Álgebra Linear
João Vinı́cius Zuaretch
28 de Dezembro de 2025
Contents
1 Espaços Vetoriais 2
1.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.2 Exemplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.3 Consequências dos Axiomas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1.4 Exercı́cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
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1 Espaços Vetoriais
1.1 Introdução
Um espaço vetorial E é um conjunto, cujos elementos são chamados vetores, no qual estão definidas
duas operações: a adição, que a cada par de vetores u, v ∈ E faz corresponder um novo vetor
u + v ∈ E, chamado a soma de u e v, e a multiplicação por um número real, que a cada α ∈ R e a
cada vetor v ∈ E faz corresponder um vetor αv, chamado o produto de α por v. Essas operações
devem satisfazer, para quaisquer α, β ∈ R e u, v, w ∈ E, as condições abaixo chamadas axiomas do
espaço vetorial:
• Comutatividade: u + v = v + u;
• Associatividade: (u + v) + w = u + (v + w) e α(βv) = (αβ)v;
• Vetor Nulo: 0 ∈ E, chamado vetor nulo, ou vetor zero, tal que v + 0 = v = 0 + v para todo
v ∈ E;
• Inverso Aditivo: Para cada vetor v ∈ E existe um vetor −v ∈ E chamado inverso aditivo, ou
o simétrico de v, tal que v + (−v) = 0 = (−v) + v;
• Distributividade: (α + β)v = αv + βv e α(u + v) = αu + αv;
• Multiplicação por 1: 1 · v = v.
1.2 Exemplos
Exemplo 1:
Para todo número natural n, o sı́mbolo Rn representa o espaço vetorial euclidiano n-dimensional.
Os elementos de Rn são as listas ordenadas u = (x1 , . . . , xn ), v = (y1 , . . . , yn ) de números reais.
Por definição, a igualdade vetorial u = v significa as n igualdades numéricas x1 = y1 , . . . , xn = yn .
Os números x1 , . . . , xn são chamados coordenadas do vetor u. As operações do espaço vetorial Rn
são definidas pondo:
u + v = (x1 + y1 , . . . , xn + yn ), α · u = (αx1 , . . . , αxn ).
O vetor zero é, por definição, aquele cujas coordenadas são todas iguais a zero.
Exemplo 2:
Os elementos do espaço vetorial R∞ são as sequências infinitas u = (x1 , x2 , . . .), v = (y1 , y2 , . . .) de
números reais. O elemento zero de R∞ é a sequência 0 = (0, 0, . . .) formada por infinitos zeros e
o inverso aditivo da sequência u = (x1 , x2 , . . .) é −u = (−x1 , −x2 , . . .). As operações de adição e
multiplicação por um número real são definidas por:
u + v = (x1 + y1 , x2 + y2 , . . .), αu = (αx1 , αx2 , . . .).
Exemplo 3:
Uma matriz (real) A = [aij ] é uma lista de números reais aij com ı́ndices duplos, onde 1 ≤ i ≤ m
2
e 1 ≤ j ≤ n. Costuma-se representar a matriz A como um quadro numérico com m linhas e n
colunas, no qual o elemento aij situa-se no cruzamento da i-ésima linha com a j-ésima coluna.
a11 a12 · · · a1n
a21 a22 · · · a2n
A= . .. .
.. ..
.. . . .
am1 am2 ··· amn
O vetor (ai1 , ai2 , . . . , ain ) ∈ Rn é o i-ésimo vetor-linha da matriz A e o vetor (a1j , a2j , . . . , amj ) ∈ Rm
é o j-ésimo vetor-coluna de A. Quando m = n, diz-se que A é uma matriz quadrada. O conjunto
M (m × n) de todas as matrizes m × n torna-se um espaço vetorial quando nele se define a soma
das matrizes A = [aij ] e B = [bij ] como A + B = [aij + bij ] e o produto da matriz A pelo número
real α como αA = [αaij ]. A matriz nula O ∈ M (m × n) é aquela formada por zeros e o inverso
aditivo da matriz A = [aij ] é −A = [−aij ].
Exemplo 4:
Seja X um conjunto não-vazio qualquer. O sı́mbolo F (X; R) representa o conjunto de todas as
funções reais f, g : X → R. Ele se torna um espaço vetorial quando se define a soma f + g de duas
funções e o produto αf do número α pela função f da maneira natural:
(f + g)(x) = f (x) + g(x); (αf )(x) = αf (x).
Variando o conjunto X, obtém-se diversos exemplos de espaço vetorial na forma F (X; R).
Exemplo 5:
Sejam u = (a, b) e v = (c, d) vetores não-nulos em R2 . A fim de que v seja múltiplo de u, isto é
v = αu para algum α ∈ R, é necessário e suficiente que se tenha ad − bc = 0. A necessidade é
imediata pois v = αu significa c = αa e d = αb. Multiplicando a primeira destas duas igualdades
por b e a segunda por a temos bc = αab e ad = αab, logo ad−bc = 0. Reciprocamente, se ad−bc = 0
e supomos a e b diferentes de zero, tem-se c/a = d/b = α, digamos. Então c = αa, d = αb, logo
v = αu. Se a = 0 e b ̸= 0 (pois u ̸= 0) a igualdade ad − bc = 0 obriga c = 0, logo u = (0, b) e
v = (0, d), portanto v = αu com α = d/b. Se b = 0 então d = 0, logo u = (a, 0), v = (c, 0) donde
v = αu com α = c/a. Em qualquer caso, vemos que ad − bc = 0 obriga v = αu.
1.3 Consequências dos Axiomas
• Se w + u = w + v, então u = v;
• Dados 0 ∈ R e v ∈ E tem-se 0 · v = 0. Analogamente, dados α ∈ R e 0 ∈ E, vale α · 0 = 0;
• Se α ̸= 0 e v ̸= 0 então α · v ̸= 0;
• (−1) · v = −v.
1.4 Exercı́cios
01) Dados os vetores v1 = (1, 2, 1), v2 = (2, 1, 2), v3 = (3, 3, 2) e v4 = (1, 5, −1) em R3 , determine
os vetores u = v1 − 3v2 + 2v3 − v4 , v = v1 + v2 − v3 − v4 e w = v3 − 31 v2 − 43 v1 .
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Para calcular basta substituir os valores:
u = v1 − 3v2 + 2v3 − v4
= (1, 2, 1) − 3(2, 1, 2) + 2(3, 3, 2) − (1, 5, −1)
= (0, −2, 0).