0% acharam este documento útil (0 voto)
12 visualizações51 páginas

Risco e Incerteza em Investimentos

O documento aborda a avaliação de investimentos, focando na distinção entre risco e incerteza, e na importância de métodos de avaliação que considerem essas variáveis. Apresenta técnicas como análise de sensibilidade, árvores de decisão e opções reais, que ajudam na tomada de decisões em ambientes incertos. O autor enfatiza que a flexibilidade gerencial e a capacidade de adaptação às mudanças de mercado são cruciais para maximizar o valor dos projetos de investimento.

Enviado por

misaeladiogo1820
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
12 visualizações51 páginas

Risco e Incerteza em Investimentos

O documento aborda a avaliação de investimentos, focando na distinção entre risco e incerteza, e na importância de métodos de avaliação que considerem essas variáveis. Apresenta técnicas como análise de sensibilidade, árvores de decisão e opções reais, que ajudam na tomada de decisões em ambientes incertos. O autor enfatiza que a flexibilidade gerencial e a capacidade de adaptação às mudanças de mercado são cruciais para maximizar o valor dos projetos de investimento.

Enviado por

misaeladiogo1820
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Análise de Investimentos

Autor: Alexandre Ernesto 1


Área: DCSA
Risco e Incerteza na Avaliação de Investimentos 2

Resultados da aprendizagem

Quando tivermos terminado este tópico vocês devem ser capaz de:

• Revisar o conceito de incerteza e sua aplicação na avaliação de investimentos;

• Revisar o conceito de risco e a forma de determinação para suporte na tomada de decisão sobre projectos
de investimento;

• Conhecer os métodos de avaliação do risco e incerteza em projectos de investimento.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Conceitos (1/2) 3

 O processo de elaboração e avaliação de projectos estudados no semestre passado


caracterizou-se pela análise de valores certos ou mais esperados, acreditando-se que os
valores projectados realmente ocorreriam.

 Porém, o mundo real caracteriza-se por muito poucas certezas. Dessa forma, o estudo de
situações caracterizadas pelo acaso, pelas incertezas e pelos riscos consiste em um tópico
importante para o processo de avaliação de investimentos.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Conceitos (2/2) 4

 Na prática, riscos e incertezas sempre existem no processo de construção de estimativas

futuras.

 As expressões risco e incerteza podem parecer em um primeiro momento sinónimos, mas têm sentidos
diferenciados.

Risco ≠ Incerteza
 Risco é quando as variáveis encontram-se sujeitas a uma distribuição de probabilidades conhecida ou que pode
ser calculada com algum grau de precisão, ou seja, representa uma incerteza que pode ser medida.

……

 Incerteza: é quando não se conhecem os estados futuros que possam ocorrer ou suas probabilidades não podem
ser avaliadas, ou seja, envolve situações de ocorrência não repetitiva em que o risco não pode ser avaliado.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Métodos de avaliação de investimentos sob incerteza 5

Análise de Sensibilidade
Porém…

[Link] muitas variáveis são estudadas na análise de sensibilidade, a complexidade da


busca de informação para a tomada de decisões aumenta exponencialmente.

2.Não permite determinar as hipóteses de ocorrência de cada cenário alternativo, dado


que não fornece informação que permita quantificar o grau de probabilidade associado.

A solução pode passar pela construção de cenários mutuamente exclusivos.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Métodos de avaliação de investimentos sob o RISCO 6

Esperança Matemática

Avaliação da Dispersão

Método de Monte Carlo

Árvores de Decisão

Opções Reais

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Métodos de avaliação de investimentos sob o risco 7

Esperança Matemática

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Esperança matemática (1/3) 8

 A Esperança matemática ou Valor esperado de um determinado parâmetro é a média


ponderada de todos os valores possíveis (𝑥𝑖 ) desse parâmetro, sendo os factores de
ponderação as probabilidades 𝑃 𝑥𝑖 que afectam o comportamento de cada valor
possível.

