Mediação em Disputa de Guarda Familiar
Mediação em Disputa de Guarda Familiar
Resumo: A presente pesquisa aborda a mediação e seus recursos no contexto de disputa de guarda, tendo como objetivo geral
identificar como suas técnicas podem auxiliar na resolução de conflitos dessa ordem. Foram objetivos específicos: analisar os as-
pectos emocionais que envolvem a dinâmica familiar em situação de conflito; apontar as técnicas que compõem um processo de
mediação; refletir acerca dos benefícios da mediação nas relações familiares que estejam enfrentando uma disputa de guarda.
É uma pesquisa de cunho qualitativo, exploratório e bibliográfico. A partir da análise dos materiais utilizados, foi possível concluir
que as técnicas de mediação podem ser transformadoras no processo de ressignificação das relações familiares, tornando seus
vínculos afetivos mais sólidos e a comunicação entre seus membros mais fortalecida.
Abstract: This research addresses mediation and its resources in the context of custody disputes, with the general objective of
identifying how their techniques can help in resolving conflicts of this order. The specific objectives were: to analyze the emotional
aspects that involve family dynamics in situations of conflict; point out the techniques that make up a mediation process; reflect on
the benefits of mediation in family relationships that are facing a custody dispute. It is a qualitative, exploratory and bibliographic
research. From the analysis of the materials used, it was possible to conclude that the mediation techniques can be transforming
in the process of reframing family relationships, making their affective bonds more solid and the communication between their
members more strengthened.
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mediação; e refletir acerca dos benefícios da ma começou a modificar-se juntamente às
mediação nas relações familiares que este- demandas sociais emergentes, como apon-
jam enfrentando uma disputa de guarda. ta Teruya (2016, p. 1).
A História da Família, que no início da dé-
2 Breve histórico da evolução da família cada de setenta se apresentava com con-
tornos mal definidos e frequentemente
Desde tempos remotos, o ser humano confundida com o que se poderia ser con-
necessita de núcleos grupais para sobrevi- siderado alguma de suas partes, chegou
ver, de modo que seria inviável, psicologica- aos anos noventa renovada, movimentan-
mente falando, viver de forma isolada. Assim, do-se de uma visão limitada da família,
esse agrupamento de pessoas que compar- como uma unidade estática no tempo,
tilhava experiências entre si cotidianamen- para ser examinada como um processo
te passou a ser denominado de família. A ao longo da vida inteira de seus membros.
ideia de família tem origem muito anterior Passou do estudo das discretas estrutu-
à criação dos códigos, Direito e até mesmo ras domésticas para a investigação das
do poder do Estado e da Igreja, não sendo relações da família nuclear com o grupo
de parentesco mais vasto e do estudo da
associada a vínculos afetivos, inicialmente. A
família como uma unidade doméstica dis-
partir da elaboração do Código de Hamura- tinta para um exame da interação familiar
bi, a família passou a tomar forma específica com os mundos da religião, trabalho, edu-
e pré-determinada, devendo ser patriarcal cação, instituições correcionais e sociais e
e monogâmica, sendo legitimada somente com os processos tais como de migração,
após contrato (ARAÚJO et al., 2016). industrialização e urbanização.
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cresceu progressivamente (TEIXEIRA, 2016). turas, de maneira instantânea e multiface-
tada, de modo que acaba por influenciar na
A partir do surgimento de novas pers- dinâmica familiar, inclusive, na transmissão
pectivas de famílias, concomitantemente de valores aos seus filhos, caso os tenham.
novas interfaces de conflitos têm gerado
inquietações diferenciadas, demandando a Esses conflitos podem ter causalida-
construção de possibilidades de resolução des diversas: questões financeiras, tempo
desses conflitos que viabilizem às partes que investem em programações de lazer
uma posição de proatividade e protagonis- pessoal, filhos, responsabilidades domésti-
mo nas próprias histórias de vida. cas, etc. O adiamento na busca pela reso-
lução de cada conflito culmina em um acú-
2.1 Conflitos conjugais mulo de pendências afetivas que, ao longo
do tempo, fragiliza a relação, podendo vir a
Os conflitos na esfera conjugal tam- se romper.
