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Revista Gestão em Análise - Vol. 5, No. 2

A Revista Gestão em Análise (ReGeA) apresenta sua edição semestral com artigos que abordam temas relevantes para a gestão contemporânea, incluindo gestão em micro e pequenas empresas do setor leiteiro, responsabilidade social do consumidor e economia solidária. A edição também discute a gestão de pessoas em empresas de construção e o gerenciamento de projetos em agências de publicidade. Além disso, são apresentados ensaios sobre a prestação de contas eleitorais e a proteção de propriedade industrial.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Revista Gestão em Análise - Vol. 5, No. 2

A Revista Gestão em Análise (ReGeA) apresenta sua edição semestral com artigos que abordam temas relevantes para a gestão contemporânea, incluindo gestão em micro e pequenas empresas do setor leiteiro, responsabilidade social do consumidor e economia solidária. A edição também discute a gestão de pessoas em empresas de construção e o gerenciamento de projetos em agências de publicidade. Além disso, são apresentados ensaios sobre a prestação de contas eleitorais e a proteção de propriedade industrial.
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ISSN 1984-7297 [impresso]

e-ISSN 2359-618X [online]

CENTRO UNIVERSITÁRIO CHRISTUS - UNICHRISTUS Editoração / Publishing


Edson Alencar, Elzenir Rolim
José Lima de Carvalho Rocha Revisão Técnica de Linguagem / Technical Language Revision
Reitor / Rector
Ana Luísa Demoraes Campos
Comitê de Política Editorial / Editorial Policy Committee Tradução / Translation
Estevão Lima de Carvalho Rocha Patrícia Vieira Costa, Tusnelda Barbosa
Pró-Reitor e Diretor do Comitê / Provost and Director of the Committee Normalização / Normalization
Ana Luísa Demoraes Campos, Ana Vládia Cabral Sobral, Áurea C. Agência Studio
Frota Albuquerque, Cristina Castelo B. M. de Andrade, Elnivan M. Capa / Cover Design
de Souza, Fayga Silveira Bedê, Janina M. M. Sanchez, Laodicéia
Amorim Weersma, Luis Antonio Rabelo Cunha, Maurício Lima de Gráfica e Editora LCR Ltda.
Carvalho Rocha, Marcos Kubrusly, Marcos Antº Chaves Ricarte, Editoração e Projeto Gráfico / Publishing and Graphic Design
Mª Bernadette Amora Silva, Renata Rouquayrol Assunção, Rogério
Frota Leitão dos Santos. Matérias assinadas são de responsabilidade dos autores.
Direitos autorais reservados. Citação parcial permitida, com
Laodicéia Amorim Weersma referência à fonte.
Editora-Chefe / Chief Editor
Revista Gestão em Análise – ReGeA
Arnaldo F. M. Coelho Journal of Management Analysis
Editor Internacional / International Editor
Centro Universitário Christus - UNICHRISTUS
Av. Dom Luis, 911 Fortaleza/CE - Brasil
Conselho Editorial / Editorial Board
CEP 60.160-230 Fone: 55 85 3457.5300
E-mail: revistagestaoemanalise@[Link]
Afonso Carneiro Lima, UNIFOR, CE, Brasil
André M. Xavier de Lima, UBC, Canadá
Acesso online / online access
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Portal de Revistas Unichristus
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Ana Shirley França Moraes, ESTÁCIO, RJ, Brasil
Cristela Maia Bairrada, ISCA, Portugal
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Sumá[Link] - Sumários de Revistas
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Brasileiras <[Link]>
Elói Martins Senhoras, UFRR, RR, Brasil
Elvisnei Camargo Conceição, PUC, RS, Brasil
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Felipe Zambaldi, FGV-EAESP, SP, Brasil
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Francisco Roberto Pinto, UECE, CE, Brasil
REDIB - Red Iberoamericana de Innovación y
Gelso Pedrosi Filho, UFRR, RR, Brasil
Conocimiento Científico <[Link]>
Helano Diagenes Pinheiro, UESPI, PI, Brasil
Henrique Jorge A. Holanda, UERN, RN, Brasil
Diretórios / Directories
Ismael Rocha Junior, ESMP, SP, Brasil
Diadorim- <[Link]>
Izabelle Quezado Santos, UNIFOR, CE, Brasil
IBICT- <[Link]>
Joaquim Luís M. Alcoforado, UC, Portugal
José de Souza Neto, ESTÁCIO, CE, Brasil
Latindex - Sistema Regional de Información en Línea para
Josep Pont Vidal, UFPA, PA, Brasil
Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, Espana y
Laércio de Matos Ferreira, IFCE, CE, Brasil
Portugal <[Link]>
Leonel Gois Lima Oliveira, ESMEC, CE, Brasil
PKP - Public Knowledge Project <[Link]
Lydia Maria Pinto Brito, UNP, RN, Brasil
Marcos A. M. Lima, UFC, CE, Brasil
Versão Impressa / Printed Version
Mario A. G. Augusto, UC, Portugal
Mauro Kreuz, ANGRAD, RJ, Brasil Gráfica e Editora LCR Ltda.
Nelson Figueiredo Filho, UNIANCHIETA, SP, Brasil Rua Israel Bezerra, 633 - Dionísio Torres
Roberto Luiz A. Salazar, ESMP-SUL, RS, Brasil CEP 60.135-460 - Fortaleza – Ceará
Rogério de Moraes Bohn, ESMP-SUL, RS, Brasil Fone: 55 85 3105.7900
Tassiara Baldissera Camatti, PUC, RS, Brasil Site: [Link]
Vicente Lima Crisóstomo, UFC, CE, Brasil e-mail: atendimento01@[Link]

Revista Filiada à Associação Brasileira de Editores


Científicos
Publicação Semestral
Centro Universitário Christus - UNICHRISTUS

Journal of Management Analysis


v. 5 n. 2 julho/dezembro 2016

Fortaleza

ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X

R. Gest. Anál. Fortaleza v. 5 n. 2 p. 1-146 jul./dez. 2016


Revista Gestão em Análise - ReGeA
®2016 Copyright by Unichristus

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS


Unichristus

Revista Gestão em Análise - ReGeA


Vol. 5, no. 2 (jul./dez. 2016) – Fortaleza: Unichristus, 2017.

Semestral

ISSN 1984-7297
e-ISSN 2359-618X

1. Administração - Periódicos. 2. Ciências Contábeis - Periódicos I.


Centro Universitário Christus - Unichristus.

CDD 658

Ficha catalográfica elaborada por Patrícia Vieira Costa. CRB 3/1341

Impressão
Gráfica e Editora LCR Ltda.
Rua Israel Bezerra, 633 - Dionísio Torres - CEP 60.135-460 - Fortaleza – Ceará
Telefone: 85 3105.7900 - Fax: 85 3272.6069
Site: [Link] – e-mail: atendimento01@[Link]
Revista Gestão em Análise - ReGeA

SUMÁRIO / CONTENTS / SUMARIO

Editorial ..................................................................................................................................5-10

Artigos / Articles | Artículos

Princípios e técnicas fundamentais de gestão nas micro e pequenas empresas do setor leiteiro:
estudo sobre a percepção dos produtores de leite da Região de Entre Douro e Minho, Portugal
= Fundamental principles and techniques of management in micro and small enterprises of
the dairy sector: study about perception of milk producers in the Region of Entre Douro
and Minho, Portugal = Principios y técnicas fundamentales de gestión en las micro y pequeñas
empresas del sector lechero: estudio sobre la percepción de los productores de leche de la Región
de Entre Douro y Minho, Portugal
Luís Carlos Ribeiro, Jorge Remondes..................................................................................... 11-33

Responsabilidade social do consumidor: uma análise multidimensional no segmento


de produtos orgânicos = Consumer social responsibility: a multidimensional analysis
in the segment of organic products = Responsabilidad social del consumidor: un análisis
multidimensional en el segmento de productos orgánicos
Matile Facó de Paula Pessoa Queiroz, Bruno Chaves Correia Lima ......................................34-46

Associação de Mulheres Louceiras do Maruanum (ALOMA): tradição e economia solidária


no Estado do Amapá – Amazônia - Brasil = The Women’s Ceramic Craftsmanship Association
of Maruanum (ALOMA): Tradition and Solidarity Economy in the State of Amapá – Amazon
–Brazil = Asociación de Mujeres Loceras del Maruanum (ALOMA): tradición y economía
solidaria en el Estado del Amapá – Amazonia – Brasil
Kátia Paulino dos Santos ........................................................................................................47-63

Responsabilidade social interna: estudo da gestão de pessoas de uma construtora de


Fortaleza = Internal social responsibility: a study of the people management of a construction
company in Fortaleza = Responsabilidad social interna: estudio de la gestión de personas de
una constructora de Fortaleza
Andriele Pinto de Amorim, Milena Cirino Capelo .................................................................64-81

Análise do nível de maturidade em gerenciamento de projetos em uma agência de publicidade


da Região do Cariri = Analysis of the maturity level of project management in an advertising
agency of the Cariri Region = Análisis del nivel de madurez en gerencia de proyectos en una
agencia de publicidad de la Región del Cariri
Thiago Bessa Pontes, Valdi Geraldo Teixeira Junior ..............................................................82-99

O valor do letramento na gênese do contador: uma visão da aprendizagem em curso de


Ciências Contábeis do ensino superior = The value of literacy in the genesis of accountants: a
vision of the learning process of a higher education course in Accounting Sciences = El valor de
la alfabetización en la génesis del contador: una visión del aprendizaje en el curso de Ciencias
Contables en la enseñanza superior
Francisco Sérgio Souza de Araujo ...................................................................................... 100-114

ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, jul./dez. 2016


Revista Gestão em Análise - ReGeA

Ensaios / Essay | Ensayos

O papel do contador na prestação de contas eleitorais = The role of the accountant in


the provision of electoral accounts = El papel del contador en la prestación de las cuentas
electorales
Mario Souza da Rocha ........................................................................................................ 115-123

A proteção à propriedade industrial das marcas na visão do Superior Tribunal de Justiça =


Protecting industrial property of trademarks in the vision of the Superior Court of Justice = La
protección a la propiedad industrial de las marcas en la visión del Superior Tribunal de Justicia
Marcos José Nogueira de Souza Filho ................................................................................124-134

Nominata de Avaliadores Ad Hoc 2016 / Nominata peer review panel in 2016 .............135-136

Linha Editorial / Editorial Line / Línea Editorial.............................................................137-139

Instruções aos Autores / Instructions to Authors / Directrices para autores/as ...............140-145

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X


Revista Gestão em Análise - ReGeA

doi:10.12662/2359-618xregea.v5i2.p5-10.2016

EDITORIAL

N
o contexto de internacionalização da ciência, temos grande satisfação em iniciar esta edi-
ção com a informação de que todos os trabalhos publicados na Revista Gestão em Aná-
lise [ReGeA], desde seu reposicionamento em 2014, passam a conter o Digital Object
Identifier - DOI. É importante ressaltar que o DOI é parte de um sistema que oferece identificação
unívoca da propriedade intelectual, associando a cada objeto seus dados básicos e sua origem.
Podemos dizer que esse é um padrão para identificação de documentos em redes de computa-
dores, no qual o trabalho recebe um código único que, ao ser publicado, permite identificá-lo e
rastreá-lo a partir de qualquer lugar. Além disso, com o DOI, as cópias digitais dos artigos ficam
sempre acessíveis, independente de qualquer alteração que possa ocorrer no nome de domínio do
periódico e/ou de um eventual encerramento da revista.
Portanto, é sob o bojo dessa conquista que apresentamos mais uma edição da ReGeA, com-
posta por artigos e ensaios que contemplam temas de relevância destacada para gestão contempo-
rânea global. Assim, obedecendo à sequência exposta no sumário, tem-se inicialmente o trabalho
de autoria de pesquisadores portugueses, que versa acerca dos princípios e técnicas fundamentais
de gestão nas empresas do setor leiteiro, nomeadamente na pecuária da região de Entre Douro e
Minho (EDM), em Portugal. O estudo evidencia as percepções dos produtores de leite da região,
a partir de uma amostra com 105 respondentes, gerando conhecimento e estimulando a reflexão
em torno do setor, não só em termos acadêmicos, como também na perspectiva empresarial. Os
autores sugerem que, entre outras ações, as empresas produtoras de leite utilizem novas tecnolo-
gias, considerem dados contabilísticos, cooperem entre si e inovem.
O artigo seguinte tem por objetivo mensurar o nível de responsabilidade social do con-
sumidor de produtos orgânicos, em relação à percepção de seu comportamento. A pesquisa
utiliza-se de uma amostra com 92 indivíduos autodeclarados consumidores de produtos or-
gânicos, mediante análise de quatro dimensões de comportamento: altruísta, ambientalmente
sustentável, ativista e ético.
O terceiro artigo trata da economia solidária, evidenciando o seu fortalecimento e desta-
cando-a como uma possibilidade viável, sensata e emancipadora. Nesta perspectiva, o estudo tem
como objetivo analisar a Associação de Mulheres Louceiras do Maruanum (ALOMA), localizada
no extremo norte da Amazônia Brasileira, de forma a evidenciar os principais avanços e fragilida-
des na política de fomento à economia solidária, assim como os principais progressos e entraves
enfrentados pela Associação.
No quarto artigo, as pesquisadoras buscam analisar como as empresas podem promover
a responsabilidade social para os colaboradores e propõem a reflexão acerca da relação gestão
de pessoas e responsabilidade social interna, por meio de uma pesquisa qualitativa em uma
empresa do ramo da construção civil. As práticas de responsabilidade social interna foram
apresentadas por integrantes de três níveis hierárquicos da empresa e analisadas por um grupo
de colaboradores operacionais.
O tema gerenciamento de projetos está contemplado no quinto artigo. O trabalho expõe um
estudo de caso para analisar o nível atual de maturidade no gerenciamento de projetos em uma
empresa de publicidade localizada na cidade de Juazeiro do Norte, Ceará.
E, para encerrar a seção de artigos, a ReGeA traz à pauta a temática do valor do letramento
na gênese do contador, a partir de uma visão da aprendizagem em um curso de Ciências Contábeis
do ensino superior. Cabe salientar a importância deste trabalho no sentido de consolidar o escopo
do periódico no que tange às Ciências Contábeis. Do mesmo modo, contamos, na seção de ensaio,
com um estudo que tem por objetivo analisar o papel do contador na “Prestação de Contas dos

ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, jul./dez. 2016


Revista Gestão em Análise - ReGeA

Partidos Políticos e dos Candidatos”.


Finalmente, na composição desta edição, apresentamos o ensaio intitulado “A proteção à
propriedade industrial das marcas na visão do Superior Tribunal de Justiça”. O trabalho aborda
um tema que, na prática empresarial, é muito comum. Entretanto, sob o ponto de vista jurídico,
é reprovável a criação de marcas e símbolos de bens ou produtos similares àqueles consagrados
e consolidados pelo mercado, o que enseja certa confusão ao consumidor por ocasião da decisão
de compra.
No mais, esperamos que esta edição venha a contribuir, de forma consistente, com a pes-
quisa científica e com a gestão a partir da análise dos estudos aqui apresentados.

Laodicéia Amorim Weersma


EDITORA CHEFE

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X


Revista Gestão em Análise - ReGeA

EDITORIAL

I
n the context of science internationalization, we are very pleased to begin this edition infor-
ming you that all papers published in the Journal Management in Analysis [ReGeA], since its
repositioning in 2014, now contain the Digital Object Identifier (DOI). It’s important to em-
phasize that the DOI is part of a system that offers univocal identification of intellectual property,
associating each object with its basic data and its origin. We emphasize that this is a standard for
identifying documents in computer networks, in which each paper receives a unique code that,
when published, allows you to identify it and track it down from anywhere. In addition, with the
DOI, digital copies of articles will always be accessible, regardless of any changes that may occur
in the journal’s domain name and/or eventual closure of the journal.
Therefore, it is under the banner of this achievement that we present another edition of
ReGea, composed of articles and essays contemplating themes of outstanding relevance for con-
temporary global management. Thus, following the sequence outlined in the summary, we have
an article written by Portuguese researchers about the fundamental principles and techniques of
management in dairy companies, namely in the livestock in the region of “Entre Douro” and “Mi-
nho” (EDM), in Portugal. The study evidences the perceptions of milk producers in the region,
from a sample of 105 respondents, stimulating to reflect about this sector and generating knowle-
dge, not only in academic terms, but also in a business perspective. The authors suggest, among
other actions, dairy companies to use new technologies, to consider accounting data, to cooperate
with each other and to innovate.
The following article aims to measure the level of social responsibility of the consumer
of organic products in relation to the perception of their behavior. The research uses a sample of
92 individuals who declared themselves to be consumers of organic products, analyzing four di-
mensions of their behavior: the altruistic behavior, the environmentally sustainable behavior, the
activist behavior and the ethical behavior.
The third article deals with the solidarity economy, evidencing its growing importance and
highlighting it as a viable, sensible and emancipatory possibility. In this perspective, the study
aims to analyze the Maruanum Louran Women Association (ALOMA), located in the extreme
north of the Brazilian Amazon, in order to present the progress and the fragilities in the policy of
fostering solidarity economy, as well as the main advances and obstacles faced by the association.
In the fourth article, the researchers seek to analyze how companies can promote social
responsibility in relation with their employees and propose a reflection on the relationship
between people management and internal social responsibility, through a qualitative research
in the construction company sector. The practices of internal social responsibility were pre-
sented by members of three hierarchical levels of the company and analyzed by a group of
operational employees.
The topic of project management is addressed in the fifth article of this edition. The paper
exposes a case study to analyze the current maturity level of project management in an adverti-
sing company located in the city of Juazeiro do Norte, Ceará.
In order to close the article section, ReGeA brings to the agenda the theme of the value of
literacy in the genesis of accountants, treating about the vision of the learning process of a higher
education course in Accounting Sciences. It’s important to point out the importance of this article
in the sense of consolidating the journal’s scope in regard to Accounting Sciences. Likewise, in
the essay section is presented a study that aims to analyze the role of the accountant in the “Pro-
vision of Accounts of Political Parties and Candidates”.
Finally, we present in this edition the essay entitled “Protecting the industrial property of

ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, jul./dez. 2016


Revista Gestão em Análise - ReGeA

trademarks in the vision of the Superior Court of Justice”. The paper addresses a topic in business
practice that is very common, from the legal point of view, since the creation of trademarks and
symbols of goods or products similar to those consecrated and consolidated in the market is re-
prehensible, which may confuse the consumers at the time that they decide to purchase a product.
In addition, we hope that this edition will consistently contribute to scientific research and
management based on the analysis of the studies presented.

Laodicéia Amorim Weersma


CHIEF EDITOR

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X


Revista Gestão em Análise - ReGeA

EDITORIAL

E
n el contexto de la internacionalización de la ciencia, tenemos grande satisfacción en ini-
ciar esta edición con la información de que todos los trabajos publicados en la Revista
Gestão em Análise [ReGeA], desde su reposicionamiento en 2014, pasan a contener el Di-
gital Object Identifier – DOI. Es importante resaltar que el DOI es parte de un sistema que ofrece
identificación unívoca de la propiedad intelectual, asociando a cada objeto sus datos básicos y su
origen. Podemos decir que ese es un padrón para identificación de documentos en redes de com-
putadores, en que cada trabajo recibe un código único que, al ser publicado, permite identificarlo
y rastrearlo a partir de cualquier lugar. Además, con el DOI, las copias digitales de los artículos
quedan siempre accesibles, independiente de cualquier alteración que pueda ocurrir en el nombre
del dominio del periódico y/o de un eventual cierre de la revista.
Por tanto, es bajo el ánimo de esa conquista que presentamos una nueva edición de la
ReGeA, compuesta por artículos y ensayos que contemplan temas de relevancia destacada para
la gestión contemporánea global. Así, obedeciendo a la secuencia listada en el sumario, se tiene
inicialmente el trabajo de autoría de investigadores portugueses, que examina los principios y téc-
nicas fundamentales de gestión de empresas en el sector lechero, especialmente en la pecuaria de
la región de Entre Douro e Minho (EDM), en Portugal. El estudio evidencia las percepciones de
los productores de leche de la región, a partir de una amuestra con 105 contestadores, generando
conocimiento y estimulando la reflexión acerca del sector, no solamente en términos académicos,
como también en la perspectiva empresarial, ya que los autores sugieren, entre otras acciones, que
las empresas productoras de leche utilicen nuevas tecnologías, que consideren datos contables,
que cooperen entre si y que innoven.
El artículo siguiente tiene por objetivo mensurar el nivel de responsabilidad social del
consumidor de productos orgánicos, en relación a la percepción de su comportamiento. La inves-
tigación se realizó por medio de una amuestra de 92 individuos que se auto declararon consumi-
dores de productos orgánicos, por medio del análisis de cuatro dimensiones de comportamiento:
altruista, ambientalmente sustentable, activista y ético.
El tercero artículo trata de la economía solidaria, indicando que ella se fortalece y se afirma
como una posibilidad viable, sensata y emancipadora. En esa perspectiva, el estudio tiene como
objetivo analizar la Asociación de Mujeres Loceras del Maruanum (ALOMA), ubicada en el
extremo norte de la Amazonia brasileña, para evidenciar los principales avanzos y fragilidades
en la política de fomento a la economía solidaria, así como los principales proyectos y trabas
enfrentadas por la asociación.
En el cuarto artículo, las investigadoras buscan analizar como las empresas pueden promo-
ver la responsabilidad social para los colaboradores y proponen una reflexión acerca de la relación
entre la gestión de personas y la responsabilidad social interna, por medio de una investigación
cualitativa en una empresa de construcción civil. Las prácticas de responsabilidad social interna
fueron presentadas por integrantes de tres niveles jerárquicos de la empresa y analizadas por un
grupo de colaboradores operacionales.
El tema de la gerencia de proyectos está contemplado en el quinto artículo de la edición.
El trabajo expone un estudio de caso para analizar el nivel actual de madurez en la gerencia de
proyectos en una empresa de publicidad ubicada en la ciudad de Juazeiro do Norte, Ceará.
Y, para terminar la sección de artículos, la ReGeA aborda el tema del valor de la alfabeti-
zación en la génesis del contador, a partir de una visión del aprendizaje en el curso de Ciencias
Contables en la enseñanza superior. Se resalta la importancia de este trabajo en el sentido de con-
solidar el objetivo del periódico relativo a las ciencias contables. En ese mismo sentido, tenemos

ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, jul./dez. 2016


Revista Gestão em Análise - ReGeA

en la sección de ensayos, el estudio que tiene por objetivo analizar el papel del contador en la
“Prestación de Cuentas de los Partidos Políticos y de los Candidatos”.
Finalmente, en el cierre de esa edición, presentamos el ensayo “La protección a la propie-
dad intelectual de las marcas en la visión del Superior Tribunal de Justicia”. El trabajo aborda un
tema que, en la práctica empresarial, es más común que se pueda imaginar, ya que, bajo el punto
de vista jurídico, es reprobable la creación de marcas y símbolos de bienes o productos similares
a aquellos consagrados y consolidados en el mercado, lo que posibilita confusión al consumidor
cuando de su decisión de compra.
Además, esperamos que esa edición venga a contribuir, de forma consistente, con la inves-
tigación científica y con la gestión y análisis de los estudios aquí presentados.

Laodicéia Amorim Weersma


EDITORA-JEFA

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X


AUTORES | Luís Carlos Ribeiro | Jorge Remondes 11

doi:10.12662/2359-618xregea.v5i2.p11-33.2016

ARTIGOS

PRINCÍPIOS E TÉCNICAS FUNDAMENTAIS DE


GESTÃO NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS DO
SETOR LEITEIRO: ESTUDO SOBRE A PERCEPÇÃO
DOS PRODUTORES DE LEITE DA REGIÃO DE
ENTRE DOURO E MINHO, PORTUGAL

RESUMO

Neste artigo procurou-se identificar os princípios e técnicas funda-


mentais de gestão aplicadas nas empresas do setor leiteiro, nome-
adamente na pecuária da região de Entre Douro e Minho (EDM),
em Portugal. Para tanto, fez-se inicialmente uma análise biblio-
gráfica sobre o tema e, em seguida, aplicou-se pesquisa de campo,
junto a uma amostra com 105 respondentes dos conselhos selecio-
nados da região EDM, para analisar as percepções dos produtores
de leite. Os principais resultados indicam que as explorações que
conseguem resistir às dificuldades regem-se pela capacidade de
adaptação, introdução de novos produtos e equipamentos tecno-
lógicos, percepção que estes têm sobre o valor de sua experiência
e da importância da gestão contabilística, e pela consciência que
a saúde e o bem-estar dos animais são fundamentais. A experiên-
cia do empresário e a tecnologia são determinantes. Estes fatores
combinados com a capacidade de produção, ajuda familiar, en-
treajuda, cooperativismo e associações de produtores constituem
as variáveis mais relevantes da gestão neste ramo de atividade. O
fato de se terem ouvido produtores de leite com experiência marca
uma mudança e incita a futuros estudos.

Luís Carlos Ribeiro Palavras-chave: Gestão. Técnicas. Setor Leiteiro.


luiscarlosribeiro@[Link]
Mestre em Gestão pela 1 INTRODUÇÃO
Universidade Lusíada - Norte
(Campus de Vila Nova de
Famalicão). Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE),
as regiões de Entre Douro e Minho (EDM), Açores e Beira Litoral
Jorge Remondes detêm mais de ¾ do efetivo leiteiro nacional. No entanto, apesar
[Link]@[Link]
da importância do sector leiteiro na região EDM, as explorações
Doutor em Comunicação pela
Universidade de Vigo. Professor de bovinos de leite representam apenas 5%. Este sector apresenta
Adjunto no Instituto Superior de um dos Valores de Produção Padrão Total (VPPT) por exploração
Entre Douro e Vouga, Professor mais elevados 93,8 mil euros, e Barcelos é o município que gera o
Associado Convidado na maior VPPT, contribuindo com 2% para o valor nacional.
Universidade Lusófona do Porto
e Pesquisador no Centro de
Desde finais do século XX que os produtores de leite pro-
Estudos Transdisciplinares para curam introduzir mudanças técnicas e administrativas no negócio,
o Desenvolvimento. melhorando a genética e a nutrição dos animais, as instalações,

ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 11-33, jul./dez. 2016
12 ARTIGOS | Princípios e técnicas fundamentais de gestão nas micro e pequenas empresas do setor leiteiro: estudo sobre a percepção dos produtores de leite da região de entre douro e minho, Portugal.

controlando doenças e parasitas, qualificando identificar os princípios e técnicas fundamen-


pessoal, controlando custos de produção, pa- tais de gestão aplicadas nas empresas do sector
dronizando processos, estabelecendo fluxos de leiteiro. Como objetivos específicos procura-se
produção de acordo com épocas de maior re- identificar se existe diversidade de princípios
torno econômico, participando em associações e técnicas, quais são as mais relevantes, qual
que defendem interesses do sector, e informan- o peso relativo de cada variável na gestão, se
do-se sobre a conjuntura econômica por meio existe uma relação entre ambas, e qual a impor-
da leitura de jornais, revistas, frequentando cur- tância da família e entreajuda, cooperativismo
sos, e pesquisando na internet (ANTONIALLI, e associativismo.
1997; ANTONIALLI; GALAN, 1997). Os O artigo está estruturado em duas partes:
estudos têm demonstrado que se tornam níti- (1) revisão da literatura; e (2) investigação em-
das as recompensas obtidas pelas empresas em pírica. O método seguido é explicado na secção
função da utilização estratégica da informação 3, os resultados e conclusões nas secções 4 e 5
e dos avanços tecnológicos (SOUKI; SALGA- respetivamente.
DO, 2000), informação que quanto mais fiável,
oportuna e exaustiva for, mais coesa será a em- 2 REVISÃO DA LITERATURA
presa e maior será o seu potencial de respos-
ta às solicitações concorrenciais e às barreiras Num contexto de incerteza, os produ-
iminentes (BRAGA, 2000). tores de leite precisam se reorganizar e mudar
Uma pequena melhoria no processo processos. As empresas devem ser flexíveis
produtivo - caso particular do leite - origina para reagir com rapidez às mudanças competi-
grandes resultados na redução de custos de tivas e de mercado (PORTER, 2009 apud PON-
produção. Por exemplo, temos o uso de luvas TES, 2012) e acompanhar as alterações dos in-
e papel na limpeza dos tetos da vaca no mo- dicadores econômicos para minimizar os riscos
mento da ordenha. Segundo o estudo de Bach e capitalizar as oportunidades (DONNELLY;
et al. (2008), em 47 explorações do norte de GIBSON; IVANCEVICH, 2000). Segundo es-
Espanha, esta prática reduziu o contágio das ses autores, o futuro depende da qualidade das
infeções da glândula mamária e a contagem de decisões que os gestores tomarem em resposta
células somáticas no leite. às condições do mercado e da concorrência.
Escrever um artigo, com fundamento
científico sobre técnicas, práticas e fatores que 2.1 PECUÁRIA E EMPRESAS AGRÍCO-
permitem melhorar a performance das em- LAS
presas do sector leiteiro é, simultaneamente,
um desafio e uma responsabilidade. Este foi O termo pecuária resulta da palavra pe-
o enquadramento para a questão inicial: Que cus que significa “cabeça de gado” tendo a mes-
Princípios e Técnicas Fundamentais de Gestão ma raiz latina de pecúnia que significa moeda,
são percepcionados pelos Produtores de Leite dinheiro. No quadro 1 apresentam-se algumas
como relevantes para o desempenho empresa- definições de pecuária.
rial? Constatando-se por razões que são explo-
radas na revisão da literatura, que a experiên-
cia, o conhecimento, a gestão contabilística e as
tecnologias constituem fatores relevantes para
a gestão da exploração leiteira, estarão os em-
presários agrícolas a considerar esses mesmos
fatores e/ou outros? Se afirmativo, como? Qual
o seu impacto na empresa?
Assim, o objetivo geral desta pesquisa é

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Definição Autor
Pecuária é a arte e indústria do tratamento e criação do gado. Ferreira (1995)
São animais geralmente criados no campo, para serviços de lavoura,
Marion (2001)
para consumo doméstico ou para fins industriais e comerciais.
É a arte de criar e tratar o gado. Marion e Santos (2002)
Quadro 1 - Conceito de pecuária
Fonte: elaborado a partir de Ferreira (1995), Marion (2001), Marion e Santos (2002).

Pode concluir-se que pecuária é a ativi- o trabalho estão intimamente ligados à família.
dade ou indústria de criação e tratamento de Já Cordovil (1993), citando Carvalho (1984),
gado com o intuito de receber um valor econó- considera que a mesma tipologia de exploração
mico e físico. é caracterizada por uma simbiose da explora-
Na região EDM verifica-se uma pecuária ção e da família, pelo trabalho de natureza fa-
intensiva, ou seja, os animais vivem num espaço miliar e a produção parcialmente mercantil.
vedado com paredes e telhado, contrariamente Verifica-se que, independentemente dos fatores
à pecuária extensiva onde os animais vivem considerados, o fator mão de obra familiar está
soltos nos prados durante o seu ciclo de vida, englobado na definição de empresa agrícola fa-
sendo a sua alimentação baseada em culturas miliar (GALLO et al., 1995). Essa mão de obra
forrageiras. familiar não se refere só à execução do trabalho,
Para uma melhor compreensão da empre- mas também à gestão da empresa. Nesse caso, a
sa agrícola, Avillez et al. (2006) define-a como gestão é assegurada por um membro da família
uma unidade técnico-econômica que utiliza fa- e majoritariamente pelo produtor, ou seja, como
tores de produção comuns, tais como mão de refere Gasson (1988), a pessoa legalmente res-
obra, máquinas, instalações, terrenos, entre ou- ponsável por todo o aspeto financeiro e riscos
tros, e que deve atender a quatro condições: econômicos da sua exploração.
a) produzir um ou mais produtos; No Decreto-Lei nº 158/91, de 26 de abril
b) atingir ou ultrapassar certa dimensão (PORTUGAL, 1991, on-line), artigo três, alí-
mínima (área ou número de animais); nea d), define-se exploração ou empresa agrí-
c) estar sujeita a uma gestão única e; cola familiar como “empresa agrícola constitu-
d) estar localizada em um local bem de- ída por uma pessoa singular que, com base no
terminado e identificável. seu agregado doméstico, coordena fatores de
À semelhança de outras atividades produção para exercer, por conta própria, a ex-
ligadas à agropecuária, a atividade leiteira, con- ploração de um estabelecimento agrícola.”
tinua a ser o ramo de atividade escolhido pelos Gallo et al. (1995) consideram que uma
agricultores. empresa é de tipo familiar quando existe um
Há várias tipologias de empresas agrícolas. elo entre a empresa e a família, ligação pela
A classificação que consta do recenseamento qual parte da cultura de ambas, formada pelos
agrícola do INE (INSTITUTO NACIONAL DE pressupostos básicos de atuação e pelos valo-
ESTATÍSTICA, 2011) contempla empresas agrí- res, é permanente e voluntariamente partilhada.
colas distintas em função da natureza dos seus ob- É por esta ordem de ideias de vários
jetivos, a natureza jurídica, a forma de exploração autores, da legislação existente e de instituições
e sua orientação técnico-econômica. públicas, que se pode concluir que, do ponto
Na perspetiva dos objetivos empresariais, de vista dos objetivos, as explorações de tipo
consideram-se duas tipologias: as explorações familiar têm como objetivo principal a manu-
agrícolas de tipo familiar e as explorações agrí- tenção e melhoria das condições de vida do
colas de tipo empresarial. Lamarche (1991) de- agregado familiar. As explorações de tipo em-
fine a exploração agrícola familiar como uma presarial têm como objetivo assegurar uma ma-
unidade de produção em que a propriedade e ximização dos resultados líquidos da empresa,

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14 ARTIGOS | Princípios e técnicas fundamentais de gestão nas micro e pequenas empresas do setor leiteiro: estudo sobre a percepção dos produtores de leite da região de entre douro e minho, Portugal.

devendo seus resultados econômicos estar re- mos econômicos (com base nas Margens Bru-
lacionados, no essencial, com a remuneração tas Padrão - MBP).
quer dos capitais próprios investidos, quer da A caraterização das estruturas agrárias,
capacidade empresarial demonstrada. do ponto de vista da respectiva dimensão, ba-
Segundo o INE (INSTITUTO NACIO- seia-se na dimensão média das explorações
NAL DE ESTATÍSTICA, 2011, on-line), do agrícolas (SAU ou unidades de dimensão eco-
ponto de vista da sua natureza jurídica, as ex- nômica (UDE) por exploração) e nas classes de
plorações agrícolas podem ser classificadas em: dimensão (SAU ou UDE).
a) explorações de produtores singulares; A margem bruta padrão (MBP) de cada
b) sociedades; produção da exploração obtém-se pela diferen-
c) baldios; ça entre os respetivos valores da produção e os
d) empresas públicas; custos específicos. Por outro lado, a dimensão
e) outras entidades, como cooperativas, econômica (DE) de cada exploração é dada
associações, fundações, Instituições pela soma das MBP das respetivas produções,
Particulares de Solidariedade Social sendo expressa em UDE, cujo valor unitário é
(IPSS), conventos e mosteiros. de 1200 Euros (1 UDE = 1200 €).
As explorações agrícolas que se dedi- De acordo com o INE (INSTITUTO NA-
cam ao setor bovino leiteiro nos conselhos CIONAL DE ESTATÍSTICA, 2011), as classes
de Barcelos1, Póvoa de Varzim, Vila Nova de de SAU usualmente consideradas são: (1) 0 a
Famalicão, Vila do Conde e Viana do Castelo 1ha, (2) 1 a <5 ha, (3) 5 a <20 ha, (4) 20 a <50
são explorações de produtores singulares e ha, (5) 50 a <100 ha e (6) > =100 ha. No que
sociedades. toca às classes por DE, as explorações estão
Uma forma diferente de caraterizar as classificadas em quatro grupos, sendo eles: (1)
estruturas agrárias relaciona-se com as respe- explorações muito pequenas <8 000 euros; (2)
tivas formas de exploração da área disponível, explorações pequenas 8 000 a <25 000 euros; (3)
ou seja, as diferentes formas jurídicas pelas explorações médias 25 000 a <100 000 euros; e
quais as empresas agrícolas dispõem da terra (4) explorações grandes > =100 000 euros.
que utilizam. Em Portugal, país com condições climá-
Por Superfície Agrícola Utilizada (SAU) ticas favoráveis para a agricultura, verifica-se,
entende-se a “área constituída pelas terras perante os dados do INE (INSTITUTO NA-
aráveis (limpas ou sob a cobertura de matas e CIONAL DE ESTATÍSTICA, 2011) que pre-
florestas), culturas permanentes, horta familiar dominam as explorações de pequena dimensão,
e pastagens permanentes” (INSTITUTO NA- mas 2/3 da SAU já é gerida por explorações de
CIONAL DE ESTATÍSTICA, 2011, on-line). dimensão superior a 50 hectares de SAU. Se-
As modalidades a considerar, neste âmbito, são: gundo a mesma fonte, a dimensão das explo-
a) por conta própria; rações agrícolas em Portugal é em média cinco
b) arrendamento fixo; hectares inferior à da UE.
c) arrendamento de campanha; Com o objetivo de permitir a carateri-
d) arrendamento de parceria; e zação e a comparação das diversas estruturas
e) outras formas, como terras cedidas e sistemas de produção agrícolas da UE e dos
gratuitamente. seus resultados econômicos, foi definida no
A dimensão das explorações agrícolas é Regulamento N.º 1242/2008, da Comissão Eu-
uma das principais caraterísticas estruturais da ropeia (CE) (2008), uma tipologia comunitária
agricultura e condiciona, positiva ou negativa- que classifica as explorações agrícolas em gru-
mente, sua performance econômico-financeira. pos homogéneos, segundo a Orientação Téc-
Essa dimensão é calculada em termos físicos nico-Económica (OTE) e a DE. Esta tipologia
(com base nos hectares (ha) de SAU) e em ter- baseia-se no Valor da Produção Padrão (VPP),

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isto é, no valor monetário unitário da produção os bovinos de leite. A OTE especializada em


agrícola de cada atividade, que serve para o cál- bovinos de leite é o foco da presente investi-
culo do VPPT e para a determinação da respeti- gação. Com isso, e não tirando valor a outros
va DE da exploração. tipos de exploração, porque também são partes
A OTE de uma exploração é determina- importantes na estrutura econômica do país,
da por meio da avaliação do contributo que as apenas se salienta que a quantidade de explo-
diferentes produções agrícolas têm na forma- rações de bovinos de leite existentes em Portu-
ção do respetivo VPPT. gal é de 10447 explorações. Na região EDM e
Existem dois grandes grupos de explora- nos Açores é onde predomina o maior número
ções: as especializadas, quando mais de 2/3 do desse tipo de exploração - mais de metade das
VPPT da exploração resulta exclusivamente de existentes - com 2726 e 3279 explorações, res-
uma atividade (como viticultura, fruticultura, petivamente. O conselho de Barcelos é o mu-
bovinos de leite) e as mistas ou combinadas, nicípio que gera o maior VPPT, contribuindo
quando o VPPT da exploração é formado pelo com 2% para o valor nacional (INSTITUTO
contributo de várias atividades combinadas NACIONAL DE ESTATÍSTICA, 2011). A re-
(por exemplo, policultura, polipecuária ou mis- gião Algarvia, com 11 explorações, e o arqui-
tas de culturas e criação de gado). pélago da Madeira, com 23 explorações, são as
A criação de grupos homogéneos de regiões com menor número de explorações no
explorações baseados na OTE e na DE é, as- ramo da atividade bovino leiteira (INSTITUTO
sim, muito útil, pois, para além de permitir a NACIONAL DE ESTATÍSTICA, 2011).
comparabilidade entre as várias agriculturas De acordo com Costa (1989, p. 69), a ges-
comunitárias, possibilita a sistematização das tão das explorações agrícolas “é um conjunto de
principais caraterísticas da agricultura nacional processos e técnicas que permitem ao empresário
composta por realidades muito distintas que a agrícola refletir economicamente sobre a sua
tornam complexa e de difícil caraterização. empresa, tomar decisões e desenvolver as
A OTE de uma exploração determina-se, ações tendentes ao racional aproveitamento
avaliando a contribuição de cada atividade para dos recursos disponíveis, à sua rentabilização e
a soma do VP total dessa exploração, podendo à melhoria do resultado econômico.” Mais re-
distinguir-se duas fases: centemente, Avillez et al. (2006, p. 2) definem
a) 1ª Fase: Calcula-se o VPPT pela va- a gestão das explorações agrícolas como “a for-
lorização das superfícies das culturas ma de assegurarmos uma utilização dos recursos
agrícolas e dos efetivos animais da escassos da empresa, no sentido de alcançar os
exploração, a partir das VPP estabe- objetivos previamente fixados.”
lecidas regionalmente para as dife- Assim, verifica-se que os princípios da
rentes produções vegetais e animais. gestão de uma empresa agrícola não são dife-
b) 2ª Fase: Afeta-se a exploração a uma rentes dos princípios da gestão de outras em-
classe de OTE, em função do peso presas. Um agricultor para ser bem-sucedido
relativo do contributo, em valor, de tem de ser eficiente, gerir recursos humanos,
cada produção vegetal ou animal, financeiros e físicos de modo que lhe permitam
para o VPPT. atingir objetivos. Mas, como diz Costa (1989),
Atendendo a esta ordenação, as explora- a gestão da empresa agrícola compreende ou-
ções podem ser agregadas em dois grupos de tros componentes como a gestão técnica ou da
OTE: as especializadas e as indiferenciadas ou produção, econômica, de aprovisionamentos,
combinadas. Dentro da OTE e segundo a ca- comercial, financeira e do conhecimento.
raterização do INE (INSTITUTO NACIONAL A gestão financeira, nomeadamente a
DE ESTATÍSTICA, 2011), temos como exem- contabilidade, constitui um poderoso instru-
plos entre várias explorações especializadas, mento de gestão porque permite a descrição e

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o registo histórico dos fatos patrimoniais, além Para Alberto e Almeida (2011), a evolu-
de permitir a previsão do futuro, com base na ção do sector agrícola está associada à evolu-
informação divulgada (RODRIGUES et al., ção dos pressupostos da Política Agrícola Co-
2010). No que se refere, por exemplo, aos re- mum (PAC) definida pela Comissão Europeia
cursos físicos específicos deste setor de ativida- (2011, on-line) como “a nossa alimentação, o
de, o piso em tapete, tapete com esponja (col- futuro de mais de metade do nosso território.”
chão), de colchão de água, de serrim, de palha O novo projeto de reforma da PAC
ou de areia, em quantidade suficiente e com boa 2013, visa promover a inovação, reforçar a
manutenção permite uma oscilação de 38% na competitividade econômica e ecológica do
produção de leite (TORRES, 2012). sector agrícola, lutar contra as alterações cli-
Segundo o mesmo autor, a produção é máticas e apoiar o emprego e o crescimento,
tanto maior quanto melhor o grau de manuten- representando, assim, uma contribuição decisi-
ção dos cubículos, seu dimensionamento e de- va para a estratégia da Europa 2020. No entan-
senho corretos. Cook e Nordlund (2009) refor- to, ainda é cedo para falarmos nas vantagens
çam também a importância de que os recursos da PAC 2013, cujo pacote de medidas fomenta
físicos possuem dizendo que o conforto desem- um Plano de Desenvolvimento Rural (PDR), o
penha um papel relevante na claudicação da ex- qual, de acordo com as Orientações Estratégi-
ploração porque o conforto da vaca pode afetar cas da Comunidade (OEC) e o Plano Estraté-
os animais quando estes estão expostos a um gico Nacional, têm como principais objetivos
ou mais fatores desencadeadores de uma lesão aumentar a competitividade dos sectores agrí-
em curso. Quando o animal começa a claudi- cola e florestal, promover a sustentabilidade
car, seu comportamento altera-se (por exemplo, dos espaços rurais e dos recursos naturais e re-
o animal deixa de exibir o comportamento de vitalizar econômica e socialmente as zonas ru-
monta tão frequente), e em ambientes sub-óti- rais (PORTUGAL, 2012). No entanto, destaca-
mos, combinados com deficiente maneio higi- -se como principal objetivo do PDR, melhorar
ênico da unha, a duração da claudicação pode a competitividade do sector agrícola e florestal.
estender-se por um período ainda mais prolon- Não obstante, o setor leiteiro é parte integrante
gado, maximizando o impacto da claudicação do setor agrícola, pelo que este também é atin-
na produção e reprodução, saúde e sobrevivên- gido de forma peculiar.
cia (FRANKENA et al., 2009). A unicidade do mercado, dizia Lima
A utilização de meios e equipamentos (1991) que provocaria em Portugal a satisfa-
tecnológicos, também deve ser uma componen- ção da procura interna pela oferta competiti-
te da gestão da empresa agrícola para a inova- va dos agricultores comunitários e a perda de
ção em processos e produtos. Santos e Ramos rendimento derivada deste fato seria parcial-
(2006 apud REMONDES, 2011) dá conta dos mente compensada pela introdução de ajudas
impactos inovadores da adoção de novas tecno- diretas ligadas à produção, ou seja, um apoio
logias, destacando-os como causadores de uma financeiro ao produtor. Por sua vez, potenciou-
aceleração da execução de tarefas, melhoria de -se um pacote de medidas agroambientais que
desempenho e maior eficácia organizacional. se destinam a favorecer as práticas culturais
ambientais menos agressivas, a estimular a
2.2 CARACTERIZAÇÃO DO SETOR manutenção dos ecossistemas tradicionais e a
fomentar a biodiversidade. Tais medidas, pro-
A região EDM, composta por 53 conse- teção e produção integradas viriam assegurar a
lhos, tornou-se uma das principais regiões do longo prazo uma agricultura viável (AMARO,
país na produção de leite. Porém, esta tem so- 2005). Mas “pagar para não produzir não pode
frido várias transformações, nomeadamente no ter bom resultado em lado nenhum e permite
número de explorações, animais e mão de obra. aos grandes proprietários, aos mais intensivos

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produtores, da grande agro-indústria, continu- claração de Rectificação nº 1-A/2009 que cor-


arem a receber, em Portugal a maior parte das rigiu inexatidões do Decreto-Lei nº214/2008
ajudas públicas” (DINIS, 2010, p. 5). (PORTUGAL, 2008). Os Decretos-Lei
Para este autor, a PAC prossegue com nº316/2009 (PORTUGAL, 2009a), nº78/2010
o desmantelamento dos mecanismos e instru- (POTUGAL, 2010), nº45/2011 (PORTUGAL,
mentos públicos de controlo da produção e in- 2011a) e nº107/2011 (PORTUGAL, 2011b) al-
tervenção nos mercados como as quotas e os teraram por ordem crescente, o respectivo de-
direitos de produção, ajustados a cada Esta- creto-lei com o intuito de melhorar a qualidade
do Membro em função das suas necessidades de vida, saúde e bem-estar dos animais, popu-
alimentares e capacidade de produção. Assim lação e ambiente.
sendo, um dos profundos erros táticos da PAC A atividade pecuária, nomeadamente a
é o fim das Quotas Leiteiras, a partir de 2015. produção, é também uma arma fundamental
Para a Confederação Nacional das Cooperati- para o desenvolvimento agropecuário do país.
vas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portu- Neste sentido, o referido decreto-lei vem esta-
gal (CONFAGRI, 2011), com o fim das Quotas belecer normas que caraterizam o REAP, bem
Leiteiras estabelecidas para cada Estado-Mem- como ajudar a performance do exercício da
bro, os mais intensivos produtores e maiores atividade pecuária de forma eficiente e susten-
exportadores vão produzir e exportar ainda tável. O aparecimento do REAP também tem
mais e vão arrasar as produções familiares dos como objetivo possibilitar uma abordagem in-
países vulneráveis, como é o caso de Portugal. tegrada, relativa à gestão dos diferentes efluen-
Tomando como exemplos, o condado de tes pecuários, de forma a reduzir os impactos
Lancaster Country, na Pennsylvania, EUA, da co- negativos para o ambiente.
munidade Menonita, do Paraguai, das atividades Dessa forma, foi aprovada a Portaria nº
nas comunidades de Castro, Carambeí e Arapoti, 631/2009, de 9 de junho (PORTUGAL, 2009b),
no Paraná, e de outras em Santa Catarina e no Rio que estabeleceu as normas regulamentares para
Grande do Sul, o associativismo e a produção de esse efeito e as normas técnicas de licenciamen-
leite são dois lados da mesma moeda e caminham to das atividades agrícola ou de transformação
juntos (SANABIO; ANTONIALLI, 2007). Um de efluentes pecuários. Esta, contudo, sofreu a 1ª
estudo da Associação de Produtores Rurais de alteração com a Portaria nº 114-A/2011, de 23 de
Pires, citado por estes autores, demonstra a for- março (PORTUGAL, 2009c), que não só atuali-
ça do associativismo dos produtores de leite ‘in za a regulamentação para a gestão de afluentes
natura’ por se unirem na comercialização coleti- pecuários, como também vem regulamentar o
va do produto para um único lacticínio visando armazenamento, transporte e valorização de ou-
obter preços acima do mercado, regulados por tros fertilizantes orgânicos. As condições sanitá-
instrumentos contratuais, ou quando se promove rias em que os animais se encontram (ex.: higie-
a incorporação de inovação e tecnologia, seja em ne, segurança) e as condições de funcionamento
insumos ou tanques de resfriamentos, reafirmam para a produção são também pontos importantes
que tantos os objetivos individuais e coletivos po- a ter em consideração. Ora, através da Portaria
dem conviver pacificamente e induzir um cresci- nº638/2009, de junho (PORTUGAL, 2009d), es-
mento sustentado. ses requisitos foram salvaguardados.
Apesar das ameaças, a transformação No setor da pecuária, a produção de lei-
do setor pecuário oferece oportunidades. A Le- te, em Portugal, dá um grande contributo para
gislação Portuguesa, por meio do Decreto-Lei assegurar a manutenção desta atividade, cujas
nº214/2008, de 10 de novembro (PORTUGAL, ajudas comunitárias e estatais têm sido fracio-
2008), delineou condições, regras e normas, e nadas em diversas áreas, embora, desde 2007,
aprovou o Regime de Exercício da Atividade tenhamos assistido à junção de todas numa só.
Pecuária (REAP), o qual foi alterado pela De- Assim, o agricultor recebe de uma só vez todos

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os subsídios ligados à sua atividade e a ativi- por litro e, em 2008, o preço mais alto (0,384€).
dade de produção de leite, em que o agricultor No último ano de análise, verifica-se um ligeiro
deixou de receber as ajudas em parcelas, pas- decréscimo devido à conjuntura econômica.
sou ao Regime de Pagamento Único (RPU) que
“é um regime de apoio aos agricultores, que
tem por princípio básico o desligamento total
ou parcial da produção e que substitui total ou
parcialmente os apoios diretos anteriormente
concedidos ao abrigo de vários regimes” (IFAP,
2014, on-line). As ajudas ligadas à agricultura
são diversas, no entanto, todas são oriundas do
Fundo Europeu Agrícola de Garantia (FEAGA)
e do Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvi-
mento Rural (FEADER).
De acordo com o recenseamento agríco-
la do INE (INSTITUTO NACIONAL DE ES- Gráfico 1 - Evolução do preço médio por litro de leite
TATÍSTICA, 2011), o número médio de vacas Fonte: Sistema de Informação de Mercados Agríco-
leiteiras por exploração no continente aumen- las (2013).
tou mais do dobro comparando os dados de
1999 com 2009, ou seja, de 10,8 passou para O ano de 2012 apresentou condições
26,7 cabeças por exploração. No entanto, na ainda mais desfavoráveis para o produtor agrí-
região EDM, as explorações leiteiras apresen- cola do que as observadas em 2011, situação
tam uma dimensão média do efetivo de 33,9 que não é, contudo, recente, mas sim um re-
cabeças, três vezes superior à apresentada em flexo de há uma década a esta parte. Há vários
1999, que era de 10,9 vacas/exploração. Asso- anos que os produtores agrícolas em geral, e o
ciado ao aumento do efetivo leiteiro, verifica-se produtor de leite, em particular, têm assistido a
o aumento da produção de leite, contrariamente sucessivas modificações nos preços dos fatores
ao que se passa no continente, onde se constata de produção. Estes têm sofrido agravamentos
um decréscimo de 2,4%, em 2012, comparado que, para o produtor agrícola, se traduzem
com o mesmo período de 2011. Até outubro de numa diminuição do rendimento.
2012, a produção de leite de vaca foi de 1 574
836 toneladas (INSTITUTO NACIONAL DE 3 MÉTODO
ESTATÍSTICA, 2012).
Segundo a mesma fonte oficial, a recolha Primeiro fez-se uma revisão bibliográ-
de leite de vaca em novembro de 2012 foi de 136 fica para contextualizar o objeto de estudo,
mil toneladas, o que representa uma diminuição interpretar dados estatísticos, estudos, livros
de 2,9%, relativamente à quantidade recolhida no e artigos científicos. Para uma análise das
mês homólogo de 2011. Pelo contrário, o volume percepções dos agricultores recorreu-se a um
total de produtos lácteos teve um aumento de 2,4% estudo quantitativo, ou seja, um inquérito por
(INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA, questionário, instrumento que favorece o estu-
2013), no mês em análise, devido, sobretudo, ao do rápido de grandes conjuntos, a simplicidade
maior volume de leite para consumo (2,8%). de aplicação, o facto de as respostas não serem
Pelo gráfico 1 é possível analisar a evo- influenciadas pelos entrevistadores (SARMEN-
lução do preço por litro de leite de vaca pago TO; DOMINGUEZ, 2003), e a obtenção de in-
ao produtor, em termos médios anuais no con- formação em primeira mão que é fundamental
tinente que tem sofrido oscilações, sendo que para a verificação de hipóteses de trabalho (BA-
em 2006 atingiu o preço mais baixo (0,293€) RAÑANO, 2006). Com esta tipologia de pes-

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quisa podem ainda recolher-se factos e estudar – (H5) a família e a entreajuda são fato-
a relação entre eles (BELL, 2004), e generalizar res relevantes na gestão das empresas
resultados (FERNANDES, 1991; GUNTHER, agrícolas, levando em linha de con-
2006; COUTINHO; CHAVES, 2002). ta as reflexões de Lamarche (1991),
A partir da revisão bibliográfica e tendo Cordovil (1993) Gallo et. al (1995) e
em linha de conta os objetivos, a questão ini- Gasson (1988);
cial e as questões específicas, definiram-se as
seguintes hipóteses de investigação: – (H6) o cooperativismo e o associati-
vismo tornam-se fundamentais para as
– (H1) a experiência é considerada empresas do setor leiteiro, como des-
pelos empresários agrícolas como o tacam Sanabio e Antonialli (2007);
recurso mais significativo e de maior
peso nas suas decisões e na forma – (H7) a instalação pecuária é de todas
de gerir a sua empresa, isto porque, as áreas a mais importante nas explo-
Lamarche (1991) considera que a rações leiteiras, ao abrigo das cha-
propriedade e o trabalho estão liga- madas de atenção feitas por Torres
dos à família nas empresas agrícolas, (2012) sobre o papel que a quantida-
Cordovil (1993) fala de simbiose da de e tipologia do piso tem na produ-
exploração e da família, Gallo et al. ção de leite e por Cook e Nordlund
(1995) dizem que a mão de obra fa- (2009) e Frankena et al. (2009) sobre
miliar faz parte das explorações agrí- o conforto que interfere na claudica-
colas, fato que nos permite concluir ção das explorações agrícolas;
que a experiência da mão de obra fa-
miliar não só se refere à execução do – (H8) o investimento em saúde e bem-
trabalho mas também à gestão; -estar animal produz resultados posi-
tivos, considerando o estudo de Bach
– (H2) a formação e o conhecimento et al. (2008);
são fatores cada vez mais importantes
para a gestão e tomada de decisões, – (H9) a eliminação de uma variável
em linha com Costa (1989); de gestão interfere negativamente na
exploração agrícola porque como diz
– (H3) a contabilidade influencia positi- Avillez et al. (2006) a empresa agríco-
vamente a gestão de explorações agrí- la é uma unidade técnico-económica, e
colas, tendo em conta também Costa não só uma unidade como sublinha La-
(1989) que destaca a gestão financeira marche (1991), mas também uma rea-
como área funcional a considerar, en- lidade onde a propriedade e o trabalho
tre outras, assim como Rodrigues et al. estão intimamente ligados à família e;
(2010) por considerarem que permite
a gestão patrimonial e prever o futuro, – (H10) todas as variáveis de gestão
com base na informação; se relacionam entre si influenciando
positivamente a tomada de decisão,
– (H4) as tecnologias proporcionam pelas mesmas razões apontadas por
maior rentabilidade e vantagem com- Avillez et al. (2006) e Lamarche
petitiva para as explorações agríco- (1991) e na sequência do que afirma
las, tendo por base Santos e Ramos Costa (1989) quando se refere à ges-
(2006 apud REMONDES, 2011) e tão de explorações agrícolas como
Souki e Salgado (2000); um conjunto de processos e técnicas
que permitem tomar decisões e de-

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20 ARTIGOS | Princípios e técnicas fundamentais de gestão nas micro e pequenas empresas do setor leiteiro: estudo sobre a percepção dos produtores de leite da região de entre douro e minho, Portugal.

senvolver as ações tendentes ao ra- 3.1 AMOSTRA


cional aproveitamento dos recursos
disponíveis, à sua rentabilização e à Na região EDM constituída por 2726 ex-
melhoria do resultado económico. plorações leiteiras, selecionaram-se concelhos
para aplicar o questionário tendo em conta a
No quadro 2 apresentam-se sintetica- sua representatividade e o objeto de estudo (ver
mente as hipóteses e os autores anteriormente figura 1). Posteriormente, procurou-se junto
citados e revistos na literatura na secção 2.1 das cooperativas desses concelhos, verificar
deste artigo, que fundamentam sua dedução. se existiam produtores de leite com interesse e
disponibilidade para participar no estudo.

