© Instituto Educacional Essência do Saber
ENSINO NÃO PRESENCIAL E HÍBRIDO
Autor:
Eduardo Ingrassia
Coordenação Editorial:
Elisiane da Silva
Edição, arte e projeto gráfico:
Edson Otero Silveira - ComunicaDIGITVS
Ilustrações
@drynvalo
Metodologia
Apoio
Realização
Índice
1 - Experimentos e ações docentes
em um mundo local – digital? ............pág 4
2 - Universo tecnológico e a
cultura contemporânea.....................pág 18
3 - Olhares multifacetados
na educação .....................................pág 34
4 - Entre o real, o desejo, o possível
e a criação ilimitada .........................pág 48
Referências .....................................................................................................pág 57
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Experimentos e ações
docentes em um mundo
local – digital
PÓS- para
Proficiência em Tecnologias Digitais
GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
Querido(a) colega!
Convidamos você para uma jornada de exploração e descoberta a um
novo território. Ele não é desconhecido, mas pode ser novo! Para isso
queremos iniciar essa jornada propondo algumas perguntas... Vamos lá?
Você tem costume de conversar com as pessoas do seu bairro?
A sua comunicação com seus amigos e familiares hoje se da somente de
forma presencial ou também por meio dos recursos digitais?
Você utiliza das mídias sociais para buscar informações e estar próximo
de pessoas que estão distantes geograficamente?
Então... Você consegue, com base nas respostas que trouxe para os
questionamentos, pensar que de uma forma ou outra vivemos em um
mundo que acontece no meio físico geograficamente localizado e ao
mesmo tempo em locais habitados graças às tecnologias digitais? Aqui já
vamos esclarecer de que a ideia não é dizer que um destes espaços é mais
importante ou melhor que o outro, mas sim destacar que na atualidade
vivemos em cenários que se completam, onde é possível coexistirmos...
Se soubermos aproveitar o que cada cenário nos oportuniza de forma a
facilitar o acesso a informação e as possibilidades de estarmos juntos,
certamente viveremos com mais qualidade e aprenderemos o tempo
todo, em diferentes lugares, com diversas pessoas... Isso é muito bom!
Na sociedade contemporânea muito ouvimos falar em Tecnologias de
Comunicação e Informação (TICs), um conceito que já é realidade e foi
modificado nos estudos mais recentes deste campo, por isso iremos utilizar
neste material o conceito Tecnologias Digitais Virtuais (TDVs)1. Mesmo
nos lugares mais longínquos, não há como estar completamente livre das
transformações tecnológicas recentes, considerando todas as mudanças
sociais que estamos presenciando nas últimas décadas. Nossas formas de
comunicar, relacionar e se fazer presente sofreram significativas alterações
com a evolução das tecnologias no âmbito do suporte virtual. Assim,
precisamos compreender o que são essas TDVs e tudo o que elas envolvem
e significam, bem como refletir sobre como podemos pensar formas de
incorporarmos essas tecnologias nos ambientes educacionais.
1 Tecnologias Digitais Virtuais refere-se aos recursos tecnológicos que permitem, por meio das redes de
internet, a comunicação fluída e a participação dos seus usuários, sejam elas aplicativos de conversa, mídias sociais, sites
de pesquisa com suporte em Inteligência Artificial ou qualquer outro ciberespaço com potencial comunicativo e que
possua suporte nas redes de comunicação virtuais online.
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Ensino
Não Presencial
E Híbrido
Para isso trazemos um novo questionamento: como usar as TDVs de
maneira significativa e eficaz nos processos de ensino e aprendizagem?
Como educadores de uma geração nativamente digital, precisamos analisar
nossas práticas educativas, objetivando uma aprendizagem significativa e
condizente com as necessidades educacionais da atualidade. Resta-nos
questionarmos como fazer isso.
O mundo virtual na educação
O mundo virtual já é uma realidade para todos os sujeitos que vivem
na sociedade contemporânea... Serviços, atendimentos básicos, consultas
e informações foram migrados para os suportes tecnológicos. O telefone
móvel e uma conta de e-mail, antes utilizados como uma opção não
necessária para viver em sociedade, tornaram-se tão importantes como
portar um documento de identificação ao sair de casa. Isso deve-se ao
movimento de constante avanço nas relações e nos potenciais de organizar
os cotidianos que são intensos e repletos de escolhas.
Desta forma, é necessário discutir sobre a presença incontestável das
tecnologias digitais virtuais em nossas vidas cotidianas, pois sua presença
mudou a forma de nos relacionarmos, afetou a maneira como usamos
serviços essenciais e, aos poucos, chega aos ambientes educacionais. Em
alguns espaços, timidamente; em outros, fazendo uma verdadeira revolução
nas formas de ensino e, principalmente, na forma como aprendemos.
As informações estão cada vez mais disponíveis, e a velocidade com
que temos acesso a elas muda a cada dia. É inegável como podemos nos
comunicar de maneira instantânea de praticamente qualquer lugar do
mundo. Assim, fica a pergunta: como os recursos tecnológicos impactam as
ações pedagógicas dos professores e estudantes?
Buscaremos compreender o conceito das TDVs, relacionando sua
influência no processo de transformação social, coletiva e individual dos
sujeitos, trazendo como foco os pontos interessantes e fundamentais para
o processo educativo, pois inauguramos no processo de aprendizagem
um novo modo de pensar, ser e agir. Nesse contexto de “revolução
tecnológica”, escola, estudantes e professores precisam buscar novas
formas de educar, aprender e ensinar.
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PÓS- para
Proficiência em Tecnologias Digitais
GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
Compreender os impactos do mundo virtual na educação exige
dedicação e interesse pelo novo, além de disposição para encarar as
adversidades enfrentadas pelos profissionais da educação no desafio duplo
de se apropriarem dessas tecnologias como ferramentas
educacionais e, ao mesmo tempo, lidar pedagogicamente
com estudantes que já nascem em um contexto nativo
digital. Isso levará você a refletir sobre a importância de
conhecer e compreender a realidade educacional e suas
novas exigências de um mundo “altamente tecnológico”.
Ilustrando este mundo virtual em constante crescimento diário, bem
como concebendo que a educação deve ter seu desenvolvimento voltado
para além do conhecimento técnico, na perspectiva da aprendizagem
para a vida, vamos observar algumas mudanças na imagem que segue:
Vejamos, com base na ilustração, que temáticas como comunicar, acessar
informações, transações financeiras, relações comerciais, ferramentas de
rotina e acessar espaços de estudos mudaram complementarmente os
objetos de suporte para utilização. Essas temáticas da vida em sociedade,
que são desenvolvidas nos currículos escolares, não são possíveis de ser
abordadas sem considerar o entrelaçamento com o suporte das Tecnologias
Digitais Virtuais. É simples perceber essa mudança, pois em nossa rotina
já fazemos esse uso, quase de forma tão fluída que nem lembramos, por
vezes, como fazíamos antes.
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Ensino
Não Presencial
E Híbrido
A Base Nacional Comum Curricular (MEC, 2018) já propõe como uma
das competências gerais da educação básica “Compreender, utilizar e
criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica,
significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais.” Em complemento,
o documento reafirma ainda o compromisso com a educação integral. Se
os norteadores nacionais da educação nos apontam a necessidade para
o desenvolvimento de práticas pedagógicas comprometidas com uma
formação para vida, comprometida com o desenvolvimento integral dos
sujeitos, valorizando como competência a ser desenvolvida a utilização das
tecnologias digitais, não restam dúvidas de como o mundo digital faz
parte do processo educacional.
As TDVs interferem diretamente na vida cotidiana de todos. Hoje as mídias
sociais possibilitam a criação de redes que interligam bilhões de pessoas no
mundo; os aplicativos de celulares têm uma diversidade enorme de serviços
que estão à disposição a um clique. Podemos conhecer, comprar, conversar
com pessoas que estão do outro lado do mundo, acessar informações e
notícias instantaneamente. Nossas vidas, literalmente, cabem na palma das
nossas mãos.
Novamente não se pretende aqui tratar de substituições, mas falar das
mudanças que o mundo e a educação estão seguindo... A escola é um dos
lugares que menos se modernizou ao longo das últimas décadas: incorporou
novas propostas metodológicas, discutiu novas políticas educacionais, mas
de fato continuou com comportamentos desenvolvidos por centenas de
anos, e a cada dia percebe-se a necessidade da mudança.
“O proibido é mais interessante”. A popularização dos aparelhos
celulares, por volta dos anos 2000, trouxe para a escola
um primeiro impacto dos movimentos que anunciavam
o mundo virtual em nossa sociedade. Lei de proibição
do uso dos celulares, punições em regimentos escolares
para seu uso foram muito mais debatidas e rapidamente
construídas que o pensamento de como ensinar a utilizar
esse recurso tecnológico como ferramenta de suporte a
aprendizagem.
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PÓS- para
Proficiência em Tecnologias Digitais
GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
Duas décadas depois, lá estavam as escolas utilizando massivamente os
aparelhos celulares para que fosse possível realizar algo mais próximo de
uma prática de ensino no famoso modelo remoto. Curioso, não?
O exemplo só demonstra que as TDVs não são “vilãs” ou concorrentes
da ação humana. Muito pelo contrário, utilizadas de forma correta e
consciente, elas rompem barreiras para que possamos nos desenvolver
sem amarras e restrições, deixando cada sujeito mais próximo de acessar
todo seu potencial. Quando entendermos o mundo virtual como potência
para as nossas relações e aprendizagem, estaremos avançando nos âmbitos
pessoal, social e educacional.
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Ensino
Não Presencial
E Híbrido
Experiências e possibilidades na educação
híbrida.
A educação está intimamente ligada a tudo o que acontece no meio
social. Tem o papel de compartilhar com os sujeitos os conhecimentos
historicamente construídos pela humanidade e desta forma deve estar
comprometida com o acolhimento das inovações tecnológicas, buscando
novas formas de perceber e significar o mundo atual.
Assim, as tecnologias e as novas formas de comunicação impactam
diretamente nas práticas e nas atividades diárias do âmbito educacional,
bem como em todo o processo educativo. Os conhecimentos teoricamente
elaborados pela humanidade eram apresentados de forma hierarquizada,
conforme os programas e currículos de cada etapa de ensino. Esses
conhecimentos eram vistos como determinados e finitos.
Em uma sociedade na qual as informações estão sendo produzidas e
acessadas quase instantaneamente e os conhecimentos estão em constante
movimento, é preciso estar sempre buscando formas de mediar os processos
pedagógicos de forma participativa, ativa e que estimule o protagonismo
e a criatividade. Hoje, os estudantes necessitam de um processo de ensino
e aprendizagem com foco no novo, pois os recursos apresentados pelas
tecnologias revelam inúmeras possibilidades de experiências e diversas
formas de aprender.
Integrar as tecnologias às ferramentas pedagógicas é essencial para
que possamos tornar a escola um lugar de desenvolvimento integral e
preocupado com uma formação que se desenvolve ao longo da vida.
A educação, como prática de transformação, não se desprende
totalmente de tantas práticas já consolidadas e tidas como “tradicionais”.
