Revista Gestão em Análise - Edição 2015
Revista Gestão em Análise - Edição 2015
Ana Vládia Cabral Sobral, Cristina Castelo Branco M. de Andrade, Agencia Studio
Eleazar de Castro Ribeiro, Ellen Campos S. Gordiano, Elnivan Moreira Capa / Cover Design
de Souza, Fayga Silveira Bedê, Janina M. M. Sanchez, Laodicéia Amorim
Weersma, Marcos Kubrusly, Maria Bernadette A. Silva. Gráfica e Editora LCR Ltda.
Editoração e Projeto Gráfico / Publishing
Laodicéia Amorim Weersma and Graphic Design
Editora-Chefe / Chief Editor
Matérias assinadas são de responsabilidade dos
Arnaldo F. M. Coelho autores. Direitos autorais reservados. Citação
Editor Internacional / International Editor parcial permitida, com referência à fonte.
Fortaleza
Semestral
ISSN 1984-7297
e-ISSN 2359-618X
CDD 658
Impressão
Gráfica e Editora LCR Ltda.
Rua Israel Bezerra, 633 - Dionísio Torres - CEP 60.135-460 - Fortaleza – Ceará
Telefone: 85 3105.7900 - Fax: 85 3272.6069
Site: [Link] – e-mail: atendimento01@[Link]
Revista Gestão em Análise - ReGeA
SUMÁRIO / CONTENTS
Editorial .................................................................................................................................05-06
Artigos / Articles
The impact of CSR perceptions on mutualistic values and their impacts on brand loyalty and
resistance to negative information = O impacto da percepção da RSC em valores mutualistas e
seus desdobramentos sobre a fidelidade à marca e resistência à informação negativa
Arnaldo Fernandes Matos Coelho, José de Sousa Martins, Laodicéia Amorim Weersma e
Menno Rutger Weersma...........................................................................................................07-21
O modelo de negócios do setor editorial cearense com o auxílio Canvas = The business
model for the editorial sector in Ceará with the aid of Canvas
Elnivan Moreira de Souza, Jocasta Saraiva de Sousa, Felipe Gerhard Paula Sousa e Lucas Lopes
Ferreira de Souza...................................................................................................................83-101
EDITORIAL
A
partir do delineamento do objetivo de tornar a Revista Gestão em Análise (ReGeA) um
periódico consolidado na comunicação do conhecimento e na disseminação de pesquisas
científicas em âmbito nacional e internacional, o ano que se encerra com esta edição marcou
conquistas que fazem parte do início de uma trajetória sólida para o alcance efetivo deste propósito.
Merece destaque no que se refere à implementação de estratégias que ampliem a visibili-
dade internacional do periódico, a apresentação do Editor Internacional da ReGeA, Dr. Arnaldo
Fernandes Matos Coelho, Professor titular e Coordenador dos programas de Doutorado e MBAs
em gestão da Universidade de Coimbra - Portugal.
Ainda sob esse olhar da democratização do saber, a ReGeA iniciou o processo de inserção
em bases que proporcionam o open access. Para tanto, houve no final de 2015, a integração ao
Portal de Revistas Eletrônicas no link <[Link] 2627 >. É importante ressaltar que
esse sistema permite o acesso livre às publicações, bem como possibilita maior eficiência na ges-
tão do processo editorial, já que confere transparência ao longo do processo, desde a submissão
dos trabalhos on-line até o acompanhamento das fases de avaliação no sistema blind review e,
sobretudo, o open access que tende a aumentar a visibilidade da revista.
Nesta edição especial, cuja marca é a inserção da revista junto à comunidade científica, o comitê
editorial acolheu, em regime de fast-track, doze artigos provenientes de congressos e encontros realiza-
dos no ano de 2015 os quais, em sua maioria, refletem a pesquisa de docentes e discentes da Unichristus,
bem como de pesquisadores exógenos em parceria com docentes desta Instituição. Assim, temos inicial-
mente quatro artigos apresentados no Encontro Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente
– XVII ENGEMA: i) The impact of CSR perceptions on mutualistic values and their impacts on brand
loyalty and resistance to negative information; ii) Consumo ético e seus impactos: determinantes do com-
portamento do consumidor brasileiro; iii) A energia eólica como oportunidade de negócio sustentável:
um estudo em uma empresa no Ceará e, iv) A percepção de consumo sustentável entre consumidores.
Em seguida, são divulgados quatro artigos provenientes do Encontro Nacional dos Cursos
de Graduação em Administração – XXVI ENANGRAD: i) A logística dentro da construção en-
xuta: estudo de caso em uma construtora de Fortaleza; ii) Atributos determinantes de compra do
consumidor masculino adulto jovem no setor de vestuário – um estudo em uma IES particular de
Fortaleza; iii) O modelo de negócios do setor editorial cearense com o auxílio Canvas e, iv) Desafios
dos microempreendedores na obtenção de financiamento: um estudo de três segmentos do mercado.
Finalmente, esta edição especial com artigos em regime fast track, encerra-se com mais quatro
artigos, sendo um apresentado no Simpósio de Engenharia de Produção – XXII SINGEP, cujo tema é
o papel do transporte na logística de distribuição: um estudo de caso sobre uma empresa de torrefação e
moagem em Eusébio – Ceará; com outro artigo apresentado no Congresso Internacional de Educação
à Distância – XXI CIAED que traz o estudo da motivação dos discentes em um curso de graduação
a distância à luz da escala de motivação acadêmica e, por dois outros artigos apresentados o X Con-
gresso Mundial de Administração na cidade do Porto, em Portugal, sendo um que discorre a análise
da qualidade do curso e da prática do empreendedorismo na percepção dos alunos de graduação em
administração e, o último artigo, o qual apresenta a análise dos propósitos de práticas de responsabili-
dade social empresarial de indústrias cearenses participantes do prêmio SESI de qualidade no trabalho.
Portanto, é com muita satisfação que apresentamos essa edição da Revista Gestão em Aná-
lise – ReGeA - com os preciosos trabalhos acima apresentados, sendo, cada um deles, claramente
fruto de muita pesquisa e estudo.
Laodicéia Amorim Weersma
EDITORA CHEFE
EDITORIAL
S
tarting with the delineation of the objective to make the Analysis of Management Journal
a consolidated periodical engaged in the communication of knowledge and to dissemina-
te scientific research at national and international level, the year ending with this edition
marked achievements that are part of the beginning of a solid trajectory to achieve this goal.
Noteworthy, in regard to the implementation of strategies to enhance the international vi-
sibility of the journal, is the presentation of the International ReGeA Editor, Dr. Arnaldo Matos
Fernandes Coelho, full Professor and Coordinator of the doctoral programs and MBA´s in mana-
gement of the University of Coimbra - Portugal.
Concerning the democratization of knowledge, ReGeA also started the process of insertion
in bases that provide open access. For that reason the integration to the Electronic Journals Portal
at <[Link] took place at the end of 2015. It should be pointed out that this
system allows free access to publications and enables more efficient management of the editorial
process as it provides transparency throughout the process, as from the submission of on-line
articles to monitoring the phases of evaluation in the blind review system and, above all, the open
access is likely to increase the magazine’s visibility.
In this special edition, which marks the magazine’s insertion into the scientific community,
the editorial committee hosted on a fast-track basis, twelve articles from conferences and mee-
tings that took place in 2015. They reflect, in great part, the research of teachers and students of
Unichristus and exogenous researchers in partnership with the teachers of this institution. The first
four papers were presented at the International Meeting of Business and the Environment - XVII
ENGEMA: i) The impact of CSR perceptions on mutualistic values and their impacts on brand
loyalty and resistance to negative information; ii) Ethical consumption and its impacts: determining
the Brazilian consumer behavior; iii) The wind power as a sustainable development opportunity: a
study at a company in Ceará and, iv) The perception of sustainable consumption among consumers.
Next are presented four articles from the National Meeting of Management Undergraduate
courses - XXVI ENANGRAD: i) Logistics in lean construction: a case study of a construction com-
pany in the city of Fortaleza, Ceará; ii) Determinants of consumer purchase attributes among young
male adults in the clothing industry – a study in a private higher education institution of Fortaleza
(CE); iii) The business model for the editorial sector in Ceará with the aid of Canvas and, iv) Chal-
lenges of microentrepreneurs in contracting financing: a study of three market segments.
This special issue, with articles on fast track basis, ends with four articles. One of them was pre-
sented at the Symposium of Production Engineering - XXII SINGEP titled - the role of transportation
in distribution logistics: a case study of a roasting and grinding company in Eusebio – Ceará; another
article was presented at the International Congress of Distance Education - XXI CIAED that brings
the study named - a study of the motivation of students of an undergraduate distance learning course,
an insight of the academic motivation scale - and the last two papers were presented at the X World
Management Congress in Porto, in Portugal. The first one discusses the analysis of the quality of the
course and the practice of entrepreneurship in the perception of undergraduate business administration
students and the last article presents an analysis of the purposes of Corporate Social Responsibility
practices of industries from the state of Ceará that participate in SESI’s quality at work award.
Finally, it is with great satisfaction that we present this issue of the Journal Management in
Analysis presenting the precious articles mentioned above, each of them being clearly the result
of much research and study.
Laodicéia Amorim Weersma
CHIEF EDITOR
doi:10.12662/2359-618xregea.v4i2.p7-21.2015
ARTIGOS
ABSTRACT
ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 7-21, jul./dez. 2015
8 ARTIGOS | The impact of CSR perceptions on mutualistic values and their impacts on brand loyalty and resistance to negative information
The combination to make reasonable profits with and establish long-lasting relationships (KA-
efforts to achieve corporate social responsibility TRIINLI; GUNAY; BIRESSELIOGLU, 2011).
(CSR), thus producing sustainable profits on the Furthermore, customers involved and loyal to a
long-term, should be the main priority. brand are expected to doubt, to ignore or refuse
The Commission for the European negative information about it (BATRA; AHU-
Communities (2001, p. 6) defines CSR “as a VIA; BAGOZZI, 2012).
concept whereby companies integrate social According to Stefanic (2010) the percep-
and environmental concerns in their business tion of a CSR behaviour may boost mutualistic
operations and in their interaction with their values in mutualistic institutions. According to
stakeholders on a voluntary basis”. The Com- the Association Internationale de la Mutualité
mission continues to suggest that being socially (2015), a mutual institution is a social enterpri-
responsible means that besides fulfilling legal se based on the values of solidarity, non-profit
expectations the company needs to go beyond orientation, and democracy able to create spe-
compliance and invest into human capital, the cial bonds with their customers. Relano and
environment and the relations with stakehol- Paulet (2012) confirm that mutualistic institu-
ders. Building a socially responsible corporate tions base their activities not only on maximi-
image can lead companies to engage in local sing profit but also on adding social value.
activities. This could help customers to see Despite the fact that CSR has become a
the brand as a ‘non-brand’, as a loyal friend useful tool, the relationships between CSR and its
making part of a wider community (BEVER- impacts are notably unexplored and many ques-
LAND, 2005). tions still remain to be answered (SONGSOM;
According to Kim, Kumar V. and Kumar TRICHUN, 2013). In this way, the objectives of
U. (2010), companies realise that having a so- this study are to identify the impacts of customer
cially responsible corporate image is a valuab- perceptions of CSR (in both dimensions, ethical
le strategic asset. Therefore CSR has become a and commercial) on the perceptions of mutualis-
common concept, and studies are being steered tic values and their impacts on brand loyalty and
to search and explore the possible benefits of a resistance to negative information.
CSR approach (KATRIINLI; GUNAY; BIRES- This study is based on a sample of custo-
SELIOGLU, 2011). The importance of CSR mers of a mutualistic bank for basing their ac-
has been highlighted by several authors: CSR tivities not only on maximising profit but also
can affect customer satisfaction (XUEMING; on adding social value (RELANO; PAULET,
BHATTACHARYA, 2006), brand loyalty (PI- 2012) and makes use of cross-sectional data.
VATO; TENCATI, 2008), behavioural inten- The instrument for data collection is a struc-
tions of consumers (BECKMAN, 1979), com- tured questionnaire. A statistical modelling is
petitive advantage (PORTER; KRAMER, 2006) performed via Structural Equations Modelling
and corporate reputation and purchase intentions to test the investigation model and to provide
(GATTI; CARUANA; SNEHOTA, 2012). answers to the proposed hypotheses.
Companies use CSR in the attempt to
create mutualistic-based relationships to win 2 CORPORATE SOCIAL RESPONSIBILITY
the loyalty of their stakeholders, especially cus- AND ITS PERCEPTIONS
tomers. This can be broadly beneficial for both
parties involved (WORTHINGTON; HORN, According to Jamali and Mirshak (2007),
1998). Corporate mutualistic values perceived CSR is a set of management practices ensuring
by its customers are expected to reinforce the that the company maximises the positive impacts
brand communities and impact positively on of its operations on society or operates in a man-
corporate reputation, trust and loyalty (RE- ner that meets and even exceeds society’s legal,
LANO; PAULET, 2012; CLAYDON, 2011) ethical, commercial and public expectations.
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Kotler and Lee (2005) confirm that CSR can be These intangible assets could create competi-
seen as a commitment of the company to improve tive advantage, which, in the long term, gene-
community well-being through discretionary bu- rate and improve financial performance. CSR
siness practices and corporate resources. practices can increase corporate reputation, bu-
Consumers take into consideration the at- siness performance, and brand equity as well
titude of the manufacturer towards society and as enhancing customers’ preference for a brand
the overall corporate behaviour. Consequently, that is engaged in CSR (GATTI; CARUANA;
the majority of companies perceive that the SNEHOTA, 2012). In fact, CSR is of strategic
achievement of a sustainable business with ad- and financial importance to every organisation
ded shareholder value is not possible if the focus and can contribute in increasing companies’
is purely on maximising short-term profits and competitiveness (BARTHORPE, 2010).
that responsible market-oriented behaviour is re- The importance of CSR has been highli-
quired (MAHAJAN; BROWER, 2013). Accor- ghted by several authors, considering the im-
ding to Vogel (2005) there exists a link between pacts on customer satisfaction (XUEMING;
the CSR approach and economic performance. BHATTACHARYA, 2006), behavioural inten-
Examining the role of CSR (a non-servi- tions (BECKMAN, 1979), competitive advan-
ce-related concept) and perceived service qua- tage (PORTER; KRAMER, 2006), corporate
lity (a service-related concept) in determining reputation, and purchase intention (GATTI;
the attitudinal and behavioural loyalty of cus- CARUANA; SNEHOTA, 2012).
tomers in the retail-banking sector in Thailand, In addition, after analysing the financial
Mandhachitara and Poolthong (2011) conclu- and human aspects of brand performance in
ded that CSR has a significantly strong and banks in India, Sharma (2014) concluded that
positive association with attitudinal loyalty and human aspects are more important to brand per-
a positive relationship between attitudinal and formance than the financial and that CSR is the
behavioural loyalty. CSR perceptions became a most important human aspect, having a major
significant driver of loyalty (GARCÍA DE LOS impact on brand performance. The CSR activi-
SALMONES; HERRERO; BOSQUE, 2005; ties being undertaken by companies influence
BERENS; RIEL; REKOM, 2007. The positive the trust of the consumers in those companies,
consumer attitude due to the CSR activity is as a positive consumer attitude due to the CSR
translated into favourable intentions to purcha- activity which is translated into a favourable in-
se the brand and leads to brand loyalty (PIVA- tention to purchase the brand and leads to brand
TO; TENCATI, 2008). Hence, the perceptions loyalty (PIVATO; TENCATI, 2008).
of CSR appear to be important in the attempt to However, what is important here is not
keep customers loyal and avoid customer tur- CSR itself but the way customers perceive the
nover (VLACHOS et al., 2013). At the same companies’ decisions and practices in the CSR
time, these customers are more likely to avoid domain. The credibility, or in other words, the
and resist to negative information (BATRA; capacity of a company to comply with its pro-
AHUVIA; BAGOZZI, 2012). mises seems to be critical to success. Indeed, the
As a result, strategic CSR is commonly perceptions of CSR appear as an important tool
implemented by businesses to create a win-win in the attempt to keep customers loyal and avoid
situation in which both the corporation and one customer turnover (VLACHOS et al., 2013). In
or more stakeholder groups may benefit. Accor- this way, perceptions of CSR have become im-
ding to Poolthong and Mandhachitara (2009), portant as a field of investigation due of the fact
CSR can impact positively on trust and custo- that favourable perceptions serve as significant
mer affective attitudes in the retail-banking en- drivers of loyalty (GARCÍA DE LOS SALMO-
vironment by improving loyalty based on the NES; DEL BOSQUE, 2011; TURKER, 2009;
increase of brand image and customer trust. BERENS; RIEL; REKOM, 2007).
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Perceptions of Corporate Social Responsibility is based on Gatti, Caruana and Snehota (2012).
The authors propose three dimensions but the exploratory and then the confirmatory factor analy-
sis showed that this variable has, in this investigation, only two dimensions: the commercial and
the ethical.
5.2 HYPOTHESES
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tory and then on the confirmatory factor analysis a scale to measure this variable has not yet been
to have, in this study, only two dimensions, ins- developed. Consequently, a scale was develo-
tead of the three proposed by the authors. ped and tested to measure this variable.
The commercial dimension of the cons- The items to measure the variable Mu-
truct with four items: I feel that, tualistic Values were generated based on the
a) the products and services of the bank mutualistic values suggested by MacPherson
are always reliable; (1995) and Relano and Paulet (2012) and were
b) the bank gives proper and reliable discussed with academics and mutualistic cus-
information to their customers about tomers. The resulting scale is based on four
the characteristics of products and items: I feel that,
services; a) I can participate in the election of the
c) the bank has an ethical and honest Governance structures of my bank;
behaviour towards their customers b) I am part-owner of my bank;
and; c) I can benefit from the results of my
d) the bank respects the ethical princi- bank and;
ples of their relations over pure and d) my bank is an institution where my
simple profits. vote has value.
And the ethical dimension with four To explore the factor structure of the la-
items: I feel that the bank, tent variable perceptions of mutualistic values
a) is concerned with environmental pro- an exploratory factor analysis using the princi-
tection; pal components analysis was performed, and a
b) directs part of its budget to donations rotation method Varimax with Kaiser Norma-
and social programs for the disadvan- lization was completed. The reliability for the
taged; mutualistic values scale was assessed using
c) supports the development and fun- Cronbach’s alpha (α=0.893). The first factor
ding of social and cultural activities accounted for 75.84 of the total variance. All
and; factor loadings ranged from 0.810 to 0.912.
d) cares about improving the overall The factor structure based upon the exploratory
well-being of the society. factor analysis showed an adequate fit. A con-
The variable Loyalty was measured ba- firmatory factor analysis confirmed the psycho-
sed on Algesheimer, Dholakia and Herrmann metric characteristics of the scale.
(2005) and Batra, Ahuvia and Bagozzi (2012) The construct Resistance to Negative
in a mix of items. The 5 items of the scale are: Information was measured based on Bhatta-
a) in the near future, I intend to continue charya and Sen (2003) with two items and Ba-
to be a customer of the bank; tra, Ahuvia and Bagozzi (2012) with one item.
b) I pretend to search actively for pro- The 3 items of this scale are:
ducts and services of the bank; a) if I hear something negative about the
c) I intend to endorse other products of bank I will doubt of such statements;
the bank; b) I forgive the bank when making mis-
d) my loyalty to the bank is very strong takes and;
and; c) I forgive the bank for giving inade-
e) if I subscribe new banking services, I quate information.
would definitely opt for this bank. Confirmatory factor analysis was used to
It was not possible to identify a scale assess the psychometric properties of the scales
in the literature review to assess mutualistic and the measurement model fit, using AMOS
values. Despite the fact that this represents an 21. The final model shows a good fit (IFI=0.974;
actual and pertinent topic (STEFANCIC, 2010) TLI=0.967; CFI=0.974; GFI=0.937; CMIN/
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DF=2.247; RMSEA=0.057). Composite relia- and of these, 391 agreed to complete the ques-
bility (CR) and the average variance extracted tionnaire, such that ultimately, 391 valid ques-
(AVE) were computed. All the scales showed tionnaires were collected.
values above 0.72, which are in line with the re- The sample population is constituted of
commendations (Hair et al., 2006), confirming 391 respondents, 56% male and 44% female,
the scale reliability (Table 1). 2.6% aged under 25, 32.7% between 25 and 39,
Discriminant validity of the multi-items 41.7% between 40 and 55, and 23% above 55,
scales are evidenced by the fact that all squared which is in line with the average banking cus-
correlations (X) between the constructs are sig- tomer population. Regarding education, 35.6%
nificantly smaller than 1 and the squared cor- of the sample held a bachelor’s degree or hi-
relations calculated for each pair of constructs gher, and 64.4% had secondary education or
is always smaller than the variance extracted less. In regard to income, 31% had an income
(AVE) for corresponding constructs (FOR- under 1,000 Euros, 41.9% between 1,000 and
NELL; LARKER, 1981; SHIU et al., 2011). 2,000 Euros and 27.1% over 2,000 Euros.
These results confirm the validity of the cons- To operationalize the variables, a litera-
tructs (See Table 1). ture review was conducted and the scales used
The reliability and the validity of the cons- in existing studies were adapted, making chan-
tructs confirm thereby the suitability of the metri- ges in the vocabulary to ensure that the scales
cs used to measure the variables under study. were comprehensible by respondents. All the
items of the variable (construct) were measu-
5.4 PROCEDURE red on a 7-point Likert scale (1=strongly disa-
gree to 7=strongly agree). Amos 21 was used to
In order to test the proposed investiga- perform confirmatory factor analysis and struc-
tion model and the research hypotheses, cros- tural equation modelling to test the proposed
s-sectional data was gathered via a structured hypotheses.
questionnaire. The delivery of questionnaires
to individual customers of a mutualistic bank 5.5 COMMON METHOD BIAS
and the collection were processed by handing
the questionnaire to the first 20 customers of When self-administered questionnaires
the day in 20 different agencies of the bank. are used, a common variance bias problem
Thus, in total, 400 customers were approached, can emerge or increase (PODSAKOFF et al.,
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2003). According to the authors, the common matory factor analysis was conducted restricting
method variance (CMV) tests help to identify all items of the model to load on a common sin-
the existence of variables that can cause measu- gle factor (PODSAKOFF et al., 2003). The re-
rement errors and systematic biases in the esti- sulting fit indices showed that the model did not
mation of the relationships between constructs. provide a good fit for the data: CMIN/D=6.85;
The emergence of this problem may arise when IFI=0.52; TLI=0.51; CFI=0.53; RMSEA=0.13.
the information about dependent and indepen- The results of these analyses do suggest that
dent variables come from the same respondent, common method variance is not of great concern
the same scale format is used throughout the and thus, it is unlikely to confound the interpre-
questionnaire or different constructs are measu- tations of the results of this investigation.
red at the same time using the same instrument.
Based on the suggestions by Podsako- 6 FINDINGS
ff and Organ (1986), a Harman’s single factor
test and a common latent factor (CLF) analysis Amos 21 was used to perform confirma-
were performed to capture the common varian- tory factor analysis and structural equation mo-
ces among all observed variables in the model. delling to test the proposed hypotheses. The final
The Harman’s test showed that any factor could model shows a good fit (IFI=0.972; TLI=0.964;
explain more than 23% of the variance and there CFI=0.972; GFI=0.933; CMIN/DF=2.358; RM-
were 11 factors with eigenvalues greater than 1, SEA=0.059. The following table presents the
explaining 73% of the total variance. A confir- final results for the overall sample:
H3a RNI <--- CSRe .010 .042 .140 .889 Not Supported
H3b RNI <--- CSRc .118 .058 1.232 .218 Not Supported
There is a positive relationship between and these practices contribute to increase their
CSR and mutualistic values in both dimensions mutualistic values as suggested by Gatti, Caru-
of CSR perceptions, ethical and commercial, ana and Snehota (2012).
therefore supporting H1a e H1b. These rela- There is a positive relationship between
tionships show that customers are expecting CSR practices and loyalty, but only for the com-
banks to have socially responsible practices mercial side, thereby supporting H2a but not H2b.
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16 ARTIGOS | The impact of CSR perceptions on mutualistic values and their impacts on brand loyalty and resistance to negative information
This is an unexpected result, as the ethical dimen- lationship with RNI. Mutualistic bank customers
sion of CSR does not seem to have a significant with higher mutualistic values seem to have an
relationship with loyalty, instead the commercial increased resistance to negative information
dimension has a significant impact as most of about the mutualistic bank. Besides that, mutua-
the results of previous investigations (PIVATO; listic values tend to make people feel more inte-
TENCATI, 2008; VLACHOS et al., 2013). Appa- grated in the community of the mutualistic bank
rently, the commercial dimension of CSR corres- and therefore, more committed with the bank
pond to offer benefits to the customer, therefore and more willing to avoid and ignore negative
stimulating the intentions to be loyal. comments about their bank (AHLUWALIA;
The hypothesis H3a and H3b are not BURNKRANT; UNNAVA, 2000).
supported; so, CSR perceptions do not seem H6 is supported and loyalty impacts
to have an impact on RNI, in any of the CSR on RNI, as expected (AHLUWALIA; BUR-
dimensions. Relationships with banks, even NKRANT; UNNAVA, 2000). Highly commit-
with cooperative ones, have been disturbed by ted and loyal customers tend to resist changing
practices and accidents revealing a clear lack of their attitudes, even in face of negative com-
ethics. RNI seems to depend on other attitudes ments or information. Customers involved and
like MV or loyalty and CSR is not enough (TA- loyal to a brand are expected to doubt, to ignore
DDEI; DELÉCOLLE, 2012). or refuse negative information about it Ahluwa-
There is a positive relationship between lia, Burnkrant and Unnava (2000).
MV and loyalty, as expected, therefore suppor-
ting H4. According to Cheung, Lee and Rab- 7 FINAL CONSIDERATIONS
john (2008) mutualism means the co-operation
between different kinds of organisms and can The present investigation makes a major
sometimes be understood as altruism. Mutu- contribution to the literature, especially about
alistic banks are able to create special bonds the association between CSR and MV of a mu-
with their customers, most of whom are mutua- tualistic bank and their impacts on brand loyal-
listic customers. The relationship they can esta- ty and on resistance to negative information.
blish can be compared to what Ahmad (2005, p. The results can provide an interesting
326) called superlative bonds. In his definition guidance for managers in adapting their marke-
“it may include cultic and hedonic satisfaction ting strategies. To be more attractive to their
such as the pleasure of being associated with customers, banks should realize that mutualis-
the bank. It concerns the quality of the bank’s tic values are important to strengthen their rela-
reputation and its overall corporate image. Su- tionships with their customers and CSR practi-
perlative bond creates enduring satisfaction, ces seem to be critical to achieve this. Adopting
defensive barriers, and strong affiliation”. That a socially responsible behaviour can boost the
means that mutualism can be positively asso- results of the marketing strategy. At the same
ciated with loyalty. time, marketing strategy must place mutualistic
MV is based on shared interests with values and mutualistic relationships in the cen-
the supplier, especially when a sense of moral tre of the companies´ priorities. Furthermore,
responsibility is present (MUNIZ; O’GUINN, the study of the impacts of CSR cannot ignore
2001). Mutualistic values may support coope- the individual attitudes towards socially res-
rative relationships, developing strategies to ponsible behaviours.
address and combine the different aspects of It´s presented an attempt to develop a sca-
stakeholders’ needs and thus, deliver sustai- le to measure mutualistic values. Even if the psy-
nable value to the shareholders and to society chometric characteristics seem to be very good,
(PORTER; KRAMER, 2006). further investigation to add new insights and fur-
H5 is supported and MV has a positive re- ther validation of the new scale is required.