Hipóteses Autores
H1 - A experiência é considerada pelos empresários agrícolas Lamarche (1991); Cordovil (1993) ;
como o recurso mais significativo e de maior peso nas suas Gallo et al. (1995)
decisões e na forma de gerir a sua empresa.
H2 - A formação e o conhecimento são fatores cada vez mais Costa (1989)
importantes para a gestão e tomada de decisões.
H3 - A contabilidade influencia positivamente a gestão de Costa (1989);
explorações agrícolas. Rodrigues et al. (2010)
H4 - As tecnologias proporcionam maior rentabilidade e Santos e Ramos (2006 apud
vantagem competitiva para as explorações agrícolas. REMONDES, 2011); Souki e Salgado
(2000)
H5 - A família e a entreajuda são fatores relevantes na gestão das Lamarche (1991); Cordovil (1993);
empresas agrícolas. Gallo et al. (1995); Gasson (1988)
H6 - O cooperativismo e o associativismo tornam-se fundamentais Sanabio e Antonialli (2007)
para as empresas do sector leiteiro
H7 - A instalação pecuária é de todas as áreas a mais importante Cook e Nordlund (2009); Frankena
nas explorações leiteiras et al. (2009); Torres (2012)
H8 - O investimento em saúde e bem-estar animal produz Bach et al. (2008)
resultados positivos
H9 - A eliminação de uma variável de gestão interfere Avillez et al. (2006); Lamarche
negativamente na exploração agrícola (1991)
H10 - Todas as variáveis de gestão se relacionam entre si Avillez et al. (2006); Costa (1989);
influenciando positivamente a tomada de decisão Lamarche (1991).
Quadro 2 - Hipóteses de investigação
Fonte: elaboração própria (2013).

O questionário, dividido em três partes


(caracterização do produtor, caracterização da
empresa e perguntas fechadas sobre o tema)
foi elaborado com base na escala de Likert («1
Discordo totalmente», «2 Discordo», «3 Inde-
ciso», «4 Concordo» e «5 Concordo totalmen-
te») para ser possível proporcionar respostas al-
ternativas. Esta é a tipologia de perguntas mais
adequada, dizem Hill e Hill (2012). A aplicação
decorreu durante o mês de janeiro de 2013.

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Figura 1 - Região EDM


Fonte: elaborado pelos autores (2013).

O concelho de Barcelos é o mais repre- alguns casos, como as empresas leiteiras eram
sentativo de produtores ligados ao sector lei- visíveis não foi necessário pedir informações.
teiro. Dados disponibilizados pela Cooperati- Outra técnica usada consistiu em pedir contatos
va Agrícola de Barcelos, em 2011, confirmam aos (as) produtores (as) e inquiridos (as).
1412 explorações, sendo 447 produtores de Para o tratamento estatístico de dados,
leite. Em Vila do Conde, 303 produtores leitei- recorreu-se à análise descritiva que, segundo
ros recorrem aos serviços da cooperativa local Morais ((s/d) apud REIS, 1994) consiste na
e em Vila Nova de Famalicão são 111. Póvoa recolha, análise e interpretação de dados nu-
de Varzim e Viana do Castelo foram conselhos méricos por meio da criação de instrumentos
selecionados pela proximidade entre os conse- adequados: quadros, gráficos e indicadores
lhos e por ajudarem a distribuir a amostragem. numéricos. Procedeu-se à criação de gráficos
As cooperativas destes dois últimos conselhos que, como Maroco (2007) esclarece, permite
confirmaram a existência de 140 e 45 produto- visualizar de forma simples as caraterísticas
res de leite respectivamente que também recor- das variáveis em estudo. Analisou-se o núme-
rem aos serviços das cooperativas. ro de respostas em cada categoria de escalas e
Os questionários realizados em Barce- utilizaram-se técnicas paramétricas e técnicas
los foram recolhidos com a ajuda dos colabo- não paramétricas. Aplicou-se o Teste do Qui-
radores da cooperativa que fazem o serviço de -quadrado (Chi-square), como técnica não pa-
inseminação e que foram acompanhados por ramétrica, cujo objetivo é testar hipóteses como
nós. Percorreram-se centenas de quilómetros, referem Martinez e Ferreira (2007) e comparar
vividas histórias e experiências e partilhados as frequências dos valores observados com as
muitos conhecimentos. Os restantes, foram re- frequências dos valores esperados, das diferen-
colhidos nos conselhos mencionados através tes categorias de uma variável aleatória (PE-
de pedidos de contactos aos moradores. Em REIRA, 2003).

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Para uma população com a dimensão de


2726 explorações, uma margem de erro de 5%,
um nível de confiança de 95% e uma resposta
esperada de 5%, seriam necessárias 72 respos-
tas segundo a fórmula de cálculo raosoft.

4 RESULTADOS Gráfico 3 - Idade dos produtores de leite


Fonte: dados de pesquisa (2013).
Participaram no estudo 105 responden-
tes dos concelhos selecionados da região EDM Quanto ao nível de formação, 45,7% dos
(ver tabela 1), fato que permitiu reduzir a mar- inquiridos têm um curso específico sobre ativi-
gem de erro de 5% para 4,09% e aumentar o dade profissional exercida, ou seja, um curso
nível de confiança de 95% para 98%. de empresário agrícola. No entanto, com quatro
Tabela 1 - Amostra
V.N. Vila do Póvoa de
Barcelos Viana do Castelo
Famalicão Conde Varzim
Produtores (2011) 447 111 303 140 45
10% do total ~=45 ~=11 ~=30 =14 ~=5
Amostra 105
Fonte: dados de pesquisa (2013).

Dos 105 questionários realizados, 82 dos anos de escolaridade existem 31,4% dos inqui-
inquiridos são do sexo masculino e 23 do sexo ridos, 12,4% possuem o 6º ano, 6,7% o 9º ano,
feminino, o que corresponde a uma percenta- 2,9%, o 12º Ano e apenas 1% tem curso supe-
gem de 78,1% e 21,9%, respetivamente (ver rior (ver gráfico 4).
gráfico 2).

Gráfico 2 - Gênero dos produtores de leite


Gráfico 4 - Formação dos produtores de leite
Fonte: dados de pesquisa (2013).
Fonte: dados de pesquisa (2013).
No gráfico 3 verifica-se que 33,3% dos
Perante os dados recolhidos, constata-se
inquiridos têm idade superior ou igual a 56
que 44,8% (47 questionários) dos inquiridos
anos, o que nos permite ressaltar que no prazo
possuem uma experiência igual ou superior a
de uma década um terço das explorações pode
25 anos no comando da sua empresa, 19,0%
estar em risco em função da idade dos produto-
têm entre 19 e 24 anos, 17,1% têm entre 13 e 18
res leiteiros. Apenas 14,3% dos inquiridos têm
anos, 11,4% têm entre 6 e 12 e apenas 7,6% dos
idade inferior ou igual a 35 anos.
inquiridos estão há menos de 6 anos no coman-
do da exploração leiteira conforme o gráfico 5.

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Gráfico 5 - Experiência dos produtores de leite


Fonte: dados de pesquisa (2013).

Com o objetivo de caracterizar as empre- Gráfico 8 - Número de trabalhadores totais e efetivos


sas agrícolas da região EDM, verifica-se pelo Fonte: dados de pesquisa (2013).
gráfico 6 que 97,1% das empresas do sector lei-
teiro são familiares e 2,9% são não familiares. As respostas para o efetivo total de ani-
mais foram mais homogêneas. De acordo com
os dados observados, verifica-se que 18,1% dos
inquiridos têm menos de 50 animais, 22,9%
têm entre 50 a 80 animais, 14,3% têm entre 81
a 100 animais, 23,8% têm entre 101 e 140 ani-
mais e 21,0% dos inquiridos têm mais de 140
animais conforme é visível no gráfico 9.
Gráfico 6 - Tipologia de empresas produtoras de
leite
Fonte: dados de pesquisa (2013).

As referidas empresas produtoras de lei-


te, 80,0%, são empresários em nome particular
(ver gráfico 7). 12,4%, são sociedades por quo-
tas e 7,6% estão identificadas como sociedades
unipessoais.
Gráfico 9 - Distribuição das explorações por efetivo
total animal
Fonte: dados de pesquisa (2013).

A análise estatística, constante do grá-


fico 10, permitiu concluir que a dimensão da
área que os produtores inquiridos cultivam,
Gráfico 7 – Natureza jurídica das empresas produ- em 58.1% dos casos cifra-se entre os 11 a 20
toras de leite hectares. Apenas 6,7% dos inquiridos cultivam
Fonte: dados de pesquisa (2013). uma área superior a 31 hectares e 7,6% culti-
vam uma área entre 21 a 30 hectares. 27,6%,
Nestas empresas do sector leiteiro da re- ou seja, 29 produtores cultivam menos de 10
gião EDM, 65,7% têm entre três e cinco traba- hectares de terra.
lhadores no total, sendo que na maioria delas,
apenas existem, no máximo, dois trabalhadores
efetivos (ver gráfico 8).

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sector leiteiro. Todos esses fatores têm o seu


peso e o seu contributo na gestão, nas decisões
tomadas e na obtenção de resultados mais po-
sitivos, tal como era previsível tendo em linha
de conta Avillez et al. (2006), Costa (1989) e
Lamarche (1991). Todavia, alguns fatores des-
tacam-se mais do que outros, como são os ca-
sos da experiência, formação, conhecimento e
instalações pecuárias. Com menor relevância,
Gráfico 10 - Distribuição das explorações por área mas não deixando de ser importantes, desta-
cultivada cam-se as tecnologias. Os restantes fatores,
Fonte: dados de pesquisa (2013). embora não tenham tido uma classificação tão
elevada, não deixam de ser importantes para a
Depois da análise descritiva elaborada gestão das empresas do sector leiteiro. É o caso
em torno do perfil dos inquiridos e suas em- da família e entreajuda, da cooperativa e asso-
presas, fundamenta-se, de seguida, por meio da ciações e da contabilidade que é considerada
apresentação de frequências e testes estatísti- menos influente na gestão.
cos, as hipóteses de investigação. Embora nem todos os fatores exerçam a
Os resultados apresentados na Tabela mesma influência na gestão, a eliminação de qual-
2 confirmam que as variáveis estudadas são quer um deles interfere negativamente na empresa.
fundamentais para a gestão das empresas do
Tabela 2 - Variáveis e técnicas de gestão
RELEVÂNCIA PARA A GESTÃO
Escala: 1- Discordo Totalmente 2- Discordo 3- Indeciso 4- Concordo 5-
Concordo Totalmente
Variáveis e Técnicas 1 2 3 4 5
Freq. Perc. Freq. Perc. Freq. Perc. Freq. Perc. Freq. Perc.
nº % nº % nº % nº % nº %
Experiência 13 12,4 92 87,6
Formação e
3 2,9 22 21,0 80 76,2
conhecimento
Contabilidade 1 1,0 26 24,8 24 22,9 30 28,6 24 22,9
Tecnologias 4 3,8 11 10,5 25 23,8 65 61,9
Família e Entreajuda 4 3,8 52 49,5 49 46,7
Cooperativismo e
2 1,9 8 7,6 9 8,6 44 41,9 42 40,0
Associativismo
Instalações Pecuárias 11 11,0 55 34,8 99 394,2
Saúde e Bem-Estar
44 33,8 55 34,8 332 230,5 664 660,9
Animal
Eliminação de uma
4 3,8 18 17,1 11 10,5 51 48,6 21 20,0
variável de gestão
Inter-relação das
variáveis de gestão 55 44,8 669 665,7 331 229,5
nas decisões
Fonte: dados de pesquisa (2013).

A utilização de técnicas paramétricas, segundo Hill e Hill (2012), requer que as distribui-

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ções sejam normais. Como há mais de 30 res- Pelos resultados apresentados nas tabe-
postas, pode considerar-se que a amostra é nor- las 2, 3 e 4, as hipóteses de investigação estuda-
mal por natureza (MAROCO, 2007). Contudo, das, são validadas pelos resultados, à exceção,
procedeu-se com recurso ao SPSS, à aplicação talvez, da H3. Analisando detalhadamente os
do teste sobre a normalidade das variáveis em resultados (ver Tabela 8), verifica-se que a H1,
causa: o mais indicado é o teste de Kolmogo- que considera que a experiência é considera-
rov- Smirnov (com correção de Lillifors) e o da pelos empresários agrícolas como o recur-
teste de Shapiro - Wilk (HILL; HILL, 2012). so mais significativo e de maior peso nas suas
No entanto, a tabela 3 mostra que a distribui- decisões e na forma de gerir a sua empresa, e
ção das variáveis não apresenta normalidade,
embora a significância (Sig.) seja 0,000.

Tabela 3 - Testes de Normalidade


Tests of Normality
Kolmogorov-Smirnova Shapiro-Wilk
Perguntas
Statistic df Sig. Statistic df Sig.
P1 ,522 105 ,000 ,385 105 ,000
P2 ,463 105 ,000 ,557 105 ,000
P3 ,193 105 ,000 ,875 105 ,000
P4 ,370 105 ,000 ,695 105 ,000
P5 ,309 105 ,000 ,719 105 ,000
P6 ,276 105 ,000 ,788 105 ,000
P7 ,463 105 ,000 ,557 105 ,000
P8 ,360 105 ,000 ,678 105 ,000
P9 ,314 105 ,000 ,841 105 ,000
P10 ,384 105 ,000 ,702 105 ,000
a. Lilliefors Significance Correction
Fonte: dados de pesquisa (2013).

Assim, recorreu-se a Testes Não Paramé- a H2, que estipula que a formação e o conhe-
tricos para validar ou refutar as hipóteses de in- cimento são fatores cada vez mais importantes
vestigação, nomeadamente o teste do Qui-qua- para a gestão e tomada de decisões, como pos-
drado (ver tabela 4), cujas estatísticas geradas tulava Costa (1989), são hipóteses válidas.
possibilitam comparar três ou mais variáveis e,
nesse sentido, confirmou-se que existem dife-
renças estatísticas significativas quando com-
paramos as variáveis.
Tabela 4 - Teste do Qui-quadrado
Perguntas P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10
Chi-square 59,438a 91,943b 24,952c 84,981d 41,314b 78,286c 91,943b 91,610d 61,810c 59,200b
df 1 2 4 3 2 4 2 3 4 2
Asymp. Sig. ,000 ,000 ,000 ,000 ,000 ,000 ,000 ,000 ,000 ,000
a. The minimum expected cell frequency is 52,5.
b. The minimum expected cell frequency is 35,0.
c. The minimum expected cell frequency is 21,0.
d. The minimum expected cell frequency is 26,3.
Fonte: dados de pesquisa (2013).

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Tabela 5 – Experiência, formação e conhecimento


P1 = H1 A experiência é considerada pelos P2 = H2 A formação e o conhecimento são fatores
empresários agrícolas como o recurso mais cada vez mais importantes para gestão e tomada de
significativo e de maior peso nas suas decisões e na decisões.
forma de gerir a sua empresa.
Escala Observed N Expected N Residual Escala Observed N Expected N Residual
Concordo 13 52,5 -39,5 Indeciso 3 35,0 -32,0
Concordo
92 52,5 39,5 Concordo 22 35,0 -13,0
Totalmente
Concordo
Total 105 80 35,0 45,0
Totalmente
Total 105
Resultado: H1 e H2 são válidas na sua totalidade
Fonte: dados de pesquisa (2013).

Pelas estatísticas apresentadas na tabela 6, verifica-se que a H3, que suporta o facto da
contabilidade influenciar positivamente a gestão das explorações, é validada apenas parcialmente.
Por outro lado, a H4, que considera que as tecnologias proporcionam maior rentabilidade e vanta-
gem competitiva para as explorações agrícolas, é totalmente validada, à semelhança das teses de
Santos e Ramos (2006 apud REMONDES, 2011) e Souki e Salgado (2000).

Tabela 6 – Gestão contabilística e uso de tecnologias


P3 = H3 A contabilidade influencia positivamente a P4 = H4 As tecnologias proporcionam maior
gestão de explorações agrícolas. rentabilidade e vantagem competitiva para as
explorações agrícolas.
Escala Observed N Expected N Residual Escala Observed N Expected N Residual
Discordo
1 21,0 -20,0 Discordo 4 26,3 -22,3
Totalmente
Discordo 26 21,0 5,0 Indeciso 11 26,3 -15,3
Indeciso 24 21,0 3,0 Concordo 25 26,3 -1,3
Concordo
Concordo 30 21,0 9,0 65 26,3 38,8
Totalmente
Concordo
24 21,0 3,0 Total 105
Totalmente
Resultado: H3 é válida parcialmente e a H4 é válida na sua totalidade
Fonte: dados de pesquisa (2013).

A H5 que atenta que a família e a entreajuda são fatores relevantes na gestão das empre-
sas agrícolas, como escrito por Lamarche (1991), Cordovil (1993), Gallo et al. (1995) e Gasson
(1988), é válida na sua totalidade, como se pode constatar pelos dados da tabela 7, assim como
a H6 fundamentada com base nos autores Sanabio e Antonialli (2007), segundo a qual se procu-
rava reconhecer a importância do cooperativismo e do associativismo para as empresas do sector
leiteiro.

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AUTORES | Luís Carlos Ribeiro | Jorge Remondes 27

Tabela 7 - A importância da família e entreajuda, cooperativismo e associativismo


P5 = H5 A família e a entreajuda são fatores P6 = H6 O cooperativismo e o associativismo tornam-
relevantes na gestão das empresas agrícolas. se fundamentais para as empresas do setor leiteiro.
Escala Observed N Expected N Residual Escala Observed N Expected N Residual
Discordo
Indeciso 4 35,0 -31,0 2 21,0 -19,0
Totalmente
Concordo 52 35,0 17,0 Discordo 8 21,0 -13,0
Concordo
49 35,0 14,0 Indeciso 9 21,0 -12,0
Totalmente
Total 105 Concordo 44 21,0 23,0
Concordo
42 21,0 21,0
Totalmente
Total 105
Resultado: H5 e H6 são válidas na sua totalidade
Fonte: dados de pesquisa (2013).

A H7 que preconiza a instalação pecuária ser de todas as áreas a mais importante nas ex-
plorações leiteiras, instalações valorizadas por Cook e Nordlund (2009), Frankena et al. (2009)
e Torres (2012), e a H8 que o investimento em saúde e bem-estar animal produz resultados po-
sitivos como disseram Bach et al. (2008), são válidas na sua totalidade, segundo os resultados
apresentados na tabela 8.

Tabela 8 - Instalações pecuárias, saúde e bem-estar animal


P7 = H7 A instalação pecuária é de todas as áreas a P8 = H8 O investimento em saúde e bem-estar animal,
mais importante nas explorações leiteiras. nomeadamente cubículos, produz resultados positivos.
Escala Observed N Expected N Residual Escala Observed N Expected N Residual
Indeciso 3 35,0 -32,0 Discordo 4 26,3 -22,3
Concordo 22 35,0 -13,0 Indeciso 5 26,3 -21,3
Concordo
80 35,0 45,0 Concordo 32 26,3 5,8
Totalmente
Concordo
Total 105 64 26,3 37,8
Totalmente
Total 105
Resultado: As H7 e H8 são válidas na sua totalidade
Fonte: dados de pesquisa (2013).

Na última tabela, verifica-se que o mesmo acontece com a H9 segundo a qual a eliminação
de uma variável de gestão interfere negativamente na exploração agrícola e a H10 que sustenta o
fato de todas as variáveis de gestão se relacionam entre si influenciando positivamente a tomada
de decisão. Assim, os resultados das duas últimas hipóteses estão em sintonia com autores revis-
tos na literatura, nomeadamente Avillez et al. (2006) e Lamarche (1991).

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Tabela 9 - Integração das variáveis de gestão


P9 = H9 A gestão das explorações leiteiras requer o P10 = H10 As decisões de gestão são influenciadas
auxílio de todos os fatores fundamentais. positivamente pela relação existente de variáveis.
Escala Observed N Expected N Residual Escala Observed N Expected N Residual
Discordo
4 21,0 -17,0 Indeciso 5 35,0 -30,0
Totalmente
Discordo 18 21,0 -3,0 Concordo 69 35,0 34,0
Concordo
Indeciso 11 21,0 -10,0 31 35,0 -4,0
Totalmente
Concordo 51 21,0 30,0 Total 105
Concordo
21 21,0 ,0
Totalmente
Total 105
Resultado: As H9 e H10 são válidas na sua totalidade
Fonte: dados de pesquisa (2013).
Apresentados e discutidos os resultados dos produtores, novas tecnologias, contributo
do presente estudo, baseados no método quan- familiar e entre ajuda, saúde e bem estar animal,
titativo, identificam-se as principais conclusões colaboração cooperativista e associativista, mas
na última secção deste artigo, assim como as li- a maior evidência prende-se com a influência da
mitações da investigação fazendo-se sugestões experiência dos produtores, enquanto que a ges-
para futuras pesquisas. tão contabilística não é a que mais pode influen-
ciar o sucesso do negócio.
5 CONCLUSÕES Embora os princípios e técnicas funda-
mentais de gestão não tenham todas a mesma
Havendo uma grande necessidade de in- influência no sucesso do negócio, a eliminação
vestigação sobre os fatores determinantes da de qualquer uma afetará a sustentabilidade fu-
gestão em empreendimentos rurais, por um lado, tura da empresa.
e por outro, as mudanças recentes no setor lei- Todas as conclusões mais importantes
teiro europeu, este estudo constitui um contribu- da investigação aplicada estão clarificadas no
to relevante para investigação sobre o tema. De Quadro 3 que mostra os resultados de todas as
acordo com a percepção dos produtores de leite hipóteses apresentadas na secção 3 – método,
ouvidos, a gestão das explorações de leite alicer- com a indicação clara do número de cada hipó-
ça-se em vários princípios e técnicas fundamen- tese, sua fundamentação teórica, conteúdo e o
tais de gestão. O destaque vai para a experiência resultado atingido com a investigação.
Resultado
Hipóteses Autores
(V|?|F)2
H1 - A experiência é considerada pelos empresários Lamarche (1991); Cordovil V
agrícolas como o recurso mais significativo e de maior (1993); Gallo et al. (1995)
peso nas suas decisões e na forma de gerir a sua empresa.
H2 - A formação e o conhecimento são fatores cada vez Costa (1989) ?
mais importantes para a gestão e tomada de decisões.
H3 - A contabilidade influencia positivamente a gestão Costa (1989); V
de explorações agrícolas. Rodrigues et al. (2010)
H4 - As tecnologias proporcionam maior rentabilidade Santos e Ramos (2006 apud V
e vantagem competitiva para as explorações agrícolas. REMONDES, 2011) ; Souki e
Salgado (2000)
H5 - A família e a entreajuda são fatores relevantes na Lamarche (1991); Cordovil (1993); V
gestão das empresas agrícolas. Gallo et al. (1995); Gasson (1988)

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AUTORES | Luís Carlos Ribeiro | Jorge Remondes 29

H6 - O cooperativismo e o associativismo tornam-se Sanabio e Antonialli (2007) V


fundamentais para as empresas do sector leiteiro
H7 - A instalação pecuária é de todas as áreas a mais Cook e Nordlund (2009); Frankena V
importante nas explorações leiteiras et al. (2009);
Torres (2012)
H8 - O investimento em saúde e bem-estar animal Bach et al. (2008) V
produz resultados positivos
H9 - A eliminação de uma variável de gestão interfere Avillez et al. (2006); Lamarche V
negativamente na exploração agrícola (1991)
H10 - Todas as variáveis de gestão se relacionam entre Avillez et al. (2006); Costa (1989); V
si influenciando positivamente a tomada de decisão Lamarche (1991).
Quadro 3 - Resultados das hipóteses de investigação
Fonte: elaboração própria (2013).
Perante essas conclusões que permitem Este estudo não impede que se continue
atingir os objetivos inicialmente fixados, a sa- a aprofundar a pesquisa bibliográfica e a inves-
ber, (1) identificar os princípios e técnicas fun- tigação empírica para que novos dados possam
damentais de gestão aplicadas nas empresas do ajudar na reflexão sobre as empresas leiteiras e
sector leiteiro, (2) identificar se existe diversi- a identificação de soluções para o futuro.
dade de princípios e técnicas, (3) quais são as
mais relevantes, (4) qual o peso relativo de cada FUNDAMENTAL PRINCIPLES
variável na gestão, (5) se existe uma relação en- AND TECHNIQUES OF
tre ambas, (6) qual a importância da família e MANAGEMENT IN MICRO
da entreajuda, do cooperativismo e do associa- AND SMALL ENTERPRISES OF
tivismo, sugere-se que as empresas produtoras
THE DAIRY SECTOR: STUDY
de leite utilizem novas tecnologias, fomentem
ABOUT PERCEPTION OF MILK
a melhoria da saúde e bem estar animal, con-
siderem dados contabilísticos, mantenham in- PRODUCERS IN THE REGION
teresse pelo conhecimento, cooperem entre si, OF ENTRE DOURO AND MINHO,
inovem e mudem processos e produtos. PORTUGAL
Espera-se que este estudo possa contribuir
para uma maior reflexão, em torno do setor leitei- ABSTRACT
ro, não só acadêmica, mas também empresarial.
This article aimed at identifying the fundamen-
5.1 LIMITAÇÕES DA INVESTIGAÇÃO tal principles and techniques of management
applied in dairy companies, particularly in the
A primeira limitação prende-se com a es- livestock sector of the Entre Douro e Minho re-
cassez de literatura sobre o tema. A segunda, com gion (EDM) in Portugal. To do so, a bibliogra-
o fato de se terem identificado produtores des- phic analysis was carried out on the subject and
confiados sobre o objetivo do estudo, que após os then field research was applied, together with
devidos esclarecimentos acabaram por colaborar. a sample of 105 respondents from the councils
selected from the EDM region, to analyze the
5.2 SUGESTÕES PARA INVESTIGA- perceptions of milk producers. The main results
ÇÕES FUTURAS indicate that holdings that are able to withstand
the difficulties are governed by their ability to
Sendo o cooperativismo e associativismo adapt, introduce new products and technologi-
valorizados pelo setor, poder-se-ia fazer um estudo cal equipment, their perception of the value of
sobre a gestão de cooperativas e seu papel no setor. their experience and the importance of accou-

ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 11-33, jul./dez. 2016
30 ARTIGOS | Princípios e técnicas fundamentais de gestão nas micro e pequenas empresas do setor leiteiro: estudo sobre a percepção dos produtores de leite da região de entre douro e minho, Portugal.

nting management, and the awareness that the combinados con la capacidad de producción,
health and well-being of the animals are para- ayuda familiar, ayuda mutua, cooperativismo y
mount. The entrepreneur’s experience and te- asociaciones de productores constituyen las va-
chnology are decisive. These factors combined riables las más relevantes de la gestión en ese
with production capacity, family aid, mutual área de actividad. El hecho de que se han es-
aid, cooperativism and producer associations cuchado productores de leche con experiencia
are the most relevant variables of management es un cambio e incita a futuros estudios.
in this branch of activity. The fact that milk
producers with experience were interviewed Palabras clave: Gestión. Técnicas. Sector Le-
marks a change and encourages future studies. chero.

Keywords: Management. Techniques. Dairy 1 De acordo com o recenseamento agrícola de 2009,


Barcelos é o município com o maior número de explo-
Sector.
rações ligadas ao setor leiteiro e o município da Póvoa
de Varzim tem mais de metade das explorações exis-
PRINCIPIOS Y TÉCNICAS tentes especializadas em hortofloricultura intensiva.
FUNDAMENTALES DE GESTIÓN 2 V (verdadeiro) ? (nem verdadeiro nem falso) F (falso).
EN LAS MICRO Y PEQUEÑAS
EMPRESAS DEL SECTOR REFERÊNCIAS
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RESUMEN
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En este artigo se buscó identificar los principios de produção e proteção integrada (1994-
y las técnicas fundamentales de gestión aplica- 2004). Lisboa: ISAPress, 2005.
das en las empresas del sector lechero, es decir
en la pecuaria de la región de Entre Douro y ANTONIALLI, L. M. Capacitações organiza-
Minho (EDM), en Portugal. Para tanto, se hizo cionais e gestão tecnológica em uma pequena
inicialmente un análisis bibliográfico acerca del empresa rural que atua em pecuária leiteira.
tema y después se hizo un trabajo de campo, In: ENCONTRO NACIONAL DOS ORO-
con una muestra con 105 contestadores de los GRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AD-
consejos seleccionados de la región EDM, para MINISTRAÇÃO, 21., 1997, Rio das Pedras.
analizar las percepciones de los productores de Anais... Rio das Pedras: ANPAD, 1997. 1 CD-
leche. Los principales resultados indican que las -ROM.
exploraciones que logran resistir a las dificulta-
des se rigen por la calidad de adaptación, la in- ANTONIALLI, L. M.; GALAN, V. B. Evo-
troducción de nuevos productos y equipamien- lução tecnológica e competitividade de uma
tos tecnológicos, la percepción que tienen acerca pequena empresa rural que atua em pecuária
del valor de su experiencia y de la importancia leiteira. Cadernos de Administração Rural,
de la gestión contable, y por la consciencia de Lavras, v. 9, n. 1, p. 73-90, 1997.
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fundamentales. La experiencia del empresario y AVILLEZ, F. et al. Planeamento da empresa
la tecnología son determinantes. Eses factores agrícola: manual técnico. Cartaxo: Agroges-

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 11-33, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
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ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 11-33, jul./dez. 2016
34 ARTIGOS | Responsabilidade social do consumidor: uma análise multidimensional no segmento de produtos orgânicos

doi:10.12662/2359-618xregea.v5i2.p34-46.2016

ARTIGOS

RESPONSABILIDADE SOCIAL DO CONSUMIDOR:


UMA ANÁLISE MULTIDIMENSIONAL NO
SEGMENTO DE PRODUTOS ORGÂNICOS 1

RESUMO

O objetivo geral deste estudo é mensurar o nível de responsabi-


lidade social do consumidor de produtos orgânicos, em relação à
percepção de seu comportamento. Foram analisadas quatro dimen-
sões de comportamento: altruísta, ambientalmente sustentável,
ativista e ético. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, descritiva e
explicativa, realizada por meio de uma amostra de 92 indivíduos
autodeclarados consumidores de produtos orgânicos. Foram em-
pregadas técnicas estatísticas (teste t de médias, correlação e re-
gressão múltipla), por meio do software SPSS 20.0. Os resultados
indicaram níveis altos de responsabilidade social de consumidores
orgânicos para as dimensões: altruísta, ambientalmente sustentá-
vel e ativista, contudo com nível moderado para o comportamento
ético. Foi revelada forte correlação entre as dimensões: ambiental
e altruísta; ambiental e ativista; ativista e altruísta. Ademais, tem-
-se que a variável renda não se mostrou preditora significativa do
nível de responsabilidade social. Porém, a variável idade apresen-
tou fraca relação inversa com o nível de responsabilidade social,
ou seja, infere-se que os mais jovens afirmam ser consumidores
mais responsáveis que os indivíduos com mais anos de vida.

Palavras-chave: Responsabilidade Social do Consumidor. Produ-


tos orgânicos. Comportamento do consumidor.

1 INTRODUÇÃO
Matile Facó de Paula Pessoa
Queiroz
O sistema ambiental e o de produção, que amparam as ne-
matilefaco@[Link] cessidades humanas, sofrem ameaças de descontinuidade devido a
Graduanda em Administração desgastes provocados, entre outros fatores, por culturas caracteri-
pelo Centro Universitário zadas por consumos exacerbados, identificadas em muitos países
Christus (Unichristus) -
(ASSADOURIAN, 2010; OLIVEIRA; CÂNDIDO, 2010; SILVA;
Fortaleza - CE - BR.
PEDROZO, 2016).
Bruno Chaves Correia Lima Tanto em meio acadêmico quanto em contexto mercadoló-
brunoccl@[Link] gico, é recorrente a consideração de conceitos envoltos à ética e
Doutor em Administração à sustentabilidade socioambiental, como responsabilidade social
(UFBA). Professor do Centro
Universitário Christus
corporativa e responsabilidade social do consumidor. Ambos di-
(Unichristus) - Fortaleza - CE zem respeito à maneira como indivíduos e organizações devem
- BR. agir em respeito ao meio ambiente e ao meio social, visando a me-

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 34-46, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTOR | Matile Facó de Paula Pessoa Queiroz | Bruno Chaves Correia Lima 35

lhorias na qualidade de vida das atuais e próxi- intenção de ir além de apenas satisfazer suas
mas gerações. O consumidor sustentável é defi- necessidades, considerando o bem-estar dos
nido como aquele que decide suas alternativas stakeholders; comportamento ambientalmen-
de consumo de bens e serviços, considerando te sustentável, no qual o indivíduo pauta suas
o respeito aos recursos ambientais, atendendo decisões de consumo na sustentabilidade am-
às suas necessidades básicas sem comprome- biental; comportamento ativista, que abrange
ter o atendimento das necessidades das futuras qualquer ato de manifestação do consumidor
gerações, a partir de valores como o bem-estar em relação a preocupações de natureza social,
pessoal e familiar, a justiça e o equilíbrio por ambiental ou ética; e comportamento ético na
meio de práticas de negócio e governamentais relação de troca, o qual o indivíduo exerce ve-
(COOPER, 2002; CHERRIER, 2007; MICHE- lando a honestidade na relação de troca.
LETTI, 2010; AFONSO et al., 2016). A respon- O presente artigo toma por base as suges-
sabilidade social do consumidor pode estimu- tões para estudos futuros, destacadas por Casali
lar um maior compromisso das organizações (2011), de desenvolver avaliações utilizando a
com a sua responsabilidade social, que, segun- escala proposta em contextos de consumo que
do Abreu et al. (2013), objetiva à construção já aproximam socialmente o consumidor de
de uma imagem de organização sustentável e um grau mais elevado de responsabilidade so-
comprometida eticamente com seus stakehol- cial, como é o caso de pessoas que consomem
ders, ou seja, seus grupos de interesse. produtos orgânicos. A autora sugeriu também
A responsabilidade do consumidor é a realização de agrupamento de respondentes
um tema pouco estudado, pois, geralmente, os que possibilitassem sugerir eventuais dilemas
pesquisadores focam esforços em pesquisas so- éticos a respeito do assunto.
bre o comportamento ético das organizações. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho
Contudo, um nível elevado de responsabilida- é analisar o nível da responsabilidade social do
de social de uma organização não garante uma consumidor de produtos orgânicos, relaciona-
satisfação social, tendo em vista que é neces- do à percepção de seu comportamento, tendo
sário considerar as decisões do consumidor em em vista a análise multidimensional propos-
situações que abordem dilemas éticos para, de ta por Casali (2011). Os objetivos específicos
fato, obter uma satisfatória relação de troca en- abrangem: analisar o nível de responsabilidade
tre empresa e cliente em relação à responsabi- social do consumidor em suas dimensões: al-
lidade social. O consumidor, um dos principais truísta, ambientalmente sustentável, ativista e
agentes do sistema de troca, quando executa ética; investigar a relação entre as dimensões
práticas deletérias, pode gerar efeitos tão noci- altruísta, ambientalmente sustentável, ativista
vos quanto aquelas praticadas pelas empresas e ética na responsabilidade social do consumi-
que ofertam o produto ou serviço (CASALI, dor; verificar a influência das variáveis idade
2011). e renda no nível de responsabilidade social do
Estudos anteriores (YOUNG et al., consumidor.
2010; WIEDMANN et al., 2014; TAMBOSI Os resultados alcançados com este estu-
et al., 2015; AFONSO et al., 2016) buscaram do, portanto, tornam-se relevantes para a comu-
mensurar o nível de responsabilidade social de nidade científica, que pesquisa o comportamen-
consumidores em contextos diversos. No es- to do consumidor e a responsabilidade social;
tudo de Casali (2011), que identificou o nível para as organizações que podem identificar in-
de responsabilidade social de consumidores formações importantes sobre o comportamento
de softwares piratas, tem-se uma proposta de de seus consumidores, para consumidores em
classificação do comportamento ético do con- geral e para a sociedade como um todo.
sumidor em quatro dimensões: comportamento A pesquisa é de natureza quantitativa,
altruísta, aquele que o indivíduo exerce com a mediante coleta de dados por meio de questio-

ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 34-46, jul./dez. 2016
36 ARTIGOS | Responsabilidade social do consumidor: uma análise multidimensional no segmento de produtos orgânicos

nários de escala Likert, respondidos por consu- veis pelas empresas. Tal afirmação, portanto,
midores de produtos orgânicos, via on-line, se- enaltece que as práticas socialmente responsá-
lecionados por meio de comunidades em redes veis do consumidor podem influenciar direta-
sociais relacionadas ao consumo de orgânicos. mente nas atitudes das empresas em relação às
O questionário foi adaptado a partir da proposta suas ações quanto à Responsabilidade Social
de Casali (2011) e dividido em quatro blocos Corporativa - (RSC), tendo em vista que as em-
relacionados às dimensões explicitadas nos presas que promovem ações antiéticas como
objetivos específicos deste estudo. Os dados trabalho escravo ou infantil, por exemplo, só
foram analisados por meio do software SPSS mantém esse comportamento se existirem con-
20.0, utilizando ferramentas estatísticas, tais sumidores interessados em adquirir seus produ-
como teste de médias, correlações e regressão tos ou serviços, ou seja, consumidores que não
múltipla. praticam o consumo consciente. Entretanto, se
a maioria dos consumidores dessa organização
2 REFERENCIAL TEÓRICO possuir um nível alto de responsabilidade so-
cial e deixar de consumir seus produtos ou ser-
2.1 RESPONSABILIDADE SOCIAL DO viços, a empresa seria pressionada a abandonar
CONSUMIDOR tais práticas antiéticas e seguir outro caminho
estratégico para recuperar a parcela de merca-
O construto Responsabilidade Social do do que foi perdida, provavelmente, optando por
Consumidor é definido como o esforço indivi- um caminho mais consciente em relação à sua
dual e voluntário do consumidor para agir de responsabilidade social corporativa.
maneira responsável, buscando o bem da cole- Para que a responsabilidade social do
tividade em geral, a sustentabilidade ambiental, consumidor seja exercida com plenitude e res-
a ética na relação de troca e a manifestação de ponsabilidade, existe uma condição essencial:
suas preocupações de natureza social, ambien- a informação. Sem que o consumidor saiba
tal e ética por meio de suas escolhas (CASALI, como agem e o que fazem as empresas cujos
2011). Consumir de maneira sustentável sig- produtos e serviços lhe são oferecidos - ou sem
nifica consumir melhor e menos, levando em saber o que esperar ou não dessas empresas –
consideração os impactos ambientais, sociais é praticamente inviável o exercício saudável e
e econômicos das empresas e de seus produ- consequente da cidadania por meio do consu-
tos (cadeias produtivas). O consumo precisa mo. Informar e apoiar o consumidor em suas
ser sustentável em todos os sentidos, desde a reflexões são, assim, atividades de importância
compra e o uso até o descarte, considerando, estratégica para o movimento pela sustentabili-
então, todas as etapas do consumo (VACCARI; dade. (INSTITUTO AKATU, 2010).
COHEN; ROCHA, 2016). Considerando a multidimensionalidade
Em uma concepção mais ampla, o con- do conceito de responsabilidade social do con-
sumidor socialmente responsável é aquele que sumidor, Casali (2011) indica a existência de,
adquire produtos e serviços considerando o im- pelo menos, quatro dimensões, conforme Qua-
pacto positivo ou menos negativo que sua deci- dro 1.
são trará ao meio ambiente e utiliza seu poder
de compra para expressar preocupações sociais
(ROBERTS, 1996).
O instituto Akatu (INSTITUTO AKATU
PELO CONSUMO CONSCIENTE, 2010) re-
laciona a responsabilidade social do consumi-
dor à possibilidade de ele atuar como um agente
indutor de práticas mais socialmente responsá-

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Dimensões Enfatizadas Autores


Webster (1975), Roberts (1996), François-LeCompte e Roberts
Comportamento Altruísta
(2006), Webb, Mohr e Harris (2008)
Comportamento ambientalmente Antil (1984), Roberts (1996), François-LeCompte e Roberts (2006),
Sustentável Webb, Mohr e Harris (2008)
Comportamento Ativista Mohr, Webb e Harris (2001), François-LeCompte e Roberts (2006)
Uusitalo e Oksanen (2004), Freestone e Mcgoldrick (2008), Free-
Comportamento ético
stone e Mcgoldrick, (2008)
Quadro 1 - Dimensões do Construto Responsabilidade Social do Consumidor
Fonte: Casali (2011, p. 62).
A elaboração de um conceito integrativo do consumidor. Casali (2011) afirma que com-
que contemple as diferentes dimensões da res- portamentos ativistas do consumidor devem ser
ponsabilidade social do consumidor, bem como entendidos não apenas como o ato de consumir
de uma escala que permita a mensuração e a ope- ou não determinado produto e/ou serviço, mas
racionalização do construto é um passo necessário como qualquer ato que impulsiona o consumi-
para o avanço teórico na área (CASALI, 2011). dor a romper a inércia tradicional para, em
O comportamento altruísta é a primeira uma postura mais ativa, manifestar no consumo
dimensão apresentada para representar o cons- suas preocupações de natureza social, ambien-
truto de responsabilidade social do consumi- tal e/ou ética. O que inclui, portanto, iniciati-
dor. A ideia de altruísmo social está associada vas como reclamar, sugerir mudanças junto às
à preocupação com o bem-estar dos outros corporações, participar de grupos/comunidades
(STRAUGHAN; ROBERTS, 1999 apud CA- virtuais antimarca ou antiproduto, sejam con-
SALI, 2011). Nesse sentido, Casali (2011), em vencionais ou virtuais, a fim de atingir um ob-
seu estudo, considera comportamento altruísta jetivo comum. Casali (2011) explica que, entre
do consumidor aquele em que o indivíduo, de as possíveis causas que têm potencializado uma
forma voluntária e consciente, exerce com a postura mais ativa do consumidor, destaca-se a
intenção de ir além de apenas satisfazer suas utilização de tecnologias de informação que pos-
necessidades, considerando o bem-estar dos sibilitam o acesso e a difusão de informações,
stakeholders envolvidos, bem como da coleti- tanto com relação ao desempenho das ações das
vidade em geral. corporações, como são as condições de trabalho
A segunda dimensão representativa do de seus funcionários, quanto ao impacto do
construto de responsabilidade social do consumi- consumo individual e coletivo. Comunidades
dor é o comportamento ambientalmente susten- virtuais antimarcas, por exemplo, têm ganhado
tável. De acordo com Casali (2011), entende-se força e credibilidade com o crescimento do
como comportamento (de consumo) ambien- movimento do consumo ético.
talmente sustentável aquele em que o indivíduo A última das dimensões do construto
pauta suas escolhas de consumo na sustentabili- de responsabilidade social do consumidor é o
dade ambiental. Isso inclui uma gama de possi- comportamento ético ou honesto do consumi-
bilidades desde evitar comprar de empresas que dor. Casali (2011) explica que, embora a pro-
não incorporam em suas práticas preocupações posta central de sua pesquisa seja utilizar a ex-
ambientais, até uma contribuição de forma mais pressão responsabilidade social do consumidor
direta adotando em seu cotidiano atividades de para se referir ao comportamento ético mais
reciclagem ou de reutilização de materiais. amplo desse consumidor, o qual envolve as
O comportamento ativista é a terceira das mais variadas dimensões que parecem compor
quatro dimensões utilizadas na pesquisa relacio- o construto (como as já comentadas anterior-
nadas ao construto de responsabilidade social mente: altruísmo, ativismo e preocupações am-

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38 ARTIGOS | Responsabilidade social do consumidor: uma análise multidimensional no segmento de produtos orgânicos

bientais), é indispensável a caracterização de 2013; BRAGA JUNIOR; VEIGA NETO; MO-


uma quarta dimensão que represente comporta- RAES, 2014).
mentos éticos do consumidor de uma perspec- Segundo Darolt (2002) apud Milhomem
tiva restrita, mais especificamente associados (2008), existem basicamente dois tipos de con-
à ética e à honestidade na relação de troca em sumidores de produtos orgânicos. O primeiro
si. Nesse sentido, a intenção é isolar comporta- tipo está entre os consumidores mais antigos,
mentos que remetam à honestidade do sujeito que estão motivados, bem informados e são exi-
enquanto consumidor no sistema de troca. gentes em termos de qualidade biológica do pro-
duto. Geralmente, são pessoas que frequentam
2.2 CONSUMIDORES DE PRODUTOS feiras verdes, restaurantes e lojas especializadas
ORGÂNICOS em produtos orgânicos. O segundo tipo é o con-
sumidor das grandes redes de supermercados,
É possível notar, devido ao avanço que ainda é um público pouco estudado pela li-
da biotecnologia, a evolução na produção teratura. A maioria, segundo Pereira et al. (2015)
de alimentos e a maior recorrência da relaciona os produtos orgânicos a um melhor sa-
comercialização de alimentos provenientes da bor e à ideia de obter um produto mais fresco,
agricultura orgânica. De acordo com Moura et conforme apontam as pesquisas.
al. (2010), em estudos relacionados a tais ali- Quanto ao perfil de consumidores brasi-
mentos, o que é basicamente observado é que leiros de alimentos orgânicos, tem-se que, ge-
existe a busca do consumidor por alimentos mais ralmente, eles estão na faixa entre 30 e 50 anos,
saudáveis e naturais, ao mesmo tempo em que a são do sexo feminino, de classe média, com
área produtiva também caminha nessa direção. escolaridade elevada e com hábitos de consu-
Os produtos orgânicos vêm obtendo mo diversificado. A saúde pessoal é o principal
crescente aceitação no mercado consumidor motivo da compra de alimentos orgânicos, se-
brasileiro e mundial. A pesquisa “O que o bra- guido da não utilização de agrotóxicos (BAR-
sileiro pensa do meio ambiente e do consumo BÉ, 2009). O perfil pouco varia de acordo com
sustentável” promovida pelo Ministério do agrupamento de frequência de consumo. A va-
Meio Ambiente (BRASIL, 2012) aponta que riável renda se apresenta como representativa
dois terços dos brasileiros afirmam desconhecer para a elevação da frequência de consumo de
o que é consumo sustentável, e 34% disseram orgânicos (KNOPP; CAMPOS; SELIG, 2004).
ter ouvido falar. Somente uma minoria, 3%, Os resultados alcançados pela pesquisa
apontou erroneamente que consumo sustentá- realizada por Rodrigues et al. (2009) confir-
vel é “comprar produtos mais baratos.” Desde mam que os fatores que influenciam de forma
2001, vem aumentando a disposição do consu- mais representativa a compra de orgânicos pe-
midor brasileiro para comprar produtos orgâni- los consumidores são fatores egoístas. Conclu-
cos (de 73% para 81%). O espaço dos produtos sões da pesquisa apontam que os consumidores
orgânicos no varejo brasileiro foi ampliado em buscam o consumo de orgânicos tendo em vista
decorrência das preocupações que atingiram as a preocupação com a saúde, a maior percepção
indústrias, os varejistas e os consumidores so- de qualidade oferecida pelo produto, o número
bre a sua melhora no estilo de vida e sobre o maior de nutrientes, o sabor melhor e as cren-
impacto ambiental da sociedade pós-moderna ças sobre benefícios proporcionados.
(BRAGA JUNIOR; VEIGA NETO; MORAES,
2014). Tendo em vista tal fato, uma parcela da 3 MÉTODO
população, que está tornando-se significante,
vem considerando os produtos orgânicos e os A presente pesquisa se caracteriza por
produtos verdes em sua agenda de consumo natureza quantitativa. À luz da classificação de
(FREDERICO; QUEVEDO-SILVA; FREIRE, Vergara (2007), quanto aos fins, é descritiva e

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explicativa. Quanto aos meios, trata-se de uma até R$ 1.000,00, 12,2% entre R$ 1000,01 e R$
survey. 3000,00, 13% entre R$ 3000,01 e R$ 5000,00,
Diehl (2004) apresenta a pesquisa quan- 25% entre R$ 5000,01 e R$ 7.000,00, 27,2%
titativa pelo uso da quantificação, tanto na co- entre R$ 7.000,01 e R$ 10.000,00 e, por fim,
leta quanto no tratamento das informações, uti- 20,7% têm renda acima de R$10.000,00.
lizando-se de técnicas estatísticas, objetivando Utilizando o software estatístico SPSS
resultados que evitem possíveis distorções de 20.0 para a análise dos dados, foi aplicada a
análise e interpretação, possibilitando uma técnica de correlação de Pearson, que indicou
maior margem de segurança. A pesquisa des- uma correlação significativa entre os comporta-
te estudo é, portanto, de natureza quantitativa, mentos. Conforme Field (2009), um coeficien-
pois é empregada a quantificação, tanto na cole- te 0 (zero) indica ausência de relacionamento
ta de informações, quanto no tratamento dessas linear, isto é, se uma variável muda, a outra
informações por meio de técnicas estatísticas. permanece praticamente igual. O coeficiente
A pesquisa deste trabalho visa também de correlação é uma medida padronizada de um
à descrição das características do grupo sele- efeito observado, ele é uma medida comumente
cionado, consumidores de produtos orgânicos, usada do tamanho de efeito, e valores próximos
bem como a descoberta da relação entre variá- a 0,1 representam um efeito pequeno, cerca de
veis. Desse modo, caracteriza-se como descri- 0,3 um efeito médio e aproximadamente 0,5
tiva e explicativa. um efeito grande.
A escala utilizada é a proposta por Casa- Por meio do mesmo software estatístico,
li (2011), que passou por testes de validação e foi empregada análise de regressão múltipla en-
confiabilidade, comprovada em seu próprio es- tre as variáveis independentes Renda e Idade e
tudo. Portanto, este estudo faz uma reaplicação a variável dependente Responsabilidade Social
da referida escala com o público-alvo escolhi- do Consumidor.
do de consumidores de produtos orgânicos. Tal
instrumento foi escolhido porque se adapta, de 4 RESULTADOS
forma conveniente, ao objetivo do estudo, ten-
do em vista a necessidade de uma escala que Os resultados da presente pesquisa in-
foque em questões sobre atitudes e comporta- dicaram os níveis de Responsabilidade Social
mentos cotidianos que conduzam à mensuração do Consumidor relacionados a cada uma das
do nível de responsabilidade social desses con- quatro dimensões de comportamento: altruísta,
sumidores. O instrumento, questionário on-li- ambientalmente sustentável, ativista e ético. O
ne, transmitido pelo site SurveyMonkey (www. critério adotado para a definição da força dos
[Link]), aborda as quatro di- comportamentos é o mesmo adotado por Casali
mensões sobre o construto da responsabilidade (2011): são consideradas fracas médias meno-
social do consumidor. Trata-se de uma escala res que 4,0. Médias entre 4,0 e 5,5 indicam um
Likert de sete pontos que expressa o grau de grau de Responsabilidade Social do Consumi-
concordância do indivíduo em relação às afir- dor moderado; acima de 5,5 aponta um nível de
mações propostas. Responsabilidade Social do Consumidor forte.
O questionário foi enviado a cerca de O gráfico 1 apresenta os resultados re-
200 pessoas, contudo a amostra final do estu- ferentes às médias dos itens relacionados ao
do foi composta por 92 participantes. Desses, comportamento altruísta. Em geral, a maioria
51 mulheres e 41 homens, 44 com filhos e 48 dos participantes concordou com as afirmações
sem filhos. Quanto à idade, 3,3% têm até 20 propostas, indicando um alto grau de concor-
anos, 52,2% entre 20 e 29, 34,8% entre 30 e dância referente ao comportamento, significati-
39, 7% entre 40 e 49 e 2,2% acima dos 50 anos. vamente acima do ponto central da escala.
Quando à renda mensal familiar, 2,2% recebem

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40 ARTIGOS | Responsabilidade social do consumidor: uma análise multidimensional no segmento de produtos orgânicos

Gráfico 1 - Comportamento Altruísta


Fonte: elaborado pelos autores (2016).