Estas ainda ocupam lugar importante na vida dos sujeitos, porém sozinhas
não conseguem suprir as necessidades da educação contemporânea.
Neste ponto, pensamos em um cenário que reúne forças, trazendo assim a
proposta do ensino híbrido.
A prática do ensino híbrido ganhou maior expressão nos últimos anos,
muito mais estudado como uma forma de fazer (metodologia), mostrando
que as práticas pedagógicas coexistem em papéis, recursos, espaços e
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PÓS- para
Proficiência em Tecnologias Digitais
GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
possibilidades, ampliando o leque de invenções cotidianas que dinamizam
e tornam a aprendizagem mais dinâmica e próxima da realidade.
Falar de educação híbrida aqui refere-se a possibilidade de participar,
construir, aprender e conviver em espaços geograficamente diferentes em
tempos cronologicamente iguais ou diferentes. Torna possível o movimento
de participação síncrono2 em diferentes espaços e assíncrono3 em espaços
iguais. Aqui utilizaremos a ideia de que a educação híbrida possibilita
utilizar o suporte das Tecnologias Digitais Virtuais como elemento que está
presente dentro e fora da escola, comprometido com o que é do interesse
do sujeito e das suas necessidades. Afinal, aprendemos realmente algo
quando faz sentido!
No contexto da educação híbrida, a construção do conhecimento ocorre
por meio das interações nas quais existe a cooperação entre estudantes e
professores. Por meio das interações dos participantes nos espaços digitais
virtuais, em complemento a suas vivências nos espaços geograficamente
localizados, é possível convergir na construção do conhecimento, pois a
presença é constante e permite variadas formas de comunicar, equilibrar
e desacomodar, elementos fundamentais para o desenvolvimento e
aprendizagem.
NA PRÁTICA
Uma professora da rede pública
municipal, ao organizar suas aulas
de Educação Física, pediu para que
os alunos pesquisassem as regras
de jogos de futebol e vôlei. Munida
das informações pesquisadas fora da
sala de aula, a professora acolheu os
relatos, promovendo uma discussão
sobre o esporte como técnica e
indicador de desenvolvimento do corpo e assim colocou em votação qual o
esporte seria estudado e praticado primeiro. O vôlei foi o esporte escolhido, e
2 Comunicação que acontece em tempo real.
3 Comunicação que ocorre em tempos cronológicos diferentes. É possível participar conforme a
disponibilidade dos sujeitos envolvidos.
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Ensino
Não Presencial
E Híbrido
assim iniciaram-se as ações. Com a utilização da lousa digital, foram organizados
os conhecimentos dos alunos com a mediação da professora. Explorado em sala
e fora da sala, chegou a vez de praticar na quadra da escola. A professora como
avaliação considerou todo movimento de pesquisa, estudo e prática e ainda pediu
que gravassem um vídeo jogando vôlei com a família, com o desafio de ensinar
as técnicas do esporte aprendido como elemento de lazer.
Inspirado na prática apresentada, pensar de forma híbrida permite dizer que
finalmente será possível criar uma escola que rompe suas barreiras arquitetônicas,
visto que continuamos presentes em nossos canais de comunicação, espaços de
produção e acessos de informação. É possível vislumbrar uma educação que
permite agir a serviço dos diferentes estilos de aprendizagem, valorizando as
múltiplas inteligências como muito bem nos apresenta Gardner4 em suas teorias.
Vamos assistir a um recorte do filme: Como estrelas na
terra – que ilustra a importância de percebermos as múltiplas
aprendizagens:
Vejamos algumas possibilidades da educação híbrida:
Espaço Recurso Potencial
Sala de Aula Mobiliário, papel e caneta Atividades de registro;
Conversa temática;
Atividade em grupo.
Suporte em rede – acesso por Atividades de registro;
Sala de Aula Virtual Conversa temática; Atividade
smartphone, computadores,
tablets... em grupo; Busca em site de
pesquisa; Compartilhamento
de ideias com comentário
online; Criação de pesquisa
para sujeitos externos; Criação
de repositório de conteúdos e
ideias; Conscientização das
possibilidades tecnológicas;
Informação comunitária;
Participação em diferentes
tempos...
4 Sugere-se a leitura: GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas: A Teoria na Prática (2010).
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PÓS- para
Proficiência em Tecnologias Digitais
GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
Em somente dois exemplos, podemos ver que, quando é estabelecida
a prática da educação híbrida, muitos ganhos podem ser conquistados.
Agregar ao espaço físico o uso de tecnologias nos permite olhar para um
lugar pouco explorado, rompe com a ideia de que o aprendizado tem dia,
lugar e hora para ocorrer... Ao levar a educação para fora das normativas
e regulações do tempo escolar, é possível dizer que todos têm potencial
de criar e aprender, desde que possamos coexistir em tempo e espaço, no
físico e no virtual, estabelecendo em ambos as relações reais e repletas de
significados.
Relatando uma experiência inspiradora...
Certa vez uma professora da Escola Pública de uma rede litorânea
propôs a criação de uma campanha para revitalização do pátio da escola. A
professora planejou em suas aulas atividades que pudessem compreender
a importância deste espaço e o motivo que se tornou necessário revitalizá-
lo. Por estar restrita à sua turma, com média de trinta estudantes, produziu
cartazes impressos com os alunos, solicitando ajuda para as demais
turmas se engajarem no projeto. Com essa ação, o alcance melhorou,
mesmo assim estava longe de alcançar o resultado esperado. Foi quando
a professora lançou um cartaz virtual em uma de suas mídias sociais, que
em primeiro momento recebeu curtidas e comentários de apoio... Ainda
não satisfeita, conversou com os alunos e perguntou quem usava a mídia
social onde circulavam os cartazes agora virtuais, e grande percentual da
turma já era usuária da mesma mídia. Rapidamente a professora propôs
como atividade compartilhar o cartaz e marcar pelo menos três pessoas
conhecidas. Em menos de uma semana, o cartaz havia recebido mais de 500
curtidas, 100 comentários e ainda melhor: a escola havia recebido diversas
doações para revitalização do espaço. Desde esse movimento, a escola
passou a adotar comunicação por meio das mídias sociais, criando redes
de compartilhamento e ampliando as informações dos acontecimentos. A
professora em questão criou um grupo da turma para comunicados na mídia
social e ainda um grupo de comunicação virtual, que começou a servir de
repositório para estudantes e a própria professora partilharem ideias. Essa
ação ainda vem sendo desenvolvida pela professora, e hoje a escola vem
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Ensino
Não Presencial
E Híbrido
se desatacando em diferentes cenários por utilizar as tecnologias de forma
favorecedora da aprendizagem.
Percebendo o quanto podemos avançar em uma educação que não se
limita ao espaço físico, expandindo suas ações para os diferentes espaços
digitais que estão à disposição para uso, queremos estabelecer que:
SUJEITOS
ESTUDANTES, PROFESSORES, COMUNIDADE
INTERAÇÕES PARTICIPAÇÃO
PARTICIPAÇÕES SEM BARREIRAS PRODUÇÕES E POSICIONAMENTOS
VIVÊNCIAS
DESCOBERTAS
SENTIDOS
SIGNIFICADOS
APRENDIZAGEM
CRIADOS NOS ESPAÇOS
TECNOLÓGICOS DIGITAIS
VIRTUAIS
POSSIBILITAM UMA
EDUCAÇÃO HÍBRIDA
QUE PERMITE
RELAÇÕES HUMANAS
NOVAS SOLUÇÃO PARA CONVIVÊNCIA E E SOCIAIS PROFUNDAS
APRENDIZAGENS PROBLEMAS REAIS COMPROMETIMENTO
Sabendo disso, você se sente convidado a não limitar seu
trabalho e o potencial dos seus estudantes ao espaço físico da
escola? Se sim, parabéns! Você está auxiliando a seguirmos
avançando como sociedade e melhorando a educação!
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PÓS- para
Proficiência em Tecnologias Digitais
GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
Ser e estar: conexões para a vida.
Já falamos no conceito de mídia social e não rede social, e agora
chegou a hora de entender o motivo... Mídia social é todo espaço virtual
que apresenta potencial de informação e comunicação, permitindo por
meio das ações dos seus usuários a criação de REDES. As redes sociais
são criadas quando os sujeitos se conectam nos espaços digitais, por meio
de conversas síncronas ou assíncronas, compartilhando postagens, fazendo
comentários... A rede somente será estabelecida quando os sujeitos
estiverem conectados. Partindo deste conceito, podemos afirmar que nem
toda mídia social é uma rede social, pois alguns usuários não se identificam
ou estabelecem comunicações e relações nestes espaços virtuais, utilizam
somente para a simples finalidade de obter informações. Você é um usuário
de mídia social ou rede social?
Você lembra como eram estabelecidas nossas redes nos tempos
passados? Se você contar para as crianças e jovens da atualidade que o
recurso de comunicação para um trabalho de escola era feito com data e
hora marcada na biblioteca, e que a pesquisa se dava exclusivamente em
livros impressos, há quem diga não acreditar.
Atualmente, ao propor um trabalho coletivo que deverá ser realizado
fora do tempo regular da escola, rapidamente os estudantes já criam um
grupo em algum aplicativo de mensagens instantâneas e neste momento
começam a compartilhar links de sites, arquivos digitais e até mesmo iniciam
a sua produção em um documento de edição de texto compartilhado entre
vários e-mails, onde todos podem escrever ao mesmo tempo sem estar
juntos... Novas tecnologias digitais nos espaços de aprendizagem educativos
permitem que o conhecimento seja construído de forma colaborativa com a
interação de seus participantes.
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Ensino
Não Presencial
E Híbrido
As redes que irão ser criadas neste movimento permitem “ser e estar”
de forma mais presente e ativa. Espaços de realidade virtual e comunidades
virtuais permitem a criação de perfis e avatares que nos identificam,
valorizamos nossas potencialidades inicialmente e ao iniciar a construção
de uma rede vamos aprofundando essas relações que podem coexistir de
forma presencial e virtual criando elos fortes.
A aprendizagem em rede procura interligar a educação com o mundo
das tecnologias digitais virtuais, que, partindo das conexões estabelecidas
entre um estudante e outros estudantes, um estudante e seus professores,
uma comunidade de estudantes e os seus recursos educativos, cria elos que
se fortalecem em busca da realização de atividades simples até movimentos
complexos com potencial mudança na sociedade.
Queremos dizer, mais uma vez, que o potencial das relações no contexto
contemporâneo está maior, podemos aprender e nos relacionar com pessoas
que jamais poderíamos encontrar na escola ou no bairro onde vivemos.
Compartilhamos saberes e nos inspiramos em pessoas que se tornam
próximas, pois estão ao nosso lado compartilhando, apoiando e ensinando,
independentemente do tempo cronológico ou distância geografia.
Ao estabelecermos laços por meio das redes que se constituem no meio
virtual, não colocamos barreiras no acesso ao conhecimento, muito menos
nos tornamos passivos ou conformados com o quanto podemos conhecer.
