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Medidas Socioeducativas: Sinase e PIA

O Sinase estabelece princípios e diretrizes para a execução de medidas socioeducativas a adolescentes em conflito com a lei, visando responsabilização, integração social e respeito aos direitos. Os planos de atendimento devem ser elaborados em conjunto com União, Estados e Municípios, e incluir ações em diversas áreas, enquanto o Plano Individual de Atendimento (PIA) deve ser desenvolvido para cada adolescente, considerando suas necessidades e circunstâncias. O documento também aborda direitos dos adolescentes, garantias processuais e diretrizes para saúde e atendimento psicológico, enfatizando a importância de um tratamento respeitoso e adequado.

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Medidas Socioeducativas: Sinase e PIA

O Sinase estabelece princípios e diretrizes para a execução de medidas socioeducativas a adolescentes em conflito com a lei, visando responsabilização, integração social e respeito aos direitos. Os planos de atendimento devem ser elaborados em conjunto com União, Estados e Municípios, e incluir ações em diversas áreas, enquanto o Plano Individual de Atendimento (PIA) deve ser desenvolvido para cada adolescente, considerando suas necessidades e circunstâncias. O documento também aborda direitos dos adolescentes, garantias processuais e diretrizes para saúde e atendimento psicológico, enfatizando a importância de um tratamento respeitoso e adequado.

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SINASE

Definição e Objetivos
 O Sinase é o conjunto de princípios, regras e critérios para execução
das medidas socioeducativas aplicadas a adolescentes que cometem
ato infracional.
 Objetivos das medidas socioeducativas:
o Responsabilização e reparação do ato.

o Integração social e garantia de direitos.

o Desaprovação da conduta infracional, respeitando limites


legais.
Planos de Atendimento
 Devem ser decenais (10 anos) e incluir diagnóstico, diretrizes, metas
e financiamento.
 Preveem ações articuladas em educação, saúde, assistência social,
cultura, trabalho e esporte.
 União, Estados e Municípios devem elaborar seus planos em sintonia
com o Plano Nacional.

Programa de atendimento
 É o conjunto de ações e atividades organizadas em uma unidade,
com estrutura e funcionamento próprios, que garantem as condições
necessárias para que o adolescente cumpra a medida socioeducativa.
Em outras palavras: é o “projeto” ou “serviço” que coloca em prática
a medida socioeducativa.
 Requisitos gerais: métodos pedagógicos, estrutura física e humana
adequada, regimento interno, política de formação de pessoal,
acompanhamento pós-medida.
 Equipe técnica: interdisciplinar (saúde, educação, assistência
social).
 Meio aberto: direção seleciona orientadores e entidades para
acompanhar adolescentes.
 Privação de liberdade: exige estrutura educacional adequada,
regras disciplinares, gestão de conflitos sem isolamento abusivo,
dirigentes com formação superior e experiência mínima de 2 anos.

DA EXECUÇÃO DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS


Art. 35. A execução das medidas socioeducativas reger-se-á pelos seguintes
princípios:
I - legalidade, não podendo o adolescente receber tratamento mais
gravoso do que o conferido ao adulto;
II - excepcionalidade da intervenção judicial e da imposição de medidas,
favorecendo-se meios de autocomposição de conflitos;
III - prioridade a práticas ou medidas que sejam restaurativas e, sempre que
possível, atendam às necessidades das vítimas;
IV - proporcionalidade em relação à ofensa cometida;
V - brevidade da medida em resposta ao ato cometido, em especial o
respeito ao que dispõe o art. 122 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990
(Estatuto da Criança e do Adolescente) ;
VI - individualização, considerando-se a idade, capacidades e circunstâncias
pessoais do adolescente;
VII - mínima intervenção, restrita ao necessário para a realização dos
objetivos da medida;
VIII - não discriminação do adolescente, notadamente em razão de etnia,
gênero, nacionalidade, classe social, orientação religiosa, política ou sexual,
ou associação ou pertencimento a qualquer minoria ou status ; e
IX - fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários no processo
socioeducativo.

