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Assistência de Enfermagem em Pênfigo

O documento aborda a assistência de enfermagem a pacientes com integridade da pele prejudicada, focando no pênfigo, uma condição complexa e endêmica. Utiliza a Teoria do Autocuidado de Dorothea Orem para guiar intervenções e diagnósticos, enfatizando a importância de um cuidado humanizado e baseado em evidências. O estudo inclui uma metodologia de avaliação sistemática e resultados clínicos de um paciente específico, destacando a evolução do tratamento e intervenções realizadas.

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Assistência de Enfermagem em Pênfigo

O documento aborda a assistência de enfermagem a pacientes com integridade da pele prejudicada, focando no pênfigo, uma condição complexa e endêmica. Utiliza a Teoria do Autocuidado de Dorothea Orem para guiar intervenções e diagnósticos, enfatizando a importância de um cuidado humanizado e baseado em evidências. O estudo inclui uma metodologia de avaliação sistemática e resultados clínicos de um paciente específico, destacando a evolução do tratamento e intervenções realizadas.

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ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

APLICADA AO PACIENTE COM


INTEGRIDADE DA PELE
PREJUDICADA
Disciplina: Cuidados Clínicos II
Professor: Ítalo Rigoberto Cavalcante Andrade
Aluno: Roberto César Silva da Costa – 2225950

Fortaleza 2025
Introdução
A assistência de enfermagem é essencial no cuidado a pacientes com
pênfigo, uma doença complexa que afeta diversos sistemas do corpo
e exige intervenções sistematizadas para garantir segurança e
eficácia. Estudos apontam que sua incidência ainda é significativa,
sobretudo em áreas rurais, caracterizando-se como uma condição
endêmica e de impacto social relevante.
Para orientar o processo de cuidar, o uso de teorias de enfermagem
é fundamental. Neste estudo, a Teoria do Autocuidado de Dorothea
Orem foi adotada para compreender as necessidades do paciente e
direcionar a identificação do diagnóstico prioritário – Integridade da
pele prejudicada (NANDA-I, 2024).
Assim, o trabalho justifica-se pela necessidade de avaliar e qualificar
a assistência de enfermagem, valorizando o cuidado humanizado,
fundamentado em evidências e centrado no paciente.
OBJETIVO GERAL
Planejar e implementar intervenções de enfermagem e avaliar as
respostas do paciente às intervenções objetivadas em paciente com
múltiplas comorbidades, tendo pênfigo com maior evidência,
fundamentando-se na teoria do autocuidado de Dorothea Orem,
para nortear o cuidado de enfermagem e o diagnóstico prioritário
integridade da pele prejudicada.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Realizar a avaliação e Diagnosticar os Planejar as ações a Relacionar as
coleta de dados cuidados serem realizadas, à necessidades
integral e humanizada, necessários de luz da teoria do prioritárias, de modo a
considerando os acordo com o autocuidado, subsidiar intervenções
aspectos sociais, NANDA-I de enfermagem
visando organizar o
clínicos e seguras e baseadas nas
processo de
epidemiológicos que taxonomias NIC e
enfermagem.
envolvem o paciente NOC.
estudado.
METODOLOGIA
A metodologia adotada neste estudo foi estruturada com o
objetivo de apresentar, de forma sistematizada, o processo
de enfermagem (PE), que se constitui por coleta de dados,
planejamento, diagnóstico, implementação de intervenção
e resultados de enfermagem e avaliação, realizado no
atendimento ao paciente selecionado. A condução
metodológica seguiu os princípios éticos e científicos do
Processo de Enfermagem e esteve fundamentada na Teoria
do autocuidado de Dorothea Orem, que serviu como base
para a organização dos dados, interpretação clínica e
direcionamento das ações assistenciais.
METODOLOGIA