Podemos dizer que temos amigos e fortes relações sem ao menos ter
conhecido fisicamente este alguém. Afinal as relações são muito mais
profundas do que os olhos podem ver e as mãos podem tocar...
Partindo da ideia de que vivemos em um mundo cheio de tecnologias
e que a cada momento novas e mais são produzidas, é necessário pensar:
o que fazer? Precisamos entender que sempre é tempo de aprender...
Aprender é o que nos move e nos coloca em um lugar incompleto, e no
papel de educador essa deve ser a certeza diária: temos sempre mais o que
aprender!
Percebendo o avanço das tecnologias frente ao mundo que nos cerca,
as escolas devem flexibilizar espaço, tempo, formas de aprender e ensinar.
Formar comunidades virtuais, que consistem em espaços de comunicação
pela internet, pressupõe considerar interesses comuns de todos os sujeitos
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PÓS- para
Proficiência em Tecnologias Digitais
GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
participantes dessa comunidade, priorizar o trabalho em equipe, considerar
que todos são aprendizes. É função do professor orientar e animar a
comunidade, buscando momentos de aprendizagem de forma cooperativa,
colaborativa, ativa, autônoma e de interação permanente.
Sabemos que a tecnologia, alicerçada na internet, rompe com a ideia
de tempo próprio para aprendizagem. A internet é a própria revolução na
forma de comunicação entre as pessoas. Modifica as relações humanas,
propõe novas formas de pensar, de aprender, de viver.
A aprendizagem pode ocorrer em qualquer lugar, e o tempo de
aprender é sempre.
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Universo tecnológico e a
cultura contemporânea
PÓS- para
Proficiência em Tecnologias Digitais
GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
O universo tecnológico está presente em todos os cenários educacionais
e sociais, trazendo novas formas para construção de uma cultura que
proporciona experiências ativas de todos os sujeitos, e, assim, pela produção
de novos conhecimentos constantes. Entender o contexto da evolução
tecnológica, a partir do suporte digital no meio educacional permite-nos
compreender o atual entrelaçamento existente entre o físico e o virtual, que
reforça o contexto das experiências híbridas de educação.
Partindo deste ponto podemos dizer que estamos construindo um
caminho para uma nova sociedade, na qual a ciência e a tecnologia
apresentaram um papel central no desenvolvimento das relações sociais,
uma vez que com as inúmeras possibilidades de “fazer” que a tecnologia
proporciona é possível conhecer e divulgar descobertas e saberes de forma
contínua e atemporal – um ganho que precisa ser valorizado se falamos em
educação de qualidade e para todos.
Os avanços tecnológicos, além de estimularem novos modos de
interação social, propiciaram condições favoráveis para a disseminação
do conhecimento para um número cada vez maior de pessoas. “A própria
estrutura do conhecimento está sujeita às mudanças. Vivemos uma nova era
científica: a era das possibilidades”. (BERNHEIM; CHAUÍ, 2008)5.
Estamos pensando em uma educação que se faz
presente na sociedade contemporânea?
Ciberespaço:
lugar, cultura e suas noVIDAdes.
Falar do uso das tecnologias digitais exige um estudo sobre os diferentes
espaços que oportunizam a comunicação, participação e informação.
Aqui é importante destacar o conceito da participação, o qual é forjado
no investimento que cada sujeito faz do uso dos Espaços Digitais Virtuais
(EDVs).
5 Recomenda-se a leitura: DESAFIOS DA UNIVERSIDADE NA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO – UNESCO
(2008)
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Ensino
Não Presencial
E Híbrido
O ciberespaço contempla o universo onde estão disponíveis estes
espaços digitais virtuais, passando assim a ser um universo tecnológico
onde todos os recursos estão disponíveis para acesso de quem desejar.
Pode ser conceituado como “o novo meio de comunicação que surge da
interconexão mundial digital. Não se refere apenas à infraestrutura material
da comunicação digital, mas também ao universo oceânico de informações
que ele abriga, assim como aos seres humanos que navegam e alimentam
esse universo. (LÉVY, 2010).
Vejamos na imagem abaixo alguns exemplos de EDVs que estão
disponíveis no ciberespaço... Ao observar a imagem, faça suas anotações
(que tal usar o Google Drive?) para identificar quais você conhece, quais
Google Calendário Google Drive Google Forms Google Sheets Google Docs Google Slides
Gmail Google Hangouts
Google Maps
você utiliza ou já utilizou.
Entendendo que o ciberespaço abriga todo o potencial de cada um dos
EDVs, é importante ter clareza de que ele não trará solução e informação
por si só. É nele que todo movimento dos sujeitos, todas as suas produções
estarão armazenadas e disponíveis para acesso constante, síncrono ou
assíncrono, sendo um repositório vasto e extremamente significativo na
busca de novas descobertas e possibilidades para ser e estar. Assim reforça-
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PÓS- para
Proficiência em Tecnologias Digitais
GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
se a ideia de que o ciberespaço não é somente uma grande quantidade
de recursos digitais, pois o mesmo “não compreende apenas materiais,
informações e seres humanos, é também constituído e povoado por seres
estranhos, meio textos, meio máquinas, meio atores, meio cenários: os
programas”. (LÉVY, 2010).
No contexto contemporâneo, vemos muitas preocupações quanto
aos avanços tecnológicos e suas capacidades de produção por meio,
especialmente, da Inteligência Artificial (IA). Programas que são capazes de
personalizar respostas, ter memória das nossas preferências com bases nas
pesquisas quando navegamos em sites e aplicativos, ou até mesmo recursos
que desenvolvem escritas autorais sobre as mais variadas temáticas vêm
ocupando as discussões e os pensamentos dos profissionais da educação.
Já vivemos, em um tempo não tão distante, o discurso de que
professores seriam substituídos pela tecnologia, todos lembram? Triste
saber que alguns profissionais entenderam a chegada da tecnologia como
um momento de descarte e não de contribuição, e talvez as dificuldades
para uma proposta de educação híbrida que agrega o melhor “dos dois
mundos” esteja neste momento.
As possibilidades oferecidas pelas tecnologias desenvolvidas com
IA e todos os demais recursos disponíveis no ciberespaço apresentam
elementos extremamente ricos na educação, pois “devolve” ao professor
a sua capacidade de trazer a intencionalidade pedagógica durante todo o
processo educativo, valendo-se de recursos que permitem aprendermos
muito mais. Nunca foi e nunca será a tecnologia que fará a substituição
dos professores: o único movimento capaz de substituir os professores são
eles mesmos – deixando de acompanhar as evoluções e necessidades da
sociedade atual.
Recentemente um estudioso da formação de professores escreveu6
sobre os professores e o futuro da educação. Nele reforçou que é preciso
repensarmos nosso papel como profissionais da educação, considerando que
o humano e a tecnologia precisam estar presentes de forma complementar,
coexistindo nas ações e acompanhando aquilo que é desta sociedade e deste
momento. O que vivemos e produzimos em tempos passados é relevante
6 Recomenda-se a leitura: PROFESSORES LIBERTAR O FUTURO – António Nóvoa (2023)
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Ensino
Não Presencial
E Híbrido
para ter uma base sólida de nossas escolhas e experiências, porém estas
bases precisam ser ressignificadas à luz do potencial e dos recursos que
dispomos hoje, pois sem essa percepção deixaremos a educação – mais
uma vez – distante do seu importante compromisso que é a participação no
presente e a construção do futuro.
Podemos então dizer que o ciberespaço apresenta um cenário
articulado com os espaços digitais virtuais, os quais permitem “acesso a
lugares, informações e pessoas distantes” criando assim “a ideia de um
mundo virtual, paralelo ao mundo físico. Por essa razão, a informação, o
conhecimento e a cultura passaram a ser considerados pontos centrais
para a liberdade e para o desenvolvimento humano, pois as mudanças nas
tecnologias, na organização econômica e nas práticas sociais de produção
criaram oportunidades para criar e trocar informações, conhecimento e
cultura.” (SANTAELLA, 2010).
Ainda, devemos considerar que o conhecimento e a cultura são bens
imateriais e intangíveis, ainda que, de alguma forma, possam ser reproduzidos
em diferentes repositórios materializáveis. Foi justamente a imaterialidade
que tornou possível o aparecimento de novas formas de armazená-los, que
estão diretamente relacionadas aos avanços tecnológicos, trazendo novos
modos de se armazenar os conhecimentos por meio da digitalização e da
virtualização.
E você se sente convidado a participar do
ciberespaço? Vamos levá-lo para nossos entornos
escolares?
Espaços, tempos e presenças.
O século XXI passou a exigir novas habilidades das pessoas e das
sociedades; por exemplo, a fluência tecnológica, a capacidade de
relacionamento não presencial e o gerenciamento do tempo, em um
contexto acelerado. A sociedade muda constantemente e o que dita como
ela opera são os comportamentos dos sujeitos que nela habitam. Assim
novas culturas começam a surgir e novos modos de viver são inaugurados
diariamente.
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PÓS- para
Proficiência em Tecnologias Digitais
GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
Vamos refletir sobre a provocação do curta:
É perceptível que o desafio da educação contemporânea é adequar os
espaços de aprendizagem para além das determinações geográficas, e os
tempos, para além do acesso síncrono. Vivemos em um contexto em que
falar de educação não permite mais falar somente da escola; e falar de
escola é falar de um lugar que abre as portas para todas as possibilidades de
aprendizagem – seja ela do “modelo” que for, desde que contextualizada
com a realidade e necessidades dos sujeitos e da sociedade.
Para entendermos essa proposição,
vamos analisar a aprendizagem de uma
criança nos dias de hoje. Qualquer
criança aprende a mexer com o celular ou
computador antes mesmo de ler e escrever.
Assim, ler e escrever tornaram-se habilidades
que surgem em um segundo momento
de aprendizagem. Alfabetizam-se não
porque as propostas e diretrizes curriculares
determinam, ou porque o professor exige,
mas porque faz parte de suas vidas, não de
suas obrigações. Em tal contexto, o bom
manejo da informação e da comunicação
não dilui as alfabetizações tradicionais, mas
vão além dessas. E a escola parece não ter
se dado conta disso.
Os espaços são outros, e
consequentemente as presenças e os
tempos também. Importante já destacar que
os sujeitos continuam a preencher os espaços e gerenciar sua presença e
tempo, somente em um contexto físico e temporal diferente.
Trazemos mais um exemplo do tradicional e muito conhecido “Tema de
casa”, tarefa que nas últimas décadas sempre foi alvo dos professores para
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Ensino
Não Presencial
E Híbrido
que os estudantes pudessem realizar atividades fora do espaço físico da
escola, mais especificamente fora da sala de aula. Essas tarefas normalmente
exigiam pesquisas, em livros e enciclopédias, que com o tempo foram sendo
ampliados para pesquisas em sites da internet. Rompia com a educação
somente no espaço físico e no tempo regimentado da escola, e já mostrava
a necessidade de levar a educação para fora das barreiras arquitetônicas,
desenvolvendo a aprendizagem em tempos mais prolongados e contínuos.
