A Vida de Oswald: Uma Aventura Sombria
A Vida de Oswald: Uma Aventura Sombria
Prólogo
Noite 1
Noite 2
Noite 3
Noite 4
Noite 5
???
VOCÊ é Oswald, uma criança de 10 anos que vive o PIOR tipo de vida imaginável.
Primeiro, seu melhor (e único) amigo, Ben, se mudou para Myrtle Beach, você nunca
mais o viu desde então, e sua cidade está PÉSSIMA, desde o fechamento da fábrica 3
anos atrás, tudo parece ter fechado também. A fábrica era basicamente a única coisa
que sustentava a cidade, agora sem ela você é pobre, a cidade é pobre, todos são
pobres. Seu pai conseguiu um emprego de baixa renda no Snack Space.
Para jogar no modo fácil, com um broche de pizza da Jeff's, um Token e uma
pistola de água, Toque aqui.
Para Jogar no modo normal, apenas com sua habilidade, Toque aqui.
PRÓLOGO
Não, essa piscina nojenta é demais. Talvez meu pai não mereça isso, Toque aqui.
Não, é melhor não ir. Seu pai... Ele tenta. Ele se esforça para te dar a melhor vida.
Você volta e espera por ele.
FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
p
Ele merece. O pensamento ressoa na sua mente enquanto você analisa a sala mais
uma vez. As paredes são amarelas, mas a tinta parece ter sido aplicada às pressas,
cobrindo outra camada antiga. Tudo ao seu redor exala abandono e decadência. Atrás
da piscina, seus olhos captam algo na parede — um desenho tosco de três animais.
Eles têm algo familiar, como os rabiscos que você costuma fazer.
Você respira fundo. Está na hora.
Você não tira seus sapatos para seu pai não te achar, e você pula. Quanto tempo será
que vai levar até ele voltar? Você não sabe, mas decide que não importa. Não agora.
Você começa a se afundar na piscina de bolinhas. Conforme se move, sente algo
estranho: as bolinhas não estão completamente secas. Algumas parecem úmidas,
pegajosas até, e o cheiro é... estranho. Algo azedo e metálico. Você prefere não
imaginar o que pode ser.
FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
Você emerge das bolinhas, e você está... O que é isso??? Há um grupo de crianças
brincando na sala, com brinquedos de verdade. Uma menininha está brincando com
dois amigos dela. As crianças parecem estar conversando sobre filmes antigos. Que
estranho... Crianças não costumam conhecer filmes como E.T. ou Os Caça-Fantasmas.
Elas usam roupas antigas também. A pizzaria não está mais decadente: as paredes são
cinzas, e você pode ver os desenhos dos mascotes — um urso marrom, um coelho azul
e uma galinha amarela. Pelo que parece, são personagens de desenhos animados.
Abrindo a porta da sala da piscina de bolinhas, você encontra o salão principal. Há
várias crianças ali, dançando ao som de uma música chiclete ruim. Quando você olha
para o palco... você salta para trás. Algumas crianças olham para você de forma
estranha. No palco, estão os três mascotes de desenho animado. Eles eram quem
estavam cantando. Mas... eles parecem aterrorizantes! Seus olhos sem vida o encaram,
e todos têm uma boca larga. A mais assustadora é a galinha, que tem uma boca grande
e repartida... e dentes. Que tipo de galinha tem dentes?
A galinha usa um babador com a frase "VAMOS COMER!" estampada. Os outros
dois mascotes têm botões, e o coelho, a propósito, não tem sobrancelhas — o que você
acha muito estranho. As crianças, porém, não parecem ter a mesma opinião. Elas
gritam e se agitam enquanto os animatrônicos continuam cantando no palco.
— Como alguém pode gostar dessas aberrações?
Ao dizer isso em voz alta, um menino negro com camiseta listrada apareceu atrás de
você.
— Como assim? Todos aqui amam o Freddy e sua banda! — ele disse.
Você se vira para ele e questiona:
— Quem é Freddy?
O garoto dá uma risada.
— Você tá brincando? Você deve ser novo por aqui, ou mora numa caverna. Freddy
é aquele urso ali, ele faz o maior sucesso!
O menino parecia tão entusiasmado que você simplesmente parou de falar. Às
vezes, parecia que você tinha parado em outra dimensão... ou algo assim. De qualquer
forma, não parece ruim aqui.
— A propósito, quem é você? — você perguntou.
O garoto abriu um longo sorriso:
— Meu nome é Mike! Desculpa aparecer do nada, eu te vi por aí e você parecia
todo assustado, então vim saber o que te deixou desse jeito. Esse aqui é meu parça,
Chip.
Parça? Quem ainda fala parça? Um garotinho com colete e roupas amarelas
apareceu. Ele parecia até um personagem de uma série que você assistiu uma vez na
Netflix... Quando você tinha Netflix.
— Oi, Chip. Oi, Mike.
Você estava meio sem jeito. Não estava acostumado com pessoas vindo falar com
você, muito menos quando elas não vinham só para rir de você. Chip se aproximou e
perguntou:
— E você, qual é o seu nome?
— Oswald.
— Oswald, tipo o mágico? — respondeu Chip.
— Mágico?
— O de Oz, ué.
— Meu pai me chama de Oz. Acho que foi daí que ele tirou.
Chip deu uma risada.
— Você tá desligado mesmo, hein, cara!
Mike segurou o ombro de Chip:
— Aí, deixa o menino. Ele só viveu numa caverna.
Você olhou para ele. Aquilo deveria ser uma defesa?
— Ah... Obrigado, eu acho? Bela camisa de Os Goonies, adoro esse filme antigo.
— Antigo? Cara, esse filme lançou tipo... ainda esse mês. Como assim antigo?! Às
vezes você parece muito atrasado, outras vezes muito avançado!
Mike parecia estar bem chocado. Que estranho... Será que você está num tipo de
"loop do passado" ou algo assim?
— Ah... Claro, eu estava brincando.
— Então, Oz, o que acha de a gente jogar algo? PizzaRoller ou algum dos arcades?
toque aqui
Mike se aproximou de você com um sorriso desafiador.
— Ha! Você tem sorte de não ter escolhido o PizzaRoller. Se não, eu ia te destruir.
Ele disse isso, mas não parecia tão confiante quanto queria demonstrar. Sem perder
tempo, ele te levou até o arcade. O salão tinha aquele cheiro característico de
eletrônicos antigos misturado com pipoca e pizza. Os gabinetes de fliperama se
alinhavam em fileiras brilhantes, algumas máquinas familiares como Donkey Kong e
Pac-Man. No entanto, o que realmente chamava a atenção eram os jogos originais,
relíquias exclusivas daquela pizzaria.
Os nomes estavam ali, reluzindo em letras chamativas e ligeiramente desgastadas:
Heftin with Helpules, Freddy in Space, Mangle's Quest, Chica's Party, Freddy's
Fighters e Take Cake to the Children.
Mike parou diante de dois gabinetes, batendo com o punho em um deles como se
estivesse cumprimentando um velho amigo.
— E aí, Oz? Que tal a gente decidir quem faz a maior pontuação no Take Cake to
the Children ou quem é o melhor lutador no Freddy's Fighters?
Ele lançou a pergunta com uma confiança ensaiada, mas você percebeu um brilho
competitivo nos olhos dele. As luzes do arcade refletiam em seu rosto enquanto ele
esperava pela sua resposta.
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Você começou a apertar todos os botões de uma vez, sem qualquer estratégia, os
dedos correndo pelo controle como se tivessem vida própria. Para sua surpresa, Bonnie
começou a soltar combos impressionantes — chutes, socos, até um ataque especial que
fez Freddy voar do outro lado da tela. Você não tinha a menor ideia do que estava
fazendo, mas, de alguma forma, estava funcionando.
No final, a tela piscou em vermelho e branco, com a palavra “VITÓRIA!”
brilhando em letras garrafais.
— Ah, parece que você venceu. Parabéns, Oz! — disse Mike, surpreso, mas
sorrindo de forma sincera.
Você encarou a tela, ainda tentando processar o que tinha acabado de acontecer.
Aquela estratégia estúpida realmente tinha funcionado?
— Ah... obrigado. Você jogou bem também — você respondeu, um pouco sem
graça.
Antes que Mike pudesse dizer mais alguma coisa, um grito distante interrompeu a
conversa.
— Chip! CHIP! — a voz de um homem adulto ecoou pelo salão do arcade, firme e
autoritária.
Chip arregalou os olhos, já se virando para a porta.
— Opa, parece que meu pai tá vindo. Ele não gosta quando eu fico aqui até de
tarde.
Mike deu um suspiro leve e passou a mão no cabelo.
