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Sistemas de Amortização de Dívidas

O documento aborda os sistemas de amortização de dívidas, explicando como funcionam e suas aplicações em financiamentos e empréstimos. São apresentados os sistemas francês (Price) e constante (SAC), detalhando suas características, cálculos e tabelas de amortização. O material também inclui exemplos práticos para ilustrar os conceitos discutidos.

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Sistemas de Amortização de Dívidas

O documento aborda os sistemas de amortização de dívidas, explicando como funcionam e suas aplicações em financiamentos e empréstimos. São apresentados os sistemas francês (Price) e constante (SAC), detalhando suas características, cálculos e tabelas de amortização. O material também inclui exemplos práticos para ilustrar os conceitos discutidos.

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MATEMÁTICA FINANCEIRA

APLICADA
AULA 4

Profª Aline Purcote


CONVERSA INICIAL

Um sistema de amortização é um plano de pagamento de uma dívida,


podendo assumir diferentes formas, baseadas nos modelos de rendas que
estudamos anteriormente. Utilizamos os sistemas de amortização quando
realizamos compra a prestação, empréstimos em bancos com pagamentos
periódicos e empréstimos para compra da casa própria.
Segundo Camargo (2007), a amortização trata basicamente da forma
como a dívida será saldada, conforme as regras estabelecidas entre as partes
contratantes da operação.
Nesta aula, estudaremos os principais sistemas de amortização de
dívidas utilizadas pelo mercado, os conceitos que envolvem cada modelo, além
dos quadros de amortização.

CONTEXTUALIZANDO

Quando realizamos um financiamento para compra de um veículo ou de


um imóvel, a dívida é formada pelo valor emprestado, juros, encargos e o prazo
de pagamento. Com base nestes elementos, calculamos as prestações, mas
como ocorre a quitação da dívida?
Ao pagar as prestações, parte do valor está amortizando a dívida, ou seja,
pagando o valor emprestado, e a outra parte está pagando os encargos e juros
cobrados na operação. Para definir quanto pagaremos em cada prestação, há
diferentes formas, que chamamos de sistemas de amortização, assim, podemos
utilizar várias metodologias para estabelecer a forma que uma dívida será
liquidada.
Os sistemas de amortização são desenvolvidos basicamente para
operações de empréstimos e financiamentos que envolvem desembolsos
periódicos.

Saiba mais

Para entender mais sobre os sistemas de amortização e conhecer


algumas aplicações, acesse aos seguintes links:
• Disponível em: <[Link]
entenda-o-que-e/>. Acesso em: 3 mar. 2021.

2
• Disponível em: <[Link]
comprar/amortizacao-de-parcelas/>. Acesso em: 3 mar. 2021.

TEMA 1 – SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO

Figura 1 – Sistema de amortização

Créditos: thodonal88/Shutterstock.

Quando realizamos um empréstimo ou um financiamento, podemos pagar


a dívida em prestações, sendo que, ao realizarmos o pagamento, estamos
amortizando a dívida. Segundo Castanheira (2008), amortizar significa devolver
o capital que se tomou emprestado.
De acordo com Camargo (2007), amortização refere-se à devolução
gradual do valor principal (capital) de uma dívida por meio de pagamentos
periódicos, combinados entre o credor e o devedor, sendo que o cálculo das
prestações devidas é feito conforme um sistema de amortização de
empréstimos.
O valor a ser pago a cada prestação deve considerar a restituição do
capital principal, ou seja, do capital emprestado e do juro. O juro a ser cobrado
será calculado sempre sobre o saldo devedor pelo critério de capitalização
composta que estudamos em aulas anteriores. Logo, as prestações serão a
soma da parcela da amortização mais a parcela do juro cobrado, assim:

Prestação = parcela da amortização + parcela de juro

Após o pagamento da prestação, devemos atualizar o saldo devedor


reduzindo desse saldo somente a parcela da amortização, logo:

Saldo devedor = saldo devedor anterior - parcela da amortização


3
Considerando as definições acima, temos que os sistemas de
amortização demostram a composição das prestações a serem pagas em
relação ao capital que está sendo amortizado e do juro, além de evidenciar a
situação da dívida após o pagamento de cada prestação. Dentre os sistemas de
amortização, vamos estudar o sistema francês, também conhecido como
sistema Price; o sistema de amortização constante, conhecido como sistema
SAC; o sistema americano; o sistema misto; e o sistema alemão.

TEMA 2 – SISTEMA FRANCÊS DE AMORTIZAÇÃO (PRICE)

Figura 2 – Sistema francês de amortização

Créditos: thodonal88/Shutterstock.

No sistema Francês de Amortização (SFA), também conhecido como


sistema Price, é adotado o critério de rendas imediatas que estudamos em aulas
anteriores. Este sistema é muito utilizado no setor financeiro, sendo
frequentemente adotado pelas instituições financeiras e pelas construtoras em
financiamentos imobiliários.
De acordo com Francisco (1991), pelo sistema francês, o empréstimo é
amortizado com pagamentos constantes, no fim de cada período. Esses
pagamentos são constituídos dos juros sobre o saldo devedor e uma quota de
amortização. Como os pagamentos são todos do mesmo valor, à medida que
4
eles vão sendo realizados, os juros tornam-se menores, enquanto as quotas de
amortização são progressivamente maiores.
Para calcular o valor das prestações utilizamos a fórmula do modelo
básico de renda que estudamos em aulas anteriores:

 (1 + i )n − 1 
V = p 
 (1 + i )n .i 
 
Após calcular o valor da prestação, podemos preencher a seguinte tabela
que irá demonstrar a situação da dívida ao longo do tempo:

Tabela 1 – Dívida

Período Prestação Juros Amortização Saldo Devedor


0 - - - sd
1 Prestação J1= sd x i A1 = prestação - J1 sd1 = sd – A1
2 Prestação J2= sd1 x i A2 = prestação – J2 sd2 = sd1 – A2
3 Prestação J3= sd2 x i A3 = prestação – J3 sd3 = sd2 – A3
Fonte: Elaborado com base em Camargo, 2007.

Na tabela acima, temos os seguintes cálculos para cada período:

• Juro = saldo devedor (sd) x taxa (i);


• Amortização = prestação (p) – juro (J);
• Saldo Devedor = saldo devedor anterior (sd) – amortização (A).

Exemplo: Um empréstimo de R$10.000,00 será pago em quatro


prestações anuais sucessivas postecipadas com uma taxa de juros efetiva de
10% a.a. Calcule o valor da prestação anual e elabore a tabela demonstrando a
operação.
O enunciado fornece os seguintes dados:

• Empréstimo = 10.000;
• Período = 4 anos;
• i = 10% a.a. / 100 = 0,10.

Primeiramente vamos calcular o valor das prestações utilizando a fórmula


do modelo básico de renda:

5
 (1 + i )n − 1 
V = p 
 (1 + i )n .i 
 
 (1 + 0,10)4 − 1 
10000 = p 
 (1 + 0,10)4 .0,10 
 

 (1,10)4 − 1 
10000 = p 
 (1,10)4 .0,10 
 
 1,4641 − 1 
10000 = p 
 1, 4641 .0,10 
 0,4641 
10000 = p 
 0,146410 
10000 = p(3,16986545 )
10000
p=
3,16986545
p = 3154,71
Com o valor das prestações, vamos preencher a tabela que irá demonstrar
a situação da dívida ao longo do tempo:

Tabela 2 – Dívida ao longo do tempo

Período Prestação Juros Amortização Saldo Devedor


0 - - - 10.000
1 3.154,71 1.000 2.154,71 7.845,29
2 3.154,71 784,53 2.370,18 5.475,11
3 3.154,71 547,51 2.607,20 2.867,91
4 3.154,71 286,79 2.867,92 0

Na tabela 2, temos que o juro devido é calculado diretamente do saldo


devedor, e as amortizações pela diferença entre a prestação e o juro de cada
período. Ao final de cada um dos períodos, resta um saldo devedor, que é o
saldo devedor do início do período seguinte. Considerando o período 1, temos
os seguintes cálculos:

• Juro = 10.000 x 0,10 = 1.000;


• Amortização = 3.154,71 – 1.000 = 2.154,71;

6
• Saldo Devedor = 10.000 – 2.154,71 = 7.845,29.

Para o período 2, consideramos o saldo devedor atualizado para realizar


os cálculos, assim:

• Juro = 7.845,29 x 0,10 = 784,53;


• Amortização = 3.154,71 – 784,53 = 2.370,18;
• Saldo Devedor = 7.845,29 – 2.370,18 = 5.475,11.

Seguindo esse raciocínio, preenchemos os demais períodos da tabela,


sendo que, no último período, o saldo devedor deve ser quitado, ou seja, teremos
um saldo devedor igual a zero. Analisando a tabela, temos que o saldo devedor
está reduzindo consequentemente o juro, já a amortização aumentou ao longo
do tempo, uma vez que as prestações são fixas.
Os cálculos apresentados também podem ser realizados utilizando o
Excel e a calculadora financeira HP 12C.

Saiba mais

Para saber mais sobre o assunto, acesse os seguintes materiais:


• Capítulo 12, tópico 12.1.3 – Sistema francês de amortização (SFA), da
obra disponível na Biblioteca Virtual: Matemática Financeira Aplicada, de
Nelson Pereira Castanheira e Luiz Roberto Dias de Macedo.
• Capítulos 8, tópico 8.6 – Sistema de amortização francês (Price), da obra
disponível na Biblioteca Virtual: Matemática Financeira com HP 12C e
Excel: uma abordagem descomplicada.

TEMA 3 – SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO CONSTANTE (SAC)

Figura 3 – Sistema de amortização constante

Créditos: Billion Photos/Shutterstock.

7
No Tema 2, estudamos o sistema de amortização PRICE, no qual as
prestações são constantes em todos os períodos. Neste tema, estudaremos o
sistema de amortização SAC, no qual a amortização que é constante ao longo
do tempo.
Segundo Francisco (1991), pelo Sistema de Amortização Constante, as
prestações são decrescentes, pois a quota de amortização é constante em todas
elas e os juros decrescem em função do saldo devedor, que diminui a cada
pagamento realizado.
De acordo com Camargo (2007), no SAC, o valor referente à amortização
do principal é igual em cada prestação, assim, são os juros e o valor total das
prestações que variam ao longo do tempo. No início, as prestações são mais
altas e tendem a baixar até o final da operação. Desta forma, o saldo devedor
decresce linearmente até sua extinção na última prestação.
Para encontrar o valor da amortização, dividimos o valor principal da
dívida (capital) pelo número de prestações (n) consideradas na transação,
assim:

C
A=
n
Após calcular o valor da amortização, a tabela que irá demonstrar a
situação da dívida ao longo do tempo terá a seguinte configuração:

Tabela 3 – Dívida ao longo do tempo

Período Prestação Juros Amortização Saldo Devedor


0 - - - sd
1 p1 = A + J1 J1= sd x i A sd1 = sd – A
2 p2 = A + J2 J2= sd1 x i A sd2 = sd1 – A
3 p3 = A + J3 J3= sd2 x i A sd3 = sd2 – A
Fonte: elaborado com base em Camargo, 2007.

Na tabela 3, temos os seguintes cálculos para cada período:

• Juro = saldo devedor (sd) x taxa (i);


• Prestação = amortização (A) + juro (J);
• Saldo Devedor = saldo devedor anterior (sd) – amortização (A).

8
Exemplo: Considere um empréstimo de R$ 10.000,00 a uma taxa de 4%
a.m. que será pago em 4 vezes. Calcule o valor das prestações a serem pagas
e elabore a tabela demonstrando a operação.
O enunciado fornece os seguintes dados:

• Empréstimo = 10.000;
• i = 4% a.m / 100 = 0,04;
• Período = 4.