Muitas vezes professores limitam as “tarefas pedagógicas” pela falta de
recursos de pesquisa, poucos livros nas bibliotecas, pouco tempo para tratar
de um assunto. Tarefas que poderiam ter um potencial muito expressivo
para aprendizagem acabam sendo somente uma introdução, por vezes
superficial, pela falta do acesso fácil à informação.
Deste pequeno recorte, de uma memória que todos possuímos, seja
como estudantes e/ou professores, temos um indicador relevante da
potencialidade que o ensino híbrido apresenta. Utilizar as tecnologias
digitais em tarefas de pesquisa que complementam as orientações dadas
em sala de aula, por meio das bibliotecas virtuais, sites de pesquisa (Google
Acadêmico, Scielo, Periódicos diversos, Enciclopédias virtuais) permite o
avanço em busca do conhecimento. Sem essa barreira, possibilitamos uma
aprendizagem mais fluída.
A tecnologia nos exige verdadeiramente ensinar a pensar e gerenciar
tempos e escolhas. Se no passado parecíamos mais passivos e contentados
com o que nos era fornecido, certamente era porque nossa capacidade de
questionamento e de verificação sobre o que era então comunicado ficava
muito distante do que temos hoje, quando podemos nos informar e refletir
sobre tudo, em qualquer tempo e lugar.
Entendam que essa perspectiva para entender os lugares, tempos
e participação na educação, em seu potencial de desenvolvimento
metodológico híbrido, não faz uma crítica vazia a outros tempos e modelos
educacionais, mas aponta para a realidade do presente que exige a utilização
dos recursos que fazem parte do cotidiano dos sujeitos.
24
PÓS- para
Proficiência em Tecnologias Digitais
GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
NA PRÁTICA
Para construção do tradicional portifólio de final de ano (pode ser
adaptada para qualquer etapa de escolarização), os estudantes durante o
segundo semestre utilizavam seus celulares para fazer registros de fatos
que despertassem seus gostos. A instrução dada era:
- Quando gostar muito de algo que viveu na escola, tire uma foto e
mande no grupo de WhatsApp da turma (um grupo no WhatsApp da
turma com o professor somente para registros fotográficos) ... No final do
mês de novembro, os estudantes fizeram a visualização das fotos e foram
selecionando suas preferidas, criando pequenas narrações dos momentos
que foram vividos nas imagens.
A turma participou, fazendo a análise cuidadosa das imagens, oriundas de
provocações do professor e questionamento dos colegas, desenvolvendo
também a capacidade de interpretação e descrição dos fatos.
A coletânea de fotos culminou na criação de uma revista de final de
ano com os registros selecionados, utilizando o Canva como ferramenta de
apoio para organização de todas as fotos e narrações produzidas ao longo
do ano.
A utilização das tecnologias, nos mais variados níveis de escolarização,
valoriza o papel protagonista dos estudantes, organizando o cotidiano
escolar, partindo do que eles trazem em suas bagagens, abrindo espaço
para as informações obtidas que serão discutidas, avaliadas e consolidadas
no espaço educativo. O perfil profissional dos trabalhadores da educação
neste contexto muda, saindo da posição de apresentador das informações
para mediador e problematizador destas informações.
Aprender no contexto contemporâneo transborda o pensamento das
habilidades e competências determinadas, e trata do uso delas na vida
prática de cada sujeito. “Saber pensar não se restringe mais a uma atividade
recolhida, ensimesmada, produto de uma cabeça privilegiada, mas assume
o desafio de tornar-se jogo coletivo” (DEMO, 2008).
A tecnologia não irá determinar o caminho certo ou errado, muito
menos irá ser compreendida como modelo pedagógico. Ela tem o papel de
subsidiar as práticas carregadas de estudos e possibilidades refletidas pelos
25
Ensino
Não Presencial
E Híbrido
estudiosos da educação, que com base em métodos ativos e participativos
irão usá-la como palco de desenvolvimento fluídos e capaz de colaborar
com uma vasta diversidade de apoios para o todo o processo de ensino e
aprendizagem.
Você já se sente convidado a utilizar um pouco mais
de tecnologia em suas atividades como professor,
entendendo a realidade e facilitando os caminhos para
o desenvolvimento integral dos estudantes?
Híbrido: relações entre o real e o potencial.
Pensar de forma híbrida exige pensar novas formas de organizar o
planejamento pedagógico. Aqui iniciaremos com uma sugestão para
planejamento de uma atividade que utiliza metodologias ativas para o
desenvolvimento do ensino híbrido.
DICAS IMPORTANTES:
- Converse com os estudantes sobre possíveis temáticas;
- Busque na BNCC quais habilidades serão desenvolvidas;
- Busque responder: O que posso fazer em sala e fora da sala?
Vejamos alguns exemplos:
EM SALA FORA DA SALA
Conversa sobre como usamos o Pesquisa sobre os gastos da
dinheiro e realização de família e organização de
operação matemáticas. tabela para montagem de
tarefa em sala.
Construção de painel manual Fotografia dos espaços da
sobre melhorias necessárias na escola. Aplicação de
escola. questionário online com todos
os sujeitos da escola e
comunidade.
Explicação da organização da Visualização de vídeos e
gestão municipal, estadual e podcasts sobre o tema.
federal.
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PÓS- para
Proficiência em Tecnologias Digitais
GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
Nestes breves exemplos, vemos o ensino de forma fluída, em que as
atividades ocorrem dentro e fora da sala de aula e são desenvolvidas em
um único planejamento... A riqueza de pensar de forma híbrida permite
retornar à atividade de sala e vice-versa. Vejamos a continuidade partindo
do exemplo anterior:
EM SALA FORA DA SALA DE VOLTA
À SALA
Conversa sobre como Pesquisa sobre os Criação de painel
usamos o dinheiro e gastos da família e sobre os maiores
realização de operação organização de tabela gastos
matemáticas. para montagem de Organização de
tarefa em sala. planilhas para
economia familiar.
Construção de painel Fotografia dos Mapeamento dos
manual sobre espaços da escola. dados e discussão em
melhorias necessárias Aplicação de grupo para
na escola. questionário online construção de um
com todos os sujeitos relatório de
da escola e necessidades e
comunidade. pedido aos
responsáveis.
Explicação da Visualização de vídeos Discussão sobre os
organização da gestão e podcasts sobre o temas estudados fora
municipal, estadual e tema. da sala para
federal. organização de uma
entrevista com gestor
municipal.
E assim podemos seguir planejando diferentes ações que não se limitam
à sala de aula.
27
Ensino
Não Presencial
E Híbrido
NA PRÁTICA:
Veja a entrevista com um professor da rede municipal, na qual relata uma
experiência próxima do último exemplo apresentado!
Assim vamos pensar...
O que entendemos e definimos como híbrido? Na educação, qual o
sentido de pensarmos propostas híbridas de aprendizagem em um cenário
em que a tecnologia e a presencialidade estão intimamente entrelaçados?
Assim iremos buscar possíveis respostas para estes questionamentos
fundamentais, que podem possibilitar reais mudanças em uma educação
do presente comprometida com o futuro.
Na atualidade, pensar o espaço vai para além de um conceito geográfico,
e podemos defini-lo em diferentes concepções. Aqui destacaremos espaço
como uma configuração de convivência entre os sujeitos, e não uma
demarcação territorial. Em diferentes contextos, por exemplo, educativo,
profissional, social ou religioso, os sujeitos configuram espaços de
convivência próprios e particulares, em congruência com o seu meio, seja
em relação ao tempo e espaço, ou mesmo em suas relações e interações
(BACKES, 2015).
A proposta do conceito do Hibridismo Tecnológico Digital (HTD) será o
pontapé inicial das nossas reflexões sobre o ensino híbrido. O HTD consiste
“no cruzamento, integração e articulação de diferentes tecnologias digitais,
na perspectiva da coexistência” (BACKES, 2013). Coexistir potencializa
a presença em diferentes cenários e momentos, ampliando assim o que
podemos constituir como momentos de aprendizagem. Atualmente
aprender deve significar a necessidade de atribuir sentido às informações
disponíveis nas redes. A internet apresenta conteúdos vastos e diversos,
que precisam ser utilizados com sabedoria e contextualização para que
possam se tornar conhecimento científico, reforçando e oportunizando
novos saberes.
As tecnologias potencializam as coordenações das ações, uma vez que
os sujeitos estão sempre em movimento no meio em que vivem, criando
28
PÓS- para
Proficiência em Tecnologias Digitais
GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
assim espaços próprios e particulares de cada grupo social. Desse modo,
a sociedade passa a compreender a ação virtual como uma nova forma de
existir e participar em espaços e tempos que se sobrepõem ao localizado
e cronológico.
Ana Maria participa de duas mídias sociais (Facebook e Instagram).
Na escola, apresenta uma postura mais reservada, porém em suas mídias
compartilha conteúdos muito interessantes
e faz postagens muito bem apropriadas
com suas impressões sobre diversos temas.
Certo dia, a professora de Ana Maria
visualizou em uma de suas postagens um
debate sobre o tema democracia. Chamou
a atenção da professora a maturidade como
Ana Maria estava compartilhando o tema e
sua postura frente aos comentários – Ana
Maria está no 7º ano do Ensino Fundamental
– e como já tem uma percepção muito
coerente sobre o tema. Um dia na escola
a professora, inspirada na postagem de
Ana Maria e nos comentários advindos
dela, inicia sua aula pedindo que cada um
comente o que entende sobre democracia;
e, como disparador, pediu a Ana Maria que
utilizasse sua postagem na rede social...
Ana Maria prontamente acessou sua rede e
a conversa iniciou a partir de seus registros e daqueles – que não presentes
no momento – haviam comentado a postagem. Uma discussão apropriada,
polêmica e interessante se estabeleceu e culminou em uma tarefa: todos os
estudantes deviam fazer um resumo das discussões em aula na postagem
de Ana Maria... O resultado foi extremamente interessante, pois de uma
discussão em tempo real surgiram novas pesquisas e conhecimentos, bem
como a aproximação dos estudantes que puderam compartilhar suas ideias
e ir além de um recorte do tempo de uma aula...
29
Ensino
Não Presencial
E Híbrido
No relato apresentado, percebe-se o quanto a utilização das tecnologias
de forma integrada às práticas pedagógicas da sala de aula permite
o investimento em pedagogias participativas7, em que o tempo de
aprendizagem é constante. Isto é pura perspectiva híbrida.
Não podemos esquecer que o conceito de HTD encontra-se em estado
contínuo de construção, reflexão, amadurecimento e sistematização. No
fluxo de interação, no viver e no conviver cotidiano, os sujeitos envolvidos
na participação dos espaços de aprendizagem, presenciais e virtuais
oportunizam a atuação dos sujeitos como autores e coautores na construção
de novos conhecimentos.
É neste contexto que as TD passam a ser compreendidas como espaços
de convivência, na medida em que possibilitam a interação entre os
participantes e a representação da percepção sobre o conhecimento. O
espaço virtual de convivência ocorre também quando as pessoas passam, no
espaço virtual, a representar suas percepções, seja de maneira textual, oral,
gestual, gráfica ou metafórica. Considerando este movimento, reforçamos a
contribuição que o ensino híbrido pode oportunizar, visto que não se põem
barreiras para o ensino e não se determina uma única forma de aprender.
