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A Vida de Oswald: Uma Aventura Sombria

Oswald, uma criança de 10 anos, vive em uma cidade decadente após o fechamento da fábrica local, enfrentando a pobreza e a solidão após a partida de seu único amigo. Em um momento de desespero, ele explora uma pizzaria e se depara com uma piscina de bolinhas, onde uma decisão impulsiva o leva a uma experiência aterrorizante e reflexiva sobre sua vida e a relação com seu pai. O documento narra a transição de Oswald para um mundo alternativo, onde ele encontra novas amizades e tenta se adaptar a um ambiente mais vibrante, mas ainda cheio de mistérios e desafios.

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A Vida de Oswald: Uma Aventura Sombria

Oswald, uma criança de 10 anos, vive em uma cidade decadente após o fechamento da fábrica local, enfrentando a pobreza e a solidão após a partida de seu único amigo. Em um momento de desespero, ele explora uma pizzaria e se depara com uma piscina de bolinhas, onde uma decisão impulsiva o leva a uma experiência aterrorizante e reflexiva sobre sua vida e a relação com seu pai. O documento narra a transição de Oswald para um mundo alternativo, onde ele encontra novas amizades e tenta se adaptar a um ambiente mais vibrante, mas ainda cheio de mistérios e desafios.

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Introdução

Prólogo
Noite 1
Noite 2
Noite 3
Noite 4
Noite 5
???
VOCÊ é Oswald, uma criança de 10 anos que vive o PIOR tipo de vida imaginável.
Primeiro, seu melhor (e único) amigo, Ben, se mudou para Myrtle Beach, você nunca
mais o viu desde então, e sua cidade está PÉSSIMA, desde o fechamento da fábrica 3
anos atrás, tudo parece ter fechado também. A fábrica era basicamente a única coisa
que sustentava a cidade, agora sem ela você é pobre, a cidade é pobre, todos são
pobres. Seu pai conseguiu um emprego de baixa renda no Snack Space.

Para jogar no modo fácil, com um broche de pizza da Jeff's, um Token e uma
pistola de água, Toque aqui.

Para Jogar no modo normal, apenas com sua habilidade, Toque aqui.
PRÓLOGO

Eu queria que as coisas fossem interessantes pelo menos uma vez. É a


única coisa que você pensa todos os dias da sua vida. E se... fosse diferente?
Você para pra olhar pela janela do carro a triste cidade acabada de Hurricane.
— Oswald, o que houve, menino? — perguntou seu pai, um homem de meia-idade
que agora estava sofrendo com o terrível problema da pobreza.
Você rapidamente olhou para ele e respondeu:
— Todo dia nessa cidade é insuportável. Eu tô até quase feliz que a escola vai voltar
amanhã, assim algo muda. Além de ir na mesma biblioteca chata e comer a mesma
pizza na pizzaria decadente do Jeff. Essa cidade é tão insuportável que a taxa de
atropelamento deve ser zero, porque não existe nada pra atropelar aqui, além de sei lá,
eu? E eu nunca fui e espero que nunca seja atropelado.
Você sabia que nem estava falando a verdade completamente. Você adorava o Jeff,
apesar dele parecer assustador às vezes. Ele era um cara legal... Quando tentava ser. E
a pizza era boa. Mas podia ser melhor.
— Oz... Você sabe que isso é tudo que eu posso te pagar. Eu sinto muito por não
poder te dar férias maravilhosas em Myrtle Beach como o seu amigo. Sua vó é muito
frágil. A Jeff’s é tudo que temos. E a biblioteca é boa. Ler é melhor que passar o dia
todo vendo TikTok e outras redes sociais no celular.
Qual é... O ano era 2021 e você ainda tinha um dos piores celulares. Não podia nem
jogar alguns dos jogos mais atuais porque ele não aguentava. Mas, pelo menos, podia
mandar mensagens para o Ben, embora às vezes nem isso melhorasse seu dia.
— Eu aposto que aquele maldito gambá morto continua ali.
— Eu duvido. Se estiver lá, eu te dou trocados para uma pizza INTEIRA na Jeff’s
— seu pai falou isso com um tom realmente sarcástico. Ele parecia confiante de que
algo estaria diferente.
Chegando lá, o gambá estava ali. O pelo cinza e o corpo em decomposição, com
ossos à mostra... Era assustador.
Seu pai não disse nada, apenas suspirou e se virou para te dar o dinheiro. Você
pensou em reclamar mais ainda da cidade, mas ele parecia tão desesperançoso que
decidiu não falar nada.
Após um tempo, vocês dois estavam na frente da pizzaria Jeff’s. Você saiu do carro.
— Eu te amo, pai.
Seu pai sorriu e disse apenas:
— Eu também te amo, Oz.
Ele se atrasou de novo. Você já deveria estar em casa a essa altura. Seu pai ainda
não apareceu. Isso te deu um pouco de raiva. Que tipo de pai esquece o filho no meio
do nada assim? Chega. Ele precisa pagar.
Você pensa em pregar uma peça no seu pai, assustá-lo para que ele entenda que não
é uma boa ideia largar o filho numa pizzaria velha e suja que parece não ter sido limpa
desde os anos 90.
Você explora a pizzaria e acha uma sala com uma placa desbotada escrita "ÁREA
INFANTIL". Há outra placa informando para não entrar, mas Jeff não trancou a porta.
Abrindo a porta, você não encontra nada, além de uma piscina de bolinhas no canto.
Ela é velha e suja, empoeirada. Você só consegue pensar no fato de que provavelmente
isso te daria conjuntivite. Há também uma placa ali, dizendo: "FORA DE
FUNCIONAMENTO".
O que você fará?

Pular dentro da piscina, meu pai merece isso, Toque aqui.

Não, essa piscina nojenta é demais. Talvez meu pai não mereça isso, Toque aqui.
Não, é melhor não ir. Seu pai... Ele tenta. Ele se esforça para te dar a melhor vida.
Você volta e espera por ele.

FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui

p
Ele merece. O pensamento ressoa na sua mente enquanto você analisa a sala mais
uma vez. As paredes são amarelas, mas a tinta parece ter sido aplicada às pressas,
cobrindo outra camada antiga. Tudo ao seu redor exala abandono e decadência. Atrás
da piscina, seus olhos captam algo na parede — um desenho tosco de três animais.
Eles têm algo familiar, como os rabiscos que você costuma fazer.
Você respira fundo. Está na hora.
Você não tira seus sapatos para seu pai não te achar, e você pula. Quanto tempo será
que vai levar até ele voltar? Você não sabe, mas decide que não importa. Não agora.
Você começa a se afundar na piscina de bolinhas. Conforme se move, sente algo
estranho: as bolinhas não estão completamente secas. Algumas parecem úmidas,
pegajosas até, e o cheiro é... estranho. Algo azedo e metálico. Você prefere não
imaginar o que pode ser.

CASO QUEIRA AFUNDAR MAIS NA ESCURIDÃO, POIS TALVEZ ELE CONSIGA TE


VER, TOQUE AQUI

PARA SAIR , TOQUE AQUI


Você continua descendo. Mais fundo, cada vez mais fundo. Uma sensação de dor
começa a tomar conta do seu corpo, latejante e absurda, considerando que é apenas
uma piscina de bolinhas. Mesmo assim, você não para. O pensamento de que ele
somente não possa ver você lá no fundo o impulsiona, força você a continuar, mesmo
que tudo em você implore para que pare.
O quão fundo essa piscina pode ser?
A escuridão ao redor parece ganhar peso e, de repente, você percebe algo terrível:
não consegue respirar. Seu peito arde; o ar se recusa a entrar, como se a piscina tivesse
se transformado em um lago profundo e sufocante. Você luta, tenta subir à superfície,
mas não há superfície. O ambiente ao seu redor é escuro, opressivo, imenso. Um lago
negro onde tudo desaparece.
Naquele momento final, no fundo escuro da piscina, você percebeu o erro que
cometeu.
— Papai… — você tentou sussurrar, entre os lábios ressecados, desesperado, mas
não havia mais força em sua voz.
Seu pai nunca conseguiu seguir em frente. No dia seguinte, encontrou o quarto
vazio. O silêncio era insuportável. Dia após dia, ele revivia cada discussão, cada
momento em que poderia ter agido diferente.
A casa ficou fria, desolada, como se a sua ausência tivesse arrancado todo o calor e
vida dela. Ele parou de trabalhar, de viver. Anos se passaram, mas a dor não diminuiu.
Para ele, o mundo havia parado no momento em que percebeu que nunca mais ouviria
a voz do filho.
E tudo isso foi culpa sua.

FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
Você emerge das bolinhas, e você está... O que é isso??? Há um grupo de crianças
brincando na sala, com brinquedos de verdade. Uma menininha está brincando com
dois amigos dela. As crianças parecem estar conversando sobre filmes antigos. Que
estranho... Crianças não costumam conhecer filmes como E.T. ou Os Caça-Fantasmas.
Elas usam roupas antigas também. A pizzaria não está mais decadente: as paredes são
cinzas, e você pode ver os desenhos dos mascotes — um urso marrom, um coelho azul
e uma galinha amarela. Pelo que parece, são personagens de desenhos animados.
Abrindo a porta da sala da piscina de bolinhas, você encontra o salão principal. Há
várias crianças ali, dançando ao som de uma música chiclete ruim. Quando você olha
para o palco... você salta para trás. Algumas crianças olham para você de forma
estranha. No palco, estão os três mascotes de desenho animado. Eles eram quem
estavam cantando. Mas... eles parecem aterrorizantes! Seus olhos sem vida o encaram,
e todos têm uma boca larga. A mais assustadora é a galinha, que tem uma boca grande
e repartida... e dentes. Que tipo de galinha tem dentes?
A galinha usa um babador com a frase "VAMOS COMER!" estampada. Os outros
dois mascotes têm botões, e o coelho, a propósito, não tem sobrancelhas — o que você
acha muito estranho. As crianças, porém, não parecem ter a mesma opinião. Elas
gritam e se agitam enquanto os animatrônicos continuam cantando no palco.
— Como alguém pode gostar dessas aberrações?
Ao dizer isso em voz alta, um menino negro com camiseta listrada apareceu atrás de
você.
— Como assim? Todos aqui amam o Freddy e sua banda! — ele disse.
Você se vira para ele e questiona:
— Quem é Freddy?
O garoto dá uma risada.
— Você tá brincando? Você deve ser novo por aqui, ou mora numa caverna. Freddy
é aquele urso ali, ele faz o maior sucesso!
O menino parecia tão entusiasmado que você simplesmente parou de falar. Às
vezes, parecia que você tinha parado em outra dimensão... ou algo assim. De qualquer
forma, não parece ruim aqui.
— A propósito, quem é você? — você perguntou.
O garoto abriu um longo sorriso:
— Meu nome é Mike! Desculpa aparecer do nada, eu te vi por aí e você parecia
todo assustado, então vim saber o que te deixou desse jeito. Esse aqui é meu parça,
Chip.
Parça? Quem ainda fala parça? Um garotinho com colete e roupas amarelas
apareceu. Ele parecia até um personagem de uma série que você assistiu uma vez na
Netflix... Quando você tinha Netflix.
— Oi, Chip. Oi, Mike.
Você estava meio sem jeito. Não estava acostumado com pessoas vindo falar com
você, muito menos quando elas não vinham só para rir de você. Chip se aproximou e
perguntou:
— E você, qual é o seu nome?
— Oswald.
— Oswald, tipo o mágico? — respondeu Chip.
— Mágico?
— O de Oz, ué.
— Meu pai me chama de Oz. Acho que foi daí que ele tirou.
Chip deu uma risada.
— Você tá desligado mesmo, hein, cara!
Mike segurou o ombro de Chip:
— Aí, deixa o menino. Ele só viveu numa caverna.
Você olhou para ele. Aquilo deveria ser uma defesa?
— Ah... Obrigado, eu acho? Bela camisa de Os Goonies, adoro esse filme antigo.
— Antigo? Cara, esse filme lançou tipo... ainda esse mês. Como assim antigo?! Às
vezes você parece muito atrasado, outras vezes muito avançado!
Mike parecia estar bem chocado. Que estranho... Será que você está num tipo de
"loop do passado" ou algo assim?
— Ah... Claro, eu estava brincando.
— Então, Oz, o que acha de a gente jogar algo? PizzaRoller ou algum dos arcades?

PARA JOGAR PIZZAROLLER, TOQUE AQUI

PARA JOGAR ALGUM DOS OUTROS ARCADES, TOQUE AQUI


Você pensa por um momento e escolhe PizzaRoller. Mike te olhou com um sorriso.
— Uh-oh, parece que alguém desafiou o jogador número 1 do PizzaRoller!
Ele estava tão confiante. Então ele te levou até o arcade. Ali havia uma série de
gabinetes de fliperama, alguns que você já conhecia, como Donkey Kong e Pac-Man,
entre outros. Além deles, havia uma série de arcades originais, que pertenciam a essa
pizzaria: Heftin with Helpules, Freddy in Space, Mangle's Quest, Chica's Party,
Freddy's Fighters e Take Cake to the Children.
Vocês se prepararam. Mike colocou um token no jogo, ligando as luzes e fazendo
começar uma música animada.
— Então, Oz, já jogou o PizzaRoller? — ele perguntou.
Você ficou hesitante em responder. Até agora, você só parecia alguém que morava
em outro mundo.
— Bom, não o PizzaRoller. Mas já vi algo parecido.
— Era de se esperar. Esse é o modelo mais novo e atualizado da Fazbear's.
— O que é Fazbear's?
— Um garoto que não conhece a Fazbear's?!
Chip se virou para você e explicou:
— Fazbear's é tipo... a maior rede de pizzarias que você pode conhecer! Essa
pizzaria aqui onde a gente está pertence à Fazbear. É a Freddy Fazbear's Pizza. Sabe
aqueles mascotes? O urso é o Freddy Fazbear, a galinha é a Chica, e o coelho é o
Bonnie. Ah, também tem o Foxy! Não esquece dele!
— Ah, claro... Eu... Eu já sabia. Eu só tava brincando com vocês, haha!
Você não sabia, mas era melhor fingir que sabia para seus amigos do passado não
acharem que você era só mais um maluco. Eles deram uma risadinha, e Mike falou:
— Tá de boa!
Você se sentiu aliviado por eles não te julgarem. Mike começou a partida e te
ensinou a jogar. A primeira bola dele acertou o buraco de 100 pontos, a pontuação
máxima! Chip tentou também, mas só acertou 10 pontos. Depois foi você: 50 pontos,
a metade da pontuação do Mike.
Na segunda rodada, Mike acertou 50 pontos, Chip 30, e você 100 pontos. Vocês
continuaram jogando por um tempo. No final, Mike venceu, você ficou em segundo, e
Chip em terceiro.
— Olha, Oz, esperava bem menos de um iniciante! — disse Mike, animado.
— Obrigado, eu acho — você respondeu.
Chip se aproximou e disse:
— Ei, pessoal, acho que já tá tarde. Meu pai vai ficar uma fera se eu não voltar. Ele
sempre me avisa para não ficar aqui tarde da noite.
— Ah, tá de boa. Eu acho que tenho que ir também — disse Mike.
— É... Eu também vou voltar. Minha vó me mandou uma mensa... Eu ouvi minha
vó me chamando.
Você se esforçou para não mencionar algo que eles simplesmente não entenderiam,
ou qualquer outra coisa que parecesse fora de lugar.
Você sente que não pertence a esse lugar, mas, no fundo, quer ficar. Precisa ficar.

toque aqui
Mike se aproximou de você com um sorriso desafiador.
— Ha! Você tem sorte de não ter escolhido o PizzaRoller. Se não, eu ia te destruir.
Ele disse isso, mas não parecia tão confiante quanto queria demonstrar. Sem perder
tempo, ele te levou até o arcade. O salão tinha aquele cheiro característico de
eletrônicos antigos misturado com pipoca e pizza. Os gabinetes de fliperama se
alinhavam em fileiras brilhantes, algumas máquinas familiares como Donkey Kong e
Pac-Man. No entanto, o que realmente chamava a atenção eram os jogos originais,
relíquias exclusivas daquela pizzaria.
Os nomes estavam ali, reluzindo em letras chamativas e ligeiramente desgastadas:
Heftin with Helpules, Freddy in Space, Mangle's Quest, Chica's Party, Freddy's
Fighters e Take Cake to the Children.
Mike parou diante de dois gabinetes, batendo com o punho em um deles como se
estivesse cumprimentando um velho amigo.
— E aí, Oz? Que tal a gente decidir quem faz a maior pontuação no Take Cake to
the Children ou quem é o melhor lutador no Freddy's Fighters?
Ele lançou a pergunta com uma confiança ensaiada, mas você percebeu um brilho
competitivo nos olhos dele. As luzes do arcade refletiam em seu rosto enquanto ele
esperava pela sua resposta.