𝐸𝑚 = ෍ 𝑥𝑖 ∗ 𝑃(𝑥𝑖 )
𝑖=1

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Esperança matemática (1/3) 9

Exemplo:
Admita que uma empresa pretende conhecer a Esperança matemática da produtividade do trabalho
relativa a uma operação que será necessário desenvolver no seu processo produtivo e para a qual não
existe experiência na empresa, nem os seus operários têm qualificação específica.

Ponto médio do Valor esperado


Nível do produção Probabilidade subjectiva
intervalo (4) = (2) * (3)
Valor mais pessimista 61 a 80 5.0% 70.00 3.50
81 a 100 12.5% 90.00 11.25
101 a 120 30.0% 110.00 33.00
Valor mais provável 121 a 140 35.0% 130.00 45.50
141 a 160 10.0% 150.00 15.00
161 a 180 5.0% 170.00 8.50
Valor mais optimista 181 a 200 2.5% 190.00 4.75
Soma 121.50

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Esperança matemática (3/3) 10

 Este procedimento tanto pode ser utilizado na fase de elaboração do estudo de viabilidade, como na fase de análise,
calculando-se neste caso a Esperança matemática dos indicadores de análise pretendidos (VAL, TIR, etc.)

Limitações da Esperança matemática

 A possibilidade de um projecto ser interessante, por apresentar uma esperança matemática do VAL
positiva, poderá não ser, por si só, suficiente para que seja aceite a sua realização.

Para complementar a análise da 𝐸𝑚 (𝑉𝐴𝐿), poderá ser útil para a tomada de decisão a avaliação do grau de
risco do projecto (Método da Avaliação da Dispersão) .

O grau de risco está relacionado com a dispersão da distribuição das probabilidades em torno da esperança
matemática, determinada por meio do cálculo do desvio padrão da variável ou indicador em causa (VAL, TIR,
Cash flows, preço de venda, etc.).

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Métodos de avaliação de investimentos sob o risco 11

Árvores de Decisão

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Árvores de decisão (1/7) 12

(1) Entendendo…

Os projectos de investimento correspondem normalmente a um conjunto de decisões com forte grau de interligação
entre si, sendo a decisão do gestor o resultado da análise de um problema complexo, baseado em condições não

determinísticas, o que representa alguns problemas:

 Há normalmente um número significativo de diferentes factores que devem ser tomados em consideração a quando
da tomada de decisão;

 Não é possível medir com certeza a consequência de seleccionar uma opção particular, em detrimento de outra(s);

 A atitude do decisor face ao risco pode ter impacto na escolha que este irá efectuar, face às diferentes alternativas
que se colocam.
NAIL
© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.
Árvores de decisão (2/7) 13

(2) Entendendo…

Para ajudar o decisor neste processo é frequente recorrer à técnica das árvores de decisão, sistematizando
e organizando sequencialmente a informação e as decisões a tomar, permitindo desta forma decompor a
decisão final em decisões intermédias, mais concretas.

Conceito
Uma árvore de decisão é assim uma representação gráfica de acções e
acontecimentos alternativos, organizados de acordo com o enquadramento lógico
em que previsivelmente ocorrem, sendo construída com a finalidade de facilitar o
processo de decisão.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Árvores de decisão (3/7) 14

Representação de uma árvore de decisão

Os nós quadrados das árvores representam decisões


e os nós redondos são os nós de incerteza pois
representam eventos aleatórios aos quais se devem
associar probabilidades de ocorrência.

Nos ramos de cada árvore de decisão devem ser


anotados:

[Link] valores de investimento nos nós de decisão.

[Link] probabilidades associadas aos nós de incerteza.

Fonte: Cebola, pag. 270 (2011). [Link] retornos, no final dos ramos.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Árvores de decisão (4/7) 15

Exemplo 1

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Árvores de decisão (5/7) 16

Exemplo 2
Joaquim aspira ver a sua filha graduar-se pelo ISPTEC. Para tal, decide fazer um plano de poupança para um
período de 15 anos, que será altura que provavelmente a sua filha ingressará à universidade.

