DIÁRIO DE
BROGAR MÃOS-DE-CANA
ATO 1
Partimos de Kassen com a missão de buscar a tal Chama Eterna. O grupo era variado:
Katarina, uma guerreira firme no braço e no olhar; Kethrin, uma druida meio-elfa calada,
mais conectada à natureza que à conversa; Eivor, um bardo humano cheio de pose e
palavras; Cåhzähdøhr, um ladino elfo tão furtivo quanto difícil de pronunciar; e Brock
Lesnar, um meio-orc baixinho, com problemas de auto-estima. E eu, Brogar, o último a
sair da taverna, mas o primeiro a levantar quando é hora de bater ou rezar — não
necessariamente nessa ordem.
Algumas horas estrada afora e fomos surpreendidos por um grupo de orcs. A luta
começou intensa, mas logo percebemos que não passava de uma ilusão. Um truque sujo
de um mago maluco que vive por aquelas bandas. Ele riu da nossa reação — e saiu
voando com tanta cerimônia quanto chegou. Pegadinha desgraçada.
A noite caiu e com ela vieram os lobos. Famintos. Cinco deles, se bem contei no escuro.
Acordamos ao som dos estalos e rosnados e a luta foi direta, rápida, sangrenta.
Sobrevivemos, mas não foi sem arranhões. Dormir na estrada tem dessas.
Na manhã seguinte seguimos viagem e demos de cara com um lago. Às margens, o corpo
de um homem morto — talvez um viajante, talvez um idiota. Kethrin analisou os
ferimentos e concluiu que uma cobra gigante do lago havia matado o infeliz.
Vasculhamos seus pertences e encontramos algumas moedas de ouro. Próximo dali, um
acampamento abandonado, provavelmente do mesmo homem. Peguei a tenda dele.
Melhor que dormir ao relento.
Mais adiante, nos aproximamos de um desfiladeiro. O clima azedou: Eivor confrontou
Cåhzähdøhr por um mapa que o elfo havia dado para Kethrin sem avisar. Não sei os
detalhes, só sei que voaram acusações e o silêncio reinou depois. Gente que se apega
demais a papel acaba esquecendo de quem tá do lado. Bom, seguimos mesmo assim.
Descemos o desfiladeiro meio desajeitados. Rolei morro abaixo e me esfolei feio — perdi
o equilíbrio, mas não a dignidade. Ou talvez as duas.
Lá embaixo, perto da entrada da cripta, usei meu dom e detectei magia. Algo está ali,
escondido nas sombras, e tem cheiro de osso antigo e maldição. Esqueletos, talvez. Ou
pior.
Decidimos acampar a uma distância segura. Amanhã, entraremos na cripta. Hoje, bebo.
Amanhã também.
ATO 2
Ao amanhecer, nos reunimos em frente à entrada da cripta. O ladino — de nome
impronunciável — assumiu a dianteira e destravou a porta de pedra. Dentro, uma sala
ampla com quatro pilares nos aguardava, e sobre o chão jaziam mochilas largadas junto
a esqueletos inertes. Curioso ou ganancioso, o ladino se aproximou para vasculhar… e
foi então que os ossos começaram a ranger.
Cinco esqueletos se ergueram com um estalo seco, mas estávamos prontos. Atacamos
ainda enquanto se reanimavam: acertei um deles com uma martelada sagrada que o fez
virar pó; a guerreira partiu outro ao meio com um só golpe; o ladino alvejou outro com
uma flecha precisa, mesmo à distância. O barbaro, pequeno mas enfurecido, destroçou
um deles com um ataque brutal. Dois esqueletos restantes me atacaram diretamente
— sofri dois ferimentos leves, mas finalizei o último dos cinco com mais uma martelada
firme.
A batalha vencida, avançamos para uma sala à direita. No centro, uma estátua de mulher
sem cabeça (quebrada) segurava o corpo de um homem — a cabeça da própria estátua
caída ao lado. À frente dela, uma piscina com cerca de 3x4 metros e 12 metros de
profundidade parecia esconder o próximo desafio. Um sussurro ecoou pelo ambiente:
“A magia está na chave. A chave está na magia.”
No fundo escuro da água, dezenas — talvez centenas — de chaves repousavam. Usei
meu Detectar Magia e localizei qual delas era a correta. Faltava alcançá-la.