Nota-se que as questões que receberam ou esporte, indicando uma maior preocupação
os maiores índices de concordância são: “Prefi- com essas questões. Em contrapartida, a maio-
ro comprar de empresas que promovam causas ria dos consumidores parecem se importar em
sociais (por exemplo: iniciativas de saúde ou pagar mais caro por produtos socialmente res-
esporte)” e “Mesmo que eu perca (em termos ponsáveis, o que indica que a questão do preço
financeiros ou de qualidade), prefiro comprar ainda pode ser considerada um fator decisivo
produtos socialmente responsáveis”. Por outro de compra, mesmo quando o produto é social-
lado, as questões que obtiveram menos concor- mente responsável.
dância são: “Priorizo em minhas compras pro- No Gráfico 2, que descreve os dados re-
dutos de empresas que promovam causas sociais ferentes ao Comportamento Ambientalmente
(doações a ONGs, por exemplo)” e “Escolho os Sustentável, a maioria dos consumidores con-
produtos que consumo considerando o impacto cordou com as afirmações da escala. Destacam-
social que eles provocam”. Esse último item foi -se os maiores graus de concordância ligados
único a apresentar força moderada (> 5,50), con- às questões: “Evito comprar produtos que pro-
forme critério adotado por Casali (2011). voquem danos ao meio ambiente”; “Procuro
Tendo em vista tais resultados, percebe- adquirir produtos ambientalmente corretos” e
-se que um fator que se destaca é a importância “Procuro consumir produtos feitos a partir de
que o consumidor dá ao fato de a empresa pro- material reciclado”.
mover causas sociais exemplificadas por saúde

Gráfico 2 - Comportamento Ambientalmente Sustentável


Fonte: elaborado pelos autores (2016).

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Os resultados expostos no Gráfico 2 in- ambientalmente sustentável se apresentaram


dicam uma preocupação da maioria dos res- significativamente acima do ponto central da
pondentes em relação às questões referentes ao escala, porém dois itens com médias um pouco
comportamento, em especial àquelas relaciona- inferior a 5,50, indicando nível moderado.
das ao consumo de produtos que não causem Quanto ao comportamento ativista, o
degradações ambientais, bem como preocupa- Gráfico 3, também apresentou índices signifi-
ções relacionadas à reciclagem. Ressalta-se que cativamente altos de concordância em relação
as médias de todos os itens do comportamento às quatro afirmações que compõem a dimensão.

Gráfico 3 - Comportamento Ativista


Fonte: elaborado pelos autores (2016).
O Gráfico 3 apresenta que os consumi- bem como incentivam a falta de consumo ligada
dores indicaram maiores níveis de concordância às empresas que os desrespeitam.
com as seguintes questões: “Dou apoio a movi- As médias referente ao comportamento
mentos ou campanhas que buscam defender o ético na relação de troca são apresentadas no
interesse dos consumidores” e “Dou apoio a mo- Gráfico 4. Apesar de o nível de concordância
vimentos de defesa dos consumidores (Ex.: boi- ainda ser estatisticamente acima do ponto cen-
cotes de empresas, repasse de e-mails [...])”. Per- tral da escala e classificado como moderado
cebe-se, portanto, que a maioria dos respondentes para dois itens, tal comportamento foi o que
da amostra possui uma grande preocupação em obteve o menor grau de concordância dos par-
relação à defesa dos direitos do consumidor por ticipantes em relação às questões.
parte de entidades e dos próprios consumidores,

Gráfico 4 - Comportamento Ético


Fonte: elaborado pelos autores (2016).
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42 ARTIGOS | Responsabilidade social do consumidor: uma análise multidimensional no segmento de produtos orgânicos

Ao analisar o Gráfico 4, percebe-se que médias gerais de cada um dos quatro compor-
a questão com o maior grau de concordância tamentos para fins de comparação e mensura-
foi: “Mesmo que eu saia perdendo (em termos ção da responsabilidade social do consumidor
financeiros ou de qualidade), prefiro ser ho- de produtos orgânicos. As quatro médias en-
nesto como consumidor”. Em contrapartida, contram-se significativamente acima do ponto
as questões com a menor média de concordân- central da escala, tendo em vista a variação de
cia foram: “Eu devolveria um troco recebido a 1 (um) a 7 (sete). Todas apresentaram p valor
mais indevidamente” e “Eu lembraria ao caixa inferior a 0,001. Contudo, pelo critério adota-
de incluir na minha conta um produto que, por do por Casali (2011), o comportamento ético se
engano, ele tenha esquecido de cobrar”. apresentou em intensidade moderada, confor-
A Tabela 1 apresenta a descrição das me apresenta a Tabela 1.

Tabela 1 - Níveis das dimensões de comportamento responsabilidade social do consumidor


Dimensão de comportamento Média Apresentada Classificação, conforme Casali (2011)
Ético 5,20 Moderado
Ambientalmente Sustentável 5,71 Alto
Ativista 5,77 Alto
Altruísta 5,58 Alto
Fonte: elaborado pelos autores (2016).

A maior média apresentada pertence ao tamento Altruísta, Comportamento Ambiental-


comportamento ativista, indicando uma maior mente Sustentável e Comportamento Ativista
identificação da amostra em relação às caracte- obtiveram grau Forte, e o Comportamento Éti-
rísticas comportamentais dessa dimensão. Por co alcançou grau Moderado.
outro lado, a menor média encontrada foi em Por meio da técnica de análise correla-
relação ao comportamento ético, o que indica ção de Pearson entre as dimensões estudadas,
certo nível de distanciamento dos respondentes os resultados desta pesquisa indicaram um efei-
em relação aos traços desse comportamento, to forte de correlação entre os comportamentos:
comparado aos demais. Pelo critério adotado ambiental e altruísta; ambiental e ativista; ati-
por Casali (2011), conferem-se os seguintes vista e altruísta, conforme parâmetro de medida
níveis de Responsabilidade Social do Consu- indicado por Field (2009). A tabela 2 apresenta
midor para cada uma das dimensões: Compor- os dados referentes à análise de correlação.
Tabela 2 - Análise de Correlação de Pearson entre as dimensões
Média Alt Média Amb Média Atv Média Ético
Pearson Correlation 1 ,682 ,665 ,444
Média Alt Sig. (2-tailed) ,000 ,000 ,000
N 2 92 92 92
Pearson Correlation ,682 1 ,557 -,001
Média Amb Sig. (2-tailed) ,000 ,000 ,993
N 92 92 92 92
Pearson Correlation ,665 ,557 1 ,301
Média Atv Sig. (2-tailed) ,000 ,000 ,003
N 92 92 92 92
Pearson Correlation ,444 -,001 ,301 1
Média Ético Sig. (2-tailed) ,000 ,993 ,003
N 92 92 92 92
Fonte: elaborado pelos autores (2016).

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Conforme a Tabela 1, a análise dos da- seu comportamento, tendo em vista a análise mul-
dos também indica um efeito pequeno, quase tidimensional proposta por Casali (2011). Para
nulo, entre as dimensões comportamento ético tanto, foram analisados: o nível de responsabili-
e ambiental; um efeito médio entre os compor- dade social do consumidor, em suas dimensões
tamentos ativista e ético, e ético e altruísta. altruísta, ambientalmente sustentável, ativista e
Foram realizados testes de regressão ética; a relação entre essas dimensões, e a influên-
para analisar o efeito das variáveis Renda e Ida- cia exercida pelas variáveis Idade e Renda.
de sobre o comportamento de responsabilidade Conforme a descrição e a análise dos re-
social do consumidor (Média entre as quatro sultados da pesquisa, os consumidores de pro-
dimensões estudadas). A Tabela 3 apresenta os dutos orgânicos, de maneira geral, possuem um
resultados da análise de regressão realizada: elevado nível de responsabilidade social, tendo
Tabela 3 - Análise de Regressão entre as variáveis
Model Summary
Model R R Square Adjusted R Square Std. Error of the Estimate
1 ,241a ,058 ,037 ,6524766
Coefficients a
Coefficients a
Standardized
Unstandardized
Coefficients
Coefficients
Model B Std. Error Beta t Sig
1 (Constant) 6,052 ,286 21,160 ,000
Idade -,209 ,091 -,245 -2,297 ,024
Renda ,011 ,052 ,022 ,203 ,840

Fonte: elaborado pelos autores (2016).

De acordo com a Tabela 3, observa-se em vista a classificação de grau forte para três
que o resultado da variância 0,058 indica que as dimensões e moderado para a dimensão ética.
duas variáveis, Renda e Idade, explicam apenas Pode-se afirmar, portanto, que a maioria admite
5,8% do fenômeno Responsabilidade Social do exercer um consumo visto como “consciente”,
Consumidor. Tem-se, ainda, que a variável in- considerando questões relacionadas à recicla-
dependente Renda não se relaciona significati- gem, à preservação ambiental, às causas so-
vamente (p valor = ,840) com a variável depen- ciais, à defesa do direito dos consumidores.
dente Responsabilidade Social do Consumidor. Por outro lado, do ponto de vista prático,
Os resultados também apontam uma fraca e percebe-se a importância de uma conscientiza-
invertida relação (B = -,245) entre a variável ção do consumidor de produtos orgânicos em
dependente Responsabilidade Social do Consu- relação às questões relacionadas ao comporta-
midor e a variável independente Idade, o que mento ético, tendo em vista que, entre as de-
indica que quanto maior a idade, menor o grau mais dimensões, foi a que apresentou menores
de responsabilidade social desse consumidor. níveis de concordância em relação às alterna-
tivas referentes ao consumo considerado éti-
5 CONCLUSÕES co. Comportamentos como “não devolver um
troco calculado de maneira errada a favor do
Este estudo teve por objetivo analisar o ní- consumidor” e “não devolver um produto que o
vel da responsabilidade social do consumidor de caixa se esqueceu de cobrar” apresentaram mé-
produtos orgânicos relacionado à percepção de dias significativamente inferiores aos demais

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44 ARTIGOS | Responsabilidade social do consumidor: uma análise multidimensional no segmento de produtos orgânicos

comportamentos, o que indica sinal de alerta correlation tests and multiple regression) using
em relação às consequências socialmente dano- the SPSS 20.0 software. The results indicated
sas dessa prática por caracterizar uma relação high levels of social responsibility of the organ-
de troca desonesta. ic products consumers related to the altruistic
Ressalta-se a fraca relação inversa, entre dimension, the environmentally sustainable
as variáveis “Responsabilidade Social do Con- dimension and the activist dimension; how-
sumidor” e “Idade” da amostra, apontando um ever a moderate level in relation to the ethical
maior grau de responsabilidade social para os behavior. Strong correlations between the en-
consumidores mais jovens. Tal fato sugere que vironmental and altruistic dimensions, the en-
o aumento do consumo consciente, bem como vironmental and activist dimensions and the ac-
o aumento do nível de responsabilidade social tivist and altruistic dimensions were revealed.
do consumidor devem se estender para as pró- Furthermore, the variable income didn’t reveal
ximas gerações cada vez mais. itself as a significant predictor of the level of
A limitação desta pesquisa compreende social responsibility. However, the age variable
a amostragem não ser probabilística, interdi- showed a weak inverse relation with the level
tando generalizar os resultados obtidos. Uma of social responsibility; it appears that younger
sugestão, portanto, para futuras pesquisas, seria individuals claim to be more responsible con-
a aplicação da escala utilizada neste trabalho sumers than older people.
em amostras de diferentes classes socioeconô-
micas ou de diferentes regiões demográficas, o Keywords: Consumer Social Responsibility.
que levaria a resultados mais amplos em rela- Organic products. Consumer behavior.
ção à mensuração do nível de responsabilidade
social dos consumidores, tendo em vista a uma RESPONSABILIDAD SOCIAL DEL
melhor compreensão sobre as variáveis que in- CONSUMIDOR: UN ANÁLISIS
fluenciam certos grupos a terem um maior nível MULTIDIMENSIONAL EN EL
de responsabilidade social do que outros. SEGMENTO DE PRODUCTOS
ORGÁNICOS
CONSUMER SOCIAL
RESPONSIBILITY: A RESUMEN
MULTIDIMENSIONAL ANALYSIS
IN THE SEGMENT OF ORGANIC El objetivo general de este estudio es mensu-
PRODUCTS rar el nivel de responsabilidad social del con-
sumidor de productos orgánicos, en relación a
ABSTRACT la percepción de su comportamiento. Se anali-
zaron cuatro dimensiones de comportamiento:
The aim of this study is to measure the social altruista, ambientalmente sustentable, activista
responsibility level of consumers of organ- y ético. Se trata de una investigación cuantita-
ic products, in relation to the perception of tiva, descriptiva y explicada realizada por me-
their behavior. Four dimensions of behavior dio de una amuestra de 92 individuos que se
were analyzed: the altruistic dimension, the auto declararon consumidores de productos
environmentally sustainable dimension, the orgánicos. Fueron empleadas técnicas estadís-
activist dimension and the ethical dimension. ticas (test t de medias, correlación y regresión
This is a quantitative, descriptive and explan- múltiple), por medio del software SPSS 20.0.
atory research conducted through a sample of Los resultados indicaron altos niveles de res-
92 individuals who declared themselves to be ponsabilidad social de consumidores orgánicos
consumers of organic products. Statistical tech- para las dimensiones altruista, ambientalmen-
niques were used (the t-test to compare means, te sustentable y activista, pero nivel moderado

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 34-46, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTOR | Matile Facó de Paula Pessoa Queiroz | Bruno Chaves Correia Lima 45

para el comportamiento ético. Se reveló fuerte de Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribei-
correlación entre las dimensiones: ambiental y ro, Rio de Janeiro, 2009.
altruista; ambiental y activista; activista y al-
truista. Además, se concluye que la variable BRAGA JUNIOR, S. S. B.; VEIGA NETO,
“renta” no se mostró pre conocedora significa- A. R.; MORAES, N. R. Atributos de estilo de
tiva del nivel de responsabilidad social. Pero la vida do consumidor relacionados ao consumo
variable “edad” presentó flaca relación inversa de produtos orgânicos no varejo especializa-
con el nivel de responsabilidad social, o sea, se do. Revista Brasileira de Marketing, São
infiere que los más jóvenes afirman ser consu- Paulo, v. 13, n. 5, p. 36-46, 2014.
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AUTORES | Kátia Paulino dos Santos 47

doi:10.12662/2359-618xregea.v5i2.p47-63.2016

ARTIGOS

ASSOCIAÇÃO DE MULHERES LOUCEIRAS DO


MARUANUM (ALOMA): TRADIÇÃO E ECONOMIA
SOLIDÁRIA NO ESTADO DO AMAPÁ – AMAZÔNIA
-BRASIL

RESUMO

A economia solidária vem se fortalecendo e se afirmando como


uma possibilidade viável, sensata e emancipadora. Nesta perspec-
tiva, este artigo tem como objetivo analisar a Associação de Mu-
lheres Louceiras do Maruanum (ALOMA), localizada no extremo
norte da Amazônia Brasileira, Estado do Amapá, de forma a evi-
denciar os principais avanços e fragilidades na política de fomen-
to à economia solidária, assim como os principais progressos e
entraves enfrentados pela Associação. Realizou-se estudo de caso
sobre a ALOMA, com Análise de Custo-Efetividade (ACE), por
meio de entrevistas com a presidente da Associação e com outras
associadas, concretizando uma pesquisa qualitativa. Encontra-se
estruturado em três partes; a primeira tratou da política nacional de
economia solidária e suas as estratégias de fomento aos empreen-
dimentos; a segunda apresentou o espaço geográfico da pesquisa,
o Estado do Amapá; e a última parte analisou a Associação, seu
perfil, principais resultados das políticas de fomento e seus princi-
pais entraves e avanços.

Palavras-chave: Economia solidária. Política Pública. Associa-


ção de Mulheres Louceiras do Maruanum.
Kátia Paulino dos Santos
katiapaulinoap@[Link]
Doutora em Gestão pela 1 INTRODUÇÃO
Universidade de Trás-os-Montes
e Alto Douro de Portugal Os reflexos da exploração do homem pelo homem se inten-
– UTAD (2017), Mestre em
Planejamento e Políticas
sificam e afirmam como regra de vivência no modelo capitalista.
Públicas pela Universidade Esta realidade possui consequências políticas, econômicas e sociais
Estadual do Ceará - UECE diversas, as quais ultrapassam em muito as tendências de análises
(2010), Especialista em Políticas que focam na dualidade dicotômica limitada entre o bem o mal. Em
Públicas de Emprego, Trabalho
meio a este contexto, em que a criatividade, a inovação, a busca pela
e Renda pela Universidade
Estadual de Campinas - satisfação do cliente e a concorrência são características fundamen-
UNICAMP (2006) e Bacharel e tais, emerge uma proposta com características bem diferenciadas
Licenciada em Ciências Sociais do empreendedorismo tradicional, a economia solidária, que traz
pela Universidade Federal do como missão a promessa de aliar geração de renda à solidariedade,
Amapá - UNIFAP (2005).
Professora da Universidade do
gerando fortes expectativas de se tornar uma opção às mazelas eco-
Estado do Amapá (UEAP) – nômicas e sociais vivenciados no cenário caótico do capitalismo.
Macapá – AP – BR. A economia solidária insere-se em um contexto comple-

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48 ARTIGOS | Associação de Mulheres Louceiras do Maruanum (Aloma): tradição e economia solidária no Estado do Amapá – Amazônia - Brasil

xo e dinâmico, uma vez que surge como uma cesso de solidificação, em função da trajetória
possibilidade diferenciada, dentro de um mo- histórica diferenciada, influência e reflexos do
delo econômico com fragilidades expostas, baixo povoamento, que integra a realidade do
e que tenta inviabilizar qualquer tentativa de cenário amazônico.
alteração de sua lógica. As constantes crises e Analisou-se neste artigo a Associação
desestruturações demonstradas pela economia de Mulheres Louceiras do Maruanum (ALO-
capitalista impulsionam cada vez mais a busca MA), empreendimento econômico solidário do
por alternativas, seja por parte da sociedade Estado do Amapá, composto por mulheres que
civil organizada, seja por parte do Estado. trabalham com um tradicional artesanato em
A economia solidária avança no Brasil argila, que é reconhecido popularmente pela
em diferentes perspectivas. Do ponto de vista valorização cultural da comunidade do Ma-
social, percebe-se um crescimento referente à ruanum. A confecção do artesanato segue um
quantidade de empreendimentos que compõem ritual marcado por simbolismos tradicionais,
o setor; verifica-se, ainda, a pulverização do que são repassados de geração em geração. Re-
esclarecimento referente ao contexto teórico presenta um importante mecanismo de renda
e ideológico em que estes empreendimentos para as mulheres associadas, considerando que
estão inseridos, uma vez que muitos se encon- o empreendimento é composto por mulheres de
travam dentro da proposta de economia solidá- baixa renda, como a maioria das pessoas resi-
ria sem saber exatamente seu significado e as dentes na comunidade do Maruanum.
diferenças de nuanças, em comparação com a Objetivou-se com este estudo compre-
economia capitalista tradicional. Na perspec- ender os principais avanços e fragilidades da
tiva econômica, os indicadores revelados pelo ALOMA, assim como os impactos das polí-
último mapeamento dos empreendimentos da ticas de fomento à economia solidária ofer-
economia solidária, realizado nas diferentes re- tadas pelo Estado à Associação. Para tanto,
giões e estados brasileiros, que teve início em realizou-se pesquisa qualitativa, por meio de
2010 e foi finalizado em 2013, demonstram que estudo de caso, tendo como objeto a Associa-
a proposta tem sido responsável pela elevação ção. Buscou-se evidenciar os resultados alcan-
da renda e, consequentemente, das condições çados pela Associação por meio de abordagem
econômicas dos empreendedores que com- que ultrapassa o aspecto meramente econômi-
põem a economia solidária no Brasil. co, levando em consideração, também, os fa-
Além disso, verificou-se na última dé- tores sociais de desenvolvimento. Realizaram-
cada uma intensificação significativa das po- -se entrevistas com a presidente da Associação
líticas públicas de fomento à economia soli- e com outras associadas. Foi realizada ainda
dária, fortalecidas pela criação da Secretaria visita in loco para verificar as instalações da
Nacional de Economia Solidária (SENAES), Associação, bem como as condições de traba-
em 2003. A institucionalização da SENAES, lho das associadas.
aliada ao delineamento de uma política con- Para fins didáticos, este artigo foi estru-
centrada em ações pautadas em pesquisas turado em três partes, além da introdução e das
empíricas, geraram credibilidade e reconheci- considerações finais de praxe. A primeira tratou
mento social da Instituição. da origem e conceitos da economia solidária,
A proposta da economia solidária tem bem como da gestão nacional da política e das
sido fomentada em diferentes regiões e esta- estratégias de fomento aos empreendimentos. A
dos brasileiros, entre eles o Amapá, localiza- segunda parte apresentou o espaço geográfico
do no extremo Norte do Brasil, área de estu- da pesquisa, o Estado do Amapá, enfatizando-
do deste artigo. Destacam-se, entretanto, as -se as características socioeconômicas da popu-
especificidades deste Estado, cuja cultura do lação, do mercado de trabalho e as potenciali-
empreendedorismo encontra-se ainda em pro- dades econômicas. E, por fim, analisaram-se os

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AUTORES | Kátia Paulino dos Santos 49

resultados do estudo de caso da ALOMA, re- -se Paul Singer, reconhecido pela densa produ-
velando-se seu perfil, os resultados centrais das
ção teórica direcionada ao tema e que foi titular
políticas de fomento e seus principais entraves da Secretaria Nacional de Economia Solidária
e avanços para seu desenvolvimento. do Brasil (SENAES) por 13 anos. Singer (2008)
considera que a Economia Solidária é um modo
2 ECONOMIA SOLIDÁRIA: ORI- de produção que se caracteriza pela igualdade.
GEM, CONCEITOS E GESTÃO DA Pela igualdade de direitos, os meios de produ-
POLÍTICA PÚBLICA DE ECONO- ção são de posse coletiva dos que trabalham
MIA SOLIDÁRIA NO BRASIL com eles – essa é a característica central. E a
autogestão, ou seja, os empreendimentos de
Esta seção contempla o arcabouço teó- economia solidária são geridos pelos próprios
rico acerca da origem e conceitos da economia trabalhadores coletivamente de forma inteira-
solidária, bem como das suas estratégias de mente democrática, quer dizer, cada sócio, cada
gestão como política pública de desenvolvi- membro do empreendimento tem direito a um
mento no cenário brasileiro. voto. Caso sejam pequenas cooperativas, não
há nenhuma distinção importante de funções,
2.1 ECONOMIA SOLIDÁRIA: ORIGEM todo mundo faz o que precisa.
França Filho (2002) ressalta que, com a
E CONCEITOS
noção de economia solidária, a questão que se
coloca é aquela de um novo relacionamento en-
Ao tratar da origem da Economia Soli-
tre economia e sociedade. Se certas caracterís-
dária, Lechat (2002) enfatiza que na Inglaterra
ticas organizacionais particulares (notadamente
e nos Estados Unidos várias comunidades ou
no que se refere ao aspecto democrático da orga-
aldeias cooperativas foram criadas no sécu-
nização do trabalho) são sublinhadas na apreen-
lo XIX, mas não conseguiram manter-se por
são desse termo, trata-se aqui, entretanto, sobre-
mais de alguns anos, as numerosas experiên-
tudo da inscrição sociopolítica das experiências
cias de cooperativas operárias lideradas pelo
que fundam essa noção. Esta é a razão pela qual
movimento sindical inglês, após vários êxitos
se entende que, para além de um conceito servin-
e avanços democráticos, foram extintas pela
do para a identificação de um certo número de
feroz reação da classe patronal e pela decla-
experiências com um estatuto diferente daquele
rada hostilidade do governo. As iniciativas de
da empresa capitalista, a noção de economia
grupos associativos solidários eram incipientes
solidária remete a uma perspectiva de regulação,
no mundo, sendo progressivamente intensifica-
colocada como uma questão de escolha de um
das após as duas grandes guerras mundiais, e
projeto político de sociedade.
massificadas após a crise econômica mundial
Gaiger (2007) enfatiza que o crescimento
iniciada no final da década de 1970.
da economia solidária no Brasil tem sido um fato
Lechat (2002) enfatiza ainda que entre
notável nas últimas décadas, relatado em estudos
1980 e 1985 foram criadas em massa coope-
panorâmicos e confirmado pelo primeiro mape-
rativas de trabalhadores em toda a Europa. Por
amento: 87% dos Empreendimentos Econômi-
outro lado, os inúmeros movimentos sociais e
cos Solidários (EES) registrados tiveram início
étnicos trouxeram uma nova visão do social,
posterior a 1990, 35% após 2002. Ao mesmo
de sua relação com o econômico e da relação
tempo, a articulação gradativa dos empreendi-
do homem com o meio ambiente. Diante deste
mentos e das organizações de apoio resultou em
cenário, são fortalecidos na década de 1980 es-
estruturas representativas da economia solidária,
tudos e publicações voltados para a análise da
culminando com a criação do Fórum Brasileiro
economia solidária, os quais apresentam per-
de Economia Solidária, em 2003.
cepções e conceituações variadas.
Dentro do quadro de estudiosos, destaca-

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50 ARTIGOS | Associação de Mulheres Louceiras do Maruanum (Aloma): tradição e economia solidária no Estado do Amapá – Amazônia - Brasil

2.2 A SECRETARIA NACIONAL DE identificados como solidários, para represen-


ECONOMIA SOLIDÁRIA (SENA- tantes governamentais (prefeituras e estados) e
ES) para a sociedade civil organizada. Passada essa
etapa de “esclarecimento”, no ano de 2010 a
O ano de 2003 representou um importan- SENAES passou a outra importante etapa de
te marco referente à política de fomento e va- fomento à economia solidária, o mapeamento
lorização da economia solidária no Brasil com de empreendimentos identificados como eco-
criação da SENAES, e, consequentemente, da nômico-solidários, a fim de se mensurar não só
dinamização das ações delineadas pelo estado a quantidade desses empreendimentos, mas a
brasileiro à economia solidária, que passam a dimensão desta “economia alternativa” no Bra-
congregar um complexo de políticas públicas sil. (SECRETARIA NACIONAL DE ECONO-
que ganham destaque em todas as regiões bra- MIA SOLIDÁRIA, 2012).
sileiras. De acordo com Singer (2006, p. 201): De acordo com um relatório da Secretaria
Nacional de Economia Solidária (2012), o públi-
A economia solidária começa a de- co-alvo das políticas públicas em ES os cidadãos
senvolver-se vigorosamente no Brasil que estejam organizados ou queiram se organi-
a partir da última década do século zar nas formas da Economia Popular Solidária.
passado. Está em sua origem o renas- A prioridade de acesso volta-se aos cidadãos que
cimento dos movimentos sociais, no vivem em situação de maior vulnerabilidade so-
ocaso do regime militar, que se prolon- cial, particularmente aqueles beneficiados por
gou até 1985. Estes movimentos foram
programas de transferência de renda e de gera-
colhidos pela imensa crise social, de-
sencadeada por políticas neoliberais
ção de trabalho e renda. Nesse sentido, torna-se
de abertura do mercado interno às im- fundamental reconhecer a diversidade de sujei-
portações, de juros elevados e ausên- tos deste setor e adequar a cada um as formas de
cia de desenvolvimento, este último acesso e trânsito dentro da política.
sacrificado no altar da estabilidade dos Com a criação da SENAES, foi possível
preços. Do ponto de vista do desen- implantar um conjunto de ações que visam ao
volvimento, as duas últimas décadas fomento e fortalecimento das iniciativas de ES,
do século XX, para o Brasil, foram enquanto formas de organização do trabalho
perdidas, o que acarretou desemprego associado. Internamente, no Ministério do Tra-
em massa, fechamento de empresas e
balho e Emprego, a discussão sobre a ES en-
redução da produção e do emprego.
Calcula-se em milhões o número de
frentou resistências, já que a vocação histórica
postos de trabalho eliminados. deste órgão era tratar das questões dos trabalha-
dores/as assalariados/as. Contudo, com o pas-
A SENAES é vinculada ao Ministério do sar dos anos, a SENAES consolidou-se, contri-
Trabalho e Emprego (MTE), funcionando den- buindo para ampliar a missão institucional do
tro das instalações do Ministério, ocupa o me- Ministério no fomento ao trabalho associado ao
nor espaço físico entre as outras secretarias que lado de outras formas de trabalho assalariado.
vinculadas e ainda conta com um número pouco
significativo de funcionários do quadro. A SE- 2.3 O SISTEMA DE INFORMAÇÕES EM
NAES é formada por Gabinete, Departamentos ECONOMIA SOLIDÁRIA (SIES)
e Coordenações que, articulados, executam o
conjunto de competências da Secretaria. O Sistema de Informações em Economia
No ano de 2009 investiu consideráveis Solidária (SIES) foi desenvolvido pela Secre-
recursos para a realização de Cursos de Forma- taria Nacional de Economia Solidária, sob a
ção em Economia Solidária, na qual se objetiva- coordenação da Comissão Gestora Nacional e
va esclarecer a temática para empreendedores em parceria com o Fórum Brasileiro de Eco-

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AUTORES | Kátia Paulino dos Santos 51

nomia Solidária, sendo um instrumento para demais, exceto no caso de EES apoiados uni-
identificação e registro de informações de em- camente por órgãos governamentais”. Não há
preendimentos econômicos solidários, entida- dúvida de que o envolvimento dos agentes ex-
des de apoio e fomento à economia solidária ternos qualifica o processo; a questão é sobre o
e políticas públicas de economia solidária no espaço de decisão que estes agentes adquirem
Brasil. (SECRETARIA NACIONAL DE ECO- frente aos EES em seu cotidiano e em um plano
NOMIA SOLIDÁRIA, 2013). maior – no FBES.
Destaca-se como pesquisa de economia O Mapeamento das experiências de Eco-
solidária tanto por ser pioneira em consolidar nomia Popular Solidária consistiu em uma das
uma base de dados de abrangência nacional, atividades realizadas pela SENAES e pelo Pro-
quanto por seu modelo de gestão participativa grama de Economia Solidária em Desenvolvi-
da pesquisa. Embora a base seja muito nova e mento, que abrangeu mesmo com a incipiência
só tenha chegado à metade dos municípios bra- do programa, todos os estados brasileiros. Este
sileiros (e com limites), é preciso reconhecê-la mapeamento procurou desvelar as principais
como importante avanço para o dimensiona- características socioeconômicas dos empreen-
mento da economia solidária em todo o terri- dimentos coletivos de geração de trabalho e
tório brasileiro. Nas demais bases nacionais, renda no Brasil, relacionadas com as seguin-
como as do Instituto Brasileiro de Geografia e tes indagações: Qual é a renda obtida por estas
Estatística (IBGE), não existem categorias es- experiências? Onde estão localizadas? Qual a
pecíficas como “trabalhador associado”, “sócio quantidade existente de experiências coletivas?
cooperado”, “empresa autogestora” e, por isso, Quantos trabalhadores estão inseridos, entre
é impossível identificar com precisão o que outros elementos? Para que o mencionado pro-
constitui economia solidária em meio aos da- grama social possa contribuir para a viabilidade
dos globais. (SANTOS, 2014). das experiências coletivas, possibilitando a ma-
O SIES foi implantado no ano de 2004 nutenção e permanência destes empreendimen-
e, até o momento, realizou três rodadas nacio- tos no mercado, de forma que passem a obter
nais de identificação e caracterização dos Em- sobras e consequentemente gerar renda para
preendimentos Econômico-Solidários (EES) seus trabalhadores, faz-se necessário uma apre-
no país. O primeiro levantamento ocorreu em ensão desta realidade. (GOERCK, 2009).
2005 quando foram mapeados 14.954 EES. Singer (2012) destaca que o mapeamento
Este levantamento foi complementado em é uma forma sistemática de entender o que está
2007 com o mapeamento de mais 6.905 EES. acontecendo com relação à economia solidária
Nesta primeira fase foram totalizadas informa- no País. Mas é preciso, a cada três ou quatro
ções de 21.859 EES. A terceira rodada ocorreu anos, ver tudo o que está acontecendo, sobretu-
nos anos de 2010-2012 quando foram mapea- do avaliando o que está sendo feito. Verifica-se
dos mais 11.663 EES. Portanto, desde 2004 o que o fomento aos empreendimentos da econo-
SIES já identificou 33.518 EES em todo o ter- mia solidária deve percorrer um ciclo planeja-
ritório nacional. (SECRETARIA NACIONAL do e estratégico, em que a linha de chegada ou
DE ECONOMIA SOLIDÁRIA, 2013). finalização seja concomitante ao processo de
Os dados do SIES demonstram que emancipação do empreendimento, para que não
72,7% dos empreendimentos receberam apoio se estabeleça um elo de dependência ou subor-
ou assessoria externa, sendo que 40,6% de ór- dinação ao Estado ou a agentes públicos.
gãos governamentais, 22,9% de ONGs, Igrejas
ou associações, 20,4% do “sistema S”, etc. Se-
gundo Gaiger (2009, p. 576), os “EES benefi-
ciados com algum apoio apresentam um grau
de desempenho global mais positivo do que os

ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 47-63, jul./dez. 2016
52 ARTIGOS | Associação de Mulheres Louceiras do Maruanum (Aloma): tradição e economia solidária no Estado do Amapá – Amazônia - Brasil

3 O ESTADO DO AMAPÁ-AMAZÔ- do Tumucumaque) e a noroeste com


NIA-BRASIL: CARACTERÍSTICAS o Suriname (pela Serra do Tumucu-
maque). Possui 1.691 km de fronteira
SOCIOECONÔMICAS E MERCA-
nacional e 707 km de estrangeira. É
DO DE TRABALHO atravessado pela linha do Equador,
sendo que sua área representa 3,71%
A Região Norte compreende quase a me- da Região Norte e 1,68% da área na-
tade da área territorial do Brasil, possuindo a cional (PORTO, 2003, p. 21).
maior extensão, que é dividida entre sete esta-
dos, abriga a maior floresta tropical do mundo, a Segundo ainda as informações do Institu-
Amazônica, e entre as densas matas e os grandes to Brasileiro de Geografia e Estatística (2014),
rios uma imensidão cultural e étnica é celebrada. a renda média per capita mensal no Estado do
Neste capítulo serão analisadas as características Amapá, que possui uma densidade demográfi-
da população e do mercado de trabalho do ex- ca de 4,69 habitantes por quilômetro quadrado,
tremo norte do Brasil, o Estado do Amapá, com é de R$ 753,00 (setecentos e cinquenta e três
vistas a viabilizar a compreensão dos mecanis- reais). De acordo com as informações do Cen-
mos organização e da realidade socioeconômica so/IBGE, o Amapá foi detentor do maior cres-
diante do cenário nacional em que está inserido. cimento demográfico do País na última década,
conforme demonstrado pela tabela a seguir:
Tabela 1 - Crescimento demográfico – Amapá – Norte – Brasil (2000-2010)
População em População em Crescimento (%)
2000 2010 2000-2010
Brasil 169.799.170 190.732.694 12,33
Região Norte 12.900.704 15.865.678 22,98
Amapá 477.032 668.689 40,18
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2010).

3.1 POPULAÇÃO E EVOLUÇÃO ECO-


NÔMICA

O Amapá possui uma população esti- A População Economicamente Ativa


mada (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEO- - PEA1 do Estado do Amapá (INSTITUTO
GRAFIA E ESTATÍSTICA, 2014) de 750.912 BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍS-
habitantes, distribuídos em 16 municípios, que TICA, 2010) foi estimada em 258.000 pessoas,
somados equivalem a uma área de 143.453,7 sendo a população ocupada do Estado do Ama-
Km², representando 3,70% da Região Norte e pá composta por 248.000 pessoas e a taxa de
1,67% de todo o território brasileiro. As cida- população desocupada é de 13,1%, superior à
des com maior número populacional no Estado média nacional (8,3%). A taxa de desocupação,
são Macapá (Capital), com população estimada no Amapá, foi estimada em 9,6% no 1º trimes-
em 446.757 habitantes, Santana, com 110.565 e tre de 2015, a segunda maior taxa entre as Uni-
Laranjal do Jari, com 44.777. dades da Federação, no período; Entre as uni-
dades da federação, Rio Grande do Norte teve
Situado na Amazônia Oriental, o a maior taxa (11,5%) e Santa Catarina, a menor
Amapá limita-se ao sul (pelo rio Ama- (3,9%). A população ocupada foi estimada em
zonas) e a oeste (pelo rio Jarí) com o 302 mil, refletindo variação de -2,3% na com-
Estado do Pará, a leste com o Ocea- paração com o trimestre anterior e 2% frente ao
no Atlântico, ao Norte com a Guiana
mesmo trimestre de 2014. No 1º trimestre de
Francesa (pelo rio Oiapoque e Serra

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2015, 77,4% dos empregados no setor privado -se que os reflexos da pobreza são revelados na
tinham carteira de trabalho assinada, apresen- precariedade das moradias, e ainda na elevação
tando avanço de 1,4 ponto percentual em rela- dos indicadores de violência urbana.
ção a igual trimestre de 2014 (75,9%). Em re-
lação ao trimestre anterior, não houve variação
estatisticamente significativa.

Tabela 2 - Evolução do IDH – Amapá – Norte – Brasil (1991-2000-2010)


Área de referência 1991 2000 2010
Amapá 0,472 0,577 0,708
Região Norte 0,421 0,541 0,683
Brasil 0,493 0,612 0,727
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2010).

A população do Estado do Amapá tem Tabela 3 - Indicadores de desenvolvimen-


crescido significativamente, com grandes re- to – Brasil, Norte e Amapá - 2009 (em 1000
flexos na realidade de mercado, conforme será pessoas)
tratado no tópico a seguir. Indicador Brasil Norte Amapá
População em
162.807 12.422 504
3.2 MERCADO DE TRABALHO E PO- Idade Ativa (PIA)
TENCIALIDADES ECONÔMICAS
População
economicamente 101.110 7.536 285
O mercado de trabalho do Estado do ativa (PEA)
Amapá tem no setor serviços o principal gera-
dor de empregos, fato que se atribui à escassez Estimativa de
de polos industriais, sendo que durante várias 92.689 6.889 248
ocupados
décadas grande da parte população ocupada Taxa de
estava inserida em empregos e funções públi- 8,3% 8,6% 13,1
desocupação
cos. A indústria e a construção civil apresentam Número de
44.068.355 2.408.182 108.191
resultados modestos, mas vêm apresentando empregos formais
resultados crescentes nas contratações em face Fonte: Departamento Intersindical de Estatística e
das vagas abertas no mercado. A seguir, na tabe- Estudos Socioeconômicos (2011).
la 3, será apresentada uma tabela sintética com
os indicadores de desenvolvimento amapaense, Dentro do setor terciário, encontra-se o
em comparação com os indicadores nacional e serviço público o qual, de acordo com o Censo
da Região Norte, de acordo com informações IBGE (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEO-
do Departamento Intersindical de Estatística e GRAFIA E ESTATÍSTICA, 2010), representa
Estudos Socioeconômicos (2011). um percentual de 87% do PIB do Estado (deste
O Censo/IBGE (INSTITUTO BRASILEI- percentual, 45% refere-se ao serviço público),
RO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2010) 9% do PIB amapaense volta-se para o setor se-
indicou que o quantitativo da população em situa- cundário e 4% para o setor primário. Este in-
ção de pobreza no Estado do Amapá é preocupan- dicador demonstra a realidade econômica do
te, apontando o percentual de 12%, bem maior Estado, comprovando que o setor público é res-
que a brasileira (8,5%), sendo inferior à média da ponsável pela geração de uma fatia significativa
Região Norte (15%) e Nordeste (18%). Ressalta- dos empregos. Tal fato é entendido por econo-

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54 ARTIGOS | Associação de Mulheres Louceiras do Maruanum (Aloma): tradição e economia solidária no Estado do Amapá – Amazônia - Brasil

mistas e outros especialistas no assunto como ARAÚJO (2008) revela que estudo de caso é
um desperdício das potencialidades econômi- uma abordagem metodológica de investigação
cas existentes no Amapá que, com uma biodi- especialmente adequada quando procuramos
versidade sui generis e ainda uma localização compreender, explorar ou descrever aconteci-
geográfica significativamente privilegiada e mentos e contextos complexos, nos quais estão
estratégica apresenta uma grande possibilidade simultaneamente envolvidos diversos fatores.
de crescimento econômico que impactaria, por A pesquisa possui caráter qualitativo
certo, na realidade social da população, cuja que, de acordo com Minayo (2001), trabalha
concentração de renda nas mãos de poucos é com o universo de significados, motivos, as-
uma grande marca histórica. pirações, crenças, valores e atitudes, o que
corresponde a um espaço mais profundo das
4 METODOLOGIA DA PESQUISA relações, dos processos e dos fenômenos que
não podem ser reduzidos à operacionalização
A metodologia deste estudo possui dois de variáveis. A pesquisa qualitativa é criticada
focos: por seu empirismo, pela subjetividade e pelo
a) apresenta caráter exploratório, uma envolvimento emocional do pesquisador, mas
vez que busca proporcionar maior fa- certamente viabiliza de forma mais concreta a
miliaridade com o problema da inves- decodificação de uma realidade que não pode
tigação, com vistas a torná-lo mais ser mensurada estatisticamente, a exemplo da
explícito, envolvendo: levantamento pesquisa do porte do estudo de caso. A pesquisa
bibliográfico, entrevistas com pesso- qualitativa preocupa-se, portanto, com aspectos
as que tiveram experiências práticas da realidade que não podem ser quantificados,
com o problema pesquisado, e análise centrando-se na compreensão e explicação da
de exemplos que estimulem a com- dinâmica das relações sociais.
preensão (GIL, 2008); Optou-se pela utilização de entrevista
a) possui ainda caráter explicativo, uma não-estruturadas. Estas modalidades de en-
vez que se preocupa em identificar os trevistas viabilizam liberdade ao pesquisador,
fatores que determinam ou que con- para ir além das respostas, de uma maneira que
tribuem para a ocorrência dos fenô- pareceria prejudicial para as metas de padroni-
menos (GIL, 2008). zação e comparabilidade. Neste método, o en-
trevistador pode buscar tanto o esclarecimento
No segundo ponto, ressalta-se que a quanto a elaboração das respostas dadas, pode
presente pesquisa visa compreender os resul- registrar informação qualitativa sobre o tópico
tados da economia solidária na realidade co- em questão (MAY, 2004).
tidiana das integrantes da Associação de Mu- A entrevista possui uma importância
lheres Louceiras do Maruanum (ALOMA), significativa no estudo de caso pois, por meio
e ainda analisar os resultados da política de dela, o investigador percebe a forma como os
fomento à economia solidária realizada pelos sujeitos interpretam as suas vivências já que
órgãos do Estado. ela “é utilizada para recolher dados descritivos
Para se verificar os impactos da ativi- na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao
dade para a realidade das empreendedoras foi investigador desenvolver intuitivamente uma
realizado estudo de caso da Associação, na ex- ideia sobre a maneira como os sujeitos inter-
pectativa de evidenciar os avanços e fragilida- pretam aspectos do mundo” (BOGDAN; BI-
des da política voltada ao fomento da economia KLEN, 1994, p. 134).
solidária, a qual ultrapassa a análise meramen- O objeto de investigação do estudo de caso
te econômica, levando em consideração tam- é a ALOMA, associação localizada no Distrito do
bém os aspectos sociais de desenvolvimento. Maruanum, localizado na zona rural de Macapá.

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Entrevistou-se a presidente da ALOMA, que tem radores da região, a Lenda da Mãe do


a idade de 58 anos, e ainda quatro associadas, que Barro é de grande importância para a
trabalham como artesãs há mais de duas décadas comunidade e também para o ritual de
com o artesanato, atualmente a ALOMA possui confecção da cerâmica Maruanum. A
festa religiosa de maior importância
um total 12 de mulheres associadas. As entrevis-
para a comunidade é a de Nossa Se-
tas foram realizadas na Comunidade do Maru- nhora do Carmo realizada sempre no
anum, no mês de abril de 2015. mês de julho. As danças do Marabai-
xo e do Batuque também representa
5 ASSOCIAÇÃO DE MULHERES LOU- uma prática secular em termos de tra-
CEIRAS DO MARUANUM (ALOMA): dições de origem africana e indígena.
TRADIÇÃO, ARTE E ECONOMIA
SOLIDÁRIA NO ESTADO DO AMA- O Marabaixo e o Batuque são importan-
PÁ-AMAZÔNIA-BRASIL tes expressões culturais, não apenas para a Co-
munidade do Maruanum, mas para todo o Esta-
Esta seção apresenta as informações al- do do Amapá. O Marabaixo é considerado uma
cançadas pelo estudo de caso, por meio da téc- tradição secular; passa de geração em geração
nica de observação in loco, análise documental ao longo dos anos. É dançado na capital, Ma-
e realização de entrevistas. capá, nos meses de maio, junho e julho. O tra-
je dos homens é camisa branca com bordados,
calça branca, chapéu de palha enfeitado com
5.1 A COMUNIDADE DO MARUANUM
fitas e sandálias de couro, enquanto o traje das
mulheres é composto de camisa de renda, saia
O Distrito do Maruanum integra a cidade
estampada e rendada, anáguas, arranjos natu-
de Macapá, capital do Estado do Amapá, sendo
rais na cabeça (flores) e calçadas com sandálias
uma Comunidade composta por mais de dez
de couro (AMAPÁ, 2013).
Vilas, ou Comunidades, distribuídas ao longo
As atividades desenvolvidas pela popula-
do Rio Maruanum. A maior Comunidade é a de
ção do Maruanum envolvem homens e mulheres,
Nossa Senhora do Carmo, considerada a sede
em uma coletividade singular para a região. Existe
do Distrito, localizada a 68 Km da cidade de
cooperação mútua para a realização de atividades
Macapá. A Comunidade possui uma Associa-
do cotidiano, tais como pesca, lavoura e o preparo
ção de Moradores que atende aos interesses
das festas religiosas. Como atividade exclusiva,
comunitários, com vistas ao desenvolvimento
destaca-se a confecção da cerâmica, exercida so-
e implementação de ações concretas para a re-
mente por mulheres. De acordo com alguns rela-
gião (MAFRA, 2003).
tos, esta realidade se deve à falta de interesse dos
A população é composta por descenden-
homens, embora tenham conhecimento de que,
tes de indígenas, que ali habitavam no passado,
tratando-se de uma prática de origem secular, no
e por descendentes de negros em situação de
início do povoamento, as cerâmicas, principal-
escravidão, trazidos ao Estado no Séc. XVIII
mente as maiores como fornos e alguidares eram
para a construção da Fortaleza de São José de
também trabalhadas por homens, prática que foi
Macapá; os negros fugiam em decorrência de
perdida devido aos trabalhos na agricultura e na
maus-tratos, buscando refugiar-se em terras lon-
pecuária (MAFRA, 2003).
gínquas. De acordo com Mafra (2003, p. 83):

As manifestações culturais e religio- 5.2 AS LOUCEIRAS DO MARUANUM E


sas vividas pelos moradores das co- SEUS COSTUMES TRADICIONAIS
munidades são basicamente advindas
das tradições indígenas e africanas. As louceiras moram em locais diversi-
Entre elas, mediante relatos dos mo- ficados, ao longo do Rio Maruanum; algumas,

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inclusive, moram na capital amapaense, cidade


de Macapá. O saber das louceiras é repassado
de geração em geração. A atividade é específica
para mulheres que são descendentes das famílias
das louceiras. As louças de barro são produzidas
nas oficinas das louceiras e a retirada do barro é
realizada uma vez, ou no máximo, duas vezes
por ano, de forma coletiva por meio de mutirão,
o que gera renda sustentável para as mulheres do
Distrito do Maruanum (COSTA, 2011).
Sobre as condições de vidas das loucei-
ras, Mafra (2003) destaca que as condições
de vida que as mulheres levam são básicas e Figura 2 - Louças
condizentes com o padrão de vida de pessoas Fonte: Kopp (2012).
ribeirinhas2 da região amazônica. A maior parte
das necessidades do grupo de mulheres, como Depois de cavar o buraco e de retirar o
forma de sustento, se encontra em seu redor, barro, cada artesã faz uma mini caneca ou uma
seja na floresta nativa, ou nos rios de água doce. panelinha. As ofertas são para a mãe do barro
Seus hábitos alimentares são, praticamente, os ou avó do barro. Cada louceira chama de uma
mesmos, nas comunidades em que residem: vi- forma. De acordo com as louceiras, a Lenda
vem da caça e da pesca, com uma eventual ali- da Mãe do Barro é inspirada em uma crença,
mentação produzida fora da comunidade. segundo a qual, embaixo da fonte de argila do
As artesãs saem de casa bem cedo para Maruanum reside uma mãe/avó, que fornece o
buscar barro entoando cânticos tradicionais. A barro e a proteção necessária para a confecção
trajetória é marcada pela alegria. O artesanato é da cerâmica. A entidade é considerada a dona
mais do que um meio de vida para essas mulhe- do barreiro, razão pela qual as louceiras “pe-
res; é um ritual. Inclui canções regionais e mui- dem licença” à mesma antes de retirar o barro,
tas superstições. Para tirar o barro, elas só usam retribuindo e deixando oferendas, em forma de
as mãos ou pedaços de madeira. Sendo-lhes pequenas peças produzidas, antes do fechamen-
vedada a utilização de pás ou outros instrumen- to do buraco cavado para a extração da argila.
tos cortantes metálicos. É proibido colocar fer-
ro, metal ou alumínio em contato com a terra. 5.3 A ASSOCIAÇÃO DE MULHERES
Acreditam as louceiras que, se usarem ferro ou LOUCEIRAS DO MARUANUM
outro objeto metálico, o barro deixa de existir. (ALOMA)

A Associação atualmente é composta por


12 mulheres associadas, que atuam na comu-
nidade do Maruanum e na cidade de Macapá.
Para o alcance das informações referentes ao
empreendimento entrevistou-se a presidente da
ALOMA, de 58 anos de idade, e ainda quatro
associadas que trabalham como artesãs há mais
de duas décadas.
A escolaridade das louceiras é, em re-
gra, muito baixa, sendo que apenas uma das
Figura 1- Louceira em atividade entrevistadas, encontra-se concluindo o ensino
Fonte: Kopp (2012). fundamental, por meio da Educação de Jovens

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e Adultos (EJA); o restante declarou-se com gilidades das políticas de fomentos, as quais
ensino fundamental incompleto. No Quadro 1, serão descritas a seguir.
verifica-se a síntese do perfil das louceiras en-
trevistadas na ocasião da pesquisa de campo.

Informação Respostas
Idade Entre 40 a 74 anos.
Quatro entrevistadas, inclusive a presidente, declararam ter o ensino
fundamental incompleto, e apenas uma entrevistada declarou-se
Escolaridade
cursando o ensino médio, por meio do Programa Educacional de
Jovens e Adultos (EJA).
Todas declararam-se artesãs e agricultoras. Apenas uma declarou-se
Profissão / ocupação
também parteira tradicional.
Quantas pessoas residem na casa
Em geral, de 2 a 6 pessoas.
onde mora?
Quantas pessoas trabalham na A quatro entrevistadas declararam contribuir para a renda familiar.
residência? Apenas uma declarou-se única responsável pela renda familiar.
É beneficiário de programa de Apenas uma das entrevistadas declarou receber o Programa Estadual
renda mínima Renda Famíliar e também o Programa Federal Bolsa Família.
Uma única entrevistada declarou ser arrimo de família, as outras
Situação familiar
contribuem na renda.
As entrevistadas declararam receber em média renda mensal entre
Renda familiar
R$ 600,00 e R$ 900,00.
Quadro 1 - Perfil social das entrevistadas - ALOMA
Fonte: elaborado pela autora (2016).

