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Variáveis e Elementos de Circuitos Elétricos

O capítulo aborda os conceitos fundamentais de circuitos elétricos, incluindo a definição de circuitos, carga elétrica, corrente elétrica e tensão elétrica. Ele explica a relação entre potência, energia e trabalho, além de apresentar fórmulas essenciais para cálculos em circuitos. Exemplos práticos e exercícios são fornecidos para ilustrar os conceitos discutidos.

Enviado por

Beatriz Duarte
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Variáveis e Elementos de Circuitos Elétricos

O capítulo aborda os conceitos fundamentais de circuitos elétricos, incluindo a definição de circuitos, carga elétrica, corrente elétrica e tensão elétrica. Ele explica a relação entre potência, energia e trabalho, além de apresentar fórmulas essenciais para cálculos em circuitos. Exemplos práticos e exercícios são fornecidos para ilustrar os conceitos discutidos.

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CAPÍTULO 2

VARIÁVEIS E ELEMENTOS DE CIRCUITOS ELÉTRICOS

2.1 INTRODUÇÃO

Circuito elétrico é uma interconexão de componentes ou dispositivos elétricos, ligados de tal maneira a formarem
um caminho fechado por onde deve passar um fluxo de cargas elétricas. Um exemplo simples de um circuito elétrico é o
de uma lâmpada em uma lanterna ou na rede elétrica, que é ilustrado na figura 2-1(a) e (b) com seus respectivos
esquemas elétricos. O primeiro é um circuito de corrente contínua e o segundo, um circuito de corrente alternada
senoidal. Em qualquer um destes casos observam-se três elementos básicos: (1) um dispositivo que fornece energia,
genericamente chamado de gerador ou fonte; (2) um dispositivo de controle, neste caso uma chave para acionar a
lâmpada e (3) um dispositivo consumidor de energia, genericamente chamado de carga, neste caso, a lâmpada.

(a)

(b)
Fig. 2-1: (a) Circuito de uma lanterna; (b) Circuito de uma lâmpada na rede elétrica.

2.2 CARGA ELÉTRICA, TENSÃO ELÉTRICA E CORRENTE ELÉTRICA

CARGA ELÉTRICA

É a quantidade de eletricidade responsável por todos os fenômenos elétricos. A natureza provê dois tipos de
cargas elétricas: positivas e negativas. Estas cargas são quantificadas (ou quantizadas), isto é, todas as cargas elétricas
são múltiplas inteiras da carga de um elétron (ou próton), que vale aproximadamente 1,602×10-19 C. Seus principais
efeitos observáveis são: a corrente elétrica causada pelo movimento das cargas, e a tensão elétrica causada pela
separação de cargas.

CORRENTE ELÉTRICA

Uma quantidade de cargas elétricas Q , atravessando uma seção transversal de um fio, num intervalo de tempo
T , fornece uma corrente média nesse intervalo
Esta definição pode ser expressa matematicamente por:

Q
I= (corrente média) (2-1)
T
onde I é a corrente em ampères [A], Q é a carga em coulombs [C] e T é o tempo em segundos [s]
Quando a carga varia continuamente com o tempo, utiliza-se uma fórmula mais precisa onde a corrente é dada
pela derivada da carga em relação ao tempo. Então escreve-se:

dq
i (t )= (2-2)
dt
Esta definição de corrente elétrica leva em conta apenas a sua magnitude. Porém, como ela representa um
movimento de cargas positivas ou negativas, há de se considerar também o sentido dela. Entretanto, quando se fala em
sentido, não implica dizer que a corrente elétrica seja uma grandeza vetorial. Ela é uma grandeza escalar.

Exemplo: A carga elétrica que atravessa um fio condutor varia exponencialmente conforme a função q(t) = 3e–2t C, com
t dado em segundos. Encontre a expressão da corrente passando por esse fio.

Solução: Utilizando a equação (2-2) temos:

dq d
= ( 3 e )=−6 e A
−2 t −2 t
i (t )=
dt dt
A natureza da corrente elétrica depende do material por onde ela flui. Nos condutores metálicos, por exemplo,
ela consiste no movimento de elétrons livres presente em grande quantidade nesses materiais; nos semicondutores, são
elétrons e lacunas; nos líquidos, são elétrons e íons; e nos gases, são apenas íons.

Exemplo: achar a corrente elétrica que passa por uma lâmpada produzida pelo movimento constante de (a) 15 C em 2
minutos; (b) 1022 elétrons em 1 (uma) hora.

15
Solução: (a) I = =0,125 A ou 125 mA
2(60)
22 −19
10 ( 1,602× 10 )
(b) I = =0,445 A ou 445 mA
1(3600)

Exercícios

a) Determine o tempo necessário para que 4×1016 elétrons atravessem a seção reta de um condutor, se a intensidade da
corrente for de 5 mA.
Resposta: 1,28 s.

b) Se 465 C de carga passam através de um fio em 2,5 min. Quanto vale a corrente em Ampères?
Resposta: 3,10 A

c) Quantos elétrons passam através de um condutor em 1 min se a corrente for de 1 A?


Resposta: 3,751020.

d) A carga elétrica através de um elemento de circuito varia segundo a função senoidal q(t) = 2,5cos(377t – 30º) C.
Encontre a expressão da corrente.

e) Uma bateria de carro é especificada para 70 Ah. Por quanto tempo essa bateria fornece 10 A aos faróis do veículo?

f)

DIFERENÇA DE POTENCIAL ELÉTRICO (TENSÃO ELÉTRICA)

Em virtude da força do seu campo eletrostático, uma carga elétrica é capaz de realizar trabalho ao deslocar
outra carga por atração ou repulsão. A capacidade de uma carga realizar trabalho por unidade de carga é chamada de
potencial. Quando uma carga for diferente da outra, haverá uma diferença de potencial entre elas.
A unidade fundamental de diferença de potencial é o volt (V). O símbolo usado para a diferença de potencial é V,
que indica a capacidade de realizar trabalho ao se forçar os elétrons a se deslocarem. A diferença de potencial elétrico é
chamada de tensão elétrica. (Alguns usam inadequadamente a expressão voltagem). Podemos então, dizer que:

Existe uma diferença de potencial de 1 Volt (V) entre dois pontos se acontece uma troca de energia de 1 Joule (J)
quando deslocamos uma carga de 1 Coulomb (C) entre esses dois pontos.

