Classificação das Palavras em Gramática
Classificação das Palavras em Gramática
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Gramática
Prof. Raquel Cesário
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.........................................................................................................................................4
Frase............................................................................................................................................................................................. 6
Oração.......................................................................................................................................................................................... 6
Período......................................................................................................................................................................................... 6
Substantivo...........................................................................................................................................8
Comum/Próprio.................................................................................................................................................................. 10
Primitivo/Derivado............................................................................................................................................................ 10
Simples/Composto............................................................................................................................................................ 10
Concreto/Abstrato............................................................................................................................................................. 11
Adjetivos................................................................................................................................................12
Locução adverbial................................................................................................................................14
Aprofundando.......................................................................................................................................17
Artigo.......................................................................................................................................................18
Numeral..................................................................................................................................................19
Advérbios...............................................................................................................................................20
Formação do advérbio............................................................................................................................................................ 21
Texto I......................................................................................................................................................24
Texto II....................................................................................................................................................25
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Texto III...................................................................................................................................................27
QUESTÕES..............................................................................................................................................30
QUESTÕES COMENTADAS...................................................................................................................33
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Palavras – Classificação e Função
INTRODUÇÃO
Chegamos ao nosso segundo módulo. Começamos com fonologia, falamos sobre a teoria e aproveitei para
fazer alguns exercícios de fixação e depois exercícios de concurso. Agora, vamos para a segunda parte, que são
os fundamentos.
Nesta parte, vamos estudar a morfologia. No entanto, não vamos trabalhar toda a morfologia, pois há algumas
classes de palavras com as quais seria pouco produtivo estudar neste momento. Mas quero dar um panorama
geral para vocês.
A morfologia (morfo = forma e logia = estudo) estuda tanto a forma das palavras, a sua formação (derivação
e composição), que é pouco cobrado em prova, como a morfologia no sentido de classificar, que é o que vamos
trabalhar aqui.
Na verdade, é como se pegássemos o léxico, que é o conjunto de palavras, e organizássemos em categorias para
que possamos utilizar as palavras de acordo com a função que desempenham na frase.
O substantivo é a classe de palavras que dá nome às coisas, enquanto o adjetivo qualifica o substantivo. No
entanto, isso é apenas o primeiro passo. Depois nós vamos aprofundar.
Eu escolhi fazer uma gravação diferente. Após discutirmos a teoria, vamos trabalhar a classificação das palavras
dentro de um texto, o que vocês enfrentarão em provas. Em seguida, faremos exercícios práticos, incluindo
questões de concursos.
No entanto, antes disso, quero aplicar o conteúdo em textos mais complexos, como poesias e textos literários.
Não é porque só caia literatura, mas é porque, na verdade, os textos literários costumam ser mais desafiadores
de se ler em uma prova.
MORFOLOGIA SINTAXE
Classificação Função
Substantivo Núcleo
Adjetivo Adjunto adnominal
Artigo Adjunto adnominal
Numeral Função adjetiva (adjunto adnominal) ou
substantiva (núcleo)
Advérbio Adjunto adverbial
Pronome Função adjetiva ou substantiva
Verbo Núcleo ou não exerce função
Preposição Não exerce função
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Conjunção Não exerce função
Interjeição Não exerce função
A primeira observação é sobre qual é a função do substantivo. O substantivo vai ser sempre a palavra mais
importante do grupo em que ele se encontra, vai ser sempre núcleo. Na sintaxe, vamos aprender que ele pode ser
o núcleo do sujeito, núcleo do objeto, mas ele é sempre núcleo.
A segunda observação é que o adjetivo ou vai ser adjunto adnominal ou vai ser predicativo. E aqui temos de
tomar cuidado porque o substantivo também pode ser predicativo.
O artigo sempre vai ser adjunto adnominal, única e exclusivamente.
O numeral pode exercer função adjetiva (adjunto adnominal) ou função substantiva (núcleo). Depois eu quero
que vocês repassem esse quadro e vejam se entenderam mesmo a matéria.
O advérbio é sempre, única e exclusivamente adjunto adverbial.
Pronome também exerce função adjetiva (meu pai) ou função substantiva.
O verbo ou vai ser núcleo ou vai ser um verbo de ligação. O verbo não vai exercer função quando for verbo
de ligação.
A preposição e a conjunção são classes relacionais. Para classe relacional, não existe função. As classes
relacionais estão ali para estabelecer um elo. No português, elemento de ligação é igual ao verbo de ligação, que
não vai ter função.
E tem lógica! Quando usamos uma aliança no casamento, o mais importante não é a aliança, é o parceiro.
Então, elementos de ligação (preposição, conjunção, verbo de ligação) não têm função. A interjeição também
não tem função.
Frase
Quando eu falo “a bela menina chegou cedo”, a frase é composta por palavras. As palavras se relacionam entre
si e formam uma frase.
Eu preciso até que vocês levem em consideração quais são os contextos de análise. Eu preciso que vocês se
lembrem lá da escola, em que dizíamos que frase é tudo aquilo que tem sentido completo. E o sentido completo
finalizamos com ponto final, exclamação, interrogação.
Oração
Oração, para nós, é tudo aquilo que tem verbo. E esse é um conceito importante, porque a gramática diz que
a sintaxe é o estudo dos termos da oração. Se é o estudo dos termos da oração, só estudamos sintaxe se tiver
verbo. A sintaxe é o estudo dos termos da oração. Só existe oração se tiver verbo. Então, só analisamos a sintaxe
para a prova se tiver verbo. Tudo começa do verbo! Está até na Bíblia: “e no início era o verbo”.
Período
Período é tudo aquilo que tem sentido completo e tem verbo. Nós o dividimos em período simples, quando há
apenas uma oração, e período composto, quando há duas ou mais orações. Essa é uma noção geral da estrutura
que analisaremos.
Quando vamos analisar uma oração, a primeira coisa que temos de achar é o verbo. Depois, vamos dividir essa
oração em departamentos. É como se fosse uma empresa, dividida em diretoria, recursos humanos, compras,
jurídico. E cada departamento terá um chefe.
É assim na análise sintática. Você tem a oração, que é dividida em departamentos, em grupos. Às vezes, tem-se
um departamento e dentro dele tem outro departamento, e, por isso, eu quis, neste curso, colocar alguns textos
mais complexos. Mas nós vamos começar do começo.
Na oração “a bela menina chegou cedo”, tenho uma frase porque tem sentido completo, tenho uma oração porque
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tem verbo “chegou”. Vou dividir a frase em dois grupos: o departamento verbal e o departamento não verbal.
Cada um desses departamentos terá pelo menos um núcleo. Quem é o núcleo do primeiro grupo? “Menina”, que
é substantivo, é o nome, e o substantivo é sempre núcleo do grupo em que ele se encontra. No departamento
verbal, normalmente o verbo é núcleo. Depois vamos estudar as situações em que ele não é.
Pronto! Já fiz a análise sintática. Vejam que, depois que eu tirei o núcleo, o resto está ligado a ele. Vocês concordam
que “bela” qualifica a menina? Em “a menina”, o substantivo é o núcleo, e ligado a esse núcleo tenho um artigo e o
“bela”. A análise estrutural é essa.
Vocês se lembram como se chama a palavra que qualifica o substantivo? Adjetivo, não é? Como se chama a
palavra que define um substantivo? Artigo. Cada uma dessas palavras pertence a uma classe gramatical. O “bela”
é um adjetivo, porque o adjetivo qualifica o substantivo. O “a” é um artigo, porque se liga ao substantivo para
defini-lo.
Na parte verbal, “chegou” é o núcleo, “cedo” se liga ao verbo para indicar tempo. A palavra que se liga ao verbo
para indicar tempo, modo, lugar é um advérbio.
Na frase, quanto à classe gramatical, o “a” é artigo, o “bela” é adjetivo, “menina” é substantivo, “chegou” é verbo
e “cedo” se liga ao verbo, é um advérbio.
Agora, qual é a função que essas palavras exercem? A função é uma relação. “Menina” é o chefe, é o núcleo, e o
resto está ligado a ele. “Chegou” é o chefe, é o núcleo, o resto está ligado a ele. Posso dizer, então, que “bela” não
é o núcleo do grupo em que ele se encontra. “Bela” está junto do núcleo.
O núcleo é “menina”, um nome, então “bela” exerce a função de estar junto do nome, no mesmo departamento.
Por isso exerce a função de adjunto adnominal (está junto do nome, dentro do mesmo departamento). O mesmo
acontece com o “a”, está junto do nome, é adjunto adnominal.
“Ah, professora, não está junto, não, porque ‘bela’ está no meio!” Na verdade, “menina” que é o núcleo e o resto
está ligado a ele, está junto dele, no mesmo grupo.
A expressão “adjunto adnominal” é autodidática: “ad-” é um prefixo que significa “-junto”. O “-junto” significa
“junto”. “Ad-” é junto de novo e “-nominal” lembra “nome”. Então o termo está junto, junto, junto ao nome.
“Cedo” não é o núcleo do grupo em que ele se encontra. O núcleo é o verbo. “Cedo” está junto, junto, junto do
núcleo, então ele é um adjunto adverbial, porque exerce a função de estar junto do verbo.
Veja que aqui eu coloquei para vocês a morfologia, que é a classe de palavras, e a sintaxe, que é a função. Na
sintaxe, tenho uma relação: é núcleo, está junto do núcleo, completa o núcleo. A terminologia trabalha com
uma relação.
O nosso objetivo neste Módulo 2 foi ter uma noção geral de substantivo, artigo, adjetivo, numeral e advérbio.
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Substantivo
INTRODUÇÃO
Agora que já trabalhamos a parte geral da morfologia, abordando as dez classes de palavras, vamos entrar em
alguns detalhes do substantivo, adjetivo e advérbio, principalmente.
Você já sabe que o substantivo é a classe que permite representar as coisas do mundo real, os conceitos, os
nomes de lugar e de pessoa. Vamos falar, então, do conceito e da flexão, que são características associadas à
morfologia, à palavra, mas vamos também tendo uma noção de sintaxe.
Na língua, as palavras funcionam dentro de uma frase, então não é possível estudarmos de modo
descontextualizado.
SUBSTANTIVO
Conceito: O substantivo é a palavra que nomeia pessoas, lugares, sentimentos, ações etc.
Flexão: Será que ele flexiona? No nosso curso, existem alguns conceitos dos quais precisaremos mais de uma
vez. E este é um conceito importante, que é o conceito de flexão. A flexão e a possibilidade de uma palavra sofrer
alteração em sua estrutura para indicar gênero, número e grau*.
Quanto ao grau, alguns autores não consideram flexão. No caso dos nomes, tempo, modo, número e pessoa, no
caso dos verbos. Essa alteração ocorre por meio do acréscimo de desinências.
Desinência é sinônimo de terminação. Quando falo que uma palavra sofre flexão, estou dizendo que a palavra
sofre alteração na sua estrutura por meio do acréscimo de terminações/desinências para indicar um gênero, um
número ou um tempo diferente, no caso dos verbos.
Quando digo, por exemplo, a palavra “menino”, a desinência “o” indica sexo masculino. Se eu quiser trocar para o
feminino, é só tirar a desinência “o” e colocar a desinência “a”, “menina”. Se eu quiser indicar plural, seria “meninas”.
O mesmo ocorre com o verbo “chamar”. Se eu quiser colocar no futuro, “chamarei”, o “-re” indica o futuro. Esse
“-i” indica que “eu” chamarei. Se fôssemos “nós”, seria “nós chamaremos”. Veja que a terminação “-re” indica que é
futuro, e “-mos”, que o sujeito é “nós”. Vamos ver isso mais à frente.
O substantivo é uma palavra que pode flexionar em gênero (masculino e feminino), em número (singular e plural)
e em grau (aumentativo, diminutivo, comparativo). Alguns autores, com razão, não chamam grau de flexão, mas
aqui ninguém está fazendo concurso para linguista. Gosto de chamar atenção para isso porque essa flexão é
própria dos nomes.