— É, acho que vou embora também. Amanhã a gente continua, certo, Oz?
Você olhou para os dois, meio perdido, mas assentiu com um sorriso.
— É claro.
Mike deu um tapinha amigável no seu ombro, e os dois começaram a caminhar em
direção à saída. Por um momento, você ficou parado ali, ouvindo o som distante dos
fliperamas ainda ligados e das músicas eletrônicas que pareciam mais abafadas agora.
Você deveria estar feliz. Tinha vencido o jogo e feito dois amigos, mas, por alguma
razão, uma sensação estranha começou a crescer dentro de você. Era como se algo não
estivesse certo, como se o próprio ar do lugar estivesse fora de lugar.
Você não devia estar ali.
Com o estômago apertado e um arrepio na espinha, você olhou ao redor mais uma
vez. As luzes dos fliperamas ainda piscavam, mas o salão parecia mais vazio agora,
como se o brilho tivesse perdido um pouco da força.
Talvez fosse hora de ir embora também.
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Mike assentiu e colocou as fichas no gabinete de Take Cake To The Children.
O jogo parecia simples: você controlava Freddy Fazbear, o mesmo urso que estava
no palco, e tinha que entregar bolo para um grupo de crianças antes que o tempo
acabasse. O único problema? Você não sabia quanto tempo tinha.
Mike terminou primeiro, e agora era a sua vez. Você pegou o controle, respirou
fundo e começou.
Desde o início, algo parecia errado. Não havia música. O único som que ecoava era
um ruído distante e abafado, como se alguém estivesse chorando. Você desviou os
olhos da tela, mas ninguém ao seu redor parecia ouvir.
Na tela, Freddy continuava entregando bolos. O silêncio foi quebrado por uma voz
distorcida, profunda e inquietante, que começou a soletrar letras em um tom baixo e
arrastado:
S...
Você congelou por um instante, olhando em volta. Mike não parecia perceber nada.
A voz continuou.
A...
O Freddy na tela começou a ficar mais lento. As crianças pixeladas pulavam
freneticamente, seus pequenos rostos de 8-bits transformados em expressões de
frustração. O controle parecia pesado em suas mãos.
L...
O som daquela única letra ressoou em seus ouvidos como um sussurro opressivo.
Seu peito estava apertado, como se o jogo estivesse sugando você para dentro. As
crianças começaram a piscar na tela, quase distorcidas, enquanto Freddy continuava se
movendo a passos lentos.
V...
Você tentou falar, gritar, qualquer coisa, mas sua voz não saiu. A sensação de estar
preso era avassaladora. Você apertava os botões desesperadamente, mas não tinha
controle de verdade.
E...
Uma dor estranha atravessou o seu corpo. Aguda e sufocante. Você começou a suar
frio. Era como se estivesse dentro do jogo, como se estivesse sentindo tudo o que
acontecia.
E...
A tela piscou. Seu olhar se fixou em uma nova figura. Uma garotinha apareceu no
fundo da tela. Ela usava uma camiseta azul com a imagem de uma marionete. Era
difícil ver os detalhes em 8-bits, mas a figura dela era inconfundível.
L...
As letras estavam formando uma palavra. Você sabia o que viria, mas não queria
acreditar. Freddy parou de se mover. A tela estremeceu, e agora você estava olhando
pelos olhos da garotinha.
A.
Sua visão ficou mais estreita, como se estivesse olhando pelos olhos dela. Foi então
que você finalmente entendeu o que a voz distorcida estava soletrando:
SALVE ELA.
Você deu um pulo para trás em um movimento brusco, quase tropeçando, sentindo a
gravidade pesar ainda mais sobre você. O lugar ao redor parecia desfocado, abafado;
os ruídos de outras pessoas jogando, as risadas e conversas eram apenas ecos
longínquos, um fundo surdo para o frenesi que queimava dentro da sua mente. Sem
pensar, você correu. Não sabia o motivo, mas algo primal e urgente o arrastava para
longe.
Passando pelas portas da pizzaria, você sentiu o vento frio bater como uma bofetada
contra sua pele quente e febril. Lá fora, a chuva despencava. Cada gota parecia atingir
você com um peso incomum, como agulhas geladas perfurando sua roupa e pele. O
som da chuva esmagando o concreto foi um breve alívio comparado ao ruído
ensurdecedor dentro de sua cabeça, mas logo se tornou opressor, como se o mundo
inteiro estivesse afundando com você.
Seu olhar estava nublado; tudo era um borrão de luzes fracas e ruas molhadas. Seu
coração martelava forte contra o peito, sincronizado com os pingos de chuva que
escorriam pelo seu rosto, confundindo-se com lágrimas que você nem sabia que
estavam ali.
De repente, um brilho — um farol cortando a escuridão. O chão encharcado refletiu
a luz com uma intensidade quase sobrenatural.
Seu corpo não se movia, como se estivesse preso sob um encanto. Uma fantasia.
FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
Você corre sem parar para longe da pizzaria. Consegue ver sua placa: "Freddy
Fazbear's Pizza, desde 1983". O urso, o coelho e a galinha estão lá. Você
continua correndo em uma direção que sua mente parece te mandar seguir,
embora não saiba o porquê. No caminho, encontra alguns jornais jogados no
chão.
Chegando ao destino, encontra uma casa grande. Consegue entrar pela janela
e, ao explorar, percebe várias fotos nas paredes. A primeira que chama sua
atenção mostra um homem loiro, barbudo e de mullet. Ele parece ao mesmo
tempo um lenhador e um engenheiro. Ao lado dele está uma mulher que se
parece muito com a garotinha que você viu antes.
Você olha para o espelho e um calafrio percorre sua espinha: você é essa
criança.
Você continua explorando a casa e encontra mais jornais. Um deles diz:
"Freddy Fazbear's Pizza aberta! Após anos de tentativas de se expandir, a
Fazbear Entertainment abre um novo restaurante, com os mascotes dos
desenhos animados. A pizzaria é um grande sucesso, superando seu
antecessor, Fredbear's Family Diner."
Outro jornal informa:
"Fredbear's Family Diner fechada: No dia 26 de junho de 1983, Garrett
Afton, filho de um dos donos da Fredbear's Family Diner, acabou sendo
mordido após uma 'brincadeira' causada pelo seu irmão. O garoto morreu
no hospital três dias após o ocorrido. Após a tragédia, os donos da empresa
disseram que farão um novo sistema de segurança para a Freddy's. 'Não é o
fim ainda. Fredbear e Spring Bonnie ainda poderão brilhar.' — disse
William Afton, cofundador do restaurante."
O último jornal menciona um evento de Halloween, um festival de outono.
Esse parece mais recente.
Nas fotos da parede, você também vê o mesmo homem loiro e a mesma
mulher ao lado de duas crianças: a garotinha que se parece com você e um outro
garoto, talvez o irmão dela?
E então, de repente, o jogo acaba.
Quando você volta à pizzaria, percebe que há menos pessoas do que antes.
Chip ainda está ali, mas Mike parece ter desaparecido. Você não diz nada. As
lembranças dessa experiência traumática ainda pesam em você, e, tomada pela
angústia, decide que é hora de ir embora — voltar para o presente — e nunca
mais retornar.
FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
O silêncio da pizzaria te envolvia como uma capa sufocante enquanto você
observava Chip indo embora e, depois dele, Mike desaparecendo em direção à saída.
Seus movimentos eram cuidadosos, quase ensaiados, enquanto fingia procurar pela
saída também. No entanto, sua intenção era outra. Certificando-se de que ninguém
mais te observava, você se afastou dos corredores principais e andou devagar até o
salão principal.
As luzes estavam mais fracas, lançando sombras ameaçadoras nas paredes, e foi
nesse momento que algo inesperado aconteceu. Uma das portas de uma sala de festas
se abriu lentamente. O som estridente das dobradiças ecoou pelo espaço vazio, como
um chamado assustador.
Lá, no limiar da escuridão, um coelho amarelo surgiu. Ele era... errado, como se fosse
uma versão corrompida do coelho animatrônico que ficava no palco. Ele sorria, mas o
sorriso era vazio, congelado, como se estivesse encarando diretamente sua alma. Você não
sabe dizer o que ele é. Às vezes, parecia uma máquina defeituosa, algo fora do lugar. Outras
vezes, o pensamento mais lógico atravessava sua mente: talvez fosse apenas alguém
fantasiado. Mas os olhos... eles não eram como os de uma [Link] vazios, assustadores.
Ao fundo, pela abertura da porta onde o coelho estava parado, você conseguiu
enxergar algo familiar: um calendário na parede. Ele revelava uma data: Junho de
1985.
