Plantas Sagradas na Umbanda e Candomblé
Plantas Sagradas na Umbanda e Candomblé
Alfazema (Lavanda)
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Nome cientí co: Lavandula of cinalis Chaix (sinônimos: Lavandula angustifolia,
popularmente chamada alfazema ou lavanda).
Partes utilizadas: Flores e ramos oridos (ricos em óleo essencial). Pode-se usar as
ores secas em defumações e sachês, ou frescas/infusas em banhos e preparos.
Usos na Umbanda: A alfazema é uma das principais ervas de puri cação e calmaria.
Suas ores são usadas em banhos de descarrego suaves, amacis e defumações para
dissipar stress espiritual, carregar o ambiente de paz e elevar a
vibraçã[Link]. Tradicionalmente, a água de alfazema (colônia) é
borrifada durante as giras para harmonizar o terreiro. É considerada uma erva morna,
equilibradora, que “agrada” praticamente todos os Orixá[Link] – em especial
vibra com Oxalá e Iemanjá, sendo comum nos rituais dessas divindades por trazer
tranquilidade e dulçor energé[Link]. Também é associada às
linhas de Preto Velho e Crianças, empregada para acalmar as emoções.
Usos no Candomblé: Presente nos banhos de abô e de orixá, sobretudo para Orixás
femininos ligados à água e ao amor, como Oxum e Iemanjá. A essência de alfazema é
usada para consagrar ilês (coroa/cabeça) dos iniciados, pois acredita-se que limpa
in uências nocivas e atrai a doçura dos Orixás. Em algumas casas de Candomblé, a
lavanda é plantada no terreiro como sinal de boas vindas e paz. Também pode compor
oferendas (por exemplo, perfumes e ores de alfazema em presentes para Oxum).
Usos terapêuticos: A lavanda é amplamente reconhecida por suas propriedades
calmantes, ansiolíticas e analgésicas leves. O óleo essencial, inalado ou aplicado em
massagens, atua no sistema nervoso central proporcionando relaxamento e alívio de
tensõ[Link]. Chás de alfazema (usando pequenas quantidades
de or) auxiliam no combate à insônia, ansiedade e distúrbios digestivos de origem
nervosa (como gastrite e atulência por
tensão)[Link]. Também tem ação
antisséptica respiratória – inalações com alfazema ajudam em tosses e bronquites,
dilatando brônquios e aliviando [Link]. Além
disso, a infusão morna pode ser usada em compressas para tratar dermatites leves,
eczemas e limpar feridas, devido ao seu efeito antimicrobiano.
Propriedades espirituais: Conhecida como “erva da tranquilidade”, a alfazema traz
equilíbrio emocional, limpeza e proteção suave. Seu aroma delicado afasta
in uências espirituais nocivas e eleva a vibração do local, promovendo harmonia,
autocon ança e abertura ao [Link]. No plano sutil, atua
acalmando mágoas e agitação, ajudando a transmutar energias de raiva ou tristeza em
paz. Por isso, é ingrediente clássico em trabalhos de magia amorosa e para atrair bons
uidos. A alfazema é vista como uma erva de Oxalá/Iemanjá, carregando a energia da
misericórdia, perdão e serenidade.
Precauções: A alfazema é segura em usos externos e aromaterápicos, mas a ingestão
do óleo essencial puro é contraindicada (pode ser tóxica). Algumas pessoas mais
sensíveis podem ter sonolência excessiva ao consumir o chá em quantidade elevada.
Gestantes devem evitar o uso do óleo essencial concentrado. Em banhos, recomenda-
se não exagerar na quantidade de ores para não baixar demais a pressão ou gerar
apatia – o equilíbrio é chave, pois a alfazema em excesso pode “esfriar” excessivamente
a aura.
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Arruda
Nome cientí co: Ruta graveolens L.
Partes utilizadas: Folhas (frescas ou secas) e ramos – usados inteiros como amuleto ou
macerados em preparos; ores e sementes raramente são empregadas.
