Equilíbrio da empresa em concorrência perfeita Longo prazo
A questão decisiva para a diferença entre o equilíbrio de concorrência perfeita
no curto prazo e o equilíbrio de concorrência perfeita no longo prazo é a livre entrada e
saída de empresas no mercado a qual só faz sentido no longo prazo, pois a entrada ou
a saída do mercado são decisões que demoram algum tempo a operacionalizar. Pode
sistematizar-se o processo de obtenção do equilíbrio no longo prazo da seguinte forma:
i. Se, no mercado, só existirem empresas com lucros positivos, isso significa que
elas não têm incentivo em investir o capital noutra indústria, porque os custos já
incluem os custos de oportunidade do capital, logo o facto de o lucro ser positivo
significa que o retorno do investimento é maior nesta indústria do que noutra.
Assim, por um lado, as empresas com lucros positivos permanecem na indústria
e, por outro lado, novas empresas entram na indústria para auferirem esses
lucros positivos. A entrada contínua de novas empresas faz aumentar a oferta de
mercado, o que conduz a uma diminuição do preço de mercado e a uma
consequente diminuição dos lucros de cada empresa. O processo de entrada no
mercado vai manter-se até que o lucro=0 (0=π) para todas as empresas existentes
no mercado, atingindo-se uma situação de estabilidade (não há incentivo para
sair ou entrar no mercado).
ii. Se, no mercado, só existirem empresas com lucros negativos, então, por um
raciocínio semelhante ao anterior, elas têm incentivo em abandonar a indústria e
em investir noutra que proporcione um melhor retorno do investimento
efectuado. Por outro lado, os lucros = 0 (0=π) negativos levam a que nenhuma
nova empresa tenha incentivo para entrar na indústria. A saída contínua de
empresas faz diminuir a oferta de mercado, o que conduz a um aumento do
preço de mercado e a um consequente aumento dos lucros de cada empresa (ou
seja, passam a ser menos negativos). O processo de saída de empresas do
mercado vai manter-se até que lucro = 0 (0>π) para todas as empresas existentes
no mercado, atingindo-se uma situação de estabilidade (não há incentivo para
sair ou entrar no mercado).
iii. Se, no mercado, só existirem empresas com lucros nulos, então já se atingiu a
situação de estabilidade referida em i) e ii), não tendo as empresas incentivo em
sair ou entrar no mercado, porque as melhores aplicações alternativas para o
capital proporcionam idêntico retorno.
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iv. Se, no mercado, existirem empresas nas três situações possíveis (0>π, 0< π e
0=π), então haverá uma conjugação das acções referidas em i), ii) e iii),
atingindo-se sempre a situação final de equilíbrio com 0=π para todas as
empresas.
Da exposição efectuada, fica claro que o facto de o equilíbrio de mercado de
concorrência perfeita no longo prazo se atingir quando 0=π, decorre unicamente
da Hipótese 5 da concorrência perfeita (livre entrada e saída do mercado).
Como o equilíbrio de mercado de concorrência perfeita no longo prazo se atinge
quando lucro = 0 (0=π) para todas as empresas, então o output de equilíbrio de cada
empresa vai situar-se no ponto em que o custo médio de longo prazo é mínimo
(dados a tecnologia e os preços dos inputs).
Quando um sector é constituído por empresas concorrenciais com idênticas curvas
de custo e quando as empresas podem entrar ou sair do sector livremente, a condição
de equilíbrio de longo prazo é a de que: P=Cmg=Cme mínimo de longo prazo para
todas as empresas
Excedente do Produtor e do Consumidor
O excedente do consumidor é a diferença entre o valor máximo que o
consumidor estaria disposto a pagar para consumir um bem (preço de reserva) e o
valor que, efectivamente, pago (preço de mercado).
O excedente do produtor é a diferença entre do valor que o produtor recebe
pela venda de um bem (preço de mercado) e o valor mínimo que estaria disposto a
aceitar (custo marginal). O excedente do produtor calcula-se somando a diferença
entre o preço cobrado por cada uma das unidades vendidas (preço de mercado) e o
preço mínimo ao qual o produtor estaria disposto a oferecer cada uma dessas unidades
(custo de produção).
Normalmente, ao falarmos de excedente do produtor, referimo-nos ao lucro total
da indústria, ou seja, à soma dos lucros de todos os produtores. O excedente pode
representar-se como à área limitada inferiormente pela curva de custo marginal, limitada
superiormente pelo preço de venda, e que vai desde “Q=0” até à quantidade
transaccionada no mercado. A esta área devem ainda ser subtraídos os custos fixos. O
excedente do consumidor calcula-se somando a diferença entre o preço pago por cada
uma das unidades compradas (preço de mercado) e o preço máximo ao qual os
consumidores estariam dispostos a comprar essas unidades (preço de reserva).