O bárbaro Brock improvisou uma vara de pesca e me incumbiu da pescaria. A druida
lançou um feitiço de luz no anzol, mas pescar não é exatamente meu ofício. Fracassei.
O bardo se gabava de ser bom nadador, mas reclamava de frio e não se movia. Já enchi
o saco — lancei “Comando” sobre ele com um grito firme:
“Mergulha.”
Ele mergulhou, e falhou — só se molhou.
Então Brock, mostrando coragem digna dos salões de pedra, desceu até o fundo, pegou
um punhado de chaves e voltou à tona. Com minha orientação, escolhemos a certa.
Voltamos à sala principal e tomamos a porta da esquerda. O ladino foi na frente
novamente e acabou ativando uma armadilha de flechas. Ficou preso no corredor até
que abri a porta e ele conseguiu escapar. A armadilha seguiu ativa por cerca de um
minuto, disparando uma saraivada constante. Quando voltamos, a sala redonda estava
coberta de flechas no chão.
Exploramos as portas laterais dessa sala até encontrar uma onde runas vermelhas
cobriam as paredes. Ossos com aspecto sanguinolento estavam desmontados no chão.
Reconheci resquícios de energia necromântica — e logo eles começaram a se montar.
A druida, com reflexo rápido, conjurou raízes espessas no chão, prendendo dois dos
quatro esqueletos. Um avançou e acertou o ladino com força. Reagi no instinto, canalizei
energia divina, curando nosso companheiro e queimando os mortos-vivos com a luz de
minha fé.
Os dois esqueletos imobilizados foram destruídos por ataques à distância: o ladino e o
bárbaro os perfuraram com flechas certeiras. Outro foi destruido pela guerreira
armadurada Katarina. O último, o que atacou o ladino, foi aniquilado pelo urso da
druida, que avançou em fúria.
Reunimos os restos e os lançamos no fosso da sala da armadilha. Por fim, ao abrir a
última porta acessível, deparamo-nos com um homem chorando no chão, em meio à
escuridão.
ATO 3
A cripta parecia mais fria naquele dia — e não era só por causa do clima. Foi também o
dia em que dois companheiros nos deixaram. Kethrin, a druida da floresta, e
Cåhzähdøhr, o ladino de nome infernal, decidiram retornar para Kassen. Compromissos
do mundo real, disseram. Que os deuses os guiem... e que não bebam toda a cerveja da
taverna sem mim.
Seguimos sem eles. Abrimos uma porta e encontramos um aventureiro encurralado,
desesperado, quase fora de si. Acalmamos o rapaz com palavras firmes e vinho mais
firme ainda. Foi então que ele revelou a verdade:
Toda essa aventura era uma farsa.
Uma tradição da vila, uma provação simbólica para jovens — com armadilhas falsas,
perigos contidos... Tudo deveria ser fácil. Mas algo havia dado errado. Os mortos
estavam se levantando de verdade. E a irmã do rapaz, outra participante dessa
encenação, havia sumido.
Aceitamos ajudá-lo. A vida é cheia de dores, e ninguém deve carregá-las sozinho.
Acampamos ali mesmo, na sala onde ele se escondia. Descansei, recitei umas orações,
ungi meu martelo com cerveja (ritual sagrado, não julgue).
Ao despertar e sair do descanso, a primeira sala que abrimos continha um besouro
gigante, do tamanho de um carneiro gordo. A criatura chiou e avançou, mas foi
rapidamente esmagada por nossos golpes combinados. Uma criatura estranha para uma
cripta — talvez também parte da encenação original?
Seguimos adiante. Logo adentramos uma nova sala. No centro, uma pira de fogo viva,
lambendo o ar com fumaça espessa. No meio das chamas, pude distinguir uma chave
reluzente e uma adaga mágica.
Como o caminho de volta para a piscina parecia mais promissor, decidimos contornar
pela sala central... mas estava trancada por fora. Só restava passar por uma sala lateral.
E foi aí que começou o sofrimento.
Ao entrar, o chão cedeu sob meus pés. Caí num buraco, forrado por uma almofada —
uma daquelas “armadilhas seguras” da encenação original. Mesmo assim, me
machuquei. Não sou exatamente leve. Meus companheiros me ajudaram a sair.
Continuei com cuidado… e quase caí de novo. No terceiro buraco, mesmo cauteloso, fui
ao chão mais uma vez.
Com muitos xingamentos e arranhões, atravessei a sala.