Em conversas com um corrector de investimentos foi-lhe apresentado três possibilidades de investimento a


saber:
1. Investir numa conta a prazo num banco;
2. Investir no mercado de câmbios;
3. Investir em obrigações e acções.

O corrector lembrou que sendo o fututo incerto, as estimativas de ganhos devem considerar as hipóteses de
recessão, estabilidade e expansão económica e para tal o mesmo estimou as probabilidades de ocorrência
para cada um dos cenários.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Árvores de decisão (6/7) 17

Exemplo 2: Processo decisório do Sr, Joaquim

A B C
Cenário Probabilidade
Conta a Prazo Mercado de Câmbios Acções e Obrigações

Recessão 0,40 300 400 (100)

Estabilidade 0,40 300 300 200

Expansão 0,20 300 200 700

Qual é a melhor opção de investimento do Sr. Joaquim?

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Árvores de decisão (7/7) 18

Exemplo 2: Árvore de decisão do Sr. Joaquim


Alternativa Cenário Probabilidade Ganho Média
Recessão 0,4 300
Conta a prazo Estabilidade 0,4 300 300
Expansão 0,2 300

Recessão 0,4 400


Câmbios Estabilidade 0,4 300 320
Expansão 0,2 200

Recessão 0,4 (100)


Acções e Obrigações Estabilidade 0,4 200 180
Expansão 0,2 700

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Bibliografia 19

BRUNI, Adriano Leal. Avaliação de Investimentos. Editora Atlas, 1ª Edição, São Paulo, 2008. Pag. 363-
397.

Cebola, António. Projectos de Investimento de Pequenas e Médias Empresas: elaboração e análise.


Edições Silabo, 2011. pág. 243-276.

Hillier et al. 2019.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Métodos de avaliação de
investimentos sob o risco

Opções Reais
Autor: Alexandre Ernesto 20
Área: DCSA
Opções reais 21

Resultados da aprendizagem

Quando tivermos terminado este tópico vocês devem ser capaz de:

• Entender o conceito e o uso de opções reais na avaliação de projectos de investimento;

• Conhecer alguns métodos ou tipos de opções reais;

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Evolução metodológica na avaliação de investimentos 22

A figura abaixo ilustra a evolução histórica da metodologia de análise de decisões de investimento (Fonte:
Amaral, 2019).

Figura 1 – Evolução da metodologia de avaliação de investimentos

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Entendendo o conceito de opções reais (1/13) 23

Determinar a viabilidade e a prioridade de investimentos potenciais é, um passo crítico na tomada de


decisões financeiras, as quais são tomadas em ambientes incertos.

Estas incertezas podem representar um custo elevado, mas também podem criar oportunidades de valor
elevado para os investidores.

Diversos factores determinam o surgimento dessas incertezas e o agente responsável pela tomada de decisão
(investidor, accionistas, gestor, etc.) deverá acompanhar a evolução do mercado para poder realizar
mudanças nos planos de investimento.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Entendendo o conceito de opções reais (2/13) 24

O dinamismo do mercado e a flexibilidade gerencial na avaliação de projectos de investimento (que está

relacionada à aparição de novas informações relativas ao projecto) podem levar uma empresa à
alterar o cenário definido originalmente.

Por exemplo: diferir o projecto, expandí-lo, prorrogá-lo ou abandoná-lo após a fase de planeamento.

Quando exercitadas de forma correcta, todas estas opções proporcionam flexibilidade que aumentam o valor
do projecto.

 A análise de opções reais captura o valor dessa flexibilidade - o que os métodos tradicionais
de avaliação de investimentos não conseguem fazer.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Entendendo o conceito de opções reais (3/13) 25

Métodos como o Valor Actual Líquido (VAL) não são suficientes para captar o valor associado à flexibilidade -
este trata apenas dos fluxos de caixa previstos, descontados a uma taxa constante (por considerar o
risco constante durante a vida do projecto).