bém passaram por mudanças ao longo dos
tempos e a análise destes precisa ser multi- Numa visão psicanalista, Thorstensen
fatorial, ou seja, seu estudo deve incluir a fre- (2017) comenta sobre a frequente relação
quência com que tais conflitos ocorrem, sua de amor e ódio simultâneos que se fazem
intensidade, a existência ou não de padrões, presentes em conflitos conjugais, utilizan-
entre outros fatores. Cada relacionamento do o exemplo das queixas de falta de aten-
possui sua dinâmica comunicacional, que, ção suficiente, comportamento comum de
por sua vez, interfere na maneira que as par- crianças em relação aos seus cuidadores pri-
tes lidam com os desafios cotidianos e, con- mários. Percebe-se, então, um padrão que
sequentemente, resolvem possíveis confli- aponta as “necessidades” afetivas como res-
tos. quícios das frustrações obtidas na primeira
infância, sendo tais necessidades semelhan-
A conceitualização de conflito conju- tes em ambos os momentos da vida do indi-
gal é bastante complexa, pois pode referir-se víduo no que se refere à sua expressividade.
desde discussões que podem ser resolvidas
facilmente, até situações mais graves como Essa ambivalência emocional percebi-
agressões, ameaças, entre outros. Partindo- da nas relações também comunica o medo
-se dessa premissa, Bolze (2016, p. 37) pensa do desamparo e da perda do objeto amado,
conflito conjugal como “quaisquer disputas, gerando ansiedades e conflitos aparente-
discordâncias ou expressões de emoções mente sem motivo.
contrárias aos assuntos cotidianos entre os o sentimento de desamparo que nasce
membros do casal”. junto com o humano e que se manifes-
ta desde as primeiras ansiedades de se-
O que definirá a densidade de um paração da mãe compare cerá, de
conflito serão os níveis de desacordo entre forma mais ou menos velada, nas relações
ambos, as tentativas de reparação e valida- amorosas da vida adulta, o que não é de
ção ou invalidação das colocações do côn- surpreender, dado que esta é uma substi-
juge bem como a abertura que se tem para tuição daquela. O medo da perda do ob-
elaborarem acordos. A consideração de fa- jeto amoroso é parte constituinte do vín-
tores socioculturais também é relevante, culo que se constroi (THORSTENSEN, 2017,
visto que a percepção das atribuições de p.106).
papéis na conjugalidade também influen-
Partindo-se desse pressuposto, vale
cia na gestão de conflitos (COSTA, CENCI &
ressaltar que os conflitos conjugais não são
MOSMANN, 2016).
isolados em seu conteúdo e em suas conse-
Cada conflito instalado apresenta em quências, mas possuem história pregressa
seu conteúdo aspectos de âmbito objetivo e culmina em cicatrizes futuras, a partir do
— o acontecimento em si — e emocional impacto exposto aos filhos e demais mem-
— que é o fator determinante para sua reso- bros do núcleo familiar. Assim, podemos en-
lução ou não. A criação de estratégias que tender que os conflitos, principalmente os
podem ser eficazes ou não para que tal re- não resolvidos, influenciam negativamente
solução seja alcançada com eficiência. na dinâmica relacional da família, que, por
vezes, encontra como solução final sua rees-
Como apontam Ferreira e Timbane truturação, o que nem sempre acontece de
(2019), o desenvolvimento da globalização e forma pacífica.