A tensão elétrica entre dois pontos, em geral pode ser calculada pela fórmula:

V = W/Q, V - Tensão elétrica em volt (V)


W - Energia ou trabalho em joule (J)
Q - Carga elétrica em Coulomb (C)

Exemplo 1: quanta energia química uma bateria de 12 V de um carro deve consumir ao deslocar 8,93×1020 elétrons de
seu terminal positivo para seu terminal negativo? Dê sua resposta em kJ arredondando para duas casas decimais.

Solução: w = (8,93×1020)(1,602×10–19)(12) = 1716,7032 J ou 1,72 kJ

Exemplo 2: Encontre a energia armazenada em uma bateria de carro de 12 V e 60 Ah.

Solução: A carga armazenada na bateria, em coulomb, é Q = 60(3600) = 216000 C

A energia armazenada é: w = QV = 216000(12) = 2592000 J ou 2,59 MJ

Exercícios:

a) Determine a energia necessária para mover uma carga de 50 μC através de uma tensão de 6 V.
Resposta: 300 μJ.

b) A diferença de potencial entre dois pontos é de 24 V. Se 0,4 J de energia for dissipado em um intervalo de 5 ms, qual
o valor da corrente entre os dois pontos?
Resposta: 3,3 A.

c) Uma carga se desloca por um condutor a uma taxa de 420 C/min. Se 742 J de energia elétrica for convertida em calor
durante 30 s, qual a tensão a que está submetido esse condutor?
Resposta: 3,53 V.

Alguns livros fazem distinção entre tensão elétrica como sendo uma diferença de potencial elétrica entre dois
pontos quaisquer de um circuito e força eletromotriz como sendo o trabalho por unidade de carga, produzido por um
campo elétrico interno ao gerador de energia. Por exemplo, numa bateria de carro, de 12 V, a reação química dentro da
bateria resulta numa força eletromotriz de 12 V que faz surgir cargas elétricas de sinais opostos nos bornes da bateria. O
campo elétrico gerado por essas cargas estáticas presentes nos bornes é que dá origem à tensão elétrica ou diferença de
potencial no circuito ligado a ela. Quando não há nada ligada aos bornes da bateria, a diferença de potencial é igual à
força eletromotriz.

Correntes e tensões podem variar ou não com o tempo, o que pode resultar em diversas formas de tensão ou
corrente, como visto a seguir.

CORRENTE OU TENSÃO CONTÍNUA

É a corrente ou tensão constante para todo o intervalo de tempo, mantendo sempre a polaridade (no caso da
tensão) e o mesmo sentido (no caso da corrente), conforme mostra a figura 2-2, onde K representa o valor constante de
tensão ou corrente.
Fig.2-2: Corrente ou tensão DC em função do tempo

Como exemplo prático de tensão ou corrente contínua se pode citar aquelas provenientes de baterias, pilhas,
dínamos e painéis solares.

CORRENTE OU TENSÃO VARIANTE COM O TEMPO

Neste caso podemos ter diversas formas de onda conforme exemplos mostrados na figura 2-3, onde se tem
alguns casos típicos de tensão ou de corrente assumindo a forma de funções matemáticas conhecidas.

(a) f(t) = sen(ωt) (b) f(t) = Ke–bt (c) f(t) = at


Fig. 2-3: (a) Função senoidal; (b) Função exponencial; (c) Função rampa

Um exemplo de corrente ou tensão senoidal são aquelas provenientes das tomadas elétricas de nossas
residências; a função exponencial pode ser observada durante a carga ou descarga de um capacitor ou indutor e a função
rampa é encontrada nos geradores de ondas triangulares.

2.3 POTÊNCIA ELÉTRICA E ENERGIA ELÉTRICA

ENERGIA

É a capacidade de realização de um trabalho, sendo numericamente igual a este trabalho realizado, isto é,
quando se realiza certa quantidade de trabalho, se gasta a mesma quantidade de energia para realizar este trabalho.

Tanto a energia quanto o trabalho são medidos em Joule (J) no sistema SI.

POTÊNCIA

É a taxa de variação da energia, ou do trabalho por ela produzido, com o tempo, isto é, a potência está associada
a velocidade (taxa de variação) com que um trabalho é realizado ou uma energia é gasta. Esta taxa de variação é dada
por:

W
P= (2-3)
T
Exemplo 1: Um motor é utilizado para erguer um elevador de 450 kg a uma altura de 50 m num intervalo de 20 s. Qual a
potência desenvolvida por esse motor em hp? Se o rendimento do motor é de 80%, qual a energia gasta por ele?
Suponha a aceleração da gravidade como sendo 9,8 m/s2.

Solução: A força necessária para vencer a gravidade é f = p = m.g = 450(9,8) = 4410 N

O trabalho realizado pelo motor é w = f.d = 4410×50 = 220500 J

A potência desenvolvida pelo motor será: Pu = w/t = 220500/20 = 11025 W ou 11,03 kW


Como o rendimento é 0,80, então a potência total é PT = Pu/0,8 = 11025/0,8 = 13781,25 W ou 13,78 kW

Portanto, a energia gasta em 20 s será wT = PT.t = 13781,25(20) = 275625 W.s ou 0,077 kW.h

Da equação (2-3), multiplicando e dividindo o segundo membro por q, deduz-se uma fórmula mais adequada
para a análise de circuitos, dada por:

P = VI (2-4)

onde V é a tensão em volt [V], I é a corrente em ampère [A] e P é a potência em watt [W].

Exemplo 2: quantos joules uma lâmpada de 60 W consome em 1 h?

Solução: W = PT = 60(3600) = 216000 Ws = 216 kJ

Exercícios:

a) Quanto tempo uma lâmpada de 100 W demora para consumir 13 kJ?


Resposta: 130 s

b) Quanta potência um fogão elétrico absorve se ele solicita 10 A quando ligado a uma linha de 115 V?
Resposta: 1,15 kW

c) Que corrente uma torradeira de 1200 W solicita de uma linha de 120 V?