Tais limitações tornam este método inadequado para análises qualitativas por induzir, na maioria
das vezes, à taxas de desconto intuitivas.

Em procedimentos deste tipo, existe uma forte tendência a valorizar excessivamente a


aversão ao risco. Neste sentido, estes métodos subestimam sistematicamente todo projecto.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Entendendo o conceito de opções reais (4/13) 26

A conciliação entre o modelo dos Cash Flows Descontados (CFD ou Valor Actual Líquido VAL) e a
abordagem das opções reais pode ser sintetizada pela seguinte equação:

𝑉𝐴𝐿𝐹 = 𝑉𝐴𝐿 𝑇 + 𝑉𝑂𝑅 (1)

Onde:

𝑉𝐴𝐿𝐹 é o valor actual líquido final


𝑉𝐴𝐿 𝑇 é o valor actual líquido tradicional
𝑉𝑂𝑅 é o valor das opções reais

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Entendendo o conceito de opções reais (5/13) 27

As opções reais são consequências naturais e/ou aleatórias de circunstâncias criadas


por situações do mundo real que proporcionam as características de: irreversibilidade,
incerteza e possibilidade de adiamento - timing.

Esses três itens são os pilares da teoria do investimento sob incerteza e risco.

A irreversibilidade pode ser parcial ou total. Isso implica que, depois de feito o
investimento, em caso de um arrependimento da decisão, não é possível recuperar todo
ou a maior parte do capital investido.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Entendendo o conceito de opções reais (6/13) 28

O que é então algo irreversível?

• Investimentos específicos de uma firma, tais como investimentos em campanhas publicitárias,


são irrecuperáveis. Há, entretanto, equipamentos que podem ser utilizados em várias firmas,
independente do sector em que actuam.

• A maior parte do custo de investimento é um custo afundado. Logo, a irreversibilidade faz


com que a espera tenha valor. Somente quando a probabilidade de insucesso é

suficientemente baixa é que o investimento irreversível deve ser feito.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Entendendo o conceito de opções reais (7/13) 29

A possibilidade de adiar o investimento – o timing do investimento – é outra característica


importante do investimento. Contudo, muitas vezes, essa característica é subestimada.

• Ao avaliar um projecto de investimento, é necessário que se considere a possibilidade de adiar


o investimento, para que se possa aguardar por novas informações e, desta forma, resolver
algumas incertezas, e/ou esperar que as condições à realização do investimento melhorem.

• Raramente um investimento é do tipo agora ou nunca. Contudo, considerações


estratégicas podem fazer com que as firmas antecipem os investimentos, visando, por
exemplo, inibir a entrada de competidores (efectivos ou potenciais) na indústria.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Entendendo o conceito de opções reais (8/13) 30

A possibilidade de adiar uma decisão de investimento permite:

1. Ao gestor ter tempo para examinar o desenrolar de futuros acontecimentos;

2. Dá a chance de evitar erros de custo elevado, caso ocorram cenários desfavoráveis;

3. Por outro lado, caso os eventos futuros caminhem para um cenário mais favorável, a espera
terá permitido realizar o projecto em condições mais vantajosas, com uma maior rentabilidade.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Entendendo o conceito de opções reais (9/13) 31

A terceira importante característica dos investimentos é a incerteza.

Segundo DIAS (1996), há dois tipos de incerteza, a incerteza económica e a incerteza técnica.

• A incerteza económica está relacionada aos movimentos gerais da economia, que são sujeitos a
acontecimentos aleatórios, tais como recessão e aquecimento da economia, guerra e paz, perdas
de safra por razões climáticas e safra recorde, descoberta de novas tecnologias, etc.