PARA Jogar Freddy's Fighters, TOQUE AQUI

PARA Jogar Take Cake To The Children, TOQUE AQUI


— Beleza! — disse Mike, animado, seguindo em frente.
Ele colocou um token no gabinete de Freddy's Fighters, e o som eletrônico do jogo
preencheu o ambiente. Mike abriu a mão e mostrou as duas fichas restantes.
— Só dá para jogar mais três partidas, então vamos fazer valer!
A tela inicial brilhou, e os personagens surgiram um por um enquanto você
navegava pelas opções. O menu era simples, mas algo nele parecia estranho.
Os lutadores disponíveis eram os mascotes que Chip havia mencionado: Freddy
Fazbear, o urso; Chica Chicken, a galinha com o babador; Bonnie the Bunny, o coelho
azul; e Foxy the Pirate Fox, uma raposa de tapa-olho.
Você não lembrava de ter visto o Foxy antes. O mesmo valia para outros dois
personagens no menu: Balloon Boy e JJ, duas crianças com sorrisos largos e roupas
coloridas que, por algum motivo, te deixaram desconfortável.
— Tá esperando o quê? Escolhe logo! — Mike provocou, já navegando no menu e
selecionando Freddy Fazbear com rapidez.
Você rolou as opções por alguns segundos e decidiu:
— Vou de Bonnie.
— Aé? Boa sorte — Mike disse, com uma risada competitiva.
A partida começou com uma vinheta curta: os personagens entraram na tela em
poses de luta, enquanto uma trilha sonora eletrônica tocava ao fundo.
Quando o jogo começa, você percebe que não sabe nenhum combo, e agora, o que
você fará?

Para tentar focar em achar algum combo, TOQUE AQUI

Para apertar todos os botões de uma forma estúpida até achar os


combos, TOQUE AQUI
Você começou a testar várias sequências, apertando os botões em busca de combos.
Depois de algumas tentativas frustrantes, conseguiu encontrar alguns movimentos
básicos, algo que Bonnie conseguia usar para atacar com um pouco mais de estilo.
Mas foi tarde demais.
Mike era esperto. Ele já sabia os combos de Freddy Fazbear, e enquanto você ainda
estava aprendendo, ele não parava de atacar. Quando você percebeu, a barra de vida do
seu personagem já estava pela metade. Um último golpe de Freddy fez a tela piscar em
vermelho e a palavra "K.O." aparecer em letras garrafais.
— Ah, cara... — você murmurou, soltando o controle com um suspiro.
Mike colocou a mão no seu ombro e sorriu.
— Qualé, Oz, tá tudo bem perder às vezes. Você sempre pode vencer depois!
Você deu um sorrisinho sem graça, mas sentiu um alívio. Pelo menos ele não estava
sendo um babaca com você.
O som de passos apressados e uma voz grave ecoou pelo arcade.
— Chip! CHIP! — um homem adulto gritou de algum lugar próximo.
Chip olhou para a entrada, visivelmente alarmado.
— Opa... parece que meu pai tá vindo. Ele não gosta quando eu fico aqui até tarde.
Ele começou a recolher as fichas que sobraram no bolso, já se preparando para ir
embora. Mike olhou para você com um sorriso animado, mas um pouco mais contido
do que antes.
— É, acho que vou embora também. Amanhã a gente continua, certo, Oz?
Você assentiu, tentando soar mais firme do que realmente se sentia.
— É claro.
Eles saíram em direção à porta, deixando você parado por um instante. Por algum
motivo, mesmo depois de um dia divertido, uma sensação desconfortável começou a
tomar conta de você. Uma pontada de incerteza, como um sussurro que não queria se
calar:
Algo estava errado.
Você olhou ao redor do salão do arcade. As luzes continuavam piscando, os sons
dos jogos ainda ecoavam, e a música eletrônica parecia um pouco mais distante agora.
Tudo parecia normal... mas você sabia que não devia estar ali.
Com um arrepio na espinha, você deu um passo para trás e decidiu que era hora de
ir.

toque aqui
Você começou a apertar todos os botões de uma vez, sem qualquer estratégia, os
dedos correndo pelo controle como se tivessem vida própria. Para sua surpresa, Bonnie
começou a soltar combos impressionantes — chutes, socos, até um ataque especial que
fez Freddy voar do outro lado da tela. Você não tinha a menor ideia do que estava
fazendo, mas, de alguma forma, estava funcionando.
No final, a tela piscou em vermelho e branco, com a palavra “VITÓRIA!”
brilhando em letras garrafais.
— Ah, parece que você venceu. Parabéns, Oz! — disse Mike, surpreso, mas
sorrindo de forma sincera.
Você encarou a tela, ainda tentando processar o que tinha acabado de acontecer.
Aquela estratégia estúpida realmente tinha funcionado?
— Ah... obrigado. Você jogou bem também — você respondeu, um pouco sem
graça.
Antes que Mike pudesse dizer mais alguma coisa, um grito distante interrompeu a
conversa.
— Chip! CHIP! — a voz de um homem adulto ecoou pelo salão do arcade, firme e
autoritária.
Chip arregalou os olhos, já se virando para a porta.
— Opa, parece que meu pai tá vindo. Ele não gosta quando eu fico aqui até de
tarde.
Mike deu um suspiro leve e passou a mão no cabelo.
— É, acho que vou embora também. Amanhã a gente continua, certo, Oz?
Você olhou para os dois, meio perdido, mas assentiu com um sorriso.
— É claro.
Mike deu um tapinha amigável no seu ombro, e os dois começaram a caminhar em
direção à saída. Por um momento, você ficou parado ali, ouvindo o som distante dos
fliperamas ainda ligados e das músicas eletrônicas que pareciam mais abafadas agora.
Você deveria estar feliz. Tinha vencido o jogo e feito dois amigos, mas, por alguma
razão, uma sensação estranha começou a crescer dentro de você. Era como se algo não
estivesse certo, como se o próprio ar do lugar estivesse fora de lugar.
Você não devia estar ali.
Com o estômago apertado e um arrepio na espinha, você olhou ao redor mais uma
vez. As luzes dos fliperamas ainda piscavam, mas o salão parecia mais vazio agora,
como se o brilho tivesse perdido um pouco da força.
Talvez fosse hora de ir embora também.

toque aqui
Mike assentiu e colocou as fichas no gabinete de Take Cake To The Children.
O jogo parecia simples: você controlava Freddy Fazbear, o mesmo urso que estava
no palco, e tinha que entregar bolo para um grupo de crianças antes que o tempo
acabasse. O único problema? Você não sabia quanto tempo tinha.
Mike terminou primeiro, e agora era a sua vez. Você pegou o controle, respirou
fundo e começou.
Desde o início, algo parecia errado. Não havia música. O único som que ecoava era
um ruído distante e abafado, como se alguém estivesse chorando. Você desviou os
olhos da tela, mas ninguém ao seu redor parecia ouvir.
Na tela, Freddy continuava entregando bolos. O silêncio foi quebrado por uma voz
distorcida, profunda e inquietante, que começou a soletrar letras em um tom baixo e
arrastado:
S...
Você congelou por um instante, olhando em volta. Mike não parecia perceber nada.
A voz continuou.
A...
O Freddy na tela começou a ficar mais lento. As crianças pixeladas pulavam
freneticamente, seus pequenos rostos de 8-bits transformados em expressões de
frustração. O controle parecia pesado em suas mãos.
L...
O som daquela única letra ressoou em seus ouvidos como um sussurro opressivo.
Seu peito estava apertado, como se o jogo estivesse sugando você para dentro. As
crianças começaram a piscar na tela, quase distorcidas, enquanto Freddy continuava se
movendo a passos lentos.
V...
Você tentou falar, gritar, qualquer coisa, mas sua voz não saiu. A sensação de estar
preso era avassaladora. Você apertava os botões desesperadamente, mas não tinha
controle de verdade.
E...
Uma dor estranha atravessou o seu corpo. Aguda e sufocante. Você começou a suar
frio. Era como se estivesse dentro do jogo, como se estivesse sentindo tudo o que
acontecia.
E...
A tela piscou. Seu olhar se fixou em uma nova figura. Uma garotinha apareceu no
fundo da tela. Ela usava uma camiseta azul com a imagem de uma marionete. Era
difícil ver os detalhes em 8-bits, mas a figura dela era inconfundível.
L...
As letras estavam formando uma palavra. Você sabia o que viria, mas não queria
acreditar. Freddy parou de se mover. A tela estremeceu, e agora você estava olhando
pelos olhos da garotinha.
A.
Sua visão ficou mais estreita, como se estivesse olhando pelos olhos dela. Foi então
que você finalmente entendeu o que a voz distorcida estava soletrando:
SALVE ELA.
Você deu um pulo para trás em um movimento brusco, quase tropeçando, sentindo a
gravidade pesar ainda mais sobre você. O lugar ao redor parecia desfocado, abafado;
os ruídos de outras pessoas jogando, as risadas e conversas eram apenas ecos
longínquos, um fundo surdo para o frenesi que queimava dentro da sua mente. Sem
pensar, você correu. Não sabia o motivo, mas algo primal e urgente o arrastava para
longe.
Passando pelas portas da pizzaria, você sentiu o vento frio bater como uma bofetada
contra sua pele quente e febril. Lá fora, a chuva despencava. Cada gota parecia atingir
você com um peso incomum, como agulhas geladas perfurando sua roupa e pele. O
som da chuva esmagando o concreto foi um breve alívio comparado ao ruído
ensurdecedor dentro de sua cabeça, mas logo se tornou opressor, como se o mundo
inteiro estivesse afundando com você.
Seu olhar estava nublado; tudo era um borrão de luzes fracas e ruas molhadas. Seu
coração martelava forte contra o peito, sincronizado com os pingos de chuva que
escorriam pelo seu rosto, confundindo-se com lágrimas que você nem sabia que
estavam ali.
De repente, um brilho — um farol cortando a escuridão. O chão encharcado refletiu
a luz com uma intensidade quase sobrenatural.
Seu corpo não se movia, como se estivesse preso sob um encanto. Uma fantasia.

Para tentar dar meia-volta e entrar na pizzaria, TOQUE AQUI

PARA TENTAR Fugir, TOQUE AQUI


Você correu pela chuva em direção à pizzaria. Suas mãos tremiam ao agarrar as maçanetas
frias, tentando forçá-las a abrir, mas era inútil. As portas estavam trancadas. Dentro, através
da janela embaçada, um cartaz desbotado chamava sua atenção: o rosto familiar do urso
marrom, Freddy Fazbear, sorrindo de maneira inocente, convidativo.
Porém, algo começou a mudar. O ambiente ao seu redor lentamente perdeu aquele aspecto
estranho de videogame que parecia ter dominado tudo. Os traços rígidos e em bloco do design
8-bits desapareciam, se dissolvendo em linhas suaves e realistas. O som da chuva ficou mais
vívido, cada gota marcando sua pele como um alerta. E então você parou.
O silêncio retornou de repente, pesado e ameaçador. O som abafado dos seus próprios
passos contra o piso molhado cessou quando seus olhos captaram um movimento. Um carro
roxo estacionava ali perto, mas o brilho metálico era deslocado. Saindo dele estava ele, um
homem em 8-bits, deslocado de toda a realidade que te cercava. Ele não pertencia àquele
mundo — sua forma era chapada, artificial, mas seus olhos brilhavam como duas moedas
vazias.
Seu corpo travou mais uma vez. Você tentou dar um passo para trás, mas não conseguiu.
Ele avançava em sua direção com calma calculada, os pixels rígidos de sua forma brilhosos à
luz mortiça dos postes. O homem parou, fitou você com um sorriso torto que parecia
corromper toda a sua vontade, e então suas mãos, pixeladas e rígidas, se ergueram.
Ele agarrou seu pescoço.
Os dedos quadrados pressionaram, e o frio de sua textura era absurdamente real. Você
tentou gritar, mas o ar parecia ter sido arrancado dos seus pulmões. Em meio ao sufocamento,
seus olhos captaram algo inacreditável. Por um momento — um único e terrível momento —
ele mudou.
Deixou de ser um monstro pixelado e se tornou humano. Sua pele era clara e marcada com
linhas de expressão profundas, um rosto amigável, quase bonachão. Sua barba densa parecia
realçar um sorriso que almejava ser acolhedor. Ele usava óculos que reluziam sob a chuva, e
seu corpo corpulento vestia roupas amarelas encharcadas pela água.
E então ele riu.

FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
Você corre sem parar para longe da pizzaria. Consegue ver sua placa: "Freddy
Fazbear's Pizza, desde 1983". O urso, o coelho e a galinha estão lá. Você
continua correndo em uma direção que sua mente parece te mandar seguir,
embora não saiba o porquê. No caminho, encontra alguns jornais jogados no
chão.
Chegando ao destino, encontra uma casa grande. Consegue entrar pela janela
e, ao explorar, percebe várias fotos nas paredes. A primeira que chama sua
atenção mostra um homem loiro, barbudo e de mullet. Ele parece ao mesmo
tempo um lenhador e um engenheiro. Ao lado dele está uma mulher que se
parece muito com a garotinha que você viu antes.
Você olha para o espelho e um calafrio percorre sua espinha: você é essa
criança.
Você continua explorando a casa e encontra mais jornais. Um deles diz:
"Freddy Fazbear's Pizza aberta! Após anos de tentativas de se expandir, a
Fazbear Entertainment abre um novo restaurante, com os mascotes dos
desenhos animados. A pizzaria é um grande sucesso, superando seu
antecessor, Fredbear's Family Diner."
Outro jornal informa:
"Fredbear's Family Diner fechada: No dia 26 de junho de 1983, Garrett
Afton, filho de um dos donos da Fredbear's Family Diner, acabou sendo
mordido após uma 'brincadeira' causada pelo seu irmão. O garoto morreu
no hospital três dias após o ocorrido. Após a tragédia, os donos da empresa
disseram que farão um novo sistema de segurança para a Freddy's. 'Não é o
fim ainda. Fredbear e Spring Bonnie ainda poderão brilhar.' — disse
William Afton, cofundador do restaurante."
O último jornal menciona um evento de Halloween, um festival de outono.
Esse parece mais recente.
Nas fotos da parede, você também vê o mesmo homem loiro e a mesma
mulher ao lado de duas crianças: a garotinha que se parece com você e um outro
garoto, talvez o irmão dela?
E então, de repente, o jogo acaba.
Quando você volta à pizzaria, percebe que há menos pessoas do que antes.
Chip ainda está ali, mas Mike parece ter desaparecido. Você não diz nada. As
lembranças dessa experiência traumática ainda pesam em você, e, tomada pela
angústia, decide que é hora de ir embora — voltar para o presente — e nunca
mais retornar.

FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
O silêncio da pizzaria te envolvia como uma capa sufocante enquanto você
observava Chip indo embora e, depois dele, Mike desaparecendo em direção à saída.
Seus movimentos eram cuidadosos, quase ensaiados, enquanto fingia procurar pela
saída também. No entanto, sua intenção era outra. Certificando-se de que ninguém
mais te observava, você se afastou dos corredores principais e andou devagar até o
salão principal.
As luzes estavam mais fracas, lançando sombras ameaçadoras nas paredes, e foi
nesse momento que algo inesperado aconteceu. Uma das portas de uma sala de festas
se abriu lentamente. O som estridente das dobradiças ecoou pelo espaço vazio, como
um chamado assustador.
Lá, no limiar da escuridão, um coelho amarelo surgiu. Ele era... errado, como se fosse
uma versão corrompida do coelho animatrônico que ficava no palco. Ele sorria, mas o
sorriso era vazio, congelado, como se estivesse encarando diretamente sua alma. Você não
sabe dizer o que ele é. Às vezes, parecia uma máquina defeituosa, algo fora do lugar. Outras
vezes, o pensamento mais lógico atravessava sua mente: talvez fosse apenas alguém
fantasiado. Mas os olhos... eles não eram como os de uma [Link] vazios, assustadores.
Ao fundo, pela abertura da porta onde o coelho estava parado, você conseguiu
enxergar algo familiar: um calendário na parede. Ele revelava uma data: Junho de
1985.
Tentando ignorar aquela aberração da natureza — mais uma delas naquela noite —,
você seguiu para a piscina de bolinhas. Estava vazio ali, então você mergulhou na
piscina. Você voltou ao presente; seu pai não tinha chegado ainda. Depois de um
tempo esperando, ele finalmente apareceu:
— Oi, Oz, desculpa a demora. Eu tava ocupado, meu chefe exigiu que eu passasse
mais tempo no Snack Space. Houve um imprevisto, mas já tá tudo resolvido.
Você estava alegre demais para reclamar com seu pai. Agora você tinha amigos.
Amigos DE VERDADE. Você entrou no carro dele, e os dois seguiram viagem.
— Pai, quantos anos você tinha em 1985? — você perguntou.
Ele parou para pensar e respondeu:
— Mais ou menos a sua idade. Uns quatro anos mais velho. Por que a pergunta?
Você hesitou um pouco, não queria parecer suspeito. Mas também não queria
mentir. Então, optou por uma meia-verdade:
— Eu estava vendo coisas dessa época na Jeffs.
— Ah, sim, entendi, Oz.
— Você sabe se há algum filme daquela época que a gente pode assistir?
— Sim, eu tenho alguns DVDs antigos que guardei. Eu adorava aqueles filmes.
Acho que você vai adorar também. Você puxou ao paizão aqui!
Você deu uma risadinha. Precisava mesmo aproveitar os primeiros segundos com
seu pai depois do trabalho, porque depois você não o suportava mais — e,
provavelmente, ele sentia o mesmo, já que vocês passavam tanto tempo juntos.
Quando voltou para casa, você e seu pai subiram para o sótão da casa para checar
quais DVDs estavam guardados lá. Vocês acharam pelo menos três DVDs diferentes e
escolheram um para assistir.
Quando o filme terminou, já era tarde. Hora de dormir. Você foi para sua cama e se
deitou.
Sua mente, no entanto, não saía daqueles animais mecânicos. Você não percebeu de
imediato, mas eles pareciam muito com os que você costumava desenhar.
Você acordou bem nesta manhã. Tirando aquele encontro estranho com o coelho esquisito
ontem, foi um dia quase perfeito! Assim que abriu os olhos, uma animação difícil de conter
tomou conta de você. Você se levantou velozmente, cheio de energia, e já era hora de… ir
para a escola. Droga. Você tinha ficado tão feliz ontem que simplesmente esqueceu
TOTALMENTE que tinha aula hoje. Agora, talvez a animação tenha diminuído um pouco,
mas não o suficiente para fazer você largar tudo!
— Olha só, o meu quase aluno do sétimo ano acordou! — Sua mãe estava na cozinha,
preparando a comida. Você raramente podia vê-la durante o dia, principalmente porque ela
trabalhava no hospital até de madrugada e começava de tarde. Assim, você passava o tempo
todo na escola, sem ela. Pelo menos, ela era quem recebia o melhor salário da casa.
— Oi, mãe! — você respondeu. Ela se aproximou e beijou sua testa.
— Não pense que só porque você está ficando grandinho vai escapar dos beijos da mamãe!
— Ela então colocou o bacon e os ovos no prato e entregou para você. — Aqui, pode comer.
— Ela parecia alegre. Você viu ela ajeitar seus rabos de cavalo loiros, enquanto se sentava em
uma cadeira em frente à mesa. Você fez o mesmo.
Depois, seu pai abriu a porta. O rangido estridente de sempre daquela bendita porta. Ele
estava meio quieto hoje, parecia cansado. Todos vocês se reuniram na mesa e comeram o café
da manhã. Após isso, você se vestiu para a escola. Ainda calados, você e seu pai foram para a
escola. Quando chegaram, você saiu do carro.
— Tchau, pai, eu te amo.
— Tchau, Oz. Aliás... Acho que não vou poder te levar para a casa do Jeff hoje. Mas
confio que você pode ir sozinho.
— Tá. — Seu pai foi embora, deixando você na escola.
Você caminhou e entrou na escola. A escola Westbrook era a única escola da cidade, e
ainda assim conseguia ser a pior. Ela era a pior mesmo sem existir outra. E a pior parte era o...
— Olha só, chegou o Oswald, o ocelote! Haha! — Dylan. Ele estava lá, claro. Claro que
ele devia estar lá. Ele não abandonaria a escola... mesmo que você quisesse. "Oswald, o
ocelote" se tornou seu apelido por causa de um desenho animado que sua turma assistiu no
maternal, sobre aquele maldito ocelote estúpido chamado Oswald. Você queria enterrar a
cabeça do Dylan na lixeira.
Você se afastou e o deixou ali. Depois de muito tempo, a aula finalmente terminou, e agora
você precisava decidir para onde ir.

PARA IR DIRETO PARA A PISCINA DE BOLINHAS,TOQUE AQUI

PARA PASSAR NA FÁBRICA PRIMEIRO, TOQUE AQUI


Você resolve que, antes de ir para a piscina, pode passar na fábrica. Talvez encontre
algo interessante por lá que possa usar na pizzaria. Seguindo seu caminho até a fábrica,
você passa pelos mesmos pontos de referência: o gambá morto, o prédio abandonado
cheio de janelas quebradas, o Snack Space onde seu pai trabalhava. Por um momento,
você até pensou em dar uma passada por lá, mas sua animação para entrar na piscina
de bolinhas era tanta que decidiu não perder muito tempo.
Você começou a correr e, rapidamente, chegou à fábrica. Lá, conseguiu encontrar
algumas baterias e tokens antigos da mesma pizzaria.

ADICIONE UM TOKEN E UMA BATERIA AO INVENTÁRIO E TOQUE AQUI


Você segue seu caminho para a Jeff’s Pizza, sem nem perder tempo pedindo uma
fatia. Você sabe que a pizza do passado é muito melhor — e, claro, mais barata. Seus
olhos recaem sobre a piscina de bolinhas, sua próxima parada. Era hora de se jogar
naquele poço novamente.
Subindo as escadas com cuidado, você passa pela placa de "FORA DE SERVIÇO"
como se fosse um aviso apenas para os outros.
— Três... Dois... Um! — você conta, e então se lança. O mergulho parece
interminável, e de repente, aquela sensação familiar retorna: o líquido estranho
envolvendo você, comprimindo sua pele. Quando você emerge, deu certo! Você está
de volta à Freddy Fazbear’s Pizza.
Sem perder tempo, você corre pelo salão, os sons abafados de uma época distante
envolvendo seus sentidos, e logo avista Chip e Mike sentados a uma mesa,
conversando. O tema? Filmes. Eles falavam de "E.T.", sobre como sentiam saudades
de assistir, para então desviarem para títulos mais “atuais” — ao menos para o tempo
deles.
Você se aproxima, a alegria borbulhando em sua voz:
— Chip! Mike!
Chip vira para você com aquele sorriso típico.
— Oi, Oz! Como tá? A gente tava aqui pensando... Que tal ir pro cinema esse mês?
Tem uns filmes legais passando, vai ser maneiro!
Você hesita por um segundo.
— Ah... Não vai dar. Eu e meu pai vamos viajar esse mês, sabe? — a mentira
escorrega antes que você perceba. Uma pontada de culpa atravessa seu peito. A pior
parte: Você odiava ter que mentir. Talvez isso significasse que você ia ter que ficar o
resto do mês sem ver eles? Claro que não! "É só o fim do mês", você diz pra sua
mesmo.
Mike dá de ombros.
— Tá tranquilo. Mas e aí, Oz? Bora um esconde-esconde?
Você nem pensa duas vezes. Afinal, você sempre foi o melhor nisso!
— O quê? Claro que sim! Só não chorem quando eu destruir vocês com minha
habilidade lendária!
— Vai sonhando — responde Chip, rindo. — Eu vou ser o procurador!
Essa era sua chance. Ninguém te achava no esconde-esconde. Correndo pela
pizzaria, você procura o esconderijo perfeito. A ventilação parecia promissora, mas
estava trancada. No entanto, a sala de armazenamento oferece algo ainda melhor: uma
fantasia amarela. Parecia o urso do palco principal, mas sem olhos, sem endoesqueleto,
apenas uma carcaça vazia.
— Ninguém vai olhar aqui! — você murmura, se esgueirando para dentro da
fantasia.
Minutos depois, você vê Mike entrando na sala, barulhento como sempre. Ele tenta
se esconder em outra ventilação, mas Chip logo o encontra.
— Como você me achou? — Mike reclama, indignado.
— Você é barulhento demais — responde Chip, sem cerimônia. — E o Oz? Achou
ele?
— Ainda não. Ele é cauteloso, diferente de você.
Você não consegue evitar um sorriso de orgulho. Seu esconderijo era impecável.
Eles saem da sala, te deixando sozinho.
Você não podia negar: estava orgulhoso do esconderijo. Tinha levado tempo para
encontrá-lo, algo perfeito para ficar fora de vista. Seus amigos saíram da sala, te
deixando sozinho, e por um instante, o silêncio era até reconfortante. Então, a música
parou. O som animado que vinha do palco foi abruptamente substituído por algo
irregular, cortado... estática? Você se inclinou ligeiramente para ouvir melhor, mas foi
interrompido por um grito. Um, não—vários. O som de uma porta se abrindo ecoou
pelo corredor, um rangido grave que parecia atravessar a espinha.
Então, ele apareceu. O Coelho Amarelo.
O mesmo que você tinha visto ontem, parado na borda da escuridão. Mas agora ele
se movia, e havia algo diferente. Ele estava rindo. Uma risada rouca, quase mecânica,
como se fosse impossível sair de uma garganta humana. Quando passou pela sala, você
viu suas mãos inspecionando o interior de uma fantasia. Suas próprias mãos
instintivamente se apertaram contra o chão. Sua respiração ficou rasa.
O coelho se inclinou sobre a fantasia, e você o viu enfiar as mãos dentro da boca da
máscara, como se estivesse ajustando algo. De repente, um som seco e metálico
estourou no silêncio: CLANK. Você congelou. Um objeto semelhante a uma lâmina
passou rente ao seu rosto, tão próximo que o ar parecia vibrar com o impacto. Por
sorte, foi detido por uma haste de metal na fantasia.
CLANK. CLANK. CLANK.
Os estalos continuavam, cada vez mais altos, cada vez mais frenéticos. Você sentiu
um corte quente na bochecha; o calor do sangue escorrendo só tornava o ar ao seu
redor mais opressivo. Outras lâminas surgiam de dentro do traje, como garras
traiçoeiras. Seu coração martelava no peito. Era um milagre estar vivo.
E então, ele parou.
O Coelho Amarelo saiu da sala, seus passos ecoando lentamente. Ele não pareceu
notar você, mas a tensão era insuportável, como se cada fibra do seu ser gritasse para
se mover, para sair dali.
Você olhou para a fantasia onde estava preso, agora percebendo o que ela realmente
era: uma armadilha mortal. Com dificuldade, você se libertou. Os mecanismos internos
tinham rasgado o traje, expondo lâminas afiadas em forma de meia-lua e ganchos
letais que pareciam ter saído de um pesadelo. O corte na bochecha queimava enquanto
você pressionava a mão para estancar o sangue.
Você saiu da sala, seus passos vacilantes e o olhar inquieto. E foi então que viu a
cena no restaurante.
O caos reinava. Famílias corriam em todas as direções. Crianças choravam, seus
gritos se misturando aos chamados desesperados de pais. Um técnico — que lembrava
Chip, mas parecia mais desesperado do que nunca — segurava a cabeça caída de
Freddy Fazbear, os fios pendurados balançando como vísceras metálicas. Funcionários
tentavam guiar o tumulto para as saídas, mas era difícil, quase impossível, em meio à
escuridão e ao pânico.
No centro de tudo, ele.
O Coelho Amarelo estava parado no salão principal, imóvel. Seus olhos pareciam
encontrar os seus, brilhando com algo que poderia ser raiva... ou um convite. Ele
ergueu uma das mãos e a apontou diretamente para você, a postura ao mesmo tempo
ameaçadora e sedutora, como se estivesse querendo mostrar algo a você.
O que você fará?

TALVEZ EU DEVESSE SEGUI-LO? TOQUE AQUI

PARA FUGIR DA PIZZARIA, TOQUE AQUI


— Eu deveria só... sair? — você sussurra para si mesmo, a voz quase engolida pelo som
distante do caos atrás de você. Relutante, seus pés se movem, hesitantes. Cada passo em
direção à saída parece mais pesado que o anterior. O ar dentro da pizzaria está denso,
carregado com o cheiro metálico de sangue e o zumbido distante de estática.
Quando finalmente atravessa as portas para o lado de fora, o contraste é imediato e brutal.
A cidade parece estranhamente tranquila. Você sente o ar fresco bater no rosto, tão diferente
do ambiente sufocante lá dentro. As ruas estão banhadas por uma luz amarelada dos postes,
cintilando contra o asfalto úmido como se tivesse chovido há pouco tempo.
Tudo parece... normal, mas não é. A cidade de Hurricane está ali, como uma versão antiga
de si mesma — os prédios com tijolos reluzentes, sem rachaduras, as janelas intactas
refletindo a fraca luz dos postes. Até o asfalto está liso, sem buracos ou poeira acumulada. É
como se você tivesse voltado no tempo, para um lugar mais inteiro, mais jovem.
Você para por um segundo e olha ao redor, incrédulo. Os prédios não só estão de pé,
como parecem até em um estado melhor. O silêncio da noite é quase acolhedor, um manto
pesado e parado. O ar cheira a algo familiar, mas estranho, como uma lembrança esquecida
que você não consegue alcançar.
Você até ri, um riso curto e seco, sem saber por quê. Talvez o passado fosse tão melhor
assim. Talvez essa seja a Hurricane que todos queriam de volta — aquela que existia antes
de tudo desabar, antes da fábrica fechar, antes de tudo virar a porcaria que virou.
Mas o riso morre rápido, engolido pelo vazio. Você continua andando, e a cidade, tão
bonita sob a luz fraca, parece esconder algo nas suas sombras.
Então, você tropeça.
É um tropeço pequeno, insignificante, como se seus pés simplesmente tivessem se
enrolado um no outro. No entanto, a queda não faz sentido. Você espera atingir o chão, sentir
a dor latejante na palma das mãos ao tentar amortecer o impacto. Mas nada disso acontece.
Tudo simplesmente... desaparece.
A luz dos postes, o murmúrio da cidade, o frescor do ar noturno. Tudo.
Seu corpo cai em um vazio sem fim, como se o chão tivesse sido arrancado debaixo de
você. O som do vento zunindo nos seus ouvidos é a única coisa que resta, mas mesmo isso
começa a sumir, como se estivesse sendo engolido por algo insondável.
Por um momento, você tenta gritar, mas não há som. Nem o seu, nem qualquer outro.
Apenas o silêncio absoluto.
E então, a escuridão consome você.

FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
Você resolve seguir o coelho. Não sabe por quê, mas há algo nele que parece te
chamar — uma curiosidade quase doentia, um desejo de entender o que está
acontecendo. Ele não te viu na fantasia, certo? Apenas a achou errada, algo que
precisava ser consertado.
O corredor era longo e escuro, quase interminável. O coelho se movia à sua frente
com passos mecânicos, os olhos vazios e o sorriso fixo no rosto amarelo, como se
tivesse sido costurado ali para sempre. Havia algo errado naquele sorriso — algo que o
fazia parecer mais um aviso do que uma saudação.
Você não estava realmente atrás do coelho. Era como se estivesse deixando ele te
guiar, como Alice seguindo o coelho até sua toca.
Ele parou diante de uma porta com uma placa que dizia "Sala Segura", mas as
palavras estavam riscadas, arranhadas, e substituídas por "Sala de Festas". O coelho
fez um movimento lento com a cabeça, um gesto quase imperceptível, como se
estivesse convidando você a entrar.
Seu corpo tremia, o instinto gritava para correr, mas algo o prendia ali. Talvez fosse
curiosidade, ou talvez o fato de que fugir parecia impossível. Você entrou.
Demorou alguns segundos para seus olhos se ajustarem à luz fraca da sala e mais
alguns para que seu cérebro compreendesse o que estava vendo.
A sala é uma mistura bizarra de enfermaria e oficina. Kits de primeiros socorros
estão espalhados pelas prateleiras junto com ferramentas e peças mecânicas — garras,
olhos falsos, placas de circuitos. Mas não é isso que chama sua atenção.
As crianças.
Elas estão alinhadas ao longo da parede, seus corpos largados como bonecas
descartadas sem cuidado.
Um menino ruivo, sardento, com óculos redondos tortos no rosto, tem a cabeça
pendendo para o lado, como se não tivesse forças para mantê-la erguida. Uma garota
de cabelos loiros bagunçados exibe um sorriso vazio, os olhos fixos em um ponto
distante, em algo que não está lá. Ao lado dela, uma menina de cabelos pretos
encaracolados ainda se move levemente, como se algo dentro dela se debatesse para
escapar. Mas seus olhos... seus olhos estão mortos, presos em uma agonia que faz seu
estômago revirar.
Mortos? Não, algo está errado.
No centro do grupo, há um menino diferente. Suas roupas estão sujas e esfarrapadas
, destoando dos outros. Seus olhos, porém, não estão fixos em você. Eles encaram algo
atrás de você.
O arrepio percorre sua espinha antes mesmo de você se virar.
O coelho amarelo estava ali, e seu sorriso havia crescido de forma grotesca, um arco
tão exagerado que parecia errado, antinatural. Antes que você pudesse reagir, ele se
lançou sobre você com uma velocidade assustadora.
Você pulou para trás, tropeçando. Seu corpo caiu sobre algo macio e frio. Eca! Era
o menino do meio. O nojo e o pavor tomaram conta de você enquanto se levantava de
um salto, o coração disparado. Seu instinto falou mais alto.
Você agarrou uma cadeira que estava próxima e a lançou com toda a força no
coelho. CLANG! Ela bateu no ombro dele, fazendo-o recuar por um instante. Foi o
tempo necessário para você se mover.
Correndo até uma das prateleiras, você agarrou o primeiro kit de primeiros socorros
que viu e disparou para fora da sala.
O corredor parecia ainda mais longo do que antes, cada passo seu ressoando alto
demais. Atrás de você, o coelho vinha, seus passos pesados e constantes, como uma
marcha que não se apressava — mas que nunca parava.
No fim do corredor, você avistou uma porta. A placa dizia "Piscina de Bolinhas".
Você agarrou a maçaneta, mas a porta não se mexeu.
Emperrada.
O som de metal arranhando ecoou atrás de você. Ele estava chegando.
E agora?