Tentando ignorar aquela aberração da natureza — mais uma delas naquela noite —,
você seguiu para a piscina de bolinhas. Estava vazio ali, então você mergulhou na
piscina. Você voltou ao presente; seu pai não tinha chegado ainda. Depois de um
tempo esperando, ele finalmente apareceu:
— Oi, Oz, desculpa a demora. Eu tava ocupado, meu chefe exigiu que eu passasse
mais tempo no Snack Space. Houve um imprevisto, mas já tá tudo resolvido.
Você estava alegre demais para reclamar com seu pai. Agora você tinha amigos.
Amigos DE VERDADE. Você entrou no carro dele, e os dois seguiram viagem.
— Pai, quantos anos você tinha em 1985? — você perguntou.
Ele parou para pensar e respondeu:
— Mais ou menos a sua idade. Uns quatro anos mais velho. Por que a pergunta?
Você hesitou um pouco, não queria parecer suspeito. Mas também não queria
mentir. Então, optou por uma meia-verdade:
— Eu estava vendo coisas dessa época na Jeffs.
— Ah, sim, entendi, Oz.
— Você sabe se há algum filme daquela época que a gente pode assistir?
— Sim, eu tenho alguns DVDs antigos que guardei. Eu adorava aqueles filmes.
Acho que você vai adorar também. Você puxou ao paizão aqui!
Você deu uma risadinha. Precisava mesmo aproveitar os primeiros segundos com
seu pai depois do trabalho, porque depois você não o suportava mais — e,
provavelmente, ele sentia o mesmo, já que vocês passavam tanto tempo juntos.
Quando voltou para casa, você e seu pai subiram para o sótão da casa para checar
quais DVDs estavam guardados lá. Vocês acharam pelo menos três DVDs diferentes e
escolheram um para assistir.
Quando o filme terminou, já era tarde. Hora de dormir. Você foi para sua cama e se
deitou.
Sua mente, no entanto, não saía daqueles animais mecânicos. Você não percebeu de
imediato, mas eles pareciam muito com os que você costumava desenhar.
Você acordou bem nesta manhã. Tirando aquele encontro estranho com o coelho esquisito
ontem, foi um dia quase perfeito! Assim que abriu os olhos, uma animação difícil de conter
tomou conta de você. Você se levantou velozmente, cheio de energia, e já era hora de… ir
para a escola. Droga. Você tinha ficado tão feliz ontem que simplesmente esqueceu
TOTALMENTE que tinha aula hoje. Agora, talvez a animação tenha diminuído um pouco,
mas não o suficiente para fazer você largar tudo!
— Olha só, o meu quase aluno do sétimo ano acordou! — Sua mãe estava na cozinha,
preparando a comida. Você raramente podia vê-la durante o dia, principalmente porque ela
trabalhava no hospital até de madrugada e começava de tarde. Assim, você passava o tempo
todo na escola, sem ela. Pelo menos, ela era quem recebia o melhor salário da casa.
— Oi, mãe! — você respondeu. Ela se aproximou e beijou sua testa.
— Não pense que só porque você está ficando grandinho vai escapar dos beijos da mamãe!
— Ela então colocou o bacon e os ovos no prato e entregou para você. — Aqui, pode comer.
— Ela parecia alegre. Você viu ela ajeitar seus rabos de cavalo loiros, enquanto se sentava em
uma cadeira em frente à mesa. Você fez o mesmo.
Depois, seu pai abriu a porta. O rangido estridente de sempre daquela bendita porta. Ele
estava meio quieto hoje, parecia cansado. Todos vocês se reuniram na mesa e comeram o café
da manhã. Após isso, você se vestiu para a escola. Ainda calados, você e seu pai foram para a
escola. Quando chegaram, você saiu do carro.
— Tchau, pai, eu te amo.
— Tchau, Oz. Aliás... Acho que não vou poder te levar para a casa do Jeff hoje. Mas
confio que você pode ir sozinho.
— Tá. — Seu pai foi embora, deixando você na escola.
Você caminhou e entrou na escola. A escola Westbrook era a única escola da cidade, e
ainda assim conseguia ser a pior. Ela era a pior mesmo sem existir outra. E a pior parte era o...
— Olha só, chegou o Oswald, o ocelote! Haha! — Dylan. Ele estava lá, claro. Claro que
ele devia estar lá. Ele não abandonaria a escola... mesmo que você quisesse. "Oswald, o
ocelote" se tornou seu apelido por causa de um desenho animado que sua turma assistiu no
maternal, sobre aquele maldito ocelote estúpido chamado Oswald. Você queria enterrar a
cabeça do Dylan na lixeira.
Você se afastou e o deixou ali. Depois de muito tempo, a aula finalmente terminou, e agora
você precisava decidir para onde ir.
FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
Você resolve seguir o coelho. Não sabe por quê, mas há algo nele que parece te
chamar — uma curiosidade quase doentia, um desejo de entender o que está
acontecendo. Ele não te viu na fantasia, certo? Apenas a achou errada, algo que
precisava ser consertado.
O corredor era longo e escuro, quase interminável. O coelho se movia à sua frente
com passos mecânicos, os olhos vazios e o sorriso fixo no rosto amarelo, como se
tivesse sido costurado ali para sempre. Havia algo errado naquele sorriso — algo que o
fazia parecer mais um aviso do que uma saudação.
Você não estava realmente atrás do coelho. Era como se estivesse deixando ele te
guiar, como Alice seguindo o coelho até sua toca.
Ele parou diante de uma porta com uma placa que dizia "Sala Segura", mas as
palavras estavam riscadas, arranhadas, e substituídas por "Sala de Festas". O coelho
fez um movimento lento com a cabeça, um gesto quase imperceptível, como se
estivesse convidando você a entrar.
Seu corpo tremia, o instinto gritava para correr, mas algo o prendia ali. Talvez fosse
curiosidade, ou talvez o fato de que fugir parecia impossível. Você entrou.
Demorou alguns segundos para seus olhos se ajustarem à luz fraca da sala e mais
alguns para que seu cérebro compreendesse o que estava vendo.
A sala é uma mistura bizarra de enfermaria e oficina. Kits de primeiros socorros
estão espalhados pelas prateleiras junto com ferramentas e peças mecânicas — garras,
olhos falsos, placas de circuitos. Mas não é isso que chama sua atenção.
As crianças.
Elas estão alinhadas ao longo da parede, seus corpos largados como bonecas
descartadas sem cuidado.
Um menino ruivo, sardento, com óculos redondos tortos no rosto, tem a cabeça
pendendo para o lado, como se não tivesse forças para mantê-la erguida. Uma garota
de cabelos loiros bagunçados exibe um sorriso vazio, os olhos fixos em um ponto
distante, em algo que não está lá. Ao lado dela, uma menina de cabelos pretos
encaracolados ainda se move levemente, como se algo dentro dela se debatesse para
escapar. Mas seus olhos... seus olhos estão mortos, presos em uma agonia que faz seu
estômago revirar.
Mortos? Não, algo está errado.
No centro do grupo, há um menino diferente. Suas roupas estão sujas e esfarrapadas
, destoando dos outros. Seus olhos, porém, não estão fixos em você. Eles encaram algo
atrás de você.
O arrepio percorre sua espinha antes mesmo de você se virar.
O coelho amarelo estava ali, e seu sorriso havia crescido de forma grotesca, um arco
tão exagerado que parecia errado, antinatural. Antes que você pudesse reagir, ele se
lançou sobre você com uma velocidade assustadora.
Você pulou para trás, tropeçando. Seu corpo caiu sobre algo macio e frio. Eca! Era
o menino do meio. O nojo e o pavor tomaram conta de você enquanto se levantava de
um salto, o coração disparado. Seu instinto falou mais alto.
Você agarrou uma cadeira que estava próxima e a lançou com toda a força no
coelho. CLANG! Ela bateu no ombro dele, fazendo-o recuar por um instante. Foi o
tempo necessário para você se mover.
Correndo até uma das prateleiras, você agarrou o primeiro kit de primeiros socorros
que viu e disparou para fora da sala.
O corredor parecia ainda mais longo do que antes, cada passo seu ressoando alto
demais. Atrás de você, o coelho vinha, seus passos pesados e constantes, como uma
marcha que não se apressava — mas que nunca parava.
No fim do corredor, você avistou uma porta. A placa dizia "Piscina de Bolinhas".
Você agarrou a maçaneta, mas a porta não se mexeu.
Emperrada.
O som de metal arranhando ecoou atrás de você. Ele estava chegando.
E agora?
FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
Você percebeu que não tinha como abrir a porta com o que tinha à mão. A
frustração foi forte, mas o desespero te empurrou para agir. Quando você se virou, viu
o coelho correndo em sua direção. Instintivamente, você deu um pulo para trás,
sentindo a parede contra suas costas. Seu coração batia tão rápido que parecia
explodir. A criatura avançou numa velocidade absurda, quase como um borrão. Essa
coisa sequer é humana?!
Sem saída, você começou a correr pelo restaurante, derrubando tudo o que via para
atrasá-lo. Mesas viraram, cadeiras tombaram. O barulho era abafado pelos passos da
criatura, que não desistia. Você tentou se defender: jogou pratos, talheres, até uma
bandeja... Nada adiantava. E o pior: não tinha para onde fugir. Se continuasse assim,
ele te pegaria, e o que ele queria fazer era óbvio... Te transformar em um deles.
De repente, Freddy começou a se mexer também, mas tropeçou e caiu no chão,
desorientado. Era a chance perfeita! Você despistou o coelho e correu para os
bastidores.
Ao entrar, parou de repente. Um esqueleto de metal, do tamanho daquelas criaturas,
estava parado ali. Seus braços longos terminavam em garras afiadas, e sua cabeça
metálica, sem rosto, tinha grandes órbitas vazias com luzes piscando. Aquilo era
aterrorizante.
Antes que pudesse reagir, ouviu os passos do coelho se aproximando novamente.
Tremendo, começou a correr de novo. Tropeçou, se levantou, e procurou
desesperadamente algo para abrir a porta. Então, sentiu algo bater na sua cabeça. Uma
chave caiu no chão! Ela tinha o símbolo de uma bolinha escupido no pequeno corpo
prateado.. Perfeito! Ou quase... O coelho saltou em cima de você naquele exato
momento.
Em pânico, você desferiu um chute desesperado na criatura, sentindo uma dor aguda
irradiar pelo pé no mesmo instante. O impacto pareceu irritá-la ainda mais. Ela se
ergueu de forma abrupta e, como se o mundo ao redor tivesse desacelerado, você viu a
mandíbula dela se abrir de maneira antinatural, como se fosse desencaixar do resto do
crânio. A pele esticada revelou o interior grotesco da boca: partes orgânicas
avermelhadas e inchadas pulsavam ali, como se estivessem vivas, úmidas e
inflamadas, enquanto fios de saliva grossa escorriam entre os dentes enormes e
afiados. Antes que pudesse reagir, a coisa avançou, cravando as presas em sua perna.
A dor foi lancinante, queimando como fogo, e o som de sua respiração pesada e
irregular parecia preencher tudo, ecoando dentro de seus ouvidos como um zumbido
insuportável. Ela mordia com uma força enlouquecida, faminta, determinada a não
soltar.
Com um último esforço desesperado, quase cego de pavor, você conseguiu se
soltar com mais um chute. Quase anestesiado pela adrenalina, você conseguiu correr
mancando até a porta, destrancá-la e entrar no cómodo.
Você fechou a porta com força, enquanto o coelho batia do outro lado, quase
violando a madeira. Você respirava com dificuldade. O corte na sua bochecha ardia e a
dor na perna era insuportável, mas não tinha tempo a perder. O que fazer agora?
FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
Você tranca a porta e empilha tudo o que consegue encontrar para barricar. O coelho
não vai passar. Não agora.
Com as mãos trêmulas, você abre o kit médico.
Boas notícias: ele está cheio.
Más notícias: você só tem 10 anos e não faz ideia do que está fazendo.
Você tenta se lembrar de quando a mamãe cuidava dos seus machucados. Aplica um
curativo como ela faria, mesmo sem entender direito o que estava fazendo. Você
consegue conter o sangramento, mas não dá tempo para fazer mais nada.
O som da porta rachando enche o ar. Ele está vindo.
Você corre para a piscina de bolinhas e pula. O mergulho é desesperado. O barulho
da porta se estilhaçando faz seu coração disparar. Você desce mais fundo, afundando
nas bolinhas como se estivesse em uma piscina de verdade. O barulho dos passos se
aproxima. Você segue o fluxo das bolinhas e salta para fora em outra extremidade.
O ar entra nos seus pulmões de uma vez só, como se você tivesse acabado de sair de
um mergulho real. É só então que você percebe: está todo empoeirado, como se a
sujeira tivesse te engolido junto.
— OSWALD!
A voz faz você congelar. Seu pai está ali.
— O que você tava pensando quando entrou nessa coisa velha? Saia daí agora,
garoto! — Ele parece furioso.
Você sai da piscina, tremendo. As lágrimas começam a cair sem que você saiba o
porquê. É como se o peso de tudo desabasse ali mesmo.
— Oz... o que houve? — A voz do seu pai muda. Agora ela soa preocupada, mais
suave.
Você não responde. Você só chora. O alívio de estar fora daquele pesadelo se
mistura com o cansaço e a confusão.
— Ah, Oz...
Seu pai se abaixa, indo na sua direção. Mas, antes que você consiga piscar, um vulto
amarelo salta da piscina de bolinhas.
Você pisca de novo. Seu pai não está mais ali. Ele está sendo puxado pela criatura.
Você pisca uma última vez, e agora o coelho está no lugar dele, uma enorme pata
firme segurando seu ombro.
Você grita e se joga para trás, mas ele agarra sua mão. O coelho começa a arrastar
você para fora da pizzaria.
— JEFF! JEFF! — Você grita em desespero.
Jeff está lá, parado atrás do balcão, com aquela expressão cansada e vazia que ele
sempre tem.
— Até mais, pessoal. — Ele murmura, como se nada estivesse acontecendo.
— Jeff, é o meu pai! Você não tá vendo?! — Você chora, desesperado, a voz
falhando.
— Seu pai tá bem, garoto. A poeira deve ter ferrado com seus olhos.
O coelho te puxa até o carro do seu pai. Ele abre a porta, coloca você no banco do
passageiro e prende o cinto com firmeza. Você olha para ele, atordoado.
— Pra onde você tá me levando? Como você sabe dirigir?! Como você tem a
chave?!
Ele não responde. Não te olha. É como se ele nem ouvisse.
O carro começa a andar. Você não consegue fazer nada além de observar o cenário
pela janela, seu coração disparado. Minutos depois, o carro para. Na frente da sua casa.
A criatura sai, abre a porta e te puxa para fora. Ela te leva até a porta da frente,
destranca como se fosse o dono do lugar, e te arrasta até o seu quarto.
toque aqui
Você começou a vasculhar entre os papéis e objetos empilhados, as sombras os deformando
desconcertantemente. Suas mãos se detiveram em um dos papéis. Mesmo antes de desdobrá-lo, você sabia
exatamente o que era.
Era um desenho do coelho amarelo.
Você se lembrou do momento exato em que fez aquilo, mas agora o olhar vazio e o sorriso congelado do
desenho pareciam zombar de você. O calafrio que sentiu foi tão forte que quase largou o papel. Empurrou-o para
o lado, mas havia outros. Muitos outros. Cada um com o mesmo coelho, com pequenas variações, mas sempre
retratando aquela mesma figura.
Chega disso.
Você empurrou a pilha de papéis, e seus dedos finalmente tocaram o que procuravam: uma pequena lanterna
presa a um chaveiro velho. Você a pegou, sentindo a textura áspera do metal enferrujado enquanto apertava o
botão para ligá-la.
O feixe de luz era fraco, quase patético. Apenas uma linha pálida que mal cortava a claridade já presente do
quarto.
Você suspirou, frustrado. Não era grande coisa, mas pelo menos seria útil fora do quarto.
"Vai ter que servir."
O olhar voltou para a porta. O corredor escuro estava à espera, mas agora, com aquela lanterninha, você pelo
menos teria uma chance.
Com as mãos trêmulas, você fecha a porta do quarto devagar, prendendo a respiração a cada pequeno rangido.
A luz fraca que escapava pelas frestas desaparece, deixando apenas a escuridão do corredor como companhia.
Você segura a lanterna e avança, guiando-se mais pela memória do que pela visão. A luz é fraca demais para
ajudar de verdade, apenas recortando pedaços da casa em sombras tortas e assustadoras.
Ao chegar à porta do segundo corredor que se interliga à sala de jantar, você pensa por um instante.
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Você agarra a maçaneta da porta com força, sentindo o metal frio e úmido contra a palma da mão. Sem pensar,
você a gira com toda a força, arrebentando a madeira desgastada no processo. A porta se abre com um estalo
ensurdecedor, e você sai disparado, correndo da melhor forma que consegue.
Mas a pressa cobra seu preço. Seus pés se enroscam em algo duro e irregular no chão, e você tropeça com força,
caindo de joelhos e mãos. Você está prestes a praguejar, mas então sua voz perece em sua garganta.