A educação neste aspecto torna-se capaz de resolver os problemas da
atualidade, contemplando as habilidades e competências necessárias de
cada etapa de ensino e transforma o que era somente informação em
aprendizagem e conhecimento.
Ficou claro como se constitui o espaço virtual participativo a
partir das tecnologias e como ele pode ser usado em paralelo
ao espaço físico?
Podemos afirmar que, na configuração da tecnologia, a partir da
informática, passamos a vivenciar a cultura do digital. Por exemplo, produtos
como celulares ou tablets podem ser enquadrados como objetos híbridos,
não só por suas funções básicas, mas também pela característica de
7 O conceito de Pedagogias Participativas aqui apresentado refere-se ao movimento de construção de
saberes entre professores e estudantes e estudantes e estudantes, onde o conhecimento é compartilhado e todas as
bagagens são valorizadas na organização do currículo escolar e suas metodologias.
30
PÓS- para
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GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
permitirem a manipulação de vários tipos de mídia numa única ferramenta.
Sendo assim, as mídias móveis se apropriam das características de outras
mídias, o que reflete bem o conceito de hibridismo. Este, além de se impor
ao facilitar a comunicação entre diferentes formatos de mídia, surge como
um fator recorrente da cultura digital por otimizar os processos interacionais
entre os sujeitos e seus dispositivos.
Vejamos na imagem a seguir alguns conceitos que podem ajudar
na percepção do que ensino híbrido privilegia na organização de suas
metodologias no desenvolvimento da operação pedagógica cotidiana:
TECNOLOGIA CONHECIMENTO CONTEXTO
ESPAÇO INFORMAÇÃO CULTURA
PARTICIPAÇÃO DIVERSIFICAÇÃO APRENDIZAGEM
SIGNIFICA A
INFORMAÇÃO, ATRIBUI APRESENTA RELEVÂNCIA
SUPORTE DE ACESSO SENTIDO, REFLETE E PARA A REALIDADE
SEM BARREIRAS TORNA UM SABER QUE O SUJEITO
SOBRE ALGO ESTÁ INSERIDO
MEIO ONDE É MUDA A FORMA DE
POSSÍVEL ACESSAR A ACESSO UBÍQUO ÀS CONTEXTUALIZAR A
INFORMAÇÃO E NOTÍCIAS, DESCOBERTAS BAGAGEM DOS SUJEITOS,
INTERAGIR E SABERES INCORPORANDO
VALORES E CRENÇAS.
EM DIFERENTES AMPLIA AS AMPLIA REPERTÓRIO
TEMPOS E LOCAIS, COMPREENSÕES SOBRE E PRODUZ
POTENCIALIZA O TEMAS E CONHECIMENTO, DE
PROTAGONISMO E O COMPORTAMENTOS - FORMA PARTICIPATIVA
COLETIVO ABRE ESPAÇO AO NOVO E SIGNIFICATICA
31
Ensino
Não Presencial
E Híbrido
Considerando estes conceitos e seu potencial no que diz respeito às
mudanças do viés pedagógico, entende-se o processo de aprendizagem
comprometido não somente com um novo espaço educativo – moderno e
tecnológico – mas sim que envolve sujeitos e tecnologia em uma relação
complexa, ou seja, em interação e contradição, o que resulta num movimento
em que coexistem o real físico e geográfico, o virtual tecnológico e digital,
o sujeito e as tecnologias.
Se a educação que estamos propondo aqui está comprometida com uma
forma próxima de atendimento das necessidades dos seus sujeitos e seus
entornos, acompanhando os avanços sociais e estando envolvida com uma
educação sem barreiras, é possível percebemos um avanço para melhoria
deste cenário em geral?
A interação, com os outros e com o meio é fundamental para a tomada de
consciência, tanto da presença no mundo de cada um, como da presença do
outro. Diante da constatação da necessidade e da importância da interação,
torna-se possível afirmar que a convivência de natureza virtual ocorre quando
as pessoas se mobilizam e se emocionam por meio do compartilhamento
das suas representações, isto é, quando estão comprometidas com algo.
Para aprender, é preciso estar envolvido, emocionado e comprometido,
para que a nova informação seja levada para toda a vida e não para uma
simples avaliação formal.
Parece um pouco utópico falarmos desta forma sobre a educação,
mas é preciso pensar sobre a urgência que os cenários educacionais vêm
demonstrando. Já sabemos que um processo de aprendizagem sem
contexto e relação com a realidade não apresenta bons resultados. Então é
possível ignorar a maior ferramenta que temos para combater essa dura e
ainda presente realidade?
Pensar o ensino híbrido compromete-se com a criação de espaços de
aprendizagem vivos e formativos, tanto presenciais quanto virtuais e que
envolvem e tornam a sala de aula mais flexível para os estudantes, além de
viabilizar relações entre professor e estudantes ou mesmo entre estudantes
e estudantes. Possibilitando a interação e a discussão com o coletivo, os
próprios conteúdos e objetos de cada sujeito são manipulados e criados
ao convidar o outro para o diálogo e para colaboração de novos saberes:
32
PÓS- para
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GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
isso sim é falar em uma educação que atende o proposto pela sociedade
contemporânea.
Contextualizando nossas aprendizagens até aqui, podemos pensar (em
um breve resumo) que o Ensino Híbrido propõe duas vertentes a estudarmos:
a educacional e a tecnológica.
EDUCACIONAL TECNOLÓGICA
ENSINO POTENCIAL
PARTICIPATIVO E DE RECURSOS
INVESTIGATIVO ONLINE
METODOLOGIAS CONEXÃO COM
CRIATIVAS OS MUNDOS
E ATIVAS FÍSICO E VIRTUAL
Em uma educação contemporânea, não é possível deixar de integrar
sistemas e possibilidades no cotidiano de nossas escolas, pois a urgência
de uma formação capaz de “dar conta” dos desafios do próprio ambiente
escolar e da sociedade em geral precisa ser o ponto de partida de todas
nossas ações.
33
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3
Olhares multifacetados
na educação
PÓS- para
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GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
Metodologias em ação.
Diversas estratégias podem ser usadas para promover a aprendizagem
ativa, participativa e com real sentido para estudantes e professores. O ensino
híbrido está fortemente ligado às propostas de aprendizagem baseada
na pesquisa, no uso de jogos e simulações, na aprendizagem baseada
em problemas ou em projetos. Contudo, mesmo sabendo dos benefícios
destas metodologias, ainda há dificuldade na adequação do conteúdo
curricular a ser trabalhado e como será apresentado aos estudantes. Neste
caso é preciso que os professores explorem o potencial oferecido pelas
TICs, pois elas irão facilitar a organização dos tempos e espaços da escola
e as relações entre o estudante, a informação e o professor.
NA PRÁTICA
Podcast Escolar
Uma escola municipal, inspirada na
pesquisa de um de seus professores,
com objetivo de estimular o acesso
à informação e valorização dos
acontecimentos e necessidades do
entorno escolar, criou o MANOELcast
(da Escola Manoel). programa
de entrevistas com pessoas da
comunidade e de fora dela.
O mais interessante desta ação
pedagógica concentra-se na escolha
dos entrevistados e na forma como o
material é divulgado. Os entrevistados
são escolhidos pelos estudantes e
comunidade por meio de sugestões em formulário online e conversa com o
professor responsável pelo projeto. Convites feitos e aceitos, são agendadas
as entrevistas e gravados os podcasts, que ficam disponíveis na plataforma
Spotify que podem ser acessados dentro ou fora da sala de aula.
35
Ensino
Não Presencial
E Híbrido
Discutindo temas importantes, entrevistas com pessoas da comunidade e
até celebridades locais trazem um espaço de pertencimento
e valorização das pessoas e sua contribuição na sociedade.
Os temas desenvolvidos nos podcasts também servem
para dar início ao desenvolvimento de trabalhos dos mais
variados conteúdos de cada componente curricular.
As TICs propiciaram meios e condições que alteraram vários aspectos
da educação, como as concepções teóricas, as abordagens pedagógicas,
as finalidades e os processos de avaliação da aprendizagem dos alunos.
A proposta do ensino híbrido vai criando um potencial cada vez mais
amplo ao investir no estudo de diferentes metodologias, o que podemos
dizer ser um dos maiores, se não o maior, desafio do cenário educacional.
Mudar métodos talvez seja o desafio mais complexo a ser encarado pelos
profissionais da educação. Metodologias diversas vêm compondo os
estudos vinculados à tecnologia e à educação, que iremos explorar um
pouco mais sobre algumas delas partindo do esquema abaixo:
APRENDIZAGEM
GAMIFICAÇÃO SALA DE AULA
BASEADA
INVERTIDA
EM PROBLEMAS
APRENDIZAGEM CULTURA
POR PROJETOS MAKER
PESQUISA ESTUDO
DE CAMPO DE CASO
Vamos conhecer um pouco o que cada uma destas abordagens
metodológicas visa em suas concepções e princípios:
36
PÓS- para
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GAMIFICAÇÃO
Possibilidade de exploração tecnológica com experiência virtual.
Lembra o conceito de um JOGO de vídeo game. Atrativo, ele convida
o estudante a buscar respostas frente a desafios. Torna-se uma maneira
de envolver os estudantes com um contexto tecnológico atrativo que faz
parte de suas realidades. Pode trazer também um viés competitivo e de
trabalho em equipe, o que se torna elemento auxiliar no desenvolvimento
da aprendizagem e na relação entre os estudantes e professores.
CULTURA MAKER
Chamada de mão na massa, a cultura maker vem sendo amplamente
estudada e aplicada no cenário educacional. Envolve as capacidades de
experimentação dos estudantes por meio da premissa de que “aprendemos
fazendo as coisas”. Desde uma simples modelagem de bonecos para um
jogo de tabuleiro até a criação de um protótipo de robô, essa cultura concebe
a participação e a capacidade do estudante como elemento propulsor de
sua aprendizagem. A criatividade, protagonismo, encorajamento ao novo e
a imaginação são elementos importantes nesta abordagem.
APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS
Concentra-se em disparadores de uma necessidade real de cada contexto
em que o estudante está inserido. Basicamente se estrutura em três etapas:
mapeamento e diagnóstico da situação geradora do problema, pesquisa,
estudo e criação de estratégias para solução do problema identificado...
e construção de indicadores das possíveis soluções. Na educação, essa
abordagem permite que “conteúdos” mais complexos possam ser
trabalhados de forma contextualizada, lugarizada e significativa, em que as
etapas vão permitindo compreender os conceitos de forma a desenvolver
vários caminhos para aprendê-los.
APRENDIZAGEM POR PROJETOS
A aprendizagem por projetos precisa ser compreendida inicialmente com
o que queremos indicar como PROJETO. Os projetos em educação precisam
ter íntima relação com as necessidades das turmas e de seus estudantes.
