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Conflito e Empatia no Treino do BTS

Yoon-Seul, uma funcionária temporária do BTS, se sente deslocada e sufocada durante os treinos, especialmente ao registrar anotações excessivas. Após adormecer no ombro de Jungkook, ela é repreendida por um coordenador por proximidade excessiva, mas Jungkook defende sua inocência. O incidente levanta preocupações sobre a conduta do coordenador, levando Jungkook e os membros do BTS a decidirem investigar a situação mais a fundo.
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Conflito e Empatia no Treino do BTS

Yoon-Seul, uma funcionária temporária do BTS, se sente deslocada e sufocada durante os treinos, especialmente ao registrar anotações excessivas. Após adormecer no ombro de Jungkook, ela é repreendida por um coordenador por proximidade excessiva, mas Jungkook defende sua inocência. O incidente levanta preocupações sobre a conduta do coordenador, levando Jungkook e os membros do BTS a decidirem investigar a situação mais a fundo.
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Yoon-Seul ainda se sentia ligeiramente deslocada naquele ambiente amplo demais, espelhado

demais, vivo demais, sufocante demais. Em período avaliativo, cada gesto parecia carregar
um peso que não lhe pertencia por inteiro. Como staff temporária do BTS, ela se mantinha
em constante movimento: ajudava em carregar c ‘

As anotações, contudo, eram o que mais a incomodava. Registrar cada repetição, cada pausa,
cada correção feita pelo coreógrafo lhe soava excessivo, quase invasivo. Havia algo de
sufocante naquela exigência de vigiar até o cansaço alheio, como se o trabalho pedisse não só
atenção, mas uma espécie de vigília constante. O lápis deslizava preguiçoso pelo papel, as
letras iam perdendo firmeza, e o corpo, exausto de permanecer imóvel enquanto tudo ao redor
pulsava, começou a ceder.

Quando o silêncio breve se instalou dentro dela, Seul já dormia.

O treino seguiu. Os passos ecoavam no chão, as respirações se sobrepunham à música,


risadas curtas surgiam entre um erro e outro. Ninguém percebeu a figura encolhida no banco,
a cabeça levemente pendida para o lado, a prancheta quase escorregando dos dedos. Só
quando a música cessou de vez e os membros se espalharam pela sala, conversando alto,
brincando, jogando-se no chão ou indo direto às mochilas, é que os olhares começaram a
notar a quietude fora de lugar.

Ninguém comentou. Houve apenas trocas de olhares, um sorriso discreto aqui, uma
sobrancelha erguida ali. Aos poucos, todos saíram. Apenas Jungkook ficou.

Ele se aproximou sem fazer ruído, como se o sono fosse algo frágil demais
para ser interrompido. Sentou ao lado dela, ainda com o corpo quente do
treino, e acabou inclinando a cabeça sobre o ombro de Seul quase por
reflexo, distraído, os dedos já deslizando pela tela do celular. Era um
gesto automático, herdado de anos dividindo espaços, ombros e silêncios
com os hyungs. O mundo pareceu desacelerar ali.

O tempo passou sem pressa. A respiração dele se tornou mais profunda, o


celular escorregou para a mão frouxa, e, sem perceber, Jungkook
envolveu a cintura de Seul com um braço, a mão descansando ali como se
aquele fosse o lugar natural dela. O peso era leve, mas firme o suficiente
para mantê-los presos um ao outro.

Quando Seul despertou, levou alguns segundos para compreender a


situação. O calor ao seu lado, o braço que a segurava, a respiração
tranquila contra o próprio corpo. Ela olhou primeiro para as anotações,
confusa, e então viu o post-it colado de maneira quase displicente na
folha.

“essas anotações não são obrigatórias, faça de vez em quando.

Ass: R.M”

O alívio veio como um suspiro longo, quase trêmulo. Os ombros


relaxaram, e ela sentiu uma gratidão silenciosa que não precisava de
palavras. Com cuidado, tentou se mover, afastar-se devagar para não
acordar Jungkook. O braço dele se apertou instintivamente, a mão
firmando a cintura.

Ela tentou outra vez, um pouco mais decidida. O aperto se repetiu.

Na terceira tentativa, Seul entendeu. Não sairia dali tão cedo.

Foi então que o peso de um olhar a atravessou. O coordenador dos staffs


estava parado a poucos metros, braços cruzados, expressão dura. A
presença dele era suficiente para cortar o ar.

— Yoon-Seul — disse, num tom baixo, porém ríspido. — Preciso falar com
você.
Ela assentiu, sentindo o estômago se contrair. Não pareceu se importar
com Jungkook ainda apoiado nela, e talvez isso tenha sido o que mais
irritou o homem.

— Você é nova aqui — continuou ele. — Esse tipo de cena não é


apropriado. Aproximação excessiva com idols não é tolerada. Se isso
acontecer mais duas vezes, você é automaticamente cortada.

Jungkook havia despertado no instante em que o coordenador entrou,


mas permaneceu imóvel, os olhos fechados, ouvindo cada palavra. O
silêncio durou apenas até o limite de sua paciência. Ele ergueu a cabeça
do ombro de Seul e falou, a voz ainda rouca de sono, porém firme.

— Quem se aproximou fui eu.

O coordenador o encarou, surpreso.

— Eu me aproximei, eu abracei, eu não deixei ela sair — Jungkook


continuou, o braço ainda em torno da cintura dela. — Não é culpa dela. Eu
só dormi um pouco no ombro de alguém. Não tem nada de errado nisso.

— Você mal conhece essa staff — retrucou o coordenador. — Como pode


ser tão permissivo?

Jungkook endireitou a postura, o olhar agora desperto por completo.