Estudo de caso – Local: Hospital de terceiro Coleta de dados: exame físico,


descritivo, qualitativo e setor – Fortaleza – CE prontuário e histórico
aplicado
Análise: NANDA-I, NIC, Participante: Paciente Aspectos Éticos:
NOC e Orem G.A.A., 74 anos Resolução 466/2012
e LGPD (Lei
Período: Agosto a novembro 13.709/2018)
de 2025
RESULTADOS
Os achados da avaliação de enfermagem, os diagnósticos identificados, o
planejamento assistencial e a implementação das intervenções realizadas, bem
como a evolução do paciente durante o período analisado foram construídos a
partir da avaliação de enfermagem a beira leito. A discussão é integrada com a
literatura científica e com as classificações NANDA-I, NIC e NOC, permitindo
compreender o raciocínio clínico aplicado e os desfechos alcançados no cuidado.
O paciente G.A.A, sexo masculino, 74 anos, natural de
COLETA DE Cedro–CE e residente em Maracanaú–CE, é casado, é
DADOS aposentado, tendo trabalhado da área de ferramentaria.
Declara-se católico e reside apenas com a esposa. Procurou
SUBJETIVOS atendimento de saúde devido ao surgimento de múltiplas
lesões de pele, que evoluíram progressivamente ao longo
dos meses recentes. Refere uso diário e sem recomendação
médica da medicação Tandene® (cafeína 30 mg,
carisoprodol 125 mg, diclofenaco sódico 50 mg e
paracetamol 300 mg). É portador de hipertensão arterial
sistêmica e gota. Relata que, em fevereiro de 2025,
apresentou lesões em máculas eritematosas e descamativas
no tronco, tratadas com corticoide tópico. Na ocasião,
realizou biópsia que evidenciou lesão por
hipersensibilidade.
Em abril de 2025, apresentou novo episódio semelhante no tronco e dorso, levando-o a
buscar atendimento dermatológico particular, iniciando tratamento com prednisona 40
mg e antialérgico, com melhora do quadro. Em junho de 2025, houve retorno das lesões,
agora mais extensas, atingindo tórax, dorso, abdome, face, couro cabeludo e membros,
incluindo áreas com bolhas pustulosas. Apesar da piora, não buscou atendimento médico
imediato. Em setembro, procurou a UPA devido a crise gotosa, sendo prescrito tramadol,
após o qual relata agravamento acelerado das lesões, associado a prurido e sensação de
ardência, negando dor e febre. Posteriormente, buscou a UBS e a UPA, onde recebeu
apenas tratamento sintomático. Diante da persistência e piora do quadro, sua esposa o
levou ao hospital especializado em doenças infecciosas, onde recebeu encaminhamento
para o centro especializado em dermatologia, sendo atendido em 10 de outubro. Foi
realizada nova biópsia, que evidenciou pênfigo foliáceo, e prescritos prednisona 60 mg e
azitromicina 500 mg por 3 dias. No atendimento e exames, também foram identificadas
alterações renais, resultando em encaminhamento para o presente hospital de terceiro
setor, onde foi admitido em 16 de outubro, ...
... onde iniciou tratamento com piperacilina com tazobactam (tazocim) e teicoplamina
devido a presença de infecções secundárias em lesões, e realizado troca de curativo
diário em corpo inteiro com cobertura de metronidazol tópico. No momento da
avaliação, o paciente nega disúria, ardúria e oligúria, mas refere baixa ingestão hídrica.
Nega diagnóstico de diabetes. Quanto ao histórico de saúde, relata fratura de antebraço
(2004) e de punho (2005), ambas relacionadas a acidentes de trabalho. Quanto ao
histórico familiar, informa possuir dois irmãos falecidos por infarto agudo do miocárdio e
uma irmã com quadro paralisante de etiologia desconhecida, negando outros agravos
familiares relevantes. Reside em zona urbana, com esgoto a céu aberto próximo ao
domicílio, e utiliza água mineral. Refere alimentação rica em frituras e hipercalórica. É
etilista desde os 15 anos, porém suspendeu o consumo de álcool no ano atual devido às
lesões cutâneas. É ex-tabagista, tendo interrompido o uso do cigarro em 2002, e
apresenta estilo de vida sedentário.
Faz uso domiciliar de Bisoprolol, Espironolactona, Losartana, AAS e Predinisona 60mg.
Durante a internação, relata estar se alimentando bem e mantendo higiene bucal e
corporal adequadas, com banho por aspersão diariamente. Deambula sem dificuldades,
apresenta diurese com coloração normal, sem alterações relatadas, e evacuação diária de
aspecto endurecido e em pequenas quantidades com presença de sangue
