0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações110 páginas

História e Fundamentos da Neuropsicologia

O documento aborda a evolução histórica da neuropsicologia, destacando a conexão entre o cérebro e o comportamento desde os antigos egípcios até os avanços do século XX. A neuropsicologia é definida como uma disciplina interdisciplinar que estuda as modificações comportamentais resultantes de lesões cerebrais, com ênfase na avaliação e reabilitação das funções cognitivas. O texto também menciona a importância de testes neuropsicológicos e a contribuição de figuras históricas como Paul Broca e Karl Wernicke para o entendimento das funções cerebrais.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações110 páginas

História e Fundamentos da Neuropsicologia

O documento aborda a evolução histórica da neuropsicologia, destacando a conexão entre o cérebro e o comportamento desde os antigos egípcios até os avanços do século XX. A neuropsicologia é definida como uma disciplina interdisciplinar que estuda as modificações comportamentais resultantes de lesões cerebrais, com ênfase na avaliação e reabilitação das funções cognitivas. O texto também menciona a importância de testes neuropsicológicos e a contribuição de figuras históricas como Paul Broca e Karl Wernicke para o entendimento das funções cerebrais.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

INTRODUÇÃO À NEUROPSICOLOGIA E

À HISTÓRIA DO ESTUDO DO CÉREBRO

LUCIANA FREITAS
PROFESSORA E PSICÓLOGA/NEUROPSICÓLOGA
De acordo com Pinheiro (2005), o
interesse pela investigação do cérebro
parece ter percorrido diversos momentos
históricos desde tempos remotos. Sabe-
se que papiros faraônicos indicam que os
egípcios tinham muito conhecimento
sobre as funções do cérebro. O papiro
descoberto no Egito por Edwin Smith no
século XIX, possivelmente escrito pelo
médico egípcio Inhotep cerca de 1700
a.C., está entre as mais antigas
informações sobre o sistema nervoso.
• No entanto, admite-se que ele tenha sido
escrito com base em escritos mais
antigos, provavelmente do Antigo Império
(Cerca de 3000 a.C.). Considerado um
verdadeiro tratado de cirurgia, esse
papiro contém a descrição clínica
detalhada de aproximadamente quarenta
e oito casos com os devidos tratamentos
racionais e prognósticos, favorável,
incerto e desfavorável. Muitos desses
casos são importantes para a
neurociência, pois neste documento
aparece pela primeira vez uma menção
do encéfalo, das meninges, do líquor e da
medula espinhal.
No final do século XVIII, Franz Joseph Gall fez a conexão
entre a Psicologia e a Neurobiologia. Este médico propôs
três ideias radicais:
Generalização da ideia de Galeno: o cérebro não
só controla os movimentos do corpo, como é também o
responsável por todos os comportamentos do sujeito.
Trata-se atualmente de um princípio fundamental no
nosso conhecimento sobre o cérebro.
O Cérebro pode ser dividido em 35 órgãos, cada
um responsável pelo controlo de um comportamento
específico (esperança, imitação, generosidade, …, seriam
atribuídas ao funcionamento de uma parte específica do
cérebro; veja a imagem abaixo).
Cada região do cérebro pode “crescer” com o
uso, tal como um músculo.
Porém, a meio do século XIX, J.
Hughlings Jackson encontrou
evidências a favor de uma
organização interna cerebral, em
contraste com as conclusões de
Flourens. J. H. Jackson estudou
epilepsia e descobriu que certas
funções sensoriais e motoras
poderiam ser rastreadas e
atribuídas ao funcionamento de
diferentes regiões no cérebro. Ainda
no mesmo século, como antes
referido, Ramón y Cajal identificou
os neurónios como as unidades
elementares do sistema nervoso.
A partir daqui, um novo modelo sobre o
funcionamento do cérebro começou a desenvolver-
se e a adquirir cada vez mais evidências
experimentais: os neurónios estão organizados em
estruturas bem definidas e bem organizadas, cada
uma responsável por uma função específica. Este
princípio de organização neuronal é diferente do que
foi sugerido por Gall, pois cada grupo de neurónios
ao invés de ser responsável por um comportamento,
é antes responsável por uma função
Em 1864, Paul Broca anunciou a sua famosa
frase: “Nós falamos com o hemisfério
esquerdo!” (Na verdade, hoje sabe-se que o
hemisfério direito também é importante,
nomeadamente na expressão de emoção.)
Na década seguinte, Karl Wernicke estudou
pacientes com uma deficiência “oposta”
àquela que o Paul Broca tinha estudado: os
pacientes conseguiam comunicar, mas eram
incapaz de compreender linguagem.
Surpreendentemente, Wernicke encontrou
uma lesão num sítio diferente do cérebro
(Área de Wernicke).

• Com base nesta descoberta,
Wernicke propôs a
generalização de que o
processamento de
diferentes funções cerebrais
seria feito de forma
distribuída pelo cérebro.
• Todas as evidências
subsequentes vieram
confirmar esta ideia, e por
isso a “teoria” de Flourens
teve que ser abandonada
(ainda que, como referi,
contra uma forte reacção
cultural a favor da noção de
alma e, consequentemente, Esta Foto de Autor Desconhecido está licenciado em CC BY-NC-ND