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AUTORES | Arnaldo Fernandes Matos Coelho | José de Sousa Martins | Laodicéia Amorim Weersma | Menno Rutger Weersma 17
This investigation is based on cross-sec- tudos preexistentes. Além disso, uma nova escala
tional data. When causal relationships are to be para medir os MV foi desenvolvida para testar a
explored, longitudinal data help in comprehen- Modelagem das Equações Estruturais (MES), o
ding causality issues. Naturally, this gives an modelo de investigação e fornecer respostas às
opportunity for additional research in this field. hipóteses propostas. Os resultados mostram que
Furthermore, investigating the egoistic versus as percepções de RSC causaram impacto sobre os
altruistic attitudes of the customers would fos- valores mutualistas e sobre as atitudes em relação
ter a better understanding of the links between às marcas, como lealdade e resistência à informa-
CSR and brand attitudes. ção negativa. A dimensão comercial da RSC pa-
Finally, the transactional characteristics rece provocar um impacto mais relevante.
of relationships in the banking industry and the
behavioural loyalty that seems to prevail sug- Palavras-chave: Responsabilidade social cor-
gest the need for further investigation in this porativa. Valores mutualistas. Fidelidade à
field to establish the real nature of loyalty and marca. Resistência à informação negativa.
its drivers. Introducing the role of emotions and
giving more attention to the role of salespeople 1 Artigo apresentado ao XVII ENGEMA - Encontro
Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio Am-
and their expertise in the loyalty process are
biente, realizado na Universidade de São Paulo, dias 30
other directions that would allow for more in- de novembro e 01 de dezembro de 2015. Autores: Ar-
-depth knowledge of the field to be derived. naldo Fernandes Matos Coelho, José de Sousa Martins,
Laodicéia Amorim Weersma e Menno Rutger Weersma.
O IMPACTO DA PERCEPÇÃO DA
RSC EM VALORES MUTUALISTAS REFERENCES
E SEUS DESDOBRAMENTOS
SOBRE A FIDELIDADE À MARCA AHLUWALIA, R.; BURNKRANT, R.; UN-
E RESISTÊNCIA À INFORMAÇÃO NAVA, H. Consumer response to negative Pu-
blicity: the moderating role of commitment.
NEGATIVA
Journal of Marketing Research, United Sta-
tes, v. 37, n. 2, p. 203-214, 2000.
RESUMO
AHMAD, R. A conceptualisation of a custom-
As práticas de Responsabilidade Social Corpo- er-bank bond in the context of the twenty-first
rativa (RSC) são fundamentais para fortalecer as century UK retail banking industry. The Inter-
relações entre os bancos mutualistas e seus clien- national Journal of Bank Marketing, United
tes. Este estudo tem como objetivo identificar os Kingdom, v. 23, n. 4/5, p. 317-333, 2005.
impactos das percepções de clientes acerca de
RSC, das dimensões éticas e comerciais sobre ALAZZAM, F.; BACH, C. Loyalty Program
a percepção dos valores mutualistas e seus im- Factors and How do they affect Customer Be-
pactos sobre a fidelidade à marca e resistência à havior. International Journal of Business
informação negativa. Valores mutualistas (MV) and Social Science, United States, v. 5, n. 6, p.
são analisados porque as instituições mutualistas 276 -282, 2014.
baseiam suas atividades não só na intenção de
maximizar o lucro, mas também na agregação de ALGESHEIMER, R.; DHOLAKIA, U; HER-
valores sociais. A pesquisa utiliza dados coletados RMANN, A. The social influence of brand
por meio de questionário estruturado a partir de community: evidence from European car clubs.
uma amostra de 391 clientes de bancos mutua- Journal of Marketing, United States, v. 69, n.
listas em Portugal. Para operacionalizar as vari- 3, p. 19-34, 2005.
áveis, foram adaptadas escalas utilizadas em es-
ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 7-21, jul./dez. 2015
18 ARTIGOS | The impact of CSR perceptions on mutualistic values and their impacts on brand loyalty and resistance to negative information
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22 ARTIGOS | Consumo ético e seus impactos: determinantes do comportamento do consumidor brasileiro
doi:10.12662/2359-618xregea.v4i2.p22-36.2015
ARTIGOS
RESUMO
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AUTOR | Arnaldo Fernandes Matos Coelho | Marina de Souza França | Laodicéia Amorim Weersma | Menno Rutger Weersma 23
Outrossim, grande parte dos recursos serviços. Em vista disso, cabe tecer as conside-
naturais existentes no planeta já se encontram rações de Canclini (2006) que argumenta que o
escassos em diversos setores e o consumo de- consumidor não pode mais ser visto como uma
senfreado e não consciente gera agravantes vítima manipulada e alienada e, logo, seu con-
para esse cenário. Isso vai ao encontro das ar- sumo deve-se associar ao anseio de participar
gumentações de Jackson (2005) ao afirmar que da vida e do coletivo. O seu engajamento nesse
as pessoas encontram-se “trancadas” durante sentido; portanto, o torna um consumidor res-
grande parte do tempo em padrões de consumo ponsável. Além disso, com o passar dos anos e
insustentáveis (consumidores lock-in), longe o aumento do acesso à informação, o número
de serem capazes de exercer sua escolha sobre de consumidores conscientes que se preocu-
o que consumir e o que não consumir. Em con- pam com uma imagem ecologicamente corre-
traponto, a proliferação recente de movimentos ta entrou em ascensão (RIBEIRO; KAKUTA,
ambientalistas e da cobertura da mídia a respei- 2008). Uma pesquisa realizada pelo Ministério
to dos problemas das sociedades atuais e futu- do Meio Ambiente em 2006 afirma que a cons-
ras vem provocando um processo de reflexão cientização do brasileiro em relação ao meio
e engajamento em relação a temas, até então ambiente aumentou em cerca de 30% em 15
restritos a pequenos grupos, como o impacto anos (COSTA, 2011).
do consumo (MARTINEZ, 2010). Assim, um Na prática, a sustentabilidade, ou o con-
dos pontos chave para a discussão passa a ser sumo ético, traduz-se também nas formas como
a análise das motivações e influências pelas os indivíduos consomem. Assim, um estudo in-
quais um indivíduo decide mudar seus hábitos vestigativo que possa mensurar a consciência
de consumo para um modelo mais consciente ambiental dos consumidores, baseado nos fatores
ambientalmente, trazendo para o consumo ati- influenciáveis do comportamento ético, durante o
tudes que beneficiam o coletivo em detrimento processo de sua decisão de compra se torna extre-
do individual em curto prazo. mamente relevante. Entender o comportamento
Por definição, o consumo ético, ou cons- do consumidor é fundamental quando se pretende
ciente, é aquele em que o indivíduo concebe influenciar ou alterar este comportamento con-
o ato do consumo como fio condutor de ações forme objetivos e interesses da organização (EN-
mais justas para a sociedade. Assim, possibilita GEL; BLACKWELL; MINIARD, 2004).
ao consumidor contribuir para mudanças por Nesse sentido, este estudo tem como obje-
intermédio do consumo ético, valorizando a re- tivo principal analisar os principais determinan-
lação do indivíduo com o coletivo e as gerações tes do comportamento do consumidor no con-
futuras (AKATU, 2013). Já para Long e Mur- texto brasileiro, face ao consumo ético. Logo,
ray (2013), o consumo ético é o ato de comprar tomando como pressuposto e senso comum de
produtos que possuem atributos adicionais, que cada consumidor possui suas características
além do valor de uso, como sociais, ambientais individuais relativas ao ambiente no qual está in-
ou de saúde, significando compromisso com serido, essa investigação tem por objetivos espe-
valores éticos para suportar alterações junto a cíficos identificar os determinantes do consumo
práticas injustas de mercado. ético no contexto brasileiro e seus impactos na
O termo consumidor ético, portanto, traz qualidade de vida, na sensibilidade aos preços
vários significados e está aberto a diversas in- dos produtos éticos e finalmente no comporta-
terpretações. Sob esse olhar, o entendimento mento de compra compulsiva dos brasileiros.
aceito nesse artigo alinha-se as argumentações
de Cowe e Williams (2000) ao dizerem que a 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
essência do conceito está no fato que as pessoas
são influenciadas por considerações ambientais A maioria das pesquisas que fundamentam
ou éticas quando escolham seus produtos ou a literatura sobre o comportamento do consumi-
ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 22-36, jul./dez. 2015
24 ARTIGOS | Consumo ético e seus impactos: determinantes do comportamento do consumidor brasileiro
dor, no que diz respeito a seu comportamento éti- domínio moral (KAISER et al., 1999). A partir
co e pró-ambiental, baseiam-se em dois principais desse estudo em específico, cada vez mais pes-
estudos, enquadrados dentro dos estudos sobre quisas realizadas tentaram explicar o compor-
psicologia social: as Teorias da Escolha Racio- tamento do consumidor sustentável por meio
nal (Rational Choice Theories) tal como a Teoria de análises de seus valores individuais. Cor-
da Ação Racional de Ajzen e Fishbein e a Teoria roborando, uma análise das principais pesqui-
da Ativação da Norma de Schwartz (COELHO; sas realizadas no campo do comportamento do
GOUVEIA; MILFONT, 2006). consumidor responsável revelou que as normas
A Teoria da Escolha Racional, ou sua ex- morais pessoais podem ser as precedentes dire-
tensão, a Teoria do Comportamento Planejado, tas da intenção pró-ambiental (RAYMUNDO;
busca explicar como o comportamento inten- FELIPPE; KUHNEN, 2014).
cional é formado. A teoria revela que as inten- Apesar de existir a visão de que o com-
ções são baseadas nas atitudes, que se apoiam portamento do consumidor pró-ambiental e
nas crenças sobre os custos e benefícios do sustentável possui características universais, é
comportamento, o que pode indicar a oportu- indubitável que a diferenciação cultural produz
nidade de intervenções efetivas para modifi- visões diferentes do entorno (CORRAL-VER-
car o comportamento (COELHO; GOUVEIA; DUGO; PINHEIRO, 1999). Logo, as motiva-
MILFONT, 2006). Dias (2009) afirma que as ções do consumo responsável são diferentes de
intenções podem ser mudadas, mas apenas se acordo com as influências sociais e, por isso,
a crença dos consumidores for mudada. Em uma aplicabilidade de estudos no Brasil faz-se
outras palavras, conforme Coelho, Gouveia e necessária e relevante.
Milfont (2006), a Teoria da Escolha Racional
destaca que o comportamento do consumidor é 2.1 VALORES HUMANOS E COMPOR-
determinado pela intenção do comportamento TAMENTO SUSTENTÁVEL
pró-ambiental que, por sua vez, é determinada
pela atitude sobre o comportamento, pela nor- Estudos sobre os valores humanos têm
ma subjetiva e pelo controle percebido do su- contribuído para uma melhor compreensão do
jeito sobre o comportamento. comportamento dos indivíduos, de modo ge-
Já a Teoria da Ativação da Norma de ral, além do comportamento do consumidor de
Schwartz busca explicar os mecanismos que forma específica (KAHLE; XIE, 2008), logo,
levam uma pessoa a agir de maneira altruís- as atitudes de preocupação ambiental no con-
ta e afirma que a ativação das normas pesso- sumo são baseadas também no conjunto de va-
ais depende de valores do próprio indivíduo lores gerais que cada pessoa possui (STERN;
(RAYMUNDO; FELIPPE; KUHNEN, 2014). DIETZ; GUAGNANO, 1998), comprovadas
Essa teoria, portanto, possui a premissa de que por indícios empíricos que reforçam a relação
as normas pessoais seriam os únicos determi- entre valores, atitudes e comportamentos pró-
nantes diretos do comportamento do consumi- -ambientais (MILIFONT et al., 2003).
dor pró-social. Devido a seu objetivo de expli-
car comportamentos pró-sociais, ela tem sido
muito utilizada, também, para explicar as mo-
tivações dos comportamentos pró-ambientais
(JACKSON, 2005).
Apesar de as duas teorias serem marcos
teóricos, no que se refere a estudos sobre a rela-
ção das atitudes e comportamentos pró-ambien-
tais a Teoria da Ativação da Norma de Schwartz
mostra-se mais eficaz, por melhor contemplar o
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26 ARTIGOS | Consumo ético e seus impactos: determinantes do comportamento do consumidor brasileiro
táculos que dificultam ou impedem essa inte- próximo (CLARK et al., 1987) e parece possuir
ração, a partir de disposições individuais para uma relação positiva com o comportamento de
o controle interpessoal (SUASSUNA, 2011). compra ecológica (MARTINEZ, 2010).
Segundo análises de Jackson (2005), aqueles A variável sensibilidade ao preço, de
que sustentam valores essencialmente egoístas forma específica, refere-se à pretensão de se
são menos propensos a se envolver em compor- medir o grau em que o preço de um produto
tamentos pró-ambientais, sendo normalmente afeta os consumidores e consequentemente
negativamente correlacionados. Portanto, o seus comportamentos. A sensibilidade ao pre-
egoísmo é muitas vezes percebido pelo consu- ço parece estar ligada a sentimentos e orienta-
midor como sendo um ato não ético (RIBEI- ções comunitárias (LARROCHE et al., 2001),
RO, 2014), é um valor que desencadeia menor que pode implicar em uma atitude efetiva de
propensão a comportamentos pró-ambientais compra (MARTINEZ, 2010) mesmo quando os
ou sustentáveis, possuindo normalmente uma preços são mais altos.
relação de negatividade (JACKSON, 2005). Satisfação de vida é uma variável que
Outro valor pessoal que pode, eventu- pode ser definida como uma avaliação global
almente, influenciar a atitude dos consumido- que a pessoa faz de sua própria vida. Nesse sen-
res face ao consumo ético é o idealismo, que tido, a satisfação de vida poderia ser descrita
é uma característica do indivíduo que visa ao como uma comparação que as pessoas realizam
bem-estar do próximo e toma atitudes que bus- das situações que experimentaram, de acordo
cam resguardá-lo. Ele pode ser visto como pre- com um padrão construído por elas mesmas
disposição a seguir princípios morais e a jul- (PAVOT et al., 1991) que, normalmente, é me-
gar normas, de acordo com as leis socialmente dido pelo indivíduo, de acordo com a soma
aceitas ou as consequências desejáveis (NAS- de seus momentos positivos (NUNES, 2009).
CIMENTO JÚNIOR, 2001). Um nível alto de Logo, a satisfação do consumidor é também
idealismo sugere uma tendência a assumir que uma forma de medir sua felicidade, ou seja, de
as consequências positivas decorrem da ação quanto um indivíduo fica feliz com a compra de
apropriada a ser tomada. O nível de idealismo um produto ou serviço (PINDYCK; RUBIN-
pode, portanto, influenciar o consumidor a to- FELD, 2002), assim, influenciando o consumi-
mar determinadas atitudes de compra (FOR- dor para comprar, ou não, o produto ou serviço.
SYTH, 1992) como um sentimento presente Ademais, tem-se a compra compulsiva.
e influenciador no processo decisório do con- O comportamento compulsivo de comprar é
sumidor (LEONIDOU, L.; LEONIDOU, C.; aquele que resulta em impulsos que fazem o
KVASOVA, 2010) ele passa a ser um preceden- indivíduo se sentir “obrigado” a realizar o ato
te de comportamentos responsáveis de compra. (FABER et al., 1987 apud MATOS; BONFAN-
A orientação comunitária é outra TI, 2008). As correntes que pregam que as rela-
variável importante para a formação das ções de compra são bastante influenciadas pela
atitudes do consumidor e refere-se ao grau de ótica comportamental, vêm ganhando espaço
crença de um indivíduo de que as necessida- (DITTMAR, 2005). A família e a influência
des e sentimentos das outras pessoas são im- social são os fatores que mais afetam o com-
portantes nas relações sociais (CLARK et al., portamento compulsivo de compra (BOUNDY,
1987). No modelo de compra ecológica anali- 2000). Todavia, a adoção de um comportamen-
sado por Follows e Jobber (2000), a orientação to ético de compra pode reduzir as tendências
pró-social aparece como reflexo da motivação para a compra compulsiva.
do indivíduo em promover o bem-estar do ou-
tro (MARTINEZ, 2010). A orientação comuni-
tária ou pró-social, portanto, é definida como
um sentimento de assistência ao bem-estar do
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Com base na revisão da literatura, foi pro- A figura a seguir apresenta o modelo
jetado o modelo conceitual desta investigação e conceitual que mostra as relações entre as va-
foram desenvolvidas as hipóteses. As hipóteses riáveis que são investigadas, ou seja, a relação
de pesquisa são apresentadas e o procedimento entre as valores pessoais e o consumo ético e o
para testar o modelo de investigação proposto. impacto deste constructo.
Para operacionalizar as variáveis, as escalas uti-
lizadas em estudos existentes foram adaptadas.
3.2 HIPÓTESES
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28 ARTIGOS | Consumo ético e seus impactos: determinantes do comportamento do consumidor brasileiro
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Foram realizadas quatro regressões lineares para testar os impactos em cada uma das vari-
áveis dependentes do modelo, conforme apresentado a seguir.
Tabela 1- Resultados da regressão linear múltipla para as variáveis antecedentes do consumo ético
R² R²adjusted F Sig B Beta Standardized T Sig
0,361 0,351 34,147 0,000 (Constant) 3,329 8,564 0,000
ind -0,300 -0,325 -5,495 0,000
SI -0,049 -0,058 -1,185 0,237
Self -0,154 -0,182 -3,782 0,000
Ide -0,083 -0,083 -1,671 0,096
CO 0,415 0,302 5,109 0,000
Fonte: dados da pesquisa (2015).
O modelo apresenta uma capacidade explicativa de 36.1% e mostra que o individualismo,
o egoísmo e a orientação comunitária são preditores do consumo ético. Parece também existir
entre as variáveis significativas, uma correlação negativa entre o individualismo, o egoísmo e o
consumo ético bem como uma correlação positiva entre o consumo ético e a orientação comunitá-
ria. A influência social e o idealismo não revelaram ter um impacto estatisticamente significativo
(p>0.05) e os resultados podem resumir-se na seguinte equação:
No que respeita aos efeitos do consumo ético nas variáveis consequentes, as tabelas se-
guintes mostram os resultados alcançados. De imediato, temos os efeitos do consumo ético na
sensibilidade ao preço.
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30 ARTIGOS | Consumo ético e seus impactos: determinantes do comportamento do consumidor brasileiro
A tabela seguinte exibe os resultados que expressam a relação entre consumo ético e satis-
fação de vida:
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32 ARTIGOS | Consumo ético e seus impactos: determinantes do comportamento do consumidor brasileiro
tema que engessa os consumidores já que estes No que respeita à relevância teórica, este
dependem de ações empresariais, limitam as projeto busca aplicar no Brasil uma pesquisa com
empresas, que devem prestar contas ao Gover- base em estudos já realizados mundialmente so-
no e, por fim, o próprio governo que se encon- bre o tema, partindo do pressuposto de que haja
tra imerso na engrenagem capitalista vigente. diversas peculiaridades de mercado, como vari-
Nesta perspectiva, há alguns estudos sobre áveis sociais, econômicas, culturais, entre outras.
o tema, principalmente no que compete à visão Relativamente à contribuição prática
pelo âmbito empresarial, mas ainda são poucos os deste estudo, os resultados podem ser de suma
estudos sob a ótica do consumidor, o que conse- importância para o mercado brasileiro, na me-
quentemente reflete também na insuficiência de dida em que procura apresentar as raízes do
estudos sobre o tema no Brasil. Assim, conside- consumo ético do consumidor, servindo, então,
rou-se pertinente analisar o comportamento do como base tanto para futuras ações de marke-
consumidor em suas atitudes de compra respon- ting como também para projetos de inovação
sável, bem como os fatores que os levam a fazer de produto, levando em consideração novas
escolhas, ou seja, fatores influenciadores. necessidades, novas segmentações e novos ca-
Igualmente, como destaca a teoria freu- minhos a seguir.
diana, grande parte das pessoas não compreen- Em uma visão padrão de gestão, os re-
de completamente quais são suas motivações sultados apresentados por este estudo podem
para tais atitudes; normalmente o ato da compra ser utilizados para contribuir para mudanças
possui uma explicação consciente, assim como de atitudes corporativas, tendo como plano
diversos outros fatores inconscientes que tam- central o cliente. Objetivando maior compro-
bém serviram como motivadores (KOTLER; misso com a sociedade e a conscientização dos
ARMSTRONG, 2003). consumidores a respeito dos impactos sociais e
Dessa forma, foi analisado o consumo ambientais, o modelo de negócio centrado nas
ético entre os brasileiros, bem como as variá- responsabilidades éticas de consumo podem se
veis influenciadoras do seu comportamento, tornar grandes diferenciais, ocasionando signi-
tanto em nível antecedente quanto consequente. ficativas vantagens competitivas, na medida em
Posteriormente, a análise dos resultados que aprimora o relacionamento empresa-clien-
possibilitou concluir que o comportamento éti- te com base no comportamento do individuo
co de consumo está presente no mercado brasi- consumidor, levando em consideração as variá-
leiro, sendo caracterizado principalmente pelos veis mais relevantes,
consumidores de ambos os sexos, estudantes Deve-se, portanto, levar em considera-
(trabalhadores ou não), com alto nível de esco- ção que os determinantes mais importantes no
laridade (graduação ou mais) e com considerá- comportamento do consumidor neste processo
vel renda familiar mensal (incluídos na classe específico de compra é o status sócio- econômi-
C ou superiores). co, o individualismo, o egoísmo, a orientação
Relativamente às hipóteses analisadas comunitária, a sensibilidade ao preço, a satis-
nesta investigação, tendo por base a revisão da fação de vida e a compra compulsiva.
literatura, foram em sua maioria confirmadas. Dessa forma, as empresas e organizações
Isso significa que alguns paradigmas apresen- que desejam investir em grupos de consumido-
tados em outros estudos não necessariamente res com características éticas de consumo de-
podem ser aplicados em análises em outros am- vem, portanto, levar em consideração que esses
bientes e sociedades, pois há que se levar em são, em geral, indivíduos com alto nível escolar,
consideração as peculiaridades amostrais da renda familiar, ocupação, entre outros aspectos
pesquisa, visando estabelecer novos padrões, o específicos, assim como mostra o estudo.
que pode ser melhor compreendido por meio Além disso, devem investir em produtos
das hipóteses não corroboradas deste estudo. e em um plano de comunicação, que promovam
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34 ARTIGOS | Consumo ético e seus impactos: determinantes do comportamento do consumidor brasileiro
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AUTORES | Pedro Henrique Pereira Gondim | Rafaella Alves Medeiros Alvarenga | Alyne Oliveira do Vale | Rebeca Maria Bruno Montenegro 37
doi:10.12662/2359-618xregea.v4i2.p37-48.2015
ARTIGOS
RESUMO
ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 37-48, jul./dez. 2015
38 ARTIGOS | A energia eólica como oportunidade de negócio sustentável: um estudo em uma empresa no Ceará
sos naturais. Termos como gestão ambiental e gia em prol da continuidade do crescimento
sustentabilidade estão cada vez mais presentes econômico nacional. Assim, a energia eólica
em reuniões, a exemplo da Organização das apresenta-se como uma solução viável, vis-
Nações Unidas, onde são decididos os rumos to que a eficácia dessa fonte é especialmente
que as lideranças mundiais tomarão. maior em períodos de seca, quando os ventos
Entre as diversas preocupações ambien- se tornam mais estáveis tanto em sua periodici-
tais, o pensamento quanto ao uso correto da dade quanto em velocidade.
água passou a estar entre as pautas mais impor- Esse sistema pode fazer um contraponto à
tantes das discussões de governos e ambienta- geração estruturada em hidroelétricas dando ao
listas, inclusive no Brasil, que possui sua prin- governo e aos órgãos gestores do fornecimento
cipal matriz de geração de energia baseada no de energia uma relativa tranquilidade. Como be-
uso deste recurso. nefício, pode-se ressaltar a diminuição no risco
No panorama mundial, o país ainda se en- de apagões, que vem alarmando setores como a
contra à frente de muitas outras nações quando indústria, o comércio e a sociedade em geral.
o assunto é o uso de fontes renováveis para a O litoral cearense é, notoriamente, um
geração de energia elétrica, já que grande parte importante motor econômico no Ceará, princi-
da energia produzida no País vem de hidroelétri- palmente por meio da pesca e da exploração de
cas. Entretanto, tais fontes já levantam pontos de frutos do mar. Pelo porto de Mucuripe, em For-
discussão no que concerne à sua utilização, visto taleza, chegam muitos dos insumos utilizados
que, para a construção dessas fontes, é necessá- para alavancar o crescimento do Estado.
rio que grandes áreas sejam inundadas, causan- A zona litorânea forma um complexo
do, assim, a destruição da fauna e flora locais. que compõe um poderoso atrativo turístico para
Tomando como base esta afirmativa, é o Ceará, fortalecendo, assim, a economia local
preciso analisar até que ponto a construção de de muitas cidades, que têm, no turismo, impor-
grandes hidroelétricas, que trazem junto com tante fonte de renda.
elas diversos contratempos sociais e ambientais No início dos anos 1990, estudos feitos
quanto à sua viabilidade do ponto de vista da por uma parceria com a COELCE e a Empresa
responsabilidade social. Alemã GTZ evidenciaram que o litoral do Es-
Outro fator que vem ganhando ênfase tado mais uma vez pode ser aproveitado de for-
nos últimos anos é a alta dependência que este ma lucrativa. Já em uma forma ambientalmente
sistema de geração de energia apresenta, diante sustentável, levantamentos mostraram que o
da necessidade de chuvas constantes em certos litoral cearense apresenta ventos promissores
períodos do ano. Para que as turbinas das hi- e condições climáticas muito favoráveis para
droelétricas rodem, faz-se necessária a força a produção de energia eólica em larga escala
das águas acumuladas em suas represas e lagos, (LAGE, 2001).
o que revela a dependência do ser humano em No ano de 2003, esses demonstrativos
aspectos que independem do seu controle. Em foram confirmados com a instalação e entrada
2001, o Brasil já passou por uma grave crise em operação comercial dos parques eólicos na
no abastecimento de energia, causado pela es- Praia Mansa, em Fortaleza, na Praia da Taíba,
cassez de chuvas, que determinou a diminuição no município de São Gonçalo do Amarante, e
do volume de água dos reservatórios das usinas na Prainha, município de Aquiraz, demonstran-
hidroelétricas. do o potencial que o Estado tem para o uso des-
Em 2015, o risco de racionamento de ta nova fonte de energia (LAGE, 2001).
eletricidade voltou à pauta de discussão dos Com os resultados desses projetos, inú-
governantes, já que o país passa por outro lon- meras empresas foram atraídas para o Ceará,
go período de estiagem. Diante deste quadro, é instalando suas usinas de geração de energia
mister avaliar alternativas de geração de ener- elétrica tomando como base o uso da força
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dos ventos, o que tornou o Estado um dos mais Miguel (2005) afirma que os empresá-
bem sucedidos produtores de energia por meio rios encaram o movimento de ética empresarial
da matriz eólica. mais como um meio de punir e disciplinar, do
Considerando o exposto, vislumbrou-se a que como um convite à reflexão sobre maneiras
oportunidade de realizar este trabalho, tomando de aplicar a sustentabilidade nas empresas.
como foco a seguinte questão: “Quais as variáveis Ações que, até a primeira metade do sé-
favoráveis ao desenvolvimento da energia eólica culo XX, eram meramente assistencialistas e
de forma sustentável no Estado do Ceará?”. pontuais, passaram a ser reguladas e postas sob
O objetivo geral da pesquisa é apresen- a responsabilidade das empresas, a partir da pu-
tar o potencial eólico cearense para a geração blicação da obra de Bowen, Social Responsibily
de energia elétrica, fazendo uso de um modelo of the Businessmen de 1983 (CURADO, 2003).
sustentável e economicamente viável. Este tra- O autor propunha que as ações dos ad-
balho tem como objetivo demonstrar as oportu- ministradores de empresas tinham que ser vol-
nidades de crescimento tanto para as empresas tadas para os objetivos e valores da sociedade.
quanto para as comunidades locais em que es- A lógica proposta era inversa: em vez de o
tão instaladas as usinas, e estudar os impactos empresário zelar pela riqueza e decidir como
no meio ambiente local. aplicá-la, deveria refletir sobre os objetivos e
valores sociais e buscar promovê-los (CURA-
2 A RESPONSABILIDADE SOCIAL DO, 2003).
CORPORATIVA Começou a se desenvolver, a partir daí, o
pensamento de que a corporação não deve exis-
A visão do lucro a qualquer custo está tir apenas com o fito de dar lucro aos acionistas,
saindo de foco e dando espaço à preocupação mas que, além disso, deve desempenhar um papel
com o meio ambiente como cadeia de valor. relevante importância na vida das pessoas. Suas
Após anos de um mercado desequilibra- obrigações também são com seus empregados, os
do, quando se comparavam consumo e questões consumidores, até com o poder público, auxilian-
ambientais em que a norma era o lucro e o en- do-o e contribuindo para a busca e manutenção de
riquecimento do acionista, a sociedade moderna uma sociedade saudável e digna para todos.
se viu diante de dilemas: até onde será possível Entre os diversos temas tratados pela
levar esse modo de vida? Quanto tempo os recur- Responsabilidade Social Corporativa, há a ges-
sos disponíveis irão durar? Por que apenas alguns tão ambiental e o desenvolvimento sustentável,
lucram, em detrimento de boa parte da sociedade? apresentados a seguir.
