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Plantas Sagradas na Umbanda e Candomblé

O documento apresenta um compêndio de plantas sagradas e medicinais utilizadas nas tradições afro-brasileiras, como Umbanda e Candomblé, destacando suas propriedades espirituais e curativas. Cada planta é descrita com informações sobre seus usos rituais, terapêuticos e precauções, enfatizando a importância das ervas na limpeza espiritual e conexão com os Orixás. Exemplos incluem o abre-caminho, alecrim, alfavaca, alfazema e arruda, cada uma com suas características e aplicações específicas.

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Plantas Sagradas na Umbanda e Candomblé

O documento apresenta um compêndio de plantas sagradas e medicinais utilizadas nas tradições afro-brasileiras, como Umbanda e Candomblé, destacando suas propriedades espirituais e curativas. Cada planta é descrita com informações sobre seus usos rituais, terapêuticos e precauções, enfatizando a importância das ervas na limpeza espiritual e conexão com os Orixás. Exemplos incluem o abre-caminho, alecrim, alfavaca, alfazema e arruda, cada uma com suas características e aplicações específicas.

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Compêndio de Plantas Sagradas e

Medicinais na Umbanda, Candomblé e


Fitoterapia Brasileira
Introdução: As tradições afro-brasileiras, como a Umbanda e o Candomblé, atribuem
grande importância às plantas, conhecidas como ervas, pelas suas propriedades
espirituais e curativas. Essas ervas são utilizadas em banhos ritualísticos (abôs, amaci),
defumações, oferendas e outros ritos para limpeza espiritual, proteção, equilíbrio
energético e conexão com os Orixás. Muitas delas coincidem com plantas da toterapia
popular brasileira, possuindo também reconhecidos usos medicinais. A seguir,
apresentamos um compêndio organizado em ordem alfabética das principais plantas
utilizadas nessas tradições, detalhando seus nomes, partes usadas, aplicações rituais na
Umbanda e no Candomblé, usos terapêuticos, propriedades espirituais e eventuais
precauções.

Abre-caminho (Periquitinho de Ogum)


Nome cientí co: Justicia gendarussa (sinônimos populares: “vence-demanda”,
Lygodium volubile em algumas regiões)[Link].
Partes utilizadas: Folhas (principalmente frescas ou secas) e, ocasionalmente, ramos.
Usos na Umbanda: Considerada uma erva quente, é empregada em banhos de
defesa, defumações e rituais de sacudimento para “abrir os caminhos” na vida
pro ssional e [Link]. É comum colocar uma folha seca de abre-caminho
dentro da carteira ou sapato como amuleto para atrair boas oportunidades,
devolvendo-a depois à [Link].
Usos no Candomblé: Ligada principalmente a Ogum, o Orixá dos caminhos e batalhas,
e utilizada em ritos preparatórios (como abô) para remover obstáculos energéticos. As
diferentes variedades da planta podem relacionar-se a Orixás especí cos – por
exemplo, a forma de folhas arroxeadas é associada a [Link].
Usos terapêuticos: Na toterapia amazônica e nordestina, o abre-caminho possui
propriedades anti-in amatórias, antioxidantes e analgésicas. Suas folhas e ores são
usadas tradicionalmente para aliviar dores musculares, tratar problemas digestivos e
infecções respiratórias leves [Link]. Estudos modernos con rmam
algumas dessas atividades, mas recomendam cautela no uso interno sem orientação
pro ssional [Link] [Link].
Propriedades espirituais: É reverenciada como uma planta de proteção e
prosperidade, capaz de afastar energias negativas e remover bloqueios na vida. Seu
próprio nome sugere a capacidade de “superar obstáculos e abrir novas
oportunidades”[Link]. Em banhos de descarrego, seu poder “quebrador de
demandas” é invocado para dissipar inveja, mau-olhado e outras vibrações
[Link].
Precauções: O uso interno deve ser muito moderado ou evitado, pois doses altas
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podem ser tóxicas. Tradicionalmente utiliza-se apenas externamente (banhos e
defumações) ou em fórmulas magísticas. Gestantes e lactantes não devem ingerir esta
planta. Como toda erva de forte potência energética, recomenda-se utilizá-la com
respeito e, após o uso ritual, devolver as sobras à natureza. Além disso, acredita-se que
a queima direta do abre-caminho não é aconselhável (não se deve “queimá-la” no
carvão, apenas usá-la fresca), pois isso poderia neutralizar sua energia ou atrair má sorte
segundo a tradição oral.

Alecrim (Erva de Oxóssi e Oxalá)


Nome cientí co: Rosmarinus of cinalis L. (atualmente Salvia rosmarinus).
Partes utilizadas: Ramos e folhas aromáticas (frescas ou secas).
Usos na Umbanda: O alecrim é uma das ervas mais versáteis e populares, considerado
“bom para quase tudo” nos [Link]. É utilizado em banhos de descarrego
leves, defumações para espantar mau-olhado e em amacis(banhos de coroação) devido
ao seu poder de elevar a vibração [Link]. Pelo seu aroma agradável e
energizante, traz proteção e alegria, sendo comum em trabalhos de caboclos e jovens
guias espirituais.
Usos no Candomblé: Associado principalmente a Oxóssi (Orixá das matas) e Oxalá, o
alecrim integra preparos de banho e abô para puri cação e fortalecimento espiritual
desses Orixá[Link]. Em alguns terrois, diferencia-se o alecrimcomum do
chamado alecrim-do-cruzamento (alfazema-do-brasil ou alecrim-do-norte), este último
utilizado especi camente para afastar eguns (espíritos desencarnados
perturbadores)[Link].
Usos terapêuticos: Na medicina popular, o chá de alecrim é digestivo e carminativo
(reduz gases), sendo também utilizado como tônico para circulação e memória. O
alecrim age como estimulante suave do sistema nervoso central e do
coraçã[Link]. Tradicionalmente recomenda-se para fadiga física e mental.
Precaução medicinal: por possuir efeito potencialmente hipertensivo (pode elevar a
pressão em doses altas) e dilatar vasos, deve-se consumir com
moderaçã[Link].
Propriedades espirituais: O alecrim é considerado uma erva de limpeza e vitalidade.
Espiritualmente, ele afasta energias negativas leves, inveja e “quebrante” (energia de
olho-gordo)[Link], ao mesmo tempo em que eleva a autoestima e a disposição.
Seu aroma forte e agradável “alegra” o ambiente e os espíritos, sendo sinônimo de
proteção, clareza mental e bem-estar. Também é empregado para consagrar e puri car
instrumentos rituais e altares.
Precauções: Não possui grande toxicidade, mas seu óleo essencial, se usado
concentrado, pode causar irritação na pele; por isso, em banhos se usam infusões
diluídas. Gestantes devem evitar o uso interno frequente, pois o alecrim em doses
elevadas pode estimular a musculatura uterina. Respeite sempre a dosagem moderada
– na dúvida, pre ra usar externamente (banhos, defumações) para ns espirituais e
medicinais.
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Alfavaca (Manjericão-de-folha-larga, Erva-de-
Boiadeiro)
Nome cientí co: Ocimum gratissimum L. (conhecida como alfavaca, alfavaca-cravo ou
alfavaca-de-vaqueiro).
Partes utilizadas: Folhas (frescas para chás e banhos; secas para defumação) e
também as sementes em algumas aplicações [Link].
Usos na Umbanda: Muito apreciada pelos Caboclos e Boiadeiros, a alfavaca entra em
rituais de sacudimento e defumação de limpeza pesada, geralmente em combinação
com outras ervas como o [Link]. Por seu perfume agradável e vibrante,
é usada em banhos de descarrego e renovação, ajudando a dissipar energias negativas
persistentes. Também pode gurar em benzimentos para remover viborações (cargas
espirituais) do campo áurico.
Usos no Candomblé: Considerada uma erva ligada a mais de um Orixá – com
frequência citada nas folhas de Oxóssi, Oxalá e [Link]. Em rituais, a
alfavaca é empregada em abôs e banhos de puri cação antes de festas ou obrigações,
especialmente para descarrego e preparação do médium. Sua energia equilibrada
contribui para harmonizar o axé do iniciado, unindo propriedades de limpeza e de
vitalização.
Usos terapêuticos: A alfavaca possui folhas aromáticas com propriedades
estimulantes, digestivas e diuré[Link]. O chá de suas folhas é
tradicionalmente usado para aliviar desconfortos gástricos e intestinais, ajudando em
casos de má digestão, gases e cólicas. Também é conhecida por efeito antisséptico
urinário, auxiliando em casos de ardor ao urinar e infecções leves do trato
uriná[Link]. Externamente, gargarejos com infusão de alfavaca aliviam dor de
garganta e [Link]. Compressas mornas das folhas ou sementes maceradas
podem ser aplicadas sobre os seios in amados de nutrizes, para tratar ssuras nos
[Link].
Propriedades espirituais: A alfavaca carrega uma vibração de força e movimento,
associada ao elemento ar e à alegria do interior (daí o epíteto “erva de boiadeiro”).
Espiritualmente, atua desagregando miasmas e quiangas (larvas astrais), e ao mesmo
tempo elevando o padrão vibratório do ambiente com seu aroma. Proporciona
sensação de limpeza seguida de energização, restaurando o equilíbrio e a disposição.
Também está relacionada a prosperidade e abertura de caminhos, porém de forma
mais harmoniosa (menos “quente”) que a arruda ou guiné.
Precauções: É uma erva segura quando usada moderadamente. Como outras espécies
de manjericão, doses muito concentradas podem baixar a pressão sanguínea em
pessoas sensíveis ou causar sonolência. Evitar o uso interno contínuo por gestantes. Em
banhos, evite água muito quente para não eliminar seus óleos voláteis; despeje a
infusão sempre do pescoço para baixo, mentalizando a limpeza e vitalização.