a favor de Flourens).
Phineas Gage era um jovem americano comum CASO PHINEAS GAGE
de 25 anos, até que, em 1848, uma explosão
acidental durante a construção de trilhos
colocou uma barra de ferro de um metro
atravessando seu crânio de forma bizarra.
Mas ele não morreu. Phineas passou por
tempos difíceis durante a recuperação após a
remoção e quase faleceu de um abcesso
(infecção na ferida, que de acordo com os
registros chegou a ter 250mL de pus, líquido
resultante do metabolismo de bactérias,
fragmentos de células e sangue). Após quase
três meses sob cuidados médicos, Phineas
voltou para casa dos pais e começava a retornar
para as tarefas do cotidiano, aguentando meia
jornada de trabalho.
• Entretanto, a mãe dele logo notou que parte da memória dele parecia prejudicada,
apesar de segundo os relatos do médico a memória, capacidade de aprendizado e
força motora de Gage ter sido inalterada. Com o passar do tempo, o comportamento
de Gage já não era mais o mesmo de antes do acidente. Gage parecia ter perdido
parte do tato social, e se tornou agressivo, explosivo e até mesmo profano. O antes
doce rapaz, se tornou inconsequente e rude e abandonara os planos para o futuro,
não tendo constituído família. Ele não conseguiu recuperar o emprego, e por anos se
tornou uma espécie de museu ambulante, afinal como um homem tem o cérebro
atravessado por uma barra e ousa sobreviver? Sem maiores danos? Era um caso tão
notório, que por dois anos a comunidade médica se recusava em acreditar!
INTRODUÇÃO À
NEUROPSICOLOGIA
A neuropsicologia é uma ciência do século XX,
que se desenvolveu inicialmente a partir da
convergência da neurologia com a psicologia, no
objetivo comum de estudar as modificações
comportamentais resultantes de lesão cerebral.
Atualmente, podemos situá-la numa área de
interface entre as neurociências (neste caso, ela
NEUROPSICOLOGIA
também pode ser chamada de neurociência
cognitiva), e as ciências do comportamento,
entendendo que o seu enfoque central é o
estudo da relação sistema nervoso,
comportamento, e cognição, ou seja, o estudo
das capacidades mentais mais complexas como
a linguagem, a memória, e a consciência.
NEUROPSICOLOGIA

Não há um conceito uníssono de Neuropsicologia. Inúmeras definições se


complementam e delineiam o seu campo de investigação e atuação. A
pluralidade identificada no uso do termo e a diferença entre as definições
se atrelam à constatação de que a Neuropsicologia é uma área de
fronteira com inúmeras disciplinas.

Portanto, possui um caráter eminentemente interdisciplinar, incorporando


conceitos e técnicas de disciplinas básicas, tais como a neuroanatomia,
neurofisiologia, neuroquímica e neurofarmacologia, bem como disciplinas
de aplicação, como a psicometria, psicologia clínica e experimental,
psicopatologia e psicologia cognitiva (Ramos & Hamdan, 2016).
HISTÓRIA DA NEUROPSICOLOGIA

Entretanto, a neuropsicologia começa a


O termo neuropsicologia foi utilizado delinear-se enquanto uma disciplina
pela primeira vez por Sir William Osler, científica a partir da chamada
em 1913, numa conferência nos Estados abordagem clínica clássica (final dos
Unidos. Também surgiu no subtítulo da anos de 1800), caracterizada pela
obra de 1949 de Donald Hebb (The observação e realização de estudos
Organization of Behavior: A clínicos de pacientes com lesões
Neuropsychological Theory). neurológicas e alterações cognitivas
(Kristensen, Almeida, & Gomes, 2001).
O domínio neuropsicológico pode ser
compreendido a partir de três vertentes
complementares.

1. Na primeira, a neuropsicologia é
considerada uma disciplina clínica que
objetiva identificar o perfil de déficits
DOMÍNIO cognitivos apresentado por pacientes que
sofreram lesões cerebrais.
NEUROPSICOLÓGICO
2. Trata-se igualmente, em uma segunda
vertente, de uma disciplina neurocientífica,
que consiste no estabelecimento de
correlações anátomo-clínicas, possibilitando
uma melhor compreensão acerca das
operações elementares, da dinâmica e da
plasticidade das funções cognitivas.
3. Por fim, é caracterizada como uma
disciplina cognitiva, no sentido em
que considera o desempenho em
testes e tarefas obtidos por sujeitos
com lesões cerebrais, formula testes
de hipótese a partir de teorias
DOMÍNIO
NEUROPSICOLÓGICO cognitivas elaboradas com base nos
estudos realizados com sujeitos
saudáveis, contribuindo para melhor
compreensão acerca da cognição
humana (Siéroff, 2009).
OBJETIVOS DA NEUROPSICOLOGIA

Enquanto a Neuropsicologia Experimental tem como objeto de investigação as


relações entre, de um lado, a estrutura e o funcionamento do encéfalo, de outro, os
processos psicológicos superiores, o objetivo maior da Neuropsicologia Clínica consiste
na avaliação das capacidades cognitivas deficitárias, estabelecendo igualmente as
funções preservadas, contribuindo assim para a organização e implementação de um
programa de reabilitação neuropsicológica em indivíduos com queixas associadas a
condições neurológicas específicas (Manning, 2005).