Diante disso, os governos começaram
enxergar que as corporações eram, como eles, 3 ENERGIA EÓLICA
responsáveis pelas mudanças ocorridas na so-
ciedade. A partir deste pensamento, diversas O homem se habituou a retirar da natu-
leis foram criadas para equalizar as regras do reza seus meios de sobrevivência e os recursos
mercado, de modo a torná-lo mais consonante que dão suporte para todo o crescimento que a
com os novos paradigmas e expectativas so- humanidade conquistou até hoje. A força pro-
ciais, pautadas no comportamento responsável. veniente dos ventos sempre desempenhou um
O pensamento ético conduz a uma refle- papel de grande importância na escalada evo-
xão sobre atitudes e comportamentos do indiví- lutiva da humanidade. Com ela, embarcações
duo, levando-o à conscientização do que é cor- cruzaram os oceanos em busca de novas terras,
reto e moralmente aceito por todos. Decisões por exemplo.
éticas devem ser tomadas com a concordância Não há relatos precisos quanto à data em
total de quem as promove, já que essas decisões que o homem começou a usar a força dos ventos.
partem do anseio de agir de forma coerente. O vestígio mais antigo encontrado e que levanta
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40 ARTIGOS | A energia eólica como oportunidade de negócio sustentável: um estudo em uma empresa no Ceará
a hipótese desse uso data de 3000 A.C., no Egito, e a força do vento na geração de energia eólica
quando foram encontrados, perto de Alexandria, mostraram-se como as saídas mais viáveis para
os restos de um moinho de vento. O que se sabe a crise energética vivida no século XX.
é que esse tipo de tecnologia foi amplamente
usado em todo o mundo e de maneiras distintas, A energia eólica é hoje em dia vis-
que variam desde o bombeamento de água, até a ta como uma das mais promissoras
moenda de grãos (PINTO, 2013). fontes de energia renováveis, carac-
terizada por uma tecnologia madura
No princípio do segundo milênio, desenvolvida principalmente na Eu-
fontes energéticas como o vento, a ropa e nos EUA. As turbinas eólicas,
água e a lenha dominavam a produ- isoladas ou em pequenos grupos de
ção de calor e de força motriz. Em quatro ou cinco, e, cada vez mais, em
épocas mais recentes, as novas fontes: parques eólicos com quarenta e cin-
o carvão, o petróleo, o gás e a nuclear quenta unidades, já formam um ce-
– substituíram estas fontes tradicio- nário habitual da paisagem de muitos
nais, em particular nos países que se países europeus, como a Alemanha, a
foram industrializando (CASTRO, Dinamarca, a Holanda e, mais recen-
2005, p. 6). temente, o Reino Unido e a Espanha.
Nos EUA, a energia eólica desenvol-
veu-se principalmente na Califórnia
A primeira crise do petróleo, ocorrida na
(Altamont, Tehachapi e San Gorgo-
década de 1970, aliada à crescente preocupa- nio) com a instalação massiva de par-
ção com a manutenção dos recursos naturais e ques eólicos nos anos 80 (CASTRO,
à preservação e conservação do meio ambiente, 2005, p. 16).
levou governos e indústrias a pensar em novas
formas de fornecer energia de forma segura, As turbinas eólicas são equipamentos
constante e duradora (CASTRO, 2005). que trabalham na conversão de três tipos de
Quando o petróleo começou a ser ex- energia. A primeira conversão se dá quando as
plorado em larga escala, achava-se, de forma pás dos aerogeradores transformam a energia
errônea, que esse recurso duraria para sempre. cinética dos ventos em energia mecânica; a se-
A grande especulação em torno deste insumo gunda conversão acontece quando se conver-
fez com que o mundo inteiro passasse a ter uma te a energia mecânica em elétrica por meio de
grande dependência dele, e a corrida pelo ouro um gerador elétrico acoplado a uma máquina.
negro criou grandes impérios ao redor do mun- O funcionamento do conjunto é inteiramente
do. No entanto, com a percepção de que este dependente das condições dos ventos, e sobre
recurso era escasso, levantou-se a preocupação essas condições não há nenhuma ação possível
de minimizar a dependência direta desta maté- de controle (PINTO, 2013).
ria, já que o recurso estava nas mãos de poucos Foi nesse contexto que a energia eó-
países, e o mundo inteiro necessitava dele re- lica foi ganhando força junto com as outras
curso para alimentar seu crescimento. modalidades de geração de energia. Hoje, na
A partir daí, as potências econômicas co- Europa, essa fonte chega a representar até 25
meçaram a investir na descoberta de novas fon- % da matriz de geração de energia de alguns
tes de geração de energia; grandes investimen- países. A ideia de matriz energética renovável
tos foram feitos nos países onde foi possível a é uma nova concepção de mercado. Baseada
construção de hidroelétricas. Foi dos antigos nas ideias de sustentabilidade, só tende a cres-
modelos de produção de energia, contudo, que cer cada vez mais no mundo, visando substituir
surgiram os métodos de se conseguir energia meios de produção que agridem significativa-
mais segura e menos danosos ao meio ambien- mente o meio ambiente.
te. O calor do sol usado em placas fotovoltaicas
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42 ARTIGOS | A energia eólica como oportunidade de negócio sustentável: um estudo em uma empresa no Ceará
ções acerca dos objetivos específicos deste tra- to relativo ao tempo de empresa; o quadro de
balho. Além disso, foram levantados aspectos funcionários é composto em sua maioria, por
sociais dos colaboradores, como gênero, idade pessoas que estão na empresa na faixa de 1 a 3
e tempo de empresa. Para fins de organização, anos com 53,85% dos entrevistados sendo atu-
as afirmativas cujas respostas variaram entre antes na empresa por esse período de tempo.
“concordo” e “discordo totalmente” são trans- Pessoas que estão há menos de 1 ano na empre-
critas antes de cada análise. sa correspondem a 34,61% dos entrevistados,
Inicialmente, foi verificado o gênero dos enquanto as que estão há mais de 3 anos perfa-
respondentes. Pôde-se perceber quase uma parida- zem 11,54% dos entrevistados.
de entre os sexos, havendo uma leve predominân-
cia do sexo masculino, representado por 53,85%
dos entrevistados, enquanto o sexo feminino repre-
sentou 46,15%, conforme o gráfico 1, abaixo:
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Essas respostas corroboram com a ideia de Quanto a esta assertiva, observou-se que a
que as fontes renováveis de geração de energia maioria, 57% dos entrevistados, concordou que o
estão em consonância com os preceitos de susten- Ceará apresenta um campo ideal para a geração
tabilidade e são percebidas como benéficas pelos de energia, tanto em seu litoral como no interior e
respondentes. Sabe-se que, entre tais fontes, a ge- que 27% concordaram totalmente. Dos entrevis-
ração energética por fonte eólica se encontra em tados 8% nem concordam, nem discordam.
franca vantagem, tanto por utilizar como insumo O Brasil apresenta um litoral vasto, cujo
uma das forças mais abundantes na natureza, que potencial de geração por meio da matriz eólica
é a força dos ventos, quanto pelo fato de que esta se faz presente, com especial destaque para o
se encontra à disposição e é de fácil acesso. litoral cearense e potiguar, bem como a região
A afirmativa seguinte foi “Diante da reali- do sul do país, especialmente o Rio Grande do
dade energética brasileira, a geração de energia Sul. Por ser uma matriz que está em crescente
elétrica através do uso da força dos ventos, é a produção, os incentivos nesse tipo de geração
que pode melhor fazer um contraponto à geração de energia podem auxiliar o País a se desven-
de energia nas hidroelétricas, hoje a maior fonte cilhar da indiscutível dependência que ele hoje
geradora de energia do País”. Os questionados se experimenta das usinas hidroelétricas, as quais
dividiram da seguinte forma: 69,23% concordaram constituem um potencial risco para o Brasil por
com a essa afirmativa e 19,23% dos entrevistados sua dependência da Natureza, com seus ciclos
concordaram totalmente. Dos entrevistados, apenas periódicos de grande estiagem.
11,54% se mostraram contrários à afirmação, por Estudos realizados pelo governo cearen-
não considerarem a matriz eólica a melhor solução se apontam que o potencial eólico do Estado
para a dependência que hoje o País enfrenta, diante hoje é dividido em duas regiões. O litoral é
da fonte de geração hidráulica, conforme se pode uma delas, apresentando potencial para gera-
observar no gráfico 05 apresentado logo abaixo. ção tanto em terra como no mar (off-shore). No
interior, há também potencial para geração em
regiões como o Vale do Jaguaribe e a Chapa-
da do Araripe, alem de serras como a Serra da
Ibiapaba. Dados como esse vêm a corroborar o
resultado obtido na pesquisa, mostrando quão
variado é o leque de locais no Ceará, onde se
pode explorar a geração de energia por meio da
matriz eólica.
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voltada para os conceitos de sustentabilidade hoje se instala é muito baixa, e a mesma usa como in-
aplicados em muitas empresas que buscam um sumo produtivo uma das forças mais abundantes
comprometimento sério com a conservação das em nosso planeta, a energia dos ventos.
fontes de recursos naturais existentes no planeta. Quando se observam todas essas informa-
Os conceitos acerca da responsabilidade ções, é possível ligar as mesmas ao conceito de
social corporativa, apresentados neste trabalho, sustentabilidade, para que, assim, se tenha a cer-
podem contribuir para o entendimento de que teza de que esta fonte de energia está enquadrada
as grandes empresas hoje precisam ter em seus na maioria das ideias apresentados pelos que se se
planos e diretrizes, a noção que é o mercado é preocupam com este conceito. Buscar um meio
que dita as regras e que, cada vez mais, os con- termo entre a preservação dos recursos naturais
sumidores esperam dessas empresas, atitudes do planeta e a obtenção de lucro e ganhos para as
e ações que possam além de supri-los com os empresas, os governos e a sociedade, é o maior
bem e serviços de que necessitam, possam tam- objetivo da sustentabilidade. A energia eólica tem
bém estar de alguma forma contribuindo para a em sua fase de instalação um elevado custo se
garantia do seu bem - estar, presente e futuro. comparado a outras formas de geração de ener-
É nessa realidade que pode ser observado gia, mas esse ponto negativo é compensado em
quanto os projetos de instalação dos parques eóli- sua fase de operação, já que a mesma não neces-
cos afetam as comunidades onde serão instalados. sita de insumos de produção dispendiosos, pois
A presença desses empreendimentos, que hoje es- usa a força dos ventos como combustível, e essa
tão em processo de instalação ou que já se encon- está em toda parte e de forma gratuita. Ainda é
tram em operação, busca de forma ativa alavancar possível se levar em consideração que a tendên-
o crescimento das regiões em que se encontram, cia do mercado é que os preços dos componentes
da mesma forma que buscam amenizar os impac- elétricos e mecânicos venham a baixar, diante do
tos causados nessas regiões, trazendo para elas aumento dos investimentos nessa área.
os benefícios que possam balancear as eventuais Pensando no Estado, observa-se a chegada
perdas que possa ocorrer para o local de instala- de grandes investimentos nessa área, e empresas
ção. As noções de gestão ambiental apresentadas ligadas à cadeia produtiva dos parques eólicos sen-
no trabalho visaram avaliar como esses empreen- do instaladas, o que resulta na diminuição do custo
dimentos podem impactar o meio em que se ins- para a construção e instalação dos parques eólicos,
tala, além de fazer um comparativo com outras além de todos os incentivos dados pelo Estado na
fontes de geração de energia existentes hoje no área de logística, que favorecem ainda mais os fu-
mercado e contribuir para a gestão ambiental das turos projetos em energia eólica no Estado.
diretrizes para que as empresas possam usar dos Alinhados com os conceitos apresenta-
meios naturais oferecidos pelo planeta, sem com- dos, é possível concluir que o objetivo geral do
prometer o futuro dos mesmos, para que assim trabalho é “Apresentar o potencial eólico cearen-
empresa, sociedade e governo possam caminhar se para a geração de energia elétrica, por meio da
para o progresso de forma harmoniosa. matriz eólica, de forma sustentável e economi-
Dessa forma, é possível visualizar a ener- camente viável”, foi totalmente alçando, assim
gia eólica, despontando à frente de outras for- como os objetivos específicos apresentados no
mas de geração, como fonte de energia das mais capítulo introdutório deste trabalho. Por ser a
comprometidas com os conceitos de gestão am- matriz eólica em sua essência uma fonte de gera-
biental. É certo que a energia eólica, como todas ção sustentável, seria necessário apenas analisar
as outras, causa impactos no meio em que se ins- a viabilidade econômica dessa matriz quanto ao
talam, mas a relevância desses impactos não se cenário cearense. Se for levado em considera-
compara aos benefícios trazidos por ela. Por não ção que o Estado do Ceará possui em seu litoral
emitir CO2, ela não contribui para o aumento do um dos ambientes mais propícios para esse tipo
efeito estufa. A degradação causada à área onde de exploração energética, por apresentar ventos
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48 ARTIGOS | A energia eólica como oportunidade de negócio sustentável: um estudo em uma empresa no Ceará
constantes, o ano inteiro, e áreas que, em sua 1 Artigo apresentado ao XVII ENGEMA - Encontro Inter-
maioria não são utilizadas em nenhum tipo de nacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente, re-
alizado na Universidade de São Paulo, dias 30 de novembro
atividade comercial ou produtiva, pode-se con- e 01 de dezembro de 2015. Autores: Pedro Henrique Pereira
cluir que esses fatores somados aos já apresen- Gondim, Rafaella Alves Medeiros Alvarenga, Alyne Olivei-
tados, tendem a viabilizar economicamente a ra do Vale e Rebeca Maria Bruno Montenegro.
exploração da energia eólica no Ceará.
A energia eólica gerada no Estado do REFERÊNCIAS
Ceará pode ajudar e muito o projeto energético
nacional, visto que, durante a maior parte do CASTRO, Rui M. G. Introdução à energia eólica,
ano há um período de estiagem no Estado o que energias renováveis e produção descentralizada.
propicia muitos meses de boa geração energé- 4. ed. Lisboa: Universidade Técnica De Lisboa, 2005.
tica e, assim fazer um contraponto perfeito à
matriz hidráulica de geração de energia. CEARÁ (Estado). Conselho Estadual de
Desenvolvimento Econômico. Agência de
THE WIND POWER AS A Desenvolvimento do Estado do Ceará. Atração de
SUSTAINABLE DEVELOPMENT investimentos no estado do Ceará: mapa territorial
OPPORTUNITY: A STUDY AT A de parques eólicos. Fortaleza, 2010. Disponível em:
COMPANY IN CEARÁ <[Link]
[Link]>. Acesso em: 15 jun. 2015.
ABSTRACT
COLLIS, Jill; HUSSEY, Roger. Pesquisa em admi-
nistração: um guia prático para alunos de graduação
This work aims at showing that there is the possi-
e pós-graduação. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.
bility that energy production investments through
wind array in the state of Ceará is commercially via-
CURADO, Isabela Baleeiro. Responsabilidade
ble without abandoning the concept of sustainability
legal, responsabilidade social e compromisso
as the key brand of renewable energy sources, such
social: uma questão de autoridade?. In: EN-
as wind power. Ceará has one of the largest power
CONTRO NACIONAL DAS ASSOCIAÇÕES
generation complex in Brazil and its coastline is
DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO
among the best in the world for the exploitation of
EM ADMINISTRAÇÃO, 26., 2003, Atibaia-
this energy mix, but there is still much to be explored
-SP. Anais... Atibaia-SP: Anpad, 2003.
both on the coast and in the interior of the state. This
is a descriptive and quantitative research; it raises the
LAGE, Allene Carvalho. Administração pública
variables present in the construction of wind farms
orientada para o desenvolvimento sustentável.
in the state. The conclusion of this study shows that
Um estudo de caso: os ventos das mudanças no Cea-
the state of Ceará has a lot to gain from wind power,
rá também geram energia. Rio de janeiro: FGV, 2001.
and that for Brazil in this source offers a great solu-
tion to the energy problem experienced in the cou-
MIGUEL, Isabela Castello. O valor da ética nas
ntry. Only 10% of all state potential was tapped to
organizações. Revista Brasileira da Administra-
date; it is expected that there will an encouragement
ção, São Paulo, ano 16, n. 51, p. 39-46, dez. 2005.
toward the due exploration of this energetic matrix
and that there may be future clarification in regard to
PINTO, Milton de Oliveira. Fundamentos da
investments in this area, since wind energy can bring
energia eólica. Rio de Janeiro: LTC, 2013.
enormous growth to the state.
VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e rela-
Keywords: Wind power. Sustainability. Re-
tórios de pesquisa em administração. 14. ed.
newable energy.
São Paulo: Atlas, 2013.
R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 37-48, jul./dez. 2015 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTORES | Weslley Sales Nascimento | Rafaella Alves Medeiros Alvarenga | Alyne Oliveira do Vale | Rebeca Maria Bruno Montenegro 49
doi:10.12662/2359-618xregea.v4i2.p49-60.2015
ARTIGOS
RESUMO
Alyne Oliveira do Vale Nas últimas décadas, um dos assuntos que mais vêm sendo
alynedovale@[Link] discutidos em várias áreas da sociedade é a sustentabilidade do
Doutoranda em Administração planeta. Uma vez percebido o grande desequilíbrio ambiental e a
pela Universidade de Fortaleza.
escassez de recursos naturais, os governos, a sociedade e as em-
Professora da Universidade
Estadual do Ceará - Fortaleza presas estão mais atentos a essas questões.
- CE- BR Frente a este cenário, as organizações tendem a produzir
pensando no hoje, porém preocupando-se também com o amanhã,
Rebeca Maria Bruno Montenegro buscando, assim, garantir que as próximas gerações possam ter
rebecamontenegro71@[Link]
Mestranda em Administração
recursos suficientes para suprir suas necessidades.
pela Universidade de Fortaleza Para uma empresa ter um desenvolvimento sustentável suas
- Fortaleza - CE - BR atividades ou ações devem contribuir para a economia, trazer al-
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50 ARTIGOS | A percepção de consumo sustentável entre consumidores
gum tipo de beneficio para a sociedade em que Dessa forma, o consumidor consciente é
está inserida e deve ter o compromisso de res- aquele que está atento à forma de consumir, que
ponsabilidade com o meio ambiente usando os busca diminuir os desperdícios e fazer escolhas
recursos de maneira consciente. Portanto, as por produtos de empresas sustentáveis (BRA-
organizações devem buscar conciliar as neces- SIL, 2014).
sidades econômicas, sociais e ambientais para A justificativa desse tema vem da grande
que possa ser considerada sustentável. e crescente cobrança por parte do governo e da
As cobranças por uma política sustentável sociedade sobre a conscientização do consumo
sobre as empresas privadas e dos governos estão sustentável, uma vez que os consumidores es-
mais incisivas da parte dos consumidores. Essa tão cada vez mais preocupados com essa ques-
postura pode ser percebida quando é divulgada tão e isso tem refletido na sua forma de consu-
publicamente alguma ação realizada de uma ma- mir bens e serviços.
neira que venha a degradar o meio ambiente ou O assunto torna-se relevante pelo fato
trazer malefícios à sociedade em geral. de que ambientalistas, empresas, sociedade e
Os gestores das organizações observa- governos passaram a considerar os hábitos de
ram que a sociedade está bastante atenta à pro- consumo da população como um dos principais
posta de responsabilidade socioambiental que fatores para a crise ambiental. Dessa forma, a
cada empresa apresenta; com isso, aproveitam sociedade de consumo vem tomando uma posi-
para usar suas ações sustentáveis como uma ção de consumo mais responsável, preocupan-
ferramenta para mudar ou melhorar de forma do-se com a sociedade como um todo e com o
positiva a sua imagem junto aos consumidores. meio ambiente, não apenas como uma simples
A sociedade de consumo atual vive em satisfação pessoal.
uma contínua busca de satisfações, o que per- Com o nível de conscientização do con-
mite ao consumidor experimentar um produto, sumo crescendo gradativamente bem como o
não gostar e escolher outro que venha a suprir aumento das exigências feitas pelo mercado, a
sua necessidade. Essa sociedade vem sendo di- problemática desse trabalho gira em torno da
vidida de acordo com sua forma de consumir, seguinte questão: Qual a percepção dos consu-
pois os produtos e serviços adquiridos têm um midores sobre o consumo sustentável?
significado para quem os utilizam, trazendo O objetivo geral dessa pesquisa é inves-
consigo valores materiais e simbólicos. tigar qual a percepção dos consumidores uni-
A maioria dos consumidores não quer versitários sobre o consumo sustentável, tendo
mais apenas a simples entrega do produto ou como objetivos específicos:
a prestação de um serviço. Também está preo- a) investigar se os consumidores se im-
cupada com os valores que aquele consumo irá portam com o impacto do consumo
agregar-lhe, a forma que ele foi produzido e os para a sustentabilidade do planeta;
benefícios que esse serviço ou produto traz à b) compreender as razões que levam os
sociedade e ao meio em que está inserido. Esses consumidores a não procurar consu-
são os chamados consumidores conscientes. mir produtos sustentáveis.
De acordo com o Ministério Brasileiro
do Meio Ambiente (BRASIL, 2014) o consu- 2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁ-
mo sustentável envolve a escolha de bens ou VEL E SUSTENTABILIDADE
serviços que utilizem menos recursos naturais
em sua produção ou prestação. Produtos de A definição de desenvolvimento susten-
empresas que garantam o emprego decente das tável passou a ser mais debatida no final do
pessoas envolvidas em suas atividades, e que século XX, quando a ONU (Organização das
seus resíduos ou embalagens sejam facilmente Nações Unidas) apresentou o relatório Nosso
reaproveitados ou reciclados. Futuro comum, também conhecido como Re-
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AUTORES | Weslley Sales Nascimento | Rafaella Alves Medeiros Alvarenga | Alyne Oliveira do Vale | Rebeca Maria Bruno Montenegro 51
latório Brundtland, na comissão mundial sobre fluenciado pelos valores culturais e individuais
meio ambiente e desenvolvimento – CMMAD que norteiam a ação de cada um.