Alfazema (Lavanda)
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Nome cientí co: Lavandula of cinalis Chaix (sinônimos: Lavandula angustifolia,
popularmente chamada alfazema ou lavanda).
Partes utilizadas: Flores e ramos oridos (ricos em óleo essencial). Pode-se usar as
ores secas em defumações e sachês, ou frescas/infusas em banhos e preparos.
Usos na Umbanda: A alfazema é uma das principais ervas de puri cação e calmaria.
Suas ores são usadas em banhos de descarrego suaves, amacis e defumações para
dissipar stress espiritual, carregar o ambiente de paz e elevar a
vibraçã[Link]. Tradicionalmente, a água de alfazema (colônia) é
borrifada durante as giras para harmonizar o terreiro. É considerada uma erva morna,
equilibradora, que “agrada” praticamente todos os Orixá[Link] – em especial
vibra com Oxalá e Iemanjá, sendo comum nos rituais dessas divindades por trazer
tranquilidade e dulçor energé[Link]. Também é associada às
linhas de Preto Velho e Crianças, empregada para acalmar as emoções.
Usos no Candomblé: Presente nos banhos de abô e de orixá, sobretudo para Orixás
femininos ligados à água e ao amor, como Oxum e Iemanjá. A essência de alfazema é
usada para consagrar ilês (coroa/cabeça) dos iniciados, pois acredita-se que limpa
in uências nocivas e atrai a doçura dos Orixás. Em algumas casas de Candomblé, a
lavanda é plantada no terreiro como sinal de boas vindas e paz. Também pode compor
oferendas (por exemplo, perfumes e ores de alfazema em presentes para Oxum).
Usos terapêuticos: A lavanda é amplamente reconhecida por suas propriedades
calmantes, ansiolíticas e analgésicas leves. O óleo essencial, inalado ou aplicado em
massagens, atua no sistema nervoso central proporcionando relaxamento e alívio de
tensõ[Link]. Chás de alfazema (usando pequenas quantidades
de or) auxiliam no combate à insônia, ansiedade e distúrbios digestivos de origem
nervosa (como gastrite e atulência por
tensão)[Link]. Também tem ação
antisséptica respiratória – inalações com alfazema ajudam em tosses e bronquites,
dilatando brônquios e aliviando [Link]. Além
disso, a infusão morna pode ser usada em compressas para tratar dermatites leves,
eczemas e limpar feridas, devido ao seu efeito antimicrobiano.
Propriedades espirituais: Conhecida como “erva da tranquilidade”, a alfazema traz
equilíbrio emocional, limpeza e proteção suave. Seu aroma delicado afasta
in uências espirituais nocivas e eleva a vibração do local, promovendo harmonia,
autocon ança e abertura ao [Link]. No plano sutil, atua
acalmando mágoas e agitação, ajudando a transmutar energias de raiva ou tristeza em
paz. Por isso, é ingrediente clássico em trabalhos de magia amorosa e para atrair bons
uidos. A alfazema é vista como uma erva de Oxalá/Iemanjá, carregando a energia da
misericórdia, perdão e serenidade.
Precauções: A alfazema é segura em usos externos e aromaterápicos, mas a ingestão
do óleo essencial puro é contraindicada (pode ser tóxica). Algumas pessoas mais
sensíveis podem ter sonolência excessiva ao consumir o chá em quantidade elevada.
Gestantes devem evitar o uso do óleo essencial concentrado. Em banhos, recomenda-
se não exagerar na quantidade de ores para não baixar demais a pressão ou gerar
apatia – o equilíbrio é chave, pois a alfazema em excesso pode “esfriar” excessivamente
a aura.
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Arruda
Nome cientí co: Ruta graveolens L.
Partes utilizadas: Folhas (frescas ou secas) e ramos – usados inteiros como amuleto ou
macerados em preparos; ores e sementes raramente são empregadas.
Usos na Umbanda: A arruda é talvez a erva de proteção mais famosa. Extremamente
quente e “agressiva” em ação, é utilizada para descarrego pesado e defesa contra
inveja e [Link]. Os ramos verdes de arruda muitas
vezes são colocados atrás da orelha, na lapela ou em patuás como escudo energético
contra negatividade – um costume herdado do tempo colonial em que escravas
vendiam galhos de arruda como amuleto de [Link]. Em banhos, a
arruda retira cargas densas do corpo astral; contudo, na Umbanda costuma-se não
molhar a cabeça com arruda, exceto se o médium for lho de Ogum ou Exu (que
regem essa erva)[Link]. Em defumações, queima-se moderadamente a arruda
(misturada a outras ervas) para “quebrar demandas” lançadas. Benzimentos tradicionais
também utilizam ramos de arruda mergulhados em água para aspergir a pessoa ou
ambiente, expulsando espíritos perturbadores.
Usos no Candomblé: A arruda está presente nas folhas de Ogum e Exu, sendo
empregada em banhos fortes de descarrego antes de obrigações e em limpeza de
objetos rituais. No culto de Egungun e Exu, é valorizada pela capacidade de afastar
eguns malignos e neutralizar feitiçarias. Apesar de não ser nativa da África, incorporou-
se aos ritos no Brasil pela e cácia percebida. Em algumas nações de Candomblé, a
arruda é associada também a Oxóssi – Orixá da caça e das ervas – e por isso pode
aparecer em seus abôs de [Link]. Contudo, via de regra, lhos de
Orixás “frios” (Oxalá, Oxum, etc.) evitam o contato direto na cabeça, dada a energia
marcante da arruda.
Usos terapêuticos: A arruda possui óleos voláteis e alcaloides que conferem
propriedades antiespasmódicas, vermífugas e anti-in amatórias. Em uso interno
muito moderado (sob orientação), pequenas doses de chá de arruda são utilizadas
como calmante nervoso, para aliviar ansiedade e histeria, e como diurético
[Link]. Popularmente, também é empregada contra piolhos e pulgas –
folhas de arruda maceradas em álcool servem como repelente em animais e
[Link]. No passado, chegou a ser utilizada para estimular atrasos
menstruais e como abortivo, prática extremamente perigosa. Importante: durante a
gravidez, a arruda tem efeito abortivo comprovado, contraindo fortemente o útero e
podendo causar hemorragias [Link].
Propriedades espirituais: É conhecida como a erva da defesa e puri cação, capaz de
criar um escudo vibratório. Desde a Antiguidade, a arruda é vista como planta
protetora: romanos e outros povos carregavam-na contra feitiços e “mau-olhado”
[Link]. No âmbito espiritual, acredita-se que ela “queima”
larvas astrais, desmancha trabalhos de magia negativa e afugenta entidades
obsessoras. Ao retirar as energias pesadas, promove alívio quase imediato – muitas
vezes, o ramo de arruda usado murcha ou escurece, sinalizando ter absorvido as cargas.
Por isso, a arruda simboliza limpeza profunda, coragem e ruptura de demandas.
Precauções: Extrema cautela no uso interno! A arruda é tóxica em doses elevadas –
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tentativas de uso abortivo podem levar à morte da mãe por hemorragia
[Link]. Jamais ingerir durante a gestação. Mesmo externamente, deve-se
ter parcimônia: banhos de arruda não devem ser frequentes, pois sua energia muito
“quente” pode deixar a pessoa irritada ou desvitalizada após retirar as cargas
(recomenda-se após o descarrego tomar banho de ervas mais doces para recompor a
aura). Evitar contato do sumo nos olhos e mucosas, pois é irritante. Caso um ramo de
arruda em casa morra subitamente, a tradição diz para enterrá-lo longe do lar (seria
indicativo de que “absorveu algo pesado”). Reponha a planta por uma muda nova para
continuar a proteção.

