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Princípios e Normas do Processo Civil

O documento aborda o processo civil, destacando as características da norma jurídica, como generalidade e imperatividade, e os princípios gerais e infraconstitucionais do processo civil. Também discute a jurisdição, a classificação das ações e a cumulação de ações, detalhando os elementos da ação e as condições para sua realização. Além disso, menciona a aplicação das normas processuais no tempo e no espaço, enfatizando a importância do devido processo legal e do acesso à justiça.

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Princípios e Normas do Processo Civil

O documento aborda o processo civil, destacando as características da norma jurídica, como generalidade e imperatividade, e os princípios gerais e infraconstitucionais do processo civil. Também discute a jurisdição, a classificação das ações e a cumulação de ações, detalhando os elementos da ação e as condições para sua realização. Além disso, menciona a aplicação das normas processuais no tempo e no espaço, enfatizando a importância do devido processo legal e do acesso à justiça.

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Processo civil

Norma jurídica -> princípio da supremacia da lei, norma escrita emanada da autoridade
competente. As principais características da norma jurídica são:
– GENERALIDADE, já que ela se aplica a todas as pessoas indistintamente
– IMPERATIVIDADE, pois ela impõe a todos os destinatários uma obrigação.
– Em regra, caráter bilateral: a cada dever imposto corresponde um direito. Exemplo: se
impõe o dever de não causar dano a alguém, obriga aquele que o causar a indenizar a
vítima.
– AUTORIZAMENTO, que consiste na possibilidade de o lesado pela violação à norma exigir-
lhe o cumprimento, o que distingue as normas legais, das éticas ou religiosas.
– PERMANÊNCIA, norma vigora e prevalece até sua revogação.
– EMANAÇÃO DA AUTORIDADE COMPETENTE, nos termos impostos pela Constituição
Federal.
– COGENTE: de ordem pública, não pode ser derrogada pela vontade do particular,
resguardar os interesses da sociedade.
– NÃO COGENTE: também chamada dispositiva, não contém um comando absoluto,
inderrogável. Sua imperatividade é relativa. Subdivide-se em: PERMISSIVA: quando
autoriza o interessado a derrogá-la, dispondo da matéria da forma como lhe convier.
SUPLETIVA: aplicável na falta de disposição em contrário das partes.
NORMA PROCESSUAL: Trata das relações entre os que participam do processo, e do modo pelo
qual os atos processuais sucedem-se no tempo.
Fontes: lei, jurisprudência e doutrina
PROCESSUAL CIVIL : lei obriga a todos; ninguém pode alegar ignorância para descumpri-la. As
normas jurídicas são gerais e abstratas e cabe ao juiz aplicá-las ao caso concreto. Ao realizar
essa tarefa, o juiz deve partir do texto legal, mas não deve ficar restrito a ele.
PRINCÍPIOS GERAIS DO PROCESSO CIVIL NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
● Princípio do devido processo legal
● Princípio do acesso à justiça
● Princípio do contraditório
● Princípio da duração razoável do processo ( ou tempestividade da prestação jurisdicional)
● Princípio da isonomia
● Princípio da imparcialidade do juiz e do juiz natural:
● Princípio do duplo grau de jurisdição:
● Princípio da publicidade dos atos processuais:
● Princípio da motivação das decisões judiciais:
PRINCÍPIOS INFRACONSTITUCIONAIS DO PROCESSO CIVIL
● Boa fé objetiva
● Princípio dispositivo (disponibilidade ou indisponibilidade):
● Oralidade (Concentração, Imediação, Identidade física do juiz, instrumentalidade e a
economia processual são conexos, irrecorribilidade das interlocutórias (mitigado)
● Princípio da persuasão racional ou princípio do livre convencimento motivado
● Cooperação
Lei processual civil no espaço:
As normas de processo civil têm validade e eficácia, em caráter exclusivo, sobre todo o território
nacional
Lei processual civil no tempo:
Com frequência, as próprias normas de processo indicam o prazo de vacatio legis, a vigência
estende-se até que seja revogada por lei posterior, que expressamente o declare ou quando
com ela seja incompatível ou regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.
JURISDIÇÃO: é o poder-dever do Estado de aplicar os direitos ao caso concreto, submetido
pelas partes, através da atividade exercida pelos órgãos investidos.
JURISDIÇÃO DE DIREITO E DE EQUIDADE
Jurisdição de direito: Juiz julga o processo de acordo com a determinação da lei.
Jurisdição de equidade: juiz julga o processo de acordo com as regras de experiência, sua
liberdade de convencimento, desde que a lei autorize. Significa decidir sem as limitações
impostas pela precisa regulamentação legal.
LTeQ4
DA AÇÃO
Direito Público subjetivo abstrato, exercido contra o Estado-Juiz visando a prestação da tutela
jurisdicional.
Direito: A parte pode exigir do Estado a solução dos litígios contra determinada pessoa, dado
que o ente possui esse poder, mediante provocação.
Subjetivo: envolve exigência deduzida contra o Poder Público, visando o cumprimento da norma
geral de conduta tida como violada.
Abstrato: independe da existência do direito material concreto alegado pelo autor. Prestação da
Tutela Jurisdicional: indica a forma como o Poder Judiciário resolve os conflitos de interesses.
CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES
As ações são classificadas conforme o provimento jurisdicional solicitado pelo autor no
processo.
1) Ação de conhecimento
Visa levar a conhecimento do judiciário, os fatos constitutivos do direito alegado pelo autor e
obter uma declaração sobre qual das partes tem razão.
Subdivide-se em:
a) meramente declaratória: a pretensão do autor limita-se à declarações da existência ou
inexistência de relação jurídica; da autenticidade ou falsidade de documento (art. 19 do CPC)
Ex: investigação paternidade.
b) constitutiva ou desconstitutiva: o autor busca não só a declaração de seu direito violado, mas
uma conseqüente modificação, criação ou extinção de uma relação jurídica material
preexistente.
Seus efeitos serão gerados sempre para o futuro.
2) Execução
É ação de provimento eminentemente satisfativo do direito do credor.
Tem cabimento sempre quando o credor esteja munido de título executivo extrajudicial. No caso
de título judicial, temos o cumprimento da sentença, que dispensa novo processo, sendo mera
continuidade do processo de conhecimento em uma fase executiva, conforme explicado acima.
No caso do processo de execucao extrajudicial, o credor possui um documento com forca
executiva, que dispensa o processo de conhecimento, partindo-se para
execucao da obrigacao pactuada. Se encontra disposta no livro da execução que vai dos artigos
771 a 925 do CPC. Por isso, o processo de execução ficou somente para os títulos executivos
extrajudiciais, em que o Exequente inicia um processo baseado em um documento público ou
particular que contenha eficácia executiva (art. 784 CPC).
ELEMENTOS DA AÇÃO
1) Partes
São todas as pessoas que participam da demanda desenvolvida perante o Juiz.
2) Causa de pedir
São os fatos e fundamentos jurídicos que levam o autor a procurar o Juiz. Subdivide-se em:
a) causa de pedir remota ou fática: consiste nas indicações de como a lesão ao direito do autor
ocorreu.
b) causa de pedir próxima ou jurídica: é a descrição da conseqüência jurídica gerada pela lesão
ou direito do autor.
3) Pedido
Toda inicial contém dois pedidos
a) Imediato: formulado contra o Juiz, visando a obtenção da tutela jurisdicional. b) Mediato: é a
exigência formulada contra o réu.
A) QUANTO AO DIREITO RECLAMADO
1. Ações Prejudiciais: Surgiram na Velha Roma e consistiam em pedidos de declaração de