37
Ensino
Não Presencial
E Híbrido
Indica-se para construção de projetos a utilização de temas geradores
(que irão auxiliar na identificação do que é necessário e importante ser
trabalhado).
Por meio do envolvimento com projetos, a aprendizagem pode tornar-se
interdisciplinar, agregando diferentes áreas do conhecimento que, juntas,
irão buscar as ações concebidas para o desenvolvimento do tema de cada
projeto. A BNCC aborda as áreas do conhecimento de forma integrada,
sendo essa metodologia utilizada com frequência para organização dos
planejamentos escolares, em consonância com os dispositivos legais da
base nacional.
ESTUDO DE CASO
Os estudos de caso permitem um olhar apurado e comprometido
com a realidade local. Envolve muita observação para posterior ação.
Por meio de estudos reais ou hipotéticos, é possível conhecer diferentes
maneiras de solucionar problemas, bem como aprender conceitos que
serão importantes na tomada de decisões. Essa metodologia pode ser
desenvolvida em qualquer etapa da educação. No seu planejamento, o
ponto mais importante é a capacidade de observação e interpretação dos
fatos e situações propostas.
PESQUISA DE CAMPO
A pesquisa de campo é apresentada com um olhar para o externo da
escola. Possibilita aos estudantes a construção de um olhar sobre suas
ações investigativas, trazendo comparativos e análises dos cenários que
habitam ou transitam. A pesquisa de campo muitas vezes está associada
às saídas de campo e passeios pedagógicos. É importante destacar que
as pesquisas de campo exigem organização dos registros que serão feitos
durante a pesquisa (sugere-se o trabalho com diários de bordo – online8 ou
impresso). Estes registros serão o ponto de partida para estudos, reflexão
e aprendizagem por meio do que foi vivido no campo explorado. Cabe
ressaltar que, graças às redes e o ensino híbrido e não presencial, você pode
propor passeios pedagógicos virtuais, utilizando ferramentas de visitação a
8 Ferramentas que podem contribuir para diários de bordo online: Google Forms; Padlet; Canva; Adobe
Express.
38
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museus (o Louvre pode ser visitado a partir do site [Link]
en), google Earth, entre outras.
Acesse o Qrcode para conhecer o Museu Virtual da
Faculdade de Medicina da UnB
Com essa breve apresentação de algumas abordagens
metodológicas, você consegue perceber quão vasto é o universo que
podemos explorar ao planejar uma ação pedagógica comprometida com
a aprendizagem dos estudantes? É neste contexto que queremos trazer a
valorização a diferentes abordagens quando falamos em metodologias em
ação. Cada professor irá se apropriar do que faz mais sentido para sua turma,
comprometendo-se em desenvolver um planejamento que acompanhe as
necessidades e a realidade do meio em que participa.
O ensino híbrido pode ser estabelecido por diferentes abordagens
metodológicas. Não há melhor ou pior, mas sim aquela que se tornará
eficaz. Todas elas devem romper o engessamento tradicional do ensino,
trazendo para práticas consolidadas os elementos da nossa atual realidade:
as tecnologias.
Nesta fase de nossos estudos você já percebeu que
as tecnologias podem nos auxiliar muito?
Sala de aula invertida
A sala de aula invertida é uma das metodologias mais vinculadas ao
conceito de ensino híbrido, uma vez que está associada às transformações
do cenário educacional, sobretudo com o uso das tecnologias e o
protagonismo dos estudantes em seu aprendizado.
A sala de aula invertida propõe que atividades realizadas costumeiramente
dentro da sala de aula aconteçam fora dela; e o contrário: atividades que
aconteceriam tradicionalmente fora da sala de aula passam a acontecer
dentro dela.
39
Ensino
Não Presencial
E Híbrido
É nesta proposta que o ensino híbrido se fortalece, descontruindo a ideia
de que somente a presença física do professor em sala de aula irá garantir
a aprendizagem, investindo em participação síncrona e assíncrona na vida
dos estudantes, que será o indicador de sucesso em suas aprendizagens.
A sala de aula invertida é um método revolucionário porque vira de
cabeça para baixo o sistema educacional clássico. A Sala de Aula Invertida
propõe que os alunos estudem e preparem o conteúdo fora do ambiente
escolar, enquanto na sala de aula as tarefas são mais participativas.
Nas aulas presenciais, os alunos fazem a lição de casa, interagem
com discussões participativas e usam esse tempo para analisar ideias ou
desenvolver trabalhos em grupo. O professor na Sala de Aula Invertida
atua como um farol ou guia, sendo um facilitador das tarefas. Além disso,
as aulas são apoiadas a todo momento por novas tecnologias, refletindo
assim o novo modelo de ensino híbrido.
Essa metodologia educacional, tão difundida na última década, apresenta
diversas vantagens em relação ao modelo tradicional:
1. Consolida conhecimentos: uma vez que as matérias foram trabalhadas
tranquilamente fora da sala de aula, as aulas são um reforço do que o aluno
já aprendeu. Em sala de aula, dúvidas podem ser respondidas, temas podem
ser trabalhados individualmente e novos e diferentes pontos de vista de
cada conteúdo podem ser explorados.
2. Maior compreensão: esse método não busca apenas memorizar os
conteúdos. A Sala de Aula Invertida tem como objetivo assimilar os temas
ao longo do tempo, o que levaria ao uso desse tipo de aprendizagem no
dia a dia.
3. Trabalho em equipe: O uso de discussões, trabalhos em grupo e
outras atividades participativas melhoram a comunicação entre os alunos e
permitem o aprendizado em grupo. São desenvolvidas competências como
o planeamento, a organização e o intercâmbio de informações e ideias.
4. O aluno é o protagonista: na Sala de Aula Invertida, os alunos se
envolvem nas aulas e participam das tarefas, passam de sujeitos passivos
a sujeitos ativos. Não são mais meros espectadores como no sistema
educacional tradicional.
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PÓS- para
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GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
O que a Sala de Aula Invertida significa para um professor?
Como podemos ver, essa alternativa de ensino oferece algumas vantagens
em relação a outros modelos didáticos. No entanto, deve-se notar que seu
sucesso dependerá de sua correta aplicação ao longo do processo pelo
professor:
1. Aproveite a tecnologia. A tecnologia está disponível para professores
e alunos, mas é preciso saber usá-la em todas as suas formas. O uso dele
torna o aprendizado mais dinâmico e interativo por meio de softwares ou
aplicativos de aprendizagem.
2. Bom planejamento de conteúdo. Antes de utilizar o método Flipped
Classroom, será necessário analisar os objetivos das aulas, os conteúdos
e disciplinas que queremos ensinar e, claro, preparar os materiais em
diferentes formatos.
3. Conheça bem seus alunos. Não é a mesma coisa preparar aulas de
Sala Invertida para crianças de 6 anos como é para adolescentes. Por isso,
é essencial saber com quem você está lidando, suas características e como
tirar proveito de cada um dos grupos.
Nesta abordagem é possível identificar as múltiplas formas de aprender:
há estudantes que aprendem com mais facilidade por intermédio de
imagens, com um estilo de aprendizagem mais visual; outros preferem e se
valem da audição; há ainda os que aprendem melhor por meio de diferentes
sentidos e pelo movimento. Neste cenário o uso das tecnologias permite
ampliar os recursos e possibilidades de aprendizado.
Cada estilo de aprendizagem pode ser mais bem explorado em
situações em que a sala de aula invertida é aplicada. Dessa forma, os
estudantes têm a autonomia em escolher qual o melhor modo para o seu
aprendizado e, posteriormente, trocar com seus professores, seja por meio
de experimentos, exercícios, dúvidas ou mesmo de bate-papos que podem
fortalecer o conteúdo aprendido.
O objetivo da sala de aula invertida é tornar estudante um pesquisador(a)
do conteúdo que aprenderá. Todavia, não basta apenas acessar o conteúdo.
Atualmente há uma infinidade de sites, livros, ebooks, podcasts e canais
de vídeos com informações, dados e conhecimento. É necessário que os
estudantes aprendam a processar essas informações e a filtrá-las, bem
41
Ensino
Não Presencial
E Híbrido
como entender o que são fatos, notícias e teorias, do que são notícias falsas,
teorias da conspiração, entre outros.
Por isso, dentro de um aprendizado que oferece autonomia e
protagonismo, os professores também necessitam conhecer a metodologia,
buscando formação e atualização para aplicá-la de modo a desenvolver
competências gerais e específicas, tais como pensamento científico, crítico
e criativo, comunicação, cultura digital e autogestão.
Intencionalidades pedagógicas e o ensino
híbrido.
A educação na contemporaneidade não se refere apenas ao uso de
tecnologias e metodologias participativas. Trata também e, sobretudo,
de uma educação que visa intencionalidade em tudo o que propõe, que
compreende a pluralidade e a diferença como elementos constituintes do
processo de ensino e de aprendizagem e da escola como uma instituição
formadora da sociedade.
O avanço tecnológico possibilitou uma mudança no olhar para a educação
e sua prática. A chegada do computador, da internet e dos dispositivos
móveis trouxe novos desafios à educação, à escola e às estratégias
educacionais, fazendo-nos entender que não é mais possível pensar uma
educação tradicional, de “transmissão” do conhecimento e com baixa
participação dos estudantes.
REALIDADE
PLANEJAMENTO OBJETIVOS
CONTÍNUO INTENCIONALIDADE
VALORIZAÇÃO
DOS SABERES
42
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Hoje, qualquer pessoa com o mínimo de recursos necessários consegue
acessar um mundo de informações e conteúdo. Portanto, o papel dos
professores deve voltar-se para trazer intencionalidade em suas
propostas de ensino, auxiliando na veracidade e no significado das
informações. Quando temos clareza no que queremos propor e quais os
desdobramentos que poderão surgir, estamos dando sentido ao que será
ensinado e aprendido.
O ensino híbrido, ao unir o ensino presencial com o ensino online,
busca atender estudantes em suas múltiplas habilidades, gostos e estilos
de aprendizagem. Esta metodologia não se resume ao uso da internet
em uma aula tradicional, ou à utilização das tecnologias no contexto da
educação convencional: trata-se de uma metodologia específica que
exige preparo, estudo, planejamento e clareza no que se pretende ensinar
(INTENCIONALIDADE).
O ensino híbrido vai ao encontro do que chamamos de ensino
personalizado, que trata a educação como um instrumento que deve
ser adaptado a cada estudante, mediante seus estilos de aprendizagem,
realidades e necessidades. Essa adaptação acontece porque há um olhar
direcionado da escola, dos professores, e porque o estudante é protagonista
em seu aprendizado, e pode conduzir os caminhos para isso, com seu ritmo,
seu local, seu tempo...
Por isso tratar dessa proposta de ensino exige planejamento das ações
e credibilidade na participação dos estudos, elementos que precisam
perpassar as intencionalidades que agregam os currículos e programas das
instituições escolares e as necessidades de cada entorno.