Boldo (Tapete de Oxalá)


Nome cientí co: Plectranthus barbatus Andrews (sinônimos populares: boldo-do-
jardim, boldo-brasileiro, tapete-de-oxalá, malva-
santa)[Link].
Partes utilizadas: Folhas (geralmente frescas) – são a parte mais aromática e rica em
princípios [Link].
Usos na Umbanda: O boldo (especialmente o boldo-do-jardim, de folhas aveludadas)
é considerado uma erva fria ou sagrada, associada diretamente a Oxalá, o Orixá maior,
devido à sua capacidade de puri car de forma serena e trazer [Link]. É
uma erva primordial em quase todas as obrigações rituais de Umbanda, entrando na
composição de banhos de defesa, de energização e lustral (puri cação
cerimonial)[Link]. As folhas de boldo costumam ser usadas nos amaci
(banhos de cabeça) de iniciantes e médiuns, pois limpam a energia densa sem “agredir”
e equilibram as vibrações para receber os guias. Defumações de boldo (geralmente
secando as folhas previamente) são feitas para abençoar o ambiente, trazendo
tranquilidade e anulando miasmas.
Usos no Candomblé: Conhecido como tapete-de-Oxalá, o boldo é empregado em
banhos rituais de iniciação e em sacudimentos para praticamente todos os Orixás – com
a notável exceção de Exu, que prefere ervas [Link]. Vibrando na linha de
Oxalá, ele acalma e equilibra o axé do iyawô (iniciado), sendo frequentemente a
primeira folha usada na limpeza de um noviço. Em folhas sagradas, é classi cado como
erva de orixá funfun (branca) e é indispensável em ritos de Oxalá e Obaluaê,
promovendo paz, clareza e conexão com o sagrado.
Usos terapêuticos: O boldo (Plectranthus) possui sabor amargo e é famoso por seus
benefícios digestivos e hepáticos. O chá das folhas trata azia, má-digestão, gases e
mal-estar estomacal em [Link]. Atua como protetor do fígado,
a u x i l i a n d o n o m e t a b o l i s m o h e p á t i c o e n a re c u p e r a ç ã o d e re s s a c a s
alcoó[Link]. Tem efeito colagogo (estimula a secreção
biliar), ajudando em casos de preguiça digestiva e sensação de estômago pesado.
Também apresenta propriedades levemente sedativas, podendo contribuir para aliviar
insônia e nervosismo associado a [Link]. Popularmente é usado
ainda para combater dor de cabeça de origem digestiva e como antiviral em infusões
concentradas (por exemplo, infusão crua das folhas para diarreias
virais)[Link].
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Propriedades espirituais: O boldo carrega a energia da paz, clareza e equilíbrio. No
nível astral, suas folhas atuam como verdadeiros “limpadores” da aura, removendo
cargas negativas sem causar choque energético. Ao contrário de arruda ou guiné, cujo
poder está em queimar e expulsar, o boldo absorve e neutraliza as energias
desequilibradas, elevando a vibração com serenidade. Por isso, ele proporciona uma
sensação de alívio seguida de tranquilidade e organização mental após seu uso. É
comumente dito que o boldo traz a “clareza de Oxalá” – equilíbrio mental, perdão,
calmaria e conexão com o divino. Ambientes defumados com boldo cam com
atmosfera de paz e prosperidade [Link].
Precauções: Apesar de seguro em doses usuais, o boldo contém substâncias (como o
alcaloide boldina, no caso do boldo chileno, e compostos fenólicos nos boldos
brasileiros) que podem ser tóxicas em doses excessivas. Grávidas devem evitar boldo
internamente, pois alguns tipos de boldo são contraindicados na gestação (podem
estimular o útero ou conter substâncias abortivas em alta concentração, como ascaridol
no boldo-do-chile). Pessoas com obstrução das vias biliares também devem evitar
ingestão. Em doses normais, porém, o boldo-do-jardim é bem tolerado.
Ritualisticamente, recomenda-se colher as folhas de boldo em horários mais frescos
(manhã cedo ou m da tarde) para preservar seu axé; como tem odor forte, alguns
preferem secar ligeiramente as folhas antes de uso em banho, diminuindo o “cheiro de
chá” que ca no corpo.

Comigo-ninguém-pode
Nome cientí co: Dieffenbachia spp. (espécies ornamentais tropicais; Dieffenbachia
seguine é a mais comum).
Partes utilizadas: Folhas e caules – utilizados principalmente inteiros, como plantas
vivas em vasos ou ramos colocados em pontos estratégicos. Atenção: por sua toxidade,
não há uso interno ou preparo de chá; o uso é quase exclusivamente energético/
ambiental.
Usos na Umbanda: Devido ao seu nome sugestivo e poder energético, o comigo-
ninguém-pode é visto como um escudo natural contra o mal. Geralmente não é
recomendada para banhos (a não ser em casos muito especiais e sob orientação,
sempre do pescoço para baixo) por ser venenosa, mas é bastante usada como guardiã
do ambiente: vasos da planta são colocados nas portas de casas, terreiros ou em
altares, acreditando-se que ela barra a entrada de obsessores, inveja e espíritos mal-
[Link]. Em alguns
terreiros, um exemplar da planta ca ao lado do congá (altar) ou na tronqueira (local de
Exu) como parte da “guarda” espiritual do espaç[Link].
Entidades como Exu e Pretos Velhos raramente indicam banhos com comigo-
ninguém-pode, mas podem orientar a tê-la plantada na residência para sugar cargas
pesadas do local – há relatos de plantas que amarelam ou morrem após cumprirem
esse papel, devendo então ser descartadas adequadamente.
Usos no Candomblé: No candomblé, a comigo-ninguém-pode não é tradicional das
folhas litúrgicas de Orixá (até por não ser de uso medicinal), mas encontra lugar pela
sua força de defesa espiritual. Costuma ser associada a Ogum (pela coragem e luta) e
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a Exu, sendo às vezes chamada “planta de Ogum” no senso comum. Algumas casas a
colocam nas ladeiras de entrada do terreiro ou nos fundos, próxima à casa de Exu,
acreditando que ela “vigia” o perímetro contra feitiços lançados. Devido à sua energia
densa, ela não entra em contato com o iniciado (não se usa em abô nem orô), mas ca
nos arredores como ltro de negatividade.
Usos terapêuticos: Não há uso toterápico seguro. Pelo contrário, a planta é tóxica –
todas as partes contêm cristais de oxalato de cálcio que causam in amação intensa ao
contato com mucosas. Na medicina popular, às vezes é citada apenas para uso externo:
algumas benzedeiras utilizam a folha para “puxar” in amações (por exemplo, colocá-la
sobre uma contusão ou inchaço e depois descartá-la longe, num rito de transferência
da energia do mal físico para a planta). Entretanto, não se deve ingerir nem fazer sucos/
sumos dela. Reforçando: não há chá de comigo-ninguém-pode; a planta é empregada
somente pelo seu simbolismo e energia, não como remédio.
Propriedades espirituais: O simbolismo do comigo-ninguém-pode é muito forte. Seu
próprio nome evoca rmeza, proteção e
[Link].
Espiritualmente, funciona como uma barreira contra ataques: absorve os miasmas e
larvas astrais do [Link], repele obsessores e invejas,
mantendo a casa “fechada” contra o mal. Diz-se que onde há um vaso saudável de
comigo-ninguém-pode, di cilmente entram vibrações negativas persistentes. Ela
também simboliza autodefesa – cultivar essa planta com intenção reforça nossa própria
postura de defesa energética. No sincretismo popular, é associada a São Jorge (Ogum)
e Santa Bárbara (Iansã) como guardiã contra dragões e tempestades
[Link]. Em resumo, sua energia é de proteção
implacável, ao ponto de nenhum mal ousar “meter-se” com quem está sob sua guarda.
Precauções: Extremamente tóxica! Deve-se manusear o comigo-ninguém-pode com
cuidado: usar luvas ao podar ou plantar, e lavar bem as mãos após o
[Link]. Mantenha fora do alcance de
crianças e animais domésticos – a ingestão causa queimação na boca e garganta,
inchaço e pode até levar à as xia. No ambiente, cuide para que a planta receba
luminosidade indireta e não excesso de água (o apodrecimento libera odores e
energias indesejáveis). Se for utilizar a folha para algum ritual, nunca esfregue na pele
ferida nem aproxime dos olhos. Lembre-se: seu uso principal é estacionário (plantada) e
ritual, não devendo ser queimada nem ingerida. Em caso de sinais de murchamento
súbito (sem causa natural aparente), considere que a planta pode ter absorvido alguma
energia densa – descarte-a em local adequado e, se desejar, substitua por outra muda,
reforçando a intenção [Link].

