Relações étnicos-raciais
NO CONTEXTO DE ENTREVISTA
PAMELA ANDRADE, LUNA CAVALCANTE, LETÍCIA ALMEIDA, MARIA TALITA FONTENELE E MARIA EDUARDA RODRIGUES
Introdução
O racismo presente nas relações étnico-raciais no Brasil é um fator
determinante das desigualdades e produz humilhação social e
sofrimento psíquico dos negros, além de justificativas naturalizantes
das injustiças sociais.
Nesse aspecto, é possível relacionar nesse contexto com o preconceito
presente na sociedade atual, no qual, não deriva apenas de
características psicológicas individuais, mas sobretudo, da relação de
poder entre grupos. Essas relações geram representações que
justificam os processos de descriminação contra grupos minoritários
Uma dessas representações é o discurso que nega o preconceito
pessoal e responsabiliza a sociedade pela existência do preconceito
A Psicologia nesse contexto
Código de Ética (Conselho Federal de Psicologia, 2005):
II. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida
das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de
quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência,
crueldade e opressão.
III. O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e
historicamente a realidade política, econômica, social e cultural.
Com isso o papel do psicólogo é importante para promover ações
antirracistas em sua prática profissional e nas políticas públicas,
bem como reconhecer o impacto do racismo e das desigualdades
étnico-raciais na saúde mental e nas relações sociais.
Relevância da entrevista
nesse contexto
O uso da entrevista na Psicologia é fundamental, porque ela é uma das
principais ferramentas para compreender o sujeito em sua singularidade e
coletar informações relevantes
Importância da Entrevista Psicológica na Psicologia Étnico-Racial
• A entrevista psicológica é uma ferramenta essencial para compreender a
subjetividade de pessoas em seus contextos étnico-raciais.
• Possibilita entender como o indivíduo constrói sua identidade racial e lida
com experiências de pertencimento e discriminação.
• Favorece uma escuta sensível e contextualizada, acolhendo vivências
marcadas pelo racismo e pelas desigualdades sociais.
• Permite analisar os impactos emocionais e psicológicos do racismo na
autoestima, nas relações e na saúde mental.
• Valoriza a diversidade cultural e reconhece os saberes e práticas de
diferentes grupos étnico-raciais.
• Contribui para uma atuação ética, crítica e antirracista, fortalecendo o
compromisso social da Psicologia.
• Ajuda na criação de vínculo e confiança, fundamentais para que o sujeito
se sinta ouvido e respeitado.
Relevância da entrevista
nesse contexto
A entrevista psicológica é um instrumento essencial na atuação do
psicólogo, pois permite compreender o sujeito em sua
singularidade, história e contexto social. No campo étnico-racial,
ela ganha relevância especial ao possibilitar uma escuta sensível e
contextualizada, capaz de reconhecer o impacto das
desigualdades raciais, das vivências de discriminação e da força da
ancestralidade na constituição psíquica das pessoas.
NO ENTANTO, HÁ LIMITAÇÕES
Em situações de vulnerabilidade extrema, como aquelas vividas
por pessoas em contextos de pobreza, violência, racismo
institucional, ou trauma recente, a entrevista pode não ocorrer de
forma ideal ou até mesmo não ser possível naquele momento.
Isso acontece porque a entrevista exige condições mínimas de
estabilidade emocional e de segurança para que o sujeito possa
falar de si e elaborar suas experiências.
Objetivo da entrevista
A nossa pesquisa teve como objetivo:
Compreender como psicólogas que atuam no contexto étinco-
racial utilizam suas abordagens, seus referenciais teóricos para
promover reflexões, acolhimento e práticas antirracistas dentro
da Psicologia, entendendo as limitações e necessidades
individuais dos indivíduos, acolhendo suas demandas naquele
período. Procuramos entender também como o uso da entrevista
atua nesse contexto e as formas como ela pode ser usada,
investigando também de que forma a psicologia pode contribuir
para enfrentamentos das questões raciais.
Sobre a entrevista
Semi estruturada
UTILIZAMOS A ABORDAGEM DA ENTREVISTA SEMI ESTRUTURADA, POIS
ELA NOS PERMITIU COLETAR INFORMAÇÕES DIRECIONADAS E, AO
MESMO TEMPO, DAR LIBERDADE PARA QUE AS PSICÓLOGAS
COMPARTILHASSEM SUAS EXPERIÊNCIAS E REFLEXÕES SOBRE O
CONTEXTO ÉTICO-RACIAL, DIRECIONANDO RESPOSTAS MAIS LIVRES.
