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Reconhecimento do Vínculo Empregatício em Apps

O artigo aborda o reconhecimento do vínculo empregatício para trabalhadores de aplicativos de mobilidade urbana, analisando a evolução das relações de trabalho no Brasil e os desafios enfrentados por esses trabalhadores. Destaca a importância da legislação e jurisprudência na proteção dos direitos trabalhistas, especialmente em um cenário de mudanças sociais e tecnológicas. O texto também menciona a necessidade de regulamentação adequada para garantir condições dignas de trabalho nesse novo contexto.

Enviado por

Pedro Marinho
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Reconhecimento do Vínculo Empregatício em Apps

O artigo aborda o reconhecimento do vínculo empregatício para trabalhadores de aplicativos de mobilidade urbana, analisando a evolução das relações de trabalho no Brasil e os desafios enfrentados por esses trabalhadores. Destaca a importância da legislação e jurisprudência na proteção dos direitos trabalhistas, especialmente em um cenário de mudanças sociais e tecnológicas. O texto também menciona a necessidade de regulamentação adequada para garantir condições dignas de trabalho nesse novo contexto.

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CENTRO UNIVERSITÁRIO DO VALE DO IPOJUCA – UNIFAVIP

Curso de Direito

O RECONHECIMENTO DO VINCULO EMPREGATICIO: Voltado para os


trabalhadores de aplicativo de mobilidade urbana.

DILSON PEDRO DA SILVA JUNIOR


Caruaru
2023.1
CENTRO UNIVERSITÁRIO DO VALE DO IPOJUCA – UNIFAVIP
Curso de Direito

O RECONHECIMENTO DO VINCULO EMPREGATICIO: Voltado para os


trabalhadores de aplicativo de mobilidade urbana.

DILSON PEDRO DA SILVA JUNIOR

Artigo Científico Jurídico apresentado


ao Centro Universitário do Vale do Ipojuca
UNIFAVIP, Curso de Direito, como requisito
parcial para conclusão da disciplina Trabalho
de Conclusão de Curso 2.

Orientador (a): Prof. (a). Juliana Almeida


Caruaru
2023.1

ESPAÇO PARA A FICHA


CATALOGRÁFICA A SER
DESENVOLVIDA PELA BIBLIOTECA DO
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFAVIP,
nos casos de aprovação do TCC e
submissão final do texto após
realização da banca de defesa.
DILSON PEDRO DA SILVA JUNIOR

O RECONHECIMENTO DO VINCULO EMPREGATICIO: Voltado para os


trabalhadores de aplicativo de mobilidade urbana.

Artigo Científico Jurídico apresentado


ao Centro Universitário do Vale do Ipojuca
UNIFAVIP, Curso de Direito, como requisito
parcial para conclusão da disciplina Trabalho
de Conclusão de Curso.
Orientador (a): Prof. (a). Juliana
Almeida.

Aprovado em
Banca
Examinadora

Orientador (a) Prof. (a). Juliana Almeida

1º Examinador Prof. (a). XXXXXXXXXXXX

2º Examinador Prof. (a). XXXXXXXX

Caruaru
2023.1
Dedicatória tem por fim expressar, brevemente, um
sentimento de atribuição do curso ou do texto a alguém ou
algum momento. Também é opcional, não fica destacado o
nome DEDICATÓRIA, apenas o texto com esta
formatação de recuo de 6cm, como neste texto explicativo.

AGRADECIMENTOS (opcional)

Escreva aqui o texto do seu agradeço, seguindo esta formatação, fonte Times New
Roman, tamanho 12, espaçamento entre linhas de 1,5cm, sem espaço antes ou depois.
Por ser opcional, esta página pode ser apagada, caso não deseje fazer os
agradecimentos.
Siga este modelo de formatação de texto.
O RECONHECIMENTO DO VINCULO
EMPREGATICIO: Voltado para os trabalhadores
de aplicativo de mobilidade urbana.

Dilson Pedro da Silva Junior 1

RESUMO
Deve conter entre 250 a 300 palavras. Espaçamento simples, justificado.
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PALAVRAS-CHAVE: de 3 a 5, separadas por ponto-vírgula

ABSTRACT
Deve conter o resumo em língua inglesa, entre 250 a 300 palavras. Espaçamento
simples, justificado.
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KEY WORDS: Uber; Vinculo; Reconhecimento; Trabalho; Emprego.

1
Acadêmico em Direito do Centro Universitário UNIFAVIP/PE.
SUMÁRIO: Introdução; 1. Nome do capítulo; 2. Nome do capítulo; 3. Nome do
capítulo; 3. Conclusão; Referências.
INTRODUÇÃO
Texto, com espaçamento de 1,5cm no texto, sem espaço antes ou depois.
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1 – RELAÇÕES EMPREGATÍCIAS NO BRASIL

1.1 – A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS RELAÇÕES DE TRABALHO NO BRASIL

Ao longo da história, as relações de trabalho no Brasil passaram por uma


evolução complexa e marcada por diversas transformações. Diferentes autores
contribuíram para a compreensão desse processo, lançando luz sobre as dinâmicas
sociais, econômicas e políticas que moldaram a forma como o trabalho foi
organizado e vivenciado no país.2
A evolução histórica das relações de trabalho no Brasil é um processo
complexo que reflete as transformações sociais, econômicas e políticas ocorridas ao
longo dos séculos. Desde o período colonial até os dias atuais, o país passou por
diferentes modelos de trabalho, enfrentou desafios e conquistou avanços
significativos na garantia dos direitos dos trabalhadores.3
No período colonial, a base da economia brasileira era a exploração do
trabalho escravo, principalmente nas plantações de cana-de-açúcar e nas minas. Os
escravos eram tratados como propriedade e sofriam diversas formas de exploração