Primeiramente, vamos calcular o valor da amortização:

C
A=
n
10000
A=
4

A = 2500
Com o valor da amortização, vamos preencher a tabela, que irá
demonstrar a situação da dívida ao longo do tempo.

Tabela 4 – Dívida ao longo do tempo

Período Prestação Juros Amortização Saldo Devedor


0 - - - 10.000
1 2.900 400 2.500 7.500
2 2.800 300 2.500 5.000
3 2.700 200 2.500 2.500
4 2.600 100 2.500 0

Na tabela acima, temos que o juro devido é calculado diretamente do


saldo devedor, e as prestações pela soma da amortização mais o juro de cada
período. Considerando o período 1, temos os seguintes cálculos:

• Juro = 10.000 x 0,04 = 400;


• Prestação = 2.500 + 400 = 2.900;
• Saldo Devedor = 10.000 – 2500 = 7.500.

Para o período 2, consideramos o saldo devedor atualizado para realizar


os cálculos, assim:

9
• Juro = 7.500 x 0,04 = 300;
• Prestação = 2.500 + 300 = 2.800;
• Saldo Devedor = 7.500 – 2.500 = 5.000.

Seguimos o mesmo raciocínio para preencher os demais períodos da


tabela, sendo que no último período, o saldo devedor deve ser quitado.
Analisando a tabela, temos que o saldo devedor está reduzindo
consequentemente o juro e as prestações diminuem ao longo do tempo, já que
a amortização é constante.
Os cálculos apresentados também podem ser realizados utilizando o
Excel e a calculadora financeira HP 12C.

Saiba mais

Para saber mais, acesse os seguintes materiais:


• Capítulo 12, tópico 12.1.4 – Sistema de amortização constante (SAC), da
obra disponível na Biblioteca Virtual: Matemática Financeira Aplicada, de
Nelson Pereira Castanheira e Luiz Roberto Dias de Macedo.
• Capítulos 8, tópico 8.4 – Sistema de Amortização Constante (SAC), da
obra disponível na Biblioteca Virtual: Matemática Financeira com HP 12C
e Excel: uma abordagem descomplicada.

TEMA 4 – COMPARAÇÃO ENTRE OS SISTEMAS

Figura 4 – Comparação entre os sistemas

Créditos: carballo/Shutterstock.

Nos temas anteriores, estudamos os sistemas de amortização Price e


SAC, os quais possuem as seguintes características:

10
• Sistema de Amortização Francês (Price) – SFA: prestações iguais,
periódicas e sucessivas, sendo pago periodicamente os juros sobre o
saldo devedor e uma quota de amortização.

• Sistema de Amortização Constante – SAC: prestações periódicas,


sucessivas e decrescentes, sendo pago periodicamente os juros sobre o
saldo devedor e uma quota de amortização constante.

Para comparar os dois sistemas, vamos elaborar as tabelas de


amortização considerando um financiamento de R$ 10.000,00, em 5 prestações
mensais com juros compostos e efetivos de 2% ao mês.

• Price

 (1 + i )n − 1 
V = p 
 (1 + i )n .i 
 
 (1 + 0,02)5 − 1 
10000 = p 
 (1 + 0,02)5 .0,02 
 
 1,104080803 − 1 
10000 = p 
 1,104080803 .0,02 
 0,104080803 
10000 = p 
 0,022081616 
10000 = p(4,713459513 )
p = 2121,58

Tabela 5 – Amortização

Período Prestação Juros Amortização Saldo Devedor


0 - - - 10.000,00
1 2.121,58 200,00 1.921,58 8.078,42
2 2.121,58 161,57 1.960,01 6.118,41
3 2.121,58 122,37 1.999,21 4.119,20
4 2.121,58 82,38 2.039,20 2.080,00
5 2.121,58 41,60 2.079,98 0

11
• SAC

C
A=
n
10000
A=
5
A = 2000
Tabela 6 – Amortização

Período Prestação Juros Amortização Saldo Devedor


0 - - - 10.000
1 2.200 200 2.000 8.000
2 2.160 160 2.000 6.000
3 2.120 120 2.000 4.000
4 2.080 80 2.000 2.000
5 2.040 40 2.000 0

Analisando as tabelas, temos que no sistema Price as prestações são


constantes e o valor amortizado é crescente ao longo do tempo, ao contrário dos
juros, que decrescem proporcionalmente ao saldo devedor. Já no SAC,
verificamos o comportamento constante no valor das amortizações e
decrescente no valor das prestações, assim como nos juros. No SAC, iniciamos
pagando prestações maiores que as do Price, mas elas diminuem com o tempo.
Comparando os dois sistemas, identificamos as seguintes diferenças:

Quadro 1 – Diferenças

Price SAC
Prestação Constante Decrescente
Amortização Crescente Constante
Primeira prestação Menor Maior
Última prestação Maior Menor
Saldo devedor Redução inicial lenta Redução linear

Saiba mais

Para entender melhor os sistemas estudados, leia os seguintes artigos:


• Disponível em: <[Link]
de-financiamento-sac/>. Acesso em: 14 jun. 2023.

12
• Disponível em: <[Link]
veja-qual-financiamento-e-melhor-para-voce/>. Acesso em: 3 mar. 2021.

Segundo Camargo (2007), apesar de apresentar prestações diferentes


tanto no que se refere ao seu valor total como na sua composição entre juros e
amortização, os sistemas são ditos equivalentes, pois quando descontados a
uma mesma taxa, por um mesmo período produzem o mesmo valor presente,
que deverá ser igual ao valor do financiamento. Para demostrar a equivalência
entre os sistemas, vamos calcular o valor presente das prestações de cada um
considerando os dados do exemplo que utilizamos no início deste tema, assim:

• Price
2.121,58 2.121,58 2.121,58 2.121,58 2.121,58
VP = + + + +
(1 + 0,02) 1
(1 + 0,02)2
(1 + 0,02)3
(1 + 0,02) 4
(1 + 0,02)5

2.121,58 2.121,58 2.121,58 2.121,58 2.121,58


VP = + + + +
1,02 1,0404 1,061208 1,08243216 1,104080803

VP = 2079,980392 + 2039,196463 + 1999,212219 + 1960,011979 + 1921,580372

VP = 10000

• SAC
2.200 2.160 2.120 2.080 2.040
VP = + + + +
(1 + 0,02) (1 + 0,02)
1 2
(1 + 0,02)3
(1 + 0,02)4
(1 + 0,02)5

VP = 2156,862745 + 2076,124567 + 1997,723349 + 1921,598486 + 1847,690852

VP = 10000

Observamos que os fluxos de caixa dos dois sistemas apresentam o


mesmo valor presente, comprovando a equivalência dos métodos.

13
TEMA 5 – OUTROS SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO

Figura 5 – Outros sistemas de amortização

Créditos: Nik Symkin/Shutterstock.

Até o momento, estudamos os sistemas de amortização Price e SAC, mas


existem outras possibilidades para o processo de quitação de uma dívida. Assim,
estudaremos, neste tema, o sistema americano, o sistema misto e o sistema
alemão.
De acordo com Camargo (2007), no sistema americano, periodicamente
são pagos apenas os juros da dívida, enquanto que o capital principal é pago
somente no final de empréstimo, na última prestação. Dessa forma, o saldo
devedor é o mesmo até a liquidação da dívida na última parcela. Até a penúltima
prestação, são pagas apenas parcelas constantes de juros, pois são calculadas
sobre o mesmo saldo devedor, sendo que a última prestação, além do
pagamento dos juros, deve cobrir também toda a amortização do empréstimo.
A tabela que irá demonstrar a situação da dívida ao longo do tempo terá
a seguinte configuração:

Tabela 7 – Dívida ao longo do tempo

Período Prestação Juros Amortização Saldo Devedor


0 - - - sd
1 p 1 = J1 J1= sd x i - sd
2 p 2 = J2 J2= sd x i - sd
3 p3 = A + J3 J3= sd x i A = sd
Fonte: elaborado com base em Camargo, 2007.

14
Exemplo 1: um empréstimo de R$10.000,00 será pago em quatro
prestações anuais com uma taxa de juros efetiva de 10% a.a. Elabore a tabela
demonstrando a operação.
Considerando os dados do enunciado, elaboramos a tabela da
amortização pelo sistema americano:

Tabela 8 – Amortização

Período Prestação Juros Amortização Saldo Devedor


0 - - - 10.000
1 1.000 1.000 - 10.000
2 1.000 1.000 - 10.000
3 1.000 1.000 - 10.000
4 11.000 1.000 10.000 0

Podemos utilizar também o Sistema de Amortização Misto (SAM), no qual


os pagamentos constituem a média aritmética dos pagamentos pelos sistemas
Price e SAC. Utilizamos as seguintes fórmulas para o calcula das prestações,
amortização e juros:

PSFA + PSAC
PSAM =
2

ASFA + ASAC
ASAM =
2

J SFA + J SAC
J SAM =
2

Exemplo 2: considerando os valores das prestações pelos sistemas Price


e SAC, calcule as prestações para o sistema de amortização misto de um
empréstimo de R$ 10.000 em 3 anos com taxa de 20% ao ano.

Tabela 9 – Valor das prestações

Período Price SAC


1 R$ 4.747,25 R$ 5.333,33
2 R$ 4.747,25 R$ 4.666,67
3 R$ 4.747,25 R$ 4.000,00

15
Para calcular a prestação pelo sistema Misto, precisamos calcular a média
aritmética dos pagamentos pelos Sistemas Price e SAC, ou seja:

PSFA + PSAC
PSAM =
2

No primeiro período, temos:

4747,25 + 5333,33
PSAM =
2

10080,58
PSAM =
2

PSAM = 5040,29

Aplicando o mesmo raciocínio para os demais períodos, temos:

Tabela 10 – Valor das prestações

Período Price SAC SAM


1 R$ 4.747,25 R$ 5.333,33 R$ 5.040,29
2 R$ 4.747,25 R$ 4.666,67 R$ 4.706,96
3 R$ 4.747,25 R$ 4.000,00 R$ 4373,63

Segundo Francisco (1991), pelo Sistema Alemão (SAI), também chamado


de sistema dos juros antecipados, o devedor paga os juros do primeiro período
no ato do empréstimo e, no fim desse período, a primeira quota de amortização
juntamente com os juros do segundo período. Assim, no fim de cada período, o
devedor paga uma prestação constituída de uma parcela correspondente à
quota de amortização, e outra dos juros antecipados correspondentes ao período
seguinte. Dessa forma, a última prestação é igual à quota de amortização, pois
não há juros a serem pagos.
O sistema alemão é parecido com o sistema Price, o que muda é a forma
de considerar os juros em cada período. No Price, os juros são considerados de
forma postecipada. Já no sistema alemão, os juros são tratados de forma
antecipada. Para a utilização desse sistema, consideramos as seguintes
fórmulas para calcular a prestação e amortização:

16
C.i
P=
1 − (1 − i)n

A1 = P(1 − i) n −1

A1
Ak =
(1 − i) k −1

Exemplo 3: uma loja vendeu a prazo um produto cujo preço à vista é de


R$ 600,00 em quatro prestações mensais com uma taxa de juro de 2% ao mês.
Elabore a tabela demonstrando a operação.
Primeiramente, vamos calcular o valor das prestações e a primeira
amortização:

• Prestações

600.0,02
P=
1 − (1 − 0,02) 4

12
P=
1 − 0,92236816

12
P=
0,077631840

P = 154,58

• Primeira amortização

A1 = P(1 − i) n −1

A1 = 154,58(1 − 0,02) 4−1

A1 = 154,58(0,98) 3

A1 = 154,58(0,941192)

A1 = 145,49

17
Já temos a amortização do primeiro período e precisamos calcular para
os demais. No segundo período, temos:

145,49
A2 =
(1 − 0,02) 2−1

145,49
A2 =
(0,98)1

A2 = 148,46

Seguimos o mesmo raciocínio para calcular as demais amortizações e


após preenchemos a tabela de amortização, lembrando que, no período zero, já
temos que considerar o pagamento do juro:

Tabela 11 – Amortização

Período Prestação Juros Amortização Saldo Devedor


0 12,00 12,00 - 600,00
1 154,58 9,09 145,49 454,51
2 154,58 6,12 148,46 306,05
3 154,58 3,09 151,49 154,56
4 154,58 - 154,58 0

Considerando os períodos 0 e 1, temos o seguinte cálculo para juro e


saldo devedor. Para os demais períodos, seguimos o mesmo raciocínio:

• Período 0

Juro = 600 x 0,02 = 12

• Período 1

Saldo Devedor = 600 – 145,49 = 454,51


Juro = 454,51 x 0,02 = 9,09

TROCANDO IDEIAS

Vimos que um sistema de amortização é um plano de pagamento de uma


dívida que pode assumir diferentes formas, sendo utilizado quando realizamos
compra à prestação, empréstimos e financiamentos. Você já realizou ou conhece

18
alguém que já tenha realizado alguma operação utilizando os sistemas de
amortização? Avalie o sistema que foi utilizado, como foi composta a prestação
paga e como foi realizada a amortização da dívida.