(hematoquezia) durante os primeiros dias, porém após início de preparo para
colonoscopia evoluiu com quadro diarreico sem presença de sangue. Afirma perceber
melhora clínica das lesões e melhora progressiva do prurido e das dores durante troca de
curativo, concilia bem o ciclo de sono-vigília, aceita bem dieta por via oral, nega náuseas,
vômitos, dispneia e segue com edema em MMII.
Sinais vitais estáveis, normotérmico (Tº= 36,5ºc); pressão
COLETA DE arterial estável (PA= 130x70 mmHg e PAM= 82); eupneico
DADOS (FR= 17 irpm); normocárdico (FC= 82); sem sinais de
hipoxemia (SpO2 = 98%); níveis de glicemia pós prandial
OBJETIVOS normais (DX= 117), peso = 83,7kg, escala de dor 2 porém
sobe para 5 durante a troca de curativo.
Avaliação Neurológica: Paciente consciente; orientado em
tempo, espaço e pessoa; verbalizando sem dificuldades;
abertura ocular dentro dos parâmetros; deambulante,
resposta motora fina e grossa preservadas; PIRRLA presente;
Glasgow 15 (AO= 4, RV= 5, RM = 6, Pupilas= 0); sente-se em
bom estado emocional e confortável; segue com boa
aparência, comportamento tranquilo, cognição preservada e
processo de pensamento ativo, segue em bom estado geral.
Exame de cabeça e pescoço: Crânio simétrico, de formato dentro dos padrões de
normalidade; cabelos bem distribuídos, com tamanho curto e limpos; couro cabeludo
com presença de pequenas lesões e região com alopecia na região do vértice (coroa);
face de expressão tensa, simétrica, movimento de articulação mandibular preservado;
lábios hidratados, higiene bucal em bom estado, resposta vagal preservada em avaliação
de vulva; nariz e olhos sem alterações; pescoço. simétrico, movimento com amplitude
preservada; linfonodos sem alterações; traqueia dentro dos parâmetros de normalidade;
tireoide dentro dos padrões anatômicos, frêmitos e sopros ausentes.
Exame cardiovascular: Inspeção - Palidez e cianose ausentes em extremidades e região
central, veia jugular sem distensão anormal, pulsação precordial palpável, mas não visível,
pulsação epigástrica e supraesternal ausentes. Palpação - Pulsações radiais, braquiais,
temporais, jugulares, femorais, poplíteas, tibiais e pediosas preservadas e sem alterações,
frêmito cardíaco ausente, impulso apical levemente palpável. Ausculta – artérias carótidas
audíveis, sopros ausentes; ápice cardíaco de frequência regular e normorítimica (82
bpm); ausculta precordial com bulhas normofonéticas em dois tempos (B1 e B2), sopros
ausentes.
Exame pulmonar: Inspeção – Tórax elíptico e simétrico, cianose ausente, sem alterações
posturais, com presença de lesões em toda região toráxica devido pênfigo; movimento
toráxico com amplitude normal e simétrico, respiração custoabdominal; eupneico (17
irpm), ausência de batimento de asa de nariz e ausência do uso de musculatura acessória;
Palpação – Traqueia com mobilidade normal, sem presença de massas e deformidades,
expansibilidade toráxica anterior e posterior normais, frêmito tóraco vocal normais,
massas e deformidades ausentes em tórax; Percussão – sons claro pulmar presentes e
sem achados de sons anormais; Ausculta – Sons traqueais, brônquicos e murmúrios
vesiculares persentes e sem achados de sons anormais.
Exame Abdominal: Inspeção - Abdome globoso, simétrico bilateralmente, cicatriz
umbilical em linha média, invertida e sem alterações, lesões presentes em todo o
abdome devido pênfigo, sem presença de pulsação da aorta visíveis, movimento de
respiração abdominal presente; Ausculta – Ruídos hidroaéreos presentes, normoativos,
sopros e sons vasculares ausentes; Percussão – som timpânico, sinal de Giordano
negativo, Piparote negativo; Palpação – Abdome flácido, indolor a palpação superficial e
profunda, espaço de traube livre, fígado palpável em padrões normais, sinais de
Blumberg, Murphy.
Pele, membros e eliminações: Pele hidratada, com presença de múltiplas lesões em toda
extensão da pele, elasticidade preservada, temperatura normal; Edema em MMII E
MMSS, cacifo positivo + em MMSS e +++ em MMII, com CVC em veia jugular direita, rede
venosa preservada e pervia, sinal do TEC responsivo em 2 segundos; diurese presente
em colorações normais e evacuações diárias presentes, de aspecto diarreico devido
preparo de colo para colonoscopia.
TERAPIA
FARMACOLÓGICA
1. Manutenção da microbiota e prevenção de complicações gastrointestinais