Espada-de-São-Jorge (Espada de Ogum)


Nome cientí co: Dracaena trifasciata (sinônimos: Sansevieria trifasciata; também
Sansevieria zeylanica – variedades muito próximas).
Partes utilizadas: Folhas alongadas, rígidas e pontiagudas, que lembram espadas.
Usadas principalmente inteiras (em vasos, arranjos ou como amuleto) e eventualmente
pedaços de folha em banhos. Não possui uso interno.
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Usos na Umbanda: A espada-de-são-jorge é um dos símbolos clássicos de proteção
espiritual. Nos terreiros, está vinculada ao poder de Ogum, o Orixá guerreiro – assim
como Ogum empunha uma espada espiritual para defender, a planta atua como
escudo contra demandas e inveja7 [Link]. É costume colocar
vasos de espada na entrada de casas e templos, para barrar pessoas mal intencionadas
e ltrar energias intrusas7 [Link].com7 [Link].
Em banhos de ervas, suas folhas (geralmente da variedade verde) são maceradas em
água para banhos de proteção e corte de feitiços, mas apenas do pescoço para baixo,
evitando a cabeça, e sempre em quantidade moderada devido à seiva
[Link]. A espada também compõe patuás e “trouxinhas” de proteção:
pequenos pedaços da bra da folha podem ser carregados na carteira ou bolso para
dar coragem e afastar medo7 [Link].
Usos no Candomblé: Conhecida como ewé ògúndá em algumas casas, é considerada
tão poderosa que em certos rituais não se queima a espada-de-são-jorge (não entra
em defumação) para não “espantar” certos axés7 [Link]. Existem,
porém, três tipos cultuados: a Espada de Ogum (verde rajada, inteira) ligada a
Ogum7 [Link]; a Espada de Iansã ou de Santa Bárbara (com
bordas amarelas) ligada a Iansã e também a Oxóssi7 [Link]; e a
L a n ç a d e O g u m ( f o l h a s c i l í n d r i c a s , S ã o J o r g e “ l a n ç a” ) i g u a l m e n t e
protetora7 [Link]. Todas são amplamente usadas em banhos de
limpeza espiritual, colocadas nos assentamentos e altares desses Orixás, e utilizadas
para demarcar e proteger o perímetro sagrado. Na iniciação, por vezes uma espada-de-
são-jorge é ncada na porta do quarto de santo para guardar o iyawô.
Usos terapêuticos: Esta planta tem papel mais ornamental e energético do que
medicinal. Popularmente, suas folhas maceradas em álcool servem para limpar
ferimentos ou afastar insetos (devido a possíveis compostos antibacterianos leves e à
capacidade de puri car o ar)7 [Link]. Pesquisas indicam que a
Sansevieria melhora a qualidade do ar, removendo toxinas como benzeno e
formaldeído e liberando oxigênio à noite7 [Link] – por isso, às
vezes é recomendada em quartos para melhorar a respiração. Todavia, não há tradições
relevantes de uso interno; é bom lembrar que a planta possui saponinas que podem
irritar o aparelho digestivo se ingeridas.
Propriedades espirituais: Simboliza a força, a coragem e a proteção ativa. A espada-
de-são-jorge “corta” as vibrações negativas, devolvendo-as ao remetente ou
dissipando-as. É considerada capaz de neutralizar mau-olhado, feitiços e até ataques de
quiumbas (espíritos trevosos). Além da defesa, ela traz prosperidade quando cultivada
corretamente – acredita-se que a variedade de bordas amarelas (Espada de Iansã) atrai
riquezas e sucesso rápido para os moradores da casa7 [Link].
Ao eliminar o negativismo, essa planta fortalece a determinação e coragem de quem
está sob sua in uência7 [Link]. Em muitos cultos, ela é vista
como prolongamento da espada de Ogum no mundo material; portanto, planta de
movimento, decisão e vitória.
Precauções: Tóxica se ingerida. Deve-se evitar qualquer ingestão ou uso interno – a
seiva pode causar náuseas, vômitos e irritação da boca. Para animais domésticos (cães,
gatos), a espada é venenosa, por isso mantenha fora do alcance se seu pet costuma
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mastigar plantas. Em banhos, use quantidade pequena de folha e sempre do pescoço
para baixo para não causar irritação nos olhos e [Link]. Ao manusear,
pode ser conveniente usar luvas se a pessoa tem pele sensível, pois a seiva leitosa das
folhas pode causar coceira em contato prolongado. Fora isso, é planta muito resistente;
se cultivar em vaso, não regue em excesso (evite apodrecimento). Espadas não devem
ser colocadas apontando diretamente para pessoas em espaços con nados, pois a
tradição diz que o formato de lança pode fomentar disputas em locais
apertados7 [Link] – ou seja, pre ra posicionar em locais arejados
e próximos a entradas.