Resposta: 10 A

OBSERVAÇÃO: Existem duas unidades de potência muito utilizadas, principalmente em máquinas e motores, para
indicar a potência máxima que eles podem desenvolver, chamada de potência útil, dadas em HP (Horse Power) ou CV
(Cavalo Vapor). Esta potência também é chamada de potência mecânica. A correspondência destas potências com o
Watt é:

1 HP = 746 W (aproximadamente) e 1 CV = 735 W (aproximadamente)

É costume expressar o rendimento destas como sendo a relação entre a potência útil que o dispositivo
desenvolve para realizar certo trabalho e a potência que ele consome que, obviamente, é maior que a potência útil.
Chamando de η (eta) este rendimento, Pu a potência útil e PT a potência total consumida, pode-se expressar o rendimento
assim:

Pu pu
η= ou em termos percentuais: η %=100
PT pT

Exemplo: achar o rendimento da operação de um motor que desenvolve 1 HP enquanto absorve uma potência de entrada
de 900 W.

pu 1× 745 ,7
Solução: η %=100 = ×100=82 , 9 %
pT 900

Exercícios:

a) Qual é o rendimento da operação de um motor de 2 HP, completamente carregado, que solicita 19 A em 100 V?
Resposta: 78,5%
b) Achar a potência absorvida por um motor de 5 HP, completamente carregado, que opera com um rendimento de
80%?
Resposta: 4,66 kW

A energia em função da potência pode ser calculada em qualquer intervalo de tempo, como sendo:

W = P.T (2-5)

A energia pode ser dada em joule que corresponde ao W.s ou, quando o consumo é muito grande, ela pode ser dada em
[Link] (kW.h)

O [Link]

O quilowatt-hora (kWh) é uma unidade comumente usada para designar grandes quantidades de energia elétrica
ou trabalho, como no caso do consumo residencial, comercial ou industrial. A quantidade de quilowatt-hora é calculada
fazendo-se o produto da potência em quilowatts (kW) pelo tempo em horas (h) durante o qual a potência é utilizada.

kWh=kW ×h
Exemplo: um motor elétrico desenvolve 5 HP com um rendimento de 85%. Achar o custo para operá-lo continuamente
durante 1 dia, se o custo da energia é de 6 centavos o kW.h.

Solução: Potência desenvolvida = Pu = 5(746) = 3730 W; potência consumida = PT = Pu/0,85 = 3730/0,85 = 4388,23 W
ou PT = 4,39 kW. Logo, a energia gasta em 1dia será: W = 4,39(24) = 105,36 kWh e o custo total será:

Custo = 105,36(0,06) = R$6,32

Exercícios:

a) Um forno de micro-ondas desenvolve uma potência de 800 W para assar uma pizza em 3 min. A potência elétrica
consumida por ele é de 1200 W. Encontre a eficiência desse forno bem como a energia elétrica gasta para assar a pizza
em kW.h.
Resposta: = 0,66; W = 0,60 kWh.

b) Um motor de 120 V consome 12 A e desenvolve uma potência de saída de 1,6 hp. Determine: (a) a eficiência do
motor; (b) a energia gasta, em kW.h, durante 2 h.

2.4 ELEMENTOS DE CIRCUITOS

Elementos de circuitos são modelos simplificados, quase sempre ideais, usados para representar dispositivos
físicos que compõem um circuito. Normalmente são representados por um símbolo e uma equação como mostra a figura
2-4.

Fig. 2-4: Símbolos de alguns elementos de circuitos

RESISTÊNCIA E RESISTOR

Resistência elétrica é a capacidade de um corpo qualquer se opor à passagem de corrente elétrica quando existe
uma diferença de potencial aplicada. Quando uma corrente elétrica é estabelecida em um material, um certo número de
elétrons passam a se deslocar nesse material. Nesse movimento, os elétrons colidem entre si e também contra os átomos
que constituem o material. Portanto, os elétrons encontram uma certa dificuldade para se deslocar, isto é, existe uma
resistência à passagem da corrente no condutor. A figura 2-5 é uma ilustração do significado dessa resistência.
Fig. 2-5: ilustração de uma resistência

Resistor é o elemento para o qual sua tensão, V, e sua corrente, I, em qualquer instante, satisfazem uma relação
definida por um gráfico no plano v×i, chamado de curva característica do resistor, que no caso, é uma reta passando na
origem, portanto, o relacionamento entre tensão e corrente é dado por:

V = RI ou I = V/R ou, ainda I = GV (2-6)

Onde R é a resistência elétrica do resistor dada em Ohm (Ω) e G é a sua condutância dada em Siemen (S). Se R for
constante, ou seja, não depender de V e I, diz-se que o resistor é linear. A equação (2-6) foi escrita adotando-se a
convenção passiva, ou seja, supondo-se que a corrente positiva está entrando no terminal positivo do elemento. Esta
equação é uma das leis de Ohm.

Para uma dada temperatura, a resistência de um resistor depende: das dimensões físicas do dispositivo, da
geometria e do material de que é feito. Para um dispositivo de comprimento l, área de seção transversal uniforme A e
material de resistividade ρ, a resistência elétrica pode ser calculada pela lei de Ohm:

ρl (2-7)
R=
A
Por exemplo, a resistência de um cabo comum de TV, de 10 m de comprimento é em torno de 2 mΩ.

A tabela 1-1 mostra o valor da resistividade de alguns materiais, à temperatura ambiente.

Tabela 1-1 Resistividade de alguns materiais


MATERIAL RESISTIVIDADE  (ohm×cm)
Poliestireno 1,0×1018
Silício 2,3×105
Carbono 4,0×10–3
Alumínio 2,7×10–6
Cobre 1,7×10–6

Observação: a resistência de um resistor depende, também, entre que pontos ela está sendo medida, ou seja, as
extremidades de medição são as extremidades do comprimento do resistor. A figura 2-6 ilustra isso.