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Você tentou encaixar o token na porta, mas, obviamente, isso não funcionaria. Claro
que não! Que ideia brilhante. Como se a maldita porta fosse abrir só porque você
insistiu em cutucá-la com um pedaço de metal. Dã! Não havia tempo para autocríticas,
mas a frustração era inevitável. Como se o destino estivesse rindo na sua cara naquele
exato momento.
Os passos atrás de você continuavam, cada vez mais próximos, pesados, como um
tambor batendo dentro do seu crânio. Mas você nem queria pensar nisso. Não queria.
Toda a sua frustração estava concentrada na porta. A maldita porta que, por algum
motivo, parecia divertir-se às suas custas, como se estivesse dizendo: “Ah, você achou
mesmo que isso ia dar certo? Que dó.”
Você pressionou, girou, empurrou o token ( faça alguma coisa, qualquer coisa!) mas
ele não servia para nada. Uma piada sem graça, igual àquela situação inteira. Era um
token inútil, uma porta inútil e, no meio disso tudo, você, o mais inútil de todos.
Foi só quando sentiu aquele toque áspero e gelado na sua nuca que as peças
finalmente se encaixaram. O coelho. Ah. O coelho. Você tinha esquecido dele.
Mas ele não se esqueceu de você.

FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
Você percebeu que não tinha como abrir a porta com o que tinha à mão. A
frustração foi forte, mas o desespero te empurrou para agir. Quando você se virou, viu
o coelho correndo em sua direção. Instintivamente, você deu um pulo para trás,
sentindo a parede contra suas costas. Seu coração batia tão rápido que parecia
explodir. A criatura avançou numa velocidade absurda, quase como um borrão. Essa
coisa sequer é humana?!
Sem saída, você começou a correr pelo restaurante, derrubando tudo o que via para
atrasá-lo. Mesas viraram, cadeiras tombaram. O barulho era abafado pelos passos da
criatura, que não desistia. Você tentou se defender: jogou pratos, talheres, até uma
bandeja... Nada adiantava. E o pior: não tinha para onde fugir. Se continuasse assim,
ele te pegaria, e o que ele queria fazer era óbvio... Te transformar em um deles.
De repente, Freddy começou a se mexer também, mas tropeçou e caiu no chão,
desorientado. Era a chance perfeita! Você despistou o coelho e correu para os
bastidores.
Ao entrar, parou de repente. Um esqueleto de metal, do tamanho daquelas criaturas,
estava parado ali. Seus braços longos terminavam em garras afiadas, e sua cabeça
metálica, sem rosto, tinha grandes órbitas vazias com luzes piscando. Aquilo era
aterrorizante.
Antes que pudesse reagir, ouviu os passos do coelho se aproximando novamente.
Tremendo, começou a correr de novo. Tropeçou, se levantou, e procurou
desesperadamente algo para abrir a porta. Então, sentiu algo bater na sua cabeça. Uma
chave caiu no chão! Ela tinha o símbolo de uma bolinha escupido no pequeno corpo
prateado.. Perfeito! Ou quase... O coelho saltou em cima de você naquele exato
momento.
Em pânico, você desferiu um chute desesperado na criatura, sentindo uma dor aguda
irradiar pelo pé no mesmo instante. O impacto pareceu irritá-la ainda mais. Ela se
ergueu de forma abrupta e, como se o mundo ao redor tivesse desacelerado, você viu a
mandíbula dela se abrir de maneira antinatural, como se fosse desencaixar do resto do
crânio. A pele esticada revelou o interior grotesco da boca: partes orgânicas
avermelhadas e inchadas pulsavam ali, como se estivessem vivas, úmidas e
inflamadas, enquanto fios de saliva grossa escorriam entre os dentes enormes e
afiados. Antes que pudesse reagir, a coisa avançou, cravando as presas em sua perna.
A dor foi lancinante, queimando como fogo, e o som de sua respiração pesada e
irregular parecia preencher tudo, ecoando dentro de seus ouvidos como um zumbido
insuportável. Ela mordia com uma força enlouquecida, faminta, determinada a não
soltar.
Com um último esforço desesperado, quase cego de pavor, você conseguiu se
soltar com mais um chute. Quase anestesiado pela adrenalina, você conseguiu correr
mancando até a porta, destrancá-la e entrar no cómodo.
Você fechou a porta com força, enquanto o coelho batia do outro lado, quase
violando a madeira. Você respirava com dificuldade. O corte na sua bochecha ardia e a
dor na perna era insuportável, mas não tinha tempo a perder. O que fazer agora?

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Você agarrou o kit de primeiros socorros e começou a correr, mas o peso
desequilibrou você, e seu pé machucado tornava cada passo uma tortura. O chão
parecia traiçoeiro. De repente, você escorregou.
Ao cair, notou uma mancha de sangue seco no chão. Agora, ela estava úmida de
novo — por causa do hematoma na sua perna.
Antes que pudesse se levantar, o som de madeira estourando ecoou. A porta foi
arrombada.
O coelho estava ali. Ele parecia maior, uma sombra monstruosa na luz fraca. Em
segundos, ele avançou. Você sentiu o golpe direto na cabeça.
— Onde... eu estou...? — você murmurou, a cabeça latejando.
mundo girava ao seu redor. Quando olhou para baixo, percebeu que estava
amarrado. Cordas grossas prendiam seus braços e pernas, enquanto um chapéu de festa
amassado pendia de sua cabeça.
As crianças estavam lá — seis delas. Quietas. Os olhos vazios. Você era a sétima.
A porta rangeu lentamente.
O coelho entrou. Seus passos pesados ecoavam. A criatura mantém o olhar vazio
preso em você. Ele se aproximou, devagar, saboreando o momento.
Uma risada baixa encheu o ar frio. Em seguida, ele agarrou seu pescoço. As mãos
eram rígidas, frias como a morte.
Você tentou gritar, mas não conseguiu.
E então, tudo se apagou.

FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
Você tranca a porta e empilha tudo o que consegue encontrar para barricar. O coelho
não vai passar. Não agora.
Com as mãos trêmulas, você abre o kit médico.
Boas notícias: ele está cheio.
Más notícias: você só tem 10 anos e não faz ideia do que está fazendo.
Você tenta se lembrar de quando a mamãe cuidava dos seus machucados. Aplica um
curativo como ela faria, mesmo sem entender direito o que estava fazendo. Você
consegue conter o sangramento, mas não dá tempo para fazer mais nada.
O som da porta rachando enche o ar. Ele está vindo.
Você corre para a piscina de bolinhas e pula. O mergulho é desesperado. O barulho
da porta se estilhaçando faz seu coração disparar. Você desce mais fundo, afundando
nas bolinhas como se estivesse em uma piscina de verdade. O barulho dos passos se
aproxima. Você segue o fluxo das bolinhas e salta para fora em outra extremidade.
O ar entra nos seus pulmões de uma vez só, como se você tivesse acabado de sair de
um mergulho real. É só então que você percebe: está todo empoeirado, como se a
sujeira tivesse te engolido junto.
— OSWALD!
A voz faz você congelar. Seu pai está ali.
— O que você tava pensando quando entrou nessa coisa velha? Saia daí agora,
garoto! — Ele parece furioso.
Você sai da piscina, tremendo. As lágrimas começam a cair sem que você saiba o
porquê. É como se o peso de tudo desabasse ali mesmo.
— Oz... o que houve? — A voz do seu pai muda. Agora ela soa preocupada, mais
suave.
Você não responde. Você só chora. O alívio de estar fora daquele pesadelo se
mistura com o cansaço e a confusão.
— Ah, Oz...
Seu pai se abaixa, indo na sua direção. Mas, antes que você consiga piscar, um vulto
amarelo salta da piscina de bolinhas.
Você pisca de novo. Seu pai não está mais ali. Ele está sendo puxado pela criatura.
Você pisca uma última vez, e agora o coelho está no lugar dele, uma enorme pata
firme segurando seu ombro.
Você grita e se joga para trás, mas ele agarra sua mão. O coelho começa a arrastar
você para fora da pizzaria.
— JEFF! JEFF! — Você grita em desespero.
Jeff está lá, parado atrás do balcão, com aquela expressão cansada e vazia que ele
sempre tem.
— Até mais, pessoal. — Ele murmura, como se nada estivesse acontecendo.
— Jeff, é o meu pai! Você não tá vendo?! — Você chora, desesperado, a voz
falhando.
— Seu pai tá bem, garoto. A poeira deve ter ferrado com seus olhos.
O coelho te puxa até o carro do seu pai. Ele abre a porta, coloca você no banco do
passageiro e prende o cinto com firmeza. Você olha para ele, atordoado.
— Pra onde você tá me levando? Como você sabe dirigir?! Como você tem a
chave?!
Ele não responde. Não te olha. É como se ele nem ouvisse.
O carro começa a andar. Você não consegue fazer nada além de observar o cenário
pela janela, seu coração disparado. Minutos depois, o carro para. Na frente da sua casa.
A criatura sai, abre a porta e te puxa para fora. Ela te leva até a porta da frente,
destranca como se fosse o dono do lugar, e te arrasta até o seu quarto.

toque aqui
Você começou a vasculhar entre os papéis e objetos empilhados, as sombras os deformando
desconcertantemente. Suas mãos se detiveram em um dos papéis. Mesmo antes de desdobrá-lo, você sabia
exatamente o que era.
Era um desenho do coelho amarelo.
Você se lembrou do momento exato em que fez aquilo, mas agora o olhar vazio e o sorriso congelado do
desenho pareciam zombar de você. O calafrio que sentiu foi tão forte que quase largou o papel. Empurrou-o para
o lado, mas havia outros. Muitos outros. Cada um com o mesmo coelho, com pequenas variações, mas sempre
retratando aquela mesma figura.
Chega disso.
Você empurrou a pilha de papéis, e seus dedos finalmente tocaram o que procuravam: uma pequena lanterna
presa a um chaveiro velho. Você a pegou, sentindo a textura áspera do metal enferrujado enquanto apertava o
botão para ligá-la.
O feixe de luz era fraco, quase patético. Apenas uma linha pálida que mal cortava a claridade já presente do
quarto.
Você suspirou, frustrado. Não era grande coisa, mas pelo menos seria útil fora do quarto.
"Vai ter que servir."
O olhar voltou para a porta. O corredor escuro estava à espera, mas agora, com aquela lanterninha, você pelo
menos teria uma chance.
Com as mãos trêmulas, você fecha a porta do quarto devagar, prendendo a respiração a cada pequeno rangido.
A luz fraca que escapava pelas frestas desaparece, deixando apenas a escuridão do corredor como companhia.
Você segura a lanterna e avança, guiando-se mais pela memória do que pela visão. A luz é fraca demais para
ajudar de verdade, apenas recortando pedaços da casa em sombras tortas e assustadoras.
Ao chegar à porta do segundo corredor que se interliga à sala de jantar, você pensa por um instante.

SE VOCÊ QUER ESPIAR PELA FECHADURA PARA VER SE O CAMINHO ESTÁ LIVRE, TOQUE AQUI

SE VOCÊ QUER ABRIR A PORTA E SAIR CORRENDO ANTES QUE ALGO O ENCONTRE, TOQUE AQUI
Você agarra a maçaneta da porta com força, sentindo o metal frio e úmido contra a palma da mão. Sem pensar,
você a gira com toda a força, arrebentando a madeira desgastada no processo. A porta se abre com um estalo
ensurdecedor, e você sai disparado, correndo da melhor forma que consegue.
Mas a pressa cobra seu preço. Seus pés se enroscam em algo duro e irregular no chão, e você tropeça com força,
caindo de joelhos e mãos. Você está prestes a praguejar, mas então sua voz perece em sua garganta.
Dois olhos prateados brilham na escuridão, fixos em você. Seus dedos tremem enquanto você ergue a lanterna
e ilumina a figura.
O coelho amarelo? Não.
Não era o coelho amarelo. Era um rosto de pele cinzenta, esticada sobre um crânio metálico, com olhos vazios
que sugavam toda a luz. Um sorriso vermelho exagerado, esticado além do natural, destacava dentes metálicos e
irregulares. As bochechas rosadas davam-lhe uma aparência de palhaço macabro.
Ela sorriu, abrindo a boca de forma grotesca, enquanto tranças infantis balançavam levemente. No peito, um
pingente em forma de coração pulsava como se tivesse vida própria.
De sua boca, nariz e dedos escorriam gavinhas viscosas e escuras, serpenteando em sua direção como
predadores famintos.

FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
Você corre com toda a força até a porta e se lança contra ela, tentando arrombá-la.
Nada. Sua força infantil não é o bastante. Ela nem se move.
Então você ouve. Passos.
Eles vêm da esquerda, cada som mais próximo, mais pesado. Seu corpo congela.
Um frio percorre sua espinha.
Antes que consiga reagir, o coelho te agarra.
As garras dele são frias, firmes como aço, e se fecham em torno de você. Você
esperneia, grita, faz tudo o que consegue, mas não adianta. A criatura aperta com
força. Você ouve o primeiro estalo.
— N-NÃO! PARA!
Seu braço. Depois, outro estalo — seu ombro. A dor é insuportável, como se mil
agulhas perfurassem seu corpo ao mesmo tempo. A criatura começa a quebrar seus
ossos, você grita, grita muito, implorando para que pare.
Então, a coisa abre a boca.
Você vê as fileiras de dentes afiados, incontáveis, como lâminas brilhando sob a
luz fraca. O cheiro que vem dali é podre, enjoativo.
Você tenta gritar mais uma vez, mas a boca da criatura já está na sua cabeça.
E então... a escuridão.

FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, toque aqui
1º NOITE
Você estava sentado na cama, com Jinx enrolada no seu colo, ronronando baixinho.
Passava a mão no pelo dela, tentando se distrair, mas o medo não daquela coisa te
pegar não dava trégua. Precisava pensar. Precisava sair dali.
Seu olhar se voltou para a janela. Ela estava emperrada — como sempre. O papai já
prometeu consertá-la várias vezes, mas nunca conseguiu. Não tinha tempo para isso,
principalmente depois que começou a trabalhar feito louco. Desde então, mal
conseguia parar nem mesmo para assistir aos filmes bregas do Zendrelix com você.
Mas agora não era hora de se lamentar.
A frustração bateu mais forte dessa vez. Se a janela funcionasse, você já estaria
longe. Talvez até em outro país, com outro nome. Será que Ben teria espaço na casa
dele para um hóspede temporário? A essa altura, até dormir na casinha do cachorro
nem parece uma ideia tão ruim assim.
Concentre-se, Oswald.
Você olhou para a porta, certificando-se de que estava trancada. Não era só uma
precaução. Aquela coisa ainda estava lá fora. Você tinha visto. A aberração nem fazia
questão de se esconder! Era óbvio que aquilo não era seu pai. Por que Jeff não
conseguia enxergar isso?
Sua perna latejava com uma dor quente e pulsante. A mordida queimava, e você
tentava ao máximo não pensar muito sobre ela. Parte de você se perguntava se aquilo
poderia piorar. E se infeccionar? Pior: e se eu ficar igual a aquela coisa? Tipo um
zumbi. Aquele treco é um zumbi?
Pare com isso, Oswald! FOCO!
Você balançou a cabeça, afastando a imaginação que insistia em se infiltrar. Ainda
assim, não havia como negar: com a perna naquele estado, correr seria impossível,
caso fosse necessário.
Você engoliu em seco, tentando não pensar no que aconteceria se a mamãe chegasse
e visse aquilo. E se ela achasse que é o papai também? E se aquela coisa pegasse ela?
Precisava avisá-la.
O celular. Só o celular do papai pode te salvar agora. A casa não tinha telefone fixo
— nunca teve. Sua mãe sempre diz: “Ninguém mais usa essas coisas”. Agora, essa
frase parece ecoar na sua cabeça como uma zombaria cruel. Droga.
Você respirou fundo e apertou Jinx contra o peito. Ela miou baixinho, como se
entendesse.
— Vai ficar tudo bem… — sussurrou, mais para si do que para ela.
Seu olhar voltou para a porta.