Eucalipto
Nome cientí co: Eucalyptus spp. (diversas espécies usadas, ex.: Eucalyptus globulus –
eucalipto-comum; E. citriodora – eucalipto-cheiroso).
Partes utilizadas: Folhas (frescas ou secas) – são ricas em óleo essencial; também a
casca e galhos em defumações grandes. Óleo essencial de eucalipto é usado em
aromaterapia e benzimentos, mas não deve ser [Link].
Usos na Umbanda: O eucalipto é uma erva de limpeza profunda e renovação muito
presente em banhos e defumações de descarrego. Folhas de eucalipto, geralmente em
conjunto com outras ervas (como guiné, alecrim, arruda), compõem banhos para
“varrer” energias negativas, harmonizar a aura e trazer sensação de refresco
[Link]. Em defumações, sua fumaça perfumada puri ca
o ambiente e afasta espíritos obsessores, sendo bastante utilizada por Pretos Velhos e
Caboclos nas giras de cura. É considerada ligada às linhas de Oxóssi, Iansã e Ogum,
pois sua energia envolve limpeza, movimento do ar e corte de negatividade (ventos de
Iansã, ação guerreira de Ogum e conexão com matas de Oxóssi)[Link].
Também há banhos especí cos de eucalipto para aumentar a concentração e o ânimo
antes de trabalhos mediúnicos, devido ao seu efeito revigorante e clari cador.
Usos no Candomblé: O eucalipto não é tradicional da liturgia africana (por ser planta
australiana), mas foi incorporado no Brasil principalmente em ritos de Obaluaê/Omolu
e Oxóssi ligados à cura. Em alguns candomblés, folhas de eucalipto podem ser usadas
em banhos de limpeza pesada (abô) para consulentes doentes ou após funerais, pelo
seu forte poder higienizador astral. A seiva aromática do eucalipto às vezes é queimada
junto com resinas para defumar o barracão quando há necessidade de renovar todo o
axé da casa. Há restrições: como é muito forte, geralmente não se aplica direto na
cabeça do iniciado (a não ser com indicação de jogo de búzios). No Candomblé de
caboclo, que sincretiza elementos indígenas, o eucalipto aparece com mais frequência,
por exemplo, em banhos de caboclo para cura e desobsessão.
Usos terapêuticos: Eucalipto é amplamente utilizado na toterapia e medicina popular
como descongestionante e antisséptico respiratório. Suas folhas contém cineol
(eucaliptol), de ação expectorante e anti-in amatória, ótimo para aliviar tosses,
bronquite, sinusite e [Link]. Inalações com folhas fervidas
ou com algumas gotas de óleo essencial descongestionam as vias aéreas e acalmam a
garganta [Link]. O óleo diluído pode ser aplicado em massagens para
dores musculares e reumáticas, por seu efeito analgésico e estimulante da
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circulaçã[Link]. Chás fracos de eucalipto às vezes são usados para gargarejo
em dor de garganta ou como banho aromático em casos de febre (devido ao leve
efeito sudorífero). Também tem propriedades antibacterianas: compressas de chá de
eucalipto ajudam na cicatrização de feridas super [Link]. Vale destacar a
ação imunomoduladora – infusões de eucalipto fortalecem as defesas do organismo
contra infecções respirató[Link].
Propriedades espirituais: Energéticamente, o eucalipto promove uma limpeza
refrescante e reconfortante. Diz-se que sua vibração traz alívio emocional e “destrava”
a estagnação, abrindo caminho para a renovaçã[Link]. Ao remover
as energias nocivas e pesadas, ele deixa uma atmosfera de clareza, calma e bem-
[Link]. Muitos médiuns relatam sentir a mente mais límpida e o
coração mais leve após um banho de eucalipto, sendo indicado para dispersar tristezas
e pensamentos obsessivos. Por estar relacionado ao elemento ar, suas folhas carregam
um axé de ventilação das ideias e comunicação, auxiliando a limpar não só o campo
espiritual como também a esclarecer a mente confusa. Em suma, o eucalipto une o
poder de puri car (como arruda/guiné) com o de restaurar e tranquilizar (como
alfazema), sendo uma erva de cura integral (física e espiritual).
Precauções: Pessoas com asma muito severa ou alergia podem apresentar
sensibilidade às fortes emanações do óleo de eucalipto – em alguns casos, a inalação
exagerada pode irritar e fechar os brônquios ao invés de [Link]. Portanto,
usar inalações com moderação e interromper se houver piora. Nunca ingira óleo
essencial de eucalipto: ele é tóxico por via oral e pode causar danos renais e
[Link]. Mesmo para uso tópico, deve ser diluído para não irritar a
[Link]. O chá das folhas, em doses adequadas (2-3 xícaras ao dia no
máximo), é seguro para adultos, porém proibido para crianças pequenas – há risco de
laringoespasmo em bebês se aspirarem mentol/cineol concentrado. Gestantes também
devem evitar o uso interno. Por m, em banhos espirituais, use sempre do pescoço para
baixo e não tome banhos de eucalipto por muitos dias seguidos (pode “esfriar” demais
a energia pessoal, causando apatia).

Guiné (Amansa-Senhor)
Nome cientí co: Petiveria alliacea L. (sinônimos populares: guiné, tipi, amansa-senhor,
erva-de-guiné).
Partes utilizadas: Folhas (a parte mais usada, frescas ou secas); também ramos e raiz
em algumas receitas tradicionais. O odor forte de alho exalado pelas raízes e folhas
secas já indica seu poder.
Usos na Umbanda: O guiné é uma das ervas de descarrego mais potentes e
respeitadas, geralmente classi cada como quente. É excelente para banhos de limpeza
profunda e rituais de sacudimento, quebrando feitiços e dissipando energias
[Link]. Muitas vezes é utilizado em conjunto com arruda e espada-de-
são-jorge nos populares vasos de “sete ervas” de proteção. Na Umbanda, caboclos e
pretos-velhos empregam guiné em mirongas (trabalhos espirituais secretos) para
afastar obsessores e neutralizar [Link]. Uma prática comum é colocar
uma folha de guiné dentro do sapato – acredita-se que isso “puxa” para baixo as
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energias negativas do corpo e atrai coisas boas para o caminho da
[Link]. Defumações com guiné (sem queimar diretamente, mas sobre
brasas) expulsam entidades negativas de ambientes carregados. Apesar de todo esse
poder de limpeza, a folha de guiné não costuma tocar a cabeça do médium (exceto
lhos de Orixá que aceite, como Oxóssi), por ser muito forte.
Usos no Candomblé: O guiné é considerado uma das folhas sagradas de Oxóssi,
senhor das matas e da [Link]. Nos rituais de candomblé, entra em
banhos de ervas para descarrego de iniciados e em Ebós de limpeza. Quando um iaô
passa mal ou está sob ataque de feitiço, um banho morno de guiné com outras folhas
pode ser preparado para “quebrar a feitiçaria”. Também está presente nos
assentamentos de Exu e Ogum em algumas tradições, dada sua reputação de cortar
magias. Em certos rituais de cura, folhas de guiné maceradas são esfregadas
(levemente) no corpo do doente enquanto se reza, para extrair a enfermidade. Vale
notar que no culto de Ifá/Orunmilá (Yorùbá tradicional) existe planta similar (guiné)
usada para limpar eguns, o que reforça seu prestígio [Link].
Usos terapêuticos: Conhecida fora do Brasil como “anamu”, essa planta tem diversos
usos medicinais populares. Externamente, é empregada em compressas analgésicas:
folhas maceradas e aquecidas colocadas sobre articulações doloridas, testa (para dor
de cabeça) ou regiões com reumatismo aliviam as [Link]. O guiné possui
compostos sulfurados e princípios ativos com efeito anti-in amatório e analgésico,
justi cando esses usos. Internamente, embora tenha fama de remédio para vários
males (infecções, imunidade, até câncer), seu uso oral é muito restrito: em doses altas
pode causar náuseas, queda de pressão e até intoxicação sé[Link]. Há
estudos indicando propriedades antimicrobianas e sedativas, bem como possível
potencial antitumoral, mas o consumo deve ser em dose mínima e com
acompanhamento [Link]. Tradicionalmente, alguns tomam infusão
bem diluída de guiné para amansar os nervos (daí o nome “amansa-senhor”) e
combater insônia leve, ou ainda para vermes intestinais, mas isso exige parcimônia
extrema. Resumindo: o guiné medicinal é mais seguro no uso externo.
Propriedades espirituais: O guiné carrega a fama de “espanta-espíritos”. Seu axé é de
limpeza agressiva, rompendo demandas fortes e criando um campo de alta vibração
que queima formas-pensamento negativas e larvas astrais. Ele não só expulsa o mal
como também sela a aura, evitando reinfestação imediata. Por isso é muito usado tanto
para limpeza quanto para proteção contínua (como folhas no sapato ou penduradas
na porta)[Link]. Diz-se que o guiné tem a capacidade de “amansar” in uências –
tanto espirituais ruins quanto mesmo pessoas vivas enraivecidas (há simpatias com
folha de guiné para acalmar alguém agressivo). Espiritualmente, está associado à
rmeza e à vigilância: quem carrega guiné estaria sob a vigília dos caboclos de Oxóssi,
protegido de emboscadas espirituais. Nos terreiros, além de afastar obsessores, o guiné
é utilizado para atrair guias bené cos, pois ao limpar o campo, permite que boas
entidades se aproximem e trabalhem.
Precauções: Uso interno quase proibido. O guiné contém substâncias
biologicamente ativas (como derivados benzílicos sulfurados) que em excesso podem
causar convulsões, aborto e efeitos neurotóxicos. Mulheres grávidas não devem usar de
forma alguma, pois há risco abortivo. Em crianças, nem externo nem interno é
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recomendado, dado seu potencial irritante. Ao preparar compressas, teste antes uma
pequena área da pele – algumas pessoas podem ter dermatite de contato. Se for tomar
um chá fraco de guiné (por conta e risco), que seja em dose minúscula e por curto
período. Nuncaingerir álcool de guiné caseiro em quantidade (há relatos de
intoxicação). Por segurança, a Umbanda ensina que o guiné deve atuar de fora para
dentro: limpando a aura, e não sendo colocado “pra dentro” do corpo físico. Depois de
usar folhas de guiné em rituais (banhos ou defumações), descarte-as em local
adequado (na natureza, longe da casa) – acredita-se que cam carregadas e não devem
permanecer no ambiente doméstico.