Essa pluralidade de vertentes possibilita associar à Neuropsicologia objetivos diversos


e integrados. Gil (2002) identifica objetivos diagnósticos, terapêuticos e cognitivos, ou
seja, objetivos de pesquisa básica e aplicada, que configuram, respectivamente, os
domínios da Neuropsicologia Experimental e da Neuropsicologia Clínica.
A Neuropsicologia chega ao Brasil
através das práticas da neurologia.
Em São Paulo, o médico pediatra
Antonio Branco Lefévre,
considerado patrono e fundador da
Neuropsicologia brasileira,
NEUROPSICOLOGIA defendeu em 1950 tese intitulada
NO BRASIL "Contribuição para a psicopatologia
da afasia em crianças",
inaugurando um campo de
produção científica e de práticas
que paulatinamente vêm se
adensando no país.
• No ano de 1975 criou, na Clínica
Neurológica da Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo (USP), o
Setor de Atividade Nervosa Superior,
marcado pela interdisciplinaridade e
pela aproximação com a psicologia,
notadamente através de Beatriz Helena
Lefévre que, nos anos 1980, publicou o
livro Neuropsicologia Infantil.
• Nessa mesma época, a psicóloga
Cândida Helena Pires de Camargo
introduziu a Neuropsicologia no
Instituto de Psiquiatria da Faculdade de
Medicina da USP. Em parceria com o
Professor Raul Marino Junior,
implementaram a avaliação
neuropsicológica de pacientes com
epilepsia e outros transtornos
neurológicos (Haase et al., 2012;
Mendonça, Azambuja, & Schiecht,
2008).
NEUROPSICOLOGIA

• A prática neuropsicológica no
Brasil vem avançando a
passos largos, por meio de
intervenções em consultórios
particulares e serviços
interdisciplinares, de caráter
público e privado, em especial
naqueles vinculados a
Instituições Públicas de
Ensino
• A formação e atuação do profissional psicólogo nas práticas
neuropsicológicas ganhou impulso adicional a partir do ano de
2004, quando o Conselho Federal de Psicologia (CFP), através da
resolução 002/2004, reconheceu a Neuropsicologia como
especialidade em Psicologia para a finalidade de concessão e
registro do título de especialista.
TESTES
NEUROPSICOLÓGICOS

• A avaliação neuropsicológica utiliza


testes psicométricos e
neuropsicológicos organizados em
baterias fixas ou flexíveis. As baterias
fixas são aplicadas em pesquisas, em
protocolos específicos para
investigação de uma particular. As
baterias adaptadas são mais
apropriadas para a investigação
clínica estão mais projetadas para as
soluções específicas do paciente.
Considerando um projeto dos testes neuropsicológicos, recomendamos
um protocolo de aplicação de tempo básico e indicação, que pode ser
organizado com outros testes de avaliação complementar com funções
mais propostas, um fim de um exame mais detalhado possível.

A sensibilidade e especificidade dos testes para as funções a serem


examinadas deve ser considerada nesta escolha. O psicólogo
especializado nesta área deve estar ciente da complexidade de cada
função e das formas de disponibilidade através de testes. Inteirado
suas questões, estudos aprofundados sobre o funcionamento cerebral e
as diversas patologias do Sistema Nervoso Central.
• Ao longo dos anos, muitos estudos em
Neuropsicologia, basearam-se em
descrição de casos como os primeiros
descritos por Paul Broca, Carl Wernick,
Brenda Milner, Warrington e Shalice, que
procuraram entender a complexa relação
entre cérebro e comportamento (LEZAK,
HOWIESON & LORING, 2004; GAZZANIGA,
IVRY & MANGUN, 2006).
• Posteriormente, a ênfase na avaliação foi
dada aos testes propriamente ditos,
criando-se grande escopo de baterias
neuropsicológicas cujo objetivo era avaliar
a severidade do déficit do paciente com
lesão cerebral, como a Bateria Halstead-
Reitan (STRAUS, SHERMAN & SPREEN,
2006). Com o desenvolvimento das
técnicas de n
• Com o desenvolvimento das técnicas de
neuroimagem permitiu-se informações mais
precisas acerca da localização e tipo de
lesão. No entanto, diversos distúrbios não
eram diagnosticados empregando tais
técnicas e os testes neuropsicológicos
mantinham o padrão de utilidade no
estabelecimento do diagnóstico.
• Inicialmente, a avaliação neuropsicológica
pretendia chegar à identificação e localização
de lesões cerebrais focais. Atualmente
baseia-se na localização dinâmica de
funções, objetivando a investigação das
funções mentais superiores, tais como a
linguagem, memória ou a atenção.
FUNÇÕES NEUROPSICOLÓGICAS
• Luria (1966; 1981;
1988), neuropsicólogo
soviético, elaborou a
teoria do Sistema
Funcional, formada por
três unidades:
• Unidade de Atenção
(sistema reticular);
• Unidade Sensorial (áreas
primárias, secundárias e
terciárias); e,
• Unidade de
Planejamento (áreas
primárias, secundárias e
terciárias).
• Entende a participação do
cérebro como um todo, em
que as áreas são
interdependentes e
articuladas, funcionando
comparativamente a uma
orquestra que depende da
integração de seus
componentes para realizar
um concerto
• A complexidade do sistema
nervoso está voltada para o
propósito de melhorar a
eficiência das ações. O homem
não é uma máquina passiva
de processamento, mas sim,
organismo constituído para a
interação com o mundo. O
córtex cerebral pode regular a
atividade dos neurônios
espinhais de maneira direta e
indireta. As conexões diretas
são pelo trato corticospinal ou
piramidal, composto por
neurônios que se originam no
córtex e terminam
diretamente sobre os
interneurônios espinais.
As fibras corticospinais originam-
se de muitas partes do córtex
cerebral. A mais conhecida delas
é o córtex motor primário ou área
4 de Brodmann. Também são
encontradas em partes do córtex
somatossensorial e da área 6, que
está dividida funcionalmente em
uma porção lateral, do córtex pré-
motor e de uma região medial, a
área motora suplementar
CORTEX
MOTOR
• Devido ao córtex
somatossensorial possuir
muitas projeções diretas
à medula espinhal, os
processos devem ocorrer
de forma integrada para
produzir ações coerentes
(POTTER, GREALY &
O’CONNOR, 2009).
• Cada estrutura motora
possui uma
representação
organizada,
somatotópica, do corpo.
• No homúnculo, a representação
dos efetores não corresponde ao
seu tamanho real.
• As áreas corticais
refletem a importância
dos efetores para o
movimento e o nível de
controle necessário para
manipular o efetor. Por
essa razão, os dedos da
mão ocupam uma grande
área do córtex motor
humano, em função do
significado da destreza
manual.
• A realização de
tarefas motoras
promove a ativação
metabólica, com o
aumento do fluxo
sanguíneo em
regiões do córtex
motor primário e do
córtex sensorial
somático no
hemisfério
contralateral,
durante uma
simples flexão e
extensão do dedo
indicador da mão
direita.
• Além dos aspectos
relacionados à coordenação
e praxia motora, o ritmo
está relacionado
fundamentalmente com a
integração perceptiva dos
estímulos, sonoro e motor.
A dimensão perceptual do
som corresponde à
dimensão física da
freqüência, onde a cóclea
detecta espacialmente
aquelas que variam entre
moderada a alta, e,
temporalmente aquelas
codificadas de baixa
frequência.
• Os axônios do nervo coclear informam
o cérebro sobre o volume de um
estímulo, por meio de alterações na
sua frequência de potenciais de ação.
Como ocorre com a linguagem, o lobo
frontal tem seu papel na análise
auditiva quando se usa ritmo e
memória a curto prazo numa mesma
tarefa. Dessa forma, o cérebro está
preparado, tanto para a música como
para a linguagem, e se ocupa de tipos
de sinais auditivos de forma seletiva
(KAJIHARA, 1993; GAZZANIGA et al,
2006; TYC & BOYADJIAN, 2010).
• Durante a maior parte da sua
existência, o homem não se dá
conta do que acontece a cada
minuto em seu corpo, a não ser
os eventos mais significativos. No
entanto, o sistema nervoso recebe
e processa continuamente todas
as informações sobre a posição, o
movimento das partes que
compõem o corpo como um todo.
•GNOSIAS
Capacidade de perceber e
reconhecer as coisas
(“gnose” = conhecimento).
GNOSIA
Esse conhecimento se faz
principalmente através da
visão, audição e tato.
• Agnosia é a incapacidade de
identificar um objeto com o uso
de um ou mais sentidos. O
diagnóstico é clínico e geralmente
inclui testes neuropsicológicos
com imagem do encéfalo (TC, RM)
para identificar a causa.
AGNOSIA • O prognóstico depende da
natureza e extensão da lesão e da
idade do paciente. Não há
tratamento específico, mas
fonoaudiologia e terapia
ocupacional podem ajudar a
estabilizar os pacientes.
Etiologia da agnosia