2
MARTINS, Sergio Pinto. Direito do trabalho. 36. ed. São Paulo: Atlas, 2020.
3
DELGADO, Gabriela Neves. Direitos dos motoristas de aplicativo: uma análise sob a ótica do
Direito do Trabalho. Belo Horizonte: D'Plácido, 2021.
e opressão. As relações de trabalho eram desiguais e baseadas na coerção e na
violência.4
Com a chegada da família real portuguesa ao Brasil em 1808, houve um
processo de modernização do país e a abertura dos portos às nações amigas. Esse
período trouxe mudanças nas formas de trabalho, com o surgimento de indústrias e
o crescimento do comércio. No entanto, as relações ainda eram marcadas pela
desigualdade social e pela exploração do trabalho, tanto escravo quanto livre.5
A partir do século XIX, movimentos sociais, como a Revolta dos Malês (1835),
as lutas operárias e o movimento abolicionista, começaram a questionar e combater
as condições de trabalho desumanas e a escravidão. Em 1888, a Lei Áurea foi
promulgada, abolindo oficialmente a escravidão no Brasil. Essa conquista foi um
marco importante na história das relações de trabalho do país.6
No início do século XX, surgiram as primeiras leis trabalhistas no Brasil, com
destaque para a criação da Justiça do Trabalho em 1939 e a promulgação da CLT
em 1943. A Consolidação das Leis do Trabalho estabeleceu direitos e deveres tanto
para os trabalhadores como para os empregadores, regulamentando questões como
jornada de trabalho, salário mínimo, férias, entre outros.7
Ao longo das décadas seguintes, houve avanços e retrocessos nas relações
de trabalho no país. Movimentos sindicais e trabalhistas lutaram pela ampliação dos
direitos dos trabalhadores, enquanto a ditadura militar (1964-1985) impôs restrições
aos movimentos sociais e enfraqueceu as garantias trabalhistas.8
4
ALMEIDA, Carlos Henrique Bezerra. Vínculo empregatício de motoristas de aplicativo e a nova
lei da terceirização. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região, Brasília, v. 39, n. 2, p.
125-145, jul./dez. 2019.

5
BARBOSA, Francisco Ferreira Jorge. O vínculo de emprego dos motoristas de aplicativo: uma
análise crítica. Revista Trabalhista, São Paulo, v. 38, n. 1, p. 105-121, jul./dez. 2019.

6
BITENCOURT, Cirineu da Rocha. O vínculo de emprego entre motoristas de aplicativo e
empresas de tecnologia: uma análise jurídica. Curitiba: Juruá, 2020.

7
CARVALHO, Gustavo Filipe Barbosa. Curso de direito do trabalho. 10. ed. São Paulo: Método,
2020.

8
FONSECA, Luís Eduardo Boaventura. Vínculo empregatício entre motoristas de aplicativo e
empresas: uma análise jurídica. Revista de Direito do Trabalho, São Paulo, v. 40, n. 158, p. 30-55,
abr./jun. 2019.
Nos anos 2000, foram promovidas algumas mudanças significativas, como a
regulamentação do trabalho doméstico em 2013 e a criação da Lei da Terceirização
em 2017. No entanto, essas mudanças também geraram debates e controvérsias
em relação aos impactos na proteção dos direitos dos trabalhadores.9
Atualmente, o Brasil enfrenta desafios relacionados à informalidade, à
precarização do trabalho e à busca por condições dignas de trabalho. A legislação e
a jurisprudência continuam sendo aprimoradas para garantir a proteção e a
promoção dos direitos trabalhistas, ao mesmo tempo em que são necessárias
políticas públicas e ações efetivas para combater as desigualdades e assegurar
relações de trabalho justas e equitativas.10
Além das questões legislativas, é importante destacar a influência das
transformações econômicas e tecnológicas na evolução das relações de trabalho. O
avanço da globalização, a expansão do setor de serviços, a automação e a
digitalização têm impactado significativamente o mercado de trabalho, exigindo
adaptações e repensando as formas tradicionais de emprego.11
Nesse contexto, surgem novas formas de trabalho, como o trabalho
autônomo, freelancing e as plataformas digitais de trabalho, que apresentam
desafios em relação à proteção dos direitos trabalhistas e à garantia de condições
adequadas de trabalho. Questões como a regulamentação do trabalho por aplicativo
e a definição de vínculos empregatícios têm sido objeto de debates e discussões no
Brasil.12

9
CASTRO, Carolina Botelho de. O trabalho nos aplicativos de transporte individual de
passageiros: desafios e perspectivas. Revista Trabalhista, São Paulo, v. 38, n. 2, p. 69-86, jan./jun.
2020.

10
FRANCO FILHO, Georgenor de Sousa. Curso de direito do trabalho. 10. ed. Rio de Janeiro:
Forense, 2021.

11
KERTZMAN, Ivan. Direito do trabalho e os motoristas de aplicativos. Salvador: Juspodivm, 2019.

12
PEREIRA, Fernanda Maria de Mello. O vínculo de emprego e a atividade do motorista de
aplicativo: uma análise sob a perspectiva da Reforma Trabalhista. Revista Brasileira de Direito do
Trabalho, São Paulo, v. 3, n. 1, p. 85-107, jan./mar. 2020.
A jurisprudência também desempenha um papel fundamental na evolução
das relações de trabalho no país. As decisões dos tribunais trabalhistas,
especialmente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ajudam a interpretar e
aplicar a legislação, estabelecendo diretrizes e precedentes importantes para a
proteção dos direitos dos trabalhadores.13
No entanto, é importante destacar que as relações de trabalho no Brasil ainda
enfrentam desafios, como a informalidade, a falta de proteção social para certos
grupos de trabalhadores, a desigualdade de gênero e racial, além da necessidade
de garantir condições dignas e seguras de trabalho. Com isso, a evolução das
relações de trabalho no Brasil até os dias atuais também está intrinsecamente ligada
à legislação e jurisprudência do país. Ao longo do tempo, diversas leis foram
promulgadas e casos foram analisados pelos tribunais, moldando as normas e os
direitos trabalhistas.14
Uma das principais legislações trabalhistas no Brasil é a Consolidação das
Leis do Trabalho (CLT), promulgada em 1943. A CLT foi um marco importante ao
consolidar diversos direitos e garantias dos trabalhadores, como jornada de trabalho,
salário mínimo, férias remuneradas, proteção à maternidade, entre outros. Ela
estabeleceu um arcabouço legal para as relações de trabalho no país, regulando
aspectos como contratos de trabalho, direitos e deveres do empregador e do
empregado (DELGADO, 2018).
No entanto, ao longo das décadas, a legislação trabalhista passou por
diversas mudanças e atualizações para se adaptar às transformações sociais e
econômicas. Um marco recente nesse sentido foi a Reforma Trabalhista de 2017,
que introduziu alterações significativas na CLT. Essa reforma trouxe flexibilização
nas negociações coletivas, regulamentação do teletrabalho, criação do trabalho
intermitente, entre outras modificações.15
13
CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 17. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020.

14
RIBEIRO, Paula Santos. A flexibilização do direito do trabalho e o trabalho em plataformas
digitais. Revista de Direito do Trabalho, São Paulo, v. 164, n. 3, p. 55-73, jul./set. 2021.