Aceitar. Não há mais o que fazer. Você não pode salvá-lo, e tentar seria o
fim. toque aqui

Checar o quarto do papai. Talvez ainda haja esperança. toque aqui


Você aceita. Não há escolha. Não pode salvar seu pai. Tentar seria suicídio. Aquela
coisa lá fora vai acabar com você se tentar. Vai te rasgar em pedaços, como faria com
um pedaço de carne velha.
Seus dedos tremem enquanto arrancam as páginas do caderno da escola. Você nem
se importa mais com os garranchos de matemática ou as anotações confusas sobre as
guerras napoleônicas. Não importa. Nada importa agora. O papel rasga fácil, e em
minutos você tem um par de orelhas de coelho, dobradas e presas com grampos tortos
que estavam jogados na mochila.
Você é um coelho agora.
Um bom coelho.
Você é o melhor coelho.
As orelhas ficam meio tortas, mas isso só faz parte do charme. Você tenta ignorar o
cheiro de suor e sangue que parece impregnar o quarto. Afinal, coelhos não se
preocupam com essas coisas, certo? Não. Coelhos só pulam, fogem, sobrevivem. É
isso que você tem que fazer. Sobreviver.
— Eu sou um bom coelho... — murmura para si mesmo, encarando o reflexo
distorcido no espelho rachado da porta do armário. Seu sorriso treme. Sua garganta
aperta.
Lá fora, o som da coisa se movendo ecoa pelo corredor. Um passo. Outro. O chão
range como se ela fosse pesada demais para ser real.
Você ajeita as orelhas de papel, empurra Jinx para debaixo da cama e sussurra:
— Fica quietinha. Os coelhos são rápidos. Os coelhos sabem fugir.
Você respira fundo, sentindo o papel molhado de suor grudando na testa.
Você é o melhor coelho.

FIM DE JOGO
PARA RECOMEÇAR, TOQUE AQUI
Você precisa salvar o papai. Você está parado na porta do quarto dele, olhando para dentro.
A aberração está na cama, deitada como se fosse dona do lugar. O peito dela sobe e desce
devagar, com uma precisão desconcertante. Cada movimento parece calculado demais, como
se ela estivesse imitando algo que nunca entendeu de verdade.
Você não quer olhar por muito tempo. Algo no ritmo irregular do assobio da respiração
dela faz sua pele arrepiar. Quanto mais observa, mais claro fica: aquela coisa roubou o seu
pai. Isso torna tudo pior.
Você recua para o corredor, o coração batendo descompassado. O celular está no quarto,
mas não tem como pegá-lo com a aberração ali. Olhando ao redor, sua mente corre para
qualquer plano, qualquer chance. Seus olhos caem no aspirador de pó encostado na parede.
Não é uma ideia boa. Mas é a única que você tem.
Quando o som estridente preenche a casa, o impacto é quase físico. Imediatamente, você
ouve um grunhido baixo vindo do quarto. Pesado, como se algo estivesse se rasgando por
dentro. Seus pés já estão em movimento antes que você consiga pensar. Você corre até o
armário na sala e mergulha para dentro, fechando a porta com cuidado.
A escuridão do armário é absoluta. O espaço apertado amplifica o cheiro de madeira antiga
e de roupas guardadas por tempo demais. Você tenta respirar pelo nariz, devagar, mas cada
inspiração parece mais difícil que a anterior.
Os passos começam.
Eles são lentos. Cautelosos. Cada impacto no chão parece mais próximo que o último.
Você pressiona as costas contra a parede do armário, as pernas dobradas de forma
desconfortável. Um som baixo — um rangido. A porta do armário mexe um pouco, como se
estivesse sob o olhar de algo que não deveria existir.
Você fecha os olhos com força, calando-os com tanta intensidade que vê manchas de luz
atrás das pálpebras. Seus músculos ficam rígidos, a mandíbula trincada. Então, um som ecoa
pela casa.
Algo metálico se choca contra o chão com um estrondo. Não muito longe, mas também
não próximo o suficiente para identificar. Talvez seja Jinx. Talvez não. Você não pode saber.
Mas a coisa se move. Você ouve as garras raspando no chão, depois passos, depois nada.
O silêncio é tão pesado que parece uma presença física. Ainda assim, você espera. Quinze
segundos. Trinta. O tempo se dissolve até que finalmente o ar volta a preencher seus pulmões.
Abrindo a porta devagar, você sai do armário. Cada movimento é meticulosamente
controlado, mas a dor na perna ameaça desmoronar seu equilíbrio.
Você manca até o quarto e pega o celular. Quando liga para sua mãe, sua voz quase falha:
— Mãe! É uma emergência! Você precisa vir rápido! — O desespero na sua voz quase o
envergonha. — Não tenho tempo para explicar!
Você desliga antes que ela diga qualquer coisa e core para debaixo da mesa, o único
esconderijo acessível. A madeira fria contra sua testa é a única coisa que impede o caos em
sua mente de explodir.
As próximas meia-hora são um inferno. Passos ecoam pelo corredor, grunhidos quebram o silêncio, e o
forno na cozinha liga e desliga sem motivo aparente. Você permanece com os joelhos contra o peito.
Quando a porta da frente se abre, o som é como uma explosão. Você corre mancando até a sala,
lágrimas escorrendo antes mesmo de dizer uma palavra.
— Mãe! — Sua voz sai como um soluço desesperado.
— Oz, o que está acontecendo?
— O papai foi sequestrado e substituído por uma aberração amarela! — Você não consegue evitar que
as palavras saiam desordenadas.
Ela franze o cenho, e a irritação cresce em seus olhos.
— Oz, seu pai está perfeitamente bem. E você sabe que não se inventa uma emergência.
Antes que você possa responder, os olhos dela se estreitam ao passar por você, fixando-se na figura
parada ao fundo.
— E por falar nele... — Ela aponta com a cabeça, cruzando os braços. — Está aí. Está vendo? Você faz
esse drama todo e ele está bem aqui.
Você congela.
— O quê? Não, mãe, ele não é...
— Oz, por favor! — Ela interrompe, exasperada, caminhando em direção à figura. — Oi, querido, que
susto esse menino me deu...
A coisa olha para ela. E então sorri. É um sorriso estranho, largo demais, com dentes que parecem
afiados, mas não perigosos. Ela não parece notar o detalhe — ou talvez não queira notar.
— Está tudo bem? — Ela pergunta, hesitante.
A coisa acena com a cabeça.
— Viu só? — Ela lança um olhar para você, como se estivesse provando seu ponto. — Ele está bem. Não
precisava inventar essa história toda.
Você dá um passo à frente, desesperado. — Mãe, não! Esse não é o papai! Olha direito, por favor!
Ela vira para você com uma expressão impaciente.
— Oz, chega disso. Está me atrasando. Eu confio no que vejo.
— Não é ele! — você insiste, apontando para a coisa, cuja expressão permanece congelada naquele
sorriso.
Ela bufa, olhando rapidamente de você para a coisa. Então, balança a cabeça, como se decidisse que não
vale a pena continuar.
— Certo, Oz. Se não quer falar, não fale. Mas eu preciso ir. — Ela olha novamente para a coisa e faz um
gesto de despedida. — Tchau, amor.
Ela se foi e seu “pai” foi até a porta. A criatura abriu uma fresta e acenou para sua mãe. Ela acenou de
volta, distraída, antes de desaparecer pelo jardim. A aberração fechou a porta com cuidado e, quando se
virou, parou no meio da sala. Os olhos vazios dela estavam fixos em você.
Os bigodes desalinhados, e a expressão em sua face queria dizer:" Nem mesmo sua mamãe acredita em
você. Não importa o quanto você tente. Seu pai se foi. Sua vida se foi. Eu estou no controle agora.''
Você tentou desviar o olhar, mas não conseguiu. A coisa deu um passo à frente, depois outro, e
o chão rangeu sob seu peso. Antes que pudesse reagir, ela agarrou seu braço com força. A mão era
desproporcional, os dedos ásperos, como se cobertos por algo seco, mas ainda pulsante.
Você gritou, mas o som foi abafado por um riso distorcido, ecoando como um gravador
quebrado. Sem esforço, ela o lançou para dentro do quarto. Você caiu com um baque seco, o ombro
latejando de dor.
Quando ergueu os olhos, ela estava à porta, observando com um olhar satisfeito, como se
apreciasse sua presa se debatendo. Era uma cena digna de um slasher antigo, onde o assassino
observa a vítima sufocar no próprio sangue. Talvez fosse hora de parar de assistir a essas coisas.
Ela fechou a porta com um clique suave. Por um instante, você só conseguia ouvir os
passos se afastando, lentos e ritmados, como se ela soubesse exatamente o efeito que isso
tinha em você. Aquele som dizia tudo: ela estava brincando com você.
É. Estava.
A coisa não queria acabar com isso rápido. Queria que você sofresse, que sentisse cada
segundo do medo. Era um jogo de gato e rato — ou coelho e humano —, e ela estava
gostando demais para acabar agora.
Você começou a chorar de novo, soluçando em pânico. O peito apertado, a garganta seca.
A realidade te atingiu com força: aquele coelho não ia te deixar em paz. Não hoje. Não nunca.
Por que ele era assim? Não havia nada humano nele, mas também não era uma máquina.
Os olhos eram orgânicos demais para isso. Dois globos oculares brancos, sem pupilas, sem
íris, sem vida. Mas o corpo... era ágil demais, forte demais, desproporcional demais.
E cruel demais.
Quando olhava para aqueles olhos vazios, você não via nada além de dor. Era como se eles
carregassem um tipo de sofrimento tão profundo que só podia ser traduzido em violência.
Seu rosto começou a ferver. Aquele calor familiar subiu pelas suas bochechas, uma onda
de ódio crescendo dentro de você. Você apertou os punhos, tentando afastar as lágrimas, mas
não havia como conter.
Ainda não acabou.

Toque aqui
Você se aproxima da lista telefônica encostada na parede, iluminando-a com o feixe fraco
da lanterna.
De onde isso saiu? Ninguém mais usa listas telefônicas, ainda mais em uma casa sem
telefones fixos. Era estranho, mas você a pega mesmo assim. O papel é áspero, frio, e exala
um cheiro de poeira que faz você engasgar. Pesada, você segura firme e olha ao redor,
procurando um esconderijo.
O armário no canto da sala chama sua atenção. Você corre até ele, abrindo a porta com
cuidado. Dentro, roupas penduradas, panos dobrados e caixas empilhadas formam um
amontoado caótico que cheira a mofo. É apertado, mas não há escolha. Você se espreme entre
as roupas, apagando a lanterna antes de fechar a porta.
O silêncio no armário é sufocante, o cheiro de pó irrita seu nariz, e o coração martela no
peito. Então, ele vem.
O som é ensurdecedor: madeira rangendo, objetos sendo arrastados e quebrados. Você não
precisa olhar para saber que é ele. As garras arranham o chão, cada passo pesado como trovões
abafados. Você prende a respiração, tentando não se mover.
O barulho cresce, depois para bem próximo do armário. O tempo congela. Mas, de repente,
os passos se afastam, desaparecendo no corredor.
Só então você solta o ar, e com as mãos trêmulas, você acende a lanterna. O feixe ilumina o
caos ao seu redor, e a lista telefônica em seu colo.
Você a abre. As páginas são quase todas brancas, vazias, mas no meio delas, uma única
página está preenchida.
Existem números ali. Vários. Mas a maioria deles está riscada. A única combinação legível
não se parece nem de longe com um número de telefone comum.

PARA DISCAR PARA O NÚMERO NO CELULAR, TOQUE AQUI

PARA ESCONDER A LISTA TELEFÔNICA NO ARMÁRIO E PARTIR, TOQUE AQUI


Você se lembrou da lanterna na cômoda.
Vasculhou a escrivaninha até encontrar o cilindro metálico sob uma pilha de
cadernos. Você ligou o feixe de luz e abriu a porta do quarto. O corredor escuro se
revelou, mas agora você tinha uma arma: a luz. Cada som parecia amplificado
enquanto avançava lentamente, iluminando o caminho.
Descendo as escadas, o facho da lanterna percorreu a sala de estar, revelando no
limite da luz... o coelho amarelo.
O rosto grotesco com olhos vazios e dentes metálicos fixou-se em você. Por um
instante, a luz a paralisou, mas logo ela avançou com um rugido. Você correu como
podia, desviando de móveis até alcançar a porta da sala de estar. Passou por ela,
fechou-a com força e a manteve barrada com o corpo.
As batidas começaram, fortes, quase derrubando a porta. Então, milagrosamente,
cessaram. Sem pensar muito a respeito, você correu para o jardim, desaparecendo
na escuridão da noite.

TOQUE AQUI
Com a lanterna presa entre os dedos, você olha mais uma vez para os números na
página. 7774648. Eles parecem incompletos, sem formato de telefone, mas... vale a
pena tentar. Talvez alguém atenda. Talvez você possa chamar ajuda. Você pega o
celular com as mãos trêmulas e digita os números devagar, cada toque na tela
parecendo mais alto do que o mundo ao seu redor. O sinal de chamada ecoa, uma linha
de som fria e vazia, até que...
Estalos.
A linha não está silenciosa, mas também não há voz. Apenas um ruído pesado,
como estática misturada a algo mais... denso. Você franze o cenho e aproxima o celular
do ouvido.
É uma respiração.
Grossa, lenta e pesada, como se fosse de um animal enorme esperando no escuro. O
som parece tão próximo que você quase consegue senti-lo contra a sua pele. Sua
garganta seca. Você aperta os olhos e desliga o telefone.
Mas o barulho não cessa.
O mesmo som ainda está lá, só que agora... ele não vem do celular.
Seu corpo gela. Você ouve um rangido baixo. Lentamente, quase como se estivesse
viva, a porta do armário começa a se abrir. A luz fraca da lanterna ilumina uma sombra
monstruosa do outro lado.
É o coelho.
Ele está parado, a silhueta enorme bloqueando qualquer vislumbre de saída. Seus olhos
prateados brilham na escuridão, fixos em você, frios e vazios como sempre. Por um segundo,
vocês apenas se encaram.
Uma risadinha nervosa escapa da sua boca. Você até acena com a mão, num gesto patético
e desesperado.
— E aí? — você murmura, como se estivesse cumprimentando um velho amigo.
Infelizmente, ele não veio para conversar.
O coelho avança de repente, tão rápido que você mal tem tempo de gritar.

FIM DE JOGO
PARA COMEÇAR DO COMEÇO, toque aqui

PARA TENTAR ESTA NOITE NOVAMENTE, toque aqui


Tudo isso é uma loucura, e ninguém parece notar, exceto eu.
Você precisava de um plano. Não podia simplesmente sair correndo pela porta da
frente com aquela coisa à espreita. Seria suicídio. Não, precisava ser cauteloso. Mais
que isso. Precisava de um milagre.
Suspirando, você se deixou escorregar até o chão, encostado na cama. Encolheu-se,
abraçando os joelhos e escondendo o rosto entre eles. Não estava chorando... talvez
um pouquinho. Mas, principalmente, estava tentando pensar. Forçando o cérebro a
encontrar uma solução que não acabasse com você sendo pego por aquele coelho
monstruoso.
A realidade era clara: aquela coisa parecia invencível. Forte demais, rápida demais,
sempre um passo à frente. Mas... você se recusa a dar por vencido.
Você vai salvar seu pai, custe o que custar.

PARA TENTAR SEGUIR FURTIVAMENTE ATÉ A PORTA DA FRENTE, Toque aqui

NÃO, ISSO É SUICÍDIO. PARA TENTAR PENSAR EM UM PLANO MELHOR, Toque aqui
Você se levantou, apoiando-se na perna dolorida, e caminhou até a porta
do quarto. Segurou a maçaneta com uma mão trêmula, girando-a devagar
para não fazer barulho. A porta abriu com um leve rangido, e você espiou o
corredor. Imediatamente, percebeu algo que fez seu coração afundar: a casa
estava mergulhada em completa escuridão.
Todos os interruptores tinham sido desligados.
Você recuou, fechando a porta devagar,o cérebro já a todo vapor em busca
de um novo plano. De jeito nenhum você iria sair lá fora com aquela coisa no
escuro. Você virou-se rapidamente para sua escrivaninha, lembrando-se de
algo que poderia te ajudar.
Uma lanterna. Você tinha certeza de que guardava uma em algum canto
daquela bagunça.

PARA PROCURAR POR UMA LANTERNA ,Toque aqui

CASO TENHA A LANTERNA EM SEU INVENTARIO, Toque aqui


Você hesita antes de espiar, como se algo em você já soubesse o que encontraria ali.
E então, você vê.
Do outro lado, dois pontinhos prateados brilhavam na escuridão, como pequenas estrelas mortas. Seus
olhos se arregalam, e você engole em seco. Os pontos parecem encarar você, frios e vazios. Por um
instante que parece uma eternidade, eles desviam o olhar. Você não sabe se isso é um alívio ou algo ainda
pior.
Seu coração bate tão alto que teme que a criatura possa ouvir. Você não pode abrir aquela porta.
Qualquer leve empurrão faria um barulho ensurdecedor, entregando sua posição.
Você usa a lanterna para inspecionar o entorno. A luz fraca tremeluz sobre o chão e as paredes. Nada
parece seguro. Todos os cômodos estão interligados — não há um canto protegido.
Então, você nota entrada para o sótão. A escada retrátil está entreaberta no teto, como uma passagem
escondida. Ao lado, encostada na parede, uma lista telefônica gigante, de capa amarelada. Aquilo não
deveria estar ali... Estranho.
Você não tem exatamente mais um plano. Subir ao sótão parece arriscado, mas pode ser sua melhor
chance de esconderijo. Mexer na lista telefônica poderia fazer barulho, e você não sabe se a criatura
ainda está por perto.