A sócia com mais idade, atualmente en- 5.4.1 Aspectos positivos das políticas de
contra-se com 74 anos, sendo bastante ativa na fomento
produção das cerâmicas, enfatizando que, além
do artesanato, também já foi agricultora e tra- Nos relatos das louceiras, a Secretaria
balhou muito tempo como parteira tradicional,3 de Estado do Trabalho e Empreendedorismo
na comunidade do Maruanum. Atualmente do Amapá (SETE) atua diretamente no pro-
mora em Macapá, onde realiza sua produção e cesso de comercialização quando se trata de
comercialização, sendo que no Maruanum ape- exposição em feiras por ela organizadas, ou
nas retira o barro junto às outras louceiras. feiras em outros estados, contextos em que
viabiliza transporte, e, dependendo do caso, a
5.4 FOMENTOS RECEBIDOS E RESUL- hospedagem.
TADOS DO EMPREENDIMENTO Destacaram ainda como aspecto positi-
vo das políticas de fomento a criação da casa
Com relação aos fomentos à atividade, de comercialização no Maruanum, viabilizada
as louceiras informaram que a Associação pos- pela Prefeitura Municipal de Macapá, a qual foi
sui cadastro em vários órgãos que a têm como construída entre os anos de 2005 e 2006. Enfa-
economia solidária, como a SENAES, o FAES, tizaram ainda a participação em feiras nacio-
a SETE e o SEBRAE, e enfatizam que rece- nais e internacionais, com o auxílio do Governo
beram formação do SEBRAE voltada para as do Estado.
técnicas de gestão, há mais de cinco anos. As A comercialização, além de ser feita di-
entrevistas revelaram aspectos positivos e fra- retamente ao consumidor, é também escoada

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pela Casa do Artesão (vinculada à SETE), sen- Perguntou-se às associadas o que a eco-
do que nesta escoação a Casa do Artesão retém nomia solidária mudou em suas vidas; duas en-
20% do valor de cada produto como taxa de trevistadas demonstraram falta de compreensão
operacionalidade da comercialização e manu- sobre o significado e ideais referentes à econo-
tenção da Casa. De acordo com as louceiras, mia solidária, mas três delas enfatizaram como
os principais espaços de comercialização são as alteração positiva a integração do grupo e ainda
feiras de exposição. a visibilidade e o reconhecimento das cerâmi-
cas em todo o Estado do Amapá.
5.4.2 Fragilidades das políticas de fo-
mento 5.4.4 Desafios a serem enfrentados pelo
empreendimento
As louceiras enfatizaram que não hou-
ve nenhum investimento na Associação nos A comercialização das louças é feita in-
últimos 12 anos, e que o último investimento dividualmente por cada louceira; cada uma se
realizado foi há mais de cinco anos, por meio incumbe de vender suas cerâmicas, de maneira
de organização de mesas para exposição de que não existe divisão de recursos pela Asso-
cerâmicas na Associação, que demandou o ciação, dificultando a possibilidade de avaliar o
investimento de R$ 500,00 (quinhentos reais). valor arrecadado anual ou mensalmente. Duas
As artesãs informaram ainda que a Associação entrevistadas enfatizaram que a Associação não
nunca buscou financiamento ou empréstimo realiza planejamento ou avaliação das ativida-
para a dinamização das atividades, quando des da ALOMA. Constata-se, neste sentido, a
perguntadas sobre a razão, elas enfatizaram o necessidade de acompanhamento e controle
receio de contrair dívidas. das atividades desenvolvidas, a fim de viabili-
A casa de comercialização, localizada na zar a avaliação sistêmica das atividades.
comunidade do Maruanum, ficou cerca de qua- A renda média mensal informada pelas
tro anos emprestada para a Polícia Militar do louceiras com a comercialização das cerâmi-
Estado, tendo sido devolvida para a Associação cas, em geral, é inferior a um salário mínimo,
há menos de um ano, de acordo com as lou- sendo que os instrumentos de trabalho são pró-
ceiras. Estas ressaltam que a casa necessita de prios de cada artesã. Importa mencionar que as
reformas, pois encontra-se em estado precário. artesãs complementam sua renda com a agri-
Buscou-se compreender também com este cultura familiar.
estudo os principais avanços e desafios da ALO- Ao serem questionadas sobre os benefí-
MA enquanto empreendimento econômico-soli- cios e garantias das associadas, as artesãs res-
dário, dentre os quais destacou-se o seguinte: ponderam que não detêm nenhum benefício so-
cial, como licenças ou Previdência Social.
5.4.3 Avanços alcançados pelo empreen- Ao serem perguntadas sobre as dificulda-
dimento des apresentadas nos serviços, as quatro sócias
entrevistadas e também a presidente da Asso-
Ao serem questionadas sobre os resul- ciação apontaram as dificuldades para a extra-
tados da atividade, as artesãs destacaram que ção do caripé, que está cada vez mais escasso
a renda alcançada com a comercialização do na região, e ainda destacaram a dificuldade em
artesanato é a principal fonte de recursos das conseguir transporte para a exposição das cerâ-
sócias, sendo que as quatro associadas, assim micas em feiras. Esta última questão apresenta-
como a presidente da Associação, afirmaram -se como uma demanda do Estado, geralmente
que a renda obtida pela atividade é suficiente o transporte das cerâmicas para exposição de
para pagar as dívidas, sem, no entanto, restar feiras é uma ação assumida pela SETE.
nenhuma sobra. Com relação aos desafios a serem en-

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frentados pela ALOMA, as louceiras enfatizam do Estado no que diz respeito à organização de
que a gestão atual da Associação necessita ser feiras e transporte das louceiras e suas cerâmi-
mais participativa e atuante, de forma a viabili- cas, assim como a exposição e comercialização
zar a dinamização das atividades. da cerâmica produzida no espaço da Casa do
A produção realizada pelas louceiras, Artesão (espaço do Governo do Estado), sendo
além da dimensão econômica, possui uma im- que sem tais incentivos, as artesãs diminuiriam
portante expressão cultural, uma vez que ex- substancialmente suas vendas, e consequente-
pressa mitos, saberes e reforça a identidade das mente, seus recursos, assim como a visibilidade
artesãs e da comunidade do Maruanum. Veri- de seus produtos.
ficou-se neste estudo que a atividade já possui Nesse sentido, conclui-se que, mesmo
uma notória visualização social, tanto por parte com aspectos a serem melhorados, podendo
do Estado e de organizações não-governamen- ser enfatizados o assessoramento e acompa-
tais, como por parte da sociedade amapaense. nhamento das atividades, bem como orientação
Há de ser destacado que a produção das previdenciária, a política de fomento à Associa-
mulheres louceiras da ALOMA não necessitam ção das Mulheres do Maruanum é relativamen-
de investimentos financeiros elevados, uma vez te efetiva, uma vez que o Estado tem auxiliado
que o material utilizado é buscado na natureza, na exposição e comercialização da produção,
seguindo um ritual tradicional. Observa-se ain- e ainda subsidiado o transporte que garante a
da que as artesãs, em grande maioria, enfatiza- participação das louceiras em feiras, as quais,
ram que com a renda da atividade conseguem na grande maioria das vezes, são também orga-
pagar suas despesas (as quais não são obtidas nizadas pelo Governo do Estado.
em função do empreendimento), mesmo sem No entanto, há de ser observado que há
sobras, o que viabilizou a análise de que a ati- muito a melhorar com relação à política de fo-
vidade é satisfatória, mesmo com importantes mento, uma vez que o Estado possui um apa-
fomentos a serem realizados para sua dinami- rato de serviços que tem o potencial de elevar
zação, uma vez que estão conseguindo alcançar substancialmente a realidade da Associação,
renda com a atividade, que em regra, é a maior seja por meio de cursos de capacitação voltados
ou a única fonte de renda das artesãs. à gestão de negócios, e a valorização da pro-
Ao se avaliarem os reflexos da política dução, como técnicas de embalagens, seja com
de fomento à economia solidária junto à ALO- assessoramento e/ou acompanhamento das
MA, observou-se que embora a atividade tenha atividades, e de suporte científico e ambiental
um notório reconhecimento social e cultural, para a resolução da problemática do caripé, ou
com relação à atuação governamental e suas ainda com viabilização de financiamento para
formas de fomento, alcançaram-se algumas li- investimento na associação e em sua estrutura
nhas de reflexão; por ocasião da pesquisa, as de trabalho.
louceiras afirmaram que, na atualidade, estas Verificou-se também ser a questão pre-
não possuem o acompanhamento e/ou o asses- videnciária um grande problema, uma vez
soramento das atividades por parte de qualquer que as mulheres do Maruanum não possuem
órgão estatal, o que certamente chama a aten- instruções suficientes para acessar direitos
ção, uma vez que na estrutura de governo há disponíveis, como licença-maternidade, ou
órgãos que deveriam cumprir tal função, como mesmo aposentadorias, sendo que nenhuma
a Secretaria de Estado do Trabalho e Empre- das cinco mulheres entrevistadas, incluindo a
endedorismo (SETE) e a Secretaria de Estado presidente da Associação, é contemplada com
da Cultura (SECULT), no âmbito estadual, e programas governamentais de renda mínima,
ainda a Superintendência Regional de Traba- mesmo sendo explícitas as privações financei-
lho e Emprego (SRTE), em âmbito federal. Por ras em que se encontram.
outro lado, verificou-se que existe o fomento As cerâmicas das mulheres do Maru-

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60 ARTIGOS | Associação de Mulheres Louceiras do Maruanum (Aloma): tradição e economia solidária no Estado do Amapá – Amazônia - Brasil

anum, como são popularmente conhecidas as casa na Comunidade do Maruanum, pela pre-
louceiras, além de representar uma bela e impor- feitura município de Macapá, para a realização
tante forma de expressão cultural, representam da exposição de suas louças, a qual ficou mais
a viabilidade da economia solidária no Estado de dois anos cedida para a Polícia Militar do
do Amapá, por meio da valorização dos saberes, Estado, sem ser utilizada pela Associação.
do incentivo à cooperação, da preocupação e do As louceiras enfatizaram que há mui-
respeito com o meio ambiente, e ainda da pos- to tempo não recebem nenhuma assistência,
sibilidade de autogestão por comunidades tra- orientação ou capacitação por parte de enti-
dicionais. Essa cultura deve ser valorizada, res- dades governamentais, ou por parte do Fórum
peitada e fomentada pelo Estado, e em especial, Estadual de Economia Solidária (FAES), res-
pelos órgãos executores de políticas públicas de saltando que poderiam dinamizar o escoamento
fomento à economia solidária. de seus produtos se tivessem tal suporte. Em
função desta realidade, avaliou-se que as po-
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS líticas de fomento à economia solidária junto
à ALOMA são parcialmente efetivas, conside-
A economia solidária tem adotado im- rando que as políticas de fomento poderiam ser
portantes contornos em vários países do mun- substancialmente mais amplas, o que certamen-
do, afirmando-se como uma alternativa cada te elevaria a capacidade de produção, o esco-
vez mais consistente à economia capitalista. No amento dos produtos, e, consequentemente, a
Brasil, as políticas públicas de fomento à eco- renda das louceiras.
nomia solidária deram um salto significativo na Mesmo diante das fragilidades relativas
última década. Um grande fator de contribuição às políticas públicas, constatou-se que a As-
foi a implementação da Secretaria Nacional de sociação tem sido benéfica às associadas, uma
Economia Solidária em 2003, criada no início vez que a maioria das louceiras mencionaram
da gestão do Governo Lula. que a renda alcançada com a comercialização
Este estudo delimitou como campo de das cerâmicas tem sido suficiente para o custeio
estudo a Associação de Mulheres Louceiras do das suas despesas pessoais, as quais, em regra,
Maruanum (ALOMA), localizada no extremo não estão vinculadas ao empreendimento, uma
Norte do Brasil, o Estado do Amapá, onde se vez que o investimento para o negócio é muito
buscou identificar os fomentos recebidos pelos baixo, em razão de os insumos serem extraídos
órgãos estaduais e seus reflexos no cotidiano diretamente da natureza. Algumas louceiras
das mulheres associadas. Identificou-se a ne- mencionaram ainda a sobra de recursos para
cessidade de reestruturação nos formatos de outros investimentos, o que leva a crer, em uma
gestão das políticas de fomento por parte dos análise estritamente financeira, que o empre-
órgãos governamentais do Estado do Amapá, os endimento econômico solidário tem alcançado
quais deveriam funcionar de forma harmônica êxito quanto ao retorno.
e articulada; mas, ao contrário disso, atuam de Ressalta-se ainda, que as políticas de
forma isolada e sem comunicação efetiva entre fomento à economia solidária esbarram numa
si, prejudicando a qualidade e a quantidade dos problemática comum às outras políticas públi-
serviços ofertados, o que fora constatado pelas cas, à falta de articulação e integração entre si,
entrevistas realizadas. muitas vezes impulsionadas por problemas de
Verificou-se que a ALOMA recebe apoio comunicação, por falta de percepção da atua-
do Estado no que se refere ao transporte para ção do Estado como um complexo de vários
feiras, e ainda para a exposição de suas peças serviços, os quais necessitam funcionar de for-
na Casa do Artesão, espaço público vinculado ma harmônica e equilibrada, e ainda a alta rota-
ao Governo. O empreendimento foi também tividade de cargos e funções estratégicas.
fomentado por meio da viabilização de uma Restou claro nesta pesquisa que os ór-

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AUTORES | Kátia Paulino dos Santos 61

gãos funcionam de maneira desarticulada, e sociates, implementing a qualitative research.


ainda que as políticas são limitadas a cada ges- It’s structured in three parts; the first deals with
tão específica, sendo que a troca dos governan- the national solidarity economy policy and its
tes impede a continuidade das ações. Tal reali- development of strategies for enterprises; the
dade resulta em grandes prejuízos sociais, uma second presents the geographical area of the re-
vez que viabiliza a estagnação, e em alguns ca- search, the State of Amapá; the last part analy-
sos, o retrocesso da ação política. zes the Association and its profile, and the main
Após a análise das potencialidades e li- results of the development policies and its prin-
mitações do empreendimento econômico soli- cipal obstacles and advances.
dário estudado, alcançou-se a possibilidade de
elaboração das seguintes recomendações para a Keywords: Solidarity economy. Public policy.
dinamização das atividades e dos resultados do Women’s Ceramic Craftsmanship Association
empreendimento: maior articulação e integra- of Maruanum.
ção entre as políticas de fomento à economia
solidária; viabilização de orientação e asses- ASOCIACIÓN DE MUJERES
soramento sistemático aos empreendimentos; LOCERAS DEL MARUANUM
investimento em orientação previdenciária. O (ALOMA): TRADICIÓN Y
melhoramento desses pontos viabilizaria a di- ECONOMÍA SOLIDARIA EN EL
namização necessária para que a ALOMA al-
ESTADO DEL AMAPÁ – AMAZONIA
cance melhores resultados em suas atividades,
alterando de forma significativa a qualidade de
– BRASIL
vida das mulheres associadas.
RESUMEN
THE WOMEN’S CERAMIC
La economía solidaria viene fortaleciéndose y
CRAFTSMANSHIP ASSOCIATION afirmándose como una posibilidad viable, sen-
OF MARUANUM (ALOMA): sata y emancipadora. Este artículo tiene como
TRADITION AND SOLIDARITY objetivo analizar la Asociación de Mujeres Lo-
ECONOMY IN THE STATE OF ceras del Maruanum (ALOMA), localizada en
AMAPÁ – AMAZON -BRAZIL el extremo norte de la Amazonia brasileña, en
el estado del Amapá, de forma a evidenciar los
ABSTRACT principales avanzos y fragilidades en la políti-
ca de fomento a la economía solidaria, así como
The solidarity economy is becoming stronger los principales progresos y trabas enfrentados
and affirming itself as a viable, sensible and por la Asociación. Se hizo un estudio de caso de
emancipator possibility. In this way, the article la ALOMA, con Análisis de Costo-Efectividad
aims to analyze the Women’s Ceramic Crafts- (ACE), por medio de entrevistas con la presi-
manship Association of Maruanum (ALOMA), denta de la Asociación y con otras asociadas,
located in the extreme North of the Brazilian concretizando una investigación cualitativa. El
Amazon, in the state of Amapá, in order to hi- artículo se encuentra estructurado en tres partes,
ghlight the main achievements and weaknesses la primera trató de la política nacional de econo-
of the development policy of social economy, mía solidaria y sus estrategias de fomento a los
as well as the main achievements and obstacles emprendimientos; la segunda presentó el espa-
faced by the Association. We conducted a case cio geográfico de la investigación, el estado del
study about Aloma, with Cost-Effectiveness Amapá; y la última parte analizó la Asociación,
Analysis (CEA), by means of interviews with su perfil, principales resultados de las políticas
the president of the Association and other as- de fomento y sus principales trabas y avanzos.

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62 ARTIGOS | Associação de Mulheres Louceiras do Maruanum (Aloma): tradição e economia solidária no Estado do Amapá – Amazônia - Brasil

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64 ARTIGOS | Responsabilidade Social Interna: estudo da gestão de pessoas de uma Construtora de Fortaleza

doi:10.12662/2359-618xregea.v5i2.p64-81.2016

ARTIGOS

RESPONSABILIDADE SOCIAL INTERNA:


ESTUDO DA GESTÃO DE PESSOAS DE UMA
CONSTRUTORA DE FORTALEZA1

RESUMO

A responsabilidade social tem sido inserida nas organizações como


resultado de mudanças sociais que as impactam fortemente. Nesse
contexto, a gestão empresarial passa a ter engajamento em ações
que visam minimizar os impactos socioambientais decorrentes do
crescimento. No entanto, autores que debatem o tema da respon-
sabilidade social chamam atenção para o fato de que a empresa
sustentável busca um equilíbrio entre atuação externa e interna.
Neste sentido, requer-se uma reflexão sobre como as empresas po-
dem promover a responsabilidade social para os colaboradores.
Este estudo propõe a reflexão acerca da relação gestão de pessoas
e responsabilidade social interna, por meio de uma pesquisa qua-
litativa em uma empresa do ramo da construção civil do Ceará. As
práticas de responsabilidade social interna foram apresentadas por
integrantes três níveis hierárquicos da empresa e analisadas por
um grupo de colaboradores operacionais. Constatou-se que existe
na organização uma forte cultura voltada para a responsabilidade
social, e que as práticas de gestão de pessoas são norteadas por
seus princípios. A responsabilidade social é, dessa forma, um ele-
mento pertinente para a vantagem competitiva da empresa.

Palavras-chave: Responsabilidade social. Responsabilidade so-


cial interna. Gestão de pessoas.

1 INTRODUÇÃO

Andriele Pinto de Amorim


Atualmente, as empresas são cada vez mais influenciadas
andriele.pintodeamorim7@ por um ambiente competitivo. A sobrevivência das organizações,
[Link] portanto, requer uma visão sistêmica de seu ambiente de negócio,
Mestranda no Programa de Pós cada vez mais influenciado por mudanças socioeconômicas. Na
Graduação em Administração
evolução da Ciência Administrativa, a migração da percepção da
da Universidade Estadual do
Ceará (UECE). Fortaleza - CE- empresa como um sistema fechado para um sistema aberto e di-
BR. nâmico contribuiu para sua percepção como organização social.
A percepção da empresa como uma organização social se
Milena Cirino Capelo tornou um tema mais visível, tornando-se um marco no período
milenacapelo@[Link]
Mestre em Educação pela
da Teoria das Relações Humanas. O contexto em que essa teoria
Universidade Federal do Ceará. surge é provocado por inúmeras críticas à exploração e ao descaso
Fortaleza - CE- BR. das empresas pelo bem-estar dos trabalhadores. A multidisciplina-

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AUTORES | Andriele Pinto de Amorim | Milena Cirino Capelo 65

ridade, nesse contexto, favorece a reflexão so- brio entre a atuação externa e interna.
bre a percepção do homem no trabalho, culmi- Neste sentido, este estudo consiste em
nando no aprofundamento da importância e da responder: como a gestão de pessoas de uma
valorização do capital humano; amadurecendo, construtora de Fortaleza pode contribuir para a
assim, a visão da produtividade humana para promoção da Responsabilidade Social Interna?
além dos aspectos metodológicos e estruturais, Em geral, pretende-se: identificar como
propostos por escolas anteriores. a gestão de pessoas de uma empresa pode con-
Desse modo, o entendimento da relação tribuir para a promoção da Responsabilidade
da empresa com a sociedade tem-se tornado Social Interna a partir do estudo na Empresa C.
pertinente, dada a necessidade de um comporta- Rolim Engenharia Ltda. De forma específica,
mento ético nos negócios. Nas últimas décadas, intenta-se:
a temática do desenvolvimento sustentável tem a) entender o processo da implantação
influenciado as empresas a investir em práticas da cultura de Responsabilidade So-
de responsabilidade socioambiental. Assim, o cial Interna (RSI) na empresa;
conceito de responsabilidade social tem sido b) identificar qual a importância da RSI
frequente nos estudo das organizações. Atu- para a gestão de pessoas;
almente, o entendimento do papel social das c) identificar a percepção da Responsa-
empresas avança para além da criação de em- bilidade Social Interna (RSI) nos três
pregos e da adoção de ações filantrópicas, mas, níveis hierárquicos da empresa e;
e considera-se como responsabilidade empre- d) verificar o conhecimento dos colabo-
sarial a criação de valor para todos os agentes radores sobre as práticas de responsa-
da cadeia produtiva de uma organização. bilidade social interna.
Nesse debate, a percepção dos colabora-
dores dentro das práticas e das estratégias de 2 EMPRESAS E SOCIEDADE
responsabilidade social tem-se tornado per-
tinente. Em razão disso, a Gestão de Pessoas Uma organização é um sistema social
(identificada neste estudo como GP) setor que complexo que interage com o meio, utilizan-
tem sido considerado central para o desempe- do seus vários recursos para a consecução
nho estratégico das empresas, deve visionar a de objetivos (AMBONI; ANDRADE, 2011).
responsabilidade social (identificada neste es- Neste processo, diversos agentes dialogam na
tudo como RS), sobretudo na transformação relação empresa-sociedade. O termo inglês
da visão empresarial para a importância da res- stakeholders pode definir os diversos grupos
ponsabilidade social interna (doravante deno- interessados nos resultados das atividades de
minada de RSI). uma empresa, o que expressa o caráter missio-
Longe de ser uma função restrita à GP, nário das organizações na sociedade (HILL;
a atuação das empresas em Responsabilidade JONES, 2013).
Social Interna é o desdobramento de valores, Por um lado, a “sociedade organizacio-
como a sustentabilidade, para o público inter- nal” chama a atenção para a necessidade de a
no. Essas práticas visam à promoção da me- gestão empresarial perceber a sociedade em
lhoria da qualidade de vida e bem-estar social. suas decisões, visto que elas impactam a qua-
Logo, além da atenção dos profissionais de GP lidade de vida em sociedade (MAXIMIANO,
para a inserção dos princípios de RSI em seus 2012). Por outro, o impacto das mudanças da
processos, considera-se essencial a existência sociedade nas organizações deve transformar
de uma sinergia organizacional a fim de promo- a mentalidade empresarial, considerando que
vê-la. Dessa forma, a visão estratégica da RS e essas mudanças são fundamentais para a conti-
o alinhamento das práticas gerenciais têm sido nuidade dos negócios (DIAS, 2012).
pontuados como um canalizador para o equilí- Dessa forma, diversas mudanças têm

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66 ARTIGOS | Responsabilidade Social Interna: estudo da gestão de pessoas de uma Construtora de Fortaleza

ocorrido na percepção dos clientes, pois eles JAZEIRAS, 2012, p. 134), diversos modos de
esperam que as empresas sejam éticas (AN- pensar a RSE são apontados na literatura.
DRADE; TACHIZAWA, 2012). Em vista dis- Moraes et al. (2010) usam o termo “re-
so, entende-se que é crucial o levantamento das lacionamento ético da empresa”, envolvendo
perspectivas desse grupo, pois, entre as percep- todos os grupos que são interessados na atua-
ções, pode-se elencar a questão da reputação ção empresarial e que podem impactar ou se-
da empresa em relação ao meio ambiente e às rem afetados por ela, incluindo, ainda, o meio
condições de trabalho de funcionários. ambiente. Eles consideram a “ação social”
Portanto, a relação ética das empresas como uma forma de atuação de responsabili-
com seus diversos públicos pode ser vista como dade empresarial.
a garantia de um crescimento sustentável. No Para Morais et al. (2010), os termos
entanto, as empresas, enquanto dependentes de “ação social”, “cidadania empresarial” e “res-
recursos importantes da sociedade, são influen- ponsabilidade social” se relacionam, e o en-
ciadas por dificuldades como o baixo nível de tendimento sobre eles pode mudar de país para
educação e violência (MENDES, 2012). De país. Nos Estados Unidos, por exemplo, o ter-
forma direta ou indireta, fatores como educa- mo “ação social” é mais utilizado ao se referir
ção, saúde e violência podem-se tornar entra- a atividades que não se relacionam diretamente
ves para a gestão empresarial. à atividade-fim da empresa e que têm por obje-
Na ação empresarial, esses entraves, tivo a atuação no entorno dela, buscando como
como a questão educacional e social, condu- finalidade propiciar uma boa imagem empresa-
zem ao entendimento sobre o papel das empre- rial. Para os europeus, “cidadania corporativa”
sas para o desenvolvimento sustentável. Esse e RS são facilmente interligadas; são quase si-
termo surge como resultado de um movimen- nônimos (DIAS, 2012).
to da própria sociedade em relação à reflexão No Brasil, o entendimento da RS se
acerca da necessidade de se repensar o modelo aproxima da ação social empresarial, sendo
tradicional de desenvolvimento (WECD, 1987 fortemente reflexo da ideia incapacitante do go-
apud CLARO; CLARO; AMÂNCIO, 2008). verno em resolver todas as demandas sociais.
Clegg, Kornberger e Pitsis (2011) decla- Portanto, caberia às empresas a atuação em pro-
ram que a busca por uma postura ética é um jetos de cunho social. Essas disparidades entre
desafio da gestão moderna, em que a ideia de a concepção do que venha a ser RS recebe in-
sustentabilidade migra da ideia puramente fi- fluência do contexto no qual elas surgem, bem
nanceira para um viés ambiental e social. Com- como recebe influência das características dos
preende-se, então, que “a empresa do futuro de- diferentes setores de negócios. Logo, em países
verá estar mais comprometida com a sua missão com a predominância de problemas sociais, a
transcendente, criando e mantendo uma cultura RS se configura, geralmente, em ações sociais.
e valores que sejam a base de sua rentabilidade e Porém, se for analisado sob o ponto de vista
compromisso social” (SOTO, 2011, p. 233). de impacto das atividades no meio ambiente
em setores com alto índice de degradação am-
3 RESPONSABILIDADE SOCIAL EM- biental, haverá a predominância de projetos de
PRESARIAL (RSE) cunho ambiental (OLIVEIRA, 2013).
Responsabilidade Social Corporativa
Na perspectiva de organização susten- (RSC) também é elencada na visão de ou-
tável em que a organização é aquela “[...] que tros autores que fazem a integração entre as
procura incorporar os conceitos e objetivos re- variáveis ambiental, social e econômica. Eles
lacionados com o desenvolvimento sustentável consideram que, ao fazerem essa integração,
nas suas práticas e políticas de modo consisten- a empresa se baseia nas metas de desenvol-
te” (BARBIERI, 2007 apud BARBIERI; CA- vimento sustentável (CLEGG; KORNBER-

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AUTORES | Andriele Pinto de Amorim | Milena Cirino Capelo 67

GER; PITSIS, 2011). Esses autores também 4 RESPONSABILIDADE SOCIAL IN-


acreditam que o papel das ONG’s na fortifica- TERNA (RSI) CONTEXTO E PRIN-
ção do papel social das empresas promove o CÍPIOS IMPORTANTES
bem-estar social.
Essas perspectivas foram propostas no A Responsabilidade Social prevê que as
modelo de Jonh Elkington (2001), o triple bot- empresas adotem um comportamento de res-
ton line, o qual demonstra que, à medida que peito aos direitos humanos, garantindo os direi-
as organizações labutam em gerir as questões tos fundamentais do trabalho. Assim, a prática
sociais e ambientais abrangidas em suas opera- da RSI inclui: o “reconhecimento dos direitos à
ções, adquirirá ganhos simultâneos em todas as liberdade de associação e de negociação cole-
formas de capital de que ela dispõe. tiva; a eliminação do trabalho forçado e com-
Barbieri e Cajazeiras (2012), porém, pulsório; a abolição do trabalho infantil; e a
fazem uma distinção entre Responsabilidade eliminação da discriminação no emprego e no
Social Corporativa e Responsabilidade Social mundo do trabalho” (DIAS, 2012, p. 136). Em
Empresarial. Utilizando-se da expressão in- relação às práticas trabalhistas, compreende-se:
glesa Corporate Social Responsibility , eles a) emprego e relações trabalhistas;
explicam que o termo “corporativa” não pode b) condições de trabalho e proteção so-
se referir a todas as empresas em geral, mas cial;
somente as de capital aberto cuja administra- c) diálogo social;
ção e propriedade são separadas. Nesse caso, d) saúde e segurança do trabalho e;
a Responsabilidade Social Corporativa é a RS e) desenvolvimento humano e treina-
em empresas de capital aberto. mento no local de trabalho (DIAS,
Porém, existe uma indagação acerca do 2012, p. 136-137).
fato de a atuação empresarial em projetos de Conforme Barbieri e Cajazeiras (2012),
cunho social não está relacionada à atividade- o princípio da garantia dos direitos humanos
-fim da empresa na visão desses autores. Con- se justifica, pois as organizações abrangem em
sidera-se que essas atividades voltadas à ação seus processos a sua execução, principalmente
social podem ser classificadas como ações fi- dos direitos trabalhistas. Relacionados a essa
lantrópicas, mas não necessariamente respon- ideia, os indicadores do Instituto Ethos, GRI e
sabilidade social. No entanto, não há um con- certificações sociais como a SA8000 e AA1000
senso sobre o que uma empresa pode fazer para compreendem que a relação com os trabalha-
agir com RS. Porém, considera-se que poderia dores devem abranger além de justiça por meio
ser incluída na RS, além da responsabilidade dos benefícios, o clima organizacional, a quali-
legal e ambiental, a atuação social junto às co- dade de vida e a promoção do aumento da em-
munidades (OLIVEIRA, 2013). pregabilidade dos funcionários (ANDRADE;
Carroll (1979) entendem por responsabi- TACHIZAWA, 2012).
lidade social empresarial a ação para atender às Pinto, Coutinho e Melo (2014), ao inves-
diversas expectativas da sociedade. São elen- tigarem as normas NBR 16001:2004, AS 8000
cadas nesta definição as responsabilidades eco- e ISO 26000:2010, chegaram a uma intersec-
nômicas, legais, éticas e filantrópicas. Os auto- ção entre elas; concluíram que a RSI, para ser
res entendem que existe uma interdependência efetiva nas empresas, não pode ficar restrita aos
entre as diversas responsabilidades e não uma aspectos trabalhistas legais, deve ir além, com
sobreposição, fato que levou à substituição da ações que tragam melhorias de cunho pessoal e
representação da responsabilidade social na familiar aos colaboradores. Os temas comuns
forma piramidal para o diagrama de Venn. aos indicadores são: gestão participativa; diálo-
go e participação; preocupação com o ambiente
e condições de trabalho; respeito ao indivíduo;

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preocupação com a saúde e segurança do tra- dentro de uma estrutura, mesmo que seja fun-
balho; compromisso com o desenvolvimento ção prioritária para o setor o desenvolvimento
pessoal e profissional do colaborador e política de políticas. Para as empresas modernas, essa
clara de plano de carreira. responsabilidade deve estar inserida nos de-
A perspectiva do público interno nas mais órgãos como reflexo da inserção da GP na
organizações é incluída também nas diretrizes estratégia das empresas. Logo, cuidar das pes-
de relatórios de sustentabilidade como o Glo- soas deve ser uma “responsabilidade comparti-
bal Reporting Initiative (GRI), que abrange as lhada” (RÉ; RÉ, 2010, p. 82).
dimensões econômica, ambiental e social. No Esse alinhamento entre a GP e a estra-
relatório, as empresas devem apresentar sua tégia de negócio é pontuado por Ulrich et al.
forma de gestão em relação a seu público in- (2011) como um dos pontos fundamentais para
terno, em relação a aspectos trabalhistas, como a “transformação do RH”, os quais exprimem a
a existência de trabalho decente, igualdade de ideia de que hoje há necessidade de os gesto-
salários etc. (GLOBAL REPORTING INITIA- res de pessoas irem além do conhecimento do
TIVE, 2015). negócio da empresa. Eles devem também saber
quais as expectativas dos stakeholders da orga-
5 GESTÃO DE PESSOAS E RESPON- nização e relacionar suas práticas a elas.
SABILIDADE SOCIAL INTERNA Marras (2012) faz um resumo da evolu-
ção do gerenciamento de pessoas nas organiza-
A evolução da administração revela ções, ressaltando que as transformações ocor-
como as organizações passaram por um pro- ridas demandam um novo perfil daqueles que
cesso de adaptação no que tange às suas novas se encontram responsáveis por essa área nas
formas de gestão. Essas mudanças permitiram empresas. A fase legalista estava centralizada
a criação de uma “nova organização” que sur- na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT),
girá devido à insatisfação com os antigos for- em que predominava a habilidade da empresa
matos de organizações. As críticas à extrema em lidar com leis e conhecimentos de direito,
burocracia permitiram a migração das formas bem como havia pouca relação do gestor com
mecanicistas, marcadas pela hierarquia, cen- as estratégias e pouca importância era dada aos
tralização de decisões e papéis especializados, aspectos sociais e psicológicos do trabalhador.
para a forma orgânica, que é caracterizada Na fase tecnicista, compreendida entre 1950 e
pela descentralização e flexibilidade. Nesta 1965, surge a administração de pessoal marca-
última, a perspectiva de trabalho nas organiza- da por uma leve visão humanista que prioriza,
ções também se transforma de forma notável além dos aspectos legais, os programas de trei-
(CHILD, 2012). namento e o desenvolvimento de pessoas.
Dessa forma, a GP se transforma na me- Em seguida, uma nova perspectiva sur-
dida em que o modelo das organizações muda. giu devido à necessidade de profissionais que
Para Gil (2001), a GP, na gestão contemporâ- tivessem uma visão sistêmica da empresa. Essa
nea, parte da visão das pessoas como coope- fase é denominada de administrativa, pois, de-
radoras das empresas e capazes de gerar uma mandava-se um profissional com habilidades de
sinergia para o alcance de objetivos, tanto no negociação tendo em vista o surgimento dos mo-
nível organizacional quanto no nível pessoal, o vimentos sindicais. A empresa tinha a responsa-
que torna evidente a evolução da administração bilidade de atender às exigências de uma parcela
de pessoal para a gestão estratégica de pessoas significativa da sociedade por meio de uma boa
no final do século XX. relação com os trabalhadores. Após 1985, o en-
Uma visão mais aprofundada considera tendimento das pessoas como “parceiras” foi-se
uma percepção sistêmica do gerenciamento de solidificando, e a visão de um gestor mais hu-
pessoas não se limitar ao setor específico de GP manizado, com visão geral de negócio na fase

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estratégica foi, de fato, revolucionária para a movidos por ela (MORAES et al., 2010).
transformação da gestão de pessoas. Essa mudança em torno da percepção do
Tornar o ambiente de trabalho propício valor dos stakeholders internos, para Mostar-
a essas mudanças, sobretudo na construção de deiro (2010), pode ser compreendida por sua
uma “nova cultura” que transpõe a estrutura relevância no processo da gestão da RS. Em-
enrijecida, predominante no período fordista e bora esse fato seja relativamente novo para as
taylorista, requer das empresas um olhar para empresas, considera-se a inter-relação entre
aspectos como a liderança. Esta liderança deve gestão a GP e a RS um requisito importante
ser capaz de “construir” essa cultura, tendo em para seu fortalecimento. É importante notar que
vista que as estruturas organizacionais se tor- o público interno é um dos grupos mais referi-
nam cada vez mais enxutas. Dessa forma, di- dos ao se falar em RS, como no caso do Brasil,
versos processos se tornaram de imensa impor- por exemplo.
tância na relação das pessoas na organização Essa prioridade também pode ser com-
(SOTO, 2011). provada pela importância dada pelo Instituto
Compreende-se, então, que as práticas Ethos aos parceiros internos, em que esse re-
de cunho social desenvolvidas pelas empresas quisito detém o maior número de indicadores
afetarão diretamente os trabalhadores por meio da ferramenta de avaliação da Instituição.
de investimentos ligados à GP, pois podem ge- Compreende-se, também, que o setor tem par-
rar benefícios como a promoção de cuidados ticipação decisiva neste intento, pois geral-
com a saúde, bem como a segurança do traba- mente corresponde a uma área que apresenta
lho (DIAS, 2012). A GP seria, então, um canal uma estrutura formal dentro da empresa com
capaz de promover a inserção da RS na cultura orçamento formal, e sua institucionalização
das empresas por estarem mais próximas da re- pode ser um forte fator político para a promo-
alidade do ser humano e das demandas sociais ção da RS.
no seio da organização. Ainda na visão de Mostardeiro (2010),
Logo, com o avanço da percepção das o gestor da área de gestão de pessoas tem um
empresas para temas como a sustentabilidade, importante papel para a consolidação da RSE
torna-se cada vez mais clara a ideia de que a e, em contrapartida, o setor tem cada vez mais
GP tem um papel-chave para a sustentabilidade percebido a proposta da atuação social das or-
empresarial, sendo pertinente a implantação de ganizações como uma oportunidade para seu
práticas sustentáveis em seus processos. Ao es- fortalecimento.
colher a sustentabilidade como canal entre em- Conforme Moraes et al. (2010), a gênese
presa e colaboradores, a gestão de pessoas pode da responsabilidade social empresarial se deu
contribuir para o desenvolvimento sustentável no ambiente interno das empresas, no qual as
das organizações e da sociedade. No entanto, questões relacionadas às condições de trabalho
para que isso se torne efetivo, é necessário que humano poderiam ser criticadas e repensadas,
as estratégias sustentáveis nas empresas saiam tornando, assim, a RSI um fundamento para o
do âmbito de práticas tradicionais, como a re- alargamento das fronteiras organizacionais na
dução de impactos ambientais, e adentre tam- interação com a Responsabilidade Social Ex-
bém no relacionamento da empresa com as pes- terna. Essa prioridade com o público interno é
soas dentro e fora de seu ambiente (EHNERT; altamente pertinente ao se falar na atuação éti-
HARRY; ZINK, 2014). ca das empresas, deixando inconcebível que a
Nesse sentido, a GP deve propor, den- atuação externa se torne apenas um meio para a
tro da relação organização-funcionário, a re- promoção de uma boa imagem empresarial en-
alização de metas que justifiquem, de fato, a quanto pouco se promove o bem-estar interno.
importância da RSI por meio de ações que são Dessa forma, entende-se, pela visão de
originárias de planos de desenvolvimento pro- Moraes et al. (2010), que o compromisso com

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a RSI se torna um fundamento para que as lim Engenharia. A escolha da amostra qualita-
empresas possam alargar suas fronteiras e en- tiva foi feita de forma intencional, guiada por
gajar-se com os agentes externos. Para isso, é três propósitos que estão relacionados às carac-
necessária uma atuação social equilibrada entre terísticas deste estudo: a obtenção de uma visão
o público interno e o externo, e os benefícios estratégica sobre o tema da pesquisa, a análise
como imagem empresarial, status, reconheci- dele por um especialista e a percepção das prá-
mento, ganhos econômicos poderão ser resul- ticas da empresa de RSI por meio da visão dos
tados desse engajamento social. colaboradores. Foram selecionados para entre-
A importância do engajamento da gestão vistas individuais a diretora da empresa, a Ges-
de pessoas nas empresas para a responsabilida- tão de Pessoas, um supervisor de obras e um
de social é pontuado por Aubé e Morin (2009). grupo de seis colaboradores que participaram
Para eles, os gestores têm a responsabilidade de de um “grupo focal”.
assegurar o futuro dos funcionários e das gera- Na fase de coleta de dados, foram utiliza-
ções atuais e futuras. Dessa forma, os gestores dos como instrumentos: consulta a documentos
de organizações estão entre as pessoas mais e publicações da empresa, além de entrevistas
bem qualificadas para propor soluções para as individuais e técnica de grupo focal. Inicialmen-
preocupações sociais por lidarem com as ques- te, foram analisadas duas publicações cedidas
tões humanas. pela empresa; em seguida, foram iniciadas as en-
Pode-se concluir que tanto a concretiza- trevistas semiestruturadas com três níveis hierár-
ção de práticas de RS quanto às práticas moder- quicos da empresa, a saber: gerência 1 (diretora
nas de Gestão de Pessoas estão estritamente li- comercial e marketing); gerência 2 (gestora de
gadas e se relacionam na geração de mudanças pessoas); gerência 3 (supervisor de obras).
no tocante ao gerenciamento das pessoas nas O grupo focal foi realizado com seis
organizações (GOMES; BRITO, 2013). colaboradores em uma unidade produtiva, os
quais atuam nas funções de: pedreiro (E4 e E5),
6 METODOLOGIA DA PESQUISA ajudante de pedreiro (E3), Emassador (E1) e
servente (E2 e E6). Os entrevistados do grupo
O estudo foi realizado na empresa C. focal têm entre 4 meses a 5 anos de empresa
Rolim Engenharia LTDA. Fundada em 1977, e possuem de um a seis filhos. Em relação ao
diversas práticas de gestão ambiental e social estado civil: quatro são casados, um solteiro e
foram implantadas na empresa, incluindo seus um divorciado. O grupo era composto de qua-
processos produtivos por meio da adoção do tro homens e duas mulheres.
lean construction, o qual agrega valor a seus Durante a fase de desenvolvimento do
clientes e colaboradores. grupo focal, foram realizadas perguntas abertas
A natureza desta pesquisa é qualitativa a partir da revisão do estudo de Pinto, Coutinho
(COOPER; SCHINDLER, 2011). Segundo a e Melo (2014), o qual enfoca sete aspectos co-
classificação de Vergara (2013), esta pesquisa é muns aos indicadores de RSI pesquisados por
descritiva, quanto aos fins, e quanto aos meios, esses autores. Observa-se que não foi solicitada
constitui-se em estudo de caso e documental. a identificação nominal dos participantes a fim
Ao responder a uma das características da pes- de se evitar intimidação à participação. Desse
quisa, a profundidade justifica o uso do estudo modo, gerou-se um ambiente de interação entre
de caso, que é reconhecido por áreas diversas participantes e entrevistador.
das ciências sociais ao pretenderem estudar fe- Para a análise qualitativa, foi utilizado o
nômenos sociais complexos (YIN, 2010). método de análise de conteúdo das entrevistas e
Nesse estudo, o universo delimitado é o dos documentos. Segundo Bardin (2011), essa
grupo formado por colaboradores, gerência e técnica representa um conjunto de técnicas de
diretoria, os quais compõem a empresa C. Ro- análise das comunicações que visam à obten-

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ção de conhecimentos relacionados às condi- isso, a edificação das vidas, segundo o presi-
ções de produção de mensagens e sua recepção. dente, volta-se para a busca de “[...] agregar
valor em cada etapa das atividades pertinentes,
7 APRESENTAÇÃO E ANÁLISES DOS motivando o digno exercício da responsabili-
RESULTADOS dade profissional aliada ao socioambiental” (C.
ROLIM ENGENHARIA LTDA, 2014, p. 9).
7.1 ANÁLISE DOCUMENTAL No relatório de gestão da empresa de
2014, aspectos relacionados aos colaborado-
Na fase da análise documental, foram res abrangem cinco dos dez tópicos relevantes
realizadas leituras de dois documentos publica- apresentados no documento, a saber: público
dos pela empresa entre 2013 e 2015. Posterior- interno, saúde e segurança, educação e inova-
mente, foram selecionadas as páginas que se ção, direitos humanos bem como ética e res-
relacionavam à descrição de práticas e projetos ponsabilidade social. Segundo a empresa, as
de RSI e GP. Foi consultada a Coletânea Lean práticas de Gestão de Pessoas e ações para os
& Green (MOURÃO; VALENTE, 2013) e o colaboradores ocorreram efetivamente nos últi-
Relatório de gestão de 2014, baseado no Glo- mos cinco anos anteriores ao relatório.
bal Reporting Iniciative (GRI). A partir das informações descritas nesses
Da análise dos documentos, pôde-se documentos, foram listadas práticas de gestão
compreender que as práticas de responsabili- de pessoas:
dade social voltadas ao público interno fazem a) políticas de benefícios;
parte da visão da empresa de “[...] desenvolver b) assistência médica e odontologia;
um modelo de gestão fortemente fundamenta- c) previdência privada;
do na filosofia da construção enxuta (Sistema d) participação nos resultados e nos lu-
Lean da Qualidade)”, sendo uma de suas pre- cros;
ocupações fundamentais o capital humano, por e) política de treinamentos;
meio da política Life, juntamente à questão am- f) saúde e segurança no trabalho;
biental e à inovação (MOURÃO; VALENTE, Além de aspectos trabalhistas como vis-
2013, p. 154). to acima, a empresa tem proposto projetos que
Dessa forma, a filosofia Lean está base- visam atender necessidades básicas dos cola-
ada na promoção de uma cultura de sustentabi- boradores da base operacional, tendo destaque
lidade na empresa, tendo como marco, segun- os programas “Mutirão do Bem” e o “Projeto
do a construtora, o lançamento do programa ser do Bem”. Ambas as práticas enfocam a pro-
“Compromisso verde” em 2009. Esse progra- moção da qualidade de vida dos colaboradores.
ma envolve ações simultâneas de preservação Entre esses, o programa “Mutirão do Bem” é
ambiental e social, que promovem a criação de reconhecido pela Câmara Brasileira da Cons-
valor para a empresa e o meio ambiente, por trução como um dos melhores programas de
meio da redução de custos e desperdícios, bem responsabilidade social da indústria da constru-
como o bem-estar social e a promoção da res- ção. O programa foi iniciado em 2009 e visa
ponsabilidade social interna, pelas práticas de à melhoria das casas de colaboradores opera-
qualidade de vida, saúde e segurança dos cola- cionais. Ao ser selecionado, o colaborador re-
boradores (MOURÃO; VALENTE, 2013). cebe apoio financeiro, logístico e técnico para
A visão da empresa em relação aos co- a reforma da casa, e o trabalho é realizado por
laboradores é um dos legados de seu fundador, colaboradores que se voluntariam (C. ROLIM
Clovis Rolim, que, segundo as palavras do ENGENHARIA LTDA, 2014).
atual presidente da empresa, foi responsável O “Projeto Ser do Bem” envolve ações
pela implantação do princípio da organização: para a promoção da qualidade de vida e saú-
“construir edificações, edificando vidas”. Para de física e mental por meio de ações de edu-

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cação ambiental, cuidado da saúde e educação para o fato de a RSI ser um elemento de atração
física. Dessa forma, a empresa promove ações de candidatos a emprego na empresa.
na comunidade e envolve os colaboradores em A RSI na construtora, segundo a gerên-
passeios ciclísticos, campeonatos esportivos e cia 1, dá-se por meio de várias práticas voltadas
educação ambiental (C. ROLIM ENGENHA- para o bem-estar dos colaboradores. Os proje-
RIA LTDA, 2014). tos mencionados pela diretora estão relacio-
nados à promoção da saúde, à educação e ao
7.2 PERCEPÇÃO DA RESPONSABILI- desenvolvimento profissional e à qualidade de
DADE SOCIAL INTERNA (GERÊN- vida dentro e fora do ambiente de trabalho.
CIA 1) A entrevistada ressalta que o compromis-
so em promover a RSI na empresa é percebido
A percepção estratégica da RSI foi cole- por meio de frases que se tornaram um lema para
tada junto à alta administração da empresa, por a gestão da empresa, como exemplo, cita: “Nós
meio de entrevista com uma diretora. A inte- estamos construindo prédio, mas nós estamos
gração da RSI na gestão da empresa se configu- transformando a vida de cada funcionário que
ra como um valor relevante desde o início dos está aqui nessa empresa.” (DIRETORA).
negócios da construtora, segundo a gerência 1. Em relação a isso, menciona que a em-
Segundo a diretora, a imersão da RS nas estra- presa tem promovido ações voltadas para a edu-
tégias da empresa é resultado da interpretação cação dos colaboradores da base operária por
dos valores pessoais dos fundadores e da alta meio do projeto “Letra viva”, o qual fornece a
administração nos negócios da construtora. educação básica e o projeto “biblioteca itine-
Como resultado disso, a motivação para rante” e visa estimular a leitura e a dissemina-
a RSI é baseada em valor pessoal. Foi mencio- ção de informações aos operários no ambiente
nado que a atuação da empresa em ações e pro- de trabalho. Outra preocupação da empresa é
jetos sociais internos e externos não é resultado com a promoção da saúde dos colaboradores,
de questão mercadológica, e, embora a empresa em que a diretora destaca os programas de
tenha uma atuação sólida em projetos de caráter vacinação e doação de sangue, de tratamento
socioambiental, não os utiliza para a promoção da odontológico, e as palestras sobre doenças se-
imagem empresarial por meio de campanhas pu- xualmente transmissíveis e outros assuntos.
blicitárias, e justifica: “[…] A nossa preocupação Outro elemento que compõe a RSI da
maior é realizar e transformar. Se as pessoas vão empresa na percepção da entrevistada é a pre-
ficar sabendo ou não, ótimo, é questão de conse- ocupação com a promoção do bem-estar do
quência de nosso trabalho.” (DIRETORA). colaborador no ambiente de trabalho. Para a
Embora a geração de lucro seja crucial entrevistada, a construtora promove isso ao se
para manter sua força de trabalho, a empresa preocupar com questões relacionadas à alimen-
expõe que a atuação em RS não está condicio- tação, ao fornecer a seus colaboradores uma
nada à possibilidade de ganhos financeiros. alimentação de qualidade, e disponibilizar um
A importância da RSI para a imagem da espaço no canteiro de obra, chamado de “espa-
empresa, junto a seu público interno, se dá na pos- ço do bem”, em que os colaboradores podem
sibilidade de um reconhecimento do agir ético da descansar nos intervalos de trabalho.
empresa internamente. Essa relação se estabele- O Programa “Mutirão do Bem”, projeto
ce, segundo a gerência 1, porque a RSI possibilita premiado nacionalmente pela Câmara brasilei-
uma melhor transparência das ações da empresa ra da indústria da construção (CBIC), em 2014,
que busca sempre agir de forma justa. Outra ob- foi ideia de um gerente da empresa e é um dos
servação feita foi acerca da resolução de conflitos programas de RSI. Sobre ele, a gerência 1 en-
internos e a reparação de problemas gerados por fatiza: “nós saímos desse ambiente e fomos pra
possíveis erros. Além disso, ela chama a atenção casa dele, a gente não se conteve em trabalhar

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o funcionário só dentro do ambiente de traba- blico interno, como o programa “Mutirão do


lho.” (DIRETORA). bem”, entre outros.
Observa-se que o programa tem uma im- O Programa “Mutirão do Bem” faz parte
portância para a diretoria da empresa, demons- do pilar life, o qual abrange a Gestão de Pessoas
trando sua afinidade com ela, ao comentar sobre no modelo de gestão da empresa, envolvendo
a história de algumas casas reformadas no início um conjunto de ações voltadas para o público
do projeto: “Tinha uma casa que não tinha ba- interno dentro e fora da empresa, sendo, segun-
nheiro e a gente ficou pensando: Meu Deus! O do a empresa, mais uma forma de incorporação
homem não tem banheiro em casa e a gente quer da RS na cultura da empresa ([Link] EN-
que ele produza alguma coisa.” (DIRETORA). GENHARIA LTDA, 2014).
Segundo ela, o programa está bastante consoli- No programa de reforma da casa de co-
dado na construtora, pois, além de dar suporte laboradores da base operária, a gestora informa
financeiro, logístico e técnico, incentiva a cida- que o setor participa dele ativamente, já que
dania aos colaboradores que trabalham volunta- existe um processo de seleção dos colaborado-
riamente na reforma das casas. res inscritos anualmente. Segundo a empresa,
Em relação ao processo de implantação atualmente, o projeto já beneficiou 14 cola-
da cultura de RS, ela afirma que esse processo boradores desde a sua implantação, em 2009
ocorreu naturalmente ao comentar: “[…] nós (MOURÃO; VALENTE, 2013).
vamos criando os projetos e as pessoas vão Outro programa apontado pela gestora
abraçando a causa e, dessa forma, essa cultura que tem cunho de RSI é o programa “Letra Viva”
vai-se disseminando.” (DIRETORA). Existe, em parceria com o Serviço social da indústria
juntamente a essa cultura, o incentivo à partici- (SESI), (conhecido internamente como “escoli-
pação dos colaboradores na gestão da empresa nha”), que oferece educação básica para os co-
por meio da valorização de ideias inovadoras. laboradores que atuam nas obras da construtora.
Como a construção civil absorve um público
7.2.1 Análise da gerência 2: percepção com um nível geralmente baixo de escolaridade,
de Gestão de Pessoas sobre a Res- há a necessidade de estimulá-los à leitura, sobre
ponsabilidade Social Interna isso declara “a gente tem a responsabilidade de
aumentar o conhecimento dessa pessoa para
A percepção da RSI foi coletada em se- que ela tenha cada vez mais informação” como
gundo lugar na GP da empresa. Para a gerência foi enfatizado (GESTORA DE PESSOAS). Para
2, a importância da RSI na GP se dá no fato de isso, a empresa tem-se engajado em promoção
ela proporcionar aos gestores um agir pautado de incentivo à leitura por meio do programa “Bi-
pela ética que é, segundo a entrevistada, uma blioteca Itinerante” que funciona em contêineres
das principais características que embasam a disponíveis nas obras.
RSI. Esta funciona como um norteador para as A preocupação com a educação integra
práticas e as ações de GP e tem um papel fun- também a família dos funcionários, pois a empre-
damental para a estratégia empresarial, vindo a sa atualmente entrega para os colaboradores que
legitimar a credibilidade do trabalho do gestor comprovam a matrícula dos filhos um kit para
de GP na opinião da gestora. apoiar os estudos contendo material de uso esco-
Na visão da gerência 2, a RSI é uma pre- lar. Segundo a GP, outro programa recentemente
ocupação fundamental para a C. Rolim Enge- criado pela empresa é o kit maternidade, o qual
nharia, pois, enquanto ela desenvolve ações de beneficia as colaboradoras e as esposas de colabo-
RS voltadas para a preservação do meio am- radores que atestam o nascimento de filhos.
biente por meio do programa de plantação e A gestora enfatiza que a disseminação
doação de mudas na cidade, o programa “Com- dos projetos da empresa para os colabora-
promisso Verde”, há ações voltadas para o pú- dores é importante e pode-se tornar um es-