NA PRÁTICA

Para praticar os conteúdos estudados, vamos resolver alguns exercícios.

Exercício 1: uma empresa emprestou R$ 60.000,00, a uma taxa de 63%


a.a., por quatro meses, com amortizações mensais pelo sistema SAC. Quanto
essa empresa pagará de juros totais ao final dos quatro meses? Elabore a tabela
de amortização da dívida.
Antes de preencher a tabela, precisamos transformar a taxa, pois o
período está em meses e a taxa foi apresentada em anos. Assim:

i = 63% / 12 = 5,25% / 100 = 0,0525


A = 60.000 / 4 = 15.000

Tabela 12 – Amortização

Período Prestação Juros Amortização Saldo Devedor


0 - - - 60.000
1 18.150,00 3.150,00 15.000 45.000
2 17.362,50 2.362,50 15.000 30.000
3 16.575,00 1.575,00 15.000 15.000
4 15.787,50 787,50 15.000 0

Somando a coluna juros, temos que a empresa pagará um total de R$


7.875,00 de juros nesta operação.

Exercício 2: um produto é comprado por R$ 10.000,00, sendo pago 20%


de entrada e o saldo devedor financiado em 6 prestações mensais postecipadas
com uma taxa de 4% ao mês. Com base nessas informações, elabore as tabelas
de amortização Price, SAC e sistema Americano e, depois, compare o valor das
prestações e juros pago por cada sistema.
Para elaborar as tabelas de amortização, precisamos lembrar que, no ato
da compra, ou seja, no período 0, será paga uma entrada de 20% do valor, assim
será paga uma entrada de R$ 2.000 (10.000 x 0,20). Como ocorreu a entrada, o
saldo devedor que será financiado será R$ 8.000.

19
• Sistema Price

Antes de elaborar a tabela, é necessário calcular o valor da prestação:

 (1 + i )n − 1 
V = p 
 (1 + i )n .i 
 
 (1 + 0,04)6 − 1 
8000 = p 
 (1 + 0,04)6 .0,04 
 

p = 1526,10

Tabela 13 – Amortização

Período Prestação Juros Amortização Saldo Devedor


0 2.000,00 - 2.000,00 8.000,00
1 1.526,10 320,00 1.206,10 6.793,90
2 1.526,10 271,76 1.254,34 5.539,56
3 1.526,10 221,58 1.304,52 4.235,04
4 1.526,10 169,40 1.356,70 2.878,34
5 1.526,10 115,13 1.410,97 1.467,37
6 1.526,10 58,69 1.467,41 0

• Sistema SAC

Antes de elaborar a tabela, é necessário calcular o valor da amortização:

A = 8000 / 6 = 1.333,33

20
Tabela 14 – Tabela

Período Prestação Juros Amortização Saldo Devedor


0 2.000,00 - 2.000,00 8.000,00
1 1.653,33 320,00 1.333,33 6.666,67
2 1.600,00 266,67 1.333,33 5.333,34
3 1.546,66 213,33 1.333,33 4.000,01
4 1.493,33 160,00 1.333,33 2.666,68
5 1.440,00 106,67 1.333,33 1.333,35
6 1.386,66 53,33 1.333,33 0

• Sistema americano

Tabela 15 – Tabela

Período Prestação Juros Amortização Saldo Devedor


0 2.000 - 2.000 8.000
1 320 320 - 8.000
2 320 320 - 8.000
3 320 320 - 8.000
4 320 320 - 8.000
5 320 320 - 8.000
6 8.320 320 8.000 0

FINALIZANDO

Nesta aula, estudamos os principais sistemas de amortização, os quais


apresentam as seguintes características:

• Price = prestação constante;


• SAC = amortização constante;
• Americano = pagamento apenas dos juros e na última prestação o saldo
devedor;
• Misto = média aritmética dos pagamentos dos sistemas SAC e PRICE;
• Alemão = pagamento de juros antecipados.

21
REFERÊNCIAS

CAMARGO, C. Análise de Investimentos e demonstrativos financeiros.


Curitiba: Ibpex, 2007.

CASTANHEIRA, N. P; MACEDO, L. R. D. Matemática Financeira Aplicada.


Curitiba: Ibpex, 2008.

FRANCISCO, W. Matemática Financeira. São Paulo: Atlas, 1991.

GIMENES, C. M. Matemática Financeira com HP 12C e Excel: uma


abordagem descomplicada. São Paulo: Pearson Prentise Hall, 2006.

PUCCINI, E. C. Matemática Financeira. 2007. Disponível em:


<[Link]
ernesto-coutinho-puccinipdf>. Acesso em: 3 mar. 2021.

22
MATEMÁTICA FINANCEIRA
APLICADA
AULA 5

Prof.ª Aline Purcote


CONVERSA INICIAL

Custo de capital e avaliação de investimentos

Diariamente, nos deparamos com oportunidades de investimentos, tanto


na vida pessoal como dentro das organizações, e precisamos decidir qual a
melhor opção para investir os recursos disponíveis. Segundo Camargo (2007),
entendemos por investimento o comprometimento atual de dinheiro ou de
outros recursos feitos na expectativa de colher benefícios maiores no futuro.
De acordo com Camargo (2007), financeiramente, qualquer investimento
pode ser analisado em função do lucro ou do prejuízo econômico que produz,
da taxa percentual de retorno que proporciona ou do tempo que leva para
retornar o investimento inicialmente despendido. Para determinar esses
indicadores, existe, na teoria financeira, uma diversidade de técnicas de análise
de investimento, cada qual responsável por informar ao gestor sobre um
aspecto do projeto.
Nesta aula, estudaremos alguns métodos de análise de investimentos.
Dentre as ferramentas, temos o VPL e a TIR, que indicam se um investimento
é atrativo ou não. Será atrativo quando a TIR for superior à taxa mínima de
atratividade e quando o VPL for positivo. Estudaremos também o Índice
Benefício ou Custo (IBC) e o período de Payback, que indica o tempo que o
investimento leva para ser recuperado.

CONTEXTUALIZANDO

Os investimentos de uma empresa podem estar relacionados à


aquisição de máquina, equipamentos, novos produtos, novas unidades de
negócio, aplicações financeiras ou abertura de uma nova empresa. Para
tomarmos a decisão de investir ou não, o ideal é realizar um estudo de
viabilidade econômica e financeira.
Considere uma empresa que pretende renovar as suas máquinas, pois
essa atualização reduzirá custos de produção e garantirá melhor qualidade de
seus produtos. Temos vários benefícios ao realizar o investimento, mas será
que o investimento é realmente viável? Em quanto tempo ocorrerá o retorno
desse investimento?

2
Para responder essas questões, temos várias ferramentas que indicam
se um investimento é viável ou não, possibilitando ao gestor realizar uma
análise e tomar decisões mais assertivas.

Saiba mais
Para entender a importância da análise de investimento, acesse os
seguintes links:
• <[Link]
• <[Link]
• <[Link]

De acordo com Andrich e Cruz (2013), não são apenas os grandes


investimentos que exigem análises. Decisões simples, do cotidiano, como a
opção por realizar uma compra à vista ou a prazo, por exemplo, deveriam
sempre ser precedidas de um estudo de viabilidade financeira. Quando a
operação envolve prazos, não podemos desprezar o valor do dinheiro no
tempo.

TEMA 1 – CUSTO DE CAPITAL

Crédito: Wutzkohphoto/Shutterstock.

De acordo com Samanez (2007), para a empresa, o custo do capital é a


remuneração que ela deve oferecer aos fornecedores dos recursos de que
necessita. Caso ela consiga gerar, com esses recursos, retorno superior ao
3
custo deles, então, estará gerando valor. Dessa maneira, o custo do capital
pode funcionar como um limite mínimo para o retorno dos investimentos. Se
esse custo estiver abaixo do limite mínimo, os investimentos não deverão ser
feitos, pois a empresa experimentará uma queda em seu valor de mercado.

1.1 Custo Médio Ponderado do Capital (CMPC)

A empresa possui duas fontes de obtenção de capital, podendo utilizar o


capital próprio e/ou capital de terceiros. O capital próprio é representado pelos
investimentos realizados pelos próprios sócios ou acionistas e recursos que
possui origem nos lucros gerados pela empresa. Ao destinar recursos à
empresa, os sócios exigem uma rentabilidade que chamamos de custo do
capital próprio. Já o capital de terceiros possui origem em outras fontes, como
empréstimos bancários, e geram um custo do capital de terceiros. Como a
empresa utiliza essas duas fontes de obtenção de capital, é necessário realizar
investimentos que forneçam rentabilidade superior ao custo médio das fontes
de recursos, ou seja, rentabilidade superior ao custo médio ponderado do
capital.
Segundo Samanez (2007), o Custo Médio Ponderado do Capital
(CMPC) é uma média ponderada dos custos das diversas fontes de recursos
que financiam os ativos da empresa. O enfoque do CMPC parte da ideia de
que o projeto é financiado simultaneamente com capital próprio e capital de
terceiros, portanto, é igual à soma das rentabilidades médias dessas fontes de
recursos, ponderadas pela participação de cada uma no financiamento total.
Para calcular o custo do capital, vamos utilizar o cálculo da média
aritmética ponderada, assim:

ke = kp x Cp% + kt x Ct%

Ou seja,

Cp Ct
ke = kp .100 + k t .100
Ct + Cp Ct + Cp

Onde:

• ke – custo do capital da empresa em percentual = CMPC;


• kp – custo do capital próprio em percentual;

4
• kt – custo do capital de terceiros em percentual;
• Cp% – participação percentual do capital próprio;
• Ct% – participação percentual do capital de terceiros;
• Cp – capital próprio;
• Ct – capital de terceiros.

Exemplo 1: Uma empresa possui 70% de capital de terceiros e 30% de capital


próprio. Considere que o custo de capital de terceiros é de 12% e a
remuneração mínima requerida pelos sócios é de 20%. Calcule o custo médio
ponderado de capital.

O enunciado fornece os seguintes dados:

• kp = 20% = 0,20
• kt = 12% = 0,12
• Cp% = 30% = 0,30
• Ct% = 70% = 0,70

Com base nos dados acima, vamos aplicar a fórmula para calcular o
custo médio ponderado:

ke = kp x Cp% + kt x Ct%

ke = 0,20 x 0,30 + 0,12 x 0,70

ke = 0,06 + 0,084

ke = 0,1440 = 14,40%

Exemplo 2: Qual o custo de capital de uma empresa que possui R$


400.000,00 obtidos com terceiros e R$ 600.000,00 dos sócios? Considere um
custo de capital de 10% ao mês de terceiros e 20% de capital próprio.