certeza quanto à existência de uma relação jurídica. Por meio delas se obtinha uma decisão
antecipada, prévia, a respeito de uma relação jurídica, possibilitando o ingresso de uma outra
ação. No direito civil brasileiro, temos alguns exemplos, segundo Gabriel Rezende Filho:
- ação de emancipação
- ação de anulação ou nulidade de casamento
- ação negatória de paternidade ou maternidade e outras mais.
2. Ações Reais: servem como proteção de um direito real ( relação do indivíduo com a coisa). Ex:
Ação Reivindicatória ou Petitória, Petição de Herança, etc.
3. Ações Pessoais: Servem como proteção de um direito obrigacional, ou seja, pessoal.
Decorrem de contrato ou quase contrato, delito ou quase delito, ou por último da própria lei. Ex:
Ação de Despejo, Ação de Indenização.
B) QUANTO AO SEU OBJETO
AÇÕES MOBILIÁRIAS E IMOBILIÁRIAS
1. Ações Mobiliárias: Relativas a coisas móveis. Ex: Ação de Busca e Apreensão de Pessoa ou
Coisas, Ação de Obrigação de Entrega de Coisa Móvel, etc.
2. Ações Imobiliárias: Relativas a imóveis. Ex: Ação de Reintegração de Posse, Petitória,
Usucapião de Bem Imóvel, etc.
Para identificá-las, basta que se faça a seguinte pergunta: “ O que é que se deve?”
C) QUANTO AO SEU FIM (REIPERSECUTÓRIAS, PENAIS OU MISTAS)
1. Ações Reipersecutórias: Visam buscar o que pertence ao Autor e está divorciado de seu
patrimônio. Praticamente, todas as acões condenatórias servem de exemplo.
2. Ações Penais: Visam penalizar a parte violadora da lei ou do contrato em favor do
prejudicado. Aqui a classificação nao tem a ver com acao penal decorrente de infracao penal,
mas sim com penalidade cível, como uma multa contratual.
3. Ações Mistas: Buscam o bem jurídico que está fora do patrimônio e ao mesmo tempo a
condenação do violador. Justamente uima mistura de ação reipersecutória com ação penal( não
confundir processo civil com processo penal, com relação a ação penal aqui estudada ).
CONCURSO E CUMULAÇÃO DE AÇÕES
1. CONCURSO:
Quando se vislumbra a existência simultânea de ações à disposição e escolha do autor que
servem para o mesmo direito postulado em juízo. Exemplos clássicos, ocorre com o caso de
vícios redibitórios e compra e venda de imóveis “ad mensuram”.
Deve o autor sempre escolher uma das ações cabíveis, renunciando as outras.
2. CUMULAÇÃO DE AÇÕES (art. 327 CPC):
Também chamada de cumulação objetiva ou cumulação de pedidos, dá-se quando o autor
propõe duas ou mais ações, por via de um mesmo processo contra o mesmo réu, submetendo o
referido ao juiz que com uma mesma sentença decidirá todas as ações ou pedidos. Neste caso,
pode-se verificar que cada ação poderia ser objeto de um processo distinto.
Pode ser:
a) simples: é a cumulação de vários pedidos absolutamente independentes, ou seja, dotados de
completa autonomia.
b) sucessiva: é a cumulação quando entre os pedidos haja tal relação de dependência que a
decisão do segundo pedido ou outros, dependa da acolhida do primeiro.
c) eventual: é a cumulação em que os pedidos se substituem um ao outro, na ordem de sua
apresentação pelo autor. O juiz decide quanto ao primeiro pedido apresentado; não acolhido,
decide-se o próximo e assim sucessivamente.
CONDIÇÕES PARA CUMULAÇÃO DE AÇÕES
- compatibilidade dos pedidos
- Identidade de competência do juízo
- Identidade de procedimento, podendo em caso de procedimento especial e comum, adotar o
comum, guardando a especialidade, nos termos do art. 327 do CPC.
MOMENTO PARA SE REALIZAR A CUMULAÇÃO
A princípio a cumulação deve se realizar no início da ação, ou seja, na própria petição inicial.
Porém pode ocorrer a cumulação depois de proposta a demanda, como ocorre com as ações
atraídas pela conexão ou continência, como mencionam os arts. 54/63 do CPC. Ocorre a
cumulação também com a Reconvenção, um tipo de resposta do réu em que este demanda no
mesmo feito contra o autor.

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