On-line
fizemos a entrevista de forma on-line, a equipe elaborou
perguntas e deixou o entrevistado livre para respondê-las,
tendo um diálogo flexível, durando a entrevista em torno de
40 minutos.
Formações profissionais
psicólogo clínico institucional, apesar de sua
formação no campo da saúde, a partir da sua
assistência de saúde mental, onde atuou no
CAPSAD durante o percurso de sua formação.
Atuou na clínica e tem como seu foco pessoas
negras, afro-indígena, lgbts e atualmente
trabalha somente na área da educação, além
da coordenação de estágio da unichristus,
coordena a parte pedagógica de uma pós
graduação nacional de saúde mental e relações
étnico-racial e perspectiva contra-coloniais.
Resultados e reflexões
Abordagem interseccional: as relações
A psicologia decolonial como nova
étnico-raciais são perpassadas por marcadores
referência:
que são também socioeconômicos, culturais,
Essa perspectiva convida a psicologia a se
políticos, religiosos, dentre outros. A
reconstruir, reconhecendo outras
abordagem interseccional não nega esses
epistemologias, saberes e modos de ser. Isso
fatores e busca adaptar os intrumentos em
desloca a prática do modelo europeu e
prol da população sendo atendida e, para isso,
aproxima da realidade brasileira e afro-
demanda uma formação ética, estética e
diaspórica.
política.
Lugar transversal: As questões raciais não O mito da democracia racial:
pertencem a uma “área” isolada, mas O Brasil se define como um país da
atravessam todas as práticas da psicologia. “diferença”, mas historicamente nega e apaga
Uma atuação ética deve reconhecer a as mesmas. Isso reforça desigualdades e
presença dessas dinâmicas em qualquer dificulta o reconhecimento das dores raciais. A
contexto, seja este clínico, hospitalar, entrevista pode, assim, ajudar a “nomear” o
educacional ou comunitário. que é vivido, rompendo silenciamentos.
Resultados e Não é uma ciência dada: A reinvenção
constante da prática.
reflexões O psicólogo deve ser sensível ao contexto e
adaptar seus instrumentos, inclusive a
entrevista, conforme as necessidades de cada
sujeito. A escuta não é rígida, e sim uma
construção viva entre profissional e pessoa
atendida.
Manejo do psicólogo:
Na maioria das situações, quando algo
relacionado a etnia ou raça está sendo
explorado, vem atrelado a sofrimentos, logo,
cabe ao profissional ter a sensibilidade, a
A Pirâmide das Necessidades Humanas, proposta por
flexibilidade, o tato, a escuta ativa, ser
Abraham Maslow (1943), representa uma hierarquia
acolhedor, dentre outros, para evitar revitmizar
motivacional que organiza as necessidades humanas em
e reviolentar a vitma.
níveis progressivos.
Desafios
Resistência da psicologia hegemônica em Limitações das técnicas tradicionais de
entrevista, que muitas vezes não se adaptam
considerar as diferenças raciais e sociais.
a diferentes contextos culturais.
Dificuldade em formar profissionais
Risco de revitimização quando perguntas
letrados racialmente e com preparo para universais são aplicadas sem sensibilidade
atuar com diversidade. cultural.
Adaptação criativa e Criação de novos instrumentos e protocolos
contextualizada da entrevista inspirados em práticas decoloniais.
Fortalecimento de uma psicologia Produção de conhecimento por sujeitos
historicamente marginalizados,
mais ética, humana e política. transformando a pesquisa e a prática clínica.
Contribuições
Referências
MARTINS, Hilusca Alves; SANTOS, Ana Cristina; COLOSSO, Luciana Maria.
Relações étnico-raciais e psicologia: publicações em periódicos da SciELO e Lilacs.
Psicologia: Teoria e Prática, São Paulo, v. 15, n. 1, p. 111-124, jan. /abr. 2013.
Disponível em: [Link]
Acesso em: 17 out. 2025.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (Brasil). Resolução CFP nº 010/2005, de 21 de
julho de 2005. Aprova o Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília: CFP,
2005.
[Link]
[Link]
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