Usos na Umbanda: A arruda é talvez a erva de proteção mais famosa. Extremamente
quente e “agressiva” em ação, é utilizada para descarrego pesado e defesa contra
inveja e [Link]. Os ramos verdes de arruda muitas
vezes são colocados atrás da orelha, na lapela ou em patuás como escudo energético
contra negatividade – um costume herdado do tempo colonial em que escravas
vendiam galhos de arruda como amuleto de [Link]. Em banhos, a
arruda retira cargas densas do corpo astral; contudo, na Umbanda costuma-se não
molhar a cabeça com arruda, exceto se o médium for lho de Ogum ou Exu (que
regem essa erva)[Link]. Em defumações, queima-se moderadamente a arruda
(misturada a outras ervas) para “quebrar demandas” lançadas. Benzimentos tradicionais
também utilizam ramos de arruda mergulhados em água para aspergir a pessoa ou
ambiente, expulsando espíritos perturbadores.
Usos no Candomblé: A arruda está presente nas folhas de Ogum e Exu, sendo
empregada em banhos fortes de descarrego antes de obrigações e em limpeza de
objetos rituais. No culto de Egungun e Exu, é valorizada pela capacidade de afastar
eguns malignos e neutralizar feitiçarias. Apesar de não ser nativa da África, incorporou-
se aos ritos no Brasil pela e cácia percebida. Em algumas nações de Candomblé, a
arruda é associada também a Oxóssi – Orixá da caça e das ervas – e por isso pode
aparecer em seus abôs de [Link]. Contudo, via de regra, lhos de
Orixás “frios” (Oxalá, Oxum, etc.) evitam o contato direto na cabeça, dada a energia
marcante da arruda.
Usos terapêuticos: A arruda possui óleos voláteis e alcaloides que conferem
propriedades antiespasmódicas, vermífugas e anti-in amatórias. Em uso interno
muito moderado (sob orientação), pequenas doses de chá de arruda são utilizadas
como calmante nervoso, para aliviar ansiedade e histeria, e como diurético
[Link]. Popularmente, também é empregada contra piolhos e pulgas –
folhas de arruda maceradas em álcool servem como repelente em animais e
[Link]. No passado, chegou a ser utilizada para estimular atrasos
menstruais e como abortivo, prática extremamente perigosa. Importante: durante a
gravidez, a arruda tem efeito abortivo comprovado, contraindo fortemente o útero e
podendo causar hemorragias [Link].
Propriedades espirituais: É conhecida como a erva da defesa e puri cação, capaz de
criar um escudo vibratório. Desde a Antiguidade, a arruda é vista como planta
protetora: romanos e outros povos carregavam-na contra feitiços e “mau-olhado”
[Link]. No âmbito espiritual, acredita-se que ela “queima”
larvas astrais, desmancha trabalhos de magia negativa e afugenta entidades
obsessoras. Ao retirar as energias pesadas, promove alívio quase imediato – muitas
vezes, o ramo de arruda usado murcha ou escurece, sinalizando ter absorvido as cargas.
Por isso, a arruda simboliza limpeza profunda, coragem e ruptura de demandas.
Precauções: Extrema cautela no uso interno! A arruda é tóxica em doses elevadas –
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tentativas de uso abortivo podem levar à morte da mãe por hemorragia
[Link]. Jamais ingerir durante a gestação. Mesmo externamente, deve-se
ter parcimônia: banhos de arruda não devem ser frequentes, pois sua energia muito
“quente” pode deixar a pessoa irritada ou desvitalizada após retirar as cargas
(recomenda-se após o descarrego tomar banho de ervas mais doces para recompor a
aura). Evitar contato do sumo nos olhos e mucosas, pois é irritante. Caso um ramo de
arruda em casa morra subitamente, a tradição diz para enterrá-lo longe do lar (seria
indicativo de que “absorveu algo pesado”). Reponha a planta por uma muda nova para
continuar a proteção.
Comigo-ninguém-pode
Nome cientí co: Dieffenbachia spp. (espécies ornamentais tropicais; Dieffenbachia
seguine é a mais comum).