Louro
Nome cientí co: Laurus nobilis L.
Partes utilizadas: Folhas (secas ou frescas). As folhas de louro, inteiras ou rasgadas, são
usadas em defumações, banhos e chás. Os frutos (bagas) produzem azeite de louro,
empregado medicinalmente e ocasionalmente em unções.
Usos na Umbanda: O louro (folha de loureiro) é bastante conhecido na culinária, mas
nos rituais atua como erva de prosperidade e proteção. Na Umbanda, folhas de louro
são queimadas em defumadores para atrair fortuna e limpeza – a defumação com louro
e benjoim, por exemplo, puri ca o altar e ambiente, trazendo
[Link]. Em banhos, geralmente
misturado a outras ervas, o louro ajuda a abrir caminhos na vida nanceira e remover
eguns que trazem desânimo. Benzedeiras recomendam banho de louro numa segunda-
feira de lua crescente para quem busca emprego ou sucesso nos negócios. Além disso,
o louro é usado em patuás de prosperidade: colocar 3 folhas na carteira ou atrás da
porta para chamar dinheiro.
Usos no Candomblé: O louro é associado a Iansã (Oyá) – Orixá dos ventos e
tempestades – por conta de sua ligação com vitória e combate. Iansã, sincretizada com
Santa Bárbara, por vezes recebe louro em suas oferendas (pela referência às palmas e
coroas de louros dos vencedores). Nos rituais, folhas de louro podem entrar em banhos
de Oyá e Xangô para conferir coragem e sucesso em demandas de justiça. É também
citado como erva de Oxóssi em algumas listas (talvez por ser folha de árvore,
relacionada a caça e fartura). Em defumação, o louro queimado, além de atrair
prosperidade, serve para “aprasar” (acalmar) eguns e guiar ancestrais no culto de Baba
Egum.
Usos terapêuticos: O louro tem propriedades digestivas, carminativas e anti-
in amatórias. O chá de folhas de louro é tradicionalmente usado para estimular a
menstruação ausente (amenorreia)[Link] e aliviar cólicas menstruais – devido a
um leve efeito emenagogo. Atua também como digestivo, auxiliando em casos de
indigestão e gases. As folhas contêm óleos com ação anti-reumática; assim, o óleo de
louro (obtido dos frutos) é aplicado em fricções para dores reumáticas, artrite e
[Link]. Essa prática é antiga: macerar louro em azeite e esfregar nas
têmporas ajuda em cefaleias de tensão. Além disso, o louro tem atividade
antimicrobiana moderada, podendo ser utilizado em bochechos para higiene bucal. Na
toterapia europeia, também é indicado para estimular apetite e como diurético suave.
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Propriedades espirituais: O louro simboliza vitória, sucesso e elevação. Na Roma
antiga, coroas de louros eram dadas aos triunfadores – essa aura de triunfo permeia seu
uso mágico. Espiritualmente, acredita-se que o louro atrai bons negócios,
reconhecimento e crescimento pessoal. Ele carrega a vibração do merecimento e da
realização dos objetivos. Em muitas simpatias, escrevem-se desejos em folhas de louro
que depois são queimadas, liberando ao universo o pedido. No esoterismo, o louro
também é considerado guardião do lar: um feixe de louros pendurado protege contra
infortúnios e intrusos astrais, e seu aroma em defumação traz paz e sabedoria. Por
pertencer à vibração de Iansã/Oyá, o louro tem também um aspecto de transformação
– ajuda a varrer o velho e abrir espaço para o novo, com rapidez e justiça.
Precauções: Em geral, o louro é seguro como condimento e chá ocasional. Deve-se ter
cuidado apenas para não ingerir a folha seca inteira, pois é coriácea e pontiaguda –
pode arranhar a garganta (sempre retirar as folhas dos cozidos antes de servir). Doses
muito altas de chá de louro podem causar sonolência ou baixar a pressão em
indivíduos sensíveis. Por sua ação de estimular uxo sanguíneo abdominal, gestantes
devem evitar consumir chá de louro em excesso, sobretudo no primeiro trimestre. No
uso espiritual, atenção para não confundir o louro (Laurus nobilis) com plantas de nome
similar, como o louro-salgueiro ou louro-branco (Nectandra) – essas não têm as mesmas
propriedades. Sempre identi que corretamente a folha antes do uso ritual.

Manjericão (Manjerico)
Nome cientí co: Ocimum basilicum L. (manjericão comum; popularmente “manjerico”
quando variedade de folha menor).
Partes utilizadas: Folhas e ores. As folhas verdes são usadas frescas em banhos e
defumações; secas, perdem um pouco do aroma mas ainda contêm propriedades.
Sementes raramente usadas no Brasil.
Usos na Umbanda: O manjericão é conhecido como a erva da harmonia.
Considerado “a erva boa pra tudo”[Link], ele é amplamente utilizado em
banhos de descarrego leve, banho de elevacão espiritual e principalmente em banhos
de coroa (amaci) para médiuns e [Link]. Suas folhas trazem paz e
abertura de caminhos, por isso se usa muito em defumações de ambientes para afastar
brigas e atrair entendimento familiar. Na Umbanda, o manjericão é tradicionalmente
associado a Oxalá, o que se re ete em sua função de limpeza equilibrada e ligação
com a fé[Link]. Durante os atendimentos, é comum entidades recomendarem
aos consulentes banhos de manjericão após um passe, a m de selar a aura com
vibrações elevadas de tranquilidade, amor e prosperidade. Também aparece em
mirongas de Erês (crianças) e Ibejada, por ser uma erva de energia suave e alegre,
ligada à pureza.
Usos no Candomblé: O manjericão (ejò ewé afamizado pelos orixás) está presente em
folhas de Oxalá e Omolu/Obaluaê – por sua qualidade de puri car e ao mesmo tempo
curar. Entra em banhos de abô para acalmar a cabeça do iniciado e nos ajés (preparos
medicinais ritualizados) de Obaluaê, ajudando a tratar doenças espirituais e físicas.
Também é conhecido como folha de Egungun (ancestrais): a água de manjericão é
usada em assentamentos de Eguns para elevar as almas. Em oferendas, Omolu aprecia
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manjericão roxo, enquanto Oxalá prefere o manjericão branco, segundo algumas
tradições. No Candomblé de Angola, o manjericão pode ser chamado Nskunjila,
compondo banhos de assentamento de Nkisi devido ao seu cheiro agradável que atrai
bons espíritos.
Usos terapêuticos: O manjericão é um toterápico valioso. Possui propriedades
digestivas, carminativas, antiespasmódicas e levemente sedativas. O chá de
manjericão alivia má digestão, gases e cólicas estomacais; também ajuda a acalmar
náuseas. Tem efeito relaxante muscular, bom para dores leves e para induzir um sono
tranquilo quando combinado com outras ervas (como camomila). É conhecido ainda
por ação antisséptica: gargarejos com manjericão morno ajudam em aftas e
in amações de garganta leves. Na medicina popular, folhas frescas maceradas podem
ser aplicadas em picadas de inseto para reduzir coceira e edema (devido a óleos
voláteis com propriedade anti-in amatória). Em forma de óleo essencial, demonstra
atividade antibacteriana e repelente de mosquitos. Além disso, alguns estudos indicam
que compostos do manjericão têm efeito antioxidante e podem contribuir para baixar
leve e temporariamente a pressão arterial (explicando seu uso calmante).
Propriedades espirituais: O manjericão emana vibração de amor, prosperidade e
limpeza branda. Diferentemente das ervas “quentes” que expulsam pela força, ele
limpa pela elevação: seu perfume doce dissolve pensamentos negativos e atrai
energia de alegria e abundância. É muito usado em magias de amor e união – por
exemplo, banho de manjericão e mel para harmonizar casal. Também simboliza
prosperidade: folhas de manjericão na carteira dizem atrair dinheiro, e na porta de
casa, bênçãos. No aspecto de proteção, acredita-se que o manjericão cria um campo ao
redor da pessoa que a deixa menos suscetível a ataques, porque sua aura ca radiante;
ou seja, em vez de enfrentar o mal, ele aumenta o bem até que o mal não encontre
espaço. Por isso é tão usado com crianças e em bênçãos familiares. Em muitas rezas,
asperge-se água de manjericão nos quatro cantos da casa pedindo-se equilíbrio, saúde
e entendimento entre os moradores. Em resumo, seu axé é de doçura, elevação e
bênçãos.
Precauções: O manjericão é seguro na culinária e uso moderado. Deve-se evitar o uso
excessivo do óleo essencial puro sobre a pele (pode causar irritação) e também evitar
ingestão em grande quantidade por grávidas, já que contém estragol e eugenol, que
em doses altíssimas poderiam ser abortivos (embora usar como tempero seja
absolutamente normal). Por ser hipotensor leve, pessoas com pressão muito baixa
devem consumir com parcimônia para não piorar a letargia. No mais, não há
contraindicações severas – é realmente uma das ervas mais inocentes. Apenas lembre
de usar folhas frescas em banhos para maior e cácia, e não reutilizar a água do banho
de manjericão para outros ns (descartar na natureza), pois ela carrega aquilo que
limpou.