(1988). Essa comissão foi criada para se dis- Sabe-se que a forma compulsiva de se
cutir o futuro do planeta, uma vez que, para as consumir apresentada pela sociedade contem-
Nações Unidas, o desequilíbrio ambiental esta- porânea vem acarretando consequências desa-
va nítido. gradáveis para o meio ambiente, resultando em
O conceito apresentado na conferência um notório descontrole dos recursos naturais, o
da ONU é o mais aceito até hoje; ele o defi- que compromete a harmonia ambiental.
ne que “Desenvolvimento sustentável é aquele A partir da última década do século XX,
que é capaz de suprir as necessidades da ge- começou-se a se perceber os impactos ambien-
ração atual, sem comprometer a capacidade de tais ocasionados pelos padrões de produção e
atender às necessidades das futuras gerações” aumento do nível de consumo. A questão da de-
(COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AM- gradação ambiental passou a ter como uma das
BIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1988). principais causas o estilo de vida e os pavores
Um marco para a disseminação da ideia de de consumo da sociedade. Essa visão, segundo
desenvolvimento sustentável foi a apresenta- Portilho e Russo (2008), surgiu a partir de um
ção do relatório Nosso Futuro comum que veio deslocamento discursivo da definição da ques-
atentar para a necessidade de um novo tipo de tão ambiental, que transferiu o foco da preo-
desenvolvimento capaz de manter o progres- cupação com os problemas ambientais relacio-
so em todo o planeta e, no longo prazo, ser nados à produção para uma preocupação com
alcançado pelos países em desenvolvimento e os problemas ambientais relacionados ao con-
também pelos desenvolvidos (MAYORGA; PI- sumo e aos estilos de vida. Com isso, surgiram
NHEIRO, 2013). novas propostas e discussões sobre meio am-
Sendo assim, o desenvolvimento sus- biente na esfera do consumo, como as propos-
tentável é composto por três pilares básicos: tas de consumo verde, consciente e sustentável.
dimensão ambiental, dimensão econômica e A definição de consumo sustentável
dimensão social. Portanto, compreende-se que pode ser colocada como a utilização de bens
uma empresa para ser sustentável precisa não ou serviços que são necessários para suprir as
apenas gerar valor aos acionistas, mas também necessidades básicas. Esse consumo deverá
proteger o meio ambiente e contribuir para a proporcionar uma melhor qualidade de vida,
qualidade de vida da população com a qual in- que busca usar o mínimo de recursos naturais,
terage (NAKO, 2010). materiais tóxicos e emissões de poluentes por
Pela leitura desta seção, entende-se que meio do ciclo de vida, de forma a não pôr em
a preocupação com a sustentabilidade do pla- perigo as necessidades das futuras gerações,
neta está em evidência, e cada vez mais sendo são características de um consumo sustentável
cobrado tanto pela sociedade, quanto pelas em- (PORTILHO; RUSSO, 2008).
presas e pelo governo, influenciando, assim, na Como os holofotes direcionados para
maneira de produzir e consumir. a questão socioambiental do planeta, orga-
nizações do mundo todo também começam a
3 SUSTENTABILIDADE E CONSUMO atentar para essa questão, utilizando esse fa-
tor até como uma ferramenta para se criarem
O ato de consumir é um fenômeno cultu- vantagens competitivas no mercado. Essa vi-
ral, o que envolve significados relevantes para são é confirmada por Toni, Larentis e Mattia
a sociedade, e o que se consome possui signi- (2012), que relatam o fato de os consumidores
ficado específico. Sobre isso, Toni, Larentis e estarem cada vez mais exigentes e conscientes
Mattia (2012) argumentam que o consumo é dos riscos iminentes dos impactos ambientais
um ato simbólico carregado de significado in- que suas ações e das empresas geram; isso faz
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52 ARTIGOS | A percepção de consumo sustentável entre consumidores
que as organizacões pensem nos benefícios dos questionário como instrumento composto por
possíveis investimentos em responsabilidade duas partes, a primeira parte contém 11 (onze)
ambiental e social. Dessa forma, as empresas perguntas objetivas, já a segunda parte apresen-
buscam fortalecer suas marcas a partir de in- ta afirmações a serem julgadas a partir de uma
centivo às ações sociais, que visem ao consumo escala likert de dez pontos, onde 1 corresponde
sustentável com alto envolvimento com a na- a discordo totalmente e 10 concordo totalmen-
tureza e com a sociedade (TONI; LARENTIS; te. Este instrumento foi elaborado tendo como
MATTIA, 2012). base os questionários utilizados por Cavignato
Com isso, entende-se que, diante da mu- (2013), e Ribeiro e Veiga (2011).
dança na percepção do consumidor referente ao Antes da aplicaçao da pesquisa que foi
consumo consciente, as empresas começaram a realizada no período entre os meses de Abril
trabalhar em cima dessa necessidade, uma vez e Maio de 2015, foi realizado um pré-teste do
que as pessoas cada vez mais estão procurando questionário, 15 dias antes da aplicação, com
empresas que fabriquem produtos ou prestem 12 alunos do curso de administração da IES, no
serviços de forma responsável, comprometen- qual foram sugeridos e realizados alguns ajus-
do-se a respeitar a sociedade e o meio ambiente. tes e pequenas correções.
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AUTORES | Weslley Sales Nascimento | Rafaella Alves Medeiros Alvarenga | Alyne Oliveira do Vale | Rebeca Maria Bruno Montenegro 53
ciedade. Uma vez que, 99% dos questionados do produto foi atribuído por 64% dos consumi-
sabem o significado de sustentabilidade, talvez dores questionados, seguido do preço, que apre-
pelo grande desequilíbrio ambiental e pela es- sentou 23% e os outros 13% foram atribuídos aos
cassez de recursos naturais, e apenas 1% da dos demais aspectos. Na segunda prioridade, o aspec-
149 consumidores registraram que não conhe- to que mais é levado em consideração na hora da
cem o significado de sustentabilidade. escolha de compra de um produto é sua durabili-
dade, marcada por 33% dos respondentes, segui-
do do preço (26%), qualidade (25%) e os demais
aspectos somaram 16% dos questionados. Como
terceira prioridade, 36% dos consumidores atri-
buíram ao aspecto durabilidade do produto, se-
guido por preço (21%) e procedência do produto
Gráfico 1 - Você sabe o significado de sustentabili- (17%). Os demais aspectos apresentaram juntos
dade? 26% da amostra. O que mais se destacou como
Fonte: dados da pesquisa (2015). quarta prioridade foi a procedência do produto
com 34%, seguido da nocividade do produto ao
Uma questão é conhecer o significado meio ambiente (17%) e da durabilidade (15%).
de sustentabilidade, outra é se importar com Os aspectos preço, qualidade, marca, descarte e
a ”saúde” do planeta. Portanto, foi perguntado embalagem foram marcados por 34% dos questio-
aos consumidores se eles se importavam como nados como quarta prioridade. Na quinta priorida-
o desenvolvimento sustentável e 99% deles de, a nocividade do produto ao meio ambiente e
afirmaram que sim, e que se importavam com a marca do produto foram atribuídos com a mes-
as futuras gerações que irão viver na terra, e ma frequência de 23% cada aspecto, seguido pela
apenas 1% disseram que não, que a saúde do procedência, sendo que 15% e 17% marcaram a
planeta é indiferente para eles. embalagem como essa prioridade. Os aspectos pre-
ço, qualidade, marca, descarte e embalagem foram
apresentados por 22% dos questionados. O aspec-
to que apareceu com mais frequência como sexta
prioridade foi a nocividade do produto ao meio
ambiente com 24%, seguido por marca e embala-
Gráfico 2 - Você se importa com o desenvolvimento gem do produto com 21% cada. Os aspectos preço,
sustentável do planeta? qualidade, descarte, procedência e qualidade do
Fonte: dados da pesquisa (2015). produto somaram 34%. A embalagem foi referida
como sétima prioridade, com 38%, e 30 % para o
E é pensando em expectativas para o fu- descarte do produto. A nocividade do produto ao
turo, que os consumidores devem dar priorida- meio ambiente apresentou um resultado de 14%.
de a itens que garantam a sustentabilidade do Os demais aspectos somaram juntos 18%. Como
planeta ou ao menos apresentem menores im- oitava e última prioridade, o descarte foi atribuí-
pactos ao meio ambiente e à sociedade. Logo, do por 42% dos questionados, seguido de 22% da
foi proprosto aos respondentes do questionário marca e os demais aspectos somados foram marca-
da pesquisa, que numerassem de 1 a 8 por or- dos em 36% dos questionários respondidos.
dem de prioridade os aspectos: preço, quali- Com as análises desses dados, infere-se
dade, durabilidade, procedência do produto, que, em como primeira prioridade, a maioria
nocividade do produto para o meio ambiente, dos consumidores entrevistados, ao escolhe-
marca, embalagem e descarte do produto. rem um produto para comprar, disseram que
Ao analisar o Gráfico 3, percebe-se que, levam em consideração primeiramente a qua-
como primeira prioridade, o aspecto de qualidade lidade ou o preço; em segunda, a durabilidade
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54 ARTIGOS | A percepção de consumo sustentável entre consumidores
Gráfico 3 - Por ordem de prioridade, quais aspectos você leva em consideração ao escolher comprar ou
adquirir algum produto ou serviço?
Fonte: dados da pesquisa (2015).
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Analisando o Gráfico 5 conclui-se que dos consumidores entrevistados 60% concordaram com essa
afirmativa, 18% nem concordaram e nem discordaram, e 20% disseram que discordavam desta postura.
Gráfico 5 - Nas eleições para cargos públicos, tendo a votar em candidatos que têm posições de defesa do
meio ambiente
Fonte: dados da pesquisa (2015).
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56 ARTIGOS | A percepção de consumo sustentável entre consumidores
Gráfico 6 - Não compro produtos ou serviços de uma empresa que mostra desrespeito pelo meio ambiente
Fonte: dados da pesquisa (2015).
A sociedade tem percebido que as empresas têm também um importante papel para que se
consiga alcançar o desenvolvimento sustentável, uma vez que dependem do meio ambiente e da
sociedade para sua existência. Sob esse ponto de vista, tem-se tornado cada vez mais imprescin-
dível para as organizações a adoção de práticas gerenciais que privilegiem não apenas o êxito dos
negócios, mas também os aspectos sociais e ambientais. O que leva as organizações a pensar nos
benefícios dos possíveis investimentos em responsabilidade ambiental e social. Dessa forma, as
empresas buscam fortalecer suas marcas a partir de incentivo a ações sociais, que visem ao con-
sumo sustentável com alto envolvimento com a natureza e com a sociedade (TONI; LARENTIS;
MATTIA, 2012).
Na afirmação foi colocado em questão se o consumidor busca utilizar os objetos de diver-
sas formas o que, consequentemente, gera menos resíduo e lixo. No Gráfico 7 observa-se que da
amostra pesquisada 72% concordaram; 10% nem concordaram e nem discordaram, e um pouco
mais 17% discordaram dessa postura.
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Na afirmação que segue, explanada no Gráfico 8, afima que o consumidor deixa aparelhos
como televisão e computador ligados mesmo quando não está utilizando, ação certamente nada
sustentável. Dos 149 alunos que reponderam à pesquisa, 64% deles discordaram da afirmação,
12% nem concordaram e nem discordaram, e apenas 24% concordaram com essa afirmativa.
Gráfico 8 - Deixo aparelhos como televisão e computador ligados mesmo quando não os estou utilizando
Fonte: dados da pesquisa (2015).
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58 ARTIGOS | A percepção de consumo sustentável entre consumidores
Gráfico 9 - Fecho as torneiras ou chuveiro quando estou ensaboando os objetos,o corpo ou as mãos
Fonte: dados da pesquisa (2015).
6 CONCLUSÃO
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em consideração, como prioridade o lugar, a Sugere-se que essa pesquisa seja reapli-
qualidade ou o preço; como segunda priorida- cada com um número maior de consumidores
de, o lugar, a durabilidade ou a qualidade; como para se ter uma amostra mais ampliada, para se
terceira, a durabilidade ou o preço; como quar- poder fazer uma melhor comparação entre os
ta, a marca ou a procedência do produto; como consumidores de diferentes classes econômi-
quinta, a nocividade do produto ou a marca. cas. Também sugerimos para trabalhos futuros
Como sexta, a maioria dos questionados tam- o aprofundamento desta pesquisa, pois como se
bém atentam para a nocividade, marca ou para pôde observar esse tema está em constante dis-
a embalagem do produto; como sétima priorida- cussão em todos os setores da sociedade.
de a embalagem ou o descarte do produto são
as que mais são levadas em consideração pelos THE PERCEPTION OF
consumidores; e, por fim a marca ou o descarte SUSTAINABLE CONSUMPTION
são considerados os últimos dos oito aspectos a AMONG CONSUMERS
serem analisado na hora de adquirir um produto.
Contudo, ao final desse estudo foi possí-
ABSTRACT
vel concluir que os consumidores, em sua quase
totalidade, conhecem o significado de sustentabi-
lidade e se preocupam com o futuro do planeta; This research sought to explain the importan-
porém, alguns não buscam consumir de forma ce of sustainable consumption so that they can
sustentável em seu dia a dia. Outros consumi- achieve sustainable development. For that pur-
dores que afirmaram conhecer sustentabilidade, pose, a literature search on the main concepts of
mas que não procuram consumir em seu dia a dia sustainability and consumer behavior was con-
produtos sustentáveis, alegaram, em sua maioria, ducted. The study is directed by the question-
que o principal motivo de não buscarem com- -problem: What is the perception of university
prar esse tipo de produto, é por eles geralmente on sustainable consumption? The aim of this
apresentarem preços relativamente mais elevados study was to investigate the perception of uni-
quando comparados aos produtos que não são versity consumers on sustainable consumption.
alvo da mesma política de sustentabilidade. The methodology consisted of a field study car-
Por fim, esse estudo revelou que os consu- ried out with consumers in a given institution of
midores estão, sim, mais incisivos com a questão higher education located in Fortaleza, applying
ambiental mesmo sabendo-se que a questão da a questionnaire-based survey research. The sur-
degradação ambiental passou a ter como uma das vey was conducted with 149 consumers. The
principais causas o estilo de vida e os padrões de data collected were compared with the theory
consumo da sociedade, muitos ainda não buscam for development of analysis of results. At the
mudar seus hábitos para se ter um posicionamen- end of this study it was found that almost all of
to de consumo sustentável. Porém, sabe-se que the consumers questioned knew the meaning of
o futuro do meio ambiente já chegou, e as ações sustainability and worried about the future of
para que as futuras gerações consigam viver no the planet. But most of them practice sustainable
planeta devem ser tomadas agora. consumer stocks still in a very timid way. Many
Essa pesquisa contém algumas limitações, still do not seek to change habits in order to have
sendo a mais relevante a dificuldade de conseguir a full sustainable consumption positioning.
um maior número de respondentes de diferentes
classes econômicas para que se pudesse analisar Keywords: Sustainable consumption. Consu-
o consumo de acordo com a classe de forma mais mers. Sustainable development. Sustainability.
consistente, tendo assim uma maior relevância
1 Artigo apresentado ao XVII ENGEMA - Encontro
para analisar o consumo sustentável de acordo Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio
com a classe econômica dos consumidores. Ambiente, realizado na Universidade de São Paulo,
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60 ARTIGOS | A percepção de consumo sustentável entre consumidores
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AUTORES | Andriele Pinto de Amorim | Larisse Oliveira Costa 61
doi:10.12662/2359-618xregea.v4i2.p61-68.2015
ARTIGOS
RESUMO
1 INTRODUÇÃO
ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 61-68, jul./dez. 2015
62 ARTIGOS | A logística dentro da construção enxuta: estudo de caso em uma construtora de Fortaleza
enxuta. Esta prática que tem por objetivo a re- Tendo em consideração diversas ca-
dução de desperdícios na construção por meio racterísticas da dinâmica mercadológica, que
da implantação de ferramentas como kanbans, colocam as empresas em situação de declínio
entre outros, tem trazido diversos benefícios. econômico e que as levam a se voltar para o
Indaga-se por meio deste estudo, qual a Governo, chama-se a atenção para o fato de
influência da filosofia do Just In Time na ativi- que, se as empresas buscassem tornar-se mais
dade de produção da construção civil? eficientes na manutenção da qualidade de suas
Tendo em vista a importância da redução operações, seria possível que “as políticas
de desperdícios e a otimização de processos pro- adotadas para a sobrevivência a levassem ao
dutivos da construção civil, este trabalho pretende crescimento”. (DIAS, 2010, p. 1). Para o au-
demonstrar por meio de um estudo de caso em tor, um dos fatores relevantes nesse processo
uma construtora situada na cidade de Fortaleza à de melhoria são a inclusão e a dinamização do
importância do Just in time para a logística. De sistema logístico. Assim, diversos setores como
forma especifica, pretende-se reconhecer as várias a construção civil devem avançar na busca por
práticas ligadas à produção enxuta na empresa. uma melhor eficiência produtiva pelo aperfei-
çoamento de seus processos logísticos.
2 GESTÃO DA PRODUÇÃO E LOGÍS- A indústria da construção civil foi por
TICA muito tempo associada ao desperdício e à fal-
ta de inovação devido a um longo período de
A administração das empresas é subdi- pouca concorrência, o que resultou em pouca
vidida em diversas funções e nela se encontra importância dada à logística. No entanto, no ce-
a gestão ou administração da produção. Con- nário atual de intensa concorrência no setor, a
ceitua-se Administração da Produção como o logística vem recebendo maior atenção e se tor-
“campo do conhecimento que cuida do plane- nando uma atividade essencial para a sobrevi-
jamento, da organização e do controle da pro- vência das empresas desse setor (BARBOSA;
dução industrial e da prestação de serviço.” Po- MUNIZ; SANTOS, 2008).
de-se entender a produção, como um sistema Para esses autores, a aplicação da logís-
em que os elementos físicos e de informação tica na construção civil pode ser feita de ma-
interagem entre si com o objetivo de gerar um neira semelhante ao uso pelas indústrias ma-
bem ou serviço (MOREIRA, 2012, p.16). nufatureiras, em que o canteiro de obras pode
Por estarem presentes em um ambiente ser identificado como uma unidade produtiva
competitivo, as operações produtivas são im- por abranger em toda a cadeia de suprimentos
pactadas e diversos outros processos vão se diversas atividades que vão desde o manuseio
tornando estratégicos para a eficiência em pro- à armazenagem.
dução das organizações. Tratando-se da gestão Dada a realidade mercadológica, a lo-
da produção, a logística é uma área extrema- gística está associada ao esforço por parte dos
mente importante para a correta efetivação de gestores, na procura de “uma vantagem compe-
seu sistema. Assim, fala-se em racionalização titiva sustentável e defensável”. Dessa forma,
das atividades logísticas a qual propõe como as a gestão da cadeia de suprimentos propõe a
empresas podem aperfeiçoar seus recursos de união das diversas energias presentes em toda a
suprimento, estoques e distribuição de produtos cadeia produtiva, pretendendo entre outras coi-
ao planejarem, organizarem e controlarem suas sas, a redução de custos, por meio da agregação
atividades, objetivando proporcionar níveis de valor aos produtos finais, pela:
adequados de serviços a seus clientes campo a) redução de volume de transações de
em que a logística envolve desde a chegada da informações;
matéria prima até a disposição final para o uso b) limitação de custos de transporte e es-
ou consumo de bens (POZO, 2010). tocagem e;
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64 ARTIGOS | A logística dentro da construção enxuta: estudo de caso em uma construtora de Fortaleza
mentando a flexibilidade e a saída do produto e acima é descritiva quanto aos fins e bibliográ-
ainda a transparência dos processos; deve haver fica quanto aos meios, e estudo de caso. Como
um foco no controle global do processo, intro- pesquisa descritiva, tem por objetivo descrever
duzindo uma melhoria contínua do processo. as informações sobre a organização. Segundo
Tudo isso deve ter como motivação a busca Collis e Hussey (2005) a pesquisa descritiva
pelo equilíbrio entre a melhoria das ativida- está relacionada a um fenômeno em que ela
des de fluxo de conversão e considera-se que busca descrever como este fenômeno se com-
a empresa deva prezar pela realização de ben- porta e tem em seu contexto um problema ou
chmarking (ISSATO et al., 2000 apud MOU- uma questão usada para a identificação e a ob-
RÃO; VALENTE, 2013). tenção de informações sobre ele.
Em segundo lugar, a pesquisa é biblio-
3 METODOLOGIA gráfica, pois se utilizou de materiais publicados
anteriormente em catálogos e endereços eletrô-
O estudo foi realizado em uma empresa nicos disponíveis na empresa. Rodrigues (2007,
do setor da construção civil, sediada em For- p. 44) assim conceitua: “pesquisa bibliográfica
taleza/CE, que atua há mais de três décadas é a pesquisa limitada à busca de informações
na construção de edifícios residenciais para as em livros e em outros meios de publicação”.
classes A e B, apresentando como filosofia de Esta pesquisa ainda se classifica como
gestão a “evolução contínua” de seus processos um estudo de caso, pois discorre sobre as carac-
por meio da continuidade e do aprimoramento terísticas de uma empresa de forma descritiva.
da qualidade de suas edificações e inovação, Segundo Cooper e Schindler (2011, p. 186) o
absorvendo as práticas mais modernas da cons- estudo de caso “é uma metodologia de pesquisa
trução civil como a produção enxuta e a cons- poderosa que combina entrevistas individuais e
trução sustentável. (às vezes) em grupo com a análise de registros
Quanto à classificação, esta pesquisa e observação”. O processo relacionado à coleta
é qualitativa. A pesquisa qualitativa é usada de dados foi realizado por meio de consulta a
quando não se torna possível quantificar as in- material bibliográfico publicado e cedido pela
formações obtidas. Por essa razão, a análise empresa que apresenta diversas práticas da
dos dados será feita de forma indutiva. (MA- construtora e experiências com o uso da filoso-
TIAS-PEREIRA, 2012). Esta pesquisa é clas- fia lean, bem como aborda vários exemplos de
sificada como qualitativa pelo fato de se buscar práticas de construção sustentável.
uma visão ampla e a compreensão do tema em
questão de forma subjetiva. 4 ESTUDO DE CASO
Existem diferentes tipos de pesquisa,
sendo estas classificadas segundo alguns crité- O entendimento da filosofia de produção
rios. Vergara (2013, p. 61) classifica as pesqui- enxuta como modelo de gestão para a constru-
sas quanto aos fins e quanto aos meios: tora estudada iniciou-se ainda em 2004 quando
a empresa teve a oportunidade de participar de
Na classificação quanto aos fins pode um treinamento promovido pelo INOVACON,
ser: a) exploratória; b) descritiva; c) Programa de Inovação da Indústria da Constru-
explicativa) metodológica; e) apli- ção Civil do Estado do Ceará. Percebeu-se que
cada; f) metodológica. Quanto aos
os princípios da construção enxuta por meio da
meios: a) pesquisa de campo; b) pes-
quisa de laboratório) documental; d) proposta de agregar valor aos clientes e pela
bibliográfica; e) experimental; f) ex busca da melhoria contínua eram compatíveis
post facto; g) participante; h) pesqui- com a mentalidade da cultura da construtora
sa ação; i) estudo de caso. que é a evolução contínua. Então, a partir do
Esta pesquisa, segundo a classificação aprofundamento dessa filosofia, o processo
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de implementação do Lean Construction nos já tenha em mãos pela manhã as primeiras solici-
canteiros de obras iniciou-se (MOURÃO; VA- tações e que não haja entrega dos traços. A soli-
LENTE, 2013). citação de kanbans no quadro de gerenciamento
A filosofia da produção enxuta conferiu possibilita ao betoneiro o nivelamento de sua pro-
à empresa a necessidade de adaptação. Como dução diária, garantindo o abastecimento unifor-
exemplo de aprimoramento de seu planejamen- me de todas as equipes da produção.
to, pode ser citada a adoção, a partir de então, Ao longo do dia referente ao período, o
da metodologia hierarquizada de planejamento betoneiro carrega as gericas e as identifica com
e controle da produção, segundo os quais, os argolas correspondentes ao tipo de argamassa e
planejamentos de curto, médio e longo prazo placas referentes ao pavimento onde será dei-
são claramente definidos. A partir disso, diver- xado o material, conforme informações forne-
sas ferramentas e práticas foram adotadas para cidas ao kanban. Dessa forma, o fluxo de infor-
que fosse implementada uma nova filosofia de mações independe da comunicação oral, pois o
construção. (MOURÃO; VALENTE, 2013) responsável pelo transporte vertical dessas gi-
Nesse processo, diversas atividades lo- ricas tem conhecimento de onde deixá-las sem
gísticas foram influenciadas e aperfeiçoadas mesmo trocar uma palavra com o betoneiro que
por meio do uso de kanbans de estoque e ar- as preencheu com os traços. Esta comunicação
gamassa, de fluxo de materiais, supermercados é clara e evita quaisquer mal entendidos.
nos almoxarifados, entre outros. A partir desta ferramenta, foi gerada uma
nova organização no fluxo de informações e
5 RESULTADOS DA PESQUISA gerenciamento dos pedidos de argamassa, pro-
vocando a diminuição de desperdícios antes
A seguir, são apresentados a descrição de cometidos pela falta de identificação e da má
algumas práticas referentes à aplicação de fer- comunicação. Logo, a diminuição no tempo de
ramentas da filosofia lean na empresa estudada. produção de pedidos foi notada e menos ma-
Ressalva-se, aqui, que o texto a seguir encon- terial foi consumido. Quanto menor a margem
tra-se tal qual está escrito no material cedido de erro, menos desperdícios (MOURÃO; VA-
pela empresa, seguidos de suas respectivas pá- LENTE, 2013, p. 17-19).
ginas para consultas posteriores.
5.2 KANBANS DE ESTOQUE MÍNIMO
5.1 GERENCIADOR DE KANBANS DE
ARGAMASSA O Kanban de estoque mínimo é uma
sinalização de cor. Este deve ser devidamente
calculado para os principais insumos da obra,
O gerenciador de kanbans de arga-
aqueles de uso frequente, como tijolos, cimen-
massa é uma ferramenta que se encontra to, areia grossa, areia fina e brita, de modo a
bastante consolidada na C. Rolim Enge- garantir um abastecimento de até dois dias de
nharia. Trata-se de um painel que possibi- consumo na obra, no caso interno da empresa,
lita organizar a produção de argamassa por a fim de que os responsáveis pela aquisição
tempo e quantidade. desses materiais tenham tempo suficiente para
Os funcionários colocam em um cartão, as entrar em contato com o fornecedor e receber
informações relacionadas à quantidade de traços, novo estoque, impedindo as quebras de ativi-
tipo de traço, local de entrega desejado e nome dades da obra.
da equipe. Em seguida, o inserem em um quadro Seu funcionamento é simples: se o esto-
com demarcações de horários, para que as horas que atual da obra é superior ao estoque mínimo
do dia anterior sejam necessárias para a utilização calculado, o kanban utilizado para o insumo é
deste traço, a fim de que o betoneiro responsável de cor verde, significando abastecimento satis-
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dução somente no momento exato em que se Alguns benefícios já são visíveis, como
fizer necessário, ou seja, os produtos somente a redução de estoques de tubulações em PVC
são fabricados ou entregues a tempo de serem no canteiro de obras, o que é bastante signifi-
vendidos ou montados. O ideal é que não exista cativo, uma vez que esse material ocupa muito
estoque parado. O próprio conceito do termo espaço. A liberação desta área de estoque re-
é relacionado à produção por demanda, onde presenta mais uma frente de ataque para produ-
primeiramente vende-se o produto para depois ção. Além disso, o controle e o cuidado deste
comprar a matéria prima e só depois fabricá-lo material na obra também melhoraram, pois os
ou montá-lo. grandes estoques mascaravam o desperdício de
Por motivo de todas as variabilidades material e a falta de zelo.
inerentes à indústria da construção, é bastante Algumas considerações, porém, são im-
difícil reduzir os estoques à hora de produção portantes de ressaltar para que o processo possa
ou até segmentar uma grande compra em di- fluir como planejado e propiciar melhorias ainda
versas pequenas compras (principalmente de- maiores; executar apartamento modelo confor-
vido à flutuação dos preços). Entretanto, uma me projeto para identificar incompatibilidades
grande compra pode ser segmentada em diver- antes das aquisições das outras unidades priva-
sas pequenas entregas, de modo a tentar reduzir tivas; focar nas liberações dos projetos de apar-
os volumes de estoques no canteiro, mas man- tamentos de apartamentos customizados junto
tendo a produção satisfatoriamente abastecida aos clientes, possibilitando uma visão de longo
para quaisquer problemas de variabilidades. prazo mais realista e uma programação de de-
A Gerência de Suprimentos e Logística manda com variação menor; escolher os forne-
liderou um processo de melhorias na entrega de cedores certos (parceiros de materiais e serviços,
tubulações de PVC na obra Lummi, como pro- incluindo também projetistas); e definir um líder
jeto piloto para a implantação do just-in-time. na obra para o controle do projeto Just-in-time
Os objetivos envolvem, a evolução posterior (MOURÃO; VALENTE, 2013, p. 36).
deste projeto para a implantação do Milk Run,
inclusive. Os estudos se iniciaram com o mape- 6 CONCLUSÃO
amento do fluxo de valor deste material para o
estado atual, desde a realização de seu quanti- Neste trabalho, procurou-se por meio
tativo, a devida solicitação junto ao fornecedor de um estudo de caso identificar qual a relação
e a entrega na obra. entre a logística e os processos relacionados a
Em seguida, foi utilizada, uma solução processos construtivos, considerando a evolu-
para o estado futuro deste fluxo de atividades. A ção da importância dada aos sistemas logísticos
gerência de suprimentos e logística, aliada à ge- ultimamente.
rência da obra, propôs a criação de um Master Pode-se compreender por meio da análi-
Plan para as instalações e a definição de lotes se de práticas da construtora que há a integra-
de serviço, de modo que fosse possível sepa- ção entre sistemas de produção e a otimização
rar o pedido dos diversos tipos de tubulação de de sistemas logísticos por meio de filosofias
acordo com a necessidade de execução no can- como o Just-in-time e a interpretação da filoso-
teiro. Além disso, foi definida a frequência das fia lean expressa pelo uso de várias ferramentas
entregas, de modo que atendessem à de produ- como kanbans e transparência de estoques.