PARA SUBIR PARA O SÓTÃO, Toque aqui

PARA VERIFICAR A LISTA TELEFÔNICA, TOQUE AQUI


Você segura a lista telefônica firmemente e a empurra para o canto mais escuro do
armário, escondendo-a sob trapos empoeirados. Se precisasse dela, saberia onde encontrá-la.
Com cuidado, fechou a porta e começou a cruzar a sala. A lanterna em sua mão
iluminava o caminho, lançando sombras que dançavam nas paredes. Seus passos ecoavam
sobre o assoalho rangente, cada som parecendo amplificado enquanto se aproximava da
saída.
Ao girar a maçaneta, o metal enferrujado cedeu com um estalo seco. O som cortou o
silêncio, e logo você ouviu passos pesados no andar de cima. Algo se movia.
Sem hesitar, abriu a porta e correu para a sala de jantar. Foi então que tropeçou no tapete
e caiu de cara no chão. “Sério? Justo agora?” resmungou baixinho, sentindo a irritação
fervilhar. A lanterna rolou para longe e apagou, deixando tudo às escuras. “Ótimo, como se
já não fosse complicado o suficiente...”
Ainda assim, levantou-se depressa, tentando ignorar a dor no joelho, e avançou às cegas
para a sala de estar. Desviou dos móveis o melhor que pôde, enquanto os passos atrás de
você ficavam mais próximos, mais ameaçadores.
Cambaleando, alcançou a sala de estar, desviando dos móveis pelo puro instinto. A porta
da frente estava à vista. Você girou a maçaneta com força, o som de madeira e ferrugem
quase te fazendo ranger os dentes.
Você se escondeu no vão abaixo deles, a terra fria pressionando contra a pele. As
sombras acima se moviam, e cada passo da criatura na varanda parecia um trovão. Então,
silêncio. Os passos se afastaram.
Você conseguiu.
TOQUE AQUI
Você cautelosamente se aproxima da escada retrátil que leva ao sótão. A
madeira range enquanto você sobe, cada som parecendo um alarme. Uma
vez lá em cima, a escuridão é quase absoluta. A lanterna ilumina
vagamente o espaço empoeirado e claustrofóbico.
Enquanto tateia pelo chão, seu pé enrosca em algo, e você tropeça,
caindo pesadamente de joelhos. A lanterna escapa de sua mão, iluminando
por um instante uma corda velha. Ela estava amarrada firme no suporte de
uma viga e caía para fora de uma janela aberta do sótão. Uma saída.
Pela primeira vez naquela noite, você sentiu uma fagulha de esperança.
Você correu até a janela e a abriu mais, o rangido alto ecoando pelo sótão.
O ar frio da noite bateu no seu rosto, fazendo você estremecer. Aquela era
a brisa da liberdade.
Segurando firme a corda, você respirou fundo e colocou sua perna boa
para fora, testando o peso. Ela parecia segura. “Vai dar certo,” murmurou
para si mesmo, como um mantra de encorajamento. Sem olhar para trás,
começou a descer, sentindo cada fibra áspera raspando nos dedos enquanto
controlava os movimentos.
Quando seus pés finalmente tocaram o chão, você soltou a corda com
um suspiro pesado. Ficou ali por um momento, olhando para cima, para a
janela aberta no alto do sótão.
Você conseguiu. Não foi bonito, nem elegante, mas, de algum jeito,
funcionou. Nem foi tão difícil assim, pensou, mesmo sabendo que suas
mãos diriam outra coisa pela manhã.

TOQUE AQUI
A janela está ali, tão próxima e ao mesmo tempo tão fora de alcance.
Você tenta reunir ideias, pensando em alguma ferramenta, algum método,
qualquer coisa que possa tirar você daquela situação.
—Vamos lá, pensa... pensa! — Você sussurra para si mesmo.
A ponta dos seus dedos aperta as suas têmporas com força, quase como
se quisesse extrair a solução à força. Mas nada.
Você levanta os olhos para o quarto, buscando algum objeto que tenha
ignorado, algo que possa ser usado como alavanca, como uma chave
improvisada. Mas os móveis continuam te encarando inertes, e o quarto
parece tão vazio de ideias quanto a sua mente.
Por um longo momento, você se deixa cair para trás, exalando um
suspiro pesado que ecoa na quietude do quarto. O silêncio é interrompido
apenas pelo som distante de passos, os do coelho talvez – mas você tenta
não pensar nisso.
E então, surge um lampejo. Uma memória quase esquecida. Você se
senta ereto de uma vez, a mão saindo das têmporas enquanto uma palavra
pulsa na sua mente como um relâmpago.
‘’A Caixa de ferramentas do papai!’’
Você consegue até visualizá-la: azulada, enferrujada nas bordas, sempre
deixada no porão, cheia de chaves inglesas, martelos e todas aquelas
tralhas que ele sempre dizia: “Não é para crianças, Oz. Você pode se
machucar.”
Você faz uma pausa. A ideia de descer até o porão faz seu estômago se
apertar. Parando para pensar, você nem quer imaginar o que aquela coisa
pode fazer com você caso encontre a caixa.
Ou caso encontre você.
— Vai dar certo — você diz baixinho, tentando convencer a si mesmo.
Você empurra a porta, que range como se há tempos implorasse por um
pouco de óleo. A casa, inundada por luzes acesas, parece acolhedora num
primeiro instante, mas depois bate aquele déjà-vu. Imagens nítidas de
mamãe esbravejando com papai — “De novo essa casa inteira iluminada,
como se fôssemos donos da usina elétrica!” — aparecem na mente.
Você segue em direção à cozinha, passos leves, o coração batendo como
um tambor. As superfícies lisas refletem a luz pálida que atravessa os
vidros empoeirados. O ar tem o cheiro inconfundível de uma casa antiga –
madeira envelhecida e um toque de mofo. Mas o que domina seus sentidos
agora é o medo. Ele cresce, pulsante, no silêncio pesado.
O puxador da porta da cozinha está gelado sob seus dedos. Você hesita.
O som de algo distante – ou seria apenas sua imaginação? – faz seus
músculos enrijecerem. Quando finalmente empurra a porta, ela range, um
som agudo que parece ecoar pela casa vazia, amplificando a tensão.
E então, do outro lado da cozinha, outra porta se abre.
Lá está ele.
O coelho amarelo. Grande demais, encolhido sob o batente. Ele veste
uma máscara de solda velha, arranhada, que cobre todo o rosto. Seus
movimentos são erráticos. Ele inclina a cabeça, parecendo tão confuso
quanto você, como se estudasse sua presença. Um chiado metálico
preenche o ambiente – será sua respiração, abafada pela máscara?
Por um momento, vocês se encaram, imóveis, como se nenhum dos dois
soubesse o que fazer a seguir.
O coelho inclina a cabeça, curioso.
Você, sem pensar, faz o mesmo.
Ele para. Observa. Inclina a cabeça para o outro lado.
E você, obediente, o imita.
Ele parece fascinado, inclinado levemente para a frente, como se isso
fosse um jogo. Mas então, algo muda.
Com um movimento brusco, ele ergue a mão.
Você vê a chave de fenda brilhando sob a luz fraca.
E o coelho... cansa da mímica.

FIM DE JOGO
PARA COMEÇAR DO COMEÇO, toque aqui

PARA TENTAR ESTA NOITE NOVAMENTE, toque aqui


Você bateu na porta da Jeff’s Pizza com todas as suas forças, o som
ecoando pela rua deserta.
— Mas que diabos?! — Jeff abriu a porta de repente, o tom irritado
antes mesmo de olhar para quem estava ali. — Não sabe ler? Estamos
fecha...
A frase morreu na garganta dele. Seus olhos se arregalaram ao te ver ali,
parado, com um sorriso nervoso estampado no rosto. Sua roupa estava
amassada, o cabelo desgrenhado, e você parecia ter saído de uma briga. E,
de fato, foi quase isso.
— O que você quer?
Você deu um passo à frente, as mãos inquietas ao lado do corpo.
— Eu... preciso do meu casaco.
Jeff piscou, confuso, e cruzou os braços.
— Que casaco?
— Meu casaco da sorte.
Ele estreitou os olhos, analisando você de cima a baixo.
— Tá com frio? Porque, pelo que tô vendo, você tá usando um casaco.
— Não é esse! — Você disse, gesticulando de forma quase desesperada.
— É o outro. Tá na piscina de bolinhas. Esqueci lá.
Jeff ficou te encarando por um momento, o rosto franzido. Ele parecia
não saber se devia rir ou te expulsar. No final, ele suspirou e deu de
ombros.
— Tá bom, tá bom. Vai lá e pega logo. Mas só isso, entendeu? — Ele
abriu espaço na porta, olhando você passar mancando.
— Obrigado. Prometo que vai ser rápido. — Você disse, forçando o
sorriso nervoso de novo.
Jeff ficou parado na porta, te observando enquanto você caminhava pelo
salão vazio, claramente desconfiado.
— Isso tá muito estranho... — Ele murmurou, mais para si mesmo do
que para você.
Você sentiu o olhar dele queimando nas suas costas e, mesmo sem
querer, olhou por cima do ombro. Encontrou os olhos dele por um instante
e acenou com a cabeça, tentando parecer tranquilo. Era um truque que
funcionava melhor quando você não estava com a camisa amassada e o
cabelo parecendo uma vassoura velha.
Jeff estreitou os olhos, desconfiado, mas no final deu de ombros mais
uma vez, balançando a cabeça.
— Tá... o que quer que seja, moleque — resmungou para si mesmo antes
de voltar para dentro da pizzaria.
Você continuou mancando até finalmente alcançar a porta da sala da
piscina de bolinhas. Seu coração parecia bater fora de ritmo, a respiração
saindo irregular. Sem hesitar, abriu a porta e deu um passo para dentro.
A sala parecia mais escura do que você lembrava. As cores vibrantes das
bolinhas estavam ali, mas a luz parecia quase não alcançá-las, deixando
tudo envolto em sombras pesadas.
E então você simplesmente foi. Sem pensar, sem olhar para trás. Deixou
o corpo cair, mergulhando na piscina de bolinhas.
O mundo pareceu desaparecer à medida que você afundava. O som ao
seu redor se tornou abafado, distante, até ser engolido completamente pela
escuridão.
Você estava na Freddy’s, mas algo estava definitivamente errado. O ar
carregava um cheiro de mofo, pesado e enjoativo, que parecia se infiltrar
nos seus pulmões. Não deveria estar assim. Não podia estar assim.
De repente, toda a coragem que você tinha até agora simplesmente
murchou, como uma chama sendo apagada. Esse lugar não era só
opressivo... algo estava errado.
Era como se algo no próprio ambiente quisesse esmagar você, sufocar
sua presença. Um pensamento perturbador tomou conta da sua mente: e se
você ficssepreso aqui para sempre? Cada passo que dava parecia um
desafio, como se algo estivesse drenando não só sua energia, mas sua
vontade.
O pior era que o desconforto não vinha só do lugar. Havia algo errado
com você. Seus pensamentos estavam embaralhados, confusos. Tudo que
você viveu aqui antes parecia estranhamente mais claro agora, os detalhes
voltando devagar, como peças de um quebra-cabeça. Exceto por uma coisa:
os momentos que você passou com a aberração.
Essas memórias estavam embaçadas, como um vidro sujo que você não
conseguia limpar. Mas, no fundo, você sabia. Você tinha visto algo muito,
muito ruim. Algo que não queria se lembrar. Algo que talvez nunca
devesse ter visto.
— Que porcaria de lugar é esse? — você resmungou, passando a mão na
testa.
Seus pensamentos foram interrompidos quando algo chamou sua atenção
na porta. Era uma garota. No começo, você franziu a testa, tentando
entender quem ela era. A sensação de familiaridade veio devagar, até que a
memória surgiu: era a garota loira que estava na sala junto com... Aquilo.
Mas algo estava errado. Muito errado. Ela não tinha rosto.
Seu estômago revirou, e um desconforto intenso tomou conta de você.
Queria olhar para outro lugar, mas não conseguiu. A garota ficou ali por
um instante, imóvel, antes de simplesmente sair da sala.
— Espera aí... — você murmurou, levantando-se.
Contra o que sua lógica gritava, você resolveu segui-la.
Ela atravessou o salão principal, que parecia assustadoramente longo
agora, quase como se não tivesse fim. As luzes eram fracas, e os ecos dos
seus passos faziam o lugar parecer ainda mais vazio. Quando ela passou
pelas cortinas e foi para trás do palco, você hesitou por um segundo, mas
continuou.
Foi aí que viu.
Seu coração deu um salto quando percebeu o pior. Chica, a galinha, não
estava mais no palco.
Você ficou parado, encarando o espaço vazio, soando frio.
E agora?

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Você foi até o palco, forçando os passos mesmo com o medo martelando no peito.
Atrás das cortinas, encontrou o mesmo endoesqueleto de antes. Dessa vez, você não se
assustou. Sabia que ele estaria ali. Mas mesmo assim, o alívio foi curto. Algo no
ambiente parecia diferente... pior.
Então você a viu.
No canto da sala, Chica estava parada. Mas não era como deveria ser. Seus olhos
estavam... vazios. Não eram os olhos eletrônicos comuns dos animatrônicos, nem os
globos oculares mortos como os do coelho azul. Era um vazio absoluto, um buraco
escuro e profundo, exatamente como o que você viu no urso amarelo que vestiu antes.
O sorriso do bico de Chica parecia estar olhando diretamente para você. Aquilo não
fazia sentido, mas ainda assim, era como se estivesse consciente, te observando.
De repente, algo escorreu das órbitas vazias. Pareciam lágrimas. Lágrimas escuras?
Você recuou instintivamente, mas antes que pudesse entender o que estava
acontecendo, a garota loira passou correndo novamente.
—Ei! Espera aí! — você sussurrou.
Você a seguiu.
Ela saiu da sala e foi direto para o arcade. Quando chegou lá, viu algo que nunca
tinha notado antes: um jogo chamado FRUITY MAZE. A garota estava jogando, mas...
chorava.
Seu coração acelerou. Algo no monitor não parecia certo. Você se aproximou com
cautela, até finalmente enxergar o que estava na tela. Túmulos. Flores. E... um
cachorro morto.
Cada vez que a garota coletava o animal, o sangue escorria e se acumulava nos pés
dela, deixando um rastro eterno pelo mapa. Não importava para onde ela fosse, a dor
do animal ficava marcada.
Você tentou se afastar, mas foi então que o viu: o coelho amarelo.
Mas havia algo estranho, algo diferente. Esse coelho não tinha proporções estranhas
como o outro que você conhecia. Seus movimentos eram humanos, naturais, e os olhos
no traje revelavam alguém lá dentro. Não eram os globos oculares vazios e
assustadores do outro coelho. Era um humano.
Mas o traje? O traje era exatamente o mesmo.
Uma ideia horrível passou pela sua mente: talvez aquele fosse o coelho original. O
da sua casa... talvez fosse uma cópia. Uma imitação demoníaca daquilo.
A garota começou a seguir o coelho amarelo. Eles foram até a sala segura, e então
você ouviu. Gritos.
O som era horrível, agudo, e parecia durar uma eternidade. Então, sem aviso, o
coelho saiu da sala. Mas não era o humano. Não era o coelho original. Era ele. O da
sua casa.
Sua garganta se apertou, e um grito escapou antes que você pudesse se
conter. O que você fará agora?
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Você cerrou os punhos, sentindo a adrenalina percorrer o corpo. Contra toda lógica,
resolveu confrontar o coelho. Cada instinto dizia para correr, para fugir dali, mas algo dentro
de você gritava o contrário.
Você avançou.
No início, parecia que a escolha mais burra da sua vida ia dar certo. O coelho não era tão
pesado nem tão forte quanto parecia à primeira vista. Seus movimentos eram rápidos, mas
desajeitados, e por um momento você achou que tinha uma chance. Talvez até pudesse
vencê-lo.
Mas então tudo mudou.
Antes que pudesse reagir, a criatura te agarrou pelo pescoço. A força era esmagadora, e
você sentiu o ar sendo arrancado dos seus pulmões. Ele te levantou como se você não pesasse
nada, seus pés se debatendo no vazio.
Você tentou se soltar, puxando as mãos da criatura, mas foi inútil. E foi aí que percebeu.
Ele sabia. Ele sabia que você tentaria confrontá-lo. Ele queria que você tentasse. O coelho
te deu esperança apenas para esmagá-la, como se fosse um jogo sádico.
Os olhos vazios — aqueles buracos sombrios — pareciam penetrar sua mente, quase rindo
da sua tentativa patética.
Você sentiu o pânico crescer, a visão começando a escurecer enquanto o aperto em seu
pescoço aumentava.
E agora, o que você fará?
Sua mente corre contra o tempo. Você não tem força suficiente para lutar contra ele, mas
talvez... talvez ainda haja uma forma. Algo que você não tentou. Mas precisa decidir rápido.