Brock Lesnar, nosso bárbaro musculoso de coração frágil, achou um barril e decidiu
encher de água. Foi até a sala da entrada para buscar. Mas o destino é cruel e tem senso
de humor: um rato apareceu. O pavor nos olhos daquele meio-orc... parecia que tinha
visto um demônio. Saiu correndo em desespero, gritando como criança assustada. Eivor,
nosso bardo debochado, foi atrás dele, tanto pra ajudar quanto pra tirar sarro —
principalmente pra tirar sarro.
Com água em mãos, voltamos à sala da pira. Apagamos as chamas com esforço e, no
instante em que o fogo se extinguiu, quatro sombras se ergueram do chão.
Nossos ataques passavam por elas como se fossem fumaça. Nada funcionava. Até que
peguei a adaga mágica. Essa funcionou. Cortei uma das criaturas, que dissipou-se com
um grito abafado. Brock, ainda tremendo de medo por causa do rato, usou uma tocha
— e também funcionou! Fogo e aço encantado eram o caminho.
Um a um, derrubamos as sombras.
Mais uma noite na cripta, mais uma taça erguida aos deuses. A irmã do rapaz ainda está
desaparecida, e algo muito errado acontece nesse lugar que deveria ser só uma
encenação.
Mas Brogar está aqui. E enquanto o martelo pesar, os mortos não descansarão em paz.
ATO 4
Descemos ao andar inferior da cripta, e eu já estava de mau humor. Meu vinho havia
acabado. Repito: meu vinho acabou. Os mortos que se cuidem.
Logo de cara, atravessamos por uma das escadas e encontramos uma sala cheia de
túmulos, com alguns corpos repousando em paz e quatro outros largados pelo chão,
aparentemente recentes. Paz demais sempre me dá desconfiança. Nos aproximamos...
e os malditos começaram a se levantar.
Zumbis.
Katarina avançou com a espada em riste e golpeou o primeiro. Eu fui ao centro da sala,
ergui meu martelo sagrado e canalizei energia divina, atingindo todos de uma vez só. O
zumbi ferido por Katarina foi finalizado por Eivor, nosso bardo, com um disparo de besta.
Mas ao morrer... o maldito explodiu em uma gosma tóxica.
Ótimo. Como se não bastasse estarem mortos, ainda são nojentos.
Brock entrou em fúria e esmagou outro zumbi. Katarina cortou mais um. Todos
explodiram — mas resistimos bravamente à gosma. Fedorento, sim. Mortal, não.
Vasculhando os corpos, encontramos um mapa completo da cripta, tanto do andar
superior quanto do andar inferior. Descobrimos que os zumbis eram, na verdade, os
parceiros do aventureiro que montava as armadilhas falsas. A irmã dele ainda estava
desaparecida.
Segundo o mapa, a próxima sala parecia promissora. Entramos e nos deparamos com
um espelho d’água no centro. Eivor, sedento, foi o primeiro a se aproximar para beber...
e saiu correndo, assustado:
“A água quer nos matar!”
Ora bolas. Água assassina agora? Ativei minha detecção mágica e confirmei: águas
amaldiçoadas, cheias de encantamento ilusório para enganar os incautos.
Tive então uma ideia brilhante (sim, acontece): passei de costas, olhos fechados, e
consegui cruzar a sala. Do outro lado, vi uma porta de metal gigante, impossível de abrir
à força. Meus companheiros mencionaram um bilhete encontrado com os zumbis,
falando sobre uma roda que poderia abrir esse portão. Nos localizamos no mapa e
seguimos.
Para chegar até lá, tínhamos dois caminhos possíveis. Escolhemos o primeiro. Conforme
avançávamos pelo corredor, a água subia — 30cm, fria e desconfortável. Ao entrar na
sala... fomos eletrocutados. Um choque violento, danos pesados. Recuamos,
atordoados, e identificamos a causa: musgos brilhantes que reagiam com a água em
movimento.
Usei todas as minhas magias de cura para nos recuperar. Até o último fio de bênção
divina foi gasto naquele momento.
Seguimos pela sala à esquerda. Também inundada. Brock, com sede de vingança (e
talvez ainda traumatizado pelo rato da última sessão), destruiu a porta podre com uma
só machadada. A sala estava escura, úmida... e um sapo gigante repousava sobre um
túmulo.