NA PRÁTICA
A professora, ao trabalhar
com a história de vida dos
estudantes, organizou a pesquisa
da linha do tempo da vida de
cada um. A atividade iniciou
pela pesquisa com as famílias, na
qual os estudantes precisavam
43
Ensino
Não Presencial
E Híbrido
perguntar para seus responsáveis sobre acontecimentos das suas vidas. De
posse desses dados, a professora pediu que trouxessem de casa fotos dos
momentos mais marcantes de suas vidas. Assim foram desenvolvidas duas
ações: a exposição das fotos de forma impressa e a elaboração da linha
do tempo no Canva – onde as crianças, utilizando computadores, criaram
suas histórias de forma temporal. A atividade permitiu utilizar diferentes
ferramentas tecnológicas e resgatar a importância da história de cada um
com participação da família. As linhas do tempo foram enviadas para as
famílias por meio de compartilhamento de arquivos – além de uma memória
desta construção.
A formação do professor para a proposta
do ensino híbrido.
Quando estudamos algo novo ou estamos envolvidos com o processo
de mediação de práticas que envolvem aprendizagem, a primeira
compreensão necessária que precisamos ter é de que a formação deve
ser constante. A temática formação continuada, amplamente abordada
por diferentes estudiosos do assunto, vem acentuando a necessidade de
criar espaços colaborativos que permitam o estudo com a prática de forma
contextualizada com a realidade de cada local.
Você que está lendo está material percebe essa
leitura como uma ação de formação continuada? Com
o que estudamos até aqui, você consegue perceber as
possibilidades de colocar em prática ações diferentes em
sua realidade?
Além de discutir a importância da mudança das metodologias utilizadas
e a inclusão de recursos tecnológicos em nossas práticas cotidianas, é
preciso pensarmos para além do que os olhos superficialmente podem
ver... Pedindo emprestada as palavras de Imbernón (2010) “quem não se
dispõe a mudar não transforma a prática. E quem acha que já faz tudo
certo não questiona as próprias ações”. Pode parecer “mais do mesmo”
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GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
essa discussão, mas precisamos parar e pensar que educação estamos
desenvolvendo... SIM, nós desenvolvemos a educação porque somos os
educadores que nela vivem todo o processo educativo.
O educador que pensa em sua prática pedagógica para além da sala de
aula, comprometida com a transformação do sujeito, dos seus conhecimentos
e ainda com as contribuições que irá agregar ao meio que está inserido
consegue atender as necessidades da educação contemporânea. Com isso
não queremos dizer que o educador dos dias atuais precisa se desprender de
toda sua formação, mas sim que o compromisso em dar vez às descobertas
e potencialidades da educação é uma urgência.
Uma experiência bacana de formação
continuada...
Recentemente, ao fazer uma atividade com um grupo de professores,
um palestrante iniciou sua fala sobre Educação conectada. A ideia era
reforçar a importância da conexão e de estarmos juntos. O público parecia
cansado... foi então que o palestrante, cujo objetivo inicial era entender os
interesses do grupo, para contextualizar com sua abordagem, pediu que
em 15 minutos explorassem o espaço físico do campus da instituição de
ensino (fora da sala da conferência) e registrassem a imagem do momento
vivido que expressasse um desejo ou sentimento naquele momento em que
estavam em formação continuada.
O grupo utilizou como registro o recurso do Padlet que se tornou o
disparador sobre o tema abordado, bem como foi o elo e o compromisso
com uma produção no espaço fora da sala de conferência... Todos saíram
para espairecer, mas seguiram conectados, mantendo a comunicação do
grupo e permitindo que o “corpo físico” pudesse renovar as energias.
Com isso podemos perceber que a educação híbrida ganha força em
todos os níveis e precisa estar presente em nossas ações como professores
estudantes sobre as formas de trazer intencionalidade em nossas ações!
As tecnologias, neste contexto de formação de professores, em especial
na perspectiva do ensino híbrido, surgem como um ferramental precioso
para a rotina pedagógica. Desde os mais simples recursos até os mais
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Ensino
Não Presencial
E Híbrido
complexos, o importante é que o educador explore novas ferramentas,
pesquise possibilidades e principalmente se aproprie do que os estudantes
estão utilizando e quais seus interesses. Seja em um celular ou em uma
página de programação de computador, o importante é que o educador
possa estar próximo dos estudantes e significando as aprendizagens
Desmistificando o “curioso mundo do ensino híbrido”, vamos aqui
elencar alguns indicadores e compromissos de um educador que atua nesta
perspectiva:
INDICADORES
COMPROMISSOS
DE PENSAMENTO
Está preocupado com os estudantes e Desafia os estudantes e não está
com seus interesses preocupado em ter todas as
respostas
Quer participar das atividades Sabe que muitas vezes a mudança
ativamente, realizando junto com os depende da forma como trabalha
alunos
Entende que estar próximo não é Acolhe e se faz presente em
estar no mesmo lugar diferentes meios
Valoriza os avanços tecnológicos Desafia-se a aprender a utilizar novos
recursos tecnológicos
constantemente
Busca a melhoria da aprendizagem Quer desenvolver os currículos de
forma a construir um real
aprendizado
Estimula responsabilidade Percebe o estudante como capaz de
fazer escolhas e assumir
responsabilidades
Não limita o espaço educativo Cria possibilidades (síncronas e
somente à escola e à sala de aula assíncronas) de participar
Orgulha-se de ver o progresso dos Reforça constantemente o desejo de
estudantes ser educador
Tem compromisso com os sucessos A vitória de um é também de todos
Constrói estratégias para superar as Metodologias são plurais, e existe a
dificuldades melhor para cada realidade
Acredita que a educação pode SIM Estuda, pesquisa e descobre formas
mudar o mundo de melhorar a educação
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GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
Você consegue se identificar em alguns destes
indicadores? Se sim, parabéns!
Pensar a formação comprometida com um ensino que não limita,
percebendo o potencial de nossa sociedade para “inventar novas forma
de ser, estar, produzir, participar e aprender, apresenta muitos ganhos. Mas
como estabelecer esse tipo de formação? Podemos dizer que ela está, além
de nos cursos e capacitações (presenciais ou online) na formação do que
chamamos comunidades de aprendizagem.
As comunidades de aprendizagem buscam estabelecer elos de formação
por meio do compartilhamento de informações e experiências entre
educadores, utilizando das preferências e habilidades de cada um para criar
uma rede de apoio e inspiração para as práticas pedagógicas... E quem
serão esses educadores? TODOS! Uma comunidade agrega diferentes
saberes, pois são neles que fortalecemos as aprendizagens e conseguimos
compreender o ensino de forma flexível, em constante mudança e
comprometido com a importância de todos os que fazem parte.
Aqui cabe reforçar: muito se tem produzido pelas escolas mundo
a fora; ideias brilhantes e incríveis que rompem barreiras geográficas
servem de força e repositório de ideias para que possamos seguir vencendo
os desafios da rotina... Trocar ideia com pessoas de outros países, conhecer
locais de forma virtual, ler obras online que não conseguimos obter no meio
físico, tudo isso somente reforça a certeza de que vivemos em um cenário
híbrido e nos alimentamos de todas suas maravilhas.
Compreendida a importância da formação, do perfil do educador e do
papel de uma comunidade de aprendizagem, fica o convite e desafio: vamos
iniciar nossa comunidade de aprendizagem? Convide amigos, colegas
educadores, pessoas curiosas da educação. Crie arquivos compartilhados,
repositórios virtuais. Utilize as tecnologias para ampliar esse grupo e comece
o trabalho.
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4
Entre o real, o desejo,
o possível e a criação
ilimitada
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Dinâmicas, potências e criações.
Sabemos que a aprendizagem é mais ativa e significativa quando os
estudantes são motivados e convidados a encontrar relevância e interesse
nas atividades propostas, quando são consultados sobre suas motivações
e desejos, ou quando se engajam em projetos criativos e contextualizados
com as suas realidades.
Assim, se desejamos que os estudantes sejam ativos e proativos em busca
de um ensino de qualidade, os educadores precisam adotar metodologias que
possibilitem o envolvimento em atividades cada vez mais complexas, que exijam a
tomada de decisões e a avaliação de resultados; ou seja, se é esperado que sejam
criativos, os estudantes precisam experimentar inúmeras novas possibilidades de
mostrar e desenvolver essa competência (MORAN, 2015).
NA PRÁTICA
Voltada a potencializar a compreensão de que a aprendizagem ocorre em
diferentes espaços, uma escola criou o Laboratório de Criatividade. Este laboratório
foi criado em uma sala de aula desativada, com recursos trazidos pelos estudantes.
A proposta nasceu com as seguintes normas:
- O Laboratório fica aberto o tempo todo e
pode ser utilizado quando e por quem desejar
– respeitando a capacidade de ocupação
física;
- Todos os recursos do laboratório são
trazidos pelos usuários e compartilhados para
uso;
- Somente podem ser desenvolvidas ideias
criativas;
- O que você criar dever ser compartilhado
com uma postagem, marcando a mídia do Instagram da escola.
O espaço que até então estava deixado de lado vira palco para aprendizagem
com protagonismo do estudante. A iniciativa já existe há três anos e hoje tem sua
utilização nos momentos de intervalo e para atividades diversas em complemento
à sala de aula (seja no turno regular ou inverso dos estudantes).
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Ensino
Não Presencial
E Híbrido
Uma maneira de desenvolver as competências em nossos alunos é por
meio do ensino híbrido, que apresenta diversas dinâmicas e potenciais
para a criação que valoriza as múltiplas formas de construir e refletir
sobre o que está sendo apresentado. Sabendo então do potencial de
personalização e busca do que as metodologias voltadas ao ensino híbrido
proporcionam, é preciso identificar o que vale e o que não vale como
conceito:
O que o ensino híbrido, NÃO é?
• Aulas que ocorrem na sala de aula presencial e são transmitidas por
meio de vídeo conferência para quem não pode estar na escola. NÃO.
• Utilização de recursos tecnológicos para a realização de tarefas para
casa ou trabalhos que somente são entregues após prontos, utilizando
ferramentas digitais, sem socialização ou discussão em momento presencial.
NÃO.
• Organização de slides e objetos virtuais na sala de aula presencial
para apresentação dos conteúdos que serão trabalhados, com objetivo de
substituir o quadro negro. NÃO.
• Aulas totalmente assíncronas, em ambientes virtuais de aprendizagem,
sem momentos de encontro presencial. NÃO.
• Envio de tarefas para casa como parte da avaliação para compensação
de atividades não realizadas em momento coletivo. NÃO.
O entendimento de alguns educadores sobre o que é o ensino híbrido
pode causar confusão em sua essência, visto que não se trata de somente
agregar o uso de tecnologias às atividades de sala, mas sim compreender
a aprendizagem como movimento fluído que exige participação e
flexibilização das formas de compreender e produzir.
Sendo assim, podemos dizer que o ensino híbrido É:
• Misto de aprendizagem em espaço físico e virtual, onde o estudante
tem de autonomia para seguir, do seu jeito, as orientações do educador;
• Espaço colaborativo onde as ideias, orientações e sugestões são
compartilhadas física e virtualmente;
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• Uma experiência interligada, mesmo que em espaços diferentes,
das atividades e dos programas do que será ensinado, aproximando e
permitindo variadas formas de contribuir e estar junto;
• Os recursos digitais não são somente modernização da forma de
apresentar uma produção ou conteúdo, mas um meio para realizar tarefas,
comunicar saberes e compartilhar conhecimentos;
• A otimização do tempo em sala de aula presencial, valendo-se
de produções e informações obtidas de forma virtual, as quais serão
significadas, compreendidas, questionadas e/ou validadas.