Dois olhos prateados brilham na escuridão, fixos em você. Seus dedos tremem enquanto você ergue a lanterna
e ilumina a figura.
O coelho amarelo? Não.
Não era o coelho amarelo. Era um rosto de pele cinzenta, esticada sobre um crânio metálico, com olhos vazios
que sugavam toda a luz. Um sorriso vermelho exagerado, esticado além do natural, destacava dentes metálicos e
irregulares. As bochechas rosadas davam-lhe uma aparência de palhaço macabro.
Ela sorriu, abrindo a boca de forma grotesca, enquanto tranças infantis balançavam levemente. No peito, um
pingente em forma de coração pulsava como se tivesse vida própria.
De sua boca, nariz e dedos escorriam gavinhas viscosas e escuras, serpenteando em sua direção como
predadores famintos.
FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
Você corre com toda a força até a porta e se lança contra ela, tentando arrombá-la.
Nada. Sua força infantil não é o bastante. Ela nem se move.
Então você ouve. Passos.
Eles vêm da esquerda, cada som mais próximo, mais pesado. Seu corpo congela.
Um frio percorre sua espinha.
Antes que consiga reagir, o coelho te agarra.
As garras dele são frias, firmes como aço, e se fecham em torno de você. Você
esperneia, grita, faz tudo o que consegue, mas não adianta. A criatura aperta com
força. Você ouve o primeiro estalo.
— N-NÃO! PARA!
Seu braço. Depois, outro estalo — seu ombro. A dor é insuportável, como se mil
agulhas perfurassem seu corpo ao mesmo tempo. A criatura começa a quebrar seus
ossos, você grita, grita muito, implorando para que pare.
Então, a coisa abre a boca.
Você vê as fileiras de dentes afiados, incontáveis, como lâminas brilhando sob a
luz fraca. O cheiro que vem dali é podre, enjoativo.
Você tenta gritar mais uma vez, mas a boca da criatura já está na sua cabeça.
E então... a escuridão.
FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
1º NOITE
Você estava sentado na cama, com Jinx enrolada no seu colo, ronronando baixinho.
Passava a mão no pelo dela, tentando se distrair, mas o medo não daquela coisa te
pegar não dava trégua. Precisava pensar. Precisava sair dali.
Seu olhar se voltou para a janela. Ela estava emperrada — como sempre. O papai já
prometeu consertá-la várias vezes, mas nunca conseguiu. Não tinha tempo para isso,
principalmente depois que começou a trabalhar feito louco. Desde então, mal
conseguia parar nem mesmo para assistir aos filmes bregas do Zendrelix com você.
Mas agora não era hora de se lamentar.
A frustração bateu mais forte dessa vez. Se a janela funcionasse, você já estaria
longe. Talvez até em outro país, com outro nome. Será que Ben teria espaço na casa
dele para um hóspede temporário? A essa altura, até dormir na casinha do cachorro
nem parece uma ideia tão ruim assim.
Concentre-se, Oswald.
Você olhou para a porta, certificando-se de que estava trancada. Não era só uma
precaução. Aquela coisa ainda estava lá fora. Você tinha visto. A aberração nem fazia
questão de se esconder! Era óbvio que aquilo não era seu pai. Por que Jeff não
conseguia enxergar isso?
Sua perna latejava com uma dor quente e pulsante. A mordida queimava, e você
tentava ao máximo não pensar muito sobre ela. Parte de você se perguntava se aquilo
poderia piorar. E se infeccionar? Pior: e se eu ficar igual a aquela coisa? Tipo um
zumbi. Aquele treco é um zumbi?
Pare com isso, Oswald! FOCO!
Você balançou a cabeça, afastando a imaginação que insistia em se infiltrar. Ainda
assim, não havia como negar: com a perna naquele estado, correr seria impossível,
caso fosse necessário.
Você engoliu em seco, tentando não pensar no que aconteceria se a mamãe chegasse
e visse aquilo. E se ela achasse que é o papai também? E se aquela coisa pegasse ela?
Precisava avisá-la.
O celular. Só o celular do papai pode te salvar agora. A casa não tinha telefone fixo
— nunca teve. Sua mãe sempre diz: “Ninguém mais usa essas coisas”. Agora, essa
frase parece ecoar na sua cabeça como uma zombaria cruel. Droga.
Você respirou fundo e apertou Jinx contra o peito. Ela miou baixinho, como se
entendesse.
— Vai ficar tudo bem… — sussurrou, mais para si do que para ela.
Seu olhar voltou para a porta.
Aceitar. Não há mais o que fazer. Você não pode salvá-lo, e tentar seria o
fim. toque aqui
FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, TOQUE AQUI
Você precisa salvar o papai. Você está parado na porta do quarto dele, olhando para dentro.
A aberração está na cama, deitada como se fosse dona do lugar. O peito dela sobe e desce
devagar, com uma precisão desconcertante. Cada movimento parece calculado demais, como
se ela estivesse imitando algo que nunca entendeu de verdade.
Você não quer olhar por muito tempo. Algo no ritmo irregular do assobio da respiração
dela faz sua pele arrepiar. Quanto mais observa, mais claro fica: aquela coisa roubou o seu
pai. Isso torna tudo pior.
Você recua para o corredor, o coração batendo descompassado. O celular está no quarto,
mas não tem como pegá-lo com a aberração ali. Olhando ao redor, sua mente corre para
qualquer plano, qualquer chance. Seus olhos caem no aspirador de pó encostado na parede.
Não é uma ideia boa. Mas é a única que você tem.
Quando o som estridente preenche a casa, o impacto é quase físico. Imediatamente, você
ouve um grunhido baixo vindo do quarto. Pesado, como se algo estivesse se rasgando por
dentro. Seus pés já estão em movimento antes que você consiga pensar. Você corre até o
armário na sala e mergulha para dentro, fechando a porta com cuidado.
A escuridão do armário é absoluta. O espaço apertado amplifica o cheiro de madeira antiga
e de roupas guardadas por tempo demais. Você tenta respirar pelo nariz, devagar, mas cada
inspiração parece mais difícil que a anterior.
Os passos começam.
Eles são lentos. Cautelosos. Cada impacto no chão parece mais próximo que o último.
Você pressiona as costas contra a parede do armário, as pernas dobradas de forma
desconfortável. Um som baixo — um rangido. A porta do armário mexe um pouco, como se
estivesse sob o olhar de algo que não deveria existir.
Você fecha os olhos com força, calando-os com tanta intensidade que vê manchas de luz
atrás das pálpebras. Seus músculos ficam rígidos, a mandíbula trincada. Então, um som ecoa
pela casa.
Algo metálico se choca contra o chão com um estrondo. Não muito longe, mas também
não próximo o suficiente para identificar. Talvez seja Jinx. Talvez não. Você não pode saber.
Mas a coisa se move. Você ouve as garras raspando no chão, depois passos, depois nada.
O silêncio é tão pesado que parece uma presença física. Ainda assim, você espera. Quinze
segundos. Trinta. O tempo se dissolve até que finalmente o ar volta a preencher seus pulmões.
Abrindo a porta devagar, você sai do armário. Cada movimento é meticulosamente
controlado, mas a dor na perna ameaça desmoronar seu equilíbrio.
Você manca até o quarto e pega o celular. Quando liga para sua mãe, sua voz quase falha:
— Mãe! É uma emergência! Você precisa vir rápido! — O desespero na sua voz quase o
envergonha. — Não tenho tempo para explicar!
Você desliga antes que ela diga qualquer coisa e core para debaixo da mesa, o único
esconderijo acessível. A madeira fria contra sua testa é a única coisa que impede o caos em
sua mente de explodir.
As próximas meia-hora são um inferno. Passos ecoam pelo corredor, grunhidos quebram o silêncio, e o
forno na cozinha liga e desliga sem motivo aparente. Você permanece com os joelhos contra o peito.
Quando a porta da frente se abre, o som é como uma explosão. Você corre mancando até a sala,
lágrimas escorrendo antes mesmo de dizer uma palavra.
— Mãe! — Sua voz sai como um soluço desesperado.
— Oz, o que está acontecendo?
— O papai foi sequestrado e substituído por uma aberração amarela! — Você não consegue evitar que
as palavras saiam desordenadas.
Ela franze o cenho, e a irritação cresce em seus olhos.
— Oz, seu pai está perfeitamente bem. E você sabe que não se inventa uma emergência.
Antes que você possa responder, os olhos dela se estreitam ao passar por você, fixando-se na figura
parada ao fundo.
— E por falar nele... — Ela aponta com a cabeça, cruzando os braços. — Está aí. Está vendo? Você faz
esse drama todo e ele está bem aqui.
Você congela.
— O quê? Não, mãe, ele não é...