O advérbio é considerado um nome, porque ele pode variar em grau. Eu posso dizer que “eu cheguei cedo” ou que
“eu cheguei cedíssimo”, colocando essa intensificação.
A palavra “vaca” está flexionada no feminino. Esse “a” é desinência de feminino. Tanto é que falamos “vaca
mansa”, “vaca bonita”. Você vai colocar o adjetivo no feminino. Não é? Pois é, e qual é o masculino de vaca? Boi?
A palavra “boi” não é o masculino de vaca, porque, se eu falar de flexionar “vaca” para o masculino, deveria
ser “*vaco”, mas “*vaco” existe? Não existe. Na verdade, “boi” é uma outra palavra que designa o animal do sexo
oposto, mas não é uma flexão de “vaca”.
Qual é o masculino de “macaca”? “Macaco”. Então essa palavra tem feminino e masculino. Mas nem todas as
palavras têm a flexão de gênero. Em “homem” e “mulher”, “mulher” não é flexão de “homem”. Mas “esposo” e
“esposa” são a flexão de gênero. Na flexão, eu altero a desinência na mesma palavra.
Função: O substantivo pode variar em gênero, número e grau. E ele sempre é núcleo do grupo em que ele se
encontra.
Vamos fazer a análise de uma frase simples, mas há texto complexo mais à frente.
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É uma frase, porque tem sentido completo, e é uma oração, porque tem verbo. Vou dividir essa oração em dois
grupos: parte verbal (viajam hoje) e parte não verbal (As minhas duas filhas queridas).
Na parte não verbal, tenho uma palavra que é mais importante. Qual é? “Filhas”. “Filhas” é o substantivo, é
o nome daquelas que eu gerei ou criei. É uma palavra variável. Existem “filho”, “filha”, “filhos”. O substantivo é
sempre núcleo do grupo em que ele se encontra.
Na parte verbal, normalmente, o verbo é núcleo. Depois nós vamos discutir quando ele não é. O fato é que “filhas”
é o núcleo. Depois que eu tiro o núcleo, o resto está ligado a ele. Posso dizer que “queridas” se liga a “filhas” para
indicar uma qualidade. Como se chama a palavra que qualifica o substantivo? Adjetivo. “Duas” se liga a “filhas”
para indicar quantidade, é um numeral. “Minhas” se liga a “filhas” para dizer de quem são as filhas.
“Minhas” é um pronome possessivo, porque ele indica posse. Mas eu quero saber por que é um pronome. Pronome
é uma palavra que acompanha ou substitui o nome. Nesse caso, ela acompanha. Em “minhas filhas”, “minha” está
acompanhando “filhas”. Ele se refere a uma das pessoas do discurso.
“Minhas filhas” é a “filha” do “eu”, da primeira pessoa. Se fosse “tuas filhas”, seria do “tu”. “Nossas” seria primeira
pessoa do plural. Então o pronome é uma palavra que se liga a “filhas” e se refere à primeira pessoa. E o “as” se
liga a “filhas” para defini-lo, é um artigo. Como se chama a palavra que se liga ao verbo para acrescentar sentido
a ele? “Hoje” é advérbio. “Ad-” é junto, “-vérbio” lembra verbo.
Nós já temos todas as classes de palavras, o nome de cada uma delas. Vamos agora ver as funções. “Filhas” é o
núcleo, e o resto está junto, junto, junto do núcleo. Qual é a função? Adjunto adnominal, pois está junto, junto, junto
do nome. E “duas”? Adjunto adnominal. “Minhas” é adjunto adnominal. E o “as”? Adjunto adnominal.
Nós vamos ver, depois, que, ligado ao núcleo, pode haver um adjunto, que é termo acessório, ou um complemento.
Mas isso nós vamos aprofundar no momento certo.
Agora eu quero que você saiba que “filhas” é o núcleo, é um nome, e o resto está junto, junto, junto do nome, é
adjunto adnominal. “Hoje” está ligado ao verbo e está junto do verbo, então vai ser um adjunto adverbial. Ele está
junto, junto, junto do verbo. Inclusive, o adjunto adverbial tem classificação, este é de tempo.
Quero chamar a atenção de vocês para alguns detalhes. O primeiro deles é que, na aula introdutória, eu falei que
o pronome pode exercer função adjetiva ou função substantiva. Eu vou falar disso mais à frente. Mas, aqui, esse
“minhas” está exercendo função substantiva, ele substitui o substantivo, ou ele está exercendo função adjetiva?
Pois é, tem as “invencionices”, sabia?
Quando falo que exerce função adjetiva, estou dizendo que ele exerce a mesma função de um adjetivo, que ele
está ligado a um substantivo. O fato é que “filhas” é o núcleo, e o resto está junto, junto, junto do núcleo.
Importante! O substantivo é sempre núcleo e, ligado a esse substantivo, posso ter um artigo (as meninas),
um pronome (minhas meninas), um numeral (duas meninas), um adjetivo (queridas meninas). Essas palavras
estão ligadas ao substantivo e, como regra, se elas se ligam ao substantivo, elas concordam com ele em gênero
(feminino e masculino) e em número.
Concordância: Em “as minhas duas filhas queridas”, está tudo no feminino plural porque são “filhas”. Se fosse
“filhos”, seria “os meus dois filhos queridos”. Se eu coloco “filhos” no masculino plural, “queridos” vai ficar no
masculino plural, “dois”, “meus” e “os” também.
A regra é simples! O substantivo é núcleo, e essas palavras que se ligam a ele (artigo, adjetivo, numeral)
concordam com ele em gênero e número. É claro que existem palavras que são comuns de dois gêneros. Por
exemplo, “humilde”, ficaria “homem humilde”, “mulher humilde”. Quando a palavra em si não sofre alteração, ela
não vai sofrer alteração na frase.
Há substantivos que não variam em gênero, por exemplo, “o colega” e “a colega”, chama de comum de dois
gêneros. É uma mesma palavra comum para os dois gêneros. Então é óbvio que vamos respeitar a lógica da
palavra. Mas, sendo a palavra variável, ela vai concordar com o substantivo em gênero e número.
Atenção, porque essa é a primeira regra da concordância nominal, e você vai precisar disso na hora de fazer
questão de prova: as palavras que se ligam ao substantivo concordam com ele em gênero e número.
Vamos a algumas observações a mais sobre o substantivo.
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Classificação dos substantivos
Comum/Próprio
Substantivo comum designa uma categoria geral; substantivo próprio fala de um ser específico dentro de uma
categoria. Quando eu falo “a aluna chegou”, “aluna” é um substantivo comum. Quando eu falo “Marília chegou”,
“Marília” é um substantivo próprio.
É muito habitual que no substantivo comum usemos o artigo. Como “aluna” é abrangente, posso dizer “uma
aluna”, “a aluna”. Não é obrigatório. Eu posso construir uma frase assim: “tem aluna ali na sala”. Às vezes, usamos
o substantivo sem artigo, mas é mais comum com. Antes do nome próprio, o artigo é claramente facultativo.
Posso dizer “Marília chegou” ou “a Marília chegou”, tanto faz.
Outra palavra que eu quero que vocês já gravem, pois vou precisar em outros conteúdos, é a palavra “facultativo”.
Quando eu digo que algo é facultativo no português, eu uso se eu quiser. O facultativo é aquele que não altera a
norma, nem traz prejuízo gramatical nem altera o sentido. Dizer “a Marília” ou “Marília”, a rigor, é semanticamente
equivalente.
No substantivo comum, há mudança de sentido. Quando eu digo “aluna chegou”, estou falando de uma forma
geral, e “a aluna”, de uma forma específica. Nós vamos trabalhar com isso quando estivermos estudando crase.
Primitivo/Derivado
Nós não vamos nos aprofundar nesses porque vou comentar sobre formação de palavras nos exercícios, mas
aqui abordaremos o que é importante. O substantivo primitivo é aquele primeiro na língua, o derivado é aquele
que recebeu afixos.
O substantivo “livro” é o nome do objeto de leitura. O “o” é a desinência de masculino. Eu sei que não existe
o feminino de livro, mas o livro é uma palavra masculina, tanto é que você fala “livro grosso”. A raiz dessa
palavra é “livr-“, se eu acrescentar o sufixo, a terminação “-aria”, crio uma nova palavra, uma palavra derivada,
que é “livraria”.
Talvez você nunca tenha ouvido falar em afixos, mas são estruturas produtivas para formar novas palavras.
Por exemplo, “-aria” é um sufixo produtivo para indicar o nome de estabelecimento. “Livraria” é o lugar onde
se encontram livros. “Drogaria” é o lugar onde se encontram drogas. “Sapataria”, onde se encontram sapatos.
“Tabacaria”, tabaco, e assim por diante.
Você já deve ter ouvido falar que existe prefixo e sufixo. Afixo é o nome do gênero. Quando ele vem antes, é
prefixo (feliz/infeliz); quando ele vem depois da raiz, é sufixo.
Simples/Composto
O substantivo simples é aquele que tem um radical apenas ou uma palavra apenas. O substantivo composto é
aquele que tem dois ou mais radicais, ou duas ou mais palavras. Por exemplo, à palavra “passa”, do verbo “passar”,
acrescento a palavra “tempo”. São duas palavras que já existem na língua portuguesa. Então eu crio uma palavra
nova que é “passatempo”.
Qual é a diferença da derivação para composição? Na derivação, tenho uma palavra e acrescento uma estrutura
produtiva, que não existe sozinha. Por exemplo: “feliz” é um adjetivo. Se eu quiser negar, seria “infeliz”. O “in-” não
existe sozinho, é e um prefixo. Mas a palavra “passatempo” é formada por duas palavras que já existem na língua.
Eu pego essas duas palavras e formo uma nova: “passatempo”.
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Concreto/Abstrato
O substantivo concreto é aquele que tem existência independente. Ele existe no mundo da linguagem. Já o
substantivo abstrato depende do concreto para existir. Achamos que isso é aleatório, que vem do nada, mas não
é. Isso é a base da língua.
Quando construímos um texto, podemos fazer um texto figurativo ou um texto temático. O texto figurativo tem
base concreta, vai representar a realidade. O texto temático tem uma base abstrata. Ele vai explicar a realidade.
Vocês já ouviram fábulas?
A Raposa e as uvas
Uma raposa estava com fome e viu um delicioso cacho de uvas pendurado numa parreira. Decidida, fez vários esforços para
alcançá-lo, mas não conseguiu cumprir a missão. Foi aí que, com ar de desdém, resolveu ir embora afirmando: — “As uvas
estão verdes mesmo”.
Quando eu falo “uma raposa estava com fome e viu um cacho de uvas”, se você pensar, “raposa” é um substantivo
concreto, tem existência independente de outro. “Ah, professora, mas raposa não fala!” Não importa, “raposa” é
um substantivo concreto.
Quando ele fala “quando não alcançamos o objetivo”, “objetivo” é uma coisa concreta? Não, é uma coisa conceitual.
O objetivo não tem uma base.
Na escola, aprendemos que o substantivo concreto é aquele que você pode desenhar e o substantivo abstrato
é aquele que você não consegue desenhar. Muitos professores de português criticam isso, mas eu morro de dó
quando os pedagogos ensinam abstração para uma criança. Funciona bem, é claro que a pessoa tem de continuar
na escola e aprofundar a análise.
Quando você fala “fada”, é um substantivo concreto, você se consegue visualizar. Mas “fada” existe? Não. Nós
estamos falando de um substantivo concreto no mundo da linguagem. “Deus” é concreto, posso desenhar Deus.
“Ah, professora! Como é Deus?” Não sei. “Capeta”? É concreto, posso desenhar, tem dois chifres. “Anjo”? Concreto.
Quando digo “beleza”, é concreto? Não. “Beleza” é uma abstração, um conceito, um tema. “Maldade” é abstração,
é um tema. “Ah, professora! Eu posso desenhar a maldade, é só pegar um menino batendo em outro!” Não, você
desenhará um menino. A maldade, a tristeza e a alegria são abstrações. São substantivos temáticos, abstratos.