Saccharomyces boulardii: probiótico para preservar a flora intestinal e evitar diarreia
associada à polifarmácia.
2. Proteção ocular e sintomas inflamatórios
Carmellose sódica: lubrificante ocular para minimizar ressecamento e irritação.
3. Controle da ansiedade e do sono
Clonazepam: ansiolítico e sedativo, com atenção a sonolência e risco de quedas.
TERAPIA
FARMACOLÓGICA
4. Manejo da dor intensa
Morfina: utilizada antes das trocas de curativo, com monitoramento rigoroso de
sedação e sinais vitais.
5. Alívio de desconfortos gástricos
Bicarbonato de sódio: antiácido e regulador de pH gástrico.
6. Controle da inflamação sistêmica e das lesões
Metilprednisolona: corticosteroide EV, fundamental para conter o processo
autoimune e inflamatório.
TERAPIA
FARMACOLÓGICA
7. Função intestinal e prevenção de constipação
Bisacodil: laxante estimulante com estímulo à ingesta hídrica e controle do padrão
evacuatório.
8. Controle da pressão arterial e hemodinâmica
Hidralazina, Bisoprolol e Anlodipino: fármacos anti-hipertensivos que exigem
monitorização de PA, FC e sinais de hipotensão.
Espironolactona: diurético poupador de potássio, auxiliando na HAS e função renal.
9. Prevenção de eventos cardiovasculares
Ácido Acetilsalicílico: antiagregante plaquetário, com atenção a sinais de
sangramento.
TERAPIA
FARMACOLÓGICA
10. Cuidados tópicos com lesões cutâneas
Sulfadiazina de prata e Metronidazol tópico: ação antimicrobiana e cicatrizante.
Vaselina branca: hidratação e proteção da pele em áreas secas.
11. Controle da dor leve a moderada
Dipirona: analgésico e antipirético conforme necessidade.
12. Controle do prurido e ansiedade leve
Hidroxizina: antihistamínico utilizado para alívio de prurido e ansiedade.
13. Antibióticos sistêmicos para infecção extensa
Tazocim (piperacilina + tazobactam) e Teicoplanina: antibióticos EV de amplo
espectro, essenciais devido à gravidade e extensão das lesões. Exigem monitorização
da função renal e possíveis reações adversas.
EXAMES
REALIZADOS
02/2025 - Creatinina = 1,75
05/2025 - Creatinina = 1,5; Ureia = 50
29/05/2025 – Ultrassom de vias urinárias (USG VUU) = Calcificações em rim direito,
e padrões aumentados em rim esquerdo
11/10/2025 – Fator antinuclear = Não reagente; Sorologias Não Reagentes;
Neutrofilos = 15050; Plaquetas = 557000; Hemoglobina glicada (HbA1c) = 6,6;
Creatinina = 3,33; Ureia = 92; GGT = 97; Fosfatase Alcalina = 88; Ácido úrico = 10.
Biopsia de lesões de pele = Pênfigo foliáceo com positividade intracelular de IGG e
G3C.
EXAMES
REALIZADOS
16/10/2025 – Hemoglobina = 14,8; Hematócrito = 43,7; Volume corpuscular médio =
94,8; Hemoglobina corpuscular média = 32,1; Índice de Anisocitose = 13,7; Leucócitos
totais = 26210; Neutrófilos segmentados = 24375; Linfócitos = 1048; Eosinófilos = 262;
Plaquetas = 445000; Tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA) = 0,85; Razão
normalizada internacional (INR) = 1,02; Sumário de urina = sem alterações; Proteina C
reativa (PCR) = 5; Velocidade de Hemossedimentação (VHS) = 20; Desidrogenase Lática
(LDH) = 229; Capacidade total de ligação de ferro (CTLF) = 258,6; Ferro sérico = 58;
Índice de saturação de transferrina (IST) = 22,3; Ureia = 127; Creatinina = 2,8; Sódio =
135, Potássio = 5,35; Cloro = 105,4; Magnésio = 1,97; Fósforo = 4,2; Cálcio total = 8,89;
TGO = 28; TGP = 57; GGT = 65; FA = 64; Amilase = 386; Lipase = 226; C3 = 128; C4 =
22,7; bilirrubina total = 0,31; Bilirrubina direta = 0,18.
EXAMES
REALIZADOS
Os exames apontam dano renal progressivo, evidenciado pela elevação
contínua da creatinina e ureia, além de alterações estruturais no ultrassom.
O aumento expressivo de leucócitos, neutrófilos e plaquetas sugere
resposta inflamatória/aguda ou infecciosa, confirmada por PCR e VHS
elevados. O perfil metabólico alterado, com HbA1c limítrofe e
hiperuricemia, indica risco para piora renal e cutânea. As elevações de
amilase, lipase e GGT sugerem sobrecarga hepática e pancreática,
possivelmente associada à medicação. A biópsia confirmou pênfigo
foliáceo autoimune, dando sustentação ao quadro sistêmico observado.
Diagnóstico prioritário:
DIAGNÓSTICOS Domínio 11 – Classe 2
DE Integridade da pele prejudicada relacionada a
abuso de substâncias conforme evidenciado por
ENFERMAGEM descamação, dor aguda, prurido e superfície
cutânea rompida.

