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Cenários de Abandono e Deslocamento

O documento descreve três cenários distintos que transmitem uma sensação de abandono e desconforto. Uma sala vazia sugere pressa e mistério, enquanto um grupo de pessoas se perde em uma rua estranha, sem saber para onde ir. Por fim, uma praia quase deserta reflete um clima de inquietação, com elementos que indicam que algo está fora do lugar.

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Cenários de Abandono e Deslocamento

O documento descreve três cenários distintos que transmitem uma sensação de abandono e desconforto. Uma sala vazia sugere pressa e mistério, enquanto um grupo de pessoas se perde em uma rua estranha, sem saber para onde ir. Por fim, uma praia quase deserta reflete um clima de inquietação, com elementos que indicam que algo está fora do lugar.

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O cenário era simples: uma sala vazia, duas janelas quebradas e um ventilador velho girando devagar.

Nada ali parecia ter algum propósito claro. As marcas no chão indicavam que alguém tinha movido
móveis recentemente, mas os móveis não estavam mais lá. A poeira acumulada formava pequenos
montes nos cantos, como se o tempo tivesse parado de propósito. Do lado de fora, dava para ouvir um
cachorro latindo sem parar, e isso deixava o ambiente ainda mais desconfortável. Não havia cheiro forte,
mas um leve odor de madeira úmida dominava o ar. O relógio na parede estava parado às 03h14, e
ninguém sabia quando tinha travado. Um papel amassado no chão trazia apenas uma frase escrita à
caneta: “Volto quando der”. Nenhuma assinatura, nenhuma explicação. A porta dos fundos estava
destrancada, mas não totalmente aberta. Era como se alguém tivesse saído com pressa e sem olhar para
trás. A luz fraca da rua entrava pelas janelas quebradas e projetava sombras irregulares nas paredes. A
sensação era de abandono, mas não abandono antigo; parecia recente, como se a vida tivesse passado
ali até ontem. O ventilador continuava girando, rangendo a cada volta. Nada respondia às perguntas que
surgiam na cabeça de quem entrava ali pela primeira vez. E, mesmo assim, a sala transmitia uma
estranha sensação de que algo prestes a acontecer ainda estava preso no ar.

O ônibus parou no ponto errado, e ninguém percebeu. O motorista estava distraído ouvindo um jogo
pelo rádio, e os passageiros simplesmente desceram como se tudo estivesse normal. A rua era estreita,
com muros altos dos dois lados, e um cheiro forte de fritura escapava de uma casa no fim da quadra.
Uma senhora perguntou a um rapaz onde ficava a avenida principal, mas ele também estava perdido. A
sinalização estava apagada, os postes tinham lâmpadas queimadas e não havia movimento de carros. O
silêncio deixava tudo mais estranho. Um vendedor ambulante apareceu empurrando um carrinho com
garrafas de água e salgadinhos baratos. Ele disse que nunca tinha visto aquele ônibus parar ali. Um
cachorro magro atravessou a rua devagar, ignorando todos. O piso irregular fazia alguns tropeçarem. A
cada minuto que passava, mais pessoas percebiam que estavam no lugar errado, mas ninguém sabia
para onde ir. Um anúncio colado em um poste mostrava a foto de um gato desaparecido há meses. Um
vento leve levantou poeira e espalhou sacolas plásticas pelo chão. O ambulante sugeriu que todos
seguissem para a esquerda, mas ninguém confiou totalmente na ideia. Ainda assim, começaram a
caminhar. A sensação coletiva era de deslocamento total, como se a cidade tivesse mudado de lugar
enquanto dormiam.

A praia estava quase vazia, mesmo sendo fim de tarde. O mar batia forte, com ondas que se quebravam
de forma irregular. O vento trazia areia no rosto, tornando difícil manter os olhos abertos por muito
tempo. Uma criança tentava erguer uma pipa, mas o vento era instável demais para manter o fio firme.
Um vendedor de milho passava empurrando seu carrinho enferrujado, reclamando baixo sobre a maré
alta. O céu estava cinza, sem qualquer traço de cor vibrante. Dois pescadores puxavam uma rede pesada,
cheia de algas e quase nenhum peixe. Uma garça pousava perto deles, observando tudo com calma. Lá
no fundo, uma embarcação pequena balançava mais do que deveria. O barulho das ondas abafava
conversas, passos e até os gritos distantes de turistas que insistiam em entrar na água. Não havia cheiro
forte de maresia, apenas o suficiente para lembrar que o lugar estava vivo apesar do clima estranho. Um
guarda-vidas observava tudo sentado em uma cadeira alta, mas parecia mais cansado do que atento. O
vento diminuía e aumentava sem aviso. Cada detalhe daquele cenário reforçava a impressão de que algo
estava fora do ritmo natural, como se o mar estivesse tentando avisar alguma coisa, mas ninguém
conseguia entender.

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