O substantivo abstrato indica o nome de uma ação (a construção da fábrica é o nome da ação de construir),
o nome de um sentimento (saudade, alegria, tristeza), nome de qualidade (transparência das águas), nome de
estado (frieza do cadáver). Em “a frieza do cadáver”, a frieza só existe se o cadáver estiver frio.
Vai cair na sua prova a classificação de substantivo concreto e abstrato? É pouco provável. Mas eu preciso disso
para ensinar complemento nominal. Talvez a minha fábula não tenha ficado melhor, mas tem a fábula “O galo que
logrou a raposa”. Ele conta a história e, ao final, ele diz: — “Contra esperteza, esperteza e meia”. Quando ele fala
“contra esperteza”, é sobre o conceito, a abstração.
O substantivo é fundamental para caracterizarmos o texto. Substantivo concreto, figurativo, tem existência
independente: capeta, homem, mulher, livro, Deus, anjo. O substantivo abstrato depende do concreto, depende de
algo para existir: maldade, beleza, felicidade, saudade, alegria, transparência.
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Adjetivo
INTRODUÇÃO
Nas aulas anteriores, havíamos estudado sobre o substantivo, que é a classe que dá nome a coisas,
pessoas, lugares. Na verdade, o substantivo é fundamental porque representa, no universo linguístico, as
coisas da realidade.
Inclusive, existe uma classificação, muito importante para nós, que vai interferir até na interpretação de texto,
quando vocês forem estudar, que é a classificação de substantivo concreto, aquele que designa o ser existente na
realidade, e substantivo abstrato, aquele que traz um tema, uma abstração, que depende do concreto para existir.
Comentamos que, quando eu falo, por exemplo, “Deus”, “fada”, “capeta”, “alma”, todos eles são substantivos
concretos, porque têm existência independente de outro ser. “Ah, professora! Mas Deus não existe, capeta não
existe!”. Essa discussão não importa.
Quando eu falo que Deus, capeta, fada, gnomo, duende existem, eles existem no mundo da linguagem. Não
estamos falando de realidade ou de crença. Mas, quando falo de “beleza”, “transparência”, “frieza”, são conceitos,
abstrações. A beleza só existe se algo for belo, a transparência só existe se algo for transparente.
ADJETIVOS
Quando falamos, de forma geral, do substantivo, estamos falando dos fundamentos da morfologia. Agora
vamos para a segunda classe de palavras, que é o adjetivo. Não dá para fugir muito disso. Muitos de vocês já
viram essa parte. E eu quis fazer uma aula diferente, trazendo alguns passos para analisarmos logo depois das
classes de palavras.
O adjetivo é a segunda classe de palavras. Vamos falar do conceito dele, da sua possibilidade de flexão, no
campo da morfologia, e a função que exerce na frase, o que está no campo da sintaxe.
Conceito: O adjetivo é o termo de expansão do significado do substantivo. Quando eu falo “boneca”, dei nome a
alguma coisa. Se eu quiser trazer mais informações sobre boneca, eu vou adjetivar. Vou dizer que ela é “bonita”,
“cara”, “grande”, “de plástico”. Eu estou trazendo características ou qualidades acerca de boneca. É esse o objetivo
do adjetivo. É uma palavra ou uma expressão que caracteriza ou qualifica substantivo.
Vamos fazer um exercício de raciocínio, para aprofundarmos o conteúdo. Na primeira aula de morfologia, eu
disse para vocês que o numeral podia exercer função adjetiva. Quando ele exerce função adjetiva, estou dizendo
que ele se liga a um substantivo. O papel do adjetivo é se ligar/se referir a um substantivo.
Qual é a diferença de característica para qualidade? Essa diferença tem a ver mais com a ideia de que a
característica tende a ser mais objetiva e a qualidade é mais subjetiva. Por exemplo: “esse celular é retangular”, é
uma característica. Se eu disser que “ele é lindo”, eu posso achá-lo lindo, mas você não.
As palavras “lindo”, “bonito”, “feio”, “exagerado” são avaliações do sujeito sobre o objeto. Chamamos de
qualidades, é algo subjetivo. Não existe uma caracterização categórica, ele tende a ser mais objetivo, como se
fosse um continuum.
No português, quanto à linguagem, não é igual à matemática, em que 2 + 2 = 4. Quando eu falo que algo é
retangular ou quadrado, são características mais objetivas. Os adjetivos podem ser mais objetivos, com foco no
objeto, ou mais subjetivos, com foco no que pensamos sobre o objeto.
Flexão: A palavra que se liga ao substantivo (artigo, adjetivo, numeral, pronome) concorda com ele em gênero e
número. Então, o adjetivo concorda em gênero e em número com o substantivo.
O adjetivo pode variar/flexionar em grau. Essa flexão em grau não tem a ver com o substantivo. Ela tem a ver
com a intenção do autor ao produzir a frase.
Quando eu digo “menino”, no masculino, eu vou dizer “bonito”. Se eu disser “menina”, vai ser “bonita”. Se forem
“meninas”, serão “bonitas”. Quando digo “menininho”, não tenho que dizer “bonitinho”, posso dizer “bonito”. Posso
dizer tanto “menino bonitinho” como “menininho bonitão” ou “meninão bonitinho”. Essa flexão em grau não é
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condicionada ao substantivo. Ela tem a ver com a intenção.
Às vezes, o diminutivo é utilizado para indicar tamanho. Ao alfabetizar minha filha, a professora vinculou
diminutivo ao tamanho (caixa, caixinha). Mas, para nós, em efeito de prova, normalmente o diminutivo não está
associado ao tamanho, está associado à ideia de intensidade.
Quando você olha um bebê e fala: “bonitinho da titia”, esse “bonitinho” é a intensidade. Ou então olho para um
homem em uma festa e falo: “nossa, não tem ninguém interessante aqui; só aquele homem ali é bonitinho”, esse
“bonitinho” é “mais ou menos”.
Quando falo: “nossa, que mulherzinha”, sentido de desprezo, é até uma palavra muito preconceituosa. Ao falar,
precisamos da expressão facial, do contexto ou da intensidade, para conseguirmos perceber o valor semântico.
Importante! O adjetivo pode variar em grau. Essa flexão em grau tem a ver com a intenção de quem produz a
frase. Pode ser para indicar intensidade, desprezo, desvalorização, tamanho. Vai depender do contexto.
Função: A função básica do adjetivo é de adjunto adnominal. Nós vamos ver que pode ser complemento da
locução adjetiva, dependendo do contexto. Mas vamos trabalhar com essa função fundamental do adjetivo.
O adjetivo também pode ser predicativo do sujeito, mas o predicativo não é uma função própria do adjetivo. O
predicativo pode ser tanto função do adjetivo como do substantivo. Quando digo “a menina é bonita”, “bonita” é
uma qualidade de “menina”, está no predicado e exerce a função de predicativo. Quando digo “a menina é uma flor”,
“uma flor” é uma informação sobre “menina”, mas não é um adjetivo.
No Módulo 3, quando falarmos de termos da oração, vou chamar atenção para isso. Então, o predicativo do
sujeito é uma informação do sujeito que está no predicado. Nós não aprendemos isso ainda. O adjetivo pode
exercer essa função, o substantivo também.
a. Os belos jardins cresceram muito.
Analisando a frase “os belos jardins cresceram muito”, quem é o verbo? Sempre começamos pelo verbo. O verbo
é “cresceram”. Vamos dividir a frase em parte verbal (cresceram muito) e parte não verbal (os belos jardins).
Qual é a palavra mais importante da parte não verbal? “Jardins”. “Jardins” é substantivo, e o substantivo é
sempre núcleo do grupo em que ele se encontra. Na parte verbal, normalmente, o verbo é núcleo, até porque o
mais importante da oração é o verbo.
Posso dizer que “belos” se liga a “jardins” para qualificá-los. “Belos” é adjetivo, é uma palavra que se liga ao
substantivo para indicar uma qualidade. O “os”, não o estudamos ainda, mas é um artigo que define o substantivo.
“Muito” está ligado ao verbo para indicar intensidade, é um advérbio.
Veja que, com o tempo, vamos construindo as informações. O adjetivo qualifica o substantivo, mas qual é a
função? “Jardins” é o núcleo, “belos” está junto, junto, junto do núcleo. Portanto, exerce a função de adjunto
adnominal. Igual ao “os”, que também será um adjunto adnominal.
Contei para vocês que “ad-” significa junto, “junto” significa junto, e “nominal” lembra nome, ou seja, o termo
exerce a função de estar junto, junto, junto do nome. E o “muito”? Está junto, junto, junto do núcleo, mas o núcleo
aqui não é um nome, é um verbo. Então ele exerce a função de adjunto adverbial.
b. As classificações etárias estão aí.
Na frase “as classificações etárias estão aí”, “estão” é o verbo. Vou dividir em parte verbal e parte não verbal.
Qual é a palavra mais importante de “as classificações etárias”? “Classificações”. “Classificações” é substantivo,
e substantivo é sempre núcleo.
Do grupo “estão aí”, “estão” é o verbo e, neste caso, o verbo é núcleo do grupo em que ele está. “Ah, professora!
Achei que esse ‘estão’ era verbo de ligação!” Calma! É claro que eu estou selecionando as frases e vou apresentar
novas estruturas com o tempo, o fato é que este “estão”, neste exemplo, não é verbo de ligação. Ele é um verbo
importante. Ele é o núcleo. “Aí” está ligado a esse verbo, é um advérbio.
Em “as classificações etárias”, depois que eu tiro o núcleo “classificações”, o “as” está ligado a ele, é um artigo.
Se está junto, junto, junto do nome, exerce a função de adjunto adnominal. “Etárias” especifica/caracteriza
classificações, é um adjetivo. Se “etárias” está junto, junto, junto do nome, também é um adjunto adnominal.
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LOCUÇÃO ADVERBIAL
Quanto ao “etárias”, caracteriza/especifica “classificações”. Mas vamos imaginar que, em vez de “etárias”, eu
tivesse escrito “as classificações de idade”. Vocês conseguem enxergar que, se eu colocasse o “de idade”, este
termo continuaria especificando classificações? Ele continuaria trazendo uma informação sobre classificações?
Vejam que interessante! Posso caracterizar o substantivo usando uma palavra, usando uma classe gramatical,
usando um adjetivo, mas eu também posso fazer isso usando uma expressão.
Em vez de eu falar “classificação etária” (etária é um adjetivo), eu digo “classificação de idade”. O “de idade”
não pode ser um adjetivo porque o adjetivo é uma palavra, mas o “de idade” é uma expressão que funciona
como adjetivo.
Adivinha o que o “de idade” vai ser! Tenho certeza de que você falou, na sua casa, que a palavra que caracteriza o
substantivo é um adjetivo. Mas não é uma palavra, é uma expressão, que são duas palavras. Então, vai se chamar
locução adjetiva.
É isso que nós vamos estudar agora. Existe o adjetivo, que é a palavra que qualifica o substantivo, mas
existe também a locução adjetiva. A locução adjetiva é uma expressão, mais de uma palavra, que funciona
como um adjetivo.
No português, toda vez que se falar em locução, estará falando em expressão. Vamos aprender mais à frente
que existe a locução verbal, uma expressão que funciona como um verbo, uma oração. Nós temos também locução
prepositiva, locução adverbial, locução adjetiva.
Como formo uma locução adjetiva? Vou dar a dica, mas vamos nos aprofundar adiante. A locução adjetiva é
formada por, no mínimo, uma preposição, que é uma palavra que serve para ligar duas outras, mais um substantivo.
Em “o dobro de alunos”, quem é o núcleo? “Dobro”. Em “maioria de pessoas”, quem é o núcleo? “Maioria”. Em “a
mesa de madeira”, quem é o núcleo? “Mesa”. Em “o triplo de alunos”, quem é o núcleo? “Triplo”. A preposição
marca essa relação de hierarquia.
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Existem várias preposições, mas eu quero que vocês já comecem lembrando destas: em, a, para, de, com e por
(mnemônico: Ema, para de compor!). Para a sintaxe, essas preposições são fundamentais.