Peregum (Pau-d’água, Dracena)


Nome cientí co: Dracaena fragrans e variedades de Cordyline fruticosa (várias
espécies e cultivares chamadas genericamente de peregum, dracena ou cordiline).
Partes utilizadas: Folhas longas e inteiras. Cada variedade de peregum tem folhas de
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coloração característica (verdes, rajadas, roxas) usadas conforme a necessidade ritual.
Não há uso interno; aplicação é toda ritualística.
Usos na Umbanda: O peregum é considerado uma planta extremamente ritual,
pouco utilizada fora do contexto litúrgico. Na Umbanda, costuma-se usar ramos de
peregum em rituais de sacudimento para limpeza pesada, “varrendo” as energias
negativas do médium ou do ambiente com as [Link]. Após o sacudimento
(passagem das folhas pelo corpo), essas folhas são dispostas na encruzilhada ou aos
pés de uma árvore, devolvendo as cargas à natureza. Também é comum prepararem
banhos de amaci ou preparação antes de trabalhos com peregum, especialmente
conforme a cor: por exemplo, peregum verde de Ogum para abrir caminhos antes de
giras de esquerda. O peregum é tão forte que algumas tradições ensinam que ele não
deve ser queimado em defumações, pois seu axé quando queimado “vira” em má
sorte7 [Link] – assim, utiliza-se sempre fresco. Muitos terreiros
mantêm um exemplar da planta no terreno, acreditando que ela em si já puri ca e
guarda o local.
Usos no Candomblé: Conhecido como ewé peregún, essa planta tem status especial
no Candomblé – é tida como folha sagrada de várias divindades. O peregum
apresenta variedades de cores diferentes, cada qual pertencendo a um Orixá: peregum
todo verde é de [Link], peregum verde e amarelo de Oxóssi (alguns
atribuem também a Logunedé)[Link], peregum verde e branco de Ossain,
peregum roxo ou vermelho de Xangô e Oyá (Iansã)[Link]. Em rituais, as folhas
de peregun entram nos abôs (banhos preparatórios) e orôs (sacudimentos) especí cos:
por exemplo, no ritual do Bori (dar de comer à cabeça), utiliza-se folhas de peregum
correspondente ao Orixá de cabeça do iniciado para lavar e energizar sua cabeça. O
peregum vermelho, também chamado “folha-de-fogo”, é fundamental nos rituais de
Iansã e Xangô, onde simboliza o poder ativo e a limpeza profunda de
[Link]. Ademais, no Axexê (ritual fúnebre), o peregum verde e branco de
Ossain pode ser usado para limpar instrumentos. Seu uso é tão difundido nos terreiros
que muitas casas são chamadas de “roça de peregun”, enfatizando a presença dessa
planta protetora.
Usos terapêuticos: Diferentemente de outras plantas listadas, o peregum/dracena tem
pouco uso na medicina caseira. Algumas culturas utilizam a seiva da Dracena como
cicatrizante tópico ou chá das raízes contra tosse, mas essas práticas não são comuns no
Brasil. No contexto afro-brasileiro, seu valor é primariamente mágico-religioso.
Entretanto, estudos indicam que certas Dracenas possuem compostos saponínicos e
avonoides; tradicionalmente em Cuba, um chá de folhas de Cordyline fruticosa é
usado contra disenteria leve. Obs.: Essas aplicações medicinais são pouco conhecidas
aqui, então não fazem parte do arsenal toterápico popular brasileiro.
Propriedades espirituais: O peregum possui um axé de limpeza, proteção e
forti cação. É visto como uma planta que absorve energias negativas de forma intensa
– por isso, após seu uso em sacudimento, as folhas cam “carregadas” e devem ser
descartadas. Ao mesmo tempo, ele fortalece o campo áurico da pessoa,
principalmente quando usado na cor correspondente ao Orixá guardião dela,
alinhando-a com aquela vibração divina. Em termos espirituais, o peregum funciona
como um grande equilibrador de forças: em rituais de iniciação, é com as folhas de
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peregum que se termina de limpar e selar o novo lho-de-santo antes de receber o axé.
Acredita-se que a planta estabelece uma conexão direta com os Orixás, trazendo suas
bênçãos e proteção de forma imediata. Quando plantado no terreiro ou no quintal de
casa, o peregum age como sentinela – detecta e repele feitiços lançados contra os
moradores, muitas vezes secando ou queimando as pontas das folhas ao “receber o
golpe” do trabalho negativo. Dessa forma, ele sacri ca partes de si para proteger o
espaço sagrado. Sua presença transmite a sensação de um ambiente limpo, leve e
protegido.
Precauções: O peregum em si não apresenta toxicidade signi cativa no contato (tanto
a Dracena quanto a Cordyline são usadas como ornamentais seguros). Porém, como já
mencionado, não se deve queimá-lo em incenso/defumador – a tradição alerta que
isso inverte sua energia e pode trazer azar7 [Link]. Assim, utilize
sempre fresco ou apenas levemente murcho. Se ingerido inadvertidamente (por
exemplo, por crianças ou animais que mastigam a folha), pode causar desconforto
gastrointestinal por ser rico em bras e compostos sapônicos; mantenha fora de
alcance de pets que tendem a mastigar plantas. Em rituais de sacudimento, descarte
corretamente as folhas longe da casa, preferencialmente em uma encruzilhada ou ao pé
de uma árvore longe da circulação – nunca no lixo comum do lar. Por m, por ser planta
de elevada função espiritual, não a utilize de forma banal; trate-a com reverência,
colhendo as folhas com consentimento (alguns rezam ou pedem licença ao Orixá
regente antes de cortá-las).