Outros diagnósticos:
Domínio 11 – Classe 1
Risco de infecção relacionado a integridade da pele
prejudicada, dificuldade em manejar o cuidado de
feridas, dificuldade em manejar dispositivos
invasivos de longo prazo e higiene ambiental
inadequada.
DIAGNÓSTICOS
DE Domínio 12 – Classe 1

ENFERMAGEM Dor aguda relacionado a agente biológico lesivo


conforme evidenciado por expressão facial de dor,
intensidade da dor avaliada por um instrumento de
avaliação padronizado e validado e relato verbal de
dor.

Domínio 2 – Classe 5
Risco de equilíbrio hidroeletrolítico prejudicado
relacionado a diarreia.
PLANEJAMENT Autocontrole: feridas
O DE 312405 – Utiliza estratégias para controlar a dor:

ENFERMAGEM Manter em 3; aumentar para 5.


312407 - Lava as mãos antes de cuidar da ferida:
Manter em 2; aumentar para 5.
312409 - Monitora sinais e sintomas de infecção:
Manter em 4; aumentar para 5.
312410 - Monitora a área afetada a cada troca de
curativo:
Manter em 4; aumentar para 5.
PLANEJAMENT Autocontrole: infecção
311806 - Monitora a temperatura corporal:
O DE Manter em 4; aumentar para 5.

ENFERMAGEM 311816 - Monitora os efeitos adversos


medicamentos:
dos

Manter em 2; aumentar para 4.


Autocontrole: doença renal
310809 - Monitora o peso:
Manter em 4; aumentar para 5.
310810 – Monitora ingestão e eliminação:
Manter em 3; aumentar para 4.
310813 - Monitora edema:
Manter em 3; aumentar para 4.
Supervisão da pele – 3590

INTERVENÕES E - Monitorar a cor e a temperatura da pele.