Se você tiver uma faca, use. TOQUE AQUI

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Você olhou em volta, desesperado, sua visão começando a escurecer enquanto o
coelho apertava seu pescoço com força esmagadora. Seus dedos tatearam o vazio,
procurando algo — qualquer coisa — até finalmente encontrarem o cabo frio e
metálico de uma faca na mão da própria criatura.
Com um impulso, você segurou a lâmina e a puxou de suas mãos. Usando a última
força que tinha, desferiu um golpe rápido no braço dele. O coelho soltou um grito
estranho, uma mistura de metal rangendo e algo... humano. O aperto em seu pescoço
afrouxou, e você caiu no chão, ofegante, a faca ainda firmemente em sua mão.
Sem pensar duas vezes, você correu. Seus pés quase escorregaram no chão frio
enquanto disparava em direção ao cômodo da piscina de bolinhas. Aquela sala era sua
única esperança.
Mas quando você abriu a porta, parou abruptamente.
Não havia mais piscina de bolinhas. Não havia mais nada ali.
O cômodo estava vazio, exceto por um único bolo no centro da sala. Ele parecia
estranhamente novo, decorado com glacê branco e velas coloridas. No topo do bolo,
havia um bilhete.
Ainda segurando a faca com força, você se aproximou devagar. O silêncio da sala
era opressor, e o som dos seus passos parecia ecoar mais do que deveria.
Você pegou o bilhete com mãos trêmulas e o leu em voz baixa, quase sussurrando:

A faca não está nesse jogo.


Você deve viver (?) com vergonha.
Os trapaceiros são aqueles que fazem o Coelho Amarelo rir.

fim de jogo
Você começou a chutar o coelho amarelo com todas as suas forças, cada impacto no
traje metálico reverberando pelos seus ossos. Mas nada acontecia. Ele sequer recuava,
como se seus golpes não passassem de toques insignificantes.
Com um movimento brusco, o coelho te agarrou novamente. Antes que pudesse
reagir, você foi arremessado contra o chão com tanta força que a dor explodiu por todo
o seu corpo. O impacto te deixou atordoado, a visão girando enquanto o som ao seu
redor parecia abafado.
Quando conseguiu focar, o viu parado sobre você. Sua presença era esmagadora,
imponente.
De repente, o pé da criatura se ergueu lentamente, pairando no ar. Você não
conseguiu se mover, seu corpo pesado e fraco demais para reagir.
O pé começou a descer, direto em direção ao seu crânio.

FIM DE JOGO
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ESCONDA-SE! VOCÊ PRECISA SE ESCONDER!
Você corre pelos corredores, tropeçando nos próprios passos. A primeira porta que
encontra é a sala de armazenamento. Sem pensar duas vezes, você entra e bate a porta
atrás de si.
A escuridão toma conta do lugar, mas a luz fraca vinda da fresta sob a porta revela o
suficiente: caixas empilhadas, prateleiras alinhadas… e no canto, aquela fantasia de
Freddy amarelo.
Sem opção, você se aproxima, preparando-se para se esconder ali. Mas então você
vê.
Tem um corpo dentro.
O topo de uma cabeça com cabelos pretos encaracolados espreita pelo traje. Você
reconhece. É o menino. O mesmo menino no meio das crianças mortas. A visão é um
soco no estômago, e você vira o rosto, sentindo a náusea subir.
Não dá tempo de pensar.
Você sai correndo da sala e atravessa o corredor novamente, entrando na sala do
[Link] a cacofonia e as luzes piscantes, você vê um vulto. É ali que ela está.
A garota loira.
Ela está parada no centro da sala, os olhos fixos em você. Por um momento, parece
que ela vai falar alguma coisa, mas então, sem aviso, ela desaparece. Como se nunca
tivesse existido.
Você para, confuso, o silêncio ao redor quase mais sufocante do que o próprio
medo. Foi quando percebeu: o coelho não está mais te seguindo.
Seria uma boa notícia... se Chica não estivesse surgindo bem na sua frente.

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Ela pode me ver
Você resolve se esconder atrás das máquinas, esperando que a penumbra e as sombras te
protejam. O som dos passos pesados de Chica ecoa pelo salão, cada vez mais perto. Seu
coração dispara quando percebe que ela parou de andar.
Sem pensar muito, você corre em direção ao jogo Fruity Maze, mergulhando atrás dele na
tentativa desesperada de se esconder. Por um breve momento, o silêncio retorna, dando uma
falsa sensação de segurança. Mas então, o grito de Chica corta o ar como uma lâmina, agudo.
Mas ela não ataca você, não corre em sua direção. Parece mais que ela está esperando…
convocando algo ou alguém.
O chão parece tremer sob o pesar dos passos de algo. O coelho amarelo está vindo. Ele está
vindo te pegar. E desta vez, ele está mais rápido do que nunca. Você tenta correr, mas já é
tarde demais. Sua última visão é o coelho amarelo, com sua boca grotescamente aberta, se
aproximando. O mundo escurece quando ele alcança sua cabeça.

FIM DE JOGO
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Você corre até o traje amarelo, arranca a cabeça dele e começa a puxar a cabeça da criança
presa ali. Você só consegue remover uma parte. Não era o menino como você pensava — era
uma menina de cabelo encaracolado. Só percebe isso pelo corte de cabelo e pela tiara com um
pequeno urso. Sem esses detalhes, nunca saberia. O rosto está esmagado, irreconhecível,
como se não fosse mais humano. Você quase vomita ao ver aquilo, mas o corpo desaparece.
Ainda assim, o sangue permanece. Sem opções, você se esconde dentro do traje, o cheiro
metálico e enjoativo impregnando o lugar. Eca. Chica entra na sala. Seus passos são lentos.
Ela olha ao redor, observa por alguns momentos, depois sai.
Você sai do traje e corre. Você corre até a entrada, já quase percorreu toda a pizzaria. No
final do corredor, você o vê. O coelho. Você muda de direção e corre para a cozinha.
Encontrando uma gaveta aberta, se esconde nela. O coelho passa pela cozinha, olha ao redor,
mas vai embora.
Aquilo não pertence à Chica — ou, pelo menos, não deveria. Ainda assim, contra toda
lógica, você o pega. Sua intuição sussurra que isso pode ser importante mais tarde.
Claro, a mesma intuição que te enfiou nesse pesadelo, lembra? Pensar antes de agir talvez
devesse ser um hábito, mas tarde demais para isso agora. Sem tempo para pensar, você vai até
a piscina de bolinhas e mergulha nela, desaparecendo entre as esferas.

ADICIONE O BABADOR AO SEU INVENTÁRIO E PROSSIGA, Toque aqui


Você decide que seguir a criança agora seria uma decisão estúpida. Se algo der
errado, você pode acabar morto. Melhor explorar primeiro, entender onde está e o que
está acontecendo. Enquanto caminha por um corredor, percebe algo que te faz parar.
Um jornal. Mas espera… não era um pôster que estava ali antes? Você tem certeza de
que era. Agora, no lugar dele, está um jornal velho, noticiando o desaparecimento de
cinco crianças. Cinco? Você tinha certeza de que viu seis nomes em algum lugar. Será
que a escuridão está pregando peças em você de novo?
O jornal parece manchado, as letras um pouco borradas. Você tenta se concentrar
para ler, mas um som faz seu estômago revirar. A criatura. Está ali. Como ela chegou
tão perto sem fazer barulho? Ela te viu? A resposta parece irrelevante. Você não espera
para descobrir e começa a correr, tão rápido quanto suas pernas permitem.
Você passa por portas que não reconhece e vira em corredores que parecem mais
longos do que deveriam ser. Até que, finalmente, você entra em uma sala de festas.
Você encosta na parede, tentando controlar a respiração. “O que eu faço agora?” A
pergunta passa pela sua cabeça, mas não há resposta. Uma parte de você quer acreditar
que está seguro por alguns minutos. Mas outra parte sabe que não pode confiar nisso.
E se aquela coisa entrar aqui? O que tem nessa sala que pode te ajudar? Uma
cadeira? Uma mesa? Alguma coisa que sirva como arma? Nada disso parece útil. O
desespero começa a se infiltrar, mas você tenta afastá-lo. Não é hora de perder a
cabeça. Se você quer sair daqui vivo, você precisa de um plano.

PARA SE ESCONDER EMBAIXO DE UMA MESA, TOQUE AQUI

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Você se esconde debaixo da mesa. Os passos pesados da criatura ecoam ao
redor, cada vez mais próximos, até que ela para. Sua respiração trava quando ela
se abaixa, os olhos vazios e aterrorizantes encontrando os seus.
O que você fará?

se você tiver uma lanterna, TOQUE AQUI

se você estiver de mãos vazias, TOQUE AQUI


Você não tem opção. O medo te paralisa, prendendo cada músculo do seu
corpo. Os olhos vazios da criatura queimam na escuridão, fixos em você. Ela
não se apressa, os movimentos lentos como se saboreasse o momento.
O som de sua respiração ofegante preenche o espaço, mas você já não ouve.
Tudo parece distante, como se o tempo tivesse parado. O peso do inevitável te
esmaga.
A criatura se aproxima mais, as mãos deformadas surgindo no campo de
visão, e você sente o frio gélido da morte antes mesmo de ela tocar em você.
Não há para onde fugir, nada a fazer. Apenas o silêncio, enquanto a escuridão te
consome.

FIM DE JOGO
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Você liga a lanterna e a luz atinge os olhos do coelho. Ele recua imediatamente, emitindo
um som estranho e abafado enquanto cobre o rosto, o que te dá o tempo necessário para
disparar. Seus passos ecoam pela cozinha, e é ali que algo no chão chama sua atenção: um
babador branco. As palavras "VAMOS COMER" estão escritas em letras grandes e
chamativas, acompanhadas de uma carinha feliz. Você congela por um instante. Aquilo não
pertence à Chica — ou, pelo menos, não deveria. Ainda assim, contra toda lógica, você o
pega. Sua intuição sussurra que isso pode ser importante mais tarde.
Claro, a mesma intuição que te enfiou nesse pesadelo, lembra? Pensar antes de agir talvez
devesse ser um hábito, mas tarde demais para isso agora.
Enquanto tenta processar a bizarrice da situação, um cheiro pútrido invade o ambiente. É
forte, enjoativo, como carne podre e algo ainda pior, e vem nitidamente do armazém. O ar
pesado te faz hesitar por um momento.
ADICIONE O BABADOR AO SEU INVENTÁRIO.

O que fazer?

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O cheiro está insuportável, e algo te diz que precisa descobrir o que está
errado. Relutante, você se aproxima do armazém, torcendo para que o coelho
não esteja por perto. Por sorte, o caminho está livre. Você entra, seus olhos
imediatamente se fixam no sorriso perturbador de um urso animatrônico. Parece
que essa pizzaria tem um talento especial para criar coisas assustadoras.
Curioso, você toca na mandíbula do urso. É imensa, grande o suficiente para
engolir sua cabeça inteira. Por um lado, talvez fosse um esconderijo
improvisado, caso necessário. Por outro, o pensamento de aquilo ganhar vida
como a galinha te faz suar frio.
Você respira fundo e começa a investigar a sala em busca da origem do cheiro
pútrido. Primeiro, você dá uma olhada na ventilação. Nada. Depois, examina
cada canto do armazém, reparando em detalhes que, no desespero anterior, havia
ignorado.
Um calendário na parede marca 26 de junho de 1985, uma data que parece
deslocada do presente. Perto dele, há uma série de pôsteres com o nome
"Fredbear’s Family Diner". Você nunca ouviu falar desse lugar, e ele não se
parece nada com a Freddy Fazbear’s. Seria Fredbear uma abreviação de Freddy
Fazbear? Um dos pôsteres exibe o mesmo urso que está na sua frente. Talvez
aquele seja Fredbear.
Depois de vasculhar tudo, sobra apenas um lugar para checar: o interior da
fantasia do urso. Tremendo, você põe os olhos dentro dela.
Eca! Você recua instintivamente.
Lá dentro, um tufo de cabelos pretos encaracolados desponta entre o tecido
gasto. Forçando a visão, percebe algo muito pior: um rosto mutilado e
desfigurado, preso dentro do traje. O estômago se revira, e você não consegue
segurar o vômito, sujando o chão do armazém.
Sem pensar duas vezes, você foge da sala, o pânico tomando conta do seu
corpo. Corre para a piscina de bolinhas, jogando-se dentro dela e afundando na
escuridão.

TOQUE AQUI
Você corre direto para a piscina de bolinhas, mas antes de chegar lá, cruza o
salão principal. E então, você a vê: Chica. Seu coração afunda enquanto ela vira
a cabeça abruptamente na sua direção, soltando um grito ensurdecedor que ecoa
pelo salão, chamando a atenção do coelho.
Antes que você possa reagir, o coelho surge, ágil demais para escapar. Suas
garras se fecham ao redor de você, arrastando-o para perto de Chica. Ambos
começam seu macabro trabalho, arrancando cada um dos seus membros com
uma precisão cruel e metódica.
A dor é incomensurável. Você grita, mas o som não faz diferença. Tudo fica
escuro rapidamente, enquanto sua consciência se esvai.

FIM DE JOGO
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Você sai da Jeff’s, tentando se afastar rápido, mas antes que pudesse cruzar a
porta, Jeff aparece. Ele para no batente, te analisando com aquele olhar de
sempre: cansado e ligeiramente enjoado, como se o mundo inteiro fosse um
fardo desnecessário.
— Achou seu casaco? — pergunta, o tom seco e direto. Mas antes que você
pudesse responder, ele franze o nariz, balançando a cabeça como se tivesse sido
atingido por um cheiro insuportável. — Argh... que cheiro é esse? Parece que
você mergulhou num lixão. Vai tomar banho, moleque!
Você dá de ombros
— Não achei... acho que deixei em casa.
Jeff dá um passo para trás, balançando a cabeça como se quisesse afastar o
cheiro de si.
— Tanto faz. Vai tomar banho logo antes que esse fedor mate alguém.
Ele se vira e entra de volta, batendo a porta com um movimento
desinteressado. Você suspira, agradecido por ele não insistir mais, e sai
apressado.
A caminhada de volta para casa é rápida, mas desconfortável. A cada passo,
você sente o cheiro impregnado na sua pele, forte e nauseante. Quando chega à
sua porta, você espera algum sinal da aberração, mas tudo está estranhamente
quieto.
Dentro de casa, o silêncio continua. A aberração sequer está fora do quarto, e
o relógio na parede marca quase de manhã. “Mamãe já deve ter chegado”, você
pensa.
Você se cheira novamente, e o odor parece ainda pior do que antes. Uma
mistura de suor, plástico velho e... algo mais, indefinível e repugnante.
— Certo, eu preciso de um banho. — Você vai direto para o banheiro, sem
perder mais tempo.