Agnosia resulta de lesões (p. ex.,


por infarto, tumor, abcesso ou trauma) ou degeneração das
áreas encefálicas que integram percepção, memória e
identificação (p. ex., doença de Alzheimer, demência por
doença de Parkinson). A área afetada geralmente é o córtex
de associação unimodal para o sentido afetado.
AGNOSIA # DÉFICIT

01 02 03 04
agnosia pode Exemplo: se um para ela (possuindo, pela palpação, se ouvir
ser diferente de indivíduo não consegue portanto, um agnosia o ruído do chacoalhar
outros déficits pela reconhecer uma chave visual) pode reconhecê- de um molho de chaves
mudança do canal ao olhar la ou se receber alguma
sensorial de informação acerca do
apresentação do objeto
objeto.
As lesões encefálicas distintas podem causar diferentes
formas de agnosia, que podem envolver qualquer sentido.
Tipicamente, apenas um dos sentidos é afetado:
Audição (agnosia auditiva a incapacidade de identificar
objetos por meio do som como um telefone tocando)

Paladar (agnosia gustativa)


TIPOS DE
AGNOSIA Olfato (agnosia olfativa)

Tato (agnosia somatosensorial)

Visão (agnosia visual)


Prosopagnosia é a
incapacidade de identificar
faces familiares, incluindo as de
amigos próximos, ou de
distinguir objetos individuais
dentre uma classe de objetos,
apesar da capacidade de
identificar características faciais
genéricas e objetos. A
prosopagnosia frequentemente
acompanha lesão no lobo
inferotemporal—em geral,
pequenas lesões bilaterais,
especialmente no giro fusiforme.
• Anosognosia • Em um fenômeno relatado com
frequência, os pacientes ignoram as
• é a falta de consciência de que existe
partes do corpo paralisadas ou
um deficit ou a falta de percepção de
dessensibilizadas (hemidesatenção
um deficit existente. Muitas vezes
ou negligência unilateral) ou o espaço
acompanha lesão no lobo parietal
adjacente (heminegligência). Em
direito não dominante (que
geral, a heminegligência envolve o
normalmente ocorre por causa de
lado esquerdo do corpo.
acidente vascular encefálico grave ou
lesão cerebral traumática). Pacientes
com múltiplos comprometimentos
podem não estar cientes de um
comprometimento, mas plenamente
cientes de outros. Os pacientes com
anosognosia negam seus deficits
motores, insistindo que nada está
errado, mesmo quando um lado do
corpo está completamente paralisado.
Quando a parte do corpo é mostrada,
os pacientes podem negar que
pertença a eles.
• Simultanagnosia é a
incapacidade de ver mais de um
objeto ou componente de um
objeto simultaneamente; os
pacientes não conseguem
perceber uma cena inteira.
• Por exemplo, ao mostrar a
imagem de uma mesa de
cozinha com alimentos e vários
utensílios, eles relatam ter visto
apenas um item, como uma
colher.
• Em geral, a simultanagnosia
resulta de lesão da junção
parieto-occipital bilateral.
APRAXIA

Distúrbio do movimento; condição neurológica que


impossibilita a realização de movimentos coordenados, sem
perda da motricidade ou da sensibilidade, sem paralisia ou
outros distúrbios.