Katarina, nossa espadachim destemida, entrou em pânico. Medo de sapos. Quem diria?
Entrei com Brock pela lateral da sala, tentando investigar sem provocar. Foi então que
notei mais um sapo no teto. Cautelosos, seguimos... até que algo mordeu meu pé
submerso e tentou me puxar. Aguentei firme, mas machucou meu calcanhar. Era outro
sapo gigante, e estava faminto.
Gritei por ajuda. Katarina e Eivor vieram correndo. Iniciamos o combate.
Inspirados pelo bardo, Katarina matou dois dos sapos, Brock esmagou outro, e eu... fui
agarrado pela língua de um deles, mas respondi com marteladas divinas. Ao vencermos,
encontramos um corpo boiando no canto. Brock investigou e achou um anel mágico de
natação. Testou ali mesmo, dando voltas animado na água. Hilário.
Com o caminho livre, seguimos até a sala da roda de engrenagem. Mas claro, a cripta
ainda não tinha terminado sua graça: mais esqueletos se levantaram. Foram recebidos
com marteladas, machadadas e espadadas. Sem cerimônia.
Tentei girar a engrenagem sozinho, mas era pesada demais. Brock veio ajudar, e juntos
conseguimos girá-la. Ao fundo, ouvimos o estalido metálico da porta gigante se abrindo.
Sem magias, ainda feridos, decidimos procurar uma sala citada nos bilhetes como o
"Descanso de Kassen" (ou algo parecido). Uma pequena câmara, com uma fonte de água
pura no centro — e dessa vez, sem assassinar ninguém.
Bebemos, nos curamos, e recuperei minhas magias. A irmã do rapaz ainda está
desaparecida. Mas agora, com o caminho aberto, seguiremos ao salão principal, onde,
segundo a lenda, está a tocha de Kassen.
E se ela estiver apagada, Brogar vai reacender com fé, fogo e força bruta.
ATO 5
Comecei a sessão com a cabeça erguida e o fígado seco. Após a batalha anterior, curei
meus companheiros e bebi da fonte sagrada que encontramos — uma bênção real, não
assassina como as outras águas malditas dessa cripta.
Aproveitei para preparar minhas magias: Proteção contra o Mal, Escudo da Fé, Bênção
e Arma Mágica. A luta estava perto, eu sentia. Não era o vinho, era a fé.
Revigorados, passamos novamente pelo espelho d’água amaldiçoado, de costas e olhos
fechados. Eivor parecia uma bailarina tateando o chão. Passamos com sucesso
Chegamos à ponte do inferno: 3 metros de largura, sobre um abismo profundo. Do outro
lado, duas estátuas de aldeões com lanças e escudos vigiavam a entrada de um portão
de bronze. Eivor se adiantou. Mal pisou na ponte, as estátuas se moveram
mecanicamente, o empurrando para o abismo. Por sorte, ele se segurou no último
instante, pendurado sobre o vazio. Brock correu para ajudá-lo — e juntos, com uma
força e sincronia impressionantes, o puxaram de volta.
Observei com atenção. Notei que algumas tábuas da ponte pareciam mais grossas —
provavelmente acionavam o mecanismo das estátuas. Quando Eivor voltou, as estátuas
recuaram lentamente. Tive uma ideia: usar o tempo do recuo para atravessar.
Testamos o ritmo. Na primeira tentativa, Brock e Katarina passaram. Eu e Eivor, mais
lentos, fomos empurrados de volta. Tentamos novamente. Eivor passou. Eu… fui
lançado no fundo do poço. Caí feio. Fiquei quase desacordado. Deitado no fundo, tomei
uma poção com a força que restava. Brock e Eivor me jogaram uma corda e me puxaram.
Brock me deu outra poção. Eu estava vivo, mas machucado. Ossos do ofício.
Diante de nós, duas portas de bronze. Sem detectar magia, decidimos entrar. Descemos
por uma escada estreita até uma sala com vários túmulos... e, no canto, uma jovem
desacordada. Dimira.
Quando cruzamos o limiar, uma voz espectral ecoou:
“Então, os heróis de Kassen vieram lutar comigo novamente. Vocês serão excelentes
lacaios em meu exército de mortos. Venham e encontrem seu destino.”
O dono da voz era um esqueleto em armadura, com um chapéu esquisito e uma espada
enorme. Ele se ergueu do túmulo central e comandou que quatro lacaios esqueléticos
se levantassem também.