Fig. 2-6: exemplo de um resistor cilíndrico


CURVA CARACTERÍSTICA DO RESISTOR

A curva característica de um resistor linear é uma reta passando na origem conforme mostra a figura 2-7(a). A
inclinação da reta representa a resistência do resistor. Se a inclinação for nula temos um resistor de resistência zero que
equivale a um curto-circuito conforme mostra a figura 2-7(b). Se a inclinação for de 90º, temos um resistor de
resistência infinita que equivale a um circuito aberto conforme figura 2-7(c). Portanto, um curto-circuito ocorre quando
a tensão é nula para qualquer valor de corrente enquanto um circuito aberto representa uma situação em que a corrente é
nula para qualquer valor de tensão.

(a) (b) (c)


Fig. 2-7: Curva característica de um resistor linear

Exemplo 1: Encontre a tensão sobre uma torradeira que tem resistência de 8.27 Ω e opera com uma corrente de 13,9 A.
Qual a potência de dissipação dessa torradeira e qual é o seu consumo mensal de energia se ela é utilizada diariamente
durante 20 minutos?

Solução: V = IR = 13,9 x 8,27 = 115 V


P = 115 x 13,9 = 1598,5 W ou 1,6 kW
Tempo de uso em um mês = 30 x 20/60 =10H
Energia consumida no mês = 1,6 x 10 = 16 kWH

Exemplo 2: Encontre a resistência a 20°C de uma barra de cobre de 3 m de comprimento com seção transversal
retangular de dimensões 0,5 cm por 3 cm. Dada a resistividade do cobre: ρ=¿ 1,72 x 10-8 Ω m a 20°C.

Solução: A área da seção reta da barra é: A = (0,5 x 10-2) x (3 x 10-2) = 1,5 x 10-4 m2, logo:

l ( 1 ,72 x 10 ) (3)
−8
−6
R=ρ = −4
=344 x 10 Ω=344 µ Ω
A 1 , 5 x 10

Exercícios:

1) Um cabo cilíndrico de cobre muito utilizado em instalações elétricas é o cabo de seção circular 4 mm2. Encontre a
resistência elétrica de 10 Km desse fio. Dado: resistividade do cobre, ρ = 1,7×10–6 Ω.cm.
Resposta: 42,50 Ω

2) Um resistor no formato de um paralelepípedo, feito de silício, é mostrado abaixo. Encontre a resistência desse resistor
entre as faces laterais e entre o topo e a base.

Resposta: 46.000,00 ; 5.555,55 

3) Uma lâmpada quando ligada a uma bateria de 6 V, é a travessada por uma corrente de 25 mA. Qual é a resistência da
lâmpada?
Resposta: 240 
4) Um resistor de 27  está ligado a uma bateria de 12 V. Qual é a corrente que o atravessa?
Resposta: 0,44 A

5) Determine a condutância de um resistor de resistência igual a 560 kΩ.


Resposta: 1,79 µS

A resistividade é uma característica intrínseca de cada material existente na natureza e só varia com a temperatura.

VARIAÇÃO DA RESISTÊNCIA COM A TEMPERATURA

Cada material tem um coeficiente de temperatura, conforme mostrado na tabela 2-2.

O coeficiente de temperatura da resistência, a, indica a quantidade de variação dessa resistência para uma
variação na temperatura. Um valor positivo de a indica que R aumenta com a temperatura; um valor negativo de a
significa que R diminui, e um valor zero par a indica que R é constante, isto é, não varia com a temperatura.

Tabela 2-2: Propriedades de materiais condutores quanto à temperatura*.


ρ = resistência específica ou resistividade a 20°C em α = coeficiente de temperatura,
Material
.cm Ω/° C
Alumínio 2,82×10-6 0,004
Carbono 40×10–4 (grafite) ** -0,0003
Cobre 1,72×10-6 0,004
Ferro 12,29×10-6 0,006
Níquel 7,81×10-6 0,005
Níquel-cromo 99,72×10-6 0,0002
Ouro 2,44×-6 0,004
Prata 1,64×10-6 0,004
Tungstênio 5,48×10-6 0,005
Constantana 49×10-6 0,000
*Os valores são aproximados, pois a sua precisão depende da composição exata do material.
**O carbono tem cerca de 2.500 a 7.500 vezes a resistividade do cobre. O grafite é uma das formas do carbono

Embora para um dado material, a possa variar ligeiramente com a temperatura, um acréscimo na resistência do fio
produzido por um aumento na temperatura pode ser determinado aproximadamente a partir da equação:

RT =Ro + R o ( ∝ ∆ T ) (2-8)

Onde:

RT é a resistência à temperatura T
Ro é a resistência à 20 oC
α é o coeficiente de temperatura em Ω/oC
ΔT é o acréscimo de temperatura acima de 20 oC

Observe que o carbono tem um coeficiente de temperatura negativo. Em geral, a é negativo para todos os
semicondutores como o germânio e o silício. Um valor de a negativo indica menor resistência em temperaturas mais
altas. Consequentemente, a resistência de diodos semicondutores e de transistores pode ser reduzida
consideravelmente ao se aquecerem por efeito da corrente que os atravessa. Observe também que a constantana
apresenta um valor nulo para a. Assim sendo, ele pode ser usado na construção de resistores de fio enrolado de alta
precisão, pois a resistência não varia com o aumento da temperatura.

Exemplo: a resistência de uma determinada linha de transmissão, cujos cabos são de cobre, é de 100 Ω a 20ºC. Qual
é a sua resistência quando o sol esquenta a linha até 38ºC?

Solução: RT =Ro + R o ( ∝ ∆ T )=100+100 ( 0,004 × 18 )=107 ,2 Ω


Exercício:

1)Um fio de tungstênio tem uma resistência de 10  a 20º C. Calcule a sua resistência a 120º C.
Resposta: 15 .

2) Determine a temperatura do filamento de tungstênio de uma lâmpada, cuja potência média é de 100 W, se a
resistência do filamento quando a lâmpada está desligada é de 11,7 , e quando ligada, a resistência do filamento é
de 144 . Qual a corrente que atravessa esse filamento?

