QUE PRATICOU O ABORTO, CLANDESTINO OU NÃO, OS
PROFISSIONAIS DA MEDICINA E DE ENFERMAGEM NÃO PODEM
DENUNCIAR ESSA PRÁTICA ÀS AUTORIDADES. DEVE-SE RESGUARDAR
O SIGILO MÉDICO.

O caso se refere a violações no processo penal que terminou com a


condenação em El Salvador da vítima, Manuela, pelo delito de homicídio
qualificado. A salvadorenha residia na zona rural do país, era analfabeta e
sofria de câncer linfático. Em fevereiro de 2008, após sentir fortes dores
pélvicas e abdominais, Manuela foi até uma latrina perto de sua casa e ali
sofreu um aborto espontâneo, desmaiando em seguida. No hospital foi
denunciada pelos médicos e acabou sendo posteriormente condenada a 33
anos de prisão, vindo a falecer em 2010, algemada à cama do setor de
detentos do hospital onde recebia tratamento para o câncer.

A CIDH admitiu o caso em 18 de março de 2017 (Informe de Admissibilidade


n. 29/17) e, em dezembro de 2018, proferiu o Informe de Fundo n°. 153/18,
no qual constatou várias questões e impôs recomendações ao Estado de El
Salvador. Entre as considerações realizadas, a CIDH ressaltou que a
divulgação de informações médicas deve ser exceção e deve obedecer ao
princípio da proporcionalidade, o que não ocorreu.

Nesse sentido, a Corte IDH responsabilizou o Estado de El Salvador por várias


violações e apesar de não ter sido aplicado ou considerado um direito ao
aborto no caso concreto, este foi o primeiro precedente da Corte IDH em que
houve uma análise mais detida da situação de violação de direitos humanos
das mulheres relacionadas à criminalização do aborto. A Corte IDH asseverou
que a existência de impactos desproporcionais com relação ao exercício dos
direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e meninas em países que
criminalizam totalmente o aborto e verificou que, a maior parte dos casos
judiciais, são originados a partir de denúncias apresentadas pelos
profissionais de saúde que realizam o atendimento de emergência
das mulheres, em nítida violação do sigilo profissional.

A DESTERRITORIALIZAÇÃO é o movimento pelo qual se abandona o


território, "é a operação da linha de fuga", e a RETERRITORIALIZAÇÃO,
como o movimento de construção do território. A desterritorialização e
a reterritorialização são processos indissociáveis. Se há um
movimento de desterritorialização, haverá também um movimento
de reterritorialização, podendo-se afirmar que eles são
concomitantes. "Temos que pensar a desterritorialização como uma
potência perfeitamente positiva, que possui seus graus e seus limiares e que
sempre é relativa, tendo, em reverso, uma complementaridade na
reterritorialização".

A ASSIMILAÇÃO é um processo de interpenetração e fusão no qual pessoas


e grupos adquirem as memórias, os sentimentos e as atitudes de
outras pessoas ou grupos, e, compartilhando sua experiência e história, são
incorporados em uma vida cultural comum. VER o conceito
de integração e assimilação.

A EXTRUSÃO ou DESINTRUSÃO é a retirada de todas as pessoas não índias


que invadiraO translado e o reassentamento são medidas excepcionais e só
ocorrem com o consentimento do povo indígena. A regra é o direito de voltar
às terras tradicionais, assim que deixarem de existir as causas que
motivaram a saída (VER A CONV. DA OIT n. 169, ART. 16)
m território indígena.

A PROPRIEDADE COMUNAL possui uma relação entre os indígenas e suas


terras e vai além do conceito de propriedade comum, pois é uma
tradição coletiva que leva em conta os aspectos ancestrais,
culturais, espirituais, bem como a integridade e sobrevivência econômica
dos que ali vivem.

Como reforço de argumento, vejamos a CONV. DA OIT n. 169, ART. 13.1 - Ao


aplicarem as disposições desta parte da Convenção [TERRAS], os governos
deverão respeitar a importância especial que para as culturas e valores
espirituais dos povos interessados possui a sua relação com as
terras ou territórios, ou com ambos, segundo os casos, que eles ocupam
ou utilizam de alguma maneira e, particularmente, os aspectos coletivos
dessa relação.