ção da obra. Estas frequências foram acordadas Portanto, pode-se perceber que o avanço
com o fornecedor no ato do contrato, de modo de políticas de qualidade ligadas a várias ferra-
que ele pudesse entregar a mesma quantidade mentas estratégicas que têm trazido resultados
total de material com o mesmo preço de ven- consideráveis para a empresa como a redução
da, mas em periódicas entregas programadas (e de custos e melhor gestão do canteiro de obras.
não tudo de uma vez). Logo, considerando a importância e a atualidade
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68 ARTIGOS | A logística dentro da construção enxuta: estudo de caso em uma construtora de Fortaleza
do tema em questão, recomenda-se que, para es- brasileira. Revista de Ciências Exatas, São
tudos posteriores, seja feita uma maior explana- Paulo, v.2, n.1, 2008. Disponível em: <http://
ção sobre o tema e uso de outras ferramentas de [Link]/>. Acesso em: 01 maio
pesquisa, como uma entrevista com o gestor de 2015.
cadeia de suprimentos e, se possível, ter acesso a
dados quantitativos bem como ao levantamento COLLIS, Jill; HUSSEY, Roger. Pesquisa em
de informações sobre logística reversa. administração. 2. ed. Porto Alegre: Bookman,
2005.
LOGISTICS IN LEAN
CONSTRUCTION: A CASE STUDY COOPER, Donald R.; SCHINDLER, Pamela
OF A CONSTRUCTION COMPANY S. Método de pesquisa em administração.
IN THE CITY OF FORTALEZA, 10. ed. Porto Alegre: Bookman, 2011.
CEARÁ
DIAS, Marco Aurélio Pereira. Administração
de materiais: uma abordagem logística. 5. ed.
ABSTRACT São Paulo: Atlas, 2010.
Within the supply chain management approa- MATIAS-PEREIRA, José. Manual de meto-
ch, this article will address through a case study dologia da pesquisa científica. 3. ed. São Pau-
of a construction of Fortaleza, as philosophies lo: Atlas, 2012.
such as Just in time can be related to logistics
efficiency in various sectors. Through the des- MOREIRA, Daniel Augusto. Administração
cription of practices related to the implementa- da produção e operações. São Paulo: Saraiva,
tion of rationalization and inventory optimiza- 2012.
tion tools construction processes it is evident as
companies have obtained results of the migra- MOURÃO, Carlos Alexandre Martiniano do
tion from traditional thinking for a new look on Amaral; VALENTE, Caroline Porto. Coletâ-
productive activities, including logistics. nea Lean & Green. Fortaleza: C. Rolim En-
genharia, 2013.
Keywords: Construction. Logistics. Just-in-ti-
me. POZO, Hamilton. Administração de recursos
materiais e patrimoniais: uma abordagem lo-
1 Este artigo foi premiado em 1º lugar na categoria de
Gestão e Operação logística no XXVI ENAGRAD -
gística. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
Encontro Nacional dos Cursos de Graduação em
Administração, no ano de 2015, em Foz do Iguaçu – RODRIGUES, Rui Martinho. Pesquisa acadê-
Paraná. Autores: Andriele Pinto de Amorim e Larisse mica: como facilitar o processo de preparação
Oliveira Costa.
de suas etapas. São Paulo: Atlas, 2007.
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doi:10.12662/2359-618xregea.v4i2.p69-82.2015
ARTIGOS
RESUMO
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70 ARTIGOS | Atributos determinantes de compra do consumidor masculino adulto jovem no setor de vestuário – um estudo em uma IES particular de Fortaleza- (CE)
Alguns pesquisadores como Sheth da Moda afirma que os homens urbanos estão
(2001), Engel, Blackwell e Minardi (2005) e perdendo a vergonha em assumir o interesse
Solomon (2002) têm procurado compreender os pela moda e situam-se em um patarmar de pleno
fatores influenciadores do ato de consumo, base- aprendizado no que se refere à construção e pro-
ado na premissa de que os indivíduos são seres jeção da sua imagem pessoal.
coletivos por natureza e, portanto, passíveis de Desse contexto, extraiu-se a seguinte
influência. Entre os diversos fatores que influen- inquietação que norteia esse estudo: quais os
ciam essa tomada de decisão, podem-se destacar atributos determinantes de compra do público
os fatores sociais, culturais, pessoais, e psico- masculino nas compras de vestuário? O objeti-
lógicos (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, vo geral deste trabalho é identificar os atributos
2000). Partindo desse entendimento, as ações determinantes de compra do consumidor mas-
dos indivíduos podem derivar de estímulos am- culino no setor de vestuário. Os objetivos espe-
bientais, culturais, sociais e afetivos como: per- cíficos são:
sonalidade, valores e estilo de vida, classe social a) compreender o processo decisório de
e idade; como também ligados ao produto em si, compra do consumidor;
como: preço, similaridade, marca e fabricante e b) identificar os atributos determinantes
país de origem (SOLOMON, 2002). de compra do consumidor masculino
Diante disso, na atualidade, é de grande no setor de vestuário e;
valia buscar a compreensão desse contexto de c) classificar o consumidor masculino
influência que permeia o ato de comprar, bem em funcional ou afetivo em relação à
como identificar quais atributos são percebidos decisão de compra de vestuário.
como diferenciais na mente do consumidor,
Os pressupostos considerados são que:
podendo ser capaz de influenciar a tomada de
a) o processo decisório de compra do
decisão que antecede a compra.
consumidor perpassa por escolhas
Essa influência supracitada pode aconte-
hedônicas;
cer na compra de diversos produtos e serviços,
b) os atributos determinantes na compra
dos mais variados setores da economia. Entre
do consumidor masculino são com-
eles, o setor de varejo de moda, que, em 2014,
postos pelo binômio preço- imagem
teve um faturamento em torno de 170 bilhões
que a marca reverbera nos grupos de
de reais. Em 2015, espera-se um crescimento
referência desses compradores.
nas vendas em torno de 3,1 % em relação ao
Este trabalho esta dividido nas seguin-
ano anterior (INSTITUTO DE ESTUDOS E
tes seções, além desta introdução: uma breve
MARKETING INDUSTRIAL, 2015).
composição de referencial teórico com enfoque
No setor de moda, o vestuário masculino
no comportamento do consumidor, o processo
se destaca devido a alterações de comportamen-
decisório de compra, as perspectivas de consu-
to de consumo, um processo social que está dei-
mo utilitário e hedônico, os conceitos e dados
xando os homens mais preocupados com a apa-
sobre o mercado de moda masculina, seguido
rência e tem como consequência o aumento do
do referido método da pesquisa, e, por fim, a
consumo de produtos e serviços que antes eram
apresentação e discussão dos resultados e as
exclusividade do gênero feminino. Crane (2006)
considerações finais.
relata que, durante o século XX, dois desdobra-
mentos ocorreram de forma paralela: o público
tornou-se cada vez mais adepto à definição e
modelagem de suas identidades sociais por in-
termédio dos artefatos que adquirem. O gênero
masculino se feminiliza no sentido do gosto e
da estética. Nesse enfoque, o Instituto Francês
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72 ARTIGOS | Atributos determinantes de compra do consumidor masculino adulto jovem no setor de vestuário – um estudo em uma IES particular de Fortaleza- (CE)
ências individuais e coletivas para desenvolver do atual momento que o setor da moda passa no
produtos de acordo com as necessidades das mundo, cada vez mais a gestão desses negócios
pessoas. Um desses setores é o de moda, sobre- está deixando de ser feita de forma “artesanal”,
tudo, o de vestuário masculino, que movimenta ou seja, desprovida de conhecimentos de ges-
bilhões de dólares ao redor do mundo (AGÊN- tão, planejamento e estratégias de marketing,
CIA BRASILEIRA DE DESENVOLVIMEN- para ser desenvolvida com responsabilidade,
TO INDUSTRIAL, 2009). voltada para uma sustentabilidade do negócio,
O desenvolvimento das economias mun- tendo em vista o curto e rápido ciclo de com-
diais, sobretudo dos países emergentes, como pra e consumo desses produtos. Crane (2006,
os formadores dos BRIC’s (Brasil, Rússia, p. 271) compactua com essa ideia afirmando:
Índia e China), impulsionam diversos setores
da economia, entre os quais tem-se o setor da A visão comum da confecção como
moda. Esse setor movimenta bilhões de dólares empresa de pequeno porte, de vida
por ano em todo o mundo, e com perspectivas curta e com poucos empregados, que
exige pouco capital de investimento
excelentes de crescimento e continuidade. Go-
em razão da rapidez das mudanças
dart (2010, p. 12) fornece dado mais preciso e em seus produtos não se aplica a ate-
relata que: liês de moda de luxo, que demandam
uma gestão estável e investimentos
A indústria da moda e do luxo cons- consideráveis para operar em grande
titui uma atividade econômica im- numero de países.
portante. Com efeito, de acordo com
o instituto de pesquisas de mercado Percebe-se que esse princípio de defini-
Euromonitor Internacional, essa in-
ção visa mostrar o lado industrial e sua contri-
dústria representa cerca de 6% do
consumo mundial diante de todos os buição econômico-financeira para a sociedade,
setores industriais, com uma cifra de como setor ou segmento de trabalho e alocação
1,4 trilhões de euros em 2008. A títu- de estratégias. Já por outro lado, a moda pode
lo de comparação, o setor de automó- assumir um caráter artístico. Godart (2010, p.
veis vale um pouco menos de 4% do 14) ilustra dizendo que: “a moda não se con-
consumo mundial e o setor de teleco- tenta em transformar tecidos em roupas, ela
municações, equipamentos e serviços cria objetos portadores de significado. A moda
não representa mais de 3%. é, por conseguinte, uma indústria cultural ou
criativa”.
Discorre-se que dados sobre a movimen- Com o advento da pós-modernidade1, os
tação financeira da moda, pode se fazer um pa- consumidores tornam-se mais exigentes relati-
ralelo com o PIB (Produto Interno Bruto) e fala vamente à qualidade de vida, à comunicação, à
do dinamismo dizendo que, nesse âmbito, a in- saúde, ao meio ambiente e às questões sociais:
dústria da moda vem-se direcionando para os “queremos objetos ‘para viver’, mais do que
campos mais dinâmicos da economia moderna, objetos para exibir; compramos isto ou aquilo
sendo responsável por, aproximadamente, 3% não tanto para ostentar, para evidenciar uma
do PIB brasileiro, segundo a Associação Brasi- posição social, mas para ir ao encontro de sa-
leira de Indústria Têxtil. Gerando 1,5 milhões tisfações emocionais e corporais, sensoriais e
de empregos, à frente das indústrias metalúr- estéticas, relacionais e sanitárias, lúdicas e re-
gicas, químicas e de calçados, quando se inclui creativas” (LIPOVETSKY, 2009, p. 36).
o varejo, são mais de 2 milhões de empregos, Godart (2010, p. 14) enriquece o debate
a maioria mulheres, configurando-se como o discorrendo sobre a função da moda como ati-
maior empregador feminino no país (MORA- vidade econômica e artística dizendo que:
ES, 2008).
Devido a esse potencial de crescimento e
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76 ARTIGOS | Atributos determinantes de compra do consumidor masculino adulto jovem no setor de vestuário – um estudo em uma IES particular de Fortaleza- (CE)
gia de venda, os layouts dos setores da loja, a empregando a escala likert5 foram aplicados
comunicação com os consumidores, o espaço durante uma semana nas dependências da IES.
de circulação dos shoppers, a localização das Após a coleta de dados e sua tabulação, ocorreu
linhas de produto, o posicionamento e a combi- a análise de dados. Esta, por sua vez, foi reali-
nação de cores dos itens nas prateleiras e gôn- zada por meio de um procedimento estatístico
dolas (FEIJÓ; BOTELHO, 2012). descritivo utilizando o Excel.
A integração desses atributos hedônicos Foram criados dois clusters, baseados
supracitados pode ser capaz de proporcionar nos conceituação de Feijó e Botelho (2012),
maiores valores afetivo-emocionais contribuin- apresentada no referencial teórico, sobre as ca-
do para a geração de prazer e bem-estar no racterísticas dos atributos de compra hedônico
ato de comprar, ativando o gatilho da troca de e utilitário. O Cluster 1: tangível-utilitário se
valores utilitários por hedônicos (PARENTE; relaciona aos aspectos funcionais, utilitários e
BARKI; KATO, 2007). Contudo, Sampaio et tangíveis dos produtos, oriundos de processos
al. (2009) fazem uma alerta: para que os valo- vinculados à utilidade efetiva dos bens. Já o
res hedônicos sejam convidados a integrar o ato Cluster 2: intangível-hedônico relaciona-se
de consumo, é necessário antes, como condição com ao aspectos emocionais, afetivos e intan-
sine qua non, que os atributos funcionais já es- gíveis dos bens, advindos de processos ligados
tejam em cena, para que a percepção de valores ao prazer de obtenção dos bens e como sinali-
hedônicos seja percebida. zadores posicionais nas escalas sociais.
Um comportamento dual entre os consu- É relevante ressaltar que, em algumas
midores foi observado por autores como Bar- perguntas do questionário, fora as opções des-
dhi e Arnouuld (2005) e Lopes et al. (2010). Ou critas no Quadro 1, também existiam opções
seja, a tomada de decisão ligada à compra passa como: indiferente, não tenho opinião forma-
por aspectos funcionais, racionais e utilitários, da, e outra. Essas opções, quando não foram
mas também por aspectos emocionais, subjeti- citadas nenhuma vez pelos respondentes, o que
vos, afetivos, ligados à busca do prazer, do gozo confere porcentagem zero na exposição dos re-
e da felicidade (DOUGLAS; ISHERWOOD, sultados, foram citadas até atingir no máximo
2009). Entende-se, com isso, que o consumo 1 (um) por cento, não conferindo representa-
utilitário e o hedônico podem coexistir em uma tividade em relação à amostra. Fora isso, por
mesma experiência de compra, pois não são ex- não esboçarem uma opinião objetiva sobre os
cludentes entre si, tendo em vista que partem de questionamentos a ponto de serem classifica-
valores diferentes (LOPES et al., 2010). das em um dos dois clusters desenvolvidos, não
integraram o Quadro 1 e foram somente alvo
6 MÉTODO desse esclarecimento. Assim, em algumas per-
guntas, o somatório das respostas será 99 %, e
A pesquisa quantitativa, realizada em não 100%.
forma de survey4 descritivo pretendeu anali-
sar os atributos determinantes de compra do 7 RESULTADOS DA PESQUISA
consumidor masculino no setor de vestuário.
O estudo foi realizado em uma Instituição de Optou-se por estruturar os dados que
Ensino Superior (IES) particular da cidade de foram coletados em campo em um quadro que
Fortaleza -CE. aborda respectivamente as perguntas existentes
A pesquisa utilizou uma amostra de na- no instrumento de pesquisa e os percentuais de
tureza não probabilística por conveniência de adesão à escala de likert elaborada pelos auto-
127 indivíduos do gênero masculino que tran- res. Destaca-se que a correlação foi positiva
sitavam nas dependências da IES, nos turnos no custer 1 ( r = 0,61) e levemente acima da
manhã e noite. Os questionários estruturados neutralidade no cluster 2 ( r = 0,11), indicando
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AUTORES | Gabriel Aguiar Mendes | Christian Aquino Avesque | Randal Glauber Santos Mesquita | Ellen Campos Sousa 77
Cluster 1: Cluster 2 :
Porcenta- Porcenta-
Perguntas Tangível- Intangível -
gem (%) gem (%)
utilitário Hedônico
Qualidade 59
1 - O que você leva mais em Preço 13 Mensagem que
consideração na hora de comprar marca passa – 4
vestuário? Conforto 15 4%
Utilidade 8
Imagem passada
Qualidade 72 10
ao público
2 - Que atributo da marca mais
chama sua atenção, na hora de História da
Preço 9 4
escolher vestuário? marca
Posição perante a
____________ _______ 4
sociedade
Pouco
3 - Pra você, em uma escala a Importante 69 7
Importante
seguir, qual a importância do preço
na escolha do produto (vestuário Pouquíssimo
masculino)? Muito importante 20 2
importante
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78 ARTIGOS | Atributos determinantes de compra do consumidor masculino adulto jovem no setor de vestuário – um estudo em uma IES particular de Fortaleza- (CE)
Pesquiso todas às
10 Não pesquiso 20
vezes
8- Você pesquisa na hora de comprar Pesquiso na
Às vezes
roupa, ou vai sempre à(s) mesma(s) maioria das 13 47
pesquiso
loja(s)? vezes
Quase sempre
10
pesquiso _____________ ________
Pouco
9 - Qual a importância da opinião 34 Muito importante 6
Importante
do grupo social a que você pertence
(amigos, trabalho, igreja) na hora da Pouquíssimo
escolha do produto? 25 Importante 24
importante
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AUTORES | Gabriel Aguiar Mendes | Christian Aquino Avesque | Randal Glauber Santos Mesquita | Ellen Campos Sousa 79
juízo de valor racional em que o sucesso da com- Já, em se tratando de características, esse
pra está ligado à eficiência do produto. público mostra-se focado no objetivo principal
É notório que no cluster 1, cerca de da compra, ou seja, desenvolve características
88% direcionam seu esforço de compra de objetivas relacionadas a compras, vai sozinho
vestuário às situações de oportunidades pro- comprar, independente da utilidade da roupa
mocionais. A questão de esses consumidores (casual ou profissional), chegando à conclusão
sentirem que irão ter um ganho econômico na de que o público em questão é funcional quan-
troca é a condição principal para a compra. É do se trata de comportamento de compra.
importante destacar, também, que as princi- Dessa forma, percebeu-se, majoritaria-
pais ferramentas utilizadas pela indústria da mente, que os comportamentos de compra in-
moda para gerar uma adesão simbólica são dicam um direcionamento ao consumo de base
rechaçadas por este cluster, a saber: blogs, racional, utilitária e, portanto, tangível em rela-
editoriais de moda, semanas de moda, entre ção aos bens pesquisados. Em relação ao segun-
outros. A influência do grupo de referência é do objetivo específico, destaca-se que o preço,
baixíssima bem como a seleção de produtos de a qualidade da matéria prima, o atendimento e
vestuário somente pela imagem projetada pela a estrutura da loja foram os principais atributos
logomarca/logotipo. Existe uma tendência a determinantes de compra de vestuário masculi-
pesquisar bastante, até porque a frequencia de no observados com a realização desta pesquisa,
compra é mensal / trimestral. sem considerar a separação em clusters.
Viu-se que o cluster 2 é minoritário da Aspectos como ambientação e atmosfe-
amostra estudada, cerca de 12% deles compram ra de loja, valor gerado pelos produtos e pela
vestuário como um sinônimo de extensão de marca, o merchandising aplicado como estra-
suas personalidades e inserção nos grupos de tégia de venda, os layouts dos setores da loja, a
referência. São introdutores de modelos e ten- comunicação com os consumidores e o espaço
dências sazonais (cortes, padronagens e looks) de circulação dos shoppers não foram conside-
até porque se espelham nos editoriais e nas re- rados pelos respondentes desta pesquisa como
portagens dos especialistas da área. Baseiam, atributos capazes de influenciar positivamente
portanto, suas escolhas em critérios intangíveis a decisão da compra de vestuário masculino.
que atribuem aos tecidos significados sociais e Atributos como a história da marca, a men-
culturais que estão presentes nas relações so- sagem que a marca reverbera nos grupos sociais não
ciais vividas na vida cotidiana. foram considerados como capazes de influenciar
positivamente a tomada de decisão em relação à
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS compra de vestuário masculino (88% da amostra).
Em relação à influencia de outras pesso-
A realização do presente trabalho per- as, ou grupos de pessoas como conceituado por
mitiu um aprofundamento nos conhecimentos Engel, Blackwell e Miniard (2000) na decisão
relacionados ao marketing, sobretudo, no to- de compra dos indivíduos, as repostas colhidas
cante a comportamento do consumidor no se- nesta pesquisa permitem o entendimento de
tor de vestuário masculino. Com isso, pode-se que o público masculino alvo deste estudo não
aferir que o objetivo geral deste trabalho foi se deixa influenciar pela opinião dos grupos de
atingido, e seus pressupostos puderam ser veri- referência como família e colegas de trabalho.
ficados, pois os dados da pesquisa demonstram Por fim, atendendo ao terceiro objetivo es-
que, para esta amostra, o consumidor masculi- pecífico, os dados da pesquisa permitem classifi-
no adulto jovem possui os seguintes atributos car o consumidor masculino que compra vestuário
determinantes de compra em uma escala de como funcional, baseado na valorização e na per-
importância, respectivamente: qualidade dos cepção de atributos utilitários e tangíveis dos pro-
produtos, conforto, utilidade e preço. dutos, em detrimento de atributos hedônicos, refu-
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80 ARTIGOS | Atributos determinantes de compra do consumidor masculino adulto jovem no setor de vestuário – um estudo em uma IES particular de Fortaleza- (CE)
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AUTORES | Gabriel Aguiar Mendes | Christian Aquino Avesque | Randal Glauber Santos Mesquita | Ellen Campos Sousa 81
1 Artigo apresentado ao XXVI ENAGRAD - Encontro BARBOSA, L. Moda e estilo de vida. Revista da
Nacional dos Cursos de Graduação em Administra- ESPM, São Paulo, v. 15, n. 5, p. 16-23, set./out. 2008.
ção, no ano de 2015, em Foz do Iguaçu – Paraná. Auto-
res: Gabriel Aguiar Mendes, Christian Aquino Avesque,
Randal Glauber Santos Mesquita e Ellen Campos Sousa. BARDHI, F.; ARNOULD, E. Thrift shopping:
combining utilitarian thrift and hedonic treat
2 Pós-Modernismo é o nome aplicado às mudanças ocorri- benefits. Journal of Consumer Behaviour,
das nas ciências, nas artes e nas sociedades desde 1960,
Massachustets, v. 4, n. 4, p. 223-233, june 2005.
quando o cotidiano é invadido pela tecnologia eletrônica,
visando saturações de informações, diversões e serviços
que produzem um mundo de simulação (SANTOS, 1986). CRANE, D. Moda e seu papel social: classe,
gênero e identidade. Tradução Cristiana Coim-
3 A palavra flagship poderia ser traduzida como nau ca- bra. São Paulo: Senac, 2006.
pitânia, ou seja, navio em que se acha embarcado o
capitão e aquele cujas ordens todos os demais navios
deverão seguir. A ideia se transfere para o universo do DOUGLAS, M.; ISHERWOOD, B. O mundo
varejo como a loja onde a essência da marca estará re- dos bens. Rio de Janeiro: UFRJ, 2009.
presentada de uma maneira inovadora, devido ao altís-
simo grau de investimento envolvido e conceito revo-
ENGEL, J. F.; BLACKWELL, R. D.; MI-
lucionário, demonstrando sua grandeza e posição no
segmento de varejo ao qual pertence (VELEZ, 2014). NIARD, P. W. Comportamento do consumi-
dor. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2000.
4 Abordagem quantitativa que visa apresentar a opinião
das pessoas por meio de questionários ou entrevistas ENGEL, J. F.; BLACKWELL, R. D.; MINAR-
(MATTAR, 2005).
DI, P. W. Comportamento do consumidor.
5 A escala likert é uma escala psicométrica das mais co- São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005.
nhecidas e utilizadas em pesquisa quantitativa, já que
pretende registrar o nível de concordância ou discor- FEIJÓ, F. R.; BOTELHO, D. Efeito dos fatores
dância com uma declaração dada (MATTAR, 2005).
de merchandising nas vendas do varejo. Revista
de Administração de Empresas, São Paulo, v.
REFERÊNCIAS 52, n. 6, p. 628-642, 2012.
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82 ARTIGOS | Atributos determinantes de compra do consumidor masculino adulto jovem no setor de vestuário – um estudo em uma IES particular de Fortaleza- (CE)
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AUTORES | Elnivan Moreira de Souza | Jocasta Saraiva de Sousa | Felipe Gerhard Paula Sousa | Lucas Lopes Ferreira de Souza 83
doi:10.12662/2359-618xregea.v4i2.p83-101.2015
ARTIGOS
RESUMO
Jocasta Saraiva de Sousa O termo Modelo de Negócios consolidou-se por volta dos
jocastasaraivas@[Link] anos 1990 com a expansão da internet, quando alguns empreen-
Graduada em Administração
pelo Centro Universitário
dedores com ideias inovadoras buscaram investimentos para seus
Christus - Fortaleza - CE - BR projetos e obtiveram resultados positivos. O termo vem sendo uti-
lizado com frequência por acadêmicos, consultores e executivos,
Felipe Gerhard Paula Sousa principalmente depois do surgimento de negócios feitos pela inter-
felipegerhard@[Link]
net, chamados de e-business. No entanto, mesmo com a frequen-
Doutorando em Administração
pela Universidade Estadual do te aplicação desse modelo, não há consenso entre os estudiosos
Ceará - Fortaleza - CE - BR quanto à definição do conceito (PATELI, 2002).
A prática de modelos de negócios tem sido uma ferramenta
Lucas Lopes Ferreira de Souza para auxiliar os empreendimentos em seus processos de inovação,
lucaslfsouza@[Link]
Doutorando em Administração
conquanto tenham surgido para transformar e assegurar a inovação
pela Universidade Estadual do a empreendedores, executivos e acadêmicos. Do mesmo modo,
Ceará - Fortaleza - CE - BR funciona como instrumento para a assimilação do impacto evolu-
ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 83-101, jul./dez. 2015
84 ARTIGOS | O modelo de negócios do setor editorial cearense com o auxílio Canvas
tivo e possibilitar o enfrentamento dos desafios das do Setor Editorial Brasileiro, com base nas
existentes no cenário em que se está inserido pesquisas feitas pela Fipe, e demonstra que a
(OSTERWALDER; PIGNEUR, 2011). É impor- venda de e-books aumentou 225,13% de 2012
tante destacar que, no mercado editorial, esses para 2013, e que revela o faturamento de mais
modelos de negócios também têm passado por de 12 milhões em edições digitais e aplicati-
mudanças substanciais. vos para smartphones e tablets. Dessa forma, a
O mercado editorial do Brasil manteve- ideia de que esse cenário está passando por uma
-se por muito tempo estável. Por volta de 1990, transformação é reforçada. A adoção de novas
com a chegada da internet, era difícil imaginar tecnologias na elaboração de publicações im-
que muitas tarefas poderiam ser feitas, como pulsiona a transformação de todo um modelo
compras de livros, músicas, entre outros pro- de negócio, pois são necessárias modificações
dutos, sem precisar sair de casa. Entretanto, a no processo de criação autoral, produção, dis-
tecnologia trouxe inovações que mudaram o tribuição e consumo.
mercado e suas estruturas comerciais; o meio Segundo Mello (2013) as editoras conti-
digital possibilitou o surgimento do e-commer- nuam sendo responsáveis por levar o conteúdo
ce, transformando e abrangendo várias plata- intelectual a seus leitores, em material impres-
formas de negócios (MEDEIROS; VIEIRA; so ou digital, atendendo às demandas e às ne-
NOGAMI, 2014). cessidades dos consumidores.