Planejei tudo. Pedi para Brock e Katarina esperarem os inimigos se aproximarem. Iria
conjurar Proteção contra o Mal neles. Mas Brock é um meio-orc impulsivo — ignorou
minha palavra e investiu direto no chefe. O esqueleto investiu ao mesmo tempo. Um
choque de titãs no meio da sala.
Katarina atacou um lacaio, mas errou. Eivor começou sua música para inspirar coragem.
Os esqueletos atacaram:
Um acertou Eivor,
Dois foram em Katarina (um acertou),
Um veio em mim — defendi com meu escudo.
Ativei Proteção contra o Mal em Katarina e mandei ela ajudar Brock com o chefe.
Brock bate no chefe.
Eivor atira num lacaio.
O chefe esquelético bate em Brock e o fere seriamente.
Dois esqueletos tentam me atacar e caem sozinhos, talvez tontos pela minha presença.
Dou outro passo e conjuro Proteção contra o Mal em Brock.
Eivor tenta atirar nos esqueletos caídos, erra.
Katarina e Brock erram ataques.
O chefe, mesmo ferido, resiste.
Recua um pouco após tomar dano.
Aproveito e canalizo energia positiva, destruindo três lacaios de uma vez. Aponto o
martelo pro chefe e grito:
“Você é puta.”
Eivor continua a atacar.
Brock, ferido, recua e troca por arco.
Katarina avança e erra.
Eu finalizo o último lacaio com uma martelada e sigo em direção ao chefe.
O esqueleto me desarma e tenta me intimidar. Fico prostrado. Mas então… Com a força
de Erastil em mim, agarro o esqueleto pelo pescoço, conjuro Curar Ferimentos Leves e
o derreto por dentro com a luz sagrada. Olho em seus olhos e digo:
“Não preciso disso pra te derrubar. Erastil está comigo.”
Ele se desmonta nos meus braços. Seu crânio permanece em minha mão. Esmago ali
mesmo.
No chão, um colar. E à nossa frente, Dimira, a moça caída, ainda viva. Corro e a curo com
minha última bênção.
O túmulo central? Kassen. Estava ali, intacto, preservado. Brock se aproxima dos outros
túmulos. Mando não tocar em nada. Respeito aos mortos.
Nesse momento, o espírito de Kassen aparece, agradece nossa coragem e explica: O
esqueleto chefe se chamava Asar, um antigo companheiro que traiu a vila e tentou
tomá-la. Seu corpo foi selado ali. Como agradecimento, o espírito materializa alguns
itens mágicos e desaparece.
Exploramos uma sala lateral e encontramos um corpo estrangulado, morto há um mês.
As vestes batiam com os zumbis que explodiam, e com o corpo que vimos à beira do rio.
Usava uma máscara do deus falso Razmir. Minha teoria? Eram ladrões de túmulos.
Cultistas. Covardes. Entre os restos, tesouros. Pegamos o que era seguro.
Dimira acorda, e me abraça em agradecimento. Só fiz o que era certo.
Antes de partirmos, ela nos pergunta se pegamos as armas que deixaram como parte da
encenação. Dizemos que não — ainda não subimos de volta.
Fomos até a sala indicada. A chave da porta já estava lá.
Estranho, diz Dimira,
“vocês não passaram aqui…”
Entramos. Havia:
Um bordão de shillelagh obra-prima
Uma espada obra-prima
Um machado obra-prima com o bilhete:
“Eu disse que te daria um machado obra-prima.”
No verso: “Devolve minha adaga.” Foi o Cåhzähdøhr, o ladino. Passou ali sem nos dizer,
o danado. Ri alto. Esse desgraçado...
Também havia duas varinhas:
uma de cura pra mim
outra de magia para Eivor.
Voltamos à vila. Mas não com festa — e sim com luto. Os companheiros de Dimira e
Roldare, seu irmão, estavam mortos. A cidade nos aguardava com comemoração, mas
o tom mudou. Não bebemos por vitória. Bebemos pra esquecer.
Um homem de capuz, cicatriz no rosto, nos abordou. Disse ser um desbravador.
Ofereceu trabalho. Disse que nos encontraria.
E agora, com os mortos em paz e os vivos confusos, caminho em direção à igreja. Preciso
falar com meu jovem mentor. Ou beber uma taça de vinho