Unisul
Aluno: Jenyfer Schmitt de Camargo
Curso: Direito
UC: Teoria da Empresa e Direito Societário
Resumo contemplando os principais temas da unidade do Direito
Empresarial
Prof. Dr. Pablo Henrique Motta Torres
Florianópolis - SC
2025
Inicialmente, o Direito Empresarial pertence ao ramo do direito privado e constitui o
exercício da atividade econômica organizada com fins lucrativos. Tem como objetivo
trazer segurança jurídica aos agentes econômicos, ao mercado e à sociedade. Sua
base normativa no Brasil se encontra principalmente no Código Civil (arts. 966 a
1.195), com princípios próprios e leis especiais.
Os princípios fornecem diretrizes para a interpretação e aplicação dessas normas.
Entre os principais, destacam-se a liberdade de iniciativa, a livre concorrência, a
função social da empresa, a autonomia patrimonial dos empreendedores e a
preservação da atividade empresarial. Esses princípios não garantem somente a
proteção do empresário, mas o equilíbrio do desenvolvimento econômico com a
responsabilidade social.
Dentro do mundo jurídico, a empresa é entendida como a própria atividade
econômica organizada voltada à circulação e produção de bens ou serviços. Desse
modo, o Código Civil não denomina a empresa como pessoa ou ente, mas sim
como atividade. Ela precisa ser habitual, profissional, econômica e organizada,
reunindo fatores de produção para gerar resultados. Quem exerce profissionalmente
essa atividade é o empresário, que pode ser um indivíduo (empresário individual) ou
uma sociedade empresária, desde que sejam seguidos os requisitos legais, como a
capacidade civil plena, registro na Junta Comercial e regularidade fiscal.
O empresário, para exercer a atividade, utiliza um conjunto de bens específicos
para esse fim, denominado estabelecimento empresarial. Visto isso, o
estabelecimento é o conjunto de bens organizado para o exercício da empresa, o
complexo de bens materiais e imateriais, como móveis, imóveis, máquinas, marca,
entre outros. Pode ser objeto de negócios jurídicos, como venda e arrendamento. É
regulado pelos arts. 1.142 e seguintes do Código Civil. Ao se identificar perante o
mercado, o empresário adota um nome empresarial, que é a designação sob a qual
o empresário ou sociedade empresária exerce sua atividade e firma seus atos. Deve
ser registrado na Junta Comercial e é protegido legalmente contra usos indevidos.
Existem duas espécies principais: a firma (composta pelo nome civil dos sócios) e a
denominação (podendo ser de fantasia ou indicar o objeto social). O nome
empresarial é distinto da marca, que é registrada no Instituto Nacional da
Propriedade Industrial (INPI) e integra a propriedade industrial.
Quando o empresário transfere à terceiros o estabelecimento empresarial, é
realizado o chamado de trespasse. Tem como objetivo a transmissão do conjunto
de bens organizados para o exercício da empresa. O contrato deve ser formalizado
por escrito, registrado e notificado aos credores, evitando fraudes e delimitando
responsabilidades entre o alienante e o adquirente que, em regra, assume
obrigações relacionadas ao estabelecimento, observadas as disposições legais
presentes nos arts. 1.144 e seguintes do CC. Ademais, a exploração do ponto
comercial depende muitas vezes de contratos de locação não residencial. A lei do
inquilinato assegura ao locatário empresário, cumpridos os requisitos de prazo
mínimo de continuidade do mesmo ramo, o direito de renovação compulsória do
contrato de locação comercial, o que garante a estabilidade do exercício da
atividade econômica e a clientela.
Outro aspecto importante do Direito Empresarial é a proteção da propriedade
intelectual, que abrange os direitos sobre criações do intelecto humano e incentiva a
competitividade e inovação. Sob essa óptica, destaca-se a propriedade industrial,
que se relaciona de maneira direta à atividade empresarial, compreendendo
marcas, patentes, desenhos industriais, indicações geográficas e repressão à
concorrência desleal, regida no Brasil pela lei da Propriedade Industrial (Lei n°
9.279/1996) e administrada pelo INPI. A proteção desses ativos intangíveis é
essencial para a exclusividade, valorização do estabelecimento empresarial e
retorno econômico.
O empresário deve preencher alguns requisitos legais e administrativos para que
sua atividade empresarial seja considerada regular, como ter capacidade civil plena,
registro na Junta Comercial, inscrição no CNPJ, obtenção de licenças e alvarás,
escrituração contábil regular e observância de normas trabalhistas, fiscais e
ambientais. O descumprimento de algum dos requisitos pode gerar irregularidade e
responsabilidade pessoal.
O Direito Empresarial organiza e disciplina a atividade econômica, protege tanto o
empresário quanto o mercado e os consumidores. Compreender os princípios, o
conceito de empresa, a figura do empresário, os instrumentos como
estabelecimento, nome empresarial, trepasse e as normas sobre locação comercial
e propriedade intelectual/industrial, bem como os requisitos para o exercício regular
da atividade é de suma importância para quem deseja garantir segurança jurídica e
o melhor desenvolvimento das atividades econômicas. Compreendê-los de maneira
integrada é fundamental para aplicar corretamente a legislação e promover um
ambiente de negócios estável e competitivo.
Trata-se de um ramo didático, que se conecta com a realidade do mercado e
destinado a equilibrar liberdade de iniciativa e a responsabilidade social.