Eu disse que a preposição é invariável, mas o “a” pode ser um artigo. Qual é a diferença? O artigo varia. Se forem
“meninas”, tem de ser “as meninas”. Mas a preposição não varia.
Ela pode se aglutinar, fundir-se a um artigo. Por exemplo: de + o = do, de + as = das; em + os = nos; por + as =
pelas, por + os = pelos; de + ele = dele (naquele, daquele e assim por diante). Nós temos todas essas fusões.
Quando eu fizer um aprofundamento sobre preposição, vou chamar atenção para isso novamente. A parte
básica do adjetivo é fácil, mas essa aqui é muito importante. Até porque aqui nós já estamos semeando o
período composto.
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Outras Classes de Palavras
INTRODUÇÃO
Saber que adjetivo caracteriza o substantivo e concorda com ele, a maior parte de vocês já sabe. Precisamos
aprofundar nessa análise e conseguir reconhecer o adjetivo dentro do texto. Vou deixar para analisarmos poesia
e textos depois que trabalharmos essas classes fundamentais.
Podemos ter o adjetivo, mas também podemos ter a locução adjetiva, que é formada, no mínimo, por uma
preposição mais o substantivo. É “no mínimo”, porque eu posso dizer, por exemplo, “caneta de fina estirpe”, em
que “de fina estirpe” está ligado à “caneta”.
Embora não estejamos estudando o período composto, devemos ter a noção de que as palavras podem
estabelecer entre si ou uma relação de igualdade — que chamamos de enumeração, e a gramática chama de
coordenação; coordenar é colocar em sequência itens iguais, — ou pode haver, dentro do contexto, uma relação
de hierarquia — em que um termo é núcleo e o outro está ligado a este núcleo.
Também falamos do conceito de preposição, que é uma classe de palavras muito importante, da qual
precisaremos muito, pois vamos estudá-la no módulo de aprofundamento da morfologia. Mas agora eu preciso
que vocês memorizarem estas preposições: em, a, para, de, com, por.
APROFUNDANDO
Agora vamos exercitar nosso conhecimento.
a. Ele só come carne bovina.
Quando eu falo “ele só come carne bovina”, “carne” é um substantivo. “Bovina” caracteriza/especifica carne.
“Bovina” é um adjetivo.
b. Ele só come carne bovina.
Mas, em vez de colocar “carne bovina”, eu poderia dizer que “ele só come carne de boi”. “Carne” é um substantivo,
“de boi” especifica esse substantivo. Mas “de boi” não é uma palavra, é uma expressão, portanto, “de boi” vai ser
uma locução adjetiva. A locução é formada, no mínimo, por uma preposição mais um substantivo.
c. Ele só come carne que foi inspecionada pela vigilância sanitária.
Na terceira frase, eu fiz diferente. Eu disse que “ele só come carne que foi inspecionada pela vigilância sanitária”.
Na primeira frase, que “carne” ele come? Ele come carne bovina. Na segunda, qual carne ele come? Carne de boi. E
na terceira? A carne que foi inspecionada pela vigilância sanitária.
A palavra que qualifica o substantivo é um adjetivo. A expressão é uma locução adjetiva. E a oração? “Foi
inspecionada” é uma locução verbal. Vocês não precisam de saber disso ainda, mas sabem que aqui tem verbo, e
se tem verbo, existe uma oração.
Oração é tudo aquilo que tem verbo. Então, se tem verbo, tem oração. A palavra que qualifica o substantivo é um
adjetivo, a expressão é uma locução adjetiva, e a oração será uma oração adjetiva.
Importante! As funções podem ser exercidas por palavras (adjetivo), por expressões (locução adjetiva) ou até
por orações (oração adjetiva).
Embora ainda não estejamos estudando período composto, é muito importante que vocês já carreguem essa
noção para perceberem que é uma gradação. Vocês têm um adjetivo em “menina bonita”. Vocês têm a locução
adjetiva em “menina de cabelo preto”. E vocês têm a oração adjetiva em “menina que mora ali”.
d. Ele só come carne inspecionada pela vigilância sanitária.
Ele como qualquer carne? Não. Ele come a carne inspecionada pela vigilância sanitária. A palavra que qualifica o
substantivo é um adjetivo. A expressão é uma locução adjetiva. E a oração? “Inspecionada” é verbo, vem do verbo
“inspecionar”. Então ela é uma a oração adjetiva.
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Essas orações têm nomes específicos. A oração do exemplo “c” é chamada de oração subordinada adjetiva
restritiva. Pelo raciocínio lógico, é oração porque tem verbo (foi inspecionada), e é subordinada.
Você comeu a carne. Qual carne? A que foi inspecionada. Ela está especificando a carne porque é adjetiva, ela
caracteriza o substantivo carne. E por que ela é restritiva? Porque eu não como qualquer carne, eu como aquela
específica, eu estou restringindo.
No exemplo “d”, é quase a mesma coisa. É oração porque tem verbo, é subordinada e é adjetiva, porque a seta é
inserida no substantivo. É restritiva, porque restringe, não é qualquer carne. Depois, vamos aprender que é porque
não tem vírgula, mas vamos deixar mais para frente. Estamos trabalhando o raciocínio primeiro.
E sabem que nome ela tem? Ela vai ser reduzida de particípio. Será uma oração adjetiva restritiva reduzida de
particípio. O nome assusta, mas tem lógica. Oração porque tem verbo, subordinada porque tem a seta, adjetiva,
porque a seta cai no substantivo, restritiva porque restringe.
E é reduzida. De onde você tirou isso? É reduzida porque não tem conectivo, não existe, não há elemento de
ligação, é sem conectivo. Da mesma forma que a preposição serve para ligar palavra, a conjunção ou, no caso da
oração adjetiva, o pronome relativo “que” liga as orações.
A oração do exemplo “d” tem elemento de ligação ou ela vai direto com o verbo? Ela vai direto com o verbo. Ela
não tem elemento de ligação, por isso ela é reduzida. Por que ela é de particípio? Por causa da desinência verbal.
Lembram que desinência é terminação? Qual é a desinência do verbo “inspecionada”? Esse “-da” é terminação de
particípio, por isso é reduzida de particípio.
Se fosse, por exemplo, “eu saí batendo os pés”, seria uma oração reduzida de gerúndio. Não é adjetiva, porque
em “eu saí batendo os pés”, “batendo os pés” está ligado ao verbo. É uma oração adverbial reduzida de gerúndio.
Mas vamos deixar isso para aprofundar no período composto.
Quero que vocês percebam que a oração adjetiva nada mais é do que um adjetivo em forma de oração. Este foi
um aprofundamento, nós vamos continuar com as classes de palavras.
ARTIGO
Nós vamos agora para a nossa terceira classe de palavras, que é o artigo. Eu quero só mencionar com vocês.
Conceito: O artigo é uma palavra que acompanha o substantivo. Diz a gramática que ele acompanha para defini-
lo ou indefini-lo. Por isso eles dividem os artigos em definidos (o, a, os e as) e indefinidos (um, uma, uns e umas).
Essa é a classificação, pois o artigo é uma classe fechada.
Mas, quando vamos pensar na interpretação do texto, temos de tomar cuidado. Quando eu digo: “Havia um
rapaz dentro do bar. O moço começou a briga do nada”. “O moço” é o rapaz que estava no bar, é um moço específico.
Quando digo uma frase genérica, por exemplo: “O aluno deve ser respeitado, o professor deve ser respeitado, o
homem deve ser honesto”. O “o” é um artigo definido porque a gramática define assim. Quando eu falo “o professor
deve ser respeitado”, não estou falando de um professor específico, estou falando de uma categoria.
Então tomem cuidado, na prova, com como isso é cobrado. “O, a, os e as” são artigos definidos, mas, às vezes, em
alguns contextos, podem dar a ideia de uma categoria. Em “a mulher deve ser respeitada”, é uma específica? Não,
é uma categoria, como um todo.
Flexão: Como toda palavra que se liga ao substantivo, o artigo concorda com ele em gênero e em número. É
claro que existem palavras que são comuns de dois, por exemplo, “colega” (o colega e a colega). Nesses casos, é
o artigo que define o gênero do substantivo: o estudante, a estudante. Como regra geral, o artigo concorda com o
substantivo.
Função: A única função que o artigo exerce é de adjunto adnominal.
Às vezes o artigo direciona/define o gênero e o número. Quando eu falo “o estudante, a estudante”, “estudante”
não flexionou, é o artigo que vai fazer a variação. Ou quando eu digo “o ônibus” ou “os ônibus”.
Mas sobre isso há poucas cobranças em prova. O mais importante é vocês saberem que ele acompanha o
substantivo e que é sempre, unicamente, adjunto adnominal. Essa é a única função que o artigo exerce.
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NUMERAL
Para finalizar esta aula, queria chamar a atenção para o numeral. Ele não cai em prova de forma direta, mas tem
uma coisa que é importante.
O numeral está, de alguma forma, ligado a um número para indicar:
• quantidade (numeral cardinal: 20, 30, 40);
• posição/ordem (numeral ordinal: 23º lugar);
• multiplicação (numeral multiplicativo: dobro, triplo, quádruplo);
• fração (numerais fracionários: um terço, dois terços).
O que pode ser cobrado mais voltado para a interpretação de texto é o seguinte: quando eu falo para vocês
“eu tenho vinte alunos”, “vinte” é um numeral. Ele se refere a uma quantidade precisa/específica. Mas, quando
eu falo “todos vieram de preto”, “todos” não é um numeral. “Todos” é uma palavra que não tem, dentro dela, uma
referência numérica.
“Ah, professora! Mas, nesse contexto, ‘todos’ é vinte.” Não importa! Sobre “todos”, “muitos”, “vários”, “alguns”,
nós vamos falar na aula de pronomes. Mas são palavras que indicam quantidade imprecisa. Não são numerais.
Numeral está associado a uma ideia numérica. “Eu fiquei em 23º lugar” é a posição 23. “Eu fiquei em 1º lugar”, é
posição 1. “Eu fiquei em 49º, é posição 49. “Fiquei em último lugar”, não é numeral. “Último” é que posição? Depende
do contexto, então não é numeral. Um numeral está associado a uma ideia numérica específica.
Se cair na sua prova, é só isso que eu preciso que vocês saibam. Assim finalizamos essas primeiras classes. Na
próxima aula, vamos falar de advérbio, que é muito, muito, muito super, ultra, importante. Espero vocês!
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Advérbio
INTRODUÇÃO
O advérbio é uma classe de palavras muito importante e cai muito em provas porque é responsável por
acrescentar sentido a um texto. Às vezes, percebemos, pelo advérbio, o posicionamento do autor. Ele tem uma
regra de pontuação. Nós temos dez tipos de orações adverbiais. Então essa é uma das classes mais importantes
de todo o curso e, na parte de fundamentos da morfologia, essa é uma classe de palavras fundamental.
ADVÉRBIOS
Conceito: O nome já nos sugere: “ad-” dá a ideia de “junto” e “-vérbio” lembra verbo. Então o advérbio fica junto do
verbo. Se pensarem bem, da mesma forma que o adjetivo é um termo de expansão do significado do substantivo,
o advérbio é um termo de expansão do significado do verbo, ou seja, seria uma palavra que se liga ao verbo
indicando a circunstância em que a ação ocorreu.
“Circunstância” é a palavra-chave. Quando falarem para vocês em circunstância, já pensem em advérbio. Essa
circunstância é de milhões de coisas.
• Tempo: “chegou hoje”.
• Lugar: “chegou aqui”.
• Negação: “não chegou”.
• Intensidade: “ele fala muito”.
• Modo: “ele fala calmamente”.
• Companhia: “ele saiu comigo”.
• Causa: “ele não dormiu com o barulho”
• Etc.
Circunstância é atributo semântico, então, semanticamente, temos uma infinidade de opções. O advérbio
acrescenta sentido ao verbo e eu quero que vocês memorizem pelo menos esses três: se indica tempo, modo e
lugar, é advérbio.