2.6 CONDUTORES E ISOLANTES

CONDUTORES

Um condutor elétrico é um material que possui elétrons de valência que podem se tornar livres com pouca
excitação. O alumínio, o cobre e a prata são três bons materiais condutores de eletricidade. Em geral, os metais são bons
condutores. O cobre é o material mais comumente utilizado em instalação elétrica. Em seguida vem o alumínio. Certos
gases também são usados como condutores sob certas condições. Por exemplo, o gás néon, o vapor de mercúrio e o
vapor de sódio são usados em vários tipos de lâmpadas.

Os condutores possuem uma resistência muito baixa. Um valor típico para o fio de cobre é menor do que 3,3 Ω
por 10 metros (m) de comprimento. A função do fio condutor é a de interligar componentes elétricos sem provocar
perdas de potência ou queda de tensão no circuito.

Visto que o cobre é o condutor mais utilizado na prática, ele foi escolhido como padrão para o cálculo das
condutividades relativas que aparecem na tabela 2-3. Observe que o alumínio, que algumas vezes substitui o cobre, tem
apenas 61% da condutividade do cobre. É claro que outros fatores são considerados na prática, como o custo, peso e
maleabilidade.
Tabela 2-3: condutividade relativa de metais
METAL CONDUTIVIDADE RELATIVA (%)
Prata 105
Cobre 100
Ouro 70,5
Alumínio 61
Tungstênio 31,2
Níquel 22,1
Ferro 14
Constantan 3,52
Nicrome 1,73

Observação: condutividade é definida como sendo o inverso da resistividade. Geralmente representada pela letra grega
sigma (σ). Ou seja, σ = 1/ρ.

ISOLANTES

Os isolantes são materiais que não possuem elétrons livres, sendo necessária a aplicação de uma tensão muito
elevada para estabelecer uma corrente mensurável.

Um dos usos mais comuns do material isolante é o revestimento de fios e cabos condutores. É importante
lembrar, no entanto, que mesmo o melhor isolante pode sofrer certa ruptura (permissão de passagem de corrente
considerável) caso seja submetido a uma tensão elevada, a ponto de romper sua rigidez dielétrica que é o valor máximo
do campo elétrico necessário para causar esta ruptura.

Alguns valores de rigidez dielétrica para isolantes bem conhecidos são mostrados na tabela 2-4.

Tabela 2-4: rigidez dielétrica de isolantes


MATERIAL RIGIDEZ DIELÉTRICA (kV/cm)
Ar 30
Porcelana 70
Óleos 140
Baquelite 150
Borracha 270
Papel Parafinado 500
Teflon 600
Vidro 900
Mica 2.000

CALIBRES DE FIOS E CABOS ELÉTRICOS

A figura 2-7 mostra alguns tipos de cabos elétricos utilizados na prática com suas respectivas capas isolantes.

Fig. 2-7: cabos elétricos para instalações elétricas

A tabela 2-5 relaciona as dimensões padronizadas de fios e cabos de acordo com o padrão americano de
Bitolas de Fios (padrão AWG – American Wire Gauge). Os números das bitolas especificam a dimensão de fios
cilíndricos em função de seu diâmetro e da área da secção reta circular. Esta tabela também apresenta a correspondência
entre o padrão AWG e o padrão adotado pelas normas brasileiras usando o sistema métrico.

A coluna intitulada seção nominal indica a seção circular transversal em mm2 que é referenciado no
comércio. Por exemplo, o fio ou cabo de bitola 14 AWG possui uma seção transversal de 2,1 mm2 aproximadamente,
mas ele é referido no mercado como fio ou cabo de 1,5 mm2.

A última coluna da tabela indica o valor máximo de corrente que cada tipo de fio pode suportar sem aquecê-
lo em demasia, a ponto de danificar o seu revestimento isolante e assim colocar em risco de incêndio a instalação
elétrica.

TABELA 2-5: Bitola de fios ou cabos condutores


Exercício: Usando a tabela 2-5, calcule o valor aproximado da resistência de 100 m de fio 14 AWG. Faça um cálculo
mais exato usando a lei de Ohm. Suponha que o fio seja de cobre cuja resistividade é 1,72×10-6 .cm.

POTÊNCIA DISSIPADA NO RESISTOR

Embora a finalidade de um resistor nem sempre seja a de produzir calor, a potência dissipada por ele é sempre em
forma de calor. Essa potência pode ser calculada pela equação (1-6):

p(t) = v(t)i(t)

No caso de o resistor ser linear, onde: v(t) = Ri(t) ou i(t) = v(t)/R. Então, substituindo-se estas expressões na
equação (1-6), pode-se escrever:

p(t) = Ri2(t) (2-9)

2
v (t)
ou p (t)= (2-10)
R
Analisando-se as equações (2-9) e (1-10), é comum surgir a seguinte dúvida: a potência aumenta ou diminui
com o aumento da resistência? Na primeira equação a potência parece aumentar enquanto na segunda, parece diminuir.
A resposta correta depende de qual quantidade (v ou i) permanece constante.

Exemplos práticos de resistores são encontrados em ferro de passar, secador de cabelos, chuveiro elétrico, ferro
de solda, e na maioria dos circuitos eletrônicos.

2.7 FONTE DE TENSÃO

Na forma ideal, é aquela que consegue manter uma tensão especificada nos terminais de um circuito arbitrário,
para qualquer corrente solicitada pelo circuito. Seus símbolos são mostrados na figura 2-8. O símbolo da figura 2-8(a)
normalmente é usado quando se trata de uma bateria ou pilha. O da figura 2-8(b) pode ser usado para qualquer tipo de
fonte de tensão, seja ela constante ou não. As figuras 2-8(c) e (d) mostram uma fonte de tensão constante, ideal, de valor
E e sua curva característica, respectivamente.

(a) (b) (c) (d)


Fig. 2-8: (a) Bateria ideal; (b) Fonte ideal de tensão; (c) Fonte de tensão constante E; (d) Curva
característica

Uma fonte de tensão real consegue manter uma tensão especificada praticamente invariável com a corrente, até
certo limite de corrente solicitada, limite este imposto pelos elementos não ideais que compõem a fonte. Na verdade, a
tensão fornecida ao circuito sofre uma queda gradativa à medida que a corrente vai aumentando; é o chamado efeito de
carga. Podemos então visualizar uma fonte real como sendo uma fonte ideal em série com uma pequena resistência r,
chamada de resistência interna da fonte conforme mostra a figura 2-9(a). Portanto, a tensão nos terminais da fonte real
será dada pela equação (2-12) que é uma reta como mostrada na figura 2-9(b):

v = E – ri (2-11)

Onde r é a resistência interna da fonte. No caso ideal, r = 0. Note que a inclinação da reta é a própria resistência interna.