Utilizar metodologias para o ensino híbrido permite estabelecer um
cenário no qual os estudantes podem ser vistos e percebidos, aprendendo
sem barreiras, independentemente dos recursos tecnológicos que estão
à disposição. Escolas com poucos recursos e menos acesso a tecnologias
digitais podem usar da criatividade e pensar em desenvolver atividades
significativas com seus estudantes, buscando no que possuem a utilização
de recursos que favoreçam a aprendizagem e permitam um cenário de
conexão entre todos os usuários. Mesmo sem tecnologia, ou com pouca
tecnologia, teremos ensino híbrido.
Trazemos aqui alguns exemplos de recursos digitais online de fácil acesso
que podem ser utilizados de aparelhos computadores ou celulares. Estes
recursos permitem dinamizar atividades, deixando a aula mais criativa e os
estudantes mais conectados.
Plataforma de serviços Google que auxilia em uma
Atividades multidisciplinares em todas as áreas do “apropriação tecnológica” de ferramentas muito
conhecimento com a possibilidade de produções utilizadas no meio escolar. Permite a criação de
criativas e animadas. Ótimo para criação de histórias, planilhas, editores de textos, apresentações...
narrações e interpretação de textos. Atividades simples que podem ser compartilhadas,
estimulando o ensino colaborativo.
Galeria de registros com imagens e textos, A ferramenta “famosinha” entre educadores. O
possibilitando criações em ambiente localizado e Canva, com diversas possibilidades, permite a
remoto ao mesmo tempo. Uma ferramenta de fácil criação de materiais de divulgação, comunicados e
acesso que permite a criação de um “álbum” de acervos. Uma ferramenta extremamente relevante
registros com temáticas variadas. para área de conhecimento das Linguagens.
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Ensino
Não Presencial
E Híbrido
Se você pesquisar, certamente irá encontrar inúmeros recursos e espaços
digitais com potencial para personalizar suas práticas. Cabe a nós, inspirados
por estas bases e sugestões, alimentar e ampliar o acervo de recursos que
serão indispensáveis para melhoria do ensino e comprometimento dos
estudantes em seu processo formativo.
Trazendo essa sugestão e convite, queremos ampliar os olhares para
uma mudança na compreensão da ação pedagógica, e aqui iremos destacar
o papel do planejamento docente. Os educadores dos diversos cantos
do nosso país utilizam como norteador o disposto na BNCC, documento
conhecido e normativo de toda educação brasileira. Ainda que instituído de
forma obrigatória nos currículos desde o ano de 2019, vemos alguns desafios
quanto à efetivação da organização das práticas de ensino. Pensando assim,
trazemos um exemplo que demonstra quanto uma metodologia ativa que
se vale dos princípios do hibridismo pode contribuir em um planejamento
que busca estimular as múltiplas formas de aprender:
Componente: Língua Portuguesa
Ano: 4º ano – Ensino Fundamental
Práticas de Linguagem Objetos de Conhecimento Habilidades
Produção de textos (escrita Produção de textos (EF04LP19) Ler e compreender textos
expositivos de divulgação científica
compartilhada e autônoma) Escrita autônoma
para crianças, considerando a situação
comunicativa e o tema/assunto do
texto.
(EF04LP20) Reconhecer a função de
gráficos, diagramas e tabelas em
textos, como forma de apresentação
de dados e informações.
Proposta de Ação
Em sala:
Conversa sobre o que é fazer pesquisa – o que sabem? Apresentação do conceito.
Análise de revistas com reportagens que apresentam descobertas de épocas passadas.
Escolha, no grupo, de cinco reportagens com as descobertas mais interessantes.
Fora da sala:
Criar um gráfico, utilizando a ferramenta Excel no G-suíte com os votos da turma, nome das
reportagens e quais seus principais temas.
Fazer um cartaz de divulgação no Canva para apresentação dos dados e descobertas em duas
etapas:
Apresentação online: Enviar sua apresentação para pelo menos um amigo, um familiar e um
colega de sala.
Apresentação em sala: Comentar como foi a tarefa, o que aprendeu e o que as pessoas falaram
do trabalho que foi compartilhado.
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Na experiência acima, vemos uma prática que começa no espaço físico,
ao mesmo tempo para todos os estudantes, com a apresentação da temática
e a exploração de recursos impressos para disparar a curiosidade e a base
a ser explorada. Após, percebemos a inclusão da atividade assíncrona que
prevê estudo, pesquisa, criação de material e compartilhamento com uma
rede de pessoas – participação e comunicação por meio da internet em
tempos diferentes.
Neste exemplo, se materializa uma prática muito simples que o ensino
híbrido proporciona, agregando o uso das tecnologias e dando maior espaço
de diálogo e construção no mundo síncrono, onde as atividades tornam-
se tão complementares umas das outras que nem percebemos quando
estamos dentro ou fora da sala de aula. Rompemos assim as barreiras do
tempo de estudar, aprender e ensinar...
AGORA É A SUA VEZ...
Pesquise na BNCC online e faça esse exercício: crie
um planejamento com uma proposta híbrida e use sua
criatividade para um encontro sensacional com seus
estudantes.
Experiências assim estimulam tudo que é necessário
para a formação dos estudantes durante toda sua vida,
principalmente nas primeiras etapas de seu processo de escolarização.
Criatividade, comunicação e colaboração são competências essenciais
quando falamos das necessidades da educação contemporânea. Capacidade
de desenvolver ideias e inovar, ouvir, dialogar e processar informações
e trabalhar em equipe, compartilhando tarefas, ideias e construindo
resoluções em conjunto são elementos fundamentais para que estudantes
e educadores possam ser protagonistas no cotidiano das escolas.
No contexto de pensar práticas de ensino ativas, que possibilitam um
ensino conectado – FICA MAIS UMA DICA:
53
Ensino
Não Presencial
E Híbrido
Utilização de Storytelling
Apresenta a narração de histórias, envolvendo a pesquisa, o cenário,
uma trama e a resolução de uma situação. Pode ser realizada por meio de
diferentes recursos tecnológicos, para dar vida ao que será contado e aos
personagens que irão movimentar o desenrolar da temática.
Investir na criação de Storytelling permite desenvolver habilidades de
comunicação e pesquisa, uma vez que os estudantes precisam se apropriar
do assunto tratado, organizar ideias, fazer perguntas, expressar opiniões e
construir narrativas significativas.
Você aprenderá mais sobre Storytelling na Disciplina 6 da Pós-Graduação:
OBJETOS DE APRENDIZAGEM AUDIOVISUAIS .
O ensino híbrido possibilita elementos que buscam atender os diferentes
ritmos de aprendizagem, tendo o olhar mais focado para cada estudante de
forma eficaz, ágil e proativa. Assim dizemos que as propostas que agregam
metodologias para o ensino híbrido estão sustentadas em três P’s (Prática
Ativa e Disruptiva; Personalização e Participação):
Prática Ativa e Disruptiva: os sujeitos do processo educativo participam
de sua aprendizagem; sua bagagem é relevante, e todos contribuem com
suas descobertas e tentativas. Rompe com o seguimento tradicional e
linear do processo de aprendizagem. Tem capacidade para romper práticas
enraizadas e alterar modelos de ensino engessados, descontextualizados
da realidade.
Personalização: permite individualizar as ações para as peculiaridades
de cada contexto; olha para a necessidade individual, valorizando as
potencialidades de cada estudante. Foca na superação das dificuldades de
forma eficaz, atendendo o que cada estudante e cada contexto necessita.
Participação: busca a participação ativa de todos os envolvidos,
ampliando espaços para se fazer presente, utilizando recursos digitais com
potencial de comunicação e interação síncrona e assíncrona.
Agora questione-se: você acha importante ser um
educador que desenvolve uma prática pedagógica
embasada no três P’s?
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GRADUAÇÃO uma Educação Empreendedora
NA PRÁTICA
As escolas possuem diferentes materiais e recursos tecnológicos. No
planejamento da professora, a temática geradora de interesse dos estudantes
foram os Dinossauros... O tema surgiu de conversas
sobre preferências... e porque Daniel (um menino da
turma) descobriu que o D (letra inicial do seu nome)
era a mesma da inicial para palavra dinossauro.
A professora trabalhou diferentes textos, jogos,
utilizou recursos tecnológicos em sala e fora dela...
Em sala, explorou a leitura, raciocínio lógico, fatos
históricos, curiosidades sobre questões sociais e
geográficas em atividades formais e recreativas.
Intercalou entre os materiais a apreciação de livros,
objetos concretos e objetos virtuais de aprendizagem
na lousa com a temática de interesse.
Nas conversas em sala, a professora notou que o
tema Dinossauros virou interesse de alguns alunos
maiores, que, por consequência,
agregavam irmãos dos alunos desta
turma. Foi assim que a professora
“ensinou a utilizar” um jogo em sala
de aula, no qual as crianças do 1º ano ensinariam os irmãos do 4º
ano a brincar.
Foi uma experiência simples e que reverberou em um resultado
surpreendente. As crianças puderam estudar e aprender mais sobre a
temática com seus familiares, fora da escola, de forma criativa e divertida,
sendo elas as protagonistas do processo, orientadas pelo professor.
A ação se estendeu em atividades de integração de turmas com o
projeto Vamos Ler Juntos (a cada 15 dias, colegas maiores leem histórias
para colegas menores).
Estudar o ensino na perspectiva híbrida não é algo recente. Como já
vimos e percebemos ao longo deste material, essa temática vem sendo
discutida nas últimas décadas, tendo sido potencializada no ano de 2019
55
Ensino
Não Presencial
E Híbrido
com o cenário pandêmico. Como diz o recorte do texto do documento que
apresenta as Diretrizes Gerais sobre Aprendizagem Híbrida9 do Conselho
Nacional de Educação - MEC:
“Vale lembrar que as ideias do hibridismo foram discutidas por Néstor García
Canclini (1996), em contexto de final de século, quando colocava em pauta o
termo “hibridização”, abrangendo as diversas mesclas interculturais que marcam a
contemporaneidade e que reverberam no nosso cotidiano”.
A educação exige cada vez mais ATENÇÃO para as práticas que são
vinculadas como ações de aprendizagem. Vivemos em um contexto social
repleto de possibilidades e vasto de recursos tecnológicos, o que nos
permite desenvolver um olhar mais próximo, acolhedor e comprometido
com o ensino das gerações de todos os tempos.
Com base no que estudamos, você se sente
motivado a ser um professor que está comprometido
com novas possibilidade de ensinar e aprender?
9 Confira o texto na íntegra: [Link]
educacao-hibrida/file#:~:text=Art.,alcance%20dos%20objetivos%20de%20aprendizagem.
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