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Ao falarmos de excedente do consumidor, referimo-nos normalmente à soma
dos excedentes de todos os consumidores.
Figura 1
Monopólio
É um mercado que se caracteriza pela existência de apenas um produtor,
que portanto controla todos os aspectos relativos à produção, ou seja, que domina
completamente o lado da oferta.
A opinião comum afirma que o monopolista, sendo o único produtor, pode fazer
o que quiser no mercado. Nós sabemos que isso não é verdade, pois o monopolista
domina apenas um dos lados do mercado: a oferta. O monopolista não controla
perfeitamente o preço, apesar de ser o único a produzir, visto só controlar o lado
da oferta mas não o lado da procura; o monopolista pode fixar o preço mas não a
quantidade.
Em particular, se ele quiser marcar um preço muito alto, a procura reduz-se e ele
pode mesmo perder dinheiro. Ou seja, o monopolista está restringido a escolher um dos
pontos da curva da procura dos consumidores. Pode escolher o ponto que quiser, mas
não pode escolher um ponto fora dessa curva. O empresário em situação de monopólio
está na mesma situação e com os mesmos problemas da concorrência perfeita; o que
acontece é que defronta todos os consumidores visto ser só um produtor e não vários,
como no caso da concorrência perfeita.
Regra geral, o que vai acontecer é que o produtor vai fixar um preço
relativamente elevado e superior ao de concorrência perfeita, de tal forma que,
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àquele preço, a quantidade oferecida é inferior à quantidade que, a um menor
preço, os consumidores desejariam efectivamente consumir.
Quando há um monopolista, o mercado é dominado por uma empresa; se a
empresa alterar a sua produção, o preço é passível de mudar (>Q=<P).
O facto de os monopólios serem maus sistemas de produção leva à
existência de políticas de intervenção por parte do Estado, que utilizam
instrumentos (como a nacionalização da empresa, a fixação de preços, o
lançamento de impostos sobre o monopolista) para sugar o lucro, o que tem gerado
muita polémica.
No entanto, e tendo em atenção a tese do célebre economista Joseph
Schumpeter, a ineficiência do monopolista verifica-se sobretudo a curto prazo. Na
verdade, há que ter em conta que a estabilidade da situação de monopolista e os
lucros que daí resultam podem ser muito mais favoráveis à criação de um
ambiente próprio para a descoberta e implantação de inovações técnicas, do que a
situação de feroz e incerta concorrência. E são estas inovações que dão dinamismo
ao sistema económico. Por esta razão, o monopólio poderá ser um importante
factor de desenvolvimento, o que compensaria as suas desvantagens imediatas.
Outra ideia recente, relativa à política sobre monopólio, tem sublinhado os
maus resultados da intervenção do Estado, supostamente dirigida para resolver a
ineficiência dos monopólios.
Não só esta intervenção tem burocratizado o funcionamento da empresa,
sobretudo no caso de empresas nacionalizadas, como as regulações trazem consigo
outras ineficiências, sendo por vezes elas causadoras de monopólios. Por isso se tem
assistido, em algumas economias mais avançadas, a um esforço de privatização e
desregulação destes sectores.
Uma estrutura de mercado monopolista apresenta três características
principais:
a) uma única empresa produtora do bem ou serviço;
b) não há produtos substitutos próximos;
c) existem barreiras à entrada de firmas concorrentes.
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As barreiras ao acesso de novas empresa nesse mercado podem ocorrer de varias
formas:
Monopólio puro ou natural, devido à alta escala de produção requerida,
exigindo um elevado montante de investimentos. A empresa monopolista já esta
estabelecida em grandes dimensões e tem condições de operar com baixos
custos. Torna-se muito difícil alguma empresa conseguir oferecer o produto a
um preço equivalente á empresa monopolista. Em geral, associado a serviços de
utilidade pública, como água e esgotos, energia eléctrica etc.;
Protecção de patentes (direito único de produzir o bem).
Controle sobre o fornecimento de matérias-primas-chaves. Exemplo: A
Alcoa detinha quase todas as minas de bauxita nos EUA (matéria-prima do
alumínio).
Tradição no mercado. Exemplo: mercado de relógios: os Japoneses precisaram
investir muito dinheiro, durante muito tempo, para concorrer com a tradição dos
relógios Suíços.