(a) (b)
Fig. 2-9: Fonte real e sua curva característica

Sendo muito pequena a resistência interna de uma fonte de tensão, os terminais dela nunca devem ser colocados
em curto-circuito, pois a corrente na resistência interna será muito alta, provocando o superaquecimento e consequente
dano à fonte.

Especificamente no caso de baterias, o limite de corrente está vinculado ao seu tempo de uso, sendo o produto da corrente pelo
tempo, definido como a capacidade da bateria, dada em Ampère-hora (Ah). Para uma bateria nova, o fabricante dela costuma estimar e
especificar uma capacidade nominal, em Ah, que pode ser retirada da bateria para valores especificados de corrente e temperatura. Por
exemplo, uma bateria de 12 V com capacidade nominal de 50 Ah, pode fornecer 50 A em 1 hora, ou 5 A em 10 horas, ou 0,5 A em 100
horas e assim por diante, mantendo os 12 V, pelo menos teoricamente.

No caso da rede elétrica domiciliar o limite é especificado pela potência total requerida para consumo, como segue: se a potência
não ultrapassar 12 KW, pode-se usar uma rede monofásica; se a potência estiver entre 12 KW e 25 KW, deve-se usar uma rede bifásica; e
se a potência estiver entre 25 KW e 75 KW, a rede tem que ser trifásica. Estes valores podem variar, dependendo da concessionária.

2.8 CHOQUE ELÉTRICO

Corrente e tensão aparecem simultaneamente em qualquer elemento, relacionadas pela lei de Ohm. O corpo
humano pode ser visto como um resistor. Então, sempre que este for submetido a uma tensão elétrica, haverá nele
corrente elétrica. Se, por exemplo, encostarmos as mãos nos terminais de uma tomada de 127 V, será sentido um choque
elétrico, enquanto, se colocarmos as mãos, cada uma num borne diferente de uma bateria de um carro, não será sentido
um choque. A explicação é que, a resistência do corpo humano é da ordem de 2000 , e nosso corpo começa a sentir
choque elétrico para correntes acima de 10 mA. Portanto, no primeiro caso, a corrente através do corpo é de 127/2000 =
63,5 mA, enquanto no segundo caso a corrente é de 12/2000 = 6 mA.
Um pássaro pousado na rede de alta tensão como mostra a figura 2-10, não sente choque em virtude de estar
com os dois pés no mesmo fio, ou seja, no mesmo potencial, não havendo, portanto, corrente em seu corpo, embora no
fio possa estar passando uma corrente altíssima.

Fig.2-10: Um pássaro num fio de alta tensão

Outra situação muito comum é quando um ferro elétrico ou um refrigerador ou qualquer aparelho com carcaça
metálica está causando choque, conforme ilustra a figura 2-11. Para solucionar este problema costuma-se inverter o
plugue da tomada. O motivo para esse procedimento é o seguinte: nas tomadas de 117 V, apenas um fio “dá choque”, o
chamado fio fase ou fio “vivo”, o outro (chamado de neutro) é ligado à terra de modo que quando nele tocamos, estando
com os pés no chão, não há passagem de corrente, já que os pés e as mãos estão no mesmo potencial. Assim, se o ferro
estava dando choque é porque o fio fase devia estar com problema de isolamento e em contato com a parte metálica do
ferro; invertendo o plugue, esse fio passou a ser o neutro. Entretanto, o problema técnico, a rigor, não foi solucionado.
Para evitar esse tipo de choque, alguns aparelhos são providos de um fio de aterramento que é ligado à sua carcaça
metálica. Este fio, portanto, sempre que possível, deve ser ligado a uma barra metálica conhecida como haste de
aterramento, que deve ser enterrada no solo, de preferência em local úmido. O fio terra, portanto, tem a função de
desviar para a terra, a corrente elétrica que às vezes escapa dos aparelhos defeituosos. Às vezes, na impossibilidade de se
fazer um aterramento, liga-se o fio terra ao neutro da tomada de energia. O problema é que algum dia, equivocadamente,
alguém pode permutar o fio fase com o fio neutro na caixa de distribuição. Além do mais, o fio neutro pode ficar “sujo”
devido a fugas apresentadas pelos equipamentos elétricos conectados à rede. Por exemplo, ele vem da rua com potencial
zero, mas, devido aos equipamentos conectados dentro de uma casa, houve uma fuga (que é normal) e o neutro passou a
ter um potencial ligeiramente maior.

Fig. 2-11: Aparelho causando choque elétrico

Uma maneira de verificar se determinado aparelho está dando choque é através de uma chave de fenda
conhecida no comércio como chave de fenda de teste, que serve também para descobrir quais dos dois polos da tomada é
o fio fase ou o neutro. O diagrama esquemático dessa chave é muito simples, conforme ilustra a figura 2-12.

Figura 2-12: Chave de fenda teste

Outra situação de choque pode ser ilustrada nas figuras 2-13(a) e 2-13(b), onde temos duas fontes de mesma
tensão com resistências em série diferentes. É importante salientar que, no segundo caso, ocorre um fenômeno que a lei
de Kirchhoff não prevê que é o chamado choque eletrostático. Neste caso, enquanto a fonte está em aberto existe uma
tensão de 20 kV em seus extremos que cai bruscamente para 10 V apenas quando o circuito é fechado pelo corpo da
pessoa. No intervalo dessa queda brusca ocorre o choque eletrostático, que não é dos mais perigosos, em virtude de
atuar durante um intervalo de tempo muitíssimo curto.

(a) (b)
Fig. 2-13: Situações de choque

Portanto, o perigo de um choque elétrico não depende só da intensidade da corrente elétrica, mas também da
duração do choque. Experiências realizadas mostram que o limite de corrente suportável pelo corpo humano obedece à
relação empírica:

A, onde t é a duração do choque, em segundos.