Ele também pode se ligar a um adjetivo ou a outro advérbio. Vamos começar com a função geral e depois
trabalhamos estas últimas.
Flexão: A gramática entende que o advérbio é invariável em relação ao termo ao qual ele se refere. É muito
comum confundir adjetivo com advérbio. Em algumas frases, ficamos na dúvida.
Vocês têm que se lembrar que o adjetivo se liga a um substantivo e eles concordam, variam em gênero. Já o
advérbio se liga ao verbo, ao adjetivo ou a outro advérbio, mas eles não concordam.
Então, eu falo, por exemplo, “o menino é bonito” e “as meninas são bonitas”. Vejam que “bonito” é um adjetivo e
concorda com o substantivo ao qual ele se refere. Mas, se eu colocar “o menino chegou cedo”, também será “as
meninas chegaram cedo”. Flexionei a frase e “cedo” continuou inalterado. Nessa construção, nós não temos a
flexão do “cedo” porque “cedo” é advérbio e não varia com o termo ao qual ele se refere.
Mas admite-se a flexão do advérbio em grau. Não tem a ver com o termo ao qual ele se liga, tem a ver com a
intensidade. Eu posso dizer que “a menina chegou cedo” ou que “ela chegou cedíssimo”, que ela “fala alto”. A flexão
em grau serve para intensificar o advérbio.
Há autores que não entendem como flexão — mas, nós não estamos fazendo curso de letras. Essa flexão tem
a ver com a intensidade. Por exemplo, quando eu falo “ele chegou cedo” e “ele chegou cedíssimo”, esse “-íssimo”
intensifica o quão cedo ele chegou.
Função: Na gramática tradicional, o advérbio é sempre adjunto adverbial.
a. Tadeu viajou cedo.
Em “Tadeu viajou cedo”, “viajou” é o verbo, “cedo” se liga ao verbo para indicar tempo. É advérbio de tempo. Cai
muito em provas a circunstância que ele indica. E circunstância é interpretação de texto, é o sentido que ele indica
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dentro do texto. O advérbio está junto, junto, junto do verbo e, portanto, é um adjunto adverbial de tempo.
b. Tadeu viajou à noite.
Em “Tadeu viajou à noite”, “viajou” é o verbo e “à noite” é uma expressão que se liga ao verbo para indicar tempo.
A palavra que se liga ao verbo é advérbio, e a expressão é chamada de locução adverbial.
As funções podem ser exercidas por palavras ou por expressões. Existe um advérbio e existe a locução adverbial.
“Viajou” é o núcleo, e “à noite” está junto, junto, junto do núcleo. “À noite” é adjunto adverbial.
A locução é formada, no mínimo, por uma preposição mais um substantivo. Já vimos que ela pode ser uma
locução adjetiva e agora vimos que ela pode ser uma locução adverbial. Qual é a diferença? A locução adjetiva se
liga a um substantivo, e a locução adverbial se liga a um verbo.
c. Os móveis da sala estão no quarto.
Em “os móveis da sala estão no quarto”, cuidado! Se na prova perguntar se “da sala” é uma expressão que
exprime circunstância de lugar. Respondam que não. Expressão que exprime circunstância é expressão adverbial.
Na análise dessa frase, “estão” é o verbo. Vou dividir a parte verbal (estão no quarto) da parte não verbal (os
móveis da sala). Qual é a palavra mais importante do parte não verbal? “Móveis”, é o substantivo. O “os” especifica
esse substantivo e “da sala” também especifica esse substantivo.
“Da sala” não é um lugar onde eles estão, é sobre quais móveis são. A palavra que especifica o substantivo é um
adjetivo. Isso não é uma palavra, é uma expressão. Então isso é uma locução adjetiva. Em “estão no quarto”, posso
dizer que “no quarto” é o lugar onde eles estão?
A palavra que se liga ao verbo é um advérbio, “no quarto” não é uma palavra, é uma expressão. É uma locução
adverbial. Então, cuidado, porque quanto à locução adjetiva e a locução adverbial, o importante é saber onde
inserir a seta.
Formação do advérbio
A palavra “livro” é um substantivo primitivo. “Livraria” é um substantivo derivado. Nós não trabalhamos com
formação de palavras porque não é importante para a nossa prova, mas a formação do advérbio é.
Existem palavras que são advérbios de “nascença”. Por exemplo: “hoje”, “ontem”, “amanhã” são de verbos de
tempo. Quando eu falo “aqui”, “ali”, “lá”, de lugar. “Não” é advérbio de negação. “Sempre” é advérbio de frequência.
Esses advérbios já são diversos lá na origem, mas é claro que, dependendo do contexto, refazemos a análise.
Em “O hoje é mais importante que o amanhã”, quando coloco artigo, a palavra se torna um substantivo. Não falei
disso para vocês, mas lembrem-se: o artigo sempre acompanha um substantivo. Sempre que eu tenho um artigo
tenho também um substantivo. Inclusive, a função do artigo é de adjunto adnominal.
Mesmo que eu não tenha um substantivo, quando eu coloco o artigo, a palavra se torna um substantivo naquele
contexto. “Viver” é verbo. Mas se eu falo “o viver”, esse “viver” foi substantivado. O artigo substantiva a palavra.
Então nós temos uma palavra que funciona como um substantivo. Quando eu digo “o amanhã”, “amanhã” funciona
como um substantivo.
Palavras como “hoje”, “sempre”, “não” são advérbios, mas, se eu quiser formar advérbios na língua, eu posso?
Sim. Sabe como é que se formam os advérbios? Eu pego um adjetivo, ponho no feminino, se houver, porque tem um
adjetivo que não tem feminino, e acrescento o sufixo “-mente”. Por exemplo:
• claro – clara – mente = claramente
• assertivo – assertiva – assertivamente
• rápido – rápida – rapidamente
• humilde – não tem flexão de gênero – humildemente
Tudo que recebe o sufixo “-mente” é um advérbio.
a. Marcela agiu calmamente, humildemente e assertivamente.
Em “Marcela agiu calmamente, humildemente e assertivamente”, estou enumerando advérbios. “Calmamente”
é o modo como ela agiu, “humildemente” e “assertivamente” também. Enumerar é colocar em sequência itens
iguais. Mas essa repetição de “-mente” traz um eco à frase, não é?
b. Marcela agiu calma, humilde e assertivamente.
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Então, a gramática diz que, em enumerações com advérbios terminados em “-mente”, podemos deixar a
terminação em elipse nos primeiros elementos, e explícita apenas no último. Ficaria “Marcela agiu calma, humilde
e assertivamente”.
E continua sendo advérbio, porque é uma enumeração. Afinal, ela agiu calma, humilde e assertivamente. O
“e” traz essa enumeração. Todos serão advérbios. A omissão do “-mente” é para evitar o eco, que traz um som
desagradável à frase.
Então a norma diz que, em enumerações com advérbios terminados em “-mente”, pode-se deixar explícito o
sufixo apenas no último elemento. Nos outros, o sufixo ficará em elipse.
Importante! A elipse é a omissão de um termo, de um sufixo, de algo que é facilmente recuperável na leitura.
Quando eu leio a frase “Marcela agiu, calma, humilde e assertivamente”, é possível recuperar que ela agiu
calmamente, humildemente e assertivamente. Nesse exemplo, o sufixo está em elipse. Ele está implícito nos
primeiros elementos.
O advérbio se liga ao verbo para acrescentar uma circunstância (tempo, modo, lugar), mas se liga também ao
adjetivo ou a outro advérbio, geralmente para intensificar. Mas pode ser para fazer uma negação ou até para dar
a ideia de lugar.
a. O rapaz nada mal.
Quando eu falo que “o rapaz nada mal”, o verbo é “nadar”, e “mal” se liga ao verbo para indicar o modo como ele
nadou. É um advérbio de modo. Inclusive “mal”, com “l”, é o contrário de “bem” (são advérbios de modo) e “mau”,
com “u”, é contrário de bom (são adjetivos).
Lembrando que, em qualquer uma dessas palavras, se eu colocar artigo, por exemplo, “o mal vende o bem”,
nós já sabemos que vira substantivo. Outro detalhe é que “mal” também pode ser uma conjunção temporal. Em
“mal cheguei e ela começou a brigar”, “mal cheguei” é “logo que cheguei”, e liga as duas orações. Então “mal” é um
advérbio de modo que se liga ao verbo “nada”.
b. O rapaz nada muito mal.
Quando eu digo “o rapaz nada muito mal”, “nada” continua sendo o verbo, “mal” continua sendo o modo como ele
nada. Mas o que o “muito” está fazendo na frase? “Muito” está intensificando o quão mal ele nada. Ele não nada só
mal, ele nada muito mal, supermal, muitíssimo mal. Esse “muito” é um advérbio de intensidade.
“Mas, professora, esse ‘muito’ não está ligado ao verbo ‘nadar’?” É interpretação de texto. Na frase “o rapaz
nada muito mal”, o “muito” não está intensificando o quanto ele nada, mas o quão mal ele nada. O “mal” intensifica
o advérbio.
c. O rapaz é bonito.
Em “o rapaz é bonito”, o “é” é verbo de ligação, porque ele liga uma qualidade/característica ao substantivo.
“Bonito” é qualidade de “rapaz”. Mesmo que vocês não tenham estudado verbo de ligação ainda, sabem que em “o
rapaz é bonito”, “bonito” é uma qualidade do rapaz. Tanto é que se fosse “moça”, seria “a moça é bonita”.
d. O rapaz é muito bonito.
Em “o rapaz é muito bonito”, “bonito” continua sendo uma característica de “rapaz”. Esse “muito” está ligado a
quem? Ele está intensificando “bonito”. O rapaz não é só bonito, ele é muito bonito, ele é superbonito. Eu tenho
aqui um advérbio de intensidade.
Se fosse “a moça”, seria “a moça é muito bonita”. “As moças são muito bonitas”. Eu poderia até intensificar duas
vezes: “as moças são muitíssimo bonitas”. É um advérbio de intensidade.
Eu quero agora fazer um desafio para vocês! Tentem analisar esta frase ligando as setas nos termos certos.
e. A minha irmã mais nova não viajou no ano passado.
Como é a análise dessa oração? É oração porque tem verbo, “viajou”. A partir do verbo, vou dividir a parte verbal
(não viajou no ano passado) da parte não verbal (a minha irmã mais nova).
Por que dividi antes do “não”, porque já sei que o “não” nega a ação do verbo, é um advérbio. O advérbio, em
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regra, vai ficar junto do verbo. Nós vamos ver depois que ele pode se deslocar, mas veremos isso na sintaxe. Então
coloquei o advérbio junto.
Qual é a palavra mais importante da parte não verbal (a minha irmã mais nova)? “Irmã”, porque é substantivo, e
o substantivo é sempre núcleo. Depois que eu tiro o núcleo, o resto está ligado a ele.
O “minha” especifica “irmã”. O “a” também está ligado à “irmã”. “Nova” é uma qualidade/característica de “irmã”.
Tanto é que, se eu trocar “irmã” para “irmãos”, vai ficar “os meus irmãos mais novos”. Quando mudei “irmã” para
“irmãos”, tudo ficou no masculino plural.
Na parte verbal, tenho “não viajou no ano passado”. “Viajou” é o verbo. “Não” se liga ao verbo para indicar uma
negação. “No ano passado” não é uma palavra, é uma locução, afinal, “no” é a preposição “em” + “o”. “No ano
passado” é uma expressão que indica tempo.
Vamos classificar! “Viajou” é o verbo, e o verbo é núcleo. Eu sei que o “a” é um artigo que acompanha o substantivo
e ele é sempre adjunto adnominal, pois está junto, junto, junto do nome. O “minha”, não estudamos ainda, mas ele
é um pronome possessivo que está junto, junto, junto do nome e também é adjunto adnominal.
O “nova” é um adjetivo que caracteriza “irmã”. Também está junto, junto, junto do nome e também é adjunto
adnominal. Agora, sobrou a palavra “mais”. O “mais” está ligado à “irmã”? Ele quantifica “irmã” ou “intensifica” o
quão nova a irmã é?