(Etm. do grego: apraksía)


• Uma das principais dificuldades encontradas por
profissionais da saúde que ministram programas de
reabilitação para esses pacientes é diagnosticar tal distúrbio,
para que as terapias sejam dirigidas às causas reais dos
déficits funcionais e, consequentemente, obtenha-se êxito
quanto à sua reabilitação.
Lesões do sistema nervoso central,
dependendo da área acometida, podem
acarretar alterações motoras, sensitivas,
da linguagem e alterações práxicas
entre outras. A interferência, em
qualquer uma das etapas para a
realização dos movimentos, pode levar a
vários tipos de apraxia, podendo
ocasionar déficits desde a iniciativa para
o ato motor até o planejamento e
execução do mesmo, tornando o
indivíduo limitado e dependente quanto
às suas funções.
Apraxia ideativa - (apraxia no uso de objetos) é
a incapacidade de usar objetos comuns de forma adequada, ou a
incapacidade de realizar movimentos sequenciais apesar de conservar
a capacidade para executar os movimentos individuais.

Apraxia ideomotora - é a incapacidade de


completar um ato de forma voluntária em resposta a uma ordem

TIPOS verbal.

Apraxia construcional - é a incapacidade de

DE construir figuras geométricas, montar quebra-cabeças ou desenhar um


cubo ou outras figuras geométricas.

APRAXIAS Apraxia da marcha - é a incapacidade para


iniciar o movimento espontaneamente e organizar a atividade gestual
da marcha.

Apraxia mielocinética - é a incapacidade de


executar movimentos adquiridos delicados; a rapidez e a habilidade
estão afetadas, independentemente da complexidade do gestos.

Apraxia agnóstica - associação entre as apraxias


com as agnosias, alteração das funções cognitivas.
ETIOLOGIA

A doença acontece por lesões na região cerebral e está relacionada a um


estado de confusão mental. O problema pode acontecer por conta de
traumas na região cerebral, tumores e também outros fatores. A base da
doença está em um distúrbio neurológico, que causa ao doente a perda
da independência em realizar movimentos simples, mas que são de
grande valia no dia a dia das pessoas. A doença pode apresentar causar
por conta de tumores, lesões e distúrbios.
DIAGNÓSTICO
Em parceria, fonoaudiólogo e neurologista são capazes
de identificar a doença e seguir para os procedimentos
necessários de tratamento da doença. Para traçar a
confirmação da doença são necessários alguns testes e
exames. O paciente é submetido ao processo de investigação
da doença. Com isso, é necessário a realização de exames
como ressonância, que podem mostrar ou ajudar a
identificar tumores ou lesões na região cerebral. O
electroencefalograma também pode ajudar no diagnostico e
mostrar as causas da doença. Para identificar possíveis
inflamações é possível que seja realizada uma punção, que
auxilia nessa investigação. Testes e exames de linguagem
devem ser realizados para concluir o diagnostico.
• As informações são selecionadas, filtradas e encaminhadas a diferentes
regiões neurais. A parte inconsciente, em níveis subcorticais, servirá para
coordenar os movimentos, de modo a manter a postura e o equilíbrio
corporal, e ajustar o funcionamento dos órgãos internos. As informações
conscientes alcançam o córtex e servirão para orientar o comportamento
e o raciocínio, podendo ser armazenadas na memória, para utilização
posterior.
• As experiências sensoriais não são
reproduções genuínas do mundo; elas
existem apenas na mente de quem as
percebe. A mente cria não apenas o
mundo visual, mas também o mundo
dos outros sentidos.

• Se o mundo sensorial é uma criação


do cérebro, cérebros diferentes podem
criar experiências sensoriais
diferentes, mesmo entre membros de
uma mesma espécie
• As informações sensoriais
quando entram no cérebro,
são dissecadas e passam
para regiões especializadas
que analisam
separadamente
características particulares e
a impressão sensorial
experimentada é de um
mundo sensorial unificado.
• No sistema visual as
células ganglionares da
retina (no olho) formam
os nervos ópticos, que
formam a rota para o
cérebro. Pouco antes da
entrada, os nervos se
cruzam parcialmente,
formando o quiasma
óptico, fazendo com que
cada metade da retina
seja representada em
cada lado do cérebro.
Duas vias distintas
formadas levam a vários
sítios, cada um com uma
função diferente.
• A linguagem humana,
outra função cortical, é
única na natureza em sua
capacidade de simbolizar
pensamentos, simples ou
complexos, concretos ou
abstratos.
• Os homens se
comunicam de muitas
maneiras utilizando
praticamente todos os
sistemas sensoriais para
perceber e interpretar os
sinais que o sistema
motor (de outra pessoa)
produz (GERBER, 1996)
• Dá-se o nome de linguagem aos sistemas
de comunicação com regras definidas que
devem ser empregadas por um emissor
para que a mensagem possa ser
compreendida pelo receptor.
• As modalidades de linguagem (oral,
gestual, escrita...) envolvem sistemas
pareados de expressão e compreensão.
• Assim, quando a expressão é oral
(modalidade fala) a compreensão se dá
pelo sistema auditivo; quando a expressão
é gestual, a compreensão é realizada pelo
sistema visual; quando a expressão é
escrita, o sistema visual possibilita a
leitura; quando a escrita é Braile, o
sistema somestésico assume a tarefa
(GAZZANIGA et al, 2006; TODD &
ROBINSON, 2010).
• As unidades mais simples da linguagem falada são os fonemas, sons
distintos cuja associação com outros cria sílabas e palavras. As palavras
são associadas em frases de acordo com regras gramaticais específicas,
cujo conjunto é conhecido como sintaxe.