O enunciado fornece os seguintes dados:

• kp = 20% = 0,20
• kt = 10% = 0,10
• Cp = 600.000
• Ct = 400.000

Com base nos dados acima, vamos aplicar a fórmula para calcular o
custo médio ponderado:

5
Cp Ct
ke = kp .100 + k t .100
Ct + Cp Ct + Cp

600000 400000
k e = 0,20 .100 + 0,10 .100
400000 + 600000 400000 + 600000

600000 400000
k e = 0,20 .100 + 0,10 .100
1000000 1000000

k e = 0,20 .0,6.100 + 0,10.0,4.100

k e = 16%

Para entendermos o CMPC, precisamos das noções de estrutura de


capital, custo do capital próprio, capital de terceiros, bem como dos conceitos
de risco e retorno. A estrutura de capital é a combinação entre os dois tipos de
capitais: capital de terceiros e capital próprio. É encontrada no balanço
patrimonial da empresa pela somatória do passivo não circulante (passivo
exigível a longo prazo) e do patrimônio líquido.

Fonte: Elaborado com base em Andrich e Cruz, 2013, p. 24.

Exemplo 3: Considere o seguinte balanço patrimonial de uma determinada


empresa e calcule seu custo do capital.

Balanço Patrimonial Custo


Valor do Ativo 100 Passivo 30 7,50%
Capitais Próprios 70 15%
O custo do passivo, de 7,5%, é o custo de oportunidade do capital para
os investidores que detêm a dívida da empresa. Já o custo dos capitais
próprios, de 15%, é o custo de oportunidade do capital para os investidores que

6
detêm as ações da empresa. Vamos aplicar a seguinte fórmula para calcular o
custo médio ponderado:

Cp Ct
ke = kp .100 + k t .100
Ct + Cp Ct + Cp

70 30
k e = 0,15 .100 + 0,075 .100
30 + 70 30 + 70

70 30
k e = 0,15 .100 + 0,075 .100
100 100

k e = 10,5 + 2,25 = 12,75%

1.2 Custo do capital próprio – modelo CAPM

Segundo Samanez (2007), o custo do capital próprio é o custo de


oportunidade do investidor, pois representa sua expectativa de retorno do
capital, que é o parâmetro utilizado por ele para decidir entre aplicar seu capital
no projeto ou em outras oportunidades de investimento. Dentre as várias
formas de cálculo do custo do capital próprio, temos o modelo CAPM. Esse
modelo quantifica o custo do capital próprio, tendo como base a diferença
percebida pelos donos da empresa (ou acionistas) entre o risco do mercado e o
risco da empresa, ou seja:

kp = klr + β . ( km - klr )

Onde:

• kp – custo de capital próprio;


• klr – taxa livre de risco (normalmente utilizada a taxa Selic);
• km – taxa de retorno do mercado;
• β (beta) – nível de risco da empresa em relação ao risco do mercado.

Samanez (2007) indica que a aplicação do CAPM requer informações


como a rentabilidade dos ativos sem risco, a rentabilidade esperada do índice
de mercado e o beta da empresa. Os passos para determinação do custo do
capital próprio são:

7
1. Obter o beta das ações da empresa em publicações especializadas ou
medido por meio das cotações das ações negociadas em bolsa. Para
empresas sem títulos negociados no mercado, o beta dee ser estimado
por meio dos betas de empresas com atividades operacionais
semelhantes.
2. Ajustar o beta do projeto em relação à alavancagem financeira, caso
esse projeto altere o risco ou a estrutura de capital da empresa.
3. Escolher a taxa livre de risco.
4. Definir a carteira de mercado e medir seu retorno.
5. Calcular o custo do capital próprio usando o CAPM.

Exemplo 4: Uma empresa listada na bolsa de valores apresenta beta no valor


de 1,2 com taxa de remuneração do mercado de 12%. Considerando a Selic de
6,5%, qual é o custo do capital próprio dessa empresa?

O enunciado fornece os seguintes dados:

• klr = 6,5%
• km = 12%
• β = 1,2
• kp = klr + β . ( km - klr )
• kp = 0,065 + 1,2 (0,12 – 0,065)
• kp = 0,065 + 1,2 (0,055)
• kp = 0,065 + 0,066
• kp = 0,131

O retorno esperado para o investimento será de 13,1%.

Saiba mais
Para entender mais sobre o modelo CAPM, acesse os seguintes links e
verifique como o modelo pode ser utilizado em análise de investimentos:
• <[Link]
• <[Link]

8
TEMA 2 – VALOR PRESENTE LÍQUIDO (VPL)

Crédito: Amnaj Khetsamtip/Shutterstock.

De acordo com Andrich e Cruz (2013), para um projeto ou investimento


ser considerável viável, o retorno obtido por meio da aplicação de determinada
taxa de desconto deve, no mínimo, ser superior ao rendimento de uma
aplicação de baixo risco. Isso se os capitais investidos forem próprios. Se
forem de terceiros, esse retorno deverá cobrir minimamente o custo de capital.
Dentre as diversas técnicas de análise de investimentos, estudaremos, neste
tema, o Valor Presente Líquido (VPL), que é uma das técnicas mais
conhecidas e utilizadas.
Segundo Castanheira (2016), o VPL é a fórmula matemático-financeira
utilizada para determinar o valor presente de pagamentos futuros descontados
a uma taxa de juros estipulada, menos o custo do investimento inicial.
Basicamente, é o cálculo de quanto os futuros pagamentos, somados a um
capital inicial, estariam valendo atualmente. Para o cálculo do valor presente
das entradas e saídas de caixa, é utilizada a Taxa Mínima de Atratividade
(TMA) como taxa de desconto.
Consideramos TMA como a remuneração mínima dos capitais
investidos, ou seja, é a taxa oferecida pelo mercado para uma aplicação de

9
capital. Segundo Andrich e Cruz (2013), é a taxa utilizada para descontar os
fluxos de caixa projetados, trazendo-os aos valores presentes.
De acordo com Castanheira (2016), o VPL consiste em trazer para o dia
zero (valor atual) cada valor futuro de uma série de pagamentos, recebimentos
ou depósitos, sendo que do somatório desses valores atuais deduz-se o valor
do investimento a ser feito. Assim, obtemos o VPL aplicado à fórmula:

M1 M2 M3 Mn
VPL = + + + ... + −C
(1 + i)1 (1 + i) 2 (1 + i)3 (1 + i) n

O VPL pode apresentar como resultado um valor positivo, negativo ou


nulo, que interpretamos da seguinte forma:

• VPL positivo (VPL > 0) – investimento viável, ou seja, cobrirá o


investimento inicial e a remuneração mínima exigida pelo investidor.
Dessa forma, temos que o investimento analisado é mais rentável que a
aplicação alternativa da TMA.
• VPL negativo (VPL < 0) – investimento inviável, ou seja, é mais rentável
aplicar na TMA do que no investimento proposto.
• VPL nulo (VPL = 0) – o investimento deverá ser analisado, pois possui
exatamente a TMA prevista.

Exemplo: Uma empresa possui dois investimentos e precisa decidir em qual


irá investir. Calcule o VPL considerando os fluxos de caixa apresentados a
seguir e uma taxa mínima de atratividade de 6%. Depois, indique qual será a
melhor opção de investimento para essa empresa.

Período Investimento A Investimentos B


0 -80.000,00 -100.000,00
1 25.000,00 30.000,00
2 25.000,00 30.000,00
3 25.000,00 30.000,00
4 25.000,00 40.000,00

Créditos: Aline Purcote.

Para decidir qual o melhor investimento, vamos aplicar a fórmula do VPL


no fluxo de caixa de cada investimento considerando a taxa de 6%, assim:
• VPL do investimento A:

10
M1 M2 M3 Mn
VPL = + + + ... + −C
(1 + i)1 (1 + i) 2 (1 + i)3 (1 + i) n

 25000 25000 25000 25000 


VPL =  + + +  − 80000
4
 (1 + 0,06)1
(1 + 0,06) 2
(1 + 0,06) 3
(1 + 0,06) 

 25000 25000 25000 25000 


VPL =  1
+ 2
+ 3
+  − 80000
4
 (1,06) (1,06) (1,06) (1,06) 

 25000 25000 25000 25000 


VPL =  + + +  − 80000
 1,06 1,1236 1,191016 1,262477 

VPL = (23584,90566 + 22249,91100 + 20990,48208 + 19802,34095) − 80000

VPL = 86627 ,63969 − 80000

VPL = 6627,64

• VPL do investimento B:

 30000 30000 30000 40000 


VPL =  + + +  − 100000
4
 (1 + 0,06)1
(1 + 0,06) 2
(1 + 0,06) 3
(1 + 0,06) 

 30000 30000 30000 40000 


VPL =  + + +  − 100000
 1,06 1,1236 1,191016 1,262477 

VPL = (28301,88679 + 26699,8932 + 25188,57849 + 31683,74553) − 100000

VPL = 111874,1040 − 100000

VPL = 11874,10

Agora, analisamos os valores obtidos, sendo que a melhor alternativa de


investimento será aquela que fornecer a maior diferença positiva entre os
valores atuais das receitas e das despesas. O investimento A produz um VPL
de R$ 6.627,64, já o B um retorno de R$ 11.874,10. Logo, consideramos o
investimento B, que apresenta o maior VPL.
Estudamos o cálculo do VPL por meio da fórmula, mas podemos
calcular também utilizando a calculadora HP12C e o Excel, como veremos a
seguir.

11
a. Calculadora HP12C

Inserimos o valor do investimento inicial utilizando as teclas CHS e CF0.


A tecla CHS negativa o valor, pois consideramos o investimento como
desembolso. Em seguida, inserimos os fluxos esperados utilizando a tecla CFj.
Para finalizar, inserimos a taxa e utilizamos a opção NPV para obter o valor do
VPL. Vamos aplicar esses passos nos investimentos.

• VPL do investimento A:

80.000 CHS g CF0

25.000 g CFj

25.000 g CFj

25.000 g CFj

25.000 g CFj

6i

f NPV

• VPL do investimento B:

100.000 CHS g CF0

30.000 g CFj

30.000 g CFj

30.000 g CFj

40.000 g CFj

6i

f NPV

b. Excel

No Excel, utilizamos a fórmula direta do VPL, incluindo a taxa e os


valores esperados. Para encontrar o valor final, precisamos somar o que foi
investido inicialmente. Assim, somamos à fórmula o valor do investimento
inicial.

12
Crédito: Aline Purcote.

TEMA 3 – ÍNDICE BENEFÍCIO OU CUSTO (IBC)

Crédito: Pro Symbols/Shutterstock.

Segundo Camargo (2007), o IBC, também chamado de índice de


lucratividade, mostra o retorno que a empresa obtém para cada R$ 1,00
investido em um determinado projeto. Para tanto, devem ser relacionados os
dispêndios de capital com os fluxos de benefícios resultantes do investimento,
descontados pela TMA.
Para calcular o IBC, utilizamos a seguinte fórmula:

13
Para aceitar ou rejeitar um projeto, consideramos que quanto maior o
IBC, melhor, sendo que os projetos com IBC > 1 serão aceitos e projetos com
IBC < 1 serão rejeitados. Utilizamos como referência o índice 1,0, em que IBC
> 1 significa que, para cada R$ 1,00 investido no projeto, a empresa está
obtendo um retorno maior. Para IBC < 1, a empresa estará perdendo dinheiro
em relação à TMA, não obtendo retorno suficiente para cobrir cada R$ 1,00
investido.
De acordo com Camargo (2007), como a fórmula utiliza o valor presente
de todo o fluxo de caixa do investimento (entradas e saídas) descapitalizado
pela TMA, o resultado desse método é também correlacionado com o VPL,
sendo que o projeto que tiver VPL > 0 apresentará IBC > 1.

Exemplo 1: Um projeto possui investimento inicial de R$ 490.000,00 e


entradas de caixa de R$ 150.000,00 nos próximos quatro anos. Calcule o IBC
considerando um custo de capital de 9,38% a.a.

