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Entendendo o Ácido Lático e sua Produção

O ácido láctico é um composto orgânico gerado durante a respiração anaeróbica, especialmente em exercícios intensos, onde a glicose é decomposta na ausência de oxigênio, levando à fadiga muscular. Ele não deve ser visto apenas como um subproduto tóxico, mas sim como uma fonte de energia que pode ser reciclada em condições adequadas, como durante a recuperação. A remoção do ácido láctico do sangue e dos músculos ocorre mais rapidamente com atividade física leve após o exercício, e sua conversão em glicose ou oxidação é crucial para a recuperação e manutenção da homeostase energética.
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Entendendo o Ácido Lático e sua Produção

O ácido láctico é um composto orgânico gerado durante a respiração anaeróbica, especialmente em exercícios intensos, onde a glicose é decomposta na ausência de oxigênio, levando à fadiga muscular. Ele não deve ser visto apenas como um subproduto tóxico, mas sim como uma fonte de energia que pode ser reciclada em condições adequadas, como durante a recuperação. A remoção do ácido láctico do sangue e dos músculos ocorre mais rapidamente com atividade física leve após o exercício, e sua conversão em glicose ou oxidação é crucial para a recuperação e manutenção da homeostase energética.
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ACIDO LATICO

O ácido láctico ou lático ( do latim lac, lactis, leite), é um composto orgânico de


função mista ácido carboxílico - álcool que apresenta fórmula molecular C 3H6O3 e
estrutural CH3 - CH ( OH ) - COOH. Participa de vários processos bioquímicos, e o
lactato é o sal deste ácido.

Pela nomenclatura IUPAC é conhecido como ácido 2-hidroxi-propanóico ou ácido α-


hidroxi-propanóico.

Numa linguagem mais fácil:

Respiramos mais depressa durante um exercício muscular, porque consumimos mais


oxigênio. Nossos músculos, porém, são dotados de um mecanismo que garante a
continuação do esforço, mesmo na ausência do oxigênio: a respiração anaeróbia, onde a
glicose se decompõe na ausência do gás oxigênio, reproduzindo ácido lático. Quanto
maior a atividade muscular, mais ácido lático se acumula no músculo, tornando-o
fatigado e incapaz de contrair-se, produzindo cansaço e até cãibras.

ÁCIDO LÁTICO

Para realizar quase todas as tarefas que nosso corpo necessita para a nossa
sobrevivência (funções biológicas), ou para que possa realizar uma ação do nosso
comando (movimentos e exercícios), é necessário um gasto de energia para que
isto aconteça. Esta energia é proveniente de uma molécula chamada ATP
(adenosina trifosfato – uma molécula universal condutora de alta energia, fabricada
em todas as células vivas como um modo de capturar e armazenar energia.
Consiste de base púrica adenina e do açúcar de cinco carbonos ribose, aos quais
são adicionados, em arranja linear, três moléculas de fosfato). À medida que o
corpo vai realizando suas funções, o ATP é degradado e, conseqüentemente,
posteriormente, é restaurado por outra fonte energética que pode ser proveniente
da fosfocreatina (uma outra molécula geradora de energia), das gorduras, dos
carboidratos ou das proteínas.

Conforme as necessidades energéticas vão avançando, o corpo utiliza o pouco ATP


que ele tem disponível para realizar suas funções, a medida que o ATP acaba, é
solicitado o uso da fosfocreatina para ressintetizar o ATP, porém a fosfocreatina
também é pouca em nosso organismo. Então as necessidades energéticas
continuam é o nosso organismo solicita outro macronutriente para realizar a
ressintese do ATP. Entretanto, neste momento o nosso corpo precisa fazer uma
escolha, ele precisa determinar qual substrato energético utilizar: gordura, na forma
de triglicerídeos, ou carboidratos, na forma de glicose ou glicogênio muscular. Essa
escolha irá depender de dois fatores: (1) a velocidade de ressintese do ATP; e (2) se
há ou não a presença de oxigênio durante o processo de transformação.