• A ordenação das palavras nas frases é uma das regras sintáticas que são
empregadas para veicular o conteúdo das idéias.
• Para compreender os diferentes
significados e expressá-los
(falando, e não ouvindo), emprega-
se a semântica, um tipo de
elaboração mental que confere o
significado aos símbolos
lingüísticos.

• São as nuances de tons de voz,


acompanhadas de gestos e
expressões faciais que dão o
colorido emocional da fala. A essa
característica da linguagem dá-se o
nome de prosódia.
• A pessoa fala para expressar o
pensamento. Logo, a primeira
tarefa lingüística do cérebro
confunde-se com os
mecanismos do pensamento.
Se o objetivo é simples, como
nomear um animal que se está
vendo, a busca de significado
sobrepõe-se à própria
percepção do objeto.

• Mas se o objetivo é mais


complexo, como a descrição de
um acidente trágico
presenciado recentemente,
primeiro consulta-se a memória
para organizar os fator e
sentimento na mente.
• Em ambos os casos, os
mecanismos cerebrais
necessários à fala atravessam
uma fase conceitual de
planejamento, seguida da
formulação.
• É necessário buscar as
palavras e fonemas adequados
para pronunciá-los.
• Nessa seqüência, o processo
sempre passa por uma busca
mental dos diversos elementos
da fala.
O léxico mental está organizado no cérebro segundo redes semânticas, de acordo
com categorias de significados semelhantes.

As regiões cerebrais envolvidas compreendem o frontal lateral inferior, a área de


Broca, situada no hemisfério esquerdo da maioria das pessoas.

Para emitir uma fala que contém os elementos afetivos da prosódia, as áreas
lingüísticas do hemisfério esquerdo precisam buscá-los nas áreas correspondentes
do hemisfério direito, e isso se dá através das comissuras cerebrais.

A construção da frase começa com a fase de conceitualização, que ocorre quando


se planeja o conteúdo da mensagem, seguida da busca da forma da mensagem,
a formulação, que corresponde a busca de fonemas, palavras e regras sintáticas.
Para o processamento da linguagem, a memória
tem um papel fundamental, pois permite
armazenar informações que possam ser
recuperadas e utilizadas posteriormente. Difere
da aprendizagem, pois esta é o processo de
aquisição das informações que levam ao
conhecimento.
O primeiro processo de memória é a aquisição,
seguida da retenção durante tempos variáveis.
A retenção por tempos curtos pode ser
transformada em retenção de longa duração
pelo processo da consolidação da memória. Em
ambos os casos pode haver evocação ou
esquecimento das informações memorizadas.
• Levando em conta o tempo de retenção, pode-se
considerar a memória ultra-rápida, a de curta
duração e a de longa duração. Quanto à
natureza, a memória pode ser implícita, explícita
e operacional.
• No processo, a primeira é a memória de hábitos,
procedimentos e regras, a memória de
representação perceptual, a aprendizagem
associativa e não-associativa, todas elas, formas
de memória que não podem ser descritas
facilmente com palavras.
• A memória explícita, ao contrário, pode ser
descrita com palavras, e consiste em um subtipo
chamado episódico (memória que ocorre ao longo
do tempo) e outro semântico (memória de
conceitos atemporais)
• Afasia é uma disfunção de linguagem que
pode envolver deficiência na
compreensão ou expressão de palavras
ou equivalentes não verbais de palavras.
Resulta de disfunção dos centros de
linguagem no córtex cerebral e gânglios
da base, ou das vias de substância branca
que os conectam. O diagnóstico é clínico,
AFASIA incluindo geralmente testes
neuropsicológicos, com imagem do
encéfalo (TC, RM) para identificar a
causa. O prognóstico depende da
natureza e extensão da lesão e da idade
do paciente. Não há tratamento
específico, mas a fonoaudiologia pode
promover a recuperação.
AFASIA EM BROCA

• Frases estereotipadas e
Afasia de Broca - Afasia • Dificuldade para iniciar a formas gramaticais simples
motora, não fluente ou de fala ou repetir. (fala telegráfica), até
expressão supressão total da
linguagem

• Lesão na porção posterior


do giro frontal inferior do • Hemiparesia/plegia
• Compreensão pouco ou hemisfério dominante (área direita (área motora
não comprometida. de Broca) – integração dos vizinha)
movimentos isolados em atos
motores complexos.
AFASIA DE WERNICKE

Afasia sensorial, fluente, Compreensão alterada Dificuldade em Fala fluente contaminada


em jargão devido à decodificação compreender a palavra por parafasias (fonemas
incorreta dos fonemas. escrita ou palavras) e neologimos.

Lesão na região posterior


da primeira cincunvolução Pode estar associada a
Repetição comprometida temporal do hemisfério apraxia ideomotora ou
dominante (áreas 21 e 22 construtiva.
de Broadmann)
TRANSCORTICAL MOTORA • Compreensão preservada
• Expressão comprometida • Repetição preservada. •
Lesão nas áreas de conexão entre àreas primárias da
linguagem e o restante do córtex, próximo à àrea de
Broca

TRANSCORTICAL MISTA • Compreensão comprometida •


Expressão preservada • Repetição preservada • Lesão
nas áreas de conexão entre áreas primárias da
linguagem e o restante do córtex, próximo à área de
Wernicke.
TRANSCORTICAL COMPLETA (mista)• Sensitiva e motora •
Compreensão alterada • Expressão alterada • Repetição
preservada. • Lesão nas áreas de conexão entre àreas
primárias da linguagem e o restante do córtex, próximo à
àrea de Broca e Wernicke.