- Monitorar a pele quanto ao excesso de
IMPLEMENTAÇÃO ressecamento e umidade.

DE ENFERMAGEM Cuidados com lesões – 3660


- Monitorar as características da lesão, incluindo
drenagem, cor, tamanho
e odor.
- Aplicar pomada apropriada na pele/lesão,
conforme apropriado.
- Reforçar a cobertura, se necessário.
- Manter técnica estéril durante a realização do
curativo na lesão,
conforme apropriado.
- Examinar a lesão a cada troca de cobertura –
Durante troca de curativo.
INTERVENÕES E Monitoração do volume de líquidos – 4130
IMPLEMENTAÇÃO - Monitorar o peso.
- Fazer a verificação dos gráficos de balanço hídrico
DE ENFERMAGEM periodicamente para assegurar os padrões de boa
prática.
PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM
1. Monitorar a cor e a temperatura da pele, utilizando inspeção e palpação, na superfície
cutânea, 3x ao dia, pela equipe de enfermagem.
M, T e N.
2. Monitorar sinais de ressecamento ou umidade excessiva da pele, utilizando inspeção,
em áreas expostas e de risco, 3x ao dia, pela equipe de enfermagem.
M, T e N
3. Avaliar características da lesão (cor, odor, drenagem e tamanho), utilizando inspeção,
nos locais da ferida, 1x ao dia, pelo enfermeiro.
M
4. Aplicar pomada prescrita de Metronidazol tópico, utilizando técnica estéril, sobre a
lesão, 1x ao dia, pelo enfermeiro.
Durante a troca de curativo
PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM
5. Reforçar a cobertura da lesão, utilizando gaze estéril e atadura, no local do curativo,
sempre que necessário, pelo enfermeiro.
SN
6. Realizar curativo com técnica estéril, utilizando soro fisiológico, gaze estéril e material
estéril, na lesão, durante cada troca de curativo, pelo enfermeiro.
M
7. Examinar a lesão durante cada troca de cobertura, utilizando inspeção visual, no local
do ferimento, a cada troca, pelo enfermeiro.
Durante a troca de curativo
8. Avaliar a intensidade da dor, utilizando escala numérica validada, no paciente, 4x ao
dia, pela equipe de enfermagem.
12h, 18h, 24h e 06h.
PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM
9. Orientar estratégias de alívio da dor, utilizando técnicas como posicionamento
adequado e respiração diafragmática, no leito, pela equipe de enfermagem.
SN
10. Orientar a lavagem das mãos antes do cuidado com a ferida, utilizando água e sabão,
no domicílio ou leito, 1x ao dia com reforço contínuo, pela equipe de enfermagem.
N
11. Monitorar sinais clínicos de infecção (odor fétido, piora da dor, febre, drenagem
purulenta), utilizando inspeção e análise de sintomas, na área da ferida, 1x ao dia, pelo
enfermeiro, durante troca de curativo.
12. Monitorar a temperatura corporal, utilizando termômetro digital, no paciente, 4x ao
dia, pela equipe de enfermagem.
12h, 18h, 24h e 06h.
PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM
13. Monitorar efeitos adversos dos medicamentos prescritos, utilizando questionamento
dirigido e avaliação clínica, no paciente, 1x ao dia, pelo enfermeiro.
N
14. Monitorar o peso corporal, utilizando balança calibrada, na enfermaria, 1x ao dia ao
acordar, pela equipe de enfermagem.
06h
15. Verificar gráficos de balanço hídrico, utilizando registros de ingestão e eliminação, no
prontuário, 2x ao dia, pelo enfermeiro.
18h e 06h
16. Monitorar edema, utilizando inspeção e palpação, em membros inferiores e regiões
declivosas e realizando sinal de cacifo, 1x ao dia, pelo enfermeiro.
N
PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM
17. Avaliar sinais de desidratação (turgor diminuído, mucosas secas, oligúria), utilizando
exame físico, no paciente, 1x ao dia, pelo enfermeiro.
M
EVOLUÇÃO 1
03/11/2025 as 11:oo horas. Paciente G.A.A., masculino, 74 anos, admitido na unidade em