— Oz, por favor! — Ela interrompe, exasperada, caminhando em direção à figura. — Oi, querido, que
susto esse menino me deu...
A coisa olha para ela. E então sorri. É um sorriso estranho, largo demais, com dentes que parecem
afiados, mas não perigosos. Ela não parece notar o detalhe — ou talvez não queira notar.
— Está tudo bem? — Ela pergunta, hesitante.
A coisa acena com a cabeça.
— Viu só? — Ela lança um olhar para você, como se estivesse provando seu ponto. — Ele está bem. Não
precisava inventar essa história toda.
Você dá um passo à frente, desesperado. — Mãe, não! Esse não é o papai! Olha direito, por favor!
Ela vira para você com uma expressão impaciente.
— Oz, chega disso. Está me atrasando. Eu confio no que vejo.
— Não é ele! — você insiste, apontando para a coisa, cuja expressão permanece congelada naquele
sorriso.
Ela bufa, olhando rapidamente de você para a coisa. Então, balança a cabeça, como se decidisse que não
vale a pena continuar.
— Certo, Oz. Se não quer falar, não fale. Mas eu preciso ir. — Ela olha novamente para a coisa e faz um
gesto de despedida. — Tchau, amor.
Ela se foi e seu “pai” foi até a porta. A criatura abriu uma fresta e acenou para sua mãe. Ela acenou de
volta, distraída, antes de desaparecer pelo jardim. A aberração fechou a porta com cuidado e, quando se
virou, parou no meio da sala. Os olhos vazios dela estavam fixos em você.
Os bigodes desalinhados, e a expressão em sua face queria dizer:" Nem mesmo sua mamãe acredita em
você. Não importa o quanto você tente. Seu pai se foi. Sua vida se foi. Eu estou no controle agora.''
Você tentou desviar o olhar, mas não conseguiu. A coisa deu um passo à frente, depois outro, e
o chão rangeu sob seu peso. Antes que pudesse reagir, ela agarrou seu braço com força. A mão era
desproporcional, os dedos ásperos, como se cobertos por algo seco, mas ainda pulsante.
Você gritou, mas o som foi abafado por um riso distorcido, ecoando como um gravador
quebrado. Sem esforço, ela o lançou para dentro do quarto. Você caiu com um baque seco, o ombro
latejando de dor.
Quando ergueu os olhos, ela estava à porta, observando com um olhar satisfeito, como se
apreciasse sua presa se debatendo. Era uma cena digna de um slasher antigo, onde o assassino
observa a vítima sufocar no próprio sangue. Talvez fosse hora de parar de assistir a essas coisas.
Ela fechou a porta com um clique suave. Por um instante, você só conseguia ouvir os
passos se afastando, lentos e ritmados, como se ela soubesse exatamente o efeito que isso
tinha em você. Aquele som dizia tudo: ela estava brincando com você.
É. Estava.
A coisa não queria acabar com isso rápido. Queria que você sofresse, que sentisse cada
segundo do medo. Era um jogo de gato e rato — ou coelho e humano —, e ela estava
gostando demais para acabar agora.
Você começou a chorar de novo, soluçando em pânico. O peito apertado, a garganta seca.
A realidade te atingiu com força: aquele coelho não ia te deixar em paz. Não hoje. Não nunca.
Por que ele era assim? Não havia nada humano nele, mas também não era uma máquina.
Os olhos eram orgânicos demais para isso. Dois globos oculares brancos, sem pupilas, sem
íris, sem vida. Mas o corpo... era ágil demais, forte demais, desproporcional demais.
E cruel demais.
Quando olhava para aqueles olhos vazios, você não via nada além de dor. Era como se eles
carregassem um tipo de sofrimento tão profundo que só podia ser traduzido em violência.
Seu rosto começou a ferver. Aquele calor familiar subiu pelas suas bochechas, uma onda
de ódio crescendo dentro de você. Você apertou os punhos, tentando afastar as lágrimas, mas
não havia como conter.
Ainda não acabou.
Toque aqui
Você se aproxima da lista telefônica encostada na parede, iluminando-a com o feixe fraco
da lanterna.
De onde isso saiu? Ninguém mais usa listas telefônicas, ainda mais em uma casa sem
telefones fixos. Era estranho, mas você a pega mesmo assim. O papel é áspero, frio, e exala
um cheiro de poeira que faz você engasgar. Pesada, você segura firme e olha ao redor,
procurando um esconderijo.
O armário no canto da sala chama sua atenção. Você corre até ele, abrindo a porta com
cuidado. Dentro, roupas penduradas, panos dobrados e caixas empilhadas formam um
amontoado caótico que cheira a mofo. É apertado, mas não há escolha. Você se espreme entre
as roupas, apagando a lanterna antes de fechar a porta.
O silêncio no armário é sufocante, o cheiro de pó irrita seu nariz, e o coração martela no
peito. Então, ele vem.
O som é ensurdecedor: madeira rangendo, objetos sendo arrastados e quebrados. Você não
precisa olhar para saber que é ele. As garras arranham o chão, cada passo pesado como trovões
abafados. Você prende a respiração, tentando não se mover.
O barulho cresce, depois para bem próximo do armário. O tempo congela. Mas, de repente,
os passos se afastam, desaparecendo no corredor.
Só então você solta o ar, e com as mãos trêmulas, você acende a lanterna. O feixe ilumina o
caos ao seu redor, e a lista telefônica em seu colo.
Você a abre. As páginas são quase todas brancas, vazias, mas no meio delas, uma única
página está preenchida.
Existem números ali. Vários. Mas a maioria deles está riscada. A única combinação legível
não se parece nem de longe com um número de telefone comum.
TOQUE AQUI
Com a lanterna presa entre os dedos, você olha mais uma vez para os números na
página. 7774648. Eles parecem incompletos, sem formato de telefone, mas... vale a
pena tentar. Talvez alguém atenda. Talvez você possa chamar ajuda. Você pega o
celular com as mãos trêmulas e digita os números devagar, cada toque na tela
parecendo mais alto do que o mundo ao seu redor. O sinal de chamada ecoa, uma linha
de som fria e vazia, até que...
Estalos.
A linha não está silenciosa, mas também não há voz. Apenas um ruído pesado,
como estática misturada a algo mais... denso. Você franze o cenho e aproxima o celular
do ouvido.
É uma respiração.
Grossa, lenta e pesada, como se fosse de um animal enorme esperando no escuro. O
som parece tão próximo que você quase consegue senti-lo contra a sua pele. Sua
garganta seca. Você aperta os olhos e desliga o telefone.
Mas o barulho não cessa.
O mesmo som ainda está lá, só que agora... ele não vem do celular.
Seu corpo gela. Você ouve um rangido baixo. Lentamente, quase como se estivesse
viva, a porta do armário começa a se abrir. A luz fraca da lanterna ilumina uma sombra
monstruosa do outro lado.
É o coelho.
Ele está parado, a silhueta enorme bloqueando qualquer vislumbre de saída. Seus olhos
prateados brilham na escuridão, fixos em você, frios e vazios como sempre. Por um segundo,
vocês apenas se encaram.
Uma risadinha nervosa escapa da sua boca. Você até acena com a mão, num gesto patético
e desesperado.
— E aí? — você murmura, como se estivesse cumprimentando um velho amigo.
Infelizmente, ele não veio para conversar.
O coelho avança de repente, tão rápido que você mal tem tempo de gritar.
FIM DE JOGO
PARA COMEÇAR DO COMEÇO, toque aqui
NÃO, ISSO É SUICÍDIO. PARA TENTAR PENSAR EM UM PLANO MELHOR, Toque aqui
Você se levantou, apoiando-se na perna dolorida, e caminhou até a porta
do quarto. Segurou a maçaneta com uma mão trêmula, girando-a devagar
para não fazer barulho. A porta abriu com um leve rangido, e você espiou o
corredor. Imediatamente, percebeu algo que fez seu coração afundar: a casa
estava mergulhada em completa escuridão.
Todos os interruptores tinham sido desligados.
Você recuou, fechando a porta devagar,o cérebro já a todo vapor em busca
de um novo plano. De jeito nenhum você iria sair lá fora com aquela coisa no
escuro. Você virou-se rapidamente para sua escrivaninha, lembrando-se de
algo que poderia te ajudar.
Uma lanterna. Você tinha certeza de que guardava uma em algum canto
daquela bagunça.
TOQUE AQUI
A janela está ali, tão próxima e ao mesmo tempo tão fora de alcance.
Você tenta reunir ideias, pensando em alguma ferramenta, algum método,
qualquer coisa que possa tirar você daquela situação.
—Vamos lá, pensa... pensa! — Você sussurra para si mesmo.