Partes utilizadas: Folhas e caules – utilizados principalmente inteiros, como plantas
vivas em vasos ou ramos colocados em pontos estratégicos. Atenção: por sua toxidade,
não há uso interno ou preparo de chá; o uso é quase exclusivamente energético/
ambiental.
Usos na Umbanda: Devido ao seu nome sugestivo e poder energético, o comigo-
ninguém-pode é visto como um escudo natural contra o mal. Geralmente não é
recomendada para banhos (a não ser em casos muito especiais e sob orientação,
sempre do pescoço para baixo) por ser venenosa, mas é bastante usada como guardiã
do ambiente: vasos da planta são colocados nas portas de casas, terreiros ou em
altares, acreditando-se que ela barra a entrada de obsessores, inveja e espíritos mal-
[Link]. Em alguns
terreiros, um exemplar da planta ca ao lado do congá (altar) ou na tronqueira (local de
Exu) como parte da “guarda” espiritual do espaç[Link].
Entidades como Exu e Pretos Velhos raramente indicam banhos com comigo-
ninguém-pode, mas podem orientar a tê-la plantada na residência para sugar cargas
pesadas do local – há relatos de plantas que amarelam ou morrem após cumprirem
esse papel, devendo então ser descartadas adequadamente.
Usos no Candomblé: No candomblé, a comigo-ninguém-pode não é tradicional das
folhas litúrgicas de Orixá (até por não ser de uso medicinal), mas encontra lugar pela
sua força de defesa espiritual. Costuma ser associada a Ogum (pela coragem e luta) e
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a Exu, sendo às vezes chamada “planta de Ogum” no senso comum. Algumas casas a
colocam nas ladeiras de entrada do terreiro ou nos fundos, próxima à casa de Exu,
acreditando que ela “vigia” o perímetro contra feitiços lançados. Devido à sua energia
densa, ela não entra em contato com o iniciado (não se usa em abô nem orô), mas ca
nos arredores como ltro de negatividade.
Usos terapêuticos: Não há uso toterápico seguro. Pelo contrário, a planta é tóxica –
todas as partes contêm cristais de oxalato de cálcio que causam in amação intensa ao
contato com mucosas. Na medicina popular, às vezes é citada apenas para uso externo:
algumas benzedeiras utilizam a folha para “puxar” in amações (por exemplo, colocá-la
sobre uma contusão ou inchaço e depois descartá-la longe, num rito de transferência
da energia do mal físico para a planta). Entretanto, não se deve ingerir nem fazer sucos/
sumos dela. Reforçando: não há chá de comigo-ninguém-pode; a planta é empregada
somente pelo seu simbolismo e energia, não como remédio.
Propriedades espirituais: O simbolismo do comigo-ninguém-pode é muito forte. Seu
próprio nome evoca rmeza, proteção e
[Link].
Espiritualmente, funciona como uma barreira contra ataques: absorve os miasmas e
larvas astrais do [Link], repele obsessores e invejas,
mantendo a casa “fechada” contra o mal. Diz-se que onde há um vaso saudável de
comigo-ninguém-pode, di cilmente entram vibrações negativas persistentes. Ela
também simboliza autodefesa – cultivar essa planta com intenção reforça nossa própria
postura de defesa energética. No sincretismo popular, é associada a São Jorge (Ogum)
e Santa Bárbara (Iansã) como guardiã contra dragões e tempestades
[Link]. Em resumo, sua energia é de proteção
implacável, ao ponto de nenhum mal ousar “meter-se” com quem está sob sua guarda.
Precauções: Extremamente tóxica! Deve-se manusear o comigo-ninguém-pode com
cuidado: usar luvas ao podar ou plantar, e lavar bem as mãos após o
[Link]. Mantenha fora do alcance de
crianças e animais domésticos – a ingestão causa queimação na boca e garganta,
inchaço e pode até levar à as xia. No ambiente, cuide para que a planta receba
luminosidade indireta e não excesso de água (o apodrecimento libera odores e
energias indesejáveis). Se for utilizar a folha para algum ritual, nunca esfregue na pele
ferida nem aproxime dos olhos. Lembre-se: seu uso principal é estacionário (plantada) e
ritual, não devendo ser queimada nem ingerida. Em caso de sinais de murchamento
súbito (sem causa natural aparente), considere que a planta pode ter absorvido alguma
energia densa – descarte-a em local adequado e, se desejar, substitua por outra muda,
reforçando a intenção [Link].