Para calcular o IBC, precisamos calcular primeiramente o valor presente


das entradas, assim:

M1 M2 M3 M4
VP = + + +
(1 + i)1
(1 + i) 2
(1 + i) 3
(1 + i)4

150000 150000 150000 150000


VP = + + +
(1 + 0,0938) 1
(1 + 0,0938) 2
(1 + 0,0938) 3
(1 + 0,0938)4

150000 150000 150000 150000


VP = + + +
1,0938 1,196398 1,308621 1,431369

VP = 137136,588 + 125376,338 + 114624,4787 + 104794,7804

VP = 481932,19

Encontramos o valor presente das entradas e precisamos também do


valor presente das saídas. Como temos apenas a saída do investimento inicial,
o valor presente das saídas é igual a R$ 490.000,00. Para finalizar, aplicamos
a fórmula do IBC:

14
481932,19
IBC = = 0,9835
490000

Podemos efetuar os cálculos também pela calculadora HP12C, assim:

150000 g CFj

4 g Nj

9,38 i

f NPV

490000

O projeto não será atrativo, pois temos um IBC < 1, ou seja, a cada R$
1,00 investido o retorno é de apenas R$ 0,98.

Exemplo 2: Uma empresa tem a possibilidade de iniciar um novo negócio com


um custo de instalação de R$ 600.000,00, gastos anuais de R$ 50.000,00 e
renda anual de R$ 400.000,00 durante três anos de operação, sendo que após
esse prazo o negócio será desativado e não terá valor residual. Considerando
uma TMA de 15% a.a., calcule o IBC e verifique se esse novo negócio será ou
não vantajoso para a empresa.

Para calcular o IBC, precisamos calcular o valor presente das entradas e


das saídas, assim:

• Valor presente das entradas:

M1 M2 M3
VP = + +
(1 + i)1
(1 + i) 2
(1 + i)3

400000 400000 400000


VP = + +
(1 + 0,15) 1
(1 + 0,15) 2
(1 + 0,15)3

400000 400000 400000


VP = + +
1,15 1,3225 1,520875
VP = 347826,0870 + 302457 ,4669 + 263006,4930
VP = 913290,05

15
• Valor presente das saídas:

50000 50000 50000


VP = 600000 + + +
(1 + 0,15)1 (1 + 0,15)2 (1 + 0,15)3

VP = 600000 + 43478,26087 + 37807,18336 + 32875,81162

VP = 714161,26

Para finalizar, aplicamos a fórmula do IBC:

913290,05
IBC = = 1,28
714161,26

Podemos efetuar os cálculos pela calculadora HP12C, assim:

600000 g CF0

50000 g CFj

3 g Nj

15 i

f NPV

f REG

400000 g CFj

3 g Nj

15 i

f NPV

714161,26 :

A cada R$ 1,00 investido, temos um retorno de R$ 1,28, portanto, a


proposta é vantajosa para a empresa.

16
TEMA 4 – TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR)

Crédito: Andrii Yalanskyi/Shutterstock.

Nos temas anteriores, estudamos o VPL e o IBC para a avaliação de


investimentos. Neste tema, estudaremos a Taxa Interna de Retorno (TIR), que
é uma metodologia para analisar investimentos e está voltada para a variável
taxa. Segundo Andrich e Cruz (2013), no método do VPL trabalhamos com
valores, isto é, trazemos os fluxos projetados ao tempo presente, comparando
o resultado obtido com o investimento realizado. Já no método da TIR, em vez
de calcularmos os valores descontados, buscamos a taxa de desconto que
iguala os fluxos ao valor inicialmente investido.
De acordo com Castanheira (2016), a taxa de retorno ou taxa interna de
um fluxo de caixa é a taxa de juros compostos (taxa de desconto) que anula
seu valor presente (valor atual). Dessa forma, a TIR é a taxa que torna o VPL
igual a zero, ou seja, é a taxa que zera o investimento. Taxas de desconto
menores que a TIR produzem um VPL positivo e as taxas maiores que a TIR
tornam o VPL negativo. Podemos observar o comportamento do VPL e da TIR
para um investimento no gráfico seguinte:

17
Francisco (1991) define a taxa de retorno de um investimento como a
taxa de juros que anula a diferença entre os valores atuais das receitas e das
despesas de seu fluxo de caixa. Uma alternativa de investimento é considerada
vantajosa quando a taxa de retorno é maior que a Taxa Mínima de Atratividade
(TMA). Dessa forma, ao analisar a TIR, chegamos à seguinte conclusão:

• TIR > TMA – investimento viável;


• TIR < TMA – investimento inviável.

Segundo Camargo (2007), uma TIR maior que a TMA indica maior
ganho investindo-se no projeto do que na TMA, portanto, quanto maior seu
resultado, melhor o retorno para a empresa. Caso o projeto apresente TIR
menor que a TMA, é preferível aplicar nessa segunda alternativa e rejeitar o
projeto analisado.
Considerando o fluxo de caixa composto de um investimento inicial de
R$ 100,00 e uma entrada no primeiro período de R$ 120,00, vamos calcular a
TIR considerando que a taxa (i) torna o VPL igual a zero, assim:

M1
VPL = −C
(1 + i )1

120
− 100 = 0
(1 + i)1

Isolando a variável i, temos:

18
120
= 100
(1 + i)1

120 = 100(1 + i)1

120
1+ i =
100

1 + i = 1,2

i = 1,2 − 1

i = 0,2 = 20%

Para calcular a TIR, podemos utilizar a calculadora HP12C usando a


tecla IRR, que determina a taxa interna de retorno quando as parcelas são
fornecidas pelas teclas CF0 e CFj, assim:

f REG

100 CHS g CF0

120 g CFj

f IRR

Exemplo 1: Uma empresa necessita investir R$ 30.000.000,00 para obter


fluxos futuros de R$ 11.000.000,00; R$ 12.100.000,00; e R$ 13.310.000,00 ao
longo de três anos. Qual a TIR desse investimento?

Utilizando a HP12C, temos:

f REG

30.000.000 CHS g CF0

11.000.000 g CFj

12.100.000 g CFj

13.310.000 g CFj

f IRR

19
A taxa interna de retorno do projeto é de 10% ao ano.
Outra alternativa para o cálculo da TIR é a aplicação direta da fórmula
no Excel:

Crédito: Aline Purcote.

Exemplo 2: Qual a TIR de um projeto que possui investimento inicial de R$


150.000,00 e previsão de fluxo de receitas anuais de R$ 19.500,00 pelo
período de 10 anos? Considere que a TMA da empresa é de 6% a.a.

Pela calculadora HP12C, temos:

150000 CHS g CF0

19500 g CFj

10 g Nj

f IRR

Podemos também resolver utilizando o Excel:

Crédito: Aline Purcote.

20
A taxa interna de retorno do projeto é de 5,08% ao ano. Considerando
que a TMA da empresa é de 6% a.a., o projeto não é viável, pois podemos
ganhar mais aplicando na TMA.

Saiba mais
Para saber mais sobre a aplicação da TIR e do VPL no estudo de
viabilidade econômica utilizando o Excel, acesse o seguinte link:
• <[Link]
excel?gclid=CjwKCAiAhbeCBhBcEiwAkv2cY9l50r3xSz-i7M_-
IgGbpFwqGYg16f4_Ff-jjuGuqd3zVveb-dzdKBoCcy0QAvD_BwE>.

TEMA 5 – PERÍODO DE PAYBACK

Crédito: Astel Design/Shutterstock.

No tema anterior, analisamos investimentos considerando a variável


taxa. Neste tema, vamos analisar o Payback (PB), que é o tempo de retorno de
um investimento, ou seja, o tempo que o investimento inicial leva para ser
recuperado.
Para aceitar ou rejeitar um projeto, consideramos:

• Payback < tempo máximo aceitável – aceita;


• Payback > tempo máximo aceitável – rejeita.

21
Camargo (2007) indica que a decisão de aceitar ou rejeitar um projeto
pelo tempo de retorno se baseia em parâmetros subjetivos, ou seja, não existe
um tempo máximo considerado ideal para tornar um projeto viável. Assim, esse
processo depende de cada empresa em função de suas próprias
características e das peculiaridades do investimento proposto.
Quando temos um fluxo de caixa constante, o Payback será calculado
dividindo o investimento inicial pelo valor das entradas, assim:

Exemplo 1: Qual o Payback de um projeto com investimento inicial de R$


23.000,00 que possui o seguinte fluxo de caixa anual?

0 1 2 3 4 5 6 7
-23.000 5.000 5.000 5.000 5.000 5.000 5.000 10.000

23000
PB =
5000

PB = 4,6

O projeto retornará o investimento inicial em 4,6 anos, ou seja, o retorno


ocorrerá em 4 anos, 7 meses e 6 dias.
Quando temos um fluxo de caixa com diferentes entradas ao longo do
tempo, somamos as entradas até atingir o valor mais próximo do investimento
inicial. Caso falte valor a ser recuperado, dividimos o que falta de retorno pelo
valor da próxima entrada, assim:

Exemplo 2: Qual o Payback de um projeto com investimento inicial de R$


4.500,00 considerando o seguinte fluxo de caixa?

0 1 2 3 4 5 6 7
-4.500 1.200 1.000 700 900 300 800 400

Para calcular o tempo de retorno, somamos as entradas, assim,


repetimos o valor do período 1 e somamos para os demais períodos:

22
Período 2 = 1.200 + 1.000 = 2.200

Período 3 = 2.200 + 700 = 2.900

Seguindo o mesmo raciocínio para os demais períodos, temos:

0 1 2 3 4 5 6 7
-4.500 1.200 1.000 700 900 300 800 400
∑entradas 1.200 2.200 2.900 3.800 4.100 4.900 5.300

Analisando a segunda linha da tabela, temos que o investimento inicial


só será recuperado após o quinto período, pois até esse período os fluxos
positivos não atingiram o valor do investimento de R$ 4.500. No período 5,
temos um valor acumulado de R$ 4.100, faltando R$ 400 para recuperar o
valor investido, assim:

400
PB = 5 +
800

PB = 5 + 0,5

PB = 5,5

Logo, o investimento será retornado em 5,5 períodos.


Os cálculos realizados até o momento não levam em consideração o
valor do dinheiro no tempo, assim, para eliminar essa desvantagem,
calculamos o Payback descontado (PBd), que indica o tempo de retorno do
investimento considerando os fluxos descontados pela TMA, ou seja,
calculamos o tempo de retorno para que os fluxos projetados, descontados a
determinada taxa, superem o valor do investimento inicial.
De acordo com Camargo (2007), o tempo de retorno do investimento é
encontrado, primeiramente, calculando-se o VP dos fluxos de caixa. Em
seguida, os valores positivos são somados até atingir o valor mais próximo do
investimento inicial. O saldo que falta para recuperar todo o investimento é,
então, dividido pelo VP da próxima entrada, a fim de evidenciar qual o tempo
de recuperação do investimento. Assim:

23
Exemplo 3: Qual o Payback de um projeto com investimento inicial de R$
1.000,00 considerando o seguinte fluxo de caixa e taxa mínima de 3%?