No cenário atual, o mercado editorial en- Para acompanhar a realidade do merca-
contra-se em um momento de transição, bem do, as editoras buscam maneiras estratégicas
como atravessando uma transformação cul- de transmitir conhecimento diante da realida-
tural, com a utilização de novas tecnologias e de do mundo contemporâneo, onde o acesso às
costumes, pela entrada de empresas interna- informações é disseminado por meio de canais
cionais no Brasil que influenciam as mudanças eletrônicos que favorecem o livre aceso a con-
estruturais no setor editorial e suas operações teúdos diversos e que se disseminam também
industriais. Nos Estados Unidos, por exemplo, por sua gratuidade. Acompanhar essa transfor-
a venda de e-books em 2013 superou em 42 mi- mação não tem sido uma tarefa fácil, pois no
lhões a venda de impressos (LAZZARI, 2012; Brasil nossos modelos comerciais ainda estão
CAPELAS, 2014). muito atrás de países como os Estados Unidos,
No Brasil, por outro lado, a maior parte Inglaterra e Alemanha que já se estruturaram de
do faturamento gerado pelas editoras vem das maneira bem mais profissional e globalizada.
produções de livros didáticos, obras gerais, ar- O que torna a pesquisa no setor editorial
tigos religiosos e publicações científicas, técni- importante é a necessidade de colher informa-
cas e profissionais. Metade desse faturamento, ções que contribuam para o desenvolvimento
ademais, é proveniente da demanda solicitada desse mercado, dado que existe pouco conteú-
pelos governos Federal, Estadual e Munici- do sobre o assunto. Outra razão é estudar este
pal. Entretanto, as novas tecnologias trouxe- segmento que tem atraído o interesse de gran-
ram inovação ao mercado editorial brasileiro. des organizações mundiais, que já estão inves-
Com a plataforma da internet e o surgimento de tindo no mercado brasileiro. Outrossim, estu-
mídias digitais, impulsionadas pela demanda dar no contexto contemporâneo as mudanças
crescente, os e-books e outros produtos e ser- causadas pelas novas tecnologias que causam
viços eletrônicos vêm dominando o mercado incerteza quanto à total substituição do livro
local. Esse segmento de mercado constitui uma impresso pelo livro digital.
mudança em vários aspectos da sua atividade e A partir desse contexto, essa pesquisa
cadeia produtiva. procurou responder à seguinte pergunta: Como
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) di- se configura o modelo de negócios de editoras
vulga anualmente o relatório Produção e Ven- cearenses tradicionais no contexto atual?
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86 ARTIGOS | O modelo de negócios do setor editorial cearense com o auxílio Canvas
Para Mendes (2012), o modelo de negó- com a empresa. Para que uma empresa possa
cios revela o escopo da empresa, mostra seus propor e entregar uma proposta de valor para
elementos e suas interrelações. Nele, é possível os clientes, é preciso que ela se diferencie por
descrever os ativos tangíveis e intangíveis, ca- meio da adoção de estratégias de inovação
pacidades e processos. Sua proposição de valor (OSTERWALDER; PIGNEUR, 2011).
revela o segmento de clientes e suas necessida- Segundo Teece (2010), um dos pontos de
des, seu modelo de receitas (preço, precifica- maior importância na gestão de um novo mo-
ção), seus canais de distribuição, suas parcerias delo de negócios é a criação de valor para os
e sua estrutura de custo. clientes, induzindo-os à compra de produtos/
serviços. O valor, dessa forma, seria um con-
2.2 PILARES E BLOCOS DO MODELO junto de benefícios entregues aos clientes, a fim
DE NEGÓCIO de criar em sua mente uma atmosfera única por
meio da qual ele possa identificar os valores
A seguir, serão apresentados os nove agregados inerentes ao produto/serviço, como
blocos de construção do modelo Canvas, di- tecnologia, exclusividade, preço, utilidade, ex-
vididos entre os quatro grandes pilares que o celência, entre outros (SOUZA, 2014).
constituem.
2.2.2 Interface com o Cliente
2.2.1 Produto/serviço
É a Interface com o Cliente que
A Proposta de Valor é um quesito que estabelece os canais de relacionamento que
pressupõe que a organização crie um valor na a organização tem com seus consumidores e,
mente dos clientes, agregando um conjunto de segundo Osterwalder e Pigneur (2011), os ele-
benefícios à relação de consumo estabelecida mentos dessa comunicação organização-cliente
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88 ARTIGOS | O modelo de negócios do setor editorial cearense com o auxílio Canvas
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livros impressos. O que já gerou uma modifica- torial vem enfrentando é a chegada de grandes
ção nas atividades-chave do mercado editorial concorrentes, que utilizam a plataforma da in-
(PINSKY, 2009). ternet como ferramenta de venda e produção,
A internet modificou as relações econô- como os e-books e os sites que promovem au-
micas na indústria cinematográfica e musical; topublicação, os quais conseguem vender com
o mesmo acontece, hoje, no mercado editorial. preços mais baixos que os impressos e nego-
Foram lançados no mercado os e-bookse e-rea- ciar de novas maneiras com os autores, o que
ders, os quais já são populares em países como prejudica a cadeia produtiva do livro, afetando,
Estados Unidos, Canadá e Japão. No Brasil, a assim, o mercado editorial (PILOTTO, 2013).
Associação Nacional de Livrarias (ANL) apon- Dessa forma, hoje, ao falar de mercado edi-
ta que 56% das livrarias possuem e-commerce torial, é determinante remeter-se aos livros digi-
e novos títulos têm aumentado constantemente. tais, os quais, mesmo sendo recentes no Brasil, já
Tais acontecimentos proporcionaram mudan- fazem parte do faturamento das editoras. Segundo
ças nos processos de inovação, na produção de a CBL, as feiras de livros estão movimentando o
bens, na criação de novos produtos (hardware, comércio e aumentando o número de leitores e
software, tablets, e-readers). Essas plataformas também fortalecendo as parcerias comerciais, por
reconfiguram o posicionamento, a formatação e gerar produtos que são divulgados dentro e fora
a distribuição do produto (MEDEIROS; VIEI- do País (GONZATTO, 2013).
RA; NOGAMI, 2014). Uma outra dificuldade sentida particular-
Com essas novas ferramentas, a produ- mente pela região Nordeste, é sua baixa repre-
ção editorial modificou seu modelo de negócios sentatividade na participação na produção e na
para a tecnologia digital, e tem a internet como distribuição de obras no Pais. Tal fenômeno é
ferramenta de acesso de quase todos os proces- reflexo de um processo histórico de cartelização,
sos. A mudança gerada no mercado editorial já que o Sul e o Sudeste possuem indústrias de
também modifica fontes de receita, ou seja, re- peso comercial e político e fazem que quase todos
força a ideia das mudanças no modelo de negó- os livros consumidos no nordeste venham todos
cios (PINSKY, 2009). daquelas regiões. Esta situação está se agravando
Segundo Mello (2013), uma editora tem ainda mais com a penetração de capital estrangei-
como seu principal ativo o catálogo de obras e ro na indústria editorial brasileira pois impõe uma
de autores, pois uma boa seleção deles permite concorrência desigual de preços.
bons resultados de venda. Visto isso, a indústria Essa realidade impõe uma concorrência
editorial no Brasil alcançou, em 2013, um fa- desigual, desempregos, baixa renda e o en-
turamento de cerca de R$ 5,36 bilhões, segun- fraquecimento da indústria editorial da região
do uma pesquisa feita pela Câmara Brasileira Nordeste, que ocupa uma posição de relevância
do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos mínima neste mercado. O impacto não é apenas
Editores de Livro (SNEL), que corresponde a econômico, mas também cultural, pois a cul-
um crescimento real de 1,52% com relação ao tura nordestina não está tendo a devida repre-
ano anterior (FIPE, 2013). sentação no modelo atual de comércio de livros
O mercado de editoras e gráficas é classi- dominado pelo Sul e Sudeste.
ficado como indústria de transformação. No Ce-
ará, o gênero Editorial e Gráfica representou, em 4 ASPECTOS METODOLÓGICOS
2010, mais de 18% de participação nas Indús-
trias de Transformações Ativas, segundo pes- Com o intuito de se alcançarem os ob-
quisa feita pelo Instituto de Pesquisa no Estado jetivos propostos por esta pesquisa, realizou-se
do Ceará (IPECE), ocupando o 6º lugar entre as um estudo de natureza qualitativa. A pesquisa
quatorze classificações. (IPECE, 2013). qualitativa é realizada para que se possa ter uma
Um grande desafio que o mercado edi- ideia de suas perspectivas e, assim, possa aju-
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90 ARTIGOS | O modelo de negócios do setor editorial cearense com o auxílio Canvas
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AUTORES | Elnivan Moreira de Souza | Jocasta Saraiva de Sousa | Felipe Gerhard Paula Sousa | Lucas Lopes Ferreira de Souza 91
Foram elaboradas cinco perguntas (Qua- também, as livrarias para as quais a empresa
dro 2), que buscam relacionar um dos blocos fornece livros e pessoas jurídicas que procuram
de Construção do Modelo de Negócio que, se- sempre, no período de fim de ano, a empresa
gundo Osterwalder, Pigneur e Tucci (2005) é o para a produção personalizada de agendas, ca-
segmento de clientes que descreve para quem a lendários e brindes. O volume do pedido do
empresa oferece valor. cliente e o prazo influenciam no atendimento.
Os clientes da empresa buscam os ser-
Bloco de viços pela qualidade apresentada no produto
Questionamento final: livro com boa costura, capa de qualidade,
Construção
Quem são os clientes que a empresa editorial rigoroso com poucos erros. A empresa
ajuda com seus produtos/serviços? consegue mostrar ao cliente a imagem de uma
Esses grupos podem ser divididos editora que cuida e que valoriza o escritor. Con-
com mesmo interesse e perfil? tudo, a empresa não está preparada para produ-
Possuem diferenciação no zir grandes quantidades de e-books e livros em
Segmento PDF, o que se caracteriza como um dos seus
atendimento?
de Clientes maiores entraves. A empresa busca investir e
Existem segmentos que a empresa
não atende, mas gostaria de ampliar este segmento contratando mais pesso-
atender? as e investindo em tecnologia.
O segmento de mercado melhora a A empresa Editora Imeph direciona seus
proposta de valor de sua empresa? serviços para o setor público, fornecendo ma-
Quadro 2 - Bloco de Segmento de Clientes terial didático para escolas municipais, esta-
Fonte: Santiago (2014). duais, e para o MEC, que adota livros para o
programa de ensino nacional. Os clientes são
Na empresa Tiprogresso, os principais divididos em linhas metodológicas diferentes,
clientes são as construtoras, as editoras, os ór- pois cada projeto de ensino que a editora ofe-
gãos governamentais e as agências de publi- rece direciona-se para diversas faixas etárias. O
cidade. Os clientes possuem segmentos bem volume na aquisição de livros e a abrangência
definidos; as construtoras procuram a empresa do projeto educacional são determinantes para
para produzir o material de divulgação dos em- o atendimento, pois é necessário optar por mé-
preendimentos; as editoras para a produção de todos eficazes de acompanhamento do projeto.
livros; o Governo para a produção de agendas e A editora deseja ampliar o mercado para aten-
livros, e as agencias para a produção de material der às escolas particulares e também ampliar
publicitário. A diferenciação no atendimento se as vendas para os estados do Sudeste e Sul do
dá pelo volume de impressão e pela necessida- País uma vez que, atualmente, suas vendas es-
de de fazer “prova” do material. Os vendedores tão concentradas no Ceará e em Pernambuco.
da empresa são responsáveis por acompanhar o O sucesso dos projetos nos municípios cea-
andamento e a qualidade do que está sendo pro- renses serviu como exemplo para fortalecer a
duzido para seu cliente. Verificou-se nessa em- imagem da editora e comprovação de eficácia
presa uma necessidade em reduzir a cartela de dos projetos educacionais. A proposta de valor
clientes para poder atender melhor a demanda estabelece uma visão geral dos conjuntos de
e focar em menos segmentos. Os melhores seg- produtos e serviços de uma empresa (OSTE-
mentos são Construtoras, Editoras e Governo. RWALDER; PIGNEUR, 2011). Desta forma,
Na Editora Premius, os clientes atendi- as perguntas elaboradas, apresentadas no Qua-
dos são: Academias de Escritores, Associação dro 3, procuram descobrir quais as proposições
de Escritores, autores e escritores em geral para de valor que a empresa oferece a seus clientes.
a produção de livros de todos os gêneros, como
romance, crônica, biografia, entre outros. Há,
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92 ARTIGOS | O modelo de negócios do setor editorial cearense com o auxílio Canvas
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94 ARTIGOS | O modelo de negócios do setor editorial cearense com o auxílio Canvas
O setor de computação e design da em- cionários que cumprem papéis cruciais na pro-
presa Tiprogresso desenvolve ideias de acordo dução. As atividades realizadas nos canais de
com a necessidade do cliente sugerindo capas e distribuição são orçamentos e vendas por meio
coloridos diferenciados com texturas inovado- de visitas, almoços, participação em eventos
ras e folhas espelhadas. O recurso no canal de dos clientes. As principais atividades realizadas
distribuição da empresa é de um atendimento pela empresa é o serviço gráfico, diagramação,
do vendedor em uma visita ao cliente. editoração. Mas a criação do impresso só é rea-
O Maquinário moderno da Premius e lizada pela empresa se a impressão também for.
suas tecnologias de ponta proporcionam rapi- As principais atividades executadas pela
dez e qualidade no serviço prestado ao cliente. Premius são produção e impressão de livros,
Propagandas em jornal, outdoor, programa na agendas, calendários e serviço de editoração. E
TV, mídias sócias são recursos que abrangem o uma pequena parte de e-books e livros em PDF.
contato com os clientes. Os livros podem ser vendidos na própria sede,
A editora Imeph edita e patrocina livros em livrarias ou no site. No relacionamento com
produzidos pelos alunos de seus projetos, pro- o cliente são executadas oficinas literárias, lan-
duz DVDs, possui também uma carreta que çamento de livros e um programa na TV local
promove eventos e divulga seus produtos por chamado Papo Literário, em que há espaço para
todo o estado do Ceará. Essa interação com o os autores divulgarem suas obras.
público proporciona a movimentação de festas Sempre são realizadas palestras, seminá-
e comemorações nos município que fortalecem rios, cursos, oficinas para alunos e professores
a cultura e as pessoas da região. pela Imeph com o intuito de fortalecer a propos-
As principais atividades-chave que a or- ta de valor da empresa, é importante que essas
ganização realiza foram investigadas por meio atividades aconteçam, pois elas promovem o
do questionamento no Quadro 7. encontro da equipe técnica com a escola para a
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96 ARTIGOS | O modelo de negócios do setor editorial cearense com o auxílio Canvas
Para atingir o objetivo do trabalho foi construído o quadro representativo do setor, no qual
revela a estrutura do mercado editorial cearense. O Canvas é o desenho do modelo de negócio. Os
três mapas a seguir representam os blocos de que constroem cada empresa, e sua estrutura como
investigada no questionário.
O quadro 10 representa a editora quase centenária que cultiva nos seus valores a tradição.
Seu modelo de negócio oferece serviços de editoração somente com a impressão acordada na
venda.
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No Quadro 12 pode-se visualizar assim como no anterior todos os blocos que representam
modelo de negócio da empresa Premius. A editora mostra que, para poder incrementar os serviços
de editoração e gráfica, foi agregada a eles o apoio ao autor, o que torna seus serviços conhecidos
por esse detalhe. O modelo dela se assemelha com o anterior, porém seu foco é os escritores e sua
competência em editoração é um atrativo para os serviços gráficos.
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98 ARTIGOS | O modelo de negócios do setor editorial cearense com o auxílio Canvas
A Imeph tem o seu modelo de negócio exemplo: a editora e a gráfica poderiam dividir
interpretado somente como editora e produz o investimento e o lucro de ambos retornaria
livros customizados, vendidos a partir de um com os resultados das vendas dos livros para
projeto educacional. Seu foco é direcionado a assim tornar mais promissor o investimento em
escolas municipais e estaduais. novas publicações.
Percebe-se que a Tiprogresso possui um As editoras cearenses poderiam formar
modelo mais comercial onde a demanda por uma rede unificada para as compras de papel e
serviços gráficos produz a necessidade de uma outros produtos, conseguindo, assim, adquirir
produção volumosa para maior rentabilidade. insumos mais baratos e, consequentemente, ter
A Premius tem o foco no autor, produz livros um produto final mais barato para o consumi-
mais refinados, e assim atende às diversas aca- dor e assim tornar o Estado mais apto a concor-
demias que concentram o seu cliente alvo. rer com as editoras nacionais.
A partir da construção do quadro Canvas Como tendência, observa-se que a inser-
do Modelo de Negócios do Mercado Editorial ção em plataformas digitais pode ser um recurso
Cearense é possível fazer um comparativo entre importante a ser desenvolvido pelas empresas
ele e o momento atual do mercado editorial na- do setor, e no caso dos vendedores das edito-
cional com base no levantamento teórico. Após ras, estes poderiam explorar a ideia de venda
a visualização do mapa construído (Quadro 13) de uma produção de baixo custo estimulando o
pode-se ressaltar pontos positivos e pontos a mercado a produzir autopublicações por meio
serem melhorados no modelo. de recursos oferecidos pelas empresas.
As relações no mercado editorial são Para poder estabelecer uma relação in-
construídas pelos parceiros que compõem a tegrada com o cliente deve ser reforçada/de-
cadeia produtiva do livro. Essas relações pode- senvolvida a ideia de customização da publi-
riam ser reforçadas a partir do investimento de cação, conforme as necessidades ou desejos do
participantes da cadeia editorial no produto, por cliente. Para que isso ocorra é necessário além
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100 ARTIGOS | O modelo de negócios do setor editorial cearense com o auxílio Canvas
THE BUSINESS MODEL FOR THE ARAÚJO, José Braz de; ZILBER, Silvia No-
EDITORIAL SECTOR IN CEARÁ vaes. Adoção de E-Business e mudanças no
WITH THE AID OF CANVAS modelo de negócios: inovação organizacional
em pequenas empresas dos setores de comércio
ABSTRACT e serviços. Gestão & Produção, São Carlos v.
20, n. 1, p. 147-163, 2013.
This work aims at building a unified Can-
BARROS, Aidil Jesus da Silveira; LEHFELD,
vas framework of Ceara’s editorial sector. As
Neide Aparecida de Souza. Fundamentos de
specific objectives, this research presents: i.
metodologia científica: uma guia para a ins-
Indentification of the business model of three
crição científica. 2. ed. São Paulo: Pearson
publishing companies in Ceará by observing
Markon Books, 2000.
the nine structural blocs of Canvas; ii. Emer-
gence of the improvements of the model Cea-
CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO. Pes-
rense business of editorial market considering
quisa FIPE CBL/SNEL. 2013. Disponível
the new tendencies of the national market. To
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this end, a descriptive exploratory research,
[Link]>. Acesso em: 16 out. 2014.
with qualitative caracter, will be accomplished.
On account of that, the research is classified as
CAPELAS, Bruno. Internet supera livrarias
bibliographical and as a case study. In the inter-
em vendas de livros nos EUA. O Estadão,
views they were adressed to the consumer seg-
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mentation, proposal value, key-resources and
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-e-books/>. Acesso em: 5 maio 2015.
ols of production, using and buying of products
and services offered by publishing companies,
DI SERIO, L. C.; VASCONCELLOS, M. A.
deriving from a strong market imposition. Li-
Estratégia e competitividade empresarial:
kewise, it is possible to observe the increasing
Inovação e criação de valor. São Paulo: Sarai-
impact of the international and interregional
va, 2009.
competition in the cearense sector, requiring
the remodelation of activities and resouces that
DOURADO FILHO, Francílio. Sindigráfica:
compound the business platform of the sector.
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102 ARTIGOS | Desafios dos microempreendedores na obtenção de financiamento: um estudo de três segmentos do mercado
doi:10.12662/2359-618xregea.v4i2.p102-118.2015
ARTIGOS
RESUMO
R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 102-118, jul./dez. 2015 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTORES | Lúcio Eugênio Cerqueira Lopes | Lise Alcântara Castelo 103
zes além de sua capacidade, com uma visão de de financiamento possui no desenvolvimento
futuro que outros não têm a capacidade de perce- do negócio, podendo sua adequação significar
ber, que lutam incansavelmente na esperança de o sucesso ou a insolvência das empresas, sendo
ver seu sonho realizado: o seu próprio negócio! tão importante quanto o capital fixo destas, pois
O empreendedor aparece, portanto, no sua liquidez está diretamente ligada a este fator.
momento em que não está satisfeito com a di-
nâmica do dia a dia da atividade empresarial, 2 REFERENCIAL TEÓRICO
por meio da observação de novas ideias e opor-
tunidades de negócios inovadores, da neces- A fundamentação teórica que norteou a
sidade de se produzir algo que rompa com as construção da pesquisa foi realizada por meio
práticas habituais e gere sustento não só para si, de uma discussão sobre os seguintes temas:
mas para a comunidade em geral. organizações, empreendedorismo, instituições
Porém, tal decisão de empreender impli- financeiras e crédito.
ca uma série de desafios que deverão ser supe-
rados para a sustentação do negócio, fazendo
2.1 ORGANIZAÇÕES
que o ciclo de vida da empresa se prolongue e
gere retornos concretos sobre os investimentos.
Para Maximiano (2008), a sociedade hu-
Nesse sentido, o Estado do Ceará, assim
mana é feita de organizações que fornecem os
como o Brasil, são referências na criação de novos
meios para o atendimento de necessidades das
negócios inspirados por esta onda empreendedora,
pessoas, em que praticamente tudo depende delas.
conforme dados do Serviço Brasileiro de Apoio às
Dessa forma, praticamente tudo depende
Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE, 2013).
de algum tipo de organização e, no decorrer dos
São novos negócios que surgem a todo
anos, várias práticas e teorias foram elaboradas
instante e, políticas que contribuam para o fa-
a fim de melhor gerenciar os recursos e tornar
vorecimento destes microempreendimentos
tais organizações mais eficientes e eficazes.
têm papel primordial de apoio nos estágios
Chiavenato (2010) complementa o as-
iniciais de desenvolvimento e sustentabilidade,
sunto ressaltando que todas as principais ativi-
como a Criação da Lei Geral das Micro e Pe-
dades atuais são realizadas por organizações,
quenas Empresas em 2006, a criação do Micro-
pois tudo o que fazemos e dependemos como
empreendedor Individual (MEI), em 2009, e a
finanças, saúde, segurança, alimentação, etc.
ampliação dos limites de faturamento do Sim-
são desempenhadas por elas.
ples Nacional em 2012.
Ainda de acordo com Chiavenato (2011, p.
Destarte, percebe-se que, para extrair re-
2) “as organizações são heterogêneas e diversifica-
sultados duradouros, o empreendedor necessita
das, de tamanhos diferentes, de objetivos diferen-
de muito mais que apenas sorte e uma brilhante
tes. Existem organizações lucrativas (chamadas
ideia, deverá reunir uma série de requisitos, se-
de empresas) e organizações não lucrativas (como
jam estes habilidades técnicas e/ou pessoais, ou
Exército, Igreja, serviços públicos, entidades filan-
como lidar com variáveis externas a sua atuação.
trópicas, organizações não governamentais)”.
Entre as várias possibilidades de fracasso
Então, o grande propósito das organi-
que os novos negócios estão sujeitos a enfren-
zações é disponibilizar serviços e produtos
tar, destaca-se o fator financeiro, mais precisa-
que tornem a sociedade melhor, e seu estudo
mente o de financiamento do capital de giro,
mostra-se de considerada importância, pois a
ainda como um instrumento que pesa bastante
proatividade, a criatividade e a inovação nunca
no dia a dia do empreendedor.
foram tão necessárias como atualmente, haja
Diante das informações destacadas, o
vista o cenário político e econômico no qual as
presente estudo almeja contribuir nessa lacuna
organizações se encontram.
de estudos sobre a importância que a obtenção
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104 ARTIGOS | Desafios dos microempreendedores na obtenção de financiamento: um estudo de três segmentos do mercado
Não existe critério único universal- Entretanto, o impulso obtido pelos em-
mente aceito para definir as micro e preendedores brasileiros, conforme citado por
pequenas empresas. Vários indicati- Bernardi (2015, p.15) foi dado somente “a par-
vos podem ser utilizados para a clas- tir dos anos de 1990, por meio do Plano Real,
sificação das empresas nas categorias quando atingiu um grau de estabilidade econô-
micro e pequena, e ainda as médias mica e restaurou a credibilidade do país perante
e grandes, mas eles não podem ser o mundo”.
considerados completamente apro- No entanto, muitos ainda são os fatores
priados e definitivos para todos os que dificultam a permanência destas empresas
tipos de contexto. Como afirma Fi-
e, para o entendimento de suas representativi-
lion (1990), a maioria das tentativas
de definição dos tipos de empresa dades no Brasil e o porquê da importância da
nos mais variados países foi feita não redução do índice de mortalidade destas, a Se-
apenas por razões fiscais. Com elas, cretaria da Micro e Pequena Empresa (SMPE,
visa-se também a estabelecer critérios 2015) divulgou os seguintes dados: represen-
de identificação de empresas elegí- tam 99% dos estabelecimentos privados não
veis para receber diferentes tipos de agrícolas; e contribuem com 50% dos empre-
benefício oferecidos pelos governos. gos formais do País.