Eucalipto
Nome cientí co: Eucalyptus spp. (diversas espécies usadas, ex.: Eucalyptus globulus –
eucalipto-comum; E. citriodora – eucalipto-cheiroso).
Partes utilizadas: Folhas (frescas ou secas) – são ricas em óleo essencial; também a
casca e galhos em defumações grandes. Óleo essencial de eucalipto é usado em
aromaterapia e benzimentos, mas não deve ser [Link].
Usos na Umbanda: O eucalipto é uma erva de limpeza profunda e renovação muito
presente em banhos e defumações de descarrego. Folhas de eucalipto, geralmente em
conjunto com outras ervas (como guiné, alecrim, arruda), compõem banhos para
“varrer” energias negativas, harmonizar a aura e trazer sensação de refresco
[Link]. Em defumações, sua fumaça perfumada puri ca
o ambiente e afasta espíritos obsessores, sendo bastante utilizada por Pretos Velhos e
Caboclos nas giras de cura. É considerada ligada às linhas de Oxóssi, Iansã e Ogum,
pois sua energia envolve limpeza, movimento do ar e corte de negatividade (ventos de
Iansã, ação guerreira de Ogum e conexão com matas de Oxóssi)[Link].
Também há banhos especí cos de eucalipto para aumentar a concentração e o ânimo
antes de trabalhos mediúnicos, devido ao seu efeito revigorante e clari cador.
Usos no Candomblé: O eucalipto não é tradicional da liturgia africana (por ser planta
australiana), mas foi incorporado no Brasil principalmente em ritos de Obaluaê/Omolu
e Oxóssi ligados à cura. Em alguns candomblés, folhas de eucalipto podem ser usadas
em banhos de limpeza pesada (abô) para consulentes doentes ou após funerais, pelo
seu forte poder higienizador astral. A seiva aromática do eucalipto às vezes é queimada
junto com resinas para defumar o barracão quando há necessidade de renovar todo o
axé da casa. Há restrições: como é muito forte, geralmente não se aplica direto na
cabeça do iniciado (a não ser com indicação de jogo de búzios). No Candomblé de
caboclo, que sincretiza elementos indígenas, o eucalipto aparece com mais frequência,
por exemplo, em banhos de caboclo para cura e desobsessão.
Usos terapêuticos: Eucalipto é amplamente utilizado na toterapia e medicina popular
como descongestionante e antisséptico respiratório. Suas folhas contém cineol
(eucaliptol), de ação expectorante e anti-in amatória, ótimo para aliviar tosses,
bronquite, sinusite e [Link]. Inalações com folhas fervidas
ou com algumas gotas de óleo essencial descongestionam as vias aéreas e acalmam a
garganta [Link]. O óleo diluído pode ser aplicado em massagens para
dores musculares e reumáticas, por seu efeito analgésico e estimulante da
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circulaçã[Link]. Chás fracos de eucalipto às vezes são usados para gargarejo
em dor de garganta ou como banho aromático em casos de febre (devido ao leve
efeito sudorífero). Também tem propriedades antibacterianas: compressas de chá de
eucalipto ajudam na cicatrização de feridas super [Link]. Vale destacar a
ação imunomoduladora – infusões de eucalipto fortalecem as defesas do organismo
contra infecções respirató[Link].