GLOBAL • Comprometimento da expressão e compreensão. •


Repetição alterada! • Supressão quase total da linguagem
oral e escrita. • Afasia de Broca (motora) + Wernicke
(sensitiva) • Lesões extensas do hemisfério dominante,
acometendo lobo frontal (B) e temporal (W) •
Frequentemente é acompanhada de hemiplegia.
Formas dissociadas de afasia • Anartria pura ou disartriacortical:
expressão oral comprometida isoladamente; alteração articulatória;
paralisia facial central ou apraxiabuco-faringeo-facial) • Agrafia pura:
não consegue escrever; lesão da parte posterior da 2ª circunvolução
frontal do hemisfério dominante) • Surdez verbal pura: compreensão
limitada das mensagens orais isoladamente; expressão oral ou escrita e
leitura estão normais; lesão da porção média do giro temporal superior
do hemisfério dominante)

Formas dissociadas de afasia • Alexia pura: cegueira verbal pura;


comprometimento isolado da leitura; comunicação verbal e escrita
preservadas; incapaz de ler o que escreve; associada a hemianopsia
homônima direita; lesão do lobo occipital do hemisfério dominante) •
Alexia afásica (alexia + agrafia; lesão do giro angular do hemisfério
dominante) • Afasia talâmica ou subcortical(redução da linguagem
expressiva; interrupção das projeções talâmicas para o córtex da
linguagem)
O QUE E A MEMÓRIA

SEGUNDO KANDEL (2000),


A MEMÓRIA É A FORMA COMO O
CÉREBRO ADQUIRE E ARMAZENA
INFORMAÇÕES, UMA DAS FUNÇÕES
MAIS COMPLEXAS DO ORGANISMO
HUMANO.

Esta Foto de Autor Desconhecido está licenciado em CC BY-NC


A memória é um dos mais importantes processos psicológicos, pois além
de ser responsável pela nossa identidade pessoal e por guiar em maior ou
menor grau nosso dia a dia, está relacionada a outras funções corticais
igualmente importantes, tais como a função executiva e o aprendizado.
Ainda que sem perceber,
estamos fazendo uso
desse importante
recurso cognitivo a todo
momento.
• Com relação à maneira
pela qual as memórias
são armazenadas, pouco
se sabe a esse respeito.
Apesar dos inúmeros
avanços feitos pela
neurociência nos últimos
anos, ainda é um
mistério entender como
potenciais elétricos e
fenômenos bioquímicos
estão ligados às
representações mentais
que fazemos, mesmo
que alguns
neurocientistas se
atrevam a dar saltos
conceituais, encerrando
premissas que a ciência
é incapaz de
fundamentar
O que se sabe, atualmente, é que
as informações que chegam ao
nosso cérebro formam um circuito
neural, ou seja, a informação
recebida ativa uma rede de
neurônios, que, caso seja
reforçada, resultará na retenção
dessa informação (por informação,
entendemos qualquer evento
passível de ser processado pelo
sistema nervoso: um fato, um
objeto, uma experiência pessoal,
um sentimento ou uma emoção).
Por isso
considera-se que
a repetição seja
uma estratégia
necessária para a
memória.
Sobre o processo
de
armazenamento,
podemos dividi-lo
em três
subprocessos,
quais sejam:

Aquisição
Consolidação
Evocação.
A aquisição diz respeito ao momento em que a informação chega até
nosso sistema nervoso e se dá por meio das estruturas sensoriais, as
quais transportam a informação recebida até o cérebro.

O estímulo atinge os órgãos receptores, o qual, através dos nervos


sensitivos, chega ao sistema nervoso central (Kandel, 2006).
• Posteriormente, temos o
processo
de consolidação, que
diz respeito ao momento
de armazenar a
informação. Esse
armazenamento - que
representa a memória -
pode se dar de duas
maneiras distintas:
• (a) através de
alterações bioquímicas
• (b) através de
fenômenos
eletrofisiológicos.
O armazenamento é
possível graças
à neuroplasticidade, que
pode ser definida como a
capacidade que o cérebro
tem de se transformar
diante de pressões
(estímulos) do ambiente
As informações
ficam armazenadas
em regiões difusas
do cérebro,
envolvendo redes
complexas de
neurônios, as quais
modificam-se para
armazenar
informações
(Kandel, Schwartz,
Jessell, Siegelbaum,
& Hudspeth, 2013).
Após o processo de retenção, estaremos aptos a iniciar, caso
assim o desejemos, o processo de evocação das memórias, o
qual diz respeito ao retorno espontâneo ou voluntário das
informações armazenadas.

A evocação (ou recuperação) envolve a organização dos traços


de memória em uma sequência coerente no tempo (fenômeno
chamado de integração temporal) e ocorre principalmente no
córtex pré-frontal, através de um processo denominado
memória de trabalho (Mourão & Melo, 2011).
CLASSIFICAÇÃO DAS MEMÓRIAS
Tipos de
Memória
Patologias
neuropsicológicas
do SN e os
estudos das
lesões cerebrais.
Na prática clínica, no campo da neuropsicologia, a população
atendida é ampla. A avaliação neuropsicológica pode auxiliar no
diagnóstico e tratamento de diversas neuropatias, problemas de
desenvolvimento infantil e aprendizagem, entre outras. Isto indica a
importância de se possuir um material fidedigno e sensível para
avaliação das funções mentais superiores.