0 1 2 3
-1.000 320 550 400

O primeiro passo é descontarmos os fluxos projetados, trazendo-os para


valores presentes. Vamos descontar o valor de cada período individualmente:

• Período 1

M1
VP =
(1 + i)1

320
VP =
(1 + 0,03)1

VP = 310,68

Pela HP12C, temos:

320 CHS FV

3i

1n

PV

• Período 2

550
VP =
(1 + 0,03) 2

550
VP =
1,0609

VP = 518,43

Pela HP12C, temos:

24
550 CHS FV

3i

2n

PV

• Período 3

400
VP =
(1 + 0,03) 3

400
VP =
1,092727

VP = 366,06

Pela HP12C, temos:

400 CHS FV

3i

3n

PV

Agora, resumimos os valores encontrados na seguinte tabela e


somamos os valores do VP:

0 1 2 3
-1.000 320 550 400
VP 310,68 518,43 366,06
∑VP 310,68 829,11 1.195,17

Analisando a terceira linha da tabela, temos que o investimento inicial


será recuperado após o segundo mês, pois até esse período os fluxos positivos
não atingiram o valor do investimento de R$ 1.000. No mês 2, temos um valor
acumulado de R$ 829,11, faltando R$ 170,89 para recuperar o valor investido,
assim:

25
170,89
Pbd = 2 +
366,06

Pbd = 2 + 0,47

Pbd = 2,47
O projeto retornará o investimento inicial em 2,47 meses, ou seja, o
retorno ocorrerá em 2 meses e 14 dias.

TROCANDO IDEIAS

Nesta aula, vimos que podemos analisar um investimento em relação ao


seu retorno, à sua taxa e ao seu tempo. Para entender melhor essas técnicas,
vamos avaliar a seguinte aplicação, disponível em:
<[Link]
s%C3%A3o-TMA-VPL-TIR-e-Payback->. Acesso em: 22 jul. 2021.

NA PRÁTICA

Para praticar os conteúdos estudados, vamos resolver o seguinte


exercício: Uma indústria quer vender uma máquina antiga por R$ 5.000,00 e
comprar uma máquina nova, à vista, por R$ 17.000,00. Com a troca da
máquina, durante os próximos 24 meses, estima-se um ganho de R$ 1.200,00
mensais pela venda dos produtos e despesas mensais de R$ 300,00. A
empresa dispõe de recursos suficientes para realizar o investimento, os quais
estão sendo remunerados a uma taxa de 15% a.a. Utilizando as técnicas
estudadas nesta aula (VPL, IBC, TIR e PBd), indique se é ou não vantajoso,
financeiramente, realizar esse investimento.
Para iniciar a resolução, encontramos a taxa equivalente aplicando a
fórmula a seguir:
q
iq = (1 + it ) − 1
t

26
1
iq = (1 + 0,15) − 1 12

iq = (1,15) 0, 083333333 − 1

iq = 1,011714917− 1

iq = 0,011714917= 1,1715%a.m

Dos R$ 17.000,00 disponíveis para o investimento, R$ 5.000,00


continuam sendo remunerados pela TMA, isso ocorre porque temos R$
5.000,00 liberados pela venda da máquina antiga. Dessa forma, vamos calcular
os retornos mensais da aplicação dos R$ 5.000,00 a 15% a.a., utilizando a
HP12C:

5000 CHS PV

1,1715 i

24 n

PMT

Logo, temos uma remuneração de R$ 240,20 que devemos incorporar


no ganho de R$ 1.200,00 mensais pela venda dos produtos, assim, teremos
por mês um valor de R$ 1.440,20 (1.200 + 240,20). Como temos despesas
mensais de R$ 300,00, consideramos mensalmente no fluxo de caixa o valor
de R$ 1.140,20 (1.440,20 – 300,00). A seguir, podemos analisar o fluxo de
caixa desse investimento:

Com base nos dados fornecidos, vamos calcular os indicadores de


viabilidade financeira:

27
• Valor Presente Líquido (VPL):

M1 M2 M3 Mn
VPL = + + + ... + −C
(1 + i)1 (1 + i) 2 (1 + i) 3 (1 + i) n

1140,20 1140,20 1140,20


VPL = + + ... + − 17000
(1 + 0,011715)1 (1 + 0,011715) 2 (1 + 0,011715) 24

Pela HP12C, temos:

17000 CHS g CF0

1140,20 g CFj

24 g Nj

1,1715 i

f NPV = 6.734,25

• Índice Benefício ou Custo (IBC):

1440,20 1440,20
VPentradas = + ... + = 29.979,00
(1 + 0,011715)1 (1 + 0,011715) 24

300 300
VPsaídas = 17000 + + ... + = 23.244,76
(1 + 0,011715) 1
(1 + 0,011715) 24

29979,00
IBC = = 1,29
23244,76

Pela HP12C, temos:

17000 g CF0

300 g CFj

24 g Nj

1,1715 i

28
f NPV

f REG

1440,20 g CFj

24 g Nj

1.1715 i

f NPV

23244,76 : = 1,29

• Taxa Interna de Retorno (TIR):

17000 CHS g CF0

1140,20 g CFj

24 g Nj

f IRR = 4,2197

• Payback descontado (PBd):

Vamos calcular o valor presente acumulado até o 15º mês:

1140,20 1140,20
VP = + ... + = 15.601,15
(1 + 0,011715) 1
(1 + 0,011715)15

Para o 16º e 17º mês, temos:

1140,20
VP16 = = 946,35
(1 + 0,011715)16

1140,20
VP17 = = 935,39
(1 + 0,011715)17

Logo, temos os seguintes retornos acumulados:

VP Retorno Acumulado
VP16 = 946,35 15601,15 + 946,35 = 16.547,50
VP17 = 935,39 16547,50 + 935,39 = 17.482,89

29
Pbd = 16 +
(17000 − 16547,50)
935,39

Pbd = 16,48
Para finalizar, vamos analisar os indicadores calculados:

Indicador Proposta
VPL 6.734,25
IBC 1,29
TIR 4,2197%
PBd 16,48 meses

Com base nos indicadores calculados, é ou não vantajoso,


financeiramente, realizar esse investimento?

FINALIZANDO

Nesta aula, estudamos o custo do capital e os principais métodos para


análise de investimentos:

• VPL = considera o investimento inicial e uma série de fluxos de caixa


futuros para calcular quanto vale o investimento atualmente.
• IBC = indica o retorno para cada R$ 1,00 investido em um determinado
projeto.
• TIR = taxa de desconto que faz com que o VPL seja igual a zero.
• Payback = tempo que o investimento inicial leva para ser recuperado.

30
REFERÊNCIAS

ANDRICH, E. G; CRUZ, J. A. W. Gestão financeira moderna: uma


abordagem prática. Curitiba: Intersaberes, 2013.

CAMARGO, C. Análise de investimentos e demonstrativos financeiros.


Curitiba: Ibpex, 2007.

FRANCISCO, W. Matemática financeira. São Paulo: Atlas, 1991.

SAMANEZ, C. P. Gestão de investimentos e geração de valor. São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2007.

31
MATEMÁTICA FINANCEIRA
APLICADA
AULA 6

Profª Aline Purcote


CONVERSA INICIAL

Nas aulas anteriores, estudamos a diferença entre a taxa real, taxa


aparente e que um capital é emprestado mediante uma taxa de juro. Nesta aula,
acrescentamos mais uma variável na análise de um fluxo de caixa, a inflação.
Segundo Wakamatsu (2018), o trabalho para a inflação consiste em ponderá-la
quando da análise do valor futuro de uma operação, ou seja, se temos uma
aplicação que gera um fluxo de caixa X num instante futuro, esse X precisa ser
corrigido pela inflação para que possamos analisá-lo com precisão. Afinal, o X
do presente não é o mesmo do X do futuro.
Estudamos que a taxa aparente é a taxa que se utiliza sem levar em conta
a inflação do período. Já na taxa real, levamos em consideração os efeitos
inflacionários do período. Mas o que é inflação e quais os impactos no nosso dia
a dia?
Para responder a essas perguntas, estudaremos as definições de
inflação, os principais índices e o impacto da inflação no nosso cotidiano dentro
e fora das organizações. Estudaremos também os principais conceitos de
análise de títulos de renda fixa.

CONTEXTUALIZANDO

Constantemente, os meios de comunicação divulgam os índices de


inflação e devemos ficar atentos a esses números, pois os alimentos, vestuário,
aluguel e outros itens fazem parte da lista de produtos e serviços que são
impactados pela inflação.
Segundo Puccini (2007), a inflação é um desajuste de ordem econômica
que se reflete em um processo de aumento generalizado de preços de produtos
e serviços. Considerando essa definição, como a inflação impacta no nosso
cotidiano?
Já parou para pensar que um determinado valor hoje não compra as
mesmas coisas que comprava há dois anos atrás? Já foi ao supermercado e
percebeu um aumento no preço dos alimentos que compõem a cesta básica?
Esses são alguns dos efeitos causados pela inflação, pois a inflação faz com que
o dinheiro perca valor, ou seja, é a desvalorização do dinheiro tendo como
consequência a desvalorização do poder de compra.

2
Se considerarmos uma aplicação que obteve uma rentabilidade em um
determinado período, só teremos um rendimento real se analisarmos a inflação
desse período. Da mesma forma, para quem recebe salários, o reajuste anual
realizado pelas empresas deve no mínimo comtemplar a inflação, sendo que o
percentual acima da inflação consideramos como ganho real.

Saiba mais
Para entender mais sobre o efeito da inflação no nosso dia a dia, vamos
acessar os seguintes links: Inflação: O que é e como funciona?
<[Link] e O que é inflação e como
ela afeta sua vida? <[Link]

Os índices de inflação influenciam o nosso planejamento financeiro, pois


demonstram as variações de preços e ajudam na definição de objetivos
monetários para manter o nosso poder de compra. Dessa forma, conhecer os
principais conceitos envolvendo a inflação e seus índices são essenciais para
todos, incluindo os investidores, pois um investimento só trará ganhos reais se
os rendimentos forem acima da inflação.

TEMA 1 – PROCESSO INFLACIONÁRIO

Figura 1 – Inflação

Crédito: mechichi/Shutterstock.

3
Chamamos de inflação o aumento generalizado dos preços dos produtos
e serviços e da alta generalizada desses preços ao longo do tempo, surgindo o
processo inflacionário. Gimenes (2006) define inflação como um aumento geral
e contínuo dos preços de produtos e serviços em determinado período de tempo.
Podemos considerar a inflação como um aumento do custo de vida para
o consumidor, resultante da elevação dos preços e da desvalorização da moeda
tendo como consequência a redução do poder de compra. O aumento dos
preços faz com que o consumidor precise de mais dinheiro para adquirir os
mesmos produtos. De acordo com Castanheira (2008), um período inflacionário
é o momento em que os preços estão em elevação, ou seja, durante um período
inflacionário, uma certa quantidade de dinheiro compra menor quantidade de
bens do que comprava antes.
A inflação possui várias causas, podendo ser uma inflação de demanda
ou uma inflação de custos. A inflação de demanda ocorre quando há excesso de
demanda agregada em relação à produção disponível, ou seja, os preços sobem
por conta da alta procura. Com muita procura e pouco produto no mercado, o
resultado é o aumento dos preços. Temos um excesso de procura por bens e
serviços, logo a demanda supera a oferta causando o aumento dos preços.
Já a inflação de custos é associada à inflação de oferta em que a
demanda permanece, mas os custos aumentam. É o aumento dos preços de
bens e serviços causados pela alta nos custos de produção, fazendo com que
os preços sofram aumento e sejam repassados ao consumidor. O aumento dos
custos de produção pode ocorrer por aumento na mão de obra, matéria-prima,
tributos, taxas de juros e fontes de energia.
A diferença entre a inflação de demanda e a de custos está justamente na
demanda. Na inflação de custos, a procura continua a mesma, o que altera é o
preço em virtude da alta nos custos de produção. Já na inflação de demanda, o
preço aumenta em virtude do aumento da demanda.
A inflação também influência o custo e o rendimento de financiamentos e
aplicações. De acordo com Samanez (2007), em contextos inflacionários, deve-
se ficar atento para a denominada ilusão monetária ou rendimento aparente das
aplicações e investimentos. Nessa situação, é importante determinar a taxa real
de juros e o custo ou rendimento real de um financiamento ou uma aplicação.
No processo de cálculo da taxa real, é necessário homogeneizar os valores das

4
séries financeiras de forma que se retirem os efeitos corrosivos da inflação sobre
os valores aplicados ou recebidos em cada data.
A variação dos preços não evolui na mesma proporção em todos os
setores, dessa forma, os vários índices da economia, setorizados e globais,
procuram medir as mais diversas variações de preços de um período para outro.
No próximo tema, vamos definir e estudar os diferentes índices de preços que
são utilizados para medir a inflação.