Na presença de oxigênio e na pouca necessidade de solicitação deste


macronutriente, o organismo utilizaria a gordura para ressintetizar ATP, uma vez
que a gordura gera mais ATP que a glicose, e sua fonte é praticamente ilimitada no
nosso corpo, não levando-o ao risco de sofrer pela má utilização deste substrato.
Por outro lado, na necessidade de alta velocidade de ressintese do ATP o organismo
irá optar pela glicose ou glicogênio hepático e muscular; como em exercícios
extenuantes e muito intensos. Isso também ocorreria na ausência de oxigênio
durante o processo de transformação para gerar energia, chamado de ciclo da
glicólise. Esse ciclo seria capaz de gerar energia suficiente para ressintese do ATP,
mas teria um efeito indesejável, a produção de ácido lático (um subproduto "tóxico"
gerado no decorrer do ciclo de ressintese do ATP), que faria com que o exercício
fosse interrompido minutos depois pela instalação da fadiga muscular dos músculos
ativos (músculos exercitados).

O lactato não deve ser encarado como um produto de desgaste metabólico. Pelo
contrário, proporciona uma fonte valiosa de energia química que se acumula como
resultado do exercício intenso. Quando se torna novamente disponível uma
quantidade suficiente de oxigênio durante a recuperação, ou quando o ritmo do
exercício diminui, NAD+ (coenzima NADH em sua forma oxidada) varre os
hidrogênios ligados ao lactato para subseqüente oxidação a fim de formar ATP. Os
esqueletos de carbono das moléculas de piruvato formados novamente a partir do
lactato durante o exercício serão oxidados para a obtenção de energia ou serão
sintetizados (transformados) para glicose (gliconeogênese) no ciclo de Cori. O ciclo
de Cori não serve apenas para remover o lactato, mas o utiliza também para
reabastecer as reservas de glicogênio depletadas no exercício árduo.

Como ocorre a produção de Ácido Lático

Quando a oxidação do lactato iguala sua produção, o nível sangüíneo de lactato se


mantém estável, apesar de um aumento na intensidade do exercício e no consumo
de oxigênio. Para as pessoas sadias, porém destreinadas, o lactato sangüíneo
começa a acumular-se e sobe de maneira exponencial para aproximadamente 55%
de sua capacidade máxima para o metabolismo aeróbico. A explicação habitual
para um acúmulo do lactato sangüíneo durante o exercício pressupõe uma hipoxia
(falta de oxigenação da musculatura) tecidual relativo. Quando o metabolismo
glicolítico predomina, a produção de nicotinamida adenina dinucleotídio (NADH –
coenzima envolvida na transferência de energia) ultrapassa a capacidade da célula
de arremessar seus hidrogênios (elétrons) através da cadeia respiratória, pois
existe uma quantidade insuficiente de oxigênio ao nível tecidual. O desequilíbrio na
liberação de oxigênio e a subseqüente oxidação fazem com que o piruvato
(substrato final da degradação da glicose; muito importante para a formação do
lactato) possa aceitar o excesso de hidrogênios, o que resulta em acúmulo de
lactato.

O lactato é formado continuamente durante o repouso e o exercício moderado. As


adaptações dentro dos músculos induzidas pelo treinamento aeróbico permitem os
altos ritmos de renovação do lactato; assim sendo, o lactato acumula-se para os
níveis mais altos de exercício que no estado destreinado.

Outra explicação para o acúmulo de lactato durante o exercício poderia incluir a


tendência para a enzima desidrogenase lática (LDH) nas fibras musculares de
contração lenta favorecer a conversão de lactato para piruvato. Portanto, o
recrutamento das fibras de contração rápida com o aumento da intensidade do
exercício favorece a formação de lactato, independentemente da oxigenação
tecidual.

A produção e o acúmulo de lactato são acelerados quando o exercício torna-se mais


intenso e as células musculares não conseguem atender às demandas energéticas
adicionais aerobicamente nem oxidar o lactato com o mesmo ritmo de sua
produção.

Como responde o organismo na presença do Ácido Lático

Depois que o lactato é formado no músculo, se difunde rapidamente para o espaço


intersticial e para o sangue, para ser tamponado e removido do local do
metabolismo energético. Dessa forma, a glicólise continua fornecendo energia
anaeróbica para a ressíntese do ATP. Essa via para a energia extra continua sendo
temporária, pois os níveis sangüíneos e musculares de lactato aumentam e a
regeneração do ATP não consegue acompanhar seu ritmo de utilização. A fadiga se
instala de imediato e diminui o desempenho nos exercícios. A maior acidez
intracelular e outras alterações medeiam a fadiga, pela inativação de várias
enzimas na transferência de energia e pela deterioração das propriedades
contráteis do músculo. Entretanto, a maior acidez (pH mais baixo) por si só não
explica a redução na capacidade de realizar exercícios durante um esforço físico
intenso.