Não é “irmã nova”, é “a irmã mais nova”. Como se chama aquela palavra que intensifica o adjetivo ou outro
advérbio? Advérbio. Esse “mais” é um advérbio de intensidade. “Achei que o advérbio só podia ficar na parte do
verbo.” Não.
Na verdade, o advérbio tem como função básica se ligar ao verbo, mas ele também pode se ligar ao adjetivo.
Então, em vez de eu falar que “ela é bonita”, posso dizer que “ela é muito bonita”. E em vez de eu dizer que “ela é
nova”, posso dizer que “ela é mais nova”. Esse “mais” é um advérbio.
Na parte verbal, o “não” nega a ação, é um advérbio de negação. Está junto, junto, junto do verbo, é adjunto
adverbial. “No ano passado” se liga ao verbo para indicar tempo. Mas não é uma palavra, é uma expressão,
portanto, é uma locução adverbial. Essa locução adverbial está junto, junto, junto do verbo e exerce a função de
adjunto adverbial.
Qual é a função do “mais”? Todo advérbio é adjunto adverbial. Está ligado ao adjetivo, mas eu disse que vocês
têm de decorar. Esse é um “furo” da gramática. Eles não vão cobrar essa função na sua prova. Se cobrar: todo
advérbio é adjunto adverbial.
O que eles vão cobrar, e isso vocês têm de saber, é que o “mais” aqui intensifica o quão nova ela é. Esse “mais” é
um advérbio que se refere ao adjetivo. Ele intensifica o adjetivo. Pode? Pode! O advérbio pode se ligar ao verbo, que
é a função inicial, mas ele também pode se ligar ao adjetivo ou a outro advérbio.
Vamos analisar a locução “no ano passado”. No português, a análise de uma estrutura é como se fosse uma
análise de departamentos. No departamento da parte não verbal, tenho o núcleo, que é o substantivo (irmã), um
artigo (a), um pronome (minha), um adjetivo (nova) e ligado a esse adjetivo, tenho um advérbio (mais).
No departamento da parte verbal, eu tenho um verbo que é núcleo (viajou), um advérbio que se liga ao verbo
para negá-lo (não) e uma locução adverbial (no ano passado). Mas, na locução adverbial, tenho a expressão “no
ano passado”. Em “no ano passado”, “ano” é substantivo, é o núcleo, “passado” está ligado a “ano” e o “o” também
está ligado a “ano”.
Se em vez de “ano” fosse “semana”, seria “na semana passada”. Vejam que a análise vai em sequência. Pode ser
que, dentro de uma locução adjetiva, haja outra locução adjetiva. Vocês precisam de saber colocar a seta no lugar
certinho.
Nós estamos começando o curso e eu espero que esse tanto de informação não deixe vocês desesperados.
Temos de aprender tudo ao mesmo tempo, mas, repetindo, eu tenho certeza de que vocês vão aprender.
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Análise de Textos
INTRODUÇÃO
Agora nós vamos fazer algumas análises textuais, antes de começarmos realmente a fazer questões de
concurso, para ampliarmos o nosso raciocínio e sabermos como as classes de palavras são cobradas dentro
do texto, primeiro para sairmos daquelas frases simples, segundo, porque, na hora da prova, as vezes o texto
é mais subjetivo.
Claro, começaremos com alguns textos mais simples, mas vamos aprofundando ao longo do curso. É importante
vocês saberem que os substantivos e os adjetivos são classes recorrentemente utilizadas em textos descritivos.
Quando vocês forem estudar tipologia textual, aprenderão que o texto descritivo (que cria, por meio de palavras,
uma imagem) e o texto narrativo (que cria, por meio de palavras, uma história) são textos de bases concretas.
Então, é muito comum usarmos essas duas classes de palavras. Nós vamos ver isso e repetir o que estudamos
nas últimas aulas.
TEXTO I
O primeiro texto que eu coloquei para vocês, talvez seja conhecido, já que é um texto mais antigo. Ele foi publicado
na Folha de S. Paulo, há 15 anos. Mas é um texto legal! Chama-se Menino cheio de coisa.
Em “menino cheio de coisa”, “menino” é um substantivo, dá nome. “Cheio” é um adjetivo. Inclusive, nós ainda não
aprendemos a função desse termo, mas, quando ele fala “cheio de coisa”, é porque “menino” é um substantivo e
“cheio” é um adjetivo. E se fosse “menina”, seria “cheia”.
E esse “de coisa”? É o “menino de coisa” ou é “cheio de coisa”? É cheio de coisa, não é? Depois nós vamos aprender
que esse “de coisa” complementa o “cheio”. Nós vamos aprender que ele é complemento nominal. Antes de
começarmos a ler o texto, vamos ler o enunciado para ver o que temos de fazer.
Justifique o emprego dos substantivos e dos adjetivos para construção textual.
Vejam só: aos nove anos e três meses de idade, Serginho está deitado embaixo das cobertas com uma calça de veludo de
duzentos e vinte reais, camiseta de quarenta e cinco, tênis que pisca quando encosta no solo, óculos de sol com lentes
amarelas, taco de beisebol, jaqueta de náilon lilás, boné da Nike, bola de futebol de campo tamanho oficial, dois times de
futebol de botão, CD dos Tribalistas, joystick, Gameboy, uma caixa de bombom de cereja ao licor, dois sacos de jujuba, um
quebra-cabeça de mil e quinhentas peças, um modelo em escala do “F” cento e dezessete (desmontado), chocolate pra
uma semana, três pacotes de batatinha frita (novidade, com orégano), dois litros de refrigerante com copo de canudinho
combinando, quatro segmentos retos e quatro curvos de autorama, dois trenzinhos (um de pilha e um de corda.), controle
remoto, duas raquetes de pingue-pongue, duas canecas do Mickey e nem adianta seu pai, do outro lado da porta trancada
pelo menino emburrado, dizer que sua mãe já volta.
Quando a banca pede que justifique, ela quer saber o motivo de utilizar os substantivo e adjetivos.
Esse texto faz perdermos até o fôlego ao lermos, e lemos assim por uma razão específica: o autor vai enumerando.
Essa enumeração é uma sequência de itens iguais. Não vou analisar todas as palavras dentro do texto, mas vamos
ver algumas.
Em “vejam só:”, esses dois pontos abrem uma fala, que é “aos nove anos e três meses de idade [...]”. Esse
trecho dá a ideia de tempo. Em “[...] Serginho está deitado”, “Serginho” é o substantivo, “está deitado” é uma
informação sobre Serginho, “embaixo das cobertas com (aqui começa a enumeração) uma calça de veludo”,
“calça” é substantivo e “de veludo” especifica o substantivo, é um adjetivo? Não. É uma locução adjetiva. Se
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fosse um adjetivo, seria “calça aveludada”.
“[...] De duzentos e vinte reais” também está ligado à “calça”, é o preço da calça. “Camiseta de quarenta e cinco”, de
novo, “camiseta” é substantivo e “de quarenta e cinco” especifica “camiseta”. Em “tênis que pisca quando encosta
no solo”, “tênis” é o substantivo, “que pisca quando encosta” especifica “tênis”.
Nós já temos uma noção. Lembram que a palavra que qualifica o substantivo é um adjetivo? A expressão “de
veludo” é uma locução adjetiva. E a oração? Em “que pisca”, tem verbo. É uma oração adjetiva. Mas nós não vamos
trabalhar com isso.
Em “óculos de sol com lentes amarelas”, de novo: “óculos” é o substantivo, “de sol” é uma locução adjetiva, “com
lente amarela” também é uma locução adjetiva. Em “taco de beisebol”, “taco” é um substantivo, “de beisebol” é
uma locução adjetiva.
Em “jaqueta de náilon”, “boné da Nike”, “bola de futebol de campo de tamanho oficial”, “dois times de futebol”,
o núcleo é “times”, “dois” é um numeral, “de futebol de botão” é uma locução adjetiva. Eu poderia ficar o tempo
inteiro aqui no texto, pois tem uma sequência grande de substantivos.
O que o menino tem? Tem uma calça de veludo, uma camiseta, um tênis, um óculos, um casaco, uma jaqueta, um
boné, uma bola, dois times de futebol de botão, CD dos Tribalistas, joystick, gameboy, caixa de bombom de cereja
(“de bombom” especifica “caixa”, “de cereja” especifica “bombom”), “dois sacos de jujuba” (“sacos” é o substantivo,
“dois” é um numeral, “de jujuba” especifica “sacos), quebra-cabeça de mil peças (“de mil peças” especifica “quebra-
cabeça”), modelo em escala do “F” [...], chocolate para uma semana, pacote de batatinha, e assim por diante.
Qual é a função desse tanto de substantivos dentro do texto? Ora, é um menino cheio de coisas. Vejam que, no
texto, o autor descreve o menino. Como assim? Vocês vão aprender, na aula de texto, que descrever é criar por
meio de palavras uma imagem estática. Ao lermos o texto, imaginamos um menino cheio de coisa emburrado
debaixo do cobertor.
Ele está descrevendo. Qual é a classe gramatical que serve para descrever? Nesse caso, ele usa substantivos,
adjetivos e locuções adjetivas. Qual é a função desses adjetivos e desses substantivos no texto?
Quando o autor quer descrever o menino — que é mimado, cheio de coisa, que tem tudo, mas não tem a mãe —,
ele usa o substantivo para isso. Qual é, então, a razão de usar essas classes de palavras? As classes de palavras
são empregadas com o objetivo de descrever a criança mimada pelo excesso de coisas que possui.
É preciso estudar a gramática, pois, para conseguirmos descrever, temos de ter noção do que é substantivo,
do que é adjetivo, que são fundamentais para fazer uma descrição. O autor descreveu com muitos substantivos,
porque ele quer dizer que o menino tem tudo. Então, foi enumerando.
É claro que a descrição “cheio de coisa”, além do emprego da classe de palavras, essa enumeração exaustiva,
sem nenhuma pausa, dá essa ideia de excesso. Tem uma função textual também, mas aqui é importante vocês
saberem que o uso predominante dessas duas classes de palavras — na verdade, não só do adjetivo, como a
locução adjetiva e a oração adjetiva —, traz essa imagem de um menino mimado, cheio de coisa, cheio de vontades.
TEXTO II
Vamos para nosso segundo texto, que é uma música do Skank, uma banda de Minas Gerais.
Indique a classificação dos termos em destaque, explicitando a circunstância expressa por eles.
Sutilmente
Simplesmente me abrace
Subitamente se afaste
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E quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe
Simplesmente me abrace
Subitamente se afaste
Sutilmente disfarce, é
Dentro de ti
Dentro de ti
(...)
Skank
A formação da palavra “simplesmente” vem do adjetivo “simples” mais o sufixo “-mente”. Para “subitamente”,
usei “súbito”, pus no feminino “súbita” e inseri “-mente”. Todas as palavras sublinhadas são advérbios. São
advérbios de quê?
Quando ele fala “subitamente se afaste”, “afastar” é o verbo. “Subitamente” é rapidamente, como se eu
descrevesse a ação. Nós temos um advérbio de modo. Ele explicita o modo. Mas não parou por aí. Em “sutilmente
disfarce”, é disfarçar de forma sutil, não é de forma exagerada.
Em “quando eu estiver morto suplico que não me mate”, na norma culta, colocaríamos uma vírgula após “morto”.
É um texto poético, música, não tem compromisso com a norma. Ele diz “suplico que não me mate”.
Nesse trecho, “estiver” é um verbo, “suplico” é outro e “mate”, outro. Nós vamos estudar mais à frente que,
nesse trecho, temos três verbos e três orações. “Quando eu estiver morto” é uma oração. “Suplico” é outra. “Que
não me mate” é outra.
Vamos aprender mais à frente que “suplico” é a oração principal: “eu suplico isso quando eu estiver morto”. Não
importa aqui as outras orações. Eu quero saber de vocês o seguinte: “quando eu estiver morto” é uma expressão
que indica o quê? Eu já disse para vocês que é para explicitar a circunstância.