Propriedades espirituais: Energéticamente, o eucalipto promove uma limpeza
refrescante e reconfortante. Diz-se que sua vibração traz alívio emocional e “destrava”
a estagnação, abrindo caminho para a renovaçã[Link]. Ao remover
as energias nocivas e pesadas, ele deixa uma atmosfera de clareza, calma e bem-
[Link]. Muitos médiuns relatam sentir a mente mais límpida e o
coração mais leve após um banho de eucalipto, sendo indicado para dispersar tristezas
e pensamentos obsessivos. Por estar relacionado ao elemento ar, suas folhas carregam
um axé de ventilação das ideias e comunicação, auxiliando a limpar não só o campo
espiritual como também a esclarecer a mente confusa. Em suma, o eucalipto une o
poder de puri car (como arruda/guiné) com o de restaurar e tranquilizar (como
alfazema), sendo uma erva de cura integral (física e espiritual).
Precauções: Pessoas com asma muito severa ou alergia podem apresentar
sensibilidade às fortes emanações do óleo de eucalipto – em alguns casos, a inalação
exagerada pode irritar e fechar os brônquios ao invés de [Link]. Portanto,
usar inalações com moderação e interromper se houver piora. Nunca ingira óleo
essencial de eucalipto: ele é tóxico por via oral e pode causar danos renais e
[Link]. Mesmo para uso tópico, deve ser diluído para não irritar a
[Link]. O chá das folhas, em doses adequadas (2-3 xícaras ao dia no
máximo), é seguro para adultos, porém proibido para crianças pequenas – há risco de
laringoespasmo em bebês se aspirarem mentol/cineol concentrado. Gestantes também
devem evitar o uso interno. Por m, em banhos espirituais, use sempre do pescoço para
baixo e não tome banhos de eucalipto por muitos dias seguidos (pode “esfriar” demais
a energia pessoal, causando apatia).
Guiné (Amansa-Senhor)
Nome cientí co: Petiveria alliacea L. (sinônimos populares: guiné, tipi, amansa-senhor,
erva-de-guiné).
Partes utilizadas: Folhas (a parte mais usada, frescas ou secas); também ramos e raiz
em algumas receitas tradicionais. O odor forte de alho exalado pelas raízes e folhas
secas já indica seu poder.
Usos na Umbanda: O guiné é uma das ervas de descarrego mais potentes e
respeitadas, geralmente classi cada como quente. É excelente para banhos de limpeza
profunda e rituais de sacudimento, quebrando feitiços e dissipando energias
[Link]. Muitas vezes é utilizado em conjunto com arruda e espada-de-
são-jorge nos populares vasos de “sete ervas” de proteção. Na Umbanda, caboclos e
pretos-velhos empregam guiné em mirongas (trabalhos espirituais secretos) para
afastar obsessores e neutralizar [Link]. Uma prática comum é colocar
uma folha de guiné dentro do sapato – acredita-se que isso “puxa” para baixo as
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energias negativas do corpo e atrai coisas boas para o caminho da
[Link]. Defumações com guiné (sem queimar diretamente, mas sobre
brasas) expulsam entidades negativas de ambientes carregados. Apesar de todo esse
poder de limpeza, a folha de guiné não costuma tocar a cabeça do médium (exceto
lhos de Orixá que aceite, como Oxóssi), por ser muito forte.
Usos no Candomblé: O guiné é considerado uma das folhas sagradas de Oxóssi,
senhor das matas e da [Link]. Nos rituais de candomblé, entra em
banhos de ervas para descarrego de iniciados e em Ebós de limpeza. Quando um iaô
passa mal ou está sob ataque de feitiço, um banho morno de guiné com outras folhas
pode ser preparado para “quebrar a feitiçaria”. Também está presente nos
assentamentos de Exu e Ogum em algumas tradições, dada sua reputação de cortar
magias. Em certos rituais de cura, folhas de guiné maceradas são esfregadas
(levemente) no corpo do doente enquanto se reza, para extrair a enfermidade. Vale
notar que no culto de Ifá/Orunmilá (Yorùbá tradicional) existe planta similar (guiné)
usada para limpar eguns, o que reforça seu prestígio [Link].