No exercício extenuante, quando as demandas energéticas ultrapassam tanto o


suprimento de oxigênio quanto seu ritmo de utilização, a cadeia respiratória não
consegue processar todo o hidrogênio ligado ao NADH. A liberação contínua de
energia anaeróbica na glicólise depende da disponibilidade de NAD + para oxidar 3-
fosfogliceraldeído (subproduto da degradação da glicose); caso contrário, o ritmo
rápido da glicólise "se esgota". Durante a glicólise anaeróbia, NAD + "é liberado" à
medida que pares de hidrogênios não-oxidatos "em excesso" se combinam
temporariamente com o piruvato para formar lactato. O acúmulo de lactato, e não
apenas sua produção, anuncia o início do metabolismo energético anaeróbio.

A ressíntese dos fosfatos de alta energia (ATP) terá que prosseguir com um ritmo
rápido para que o exercício extenuante possa continuar. A energia para fosforilar o
ADP (resultado final do ATP depois de liberar energia), durante o exercício intenso
deriva principalmente do glicogênio muscular armazenado através da glicólise
anaeróbica (ritmo máximo de transferência de energia igual a 45% daquele dos
fosfatos de alta energia), com a subseqüente formação de lactato. De certa forma,
a glicólise anaeróbica com formação de lactato poupa tempo. Torna possível a
formação rápida de ATP pela fosforilação ao nível do substrato, mesmo quando o
fornecimento de oxigênio continua sendo insuficiente e/ou quando as demandas
energéticas ultrapassam a capacidade do músculo para a ressíntese aeróbica do
ATP.

Os acúmulos rápidos e significativos de lactato sangüíneo ocorrem durante o


exercícios máximos (extenuante) que dura entre 60 a 180 segundos. Uma redução
na intensidade desse exercício árduo para prolongar o período do exercício acarreta
uma redução correspondente tanto no ritmo de acúmulo quanto no nível final de
lactato sangüíneo.

No exercício extenuante com um catabolismo elevado dos carboidratos, o


glicogênio dentro dos tecidos inativos pode tornar-se disponível para atender às
necessidades do músculo ativo. Essa renovação (turnover) ativa do glicogênio,
através do reservatório permutável de lactato muscular, progride à medida que os
tecidos inativos lançam lactato na circulação. O lactato proporciona um precursor
gliconeogênico capaz de sintetizar os carboidratos (através do ciclo de Cori no
fígado e nos rins) que irão permitir a homeostasia (tendência do organismo em
manter constantes as condições fisiológicas) da glicose sangüínea e atender às
demandas energéticas do exercício.

O lactato produzido nas fibras musculares de contração rápida pode circular para
outras fibras de contração rápida ou de contração lenta para ser transformado em
piruvato. Por sua vez, o piruvato é transformado em acetil-CoA para penetrar no
ciclo do ácido cítrico para o metabolismo energético aeróbico. Esse lançamento do
lactato entre diferentes células faz com que a glicogenólise (conversão de
glicogênio em glicose) que ocorre em uma célula possa suprir outras células com
combustível para a oxidação. Isso torna o músculo não apenas o principal local de
produção do lactato, mas também um tecido primário para a remoção do lactato
através da oxidação. Qualquer lactato formado em uma parte de um músculo ativo
acaba sendo oxidado rapidamente pelas fibras musculares com uma alta
capacidade oxidativa (coração e outras fibras do mesmo músculo, ou dos músculos
vizinhos menos ativos).
O que acontece com o ácido lático e como é o processo de sua remoção.

O ácido lático é removido do sangue e dos músculos durante a recuperação após


um exercício exaustivo. Em geral, são necessários 25 minutos de repouso-
recuperação para remover a metade do ácido lático acumulado.

A fadiga surge após os exercícios nos quais se acumularam quantidades máximas


de ácido láctico, a recuperação plena implica remoção desse ácido tanto do sangue
quanto dos músculos esqueléticos que estiveram ativos durante o período
precedente de exercícios.

Em geral, pode-se dizer que são necessários 25 minutos de repouso-recuperação


após um exercício máximo para se processar a remoção de metade do ácido lático
acumulado. Isso significa que cerca de 95% do ácido lático serão removidos em 1
hora e 15 minutos de repouso-recuperação, após um exercício máximo.