16/10/2025 com diagnóstico médico de pênfigo foliáceo associado à injúria renal aguda,
procedente de atendimento dermatológico especializado e com histórico de progressão
de lesões cutâneas há meses. Encontra-se consciente, orientado em tempo, espaço e
pessoa, com comunicação preservada e comportamento tranquilo. Sinais vitais dentro da
normalidade: PA 130x70 mmHg, FC 82 bpm, FR 17 irpm, SpO₂ 98% em ar ambiente,
temperatura 36,5 °C, glicemia pós-prandial 117 mg/dL. Refere boa aceitação alimentar,
ciclo sono-vigília preservado e higiene corporal adequada. Relata prurido moderado,
ardência nas lesões e dor leve (2/10), que aumenta para 5/10 durante a troca de curativos,
mas nega febre, náuseas, vômitos, dispneia, disúria ou oligúria. Diurese mantém-se
presente, com coloração normal. Evacuação inicialmente com hematoquezia leve,
evoluindo com diarreia devido preparo para colonoscopia.
EVOLUÇÃO 1
Exame físico mostra múltiplas lesões descamativas, bolhosas e crostosas distribuídas por
todo o tegumento (face, couro cabeludo, dorso, tórax, abdome e membros), algumas com
sinais de infecção secundária. Lesões apresentam-se em diferentes estágios evolutivos,
com odor reduzido após início de curativo diário com metronidazol tópico. Pele hidratada,
sem alterações de coloração, porém com integridade amplamente comprometida.
Presença de edema importante em MMII (+++), e em MMSS (+), com cacifo positivo. TEC 2
s. Sistema respiratório sem alterações, com murmúrios vesiculares presentes e simétricos.
Ausculta cardíaca com bulhas normofonéticas em 2T (B1;B2), sem sopros. Abdome
globoso, flácido e indolor, com RHA normoativos. CVC inserido em veia jugular direita,
pérvio. Deambulação preservada. Laboratórios evidenciam leucocitose importante
(26.210/mm³), neutrofilia, plaquetose, PCR 5 mg/L, VHS 20 mm/h, além de
comprometimento renal progressivo, com ureia 127 mg/dL e creatinina 2,8 mg/dL na
admissão, associados a histórico de creatinina prévia elevada.
EVOLUÇÃO 1
Exames pancreáticos (amilase 386 e lipase 226 U/L) encontram-se elevados.
Complementos C3 e C4 dentro da normalidade. Sorologias e FAN não reagentes.
Hemograma sem anemia. Eletrólitos mostram potássio discretamente elevado (5,35
mEq/L) e sódio 135 mEq/L. USG prévio evidencia calcificações renais à direita e alterações
estruturais à esquerda. Paciente encontra-se em tratamento com tazocim EV 6/6h,
teicoplanina EV 48/48h, metilprednisolona 125 mg EV 24/24h, metronidazol tópico diário,
sulfadiazina de prata BID, vaselina BID, anlodipino, hidralazina, bisoprolol,
espironolactona, clonazepam, hidroxizina, dipirona conforme necessidade, probiótico e
demais medicações prescritas. Apresenta resposta inicial favorável à terapêutica
antibiótica e ao esquema de curativos, referindo redução do prurido e melhora da
sensação de ardência. Mantém hidratação oral reduzida, necessitando estímulo. Encontra-
se hemodinamicamente estável, colaborativo e demonstrando boa adesão às orientações
de cuidado.
EVOLUÇÃO 2
10/11/2025 às 11 horas. Paciente G.A.A. encontrado em leito, em bom estado geral,
consciente, orientado em tempo, espaço e pessoa, mantendo comunicação clara e
postura mais relaxada em comparação ao dia anterior. Refere melhora do desconforto nas
áreas lesionadas e relata que o prurido diminuiu consideravelmente, permitindo-lhe
descansar melhor durante a noite. Demonstra aparência mais confortável e menor
expressão de dor durante a manipulação leve das lesões. Apresenta sinais vitais dentro da
normalidade: temperatura 36,6ºC, pressão arterial 128x72 mmHg, frequência cardíaca 78
bpm, frequência respiratória 16 irpm e saturação de oxigênio 98% em ar ambiente. Refere