TOQUE AQUI
Você estava na Freddy’s. Ou melhor, algo que se parecia com a Freddy’s, mas não era
exatamente igual. Tudo parecia errado, distorcido, como um reflexo num espelho trincado.
Seu corpo não se movia como deveria. Cada gesto era rígido, como se você estivesse preso a
movimentos limitados e mecânicos.
Você viu Freddy parado ali. Mas ele não era o Freddy que você conhecia.
Esse era diferente: mais baixo, rudimentar, seu corpo marrom sem os botões característicos
no peito. Não era o dourado que você havia ouvido falar, mas algo que parecia vagamente
familiar. Você franziu o cenho, tentando entender o que estava vendo, quando outro Freddy
entrou pela porta.
Esse era diferente. Dourado. Algo dentro de você congelou. Era o traje, as características...
e então, como um estalo na mente, a verdade se formou.
— Fredbear? — você sussurrou, a voz saindo trêmula, um nó se formando na sua garganta.
Seu olhar caiu para o chão, onde algo chamou sua atenção: uma máscara, abandonada,
quase sendo pisoteada. Sem pensar, você se abaixou para pegá-la. Suas mãos se moveram por
impulso, como se fossem comandadas por algo além de sua consciência. E antes que pudesse
refletir, a máscara já estava no seu rosto.
Com a máscara no lugar, você olhou de novo para o Fredbear. Ele tinha o mesmo design
básico do Freddy original, mas uma de suas orelhas estava ausente, e fios soltos escapavam de
seus olhos, pendendo de maneira desordenada.
Antes que pudesse se mover, mais figuras começaram a aparecer. Um fantoche esquelético,
com membros finos e deformados. Uma versão mutilada de Bonnie, com pedaços de seu
corpo à mostra, como se tivesse sido desmontado e remontado às pressas. E outros. Todos
compartilhavam características semelhantes às máquinas que você havia visto antes.
Então, ele surgiu.
Era um elefante. Um traje grande, amarelo, com trajes de mágico. Ele entrou na sala com
passos calculados, segurando uma varinha que parecia brilhar em sua mão. Por um breve
momento, sua figura parecia absurda, quase cômica, mas isso desapareceu assim que ele se
aproximou.
Antes que pudesse reagir, ele enfiou a varinha em seu peito. Não foi como uma faca. Foi
pior. A dor parecia invadir seu corpo inteiro, como se estivesse sendo despedaçado de dentro
para fora.
— Ele tentou te libertar, — disse o elefante, sua voz baixa e arrastada, ecoando como um
trovão distante. — Ele tentou NOS libertar. Mas eu não vou deixar isso acontecer.
A dor aumentou, e você sentiu como se estivesse sendo esmagado pela presença daquela
figura.
— Vou te manter aqui. Vou te SEGURAR aqui. Não importa quantas vezes eles nos
queimem.
Sua visão escureceu. Mas antes que tudo se apagasse, entre as trevas, você viu algo.
Um menino. Não, o menino. O mesmo garoto de cabelos pretos encaracolados que você
tinha visto antes. Mas agora, ele era diferente. Seus olhos agora irradiavam um brilho branco
prateado, intenso e hipnótico. Seu corpo inteiro era envolto pelas trevas, como se ele fosse um
pedaço da noite viva. Apenas metade de seu rosto escapava da escuridão, reluzindo em um
amarelo quente, um brilho que contrastava de forma assustadora com o resto de sua figura.
Ele olhou para você, sua presença irradiando fúria. Não era mais apenas um menino. Era
algo mais. Algo que não descansaria.
— Você nunca vai escapar. Você pertence a este lugar. — Sua voz ecoou em sua mente,
carregada de uma raiva fria, densa e quase palpável.
Diferente das outras figuras, ele não se movia de forma hesitante ou programada. Havia
algo profundamente consciente nele, uma clareza em sua presença que o separava das outras
criaturas. Ele não era apenas um espírito vagando pelo caos; ele parecia pensar, entender.
Irritado, sim, mas mais do que isso: ele exalava a aura de algo muito maior, um monstro. Um
demônio que, em algum passado distante, parecia ter sido alvo de tormentos que apenas
outros demônios poderiam infligir.
E, ainda assim, mesmo à beira da morte, você ainda não conseguia temê-lo.
Você acordou sobressaltado, com a respiração pesada e o corpo encharcado de suor. Que
sonho maldito! Você teria que ir tomar banho outra vez!

TOQUE AQUI
2º NOITE
d 3

Depois do banho, você respirou fundo. Estava cansado demais, mas não tinha outra
opção senão ir para a escola. Seguiu sua rotina o melhor que pôde, mas não conseguiu
terminar o café da manhã. O coelho estava ali, te encarando, e isso destruiu
completamente seu apetite. Foi para a escola com o estômago vazio e uma sensação
constante de náusea.
Chegando lá, viu Dylan, como sempre. Ele estava pronto para começar as
provocações.
— Ora, ora, chegou o Oswald, o oc...
Antes que ele pudesse terminar, você o interrompeu de imediato.
— Não enche.
Sem olhar para trás, você seguiu seu caminho. Pela primeira vez, Dylan ficou
paralisado, surpreso com a sua reação, e não soube como responder.
Mais tarde, na aula da Srta. Meecham, ela anunciou o próximo trabalho em grupo.
— O trabalho será em dupla. A ideia é que vocês escrevam sobre formas de gerar
energia de maneira sustentável. Devem explicar como funciona e apresentar evidências
de que é viável. O trabalho será entregue no dia 13 e deve ser apresentado em uma
cartolina.
Você não estava prestando muita atenção até ouvir seu nome sendo chamado.
— Oswald e Gabrielle.
Quem era Gabrielle? Você não fazia ideia. Não costumava interagir com ninguém
além do idiota do Dylan e, ocasionalmente, o Ben. Ben, aliás, faria muita diferença
agora. Se ele estivesse presente, talvez ajudasse a lidar com toda essa loucura do
coelho. Você sentia falta dele. Fazia dias que vocês mal se falavam, mas era difícil
manter contato quando um coelho assassino estava sequestrando seu pai... e ainda por
cima morava com você.
No intervalo, uma menina de cabelos cacheados e escuros sentou-se ao seu lado. Ela
estava absorta em um livro sobre mitologia grega, mas logo direcionou a atenção para
você.
— Oi, você é o Oswald? — Ela perguntou, olhando diretamente para você e
esperando uma resposta.
— Sou. Qual é o seu nome?
— Gabrielle.
Pronto, você encontrou sua parceira de trabalho sem precisar procurar.
— A Meecham nos colocou no mesmo grupo. Então... você acha que eu posso ir à
sua casa hoje mesmo para a gente começar? — Ela perguntou.
Você reagiu rápido, quase em pânico:
— Não! É... minha casa tá uma bagunça. Vamos na sua.
Era mentira, claro. Sua casa não estava bagunçada, mas aquele coelho estava lá. Por
um lado, se ela visse o coelho, talvez pudesse ajudar. Mas, por outro, ela só tinha 10
anos e provavelmente seria apenas mais uma vítima. Quanto mais tempo você passasse
longe daquela coisa, melhor para todos.
— Ah, tá. — Ela respondeu, então passou o endereço. Você assentiu.
Mais tarde, ao voltar para casa, encontrou o coelho aspirando o chão, o que seria
quase engraçado se não fosse perturbador. Notou sua gatinha, Jinx, escondida em um
canto, aterrorizada. Bom, pelo menos você não estava sozinho nisso. Você se
aproximou e cutucou as costas do coelho.
— Oi... É... pai. — Não acreditava que tinha acabado de chamá-lo assim, mas não
havia outro jeito.
A criatura se virou lentamente, encarando você com aqueles olhos assustadoramente
vazios.
— Bom, eu preciso ir até a casa de uma amiga pra fazer um trabalho da escola. —
Disse, tentando soar natural, mas parou antes de passar o endereço real. Não podia
correr o risco de aquela coisa descobrir onde Gabrielle morava. Deu um endereço
próximo, torcendo para que isso fosse suficiente.
O coelho levou você de carro até o local que havia indicado. Quando chegou, você
respirou fundo antes de sair.
— Tchau, pai. — Falou mais uma vez, sentindo um aperto no peito. A ideia de
chamar aquela coisa de "pai" era quase insuportável. Quase soltou um "te amo" por
puro reflexo, mas engoliu as palavras a tempo.
Você bateu na porta, e quem atendeu foi um homem alto, com um rosto
estranhamente familiar. Ele ficou parado por um momento, olhando para você como se
tivesse visto um fantasma. Antes que você pudesse falar algo, Gabrielle apareceu atrás
dele, olhando curiosa.
De repente, o homem que havia aberto a porta deu um salto de animação.
— Eu sabia! Eu estava certo! — Ele gritou, cheio de entusiasmo, enquanto dava
pulinhos.

Ignorar ele e ir falar com Gabrielle, TOQUE AQUI

QUESTIONE O HOMEM, TOQUE AQUI


— Uh... Senhor, perdão? — você questionou, hesitante, enquanto encarava o
homem estranho à sua frente.
— Oz! Entre! — ele respondeu com um sorriso desconcertante.
Oz...? Você olhou para Gabrielle, mas ela desviou o olhar, visivelmente
desconfortável, o rosto ruborizado.
O homem parecia familiar. Sua mente começou a se esforçar para juntar as peças.
— Quem é você? — você perguntou, a confusão evidente na sua voz.
Ele deu um passo à frente, os olhos brilhando de empolgação.
— Oz, sou eu, o Chip! — ele exclamou, quase como uma criança encontrando um
brinquedo perdido.
Seu coração acelerou. Ele te reconheceu? Isso era possível?
— Gabrielle, este é Oswald, um velho amigo meu. Oz, esta é minha filha, Gabrielle
— Chip apresentou casualmente, como se tudo estivesse perfeitamente normal.
A revelação atingiu como um raio. Chip era o pai da Gabrielle!
— Eu sabia! Eu estava certo! — ele disse, animado, quase saltando no lugar.
— Certo sobre o quê? — você perguntou, ainda tentando processar tudo.
— Sobre a rede, sobre o mundo espelhado!
— Como é? — Sua confusão só aumentava.
Chip começou a falar rapidamente, como se estivesse guardando aquelas palavras
por uma vida inteira.
— Depois que aquelas crianças morreram, tudo mudou. Meu pai trabalhava como
técnico na Freddy’s, mas um dia largou tudo e nunca mais mencionou o lugar. Eu
resolvi investigar. Passei anos estudando e, hoje, sou algo como um semi-cientista que
examina fenômenos sobrenaturais. Você se lembra da piscina de bolinhas?
Antes que você pudesse responder, Gabrielle interrompeu, suspirando
profundamente.
— Oz, não escute meu pai. Ele só está sonhando acordado de novo.
— Querida, você sabe que eu não estou! — Chip rebateu, a voz subindo. — Suas
histórias de mitologia são apenas lendas, mas eu juro que, desta vez, é real!
Gabrielle bufou, visivelmente exasperada, e se jogou no sofá, cruzando os braços.
Você hesitou por um momento, mas decidiu intervir.
— Sim, eu me lembro da piscina. Eu entrei nela e voltei no tempo. Foi aí que
conheci você.
Gabrielle imediatamente cobriu o rosto com a mão, gemendo de frustração.
— Não alimente isso, Oz... — ela murmurou, visivelmente derrotada.
Chip, no entanto, ignorou completamente a reação da filha. Ele se inclinou para
você, os olhos brilhando de intensidade.
— Aquilo era um portal! Um acesso à rede, ao Outro Lado! Escute, garoto: existe
uma dimensão paralela que chamamos de "O Outro Lado". É para onde os espíritos
vão após a morte. Você esteve lá.
Você assentiu lentamente, absorvendo as palavras.
— Quando você foi fundo na piscina, acessou esse lugar — continuou ele. — Era
um plano espiritual, habitado por memórias de pessoas e... coisas. Criaturas
distorcidas, sombras do que já foram. Mas o problema é que a piscina abriga algo...
— O coelho amarelo — você o interrompeu, a voz baixa, quase um sussurro. — Eu
o vi. Ele...
— Tentou matá-lo.
— Mais que isso — você respondeu, o amargor evidente na voz. — Ele sequestrou
meu pai. Agora está assumindo o papel dele.
Chip ficou em silêncio por um momento, surpreso. Quando falou novamente, sua
voz era quase um murmúrio.
— Isso é muito pior do que imaginei. Oz, você foi o único que sobreviveu à piscina.
Você precisa matar o coelho. Se não fizer isso, vai se tornar... um deles.
Seu corpo gelou.
— Como assim, um deles?
— Essa criatura não é apenas um coelho — Chip explicou, mais sombrio do que
nunca. — Ela é uma entidade. Um demônio. "A Sombra". Está usando a forma do
Spring Bonnie, aquele traje dos desaparecimentos das crianças.
Você sentiu um nó na garganta, as memórias terríveis voltando à tona.
— Se você não parar isso, Oswald, acabou. Para você. Para seu pai. Para todos nós.
O medo nos olhos de Chip era real. Não havia dúvidas.
Você respirou fundo, tentando se recompor, e se virou para Gabrielle.
— E aí? Vamos estudar? — você perguntou, forçando um tom leve, embora suas
mãos tremessem.
Gabrielle levantou o olhar, incrédula, mas acabou cedendo com um suspiro.
— Ah... Claro.

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Você tentou ignorar o homem, mas ele logo continuou falando:
— Oz! Sou eu! O Chip! — disse ele.
— O quê...? Não, isso não pode ser real, não po-
— PODE! — Ele correu na sua direção e agarrou seu ombro. — Você estava numa
versão distorcida do passado, um outro mundo! Esse era "o outro lado", uma dimensão
espelhada desta aqui. É como um mundo espiritual, onde memórias de eventos do
passado se manifestam, criando uma visão quase exata dos acontecimentos. Oz, você
foi a primeira pessoa a ir lá e sobreviver! Escuta, você achou um coelho amarelo?

PARA CONTAR A VERDADE, toque aqui

PARA MENTIR, toque aqui


Você escolhe mentir.
— Não, eu não sei do que você tá falando. Deve estar me confundindo.
Você voltou ao trabalho da escola com Gabrielle, tentando agir como se nada
tivesse acontecido. Continuou voltando àquele lugar por um tempo, mas,
eventualmente, parou de ir. O coelho amarelo permaneceu um mistério. Você nunca
descobriu o que fazer com ele. Nunca soube o que ele realmente era.

FIM DE JOGO
PARA COMEÇAR DO COMEÇO, toque aqui

PARA TENTAR ESTA NOITE NOVAMENTE, toque aqui


— Chip? Eu te conheço. Você é o...
— O cara do passado, eu sei. Mas não sou do passado. Escuta, você entrou em uma
espécie de dimensão espelhada. Aquela piscina de bolinhas te levou para memórias do
passado, um mundo espiritual que eu chamo de "O Outro Lado". Lá, existe uma
criatura, o…
— O coelho amarelo.
— Exato! Ele provavelmente tentou te matar ou coisa pior.
— Ele sequestrou meu pai... e o substituiu.
Ao ouvir isso, Chip ficou em silêncio por um momento, claramente chocado. Após
alguns instantes, ele respirou fundo e continuou:
— É. Aquela coisa é muito pior do que qualquer monstro que você possa imaginar. Eu
a chamo de "A Sombra". — Ele estremeceu visivelmente ao dizer isso. — É como...
um demônio. Essa coisa é capaz de te fazer sofrer o pior inferno possível. Está
brincando com você. Quer que você morra... para enfim se tornar um deles. Entende?
Você assentiu, engolindo em seco.
— Ótimo. Escuta, anota o meu número. Depois que você terminar esse trabalho, eu
vou te guiar. Tá na hora de caçar um coelho. — Ele entregou a você um pedaço de
papel com seu telefone anotado.

toque aqui
Vocês passaram o resto da noite tentando achar um jeito de fazer o trabalho, a
pesquisa e depois tentar executar. Até o fim do dia. Chip lhe deu seu número, e você
voltou para casa.
No caminho de volta para casa, sentado no carro, você fixou o olhar no coelho. Não
podia negar: não era difícil acreditar que aquela coisa era algo além do mundo natural.
Um demônio, como Chip descreveu.
De volta à sua casa, você deixou os olhos vagarem pela estante, onde havia livros
sobre heróis gregos. Eles eram sempre retratados como implacáveis, enfrentando até
mesmo os desafios mais impossíveis com coragem. As palavras de Chip ecoaram na
sua mente: a criatura quer que você sofra. Talvez, apenas talvez, houvesse um jeito de
virar o jogo, de derrotá-la.
Enquanto dirigia seus pensamentos vagavam. Você olhou pela janela, refletindo
sobre o que você fez. Foi culpa sua. Você desejou algo interessante, algo que quebrasse
a monotonia da sua vida. E agora, veja no que isso resultou. Seu pai estava perdido —
sequestrado, preso sabe-se lá onde, enquanto você enfrentava um pesadelo digno de
um filme de terror.
Assim que voltou para seu quarto, percebeu o padrão que se repetia. Estava preso
novamente.
E agora?

PARA FUGIR PELA PORTA DA FRENTE, toque aqui

PARA TENTAR FUGIR DE ALGUMA OUTRA MANEIRA, toque aqui


Você já sente sua perna bem melhor do que ontem. A dor latejante que antes parecia
insuportável agora é apenas um incômodo. Isso te dá um fio de confiança para tentar
algo mais ousado: fugir pela porta da frente. Mas, para isso, você precisa ser rápido e
discreto.
Respirando fundo, você se prepara mentalmente, repassando os passos em sua
cabeça. Sai do quarto com cuidado, cada movimento calculado para não fazer barulho.
Ao alcançar o corredor, seu coração [Link]ê está tão perto... Mas então você para,
congelado.
Ali, no fim do corredor, está ele. O coelho amarelo.
A criatura está parada, mas seus olhos brilhantes parecem vasculhar o ambiente,
famintos, como se sentissem o cheiro do seu medo. Sua mente corre, buscando uma
solução. Não há tempo para pensar muito. Você se vira e corre na direção oposta,
procurando desesperadamente um lugar para se esconder.
Você avista duas opções: o armário, com portas entreabertas que revelam um
pequeno espaço escuro dentro, e a mesa da sala, com uma toalha longa que poderia
ocultar você.

PARA SE ESCONDER NO ARMÁRIO, toque aqui

PARA SE ESCONDER DEBAIXO DA MESA, toque aqui


A criatura é traiçoeira, feroz e cruel. Sua respiração pesada e irregular
preenche o silêncio do ambiente, um som abafado que reverbera pelas
paredes. As garras raspam na superfície da mesa, produzindo um ranger
agudo que corta o ar como uma lâmina. Em um movimento súbito, a mesa se
parte com um estrondo seco, seus fragmentos voando em todas as direções.
A criatura, com suas mãos de pelúcia macabra, agarra sua cabeça e a
esmaga sem hesitação.

FIM DE JOGO
PARA COMEÇAR DO COMEÇO, toque aqui

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