— Isso é um problema meu, não seu.


O silêncio que se seguiu foi pesado. O coordenador não respondeu.
Apenas virou-se e saiu da sala de prática, passos duros, como se a
conversa tivesse sido encerrada à força.

Jungkook soltou Seul imediatamente, como se só então percebesse o


quanto a havia prendido.

— Desculpa — murmurou, sincero.

Ela balançou a cabeça, um sorriso pequeno, cansado.

— Não precisa. Já está na minha hora também.

Se despediram com um aceno breve, quase tímido. Seul pegou suas


coisas e saiu da sala, tentando manter a postura neutra que aprendera a
usar desde o primeiro dia.

O coordenador a aguardava do lado de fora.

— Isso vai constar na sua avaliação — disse, sem rodeios. — Uma marca
vermelha. E deixe claro: enquanto estiver trabalhando, mantenha
distância. Mesmo dos membros. Especialmente deles. Não volte a chegar
tão perto como chegou de Jungkook.

Seul assentiu, a expressão contida, os dedos apertando a alça da bolsa


com força suficiente para denunciar o que ela não disse. Caminhou pelo
corredor em silêncio, o coração pesado, mas a consciência curiosamente
tranquila. Sabia exatamente onde havia errado. E, sobretudo, onde não
havia.
Seul seguiu seu caminho em silêncio, atravessando os corredores amplos
da HYBE como quem já conhecia cada curva, mas ainda não se sentia
parte de nada. Passou o crachá, bateu o ponto com um gesto mecânico e,
ao empurrar a porta de vidro, sentiu o ar fresco da noite tocar o rosto.
Havia algo de quase reconfortante naquele contraste. O prédio ficou para
trás, imponente e indiferente, enquanto ela caminhava rumo ao metrô
com passos contidos, a mente curiosamente vazia. O trajeto até em casa
foi calmo, sem tumultos, sem pensamentos insistentes. Apenas o corpo
cansado pedindo descanso e uma sensação agridoce de alívio por estar
longe dali, ao menos por algumas horas.

Jungkook saiu da sala de prática alguns minutos depois. Tinha ouvido


tudo. Cada palavra dita do lado de fora, cada tom seco, cada ameaça
velada. Aquilo não lhe saía da cabeça enquanto seguia para a garagem da
empresa, o som dos próprios passos ecoando mais alto do que deveria.
Entrou no carro decidido a ir direto para o dormitório. Precisava falar com
os hyungs. Ele não costumava se envolver em questões administrativas,
muito menos entender as regras internas dos staffs, mas algo naquela
situação parecia deslocado demais para ser ignorado.

O prédio dos dormitórios o recebeu com a quietude habitual. Subiu até o


andar do grupo, tirou os sapatos na entrada e entrou, sendo recebido por
vozes conhecidas e um clima descontraído que contrastava com o peso
em seu peito.

— Cheguei — avisou, passando a mão pelos cabelos ainda levemente


úmidos de suor.

— Finalmente — disse Jin, jogado no sofá. — Demorou hoje.

Jungkook respirou fundo antes de começar.

— Preciso contar uma coisa.


O tom sério foi suficiente para chamar a atenção de todos. Namjoon
fechou o notebook, Yoongi ergueu o olhar do celular, J-hope parou no
meio do caminho com um copo na mão.

Jungkook explicou tudo, do início ao fim. Falou do treino, de Seul


adormecida, do coordenador entrando na sala, da conversa do lado de
fora e, por fim, da ameaça direta sobre o ponto vermelho na avaliação e a
possibilidade de corte. Enquanto ele falava, as expressões iam mudando,
uma a uma.

— Isso não é comum — disse Namjoon, pensativo, apoiando os cotovelos


nos joelhos. — Repreensão por proximidade exagerada existe, sim.
Principalmente com staff nova. Mas limite de três erros e corte
automático, ainda mais com ponto vermelho na avaliação, não. Isso é
raro. Muito raro.

— E quando acontece, costuma vir da gerência, não de um coordenador


isolado — completou Yoongi, em tom baixo.

J-hope franziu o cenho, claramente incomodado.

— Além do mais, tem staff aqui que vive perto da gente, em avaliação ou
não. Já vi coisa bem mais exagerada do que dormir no ombro de alguém.
E nunca deu nisso.

Jin inclinou a cabeça, os braços cruzados.

— Existe uma possibilidade — disse, devagar. — Talvez o Jae-woon esteja


pegando no pé da Yoon-Seul.
— Também pensei nisso — respondeu Jungkook. — Mas não sei por quê.

Jimin assentiu, lembrando de situações anteriores.

— O Jae-woon já implicou com outros staffs antes, sim. Mas nunca desse
jeito. Normalmente ele chama atenção, dá aviso verbal, no máximo muda
a escala. Isso aí foi pesado demais.

Taehyung, que até então apenas ouvia, falou com a testa levemente
franzida.

— A pergunta é outra — disse, olhando para Jungkook. — Ele está


pegando no pé dela… ou ele simplesmente não gosta da Yoon-Seul?

O silêncio que se seguiu foi denso. Jungkook não respondeu de imediato.


Passou a mão pela nuca, inquieto.

— Não sei — admitiu. — Mas sei que não foi justo.

Namjoon suspirou fundo, já com o semblante de quem começava a traçar


possibilidades.

— Vou observar isso mais de perto — disse. — Se tiver algo errado, a


gente descobre.

Jungkook assentiu, sentindo um pouco do peso se dissipar. Ainda havia


preocupação, ainda havia incômodo, mas agora ele sabia que não estava
exagerando. Algo, de fato, não se encaixava.

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