15
NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 56. ed. São Paulo:
Saraiva, 2020.
Além da legislação, a jurisprudência brasileira, por meio dos tribunais
trabalhistas, também desempenha um papel fundamental na evolução das relações
de trabalho. As decisões dos tribunais, especialmente do Tribunal Superior do
Trabalho (TST), ajudam a interpretar a legislação e a estabelecer precedentes que
orientam as relações de trabalho.16
Um exemplo de jurisprudência relevante é a equiparação salarial entre
homens e mulheres. O TST tem entendido que a equiparação salarial é devida
quando existir a mesma função desempenhada, independentemente do gênero.
Essa interpretação contribui para combater a discriminação salarial e promover a
igualdade de gênero no ambiente de trabalho (PEREIRA, 2020).
Outro exemplo é a jurisprudência relacionada aos direitos dos trabalhadores
terceirizados. O TST estabeleceu critérios para garantir a responsabilidade
subsidiária das empresas contratantes em relação aos direitos trabalhistas dos
terceirizados, de forma a proteger os trabalhadores terceirizados e evitar a
precarização do trabalho (BITENCOURT, 2020).
É importante ressaltar que a legislação e a jurisprudência são dinâmicas e
estão em constante evolução. Novas leis podem ser promulgadas, alterações podem
ser feitas na CLT e novos casos podem ser analisados pelos tribunais, moldando
ainda mais as relações de trabalho no Brasil. A busca por uma legislação e
jurisprudência justas e equilibradas continua sendo um desafio para promover
relações de trabalho mais dignas e igualitárias.17

1.2 – RELAÇÃO DE TRABALHO E RELAÇÃO DE EMPREGO

16
SOUZA, Matheus Nascimento de. As relações de trabalho nos aplicativos de
mobilidade urbana. Revista LTr: Legislação do Trabalho, São Paulo, v. 84, n. 2, p. 162-
171, fev. 2020.
17
GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. O vínculo de emprego dos motoristas de
aplicativos: uma análise jurídica. Revista de Direito do Trabalho e Processual do
Trabalho, São Paulo, v. 40, n. 3, p. 113-132, jul./set. 2021.
No atual contexto, há duas correntes doutrinárias que provocam considerável
controvérsia. Essas correntes são conhecidas como teoria contratualista e teoria
anticontratualista. Os contratualistas defendem que toda relação de emprego é de
natureza contratual, o que significa que essa opção só existe quando ambas as
partes concordam mutuamente, seguindo os requisitos contratuais estabelecidos por
lei, entre o empregador e o empregado. Os precursores dessa concepção de
delimitar o contrato de trabalho como um contrato de arrendamento consideram a
força de trabalho como um bem que pode ser utilizado por outra pessoa, assim
como a força de uma máquina ou de um animal (FRANCO, 2021).
De acordo com Delgado (2021), a teoria da sociedade sugere que o contrato
de trabalho é simplesmente um contrato de sociedade, no qual ambas as partes
cedem algo em comum com o objetivo de compartilhar os benefícios resultantes. Por
outro lado, os anticontratualistas sustentam que o empregado e o empregador não
precisam de nenhum tipo de contrato formal e argumentam que essa relação de
emprego não deve ser analisada nos termos do Direito Civil. Para os
anticontratualistas, o termo adequado é "relação de trabalho", em vez de "relação de
emprego", pois eles entendem que as partes, empregador e empregado, precisam
apenas concordar e exercer suas respectivas funções com iniciativa livre.
Conforme descrito por Barbosa (2019), os atos jurídicos podem ser
classificados em três categorias: ato-regra, ato jurídico subjetivo e ato-condição. O
primeiro ocorre quando há a intenção das partes em modificar a ordem jurídica,
estabelecendo novas regras, como convenções coletivas e assembleias de
acionistas. O segundo ocorre em situações específicas e momentâneas, envolvendo
apenas as partes interessadas, como é o caso dos contratos. O terceiro decorre de
uma exigência normativa de ordem pública, antes mesmo de as partes expressarem
qualquer vontade.
Por outro lado, Carvalho (2020) baseou-se nas ideias de Duguit e aplicou-as ao
campo das relações de trabalho, introduzindo o conceito de engajamento, que
representa o início da relação de trabalho, podendo ser contratual ou não, mediante
um simples consentimento tácito de adesão.
Para que uma relação de emprego exista, é necessário que todos os requisitos
estabelecidos no artigo 3º da Consolidação das Leis do Trabalho estejam presentes.
Esses requisitos incluem subordinação, habitualidade não eventualidade,
onerosidade, pessoalidade e a condição de pessoa física. Na ausência de algum
desses requisitos obrigatórios, a relação se configura apenas como uma relação de
trabalho, na qual nenhuma das partes possui qualquer forma de subordinação em
relação à outra (CASSAR, 2020).
De acordo com a compreensão doutrinária e constitucional, a relação de
trabalho é considerada um conceito amplo e engloba qualquer vínculo jurídico no
qual uma pessoa física se compromete a prestar serviços em benefício de outra
pessoa determinada. Em outras palavras, toda vez que uma pessoa realiza um
trabalho para outra pessoa, estamos diante de uma relação de trabalho. Por outro
lado, a relação de emprego pode ser considerada uma das várias modalidades de
relação de trabalho e possui requisitos específicos para caracterizar um vínculo
empregatício. Esses requisitos são: subordinação, habitualidade ou não
eventualidade, onerosidade, pessoalidade e a condição de pessoa física (MARTINS,
2020).
A subordinação, de acordo com o artigo 3º da Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT), ocorre quando o empregado, ou seja, o prestador de serviços, deve
seguir as diretrizes impostas pelo empregador, como cumprir horários, seguir
normas de conduta e desempenhar suas atividades de forma regular. A não
eventualidade é um requisito que se refere à prestação contínua do serviço, e não
de forma esporádica, conforme estabelecido no mesmo artigo da CLT. Segundo a
lei, "considera-se empregado toda pessoa física que presta serviços de natureza não
eventual ao empregador, sob a dependência deste e mediante salário".18
A onerosidade está presente em toda relação de emprego, obedecendo às
obrigações contratuais estabelecidas entre empregador e empregado. Em outras
palavras, toda prestação de serviços resulta em uma contraprestação financeira. A
pessoalidade visa assegurar que a relação de emprego seja estabelecida