o aumento do uso das mídias audiovisuais e
tecnológicas estimulam o compartilhamen-
to de conteúdo vivenciado em outras cul-
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anos quando o assunto é parentalidade, in- papéis parentais em si, em detrimento da
clusive no campo do Direito, que considera ligação por consanguinidade apenas, como
a proteção e os cuidados diversos direcio- lembra Vargas (2015, p. 173):
nados à criança como parte do princípio da
dignidade da pessoa humana. A noção de Foi nessa perspectiva de ampliação do
conceito de parentesco, para alcançar pes-
parentalidade advinda da perspectiva da
soas que exercem papeis parentais (ainda
Psicologia passou a fazer parte da comuni- que não ligadas por vínculos consanguí-
dade jurídica no que concerne ao exame de neos), que a noção de parentalidade foi
parentesco e filiação, referindo-se aos direi- concebida pelo Direito no contexto de fi-
tos e obrigações entre estes (VARGAS, 2015). liação socioafetiva. Essa possibilidade inte-
grou-se à concepção jurídica, no contexto
Com as constantes mudanças no ce- da proteção à criança, por meio do Decre-
nário sociocultural o modelo único de pa- to n. 99.710/90, que promulgou a Conven-
rentalidade deixou de ser exclusivo nas ção dos Direitos da Criança elaborada em
relações familiares, dando espaço a novas 20 de novembro de 1989, pela Assembleia
possibilidades, como a multiparentalidade, Geral da Nações Unidas - ONU, como Carta
que pode ser exemplificada pela existência Magna para as crianças de todo o mundo.
de três pessoas citadas no campo “filiação”
Assim, com tal inclusão pelo campo
na certidão de nascimento de uma criança,
do Direito, as mais variadas configurações
ou, ainda, o que se chama de “família re-
de família puderam desempenhar suas fun-
constituída”, na qual membros de famílias
ções com o devido reconhecimento jurídico
distintas se juntam para formar um novo
sem se prenderem a uma estrutura única
núcleo familiar.
e linear que as excluísse. Famílias monopa-
Tradicionalmente, a parentalidade rentais, homoafetivas, com pais adotivos,
era reconhecida somente com a formação padrastos e madrastas passaram a ser in-
de membros familiares unidos pelo matri- cluídas com os mesmos direitos parentais
mônio e que tivessem gerado filhos a partir tradicionais, antes delegados somente ao
deste, de modo que os direitos concedidos a modelo patriarcal.
esses não poderiam valer para demais filhos
Com relação ao contexto no qual a
gerados em outros relacionamentos, sendo
família está passando por um processo de
considerados ilegítimos (RIBEIRO & COSTA,
disputa de guarda, vale incentivar a reflexão
2018). No entanto, com a chegada da nova
acerca da possibilidade de serem construí-
Carta Constitucional, foram consideradas
das novas formas de se relacionar e seus
as conquistas das mulheres até então e as
benefícios posteriores para aquele núcleo
mudanças no panorama econômico, que,
familiar como um todo. Querer restringir os
por sua vez, interferiram nas dinâmicas de
papéis e as funções parentais a estruturas
estruturação familiar, o que consequente-
rígidas, por lei, pode ser algo que dificulte a
mente ampliou o conceito de família.
própria dinâmica relacional da família neo-
a grande transformação na família brasi- configurada, uma vez que existem variações
leira deu-se no sentido de transformar as em tais papéis e funções que não são passí-
entidades familiares, as quais abandonam veis de previsão e controle ao longo do tem-
sua principal característica de serem ape- po (VARGAS, 2015).
nas um núcleo econômico, com a finalida-
de precípua de proteger, transmitir e re- O despertar para novos níveis de per-
partir patrimônio. A família passa a existir cepção e consciência acerca do momento
enquanto lugar para a livre manifestação de remanejamento das funções parentais é
de afeto, como forma de valorizar o indiví- assumir que, embora o relacionamento con-
duo, núcleo central de proteção (RIBEIRO
jugal tenha terminado, outras formas de se
& COSTA, 2018, p. 12).