A ponta dos seus dedos aperta as suas têmporas com força, quase como
se quisesse extrair a solução à força. Mas nada.
Você levanta os olhos para o quarto, buscando algum objeto que tenha
ignorado, algo que possa ser usado como alavanca, como uma chave
improvisada. Mas os móveis continuam te encarando inertes, e o quarto
parece tão vazio de ideias quanto a sua mente.
Por um longo momento, você se deixa cair para trás, exalando um
suspiro pesado que ecoa na quietude do quarto. O silêncio é interrompido
apenas pelo som distante de passos, os do coelho talvez – mas você tenta
não pensar nisso.
E então, surge um lampejo. Uma memória quase esquecida. Você se
senta ereto de uma vez, a mão saindo das têmporas enquanto uma palavra
pulsa na sua mente como um relâmpago.
‘’A Caixa de ferramentas do papai!’’
Você consegue até visualizá-la: azulada, enferrujada nas bordas, sempre
deixada no porão, cheia de chaves inglesas, martelos e todas aquelas
tralhas que ele sempre dizia: “Não é para crianças, Oz. Você pode se
machucar.”
Você faz uma pausa. A ideia de descer até o porão faz seu estômago se
apertar. Parando para pensar, você nem quer imaginar o que aquela coisa
pode fazer com você caso encontre a caixa.
Ou caso encontre você.
— Vai dar certo — você diz baixinho, tentando convencer a si mesmo.
Você empurra a porta, que range como se há tempos implorasse por um
pouco de óleo. A casa, inundada por luzes acesas, parece acolhedora num
primeiro instante, mas depois bate aquele déjà-vu. Imagens nítidas de
mamãe esbravejando com papai — “De novo essa casa inteira iluminada,
como se fôssemos donos da usina elétrica!” — aparecem na mente.
Você segue em direção à cozinha, passos leves, o coração batendo como
um tambor. As superfícies lisas refletem a luz pálida que atravessa os
vidros empoeirados. O ar tem o cheiro inconfundível de uma casa antiga –
madeira envelhecida e um toque de mofo. Mas o que domina seus sentidos
agora é o medo. Ele cresce, pulsante, no silêncio pesado.
O puxador da porta da cozinha está gelado sob seus dedos. Você hesita.
O som de algo distante – ou seria apenas sua imaginação? – faz seus
músculos enrijecerem. Quando finalmente empurra a porta, ela range, um
som agudo que parece ecoar pela casa vazia, amplificando a tensão.
E então, do outro lado da cozinha, outra porta se abre.
Lá está ele.
O coelho amarelo. Grande demais, encolhido sob o batente. Ele veste
uma máscara de solda velha, arranhada, que cobre todo o rosto. Seus
movimentos são erráticos. Ele inclina a cabeça, parecendo tão confuso
quanto você, como se estudasse sua presença. Um chiado metálico
preenche o ambiente – será sua respiração, abafada pela máscara?
Por um momento, vocês se encaram, imóveis, como se nenhum dos dois
soubesse o que fazer a seguir.
O coelho inclina a cabeça, curioso.
Você, sem pensar, faz o mesmo.
Ele para. Observa. Inclina a cabeça para o outro lado.
E você, obediente, o imita.
Ele parece fascinado, inclinado levemente para a frente, como se isso
fosse um jogo. Mas então, algo muda.
Com um movimento brusco, ele ergue a mão.
Você vê a chave de fenda brilhando sob a luz fraca.
E o coelho... cansa da mímica.
FIM DE JOGO
PARA COMEÇAR DO COMEÇO, toque aqui
fim de jogo
Você começou a chutar o coelho amarelo com todas as suas forças, cada impacto no
traje metálico reverberando pelos seus ossos. Mas nada acontecia. Ele sequer recuava,
como se seus golpes não passassem de toques insignificantes.
Com um movimento brusco, o coelho te agarrou novamente. Antes que pudesse
reagir, você foi arremessado contra o chão com tanta força que a dor explodiu por todo
o seu corpo. O impacto te deixou atordoado, a visão girando enquanto o som ao seu
redor parecia abafado.
Quando conseguiu focar, o viu parado sobre você. Sua presença era esmagadora,
imponente.
De repente, o pé da criatura se ergueu lentamente, pairando no ar. Você não
conseguiu se mover, seu corpo pesado e fraco demais para reagir.
O pé começou a descer, direto em direção ao seu crânio.
FIM DE JOGO
PARA COMEÇAR DO COMEÇO, toque aqui
PARA CORRER ATÉ O TRAJE AMARELO E TENTAR REMOVER O CORPO, TOQUE AQUI
Ela pode me ver
Você resolve se esconder atrás das máquinas, esperando que a penumbra e as sombras te
protejam. O som dos passos pesados de Chica ecoa pelo salão, cada vez mais perto. Seu
coração dispara quando percebe que ela parou de andar.
Sem pensar muito, você corre em direção ao jogo Fruity Maze, mergulhando atrás dele na
tentativa desesperada de se esconder. Por um breve momento, o silêncio retorna, dando uma
falsa sensação de segurança. Mas então, o grito de Chica corta o ar como uma lâmina, agudo.
Mas ela não ataca você, não corre em sua direção. Parece mais que ela está esperando…
convocando algo ou alguém.
O chão parece tremer sob o pesar dos passos de algo. O coelho amarelo está vindo. Ele está
vindo te pegar. E desta vez, ele está mais rápido do que nunca. Você tenta correr, mas já é
tarde demais. Sua última visão é o coelho amarelo, com sua boca grotescamente aberta, se
aproximando. O mundo escurece quando ele alcança sua cabeça.
FIM DE JOGO
PARA COMEÇAR DO COMEÇO, toque aqui
FIM DE JOGO
PARA COMEÇAR DO COMEÇO, toque aqui
O que fazer?
TOQUE AQUI
Você corre direto para a piscina de bolinhas, mas antes de chegar lá, cruza o
salão principal. E então, você a vê: Chica. Seu coração afunda enquanto ela vira
a cabeça abruptamente na sua direção, soltando um grito ensurdecedor que ecoa
pelo salão, chamando a atenção do coelho.
Antes que você possa reagir, o coelho surge, ágil demais para escapar. Suas
garras se fecham ao redor de você, arrastando-o para perto de Chica. Ambos
começam seu macabro trabalho, arrancando cada um dos seus membros com
uma precisão cruel e metódica.
A dor é incomensurável. Você grita, mas o som não faz diferença. Tudo fica
escuro rapidamente, enquanto sua consciência se esvai.
FIM DE JOGO
PARA COMEÇAR DO COMEÇO, toque aqui
TOQUE AQUI
Você estava na Freddy’s. Ou melhor, algo que se parecia com a Freddy’s, mas não era
exatamente igual. Tudo parecia errado, distorcido, como um reflexo num espelho trincado.
Seu corpo não se movia como deveria. Cada gesto era rígido, como se você estivesse preso a
movimentos limitados e mecânicos.
Você viu Freddy parado ali. Mas ele não era o Freddy que você conhecia.
Esse era diferente: mais baixo, rudimentar, seu corpo marrom sem os botões característicos
no peito. Não era o dourado que você havia ouvido falar, mas algo que parecia vagamente
familiar. Você franziu o cenho, tentando entender o que estava vendo, quando outro Freddy
entrou pela porta.
Esse era diferente. Dourado. Algo dentro de você congelou. Era o traje, as características...
e então, como um estalo na mente, a verdade se formou.
— Fredbear? — você sussurrou, a voz saindo trêmula, um nó se formando na sua garganta.
Seu olhar caiu para o chão, onde algo chamou sua atenção: uma máscara, abandonada,
quase sendo pisoteada. Sem pensar, você se abaixou para pegá-la. Suas mãos se moveram por
impulso, como se fossem comandadas por algo além de sua consciência. E antes que pudesse
refletir, a máscara já estava no seu rosto.
Com a máscara no lugar, você olhou de novo para o Fredbear. Ele tinha o mesmo design
básico do Freddy original, mas uma de suas orelhas estava ausente, e fios soltos escapavam de
seus olhos, pendendo de maneira desordenada.
Antes que pudesse se mover, mais figuras começaram a aparecer. Um fantoche esquelético,
com membros finos e deformados. Uma versão mutilada de Bonnie, com pedaços de seu
corpo à mostra, como se tivesse sido desmontado e remontado às pressas. E outros. Todos
compartilhavam características semelhantes às máquinas que você havia visto antes.
Então, ele surgiu.
Era um elefante. Um traje grande, amarelo, com trajes de mágico. Ele entrou na sala com
passos calculados, segurando uma varinha que parecia brilhar em sua mão. Por um breve
momento, sua figura parecia absurda, quase cômica, mas isso desapareceu assim que ele se
aproximou.