18
BRASIL. Consolidação das Leis do Trabalho. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943.
diretamente entre o empregado e o empregador, ou seja, o trabalho realizado será
executado apenas pela pessoa que foi contratada, em conformidade com o contrato
estabelecido. Por fim, a exigência de pessoa física exclui qualquer forma de pessoa
jurídica, incluindo apenas indivíduos naturais. Todo trabalhador será sempre uma
pessoa física. De acordo com Castro (2020), ao analisar o artigo 442 da
Consolidação das Leis do Trabalho, o conceito de relação de emprego é passível de
interpretação.
Conceito formulado neste artigo é tecnicamente insustentável.
Dizer que contrato corresponde à relação jurídica que o informa importa
redundância. Todo contrato é o aspecto subjetivo da relação, com ela se
confundindo, consequentemente. A dissociação entre as duas ideias é
uma pura abstração do espírito. Portanto, a correspondência é
logicamente necessária, tendo sido redundantemente salientada pelo
legislador. Com efeito, se a existência da relação de emprego implica,
ipso facto, na presença do contrato de trabalho, toda relação dessa
natureza é, inevitavelmente contratual, uma não podendo subsistir sem o
outro. Esta presunção não carecia de ser explícita, num país em que há
liberdade de trabalho. Toda relação jurídica de natureza pessoal nasce de
um ato jurídico. Não basta a existência de dois sujeitos de direito e de um
objeto para que uma relação de direito se forme. Mister se faz que os
sujeitos se vinculem juridicamente; que, por outras palavras, se liguem
por um negócio jurídico. Em suma, a relação jurídica só se concretiza sob
o impulso de um fato jurídico. No direito obrigacional, esse fato é o
acordo de vontades, entre dois sujeitos de direito. Normalmente, esse
acordo de vontades é um contrato que, como ato jurídico propulsor da
relação, a precede, nenhum se travando sem que tenha havido o
concurso de vontades. Também na relação de emprego, o ato que lhe dá
nascimento é o contrato. Por consequência, decorre aquela deste. Se
assim é, o contrato não é propriamente o acordo correspondente à
relação de emprego, porque esta é que deriva daquele.

Consequentemente, a interpretação das relações dependerá da corrente


doutrinária seguida pelo intérprete. Se adotar uma abordagem contratualista,
considerará que é o contrato que estabelece a relação de emprego. Por outro lado,
se adotar uma perspectiva anticontratualista, entenderá que é a relação de emprego
que dá origem ao vínculo entre empregado e empregador (SOUZA, 2020).

2- O RECONHECIMENTO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO

Antes de abordar o reconhecimento do vínculo empregatício, é importante


ressaltar que se trata de um fato jurídico que ocorre quando há prestação de
serviços entre uma pessoa física e uma pessoa jurídica, ou seja, entre empregado e
empregador, observando os requisitos legais de habitualidade, pessoalidade,
subordinação, pessoa física e onerosidade para que ocorra a relação jurídica. A
ilustre juíza de direito Ana Maria Espi Cavalcante, titular da 37ª Vara do Trabalho de
Belo Horizonte, reconheceu, em uma ação envolvendo um motorista e a empresa
Uber, a existência dos elementos legais e requisitos necessários para o
reconhecimento do vínculo empregatício (TRT/MG - 31.01.2019 - Adaptado pelo
Guia Trabalhista).19
No entendimento da juíza, requisitos como a pessoalidade são observados,
uma vez que o motorista precisa ser uma pessoa física para se cadastrar no sistema
da empresa Uber e não pode ser substituído por outra pessoa para realizar o
trabalho em sua conta. Além disso, toda a documentação do motorista é analisada
pela empresa para que ele faça parte do quadro de motoristas da Uber (GARCIA,
2021).
Quanto à onerosidade, a Uber determina a tabela de valores das corridas e
estabelece a porcentagem que será descontada dos motoristas. Além disso, a
empresa estabelece uma data determinada para repassar os ganhos dos motoristas
em corridas pagas via débito do cartão dos clientes, independentemente de os
ganhos não serem pagos diretamente pela empresa.20
A Uber implementa diariamente uma política de incentivos financeiros para
seus motoristas, visando mantê-los disponíveis para a empresa em determinados
horários ou eventos na cidade. Isso pode ser considerado como a não eventualidade
no desempenho da atividade, uma vez que são determinados os melhores turnos
para trabalhar e receber uma gratificação adicional, chamada de preço "dinâmico",
onde os valores das corridas podem dobrar, resultando em aumento dos ganhos
tanto para o motorista quanto para a empresa (ALMEIDA, 2019).
Quanto à subordinação exercida pela Uber em relação aos motoristas, ela se
manifesta através do poder concedido diretamente aos passageiros por meio de

19
MACHADO, Ana Paula. A proteção social do motorista de aplicativo. Revista LTr: Legislação do
Trabalho, São Paulo, v. 84, n. 1, p. 59-68, jan. 2020.

20
SAAD, Eduardo Gabriel. A tecnologia e o Direito do Trabalho: a Uber e os motoristas
parceiros. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, São Paulo, v. 40, n. 1, p. 201-214,
jan./jun. 2019.
avaliações por estrelas. O motorista fica sujeito a essa avaliação, tornando-se
dependente dela. Avaliações negativas podem resultar em punições, como
suspensão ou exclusão da empresa, enquanto avaliações positivas podem levar a
gratificações e promoções. Essa prática estabelecida pela Uber funciona, de fato,
como um supervisor que fiscaliza o desempenho do empregado, evidenciando o
controle direcional que a empresa possui sobre os motoristas Uber (KERTZMAN,
2019).
Embora a Uber tente se apresentar como uma empresa de tecnologia,
afirmando que apenas fornece a plataforma, é evidente que, sem o trabalho
dedicado dos motoristas, a empresa não seria capaz de sobreviver. Portanto, essa
situação tem gerado diversos entendimentos que destacam a existência de uma
relação empregatícia entre a empresa e os motoristas. Ao analisar toda a dinâmica
operacional da Uber, fica claro que o motorista é um empregado da empresa,
atendendo aos requisitos básicos para a configuração de uma relação de emprego
entre ambas as partes.21
Segundo Delgado (2021), há respaldo jurídico para o reconhecimento do
vínculo empregatício entre o motorista e a Uber. Ao analisar a estrutura operacional
da empresa, fica evidente o cumprimento de todos os requisitos legais necessários
para configurar esse vínculo. Destaca-se, primeiramente, a pessoalidade, que é
estabelecida por meio de um contrato de adesão, no qual o motorista disponibiliza
sua documentação pessoal para se tornar parte da empresa, sendo vedada a
substituição por outra pessoa no exercício da atividade, o que caracteriza a
pessoalidade do trabalho. Além disso, o motorista é uma pessoa física.
Em relação à subordinação, o motorista está sujeito ao controle da empresa
Uber, como afirmado por Carvalho (2020):