• Quanto maior for o horizonte de tempo que se tenta prever, maior é a incerteza sobre
essa previsão.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Entendendo o conceito de opções reais (10/13) 32

• A incerteza técnica é um tipo de incerteza que não está relacionada aos


movimentos da economia, mas sim, com as especificações técnicas do projecto de
investimento em avaliação (ex: casos em que a empresa não conhece totalmente a
sua própria função lucro).

• Ou seja, a incerteza técnica é endógena ao processo de decisão, ao


contrário da incerteza económica.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Entendendo o conceito de opções reais (11/13) 33

Quando uma empresa investe, ela exerce a opção e paga um custo


de oportunidade igual ao seu valor.

O exercício da opção (o investimento) é irreversível, mas a empresa sempre tem a


possibilidade de preservar o valor de sua opção (adiar o investimento) até que as condições de
mercado se tornem mais favoráveis.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


34

A que seria então opções reais?

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Entendendo o conceito de opções reais (12/13) 35

Opções Reais é um modelo de precificação de projectos, que pode ser


utilizado para analisar decisões de investimento, ou seja, é a flexibilidade
que um gestor ou investidor tem para tomar decisões à respeito de activos
reais (Saito et al., 2010).

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Entendendo o conceito de opções reais (13/13) 36

No entanto, o grande diferencial entre as opções reais e avaliação dos


projectos pelo critério dos cash flows descontados – VAL é:

Valoriza a flexibilidade para reagir à eventos incertos, ou seja, ela


preenche a lacuna deixada pelo fluxo de caixa descontado, servindo,
portanto para avaliar projectos de investimento considerando as
incertezas.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Tipo de opções reais 37

Tipos de Opções Características Contexto de Aplicação


(1) Opção para desistir quando o projecto Em situações que os investimentos são

estiver em curso fraccionados ao longo do horizonte temporal


Opção de abandono
Quando o funcionamento do projecto se torna
(2) Opção para abandonar pelo valor residual
prejudicial por algum motivo
O investidor tem a flexibilidade de fechar Acontece nos casos em que as receitas do
Opção de fechamento temporariamente, ou de não funcionar por
projecto não são suficientes para cobrir os custos
temporário completo em qualquer período de vida do
projecto. variáveis de funcionamento.
Dá ao investidor o direito, mas não a É particularmente aplicada nas indústrias de
obrigação de efectuar o investimento. Ou seja,
Opção de adiar
o investidor esperará e só realizará o extracção de recursos e no desenvolvimento de
investimento
investimento se o valor do projecto exceder o
investimento necessário. bens imobiliários, dado a elevada incerteza.
O investidor possui a flexibilidade de alterar o Nos casos em que as empresas pretendem
explorar oportunidades futuras de crescimento. A
Opção de expansão projecto de várias formas, em diferentes
opção é exercida apenas quando desenvolvimentos
períodos no decorrer da vida do mesmo. futuros do mercado se tornam favoráveis.
O investidor pode decidir funcionar abaixo da Nos casos em que as empresas procuram limitar
capacidade ou mesmo reduzir a sua escala de
Opção de contrair os impactos de desenvolvimentos depressivos nos
operações, guardando parte das despesas de
investimento. mercados e/ou necessidades de desinvestimentos.
Fonte: Material bibliográfico indicado para a disciplina e alguns textos disponíveis em editoriais online.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Método de avaliação de opções reais 38

1. Métodos Numéricos ou Árvore Binomial

O método binomial foi proposto por Cox-Ross-Rubinstein (1979), tem como objectivo avaliar a volatilidade do
valor presente de um investimento.