Por exemplo, com os critérios de de- Ao descrever-se sobre a importância de
finição, pode-se selecionar empresas referidas empresas para o País, a obra disponí-
admissíveis em programas de sub-
vel pelos órgãos SEBRAE; DIEESE (2012, p.
contratação (terceirização, etc.) ou
de fornecimento de produtos e servi- 7) destacam o seguinte:
ços a organizações governamentais
(LIMA, 2001, p. 422). Entre 2000 e 2011, as micro e peque-
nas empresas criaram 7,0 milhões
de empregos com carteira assinada,
Destarte, os critérios estabelecidos para
elevando o total de empregos nessas
se classificar as micro e pequenas empresas, empresas de 8,6 milhões de postos de
conforme observado por Filion (1990) apud trabalho em 2000 para 15,6 milhões
Lima (2001) são os mais variados possíveis e em 2011. Em todo o período, o cres-
dependem dos países nas quais elas se instalam. cimento médio do número de empre-
No Brasil, tais empresas foram criadas gados nas MPE’s foi de 5,5% a.a. No
por força de Lei em 1984, e, com o passar dos período 2000-2005, foram gerados
anos, foram cada vez mais se aperfeiçoando. 2,4 milhões de postos de trabalho nas
Nesse modo, ao traçar seu conceito legal, expõe- MPE’s, um crescimento médio anual
-se, de acordo com SEBRAE (2013, p. 5) que: de 5,1% a.a. Entre 2005 e 2011, esse
movimento se intensificou, resultando
Microempresa é um conceito criado na geração de 4,6 milhões de novos
pela Lei n. 7.256/84 e, atualmente, re- postos de trabalho, um crescimento
gulado pela Lei n. 9.841, de 5.10.99, médio anual de 5,9% a.a. O bom de-
que estabelece normas também para sempenho das MPE’s no período ana-
as empresas de pequeno porte, em lisado confirmou a sua importância
atendimento ao disposto nos artigos. para a economia. Em 2011, as micro
170 e 179 da Constituição Federal, e pequenas empresas foram respon-
favorecendo-as com tratamento dife- sáveis por 99% dos estabelecimen-
tos, 51,6% dos empregos privados
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AUTORES | Lúcio Eugênio Cerqueira Lopes | Lise Alcântara Castelo 105
não agrícolas formais no país e quase de empregos diretos, mais também em termos
40% da massa de salários. Entre 2000 de faturamento, uma importância destacável na
e 2011, de cada R$ 100,00 pagos aos economia do Brasil, porém devem ser cuidado-
trabalhadores no setor privado não samente planejadas.
agrícola, cerca de R$ 40,00, em mé-
dia, foram pagos por micro e peque-
nas empresas. Em relação aos setores 2.3 EMPREENDEDORISMO
de atividade, o comércio manteve-se
como a atividade com maior número Autores como Hisrich, Peters e Shepherd
de MPE’s, ao responder por mais da (2009, p. 30) definem o empreendedorismo como:
metade do total das MPE’s brasilei-
ras. No entanto, a participação rela- É o processo de criar algo novo com
tiva do comércio caiu de 54,7% em valor, dedicando o tempo e o esforço
2000 para 51,5% do total das MPE’s necessários, assumindo os riscos fi-
em 2011. Em 2011, havia cerca de 3,2 nanceiros, psíquicos e sociais corres-
milhões de MPE no comércio. pondentes e recebendo as consequen-
tes recompensas da satisfação e da
Corroborando com o assunto, Bernardi independência financeira e pessoal.
(2015, p.14) destaca que “nenhum empreen-
dedor sabe de onde, como e quando virão às A partir daí, identificam-se quatro aspec-
pressões e os novos desafios a enfrentar, dado tos básicos para o empreendedorismo: processo
o cenário de incertezas, complexidades e riscos, de criação, dedicação de tempo e esforço, re-
afinal, este é o cerne do empreendedorismo”. compensa de ser um empreendedor e aceitação
Até mesmo porque o candidato a empreendedor: dos eventuais riscos.
Entre os elementos citados anteriormen-
Ao decidir o ramo e o tamanho do ne- te, o risco pode ser considerado como o grande
gócio que irá atuar, deverá seguir al- impulsionador do empreendedorismo, uma vez
guns passos, quais sejam: escolher o que, em reação a este elemento, estes empreen-
endereço da empresa, o nome jurídico e
dedores criam, modificam produtos e situações
o nome fantasia, registrá-la, inscrevê-la
no CNPJ, na Receita Federal, na Previ-
a fim de alcançar o lucro.
dência Social, na Secretaria de Fazenda Ressalte-se, entretanto que a prática do
Estadual, no Sindicato Patronal, obter empreendedorismo no Brasil esbarra em diver-
alvará de funcionamento, e solicitar a sos aspectos desfavoráveis, como o acesso e cus-
autorização de impressão de documen- to do capital, elevada carga tributária, exigências
tos fiscais (INFOMONEY, 2015). fiscais e legais, baixa capacitação para gerir o
negócio, além de Políticas e Programas que não
Em seguida, após toda a burocracia ne- estão de acordo com a realidade do empreende-
cessária, o empreendedor deverá ainda perce- dor. (SIQUEIRA; GUIMARÃES, 2007)
ber que a implementação correta de Políticas Com isto existem limitações ao cumpri-
Públicas e a disponibilização de linhas de cré- mento deste papel já que os desafios citados se
ditos também por parte dos demais players de tornam mais tênues nas micro e pequenas em-
mercado, como bancos, cooperativas de crédito presas devido à limitação de recursos, sejam
e agências de fomento que realmente impulsio- eles de qualquer natureza. Em contrapartida,
nem e possam dar-lhes um horizonte de espe- tais empresas possuem uma maior flexibilida-
rança está estritamente ligado ao progresso do de e velocidade no atendimento das manobras
País, uma vez que os números se mostram de estratégicas, necessárias exigidas pelo empre-
uma amplitude macro. endedorismo, uma vez que possuem estruturas
Percebe-se, portanto, que hoje tais em- específicas, muitas vezes até imitadas por gran-
presas representam, não somente em números des corporações.
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106 ARTIGOS | Desafios dos microempreendedores na obtenção de financiamento: um estudo de três segmentos do mercado
Oliveira (2014) destaca cinco fatores que tes e promissores da história econômica e so-
influenciam o empreendedorismo de forma mais cial da atualidade.
evidente, ressaltando não estar estabelecendo hie- Para Dolabela (1999), o empreendedor
rarquia de importância: a Situação da economia; é alguém que define, por si mesmo, o que irá
Incentivos regionais; Modelos de novos negó- fazer e em que contexto será feito. Assim sen-
cios; Desemprego e Nível de relacionamentos. do, leva em conta seus sonhos, desejos, prefe-
Sendo assim, tais fatores externos e não rências e o estilo de vida quer ter, conseguindo
controláveis pressionam o processo de desen- dedicar-se intensamente, transformando seu
volvimento do empreendedorismo, em que se trabalho em prazer.
faz necessário avaliá-los a fim de identificar sua Drucker (2008) ressalta que nem todos os
influência, seja ela positiva ou negativa, de longa donos de novos negócios podem ser considera-
ou curta duração no desempenho das atividades. dos empreendedores, uma vez que tudo o que
já foi feito muitas vezes antes, apesar dos riscos
2.4 EMPREENDEDOR assumidos, não criam uma nova satisfação ao
consumidor e muito menos uma nova demanda.
De acordo com Dornelas (2013), ao co- Então, a inovação incessante é o senti-
mentar sobre Schumpeter (1997) em sua obra, mento que move o empreendedor, e estes são
destaca que foi ele quem primeiro definiu em- capazes de mudar ou, até mesmo, transformar
preendedor, ainda, como uma das mais antigas valores da área em que atuam desenvolvendo
e melhores reflexões sobre o tema em comento: habilidades específicas, diferenciando-os dos
demais e mostrando que realmente existe um
O empreendedor é aquele que destrói algo a mais em ser empreendedor.
a ordem econômica existente pela Hisrich, Peters e Shepherd (2009) con-
introdução de novos produtos e ser- sideram como um consenso o tipo de com-
viços, pela criação de novas formas portamento que abrange o perfil do empreen-
de organização ou pela exploração de dedor; entre eles: tomar iniciativa, organizar e
novos recursos e materiais. (DORNE- reorganizar mecanismos sociais e econômicos
LAS, 2013, p. 9)
a fim de transformar recursos e situações para
proveito prático e criar o risco ou fracasso.
Referido autor complementa o estudo des-
Acrescentam ainda que é o processo de criar
tacando que a palavra “empreendedor” tem ori-
algo novo com determinado valor, dedicando
gem francesa “entrepreuneur”, e quer dizer aque-
o tempo e o esforço necessários, assumindo os
le que assume riscos e começa algo novo, e ainda
riscos financeiros, psíquicos e sociais corres-
que tal termo já era usado desde a Idade Média até
pondentes e recebendo as consequentes recom-
a Atualidade, em que o conceito sofreu releituras
pensas da satisfação e da independência finan-
até identificar realmente o que se tem hoje como
ceira e pessoal. Desse modo, referida definição
empreendedorismo (DORNELAS, 2013).
abrange quatro aspectos básicos referentes ao
Segundo Chiavenato (2008), o empre-
empreendedor, uma vez que envolve o proces-
endedor não é apenas o fundador de uma em-
so de criação, tempo e esforço, recompensas e
presa, ele é a energia da economia, a alavan-
oportunidade de lucro.
ca de recursos, o impulso de novos talentos,
De acordo com Bernardi (2015, p. 43):
a dinâmica de idéias. Além disso, possui faro
para oportunidades e age rapidamente a fim de Há um dogma de que não é possível
aproveitá-las, assumindo assim riscos, sempre desenvolver o empreendedorismo, de-
preocupado com a inovação constante. ve-se nascer empreendedor. Isso não é
Com isso, o empreendedor torna-se uma verdadeiro, considerando característi-
figura essencial na sustentabilidade do País, cas e perfis de personalidades inatas,
sendo um dos acontecimentos mais importan- tomando-se por base uma analise mais
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108 ARTIGOS | Desafios dos microempreendedores na obtenção de financiamento: um estudo de três segmentos do mercado
ção de capitais próprios e de terceiros a fim de entre um mês a seis meses no máximo; o segundo
obter resultados aos seus stakeholders, sempre de seis meses a cinco anos, e o último por prazos
respeitando as normas do mercado que atuam. superiores a cinco anos. São direcionadas para o
Para Brito (2003), as instituições finan- longo prazo para investimentos como aquisição
ceiras podem ser divididas em duas classes de máquinas e equipamentos, assim como para o
distintas: as instituições públicas e privadas. curto prazo financiando o capital de giro.
As instituições financeiras privadas, segundo As Micro e Pequenas Empresas trope-
Assaf Neto (2014), englobam Bancos Comer- çam em maiores obstáculos na obtenção de
ciais, Bancos Múltiplos e Caixas Econômicas, informações e na própria concessão de crédito
devendo estas ser constituídas obrigatoriamente quando comparadas às médias e grandes em-
em forma de sociedades anônimas, tendo como presas, seja por falta de conhecimento por parte
principal papel executar operações de crédito em de seus gestores, inexistência de garantias, cer-
sua maioria de curto prazo, atuando, assim, dire- tidões, seja por quaisquer documentos exigidos
tamente nas necessidades de capital de giro das pelos agentes.
empresas; e as instituições financeiras públicas, Para a Secretaria da Micro e Pequena Em-
que exercem um importante papel de fomento presa - SMPE (2015), o crédito é um imenso im-
e apoio aos microempreendedores, pois servem pulsionador do crescimento e desenvolvimento
como uma alternativa na obtenção de financia- das empresas, tendo em vista que o aumento do
mentos com recursos subsidiados pelo governo. volume de crédito ofertado melhora considera-
Sendo assim, devido a ineficiência por velmente o desempenho delas, cujo assunto é
interesses direcionados da área privada, a ma- tratado de forma específica em sua atuação.
nutenção da estabilidade econômica e garantia Dessa forma, de acordo com as diversas
do balanceamento da relação poupança x inves- linhas de crédito disponibilizadas pelas insti-
timentos, as instituições públicas são protago- tuições financeiras, assim como outras formas
nistas no apoio aos microempreendedores. de financiamento utilizadas pelos microem-
preendedores, destacam-se o financiamento de
2.6 CRÉDITO capital de giro, como: empréstimos parcelados
a uma taxa fixa, desconto de cheques pré-data-
Leoni (1997) descreve que o crédito dos, antecipação de crédito para as vendas de
às pessoas jurídicas está diretamente ligado à cartão, cheque especial empresarial, financia-
colocação de seus produtos no mercado e ao mento do 13o salário e prazo para pagamento
equilíbrio financeiro delas, dada a sensibilidade junto a fornecedores, conforme cita o portal
do fluxo de caixa. Em sua obra, ele comenta Emprego e Renda (2015).
que o financiador deve avaliar a empresa com
uma série de dados objetivos e subjetivos, a fim 2.6.1 Microcrédito
de obter uma visão ampla do universo formal
e informal da companhia. Entre outros aspec- Voltando a Lei Geral das Microempresas
tos observados, o autor ainda aponta o nome e Empresas de Pequeno Porte, em seu aspecto
fantasia, as eventuais alterações societárias e de estímulo ao crédito, ela se apresenta:
o grupo a que pertence, pessoas autorizadas a
assinar, etc., pois tais elementos podem identi- A Lei Geral facilita a obtenção de em-
ficar eventuais riscos. préstimos e reduz os custos de finan-
Nesse contexto, cita-se Galves (2004), ciamentos para as micro e pequenas
empresas. As microfinanças são for-
quando descreve que o crédito pode ser classi-
talecidas pelo microcrédito e pelo co-
ficado de diversos pontos de vista, sendo que, operativismo de crédito. As coopera-
quanto ao prazo, este se divide em: curto, médio tivas de crédito de micro e pequenas
e longo prazo. Sendo o primeiro com concessões empresas poderão repassar recursos
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110 ARTIGOS | Desafios dos microempreendedores na obtenção de financiamento: um estudo de três segmentos do mercado
Portanto, o ambiente deste estudo foram tenção do financiamento, tipo de crédito soli-
as nove empresas descritas anteriormente, as citado, finalidade do crédito solicitado, exigên-
quais foram pesquisadas sobre as principais cias entre as instituições privadas e públicas,
fontes e os tipos de financiamentos utilizados volume liberado de financiamento, taxas prati-
pelos microempresários e os principais fatores cadas, utilização de financiamento, controle do
que se destacam na dificuldade de se obter fi- nível de endividamento e recursos para paga-
nanciamento, para após fazer uma descrição mento de dívidas.
sobre os impactos que os financiamentos geram Tal resultado, conforme descrito no Qua-
nos negócios. dro 2, destaca todas as questões e respostas das
Para tal estudo, foi utilizada a meto- empresas entrevistadas no contexto da indús-
dologia qualitativa, que, segundo Lakatos e tria, do comércio e serviço.
Marconi (2011), analisa e interpreta aspectos
profundos e fornece maiores detalhes sobre as
investigações, as atitudes, os hábitos, etc. res-
saltando que difere do método quantitativo, que
se preocupa com amplas amostras. Em tal for-
ma de pesquisa, as amostras são reduzidas, e
os instrumentos de coleta não são estruturados.
Em relação a sua tipologia, seguindo-se
Vergara (2014), a pesquisa pode ser classificada
por dois critérios básicos: quanto aos fins e quanto
aos meios. Desse modo, utilizaram-se os métodos
exploratório e descritivo, quanto aos fins, e biblio-
gráfico e estudo de caso quanto aos meios.
Como instrumento de coleta de dados,
foi utilizado questionário do tipo objetivo (sur-
vey), tendo em vista que a escolha deste depen-
de da pertinência do que o pesquisador deseja
investigar, extraindo daí as informações rele-
vantes para a pesquisa científica.
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2. Você conhece os pontos analisados para a liberação de crédito pelas instituições financeiras?
Empresas Conhecimento dos pontos Pontos analisados
Possui apoio de funcionário específico para a área
I1 Sim
financeira.
Pois precisou de financiamento para projeto e foi
I2 Sim
necessário informação.
I3 Não Não possui conhecimento.
C1 Sim Pois já precisou diversas vezes.
C2 Não Não possui conhecimento.
C3 Sim Devido experiência adquirida com necessidade.
S1 Sim Pois antes de abrir a empresa, elaborou planos de negócios.
S2 Não Não possui conhecimento.
Devido a estudo de mercado realizado periodicamente e
S3 Sim
especialização na área de administração.
3. Alguma vez o crédito foi negado pelas instituições financeiras? Comentar os motivos relevantes.
Empresas Situação do crédito Comentários
Sempre trabalhou dentro da capacidade financeira, sem histó-
I1 Não
rico de atrasos e baixo endividamento.
I2 Sim Devido a problemas com os cartões de crédito
Devido à situação financeira do momento, quando estava com
I3 Sim
alta utilização de limites.
C1 Não Pois sempre honrou pagamentos em dia.
C2 Sim Esteve com cadastro negativado.
Houve alteração do quadro societário e isto gerou recusa para
C3 Sim
a liberação.
S1 Não Pois sempre cumpriu as exigências das instituições.
S2 Sim Empresa recém-fundada.
S3 Sim Devido à alta utilização dos limites.
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112 ARTIGOS | Desafios dos microempreendedores na obtenção de financiamento: um estudo de três segmentos do mercado
6. Você percebe diferenças nas exigências entre as instituições privadas e públicas? Comentar.
Empresas Públicas / privadas Comentários
I1 Não Pois somente utiliza instituições públicas.
I2 Não Pois somente utiliza instituições públicas.
I3 Não Pois somente utiliza instituições privadas.
C1 Não Pois somente utiliza instituições privadas.
C2 Não Pois somente utiliza instituições privadas.
C3 Sim Instituições privadas têm mais agilidade na concessão.
S1 Sim Bancos públicos liberam maiores valores com melhores condições.
S2 Sim Os bancos privados têm maior agilidade.
Percebe que, nos bancos públicos, há maior burocracia e exigên-
S3 Sim
cias de documentação que bancos particulares.
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8. Como você julga as taxas praticadas pelas instituições e quais os impactos no negócio? Comente
Empresas Taxas praticadas Comentários
I1 Baixas Pois o crédito buscado é direcionado a pequenas indústrias.
Algumas linhas possuem taxa alta, o que dificulta o pagamento em
I2 Altas
dia dos compromissos.
I3 Altas Considera as taxas altas, o que dificulta o pagamento.
C1 Normais Condições negociadas dentro do esperado.
C2 Normais Taxas estavam dentro do planejado.
C3 Altas Considera que menores taxas incentivariam o crescimento.
S1 Normais A condição da taxa é essencial para honrar o pagamento.
S2 Altas Considera que reduz o retorno dos investimentos.
Considera que bancos públicos têm melhores taxas, porém sem
S3 Normais
grandes diferenças.
9. Como você julga os prazos praticados pelas instituições e quais os impactos no negócio? Comente.
Empresas Prazos praticados Comentários
I1 Adequados Prazo de acordo com o solicitado.
I2 Adequados Prazos sempre atenderam à necessidade.
Considera que prazos poderiam ser maiores para melhor condição
I3 Baixos
de pagamento.
C1 Adequados Prazos negociados dentro do esperado.
C2 Baixos Maiores prazos facilitariam o pagamento.
C3 Baixos Considera que facilitaria o pagamento prazos maiores.
S1 Longos Obteve financiamento de longo prazo, o que ajudou em honrar o compromisso.
S2 Baixos Prazos maiores facilitariam o pagamento.
S3 Adequados Bancos privados têm prazos mais curtos do que os bancos públicos.
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114 ARTIGOS | Desafios dos microempreendedores na obtenção de financiamento: um estudo de três segmentos do mercado
11. Qual o grau de dificuldade em sobreviver sem a utilização de recursos de terceiros? Comente.
Empresas Grau de dificuldade Comentários
Empresa possui programação financeira e capital de giro para
I1 Normal
sobrevivência.
I2 Alto Pois a empresa sempre precisa de investimentos.
I3 Alto Sem recursos o funcionamento da empresa fica comprometido.
C1 Alto Recursos de terceiros auxiliam a sobrevivência da empresa.
C2 Normal Recursos facilitam o funcionamento, porém não são determinantes.
Pois, apesar de não gerar crescimento, o funcionamento da empre-
C3 Alto
sa e a concessão de prazos a clientes dependem desses recursos.
Pois são essenciais para a aquisição de máquinas e equipa-
S1 Alto
mentos, assim como pagamentos do dia a dia.
S2 Alto Incentivos na concessão de créditos reduziriam o risco do negócio.
S3 Alto Crescimento seria bem menor com chances de perder mercado.
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AUTORES | Lúcio Eugênio Cerqueira Lopes | Lise Alcântara Castelo 117
VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e rela- DEGEN, Ronald Jean. O empreendedor: em-
tórios de pesquisas em administração. 15. ed. preender como opção de carreira. São Paulo:
São Paulo: Atlas, 2014. Pearson Prentice Hall, 2009.
VIEIRA, Milena Rosy Silveira. Controlado- GIL, Antônio Carlos. Estudo de caso: funda-
ria em instituições financeiras: um estudo mentação científica – subsídios para coleta e
de caso do Banco do Nordeste do Brasil S/A. análise de dados – como redigir o relatório. São
2009. 71 f. Monografia (Graduação em Ciên- Paulo: Atlas, 2009.
cias Contábeis) - Faculdade Lourenço Filho,
Fortaleza, 2009. LEITE, Francisco Tarcísio. Metodologia cien-
tífica: métodos e técnicas de pesquisa, mono-
ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 102-118, jul./dez. 2015
118 ARTIGOS | Desafios dos microempreendedores na obtenção de financiamento: um estudo de três segmentos do mercado
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AUTORES | Larisse Oliveira Costa 119
doi:10.12662/2359-618xregea.v4i2.p119-128.2015
ARTIGOS
RESUMO
1 INTRODUÇÃO
ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 119-128, jul./dez. 2015
120 ARTIGOS | O papel do transporte na logística de distribuição: um estudo de caso sobre uma empresa de torrefação e moagem em Eusébio – Ceará
transporte rodoviário é mais do que o dobro do anos, o cliente tem ficado cada vez mais exigente,
hidroviário e 66% maior do que o ferroviário. querendo não somente um preço baixo, mas tam-
De acordo com Gallo et al. (2010), estão sendo bém um produto com uma boa qualidade.
realizados investimentos públicos em rodovias, Segundo Figueiredo (2004), para um de-
e esses investimentos estão aumentando a cada sempenho adequado da função logística, são
ano, porém ainda são insuficientes diante das necessários elevados investimentos e habilida-
necessidades do mercado. des específicas que podem ser mais bem desen-
Os consumidores estão ficando cada vez volvidas por agentes especializados. Cerca de
mais exigentes, querendo produtos com mais 60% dos custos de uma organização são efeti-
qualidade e desejando que sempre estejam nas vados pelo setor da logística, no qual é empre-
prateleiras dos supermercados quando forem gada a parte de transporte, a distribuição física
procurados. Para isso, as empresas precisam se e a manutenção dos veículos.
programar para as altas demandas. Isso impli- A partir das definições citadas acima,
ca não só a credibilidade da empresa para com pode-se dizer que a Logística é um setor que
o cliente, mas também a forma de como esse gerencia as atividades desde a compra da maté-
produto chega até o consumidor final. Por isso ria-prima, produção, até a distribuição física do
o setor de distribuição está relacionado dire- produto, fazendo todo o planejamento, a imple-
tamente ao setor de marketing e ao serviço ao mentação e a coordenação de todo o fluxo do
cliente, pois a principal vantagem de mercado produto acabado, visando a um menor custo no
para uma empresa é ter pontualidade nos servi- preço do produto final e no menor tempo possí-
ços de entregas. Diante destes fatores, este ar- vel atendendo, assim, a expectativa do cliente.
tigo pretende fazer um estudo de caso em uma
empresa do ramo de indústria de café e veri- 2.2 A EVOLUÇÃO DA LOGÍSTICA ATÉ
ficar seus principais fatores que constituem o A SUPPLY CHAIN MANAGEMENT
custo logístico.
Quando se fala em logística, vem à tona o
2 REFERENCIAL TEÓRICO novo modelo de gerenciamento que vem sendo
utilizado pelas empresas o Supply Chain Ma-
Nesta seção será abordado o embasa- nagement. Para Figueiredo e Arkader (2007),
mento teórico que irá compor o presente artigo. essa nova abordagem leva em consideração o
Inicialmente com a logística, seu conceito e sua conceito da logística integrada, o qual integra
evolução até chegar na supply chain manage- todos os setores da organização, que está evo-
ment, a importância e o impacto dos custos lo- luindo rapidamente devido à globalização e os
gísticos e para finalizar, a distribuição. grandes avanços da tecnologia. Com o grande
crescimento do mercado, os clientes estão fi-
2.1 LOGÍSTICA cando cada vez mais exigentes procurando por
melhor desempenho de serviços e com o menor
De acordo com Christopher (2011), a custo acessível. Devido à grande existência de
logística é o processo de gestão estratégica da empresas competindo em um mesmo mercado,
aquisição, movimentação e armazenagem de o gerenciamento da cadeia de suprimento vem
materiais, peças e estoques finais por meio da ganhando cada vez mais relevância nos grandes
organização e seus canais de comercialização. negócios e dando uma vantagem competitiva
A logística tem como objetivo principal acirrada diante de outras empresas.
disponibilizar produtos ou serviços oferecidos Para Ching (2010), as empresas dei-
por diversas empresas, em tempo hábil e com o xaram para trás o foco de redução de perdas:
menor custo possível, agregando, assim, um valor diminuição das transações, redução do nível
esperado no preço do produto final. Nos últimos de inventário e menor custo. Elas vão utilizar
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AUTORES | Larisse Oliveira Costa 121
a integração da cadeia logística para gerar me- ser afetado, pois a empresa precisa tirar desses
lhores resultados. O foco agora é agregar valor produtos o seu lucro final. Esses custos podem
ao cliente, melhorar a qualidade dos serviços, estar presentes na mão de obra, nos desperdí-
das funções que atendam às necessidades dos cios de tempo e de insumos importantes para
clientes e principalmente atender rapidamente o melhor funcionamento do processo, nos pro-
o cliente desde a solicitação do pedido até a en- blemas com equipamentos e na energia gasta
trega do produto. com o processo de produção.
Essa nova abordagem do SCM visa in- De acordo com Fleury, Wanke e Figuei-
tegrar todos os processos da cadeia desde a redo (2013), o controle gerencial dos custos
escolha do fornecedor, do processo de produ- logísticos pode favorecer o aumento da efici-
ção até a chegada dos produtos ao cliente final. ência nos processos internos e externos à or-
Esse novo sistema de gerenciamento está cada ganização. Muitas empresas se deparam com
vez mais focado na qualidade do atendimento problemas no custo logístico; muitas delas não
dos clientes. Hoje as maiorias das empresas es- têm noção dos gastos relacionados à logística e
tão trabalhando com o processo de pós-venda, acabam não conseguindo atender à alta deman-
para saber se o produto conseguiu atender às da do mercado, afetando diretamente na satis-
necessidades do cliente, qual a opinião sobre fação do cliente e na participação de mercado.
o atendimento, se ele indicaria o determinado Hoje os clientes estão exigindo cada vez mais
produto e quais as sugestões que ele daria para das empresas serviços de alta qualidade e com
melhorar o produto, caso seja necessário. preço baixo.