Sei que nós não aprendemos período composto, mas eu quero que vocês comecem a ampliar o seu raciocínio,
sua análise. Quando eu falo “cheguei hoje”, “hoje” é uma palavra que se liga ao verbo para indicar tempo.
Em “cheguei à noite”, “à noite” é uma expressão que se liga ao verbo para indicar tempo, é uma locução adverbial.
Agora, quando eu digo “cheguei quando o sol se pôs”, “quando o sol se pôs” se liga ao verbo para indicar tempo,
mas não é nem uma palavra nem uma locução, é uma oração.
Posso dizer que, “quando eu estiver morto” é uma oração que indica tempo? “Quando” dá ideia de tempo, e a
palavra que se liga ao verbo é um advérbio. Então essa oração é uma oração adverbial de quê? Nesse caso, ela é
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de tempo. O nome completo é oração subordinada adverbial temporal.
É oração porque tem verbo (estiver), subordinada porque inseriu a seta, adverbial porque se liga ao verbo para
indicar tempo. Eu não quero ficar apenas em advérbio simples, quero, já do início, estimular o raciocínio de vocês.
TEXTO III
Vamos para nosso último texto de análise, que é um poema de Carlos Drummond de Andrade.
Estabeleça relação a relação entre o emprego de substantivos no texto e a tipologia predominante.
Família
E a felicidade.
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Ao estabelecer relação, temos de traçar pontos de encontro no texto. Se vocês tiveram aula de interpretação de
texto, sabem que a tipologia tem a ver com o objetivo com o qual o texto é escrito.
No mais tradicional, nós temos basicamente cinco intenções/objetivos ao escrever um texto.
• Descrição
• Narração
• Exposição
• Argumentação
• Injuntivo
Posso ter o objetivo de descrever, de criar, por meio de palavras, uma imagem, como se fosse uma foto. Pode ser
que eu queira narrar, contar uma história, como se fosse um filme. Pode ser que eu queira expor um fato, informar,
é um texto mais vinculado com a realidade. Pode ser que eu queira me posicionar, então eu traço um tema e coloco
meu olhar sobre o tema.
Textos de exposição e argumentação também são chamados de dissertação expositiva e dissertação
argumentativa. Pode ser que meu texto tenha como objetivo ensinar procedimentos, será um texto em injuntivo.
Não tenho a menor pretensão de aprofundar esse assunto, mas quero fazer um link entre gramática e texto.
Na análise do poema, quando o autor traz “família”, traz no texto um conceito. E como ele faz? Ele vai descrevendo
essa família: “três meninos e duas meninas”. Qual é a classe de palavras? “Meninos” é substantivo. “Meninas”
também é substantivo. Todos os termos em destaque no texto são substantivos. Em “mas a esperança é verde”,
“mas” é uma conjunção de contraste e “verde” é o sinal de esperança, de que vai dar certo.
Todos os termos destacados são substantivos e estão no texto para caracterizar a família. O autor os usa para
ir construindo a família. É o que tem em uma família. Nesse texto, os substantivos servem para descrever o seio
familiar. Essa é a relação construída. É o substantivo que representa e/ou constrói o modelo de família.
Claro que não são os substantivos sozinhos, o autor coloca os substantivos e os especifica. Ele diz “a cozinheira
preta”, “a copeira mulata”. Em “as galinhas gordas no pau de horta”, “no pau de horta” é o lugar. “A mulher que trata
de tudo” não é um adjetivo, é uma oração adjetiva.
Em “a espreguiçadeira, a cama, a gangorra [...]”, os “as” são artigos. O “três” na primeira linha é numeral. Em “O
bilhete branco”, “A esperança verde”, o autor traz o branco e o verde como se fossem uma oposição. O bilhete está
em branco, ou seja, não ganhou.
É importante o uso da classe de palavras e o que representa dentro do texto. A morfologia, mesmo que não
seja cobrada de forma direta na prova, é a base do entendimento do texto. Às vezes, é a base de uma figura de
linguagem. Vejam que, nesse contexto, “branco e verde” estabelecem uma oposição. Ele não ganhou ali no bilhete.
O bilhete estava em branco, não deu certo. Mas a esperança continua viva.
Quero que vocês comecem a prestar atenção, porque o texto não vem do nada. Ele é composto por palavras,
pela relação entre elas, pela relação com o contexto, pelo discurso em si. E é assim que nós vamos fazer este
curso.
Nós vamos trabalhar a base, o fundamento, mas sempre lendo um texto, sempre trabalhando, para que vocês
possam, primeiro ter o hábito de leitura, nem que seja na aula, e segundo, aprofundar a análise.
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Classes de Palavras – Exercícios
INTRODUÇÃO
Agora vamos fazer exercícios sobre o conteúdo que estudamos, que é a parte da morfologia. Didaticamente, a
gramática divide o conteúdo desde o estudo da sílaba até o estudo da estrutura da sentença.
No estudo da sílaba, vimos sílaba tônica, sílaba átona. Por exemplo, “café” e “cipó” são oxítonas. Depois
estudamos a palavra e depois a frase, a sentença e, logo, o texto, que, na verdade, é o nosso material de análise,
na prova do concurso público.
Quando estudamos para concurso e, hoje em dia, nas escolas também, acabamos dividindo as disciplinas em
gramática e interpretação de texto, mas, obviamente, está tudo interligado. Fizemos algumas análises textuais e
falamos da importância da escolha da palavra para o reconhecimento de um tipo textual.
Nós vimos que, no tipo textual descritivo, que tem como objetivo criar por meio de palavras uma imagem, é
comum o uso abundante de adjetivos que qualificam/caracterizam o substantivo.
Nós começamos na fonologia, que a parte que estudamos os sons. Passamos para a morfologia, que a parte
da gramática que abrange o léxico, conjunto de palavras, e vai categorizando (é substantivo porque dá nome, é
adjetivo porque qualifica o nome e assim por diante).
No próximo módulo, nós vamos trabalhar sintaxe, que é o estudo da relação entre as palavras. Como estamos
focados na gramática, vamos direto para a questão. Não estou dizendo, para, no dia da sua prova, não ler o
texto. Na sua prova, o texto vai ser o ponto de partida. Você terá que analisar a intenção do autor, a tipologia
predominante. Você tem que ler o texto. Aqui, nós estamos fazendo exercícios de fixação da regra gramatical.
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QUESTÕES
Questão 1
(QUADRIX – Contador (CRC AC)/2022)
A máquina de fotografar mudou a história do humano. Na sequência, o cinema nos ensinou a ver o mundo de um
modo diferente. A televisão concentrou nosso olhar dentro da pequena tela doméstica, uma espécie de prisão
para os espíritos mais inquietos, um conforto visual para outros menos preocupados. O computador ajudou a
concentrar nossos corpos diante de uma tela com possibilidades infinitas, ou aparentemente infinitas. [...]
Finalmente, os telefones celulares concentraram todas essas possibilidades, facilitando a relação tanto com o
mundo visual quanto com o virtual, e, também por isso, passaram a valer como um órgão do corpo humano.
No contexto em que aparece, a palavra “olhar” é classificada como
a. verbo.
b. adjetivo.
c. advérbio de instrumento.
d. substantivo.
Questão 2
(QUADRIX – Professor de Educação básica (SEE DF)/Língua Portuguesa/2022/09.10.2022)
A linguagem humana é um daqueles temas que interessa a todas as pessoas e a todas as áreas do conhecimento.
Como seria diferente? Afinal, falamos uma ou mais línguas com tanta naturalidade e com tanta simplicidade que
seria surpreendente que o falante não tivesse razões para pensar e falar sobre algo que lhe é tão próximo. Talvez,
por isso, o saber a respeito da linguagem seja um dos mais antigos da humanidade.
Com relação aos aspectos linguísticos do texto, julgue o item a seguir.
( ) As formas “pensar” e “saber” foram substantivadas pelo processo de conversão.
Questão 3
(QUADRIX – Assistente Administrativo (CRECI 24 (RO)/2022)
No ano de 2020, os valores financiados apresentaram um aumento de 57,5% em comparação com o ano
anterior, de acordo com levantamento realizado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário
e Poupança (Abecip).
Quanto ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item.
( ) Os vocábulos “aumento”, “anterior” e “levantamento” são empregados no período, respectivamente, como
verbo, advérbio e substantivo.
Questão 4
(QUADRIX – Fiscal Biomédico (CRBM 3)/2022)
Em 2012, a bioquímica e bióloga molecular Jennifer Doudna e a microbiologista e imunologista Emmanuelle
Charpentier descobriram que esse sistema CRISPR-Cas é programável, ou seja, podemos entregar a ele a “foto”
de uma parte exata do DNA para que ela seja cortada.
Doudna e Charpentier também mostraram que, inserindo-se em uma célula o CRISPR-Cas com um novo material
genético, é possível não só recortar um pedaço de DNA indesejável, como também fornecer imediatamente um
pedaço para reparação. Isso significa que podemos literalmente trocar um gene que não nos interessa por outro
que queremos.
Em relação aos aspectos gramaticais e aos sentidos do texto, julgue o item.
( ) Tanto o vocábulo “programável” quanto o vocábulo “indesejável” pertencem à classe dos adjetivos.
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Questão 5
(QUADRIX - Assistente (CRC PR)/Administrativo/2022)
Mas, quando falo com estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os
“fatos”, mas, em geral, perderam o prazer do descobrimento, da vida que se oculta por trás desses fatos. Perderam
grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo. Ficam preocupados com a possibilidade de
fazer perguntas “estupidas”; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas;
a sala fica cheia de olhares de esguelha para verificar, a cada segundo, a aprovação de seus pares.
Acerca dos aspectos gramaticais e dos sentidos do texto apresentado, julgue o item.
( ) No período “Perderam grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo.”, o termo “muito” é
um advérbio que modifica o substantivo “ceticismo”, acrescentando a este vocábulo a ideia de intensidade.
Questão 6
(QUADRIX – Agente Administrativo (CRMV AP)/2021)
Duas novas táticas para o controle de enfermidades animais foram adotadas: a higiene e o controle sobre o
abate de animais. O controle sanitário incluía os locais de produção de animais e os matadouros, com o objetivo
de combater as doenças animais e, também, as enfermidades humanas que estavam associadas a alimentos de
origem animal. Essas ações forneceram, diretamente, a base para os primeiros esforços direcionados a saúde
pública.
No que concerne aos aspectos linguísticos do texto, julgue o item.
( ) Sem prejuízo para a correção gramatical, na linha 2, a expressão “sobre o” pode ser substituída pelo
vocábulo do.
Questão 7
(QUADRIX – Médico Fiscal (CREMESE)/2021)
Toda a historiografia ocidental parte da primeira viagem do navegador Cristóvão Colombo entre o porto de
Palos, na regido da Andaluzia, na Espanha, e a “Isla de Guanahaní” (atual Bahamas), onde sua frota desembarcou
na manhã do dia 12 de outubro de 1492, para contar sobre o primeiro encontro entre aqueles que já habitavam as
ilhas do Caribe e exploradores vindos de outras partes do planeta.
Acerca dos aspectos linguísticos do texto, julgue o item a seguir.
( ) ( ) Devido à variada regência do substantivo “encontro”, a substituição da preposição “entre” pela
preposição com manteria os sentidos originais e a correção gramatical do texto.
Questão 8
(QUADRIX – Auxiliar Administrativo (CREA TO)/2019)
Os chamados microplásticos vêm gerando preocupações na comunidade científica, em parte porque pouco se
sabe acerca dos possíveis impactos na saúde humana.
No que se refere aos aspectos linguísticos e gramaticais do texto, julgue o item.
( ) Na linha 2, “humana” exerce a função de substantivo e, quanto ao gênero e ao número, está no feminino e
no singular.
Questão 9
(QUADRIX – Advogado (CRO GO)/2021)
No Brasil, a odontologia é considerada uma profissão autônoma e desvinculada da medicina. Isso não significa
que a atuação do dentista seja menos complexa que a de um médico. É por isso que o presidente do Conselho
Regional de Medicina do estado de Goiás defende a transformação da odontologia em uma especialidade da
medicina, visto que, assim como o médico, o cirurgião-dentista faz diagnóstico de doenças, prescrição terapêutica
e tratamentos, enquadrando-se, portanto, na caracterização do exercício profissional da medicina.