Também conhecido como método CRR, consiste na aproximação do processo contínuo por uma
árvore binomial com N passos: em cada passo o activo (ou seja, o valor do projecto V) sobe por um
factor u ou desce por um factor d = 1/u. No fim calcula-se o payoff da opção em cada nó terminal e
retropropaga-se o valor da opção até a raíz usano a probabilidade neutra ao risco p e o factor de
desconto por passo.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Método da árvore binomial (1/2) 39

O processo estocástico do modelo da árvare binomial é descrito pelas seguintes equações essenciais:

𝑢 = 𝑒𝜎 ∆𝑡
(2) Onde:
• 𝜶 é a taxa de crescimento de 𝑽, 𝝈 é a volatilidade de 𝑽. 𝜶 é constituido
𝑒 𝑟∆𝑡 − 𝑑 por 𝒓 − 𝜹, onde 𝒓 é a taxa de juro do activo sem risco e 𝜹 corresponde
𝑝= (3)
𝑢−𝑑 aos dividendos.
1 • Desconto por passo: 𝑒 −𝑟∆𝑡
𝑑 = 𝑒 −𝜎 ∆𝑡
= (4)
𝑢 • Preço terminal no nó j (após N passos): 𝑆𝑁,𝑗 = 𝑆0 𝑢 𝑗 𝑑𝑁−𝑗 , 𝑗 = 0, … , 𝑁.

𝛼 = 𝑟 − 𝛿 𝑜𝑢 𝑟 = 𝛼 + 𝛿 (5) • Payoff no tempo final: 𝑉𝑁,𝑗 = 𝑚𝑎 𝑥 𝑆𝑁,𝑗 − 𝐾, 0


• Retropropagação (para cada nó no tempo i e posição j):
𝑇
∆𝑡 = (6) 𝑉𝑖,𝑗 = 𝑒 −𝑟∆𝑡 𝑝 ∗ 𝑉𝑖+1,𝑗+1 + 1 − 𝑝 ∗ 𝑉𝑖+1,𝑗
𝑁
Para opção usar 𝑉𝑖,𝑗 = max(𝑖𝑛𝑡𝑟í𝑛𝑠𝑒𝑐𝑜, 𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜 𝑑𝑒𝑠𝑐𝑜𝑛𝑡𝑎𝑑𝑜)

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Método da árvore binomial (2/2) 40

Passos para a construção da árvore e retropropagação (algoritmo):

1. Calcular 𝑆𝑁,𝑗 = 𝑆0 𝑢 𝑗 𝑑𝑁−𝑗 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑗 = 0, … , 𝑁 𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑡𝑒𝑟𝑚𝑖𝑛𝑎𝑖𝑠 .

2. Calcular payoffs 𝑉𝑁,𝑗 = 𝑚𝑎 𝑥 𝑆𝑁,𝑗 − 𝐾, 0 .

3. Retropropagar para 𝑖 = 𝑁 − 1, 𝑁 − 2, … , 0 calcular 𝑉𝑖,𝑗 pela fórmula de esperança


descontada.

4. O preço da opção hoje é 𝑉0,0 .

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Representação do método da árvore binomial 41

Considerando um modelo com três períodos

𝑑3 𝑉

Figura 2 – Representação do modelo de árvores binomiais com três períodos

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Método de avaliação de opções reais 42

2. Modelo de Black-Scholes (BS)

O Modelo Black-Scholes (BS), desenvolvido em 1973 por Fischer Black, Myron


Scholes e Robert Merton, é um dos modelos mais utilizados para a precificação
de opções financeiras e, foi o primeiro modelo amplamente usado para
precificação de opções.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Modelo Black-Scholes (1/5) 43

Ele fornece uma fórmula fechada para calcular o valor justo de uma opção europeia de compra
(call) e de venda (put), assumindo que:

1. O preço do activo subjacente segue um movimento geométrico browniano (distribuição lognormal).

2. A volatilidade do activo é constante.

3. A taxa de juro livre de risco é constante.

4. Não existem custos de transação nem dividendos (no modelo original).

5. A opção só pode ser exercida na data de vencimento.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Modelo Black-Scholes (2/5) 44

A fórmula da call é:

𝐶 = 𝑆0 ∗ 𝑁 𝑑1 − 𝐾 ∗ 𝑒 −𝑟𝑡 ∗ 𝑁 𝑑2 (7)
Com:

2
𝑆0ൗ 𝜎
ln 𝐾 + 𝑟+ 2 𝑇
𝑑1 = 8 , 𝑑2 = 𝑑1 − 𝜎 𝑇 (9)
𝜎 𝑇
Onde:

𝑆0 = 𝑝𝑟𝑒ç𝑜 𝑎𝑐𝑡𝑢𝑎𝑙 𝑑𝑜 𝑎𝑐𝑡𝑖𝑣𝑜; 𝐾 = 𝑝𝑟𝑒ç𝑜 𝑑𝑒 𝑒𝑥𝑒𝑟𝑐í𝑐𝑖𝑜; 𝑇 = 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑎𝑡é 𝑜 𝑣𝑒𝑛𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜; 𝑟 = 𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑙𝑖𝑣𝑟𝑒 𝑑𝑒 𝑟𝑖𝑠𝑐𝑜;
𝜎 = 𝑣𝑜𝑙𝑎𝑡𝑖𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒; 𝑁(∙) = 𝑓𝑢𝑛çã𝑜 𝑑𝑒 𝑑𝑖𝑠𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖çã𝑜 𝑎𝑐𝑢𝑚𝑢𝑙𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑑𝑎 𝑁𝑜𝑟𝑚𝑎𝑙 𝑃𝑎𝑑𝑟ã𝑜.

Intuição: o modelo mostra que o valor de uma opção depende essencialmente de cinco factores — preço
do activo, preço de exercício, tempo até o vencimento, taxa livre de risco e volatilidade.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Modelo Black-Scholes (3/5) 45

Limitações do Modelo (1/3)

1) Volatilidade constante: assume que a volatilidade do activo é fixa ao longo do tempo. Na


realidade, a volatilidade varia.

2) Taxa de juro livre de risco constante: o modelo considera uma taxa contínua e constante. No
mundo real, as taxas de juro mudam constantemente e variam por prazo.

3) Distribuição lognormal dos preços: assume que os preços seguem um movimento browniano
geométrico. Isto implica retornos normais e contínuos. Na prática, ocorrem saltos bruscos, caudas
pesadas e assimetrias que o modelo não captura.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Modelo Black-Scholes (4/5) 46

Limitações do Modelo (2/3)

4) Mercados perfeitos: não existem custos de transação, impostos ou restrições de negociação. Os


activos são perfeitamente líquidos e divisíveis. Claramente irrealista, sobretudo em mercados
emergentes ou projetos de investimento real.

5) Opções apenas europeias: o modelo só precifica opções exercíveis no vencimento, ou seja, não
funciona directamente para opções americanas (exercício antecipado).

6) Não captura risco de crédito ou risco-país: aplica-se bem a activos financeiros líquidos. Em opções
reais, ignora riscos políticos, de execução, geológicos, etc.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Modelo Black-Scholes (5/5) 47

Limitações do Modelo (3/3)

Consequência prática: o modelos é uma boa aproximação de primeira ordem, especialmente para
opções líquidas de curto prazo em mercados desenvolvidos. Entretanto, em contextos como projectos
de petróleo e/ou de investimento significativo e em mercados emergentes, pode subestimar o risco e
sobrevalorizar o valor opção.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Passos para determinação das opções reais 48

Figura 3 – Abordagem das opções reais, processo em 4 etapas (Adaptado de: Copeland e Antikarov, 2002)

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


Bibliografia 49

Hillier et al. 2019.

Black and Scholes, 1973.

© Alexandre Ernesto, 2025. Direitos reservados.


50

Copyright Alexandre Ernesto 2025.

Estes slides podem ser carregados por qualquer pessoa, em qualquer lugar
para uso pessoal e não há necessidade de se referenciar o autor.

Todo o material inserido nestes slides, foram elaborados com base nas
referências bibliográficas supracitadas.
MUITO OBRIGADO PELA ATENÇÃO!

51
Volenti Nihil Difficili -“A quem quer, nada é difícil”

Você também pode gostar