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tímulo não só para a atuação interna em RS, ria, por exemplo; e a GP tem-se aplicado a agir
mas também para a sociedade. Segundo ela, de forma coerente em relação aos benefícios
outra forma de promover a cultura da RSI na que são oferecidos.
empresa é por meio de um informativo em Em relação a salário justo, a gestora diz
forma de jornal, o qual é desenvolvido pela que a empresa segue a legislação trabalhista,
área comercial da empresa, em parceria com oferecendo um salário dentro do piso da cons-
a GP, e distribuído trimestralmente, chamado trução civil. E, em busca de promover igual-
“Voz do bem”; ele divulga as ações para os dades, a empresa tem trabalhado na criação de
colaboradores bem como registra marcos im- uma política de plano de cargos e salários para
portante da empresa no período. implantá-lo em um período posterior.
Outra forma de proporcionar a RSI, Para ela, a GP pode garantir esse conhe-
segundo a gestora, é por meio da busca pelo cimento fazendo uso do contato com os co-
bem-estar dos colaboradores no ambiente de laboradores, por meio dos treinamentos e do
trabalho. O “Espaço do Bem” é um espaço momento de integração do colaborador com a
construído dentro dos canteiros de obras, onde empresa. Ela explica que a GP acompanha al-
os colaboradores podem descansar e se entreter guns programas por meio da frequência e in-
nos intervalos de produção. Esse espaço é ide- formações das instituições parceiras, como é o
alizado, juntamente ao planejamento das obras, caso do programa “Letra Viva”, e assim, pro-
e, assim, é inserido seu layout. cura incentivar a participação por meio de mo-
A promoção de informação sobre saúde e mentos de sensibilização no canteiro de obras.
prevenção de doenças faz parte das práticas de GP. Sobre a verificação do grau de conhe-
Para a gestora, a empresa se preocupa em infor- cimento, uso e satisfação dos colaboradores,
mar seu público operacional sobre temas como: a gestora apresentou que há uma dificuldade
doenças sexualmente transmissíveis, drogas etc. desse acompanhamento pelo fato de a RS da
No entendimento da GP, existe uma deficiência empresa abranger uma quantidade conside-
no conhecimento dos colaboradores operacionais rável de atividades, mas informou que existe
acerca desses temas, sendo pertinente a dissemi- um controle quantitativo dos programas. Esse
nação de palestras no canteiro de obras. acompanhamento pode ser feito também por
Na percepção da gestora, a política de meio da parceria com o SESI, que gerencia os
Gestão de Pessoas promove os direitos humanos programas de educação básica e da “Biblioteca
e se preocupa em inserir a RSI no desenvolvi- Itinerante”, que são levados às obras.
mento dos colaboradores. Conforme consta em Em relação à satisfação dos colabora-
uma coletânea da empresa, a política de GP tem dores, sobre os programas, ela acredita que o
como missão “contribuir com o crescimento e índice de rotatividade seja um ótimo indicador
consolidação da empresa no mercado, mediante para identificá-la. Segundo consta no Relatório
desenvolvimento integral de profissionais e pro- de gestão 2014, baseado nas diretrizes do GRI,
moção de qualidade de vida para os colaborado- o turnover dos colaboradores era de 4,77%, e
res” (MOURÃO; VALENTE, 2013, p. 152). os cargos de servente e pedreiro foram os que
Em relação à percepção da diretoria obtiveram maior taxa de rotatividade no perío-
sobre essas ações, segundo ela, a empresa do, o que seria normal em consideração à mé-
está totalmente sensibilizada, tendo-as inseri- dia das empresas da construção. Ressalta, ain-
do fortemente em sua cultura. Por essa razão, da, que, na última pesquisa de clima realizada
demonstra apoio às ideias vindas da GP bem na empresa, o quesito orgulho de trabalhar foi
como se engaja e propõe ações de melhoria acima de 80%; isso aponta que as ações de RSI
para o engajamento da GP em RS. Para a gesto- tem favorecido a percepção dos colaboradores.
ra, a empresa se esforça em atender à legislação
trabalhista, por meio do controle da carga horá-

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7.3 ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DA GERÊNCIA 3: PERCEPÇÃO DO SUPERVISOR


DE OBRAS SOBRE A RSI

A percepção da RSI para a gerência 3 foi coletada junto à supervisão de obras, abrangendo
vários aspectos relacionados no quadro 1. Esses aspectos apontam a percepção do gestor sobre os
sete aspectos da RSI identificados no estudo dos autores Pinto, Coutinho e Melo (2014).
Aspecto Percepção da Gerência 3
Acredita que ela ocorre de forma saudável em todos os níveis hierárquicos da empresa,
envolvendo tanto a resolução de problemas no contexto do trabalho quanto na vida pessoal
dos colaboradores. Ele comenta que, no exercício de seu cargo, geralmente ele tem que lidar
Diálogo com dificuldades dos colaboradores da obra, e que ele procura demonstrar disponibilidade
para tirar dúvidas sobre o desempenho do serviço e também os problemas pessoais. Existe
um esforço da diretoria para que isso aconteça e também dele com o pessoal que lhe
está subordinado ao tentar resolver questões que surgem no canteiro de obras.
Comenta que, na empresa, existe oportunidade para ideias e sugestões. No A3,
ferramenta utilizada pela empresa para a expressão de sugestões, as ideias são descritas
Gestão
e especificadas, mostrando as etapas de como foi feita. Caso seja aceita, ela será
participativa
apresentada, geralmente no Kaizen semanal, e implantada em todas as unidades de obras
da empresa.
Segundo ele, o ambiente de trabalho está relacionado ao planejamento da obra onde é
feito todo o layout do canteiro a fim de proporcionar uma melhor qualidade de vida para o
Ambiente de
trabalhador dentro da obra. Menciona também que existem vários espaços contemplados
trabalho
no projeto de canteiro como o refeitório, o vestiário e o escritório e também o “Espaço
do Bem”.
“O respeito pelos colaboradores é muito bom”. Por abranger uma mão de obra vulnerável
socialmente, o supervisor entende que isso pode levar ao surgimento de casos provocados
pela baixa instrução como, por exemplo, descontentamento com algo ou até mal entendidos,
Respeito
o que demanda da empresa uma habilidade para trabalhar e contornar situações que possam
parecer injustas para alguns funcionários. Porém, a empresa sempre age eticamente,
respeitando as convenções trabalhistas entre outros direitos.
Entre os programas de RSI, o “Mutirão do bem” foi reconhecido como o melhor programa
de responsabilidade social, desenvolvido pela construtora segundo o entrevistado: “Um
programa fantástico que a [Link] criou e que, ao longo dos anos, ela foi melhorando...
Então é uma coisa que abrange todo o operacional... porque é um benefício que não tem
Bem-estar
tamanho.” O supervisor comenta que sempre esteve envolvido na execução do programa.
Ele aponta outros programas da empresa que refletem na família dos colaboradores
como o kit escolar e maternidade, recém-implantados. Para ele, todos esses programas
são formas de agradar ao colaborador e também trazer benefícios para suas famílias.
Saúde e Em relação aos programas da empresa de RS, considerou a questão dos programas de
Segurança do segurança e prevenção de acidentes como essenciais e um assunto vital para a empresa,
trabalho em que os colaboradores são frequentemente treinados.
O supervisor apontou que a empresa tem-se empenhado em treinar e capacitar seus
colaboradores, e que, anualmente, ela oferece treinamentos. Os programas são adequados e
Desenvolvimento satisfatórios, o que lhe proporcionou crescimento profissional durante os vinte anos em que
Pessoal e trabalha na empresa. O supervisor entrou na empresa como contínuo, passando pelos cargos
profissional de motorista, encarregado de produção, supervisor de qualidade até chegar à supervisão de
obras. Durante todo esse tempo, o colaborador obteve capacitação técnica e ingressou na
graduação de Engenharia da produção em 2015.
Quadro 1 - Percepção do Supervisor de obras
Fonte: dados da pesquisa (2016).

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76 ARTIGOS | Responsabilidade Social Interna: estudo da gestão de pessoas de uma Construtora de Fortaleza

7.4 ANÁLISE DO CONHECIMENTO DOS COLABORADORES OPERACIONAIS


SOBRE A RSI

Após o levantamento sobre a percepção da RSI nos três níveis hierárquicos da empresa, foi
verificado o conhecimento da RSI para o grupo de colaboradores operacionais, seguindo como
referência os princípios comuns aos indicadores de RSI identificados no estudo de Pinto, Couti-
nho e Melo (2014).

Aspecto Percepção do grupo focal


A empresa está aberta ao diálogo com seus colaboradores (E1). O “chefe”, (referindo-
se ao supervisor) demonstra prontidão às demandas dos operários e mantém um bom
Diálogo
relacionamento (E2). A “acessibilidade” às gerências vai além do âmbito profissional,
indo também ao pessoal (E3). A empresa tem espaço para o diálogo (E6).
A empresa dá espaço para que as ideias sejam expressas e as reuniões que acontecem
no canteiro de obras sejam uma oportunidade para isso (E1). A empresa está aberta a
sugestões e recompensa os colaboradores por boas ideias (E3). Há muito trabalho e não vê
Gestão reconhecimento, porém, apesar de as decisões virem da gerência, é possível a flexibilidade
participativa da forma de trabalhar, caso seja viável (E4). Todas as ideias propostas pelos colaboradores
são avaliadas, e, caso elas sejam viáveis, são validadas. Há reconhecimento, seja de forma
simbólica ou por meio de compensação financeira, porém, o salário já é uma recompensa
pelo trabalho (E5)
As condições de trabalho são adequadas principalmente no que concerne à disposição de
equipamentos de segurança (EPI’s) para o seu uso pelos colaboradores (E1). O ambiente
de trabalho é limpo e organizado (E3) e também representa cuidados básicos, como a
Ambiente de
existência de banheiros adequados (E6). O “Espaço do Bem” é muito interessante e um
trabalho
diferencial entre as construtoras em que já trabalhei (E3). O espaço é bem utilizado pelos
operários (E4) e, além de jogos, há cadeiras para repouso (E5). O espaço é colocado no
início das obras e é retirado na fase final (E6).
Não existe nenhum problema relacionado à questão do respeito na empresa (E3) e não há
nenhum tipo de discriminação (E4). A existência de respeito na empresa demonstra-se na
Respeito
sua atitude em relação às greves trabalhistas, agindo de acordo com a lei e seguindo as
orientações sindicalistas (E5).
A empresa tem preocupação com o bem-estar dos funcionários, preocupando-se com suas
famílias ao beneficiar os filhos dos colaboradores com um “kit escolar”(E1), e o principal
programa da empresa é o “Mutirão do Bem”, “...não participei do “mutirão” porque não
tenho necessidade, mas conheço outros colegas que tiveram a casa reformada; é muito
Bem-estar bom”...” ...eu participei da reforma da casa de um senhor que tinha os filhos deficientes...
era muito triste a situação, mas deu tudo certo”.A empresa também participa com doações
a projetos externos por meio do Projeto Social “Ser do Bem” “...a filha da minha sobrinha
participa de um projeto patrocinado pela [Link]” (E6). A segurança do trabalho é uma
forma de a empresa propiciar o bem-estar (E4).
A empresa se preocupa com a segurança no trabalho e acompanha sempre o uso dos
equipamentos, por meio dos técnicos de segurança e, embora o uso dos equipamentos
Saúde e
incomode fisicamente, o bom uso deles é fundamental para a proteção (E1). Existe a
Segurança do
preocupação sobre o bom uso dos EPI’s por meio da vigilância dos técnicos de segurança
trabalho
(E3). A empresa oferece plano odontológico para os colaboradores operacionais, mas não
plano de saúde que somente é destinando ao pessoal administrativo (E2).

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 64-81, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTORES | Andriele Pinto de Amorim | Milena Cirino Capelo 77

Existe oportunidade para o crescimento profissional e também se busca capacitar os


colaboradores para que possam exercer cargos que exijam uma melhor qualificação. Vários
Desenvolvi- funcionários da obra se qualificaram e estão crescendo profissionalmente na empresa (E1).
mento A empresa oferece oportunidade para todos os colaboradores igualmente. Mesmo antes
Pessoal e de trabalhar na empresa, pode saber sobre os programas por intermédio de um amigo que
profissional trabalhava na construtora e que sempre falava sobre os projetos e as ações (E3). Embora
não tenha feito nenhum curso oferecido pela empresa, sente-se satisfeito e pretende se
aposentar na construtora (E4)
Quadro 2 - Percepção dos colaboradores
Fonte: dados da pesquisa (2016).

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao refletir sobre o contexto contemporâ- humano são apoiadas e incentivadas, o que


neo empresarial e as perspectivas da RSI em re- garante a sua continuidade. No segundo nível,
lação ao engajamento das empresas na busca da representado pela gestão de pessoas, há uma
criação de valor sustentável, este estudo visou interpretação correta do valor da RSI, o que
responder à problemática: como a gestão de a posiciona como um elemento-chave para as
pessoas de uma construtora de Fortaleza pode práticas de administração de pessoas e a impõe
contribuir para a promoção da Responsabilida- como preservador da cultura de RSI. Assim,
de Social Interna? entende-se que a gestão de pessoas de uma em-
Para isso, este estudo propôs-se a: identi- presa pode promover a RSI a partir do engaja-
ficar como a gestão de pessoas de uma empresa mento desse setor com a estratégia empresarial,
pode contribuir para a promoção da Respon- remodelando seus processos para alcançar a
sabilidade Social Interna a partir do estudo na responsabilidade social empresarial.
Empresa C. Rolim Engenharia Ltda. De forma No nível de gestão operacional, existe
específica, intenta-se: 1. Entender o processo um reflexo dessa cultura, que se torna um di-
da implantação da cultura de Responsabilida- recionador para a sua liderança. Verifica-se
de Social Interna (RSI) na empresa; 2. Identifi- que os princípios da RSI abrangem a relação
car qual a importância da RSI para a gestão de da gestão com seus liderados pautados pelo di-
pessoas; 3. Identificar a percepção da Respon- álogo, pela participação e respeito, e pelo bem-
sabilidade Social Interna (RSI) nos três níveis -estar e desenvolvimento pessoal e profissional.
hierárquicos da empresa e; 4) Verificar o co- Verificou-se que os colaboradores ope-
nhecimento dos colaboradores sobre as práticas racionais conhecem as práticas de RSI, o que
de responsabilidade social interna. atesta, mesmo de forma limitada, às informa-
A partir da análise dos discursos das en- ções disponibilizadas pela diretoria e pelos
trevistas e publicações da empresa, conclui-se gestores da empresa. Como resultado, perce-
que há uma sincronia na percepção da RSI nos be-se que o conhecimento dos colaboradores
três níveis de gestão da empresa, e que ela é re- está vinculado à busca de um relacionamento
sultado de valores de seu fundador. Desse modo, ético da empresa com seu público interno, em
a interpretação da ideia de construir a partir do que a garantia de oportunidades de diálogo e
desenvolvimento das pessoas, reflete-se na ad- participação, promoção do bem-estar dentro e
ministração da empresa, perpetuando a cultura fora do ambiente de trabalho e da preocupação
de RSI, que é resultado da motivação pessoal da empresa com a saúde, segurança e desen-
dos diretores e dos gerentes da empresa. volvimento pessoal e profissional são pertinen-
Em nível estratégico, a RSI é reconhe- tes para a continuidade e o amadurecimento de
cida e há um equilíbrio com a atuação externa. práticas de responsabilidade social interna.
Dessa forma, as ações voltadas para o capital Verificou-se que o compartilhamento da

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78 ARTIGOS | Responsabilidade Social Interna: estudo da gestão de pessoas de uma Construtora de Fortaleza

responsabilidade de cuidar de pessoas exige a in- Em segundo lugar, pôde-se aprofundar a


serção efetiva dos stakeholders internos nas ações ideia sobre o impacto social da construção civil,
de RS de forma sistêmica nas organizações, bem a qual desempenha um papel importante na so-
como o reconhecimento de sua relevância pela ciedade brasileira e tem refletido mudanças na
GP, que deve aprimorar sua atuação a fim de con- sociedade, como exemplo, a presença da figura
tribuir com a “missão social” empresarial e ser feminina nos canteiros de obras, lugar marca-
um fator chave para o desempenho da empresa do, anteriormente, sobretudo pelos homens.
em níveis ambiental, social e econômico. Em terceiro lugar, pode-se aprender que
As práticas de gestão de pessoas envol- enquanto o contexto social brasileiro é marcado
vem o atendimento a obrigações trabalhistas e pelas atividades da construção civil, os resulta-
a participação em projetos sociais estratégicos dos obtidos por práticas sociais empresariais são
para a empresa. Essas práticas abrangem a te- significativos. Dessa forma, a responsabilidade
mática do estudo, ou seja, a RSI, e têm por ob- social empresarial pode favorecer a criação de
jetivo a promoção do bem-estar social dos co- valor sustentável para as empresas ao promover
laboradores, dentro e fora de seu ambiente de o desenvolvimento socioeconômico por meio de
trabalho, envolvendo a asseguração das leis tra- práticas que visem ao bem-estar social.
balhistas, como saúde e segurança no trabalho, Considerando a importância do aprofun-
e as ações de cunho predominantemente social, damento da temática deste estudo, propõe-se a
como o projeto “Mutirão do Bem”. integração de pesquisa quantitativa na investi-
O resultado deste estudo vem reforçar a gação qualitativa, a fim de propor a criação de
literatura sobre a responsabilidade social em- medidas de mensuração do impacto de projetos
presarial, ou seja, reconhece que o investimen- e ações sociais na sustentabilidade empresarial
to em práticas sociais voltado para o público in- das construtoras. Além disso, sugere-se a iden-
terno gera retornos tanto para a empresa como tificação da percepção da responsabilidade so-
para os colaboradores. De um lado, os benefí- cial em outros níveis de colaboradores, a fim de
cios sociais favorecem a imagem empresarial obter uma visão sistêmica da responsabilidade
interna, gerando um clima de trabalho propício social e, por fim, uma análise dos subprocessos
à inovação, o desempenho em produtividade, de Gestão de Pessoas, com o objetivo de iden-
além de, consequentemente, retornos financei- tificar como a responsabilidade social empresa-
ros com pessoas envolvidas no desempenho da rial os influencia.
organização. Dessa forma, investimentos em
responsabilidade social podem ser percebidos INTERNAL SOCIAL
em longo prazo, e apesar de, em geral, serem RESPONSIBILITY: A STUDY OF
analisados de forma subjetiva, podem contri- THE PEOPLE MANAGEMENT OF
buir com a sustentabilidade empresarial, pois A CONSTRUCTION COMPANY IN
trazem retornos como a reputação corporativa
FORTALEZA
perante clientes e a comunidade, o que pode
favorecer a escolha de clientes por empresas
ABSTRACT
socialmente responsáveis. Por outro lado, o
investimento em projetos sociais proporciona
Social responsibility has been embedded in
um melhor ambiente de trabalho para os cola-
organizations as a result of social changes that
boradores, por meio de um relacionamento sau-
impact them strongly. In this context, business
dável com a empresa. Entre esses benefícios,
management starts to engage in actions that aim
pode ser elencada maior oportunidade para
to minimize the socio-environmental impacts
desenvolvimento profissional e pessoal, bem
resulting from growth. However, authors who
como retornos como incentivo a voluntariado e
debate the issue of social responsibility draw
educação ambiental.
attention to the fact that a sustainable company

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AUTORES | Andriele Pinto de Amorim | Milena Cirino Capelo 79

seeks a balance between external and internal ron presentadas por tres niveles jerárquicos de
performance. In this sense, it’s necessary to la empresa y analizadas por un grupo de cola-
reflect on how companies can promote social boradores operacionales. Se constató que existe
responsibility for employees. This study propo- en la organización una fuerte cultura apuntada
ses a reflection about the relationship between a la responsabilidad social y que las prácticas
people management and internal social respon- de gestión de personas son orientadas por sus
sibility, through a qualitative research in a com- principios. La responsabilidad social es, así, un
pany of the construction industry of Ceará. The elemento pertinente para la ventaja competitiva
practices of internal social responsibility were de la empresa.
presented by members of three hierarchical le-
vels of the company and analyzed by a group of Palabras-clave: Responsabilidad social. Res-
operational employees. It was found that there ponsabilidad social interna. Gestión de personas.
is a strong culture in the organization focused
on social responsibility, and that people mana- 1 Este artigo foi originalmente apresentado e premiado
em 1º lugar no XIII Encontro de Iniciação à Pesquisa
gement practices are guided by such principles.
e à Docência e XI Encontro de Pesquisadores da Uni-
Social responsibility is therefore a relevant ele- christus. Disponível em: <[Link]
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contexto, la gestión empresarial pasa a tener
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compromiso en acciones que se proponen a mi-
ponsabilidade social e empresa sustentável:
nimizar los impactos socio ambientales decur-
da teoria à prática. São Paulo: Saraiva, 2012.
rentes del crecimiento. Pero autores que discu-
ten el tema de la responsabilidad social llaman
BARDIN, L. A análise de conteúdo. Lisboa:
la atención para el hecho de que la empresa sus-
Ed. 70, 2011.
tentable busca un equilibrio entre la actuación
externa y la interna. En ese sentido, se requiere
CARROLL, A. B. A. Three-dimensional con-
una reflexión acerca de cómo las empresas pue-
ceptual model of corporate performance. Aca-
den promover la responsabilidad social para los
demy of Management Review, United States,
colaboradores. Ese estudio propone la reflexión
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82 ARTIGOS | Análise do nível de maturidade em gerenciamento de projetos em uma agência de publicidade da região do Cariri

doi:10.12662/2359-618xregea.v5i2.p82-99.2016

ARTIGOS

ANÁLISE DO NÍVEL DE MATURIDADE EM


GERENCIAMENTO DE PROJETOS EM UMA
AGÊNCIA DE PUBLICIDADE DA REGIÃO DO
CARIRI

RESUMO

O tema gerenciamento de projetos tornou-se para as organizações


um fator diferencial para a permanência em um mercado altamen-
te competitivo. Tidos como complexos, a maioria dos projetos ne-
cessita de um profundo gerenciamento em seu ciclo de vida. Pro-
curar alcançar um maior nível de maturidade em gestão de projetos
tem sido uma preocupação constante das organizações que bus-
cam atingir o sucesso em seus projetos. Desse modo, este trabalho
expõe um estudo de caso a analisar o nível atual da maturidade
em gerenciamento de projetos em uma empresa de publicidade
localizada na cidade de Juazeiro do Norte, Ceará. Para isso, foram
estabelecidos os seguintes objetivos específicos: a) identificar o
nível de maturidade da empresa realizando um estudo compara-
tivo ao modelo Prado-MMGP; b) indicar caminhos a seguir de
acordo com o modelo para evoluir ao nível seguinte, e indicando
os seguimentos para desenvolver o plano de ações para evolução
do nível de maturidade, utilizando o Modelo Prado-MMGP. Con-
clui-se que a empresa em estudo apresenta o nível 1 (um) da escala
Thiago Bessa Pontes de maturidade pelo modelo proposto, o que representa um está-
[Link]@[Link] gio inicial e que não existe nenhum tipo de iniciativa organizada
Doutorando em Tecnologias para implantação do mesmo no ambiente de trabalho. Os projetos
da Informação e Comunicação
com ênfase em Technology
são executados e gerenciados de forma isolada, ou seja, tentativas
Enhanced Learning and Societal individuais de “boa vontade”, no planejamento, controle, proce-
Challenges pelo Instituto de dimentos padronizados que são utilizados de forma inadequada,
Educação da Universidade de uma vez que os projetos dificilmente chegam ao sucesso total.
Lisboa. Mestre em Ciência da
Dessa forma, foi proposto que a implantação de gerenciamento de
Computação pelo Centro de
Informática da Universidade projetos deva acontecer de forma gradual.
Federal de Pernambuco
(UFPE). Professor da Palavras-chave: Gerenciamento de Projetos. Nível de Maturida-
Universidade Federal do Cariri de. Modelo Prado-MMGP.
(UFCA). Juazeiro do Norte –
CE –BR.
1 INTRODUÇÃO
Valdi Geraldo Teixeira Junior
[Link]@[Link] Na atualidade, o gerenciamento de projetos é tido como a
Graduado em Análise e
Desenvolvimento de Sistemas
utilização de conhecimento, habilidades, ferramentas e técnicas às
pela Faculdade Leão Sampaio – tarefas do projeto com intuito de realizar as condições definidas do
Juazeiro do Norte –CE – Br. mesmo. Esse gerenciamento de projetos ocorre por meio da apli-

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 82-99, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTORES | Thiago Bessa Pontes | Valdi Geraldo Teixeira Junior 83

cação e da integração dos seguintes processos -MMGP, deve ser aplicado de maneira setorial,
de gerenciamento de projetos: iniciação, pla- em setores isolados, o que o torna um modelo
nejamento, execução, monitoramento, contro- departamental. Aplica-se o modelo nos setores
le e encerramento. Cabe ao gerente de projeto geralmente onde existe um portfolio de proje-
a responsabilidade de realizar o cumprimento tos renovado periodicamente, e onde geralmen-
dos objetivos do projeto (PROJECT MANA- te há um PMO (Project Management Office).
GEMENT INSTITUTE, 2008). A empresa de publicidade aqui estudada
Segundo Silveira (2008), no Brasil, cada está localizada na região do Cariri. A mesma
vez mais se torna notável que as organizações desenvolve projetos utilizando de forma míni-
buscam a implementação do gerenciamento de ma ou quase nula de ferramentas e técnicas da
projetos, com essa crescente demanda, as orga- gestão de projetos. Com o intuito de identificar
nizações sentem a necessidade de uma maior em qual âmbito se encontra a empresa no as-
compreensão dos benefícios e possibilidades de sunto relacionado a gerenciamento de projetos
aplicação nos negócios, utilizando esse geren- e quais passos seguir para evoluir nesse quesi-
ciamento de projeto como diferencial competi- to, faz-se necessária à análise do nível de matu-
tivo buscando maior sucesso em seus projetos. ridade em gerenciamento de projetos.
Diversos modelos de maturidade para A escolha dessa empresa partiu da cons-
gerenciamento de projetos podem ser encontra- tatação de que na região do cariri cearense há
dos na literatura e em uso em empresas bem um grande déficit de empresas que possuem
estruturadas. Em todos os casos, os modelos modelo organizacional baseado em projetos,
trazem cinco níveis de maturidade, porém pos- elemento crucial para a realização deste estu-
suem diferenças no conteúdo em cada nível. O do; desta forma, essa agência que se instalou
Project Management Institute, em 2003, lançou na região trazendo consigo a ideia de implantar
o seu próprio modelo chamado de OPM3, que gerenciamento de projetos em sua prática, tor-
é projetado para fornecer uma ampla gama de nou-se alvo deste estudo.
benefícios para organizações, gerência sênior e Pretende-se como objetivo geral desse
aqueles envolvidos em atividades de gerencia- estudo de caso analisar o nível atual da matu-
mento de projetos. Alguns dos benefícios deri- ridade em gerenciamento de projetos em uma
vados da utilização de OPM3 são os seguintes: empresa de publicidade localizada na cidade
a) fortalece a ligação entre planejamen- de Juazeiro do Norte-CE na região do cariri.
to estratégico e execução, de modo Para isso, foi estabelecido os seguintes objeti-
que os resultados do projeto são pre- vos específicos:
visíveis, confiáveis, consistentes e a) identificar o nível de maturidade da
correlacionados com o sucesso orga- empresa realizando um estudo com-
nizacional; parativo ao modelo Prado-MMGP;
b) identifica as melhores práticas que b) indicar caminhos a seguir de acordo
apoiam a implementação da estra- com o modelo para evoluir ao nível
tégia organizacional por meio de seguinte.
projetos bem-sucedidos; Esse trabalho está dividido em 5 partes.
Esta primeira tratando-se da introdução do es-
c) identifica as capacidades especí-
tudo realizado. A seguir o referencial teórico
ficas que compõem as Melhores
apresentando o que é um projeto, gerenciamen-
Práticas e as dependências entre to de projeto, o clico de vida e áreas de conhe-
essas Capacidades e Melhores cimento e maturidade em gerenciamento de
Práticas. projetos, e o modelo de maturidade PRADO-
Segundo Prado (2010) o modelo de -MMGP. Seguido da terceira parte com a me-
maturidade adotado desse estudo, o PRADO- todologia adotada. Na quarta parte apresenta-se

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o estudo de caso, e por fim, as conclusões e o volvidas no processo são de suma importância
referencial teórico usado como linha de base para a construção do objetivo traçado. Além
para este estudo. disso, ele destaca três fatores relevantes: pra-
zo, custo e qualidade, fatores que perduram du-
2 REFERENCIAL TEÓRICO rante toda a execução de um projeto e torna-se
uma tarefa difícil mantê-los atendidos.
Nesta seção, estão expostos os funda-
mentais conceitos indispensáveis para o enten- 2.2 DEFINIÇÃO DE GERENCIAMEN-
dimento do estudo. Inicialmente, são apresenta- TO DE PROJETOS
dos de forma básica as definições e os conceitos
sobre projeto, gerenciamento de projetos, ciclo Para Cleland e Ireland (2007, p. 15), a
de vida e áreas de conhecimento em gerencia- estrutura conceitual de gerenciamento de pro-
mento de projetos logo em seguida mostrar-se jetos é “um projeto consiste em uma combina-
o assunto maturidade em gerenciamento de ção de recursos organizacionais reunidos para
projetos e um detalhamento sobre o modelo de se criar uma capacidade de desempenho supe-
maturidade utilizado no estudo. rior na formulação e execução de estratégias
organizacionais.”
2.1 DEFINIÇÃO DE PROJETO Cleland e Ireland (2007), ainda falando
sobre principais funções do gerenciamento de
“Um projeto é um esforço temporário projetos, contextualiza que é inserido através
empreendido para criar um produto, serviço ou de um processo fundado nas funções básicas
resultado exclusivo” (PROJECT MANAGE- da administração: planejamento em que acon-
MENT INSTITUTE, 2008, p. 10). tece a produção dos objetivos, metas, e das
No texto acima, a afirmação esforço tem- estratégias para assim acontecer a utilização
porário contextualiza que todo projeto precisa dos recursos necessários. Organização é o
ter início e fim bem definidos e a palavra ex- momento em que ocorre a definição dos re-
clusivo significa que todos os projetos são dife- cursos humanos e não humanos necessários, o
rentes, ou seja, os produtos, serviços ou resul- direcionamento adequado para esses recursos
tados produzidos pelos mesmos, são distintos e a decisão dos papéis individuais e coletivos
de todos os outros gerados anteriormente. Por dos envolvidos diretamente. Motivação é o
exemplo, em dois projetos para construção de processo de estabelecer um método que extrai
uma casa, cada projeto tem sua equipe, com pe- das pessoas o melhor nível na execução das
culiaridades distintas, seus fornecedores, local atividades no projeto. Direção é onde existe
de execução da criação do produto, etc. a presença do gestor que com sua capacidade
Já Menezes (2009, p. 26) conceitua pro- de liderança irá garantir a aplicação das toma-
jeto como “um empreendimento único que deve das de decisões da melhor forma relacionadas
apresentar um início e um fim claramente defi- com o objetivo do projeto. Controle acontece
nidos e que, conduzido por pessoas possa atin- em paralelo com a execução do projeto, nesse
gir seus objetivos respeitando os parâmetros momento é efetuado o monitoramento e con-
de prazo, custo e qualidade.” Nessa definição, trole da utilização de forma correta dos recur-
é possível visualizar informações importantes sos disponíveis e procurar manter o projeto na
além de que o projeto é esforço único com iní- sua linha de base.
cio e fim. O autor enfatiza que é um empreen- Na perspectiva do Guia Project Manage-
dimento, que alguém está investindo em algo ment Institute (2008, p. 8), “O gerenciamento
e que existe um responsável por esse empre- de projetos é a aplicação de conhecimento, ha-
endimento, ou melhor, um gerente de projetos, bilidades, ferramentas e técnicas às atividades
levando em conta também que as pessoas en- do projeto a fim de atender a seus requisitos.”

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Por esse aspecto, gerenciar projetos incide de projeto trata os processos que devem ser rea-
forma organizada e estruturada, tornando aces- lizados, estabelecendo o que precisa ser exe-
síveis suas informações às áreas envolvidas, ao cutado para sua conclusão. Os processos de
mesmo tempo acompanhar por meio de marcos gerenciamento podem ser classificados em cin-
o desempenho dos projetos. co grupos: iniciação, planejamento, execução,
monitoramento/controle e encerramento onde
2.3 CICLO DE VIDA E ÁREAS DE CO- sua execução não segue uma sequência lógica
NHECIMENTO EM GERENCIA- podendo variar de projeto para projeto. (PRO-
MENTO DE PROJETOS JECT MANAGEMENT INSTITUTE, 2008).
A descrição dos cinco grupos de processos
O Ciclo de vida do gerenciamento de um tratados pelo PMBOK é informada no quadro 1:

Tipo do Processo Definição do Processo


Iniciação São os processos realizados para definir um novo projeto.
Planejamento Definem o escopo do projeto afim de refinar os objetivos e desenvolver as
ações para se alcançar os objetivos.
Execução Os processos realizados para executar as tarefas definida para o gerencia-
mento de projeto satisfazendo os objetivos do mesmo.
Monitoramento e Controle Identificar as áreas de mudanças para acompanhar e monitorar.
Encerramento Busca encerrar formalmente o projeto ou fase.
Quadro 1 - Descrição dos cinco grupos de processos do ciclo de vida de um projeto
Fonte: adaptado pelos autores deste trabalho com base em Project Management Institute (2008).

Os grupos citados acima estão conec- ciclo de vida mais adequado para o seu projeto
tados pelos seus objetivos, para o PMBOK em questão.
(PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE, O Project Management Institute (2008)
2008) não existe uma regra para estabelecer sugere nove áreas de conhecimento: integra-
este ciclo de vida ideal do projeto. Alguns ge- ção, escopo, tempo, custo, qualidade, recursos
rentes de projetos definem regras/políticas que humanos, comunicações, risco e aquisições
normalizam todos os projetos com um único ci- descritos no quadro 2.
clo de vida, enquanto outros podem aderir a um

Área de
Definição
conhecimento
Integração Processos e atividades necessárias para coordenar o gerenciamento de projetos
dentro dos grupos de gerenciamento.
Escopo São processos que garantem que o projeto inclua o trabalho necessário para con-
clui-lo de maneira eficiente.
Tempo São processos que monitoram o prazo e garantem que o projeto será finalizado de
acordo com o planejado.
Custo Garante que o orçamento planejado foi o executado.
Qualidade Abrange processos de organização e políticas de qualidade.
Recursos humanos Inclui as atividades que gerenciam as equipes do projeto. Incluem os stakeholders.
Comunicações Constitui em processos para acompanhar a comunicação do projeto, e garantir que
suas destinações finais das informações sejam coerentes.
Risco Controle do planejamento, tem como finalidade monitorar e reduzir os riscos para
garantir o menor impacto diante de eventos adversos.

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Aquisições São processos de compra, sendo estes bens ou serviços, também conhecidos como
gerenciamento de suprimentos ou contratos.
Quadro 2 - Descrição das nove áreas de conhecimento
Fonte: adaptado pelos autores deste trabalho com base em Project Management Institute (2008).

A relação entre os processos de gerenciamento e as áreas de conhecimento pode ser vista


como informa o Project Management Institute (2008) no quadro 3 abaixo:

Project Management Process Groups


Knowledge Initiating Executing Monitoring Closing
Areas Planning Process
Process Process & Controling Process
Group
Group Group Process Group Group
4.4 Monitor
and Control
4.3 Direct
4. Project Inte- 4.1 Deve- Project Work 4. Close
4.2 Develop Project and manage
gration Manage- lop Project 4.5 Perform Project or
Management Plan Project Exe-
ment Center Integrated Phase
cution
Change Con-
trol
5.1 Collect 5.4 Verify
5. Project Scope Requirements Scope
Management 5.2 Define Scope 5.5 Control
5.3 Create WBS Scope
6.1 Define Activities
6.2 Sequence Activities
6.3 Estimate Activity
6. Project Time 6.6 Control
Resources
Management Schedule
6.4 Estimate Acivity
Durations
6.5 Develop Schedule
7. Project Cost 7.1 estimate Costs 7.3 Control
Management 7.2 Determine Budget Costs
8. Project 8.2 Perfomr 8.3 Perform
Quality 8.1 Plan Quality Quality Assu- Quality Con-
Management rance trol
9.2 Acquire
9. Project Project Team
Human 9.1 Develop Human 9.3 Develop
Resource Resource Plan Project Team
Management 9.4 Manage
Project Team
10.3 Distrib-
10.1 ute Informa-
10. Project Com-
Identify 10.2 Plan tion 10.5 Report
munications
Stakehol- Communications 10.4 Manage Performance
Management
ders Stakeholder
Expectations

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11.1 Plan Risk


Management
11.2 Identidy Risks
11.3 Perform
Qualitative Risk 11.6 Monitor
11. Project Risk
Analysis and Control
Management
11.4 Perform Risks
Quantitative Risk
Analysis
11.5 Plan Risk
Responses
12. Project 12.3 Adminis- 12.4 Close
12.2 Conduct
Procurement 12.1 Plan Procurements ter Procure- Procure-
Procurements
Management ments ments
Quadro 3 - Grupos de processos do gerenciamento de projetos
Fonte: Project Management Institute (2008, p. 434).
Isso posto, tem-se que para o ciclo de to e na aplicação da gestão de projetos, analisando
vida no gerenciamento de projetos, de acor- as circunstâncias que as organizações podem ser
do com as boas práticas definidas pelo PMI, visualizadas como uma coleção de projetos, con-
apresentam-se em cinco grupos de processos: siderando que o gerenciamento de projetos se faz
Iniciação, Planejamento, Execução, Monitora- presente em toda organização em que o progresso
mento e Controle, e Encerramento, e que cada da maturidade torna-se necessário.
grupo de processos deve possui nove áreas de Conforme afirma o (PROJECT MANA-
conhecimento como: integração, escopo, tem- GEMENT INSTITUTE, 2008, p. 31) “os proje-
po, custo, qualidade, recursos humanos, comu- tos também podem ser influenciados pelo grau
nicações, risco e aquisições. Essas áreas, que de maturidade da organização em relação ao
se relacionam com os grupos que definem os gerenciamento de projetos e seus sistemas de
44 processos do gerenciamento de projetos em gerenciamento dos mesmos.” Entende-se que
acordo com a 4a edição do PMBOK. quão maior o nível de maturidade da organi-
zação maior a possibilidade de sucesso de um
2.4 MATURIDADE EM GERENCIA- determinado projeto.
MENTO DE PROJETOS Para Prado (2008), o conceito de ma-
turidade em gestão de projetos está ligado a
Conforme o dicionário Rios (2008, p. quão hábil uma organização está em gerenciar
333) o significado de maturidade é o “estado ou seus projetos.
condição de maduro, em que as pessoas ou coi- Dessa forma, quando cultivado o con-
sas atingem seu desenvolvimento.” Depositan- ceito de maturidade de uma organização, con-
do a condição de madura em uma organização, selho o nível em que esta se encontra, ou seja,
entende-se que ela administra seus processos de em seus processos organizacionais existe um
forma eficaz, em que seus objetivos são alcan- grau de qualidade que torna possível alcançar
çados com excelência e que ela se predispõe a seus objetivos.
constante evolução. Seguindo o raciocínio, para Todos estes aspectos estão se tornando
Andersen e Jessen (2003, p. 457), “o conceito de bastante difundidos ultimamente, visto que as
maturidade aplicado a uma organização é o es- empresas estão cada vez mais conscientes tanto
tado alcançado quando ela se encontra em con- da importância do gerenciamento de projetos
dições perfeitas para atingir os seus objetivos.” para concretizar suas estratégias como de que
Assim como relata Kerzner (2011), as orga- existe um caminho de amadurecimento para se
nizações necessitam amadurecer no conhecimen- atingir a excelência (PRADO, 2008).

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Ultimamente, todos esses aspectos sobre as organizações se apresentam e, então, suge-


maturidade estão se tornando bastante expandi- rir um plano de evolução para elas. O modelo
dos, em razão de que as empresas estão gradati- pode ser utilizado em exercício a setores isola-
vamente conscientes do grau da importância do dos de uma organização, tal como a corporação
gerenciamento de projetos para consolidar de de forma global (PRADO, 2008).
forma alinhada seus objetivos e estratégias, de Segundo Prado (2008), o MMGP ou Pra-
maneira de é fato a existência de uma trajetória do-MMGP define cinco níveis de maturidade
de amadurecimento para se alcançar a excelên- para classificar o estágio de gerenciamento de
cia (PRADO, 2008). projetos em uma organização: Inicial; Conhe-
cido; Padronizado; Gerenciado e Padronizado.
2.5 MODELO DE MATURIDADE EM Permeando esses níveis existem seis dimensões
GERENCIAMENTO DE PROJE- atuando em cada um deles, as veemências das
TOS: PRADO-MMGP dimensões são obtidas nos distintos níveis de
maturidade.
O modelo Prado-MMGP foi desenvolvi-
mento com intuito de auxiliar a equipe do Ins-
tituto de Desenvolvimento Gerencial – INDG a
avaliar e medir em qual estágio de maturidade

Figura 1 - Dimensões e níveis de maturidade


Fonte: Prado (2008, p. 1).

As dimensões de maturidade segundo tos estes precisam estar intensamente


Prado (2008): difundidos entre os envolvidos com
a) conhecimento de gerenciamento – projetos;
está dimensão é constituída pelos b) uso da metodologia – uma metodo-
conhecimentos de gerenciamento de logia de gerenciamento de projetos
projetos e das práticas de gestão uti- comporta uma sequencia de passos
lizadas na organização. Conhecimen- que deve ser executados de forma

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rigorosa para garantir a aplicação ais em que geralmente o planejamento


correta de métodos, técnicas e ferra- e o controle são quase inexistentes. A
mentas. Essa metodologia pode ter padronização dos procedimentos não
pequenas variações entre os setores é efetuada, consequentemente a pro-
da organização, entretanto é suma babilidade de atraso, orçamento estou-
importância que exista apenas uma rado e especificações do projeto não
única metodologia; atendidas é muito alta;
c) informatização – vários aspectos da b) Nível Dois: Conhecido:
metodologia necessitam do apoio de - no segundo nível, a empresa inicia
um Sistema de Gerenciamento de seus esforços de forma coordenada na
Projetos, para que haja uma maior inserção de conhecimento no assunto
rapidez nas decisões e organização e gerenciamento de projetos, com treina-
controle dos processos; mentos e de forma isolada a utilização
d) estrutura organizacional – inúmeras de software e padronização de proces-
vezes os diferentes setores da orga- sos. É visível uma pequena melhoria,
nização são envolvidos na execução entretanto pela falta de uma metodolo-
de um projeto, e para maximizar os gia instalada o conhecimento adquirido
resultados e diminuir os conflitos de- não é totalmente aplicado e assim ocor-
ve-se definir a melhor estrutura orga- rente os mesmos problemas;
nizacional; c) Nível Três: Padronizado:
e) relacionamentos humanos – em um - acontece à implantação e utilização
projeto é fato que são as pessoas que de um modelo padronizado basea-
executam as atividades, é de essencial do em uma metodologia, recursos
que elas atuem da melhor forma pos- tecnológicos e estruturação da orga-
sível. Para que isso venha acontecer nização. Para que isso aconteça, é
é necessário que elas estejam motiva- necessário que todos os envolvidos
das a executar suas tarefas. Os con- tenham conhecimento sobre o mo-
flitos acontecidos entre os envolvidos delo implantado, como também uma
no projeto acabam de alguma forma pequena experiência do mesmo. Esse
prejudicando os projetos e a organi- modelo e a estrutura organizacional
zação, estes podem ser evitados; devem estar alinhados com as estra-
f) alinhamento com os negócios – é es- tégias da organização;
sencial que os projetos executados d) Nível Quatro: Gerenciado:
pela organização estejam diretamente - nesse estágio, podemos visualizar a
alinhados com os negócios da organi- continuidade da prática do modelo apli-
zação. cado no nível 3 (três) em que é avaliado
De acordo com Prado (2008), no que re- o funcionamento do mesmo e o aper-
fere aos níveis de maturidade, o modelo MMGP feiçoamento dos aspectos: Estrutura
expõe as seguintes características: Organizacional; Metodologia e Infor-
a) Nível Um: Inicial: matização. O quarto nível inicia tam-
- o nível 1 (um) da escala de maturi- bém as técnicas de lições aprendidas,
dade representa um estágio em que o armazenando e analisando as informa-
setor não exerce de nenhuma forma ções sobre cada projeto encerrado com
esforços coordenados para implemen- intuito de que os erros aconteçam em
tação de gerenciamento de projetos. menor número e assim, é notório que
Os vários projetos do setor são realiza- as metas vão sendo atingidas com um
dos isoladamente por ações individu- melhor nível de sucesso;

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e) Nível Cinco: Otimizado:


- apresenta um cenário onde a organi- totalmente adequados às necessida-
zação atinge um nível de excelência des da organização de forma alinhada
nos níveis 2,3 e 4. A cultura do geren- com os objetivos preestabelecidos.
ciamento de projetos está estabeleci- Assim, os projetos executados terão
da e amplamente disseminada, sendo um nível muito elevado de sucesso.
praticada no dia a dia, a metodologia Nessa perspectiva, segue para uma me-
se faz eficaz em sua aplicação, se o lhor observação o Quadro 4 que trata do rela-
modelo de gerenciamento de projetos cionamento das dimensões e dos níveis de ma-
e a estrutura organizacional estiverem turidade.
Nível de Maturidade
Dimensões da
Maturidade 1 2 3 4 5
Inicial Conhecido Padronizado Gerenciado Otimizado
Conhecimentos Dispersos Básicos Básicos Avançados Avançados
Tentativas Implantação e
Metodologia Não há Estabilizada Otimizada
isoladas Padronizada
Tentativas Tentativas
Informatização Implantada Estabilizada Otimizada
isoladas isoladas
Estrutura Orga-
Não há Não há Implantada Estabilizada Otimizada
nizacional
Relacionamen-
Boa vontade Algum avanço Algum avanço Algum avanço Maduros
tos humanos
Alinhamento
Não há Não há Iniciado Alinhado Alinhado
com estratégias
Quadro 4 - Relacionamento entre as dimensões e os níveis de maturidade
Fonte: Prado (2008, p. 5).

É possível visualizar as principais características de cada nível e a perspectiva de sucesso


associado aos projetos no quadro abaixo:

Índice de
Níveis Resumo das características Cenário típico
sucesso
- Nenhuma iniciativa da organização
Desalinhamento
1 - Iniciativas pessoais isoladas Baixo
total
- Resistência à inclusão de uma nova cultura
- Treinamento básico de gerenciamento para os principais
Alinhamento de Alguma
2 envolvidos com projetos
negócios melhoria
- Estabelecimento de uma linguagem comum
- Metodologia desenvolvida, implantada e testada
Alinhamento de Melhoria
3 - Informatização de partes da metodologia
metodologia Acentuada
- Estrutura organizacional implantada
- Treinamento avançado
Alinhamento de
- Alinhamento com os negócios da organização
estratégias Melhoria
-Comparação com benchmarks
4 mais acen-
- Identificação de causas de desvios da meta
Conhecimento do tuada
- Melhorias na metodologia
ambiente
- Relacionamentos humanos eficientes e harmônicos

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- Grande experiência em gerenciamento de projetos


- Sabedoria Uso da experiência Próximo de
5
- Capacidade para assumir riscos maiores acumulada 100%
- Preparo para um novo ciclo de mudanças
Quadro 5 - Principais características de cada nível de maturidade
Fonte: Prado (2008, p. 5).

Entendendo então que a prática de geren- investigação de problemas teóricos ou práticos


ciamento de projetos pode trazer para a gestão por meio do emprego de processos científicos.”
resultados mais expressivos, e que com essas Para alcançar o objeto já citado no pre-
práticas quando aculturadas nos setores da em- sente trabalho, foi definido, como artificio
presa, quando são cotidianamente aplicadas nas metodológico, o estudo de caso. Segundo Gil
tarefas, caracterizam de forma evolutiva seu (2009), o estudo de caso, tem como caracterís-
nível de maturidade. Para o modelo de matu- tica o intenso e profundo estudo sobre um ou
ridade em gerenciamento de projetos PRADO- mais objetivos, possibilitando um conhecimen-
-MMGP chegar ao quinto e último nível desse to amplamente detalhado sobre o mesmo.
modelo, o nível otimizado, garante um índice Para realizar o estudo de caso proposto,
de sucesso próximo ao 100% do esperado, que foi tomado como referência o diagrama de mé-
vão desde o conhecimento em gerenciamento todos de múltiplos estudos de caso de Yin como
de projetos ao alinhamento com as estratégias. pode ser visto a seguir (Figura 2).

3 METODOLOGIA

Para Cervo, Bervian e Silva (2007, p.


28), “a pesquisa é uma atividade voltada para a

Figura 2 - Métodos de múltiplos estudos de caso


Fonte: (GRAY, 2012, p. 204).

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Os procedimentos metodológicos serão Não é possível generalizar os resultados da


divididos em três partes consecutivas. A pri- amostra para a população, pois amostras não
meira, “definir e desenhar”, objetiva criar esta probabilísticas não garantem a representativi-
metodologia de avaliação além de selecionar de dade da população.” Entre a amostra não proba-
maneira qualitativa os agentes a serem analisa- bilística, adotou-se a amostragem intencional.
dos. A segunda, “preparar, coletar e analisar”, A escolha dessa empresa partiu do pon-
é referente ao estudo de caso feito em campo, to de que, na região do cariri cearense há um
propriamente dito, que deverá ser guiado à luz grande déficit de empresas que possuem mode-
da metodologia criada na primeira etapa. Por lo organizacional baseado em projetos, elemen-
fim, a terceira etapa, “Analisar e Concluir”, que to crucial para a realização desse estudo, desta
será feita com base no levantamento de múlti- forma essa agência que se instalou na região
plos casos combinados com momento de entre- trazendo consigo a ideia de implantar geren-
vista com os agentes. ciamento de projetos em sua prática, tornou-se
Primeiramente foi efetuada uma revisão alvo desse estudo.
bibliográfica a respeito dos modelos de matu- A partir do resultado desse levantamen-
ridade existentes e com isso selecionar o me- to e a identificação do nível de maturidade,
lhor modelo para ser aplicado. Segundo Cervo, torna-se possível traçar caminhos para que a
Bervian e Silva (2007), a pesquisa bibliográfica empresa estudada aprimore relativamente à
busca desenvolver e apresentar um problema eficácia dos recursos alocados em seus proces-
baseado em referências teóricas divulgadas em sos, tal como, apontar estratégias para evoluir
artigos, livros, dissertações e teses. sua maturidade.
Analisando a universalidade e aplicabili-
dade em todo tipo de organização, foi escolhido 4 ESTUDO DE CASO
para aplicação o modelo Prado-MMGP, tendo em
vista que o prazo de aplicação é razoável com o 4.1 DESCRIÇÃO DA EMPRESA
tempo para conclusão deste estudo. Foi realizada
a aplicação de um questionário determinado pelo A empresa na qual foi efetuado o estudo
modelo escolhido, pelo qual é possível identifi- da pesquisa é uma agência de publicidade com
car o valor global de maturidade, que também seu escritório localizado na região do Cariri. É
determina o perfil de aderência aos níveis, apre- responsável por planejar e executar de forma
sentando o desenvolvimento da empresa sobre os eficiente campanhas de publicidade. A mesma
quesitos do seu nível. Desse modo, a ferramenta constitui-se de uma equipe de 5 (cinco) profis-
utilizada na pesquisa é de natureza quantitativa. sionais. Seus principais clientes são empresas
Segundo Chizzotti (2006) o método quantitativo localizadas na mesma região.
tem o proposito de mensurar variáveis preesta- A agência foi criada em julho de 2012
belecidas, examinando e buscando explicar sua com a intenção de trazer para a região do
influência sobre outras variáveis, mediante a aná- Cariri uma proposta ainda pouco explorada,
lise da regularidade de acontecimentos estatistica- uma agência de publicidade que tenha como
mente correlacionados. objetivo dar apoio ao cliente mostrando que a
Foram inquiridos 5 participantes, que comunicação não é apenas um custo, mas um
atuam desde o setor de atendimento ao clien- investimento visando à melhoria da empresa
te, a planejamento estratégico e gestão de alto contratante.
nível da agência. Para essa amostra foi adotada Ela atua com serviços de planejamento
um tipo de amostragem não probabilística pois de comunicação, planejamento de mídia, cria-
para Martins (2002, p. 195), amostras não pro- ção publicitária e gerenciamento de redes so-
babilísticas são “amostragens em que há uma ciais. Até o presente estudo, a agência atende a
escolha deliberada dos elementos da amostra. cerca de 20 clientes da região.