Deverão ser instituídos procedimentos adequados no âmbito do


sistema jurídico nacional para solucionar as reivindicações de terras
formuladas pelos povos interessados. NÃO SE DEVE INVADIR/OCUPAR
para depois regularizar/demarcar, é justamente o contrário.

O Estatuto Índio ainda tem como parâmetro o integracionismo dos indígenas


na população, no entanto, a doutrina majoritária defende que o estatuto não
foi recepcionado pela CF/88 e que os povos indígenas tem o direito de
escolha quanto ao seu modo de vida. O estatuto do índio é bastante defasado
neste ponto.

"A IDEIA DE QUE HÁ NEUTRALIDADE NOS JULGAMENTOS


INFORMADOS PELA UNIVERSALIDADE DOS SUJEITOS É SUFICIENTE
PARA GERAR PARCIALIDADE"

Depois de ler 3x essa frase, e já sabendo que seria o gabarito, entendi o


seguinte:

Pensar que todos os sujeitos são iguais (no sentido de que todos são sujeitos
de direitos, ideia de universalidade da espécie humana), desconsiderando as
peculiaridades de vulneração a que determinados grupos estão
historicamente sujeitos (negros, mulheres, etc), e usar essa lógica como
parâmetro para julgar os casos concretos, considerando que isso seria um
método neutro (imparcial), na verdade consiste em um raciocínio equivocado,
porque daí adviria exatamente uma enorme parcialidade.

A REPARAÇÃO “POR DANOS AO PROJETO DE VIDA” DA VÍTIMA TEM


COMO FUNDAMENTO O DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL DA PESSOA,
CONSIDERANDO QUE O ESPÍRITO É A FINALIDADE SUPREMA DA
EXISTÊNCIA HUMANA E A SUA MÁXIMA CATEGORIA; Danos ao projeto de
vida comumente é relacionado ao emblemático caso “DOS MENINOS DE RUA”
TAMBÉM CHAMADO NINÕS DE LA CALLE X GUATEMALA”.

Algumas crianças que viviam em situação de rua foram colocadas em um carro


da polícia e em seguida executadas.

A Corte Interamericana responsabilizou a Guatemala. Um dos principais pontos


desse caso é saber que a Corte utilizou, como fundamentação, o “dano ao
projeto de vida”. Em síntese, o dano ao projeto de vida é qualquer conduta que
obste uma pessoa de seguir o projeto que tinha para sua vida, interrompendo
seus planos e sonhos de maneira abrupta e contra a sua vontade. No Brasil,
uma situação parecida foi a chamada “Chacina da Candelária”, ocorrida no Rio
de Janeiro em 1993. Analisando os fatos, verifica-se que na Chacina da
Candelária também incidiu a questão do dano ao projeto de vida, pois entre os
mortos havia pessoas com idades que variavam entre 11 e 19 anos. Todos
jovens (alguns enquadrados no ECA como criança, inclusive) e cheios de planos,
apesar da dura realidade das ruas que tinham à época do atentado.

A) SEUS ÓRGÃOS PRINCIPAIS SÃO A CORTE INTERAMERICANA DE


DIREITOS HUMANOS E A COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS
HUMANOS;

 CERTO
 CORTE > JULGAR > CONTENCIOSA E CONSULTIVA
 COMISSÃO > FOCO EM RELATÓRIOS > CONSULTIVA

B) a Convenção Interamericana de Direitos Humanos, pelo seu conteúdo, teve


aplicação imediata no Brasil, sem necessidade do processo constitucional de
internalização de convenções;

 Na verdade, a Convenção só foi ser de fato abraçada pelo Brasil em


1992. Não foi imediata. Ela é de 1969.

C) na interpretação da norma mais favorável, deverá o juiz privilegiar a


norma de direito interno em relação à norma prevista na Convenção;

 O juiz deve privilegiar aquela que mais favoreça o indivíduo. Há quem


diga que prevalece a norma internacional, mas isso não é verdade. Irá
ser analisado aquele direito que mais protege o agente no caso
concreto.

