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Crítica da 5ª Temporada de Stranger Things

A crítica da 5ª temporada de Stranger Things destaca uma melhoria em relação à temporada anterior, mas ainda aponta problemas na conexão com os personagens e na evolução da trama. Apesar de manter uma atmosfera apocalíptica e momentos de urgência, a previsibilidade das reviravoltas e a falta de amadurecimento no texto são notadas. A série continua a agradar ao público, mas não se destaca em termos de qualidade narrativa.

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Crítica da 5ª Temporada de Stranger Things

A crítica da 5ª temporada de Stranger Things destaca uma melhoria em relação à temporada anterior, mas ainda aponta problemas na conexão com os personagens e na evolução da trama. Apesar de manter uma atmosfera apocalíptica e momentos de urgência, a previsibilidade das reviravoltas e a falta de amadurecimento no texto são notadas. A série continua a agradar ao público, mas não se destaca em termos de qualidade narrativa.

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Filipe Chaves

27 de nov. de 2025 · 3 min de leitura

Crítica | Stranger
Things (5ª
temporada, Parte 1)
Apesar de voltar melhor nestes quatro
episódios, a série ainda luta para
reencontrar seu charme de outrora.

Imagem: Divulgação
Depois de uma 4ª temporada
desnecessariamente inchada e
megalomaníaca, onde somente a trama que
se passava no núcleo de Hawkings
funcionou, finalmente a série volta a se
centrar na cidade e no grupo unido, mas
ainda há alguns problemas. Hawkings agora
está sendo controlada por militares liderados
pela Dra. Kay (Linda Hamilton), enquanto
nossos heróis agem por túneis secretos em
busca de Vecna (Jamie Campbell Bower). O
primeiro episódio deste volume mostra essa
nova realidade e como cada um está lidando
com ela, mas há um problema: o longo
período sem vermos aqueles personagens
enfraquece nossa conexão com eles, com
suas dinâmicas e até a química, que antes
era um ponto tão forte. Passado um certo
tempo, fui me habituando de novo, mas
ainda com a sensação de que faltasse algo.
Eles estão evidentemente mais velhos, mas
não mais maduros, assim como a série.
Tentarei falar mais sem dar qualquer spoiler.
O segundo episódio abre com uma excelente
sequência, mas mostra o medo que os
criadores têm em matar personagens e a
pouca evolução que houve em tanto tempo
que se passou. Depois de anos sobrevivendo
com monstros, Mike (Finn Wolfhard) e Nancy
(Natalia Dyer) ainda questionam as coisas
estranhas – com perdão do trocadilho – que
acontecem no local, na tentativa do roteiro
de criar uma virada, que estava previsível
desde o começo da trama de Holly e seu
amigo imaginário, por exemplo. E os planos
estapafúrdios são vários que dariam orgulho
ao Cebolinha. Não fazem qualquer sentido e,
felizmente, nem todos dão certo porque a
trama precisa andar de uma forma ou de
outra. Explicações e diálogos extremamente
expositivos acontecem aos montes para que
ninguém se perca em algo que não é difícil
de entender. Neste sentido, os Duffer
recusam a amadurecer o texto e por
consequência seus protagonistas. E mesmo
que haja uma piadinha ou outra que seja
mais inspirada, elas se perdem no mar de
exposição, infantilizando a série ainda mais
do que nas suas três primeiras temporadas.

Imagem: Divulgação
Ainda assim, eles conseguem construir uma
atmosfera mais apocalíptica, de que tudo
realmente está chegando ao fim, com o
senso de urgência em alta e fazer a gente
torcer de novo por aqueles personagens.
Steve (Joe Keery), Robin (Maia Hawke) e
Dustin (Gaten Matarazzo) continuam sendo o
melhor trio e eu não posso deixar de
mencionar a sempre ótima Erica (Priah
Ferguson). É com eles que percebemos que
ainda há esta conexão. Will (Noah Schnapp)
ainda possui aquela conexão com os
demogorgons que vimos anteriormente e é
abordado de uma maneira bacana, ainda
que mostre as limitações de Schnapp como
ator, mas a ligação que ele cria com Robin
ajuda a humanizá-lo e tira o peso de ter que
lidar com o humano e sobrenatural ao
mesmo tempo, mas deixando claro que ele
seja uma peça-chave na história. É algo já
antecipado, assim como as reviravoltas que
envolvem Eleven (Millie Bobby Brown) e Max
(Sadie Sink).
Eu nunca assisti Stranger Things pelas
grandes viradas geniais na trama, mas não
lembrava de ser tão previsível assim. Não é
algo que necessariamente incomode, mas
que mais uma vez mostra a limitação dos
Duffer em ir além de ser uma série ‘crowd
pleaser’, ou seja, para agradar a audiência. É
um fenômeno inegável por isso, apesar dos
monstros e tudo mais, é um arroz com feijão
– quase sempre – bem feito e com um elenco
muito carismático. David Simon (criador de
The Wire, uma das melhores séries da
história da televisão) uma vez disse que “o
telespectador sempre vai querer sorvete, mas
é necessário que ele também coma os
legumes”, ou seja: quem assiste, vai querer a
zona conforto, mas é ousando sair dessa zona
que a série realmente se mostra grande. Isso
não acontece em Stranger Things, onde a
audiência é servida com sorvete a todo
instante e isso não muda neste início de
temporada. Vai entrar para a história da
televisão, pelo grande público que possui,
mas não figurando entre as grandes em
termos de qualidade. Pelo menos como
blockbuster está funcionando e pelos
ganchos deixados para os episódios
vindouros o entretenimento está garantido e
o que nos resta é se contentar com ele.

Nota: 3/5

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