Outro exemplo de choque eletrostático é o de um avião que perdeu elétrons por atrito com o ar durante o voo.
Ao chegar ao solo, isolado pelas rodas de borracha, ele atrai da terra cargas de sinal oposto, criando um campo
eletrostático que pode provocar o choque.

Mas, afinal, que intensidade de corrente é perigosa para o corpo humano? A resposta a esta questão depende de
alguns fatores. A constituição química e física do corpo humano, por exemplo, tem uma influência significativa em
como a corrente afeta cada indivíduo. Algumas pessoas são altamente sensíveis à corrente, experimentando uma
contração muscular até mesmo com choque vindo de eletricidade estática. A tabela 2-5 a seguir mostra alguns níveis de
correntes, com suas respectivas manifestações no corpo humano, onde verificamos que pouca corrente pode ser
necessária para um efeito danoso. Tenha em mente, porém, que esses dados são somente aproximados, que indivíduos
com diferentes constituições químicas podem ter reações diferentes. Muitos desses dados que induziram a fibrilação veio
de testes com animais.

TABELA 2-6: manifestação da corrente no corpo humano


EFEITO FÍSICO CORENTE DC AC - 60 Hz AC - 10 kHz
Limiar de percepção Homem = 5,2 mA 1,1 mA 12 mA
Mulher = 3,5 mA 0,7 mA 8 mA
Doloroso, mas com controle Homem = 62 mA 9 mA 55 mA
muscular voluntário Mulher = 41 mA 6 mA 37 mA
Doloroso, impossibilitado Homem = 76 mA 16 mA 75 mA
de soltar o fio Mulher = 51 mA 10,5 mA 50 mA
Grande dificuldade de Homem = 90 mA 23 mA 94 mA
respiração Mulher = 60 mA 15 mA 63 mA
Possibilidade de Homem = 500 mA 100 mA
fibrilação após 3 s Mulher = 500 mA 100 mA

ANEXO

CONSUMO DE ENERGIA DE ALGUNS APARELHOS

A tabela 1-4 mostra a potência e o consumo mensal de energia em kWh de alguns eletrodomésticos. Os valores
de consumo de energia foram obtidos estimando o número de horas que o aparelho permanece ligado por mês. Assim,
por exemplo, no caso de um forno de micro-ondas, com uma potência de 1450 W e um consumo mensal de 16 kWh, a
estimativa foi de que o micro-ondas permanece ligado 16/1,45 = 11,03 horas por mês, o que corresponde a
aproximadamente 22 minutos por dia.
Os dados desta tabela são valores típicos. Ao usar esses números para fazer alguma projeção, é preciso levar
em conta fatores como o modelo e marca do aparelho e as condições e local de uso do mesmo. Observe que as potências
não devem ser somadas para calcular o consumo de uma dada residência, já que em geral nem todos os aparelhos estarão
em uso ao mesmo tempo.

Tabela 2-7: Consumo mensal de energia elétrica de alguns eletrodomésticos


APARELHO ELÉTRICO POTÊNCIA DIAS DE TEMPO MÉDIO CONSUMO
MÉDIA USO POR POR DIA MENSAL (kWh)
(W) MES
Cafeteira 1200 30 20 min 12
Liquidificador 270 30 19,26 min 2,6
Batedeira 127 5 1,6 min 0,16
Forno de microondas 1450 30 22 min 16
Torradeira 1146 30 5,67 min 3,25
Secadora 1100 30 1h 33
Lavadoura 512 30 33,60 min 8,6
Condicionador de ar 7000 BTU 860 30 2,77 h 71,6(*)(*)
Condicionador de ar 10000 BTU 1500 30 10 h 450,0(*)
Condicionador de ar 12000 BTU 1700 30 10 h 510,0(*)
Bomba d'água 1/4 HP 250 30 1h 7,5
Bomba d'água 3/4 HP 552 30 2h 33,1
Chuveiro (chave verão) 3000 30 1h 90
Carregador de celular 10 30 6h 1,8
Elevador predial p/ 6 pes. 12 HP 8832 30 6h 1589.7
Ferro elétrico automático 1000 8 4h 32
Freezer horizontal 480 e 600 L 300 30 12 h 108,0
Freezer vertical 280 L 150 30 12 h 54,0
Furadeira pequena 350 1 2h 0,7
Geladeira (1 porta) 253 litros 90 30 10 h 27
Geladeira duplex 150 30 12 h 54,0
Lâmpada incandescente 100 W 100 30 8h 24,0
Lâmpada fluorescente 40 W + Reat. 62 30 6h 11,16
Microcomputador / Impressora 250 30 2h 15
Máquina de lavar roupa 1000 8 6h 48,0
Exaustor 200 30 2h 12
Ventilador 88 30 1,36 h 3,6
Aquecedor 1322 10 22 min 14,6
Secador de cabelo 600 5 7 min 2,1
Barbeador elétrico 15 12 5,6 min 0,042
Conjunto de som (3 módulos) 150 30 4h 18
Rádio 71 30 3,36 h 7,16
Televisão em cores 145 30 6,11 h 26,6
Aspirador de pó 630 5 12,16 min 3,83

PROBLEMÁTICA

(*)(*)
Este valor pode variar consideravelmente, dependendo da localização e tamanho do ambiente .
1) Um forno elétrico é atravessado por uma corrente constante de 10 A quando ligado a uma tensão de 110 V. O forno é
usado durante duas horas. (a) Determine a carga em Coulombs que atravessa o forno. (b) Determine a potência
absorvida pelo forno. (c) Se a energia elétrica custa 6 centavos o quilowatt-hora, determine o custo da energia elétrica
usada para alimentar o forno durante estas duas horas.

2) Um aparelho de som portátil usa quatro pilhas tipo AA (cada pilha fornece 1,5 V de fem), em série, para alimentar os
circuitos do aparelho. As quatro pilhas, quando novas, armazenam uma energia total de 200 [Link]. Se o
aparelho de som consome uma corrente constante de 10 mA, por quanto tempo o aparelho funciona antes que seja
necessário trocar as pilhas.