relacionar são possíveis e podem ser tão ou
Desse modo, os padrões rígidos que mais satisfatórias do que a forma anterior-
consideravam como família apenas aquela mente vivida, desde que ambos consigam
que fosse constituída por meio da paren- desenvolver a flexibilidade necessária para
talidade biológica e que visava a união de tal. A mediação pode servir como um instru-
economias foram dando espaço à multipa- mento eficiente para o desenvolvimento de
rentalidade, que prioriza a afetividade e o uma comunicação voltada à busca de solu-
indivíduo de modo integral, passando-se a ções para os conflitos vivenciados nesse nú-
considerar válidas também as famílias que cleo, como pode-se ver nas seções seguin-
tivessem formatos divergentes dos tradi- tes.
cionais, dando ênfase ao desempenho dos
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ção de que estes puderam se envolver nas cação entre as partes como propulsora de
escolhas dos procedimentos utilizados para mudanças e, consequentemente, alcança-
se alcançar a solução do conflito em voga. vam-se soluções para os conflitos em pau-
ta. O modelo transformativo foi mais uma
A Lei da Mediação, n. 13.140/15, surgiu possibilidade de mediação, segundo o qual
para consolidar as técnicas de resolução de o conflito, na verdade, não se resolve, apenas
conflitos consensuais e é reconhecida com se transforma por meio da mudança nas re-
um marco no avanço desses métodos. O lações entre as partes (NETO, 2010).
novo Código de Processo Civil, em 2015, tor-
nou obrigatórias as audiências de concilia- Todos esses modelos foram sendo
ção e mediação, o que também tem incen- aperfeiçoados e representam a mediação
tivado a busca pela resolução de conflitos tal como ela é hoje e tal como continua se
autocompositiva. aperfeiçoando em busca das melhores for-
mas de empoderar a sociedade a fim de
Vale frisar que a mediação, como elemen- que consigam resolver seus impasses por
to característico dos juizados de pequenas
meio da comunicação e da escuta genuína,
causas nos Estados Unidos, fortemente in-
fluenciou o legislador brasileiro a ponto de
ativa.
este incluir a conciliação em seu sistema
dos juizados especiais. Todavia, a autocom- 5.2 As técnicas e procedimentos da
posição prevista pelo legislador brasileiro mediação
na Lei n. 9.099/1995 se distinguiu signifi-
cativamente daquela prevista no modelo O processo de mediação, embora
norte-americano em razão de dar menor tenha como uma das suas características
ênfase às técnicas e ao procedimento a principais a busca pela resolução do conflito
ser seguido bem como ao treinamento por meio de acordos construídos a partir da
(...) e, atualmente, ao maior componen- negociação entre as partes envolvidas, pos-
te transformador das mediações. Sobre sui técnicas e procedimentos norteadores.
esse componente, os professores Robert O Manual de Mediação Judicial do Conselho
Baruch Bush e Joseph Folger sustentam
Nacional de Justiça (2016, p. 20) descreve a
que deve ser considerada como objetivo
da autocomposição e, indiretamente, de
mediação da seguinte maneira:
um sistema processual, a capacitação (ou (...) uma negociação facilitada ou catalisada
empoderamento) das partes (e educação por um terceiro. Alguns autores preferem
sobre técnicas de negociação) para que definições mais completas sugerindo que
essas possam, cada vez mais, por si mes- a mediação é um processo autocomposi-
mas compor seus futuros conflitos (BRA- tivo segundo o qual as partes em disputa
SIL, 2016, p. 27). são auxiliadas por uma terceira parte neu-
tra ao conflito ou por um painel de pessoas
Embora já fosse uma prática antiga
sem interesse na causa, para se chegar a
nos meios forenses, a mediação de fato pre- uma composição. Trata-se de um método
cisava de uma regulamentação específica de resolução de disputas no qual se desen-
que validasse sua aplicação e pudesse pro- volve um processo composto por vários
porcionar maiores benefícios à sociedade, atos procedimentais pelos quais o(s) ter-
representando alternativas para os litígios ceiro(s) parcial(is) facilitam) a negociação
existentes, sem, contudo, negar o Poder Ju- entre as pessoas em conflito, habilitando-
diciário (CABRAL, 2017). -as a melhor compreender suas posições
e a encontrar soluções que se compatibi-
Ao analisar o conflito bem como as lizam aos seus interesses e necessidades.