O requisito fático-jurídico da subordinação, previsto no artigo 3º da


CLT, não deve ser interpretado apenas na perspectiva subjetiva, baseada
em “profundas e irreprimíveis ordens” do tomador de serviços ao
trabalhador. O conceito tem ainda aspecto objetivo - no qual o trabalhador
21
PINHO, Rodrigo C. M. de. O trabalho digital e os motoristas de aplicativos: subordinação
algorítmica. Revista Brasileira de Direito do Trabalho, São Paulo, v. 4, n. 1, p. 136-154, jan./mar.
2021.
realiza os objetivos sociais da empresa – e estrutural – em que o prestador
do serviço se encontra inserido na organização, dinâmica e cultura do
empreendimento.

A empresa emprega tecnologia avançada que estabelece uma forma de


subordinação conhecida como subordinação estrutural, na qual todos os motoristas
são monitorados durante o trabalho e mesmo quando estão fora de serviço. Essa
tecnologia controla a qualidade do serviço, a frequência com que o motorista
trabalha e seu desempenho, que é avaliado pelos clientes por meio do aplicativo.
Caso o motorista não alcance um nível satisfatório de qualidade de serviço, ele pode
ser desligado da plataforma (BARBOSA, 2019).
Além disso, a empresa é capaz de controlar o tempo em que o motorista está
disponível para trabalhar (conectado) e o tempo em que está ausente. A Uber
também determina a remuneração do motorista, uma vez que o valor cobrado pelo
serviço é estabelecido pela própria empresa e não pelo motorista, evidenciando a
onerosidade e a completa subordinação às regulamentações impostas pela Uber.22
Em vários países europeus e em alguns estados dos EUA, o reconhecimento
do vínculo empregatício entre os motoristas e a Uber já é algo natural. No Brasil,
alguns Tribunais Regionais do Trabalho também têm reconhecido esse vínculo
empregatício, proferindo decisões favoráveis nesse sentido. De acordo com Castro
(2020), há divergências nos tribunais regionais quanto ao reconhecimento do vínculo
empregatício, com algumas decisões favoráveis e outras desfavoráveis. A seguir,
apresenta-se uma decisão em que o vínculo empregatício foi reconhecido.

No entendimento desta Relatora não há dúvidas de que a


reclamada controla e desenvolve o negócio, estabelecendo os critérios de
remuneração de seus motoristas. Em contraposição, está o motorista, que
se sujeita as regras estabelecidas pela UBER e ao seu poder disciplinário,
como por exemplo, a desativação do trabalhador, com baixa/ má reputação.
A própria reclamada admite em sua defesa que, caso seja reconhecido o
vínculo, deverá ser considerado que a dispensa do obreiro se deu por mau
procedimento, em virtude de seguidos cancelamentos de viagens. (TRT 3,
11 Turma, processo n 0010806-62.2017.5.03.0011, julho/2019).

22
SILVA, Homero Batista Mateus da. Relações de trabalho na era do aplicativo: análise jurídica
dos motoristas de aplicativo. São Paulo: LTr, 2019.
A seguir, apresenta-se um trecho de uma decisão que indeferiu o
reconhecimento do vínculo empregatício entre um motorista e a empresa Uber,
retirado do site do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), referente ao
Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região.23

Outro ponto importante para o convencimento do Juízo foi a


declaração do autor de que não mantém contato com nenhum
representante da reclamada, “Sendo este mais um elemento que conduz à
conclusão da falta de ingerência da reclamada na forma da execução do
contrato”. O colegiado ponderou também que o autor trabalha “no horário
que lhe aprouver e da forma que lhe seja mais conveniente, possuindo
liberdade e autonomia para fixar sua jornada de trabalho e inclusive de
suspender as atividades sem sequer comunicar a reclamada e sem sofrer
qualquer tipo de consequência”. Ainda no que diz respeito a jornada, o
motorista lembrou que chegou a ficar uma semana sem trabalhar, devido a
uma cirurgia, sem que houvesse nenhuma ingerência da empresa.

Com base na ausência de gerenciamento e subordinação, o juiz decidiu negar


o reconhecimento do vínculo empregatício entre o motorista e a empresa Uber. No
entanto, apesar de já terem sido apresentadas várias ações pelos motoristas
buscando o reconhecimento do vínculo empregatício junto à Uber, é importante
ressaltar que não há consenso consolidado sobre o assunto. A referida decisão é
proveniente do Acórdão de Recurso Ordinário Trabalhista, processo 0010806-
62.2017.5.03.0011, relacionado à ação de reconhecimento do vínculo empregatício
entre motorista e Uber (MARTINS, 2020).

Fundamentos pelos quais, o Tribunal Regional do Trabalho da


Terceira Região, em Sessão Ordinária da Egrégia Décima Primeira Turma,
hoje realizada, julgou o referido processo e, à unanimidade, conheceu do
recurso ordinário interposto pelo autor; no mérito, por maioria de votos, deu-
lhe provimento para reconhecer a relação de emprego entre o reclamante e
a reclamada, no período de 10/06 /2016 a 02/02/2017, observados os
limites da inicial, na função de motorista; em consequência, a fim de se
evitar alegação de supressão de instância, determinou o retorno dos autos à
origem para prolação de nova sentença, com exame do restante do mérito e
análise dos demais pedidos formulados na exordial, corolários à formação
de liame empregatício com a reclamada, como se entender de direito;
vencido o Exmo. Desembargador Relator. Tomaram parte neste julgamento
os Exmos. Juíza Convocada Ana Maria Espi Cavalcanti (Redatora
vinculada), Desembargadores Juliana Vignoli Cordeiro e Luiz Antônio de
23
SARAIVA, Renato. Motorista de aplicativo: vínculo de emprego e trabalho autônomo. São
Paulo: Saraiva Educação, 2021.
Paula Iennaco (Presidente e Relator). Designada Redatora do Acórdão a
Exma. Juíza Ana Maria Espi Cavalcanti. Presente o Ministério Público do
Trabalho, representado pela Dra. Lutiana Nacur Lorentz. Belo Horizonte, 17
de julho de 2019. Secretária: Adriana Iunes Brito Vieira. (LUIZ ANTÔNIO DE
PAULA IENNACO Relator: Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região
Recurso Ordinário Trabalhista 0010806-62.2017.5.03.0011).