Pimenteira (Pimenta, Fruto de Exu)


Nome cientí co: Capsicum spp. (especialmente Capsicum frutescens, a pimenta-
malagueta; outras variedades incluem Capsicum annuum var. dedo-de-moça, Capsicum
chinense etc., todas com propriedades semelhantes).
Partes utilizadas: Frutos (as pimentas em si, frescas ou secas) – são a principal parte
usada, tanto nos ritos quanto em remédios. As folhas de algumas pimenteiras podem
ser usadas topicamente na medicina popular, mas espiritualmente o foco é no fruto
ardente.
Usos na Umbanda: A pimenta ocupa lugar especial como elemento de fogo e
fundamento nos trabalhos de esquerda. É considerada o fruto de Exu, carregando a
energia da quebra de demandas, da fecundidade e da defesa. Na Umbanda, as
pimentas (especialmente malagueta ou dedo-de-moça) são amplamente empregadas
em defumações e pós de descarrego– secas e trituradas, misturadas a resinas,
produzem uma fumaça acre que expulsa obsessores e larvas [Link].
Também entram em garrafadas e oferendas para Exus e Pombagiras. Um exemplo
clássico é o padê de Exu: farofa de dendê com malagueta amassada, colocada nas
encruzilhadas para abrir caminhos e apaziguar [Link]. Além do uso
destrutivo (queimar negatividades), a pimenta tem uso construtivo: simbolizando
vitalidade e con ança, às vezes os guias recomendam carregar uma pimenta dentro
de um patuá ou bolsa para dar coragem e afastar medos. Em muitos terreiros, há vasos
de pimenteira junto às imagens de Exu e Maria Padilha. Já as Pombagiras gostam da
p i m e n t a - ro s a ( f r u t o d a a ro e i r a ) p a r a t r a b a l h o s d e b e l e z a e r m e z a
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[Link], e eventualmente de pimentas comuns para “esquentar” casos
amorosos frios.
Usos no Candomblé: A pimenta malagueta é considerada alimento e ferramenta de
Exu. Em todo despacho de Exu não pode faltar pimenta – seja na forma de pó, inteira
ou misturada em comidas (acarajés, padê, etc.). É vista como algo que “dá de comer” ao
Exu e ao mesmo tempo repele qualquer demanda contrária. No Candomblé,
costumam-se mastigar 3 pimentas malaguetas e cuspir no chão em torno de um
trabalho feito, para selar e ativar o ebó com o fogo de Exu. Ogumtambém aprecia
pimentas nas oferendas (simbolizando seu ardor guerreiro). As pimentas da costa
(grãos de Aframomum melegueta, de origem africana) são usadas em ritos especí cos
para abertura de caminhos e justiça – muitas vezes intercambiáveis com as pimentas
[Link]. Além disso, nas festas, alguns lhos-de-santo passam pimenta nos
lábios para demonstrar poder e proteção de Exu, sem sofrerem ardor – acreditando-se
que Exu os imuniza. Pimenta é tão importante que existe um Exu chamado Exu Pimenta
na Umbanda/Quimbanda, que atua fortemente para cobrar justiça e queimar demandas
[Link].
Usos terapêuticos: As pimentas do gênero Capsicum têm reconhecidos efeitos
analgésicos e estimulantes circulatóriosgraças à capsaicina. Nas práticas populares, a
malagueta macerada em álcool (a famosa “arnica de garrafa” caseira) é esfregada em
contusões, torções e dores reumáticas para aliviar a dor e desin amar pela hiperemia
que causa. Cataplasmas mornos de pimenta são usados para descongestionar regiões
com bronquite ou asma (aplicados sobre o peito, cuidado com a pele). Ingerir pimentas
regularmente, com moderação, auxilia a melhorar a digestão (estimula sucos gástricos)
e pode ter efeito vasodilatador que reduz a pressão arterial em longo prazo. Estudos
indicam também ação antioxidante e termogênica, favorecendo o metabolismo. Na
toterapia brasileira, chá de folha de pimenteira malagueta às vezes é usado para dor
de dente (bochechos) ou para baixar glicemia em diabéticos leves – porém, essas
práticas não são amplas. De modo geral, a “pimenta medicinal” atua topicamente (uso
externo) para dores e, internamente, como condimento saudavelmente.
Propriedades espirituais: A pimenteira e seus frutos carregam a energia do fogo
sagrado – transmutação, paixão, movimento. Espiritualmente, a pimenta tem o poder
de “queimar” o mal e transformá-lo em bem: remove energias negativas com seu
ardor e converte o que era inveja, praga, em energia de coragem e
[Link]. É vista como elemento de descarrego e também de elevação
de energia vital – por isso serve tanto para expulsar obsessores quanto para dar ânimo
a quem está abatido. Uma expressão comum: “fulano está sem pimenta”, signi cando
sem coragem ou garra; no sentido contrário, “botar pimenta” signi ca instigar, dar vida.
Em rituais, a pimenta simboliza sangue (vida) e fogo (puri cação). Ela também é
associada à fertilidade e abundância: por ser cheia de sementes e “explodir” de
pungência quando madura, acredita-se que atrai fecundidade (física e de
projetos)[Link]. No sincretismo popular, às vezes encontramos ramos de
arruda e pimenta juntos pendurados contra mau-olhado – arruda repele, pimenta
queima. Em resumo, onde há pimenta há movimento: nada ca estagnado, nem o mal
nem o bem. É por isso indispensável para Exu, o Orixá mensageiro que movimenta as
energias entre os mundos.
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Precauções: O uso excessivo de pimenta na alimentação pode causar irritação
gastrointestinal, agravando gastrites, úlceras e hemorroidas. Pessoas sensíveis devem
consumir com moderação. No uso externo, cuidado ao manipular pimentas frescas: use
luvas ou lave bem as mãos depois, pois a capsaicina pode causar ardência intensa se
levada aos olhos ou áreas sensíveis. Em defumações, queime em local ventilado – a
fumaça com capsaicina pode irritar os brônquios e causar tosse forte. Mantenha
pimentas fora do alcance de crianças e pets; a ingestão acidental por animais pode
provocar salivação excessiva e desconforto. Para neutralizar ardência acidental na boca
ou pele, não use água (espalha mais) – aplique leite ou óleo, que dissolvem capsaicina.
Em termos espirituais, evite usar pimenta em trabalhos para pessoas emocionalmente
muito frágeis ou em ambiente com enfermos graves sem orientação, pois seu impacto
energético é grande e pode agitar demais. Fora isso, com responsabilidade, a pimenta
é uma grande aliada nos cuidados espirituais e físicos.

Considerações nais: As plantas descritas acima representam uma ponte entre o


conhecimento tradicional afro-brasileiro e a sabedoria popular em toterapia. Cada
uma delas carrega um axé especí co – seja de limpar, proteger, energizar, acalmar ou
prosperar – e, paralelamente, princípios ativos capazes de curar o corpo físico. No uso
ritual, é fundamental respeitar as orientações dos guias e zeladores, bem como a
sintonia de cada planta com determinados Orixás e nalidades. Na aplicação medicinal,
é importante seguir as doses seguras e considerar possíveis contraindicações. Assim
honramos o poder das ervas, valorizando os fundamentos culturais e espirituais que
nossos ancestrais nos legaram, ao mesmo tempo em que colhemos seus benefícios
práticos para a mente, o corpo e o espírito. Que essas sagradas folhas, raízes, ores e
sementes continuem trazendo proteção, saúde e equilíbrio a todos nós, com respeito e
gratidão aos antigos pelo conhecimento transmitido.

Referências: As informações acima foram compiladas de fontes especializadas em


etnobotânica afro-brasileira, toterapia e tradições de terreiro, incluindo estudos de
Ednay Melo e outras apostilas [Link],
bem como artigos e publicações de institutos religiosos e de saúde que documentam
os usos medicinais e espirituais de cada
[Link], entre outros. Cada
citação no texto refere-se às respectivas fontes consultadas para assegurar a
con abilidade e o respeito à cultura e à ciência dessas ervas sagradas. Que o
conhecimento aqui compartilhado seja usado com sabedoria e reverência.
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