Funcionamento de um mercado em Monopólio
Curva de demanda do monopolista
Como se trata de uma única firma, tem-se que:
Demanda total do mercado = Demanda para a empresa
Figura nº2- Curvas da demanda no monopólio
Assim, se o monopolista quiser vender mais, o preço cairá; se produzir menos, o
preço subirá. Nesse sentido, o monopolista tem o controle do preço de mercado, que
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depende de quanto ele resolve produzir. Isso é completamente diferente do que ocorre
com a firma em um mercado em concorrência perfeita, que não tem condições de,
isoladamente, afectar o preço determinado por esse mercado.
Curvas de receita média e receita marginal
ou seja, a RMe é o próprio preço de mercado: é o que o consumidor paga em cada
unidade do produto. Então, é a própria demanda de mercado.
Em concorrência perfeita, vimos que RMg = RMe = p. Em monopólio, a RMg é
diferente da RMe. Isso porque a quantidade adicional é vendida a um preço mais baixo
que as quantidades anteriores. O exemplo da Figura abaixo esclarece esse ponto.
Figura nº3 – Receita Média e Receita Marginal para uma firma
monopolística
Quando a quantidade vendida aumenta de 10 para 11, a RMe é igual ao preço p .
Isto é, quando q = 11.
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RMe
A receita marginal RMg fica igual a RMg = ∆RT =RT1 – RT0 = 14.025 - 13.500 = 525
e, portanto, RMe > RMg no monopólio
O Equilíbrio no mercado Monopolista
Enquanto cada unidade adicional de produto proporcionar uma receita maior do
que custa - o mesmo é dizer, enquanto a Rmg>Cmg - o lucro da empresa aumenta.
Então, a empresa continuará a aumentar a sua produção enquanto Rmg>Cmg.
Pelo contrário, suponham que a um dado nível de produção Rmg<cmg. Isto
significa que um aumento da produção levará a nível de lucros inferior, portanto,
nesse ponto a empresa maximizadora dos lucros reduzirá a produção.
O ponto que proporciona o maior lucro ocorre claramente no ponto em que
a Rmg=Cmg.
Resumindo: o P e a Q que maximizam o lucro de um monopolista ocorrem
quando a receita marginal iguala o custo marginal:
Rmg = Cmg, em P* e Q* maximizadores de lucro
Raciocínio por detrás desta regra:
Quando Rmg>Cmg, com o aumento da produção, podem realizar-se lucros
adicionais;
Quando Cmg>Rmg, diminuindo a produção, podem fazer-se lucros
adicionais; assim, a empresa pode maximizar os lucros apenas quando
Rmg=Cmg, porque não existem lucros potenciais que possam ser obtidos
com a alteração do nível de produção.
Discriminação de Preços do 1º, 2º e 3º graus
A prática de cobrar preços diferentes pelo mesmo produto designa-se por
discriminação de preços. Exemplos: vales de desconto, cartões de pontos nas
gasolineiras, cartão família no hipermercado, promoções, saldos, descontos de
quantidade, cabazes, cartão jovem.
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Para que a discriminação de preços seja eficaz, é necessário que:
1. A empresa seja capaz de identificar os diferentes consumidores, e de lhes cobrar
preços diferentes;
2. Os consumidores não tenham a possibilidade de fazer arbitragem (os
consumidores aos quais o produto é vendido a um preço mais baixo não o
podem vender aos outros)
Discriminação de preços do 1º grau
Esta é a situação em que que o vendedor fixa preços diferentes para cada
consumidor e para cada unidade comprada por cada consumidor, de forma a
extrair todo o excedente do consumidor. Exemplo: um medico da aldeia que conhece
todos os habitantes. Antes de cada consulta, o medico avalia a capacidade de pagamento
do paciente, e em função disto determina o preço ( eventualmente, também a quantidade
e a qualidade) dos serviços a oferecer.
Discriminação de preços do 2º grau
Trata-se da situação em que o preço unitário varia com a quantidade
adquirida mas não com a identidade do consumidor. Os exemplos típicos desta
classe de discriminação são a tarifação da água, electricidade e telefone. Por exemplo,
uma conta de telefone é composta principalmente pela assinatura mensal (tarifa fixa) e
pelo custo das chamadas (mas especificamente, o custo dos impulsos ao longo das
chamadas). Devido a existência de uma tarifa fixa, o preço médio por impulso (ou por
chamada local) depende do numero de chamadas (quantidades).
Discriminação de preços do 3º grau
Esta é a forma mas comum de discriminação de preços. Corresponde a
situação em que o vendedor distingue os consumidores em grupos diferentes,
fixando um preços diferente para cada grupo. Os exemplos são abundantes:
distinção entre preços exportação e preços para mercado interno (discriminação
especial); descontos para possuidores de cartão jovens.