concepções das partes sobre o ocorrido, o
processo mediativo deverá buscar nas bases Conforme direciona a Lei de Mediação
teóricas da psicologia, sociologia, antropolo- (2015), a prática da mediação deve ser regida
gia, física quântica e demais conhecimen- por determinados princípios, sendo estes,
tos afins o preparo necessário para que sua respectivamente: I) imparcialidade do me-
aplicação seja eficiente no alcance dos seus diador; II) isonomia entre as partes; III) ora-
objetivos (BACELLAR, 2016). lidade; IV) informalidade; V) autonomia da
vontade das partes; VI) busca do consenso;
O primeiro modelo de mediação era VII) confidencialidade; VIII) boa-fé.
pautado na negociação cooperativa, na
qual se buscava os interesses e as necessi- É fundamental que o mediador, ao ter
dades das partes que as colocavam em posi- seu primeiro contato com as partes em con-
ções contrárias, dificultando a resolução do flito, tenha a percepção de que ambas estão
conflito. Posteriormente, surgiu o modelo atravessando um momento de desequilí-
Circular Narrativo, que colocava a comuni- brio emocional e aja de modo a auxiliá-las
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a reestruturação da comunicação entre formas de se relacionar também precisaram
os membros da família por lhes propiciar a se repaginar, de modo que atendessem às
construção, por si só, das possíveis formas novas demandas. Como acontece em todo
de acordo e resolverem conflitos diversos, processo de mudança, o desconforto e uma
empoderando-se. Os benefícios que a me- série de conflitos surgem e requerem uma
diação pode trazer para esse campo estão solução imediata, virando uma disputa de
diretamente alinhados com o objetivo prin- razão e poder desencadeada por egos feri-
cipal da guarda compartilhada: cuidar dos dos e sentimentos frustrados. Em um con-
vínculos afetivos familiares (CHRISO, 2016). texto conflitivo que envolve a disputa pela
guarda dos filhos, por vezes, as partes estão
Desse modo, a manutenção desses tão envolvidas nos próprios pontos de vista,
vínculos por meio da comunicação estimu- tão focadas em alcançar a derrota do outro,
lada na mediação pode ser capaz de trans- que não se permitem pensar outras possibi-
formar as formas de interação intrafamiliar lidades que poderão ser satisfatórias a am-
e minimizar os conflitos não só referentes a bas.
questões de guarda, mas a outros que, por-
ventura, venham surgir. Assim, a mediação aponta como uma
ferramenta que exercita a comunicação e a
Outro benefício de extrema relevân- escuta ativa entre as partes e o mediador,
cia proporcionado pela prática da mediação que norteará de modo imparcial todo esse
nas relações familiares diz respeito ao fato processo por meio da utilização de técnicas
de que o desenvolvimento de crianças que específicas que as auxiliarão a construir o
crescem em meio a um ambiente familiar melhor acordo possível.
no qual o diálogo e a afetividade são presen-
tes é muito mais saudável, o que irá repercu- Com o exercício da autocomposição,
tir em seus futuros relacionamentos e esco- as relações familiares que se encontram em
lhas, como lembra Chriso (2016). situação de conflito pela disputa de guarda
poderão se fortalecer, uma vez que, com o
Sem dúvidas, o sistema “ganha-ga- suporte do mediador, os membros litigan-
nha” da mediação é mais um ponto positivo tes terão espaço para ouvir e serem ouvidos,
que possui, conforme Melo e Oliveira (2017, ampliarão suas percepções a respeito da si-
p. 381): tuação e elaborarão novas perspectivas de
Interessa à mediação que não exista um convivência priorizando as funções paren-
vencedor e um perdedor, pois, ao contrário tais, sem deixar de conduzirem suas vidas
do processo judicial, não trata-se de uma a partir dos seus novos objetivos, sonhos e
disputa entre oponentes. não há de se falar vontades.
numa decisão dada por uma autoridade,
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