História
Uta teve uma infância movimentada, nunca ficando na mesma casa por mais de um ano. Embora ele nunca tenha criado
raízes em uma cidade, a experiência de viajar pelo país e conhecer várias pessoas era reconfortante, porém, em alguns
momentos, estressante. Quando perguntava sobre o motivo de mudarem tanto, seus pais sempre respondiam que isso era parte
de seu trabalho e tentavam reconfortá-lo dizendo que ele conheceria vários amigos em sua nova escola. Parte de suas viagens
também consistia nos estudos com sua mãe e a prática de luta com seu pai. Sua mãe, embora fosse uma professora
excelente, era rigorosa com sua aprendizagem, e seu pai basicamente ensinava técnicas de defesa pessoal.
Quando completou seu aniversário de oito anos, seu pai começou a ensiná-lo a usar um machado. Ele nunca entendeu
exatamente porquê disso, porém ficava feliz com o tempo que passava junto dele. Era como uma atividade de pai e filho como
as outras crianças que ele havia conhecido. Depois de um tempo, foi passado a ele que essa era uma prática passada de
geração em geração como uma tradição e que todos na família recebiam quando completavam oito anos. Junto com os
movimentos, os membros também recebiam um machado especial.
Embora a vida de Uta de fato fosse bem movimentada, devido às mudanças recorrentes, ele se sentia feliz diante de sua
liberdade, porém essa mesma liberdade se despedaçou com o desaparecimento de sua família. Uta tinha acabado de chegar da
escola e parecia estranhamente agitado, pois aquele dia seria o último naquela cidade. Mesmo que acostumado às mudanças,
ele havia morado por um ano naquele lugar e isso tornava difícil deixá-lo completamente para trás. Chegando em casa, algo
parecia estranho. Tudo estava quieto, sua mãe que sempre o recebia não dava sinais de presença. Ele começou a procurar pela
casa, mas não encontrou sinal de seus pais. Sua estranheza começou a se transformar em preocupação e logo em medo
genuíno.
As luzes do giroflex do carro de polícia banhavam a casa de Uta de vermelho e azul, enquanto um policial colocava um
cobertor sobre os seus ombros. Ele tentava reconfortar a criança, dizendo que a cidade era um lugar pequeno e que seus pais
seriam encontrados rapidamente, porém isso não foi o que aconteceu. Com o tempo, essa esperança desapareceu e começou a se
tornar apenas uma lembrança de seu passado.
Depois de alguns anos passando por vários lares provisórios, Uta deixou essas lembranças no passado. Agora ele estava
formado e trabalhando como um escritor, publicando o que nos próximos anos seria seu best-seller. Agora ele estava
trilhando sua vida casualmente, seguindo um dia de cada vez. Porém, novamente sua tranquilidade seria quebrada quando no
aniversário de 10 anos de desaparecimento de seus pais, às 09:35, ele recebe uma ligação que fala uma coordenada e data,
terminando com "traga sua herança". Uta tentou questionar sobre a voz, porém era tarde demais, a pessoa havia desligado.
Muitas perguntas começaram a rondar sua cabeça, porém sua maior indagação era sobre a voz parecer com a de sua mãe.
Arrumando sua mala da melhor forma que podia, ele começou a se preparar para caso algo acontecesse. Ele tinha muitas
dúvidas, principalmente em relação à voz do outro lado, porém ele estava convicto de que deveria averiguar a situação. Se
houvesse alguma chance, ele estava disposto pelo menos a saber se era real.