Antes que pudesse reagir, ele enfiou a varinha em seu peito. Não foi como uma faca. Foi
pior. A dor parecia invadir seu corpo inteiro, como se estivesse sendo despedaçado de dentro
para fora.
— Ele tentou te libertar, — disse o elefante, sua voz baixa e arrastada, ecoando como um
trovão distante. — Ele tentou NOS libertar. Mas eu não vou deixar isso acontecer.
A dor aumentou, e você sentiu como se estivesse sendo esmagado pela presença daquela
figura.
— Vou te manter aqui. Vou te SEGURAR aqui. Não importa quantas vezes eles nos
queimem.
Sua visão escureceu. Mas antes que tudo se apagasse, entre as trevas, você viu algo.
Um menino. Não, o menino. O mesmo garoto de cabelos pretos encaracolados que você
tinha visto antes. Mas agora, ele era diferente. Seus olhos agora irradiavam um brilho branco
prateado, intenso e hipnótico. Seu corpo inteiro era envolto pelas trevas, como se ele fosse um
pedaço da noite viva. Apenas metade de seu rosto escapava da escuridão, reluzindo em um
amarelo quente, um brilho que contrastava de forma assustadora com o resto de sua figura.
Ele olhou para você, sua presença irradiando fúria. Não era mais apenas um menino. Era
algo mais. Algo que não descansaria.
— Você nunca vai escapar. Você pertence a este lugar. — Sua voz ecoou em sua mente,
carregada de uma raiva fria, densa e quase palpável.
Diferente das outras figuras, ele não se movia de forma hesitante ou programada. Havia
algo profundamente consciente nele, uma clareza em sua presença que o separava das outras
criaturas. Ele não era apenas um espírito vagando pelo caos; ele parecia pensar, entender.
Irritado, sim, mas mais do que isso: ele exalava a aura de algo muito maior, um monstro. Um
demônio que, em algum passado distante, parecia ter sido alvo de tormentos que apenas
outros demônios poderiam infligir.
E, ainda assim, mesmo à beira da morte, você ainda não conseguia temê-lo.
Você acordou sobressaltado, com a respiração pesada e o corpo encharcado de suor. Que
sonho maldito! Você teria que ir tomar banho outra vez!
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2º NOITE
d 3
Depois do banho, você respirou fundo. Estava cansado demais, mas não tinha outra
opção senão ir para a escola. Seguiu sua rotina o melhor que pôde, mas não conseguiu
terminar o café da manhã. O coelho estava ali, te encarando, e isso destruiu
completamente seu apetite. Foi para a escola com o estômago vazio e uma sensação
constante de náusea.
Chegando lá, viu Dylan, como sempre. Ele estava pronto para começar as
provocações.
— Ora, ora, chegou o Oswald, o oc...
Antes que ele pudesse terminar, você o interrompeu de imediato.
— Não enche.
Sem olhar para trás, você seguiu seu caminho. Pela primeira vez, Dylan ficou
paralisado, surpreso com a sua reação, e não soube como responder.
Mais tarde, na aula da Srta. Meecham, ela anunciou o próximo trabalho em grupo.
— O trabalho será em dupla. A ideia é que vocês escrevam sobre formas de gerar
energia de maneira sustentável. Devem explicar como funciona e apresentar evidências
de que é viável. O trabalho será entregue no dia 13 e deve ser apresentado em uma
cartolina.
Você não estava prestando muita atenção até ouvir seu nome sendo chamado.
— Oswald e Gabrielle.
Quem era Gabrielle? Você não fazia ideia. Não costumava interagir com ninguém
além do idiota do Dylan e, ocasionalmente, o Ben. Ben, aliás, faria muita diferença
agora. Se ele estivesse presente, talvez ajudasse a lidar com toda essa loucura do
coelho. Você sentia falta dele. Fazia dias que vocês mal se falavam, mas era difícil
manter contato quando um coelho assassino estava sequestrando seu pai... e ainda por
cima morava com você.
No intervalo, uma menina de cabelos cacheados e escuros sentou-se ao seu lado. Ela
estava absorta em um livro sobre mitologia grega, mas logo direcionou a atenção para
você.
— Oi, você é o Oswald? — Ela perguntou, olhando diretamente para você e
esperando uma resposta.
— Sou. Qual é o seu nome?
— Gabrielle.
Pronto, você encontrou sua parceira de trabalho sem precisar procurar.
— A Meecham nos colocou no mesmo grupo. Então... você acha que eu posso ir à
sua casa hoje mesmo para a gente começar? — Ela perguntou.
Você reagiu rápido, quase em pânico:
— Não! É... minha casa tá uma bagunça. Vamos na sua.
Era mentira, claro. Sua casa não estava bagunçada, mas aquele coelho estava lá. Por
um lado, se ela visse o coelho, talvez pudesse ajudar. Mas, por outro, ela só tinha 10
anos e provavelmente seria apenas mais uma vítima. Quanto mais tempo você passasse
longe daquela coisa, melhor para todos.
— Ah, tá. — Ela respondeu, então passou o endereço. Você assentiu.
Mais tarde, ao voltar para casa, encontrou o coelho aspirando o chão, o que seria
quase engraçado se não fosse perturbador. Notou sua gatinha, Jinx, escondida em um
canto, aterrorizada. Bom, pelo menos você não estava sozinho nisso. Você se
aproximou e cutucou as costas do coelho.
— Oi... É... pai. — Não acreditava que tinha acabado de chamá-lo assim, mas não
havia outro jeito.
A criatura se virou lentamente, encarando você com aqueles olhos assustadoramente
vazios.
— Bom, eu preciso ir até a casa de uma amiga pra fazer um trabalho da escola. —
Disse, tentando soar natural, mas parou antes de passar o endereço real. Não podia
correr o risco de aquela coisa descobrir onde Gabrielle morava. Deu um endereço
próximo, torcendo para que isso fosse suficiente.
O coelho levou você de carro até o local que havia indicado. Quando chegou, você
respirou fundo antes de sair.
— Tchau, pai. — Falou mais uma vez, sentindo um aperto no peito. A ideia de
chamar aquela coisa de "pai" era quase insuportável. Quase soltou um "te amo" por
puro reflexo, mas engoliu as palavras a tempo.
Você bateu na porta, e quem atendeu foi um homem alto, com um rosto
estranhamente familiar. Ele ficou parado por um momento, olhando para você como se
tivesse visto um fantasma. Antes que você pudesse falar algo, Gabrielle apareceu atrás
dele, olhando curiosa.
De repente, o homem que havia aberto a porta deu um salto de animação.
— Eu sabia! Eu estava certo! — Ele gritou, cheio de entusiasmo, enquanto dava
pulinhos.
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Você tentou ignorar o homem, mas ele logo continuou falando:
— Oz! Sou eu! O Chip! — disse ele.
— O quê...? Não, isso não pode ser real, não po-
— PODE! — Ele correu na sua direção e agarrou seu ombro. — Você estava numa
versão distorcida do passado, um outro mundo! Esse era "o outro lado", uma dimensão
espelhada desta aqui. É como um mundo espiritual, onde memórias de eventos do
passado se manifestam, criando uma visão quase exata dos acontecimentos. Oz, você
foi a primeira pessoa a ir lá e sobreviver! Escuta, você achou um coelho amarelo?
FIM DE JOGO
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Vocês passaram o resto da noite tentando achar um jeito de fazer o trabalho, a
pesquisa e depois tentar executar. Até o fim do dia. Chip lhe deu seu número, e você
voltou para casa.
No caminho de volta para casa, sentado no carro, você fixou o olhar no coelho. Não
podia negar: não era difícil acreditar que aquela coisa era algo além do mundo natural.
Um demônio, como Chip descreveu.
De volta à sua casa, você deixou os olhos vagarem pela estante, onde havia livros
sobre heróis gregos. Eles eram sempre retratados como implacáveis, enfrentando até
mesmo os desafios mais impossíveis com coragem. As palavras de Chip ecoaram na
sua mente: a criatura quer que você sofra. Talvez, apenas talvez, houvesse um jeito de
virar o jogo, de derrotá-la.
Enquanto dirigia seus pensamentos vagavam. Você olhou pela janela, refletindo
sobre o que você fez. Foi culpa sua. Você desejou algo interessante, algo que quebrasse
a monotonia da sua vida. E agora, veja no que isso resultou. Seu pai estava perdido —
sequestrado, preso sabe-se lá onde, enquanto você enfrentava um pesadelo digno de
um filme de terror.
Assim que voltou para seu quarto, percebeu o padrão que se repetia. Estava preso
novamente.
E agora?
FIM DE JOGO
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