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Este trabalho tem como objetivo ana- (cinco) profissionais na equipe e a existência de
lisar o nível atual da maturidade em geren- um único líder. Foi utilizada a técnica brains-
ciamento de projetos em uma empresa infra torming no processo de definição as respostas
citada. Para isso foi estabelecido os seguintes que propiciou os resultados obtidos na iden-
objetivos específicos: tificação da maturidade em gerenciamento de
a) identificar o nível de maturidade da projetos da organização. Todos os profissionais
empresa realizando um estudo com- do grupo da organização avaliada são jovens
parativo ao modelo Prado-MMGP. Por com faixa etária entre 20 e 25 anos com exce-
entender que este modelo de maturida- ção do líder, profissionais esses que acumulam
de é o mais indicado para ser analisado, funções nos projetos, pois não existem setores
de fácil identificação e implantação; definidos. A figura 3 abaixo mostra a pontuação
b) indicar caminhos a seguir de acordo de cada nível do questionário.
com o modelo para evoluir ao nível
seguinte, e indicando os seguimentos
para desenvolver o plano de ações
para evolução do nível de maturidade,
utilizando o modelo Prado-MMGP.
Com esse objetivo específico, procu-
ra-se dar um destino prático a este es- Figura 3 - Pontuação dos níveis do questionário
tudo, entregando a empresa estudada Fonte: dados da pesquisa (2014).
como fazer para implantar as melho- Por fim, a nota global da avaliação final
rias e avanços na qualidade dos servi- do nível de maturidade em gerenciamento de
ços prestados. projetos igual a 1.87 leva à interpretação de que
a empresa participante do estudo se enquadra no
4.2 RESULTADOS nível 1 (um) do modelo Prado-MMGP; entretan-
to, podemos observar também que a média está
A aplicação da pesquisa maturidade em quase alcançando o nível de 2 (dois), o que indi-
gerenciamento de projetos utilizando o modelo ca que a mesma já está iniciando as característi-
Prado-MMGP foi efetuada no mês de junho do cas do próximo nível. Abaixo o cálculo:
ano de 2014 visando analisar o nível de maturi- AFM = (100 + total de pontos) / 100
dade e identificar as principais carências antes O quadro abaixo mostra de forma clara o
de apresentar um plano para melhoria e evo- perfil de aderência em cada nível. O nível 2 en-
lução. A empresa em questão atuante no mer- contra-se com 30%, o nível 3 e 4 com aderência
cado de 2012 a 2014, constituísse de apenas 5 de 20% e o nível 5 com 0%.

Nível Pontos 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Nível 2 33

Nível 3 26

Nível 4 28

Nível 5 50

Quadro 6 - Perfil de aderência dos níveis


Fonte: dados da pesquisa (2014).

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Quanto à aderência às dimensões, figura 22%. As dimensões: estrutura organizacional,


4, a empresa obteve o maior valor na dimensão alinhamento estratégico, competência compor-
informatização, com 25%. O menor valor foi na tamental e competência em gerenciamento de
dimensão competência comportamental, com projetos tiveram um perfil de aderência dito
apenas 12%. Alinhamento estratégico está com “Fraca”. As demais dimensões tiveram um per-
16%, estrutura organizacional 17%, competên- fil de aderência dito “Regular” (PRADO; OLI-
cia técnica e Contextual 23% e metodologia VEIRA, 2014a).

Figura 4 - Perfil de Aderência inicial das dimensões de maturidade do modelo MMGP


Fonte: dados da pesquisa (2014). adaptado pelos autores deste trabalho com base em Prado e Oliveira (2014).

Segundo Prado (2008), o nível 1 (um) conflitos e improdutividades oriun-


em gerenciamento de projetos não existe ne- dos de relacionamentos humanos;
nhum tipo de iniciativa organizada para sua Não alinhamento com os negócios da
implantação no ambiente de trabalho. Os pro- empresa.
jetos são executados e gerenciados de formas
isoladas, ou seja, tentativas individuais de “boa De acordo com Prado (2014. p. 6), as
vontade”, no planejamento, controle, procedi- principais Consequências do nível 1(um):
mentos padronizados que são utilizados de for- “Atrasos (em prazos); Over run (em custos);
ma inadequada, em que os projetos dificilmente Mudanças de escopo durante o projeto; Não
chegam ao sucesso total. atendimento total dos indicadores de eficiência
De acordo Prado (2014, p. 6), as princi- que seriam obtidos após a implementação do
pais características do nível 1 (um): projeto; Insatisfação do cliente.”
Os resultados obtidos no estudo refletem
Nível de conhecimento não uniforme nas principais características e consequências
entre os principais envolvidos com listadas acima. Apontando quais aspectos de-
gerenciamento de projetos; Inexistên- vem ser melhorados na organização.
cia de metodologia e uso incompleto
de métodos, técnicas e ferramentas
computacionais; Estrutura organi-
zacional inadequada; Existência de

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4.3 COMPARANDO A AVALIAÇÃO DE realizadas anualmente por empresas e profis-


MATURIDADE DESTE TRABA- sionais que desejam avaliar em que nível de
LHO COM MÉDIA DO BRASIL maturidade em gerenciamento de projetos se
encontra de acordo com o modelo definido por
Desde o inicio de 2005 o sitio <http:// Prado efetuando o questionário on-line acessí-
[Link]> (PRADO; OLI- vel no sitio.
VEIRA, 2014) fornece resultados de pesquisas

Figura 5 - Comparação Empresa Avaliada e Relatório Geral: Maturidade Brasil 2012


Fonte: dados da pesquisa (2014). adaptado pelos autores deste trabalho com base em Prado e Oliveira(2014).

Observando a figura acima, visualizamos 4.4 PLANO DE AÇÃO PARA EVOLU-


que a empresa analisada no estudo está abaixo ÇÃO DE MATURIDADE PARA O
da média nacional, segundo dados coletados da NÍVEL 2 (DOIS)
pesquisa efetuada perdurante os meses de se-
tembro e dezembro do ano de 2012 pelo sitio Conforme aplicação da avaliação final
referenciado no paragrafo anterior, pautado nas do nível de maturidade na empresa foi diagnos-
análises do Relatório Geral: Maturidade Brasil ticada, em qual nível de maturidade encontra-se
2012, em que obteve o numero de 434 (quatro- e com a apreciação das dimensões, apontando
centos e trinta e quatro), participantes de todos as principais carências da própria. A relevância
os perfis de organizações brasileiras. Os dados atingida na pesquisa, AFM 1,87 nível 1 (um), o
adquiridos são originados de um total de 8.680 percentual de aderência dos níveis e a aderên-
(oito mil seiscentos e oitenta), projetos. cia às dimensões torna viável definir um plano
O resultado final da pesquisa do rela- de evolução para os próximos níveis de matu-
tório geral: maturidade Brasil 2012, resultou ridade.
uma maturidade média de 2,60. Esse valor é O plano de evolução de maturidade tem
um pouco acima da maturidade da empresa em como ponto de partida as principais deficiên-
questão no estudo que é 1,87, entretanto, as va- cias identificadas nas dimensões de maturidade
riações da aderência às dimensões da empresa conforme dados da pesquisa apresentados an-
são relativamente comparadas com os resulta- teriormente.
dos da pesquisa do nacional. Considerando os níveis de maturidade e

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96 ARTIGOS | Análise do nível de maturidade em gerenciamento de projetos em uma agência de publicidade da região do Cariri

cultivando esforços de feitio apropriado nas di-


mensões, com a finalidade de atingir melhores
chances de alcançar sucesso na concretização
de mudanças e avanços no processo de geren-
ciamento de projetos.
É importante salientar que o plano
de capacitação deve além de abordar as
necessidades atuais, deve fazê-lo também às
que estarão por vir nos níveis seguintes. Para
definir essa capacitação devem-se levar em
consideração algumas características:
1. “Estar alinhado com as tendências
mundiais” (PRADO, 2014, p. 6).
A fonte de informações utilizada para ad-
quirir conhecimento deve estar alinhada com as Figura 6 - Dimensões e níveis de maturidade segun-
tendências mundiais no que se desrespeito ao do o MMGP
conhecimento em gerenciamento de projetos. Fonte: (CRUZ, 2013).
Na atualidade um dos padrões que conquistou
espaço mundialmente no assunto é o “PMBOK Conforme Prado e Oliveira (2014) no ní-
Guide”, publicado pelo PMI (PROJECT MA- vel 2 (dois), existe um cenário em que houve
NAGEMENT INSTITUTE, 2008). algum esforço organizado no proposito de de-
2. “Ser adequada ao tipo de empresa (ou senvolver uma linguagem comum para adquirir
setor da empresa)” (PRADO, 2014, o conhecimento em gerenciamento de projetos,
p. 6). portanto é efetuado um planejamento para de-
A capacitação definida deve também es- finição da uma capacitação com os principais
tar centrada ao tipo de ambiente organizacional envolvidos nos projetos da empresa, de forma
encontrado na empresa, pois os diferentes ter- alinhada com a atualidade no assunto e com o
mos utilizados diferenciam-se de acordo com momento atual da organização.
as diversas áreas de atuação. Como está escrito, a empresa estudada
3. “Respeitar a cultura gerencial exis- se encontra no nível 2 no limite para o nível 3.
tente” (PRADO, 2014, p. 6). Analisando a figura 6 acima percebe-se que os
É importe que a terminologia definida na benefícios do nível 3 serão grandes, pois a em-
aplicação do conhecimento esteja parecida com presa sairá do conhecimento em gerenciamento
as demais exercidas internamente na empresa, de projetos para o uso prático de metodologia,
pois alguns documentos com intenções seme- um nível de informatização e atuação na estru-
lhantes passaram a surgir futuramente. tura organizacional, de tal forma que esse es-
Para uma melhor visualização segue forço para mudar de nível é indicado e que deve
abaixo uma figura com as dimensões do mode- ser empregado.
lo Prado-MMGP com a evolução dos níveis de
maturidade de forma sequencial. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho expos um estudo de caso


com o objetivo de analisar o nível atual da ma-
turidade em gerenciamento de projetos, em
uma empresa de publicidade localizada na ci-
dade de Juazeiro do Norte Ceará. Para isso, foi
estabelecido os seguintes objetivos específicos:

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a) identificar o nível de maturidade da empresa ANALYSIS OF THE MATURITY


realizando um estudo comparativo ao modelo LEVEL OF PROJECT
Prado-MMGP, e b) indicar caminhos a seguir MANAGEMENT IN AN
de acordo com o modelo para evoluir ao nível ADVERTISING AGENCY OF THE
seguinte, e indicando os seguimentos para de- CARIRI REGION
senvolver o plano de ações para evolução do
nível de maturidade, utilizando o modelo Pra-
ABSTRACT
do-MMGP
Conclui-se que foi atingido e identificado
Project management has become a differential
o nível 1 (um) de maturidade em gerenciamen-
factor for organizations to remain in a highly
to de projeto seguindo o modelo Prado-MMGP.
competitive market. Considered as complex,
Com os resultados apresentados o presente es-
most projects need a thorough project manage-
tudo evidencia que a implementação do geren-
ment in their life cycle. Achieving a higher level
ciamento de projeto deve acontecer de forma
of maturity in project management has been a
gradual, tendo em vista que os resultados ava-
constant concern among the organizations that
liados das ações de planejamento, em termos de
seek to achieve success in their projects. Thus,
sua eficácia, sejam aceitos e de forma continua
this paper presents a case study with the purpose
explorado pelo ambiente organizacional.
to analyze the current maturity level of project
Este trabalho limitou-se a identificar que
management in an advertising company located
a empresa em estudo se encontra um estágio
in the city of Juazeiro do Norte, Ceará. For this
inicial de gerenciamento de projetos, e que
purpose, the following specific objectives were
não existe nenhum tipo de iniciativa organi-
established: a) identify the maturity level of the
zada para implantação do mesmo no ambiente
company by carrying out a comparative study
de trabalho. Os projetos são executados e ge-
conforming Prado’s MPCM model; b) indicate
renciados de forma isolada, ou seja, tentativas
the ways to evolve to the next level according
individuais de “boa vontade”, no planejamen-
to the model, indicating the follow-ups to deve-
to, controle, procedimentos padronizados que
lop the action plan for the evolution of the ma-
são utilizados de forma inadequada, em que os
turity level, using the Prado’s MPCM model. It
projetos dificilmente chegam ao sucesso total.
was concluded that the company under study
Houve dificuldades no início pois a cultura de
presents level 1 (one) on the maturity scale by
gerenciamento de projetos não é conhecida na
the proposed model, which represents an initial
região geográfica do estudo, em que poucas
stage; and that there are no organized initiati-
empresas buscam aprimoramento do capital in-
ves taken by the organization to implement it
telectual nesse ramo.
in the work environment. Projects are usually
Em um futuro próximo, estima-se que
managed and executed in isolated ways, that is,
o estudo possa ser estendido a outras áreas de
individual attempts of “goodwill”, of planning
atuação, como indústria e Governo, e ainda,
and control, misusing standardized procedures,
coletar dados nas empresas das cidades pró-
resulting in projects that rarely achieve total
ximas, podendo assim fazer um mapeamento
success. For that reason, the implementation of
geográfico na região do Cariri sobre a atuação
project management should happen gradually.
do gerenciamento de projetos, visto que a men-
suração do nível de maturidade proporciona à
Keywords: Project Management. Maturity
organização uma percepção sobre suas forças
Level. Prado’s MPCM Model.
e fraquezas, tendo como importante direciona-
mento a elaboração de plano de atividades para
a melhoria do sucesso de seus projetos.

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ANÁLISIS DEL NIVEL DE REFERÊNCIAS


MADUREZ EN GERENCIA DE
PROYECTOS EN UNA AGENCIA DE ANDERSEN, E. S.; JESSEN, S. A. Project Ma-
PUBLICIDAD DE LA REGIÓN DEL turity in Organizations. International Journal
CARIRI of Project Management, United Kingdom, n.
21, p. 457-461, 2003.
RESUMEN
CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A.; SILVA, R.
Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Pear-
El tema de la gerencia de proyectos se tornó
son, 2007.
para las organizaciones un factor diferencial
para permanecer en un mercado altamente com-
CHIZZOTTI, A. Pesquisa em ciências hu-
petitivo. Tenidos como complejos, la mayoría
manas e sociais. 8. ed. Rio de Janeiro: Vozes,
de los proyectos necesita de larga gerencia de
2006.
proyectos en su círculo de vida. Lograr alcanzar
un más grande nivel de madurez en gestión de
CLELAND, D. L.; IRELAND, L. R. Geren-
proyectos ha sido una preocupación constante
ciamento de projetos. 2. ed. Rio de Janeiro:
de las organizaciones que buscan obtener suce-
LTC, 2007.
so en sus proyectos. De ese modo, ese trabajo
expone un estudio de caso para analizar el nivel
CRUZ, F. Da onde estou para onde vou: a ma-
actual de la madurez en gestión de proyectos en
turidade em GP. 2013. Disponível em: <http://
una empresa de publicidad ubicada en la ciudad
[Link]/maturidademmgp/>.
de Juazeiro do Norte, en Ceará. Para eso, se es-
Acesso em: 01 jun. 2014.
tablecieron los siguientes objetivos específicos:
a) identificar el nivel de madurez de la empresa,
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pes-
realizando un estudio comparativo al Modelo
quisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
Prado-MMGP; b) indicar los caminos a seguir,
de acuerdo con el modelo, para evolucionar
GRAY, D. E. Pesquisa no mudo real. 2. ed.
al nivel siguiente, e indicando los seguimien-
Porto Alegre: Penso, 2012.
tos para desarrollar el plano de acciones para
evolución del nivel de madurez, utilizando el
KERZNER, H. Project management metrics,
Modelo Prado-MMGP. Se concluye que la em-
KPIs, and dashboards: a guide to measuring
presa en estudio presenta el nivel 1 (uno) de la
and monitoring project performance. New Jer-
escala de madurez propuesta por el modelo, lo
sey: John Wiley & Sons, Inc., 2011.
que representa una etapa inicial, y que no existe
ningún tipo de iniciativa organizada para im-
MARTINS, Gilberto de Andrade. Manual
plantación del mismo en el ambiente de trabajo.
para elaboração de monografias e disserta-
Los proyectos son ejecutados y administrados
ções. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
de forma aislada, o sea, hay intentos indivi-
duales de “buena voluntad” en el planeamien-
MENEZES, L. C. M. Gestão de projetos. 3.
to, control, procedimientos estandarizados que
ed. São Paulo: Atlas, 2009.
son utilizados de forma inadecuada, en que los
proyectos difícilmente llegan al suceso total.
PRADO, D.; OLIVEIRA, W. A. Relatório ge-
Así, se propuso que la implantación de gerencia
ral: maturidade Brasil 2014. 2014. Disponível
de proyectos deba acontecer de forma gradual.
em: <[Link]>. Acesso
Palabras clave: Gerencia de proyectos. Nivel
em: 30 maio 2014.
de madurez. Modelo Prado-MMGP.

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AUTORES | Thiago Bessa Pontes | Valdi Geraldo Teixeira Junior 99

PRADO, D. Maturidade em gerenciamen-


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PRADO, D. O modelo Prado-MMGP V4.


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SILVEIRA, G. A. Fatores contribuintes para


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ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 82-99, jul./dez. 2016
100 ARTIGOS | O valor do letramento na gênese do contador: uma visão da aprendizagem em Curso de Ciências Contábeis do Ensino Superior

doi:10.12662/2359-618xregea.v5i2.p100-114.2016

ARTIGOS

O VALOR DO LETRAMENTO NA GÊNESE DO


CONTADOR: UMA VISÃO DA APRENDIZAGEM EM
CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS DO ENSINO
SUPERIOR

RESUMO

Este estudo investigou o processo de letramento na aquisição de


conhecimento durante a formação do contador em IES particular
na cidade de Fortaleza – Ceará, apurando, entre estudantes do
terceiro, quarto e oitavo semestres do Curso de Ciências Contá-
beis, letramento anterior ao curso e durante sua duração e, ain-
da, averiguando sua importância na formação profissional. Para
a realização da pesquisa, utilizou-se o método bibliográfico; a
pesquisa é um “estudo de caso”, que utilizou como técnica de
pesquisa um questionário. Entende-se que tenha abordagem qua-
li-quantitativa, uma vez que os dados coletados permitiram não
somente interpretação estatística, porém inferências a partir das
informações coletadas. Pela amostra, compreende-se apresentar
neste estudo resultados parciais, possibilitando mesmo outras in-
vestigações no próprio curso da IES, bem como análises compa-
rativas com inquirições existentes em outras instituições. Mesmo
em caráter parcial, constatou-se haver problemas de letramento
dos estudantes, em parte advindos da Educação Básica, influen-
ciando a formação superior.

Palavras-chave: Ciências Contábeis. Contador. Formação do


Contador. Letramento.

1 INTRODUÇÃO

Francisco Sérgio Souza de


Muito se vem falando que uma quantidade bastante expres-
Araujo siva de estudantes no ensino superior em nível de graduação não
sergioaraujo28@[Link] possui as competências ideais para o acompanhamento adequado
Mestre em Letras pela de diversas disciplinas existentes nos cursos por eles escolhidos
Universidade Federal do Ceará
como opção para o futuro profissional.
(UFC). Professor de estudos
em linguagens com foco na Também se há dito com frequência que a grande dificuldade
Língua Portuguesa nos Cursos desses estudantes em acompanharem adequadamente as matérias dos
de Administração, Ciências cursos repousa na inabilidade em leitura, deficiência transportada aos
Contábeis, Engenharia Civil cursos de graduação devido à má formação na educação básica.
e Engenharia de Produção do
Centro Universitário Christus
Igualmente se difunde a fala de que tais alunos que, além de
- Unichristus - Fortaleza - CE não conseguirem ler com proficiência – talvez até mesmo por causa
- BR. disso, não revelam hábito de leitura –, não conseguem se expressar

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AUTORES | Francisco Sérgio Souza de Araujo 101

oralmente, menos ainda por meio da escrita, de do Maranhão (UFMA), por meio do qual, dis-
maneira satisfatória, articulada, coesa, coeren- centes ensinaram práticas de custeio a agricul-
te, com argumentação convincente e persuasiva tores rurais de duas cooperativas produtoras
(algo preponderante aos estudos científicos pro- de hortaliças agroecológicas, assinada sua au-
postos nesse nível de ensino). toria por Pedro Mariano Oliveira Mariano da
Impõe-se, nessa situação, debate sobre o Silva, Sheilane Pereira de Sousa e Regysane
letramento, ou, mais apropriadamente, sua la- Botelho C Alves.
cuna na experiência de tais alunos, ou seja, pro- Resulta daí a motivação embrionária
põe-se discussão acerca da vivência deles com para essa investigação, despertando-se o desejo
o universo da leitura e da escrita, observando de se desenvolver pesquisa semelhante sobre
certa trajetória dos mesmos, desde o ensino letramento no Curso de Ciências Contábeis
fundamental até o ensino superior. da IES inquirida, no sentido de obter, dos es-
Pelo revelado acima, declara-se que nes- tudantes do referido curso, respostas sobre se
te artigo expõe-se a divulgação de pesquisa re- o “processo de letramento” deles, na educação
alizada acerca das condições de letramento de básica, ocorreu de maneira satisfatória, e como
estudantes do Curso de Ciências Contábeis de está se dando o “processo de letramento” deles
Instituição do Ensino Superior da rede privada nessa sua formação profissional superior, nesse
de ensino na cidade de Fortaleza (CE). O ponto caso, numa busca mais aprofundada.
de partida para essa investigação foram estudos Embasou, também, essa proposta de in-
analisados a respeito do mesmo tema em outras quirição, além do conhecimento dos projetos de-
duas IES brasileiras, os quais revelaram já ser senvolvidos na FURB e na UFMA, a ciência do
disseminada certa preocupação com a deficiên- pesquisador, a partir de sua cátedra, quanto à de-
cia de letramento em cursos de graduação. ficiência de leitura e escrita de muitos estudantes
Informa-se, então, que a leitura do texto no ensino superior, em decorrência de carências
“O letramento no processo de formação do En- evidenciadas no transcorrer da educação básica.
genheiro Civil”, escrito acadêmico-científico Tendo-se essa base, ao se considerar que
publicado em 2011 na revista Atos de Pesqui- tal estudo poderia apresentar ao pesquisador,
sa em Educação, resultado de pesquisa com curso e IES uma visão mais detalhada e fiel de
base em projeto desenvolvido pelo Programa como anda o “processo de letramento” dos es-
de Pós-Graduação em Educação – PPGE/ME tudantes, a ponto de gerar sugestões e possibi-
– da Fundação Universidade Regional de Blu- lidades de melhoramentos referentes ao tema,
menau (FURB), assinada sua autoria por Otilia entende-se haver imediatos ganhos para os dis-
Lizete de Oliveira Martins Heinig e Guilherme centes e, por meio deles, já formados e em atu-
Ribeiro dos Santos despertou o interesse de se ação no mercado de trabalho, para a sociedade,
buscar conhecimento sobre a existência de es- a partir da atuação de profissionais de Ciências
tudo semelhante em outras áreas do saber no Contábeis com melhor qualidade técnica e mais
ensino superior. amplos conhecimentos, os quais levariam a ela
Vislumbrou-se, então, haver mesmo es- maior segurança e tranquilidade quanto aos trâ-
tudos em outras áreas, como a das Ciências mites que a Contabilidade exige das empresas.
Contábeis, e isso se deu pelo encontro com o Letramento implica aquisição de co-
texto “Adequação linguística da terminologia nhecimentos em leitura e em escrita. O proces-
contábil em uma oficina de custos para agri- so sistematizado que valida sua prática deve ter
cultores rurais: construindo uma cartilha para início desde os primeiros instantes do estudan-
atividade de extensão”, artigo acadêmico pu- te na escola, identificada nesse momento como
blicado em 2013 na Revista Interfaces, resul- aquela pertencente à educação básica. Portanto,
tado de um projeto de extensão do Curso de o estudante, desde principalmente o ensino fun-
Ciências Contábeis da Universidade Federal damental, deve ser bem conduzido a desenvol-

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102 ARTIGOS | O valor do letramento na gênese do contador: uma visão da aprendizagem em Curso de Ciências Contábeis do Ensino Superior

ver-se pelo letramento. foi determinado, para a pesquisa, o seguinte ob-


Caso ocorram deficiências na educação jetivo geral: Investigar a importância do letra-
básica pertinentes à formação do estudante no mento no processo de aquisição de conhecimen-
que se refere ao letramento, ele chegará ao to na formação do profissional contador.
ensino superior com tais insuficiências e, por Já para os objetivos específicos, determi-
causa delas, encontrará dificuldades em sua nou-se:
aprendizagem. Confirmados esses problemas a) apurar entre os estudantes do curso
e havendo mesmo sua continuidade pelos anos de Ciências Contábeis a existência de
de duração do curso superior, verdadeiramente letramento em sua formação anterior
eles implicarão outros, deles decorrentes, e o ao curso;
profissional que se deseja formar para atuação b) examinar entre os estudantes do curso
feliz na sociedade deixa de existir, ou seja, esse de Ciências Contábeis a relevância de
profissional de excelência pretendido simples- letramento em sua formação anterior
mente não se forma com essa competência. ao curso;
Assim ocorrendo, perde o estudante/pro- c) averiguar entre os estudantes do cur-
fissional, perde a IES, perde a sociedade. Desse so de Ciências Contábeis a importân-
modo, entendeu-se ser importante a pesquisa cia do letramento em sua formação
realizada, uma vez que reveladora de como re- profissional.
almente se encontra o estudante do curso aludi- Para tanto, realizou-se, inicialmente, uma
do em seu “processo de letramento”. No mais, pesquisa bibliográfica, no sentido de verificar a
entendeu-se o tema como de grande relevância, existência de trabalhos com abordagens sobre o
devido ao fato de ser fator preponderante na/ tema em apreço, fase na qual foram estudadas
para a aquisição dos mais amplos e diversos as pesquisas acima referendadas, realizadas na
conhecimentos dos acadêmicos. O universo de FURB e na UFMA. Nesse processo de garim-
pesquisa também foi apreciado como relevante pagem primitiva de investigações a respeito do
porque foi dele, ou seja, do corpo discente, que assunto, outras inquirições abordando a matéria
foram alcançadas as respostas ao problema de foram encontradas, servindo, algumas, como
pesquisa delineado: O processo de letramen- fonte para a formação teórica aqui apresentada.
to necessário ao bom desenvolvimento dos Para o aprofundamento do estudo e o
estudantes do Curso de Ciências Contábeis alcance das respostas pretendidas à questão
ocorre da maneira mais adequada para uma proposta no problema, empreendeu-se um es-
formação profissional de excelência? Além tudo de caso no Curso de Ciências Contábeis
disso, o enfoque também se constituiu de rele- da IES. Nesse momento aplicou-se um instru-
vância, por poder, após realizada a pesquisa na mento de pesquisa em estrutura de questionário
amostra selecionada, dimensionar, mesmo que a estudantes do 3º, 4º e 8º semestres do referido
parcialmente, como se estaria dando o “proces- curso na referida IES. As respostas concedidas
so de letramento” no curso de Ciências Contá- no questionário serviram como relevante fonte
beis da IES pesquisada. para a discussão a ser exibida na seção destina-
Outrossim, entendeu-se que a importância da à análise dos dados alcançados.
da pesquisa proposta repousa no fato de que seu Na sequência, vê-se a seção 2 deste arti-
tema tem se revelado, nas últimas décadas, fator go, na qual são apresentadas as bases teóricas
imprescindível à aprendizagem, quando se pen- do presente estudo.
sa em formação competente de todo e qualquer
aluno. Suas contribuições estarão, exatamente, 2 FALANDO SOBRE LETRAMENTO
nas respostas alcançadas, podendo servir para o (REVISÃO DE LITERATURA)
aprimoramento do funcionamento do curso.
Com toda essa reflexão em torno do tema, Letramento é termo relativamente novo

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AUTORES | Francisco Sérgio Souza de Araujo 103

nos estudos sobre linguagens que envolvem O fenômeno do letramento, então, ex-
o processo de escrita e leitura, tão novo que trapola o mundo da escrita tal qual ele
alguns dicionários ainda não apresentam seu é concebido pelas instituições que se
verbete e seu significado entre os milhares de encarregam de introduzir formalmen-
te os sujeitos no mundo da escrita.
outros registrados. Mas apesar de esse vocábu-
Pode-se afirmar que a escola, a mais
lo não constar de muitos léxicos, estudiosos se importante das agências de letramen-
debruçam ao estudo de seus significados e suas to, preocupa-se, não com o letramen-
implicações nas sociedades. to, prática social, mas com apenas um
Letramento, substantivo masculino, sig- tipo de letramento, a alfabetização, o
nifica “Conjunto de conhecimentos de escrita e processo de aquisição de códigos (al-
leitura adquiridos na escola = ALFABETIZA- fabético, numérico), processo geral-
ÇÃO” e, ainda, “Capacidade de ler e de escrever mente concebido em termos de uma
ou de interpretar o que se escreve = LITERA- competência individual necessária
CIA ≠ ALITERACIA, ILITERACIA”, segundo para o sucesso e promoção na esco-
la. Já outras agências de letramento,
informações encontradas em Priberam (2015),
como a família, a igreja, a rua como
ou seja, letramento implica necessariamente lugar de trabalho, mostram orienta-
“competência” em leitura e em escrita, caracte- ções de letramento muito diferentes.
rística que permitirá ao usuário de uma língua
compreender situações comunicativas diversas, As palavras de Kleiman (1995) deixam
envolvendo as duas habilidades, além de possi- claro o fato de que a preocupação em somente
bilitar-lhe a realização de discursos adequados alfabetizar impossibilita o estudante a outras
a que ele mesmo se faça entendido nos proces- formas importantes de letramento, àquelas que
sos comunicativos nos quais seja o protagonista transitam pelo universo social. Isso implica,
criador das mensagens. em longo prazo, certa consistência de “não co-
Em @ulete digital - Aulete (2015), en- nhecimentos” – uma vez que letrar-se significa,
contramos que letramento é “A condição que entre outras coisas, “ler o mundo” –, caso a si-
se tem, uma vez alfabetizado, de usar a leitura e tuação não seja revertida.
a escrita como meios de adquirir conhecimen- Antecipando debate a ser visto mais
tos, cultura etc., e estes como instrumentos de adiante, limitações em letramento com foco no
aperfeiçoamento individual e social.”, também viés social impossibilitam conhecimentos cuja
que é o “Conjunto de práticas que indicam a repercussão se daria pela formação no ensino
capacidade de uso de vários tipos de material superior, a que se dá atenção aqui. Esse fato,
escrito.” @ulete digital, então, utilizando pa- decerto, redundaria, seguramente, em má for-
lavras diferentes, apresenta significado seme- mação profissional, prejudicando, sobremanei-
lhante ao lido a partir do Dicionário Priberam, ra, a inserção e, quando esta se der, a permanên-
também virtual, o que nos dá a garantia de que cia do profissional em um hoje disputadíssimo
o estudante cujo letramento não acontece terá mercado de trabalho, o fim maior de quem se
muitas dificuldades em sua vivência numa so- gradua em uma IES.
ciedade que exige, cada dia mais, leitura e es- Oliveira (1995, p. 148), reportando gru-
crita. Em outras palavras, letramento implica pos sociais migrantes da zona rural para a área
o homem a sua inserção social. urbana, portanto, reconhecidamente, com dis-
Kleiman (1995, p. 20), em seu texto “O tintas e limitadas condições de letramento, ob-
que é letramento?”, introdutório ao livro Os serva que a maneira como se dá a entrada de
significados do letramento, refletindo a res- pessoas pouco letradas na sociedade é já mar-
peito do tema, porém circunscrevendo-o aos cada pela “exclusão”, posto que aqueles que
estudos nos anos iniciais da escola, declara que: dominam leitura e escrita se supervalorizam
por tal domínio, alijando da sociedade quem

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104 ARTIGOS | O valor do letramento na gênese do contador: uma visão da aprendizagem em Curso de Ciências Contábeis do Ensino Superior

não revela condições semelhantes às deles. que, caso a criança não se alfabetize nem se
O autor deixa claro em suas palavras que “letre” no período normal para que isso aconte-
fazer parte da sociedade hodierna de manei- ça, de acordo com seu amadurecimento, existe
ra digna, cidadã, somente ocorre para aqueles a infeliz e intensa possibilidade de ela não se
cujo letramento se desenvolveu. Nesse caso, letrar jamais, ou, na melhor das hipóteses, le-
deve-se lembrar daquelas pessoas que, além trar-se parcialmente, mas sempre deixando al-
da formação escolar, em seus diversos níveis, guma etapa em aberto nesse processo. Em isso
ainda têm (ou tiveram) acesso a diversas outras acontecendo, o déficit de compreensão do que
possibilidades de formação, ao se incluírem lhe está ao redor será denso e, por isso mesmo,
em igrejas, clubes sociais, cursos de línguas, danoso a ela e à própria sociedade em que vive.
também ao viverem a experiência do direito Heinig e Santos (2011, p. 54) refletem
a cinemas, teatros, viagens entre tantas outras que na sociedade contemporânea, na qual a co-
“agências” de letramento. Deduz-se que os es- municação ocorre por diversos meios, variados
tudantes de uma IES compõem esse grupo de suportes, apenas saber “ler” e “escrever” não
privilegiados. permitirá a um indivíduo sua efetiva participa-
Com a professora e pesquisadora Magda ção como ser social. Então, promover letramen-
Becker Soares (2003, p. 3), uma das estudio- tos múltiplos – nas escolas da educação básica
sas brasileiras que mais pesquisam o assunto, e nas instituições de ensino superior – torna-se
aprende-se que: imprescindível para uma existência melhor.
Admitindo a deficiência profunda de um
[...] ao olharmos historicamente para estudante que sai dos primeiros anos do ensino
as últimas décadas, poderemos obser- fundamental para os outros anos que comple-
var que o termo alfabetização, sempre tam essa etapa de educação formal, não será
entendido de uma forma restrita como difícil entender que ele, com toda a responsa-
aprendizagem do sistema da escrita,
bilidade que a escola e a família podem ter em
foi ampliado. Já não basta aprender a
ler e escrever, é necessário mais que relação a tamanha carência, está “passando” de
isso para ir além da alfabetização fun- um ano escolar para outro sem a devida condi-
cional (denominação dada às pessoas ção para que essas passagens se deem de fato.
que foram alfabetizadas, mas não sa- E todo esse acontecimento se reveste de uma
bem fazer uso da leitura e da escrita). gravidade excelsa, elevadíssima.
O mesmo jornal mais acima referido, na
Essa maneira de pensar da professora foi mesma seção e na mesma edição, repercute, de
revelada pelo Jornal Diário do Grande ABC, Soares (2003, p. 3) que:
em publicação do dia 29 de agosto de 2003, na
seção Diário na Escola – Santo André. Consta- O sentido ampliado da alfabetização,
ta-se com ela que aquele que não se alfabetiza, o letramento, de acordo com Magda,
designa práticas de leitura e escrita.
não se letra, e quem não se letra não possui
A entrada da pessoa no mundo da es-
condições plenas de enfrentar e compreender crita se dá pela aprendizagem de toda
os estudos necessários a sua inserção social. a complexa tecnologia envolvida no
Não se entenda a declaração de Soares como aprendizado do ato de ler e escrever.
algo distante do que afirmaram Kleiman (1995) Além disso, o aluno precisa saber
e Oliveira (1995). fazer uso e envolver-se nas ativida-
As situações apresentadas acima fazem des de leitura e escrita. Ou seja, para
referência explícita ao período de alfabetiza- entrar nesse universo do letramento,
ção, momento em que a criança, de certo modo, ele precisa apropriar-se do hábito
inicia seu letramento de maneira oficial, entre- de buscar um jornal para ler, de fre-
quentar revistarias, livrarias, e com
gue por sua família à educação formal. Ocorre
esse convívio efetivo com a leitura,

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AUTORES | Francisco Sérgio Souza de Araujo 105

apropriar-se do sistema de escrita. [...] o letramento define-se como um


Afinal, a professora defende que, para fenômeno social, influenciado pelas
a adaptação adequada ao ato de ler e condições locais no que diz respeito
escrever, “é preciso compreender, in- aos aspectos socioeconômicos, histó-
serir-se, avaliar, apreciar a escrita e ricos, culturais, políticos e educacio-
a leitura”. O letramento compreende nais, de modo que cada comunidade
tanto a apropriação das técnicas para apresenta diferentes padrões de letra-
a alfabetização quanto esse aspecto mento, bem como os seus membros.
de convívio e hábito de utilização da Em outras palavras, o letramento
leitura e da escrita. tem uma dimensão social – em de-
corrência dos fatores e convenções
Letramento, portanto, se dá inicial- sociais que regulam o uso da escrita
mente no plano da leitura e da escrita, supera em determinada comunidade, ou dada
o ensino de alfabetização e se expande pelo esfera da atividade humana – e uma
dimensão individual, por conta da
universo social da criança (estudante), exigin-
história e das experiências de vida de
do um aprendizado processual, ininterrupto, cada indivíduo que pertence à comu-
consistente de leitura e escrita, por meio da nidade. Entender o letramento dessa
exposição e encontro desse educando com as maneira implica reconhecer que cada
mais variadas possibilidades de leitura e escrita indivíduo ou grupo social, indepen-
existentes na sociedade. Caso contrário, a grave dentemente do grau de letramento,
situação acima exposta se tornará uma verdade, possui algum tipo de conhecimento
pondo em situação delicada socialmente o alu- sobre a escrita e seu uso em práticas
no deficitário de conhecimentos e técnicas para sociais, pois as pessoas, conforme
adquiri-los. aponta Terzi (2006), sabem reconhe-
cer a função de jornais, revistas, che-
Considerado todo esse contexto, é ad-
ques, bilhetes, cartas etc. mesmo sem
missível que o estudante “destacado” acima saber ler e escrever. Desse modo, os
vença – a que penas? – os estudos no ensino alunos que ingressam na universida-
fundamental, alcance o ensino médio, apre- de, diferentemente do que apontam
sentando as deficiências já nele consistentes, e algumas pesquisas, concluindo que
chegue ao ensino superior, acrescido de neces- eles “precisam ser alfabetizados no
sidades advindas da última etapa da educação ensino superior”, são sujeitos letra-
básica somadas às que já lhe eram bagagem do dos e que, portanto, trazem para essa
ensino fundamental. Estará na sala de aula de esfera concepções de leitura e escrita
curso do ensino superior um estudante sem as construídas ao longo do ensino funda-
mental e médio. Porém, nem sempre,
condições desejadas para pôr em prática as si-
essas concepções são suficientes para
tuações e os estudos pertinentes àquele curso. que eles se engajem de modo imedia-
Em assim ocorrendo, o profissional que tal cur- to nas práticas letradas do domínio
so deseja formar [...] não existirá. acadêmico, pois, na voz de Machado,
Contudo, um estudante em uma IES tam- Louzada e Abreu-Tardelli (2004), os
bém vive situações, experiências de letramen- alunos se veem, nesse novo contexto,
to, ou essa faceta do conhecimento se limita ao obrigados a ler e a produzir textos que
âmbito da educação básica? Considerando-se não lhes foram ensinados ou apresen-
que em cursos do ensino superior estudantes tados de forma sistemática nas séries
são expostos a muitos conhecimentos nun- anteriores. Um outro agravante é o
fato de esses estudantes terem sido
ca antes pensados, quase todos eles voltados
submetidos, ao longo de sua trajetória
a questões técnicas, pode-se deduzir que sim. escolar, a um modelo de letramento
Oliveira (2014, on-line), conjecturando sobre o que não considera a escrita como prá-
tema do letramento, assim se posiciona: tica social.

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106 ARTIGOS | O valor do letramento na gênese do contador: uma visão da aprendizagem em Curso de Ciências Contábeis do Ensino Superior

Admitindo-se o posicionamento aci- vez compreendidas as regras básicas


ma, de Oliveira (2014), deve-se aceitar a de um discurso particular acadêmi-
co, o aluno é capaz de reproduzi-lo.
ideia de que quem chega ao ensino superior Por sua vez, o letramento acadêmico,
não pode ser considerado um cem por cento dentro da perspectiva interdisciplinar
iletrado, mesmo que apresente deficiências dos Novos Estudos do Letramento,
quanto a letramentos os quais deveriam ter concebe ‘a leitura e a escrita como
sido desenvolvidos anteriormente. sistemas simbólicos enraizados na
prática social, inseparáveis de valo-
Heinig e Santos (2011, p. 54), no iní- res sociais e culturais, e não como
cio da primeira parte do artigo intitulado “O habilidades descontextualizadas e
letramento no processo de formação do en- neutras, voltadas para a codificação
genheiro civil”, declaram a necessidade de e decodificação de símbolos gráfi-
que o estudante, antes mesmo de enveredar cos’. (ZAVALA, 2010, p. 73). Essa
concepção sinaliza que a leitura e a
pela educação formal, adquira compreen- escrita não são apenas habilidades a
são acerca da função social que se atribui à serem desenvolvidas, mas é preciso,
leitura e à escrita, inserido que seja em prá- na esfera de atuação, que se considere
ticas de letramento social. Dialogando com o sujeito e sua cultura na constituição
Kleiman (1995) e Soares (2003), os autores da sua identidade. Isso coloca os três
modelos não como excludentes, mas
destacam o fato de que os letramentos in- como relacionais (HEINIG; SAN-
terferem positivamente na vida das pesso- TOS, 2011, p. 55).
as, promovendo consequências em âmbito
social, político, econômico, também em Torna-se evidente o fato de que letra-
outras áreas da existência humana. mento definitivamente não se constitui como
Um pouco mais adiante, já refletindo so- tema a ser observado apenas na educação bási-
bre o letramento no curso superior, Heinig e ca; se em todas as fases da vida o homem está
Santos (2011, p. 54) expõem: em processo ininterrupto de aprendizagem,
mesmo que informal (letramentos sociais), e
Dentre as múltiplas práticas de leitu- muitas vezes busca o conhecimento por meio
ra e escrita, o letramento acadêmico, de estudos sistematizados em cursos de esco-
foco de nossa investigação, pode ser las de ensino superior (estudos acadêmicos); é
compreendido, segundo Lea e Street certo que tais academias devem ter por preocu-
(2007), a partir de três perspectivas
pação o processo de letramento dele. É essa a
sobrepostas: a do um estudo do mo-
delo de competências; a do modelo de preocupação que se revela por meio desse estu-
socialização escolar e a de letramento do, quando se volta à averiguação de como se
acadêmico. O primeiro modelo, sob está processando o letramento dos estudantes
uma ótica individual e cognitiva, ar- do Curso de Ciências Contábeis na IES inves-
gumenta que as habilidades linguís- tigada.
ticas desenvolvidas na esfera aca- Novamente com Heinig e Santos (2011,
dêmica podem ser transferidas pelo p. 55), cujo estudo teve por foco o letramento
acadêmico para outros contextos. O na Engenharia Civil, depreende-se a relevância
segundo se preocupa com a inserção do porquê dessa investigação no curso de Ci-
dos alunos na cultura universitária, le-
ências Contábeis ter sido levada adiante, consi-
vando-os a assimilar os discursos dis-
ciplinares, as temáticas e os gêneros derando que, no espaço acadêmico, inserem-se
discursivos. Estes são considerados práticas de leitura e de escrita envolvendo su-
relativamente estáveis, centrando seu jeitos; assim, no ensino superior o letramento
ensino nas suas regularidades. Uma acadêmico abrange “o reconhecimento e a pro-

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dução de gêneros discursivos acadêmicos” e, primeiro momento, considerada algo


no que se refere ao curso de Ciências Contábeis fora do escopo das práticas contábeis
tal situação foca o mundo do trabalho dos futu- se mostra fundamental uma vez que
ros bacharéis em Contabilidade. a Contabilidade tem por função pri-
mordial fornecer informações econô-
Silva, Sousa e Alves (2013) declaram, já
micas para diferentes tipos de usuá-
no resumo do artigo que assinaram para a Re- rios, de forma que propiciem decisões
vista Interfaces, resultado do Projeto de Ex- racionais (IUDÍCIBUS, 2009), ao
tensão desenvolvido com os alunos do Curso garantir uma adequada comunicação
de Ciências Contábeis da UFMA junto a agri- das informações financeiras de um
cultores rurais do Estado: negócio e/ou entidade. Se o profissio-
nal contábil não conseguir, a partir de
O objetivo deste trabalho foi mos- seu conhecimento específico e de sua
trar como as atividades do projeto capacidade comunicativa, informar
possibilitaram aos alunos um apri- de forma clara os seus receptores, a
moramento de sua capacidade co- Contabilidade estará desvinculada
municativa por meio da adaptação das necessidades de seus usuários,
dos termos contábeis ensinados. A tonando-se consequentemente estéril
metodologia se baseou na observação e sem qualquer serventia para as or-
participativa do processo de organi- ganizações (DIAS FILHO, 2000, p.
zação de um pequeno manual e das 40). É preciso, portanto, que a capa-
oficinas. Também foram aplicados cidade comunicativa do contador
questionários a fim de coletar dados lhe permita cumprir a função de
socioeconômicos dos participantes comunicar adequadamente as in-
das oficinas. Verificou-se que as ati- formações financeiras necessárias
vidades desenvolvidas potencializa- à boa administração da empresa
ram o processo de letramento aca- (DIAS FILHO, 2000, p. 41). Para tal
dêmico desses alunos, uma vez que é importante dar atenção ao letra-
precisaram melhorar suas práticas co- mento dos futuros contadores lem-
municativas com vistas a garantir que brando que Letramento [sic] deve ser
a informação contábil fosse adequa- entendido aqui “como o desenvolvi-
damente entendida por receptores que mento das habilidades de leitura e es-
apresentavam um repertório linguís- crita no contexto social, visando à in-
tico distinto do que é normalmente serção do sujeito nas práticas sociais
utilizado nos meios acadêmico e pro- que exigem tais habilidades” (GUE-
fissional. (SILVA; SOUSA; ALVES, DES; BARBOSA, 2011, p. 1) para
2013, p. 33, grifo nosso). que sejam profissionais capazes de ler
e escrever os mais diversos tipos de
Logo no início da “Introdução” do arti- textos acadêmicos e profissionais que
go, os três pesquisadores apresentam as seguin- lhes serão exigidos, bem como ser ca-
pazes de escrever quaisquer gêneros
tes informações, as quais são transcritas por se-
que envolvam informações contábeis.
rem consideradas oportunas ao propósito para a (SILVA; SOUSA; ALVES, 2013, p.
fundamentação desta pesquisa: 33, grifo nosso).

Levando-se em consideração que a


Foi no intuito de observar esses “letra-
capacidade de comunicar informa-
ções e conceitos contábeis de forma
mentos” no Curso de Ciências Contábeis da
clara e eficiente é parte integrante IES investigada que se considerou de relevân-
do perfil desejado do profissional da cia a realização da pesquisa nesse artigo apre-
Contabilidade. [sic] Essa capacidade sentada, cuja metodologia se revela na seção
linguística que poderia ser, em um a seguir.

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3 METODOLOGIA DA PESQUISA de Oliveira Martins Heinig e Guilherme Ribeiro


dos Santos, do também artigo científico “Ade-
O trabalho que ora se apresenta resulta quação linguística da terminologia contábil em
de pesquisa acadêmico-científica realizada em uma oficina de custos para agricultores rurais:
curso de Ciências Contábeis de IES de uma construindo uma cartilha para atividade de ex-
rede privada de ensino, situada em Fortaleza – tensão”, assinada sua autoria por Pedro Mariano
Ceará. Tal pesquisa teve seu início no segundo Oliveira Mariano da Silva, Sheilane Pereira de
semestre de 2014, primeiramente pela busca Sousa e Regysane Botelho C Alves, cuja indica-
de informações sobre o tema por meios biblio- ção fez-se na Introdução deste trabalho.
gráficos; na sequência, e no mesmo semestre, Medeiros (2013, p. 39), refletindo sobre
validou aplicação de questionário investigativo esse mesmo método de pesquisa, dispõe o se-
entre estudantes do terceiro, quarto e oitavo se- guinte:
mestres do referido curso, exclusivamente no
mês de novembro. [...] constitui-se em fonte secundária.
Os resultados obtidos a partir das res- É aquela que busca o levantamento de
livros e revistas de relevante interes-
postas dadas ao questionário começaram a ser
se para a pesquisa que será realizada.
aferidos ainda em 2014, no mês de dezembro, Seu objetivo é colocar o autor da nova
prolongando-se até março de 2015, momento pesquisa diante de informações sobre
em que se inicia seu registro nesse artigo. o assunto de seu interesse. A pesqui-
Para sua realização, reafirma-se que a sa bibliográfica é passo decisivo em
pesquisa primeiramente foi empreendida pelo qualquer pesquisa científica, uma vez
método bibliográfico, quando foram colhidas que elimina a possibilidade de se tra-
informações sobre o tema, apoiando-se em re- balhar em vão, de se despender tempo
visão bibliográfica, a fim de se ter base teórica com o que já foi solucionado.
sustentável sobre o assunto.
Sobre a pesquisa bibliográfica, diz Seve- Constituindo-se os artigos advindos de
rino (2007, p. 122): pesquisas na FURB e na UFMA, respectiva-
mente, como fontes secundárias, deles foram
A pesquisa bibliográfica é aquela que depreendidos conhecimentos os quais, associa-
se realiza a partir do registro disponí- dos a outras fontes de pesquisa, também biblio-
vel, decorrente de pesquisas anterio- gráficas, e aplicados aos mecanismos investi-
res, em documentos impressos, como gativos das indagações aqui em apresentação,
livros, artigos, teses etc. Utiliza-se serviram para construir essa nova fonte cientí-
de dados ou de categorias teóricas já fica – esse exato estudo em curso de Ciências
trabalhados por outros pesquisadores
Contábeis de IES particular existente em Forta-
e devidamente registrados. Os textos
tornam-se fontes dos temas a serem
leza – Ceará.
pesquisados. O pesquisador trabalha Em outro viés, a pesquisa que se realizou
a partir das contribuições dos autores trata-se, enfim, de um “estudo de caso” perti-
dos estudos analíticos constantes dos nente ao curso de Ciências Contábeis da IES
textos. investigada, propondo analisar o “processo de
letramento” dos estudantes desse curso. Um
Comprova-se, então, a pesquisa biblio- estudo de caso, na visão de Severino (2007, p.
gráfica, desde os estudos iniciais sobre o tema, 121), é:
exatamente quando esse pesquisador processa
leitura: do artigo científico “O letramento no Pesquisa que se concentra no estudo
processo de formação do Engenheiro Civil”, de um caso particular, considerado
cujo crédito de autoria se destina Otilia Lizete representativo de um conjunto de
casos análogos, por ele significati-

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vamente representativo. A coleta dos 4 RESULTADOS EM DISCUSSÃO


dados e sua análise se dão da mesma
forma que nas pesquisas de campo, Na pesquisa realizada, foram aplicados
em geral. O caso escolhido para a questionários a três grupos de estudantes, os
pesquisa deve ser significativo e bem
quais realizavam seus estudos, nesse momen-
representativo, de modo a ser apto a
fundamentar uma generalização para to inicial, em três semestres distintos: terceiro,
situações análogas, autorizando in- quarto e oitavo.
ferências. Os dados devem ser cole- 18 questionários foram aplicados a alu-
tados e registrados com o necessário nos do terceiro semestre, de um total de 30 estu-
rigor e seguindo todos os procedi- dantes, o que implicou respostas de 60% desse
mentos da pesquisa de campo. De- grupo; em relação à turma do quarto semestre,
vem ser trabalhados, mediante análise composta por 23 estudantes, obteve-se a parti-
rigorosa, e apresentados em relatórios cipação de todos eles, o que implicou respostas
qualificados. de 100% desse grupo; fato semelhante ocorreu
com a turma do oitavo semestre, cujos 16 dis-
Para empreender o estudo de caso na centes matriculados responderam ao questio-
IES selecionada, utilizou-se, como técnica de nário, o que implicou respostas de 100% dos
pesquisa um questionário, composto de 20 per- investigados.
guntas de caráter objetivo, o qual foi aplicado A amostra que serviu de base a essa in-
aos estudantes do terceiro, quarto e oitavo se- vestigação totalizou, portanto, 57 alunos-res-
mestres do curso, respectivamente em número pondentes. Essa quantidade torna-se relevante
de 30, 23 e 16, contabilizando um total de 69 na pesquisa como um todo, uma vez que ela se
respondentes. encontra em sua fase inicial, com programado
Como técnica de pesquisa, o questio- desdobramento nos outros semestres do cur-
nário estrutura-se, segundo Severino (2007), so, com ampliação dos investigados ao corpo
como um conjunto de questões, sistematica- docente da Instituição. Considera-se, portanto,
mente articuladas, que se destinam a levantar essa pesquisa não conclusa, sendo seus dados
informações escritas por parte dos sujeitos parciais.
pesquisados, com vistas a conhecer a opinião Na inquirição realizada, as perguntas ini-
dos mesmos sobre os assuntos em estudo. As ciais aos discentes-respondentes serviram para
questões devem ser pertinentes ao objeto e lhes traçar o perfil. Foi observado que, nos três
claramente formuladas, de modo a serem bem semestres pesquisados registrou-se supremacia
compreendidas pelos sujeitos. do sexo feminino sobre o masculino. Em rela-
Ao fim, ousa-se afirmar que a pesquisa ção à idade e à naturalidade, registrou-se uma
tem abordagem quali-quantitativa, pois, além média de estudantes com idade entre 24 e 27
de quantificar os resultados, cada pergunta teve anos, o que indica serem estudantes já conside-
suas respostas interpretadas, objetivando en- rados adultos, e, portanto, maduros, já catego-
tender as entrelinhas do questionário e a real ricamente responsáveis por seus estudos, pela
situação dos estudantes. Em outras palavras, busca das aprendizagens na área do conheci-
os resultados dessa pesquisa advêm da análise mento escolhido. A maior parte deles é natural
das respostas dadas pelos respondentes a partir da capital do Estado do Ceará, Fortaleza, carac-
da quantificação de suas tendências responsi- terística que pode implicar melhor qualidade no
vas, acrescidos de avaliações dedutivo-inter- processo de aprendizagem, devido a supostas
pretativas do pesquisador quanto à significação melhores condições de estudos na capital.
das respostas por eles dadas. Os resultados são A partir da pergunta de número 5, os es-
apresentados na seção a seguir. tudantes foram avaliados acerca de seus conhe-
cimentos quanto ao letramento em suas vidas.