Usos terapêuticos: Conhecida fora do Brasil como “anamu”, essa planta tem diversos
usos medicinais populares. Externamente, é empregada em compressas analgésicas:
folhas maceradas e aquecidas colocadas sobre articulações doloridas, testa (para dor
de cabeça) ou regiões com reumatismo aliviam as [Link]. O guiné possui
compostos sulfurados e princípios ativos com efeito anti-in amatório e analgésico,
justi cando esses usos. Internamente, embora tenha fama de remédio para vários
males (infecções, imunidade, até câncer), seu uso oral é muito restrito: em doses altas
pode causar náuseas, queda de pressão e até intoxicação sé[Link]. Há
estudos indicando propriedades antimicrobianas e sedativas, bem como possível
potencial antitumoral, mas o consumo deve ser em dose mínima e com
acompanhamento [Link]. Tradicionalmente, alguns tomam infusão
bem diluída de guiné para amansar os nervos (daí o nome “amansa-senhor”) e
combater insônia leve, ou ainda para vermes intestinais, mas isso exige parcimônia
extrema. Resumindo: o guiné medicinal é mais seguro no uso externo.
Propriedades espirituais: O guiné carrega a fama de “espanta-espíritos”. Seu axé é de
limpeza agressiva, rompendo demandas fortes e criando um campo de alta vibração
que queima formas-pensamento negativas e larvas astrais. Ele não só expulsa o mal
como também sela a aura, evitando reinfestação imediata. Por isso é muito usado tanto
para limpeza quanto para proteção contínua (como folhas no sapato ou penduradas
na porta)[Link]. Diz-se que o guiné tem a capacidade de “amansar” in uências –
tanto espirituais ruins quanto mesmo pessoas vivas enraivecidas (há simpatias com
folha de guiné para acalmar alguém agressivo). Espiritualmente, está associado à
rmeza e à vigilância: quem carrega guiné estaria sob a vigília dos caboclos de Oxóssi,
protegido de emboscadas espirituais. Nos terreiros, além de afastar obsessores, o guiné
é utilizado para atrair guias bené cos, pois ao limpar o campo, permite que boas
entidades se aproximem e trabalhem.
Precauções: Uso interno quase proibido. O guiné contém substâncias
biologicamente ativas (como derivados benzílicos sulfurados) que em excesso podem
causar convulsões, aborto e efeitos neurotóxicos. Mulheres grávidas não devem usar de
forma alguma, pois há risco abortivo. Em crianças, nem externo nem interno é
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recomendado, dado seu potencial irritante. Ao preparar compressas, teste antes uma
pequena área da pele – algumas pessoas podem ter dermatite de contato. Se for tomar
um chá fraco de guiné (por conta e risco), que seja em dose minúscula e por curto
período. Nuncaingerir álcool de guiné caseiro em quantidade (há relatos de
intoxicação). Por segurança, a Umbanda ensina que o guiné deve atuar de fora para
dentro: limpando a aura, e não sendo colocado “pra dentro” do corpo físico. Depois de
usar folhas de guiné em rituais (banhos ou defumações), descarte-as em local
adequado (na natureza, longe da casa) – acredita-se que cam carregadas e não devem
permanecer no ambiente doméstico.
Louro
Nome cientí co: Laurus nobilis L.
Partes utilizadas: Folhas (secas ou frescas). As folhas de louro, inteiras ou rasgadas, são
usadas em defumações, banhos e chás. Os frutos (bagas) produzem azeite de louro,
empregado medicinalmente e ocasionalmente em unções.
Usos na Umbanda: O louro (folha de loureiro) é bastante conhecido na culinária, mas
nos rituais atua como erva de prosperidade e proteção. Na Umbanda, folhas de louro
são queimadas em defumadores para atrair fortuna e limpeza – a defumação com louro
e benjoim, por exemplo, puri ca o altar e ambiente, trazendo
[Link]. Em banhos, geralmente
misturado a outras ervas, o louro ajuda a abrir caminhos na vida nanceira e remover
eguns que trazem desânimo. Benzedeiras recomendam banho de louro numa segunda-
feira de lua crescente para quem busca emprego ou sucesso nos negócios. Além disso,
o louro é usado em patuás de prosperidade: colocar 3 folhas na carteira ou atrás da
porta para chamar dinheiro.