O recurso interposto foi reconhecido e acolhido com base na subordinação


exercida pela empresa Uber em relação ao motorista. Essa subordinação não ocorre
de forma presencial, mas sim de maneira estrutural, ou seja, o próprio sistema da
empresa garante a presença dessa subordinação sobre o motorista. Esse
entendimento é respaldado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, no
recurso ordinário trabalhista de número 0010806-62.2017.5.03.0011 (SAAD, 2019).
De acordo com Bitencourt (2020), a subordinação estrutural se manifesta
através da integração do trabalhador na dinâmica do contratante,
independentemente de receber ou não ordens diretas, mas sim adotando
estruturalmente a organização e o funcionamento do contratante. Por fim, é crucial
ressaltar que a sociedade passa por diversas transformações tecnológicas ao longo
do tempo, e essas evoluções também devem ser incorporadas ao Direito do
Trabalho, a fim de garantir uma adequação que permita tomar decisões íntegras e
justas nas relações entre as partes.

2.1 – REQUISITOS PARA CARACTERIZAÇÃO DO VÍNCULO DE


TRABALHO SEGUNDO A CLT

Conforme estabelecido no artigo 3º da Consolidação das Leis do Trabalho


(CLT), a configuração do vínculo empregatício requer a presença dos seguintes
requisitos: pessoa física, pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e
subordinação. A pessoalidade é um requisito que deve ser analisado sob duas
perspectivas: a do empregado e a do empregador (PINHO, 2021).
Do ponto de vista do empregado, a pessoalidade é observada ao longo de toda
a relação de emprego, desde o início até o término. O primeiro aspecto necessário
para a configuração do vínculo de emprego é que o trabalho seja realizado por uma
pessoa natural, ou seja, é proibido que uma pessoa jurídica preste serviços nessa
condição. Portanto, o trabalhador é caracterizado como uma pessoa física ou
natural. Em seguida, o segundo aspecto é o cumprimento do requisito da
pessoalidade, ou seja, a prestação do serviço é realizada exclusivamente pela
pessoa que foi contratada para executá-lo. Conforme afirma Castro (2020):

É essencial à configuração da relação de emprego que a prestação


do trabalho, pela pessoa natural, tenha efetivo caráter de infungibilidade, no
que tange ao trabalhador. A relação jurídica pactuada – ou a efetivamente
cumprida – deve ser, desse modo, intuitu personae com respeito ao prestador
de serviços, que não poderá, assim, fazer-se substituir intermitentemente por
outro trabalhador ao longo da concretização dos serviços pactuados”.

A jurisprudência ratifica que a configuração do vínculo empregatício ocorre


quando todos os requisitos estabelecidos no artigo 3º da CLT estão presentes (TRT
15ª R. - Proc. 27515/03 - (2053/04) - 2ª T. - Rel. Juiz José Pitas - DOESP
06.02.2004 - p. 60). Portanto, se o requisito da pessoalidade não for atendido, a
relação de emprego não é caracterizada, pois o trabalho deve ser realizado pela
pessoa contratada. No caso da Uber, o serviço deve ser prestado por uma pessoa
física e é exigido que o motorista cadastrado no aplicativo seja o mesmo que realiza
o serviço, caso contrário, pode resultar na desativação de sua conta na plataforma
(MACHADO, 2020).
No entanto, existe uma prática ilegal de descaracterização desse requisito ao
contratar uma pessoa física, mas vinculá-la por meio de um documento de pessoa
jurídica (CNPJ). A não eventualidade é um elemento que se caracteriza pela
prestação de serviço de forma contínua, exigindo uma regularidade na execução do
trabalho. Ao tratar do requisito da não eventualidade, é importante observar não
apenas a quantidade de tempo trabalhado de forma contínua, mas também a
ininterruptividade. 24
Assim, é necessário distinguir entre continuidade e ininterrupção, pois o
emprego existe mesmo quando o contrato está suspenso. A onerosidade surge
como a obrigação de contraprestação, na qual o empregado recebe do empregador

24
RIBEIRO, Paula Santos. A flexibilização do direito do trabalho e o trabalho em plataformas
digitais. Revista de Direito do Trabalho, São Paulo, v. 164, n. 3, p. 55-73, jul./set. 2021.
uma remuneração pelo trabalho realizado. A onerosidade representa o salário como
contrapartida pela prestação de serviço, ou seja, o trabalhador disponibiliza sua
força de trabalho em troca de pagamento pelo empregador (CARVALHO, 2020).
Por último, mas não menos importante, temos o fator da subordinação, que é
um elemento essencial para a caracterização da relação de trabalho e emprego.
Embora a CLT não forneça um conceito explícito para explicar a subordinação, a
doutrina de Delgado a descreve como um fenômeno jurídico derivado do contrato
estabelecido entre o trabalhador e o tomador de serviços. Portanto, a subordinação
é o elo que une empregado e empregador, no qual o empregado está sujeito às
diretrizes estabelecidas pelo empregador. A subordinação está ilustrada no artigo 3º
da CLT por meio do termo "dependência", e seu propósito é evidenciar a
vulnerabilidade do trabalhador diante da relação de trabalho (GARCIA, 2021).
Martins (2020) destaca que diversos elementos podem ser explorados para
fundamentar a existência de um vínculo de emprego entre os motoristas e a Uber.
Alguns desses elementos são os seguintes: a empresa Uber realiza recrutamento e
entrevistas para cadastrar os motoristas parceiros; a Uber controla informações
pessoais dos motoristas, exigindo o envio da foto da carteira de motorista para se
cadastrar no aplicativo; a Uber também estabelece requisitos para os motoristas,
como aceitar ou não viagens e não cancelar viagens, garantindo a efetividade
dessas exigências por meio da desconexão dos motoristas que descumprirem tais
obrigações; além disso, a empresa determina a rota padrão e fixa a tarifa com base
em sua própria análise do percurso.
Observa-se, portanto, que a Uber impõe várias condições aos motoristas,
desde o modelo do veículo até as instruções para a realização do trabalho. Isso
evidencia a existência de coordenação por parte da empresa. Dessa forma, a Uber
estabelece regras rigorosas para seus "parceiros", sujeitando-os a critérios de
avaliação e métodos de monitoramento de seu trabalho, ao mesmo tempo em que
se exime de responsabilidades e exigências que poderiam caracterizar um vínculo
empregatício (ALMEIDA, 2019).
3 - O RECONHECIMENTO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO VOLTADO AOS
MOTORISTAS DE APLICATIVO NO BRASIL

3.1 O FENÔMENO DA UBERIZAÇÃO E A 4ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

O conceito de trabalho vem evoluindo ao decorrer do tempo, antes, na


primeira revolução iniciada na Inglaterra no século XVIII, tinha-se como vinculo
trabalhista a mão de obra braçal. Em dado momento foi observada a necessidade de
reconhecer e legalizar formalmente, práticas de trabalho.