TEMA 2 – ÍNDICES DE PREÇOS

Figura 2 – índices de preços

Crédito: VectorMine/Shutterstock.

De acordo com Puccini (2007), um índice de preços é um número índice


estruturado construído para medir a mudança que ocorre nos preços de bens e
serviços em um dado período de tempo. Esses índices são compostos sob
critérios metodológicos específicos e tomam como referência uma cesta básica
de consumo de bens e/ou serviços que satisfaçam a uma determinada
necessidade. É possível construir índices a partir de cestas básicas de
construção civil, de cesta básica de alimentos, de cesta básica de consumo de
famílias que pertencem a determinada faixa de rendas e outros.

5
Para Assaf (2017), um índice de preços é resultante de um procedimento
estatístico que, entre outras aplicações, permite medir as variações ocorridas
nos níveis gerais de preços de um período para outro. Em outras palavras, o
índice de preços representa uma média global das variações de preços que se
verificaram num conjunto de determinados bens ponderado pelas quantidades
respectivas.
Para calcular a inflação, utilizamos os índices de preços, chamados de
índices de inflação, que são divulgados por várias instituições, tais como:
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Fundação Getúlio
Vargas (FGV).
O IBGE produz dois índices de preços, o Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA), que é o índice utilizado no sistema de metas para a
inflação considerado o oficial pelo governo federal e o Índice Nacional de Preços
ao Consumidor (INPC). Além desses, a inflação possui outros índices como o
IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), o INCC (Índice Nacional de Custo da
Construção) e o IGP (Índice Geral de Preços).
O objetivo do IPCA e o INPC é medir a variação de preços de uma cesta
de produtos e serviços consumida pela população, por exemplo, arroz, feijão,
passagem de ônibus, material escolar e médico, mostrando se os preços
aumentaram ou diminuíram de um mês para o outro. Os índices levam em conta
não apenas a variação de preço de cada item, mas também o peso que ele tem
no orçamento das famílias.
O IPCA é utilizado pelo governo federal como o índice oficial de inflação
do Brasil, servindo de referência para as metas de inflação e para as alterações
na taxa de juros. Seu principal objetivo é mostrar a variação de preços do
comércio para os consumidores finais. O IBGE coleta os dados do primeiro ao
último dia de cada mês em 16 capitais brasileiras considerando nove grupos: a
alimentação, residência, comunicação, despesas pessoais, educação,
habitação, saúde, transporte e vestuário.
A diferença entre o IPCA e o INPC é que o IPCA aponta a variação do
custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 e 40 salários mínimos,
atingindo uma parcela maior da população. Já o INPC mede a variação do custo
de vida médio apenas de famílias com renda mensal de 1 a 5 salários mínimos.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) medido pela FGV é voltado
ao produtor e avalia o aumento de preços dos produtos do agronegócio e

6
indústrias no setor atacadista. Esse índice registra as variações de preços de
produtos agropecuários e industriais nas transações interempresariais, ou seja,
nos estágios de comercialização anteriores ao consumo final, dessa forma, é
um índice de preços de venda de produtos em nível de produtor. O seu cálculo
é dividido em três versões: o IPA-DI, que demonstra a média de preços do dia
1º ao dia 30 de cada mês, o IPA-10, que calcula do dia 11 de um mês ao dia 10
do próximo e o IPA-M, que mede os valores do dia 21 de um mês ao dia 20 do
próximo.
O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), calculado
mensalmente pela FGV, demonstra a variação de custos dos insumos utilizados
em obras habitacionais. Esse índice é muito utilizado para a correção de
contratos de compra e venda de imóveis e é composto pela média ponderada
dos dados coletados em sete capitais brasileiras: Rio de Janeiro, São Paulo,
Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O cálculo considera os
valores de materiais, equipamentos, serviços e mão de obra, sendo dividido em
três grupos: estruturais, instalações e acabamentos.
Já o Índice Geral de Preços (IGP), também divulgado pela FGV, é formado
pela média ponderada de três índices de preço: IPA (Índice de Preços ao
Produtor Amplo), com um peso de 60%, IPC (Índice de Preços ao Consumidor),
com um peso de 30% e o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), com
um peso de 10%. Esse índice é apresentado em três versões: IGP-DI (Índice
Geral de Preços – Disponibilidade Interna) que é calculado do primeiro ao último
dia do mês, IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), calculado do dia 21 ao
dia 20 do mês seguinte e o IGP-10, que mede do dia 11 ao dia 10 do mês
seguinte. Esse índice é usado para ajuste anual de contratos de aluguel, energia
elétrica, escolas, alguns tipos de seguros e planos de saúde.

Saiba mais
Para conhecer mais sobre os índices de inflação, vamos acessar os
seguintes links:
Inflação: <[Link] IPCA e o INPC?:
<[Link] Evolução dos principais índices
de inflação: <[Link] Portal da
Inflação: <[Link]

7
TEMA 3 – TAXAS

Figura 3 – Inflação

Crédito: Kachka/Shutterstock.

No tema anterior, estudamos os principais índices de preços, e neste tema


veremos que, pela evolução dos índices, podemos avaliar como os preços gerais
da economia variaram no período. Dessa forma, vamos calcular a taxa de
inflação a partir de índices de preços e da relação do índice ocorrida no período
de cálculo com o período anterior. A taxa de inflação pode ser calculada pela
seguinte fórmula:

Pn
I= −1
Pn −t

onde:

• I = taxa de inflação obtida a partir de determinado índice de preços.


• Pn = índice de preços utilizado para o cálculo da taxa de inflação.
• Pn-t = índice de preços no período anterior considerado.

8
Exemplo 1: Considerando a seguinte tabela que apresenta valores
divulgados do IGP-DI, calcule a taxa de inflação para o mês de dezembro/X3 e
do 1º semestre.

DEZ/X2 JUN/X3 NOV/X3 DEZ/X3


IGP-DI 100,00 708,38 1.353,79 1.576,56
Fonte: Assaf, 2017.

Para calcular a taxa de inflação do mês de dezembro/X3, vamos


considerar os valores de Dez/X3 e Nov/X3 para aplicação da fórmula, assim:

Pn
I= −1
Pn −t
1576,56
I= −1
1353,79

I = 1,164553 − 1

I = 0,164553 x100 = 16,46%

Pelo resultado obtido, temos que a inflação aumentou em 16,46 % em


dezembro comparado com o mês anterior. Agora vamos calcular a taxa de
inflação do 1º semestre considerando os valores de Dez/X2 e Jun/X3, assim:

708,38
I= −1
100
I = 7,0838 − 1

I = 6,0838 x100 = 608,38%


Exemplo 2: Os índices gerais de preços referentes ao primeiro semestre
de um determinado ano são apresentados a seguir. Calcule a evolução dos
preços no semestre e a evolução mensal.

DATA ÍNDICE DE PREÇOS


31/12/X 148,70
31/01/XX 150,07
28/02/XX 152,15
31/03/XX 153,98

9
30/04/XX 157,21
31/05/XX 158,13
30/06/XX 162,01
Fonte: Assaf, 2017.

Para calcular a evolução dos preços no semestre, vamos utilizar o valor em


30/06/XX com o valor de dezembro do ano anterior (31/12/X), assim:

162,01
I= −1
148,70
I = 1,0895 − 1
I = 0,0895 = 8,95%
Agora, vamos calcular a evolução mensal dos preços utilizando a relação
do índice ocorrida no período de cálculo com o período anterior:

• Janeiro:

150,07
I= −1
148,70

I = 1,0092 − 1

I = 0,0092 = 0,92%

• Fevereiro:

152,15
I= −1
150,07

I = 1,0139 − 1

I = 0,0139 = 1,39%

Seguindo com o cálculo para os demais meses, chegamos à seguinte


evolução mensal dos preços:

DATA ÍNDICE DE PREÇOS Evolução Mensal


31/12/X 148,70 -
31/01/XX 150,07 0,92%
28/02/XX 152,15 1,39%

10
31/03/XX 153,98 1,20%
30/04/XX 157,21 2,10%
31/05/XX 158,13 0,59%
30/06/XX 162,01 2,45%

Já calculamos a taxa de inflação e agora vamos calcular a taxa de


desvalorização da moeda. De acordo com Almeida (2016), o efeito inflacionário
representa uma elevação nos níveis de preços, e a taxa de desvalorização da
moeda mede a queda no poder de compra causada por esses aumentos de
preços. A taxa de desvalorização da moeda, para diferentes taxas de inflação
pode ser obtida pela fórmula:

I
TDM =
1+ I
Exemplo 3: Considere que em um determinado período a taxa de inflação
foi de 8%, qual é a taxa de desvalorização da moeda?

0,08
TDM =
1 + 0,08
0,08
TDM =
1,08
TDM = 0,0741x100 = 7,41%
A queda na capacidade de compra é de 7,41 %, isto é, as pessoas
adquirem 7,41 % a menos de bens e serviços do que costumavam consumir.
Exemplo 4: Considerando um determinado período em que a inflação
tenha atingido 10,6 %, determine a redução do poder aquisitivo do consumidor,
supondo que os seus vencimentos não sofreram reajuste no período.

0,106
TDM =
1 + 0,106
0,106
TDM =
1,1060

TDM = 0,0958 = 9,58%

Com a inflação de 10,6 %, o consumidor passou a ter uma capacidade de


compra 9, 58% menor.

11
Saiba mais
Para saber mais sobre a correção de valores considerando a inflação,
acesse o seguinte link que apresenta uma ferramenta online que permite corrigir
seu dinheiro pela inflação utilizando diferentes índices. Corrigir valores pela
inflação: IPCA, IGPM, IGPDI, INPC
<[Link]
[Link]>.

TEMA 4 – VALORES MONETÁRIOS EM INFLAÇÃO

Figura 4 – Valores monetários em inflação

Crédito: eamesBot/Shutterstock.

De acordo com Assaf (2017), ao relacionar valores monetários de dois ou


mais períodos em condições de inflação, defronta-se com o problema dos
diferentes níveis de poder aquisitivo da moeda. O ajuste para se conhecer a
evolução real de valores monetários em inflação se processam
mediante indexações (inflacionamento) e desindexações (deflacionamento) dos
valores nominais, os quais se processam por meio de índices de preços.
A indexação consiste em corrigir os valores nominais de uma data em moeda
representativa de mesmo poder de compra em momento posterior.

12
A desindexação, ao contrário, envolve transformar valores nominais em moeda
representativa de mesmo poder de compra num momento anterior.
Vamos considerar que uma pessoa comprou um terreno no valor de R$
60.000 e após três anos vendeu por R$ 80.000. Analisando esses valores, temos
um ganho nominal de 33,3 %, ou seja:

80000
− 1 = 0,3333 x100 = 33,3%
60000

Considerando que nesse período a inflação atingiu 40 %, vamos calcular


o resultado real da operação representando os valores monetários em moeda
representativa de poder de compra. Podemos indexar os valores para a data da
venda, assim:

80000
−1
60000 x1,40

80000
−1
84000

0,9524 − 1 = −0,0476 x100 = −4,76%

Podemos também desindexar os valores, colocando em moeda da data


da compra:

80000 / 1,40
−1
60000
57142,86
−1
60000

0,9524 − 1 = −4,76%

Analisando os resultados, temos uma evolução real negativa, ou seja,


nessa venda ocorreu um prejuízo real de -4,76 % considerando a inflação do
período de 40 %.
Assaf (2017) indica que, ao se tratar de uma série de informações
monetárias, é comum trabalhar com valores deflacionados para se chegar à
evolução real de cada período. Por exemplo, vamos calcular o crescimento real
das vendas de uma empresa considerando a seguinte tabela que indica as
vendas em determinado período e o índice geral de preços:

13
ANO VENDAS NOMINAIS (R$) ÍNDICE GERAL DE PREÇOS
1 25.715 100,0
2 35.728 120,8
3 47.890 148,6
4 59.288 179,8
5 71.050 227,7
Fonte: Assaf, 2017.