dor leve, localizada, principalmente durante o curativo, classificando intensidade 3/10,
menor que nos dias anteriores. Mantém glicemia pós-prandial estável e aceitação
alimentar adequada. Permanece lúcido, atento e com cognição preservada. Mostra-se
mais participativo no cuidado e demonstra compreensão das orientações fornecidas pela
equipe, verbalizando segurança quanto ao tratamento. Deambula com estabilidade e sem
alterações motoras, mantendo coordenação, marcha e equilíbrio adequados.
EVOLUÇÃO 2
Cabeça e pescoço sem alterações significativas, com couro cabeludo apresentando leve
redução da hiperemia nas áreas previamente mais inflamadas. Mucosas seguem
hidratadas e integridade oral preservada, com boa higiene. Pupilas isocóricas e
fotorreagentes; movimentação cervical preservada e sem dor. Ausculta pulmonar
demonstra murmúrios vesiculares presentes e simétricos, sem ruídos adventícios. Ritmo
respiratório regular, sem esforço e sem uso de musculatura acessória. Ausculta cardíaca
com bulhas normofonéticas, ritmo regular e sem sopros. Perfusão periférica adequada,
com tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Abdome mantém-se globoso, macio e
indolor à palpação, com ruídos hidroaéreos normoativos. Sem náuseas, vômitos ou
desconforto abdominal. Refere evacuação amolecida nas últimas 24 horas, em menor
frequência, associada ao preparo para colonoscopia, e sem presença de sangue. Diurese
presente, coloração clara e sem alterações relatadas. Pele hidratada, com múltiplas lesões
ainda disseminadas, porém com leve redução do eritema e diminuição do exsudato em
áreas previamente mais úmidas.
EVOLUÇÃO 2
Lesões secas apresentam melhor aspecto, com menor descamação e melhora da
sensibilidade local. Durante a troca de curativo, observou-se discreta redução da ardência
e maior tolerância ao procedimento. Edema em membros inferiores persiste, porém com
discreto decréscimo em relação aos dias anteriores; mantém cacifo de ++ em MMII e +
em MMSS. Mantém boa aceitação das orientações de cuidado, higieniza as mãos antes do
curativo após reforço educativo, compreende a importância da ingesta hídrica adequada
e relata ter aumentado o consumo de água. Mantém adesão às orientações gerais e
demonstra maior autonomia no autocuidado diário. Em síntese, o paciente apresenta
evolução clínica favorável, com melhora gradual do desconforto, do prurido, da dor e do
aspecto das lesões cutâneas, além de melhora da estabilidade emocional e da
participação ativa no tratamento. Permanecerá em acompanhamento contínuo para
monitoramento da resposta terapêutica e evolução das lesões.
CONSIDERACÕES FINAIS

A elaboração deste estudo de caso representou um importante processo de amadurecimento


técnico e intelectual, permitindo compreender o Processo de Enfermagem para além de um
protocolo mecânico. O acompanhamento de um paciente com quadro complexo exigiu
articulação entre conhecimento científico, análise clínica e sensibilidade ética, fortalecendo
habilidades como julgamento profissional, observação crítica e tomada de decisões
fundamentadas.
A prática demonstrou que a assistência sistematizada organiza o raciocínio clínico e potencializa
o cuidado seguro e humanizado. Essa vivência evidenciou que o cuidado em enfermagem é
relacional e profundamente humano, envolvendo escuta, empatia e respeito à integralidade do
paciente. A reflexão remete ao trecho de A Morte de Ivan Ilitch, de Tolstói, quando se busca no
outro um olhar de compaixão — elemento essencial para compreender o sofrimento e agir com
responsabilidade, humanidade e ciência.
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