Usos no Candomblé: O louro é associado a Iansã (Oyá) – Orixá dos ventos e
tempestades – por conta de sua ligação com vitória e combate. Iansã, sincretizada com
Santa Bárbara, por vezes recebe louro em suas oferendas (pela referência às palmas e
coroas de louros dos vencedores). Nos rituais, folhas de louro podem entrar em banhos
de Oyá e Xangô para conferir coragem e sucesso em demandas de justiça. É também
citado como erva de Oxóssi em algumas listas (talvez por ser folha de árvore,
relacionada a caça e fartura). Em defumação, o louro queimado, além de atrair
prosperidade, serve para “aprasar” (acalmar) eguns e guiar ancestrais no culto de Baba
Egum.
Usos terapêuticos: O louro tem propriedades digestivas, carminativas e anti-
in amatórias. O chá de folhas de louro é tradicionalmente usado para estimular a
menstruação ausente (amenorreia)[Link] e aliviar cólicas menstruais – devido a
um leve efeito emenagogo. Atua também como digestivo, auxiliando em casos de
indigestão e gases. As folhas contêm óleos com ação anti-reumática; assim, o óleo de
louro (obtido dos frutos) é aplicado em fricções para dores reumáticas, artrite e
[Link]. Essa prática é antiga: macerar louro em azeite e esfregar nas
têmporas ajuda em cefaleias de tensão. Além disso, o louro tem atividade
antimicrobiana moderada, podendo ser utilizado em bochechos para higiene bucal. Na
toterapia europeia, também é indicado para estimular apetite e como diurético suave.
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Propriedades espirituais: O louro simboliza vitória, sucesso e elevação. Na Roma
antiga, coroas de louros eram dadas aos triunfadores – essa aura de triunfo permeia seu
uso mágico. Espiritualmente, acredita-se que o louro atrai bons negócios,
reconhecimento e crescimento pessoal. Ele carrega a vibração do merecimento e da
realização dos objetivos. Em muitas simpatias, escrevem-se desejos em folhas de louro
que depois são queimadas, liberando ao universo o pedido. No esoterismo, o louro
também é considerado guardião do lar: um feixe de louros pendurado protege contra
infortúnios e intrusos astrais, e seu aroma em defumação traz paz e sabedoria. Por
pertencer à vibração de Iansã/Oyá, o louro tem também um aspecto de transformação
– ajuda a varrer o velho e abrir espaço para o novo, com rapidez e justiça.
Precauções: Em geral, o louro é seguro como condimento e chá ocasional. Deve-se ter
cuidado apenas para não ingerir a folha seca inteira, pois é coriácea e pontiaguda –
pode arranhar a garganta (sempre retirar as folhas dos cozidos antes de servir). Doses
muito altas de chá de louro podem causar sonolência ou baixar a pressão em
indivíduos sensíveis. Por sua ação de estimular uxo sanguíneo abdominal, gestantes
devem evitar consumir chá de louro em excesso, sobretudo no primeiro trimestre. No
uso espiritual, atenção para não confundir o louro (Laurus nobilis) com plantas de nome
similar, como o louro-salgueiro ou louro-branco (Nectandra) – essas não têm as mesmas
propriedades. Sempre identi que corretamente a folha antes do uso ritual.
Manjericão (Manjerico)
Nome cientí co: Ocimum basilicum L. (manjericão comum; popularmente “manjerico”
quando variedade de folha menor).
Partes utilizadas: Folhas e ores. As folhas verdes são usadas frescas em banhos e
defumações; secas, perdem um pouco do aroma mas ainda contêm propriedades.
Sementes raramente usadas no Brasil.
Usos na Umbanda: O manjericão é conhecido como a erva da harmonia.
Considerado “a erva boa pra tudo”[Link], ele é amplamente utilizado em
banhos de descarrego leve, banho de elevacão espiritual e principalmente em banhos
de coroa (amaci) para médiuns e [Link]. Suas folhas trazem paz e
abertura de caminhos, por isso se usa muito em defumações de ambientes para afastar
brigas e atrair entendimento familiar. Na Umbanda, o manjericão é tradicionalmente
associado a Oxalá, o que se re ete em sua função de limpeza equilibrada e ligação
com a fé[Link]. Durante os atendimentos, é comum entidades recomendarem
aos consulentes banhos de manjericão após um passe, a m de selar a aura com
vibrações elevadas de tranquilidade, amor e prosperidade. Também aparece em
mirongas de Erês (crianças) e Ibejada, por ser uma erva de energia suave e alegre,
ligada à pureza.