Na área da avaliação, vários são os testes não validados e


inadequados à cultura brasileira, que favorece o uso equivocado e
limitado de instrumentos estrangeiros (PEREIRA & CARDOSO, 1992;
MELO, CORCORAN, SHRYANE & BENTALL, 2009)
A neuropsicologia cognitiva
estuda fundamentalmente
o processamento da
informação, isto é, das
diferentes operações
mentais que são
necessárias para a
execução de determinadas
tarefas (Gazzaniga, Ivry &
Mangun, 2002)
De acordo com Ellis e Young (1988), a
NEUROPSICOLOGIA neuropsicologia cognitiva pressupõe
que o estudo de pacientes com lesões
cerebrais e seus padrões de
comportamento pode contribuir para a
compreensão de como a mente
funciona, o que, por sua vez, pode
retornar aos próprios pacientes
permitindo um melhor entendimento
de seus problemas e auxiliando no
delineamento de intervenções mais
adequadas.
CONDIÇÕES NEUROLÓGICAS E PSIQUIÁTRICAS

Doença de Alzheimer
AVC
TCE
Epilepsias
Transtornos do Neurodesenvolvimento – TEA, TDAH, TOD
Transtornos do Humor - Transtorno Bipolar, Depressão
Transtornos Ansiosos - TOC
INVESTIGAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA
A investigação neuropsicológica
permite conhecer a estrutura
interna dos processos psicológicos
e da conexão interna que os une.
Ela também nos possibilita realizar
um exame pormenorizado das
alterações que surgem nos casos
de lesões cerebrais locais, assim
como as maneiras pelas quais os
processos psicológicos são
alterados por essas lesões do
cérebro.
INTERVENÇÃO NEUROPSICOLÓGICA NA
EPILEPSIA

• A epilepsia é caracterizada pela


presença de crises epilépticas,
definida como “uma ocorrência
transitória de sinais e/ou sintomas
devido à atividade neuronal
excessiva ou síncrona anormal”
(Fisher et al., 2014).
• Essas crises estão
associadas às
patologias
estruturais e
neuroquímicas do
cérebro, que
desequilibram a
sua atividade
elétrica e
provocam
descargas
neuronais súbitas,
excessivas e
descontroladas
(Wieber, Blume,
Esta Foto de Autor Desconhecido está licenciado em CC BY-NC-ND

Girvin, & Eliasziw,


2001).
• Conforme a prática clínica e de
pesquisa, epilepsia do lobo
temporal é classificada como o
subtipo mais comum entre as
epilepsias focais e tende a ser
resistente ao tratamento
farmacológico, sendo a
intervenção neurocirúrgica o
tratamento de escolha tanto em
crianças quanto em adultos
(Coan, Kubota, Bergo, Campos,
& Cendes, 2014; Dorfer et al.,
2017; Jeyaraj et al., 2013).

Esta Foto de Autor Desconhecido está licenciado em CC BY-SA-NC


• Os estudos
neuropsicológicos nesta
população clínica,
especialmente em pacientes
com epilepsia do lobo
temporal, concentram-se na
avaliação da memória, suas
possíveis dissociações entre
modalidades (verbal versus
visuoespacial) e suas
relações com outros
domínios cognitivos.

Esta Foto de Autor Desconhecido está licenciado em CC BY-SA-NC


A relação entre cognição e epilepsia é bastante próxima
– 70 a 80% das pessoas com epilepsia apresentam:

Alteração na memória.

Dificuldade de aprendizagem.

Déficit de atenção.
Assim, a avaliação neuropsicológica em pacientes candidatos à
neurocirurgia na epilepsia refratária tem o objetivo de investigar a
lateralização dos possíveis déficits cognitivos a partir da dissociação do
desempenho do paciente em tarefas cognitivas específicas (Jeyaraj et al.,
2013; Wisniewski, Wendling, Manning, & Steinhoff, 2012). Um exemplo
deste cenário são alguns estudos que avaliam pacientes com lesão
temporal à esquerda evidenciam pior desempenho em tarefas de memória
verbal e melhor desempenho em memória episódica visuoespacial
(Mcandrews & Cohn, 2012).

Esta Foto de Autor Desconhecido está licenciado em CC BY-SA


O papel da neuropsicologia torna-se
muito importante em diferentes
momentos do processo
neurocirúrgico, tanto no pré-
cirúrgico quanto no pós-cirúrgico.
As consultas neuropsicológicas
podem auxiliar na aceleração da
alta clínica e na identificação das
necessidades dos pacientes, sejam
elas de diferentes frentes.
Também é possível que os pacientes
sejam encaminhados a ambientes
mais seguros e adequados, o que
pode diminuir os custos hospitalares
e a melhora da qualidade de vida
(Bishop, Temple, Tremont,
Westervelt, & Stern, 2003).
Além dos prejuízos cognitivos associados à epilepsia refratária são
encontrados nesta população alterações emocionais, comportamentais
e de qualidade de vida. Um estudo revelou que adultos com epilepsia
tem pior qualidade de vida quando comparado a adultos saudáveis
(Elsharkawy, Thorbecke, Ebner, & May, 2012).

Esses fatores devem ser avaliados pelo neuropsicólogo e equipe


médica a fim de esclarecer e mensurar possíveis comorbidades
psiquiátricas e proporcionar suporte profissional ao paciente e seus
familiares/cuidadores durante o processo de avaliação pré-
operatório (Boletim SBNp, São Paulo, SP, v. 3, n. 9, p. 1-18,
setembro/2020 )
Por meio da orientação de
profissionais, pode-se
melhorar a funcionalidade
dessas pessoas em tarefas
cotidianas, sempre que
possível com estratégias para
a família, na reinserção social
e no ajuste socioemocional
em suas relações em
diferentes contextos. (Boletim
SBNp, São Paulo, SP, v. 3, n.
9, p. 1-18, setembro/2020)

Você também pode gostar