Aliás, o curso de odontologia só foi separado da medicina, no Brasil, em 1911, e deve-se considerar que Hipócrates,
ao construir os primeiros pilares da medicina científica, tratava também dos aspectos odontológicos, em seus
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estudos.
Para se ter uma ideia da complexidade da atuação do profissional de odontologia, alguns males, como o câncer
de boca, podem ser identificados em uma cadeira de dentista. No caso dessa doença, o diagnóstico precoce
pode aumentar a chance de cura em 80%. são inúmeras as patologias que se relacionam com a saúde bucal,
manifestando-se por sinais identificáveis pelo profissional de odontologia, dentre elas sífilis, leucemia, anemia,
bulimia, diabetes, cirrose hepática e doenças autoimunes.
Com relação ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item.
( ) Tanto na linha 6 quanto na linha 10 do texto, a palavra “profissional” está empregada como substantivo.
Questão 10
(QUADRIX – Professor de Educação Básica (SEE DF)/Atividades/2022/09.10.2022)
Nesse sentido, o professor deverá desafiar seus estudantes e problematizar situações para que, de forma
inovadora e criativa, encontrem soluções diferenciadas, superando “respostas prontas” e verdades absolutas.
Segundo José Manuel Moran, em seu livro Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica, “o mundo do trabalho
indica que as organizações buscarão indivíduos talentosos, criativos, que saibam projetar, analisar e produzir
conhecimentos”, e o professor precisa estar atento a essa realidade.
A respeito dos aspectos linguísticos do texto, julgue o item a seguir.
( ) O termo “atento” é empregado como advérbio de modo e modifica o sentido do verbo “estar”.
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QUESTÕES COMENTADAS
Questão 1
(QUADRIX – Contador (CRC AC)/2022)
A máquina de fotografar mudou a história do humano. Na sequência, o cinema nos ensinou a ver o mundo de um
modo diferente. A televisão concentrou nosso olhar dentro da pequena tela doméstica, uma espécie de prisão
para os espíritos mais inquietos, um conforto visual para outros menos preocupados. O computador ajudou a
concentrar nossos corpos diante de uma tela com possibilidades infinitas, ou aparentemente infinitas. [...]
Finalmente, os telefones celulares concentraram todas essas possibilidades, facilitando a relação tanto com o
mundo visual quanto com o virtual, e, também por isso, passaram a valer como um órgão do corpo humano.
No contexto em que aparece, a palavra “olhar” é classificada como
a. verbo.
b. adjetivo.
c. advérbio de instrumento.
d. substantivo.
Comentários: A resposta correta é a letra “d”. A palavra “olhar” pode ser verbo, mas, nesse contexto, é um
substantivo. Não tem artigo, mas o pronome “nosso” faz que essa palavra seja considerada substantivo. Agora,
se eu dissesse “ele pediu para eu olhar a criança”, seria verbo.
Questão 2
(QUADRIX – Professor de Educação básica (SEE DF)/Língua Portuguesa/2022/09.10.2022)
A linguagem humana é um daqueles temas que interessa a todas as pessoas e a todas as áreas do conhecimento.
Como seria diferente? Afinal, falamos uma ou mais línguas com tanta naturalidade e com tanta simplicidade que
seria surpreendente que o falante não tivesse razões para pensar e falar sobre algo que lhe é tão próximo. Talvez,
por isso, o saber a respeito da linguagem seja um dos mais antigos da humanidade.
Com relação aos aspectos linguísticos do texto, julgue o item a seguir.
( ) As formas “pensar” e “saber” foram substantivadas pelo processo de conversão.
Comentários: Errado. O verbo “pensar” não foi substantivado. “Pensar” continua sendo verbo. “Saber” é um
verbo no infinitivo, mas, quando coloco um artigo, “saber” vira substantivo, foi substantivado. Quanto ao
processo de formação de palavras, ao substantivar “saber”, nada foi alterado. No português, é uma derivação
imprópria, porque não é uma derivação verdadeira.
Questão 3
(QUADRIX – Assistente Administrativo (CRECI 24 (RO)/2022)
No ano de 2020, os valores financiados apresentaram um aumento de 57,5% em comparação com o ano
anterior, de acordo com levantamento realizado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário
e Poupança (Abecip).
Quanto ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item.
( ) Os vocábulos “aumento”, “anterior” e “levantamento” são empregados no período, respectivamente, como
verbo, advérbio e substantivo.
Comentários: Errado. Aumento é substantivo. Anterior qualifica “ano” é adjetivo. “Levantamento” é substantivo.
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Questão 4
(QUADRIX – Fiscal Biomédico (CRBM 3)/2022)
Em 2012, a bioquímica e bióloga molecular Jennifer Doudna e a microbiologista e imunologista Emmanuelle
Charpentier descobriram que esse sistema CRISPR-Cas é programável, ou seja, podemos entregar a ele a “foto”
de uma parte exata do DNA para que ela seja cortada.
Doudna e Charpentier também mostraram que, inserindo-se em uma célula o CRISPR-Cas com um novo material
genético, é possível não só recortar um pedaço de DNA indesejável, como também fornecer imediatamente um
pedaço para reparação. Isso significa que podemos literalmente trocar um gene que não nos interessa por outro
que queremos.
Em relação aos aspectos gramaticais e aos sentidos do texto, julgue o item.
( ) Tanto o vocábulo “programável” quanto o vocábulo “indesejável” pertencem à classe dos adjetivos.
Comentários: Certo. Os dois possuem terminação de adjetivo. Se fosse “esses sistemas” seria “são
programáveis”, isto é, varia. Com “indesejável”, também iria variar. Os dois são adjetivos.
Questão 5
(QUADRIX - Assistente (CRC PR)/Administrativo/2022)
Mas, quando falo com estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os
“fatos”, mas, em geral, perderam o prazer do descobrimento, da vida que se oculta por trás desses fatos. Perderam
grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo. Ficam preocupados com a possibilidade de
fazer perguntas “estupidas”; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas;
a sala fica cheia de olhares de esguelha para verificar, a cada segundo, a aprovação de seus pares.
Acerca dos aspectos gramaticais e dos sentidos do texto apresentado, julgue o item.
( ) No período “Perderam grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo.”, o termo “muito” é
um advérbio que modifica o substantivo “ceticismo”, acrescentando a este vocábulo a ideia de intensidade.
Comentários: Errado. Advérbio não intensifica substantivo. Como regra, o advérbio se liga ao verbo para indicar
em que circunstância a ação aconteceu, ao adjetivo ou a outro advérbio. “Muito” está ligado a “pouco”. É um
advérbio, mas não está ligado a “ceticismo”.
Questão 6
(QUADRIX – Agente Administrativo (CRMV AP)/2021)
Duas novas táticas para o controle de enfermidades animais foram adotadas: a higiene e o controle sobre
o abate de animais. O controle sanitário incluía os locais de produção de animais e os matadouros, com o
objetivo de combater as doenças animais e, também, as enfermidades humanas que estavam associadas
a alimentos de origem animal. Essas ações forneceram, diretamente, a base para os primeiros esforços
direcionados a saúde pública.
No que concerne aos aspectos linguísticos do texto, julgue o item.
( ) Sem prejuízo para a correção gramatical, na linha 2, a expressão “sobre o” pode ser substituída pelo
vocábulo do.
Comentários: Certo. Não há prejuízo gramatical. Posso fazer o controle sobre algo ou de algo. Nesse contexto,
as preposições são intercambiáveis, é possível trocá-las.
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Questão 7
(QUADRIX – Médico Fiscal (CREMESE)/2021)
Toda a historiografia ocidental parte da primeira viagem do navegador Cristóvão Colombo entre o porto de
Palos, na regido da Andaluzia, na Espanha, e a “Isla de Guanahaní” (atual Bahamas), onde sua frota desembarcou
na manhã do dia 12 de outubro de 1492, para contar sobre o primeiro encontro entre aqueles que já habitavam as
ilhas do Caribe e exploradores vindos de outras partes do planeta.
Acerca dos aspectos linguísticos do texto, julgue o item a seguir.
( ) Devido à variada regência do substantivo “encontro”, a substituição da preposição “entre” pela preposição
com manteria os sentidos originais e a correção gramatical do texto.
Comentários: Errado. O item aborda sentido e correção. “Encontro entre” é no meio deles. “Encontro com” é um
encontrar com outro. Existe uma relação que não traz a ideia de estar no meio. Há alteração semântica.
Questão 8
(QUADRIX – Auxiliar Administrativo (CREA TO)/2019)
Os chamados microplásticos vêm gerando preocupações na comunidade científica, em parte porque pouco se
sabe acerca dos possíveis impactos na saúde humana.
No que se refere aos aspectos linguísticos e gramaticais do texto, julgue o item.
( ) Na linha 2, “humana” exerce a função de substantivo e, quanto ao gênero e ao número, está no feminino e
no singular.
Comentários: Errado. O substantivo é “saúde”. Saúde poderia ser “do homem”, “do animal”, “da mulher”. De fato,
está no feminino e no singular porque concorda com o substantivo ao qual se refere, mas “humana” caracteriza
“saúde”, é um adjetivo.
Questão 9
(QUADRIX – Advogado (CRO GO)/2021)
No Brasil, a odontologia é considerada uma profissão autônoma e desvinculada da medicina. Isso não significa
que a atuação do dentista seja menos complexa que a de um médico. É por isso que o presidente do Conselho
Regional de Medicina do estado de Goiás defende a transformação da odontologia em uma especialidade da
medicina, visto que, assim como o médico, o cirurgião-dentista faz diagnóstico de doenças, prescrição terapêutica
e tratamentos, enquadrando-se, portanto, na caracterização do exercício profissional da medicina.
Aliás, o curso de odontologia só foi separado da medicina, no Brasil, em 1911, e deve-se considerar que
Hipócrates, ao construir os primeiros pilares da medicina científica, tratava também dos aspectos odontológicos,
em seus estudos.
Para se ter uma ideia da complexidade da atuação do profissional de odontologia, alguns males, como o câncer
de boca, podem ser identificados em uma cadeira de dentista. No caso dessa doença, o diagnóstico precoce
pode aumentar a chance de cura em 80%. são inúmeras as patologias que se relacionam com a saúde bucal,
manifestando-se por sinais identificáveis pelo profissional de odontologia, dentre elas sífilis, leucemia, anemia,
bulimia, diabetes, cirrose hepática e doenças autoimunes.
Com relação ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item.
( ) Tanto na linha 6 quanto na linha 10 do texto, a palavra “profissional” está empregada como substantivo.
Comentários: Errado. Na primeira ocorrência, é o “exercício profissional”, poderia ser exercício físico, exercício
mental. Então é um adjetivo. Na segunda ocorrência é substantivo. Há o artigo “o” em “do profissional”.
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Questão 10
(QUADRIX – Professor de Educação Básica (SEE DF)/Atividades/2022/09.10.2022)
Nesse sentido, o professor deverá desafiar seus estudantes e problematizar situações para que, de forma
inovadora e criativa, encontrem soluções diferenciadas, superando “respostas prontas” e verdades absolutas.
Segundo José Manuel Moran, em seu livro Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica, “o mundo do trabalho
indica que as organizações buscarão indivíduos talentosos, criativos, que saibam projetar, analisar e produzir
conhecimentos”, e o professor precisa estar atento a essa realidade.
A respeito dos aspectos linguísticos do texto, julgue o item a seguir.
( ) O termo “atento” é empregado como advérbio de modo e modifica o sentido do verbo “estar”.
Comentários: Errado. É muito comum confundirmos advérbio e adjetivo. Se fosse no feminino, ficaria “a
professora precisa estar atenta”. A palavra variou conforme o substantivo “professora”. Não é um advérbio, é
um adjetivo e concorda com o substantivo. O advérbio é invariável.
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