Usos no Candomblé: O manjericão (ejò ewé afamizado pelos orixás) está presente em
folhas de Oxalá e Omolu/Obaluaê – por sua qualidade de puri car e ao mesmo tempo
curar. Entra em banhos de abô para acalmar a cabeça do iniciado e nos ajés (preparos
medicinais ritualizados) de Obaluaê, ajudando a tratar doenças espirituais e físicas.
Também é conhecido como folha de Egungun (ancestrais): a água de manjericão é
usada em assentamentos de Eguns para elevar as almas. Em oferendas, Omolu aprecia
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manjericão roxo, enquanto Oxalá prefere o manjericão branco, segundo algumas
tradições. No Candomblé de Angola, o manjericão pode ser chamado Nskunjila,
compondo banhos de assentamento de Nkisi devido ao seu cheiro agradável que atrai
bons espíritos.
Usos terapêuticos: O manjericão é um toterápico valioso. Possui propriedades
digestivas, carminativas, antiespasmódicas e levemente sedativas. O chá de
manjericão alivia má digestão, gases e cólicas estomacais; também ajuda a acalmar
náuseas. Tem efeito relaxante muscular, bom para dores leves e para induzir um sono
tranquilo quando combinado com outras ervas (como camomila). É conhecido ainda
por ação antisséptica: gargarejos com manjericão morno ajudam em aftas e
in amações de garganta leves. Na medicina popular, folhas frescas maceradas podem
ser aplicadas em picadas de inseto para reduzir coceira e edema (devido a óleos
voláteis com propriedade anti-in amatória). Em forma de óleo essencial, demonstra
atividade antibacteriana e repelente de mosquitos. Além disso, alguns estudos indicam
que compostos do manjericão têm efeito antioxidante e podem contribuir para baixar
leve e temporariamente a pressão arterial (explicando seu uso calmante).
Propriedades espirituais: O manjericão emana vibração de amor, prosperidade e
limpeza branda. Diferentemente das ervas “quentes” que expulsam pela força, ele
limpa pela elevação: seu perfume doce dissolve pensamentos negativos e atrai
energia de alegria e abundância. É muito usado em magias de amor e união – por
exemplo, banho de manjericão e mel para harmonizar casal. Também simboliza
prosperidade: folhas de manjericão na carteira dizem atrair dinheiro, e na porta de
casa, bênçãos. No aspecto de proteção, acredita-se que o manjericão cria um campo ao
redor da pessoa que a deixa menos suscetível a ataques, porque sua aura ca radiante;
ou seja, em vez de enfrentar o mal, ele aumenta o bem até que o mal não encontre
espaço. Por isso é tão usado com crianças e em bênçãos familiares. Em muitas rezas,
asperge-se água de manjericão nos quatro cantos da casa pedindo-se equilíbrio, saúde
e entendimento entre os moradores. Em resumo, seu axé é de doçura, elevação e
bênçãos.
Precauções: O manjericão é seguro na culinária e uso moderado. Deve-se evitar o uso
excessivo do óleo essencial puro sobre a pele (pode causar irritação) e também evitar
ingestão em grande quantidade por grávidas, já que contém estragol e eugenol, que
em doses altíssimas poderiam ser abortivos (embora usar como tempero seja
absolutamente normal). Por ser hipotensor leve, pessoas com pressão muito baixa
devem consumir com parcimônia para não piorar a letargia. No mais, não há
contraindicações severas – é realmente uma das ervas mais inocentes. Apenas lembre
de usar folhas frescas em banhos para maior e cácia, e não reutilizar a água do banho
de manjericão para outros ns (descartar na natureza), pois ela carrega aquilo que
limpou.