3) A carga total que uma bateria pode desenvolver, pode ser especificada em Ampère-hora (Ah). Um Ampère-hora é a
quantidade de carga que corresponde ao fluxo de corrente de 1 A durante 1 hora. Achar o número de Coulombs
correspondentes a 1 Ah.

4) Qual o valor da corrente elétrica que atravessa um resistor de 2 k quando submetido a uma tensão de 220 V?

5) Um resistor quando submetido a uma tensão de 117 V é atravessado por uma corrente de 150 mA. Calcule o valor da
resistência desse resistor.

6) Supondo que a resistência do corpo humano é de 2000 , durante quanto tempo uma pessoa pode suportar um
choque devido a uma tensão de 220 V?

7) Por que, quando encostamos a mão no pólo “vivo” (fio fase) de uma rede elétrica, estando com os pés descalços,
levamos um choque? Faça um esquema gráfico para explicar a sua resposta.

8) Se dois motores, M1 e M2, realizam o mesmo trabalho, em tempos distintos, t1 e t2, respectivamente, sendo t1 > t2, qual
dos motores desenvolve maior potência?

9) Quanta de energia é gasta por um ferro de passar, em KWh, cuja potência média é de 600 W, quando ligado durante
25 min.

10) A resistência de um chuveiro elétrico é maior com a chave na posição de verão (menor aquecimento) ou na posição
de inverno (maior aquecimento)?

11) Um motor elétrico usado em um sistema de elevador tem uma eficiência de 90%. Se a tensão de alimentação é de
220V, qual a corrente solicitada pelo motor quando a potência desenvolvida por ele é 15 HP?

12) Um motor é especificado para desenvolver 2 HP de potência efetiva.

a) Se ele opera em 110 V e sua eficiência é de 90%, quantos watts o motor consome?
b) Qual a corrente de entrada?
c) Qual seria a corrente de entrada se a eficiência do motor fosse 70%?

13) O que é mais vantajoso: receber um centavo por elétron que passa por um fio em 0,01 s a uma corrente elétrica de
2 mA ou receber um real por elétron que passa por um fio em 1,5 ns a uma corrente elétrica de 100 A?

14) Algumas baterias alcalinas de 1,5 V conseguem armazenar 250 J de energia. Por quantos dias ela pode fornecer
potência a uma calculadora que requer uma corrente de 1,2 mA para funcionar?

15) Uma descarga elétrica atmosférica transfere 1020 elétrons em 0,1 s. Determine a potência gerada quando a tensão
entre nuvem e terra é de 100 KV.

16) Elétrons passam pela seção transversal de um fio numa velocidade de 6,4×1021 elétrons por minuto. Qual é a
corrente média no fio?
17) Uma corrente de 2 A passa por um fio de cobre de 300 m de comprimento cuja resistência distribuída é de 5 m/m.
Calcule a tensão sobre esse resistor, a potência dissipada por ele e a área da seção transversal. Dado: ρcu = 1,72×10–8 m.

18) Um determinado fio de alumínio tem uma resistência de 5 . Qual é a resistência de um fio de cobre de mesmas
dimensões e formato do fio de alumínio? Dado: ρcobre = 1,72×10–8 m e ρalumínio = 2,83×10–8 m.
Resposta: 3,04 
19) Qual é a resistividade da platina se um cubo desse material com 1 cm de aresta tem uma resistência de 10 μ medida
entre faces opostas?

20) A tensão de uma instalação elétrica de uma casa é de 110 V. A bomba d’água ligada durante 3 h consome 0,15 KWh.
Pede-se: (a) a corrente no motor da bomba; (b) a resistência equivalente do motor.
Resposta: I = 0,45 A, R = 244,44 

21) A carga total que uma bateria pode desenvolver pode ser especificada em ampère-hora (Ah). Um ampère-hora é a
quantidade de carga que corresponde ao fluxo de corrente de 1 A durante 1 hora. Achar o número de Coulombs
correspondentes a 1 Ah.

22) A máxima potência solar recebida é de aproximadamente 1 kW/m2. Se os painéis solares que transformam a energia
solar em energia elétrica têm 13% de eficiência, quantos metros quadrados de painéis solares são necessários para
fornecerem a potência de uma torradeira de 1600 W?

23) Um forno de micro-ondas desenvolve uma potência de 800 W para assar uma pizza em 3 min. A potência elétrica
consumida por ele é de 1200 W. Encontre a eficiência desse forno bem como a energia elétrica gasta para assar a pizza
em KWh.

24) Um fusível especificado para suportar uma corrente máxima de 1 A irá se queimar se 86 C passar por ele em 1,2
min?

25) Quanto de carga passa por uma bateria de um carro de 12 V se a energia utilizada for de 90 J?

26) Qual a corrente que, teoricamente, poderia ser fornecida por uma bateria com uma especificação de 200 Ah, durante
40 h?

27) Durante quantas horas uma bateria de 32 Ah poderia fornecer uma corrente 1,28 A?

28) Quando 120 V são aplicados sobre uma lâmpada, passa uma corrente de 0,5 A, aumentando a temperatura do
filamento de tungstênio para 2600º C. Qual é a resistência da lâmpada à temperatura ambiente normal de 20º C?
Resposta: 19 Ω

29) Achar a resistência a 35º C de um fio de alumínio com um comprimento de 200 m e um diâmetro da seção
transversal de 1 mm.
Resposta: 7,21 Ω

30) Achar a resistência de um chuveiro elétrico que absorve 2400 W quando ligado a uma linha de 120 V.

31) A resistência de um certo condutor é 15 Ω. Um segundo condutor do mesmo material e à mesma temperatura, possui
1/3 do diâmetro e o dobro do comprimento do primeiro condutor. Encontre a resistência do segundo condutor.
Resposta: 270 Ω

R 1=ρ
l1
A1
; R 2=ρ
l2
;
A2 R2
R1
= ρ
l1
A1
/ ρ(l2
A2 )( )
R1 l1 A 2 l2 A1 15 x 2
= x  R2 ¿ R 1 x  R 2=
R2 l2 A 1 l1 A 2 ¿¿

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