As empresas startups, anteriormente conhecidas popularmente como


"empresas de garagem", desempenham um papel fundamental na 4ª Revolução
Industrial. Essa nova revolução industrial ocorre de maneira distinta em relação às
anteriores, pois além de ocorrerem processos de forma mais ágil na atualidade e da
comunicação e aceitação pela população serem mais velozes em comparação com
as revoluções passadas. Essas empresas adotam modelos de negócio não apenas
inovadores, mas também desafiadores (SAAD, 2019).
Estamos diante de uma revolução tecnológica e a tecnologia não espera
permissão para se desenvolver. No entanto, o campo do Direito precisa
compreender essas questões, pois as leis não conseguem impedir as disrupções.
Essa forma de inovação disruptiva transforma mercados, setores e o dia a dia ao
trazer soluções simplificadas. É um modelo de negócio que aproveita tecnologias
antigas de maneiras novas (DELGADO, 2018).
Em países como o Brasil, onde a legislação é mais rígida e inflexível, as
empresas enfrentam grandes desafios para operar, especialmente aquelas que não
possuem uma previsão legal específica para suas atividades. No entanto, isso não
significa que essas empresas sejam consideradas ilegais, uma vez que, por ainda
não existirem, não há legislações que definam sua natureza. A era digital atual é
responsável por criar um mundo completamente novo, abrindo novos horizontes
para diversas profissões (ALMEIDA, 2019).
Atualmente, temos crianças que ocuparão cargos em empresas que ainda não
foram inventadas, ou mesmo em posições que ainda não existem. Enquanto
algumas profissões estão se tornando obsoletas, outras estão surgindo. No campo
jurídico, ao analisar sua história, é inevitável afirmar que seremos afetados pelos
avanços tecnológicos. As startups unicórnio, como a Uber, são empresas que
lançam no mercado produtos minimamente prontos para uso e que passam por
ajustes e modificações à medida que são recebidos pelo mercado.25
A Uber é uma startup que trouxe uma inovação disruptiva ao transformar de
forma radical e rápida a forma como as pessoas se relacionam com o transporte. Ao
ingressar no mercado brasileiro, a Uber modificou o setor de transporte privado,
impactando até mesmo o transporte público no país. Toda inovação disruptiva afeta
diferentes segmentos do mercado. Nesse sentido, Fonseca (2019) descreve uma
startup como uma instituição humana projetada para criar novos produtos e serviços
em condições de extrema incerteza.
Ele também menciona que o modelo de produção enxuta já havia sido
popularizado na década de 80 por Eiji Toyoda. No contexto das startups, era
necessário adaptar alguns conceitos desse modelo de negócio. Ries afirma que
esse modelo pode ser adotado por todos.26
(...) o que aprendi é que o modelo enxuto não é apenas para
startups de cinco pessoas: serve para todos — especialmente para aqueles
que querem avançar em um mundo de mudanças rápidas como o que
vivemos hoje, onde a única garantia é que não sabemos o que virá em
seguida.

É fundamental examinar questões relacionadas aos institutos da posse e


propriedade com uma nova perspectiva, uma vez que essas novas empresas
operam de maneiras distintas. No entanto, como será demonstrado ao longo desta
pesquisa, as visões disruptivas dessas empresas ainda geram grandes conflitos,
especialmente no âmbito do Direito (BARBOSA, 2019).
É importante ressaltar que o Direito serve à sociedade, e não o contrário.
Portanto, questões que já estavam estabelecidas estão sendo reavaliadas com uma
nova abordagem. É essencial estar atento para que as visões disruptivas não
prejudiquem os direitos fundamentais. O Direito, em si, possui um conjunto de
25
LIMA, Fernanda de Souza. O reconhecimento do vínculo empregatício dos motoristas de
aplicativos. Revista Trabalho & Doutrina, São Paulo, v. 31, n. 370, p. 125-146, jan./mar. 2021.
26
NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 56. ed. São Paulo: Saraiva, 2020.
processos e procedimentos que devem ser respeitados, porém, não podem
simplesmente negar a existência desses novos produtos (BITENCOURT, 2020).
Muitas vezes, a regulamentação dessas novas empresas não se encaixa nos
procedimentos tradicionais. A transformação tecnológica é inevitável e traz consigo a
quebra de paradigmas. Nesse sentido, observamos mudanças como a evolução e
popularização de fotos e vídeos, que antes eram realizados com equipamentos
caros e robustos, e agora são amplamente acessíveis, assim como a evolução no
setor de transporte (LIMA, 2021).
Ao contrário do que se imagina, o fenômeno da "uberização" não afeta apenas
os motoristas de aplicativo. Citando Ludmila Costhek Abilio, a "uberização"
caracteriza-se como um novo estágio de exploração do trabalho. Em 2016, foi
sancionada a Lei nº 13.352, conhecida como "Lei do Salão Parceiro", que isenta os
estabelecimentos de beleza de reconhecer o vínculo empregatício dos profissionais
nas áreas de manicure, depilação, barbearia, maquiagem, entre outras (MACHADO,
2020).
É fato que a Uber e empresas similares estabelecem uma conexão entre
clientes e prestadores de serviço, porém, é importante analisar que não se trata de
uma relação direta entre o cliente e o prestador de serviço, mas sim de uma relação
triangular (motorista-Uber-cliente) com o objetivo principal de lucrar, sobretudo para
o aplicativo. No Brasil, esse fenômeno acaba empurrando cada vez mais
trabalhadores para a informalidade e, consequentemente, para riscos, enquanto
empresas cada vez maiores arrecadam porcentagens sobre o trabalho alheio,
caracterizando-se apenas como intermediárias nas relações entre consumidores e
prestadores de serviços (MACHADO, 2020).
Portanto, diante da instabilidade econômica, muitos indivíduos aderem a essa
forma de emprego como garantia de subsistência e abrem mão dos direitos
trabalhistas. O que é chamado de economia compartilhada nada mais é do que a
Uber arrecadando uma porcentagem do valor pago pelo cliente a cada viagem feita
em um carro que não pertence ao motorista, que não é regulamentado como
funcionário da empresa e assume sozinho os riscos da atividade. Diante dessa
incoerência, o mercado brasileiro afunda ainda mais na crise econômica, sem
promover uma ampliação dos direitos sociais. Observamos diariamente o fenômeno
do empreendedorismo se tornando uma demanda no mercado de trabalho, no qual
não existem mais trabalhadores, mas sim microempreendedores (KERTZMAN,
2019).
Dessa maneira, empresas como a Uber estão ganhando cada vez mais
espaço. O fenômeno da uberização tem se tornado cada vez mais relevante no
contexto das relações de trabalho. No entanto, a regulamentação dessas questões
esbarra em desafios, como a imposição de contratos de trabalho que se diferenciam
das modalidades existentes atualmente (SILVA, 2019).
No entanto, é preciso estar ciente de que a imposição de novas formas
contratuais poderia descaracterizar as atividades realizadas por meio de aplicativos,
desencorajando assim empresas como a Uber a operarem no país. É importante
notar que há um conflito de interesses entre os provedores de serviços, as
plataformas digitais e os consumidores. No entanto, a falta de regulamentação
adequada dessas atividades pode se tornar um problema a longo prazo,
especialmente em um país com uma grande crise econômica e social, como é o
caso do Brasil (SARAIVA, 2021).