O termo repouso-recuperação se dá pelo fato que o ácido lático é mais velozmente


removido se a recuperação ativa em baixa intensidade for empregada após o
exercício, do que se o indivíduo permanecer em repouso (inativo) logo após o
exercício.

Durante um exercício submáximo, porém árduo, no qual o acúmulo de ácido lático


não é tão grande, será necessário menos tempo para sua remoção durante a
recuperação.

Em condições aeróbicas, o ritmo de remoção do lactato por outros tecidos


corresponde a seu ritmo de formação, resultando na ausência de qualquer acúmulo
efetivo de lactato, isto é, a concentração sangüínea de lactato se mantém estável.
Somente quando a remoção não mantém paralelismo com a produção, o lactato
acumula-se no sangue.

Existem quatro destinos possíveis para o ácido lático:

- Excreção na Urina e no Suor – Sabe-se que o ácido lático é excretado na urina e no


suor. Entretanto, a quantidade de acido lático assim removida durante a
recuperação após um exercício é negligenciável.

- Conversão em Glicose e/ou Glicogênio – Já que o ácido lático é um produto da


desintegração dos carboidratos (glicose e glicogênio), pode ser transformado de
novo em qualquer um desses compostos no fígado (glicogênio e glicose hepáticos)
e nos músculos (glicogênio muscular), na presença de energia ATP necessária.
Contudo, e como já dissemos, a ressíntese do glicogênio nos músculos e no fígado é
extremamente lenta, quando comparada com a remoção do ácido lático. Além
disso, a magnitude das alterações nos níveis sanguíneos de glicose durante a
recuperação também é mínima. Portanto, a conversão do ácido lático em glicose e
glicogênio é responsável apenas por uma pequena fração do ácido lático total
removido.

- Conversão em Proteína – Os carboidratos, incluindo o ácido lático, podem ser


convertidos quimicamente em proteína dentro do corpo. Entretanto, também foi
demonstrado nos estudos que apenas uma quantidade relativamente pequena de
ácido lático é transformada em proteína durante o período imediato de recuperação
após um exercício.

- Oxidação/Conversão em CO2 e H2O – O ácido lático pode ser usado como


combustível metabólico para o sistema do oxigênio, predominantemente pelo
músculo esquelético, porém o músculo cardíaco, o cérebro, o fígado e o rim
também são capazes dessa função. Na presença de oxigênio, o ácido lático é
transformado, primeiro, em ácido pirúvico e, a seguir, em CO 2 e H2O no ciclo de
Krebs e no sistema de transporte de elétrons, respectivamente. É evidente que o
ATP é ressintetizado em reações acopladas no sistema de transporte de elétrons.

O uso de ácido lático como combustível metabólico para o sistema aeróbico é


responsável pela maior parte do ácido lático removido durante a recuperação após
um exercício intenso.

É razoável suspeitar de que pelo menos parte da demanda de oxigênio e da energia


ATP associada com a remoção do ácido lático é fornecida pelo oxigênio consumido
durante a fase de recuperação lenta (intensidade de trabalho abaixo de 60% do
VO2máx.).

Como podemos lidar com o ácido lático e o que fazer para sustentar a
intensidade do exercício na presença dele.

A capacidade de gerar altos níveis sangüíneos de lactato durante o exercício


máximo aumenta com o treinamento anaeróbio específico de velocidade-potência
e, subseqüentemente, diminui com o destreinamento.

A manutenção de um baixo nível de lactato conserva também as reservas de


glicogênio, o que permite prolongar a duração de um esforço aeróbico de alta
intensidade.

Foi observado em pesquisas que, a elevação dos níveis de lactato observada nos
indivíduos treinados quando exercitados agudamente foi significativamente menor
que a observada nos sedentários. Tais resultados reproduzem os achados clássicos
descritos na literatura, o que nos permite avaliar como eficazes, tanto na
intensidade do exercício agudo na determinação de modificações no metabolismo
energético, quanto o protocolo de treinamento físico na produção de adaptações
orgânicas. Em outras palavras, treinar para aumentar o limiar anaeróbico.

Referências Bibliográficas

FOSS, M.L.; KETEYIAN, S.J. Bases Fisiológicas do Exercício e do Esporte. 6ª ed.


Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2000.

MCARDLE, William D. et al. Fisiologia do Exercício - Energia, Nutrição e


Desempenho Humano. [Link]. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2001.

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