📌Direitos Individuais dos Adolescentes em Medidas Socioeducativas


 Acompanhamento: o adolescente tem direito de estar sempre
acompanhado pelos pais ou responsável e por um defensor durante
todo o processo.
 Prioridade pelo meio aberto: se não houver vaga em internação,
deve ser colocado em programa de meio aberto (como liberdade
assistida), exceto quando o ato foi cometido com violência ou grave
ameaça.
 Respeito à pessoa: deve ter sua personalidade, intimidade,
pensamento e religião respeitados, além de todos os direitos que não
foram limitados pela sentença.
 Direito de pedir: pode fazer pedidos (por escrito ou verbalmente) a
qualquer autoridade, e deve receber resposta em até 15 dias.
 Plano individual: tem direito de participar da elaboração e revisão
do seu plano individual de atendimento e receber informações sobre
sua evolução.
 Filhos pequenos: se tiver filhos de até 5 anos, deve ter garantido
atendimento em creche ou pré-escola.
📌 Garantias adicionais
 As mesmas garantias processuais previstas no Estatuto da Criança
e do Adolescente (ECA) valem também durante a execução da
medida socioeducativa.
 A falta de programas adequados em meio aberto não pode ser
usada como justificativa para manter o adolescente internado.
📌 Saídas autorizadas (Art. 50)
 A direção da unidade pode autorizar a saída monitorada do
adolescente em casos de:
o tratamento médico,

o doença grave,

o falecimento de familiares próximos (pais, filhos, irmãos,


cônjuge ou companheiro).
 Essa saída deve ser comunicada imediatamente ao juiz responsável.
📌 Decisão judicial (Art. 51)
 Qualquer decisão sobre a execução da medida socioeducativa só
pode ser tomada depois que o defensor e o Ministério Público se
manifestarem.

O PLANO INDIVIDUAL DE ATENDIMENTO (PIA)


Art. 52. O cumprimento das medidas socioeducativas, em regime de
prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade ou
internação, dependerá de Plano Individual de Atendimento (PIA),
instrumento de previsão, registro e gestão das atividades a serem
desenvolvidas com o adolescente.
Parágrafo único. O PIA deverá contemplar a participação dos pais ou
responsáveis, os quais têm o dever de contribuir com o processo
ressocializador do adolescente, sendo esses passíveis de responsabilização
administrativa, civil e criminal.

Art. 54. Constarão do plano individual, no mínimo:


I - os resultados da avaliação interdisciplinar;
II - os objetivos declarados pelo adolescente;
III - a previsão de suas atividades de integração social e/ou capacitação
profissional;
IV - atividades de integração e apoio à família;
V - formas de participação da família para efetivo cumprimento do plano
individual; e
VI - as medidas específicas de atenção à sua saúde.

Art. 55. Para o cumprimento das medidas de semiliberdade ou de


internação, o plano individual conterá, ainda:
I - a designação do programa de atendimento mais adequado para o
cumprimento da medida;
II - a definição das atividades internas e externas, individuais ou coletivas,
das quais o adolescente poderá participar; e
III - a fixação das metas para o alcance de desenvolvimento de atividades
externas.
Parágrafo único. O PIA será elaborado no prazo de até 45 (quarenta e cinco)
dias da data do ingresso do adolescente no programa de atendimento.
Art. 56. Para o cumprimento das medidas de prestação de serviços à
comunidade e de liberdade assistida, o PIA será elaborado no prazo de até
15 (quinze) dias do ingresso do adolescente no programa de atendimento.
Art. 57. Para a elaboração do PIA, a direção do respectivo programa
de atendimento, pessoalmente ou por meio de membro da equipe técnica,
terá acesso aos autos do procedimento de apuração do ato infracional e aos
dos procedimentos de apuração de outros atos infracionais atribuídos ao
mesmo adolescente.