D) para que os estrangeiros residentes no Brasil possam invocar as garantias


da Convenção Interamericana em seu favor, há necessidade de reciprocidade
pelo país de nacionalidade do estrangeiro;

 STF já mencionou sobre os residentes no país dando de igual modo


proteção a eles. (há exceções) O que ocorre é que para invocar
normas que não sejam as internas faz-se necessário, primeiro, esgotar
as medidas do país para depois, na falta de efetividade, ir buscar
proteção internacional. Ex.: Lei Maria da Penha.

E) é cabível o controle abstrato de lei interna de um Estado em face de norma


da Convenção Interamericana perante a Corte Interamericana de Direitos
Humanos.

 NÃO CABE CONTROLE ABSTRATO DE LEI INTERNA.

Realmente não cabe o controle de leis internas, até porque as leis internas
para o sistema internacional são mero FATO, considerando que o Regimento
Internacional sempre prevalece.

Ocorre que a CORTE PODE EMITIR PARECER SOBRE A TAL


COMPATIBILIDADE, seria até uma missão preventiva para que o país
solicitante não viole Tratado X ou Y por meio de seu ordenamento interno.

4. Controle de convencionalidade.

5. A relação entre o direito internacional dos direitos humanos e o direito


brasileiro

6. Os direitos humanos na Constituição Federal de 1988.

7. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal em matéria de direitos


humanos.

8. Os princípios que regem as relações internacionais do Brasil. Os direitos


consagrados nos
tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil for parte. O
procedimento de incorporação
dos tratados de direitos humanos na perspectiva da Constituição. Hierarquia
dos tratados de direitos
fundamentais na ordem jurídica interna brasileira. Controle judicial de
convencionalidade (interno e
externo).

9. Direitos dos Povos Originários. Declaração das Nações Unidas sobre os


direitos dos povos
indígenas. Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.
Convenção sobre os Povos Indígenas
e Tribais. Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Resoluções do
Conselho Nacional de Justiça
sobre direitos e garantias dos povos originários.

AULA DE DIREITOS HUMANOS

Teoria Geral dos Direitos Humanos

Universalidade como o direito mínimo, característica mais essencial e discutível.


Indivisibilidade e Interdependência os direitos humanos plenamente atendidos em
todas as categorias, superação da ideia de que os direitos civis e políticos exigem
apenas uma abstenção do Estado.

Imprescritibilidade
Ilimitabilidade e relatividade, artigo 27 da CADH prevê o estado de emergência. Neste
estado de emergência, alguns direitos humanos poderão ser suspensos.
Proibição ao retrocesso

Reserva não se confunde com declaração interpretativa.

O Estado pode fazer uma reserva e se retratar, tirar a reserva. Na reserva o Estado
busca excluir determinado dispositivo, na denuncia o Estado acaba saindo
completamente.

Denuncia não opera efeitos retroativos, a denuncia do tratado central não gera
automaticamente a denuncia dos protocolos adicionais.

A denuncia pelo Presidente da Republica depende de aprovação legislativa pelo


Congresso Nacional.

Principio da interpretação autonoma no sentido de que tratados de direitos humanos


devem ser interpretado de maneira autonoma e não conforme o direito interno.

Principio da interpretação evolutiva no sentido de que os tratados de direitos humanos


devem ser interpretados de acordo com a realidade do sistema jurídico no momento
de sua aplicação no caso concreto e não segundo o que vigorava no momento de sua
aprovação. Tratados são instrumentos vivos.

Teoria da Margem de apreciação nacional no sentido de que alguns temas e assuntos


devem fica restritos ao debate nacional.

Direitos Humanos nas Empresas

John Ruggie.

Somente Estados podem responder no banco dos réus no processo perante órgãos e
tribunais internacionais de direitos humanos. A responsabilidade internacional do
Estado decorrente de conduta praticada por empresa em tema de direito ao meio
ambiente equilibrado.
Sistema Global

Global
Regionais Europeu, Interamericano e Africano.

DUDH DE 48 com estrutura bipartite, mesmo não sendo um tratado tem natureza de
resolução, sendo soft law. Mesmo com tal natureza tem carater vinculante.

Sistema Interamericano

Você também pode gostar