3.2 - RESPALDO JURÍDICO BRASILEIRO

Considerando o novo paradigma estabelecido pela plataforma Uber, que


combina alta qualidade na prestação de serviços com preços mais acessíveis em
comparação aos taxis tradicionais, fica evidente que se trata da melhor opção de
transporte para a população, o que tem gerado uma concorrência direta com as
atividades dos taxistas. Nesse contexto, em uma sociedade marcada pela escassez,
o processo de modernização ocorre com o objetivo de desvendar as fontes ocultas
de riqueza social, por meio das chaves proporcionadas pelo desenvolvimento
científico-tecnológico (SAAD, 2019).
Diante do exposto, percebe-se que a plataforma Uber favorece a livre
concorrência, apresentando uma abordagem inovadora que ainda não havia sido
amplamente explorada pela sociedade, a qual está em constante transformação em
direção à quarta revolução industrial. Essa revolução é caracterizada pela presença
de novas tecnologias em constante desenvolvimento, que, com sua velocidade de
transformação, podem extinguir profissões atuais, mas, ao mesmo tempo, abrir
espaço para novas ocupações até então inexistentes (FRANCO, 2021).

A livre concorrência figura entre os princípios inscritos na vigente


Constituição brasileira (artigo 170, inciso IV), sendo benéfica para a
economia e para o consumidor. No âmbito econômico, o transporte de
passageiros nos limites de uma localidade implica a questão conhecida
como assimetria de informação: os passageiros desconhecem os trajetos
ideais, enquanto que os motoristas não possuem informações sobre seus
clientes.

Dessa forma, torna-se evidente o conflito entre os princípios que regem a


Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Antes de aprofundar a análise dos
requisitos da relação de emprego, é importante observar o disposto no artigo 3º da
CLT: "Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza
não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário". Conforme
o mencionado dispositivo, os requisitos para a relação de emprego são os
seguintes:27
a) "Pessoa física": o trabalho deve ser realizado por um ser
humano, uma vez que o trabalho é uma obrigação pessoal.
b) "Pessoalidade": o trabalho deve ser executado pelo próprio
trabalhador, conferindo-lhe um caráter de indivisibilidade na atividade
desempenhada, ou seja, o trabalhador não pode ser substituído por outra
pessoa no mesmo vínculo de emprego.
c) "Habitualidade" ou "não eventualidade": refere-se à ideia de
continuidade, caracterizada pela prestação regular de serviços.
d) "Subordinação": envolve o dever de respeitar e se submeter às
diretrizes do empregador. Conforme ensinado por Nascimento (2002), a

27
FONSECA, Luís Eduardo Boaventura. Vínculo empregatício entre motoristas de aplicativo e
empresas: uma análise jurídica. Revista de Direito do Trabalho, São Paulo, v. 40, n. 158, p. 30-55,
abr./jun. 2019.
subordinação ocorre quando o trabalhador utiliza sua força de trabalho
para beneficiar o contratante, direcionando seus esforços de acordo com
as diretrizes do empregador.
e) "Onerosidade": envolve a reciprocidade das obrigações entre o
trabalhador e o empregador. Enquanto o trabalhador oferece sua força de
trabalho para realizar o trabalho, o empregador o remunera com valores
monetários ou benefícios em espécie.
Resumindo esses pressupostos, citamos as palavras de Castro (2020),
conforme se segue:

Os elementos fático-jurídicos componentes da relação de emprego


são cinco: A) prestação de trabalho por pessoa física a um tomador
qualquer; B) prestação efetuada com pessoalidade pelo trabalhador; C)
também efetuada com não eventualidade; D) efetuada ainda sob
subordinação ao tomador dos serviços; e) prestação de trabalho efetuada
com onerosidade.

Evidencia-se que os requisitos devem ser cumpridos de forma conjunta. Nesse


sentido, a ausência ou o preenchimento parcial de um ou mais requisitos leva à
conclusão de que a relação de emprego não está configurada de acordo com a CLT.
Portanto, é perceptível que o sistema adotado pela Uber não atende a todos esses
requisitos, o que gera conflito e dúvida na população em relação à legalidade da
plataforma (SILVA, 2019).
4. CONCLUSÃO

Texto, com espaçamento de 1,5cm no texto, sem espaço antes ou depois.


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fev. 2020.
ANEXO I

Declaração de Isenção de Responsabilidade

Eu, __________________________________________________, matrícula n o


_________________, aluno de TC curso de Direito, declaro para todos os fins de direito, que
assumo total responsabilidade pela originalidade do trabalho de curso que resultará da
orientação recebida sobre o tema objeto de minha pesquisa, bem como, pela contribuição
científico-ideológica decorrente dos postulados por mim defendidos, razão pela qual isento de
qualquer responsabilidade ao IES, a Coordenação do Curso de Direito e o Professor
Orientador a esse respeito.

Caruaru, _____ de _____________________ de 2023.

__________________________________________ Assinatura do (a) Aluno(a)


Observação: o documento precisa estar preenchido e assinado, podendo
imprimir, assinar e colar a imagem da impressão assinada aqui OU assinar digitalmente

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