Inicialmente, vamos analisar a evolução nominal das vendas e o


crescimento do índice de preços:

ANO Vendas Evolução Nominal Índice Geral de Crescimento do


Nominais ($) das Vendas Preços Índice de Preços
1 25.715 – 100,0 –
2 35.728 1,389 120,8 1,208
3 47.890 1,340 148,6 1,230
4 59.288 1,238 179,8 1,210
5 71.050 1,198 227,7 1,266
Fonte: Assaf, 2017.

Para o ano 2, temos:

• Evolução Nominal das vendas:

35728
= 1,389
25715

• Crescimento do Índice de Preços:

120,8
= 1,208
100

Seguindo o mesmo raciocínio para os demais anos e comparando a


evolução nominal das vendas com a evolução do índice de preço, temos que até
o 4º ano as vendas tiveram uma evolução maior que o índice, ou seja,
apresentaram crescimento real positivo crescendo mais que a inflação. Já no
último ano, ocorreu uma evolução nominal menor que a inflação.
Com os dados apresentados na tabela, podemos calcular a taxa real de
crescimento das vendas. Para o ano 2, temos:

14
1,389
−1
1,208
1,1498 − 1 = 0,1498 x100 = 14,98%

Seguido o mesmo raciocínio para os demais anos, chegamos à seguinte


evolução real das vendas:

Ano Evolução Real das Vendas


2 (1,389/1,208) – 1 = 14,98%
3 (1,340/1,230) – 1 = 8,94%
4 (1,238/1,210) – 1 = 2,31%
5 (1,198/1,266) – 1 = -5,37%
Fonte: Assaf, 2017.

Vamos encontrar as vendas anuais deflacionadas e a taxa de variação


real do ano dividindo as vendas nominais pela evolução do índice de preços
(base: 1), para o ano 1 e 2 temos:

• Ano 1:

25715
= 25715
1
• Ano 2:

35728
= 29576,16
1,208

ANO Vendas Evolução do Índice de Vendas Variação


Nominais Preços (base: 1) Deflacionadas Real
1 25.715,00 1,000 25.715,00 –
2 35.728,00 1,208 29.576,16 14,98%
3 47.890,00 1,486 32.227,46 8,94%
4 59.288,00 1,798 32.974,42 2,31%
5 71.050,00 2,277 31.203,34 -5,37%
Fonte: Assaf, 2017.

Analisando a tabela, temos que as vendas apresentaram crescimento real


até o ano 4, decrescendo em 5,37 % no ano 5.

15
Segundo Puccini (2007), sempre que você se deparar com uma série
temporal de valores financeiros, em regime inflacionário, terá a necessidade de
reduzi-la a valores financeiros equivalentes para analisar a sua evolução real.
Para se conhecer a evolução real do faturamento, os valores devem ser
ajustados para refletir o mesmo poder de compra, levando em conta a inflação
verificada no período.

TEMA 5 – INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE TÍTULOS DE RENDA FIXA

Figura 5 – Análise de títulos de renda fixa

Crédito: Lisa-S/Shutterstock.

Segundo Berger (2015), um ativo de renda fixa é um instrumento


financeiro cuja característica principal é o conhecimento do valor de resgate no
início do prazo da aplicação. Nesse tipo de aplicação, você sabe que irá receber,
no regate da aplicação, um rendimento determinado. Quanto à classificação, a
mais utilizada é relativa ao conhecimento dos valores futuros (resgate) –
prefixados e pós-fixados.
Nos ativos prefixados, os valores dos recebimentos são conhecidos, ou
seja, a taxa já é preestabelecida na compra. Já os ativos pós-fixados não
conhecemos os recebimentos, pois é normalmente remunerada, com base na
variação de um indexador que pode ser um índice de preço, variação cambial ou
taxa de juros de curto prazo. O indexador é uma variável, como o IPCA, CDI,
16
SELIC e serve para indicar o rendimento do título no período até o vencimento,
sendo um fator-chave para rentabilidade dos títulos pós-fixados.
Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), Tesouro Direto,
Debêntures, entre outros títulos, são exemplos de aplicações de renda fixa. Os
investimentos de renda fixa são divididos em títulos públicos e os títulos privados.
O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título do tipo crédito
privado que são oferecidos por bancos comerciais, múltiplos ou de investimento.
Nesse título, o investidor empresta dinheiro ao banco, que o remunera com um
valor a mais como prêmio, essa remuneração é definida no ato da contratação
do título e pode variar de acordo com o valor total aplicado, o prazo e a
necessidade do banco emissor. De acordo com Berger (2015), as instituições
financeiras utilizam o CDB como um instrumento de captação de recursos
(passivo) para realizar empréstimos aos seus clientes. Os CDBs podem ser
classificados em dois tipos o prefixado em que se sabe quanto será a valorização
do investimento, pois a taxa de remuneração é negociada no momento em que
se aplica e pós-fixado onde a remuneração será o resultado da capitalização
entre variação de um índice de correção com uma taxa de juros fixa.
Temos também o Tesouro Direto, que é um programa desenvolvido
pelo Tesouro Nacional Brasileiro e funciona para venda de títulos públicos
federais para pessoas físicas. São títulos distribuídos pelo governo como forma
de buscar capital para sustentar suas operações em nível nacional; esses títulos
apresentam menor risco, pois são garantidos pelo tesouro nacional. A compra e
venda de títulos públicos oferecem diversas opções, seja atrelada à taxa Selic,
as taxas prefixadas ou de acordo com a inflação, no caso, o IPCA (Índice de
Preços ao Consumidor Amplo).
Os principais títulos da dívida pública são: Letras do Tesouro Nacional
(LTN), que são emitidas para financiamentos de curto e médio prazo, Letras
Financeiras do Tesouro (LFT), também emitidas para financiamentos de curto e
médio prazo e Notas do Tesouro Nacional (NTN), emitida para financiamentos
de médio e longo prazo.
Já as debêntures são aplicações em que o investidor faz um empréstimo
para uma empresa sendo aplicações que oferecem rentabilidade e baixo risco.
Segundo Berger (2015), é um título de crédito representativo de empréstimo que
uma companhia faz com terceiros e que assegura a seus detentores direitos
contra a emissora, nas condições constantes da escritura de emissão. É um valor

17
mobiliário emitido pelas sociedades anônimas, representativo de uma fração de
um empréstimo.
De acordo com Berger (2015), podemos também dizer que um título de
renda fixa é um passivo, governamental ou privado, que gera um fluxo de
pagamento preestabelecido. São títulos representativos de contratações de
empréstimos (captações) pelas empresas ou governos, que prometem pagar a
seus investidores determinados fluxos futuros de rendimentos. Como esses
pagamentos são fixos, os preços desses títulos variam com as mudanças nas
taxas de juros, gerando um potencial para ganhos ou perdas.

Saiba mais
Para conhecer mais sobre os títulos de renda fixa, vamos acessar os
seguintes links: Títulos de renda fixa: quais são os mais populares do mercado?:
<[Link] Renda Fixa:
tudo o que você precisa saber para começar a investir:
<[Link]
Os investimentos também são impactados pelos índices de inflação,
assim vamos acessar o seguinte link que indica qual é o impacto das variações
do IPCA nos seus investimentos e aplicações financeiras. IPCA: Conheça o
principal índice brasileiro de inflação:
<[Link]

TROCANDO IDEIAS

Nesta aula, estudamos os principais conceitos envolvendo a inflação, o


seu impacto no nosso cotidiano e como ela influencia no nosso poder de compra.
Para refletir os assuntos estudados, leia a seguinte reportagem que mostra
quanto a inflação mudou ao longo dos anos: A inflação na década – o quanto ela
mudou ao longo dos anos? <[Link]

NA PRÁTICA

Para praticar os conteúdos apresentados nesta aula, vamos resolver os


seguintes exercícios.
Exercício 1: Quanto maior for a taxa de inflação, maior será a taxa de
desvalorização da moeda (TDM) e menor será o poder de compra da

18
população. Com base nessa afirmação e considerando a tabela abaixo, calcule
a TDM e analise os resultados obtidos:

Ano Inflação
2012 14,74%
2013 10,39%
2014 6,13%
2015 5,05%
2016 2,81%

Para calcular a taxa de desvalorização da moeda para diferentes taxas de


inflação, utilizamos a fórmula:

I
TDM =
1+ I
Aplicando a fórmula, para os anos de 2012 e 2013, temos:

• 2012:

0,1474
TDM =
1 + 0,1474

0,1474
TDM =
1,1474

TDM = 0,1285 = 12,85%

• 2013:

0,1039
TDM =
1 + 0,1039

0,1039
TDM =
1,1039

TDM = 0,0941 = 9,41%

Aplicando o mesmo cálculo para os demais anos, chegamos aos


seguintes resultados:

19
Ano Inflação TDM
2012 14,74% 12,85%
2013 10,39% 9,41%
2014 6,13% 5,78%
2015 5,05% 4,81%
2016 2,81% 2,73%

Analisando a tabela, no ano 2012, em que a taxa de inflação foi de 14,74


%, temos uma queda no poder de compra da população de 12,85 %.
Exercício 2: Considere uma aplicação de R$ 100.000,00 que gerou, ao
final de um ano, rendimentos de juros de R$ 12.000,00. Sabendo que no período
da aplicação a inflação atingiu 5,6 %, calcule o retorno nominal e o real desse
investimento. Para este investimento, temos os seguintes resultados:

• Rendimento Nominal = R$ 12.000


• Inflação no período = 0,056 x 100000 = 5.600
• Ganho real = 12.000 – 5.600 = 6.400
• Valor da aplicação corrigido pela inflação = 5.600 + 100.000 = 105.600

Vamos calcular a taxa de retorno nominal realizando a divisão entre o


rendimento nominal e o valor investido, assim:

12000
= 0,12 = 12%
100000

Para calcular o ganho real, precisamos considerar o rendimento real e o


capital investido corrigido pela inflação, pois só existirá lucro ao comparar valores
expressos com o mesmo poder de compra, logo:

6400
= 0,0606 = 6,06%
105600

FINALIZANDO

Nesta aula, estudamos os conceitos básicos do processo inflacionário, o


que são índices de preços, o cálculo da taxa de inflação e a taxa de
desvalorização da moeda, além dos valores monetários em inflação e uma
introdução à análise de títulos de renda fixa.

20
REFERÊNCIAS

ALMEIDA, J. T. S. Matemática financeira. Rio de Janeiro: LTC, 2016.

ASSAF, A. Matemática financeira: edição universitária. São Paulo: Atlas, 2017.

BERGER, P.L. Mercado de renda fixa no Brasil: ênfase em títulos públicos.


Rio de Janeiro: Interciência, 2015.

CASTANHEIRA, N. P.; MACEDO, L. R. D. Matemática Financeira Aplicada.


Curitiba: Ibpex, 2008.

GIMENES, C. M. Matemática Financeira com HP 12C e Excel: uma


abordagem descomplicada. São Paulo: Pearson Prentise Hall, 2006.

PUCCINI, E. C. Matemática Financeira. 2007. Disponível em:


<[Link]
ernesto-coutinho-puccinipdf>. Acesso em: 17 jul. 2021.

SAMANEZ, C. P. Gestão de investimentos e geração de valor. São Paulo:


Pearson Prentise Hall, 2007.

_____. Matemática Financeira: aplicações à análise de investimentos. São


Paulo: Pearson Prentise Hall, 2007.

WAKAMATSU. A. Matemática Financeira. São Paulo: Pearson Education do


Brasil, 2018.

21

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