📌 Saúde no Sistema Socioeducativo


 Promoção da saúde: os planos de atendimento devem incluir ações
que ajudem os adolescentes a desenvolver autonomia, melhorar
relações e fortalecer redes de apoio com suas famílias.
 Prevenção e tratamento: devem existir serviços para prevenir
doenças, proteger a saúde e oferecer recuperação quando
necessário.
 Saúde mental: atenção especial para problemas relacionados ao
uso de álcool e drogas e para adolescentes com deficiência.
 Saúde sexual e reprodutiva: garantir orientação e prevenção de
doenças sexualmente transmissíveis.
 Acesso ao SUS: adolescentes devem ter acesso a todos os níveis de
atendimento de saúde, seguindo as regras do SUS.
 Capacitação: profissionais de saúde e das entidades precisam ser
treinados para lidar com as necessidades específicas dessa
população.
 Informações de saúde: os dados sobre a saúde dos adolescentes
devem ser incluídos nos sistemas de informação do SUS e do Sinase.
 Unidades de internação: devem ser estruturadas conforme as
normas do SUS e do Sinase para atender às necessidades básicas de
saúde.
📌 Orientações e Equipes de Saúde
 Programas em meio aberto e semiliberdade: devem orientar os
adolescentes sobre como acessar os serviços do SUS.
 Programas de privação de liberdade: precisam ter uma equipe
mínima de profissionais de saúde, conforme as normas do SUS.
📌 Direitos relacionados à maternidade
 Se uma adolescente tiver um filho dentro da unidade, essa
informação não aparece no registro de nascimento da criança.
 A adolescente tem direito de permanecer com o bebê durante o
período de amamentação.

📌 Atendimento a adolescentes com transtorno mental ou


dependência de álcool/drogas
 Se o adolescente em medida socioeducativa apresentar sinais de
transtorno mental ou deficiência, ele deve ser avaliado por uma
equipe técnica multidisciplinar (com profissionais de diferentes
áreas).
 Essa avaliação deve seguir as normas do SUS e do Sinase.
 O resultado da avaliação vai orientar o tratamento, que deve ser
incluído no Plano Individual de Atendimento (PIA) e pode
envolver também ações voltadas para a família.
 As informações da avaliação são sigilosas.
 Em casos especiais, o juiz pode suspender a medida
socioeducativa para que o adolescente seja incluído em um
programa de saúde mental mais adequado.
 Essa suspensão deve ser revista a cada 6 meses.
 O tratamento deve respeitar a Lei nº 10.216/2001, que garante os
direitos das pessoas com transtornos mentais.
 O juiz pode encaminhar o caso ao Ministério Público para avaliar se
é necessário pedir interdição (quando a pessoa não pode responder
legalmente por seus atos) ou outras medidas.

Internação – Direitos de Visita


 Visitas regulares (Art. 67): O adolescente internado pode receber
visitas de cônjuge, companheiro, pais, responsáveis, parentes e
amigos, mas em dias e horários definidos pela direção da unidade.
 Visita íntima (Art. 68): Se o adolescente for casado ou viver em
união estável comprovada, ele tem direito à visita íntima. 👉 O
visitante precisa ser identificado e registrado, recebendo um
documento específico para essa visita.
 Visita dos filhos (Art. 69): O adolescente internado tem direito de
receber visitas de seus filhos, sem limite de idade.
CEQ

O isolamento, para que esteja de acordo com o que prevê expressamente a Lei n°
12.594/2012 (Lei do Sinase), deve ser imprescindível para garantia da segurança de
outros internos ou do próprio adolescente e ter sido imposto como sanção disciplinar ao
próprio isolado.
Segundo prevê expressamente a Lei nº 12.594/2012 (Lei do Sinase), é objetivo
da medida socioeducativa a desaprovação da conduta infracional, efetivando as
disposições da sentença como parâmetro máximo de privação de liberdade ou restrição
de direitos.

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