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110 ARTIGOS | O valor do letramento na gênese do contador: uma visão da aprendizagem em Curso de Ciências Contábeis do Ensino Superior

O quinto questionamento é bastante direto e in- ra satisfatória; nenhum declarou que tal processo
daga: “Você se considera uma pessoa letrada?”. tenha ocorrido de maneira insatisfatória. Contu-
O objetivo dessa pergunta, feita logo no início do, semelhante ao que foi informado em relação
do levantamento, foi observar se o aluno tem de ao aprendizado da leitura, 6 estudantes disseram
fato o entendimento sobre o que é letramento, ter desenvolvido a escrita apenas de maneira ra-
mesmo com o texto de apoio que vem no início zoável, 3 do sexo feminino, 3 do sexo masculi-
do questionário, e se iria contradizer-se nas res- no. Essa perspectiva de razoabilidade relativa à
postas seguintes. aquisição da leitura e da escrita informada por
Em sua maioria, os estudantes do tercei- alguns estudantes constitui-se como fato que in-
ro semestre se declararam pessoas letradas – 8 dica ter havido algum problema de letramento
do sexo feminino e 4 do sexo masculino. En- na formação desses estudantes.
tretanto, entre os respondentes desse semestre, Entre os estudantes do quarto semestre,
dois do sexo feminino e três do sexo masculino as perguntas 6 e 7 possibilitaram as seguintes
declararam não serem letrados, enquanto 1 do respostas. Da totalidade dos 23 estudantes-
sexo feminino e 1 do sexo masculino nada in- -respondentes, 8 do sexo feminino e 5 do sexo
formaram a respeito dessa questão. masculino informaram ter sido formados sa-
Dos estudantes-respondentes do quar- tisfatoriamente em leitura, enquanto 4 do sexo
to semestre, 17 declararam-se letrados, 8 do feminino e 5 do sexo masculino declararam
sexo feminino e 9 do sexo masculino. Ainda terem sido formados apenas razoavelmente em
nesse grupo, 4 respondentes do sexo feminino leitura. Além disso, nesse grupo, 1 estudante do
disseram-se pouco letrados, enquanto apenas sexo masculino revelou formação insatisfatória
dois do sexo masculino assim se assumiram. em leitura. Do mesmo grupo, agora se obser-
Da totalidade desse grupo, ninguém assumiu vando o aprendizado em escrita, obtiveram-se
não ser letrado, sendo que todos declararam as seguintes informações: 7 estudantes do sexo
alguma resposta. feminino e 5 do sexo masculino afirmaram que
Em relação aos estudantes-respondentes foram satisfatoriamente instruídos em escrita;
do oitavo semestre, do total de 16, 8 do sexo contudo, 4 estudantes do sexo feminino e 6 do
feminino informaram considerarem-se letra- sexo masculino revelaram formação em escri-
dos, enquanto 7 do sexo masculino disseram ta apenas razoável. Além disso, 1 estudante do
o mesmo. Uma informante se reconheceu não sexo feminino registrou que sua formação em
letrada, enquanto nenhum do sexo masculino escrita foi insatisfatória. Com base nessas in-
assim se assumiu. formações obtidas com os estudantes do quarto
As perguntas seguintes, exatamente a 6 e semestre, confirmando-se que também entre
a 7, indagam como se deu o processo de apren- eles a aquisição da leitura e da escrita não foi
dizagem da leitura e da escrita, respectivamente. plena para todos, compreende-se ter havido al-
Pelas respostas dadas, constatou-se que no ter- gum problema de letramento em sua formação.
ceiro semestre 4 informantes do sexo feminino e Analisando-se as respostas dos estudan-
4 informantes do sexo masculino declararam ter tes do oitavo semestre, constatou-se que, entre
tido um método satisfatório de aprendizagem, aqueles do sexo feminino, 4 declararam ter sido
sem que ninguém tenha dito que sua formação satisfatória sua formação leitora, enquanto 5 re-
como leitor foi insatisfatória. Porém, 7 infor- conheceram formação em leitura apenas razo-
mantes do sexo feminino e 3 do sexo mascu- ável. Já entre os estudantes do sexo masculino,
lino assumiram que seu processo de formação 5 disseram que a formação leitora foi satisfató-
como leitor ocorreu apenas de maneira razoável. ria; no entanto, 2 disseram ter sido apenas ra-
Quanto ao processo de aquisição da escrita, 8 zoável. Em relação ao aprendizado da escrita,
estudantes do sexo feminino e quatro do sexo 8 estudantes-respondentes do sexo feminino
masculino afirmaram que ele ocorreu de manei- declararam ter sido satisfatório, apenas uma

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AUTORES | Francisco Sérgio Souza de Araujo 111

assumiu ter sido apenas razoável. Quanto aos dimentos de leitura de textos literários se abri-
respondentes do sexo masculino, 4 informaram gam na disciplina denominada Literatura.
que o aprendizado em escrita foi satisfatório, Além disso, tais áreas do conhecimento foram
3 disseram ter sido apenas razoável. Esses da- indicadas pelo fato de se saber que todas elas
dos obtidos junto aos estudantes-respondentes exigem, dos estudantes, muitos momentos de
do oitavo semestre suscitam a ideia de que, leitura e de escrita.
embora a maioria tenha se reconhecido como Conforme se imaginava, as disciplinas
portadora de bons conhecimentos em leitura e Português, História e Literatura foram as mais
em escrita, deve-se atentar para o fato de que assinaladas pelos estudantes-respondentes nos
há quantidade relevante com conhecimentos li- três semestres pesquisados, posto que, de fato,
mitados nas duas modalidades focadas, e isso essas três disciplinas demandam grande quanti-
pode implicar prejuízos de outros conhecimen- dade de atividades de leitura e de escrita. Con-
tos, principalmente na área de formação profis- tudo, chamou a atenção o fato das disciplinas
sional escolhida. Matemática e Ciências terem pouca indicação
Ainda em relação às perguntas 6 e 7 do nas respostas. Esse dado pode sugerir: 1º) que
questionário, é importante salientar que, nos três os estudantes-respondentes tiveram, de fato,
semestres investigados, apenas 1 estudante do inadequada formação de leitura e de escrita nes-
sexo feminino admitiu ter formação insatisfató- sas disciplinas; 2º) que os estudantes-respon-
ria em escrita e 1 estudante do sexo masculino dentes tiveram pelo menos boa formação nas
acusou ter formação leitora em nível insatisfa- disciplinas em apreço, mas, por algum motivo,
tório. Considerando-se o universo pesquisado, não a perceberam e dela não têm consciência.
esse dado se reveste de muita importância para se A disciplina de Geografia ficou em um plano
aferir o processo de letramento dos estudantes no intermediário de indicações; outras disciplinas
curso. Contudo, as outras informações coletadas tiveram indicação baixíssima.
e já apresentadas, apontam para possíveis dificul- Considerando que a melhor formação
dades dos estudantes no aprendizado profissional. profissional superior passa inevitavelmente
Intui-se, então, que há grande possibilidade de es- pelo amadurecimento do estudante de qualquer
ses estudantes não terem boa formação no curso curso – no caso dessa pesquisa o estudante de
em que ora estudam, por apresentarem deficiên- Ciências Contábeis – em suas habilidades em
cias nos aspectos observados. leitura e escrita e, ainda, sabendo que o processo
A pergunta 10 do questionário indagou desenvolvedor dessas habilidades e competên-
sobre em que disciplinas da educação básica cias transcorre por toda a Educação Básica para
houve maior exigência para o processo de aqui- desembocar no Ensino Superior, principiando
sição de leitura e de escrita, sendo indicadas aos com as capacidades leitoras, os estudantes-res-
estudantes-respondentes, a título de referência, pondentes dessa pesquisa foram questionados,
as disciplinas Português, Matemática, Histó- na Pergunta nº 11, da seguinte maneira: Você
ria, Geografia, Literatura, Ciências, além de possui hábitos de leitura?
se possibilitar o espaço “Outras”, no qual pu- Essa pergunta, da maneira direta como
dessem registrar qualquer disciplina cujos pro- foi apresentada, poderia revelar de maneira
cessos aludidos tenham sido evidenciados, de mais profunda a condição leitora dos respon-
acordo com as vivências de cada um. dentes, de acordo com o próprio conhecimento
Considerou-se essa pergunta importante que eles tivessem sobre essa condição. Poderia,
para o questionário, uma vez que as discipli- também, destacar alguma contradição a respei-
nas sugeridas são de muita presença em todos to da competência leitora deles em comparação
os anos da Educação Básica, sendo que, no com respostas anteriores. Ainda, poderia servir
Ensino Médio, as “ciências” se desmembram para pontuar as possibilidades de aquisição de
em disciplinas específicas, enquanto os proce- conhecimento no curso por esse viés.

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112 ARTIGOS | O valor do letramento na gênese do contador: uma visão da aprendizagem em Curso de Ciências Contábeis do Ensino Superior

Assim, analisando-se os dados coleta- “Periódicos acadêmicos”, uma vez que esses
dos a partir das respostas a essa pergunta, ob- materiais são de utilização intensa nas ativida-
servou-se que, entre os estudantes do terceiro des acadêmicas no ensino superior.
semestre, 11 afirmaram possuir hábitos de lei-
tura – 6 do sexo feminino e 5 do sexo mascu- 5 CONCLUSÃO
lino – e 7 afirmaram não possuir esse hábito
– 5 do sexo feminino e 2 do sexo masculino. Os resultados deste estudo são parciais,
Já entre os estudantes do quarto semestre, 18 pois não é possível, nesse momento, fazer uma
informaram possuir hábitos de leitura – 9 do análise geral sobre o letramento do curso de Ci-
sexo feminino e 9 do sexo feminino – e 5 dis- ências Contábeis da IES analisada, visto que a
seram não ter hábito de ler – 3 do sexo femi- pesquisa está em seus primeiros momentos e,
nino e 2 do sexo masculino. Entre os estudan- ainda, pelo fato de o questionário não ter tido
tes-respondentes do grupo do oitavo semestre, aplicação em todos os semestres.
12 responderam ter hábitos de leitura – 6 do Na averiguação realizada, observou-se
sexo feminino e 6 do sexo masculino – e 4 que os estudantes dos semestres investigados
declararam não possuir tal hábito – 3 do sexo tiveram, em sua Educação Básica, boa exposi-
feminino e 1 do sexo masculino. ção a diversos textos, mas possivelmente não
Em tese, a expressividade positiva do nú- obtiveram dessa exposição condições plenas de
mero de estudantes que se declararam leitores se tornarem competentes leitores e produtores
funciona como algo positivo aos estudos acadê- de textos, de forma a terem compreensão mais
micos deles, bem como a sua formação profis- abrangente e crítica sobre a sociedade na qual
sional. No entanto, tal expressividade contrasta estão inseridos e conhecimentos prévios ade-
com as experiências de leitura vividas em sala quados à formação em Ciências Contábeis.
de aula e nas diversas atividades propostas pe- Portanto, é possível, com base na pes-
los professores nas mais variadas disciplinas do quisa até aqui realizada, descartar a hipótese
curso e por eles relatadas. Em outras palavras, de que as dificuldades de letramento no ensi-
a declaração de ser leitor frequente não valida a no superior devam-se exclusivamente a defi-
necessidade de se ter no curso “leitor eficiente” ciências nesse nível de ensino, posto que foi
às demandas do próprio curso. constatado haver deficiências já ocorrentes na
Corrobora essa reflexão as informações Educação Básica.
coletadas na Pergunta 12: “Tendo hábitos de Foi possível notar, ainda, que os estudan-
leitura, indique abaixo em que suportes eles tes, embora em sua maioria tenham se decla-
se confirmam.”. A esse questionamento suge- rado letrados, há limitações em seus aprendi-
riu-se, no questionário, como possibilidades zados em decorrência de deficiências leitoras e
de respostas, os seguintes suportes: a) Jornal de escrita. Ao revelarem, pelas respostas dadas,
de circulação regional; b) Jornal de circulação terem dificuldade no alcance do conhecimento
nacional; Revista de circulação nacional; d) Li- a partir da leitura e produção de textos técnicos,
vros de literatura; e) Livros técnico-acadêmi- informam, mesmo que de forma inconsciente, a
cos; f) Periódicos acadêmicos. É de chamar a necessidade de se implementar, no curso, ações
atenção o fato de apenas 4 estudantes do tercei- que possibilitem a aquisição do conhecimento
ro semestre – 3 do sexo feminino e 1 do sexo necessário à melhor formação profissional. O
masculino –, 8 do quarto semestre – 3 do sexo fato de sinalizarem consciência de que a leitura
feminino e 5 do sexo masculino – e 7 do oitavo e a escrita são importantes no ambiente profis-
semestre – 3 do sexo feminino e 4 do sexo mas- sional do futuro contador é algo a ser valoriza-
culino – terem assinalado “Livros técnico-aca- do nas ações em todas as disciplinas do curso.
dêmicos” como resposta, e apenas 6, de todos Entende-se que esse artigo poderá servir
os inquiridos, terem revelado proximidade com de auxílio para pesquisas e trabalhos futuros,

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AUTORES | Francisco Sérgio Souza de Araujo 113

uma vez que expõe a importância deste estudo poor Basic Education, which is influencing the
e, com linguagem de fácil compreensão, faz o higher education.
estudante e profissional da Contabilidade al-
cançar maior nível de entendimento do que seja Keywords: Accounting Sciences. Accountant.
Letramento e de sua importância. Accountant formation. Literacy.
Por fim, informa-se ser importante
que novas pesquisas sobre o mesmo tema EL VALOR DE LA
sejam empreendidas no curso, focando gru- ALFABETIZACIÓN EN LA GÉNESIS
pos de estudantes de todos os semestres, a DEL CONTADOR: UNA VISIÓN
fim de se ter uma análise mais aprofundada DEL APRENDIZAJE EN EL CURSO
do processo de letramento no desenvolvi- DE CIENCIAS CONTABLES EN LA
mento do curso, bem como um novo olhar ENSEÑANZA SUPERIOR
acerca do assunto nessa área de formação
do ensino superior. RESUMEN

THE VALUE OF LITERACY IN Ese estudio investigó el proceso de alfabetiza-


THE GENESIS OF ACCOUNTANTS: ción en la adquisición de conocimiento durante
la formación del contador, en una institución
A VISION OF THE LEARNING
particular de enseñanza superior en la ciudad
PROCESS OF A HIGHER
de Fortaleza – Ceará, apurando, entre estudian-
EDUCATION COURSE IN tes del tercer, del cuarto y del octavo semestres
ACCOUNTING SCIENCES del curso de Ciencias Contables, alfabetización
anterior al curso y durante el mismo y, tambi-
ABSTRACT én, averiguando su importancia en la forma-
ción profesional. Para la realización de la in-
This study carried out an investigation on the vestigación, se utilizó el método bibliográfico;
literacy process in the acquisition of knowledge la investigación es un “estudio de caso”, que
during the formation of an accountant in a pri- utilizó como técnica de pesquisa un cuestiona-
vate HEI in the city of Fortaleza, Ceará, among rio. Se entiende que tenga abordaje cualitativo
students of the third, fourth and eighth semes- y cuantitativo, una vez que los datos colectados
ters of Accounting Sciences, on literacy prior to permitieron no solamente interpretación esta-
and during the course and also, ascertaining its dística, pero inferencias a partir de las informa-
importance in professional formation. For the ciones colectadas. Por la muestra, se compren-
accomplishment of the research, the bibliogra- de que el estudio presente resultados parciales,
phic method was used; the research is a “case lo que posibilita otras investigaciones en el
study”, which used a questionnaire as research mismo curso de la institución de enseñanza
technique. It is understood that the study has superior, así como análisis comparativos con
a qualitative-quantitative approach, since the inquisiciones existentes en otras instituciones.
collected data allowed not only a statistical Aunque en carácter parcial, se constató existir
interpretation, but also inferences about them. problemas de alfabetización de los estudiantes,
Because of limitations of the sample, this study en parte advenidos de la Educación Básica, lo
presents only partial results, with the possibility que influencia la formación superior.
of other investigations concerning the course of Palabras clave: Ciencias Contables. Contador.
the HEI, as well as comparative analysis with Formación del contador. Alfabetización.
existing inquiries in other institutions. Even
with partial results, problems of literacy among
the students have been found, partly caused by

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114 ARTIGOS | O valor do letramento na gênese do contador: uma visão da aprendizagem em Curso de Ciências Contábeis do Ensino Superior

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AUTORES | Mario Souza da Rocha 115

doi:10.12662/2359-618xregea.v5i2.p115-123.2016

ENSAIOS

O PAPEL DO CONTADOR NA PRESTAÇÃO DE


CONTAS ELEITORAIS

RESUMO

Este ensaio tem por objetivo analisar o papel do contador na “Pres-


tação de Contas dos Partidos Políticos e dos Candidatos”, eviden-
ciando as atividades dos contadores, tendo em vista que este pro-
fissional desenvolve o trabalho, desde as classificações contábeis
às digitações das movimentações financeiras das arrecadações e
os gastos de campanha, bem como, ao final da elaboração do tra-
balho desenvolvido, apresenta como resultado as peças contábeis.
Contudo, para que se possa apresentar esse resultado ao Juiz, é
necessária a assinatura de um advogado, mesmo que tenha parti-
cipado ou não no desenvolvimento do serviço contábil. Em outros
juízos, tais como na justiça trabalhista, varas cíveis, o contador, ao
atuar como perito, apresenta os Laudos Periciais diretamente em
cartório, sendo, portanto, desnecessária a figura do advogado para
assinar as peças contábeis. Diante disso, os principais resultados
do estudo permitem concluir que a perícia é de exclusividade do
contador e, nesse aspecto, ele deve apresentar seu trabalho, assim
como responder às diligências que lhe forem demandadas, sem
que um advogado assine o que por ele não foi realizado, haja vista
que o patrono não participou da elaboração contábil; tal situação
fere o Código de Ética dos Advogados.

Palavras-chave: Contador. Advogado. Prestação de Contas Elei-


toral.

1 INTRODUÇÃO

A crescente necessidade assumida pela Justiça Eleitoral no


que tange às prestações de contas dos Candidatos nas eleições e
dos partidos políticos, anualmente, exige a atuação do profissional
da contabilidade, o qual realiza o trabalho, desde as classificações
contábeis às digitações das movimentações financeiras das arreca-
dações e dos gastos eleitorais, cujo resultado final corresponde às
Mario Souza da Rocha peças contábeis a serem aprovadas ou não. O fato é que esse pro-
[Link]@[Link] fissional não pode requerer a apresentação das prestações de con-
Graduado em Ciências tas elaboradas por ele perante a Justiça Eleitoral, se não constar
Contábeis e Gestão Financeira.
Ex-Superintendente Regional
no bojo do trabalho desenvolvido, a assinatura de um advogado,
do Trabalho e Emprego de mesmo que este não tenha participado do feito.
Roraima. Na Justiça Trabalhista e Varas Cíveis, o Contador leva o re-

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116 ENSAIOS | O papel do contador na prestação de contas eleitorais

sultado de seu trabalho, nos casos em que atua de Gil (2008). Destaca-se que grande parte do
como perito diretamente ao Juiz, consoante estudo foi embasada na legislação pertinente e
estatui o Código Civil e o Código de Processo na bibliografia que trata do tema, fazendo um
Civil, sem que haja a necessidade da assinatura comparativo destes dois pilares.
de um advogado para atestar o trabalho elabo-
rado por ele. Busca-se, neste estudo, discutir, 2 A PROFISSÃO CONTÁBIL
com base nesse pressuposto, a desnecessária
presença de um advogado para assinar as peças O Contador tem a responsabilidade de
contábeis apresentadas à Justiça Eleitoral, haja gerar informações de todas as operações reali-
vista que o advogado está assinando um traba- zadas por uma empresa, assim como demons-
lho realizado por outro profissional, ferindo, trar os resultados para o processo de tomada
claramente, o que dispõe o Código de Ética dos de decisão pelos administradores da empresa
Advogados e dos Contadores. e demais usuários; tem ele que estar no centro
A partir desse entendimento, observa-se do processo de transformações para atender ao
que a apresentação das prestações de contas mundo globalizado.
eleitorais deve embasar-se, por analogia, ao De acordo com Nasi (1994 apud KRAE-
que dispõe o artigo 477 do Código de Processo MER, 2000, p. 55), para que isso aconteça:
Civil, o qual preconiza que os laudos periciais
são realizados pelos Peritos Contadores, não O Contador deve estar no centro e
trazendo, portanto, a exigência da assinatura de na liderança deste processo, pois, do
um patrono. Com isso, elimina a obrigatorie- contrário, seu lugar vai ser ocupado
dade do contador em apresentar o resultado de por outro profissional. O Contador
seu trabalho em juízo eleitoral prescindido da deve saber comunicar-se com as ou-
tras áreas da empresa. Para tanto, não
assinatura de um Advogado.
pode ficar com os conhecimentos res-
Diante do exposto, este ensaio tem como tritos aos temas contábeis e fiscais. O
objetivo analisar o papel do contador na “Pres- Contador deve ter formação cultural
tação de Contas dos Partidos Políticos e dos acima da média, inteirando-se do que
Candidatos,” tendo como pressuposto que a acontece ao seu redor, na sua comu-
prestação de contas dos partidos políticos e dos nidade, no seu Estado, no seu País e
candidatos é atividade exclusiva dos contado- no mundo. O Contador deve ter um
res, de modo que a assinatura de um advoga- comportamento ético-profissional in-
do no serviço contábil torna-se dispensável, na questionável. O Contador deve par-
medida em que o desenvolvimento do trabalho ticipar de eventos destinados à sua
permanente atualização profissional
é fruto tão somente do trabalho de um contador,
(educação continuada). O Contador
que é o profissional detentor do conhecimento deve estar consciente de sua respon-
técnico para elaborá-la. sabilidade social e profissional.
Para atender ao objetivo da pesquisa, é
elaborado um levantamento comparativo de Por fim, cabe salientar que o profis-
como funciona o encaminhamento dos laudos sional da contabilidade tem entre
periciais realizados pelo contador que atua outras funções o papel de resolver
como perito judicial nas Justiças Comum e do enigma do processo administrativo
Trabalho, assim como o que estabelece a lei e financeiro, não como obrigado por
sobre o caso em comento. Para tanto, tem-se deliberação, mas como responsá-
veis pelo arrolamento dos dados que
uma pesquisa exploratória para conhecer o
preocupam aos usuários. E ter con-
problema ora estudado e atingir o objetivo pro- fiança de que o executivo se norteie
posto, que é esclarecer e modificar conceitos por elementos que favoreça a tomar
e ideias, seguindo, assim, as recomendações a melhor decisão, por meio de seus

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AUTORES | Mario Souza da Rocha 117

documentos contábeis, bem como os os partidos políticos devem manter,


caminhos que devem ser percorridos em sua escrituração, contas contábeis
(SILVA, 2003, p. 3). específicas dos recursos destinados às
campanhas eleitorais, a fim de permitir
Nesta senda, o contador tem aptidão para a sua segregação de quaisquer outros e
analisar contas, bem como traçar estratégias a a identificação de sua origem.
serem tomadas; no entanto, seu trabalho não se
limita a isto, uma vez que deve estar inteirado Como acentuado, o serviço de prestação
aos acontecimentos globais. de contas a ser realizado por um contador tor-
nou-se imprescindível e obrigatório perante a
2.1 OBRIGATORIEDADES DE TER Justiça Eleitoral, com vistas a deixar cristalina
e bem delineada a destinação dos recursos fi-
UM CONTADOR NA PRESTAÇÃO
nanceiros nas campanhas eleitorais.
ELEITORAL DE CONTAS
3 A PRESTAÇÃO DE CONTAS NA
Desde que foi estabelecida pela lei dos
partidos políticos que estes e os candidatos de- JUSTIÇA ELEITORAL
veriam apresentar as prestações de contas para
a Justiça Eleitoral e tendo nas normas de con- A prestação de Contas na Justiça Eleito-
tabilidade que esse trabalho deve ser realizado ral é o ato pelo qual o candidato, o Comitê Fi-
por um profissional de contabilidade, a exigên- nanceiro e/ou os partidos políticos informam à
cia de que essa prestação fosse feita e assinada Justiça Eleitoral sobre a origem da arrecadação
obrigatoriamente por um contador só ocorreu a de recursos e as despesas da campanha.
partir das eleições de 2014. Os candidatos, os comitês financeiros e
Define Mattos (2014, p. 39): os partidos políticos devem prestar contas ao
final do processo eleitoral, ao passo que os par-
A escrituração contábil, por sua vez, tidos políticos devem apresentar, anualmente,
só pode ser efetuada por CONTA- toda a documentação contábil. Na prestação de
DOR ou TÉCNICO EM CONTABI- contas final, devem ser identificados os nomes
LIDADE, com inscrição regular no dos doadores de cada centavo arrecadado, bem
Conselho Regional de Contabilidade como os respectivos valores doados.
da sua respectiva jurisdição, ex vi do Neste sentido, colaciona-se a conceitu-
disposto nos arts. 12 e 25 do Decreto- ação sobre o tema, conforme a Lei 9.096/95
-Lei nº 9.295/46. Avanço importante (BRASIL, 1995) e suas alterações: “art. 30. O
na Resolução TSE nº 23.406 é a exi-
partido político, através de seus órgãos nacio-
gência de que as prestações de contas
sejam firmadas por profissional da nais, regionais e municipais, deve manter escri-
contabilidade. Tal ato é prerrogativa turação contábil, de forma a permitir o conheci-
profissional, sendo, portanto, condi- mento da origem de suas receitas e a destinação
ção necessária para a legitimação dos de suas despesas.” (BRASIL, 1995).
procedimentos contábeis. O reconhe- Observa-se que essas atividades são ex-
cimento expresso do Tribunal Supe- clusivas dos profissionais de contabilidade.
rior Eleitoral acerca da participação Giavarina (2002, p. 193) define:
imperativa do profissional da conta-
bilidade na elaboração das prestações As prestações de contas dos candida-
de contas evidencia, em consequência, tos às eleições Majoritárias serão feitas
a relevância da escrituração contábil por intermédio do comitê Financeiro,
como suporte indispensável de todo o devendo ser acompanhadas dos extra-
processo. É exatamente em nome da tos das contas bancárias referentes à
transparência do processo eleitoral que movimentação dos recursos financei-

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118 ENSAIOS | O papel do contador na prestação de contas eleitorais

ros usados na campanha e da relação I. Balanço Patrimonial;


dos cheques recebidos, com a indica- II. Demonstração do Resultado do Exer-
ção dos respectivos números, valores cício;
e emitentes. As prestações de contas III. Contas Bancárias;
dos candidatos às eleições proporcio-
IV. Concılıação Bancárıa;
nais serão feitas pelo comitê financei-
ro ou pelo próprio candidato.
V. Demonstrativo de Pagamento e/ou
Assunção de Obrigações de Outras
Corroborando o assunto, Giavarina (2004, Esferas Partidárias;
p. 295) argumenta: “o partido político através de VI. Agentes Responsáveis;
seus órgãos nacionais, regionais e municipais, VII. Demonstrativo de Recursos Recebi-
deve manter escrituração contábil, de forma a dos do Fundo Partidário;
permitir o conhecimento da origem de suas re- VIII. Demonstrativo de Recursos Distribu-
ceitas e a destinação de suas despesas.” ídos do Fundo Partidário;
Percebe-se, portanto, que, para o de- IX. Demonstrativo de Doações Financei-
senvolvimento da escrituração contábil, há a ras Recebidas;
necessidade da presença de um contador, que X. Demonstrativo de Doações Estimá-
é o profissional detentor do conhecimento veis Recebidas;
técnico-científico para elaborar as prestações XI. Demonstrativo de Obrigações a Pagar;
de contas. XII. Demonstrativo de Dívidas de Campa-
nha;
XIII. Demonstrativo de Receitas e Gastos;
3.1 DAS PEÇAS QUE COMPÕEM A
XIV. Demonstrativo de Transferências de
PRESTAÇÃO DE CONTAS NA JUS- Recursos Efetuadas Para Campanhas
TIÇA ELEITORAL Eleitorais A Candidatos, Comitês Fi-
nanceiros e Diretórios Partidários;
Para cada eleição, uma lei, assim o Tri- XV. Demonstrativo de Contribuições Re-
bunal Superior Eleitoral estabelece as regras cebidas;
por meio de Resoluções para cada pleito. XVI. Demonstrativo de Sobras de Campa-
A Lei nº 9.504/97 (BRASIL, 1997), as- nha Financeira Recebida;
sim dispõe: “art. 17-A. A cada eleição caberá XVII. Demonstrativo de Sobras de Campa-
à lei, observadas as peculiaridades locais, fixar nha de Bens Permanentes;
até o dia 10 de junho de cada ano eleitoral o XVIII. Demonstrativo dos Fluxos de Caixa.
limite dos gastos de campanha para os cargos
em disputa; não sendo editada lei até a data.” Constata-se, a partir do artigo 14 da Re-
Assim, o Tribunal Eleitoral tem até o dia solução do TSE 21.841/2004 (BRASIL, 2004),
5 de março de cada ano eleitoral para aprovar que os procedimentos e os formulários que
as resoluções, contendo as regras que regerão fazem parte do elenco de documentos para as
as eleições; entre elas, a que estabelece a Pres- peças da prestação de contas são das atividades
tação de Contas. exclusivas dos profissionais de Contabilidade.

3.1.1 Peças para a Prestação de Contas 3.1.2 Peças Para a Prestação de Contas
dos Partidos Político do Candidato
Os documentos necessários para a pres- A Resolução do TSE 23.463/2015
tação de contas dos partidos políticos estão (BRASIL, 2015a), em seu artigo 48, elenca os
elencados no artigo 14 da Resolução do TSE documentos necessários para a prestação de
21.841/2004, in verbis (BRASIL, 2004): contas, vejamos:

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AUTORES | Mario Souza da Rocha 119

I. Ficha de Qualificação do Candidato 4 A PERÍCIA CONTÁBIL


ou do Comitê Financeiro, conforme o
caso; A perícia contábil é uma atividade do
II. Demonstrativo dos Recibos Eleito- ramo da contabilidade que é realizada exclusi-
rais Recebidos; vamente pelo Contador. É, na realidade, uma
III. Demonstrativo dos Recibos Eleito- das atividades de maior relevância exercidas
rais Distribuídos, no caso de presta- pelo contador, a qual exige profundos conhe-
ção de contas de comitê financeiro; cimentos e dedicação, não só da contabilidade
IV. Demonstrativo dos Recursos Arreca- propriamente dita, mas de outras áreas afins,
dados; bem como uma atitude ética e perseverante.
V. Demonstrativo das Despesas Pagas O contador, quando no exercício da fun-
após a Eleição; ção de perito, tem a obrigação de evidenciar
VI. Demonstrativo de Receitas e Despe- todos os esforços possíveis em busca da vera-
sas; cidade dos fatos, transcrever em Laudo Pericial
VII. Demonstrativo do Resultado da Co- os resultados que obteve dos exames realiza-
mercialização de Bens e da Realiza- dos, agindo sempre com o máximo de indepen-
ção de Eventos; dência ética e absoluta sensatez.
VIII. Conciliação Bancária; A perícia contábil é uma atividade que,
IX. Termo de Entrega à Justiça Eleitoral apesar da relevância e da importância, ainda
dos recibos eleitorais não utilizados, não é tida como profissão, Apesar dos obstácu-
acompanhado dos respectivos recibos; los a serem vencidos pela classe contábil para
X. Relatório de Despesas Efetuadas; que a perícia contábil tenha um melhor desta-
XI. Demonstrativo de Doações Efetuadas a que, principalmente, quanto à perícia judicial,
Candidatos ou a Comitês Financeiros; ela pode ser executada com maior rigor técnico
XII. Extratos da conta bancária aberta em cientifico. “A perícia judicial consiste no meio
nome do candidato; pelo qual pessoas habilitadas, capacitadas e de
XIII. Canhotos dos recibos eleitorais utili- idoneidade moral, assumem o compromisso de
zados em campanha; bem e fielmente desempenhar os deveres de seu
XIV. Guia de depósito comprovando o re- cargo, na forma e sob as penas da lei.” (CA-
colhimento à respectiva direção par- BRAL, 2003, p. 38).
tidária das sobras financeiras de cam- Com o novo Código de Processo Civil
panha, quando houver; que determina a criação do Cadastro de peritos
XV. Declaração da direção partidária no âmbito da Justiça, cujo Conselho Nacional de
comprovando o recebimento das so- Justiça - CNJ criou uma comissão para que seja
bras de campanha constituídas por elaborada uma resolução nesse sentido, o Con-
bens e/ou materiais permanentes, selho Federal de Contabilidade - CFC igualmen-
quando houver; te estabeleceu norma no mesmo sentido.
XVI. Documentos fiscais que comprovem No que tange às atividades do contador,
a regularidade dos gastos eleitorais relacionadas às atividades de perito, temos
realizados com recursos do Fundo como conceito definido no Código de Processo
Partidário, quando houver. Civil o que segue: “art. 477. O perito protoco-
lará o laudo em juízo, no prazo fixado pelo juiz,
Os procedimentos e os formulários que pelo menos 20 (vinte) dias antes da audiência
fazem parte do elenco de documentos para as de instrução e julgamento.” (BRASIL, 2015b).
peças da prestação de contas são igualmente Consoante ao que dispõe o artigo supra-
das atividades exclusivas dos profissionais de mencionado, o Contador no bojo da atuação
Contabilidade. pericial protocolizará o laudo desenvolvido por

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120 ENSAIOS | O papel do contador na prestação de contas eleitorais

ele, não havendo necessidade de um advogado lado mediante petição. O requerimento do alva-
para assinar o trabalho contábil realizado per ele. rá para levantamento dos honorários periciais
poderá estar contido na petição de apresentação
4.1 O LAUDO PERICIAL do laudo ou em petição apartada.”
Como visto na atuação pericial, o Conta-
Em conformidade com o estabelecido na dor, ao desenvolver seu trabalho, assina a peça
Resolução 1.041/05 do CFC NBC T 13.6 – Lau- e apresenta ao juízo; no entanto, na Justiça
do Pericial Contábil de 26 de agosto de 2005 Eleitoral, dependerá da assinatura de um advo-
(PORTAL DE CONTABILIDADE, 2005): gado para apresentar a prestação de contas feita
por ele. Em analogia ao que acontece na Justiça
[Link] – O laudo pericial contábil e Comum, também deveria acontecer na Justiça
ou parecer pericial contábil têm por Eleitoral, uma vez que a prestação de contas é
limite os próprios objetivos da perícia um trabalho de atribuição tão somente do Con-
deferida ou contratada. tador, portanto deve ser dispensável a rubrica
13.1.2 – A perícia contábil, tanto a de um advogado.
judicial como a extrajudicial e a ar-
bitral, é de competência exclusiva de
contador registrado em Conselho Re- 5 QUANTO À ÉTICA DO ADVOGADO
gional de Contabilidade.
13.1.3 – Nos casos em que a legisla- A ética profissional é um conjunto de
ção admite a perícia interprofissional, normas e valores de comportamento e de rela-
aplica-se o item anterior exclusiva- cionamento adotados no âmbito profissional,
mente às questões contábeis, segundo no exercício de qualquer atividade. Ter uma
as definições contidas na Resolução conduta ética é saber construir relações de qua-
CFC n.º 560/83. lidade com a profissão, contribuir para o bom
13.1.4 – A presente Norma aplica-se
funcionamento das atividades de trabalho e
ao perito-contador nomeado em Juí-
zo, ao contratado pelas partes para a para a formação de uma imagem positiva da
perícia extrajudicial ou ao escolhido profissão perante os públicos de interesse, tais
na arbitragem; e, ainda, ao perito- como os clientes e a sociedade em geral.
-contador assistente indicado ou con- Líderes de empresas e organizações têm
tratado pelas partes. defendido que bons ambientes profissionais de
trabalho, com relacionamentos amigáveis e res-
Diante disto, o laudo pericial é o resulta- peitosos, contribuem para o aumento do nível
do do trabalho escrito do Perito-Contador cujo de confiança e comprometimento entre os pro-
objetivo final é levar informações técnicas es- fissionais das mais distintas áreas de atuação,
pecializadas e precisas para que sirva de baliza- refletindo no bom desempenho de trabalho e no
dor para o Juiz na tomada de decisão. desenvolvimento das diversas profissões. E que
comportamentos antiéticos prejudicam as es-
4.1.1 Entrega do Laudo e o levantamento truturas organizacionais, assim como o melhor
dos honorários desempenho de outras categorias profissionais.
O código de ética dos Advogados define
Na Justiça Trabalhista e Cível, um Conta- conforme: “Art. 34. Constitui infração disci-
dor, ao atuar como perito, tem inteira autonomia plinar: V - assinar qualquer escrito destinado a
para elaborar o Laudo Pericial, e, ao submeter ao processo judicial ou para fim extrajudicial que
juízo competente, basta tão somente sua assina- não tenha feito, ou em que não tenha colabora-
tura para atestar a legitimidade da peça. do.” (BRASIL, 1994).
Neste sentido, explica Santos (2003, p. Portanto, a assinatura de um advogado
21): “o laudo deverá ser apresentado e protoco- que não tenha participado da elaboração das

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AUTORES | Mario Souza da Rocha 121

prestações de contas eleitorais constituiu infra- também virem assinadas por um Advogado.
ção disciplinar, na medida em que não é per- Com isso, o Tribunal Superior Eleitoral abriu
mitido que esse profissional assine a peça para uma janela nas peças da prestação de contas
cuja elaboração não tenha contribuído. No que elaboradas pelos profissionais da contabilida-
se refere às prestações de contas, esta, sim, é de no sentido de que elas pudessem ser assi-
atividade de exclusividade do contador, em nadas por eles.
razão de exigir conhecimento técnico-cientifi- Portanto, o problema da pesquisa em co-
co deste profissional. Portanto, mostra-se des- mento está relacionado em buscar a dignidade
necessária a rubrica de um patrono nas peças dos profissionais da contabilidade, assim como
eleitorais confeccionadas por um Contador. a dignidade e a ética do advogado. O simples
fato de os processos de prestação de contas te-
6 RESULTADOS E CONSIDERAÇÕES rem adquirido natureza Jurídica, os trabalhos
FINAIS executados pelos contadores é de sua compe-
tência e exclusividade; a janela que se abriu
A partir da análise comparativa da legis- nas peças contábeis de prestação de contas para
lação e dos autores (bibliografias) que tratam que o advogado pudesse assinar o trabalho re-
do tema objeto deste ensaio, verificou-se que alizado pelo contador não elimina sua natureza
a confecção de todas as peças que compõem a administrativa.
prestação de contas dos partidos políticos, dos Além disso, na realização do trabalho,
candidatos e dos comitês financeiros é atividade revisou-se a legislação e a bibliografia perti-
exclusiva dos profissionais de contabilidade. nente acerca dos encaminhamentos dos laudos
Em conformidade com a análise feita periciais elaborados por doutrinadores e sua
desde a publicação da Lei 9.096, de 19 de se- apresentação de forma que é assegurado por lei
tembro de 1995, e da Lei Eleitoral 9.504, de 30 e Normas Brasileiras de Contabilidade que é o
de setembro de 1997, torna-se obrigatório aos Perito Contador que peticiona ao juízo, apre-
Partidos Políticos, aos Candidatos e aos comi- sentando o trabalho por ele elaborado, no caso
tês Financeiros proceder às Prestações de Con- em comento, o Laudo Pericial. Já em relação
tas. Sabe-se que os Partidos Políticos Prestam à prestação de contas dos Partidos Políticos, a
Contas Anualmente, já os candidatos prestam dos Candidatos, para que o contador leve o re-
contas sempre ao final de cada eleição. sultado de seu trabalho a juízo, é necessário que
Contudo, apesar dessa obrigatoriedade conste nele a assinatura de um Advogado.
aos Partidos Políticos, aos Candidatos e aos co- Conclui-se que, se na Justiça Trabalhis-
mitês Financeiros de procederem às Prestações ta, na Justiça Federal, na Justiça Estadual, o
de Contas, ao longo dos anos, vinham atuando Contador atua como Perito Contador encami-
sem a obrigação de fazê-las, sem que essa tare- nhando os Laudos Periciais, ou respostas for-
fa fosse executada por um profissional da con- muladas pelo Juiz, quando necessário for, para
tabilidade e sem que os órgãos de fiscalização tirar dúvidas que ainda restarem do magistrado.
da classe contábil tomassem uma atitude mais Sendo assim, o contador pode encaminhar as
enérgica no sentido de tornar obrigatório, por peças das prestações de contas à Justiça Eleito-
exemplo, patrocinar ação no STF no sentido de ral, além de responder às diligências questiona-
exigir que a atividade seja exclusiva de profis- das pelo juízo.
sional da contabilidade. Para tal, entende-se que se torna sufi-
A obrigatoriedade para que os Partidos ciente que a Prestação de Contas dos Partidos
Políticos, os Candidatos procedam às Presta- Políticos e dos Candidatos se torne atividade
ções de Contas por um profissional de conta- exclusiva dos Contadores e sua apresentação
bilidade veio a partir das eleições de 2014, po- por analogia ao que dispõe o artigo 477 CPC
rém, acompanhada da obrigatoriedade de elas quanto aos encaminhamentos dos laudos peri-

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122 ENSAIOS | O papel do contador na prestação de contas eleitorais

ciais feito pelos Peritos Contadores. Com isso, EL PAPEL DEL CONTADOR EN LA
elimina-se a redundância de que o contador, PRESTACIÓN DE LAS CUENTAS
para poder apresentar o resultado de seu traba- ELECTORALES
lho em juízo eleitoral, tenha que, obrigatoria-
mente, está munido da assinatura do Advogado RESUMEN
que não o fez.
Este ensayo tiene por objetivo analizar el pa-
THE ROLE OF THE ACCOUNTANT pel del contador en la “Prestación de Cuentas
IN THE PROVISION OF de los Partidos Políticos y de los Candidatos”,
ELECTORAL ACCOUNTS evidenciando las actividades de los contadores,
teniendo en cuenta que este profesional desar-
ABSTRACT rolla el trabajo, desde las clasificaciones conta-
bles hasta las digitaciones de los movimientos
The objective of this essay is to analyze the role financieros de las recaudaciones y de los gasta-
of the accountant in the provision of the elec- dos de campaña, así, al final de la elaboración
toral accounts, both for the candidates as for del trabajo desarrollado, son presentadas como
the political parties, evidencing the activities of resultado las piezas contables. Con todo, para
the accountants, as he does most of the work in que se pueda presentar ese resultado al juez, es
relation to the accounting requirements, from necesaria la firma de un abogado, aunque no
the accounting classifications, the typing of the tenga participado en el desarrollo del servicio
financial operations of the campaign funding contable. En otros juicios, como en la justicia
and spending, to the preparation and presen- del trabajo y jurisdicciones civiles, el contador,
tation of the accounting reports. However, to actuando en cuanto perito, presenta los laudos
present this result to the judge, the signature periciales directamente en registro, en lo que
of a lawyer is necessary, no matter if he has es, por tanto, desnecesaria la figura del abogado
participated or not in the development of the en las piezas contables. Ante a eso, los princi-
electoral accounts. In other judgments, such as pales resultados de esa investigación permiten
of the Labour and Civil Courts, the accountant concluir que la pericia es de exclusividad del
is considered an expert and presents the Expert contador y, en ese aspecto, él debe presentar su
Reports directly to the office, therefore it isn’t trabajo, así como contestar a las diligencias que
necessary that a lawyer signs the accounting le sean requeridas, sin que un abogado firme lo
statements. Given this, the main results allow que no fue por él realizado, teniendo en cuenta
to conclude that the financial expertise is ex- que él no participó en la elaboración contable,
clusively of the accountant and, in this way, he y que dicha situación hiere el Código de Ética
should be able to present his work, as well as de los Abogados.
to respond to the proceedings as they may be
demanded, without the interfering of a lawyer Palabras clave: Contador. Abogado. Presta-
signing for something he didn’t prepare. Consi- ción de Cuentas Electorales.
dering, also, that the proprietor did not partici-
pate in the elaboration of the electoral accounts REFERÊNCIAS
nor in the electoral acountability, this situation
violates the Lawyer’s Code of Ethics. BRASIL. Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994.
Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Or-
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AUTORES | Mario Souza da Rocha 123

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124 ENSAIOS | A proteção à propriedade industrial das marcas na visão do Superior Tribunal de Justiça

doi:10.12662/2359-618xregea.v5i2.p124-134.2016

ENSAIOS

A PROTEÇÃO À PROPRIEDADE INDUSTRIAL DAS


MARCAS NA VISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE
JUSTIÇA

RESUMO

Mais comum do que se imagina é a prática, reprovável sob o


ponto de vista jurídico, de se criarem marcas e símbolos de bens
ou produtos similares àqueles já consagrados e consolidados no
mercado, fazendo que o consumidor se confunda por ocasião da
escolha do produto. Este cenário foi submetido ao Poder Judici-
ário, especificamente ao Superior Tribunal de Justiça, em várias
ocasiões, mas dois casos chamaram a atenção pela notoriedade das
marcas: a Bombril, cujo símbolo é deveras reconhecido na área
da limpeza e higiene doméstica, e os salgadinhos Cheetos, bem
a gosto da clientela infantil. Assim, empresas e indústrias, ainda
que gerem produtos de qualidade, preferem a artimanha de utili-
zar em suas embalagens símbolos ou emblemas muito próximos
daquelas marcas já reconhecidas, na tentativa irregular de atrair
consumidores e ferindo os princípios básicos da livre iniciativa e
da concorrência leal. Diante da conjuntura, o Poder Judiciário vem
consolidando jurisprudência no intuito de efetivamente proteger
marcas, símbolos e emblemas já consagrados no gosto público. As
mais recentes decisões judiciais acerca do assunto constituem, jus-
tamente, o tema básico do presente ensaio, o qual será construído
a partir da análise jurisprudencial pertinente, bem como, subsidia-
riamente, dos estudos doutrinários e das regras normativas ineren-
tes ao assunto. Aliás, parecem não merecer qualquer conserto tais
decisões, pois são coadunadas ao fiel teor normativo da proteção
garantida às marcas e aos símbolos industriais.

Palavras-chave: Propriedade Industrial. Marcas. Superior Tribu-


Marcos José Nogueira de Souza Filho nal de Justiça.
marcosjnsfilho@[Link]
Mestre em Direito 1 INTRODUÇÃO
Constitucional e Especialista em
Direito Público. Professor de
Instituições de Direito no Curso A atividade econômica conta com a proteção garantida pela
de Administração e de Direito Constituição Federal de 1988, que privilegia a livre iniciativa e a
Administrativo no Curso de economia de mercado. Em várias passagens do texto constitucion-
Direito do Centro Universitário al, fica evidente o caráter capitalista que o legislador constituinte
Christus.. Professor de Direito
Constitucional da Universidade
quis dispensar à organização socioeconômica brasileira, garantin-
de Fortaleza. Advogado. do condições plenas ao exercício da atividade empresarial. Esses
Fortaleza - CE - BR. valores sociais da livre iniciativa, a exemplo dos valores sociais do

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 124-134, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTORES | Marcos José Nogueira de Souza Filho 125

trabalho, mereceram do legislador constituinte empresários, administradores e indutriais de-


a condição de fundamentos da República Fed- vem possuir em face da livre iniciativa e con-
erativa do Brasil (BRASIL, 1988) (art. 1º, inc. corrência leal.
IV). Destarte, a livre concorrência, juntamente Neste sentido, aproveitar-se-ão mais as
com outros elementos também não menos rele- fontes jurisprudenciais do que as doutrinárias e
vantes, galgou a qualidade de um dos princípios legislativas, a partir de um prisma crítico acer-
da atividade econômica elencados no art. 170. ca das recentes decisões judiciais emanadas
Corroborando esta tendência, a Constituição pelo Superior Tribunal de Justiça, pedindo-se
assegura “a todos o livre exercício de qualquer socorro aos ensinamentos doutrinários e às re-
atividade econômica, independentemente de gras normativas apenas em caráter introdutório,
autorização de órgãos públicos, salvo nos ca- subsidiário e esporádico.
sos previstos em lei” (art. 170, parágrafo único) Afinal, o objetivo deste ensaio acadêmi-
(BRASIL, 1988, on-line). co revela sua importância por meio da análise
Visando à garantia da livre concorrência do entendimento do Poder Judiciário na solução
e, ao mesmo tempo, à imposição de restrições à de conflitos inerentes à atividade empresarial e
concorrência desleal, a Carta Magna (BRASIL, à livre concorrência, especificamente quanto à
1988, on-line) oferece às indústrias a prote- proteção das marcas e inventos industriais, que
ção “à propriedade das marcas, aos nomes de constituem relevantes instrumentos inerentes à
empresas e a outros signos distintivos” (art. 5º, imagem e à individualização de cada socieda-
inc. XXIX). Tal proteção incide, além de mar- de empresária na consecução de sua premissa
cas, nomes e signos, sobre emblemas, logotipos maior: o exercício da atividade econômica.
e insígnias, tanto das empresas como também
de seus respectivos produtos. 2 DA TITULARIDADE DOS DIREI-
Não obstante todo o tratamento legisla- TOS FUNDAMENTAIS RELATIVOS
tivo dispensado à matéria, é mais comum do À PROPRIEDADE INDUSTRIAL
que se imagina a afronta a tais mandamentos
constitucionais, especialmente a cargo de em- Muito ainda se discute em doutrina acer-
presas ou indústrias que tendem a se aprovei- ca da titularidade dos direitos fundamentais
tar indevidamente de marcas consolidadas e já individuais, a exemplos dos previstos consti-
consagradas no gosto do consumidor, por meio tucionalmente no art. 5º. Na verdade, a celeu-
do lançamento de produtos como nome e/ou ma está presente na perspectiva daqueles que
emblemas assemelhados. se enquadrariam na qualidade de destinatários
Sobre o assunto, recentemente o Su- dos direitos individuais. À primeira vista, pod-
perior Tribunal de Justiça, em atendimento à er-se-ia limitar tais direitos às pessoas físicas
legislação pertinente e almejando garantir a apenas, até mesmo em razão do viés humano
livre concorrência, proibiu a divulgação e co- dos direitos fundamentais, especialmente aque-
mercialização de produtos com embalagens e les citados no caput do art. 5º (vida, liberdade,
anúncios muito parecidos com o de empresas igualdade, segurança e propriedade) (BRASIL,
concorrentes e já conhecidas no mercado, no 1988).
intuito escuso e ilegítimo de fisgar o consumi- Não obstante, a discussão parece perder
dor mais inadvertido. força na medida em que mais e mais constitu-
Este entendimento jurisprudencial, an- cionalistas se posicionam pela aplicabilidade
tecedido de análise doutrinária sobre o assun- dos direitos fundamentais individuais no con-
to, constituirá o objeto do presente ensaio, que texto também das pessas jurídicas, e não restri-
marca um ponto em comum entre as ciências ta às pessoas naturais. Assim, nada mais corre-
jurídicas e as ciências administrativas, levando to do que entender a pessoa jurídica (sociedade
a cargo o comportamento probo e franco que os empresária, sociedade civil, associação etc.)

ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 124-134, jul./dez. 2016
126 ENSAIOS | A proteção à propriedade industrial das marcas na visão do Superior Tribunal de Justiça

como também destinatária de direitos como se- Quando se analista a literalidade do


gurança, propriedade, livre acesso ao Judiciá- dispositivo em comento (art. 5º), po-
rio, imagem e honra, direito de petição etc. de-se convir que abarque só as pesso-
Este, entretanto, não parece ser o posi- as físicas ou naturais, mas não é bem
assim. As pessoas jurídicas, por serem
cionamento de autores do naipe de José Afonso
entes abstratos, só se expressam por
da Silva e Manoel Gonçalves Ferreira Filho, meio de pessoas físicas, o que leva a
para quem as pessoas jurídicas não poderiam entender que a proteção do indivíduo
ser beneficiárias de direitos fundamentais. Ve- depende, em certa medida, do ampa-
ja-se o que diz, sobre o assunto, o primeiro da- ro conferido às pessoas jurídicas, às
queles constitucionalistas, nivelando os direitos entidades jurídicas personalizadas
fundamentais aos direitos humanos: O disposi- (FERRAIR, 2011, p. 536).
tivo que define e assegura a propriedade indus-
trial “está entre os dos direitos individuais, sem Não menos lúcida é a observação de Ale-
razão plausível para isso, pois evidentemente xandre de Moraes sobre o tema:
não tem natureza de direito fundamental do ho-
mem” (SILVA, 2009, p. 278). Igualmente, as pessoas jurídicas são
Já Manoel Gonçalves Ferreira Filho tam- beneficiárias dos direitos e garantias
bém critica a opção do legislador constituinte individuais, pois reconhece-se às as-
sociações o direito à existência, o que
em incluir o direito de propriedade industrial
de nada adiantaria se fosse possivel
dentro do rol de direitos usufruíveis pelas pes- excluí-las de todos os seus direitos.
soas jurídicas: Dessa forma, os direitos enunciados
e garantidos pela Constituição são de
Sem dúvida, essas formas de pro- brasileiros, pessoas físicas ou jurídi-
priedade, esses direitos aí reconheci- cas [...], pois têm direito à existência,
dos, são importantes para a estrutu- à segurança, à propriedade, à prote-
ra econômica sobre a qual se ergue ção tributária e aos remédios consti-
nossa Constituição. É indiscutível tucionais (MORAES, 2010, p. 35).
exagero, porém, incluí-los no rol dos
direitos fundamentais. Por outro lado,
Diante do exposto, parecem inválidas
a Constituição não lhes atribui garan-
tia especial, de modo que sua enun-
quaisquer críticas à inclusão da propriedade
ciação no art. 5º não impede que a lei industrial no âmbito da lista de direitos fun-
ordinária fixe o seu conteúdo (FER- damentais individuais constante do art. 5º da
REIRA FILHO , 2010, p. 339-340). Constituição Federal, na medida em que parte
daqueles direitos são, sim, usufruíveis por pes-
Entretanto, as vozes destes autores cita- soas jurídicas, sejam dotadas de finalidades lu-
dos parecem ecoar sozinhas no universo dou- crativas (sociedades) ou não (associações).
trinário da teoria dos direitos fundamentais. A
doutrina majoritária, consubstanciada em um 3 LEGISLAÇÃO PERTINENTE À
entendimento mais coerente, posiciona-se a fa- PROPRIEDADE DAS MARCAS
vor da extensão dos direitos individuais às pes-
soas jurídicas. A propriedade industrial, garantida con-
Regina Maria Macedo Nery Ferrair, por stitucionalmente, abrange não somente a in-
exemplo, destaca que o que está por trás deste telectualidade de inventos, mas também os
entendimento é a própria condição da pessoa símbolos, as marcas, os logotipos, os emblem-
jurídica, como uma espécie de ficção jurídica as, enfim tudo aquilo vinculado à imagem e à
formada a partir da conjugação da vontade de atividade da empresa. Trata-se do teor do inc.
uma coletividade de pessoas físicas: XXIX do art. 5º da Constituição Federal, se-

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gundo o qual “a lei assegurará [...] proteção às suem nomes ou sinais que igualmente estão
criações industriais, à propriedade das marcas, protegidos pelo texto constitucional” (ARAÚ-
aos nomes de empresas e a outros signos dis- JO; NUNES JÚNIOR, 2012, p. 206).
tintivos, tendo em vista o interesse social e o A marca da empresa garante-lhe, ainda,
desenvolvimento tecnológico e econômico do privilégio exclusivo de utilização, devendo o
País” (BRASIL, 1988, on-line). Poder Público garantir esta proteção. Na práti-
A propriedade industrial, segundo José ca, a atribuição de promover a inscrição de
Afonso da Silva, constitui “propriedade de marcas e patentes, bem como de fiscalizar sua
bens incorpóreos: privilégio de invenção indus- utilização, recai sobre uma entidade denomina-
trial, que assegura ao inventor o direito de obter da Instituto Nacional de Propriedade Industrial
patente que lhe garanta [...] o direito exclusivo (INPI). Esta, segundo seu site, “é responsável
de utilização do objeto da petente e o conse- pelo aperfeiçoamento, disseminação e gestão
quente direito de impedir que terceiros o faça” do sistema brasileiro de concessão e garantia
(SILVA, 2009, p. 278). de direitos de propriedade intelectual para a in-
A justificativa para a proteção constitu- dústria” (INPI, 2016, on-line).
cional às empresas, em razão de seus inventos E mais:
industriais, é apresentada por Uadi Lammêgo
Bulos, para quem Entre os serviços do INPI, estão os
registros de marcas, desenhos indus-
A propriedade industrial é o conjunto triais, indicações geográficas, progra-
de direitos que recaem sobre inven- mas de computador e topografias de
ções destinadas à exploração eco- circuitos, as concessões de patentes
nômica. [...] A tutela da propriedade e as averbações de contratos de fran-
industrial possui sentido. Inúmeras quia e das distintas modalidades de
vezes, as descobertas científicas e até transferência de tecnologia. Na eco-
as realizações industriais não trazem nomia do conhecimento, estes direi-
qualquer recompensa para seus auto- tos se transformam em diferenciais
res. Quantos cientistas e inventores competitivos, estimulando o surgi-
ficam desamparados juridicamente mento constante de novas identida-
devido às deficiências da legislação? des e soluções técnicas (INPI, 2016,
Daí o mínimo que pode ser feito: tu- on-line).
telar, juridicamente, as novidades re-
veladas ao mundo, outrora ignoradas, Assim, é o INPI a entidade responsável
e que enriquecem o acervo espiritual pelo controle e fiscalização sobre o direito de
do homem, trazendo-lhe benefícios utilização de marcas e patentes industriais, de
(BULOS, 2012, p. 619). domínio do criador ou inventor. É ele também
o compente para receber e registrar pedidos de
Nestes termos, a empresa que primeiro patentes e marcas, bem como de negar o regis-
cria e registra seus símbolos, nomes e emblem- tro se enventualmente a marca se encontra em
as tem preferência de uso de suas marcas sobre situação irregular, em razão de proposital se-
outras empresas que, a pretexto de atuarem na melhança com outra já existente.
mesma área econômica, pegam carona no con- O caráter público presente no controle
solidado reconhecimento que a primeira man- e na fiscalização das marcas e patentes é cor-
tém junto à classe consumidora. Isso é o que roborado por Gilmar Ferreira Mendes e Paulo
também ensinam Luiz Alberto David Araújo Gustavo Gonet Branco:
e Vidal Serrano Nunes Júnior: “As marcas de
indústria e comércio têm a finalidade de rela- Tem-se aqui, pois, garantia institucio-
cionar o produto ao seu fabricante ou ao seu nal quanto ao direito de propriedade
distribuidor. Nesse sentido, as empresas pos- industrial, que obriga o Poder Público

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128 ENSAIOS | A proteção à propriedade industrial das marcas na visão do Superior Tribunal de Justiça

a instituir o sistema de proteção e a 4 O POSICIONAMENTO DO SUPE-


preservá-lo, tendo em vista os con- RIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
tornos estabelecidos pela Constitui-
ção. [...] Identifica-se, também, a pro-
O Superior Tribunal de Justiça, na qua-
priedade industrial enquanto direito
subjetivo assegurado contra eventuais lidade de um dos órgãos de maior instância no
ofensas às posições jurídicas garanti- âmbito da estrutura judiciária brasileira, vem
das pela ordem constitucional (MEN- reiteradamente julgando casos que envolvem
DES; BRANCO, 2013, p. 328). o tema discutido neste ensaio. As decisões se
dão no sentido de garantir plena aplicabilidade
Em nível infraconstitucional, coube à à legislação de proteção industrial, enaltecendo
Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996 (BRA- a livre iniciativa e punindo a concorrência des-
SIL, 1996), regulamentar a propriedade indus- leal, conforme exige a Constituição.
trial, regulamentando o inc. XXIX do art. 5º da Entre as lides judiciais que alcançaram a
Constituição Federal, há pouco transcrito. É instância do STJ, destacam-se dois casos bem
também esta Lei que veda a prática ilícita de emblemáticos, assim caracterizados por envolve-
utilizar símbolos ou marcas semelhantes às de rem marcas de produtos bastante conhecidos pelo
empresas já consagradas, na tentativa fraudu- consumidor brasileiro. São os casos da Bombril,
lenta de dissimular e enganar o consumidor, no tradicional indústria de produtos de limpeza, e do
momento da escolha de um produto. Cheetos, que produzem salgadinhos à base de mi-
Segundo a Lei da Propriedade Industrial, lho bem a gosto do público infantil.
não é registrável como marca a “reprodução ou Aproveita-se para reiterar a justificativa
imitação, no todo ou em parte, ainda que com da escolha destas duas marcas não só por sua
acréscimo, de marca alheia registrada, para dis- submissão a complexas lides judiciais, mas tam-
tinguir ou certificar produto ou serviço idên- bém - e principalmente – pelo amplo respaldo
tico, semelhante ou afim, suscetível de causar e conhecimento popular de que são detentores.
confusão ou associação com marca alheia” (art. Afinal, deve-se a tal qualidade a iniciativa de
124, inc. XIX) (BRASIL, 1996, on-line). marcas menores e menos conhecidas em ten-
A prática de certas empresas, proibi- tar reaproveitar a fisiononomia dos emblemas e
da por este dispositivo legal, consistente em das embalagens e ludibriar o consumidor.
aproveitar o reconhecimento de uma marca já
consolidada de empresa concorrente e criando 5 O CASO CHEETOS
uma semelhante, contrange a livre iniciativa
e instaura a concorrência desleal, devendo ser O Superior Tribunal de Justiça, por
por isto mesmo desestimulada e abolida das meio de sua Quarta Turma, reconheceu a
relações jurídicas que permeiam a atividade similitude entre as marcas Cheetos, da em-
econômica. presa multinacional PepsiCo e líder de mer-
Neste sentido, verifica-se o esforço do Ju-
cado, e Cheesekitos, da empresa Trigomil
diciário brasileiro na manutenção do equilíbrio
Produtos Alimentícios. Segundo o site da-
econômico entre empresas concorrentes, em di-
versas áreas da Administração privada, evitan- quele órgão jurisdicional (BRASIL, 2013a,
do práticas abusivas que afrontem os princípíos on-line), o Ministro Luis Felipe Salomão,
da atividade econômica fixados constitucional- em seu relatório, entendeu que “o registro da
mente. Sobre o assunto, tem-se a destacar a se- marca violou o artigo 124, XIX, da Lei da
guir decisões recentes, no âmbito do Superior Propriedade Industrial, e não atende aos ob-
Tribunal de Justiça, acerca da proteção à pro- jetivos da Política Nacional de Relações de
priedade industrial no Brasil. Consumo, sendo de rigor a sua anulação.”
O recurso foi proveniente de ação

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judicial proposta não somente contra a marca já consagrada, a exemplo do que se


empresa Trigomil, mas também contra o vê a seguir:
próprio Instituto Nacional da Proprieda-
de Industrial (INPI), entidade responsável
pelo registro de marcas e patentes no Bra-
sil, trazendo, por esse motivo, a competên-
cia jurisdicional para a Justiça Federal, ex
vi o disposto no art. 109, inc. I, da Consti-
tuição Federal.
Em função da similitude entre as
marcas, o STJ determinou a nulidade do
registro da marca Cheesekitos. A justifica-
tiva, para tanto, foi a reprodução quase fiel
de elementos da marca Cheetos, registrada Figura 1 - Embalagem de Ruffles, da PepsiCo
anteriormente. A obrigação pela análise Fonte: (SARAGUATO, 2011, on-line).
preventiva da semelhança entre as marcas
seria de responsabilidade do INPI, razão
pela qual esta entidade configurou também
no polo passivo da demanda judicial.
Não obstante, não é suficiente, para a
anulação do registro da marca, a semelhança
entre as marcas, mas se ambas mantêm em
comum a mesma área da indústria ou do co-
mércio. Este segundo requisito restou presen-
te no caso que examina, uma vez que presen-
tes no mesmo campo alimentício, qual são os
salgadinhos industrializados e direcionados
Figura 2 - Embalagem de Yokitos, da Yoki
especialmente à clientela infantil. Fonte: (O QUE VEJO POR AÍ, 2010, on-line).
Ainda segundo o site, para o Minis-
tro Luis Felipe Salomão, a possibilidade de
confusão ou associação entre as marcas fi-
cou nítida no caso, principalmente porque o
público alvo do produto de ambas as empre-
sas são as crianças, “que têm inegável maior
vulnerabilidade, por isso são denominadas
pela doutrina como consumidores hipervul-
neráveis” (BRASIL, 2013, on-line).
Sobre o assunto, não se descobriu o
modelo de embalagem utilizado pela em-
presa produtora do Cheesekitos, até porque
já havia sido proibida a sua divulgação. Figura 3 - Embalagem de Cheetos, da PepsiCo
Fonte: (DIÁRIO DO NORDESTE, 2015, on-line).
Entretanto, coletam-se exemplos de sal-
gadinhos que apelam à similitude de uma

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130 ENSAIOS | A proteção à propriedade industrial das marcas na visão do Superior Tribunal de Justiça

nhecida do consumidor brasileiro. Trata-se da


marca Bombril, especializada em produtos de
limpeza. No caso, outra empresa, também fa-
bricante de produtos de limpeza, teria tirado
proveito do reconhecimento da marca Bom-
bril, já tradicional e consolidada no mercado,
lançando produtos com nome e marca similar,
bem como gerando confusão para o consumi-
dor no momento da compra. A foto abaixo dá
uma ideia da similitude entre as marcas:

Figura 4 - Embalagem de Yokitos, da Yoki


Fonte: (VIP FÁCIL, 2016, on-line).

Figura 7 - Embalagens de Sany Brilho, da Sany do


Brasil, e de Bombril, da empresa homônima
Fonte: (DIÁRIO DE ILHÉUS, 2013, on-line).

A Quarta Turma do STJ foi a responsável


pelo julgamento da lide, envolvendo as empre-
sas Bombril Mercosul S/A e Sany do Brasil In-
dústria e Comércio de Produtos de Limpeza. A
Figura 5 - Embalagem de Fandangos, da PepsiCo
Fonte: (PEPSICO, 2016, on-line). relatoria do processo coube ao Ministro Sidnei
Beneti, cujo entendimento ratificou a decisão
anterior, emanada pelo Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo, que também se posicio-
nou pela similitude irregular das marcas.
Segundo o site do Superior Tribunal de
Justiça (BRASIL, 2013b, on-line), o acórdão se
baseou na “homofonia entre os nomes dos seus
produtos [...] e a identidade das embalagens
similares”. Constam da reportagem, ainda, os
seguintes dizeres:

A tradicional marca, que remonta à


década de 1940, ajuizou ação contra a
Figura 6 - Embalagem de Mico’s, do Grupo Cicopal Sany do Brasil Indústria e Comércio
Fonte: (GRUPO CICOPAL, 2016, on-line) de Produtos de Limpeza. Em primei-
ro grau, o juiz determinou que a ré
6 O CASO BOMBRIL se abstivesse de produzir, importar e
comercializar os produtos assinalados
pelas marcas “Bril” e “Brilho”, bem
Outro caso bastante emblemático sobre como reproduzir em suas embalagens
o assunto também envolve marca bastante co- marca ou forma de apresentação que

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se confundam com produtos da Bom- preferência não a marca mais conhecida, mas
bril (BRASIL, 2013b, on-line). a que primeiro cumpriu suas obrigações de re-
gistro.
O que se diagnostica, a partir da com-
paração entre as duas marcas, é a semelhança 7 CONCLUSÃO
entre elas, o que de fato gera confusão no mo-
mento da escolha do produto. E mais: ambos Existem marcas no mercado que, de tão
os produtos têm a mesma finalidade e estão reconhecidas e consagradas, são, muitas vezes,
disponibilizados próximos nas prateleiras dos confudidas como marcas únicas e exclusivas,
supermercados. A foto a seguir também expõe como se não houvesse outras empresas que
a semelhança das embalagens e dos nomes: também oferecessem o mesmo serviço ou pro-

Figura 8- Divulgação dos produtos da Sony do Brasil


Fonte: ([Link], 2013, on-line)

O último órgão jurisdicional em que tra- duto. É o que se pode dizer de empresas como a
mitou o processo, antes do STJ, foi o Tribunal Bombril e de produtos como o Cheetos.
de Justiça do Estado de São Paulo, para quem Aliás, é bastante usual imaginar um pro-
houve “induvidoso aproveitamento parasitá- duto por intermédio da marca mais conhecida,
rio”. Ainda segundo o site do STJ, a decisão criando o que a literatura denomina de metoní-
reconheceu a concorrência desleal pela possibi- mia, em que se emprega um termo em lugar de
lidade de confusão entre as marcas, merecendo outro, como a marca pelo produto. É assim no

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caso da Gilete, da Coca-Cola, dos Correios e, market, confuses consumers at the moment that
especificamente, da Bombril. they decide to purchase a product. This scena-
Este cenário é consequência da imagem rio has been submitted to the judiciary, specifi-
que a empresa, ao longo de anos, consolida no cally to the Superior Court of Justice on several
mercado. À custa de muita tradição, a marca occasions, but two cases drew attention becau-
da empresa passa a ser de conhecimento coleti- se of the reputation of the brands: Bombril,
vo, devendo o Estado protegê-la contra inves- whose symbol is recognized all over the area of
tidas ilícitas e tendenciosas de empresas con- cleaning and home care, and Cheetos snacks,
correntes, que visam à utilização de emblema favorites of taste of the younger ones. Thus, bu-
ou símbolos muito próximos dos tradicionais, sinesses and industries, even producing quality
repercutindo negativamente na livre concorrên- products, prefer to wile, using symbols or em-
cia e gerando confusão no momento em que o blems very close to the brands that are already
consumidor escolhe o produto de sua conveni- consecrated, in the irregular attempt to attract
ência. consumers and violating the basic principles of
Na condição de direito fundamental de free enterprise and fair competition. Given the
caráter individual, usufruídos por empresas e situation, the Judiciary has consolidated juris-
indústrias, a exclusividade do uso de marcas e prudence in order to effectively protect brands,
símbolos patenteados está garantida juridica- symbols and emblems already enshrined in pu-
mente, seja por meio de legislação específica, blic taste. The most recent court decisions on
seja por decisões judiciais correlatas e embasa- the matter are precisely the basic theme of this
das nos ditames da justiça e do bom senso. essay, which will be built from relevant judicial
Trata-se do que se verificou, efetiva- reviews and, alternatively, of doctrinal studies
mente, por meio da análise crítica do posicio- and normative rules inherent to the subject. By
namento do Superior Tribunal de Justiça sobre the way, such decisions don’t seem to deserve
o cenário, rechaçando condutas irregulares de any repairs as they coadunate the faithful nor-
empresas e indústrias que, ainda que fabrican- mative content of the guaranteed protection of
tes de produtos de qualidade, se aproveitam do trademarks and industrial symbols.
respaldo popular que outras marcas já conse-
guiram consolidar. Keywords: Industrial Property. Brands. Supe-
Assim, este ensaio propiciou a análise rior Court of Justice.
do tratamento que a doutrina, a legislação e,
principalmente, a jurisprudência dão à maté- LA PROTECCIÓN A LA PROPIEDAD
ria, evidenciando o comprometimento com os INDUSTRIAL DE LAS MARCAS
princípios gerais da atividade econômica, es- EN LA VISIÓN DEL SUPERIOR
pecialmente a livre iniciativa e o desetímulo à TRIBUNAL DE JUSTICIA
concorrência desleal.
RESUMEN
PROTECTING INDUSTRIAL
PROPERTY OF TRADEMARKS Más común de lo que se imagina es la práctica,
IN THE VISION OF THE SUPERIOR reprobable del punto de vista jurídico, de criar-
COURT OF JUSTICE se marcas y símbolos de bienes o productos
similares a aquellos ya consagrados y consoli-
ABSTRACT dados en el mercado, haciendo con que el con-
The practice, reprehensible from a legal point sumidor se confunda al elegir el producto. Este
of view, but very common, to create brands and escenario fue sometido al Poder Judiciario, es-
symbols of similar goods or products to tho- pecíficamente al Superior Tribunal de Justicia,
se already established and consolidated in the en variadas ocasiones, pero dos casos llamaron

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la atención por la notoriedad de las marcas: la [Link]/ccivil_03/leis/[Link]>.


Bombril, cuyo símbolo es de veras reconocido Acesso em: 27 jul. 2016.
en el área de limpieza e higiene doméstica, y
los ganchitos Cheetos, bien a gusto de la clien- BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Pesqui-
tela infantil. Así, empresas e industrias, aunque sa Cheetos. Disponível em: <[Link]
generen productos de calidad, prefieren la ar- [Link]/portal_stj/publicacao/[Link]?tmp.
timaña de utilizar en sus envases símbolos o area=398&[Link]=108943&tmp.area_ante-
emblemas muy próximos de aquellos de mar- rior=44&tmp.argumento_pesquisa=cheetos>.
cas ya reconocidas, en la tentativa irregular de Acesso em 19 mar. 2013a.
atraer consumidores e hiriendo los principios
de la libre iniciativa y de la concurrencia leal. BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Pesqui-
Ante esa coyuntura, el Poder Judiciario viene sa Bombril. Disponível em: <[Link]
consolidando jurisprudencia con el objetivo [Link]/portal_stj/publicacao/[Link]?tmp.
de efectivamente proteger marcas, símbolos y area=398&[Link]=108502&tmp.area_ante-
emblemas ya consagrados en el gusto del pú- rior=44&tmp.argumento_pesquisa=bombril>.
blico. Las más recientes decisiones judiciales Acesso em 8 fev. 2013b.
acerca del asunto constituyen precisamente
el tema básico del presente ensayo, que será BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de direito
construido a partir del análisis jurisprudencial constitucional. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2012.
pertinente, así como, subsidiariamente, de los
estudios doctrinarios y de las reglas normativas DIÁRIO DO NORDESTE. Cheetos está de cara
inherentes al asunto. Además, dichas decisio- nova. 2015. Disponível em: <[Link]
nes aparentan no necesitar cualquier concierto, [Link]/target/produtos/cheetos-esta-
ya que son conciliadas al fiel tenor normativo -de-cara-nova/>. Acesso em: 27 jul. 2016.
de la protección garantizada a las marcas y a los
símbolos industriales. DIÁRIO DE ILHÉUS. Bombril obtém vi-
tória em processo contra cópia de embala-
Palabras clave: Propiedad Industrial. Marcas. gem pela sany. 2013. Disponível em: <http://
Superior Tribunal de Justicia. [Link]/v1/2013/02/12/
bombril-obtem-vitoria-em-processo-contra-co-
REFERÊNCIAS pia-de-embalagem-pela-sany/>. Acesso em: 7
maio 13.
ARAÚJO, Luiz Alberto David; NUNES JÚ-
NIOR, Vidal Serrano. Curso de direito cons- FERRAIR, Regina Maria Macedo Nery. Direi-
titucional. 16. ed. São Paulo: Verbatim, 2012. to constitucional. São Paulo: Revista dos Tri-
bunais, 2011.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição
da República Federativa do Brasil. Palácio do FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Cur-
Planalto, Brasília, DF, 1988. Disponível em: so de direito constitucional. 36. ed. São Paulo:
<[Link] Saraiva, 2010.
tituicao/[Link]>. Acesso
em: 27 jul. 2016. [Link]. Bombril obtém vitória em
processo contra cópia de embalagem pela
BRASIL. Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. Sany. 2013. Disponível em: <[Link]
Regula direitos e obrigações relativos à pro- com/economia/noticia/2013/02/bombril-ob-
priedade industrial. Palácio do Planalto, Bra- tem-vitoria-em-processo-contra-copia-de-em-
sília, DF, 1996. Disponível em: <[Link] [Link]>. Acesso em: 7 maio 2013.

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134 ENSAIOS | A proteção à propriedade industrial das marcas na visão do Superior Tribunal de Justiça

GRUPO CICOPAL. Salgadinho de milho mi-


cos presunto. Disponível em: <[Link]
[Link]/produtos/salgadinho-mi-
cos-presunto/>. Acesso em: 27 jul. 2016.

INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDA-


DE INDUSTRIAL - INPI. Estrutura. Dispo-
nível em: <[Link]
tura>. Acesso em: 27 jul. 2016.

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Gustavo Gonet. Curso de direito constitucio-
nal. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.

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nal. 26. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

O QUE VEJO POR AÍ. Yoki lança emba-


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PEPSICO. Fandangos. Disponível em: <http://


[Link]/fandangos>. Acesso em:
27 jul. 2016.

SARAGUATO. Saraguato promoverá Ru-


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VIP FÁCIL. Salgadinho yokitos bolinha sabor


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tos-bolinha-sabor-queijo-45g>. Acesso em: 27
jul. 2016.

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 124-134, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
Nominata de Avaliadores Ad Hoc 2016 | Nominata peer review panel in 2016 135

NOMINATA

NOMINATA DE AVALIADORES AD HOC 2016

Faz parte dos pilares estratégicos da Revista Gestão em Análise, ReGeA, a excelência na
promoção e a publicação de pesquisas orientadas por princípios e práticas da gestão contemporâ-
nea. Para tanto, utilizamos o sistema de avaliação por pares, pelo método Double Blind Review,
em que os avaliadores ad hoc contribuem decisivamente para o aperfeiçoamento da qualidade da
Revista.
A partir dessa perspectiva colaborativa, agradecemos aos professores (as) e pesquisadores
(as) que contribuíram, de forma voluntária, com seu conhecimento e experiência, na avaliação
dos trabalhos submetidos à publicação.

NOMINATA PEER REVIEW PANEL IN 2016

The excellence in promotion and publication research guided by principles and practices
of contemporary management make part of the strategic pillars of the Journal of Management
Analysis, ReGeA. Therefore, we implemented the evaluation system by peers, using the Double
Blind Review method, in which a peer review panel decisively contributes to the improvement of
the quality of the Journal.
In this collaborative perspective, we would like to thank the teachers and researchers who
have contributed, on a voluntary basis, with their knowledge and experience, to the evaluation of
the articles submitted for publication.

LISTA DE EVALUADORES AD HOC 2016


La excelencia en la promoción y en la publicación de investigaciones orientadas por princi-
pios y prácticas de la gestión contemporánea es parte de los fundamentos estratégicos de la Revista
Gestão em Análise, ReGeA. Para tanto, utilizamos el sistema de evaluación por pares, a través del
método Double Blind Review, en lo cual los evaluadores ad hoc contribuyen, de manera decisiva,
para el perfeccionamiento de la calidad de la revista.
En esa perspectiva colaborativa, agradecemos a los/lãs profesores/as e investigadores/as
que contribuyeran, de forma voluntaria, con sus conocimientos y experiencia, en la evaluación de
los trabajos sometidos para publicación.

ISSN 1984-7297 R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 135-136, jul./dez. 2016


136 Nominata de Avaliadores Ad Hoc 2016 | Nominata peer review panel in 2016

Adail José de Sousa – UFMT, Mt, Brasil Leonel Gois L. Oliveira, ESMEC, CE, Brasil
Ana Flávia Moraes – UFAM, AM, Brasil Luciana Freire de Lima Marinho, UECE, CE,
Brasil
Ana Paula Lima -
Luis Gustavo Nazareth – UFSJ, MG , Brasil
Carolina Marques – UNIPAMPA, RS, Brasil
Márcia Alves Soares da Silva – UFPR, PR,
Cristiane Ramos - UNICHRUSTUS, CE, Brasil
Brasil
Elenise Machado - UNICHRUSTUS, CE,
Mª de Fátima M. Fontenele - ESTÁCIO, CE,
Brasil
Brasil.
Ellen Campos Sousa - UNIFOR, CE, Brasil.
Max André Araújo Ferreira – UFRR, RR, Brasil
Elnivan M. de Souza - UNICHRUSTUS, CE,
Nicole A. V. Soares - UNICHRUSTUS, CE,
Brasil
Brasil
Elói Martins Senhoras - UFRR, RR, Brasil
Pedro Marcelo Torres - UC, Coimbra, Portugal.
Emerson Clayton Arantes - UFRR, RR, Brasil
Salma Said Rezek Mendoza - – UFRR, RR,
Eveline Russo Sacramento – PUC, RJ, Brasil Brasil
Eduardo Prado – Samira Lodi - UNIFOR, CE, Brasil.
Fábio Chaves Nobre - URFESA, RN, Brasil Teresinha Fonseca - UFRR, RR, Brasil.
Fernanda Moreira Lima Santos - UNIFOR, Tiago Zardin Patias - UNIPAMPA, RS, Brasil.
CE, Brasil.
Thiago Beuron – UFSM, RS, Brasil
Igor F. Andrade - UNICHRUSTUS, CE, Brasil
Valter Moura do Carmo – UFSC – SC, Brasil
Izabelle Quezado Santos - UNIFOR, CE, Brasil.
Valquíria Melo Souza Correia - URFESA, RN,
João Carlos, UNINOVE, SP, Brasil Brasil
Jose de Sousa Martins - UC, Coimbra, Portugal. Virna Távora Rocha - UNICHRUSTUS, CE,
Larissa Santana - UNIFOR, CE, Brasil Brasil

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 135-136, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297


Linha Editorial | Editorial Line 137

LINHA EDITORIAL PROCESSO DE AVALIAÇÃO PELOS


PARES
FOCO E ESCOPO
Dá-se a conhecer que o processo de ava-
A Revista de Gestão em Análise – Re- liação dos estudos submetidos à publicação
GeA – tem como missão a publicação dos re- na ReGeA consiste em duas etapas: inicial-
sultados de pesquisas científicas com o foco mente tem-se a triagem realizada pela editora-
de fomentar e disseminar o conhecimento em -chefe, que examina a adequação do trabalho
administração e ciências contábeis, pautada em à linha editorial da revista e seu potencial para
ética e compromisso orientados para a inova- publicação; posteriormente, a avaliação por pa-
ção dos saberes junto à comunidade acadêmica res, por meio de sistema blind review, que con-
e à sociedade interessada em geral. siste na avaliação de dois pareceristas ad hoc,
Os trabalhos que constituem o periódico especialistas duplo-cega que, ao apreciarem os
são de âmbitos nacional e internacional, ver- trabalhos, fazem comentários e, se for o caso,
sando acerca de diversos domínios do conhe- oferecem sugestões de melhoria.
cimento em instituições privadas e públicas, Depois de aprovados, os trabalhos são
notadamente: gestão empreendedora e estraté- submetidos à edição final, a qual consiste na
gica; gestão da informação e inovação; gestão fase de normalização e revisão linguística (or-
de marketing, produção e logística; gestão so- tográfica, gramatical e textual).
cioambiental e sustentabilidade; comportamen-
to organizacional; direito empresarial; gestão PERIODICIDADE – SEMESTRAL
financeira e contábil alinhadas à governança
corporativa. Política de Acesso Livre - Esta revista
oferece acesso livre imediato ao seu conteúdo,
POLÍTICAS DE SEÇÃO seguindo o princípio de que disponibilizar gra-
tuitamente o conhecimento científico ao públi-
Artigos - Textos destinados a divulgar co proporciona maior democratização mundial
resultados de pesquisa científica, pesquisa tec- do conhecimento.
nológica e estudos teóricos [no mínimo 12 e no Arquivamento - Esta revista utiliza
máximo 22 laudas]. o sistema LOCKSS para criar um sistema de
Ensaios - Exposições feitas a partir de arquivo distribuído entre as bibliotecas parti-
estudos apurados, críticos e conclusivos, sobre cipantes e permite às mesmas criar arquivos
determinado assunto, nos quais se destaca a ori- permanentes da revista para a preservação e
ginalidade do pensamento do autor [no mínimo restauração.
08 e no máximo 13 laudas].
Casos de Ensino - Relatos de casos reais
de empresas com o propósito de consolidar o
método de caso como ferramenta de ensino e
aprendizado, proporcionando estímulo aos es-
tudos, pesquisas e debates nas áreas citadas [no
mínimo 08 e no máximo 13 laudas].

ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 137-139, jul./dez. 2016
138 Linha Editorial | Editorial Line

EDITORIAL LINE screening performed by the chief editor, whi-


ch examines the adequacy of the work to the
FOCUS AND SCOPE magazine’s editorial line and its potential for
publication; later, peer review, through a blind
The mission of the Journal of Manage- review system, which is the evaluation of two
ment Analysis - ReGeA – is the publication of ad hoc, double-blind experts, when considering
scientific research results with the purpose of the work, make comments and, where appro-
promoting and disseminating the knowledge priate, offer suggestions for improvement.
in Administration and Accounting, guided by Once approved, the work will undergo
ethics and commitment oriented by the innova- the final editing, which consists of the standar-
tion of knowledge in the academic community dization and the linguistic revision.
and the society in general.
The national and international papers that PUBLICATION FREQUENCY - SE-
make part of the journal deal with various fields MIANNUAL
of knowledge in private and public institutions,
in particular: entrepreneurial and strategic ma- Open Access Policy - This journal will
nagement; information management and inno- provide immediate open access to its content,
vation; marketing management, production and abiding by the principle of providing free pu-
logistics; social-environmental management and blic scientific knowledge with the purpose of
sustainability; organizational behavior; business contributing to a greater democratization of
law; financial and accounting management alig- worldly knowledge.
ned to corporate governance. Archiving - This journal will use the
LOCKSS system in order to create an archiving
SECTION POLICIES system which can be made available among
participating libraries allowing them to create
ARTICLES - Texts for the promotion a permanent archive of the Journal for future
of scientific research results, technological re- preservation and eventual restoration.
search and theoretical studies (minimum=12;
maximum=22 pages).
ESSAY - Exhibitions of issues made
from established studies, critical and conclusi-
ve, in which is highlighted the originality of the
thinking of the author (minimum 8; maximum
= 13 pages).
CASE STUDY - Actual case reports of
companies with the purpose of consolidating
the case method as a teaching and learning tool,
providing stimulus for studies, research and de-
bate in the mentioned areas (minimum=8; ma-
ximum=13).

PEER REVIEW PROCESS

The evaluation process of the submitted


articles and other contributions for publica-
tion in ReGeA consists of two steps: first the

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 137-139, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
Linha Editorial | Editorial Line 139

LÍNEA EDITORIAL PROCESO DE EVALUACIÓN POR


PARES
ENFOQUE Y ALCANCE
Se informa que el proceso de evalua-
La Revista de Gestão em Análise – Re- ción de los estudios sometidos para publica-
GeA tiene como misión publicar los resultados ción en ReGeA se constituye por dos etapas:
de investigaciones científicas con el enfoque de inicialmente, la editora de la revista hace una
fomentar y diseminar el conocimiento en admi- selección previa, examinando la adecuación
nistración y ciencias contables, basada en ética del trabajo a las áreas temáticas del periódico
y compromiso orientado para la innovación de y el potencial del artículo para publicación; ul-
los saberes junto a la comunidad académica y a teriormente, hay la evaluación por pares, por
la sociedad interesada, en general. medio del sistema de blind review, cuando dos
Los trabajos que constituyen el periódico evaluadores ad hoc, especialistas en la materia,
son de ámbitos nacional e internacional, exami- analizan los trabajos, haciéndole comentarios
nando muchos dominios del conocimiento en y, si lo entiendan necesario, ofreciendo suges-
instituciones privadas y públicas, en especial: tiones para su mejoría.
gestión emprendedora e estratégica; gestión de Una vez aprobados, los trabajos son so-
la información e innovación; gestión de marke- metidos a la edición final, o sea, al proceso de
ting, producción y logística; gestión socio normalización y de revisión lingüística (orto-
ambiental y sustentabilidad; comportamiento gráfica, gramatical y textual).
organizacional; derecho empresarial; gestión
financiera y contable aplicada a la administra- FRECUENCIA DE PUBLICACIÓN –
ción corporativa. SEMESTRAL

POLÍTICAS DE SECCIÓN Política de acceso abierto – Esta revista


ofrece libre acceso inmediato a su contenido,
Artículos – Textos destinados a difundir de acuerdo con el principio de que propiciar al
resultados de investigación científica, investi- público acceso gratuito al conocimiento cientí-
gación tecnológica y estudios teóricos [mínimo fico proporciona una más grande democratiza-
12 páginas y máximo 22 páginas]. ción mundial del conocimiento.
Ensayos – Trabajos hechos a partir de Archivar – Esta revista utiliza el siste-
estudios apurados, críticos y conclusivos acer- ma LOCKSS para crear un sistema de archivos
ca de determinado tema, en que se destaca la distribuido entre las bibliotecas participantes,
originalidad del pensamiento del autor [míni- lo que les permite la creación de archivos per-
mo 8 páginas y máximo 13 páginas]. manentes de la revista para preservación y res-
Casos de enseñanza – Relatos de casos tauración.
reales de empresas con el propósito de consoli-
dar el método de estudio de casos como herra-
mienta de enseñanza y aprendizaje, propician-
do estímulo a los estudios, a la investigación y
al debate en las áreas mencionadas [mínimo 8
páginas y máximo 13 páginas].

ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 137-139, jul./dez. 2016
140 Instruções aos Autores | Instructions for Authors

DIRETRIZES PARA AUTORES da submissão em relação a todos os itens lista-


dos a seguir. As submissões que não estiverem
Aceitam-se colaborações do Brasil e do de acordo com as normas serão rejeitadas.
exterior, podendo os textos completos ser sub-
metidos nos idiomas português ou inglês. Re- 1. Os textos poderão ser apresentados em por-
comenda-se demonstrar uma linguagem clara e tuguês ou em inglês. Os trabalhos escritos em
objetiva e seguir as normas editoriais que re- inglês devem conter o título, o resumo e as pa-
gem esse periódico. lavras-chave em língua portuguesa.
As submissões eletrônicas dos trabalhos
devem ser encaminhadas para o editor da Re- 2. Os textos em língua portuguesa deverão ser
GeA, exclusivamente, no seguinte endereço: redigidos conforme as normas da Associação
[Link] Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) – NBR
php/gestao/index, em arquivo [doc], em con- 6022:2003, e NBR 14724:2011. Para os artigos
junto com o documento de Declaração de Ces- em inglês, se utilizará a norma ISO equivalente.
são de Direitos Autorais. Por meio do Portal, os
autores podem submeter o trabalho e acompa- 3. Características Técnicas:
nhar o status do mesmo durante todo o proces- a) formato de papel = A4;
so editorial. Essa forma de submissão garante b) editor de texto: Word for Windows
maior rapidez e segurança na submissão do seu 6.0 ou posterior;
manuscrito, agilizando o processo de avaliação. c) margens: superior e esquerda de 3
As pesquisas devem relatar os resulta- cm, direita e inferior de 2 cm;
dos de estudos em andamento ou já concluídos, d) fonte: Times News Roman, corpo 12,
conforme o estilo de trabalhos informados a entrelinhas 1,5;
seguir: e) número de páginas: ARTIGO [no
• ARTIGOS – textos destinados a di- mínimo 12 e no máximo 22 lau-
vulgar resultados de pesquisa cientí- das]; ENSAIO [no mínimo 08 e no
fica, pesquisa tecnológica e estudos máximo 13 laudas]; e CASO [no mí-
teóricos; nimo 08 e no máximo 13 laudas].
• ENSAIOS – exposições feitas a
partir de estudos apurados, críticos 4. Características Específicas:
e conclusivos sobre determinado as- a) o título e o subtítulo (se houver) do
sunto, nos quais se destaca a origina- texto devem ser apresentados em por-
lidade do pensamento do autor; tuguês e em inglês;
• CASOS – relatos de casos reais de b) o título e o subtítulo (se houver) de-
empresas com o propósito de conso- vem expressar de forma clara a ideia
lidar o método de caso como ferra- do trabalho;
menta de ensino e aprendizado, pro- c) resumo e abstract: redigidos de acor-
porcionando estímulo aos estudos, do com a NBR6028 ou norma ISO
pesquisas e debates nas áreas citadas. equivalente com no máximo 150
palavras. O resumo deve ressaltar o
INSTRUÇÕES AOS AUTORES objetivo, o método, os resultados e as
conclusões;
Os trabalhos devem ser encaminhados à d) as palavras-chave e key-words: devem
Redação da Revista Gestão em Análise – ReGeA contar de três a cinco palavras-chave;
– conforme orientações de submissão contidas e) o conteúdo dos artigos e ensaios deve
na Linha Editorial deste periódico. É indispen- apresentar, sempre que possível: intro-
sável que os autores verifiquem a conformidade dução; revisão da literatura; metodolo-

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 140-145, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
Instruções aos Autores | Instructions for Authors 141

gia; resultados; conclusões (com reco- terial, exceto quando houver a indicação espe-
mendações de estudo) e referências; cífica de outros detentores de direitos autorais.
f) o conteúdo dos casos deve contemplar, Em caso de dúvidas, ficamos à disposição para
sempre que possível: introdução; con- esclarecimentos.
texto com caracterização do mercado; Ressalva: Para as pesquisas provenien-
apresentação da empresa; as ações tes de trabalhos apresentados em congressos e
empreendidas pela empresa; o dilema simpósios científicos que forem submetidas à
e as argumentações com respectivas edição especial de fast track, é obrigatório aos
evidências; as notas de ensino con- autores indicarem a origem do artigo e as res-
templando os objetivos educacionais, pectivas referências do evento.
as questões para discussão/decisão; o
referencial teórico que embasa o texto IMPORTANTE:
e, finalmente, as referências.
As informações de autoria devem ser
5. As citações no corpo do texto deverão ser cientificadas apenas no corpo do e-mail, con-
redigidas de acordo com a norma ABNT NBR tendo os seguintes dados: nome(s) do(s) autor
10520 ou norma ISO equivalente. (es), afiliação; e-mail, cidade, estado, país de
cada autor e título do trabalho. Para garantir o
6. O uso de notas, citações, gráficos, tabelas, fi- anonimato no processo de avaliação do traba-
guras, quadros ou fotografias deve ser limitado lho, o(s) autor (es) não deve(m) identificar-se
ao mínimo indispensável; esses textos devem no corpo do estudo. Caso seja identificado, o
ser apresentados conforme norma ABNT NBR trabalho ficará automaticamente fora do proces-
15724, de 2011, em tamanho 10. As imagens so de avaliação. A Equipe Editorial da ReGeA
devem estar em jpg. A ReGeA não se responsa- segue as sugestões contidas no Manual de Boas
biliza por imagens de baixa qualidade inseridas Práticas da Publicação Científica da ANPAD.
no trabalho.
NOTA:
7. As Referências deverão seguir o sistema au-
tor-data, conforme norma ABNT NBR 6023,
Revise minuciosamente o trabalho com
de 2002, ou norma ISO equivalente.
relação às normas da ReGeA, à correção da
língua portuguesa ou outro idioma e aos itens
INEDITISMO – EXCLUSIVIDADE – que devem compor a sua submissão. Verifique
DIREITOS AUTORAIS se o arquivo apresenta sua identificação. Tra-
balhos com documentação incompleta ou não
Os trabalhos submetidos à publicação na atendendo às orientações das normas adotadas
ReGeA devem ser inéditos, além de não pode- pela Revista não serão avaliados. O(s) autor(es)
rem estar em avaliação paralela em outra revis- serão comunicados na ocasião da confirmação
ta (Nota – Os trabalhos podem ter sido apresen- de recebimento.
tados em congressos anteriormente, desde que
referenciados).
As matérias assinadas são de total e ex-
clusiva responsabilidade dos autores, declara-
das por meio de documento –Declaração de
Originalidade e Cessão de Direitos Autorais.
Outrossim, a cessão de direitos autorais é fei-
ta a título gratuito e não exclusivo, passando a
ReGeA a deter os direitos de publicação do ma-

ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 140-145, jul./dez. 2016
142 Instruções aos Autores | Instructions for Authors

AUTHOR GUIDELINES 1. The texts may be submitted in Portuguese


or in English. The articles written in English
Collaborations of Brazil and abroad are should contain the title, abstract and key-words
accepted. The full texts can be submitted in Por- in Portuguese.
tuguese or in English. It is recommended to es-
tablish clear and objective language and follow 2. The texts in Portuguese must be written ac-
the editorial rules governing this journal. cording to the standards of presentation of arti-
Electronic submission of articles will only cles and academic papers as established by the
be accepted at the following address: http:// pe- Brazilian Association of Technical Standards
[Link]/[Link]/gestao/ (ABNT) - NBR 6022: 2003 and NBR 14724:
index, in a file with the document file format 2011. For articles in English, the equivalent
[doc], together with the Copyright Assignment ISO standard will be used.
Form. Through the Portal the authors can submit
articles and track their status throughout the edi- 3. Technical Characteristics
torial process. This way the submission ensures a) = A4 paper size;
a quick and safe submission of your manuscript, b) text editor: Word for Windows 6.0 or
streamlining the evaluation of the process. later;
The studies should report the results of c) margins: top and left 3 cm, right, bot-
research, in progress or completed, in conforma- tom 2 cm;
tion with the writing genres listed below: d) Source: Times New Roman, size 12,
1.5 line
a) ARTICLES - texts for the promotion of e) The number of pages: ARTICLE (mi-
scientific research results, technological resear- nimum=12; maximum=22 pages);
ch and theoretical studies; ESSAY (minimum 8; maximum = 23
pages); and CASE (minimum=8; ma-
b) ESSAY - exhibitions of issues made from ximum=13 pages).
established studies, critical and conclusive,
in which is highlighted the originality of the 4. Specific Features:
thinking of the author;
a) the title and subtitle (if any) of the
c) CASE STUDY - actual case reports of com- text should be presented in Portugue-
panies with the purpose of consolidating the se and in English;
case method as a teaching and learning tool, b) the title and subtitle (if any) should
providing stimulus for studies, research and de- express clearly the idea of the work;
bate in the mentioned areas. c) summary and abstract: written accor-
ding to the NBR6028 or equivalent ISO
INSTRUCTIONS FOR AUTHORS standard with a maximum of 150 words.
The abstract should outline the purpose,
Entries must be submitted to the Journal method, results and conclusions;
of Management Analysis - ReGeA – in accor- d) key-words: there must be from three
dance with the submission guidelines contai- to five key-words;
ned in the Editorial Line of this Journal. It is e) the content of articles and essays
essential that the authors verify the conformi- shall, wherever possible, include in-
ty of submission for all the items listed below. troduction; literature review; metho-
Submissions that are not in accordance with the dology; results; conclusions (with
rules will be rejected. recommendations of study) and refe-
rences;

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 140-145, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
Instruções aos Autores | Instructions for Authors 143

f) the contents of the cases should in- any kind of clarification, we remain at the dis-
clude, where possible: introduction; posal for answering any eventual questions
context with characterization of the
market; presentation of the company; Exception: For the researches originated
the actions undertaken by the com- from papers presented at scientific congresses
pany; the dilemma and the arguments and symposia that are submitted to the special
with supporting evidence; the no- fast track issue it´s required that authors indi-
tes of education contemplating the cate the origin of the article and the references
educational objectives, matters for of the event.
discussion / decision; the theoretical
framework that supports the text and, IMPORTANT:
finally, references.
Information on the author should be con-
5. The citations in the text should be written veyed only in the e-mail body, containing the
in accordance with the ABNT NBR 10520 or following data: name (s) (s) of author (s), affi-
equivalent ISO standard. liation; e-mail, city, state, country of each au-
thor and title of the work. The work should be
6. The use of notes, quotes, charts, tables, fi- attached to the same e-mail. To ensure anony-
gures, charts or photographs should be limited mity in the process of evaluation of the work,
to a minimum; these texts must be submitted the author (s) (s) should not (m) be identified
according to ABNT NBR 15724, 2011 in size in the study of the body. If identified, the work
10. Images must be in jpg. The ReGeA is not will be automatically out of the evaluation pro-
responsible for poor quality images inserted at cess. The Editorial Team of ReGeA follows the
work. suggestions contained in the Manual of Good
Practices of Scientific Publication ANPAD.
7. References should follow the author-date
system, according to ABNT NBR 6023, 2002, NOTE:
or equivalent ISO standard.
The works should be thoroughly re-
ORIGINALITY - EXCLUSIVE - viewed in order to see whether they have been
COPYRIGHT organized in accordance with the standards of
ReGeA, the correction of the Portuguese lan-
The papers submitted for publication guage or languages should be carefully cer-
in ReGeA must be original, and can not be in tified. There must be a strict care about the
parallel review in another journal (Note - The adequate identification of the author before
work may have been previously presented at submissions are handed in. Works with incom-
conferences, provided they were referenced). plete documentation or not meeting the guide-
lines of the standards adopted by the magazine
The signed declarations are the sole and will not be evaluated. The author(s) shall be
exclusive responsibility of the authors as decla- duly informed upon receipt of the submissions.
red through document - Declaration of Origina-
lity and Assignment of Copyright. Furthermore,
the assignment of copyright is made on a free
non-exclusive basis, from the ReGeA which
holds the rights to publish the material, except
when there is a specific indication of otherco-
pyright holders. In case someone should need

ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 140-145, jul./dez. 2016
144 Instruções aos Autores | Instructions for Authors

DIRECTRICES PARA AUTORES todos los ítems enumerados abajo. Las sumisio-
nes que no respeten las normas serán rechazadas.
Se aceptan colaboraciones desde Brasil y
del extranjero, y los trabajos pueden ser some- 1. Los textos podrán ser presentados en portu-
tidos en portugués, en español o en inglés. Se gués, español o inglés. Los trabajos en español
recomienda hacer uso de lenguaje claro y obje- o en inglés deben incluir también el título, el
tivo y seguir las normas editoriales aplicables a resumen y las palabras-clave en portugués.
este periódico.
Las sumisiones electrónicas de los traba- 2. Los textos en portugués deberán ser escritos
jos deben ser enviadas al editor de la ReGeA, en conformidad con las normas de la Associa-
exclusivamente por medio del sitio web <http:// ção Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) –
[Link]/[Link]/ges- NBR 6022:2003, y NBR 14724:2011. Para los
tao/index>, en archivo [doc], juntamente con artículos en inglés, se utilizará la norma ISO
el documento de Declaración de Cesión de De- equivalente.
rechos Autorales. Por medio del sitio web, los
autores pueden someter su trabajo y observar su 3. Características técnicas:
status durante todo el proceso editorial. Esa for- a) Formato del papel: A4;
ma de sumisión garantiza que el procesamiento b) Editor de texto: Word for Windows
de su manuscrito sea más rápido y más seguro, 6.0 o más reciente;
agilizando también el proceso de evaluación. c) Márgenes: superior e izquierda de 3
Las investigaciones deben relatar los re- cm, derecha e inferior de 2 cm;
sultados de estudios en desarrollo o ya conclui- d) Tipo de letra: Times New Roman, de
dos, de acuerdo con los estilos abajo descritos: talla 12, espacio entre líneas 1,5;
• ARTÍCULOS – textos destinados a e) Número de páginas: ARTÍCULO
difundir resultados de investigación [mínimo 12 y máximo 22 páginas];
científica, investigación tecnológica ENSAYO [mínimo 8 y máximo 13
y estudios teóricos páginas]; y CASO [mínimo 8 y má-
• ENSAYOS – trabajos hechos a partir ximo 13 páginas].
de estudios apurados, críticos y con-
clusivos acerca de determinado tema, 4. Características específicas:
en que se destaca la originalidad del a) El título y el subtítulo (si existir) del
pensamiento del autor texto deben ser presentados en portu-
• CASOS DE ENSEÑANZA – rela- gués y en inglés;
tos de casos reales de empresas con el b) El título y el subtítulo deben expresar
propósito de consolidar el método de de manera clara las ideas del trabajo;
estudio de casos como herramienta de c) El resumen y el abstract deben ser
enseñanza y aprendizaje, propiciando escritos de acuerdo con la normativa
estímulo a los estudios, a la investigaci- NBR6028 o la norma ISO equivalen-
ón y al debate en las áreas mencionadas. te, en 150 palabras o menos. El resu-
men debe resaltar el objetivo, el méto-
INSTRUCCIONES A LOS AUTORES do, los resultados y las conclusiones;
d) Deben ser apuntadas entre tres y cin-
Los trabajos deben ser enviados a la ofici- co palabras-clave, que deben ser tra-
na de la Revista Gestão em Análise – ReGeA, de duzidas también al inglés y apuntadas
acuerdo con las directrices de sumisión de este como keywords;
periódico. Es indispensable que los autores ve- e) El contenido de los artículos y en-
rifiquen que sus sumisiones dan cumplimiento a sayos debe presentar, siempre que sea

R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 140-145, jul./dez. 2016 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
Instruções aos Autores | Instructions for Authors 145

posible: introducción; revisión de la siva responsabilidad de los autores, que deben


literatura; metodología; resultados; declararlo por medio del documento – Declara-
conclusiones (incluyendo recomen- ción de Originalidad y Cesión de Derechos Au-
daciones de estudio) y referencias; torales. Además, la cesión de derechos autorales
f) El contenido de los casos debe incluir, es hecha a título gratuito y non exclusivo, por
siempre que sea posible: introduc- lo que la ReGeA pasa a detener los derechos de
ción, contexto y caracterización del publicación del material, excepto cuando haya
mercado; presentación de la empresa; indicación específica de otros detenedores de
las acciones emprendidas por dicha derechos autorales. Quedamos a su disposición
empresa; el dilema y las argumenta- para aclarar la situación, en caso de duda.
ciones con las respectivas evidencias; Observación: para las investigaciones que
las notas de enseñanza, contemplan- provengan de trabajos presentados en congresos
do los objetivos educacionales, las y simposios científicos que hayan sido sometidas
cuestiones para discusión/decisión; el a la edición especial de fast track, es obligatorio a
referencial teórico que fundamenta el los autores que indique la origen del artículo y las
texto y, finalmente, las referencias. respetivas referencias del evento.

5. Las citaciones a lo largo del texto deberán IMPORTANTE:


ser hechas de acuerdo con la normativa ABNT
NBR 10520 o la norma ISO equivalente. Las informaciones de autoría deben ser
apuntadas solamente en el correo electrónico,
6. El uso de notas, citaciones, gráficos, tablas, conteniendo: nombre(s) del(os) autor(es), ins-
figuras, cuadros o fotografías debe ser limitado titución a la cual pertenece(n), correo electró-
a lo que sea indispensable; eses textos deben nico, ciudad, estado, país de cada autor y título
ser presentados en conformidad con la norma del trabajo. Para garantizar el anonimato en el
ABNT NBR 15724, de 2011, en talla 10. Las proceso de evaluación, el(los) autor(es) no de-
imágenes deben estar en jpg. La revista no es be(n) estar identificado(s) en el texto del tra-
responsable por imágenes de baja calidad inser- bajo. Caso contenga identificación, el trabajo
tada en el trabajo. quedará automáticamente fuera del proceso
de evaluación. El Equipo Editorial de la Re-
7. Las referencias deberán seguir el sistema GeA sigue las sugestiones del Manual de Boas
autor-data, en conformidad con la normativa Práticas da Publicação Científica da ANPAD
ABNT NBR 6023, de 2002, o la normativa ISO (Manual de Buenas Prácticas de la Publicación
equivalente. Científica de la Asociación Nacional de Pos-
grado e Investigación en Administración).
ARTÍCULOS INÉDITOS –
EXCLUSIVIDAD – DERECHOS NOTA:
AUTORALES
Le sugerimos revisar minuciosamente su
Los trabajos sometidos a publicación en trabajo con relación a las normas de la ReGEA,
ReGeA deben ser inéditos, además de no deber a la corrección del idioma y a los ítems que de-
estar en evaluación paralela en otro periódico ben estar presentes en su sumisión. Verifique si
(Nota: los trabajos pueden haber sido presenta- en archivo está identificado. Trabajos cuya do-
dos en congresos anteriormente, desde que eso cumentación esté incompleta o no esté en con-
esté claramente apuntado.) formidad con las normas de la revista no serán
evaluados. A el(los) autor(es) será confirmada
El material presentado es de total y exclu- la recepción del archivo.

ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 5, n. 2, p. 140-145, jul./dez. 2016

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