De acordo com Livato e Souza (2010), a
2.3 CUSTOS LOGÍSTICOS necessidade de apurar os custos logísticos tem exi-
gido das empresas um esforço no sentido de desen-
Devido ao grande crescimento do merca- volver ferramentas que possam auxiliar a geração
do e ao aumento da concorrência, hoje a maio- de informações para a tomada de decisões.
ria das empresas trabalha para reduzir seus cus- Hoje as maiorias das empresas buscam,
tos e, principalmente, os custos relacionados à para sua eficiência, melhores programas que te-
logística. Mas essa é uma das principais bar- nham informações fidedignas para que se con-
reiras enfrentadas pelas organizações, pois, ao siga uma tomada de decisão mais cuidadosa e
mesmo tempo em que as empresas querem re- que as informações sejam confiantes. Para isso,
duzir seus custos, elas também querem oferecer são feitos investimentos em grandes projetos de
aos seus clientes níveis melhores de serviços. tecnologia da informação.
De acordo com Ching (2010), os custos Contudo, os autores Fleury, Wanke e Fi-
logísticos de uma empresa são resultantes das gueiredo (2013) afirmam que o principal desa-
operações de suprimentos, conversão física e fio da logística moderna é conseguir gerenciar a
distribuição. Tais operações ajudam a empresa relação entre custo e nível de serviço.
a agregar valor de produto para seus clientes e, Hoje, diante do crescimento de merca-
deixando-a, assim, com um diferencial de mer- do e de muitas exigências, o preço passa a ser
cado. Ainda para o autor, os custos logísticos um fator qualificador, e o nível de serviço, um
representam apenas os custos de armazenagem, diferenciador. Os clientes não buscam apenas
manuseio e movimentação de materiais além os preços baixos, mas querem, também, jun-
de custos com o transporte. tamente com esse preço baixo, uma qualidade
Conforme o autor acima, os custos estão dos produtos e serviços oferecidos pelas empre-
presentes em todos os processos da logística, sas. O principal foco das empresas é atender à
desde a compra da matéria prima até a entre- demanda do mercado e oferecer a seus clientes
ga do produto final. E dependendo da elevação produtos com maior qualidade e durabilidade.
desses custos, o valor do produto final pode Devido ao grande crescimento do mer-
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122 ARTIGOS | O papel do transporte na logística de distribuição: um estudo de caso sobre uma empresa de torrefação e moagem em Eusébio – Ceará
cado, atualmente, os clientes exigem um nível rias estratégias na rede logística, tornando ne-
de serviço adequado e com um preço acessível cessária a geração de soluções que possibilitem
no mercado. A qualidade dos produtos passou a flexibilidade e velocidade na resposta ao cliente,
ser, também, um fator de estrema importância ao menor custo possível, gerando, assim, maior
para o consumidor. E todos esses fatores devem competitividade para a empresa”. De acordo
estar interligados em uma só empresa, que é o com o mesmo autor, o impacto do transporte no
principal desafio enfrentado pelas empresas. serviço ao cliente é um dos mais significativos, e
as principais exigências do mercado geralmente
2.4 DISTRIBUIÇÃO FÍSICA estão ligadas à pontualidade do serviço (além do
próprio tempo de viagem).
Hoje os clientes querem que um produto O setor de transporte não está livre dos
tenha com uma boa qualidade, que a entrega obstáculos e, por isso, é considerado o setor que
seja feita no tempo acordado e que o custo be- mais gera custos logísticos dentro da organiza-
nefício seja acessível ao público. O principal ção. Nos grandes portos, o principal problema é
objetivo da distribuição física é fazer que os a falta de expansão, devido às necessidades am-
produtos cheguem até o cliente final, de acordo bientais e à falta de equipamentos necessários
com o prazo estimado pelo consumidor, nas me- que acabam afetando sua produtividade, e a fal-
lhores condições de entrega e também no me- ta de investimento dos setores públicos, o que
lhor desempenho do serviço. Já Ching (2010) acaba afetando diretamente a funcionalidade
coloca que a logística de distribuição trata das do transporte. Altos investimentos são realiza-
relações da empresa-cliente-consumidor, sendo dos na frota para que a empresa consiga atender
responsável pela distribuição física do produto às demandas do mercado, mesmo com tantos
acabado até os pontos de venda ao consumidor obstáculos, assim fidelizando o seu cliente.
e deve assegurar que os pedidos sejam pontual- Segundo Bowersox et al. (2014), o autor
mente entregues, precisos e completos. afirma que as principais dificuldades são o au-
Hoje o enfoque principal da logística é mento do custo de reposição de equipamentos,
voltado para o cliente e também para atender a manutenção, a segurança, a falta de motoris-
às necessidades desse cliente. E a responsabi- tas, a regulamentação de horário de trabalho
lidade da função de distribuição física é fazer dos caminhoneiros, os salários dos trabalhado-
que os produtos cheguem até o consumidor res dos terminais e o custo de combustível. O
prezando pela qualidade do atendimento. Para transporte representa a maior despesa logística
se ter uma boa vantagem competitiva, as orga- conforme o autor Bowersox et al. (2014), os
nizações devem optar pelo melhor canal de dis- gestores de transportes comprometem ou ge-
tribuição visando não só à rápida entrega, mas renciam mais de 60% das despesas logísticas
também ao menor custo para fazer que esse totais de uma empresa típica. São também res-
produto chegue até ao mercado. ponsáveis pela movimentação de estoque por
meio da cadeia de suprimentos de uma empresa
e para clientes.
2.5 TRANSPORTE
Com grande o avanço e o rápido cres-
cimento dessas tecnologias, as empresas hoje,
O transporte é o principal responsável
para ter uma logística eficiente, são obrigadas a
por toda atividade econômica e também pelo
utilizar-se das tecnologias, pois, com elas, ob-
fluxo de movimentação de materiais desde o
tém-se um planejamento mais confiável além
fornecedor até o consumidor final. Por isso, é
de um controle maior sobre os processos in-
responsável pela grande parcela dos custos lo-
ternos, pois, através dos softwares, é possível
gísticos dentro da maioria das empresas.
controlar todo o processo, desde a roteirização
Segundo Nazário (2010, p. 127), “o trans-
até a entrega no cliente final, como também a
porte passa a ter um papel fundamental em vá-
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AUTORES | Larisse Oliveira Costa 123
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124 ARTIGOS | O papel do transporte na logística de distribuição: um estudo de caso sobre uma empresa de torrefação e moagem em Eusébio – Ceará
Hoje, as unidades conseguem fazer cerca manutenção preventiva, que, se bem acompa-
de 51.000 (cinquenta e uma mil) entregas duran- nhada, evita que o veículo quebre no meio da
te todo o mês; são cerca de 12.750 (doze mil se- entrega, fazendo que ele fique parado por mais
tecentos e cinquenta) entregas por semana. Des- tempo, que se reduza a frota e que outros carros
sas 51 mil entregas, quase 26% (vinte e seis por façam um percurso maior para cobrir a falta do
cento) são feitas por terceiros, o que representa veículo quebrado.
cerca de 13.260 (treze mil duzentos e sessenta) Outro fator que eleva o custo logístico
entregas, e 74% delas são feitas pela frota pró- são as locações. Atualmente, a empresa 3co-
pria, que representa cerca de 37.740 (trinta e sete rações trabalha com carros locados contratu-
mil setecentos e quarenta) entregas. ais pelo período de 24 meses, e esses veículos
Na segunda questão da pesquisa, pergun- geram um custo para a empresa. O fator que
ta-se aos colaboradores se concordam com a também compromete os custos da empresa são
afirmativa de que a maior parcela dos custos lo- as taxas de licenciamento e seguro obrigatório,
gísticos está relacionada com o transporte. De que são realizados em todo inicio de ano, o que
acordo com os participantes, todos concordam representa cerca de 20 mil reais por ano, englo-
com essa afirmativa, pois, para que o processo bando os caminhões de distribuição, os veícu-
logístico funcione adequadamente, são neces- los da diretoria e alguns automóveis próprios.
sários investimentos em equipamentos, mão de Segundo os colaboradores, os fretes não
obra, combustível e um nível de serviço ade- acabam afetando muito os custos da empre-
quado, pois, devido ao crescimento do merca- sa, por serem usados esporadicamente, assim
do, os clientes estão cada vez mais exigentes. como os pedágios. Já alguns colaboradores
Na terceira questão, indagou-se a por- abordaram outros fatores que afetam o custo,
centagem do custo da empresa que estaria vol- como o pessoal, pois a qualificação do profis-
tada para o setor de transporte. Os colabora- sional é necessária, e o mercado não oferece
dores afirmaram que cerca de 20% a 30% dos pessoas totalmente qualificadas, fazendo a em-
custos da logística estão voltados para o setor presa optar por qualificar esses profissionais,
de transporte e que o custo da logística no geral oferecendo cursos e treinamentos na área; e a
está em torno de 70% do custo da empresa. gestão de pneus, considerando que os pneus
Já na questão quatro, foi solicitado que para caminhões são mais caros, e a má gestão
os participantes da pesquisa enumerassem em desses pneus acaba resultando em um custo
grau de importância os principais fatores que elevado para o setor e um acúmulo de estoque
elevam os custos logísticos. Observa-se que, de pneus de péssima qualidade.
na opinião dos colaboradores, o principal fator Na quinta questão, abordou-se acerca
que mais eleva o custo logístico é o combus- do canal de distribuição utilizado pela empre-
tível, e este fator depende muito do mercado. sa com o intuito de saber se ele atende pron-
Em segundo lugar, ficou a manutenção corre- tamente a demanda do mercado em um tempo
tiva, pois acaba saindo muito mais caro trocar adequado para o cliente e com custo acessível
a peça danificada do que consertar para preve- para a empresa.
nir a quebra. Em terceiro lugar, a renovação da Hoje a empresa optou por trabalhar com
frota ganhou destaque, pois renovar uma frota o modal de distribuição, sendo ele o rodoviário
de caminhões pode custar muito caro; já que a e com uma frota parcialmente própria, apesar
empresa optou por ter uma frota própria, esses de haver custos mais elevados, é o que con-
valores acabam elevando os custos. Em quar- segue atender à demanda do mercado atual. E
to lugar, a terceirização também é considerada na visão dos colaboradores, se a frota for bem
um fator que gera custos logísticos altos, pois, administrada, representará um fator que pode
hoje, os clientes exigem um nível de serviço reduzir os custos logísticos.
bom e de qualidade. Em quinto lugar, ficou a Aproximadamente, 86% dos participantes
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responderam que sim, que o canal de distribuição de serviço prestado, a disponibilização da frota, o
atende adequadamente a seus clientes e com cus- acompanhamento das manutenções. Todos esses
to acessível, e apenas um participante respondeu fatores contribuem diretamente para uma melhor
que não, que a empresa não consegue atender à operação logística dentro da organização
demanda do mercado apenas com a frota própria, Na nona questão, foi perguntado aos co-
precisando sempre terceirizar o serviço. laboradores se a distribuição física dos produ-
Na sexta questão da pesquisa, foi per- tos contribui para um melhor atendimento ao
guntando se são necessários investimentos em cliente. Hoje o foco das organizações é o clien-
tecnologia para melhorar o desempenho da te. De acordo com as respostas dos colaborado-
função de logística. Segundo as respostas dos res, eles concordam que uma boa distribuição
colaboradores, eles afirmaram que sim, são ne- garante uma participação no mercado, pois se
cessários investimentos em tecnologias para os produtos não estiverem no local certo e na
melhorar o fluxo do processo. Eles acreditam hora acordada, a empresa pode acabar perden-
que, havendo uma tecnologia associada à lo- do a confiabilidade do cliente e por sua toda a
gística, possibilita atender, de forma mais ade- sua clientela. A distribuição física dos produtos
quada e ágil, o mercado e com excelência nos é apenas a formalização da compra. Se o cliente
serviços; já outros dois colaboradores disse- comprou um produto, a obrigação da empresa
ram que não são necessários investimentos em é de entregar o pedido conforme foi solicitado
tecnologia e, sim, em pessoas. Eles acreditam pelo cliente.
que, investindo em pessoas em termos motiva- Na décima e última questão, foi pergun-
cionais, incentivos e premiações, as operações tado aos participantes os tipos de tecnologias
logísticas passariam a ser melhores. que são utilizados pela empresa para melhorar
Dando continuidade ao questionário, na a gestão de logística. Segundo as respostas dos
pergunta de número sete, foi questionado se os colaboradores, eles afirmaram que utilizam tec-
participantes concordam com uma roteirização nologias que os assessoram para que a função
adequada das entregas; é possível evitar des- da logística seja cumprida da melhor forma
perdícios e diminuir os custos logísticos. De possível e que possam passar informações fide-
acordo com os participantes, eles concordam dignas para um controle maior. Hoje a empresa
que, com uma roteirização adequada das entre- utiliza os sistemas de monitoramento via saté-
gas, é possível reduzir os gastos com combus- lite, que acompanha em tempo real o tempo de
tível, permitindo maior controle sobre a rota e cada entrega, sistema de gerenciamento de frota
redução da quilometragem rodada. conhecido como guberman, em que são inseri-
Na oitava pergunta, indaga-se se existem das as informações dos veículos como chassis,
algumas atividades chave para atingir os objeti- renavan, controle de manutenção preventiva e
vos logísticos de custo e nível de serviços. Diante corretiva. O sistema WMS, que controla a ca-
da posição dos colaboradores, existem, sim, ati- pacidade dos armazéns R/3 é uma ferramenta
vidades que se podem chamar de atividades cha- do sistema SAP, que permite que a empresa te-
ve; uma delas é a criação e o acompanhamento nha um melhor planejamento e controle do ne-
de indicadores, que, por meio deles, a equipe de gócio. Sistema de geocodificação de clientes,
logística terá maior controle sobre os principais sistema de acompanhamento e gerenciamento
gargalos que acontecem na operação. Outra ativi- de desempenho de combustível da frota.
dade chave considerada pelos funcionários é que Diante das questões apresentadas e espe-
o planejamento é necessário para evitar problemas cificadas acima, percebe-se que a logística deve
futuros e desenvolver respostas mais rápidas para ser considerada um setor de suma importância
os problemas que aparecerem durante a operação. dentro da organização. Quando bem gerenciada,
Uma boa roteirização também pode contribuir para ela reduz os custos e garante sua eficiência. A
melhorar, não só os custos, mas também o nível utilização de ferramentas pode, sim, contribuir
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126 ARTIGOS | O papel do transporte na logística de distribuição: um estudo de caso sobre uma empresa de torrefação e moagem em Eusébio – Ceará
para melhorar sua função, e juntamente com es- que podem acabar atrapalhando o fluxo de infor-
sas ferramentas, ter uma boa distribuição física, mações, gerando um caos e desperdícios de tem-
tendo uma roteirização adequada das entregas e po. Pessoas também foram consideradas, pois a
um bom atendimento. Eles juntos garantem que falta de qualificação da mão de obra pode acabar
o cliente se sinta satisfeito com atendimento. criando erros operacionais e elevando os custos
da empresa.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Tais fatores listados acima são apenas os
principais problemas enfrentados pela logística e
No presente estudo de caso, foi realizada a corrida contra a redução de custos do setor de
a pesquisa nos setores de transporte, distribuição transporte. Esses efeitos operacionais mostram
e logística de fretes. Diante das perguntas elabo- apenas o quanto a empresa fica vulnerável aos
radas, as respostas obtidas foram satisfatórias. E gargalos que aparecem, pois o que acaba acon-
os principais problemas identificados no decor- tecendo é que os colaboradores têm que “apagar
rer da pesquisa deste trabalho é que os principais o fogo” e não prevenir o incêndio. Muitas vezes,
fatores que os colaboradores apontaram como pela falta de gerenciamento dos indicadores, a
maiores responsáveis pela elevação do custo lo- empresa acaba arcando com os custos operacio-
gístico são: Combustível: por ser um fator que nais que poderiam ter sido evitados.
não depende da empresa e, sim, do mercado, o Atualmente, a empresa utiliza várias ferra-
combustível acaba sendo um dos maiores pro- mentas de tecnologia da informação para conse-
blemas em relação ao custo logístico de trans- guir prevenir alguns erros operacionais, entre eles
porte; Manutenção corretiva: hoje a empresa estão: sistemas de roteirização das entregas, o que
gasta mais com uma manutenção corretiva. O contribui bastante para a redução de tempo na rota,
principal problema dessas manutenções correti- redução de quilômetros rodados que por sua vez
vas é que a preventiva não é acompanhada para reduz o gasto de combustível. A empresa possui in-
evitar problemas maiores; Renovação da frota: dicadores em que um profissional se dedica ao ge-
apesar de a empresa realizar essa renovação da renciamento do combustível. Ele utiliza um siste-
frota a cada 3 anos, é gerado um custo eleva- ma de uma empresa terceirizada, que gerencia todo
do durante o ano de renovação, pois o preço de o combustível do grupo, por meio do qual esse co-
mercado também é elevado; Terceirização: hoje laborador consegue parametrizar o valor máximo
cerca de 26% das entregas realizadas pela em- em reais, permitindo, assim, que ele acompanhe as
presa são feitas por terceiros. Devido a grande médias de valores que estão sendo oferecidos pelo
demanda, é imprescindível não utilizar a tercei- mercado. Tendo essas informações, o colaborador
rização dos serviços; Manutenção preventiva: consegue negociar tendo o poder de barganha em
um preço não muito elevado, mas em conside- relação ao preço do combustível, tornando-se as-
ração da quantidade de veículo que a empresa sim um cliente fidelizado do posto. Com isso, tor-
possui, acaba deixando um valor abusivo; Loca- na-se cada vez mais clara a necessidade de geren-
ção: a empresa trabalha com locação de veículos ciar o custo logístico com o transporte, garantindo
contratuais de 24 meses, o que acaba elevando sua redução e o aproveitamento para investimento
os custos, mensalmente; Fretes extras: sempre em outros projetos da empresa. Em relação aos
que necessário são solicitados fretes extras, para objetivos estipulados neste trabalho e a sua confir-
cobrir algum problema ocorrido com os cami- mação, tende-se às seguintes colocações nos pará-
nhões da empresa, quando não se tem transpor- grafos a seguir.
te disponível para a rota, além da terceirização O transporte, se bem gerenciado, ele pode
também são solicitados fretes extras; Outros: os oferecer a empresa uma redução dos custos com
colaboradores citaram que, além dos fatores ci- a frota, garantir que as entregas sejam realiza-
tados acima, outros problemas também podem das da melhor forma possível e assim dando a
ser considerados, como gargalos operacionais, empresa margem para novos investimentos na
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AUTORES | Larisse Oliveira Costa 127
área, melhorando sua qualidade dos produtos e CHING, Hong Yuh. Gestão de estoques na ca-
investimentos em melhorias estratégicas para es- deia de logística integrada: supply chain. 4.
tar sempre à frente da concorrência. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
Diante da pesquisa, foi sugerido para a
empresa que fosse realizada um acompanha- CHRISTOPHER, Martin. Logística e geren-
mento mais rigoroso nos indicadores, como: ciamento da cadeia de suprimentos. São Pau-
combustível, dispersão entre uma entrega e ou- lo: Cengage Learning, 2011.
tra e tempo de rota, roteirização mais adequada
das entregas, pois, assim, o setor de transporte FIGUEIREDO, Kleber. A logística e a fideli-
conseguirá ter um controle maior dos custos e zação de clientes. Rio de Janeiro: UFRJ, 2004.
poderá reduzi-los. Disponível em: <[Link]
br>. Acesso em: 27 jul. 2015.
THE ROLE OF TRANSPORTATION
FIGUEIREDO, K.; ARKADER, R. Da dis-
IN DISTRIBUTION LOGISTICS: A tribuição física ao supply chain manage-
CASE STUDY OF A ROASTING AND ment: o pensamento, o ensino e as neces-
GRINDING COMPANY IN EUSEBIO sidades de capacitação em logística. 2007.
– CEARÁ Disponível em: < [Link]
br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=we-
This article aims to analyze the role of transport b&cd=2&ved=0ahUKEwiuktfTxeDKAh-
in distribution logistics and costs related to the VKGJAKHYPTA0AQFgguMAE&url=ht-
logistics industry, mainly focusing on the role of tp%3A%2F%[Link].
transport in relation to these costs. For this rese- br%2Fdownload1%2FAdm09%2F98_Ago_
arch, a literature review was carried out covering Kleber%2520e%2520Rebecca_Da%2520Dis-
the logistics, the supply chain management as tribuicao%2520Fisica%2520ao%2520Su-
well as the physical distribution and transporta- pply%2520Chain%2520Management.
tion operations. through a case study in a roasting pdf&usg=AFQjCNF820ggeXgJjO22Q4h3Mx49EYN-
and grinding coffee company, the result of the rIw&sig2=ELJ2GZqdA7RbOJ2kDSSePA&ca-
survey confirmed that the transport sector has a d=rja>. Acesso em: 27 jun. 2015.
relative share for the logistics industry. From the
case study, it was suggested to the company that FLEURY, Paulo Fernando; WANKE, Peter;
was made more rigorous management with grea- FIGUEIREDO, Kleber Fossati. Logística em-
ter attention to logistics indicators and that, if well presarial: a perspectiva brasileira. São Paulo:
managed, could be factors with the potential to Atlas, 2013.
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em: <[Link] Acesso
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128 ARTIGOS | O papel do transporte na logística de distribuição: um estudo de caso sobre uma empresa de torrefação e moagem em Eusébio – Ceará
R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 119-128, jul./dez. 2015 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTORES | Lucas Renan Monteiro de Oliveira | Ellen Campos Sousa | Marcos Antonio Chaves Ricarte 129
doi:10.12662/2359-618xregea.v4i2.p129-135.2015
ARTIGOS
RESUMO
1 INTRODUÇÃO
Lucas Renan Monteiro de Oliveira A Educação a Distância (EaD) tem-se apresentado como
lucas-renan-monteiro@
uma alternativa para as pessoas que buscam maior qualificação e
[Link]
Bacharel em Administração pelo conhecimento.
Centro Universitário Christus - No entanto, um dos fatores fundamentais para o sucesso
Fortaleza - CE - BR desse tipo de educação consiste na motivação do aprendiz.
Mais que no sistema tradicional, o aprendiz da EaD deve es-
Ellen Campos Sousa
ellensousa@[Link]
tar constantemente motivado, pois estudos mostram que este é um
Doutoranda em Administração fator fundamental que sustenta a permanência dos alunos nos cursos
pela Universidade de desta natureza. Nesse sentido, a presente pesquisa traz uma proposta
Fortaleza. Professora do sobre o tema, ao abordar os aspectos motivacionais que levam os
Centro Universitário Christus -
alunos a buscarem e permanecerem nesta modalidade de ensino.
Fortaleza - CE - BR
Diante do exposto, a questão desta pesquisa é a seguinte:
Marcos Antonio Chaves Ricarte “Que tipo de fatores motivacionais predominam nos alunos de um
macricarte@[Link] curso de graduação a distância de uma instituição pública locali-
Mestre em Administração zada no Estado do Ceará?”.
de Empresas. Professor
e coordenador do Centro
Por esse motivo, o objetivo desta pesquisa consiste em
Universitário Christus - identificar, entre os fatores intrínsecos e extrínsecos, aquele que
Fortaleza - CE - BR predomina junto aos alunos da referida instituição.
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130 ARTIGOS | O estudo da motivação dos discentes em um curso de graduação a distância, à luz da escala de motivação acadêmica
R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 129-135, jul./dez. 2015 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTORES | Lucas Renan Monteiro de Oliveira | Ellen Campos Sousa | Marcos Antonio Chaves Ricarte 131
2000), tem como objetivo avaliar como a moti- rio se deve ao fato de ela buscar um primeiro
vação acadêmica de um indivíduo é intrinseca contato com o tema, não tendo como objetivo
ou extrinsecamente influenciada. um aprofundamento. Já a utilização da pesquisa
Fairchild et al. (2015) enfatizam que bibliográfica se justifica em função de se bus-
a EMA é eficaz para a avaliação de variáreis car uma fundamentação teórica, uma espécie
motivacionais e que o instrumento já possui um de instrumento a ser aplicado na etapa empíri-
grande histórico de artigos que comprovaram a ca de campo. A opção pela pesquisa descritiva
sua utilidade. se deve ao fato de se buscar somente descrever
Segundo Almeida (2012), a EMA avalia o fenômeno, não buscando compreender suas
as variáveis extrínsecas e intrínsecas, portanto, causas ou fatores. Por fim, o caráter quantitativo
para um melhor entendimento sobre esta es- se deve à própria característica do instrumento
cala, é necessário um aprofundamento sobre de pesquisa, que privilegia a análise a partir de
essas duas variáveis. tabulação numérica (FLICK, 2013; VERGARA,
Martinelli e Bartholomeu (2007) expli- 2013; MARCONI; LAKATOS, 2009; SILVA;
cam que as variáveis extrínsecas se apresentam MENEZES, 2005).
como uma resposta a algo externo à tarefa ou A abordagem junto aos alunos foi feita
à atividade, como para a obtenção de recom- através de e-mails, enviados a partir do cadas-
pensas materiais ou sociais, de reconhecimen- tro disponibilizado pela instituição. De um total
to, objetivando atender aos comandos ou às de 436 alunos, obteve-se a resposta de 268.
pressões de outras pessoas ou para demonstrar O instrumento de pesquisa utilizado foi o
competências e habilidades. EMA, que não sofreu nenhuma alteração. Com-
Na outra vertente, existem as variáveis plementarmente ao EMA, buscou-se obter res-
intrínsecas, que podem ser definidas por Deci e postas quanto ao perfil do respondente e o grau
Ryan (2000) apud Almeida (2012, p. 67) como de motivação do aluno para concluir o curso.
sendo uma “tendência comportamental natural Sobre o instrumento em especial, ele
para buscar novidades, desafios, desenvolver e possui 28 afirmações e é subdividido em sete
praticar habilidades e potenciais”. grupos. Os três primeiros congregam afirma-
Complementando, Martinelli e Bartho- ções que medem a motivação intrínseca. Outros
lomeu (2007, p. 21) afirmam que a “motivação três medem a motivação extrínseca. Por fim, o
intrínseca se refere à execução de atividades no último mede isoladamente a desmotivação ou a
qual o prazer é inerente à mesma”. Podemos ausência de motivação.
concluir, portanto, que alunos motivados intrin- Nos grupos que abrangem as motivações
secamente tendem a ter uma maior espontanei- intrínsecas, tem-se:
dade e autossuficiência perante as dificuldades a) motivação intrínseca para saber, que
apresentadas (ALMEIDA, 2008). significa o fato de o indivíduo fazer algo
pelo prazer e satisfação, que decorrem
5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGI- do aprender, explorar e entender;
COS b) motivação intrínseca para realizar as
coisas, que significa o indivíduo fa-
O ambiente desta pesquisa foi a Univer- zer algo pelo prazer e satisfação, que
sidade Estadual do Ceara (UECE), e o universo decorrem da busca de realização ou
consistiu nos 436 alunos matriculados no Curso de criação de coisas, e a;
Administração Pública, na modalidade a distância, c) motivação intrínseca para vivenciar
abrangendo todos os semestres existentes. estímulos, que significa fazer algo a
A presente pesquisa pode ser considerada fim de experimentar sensações esti-
de caráter exploratória, bibliográfica e de campo, mulantes, de natureza sensorial ou
descritiva e quantitativa. O caráter explorató- estética.
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132 ARTIGOS | O estudo da motivação dos discentes em um curso de graduação a distância, à luz da escala de motivação acadêmica
Nos grupos que abrangem as motivações dos 268 alunos, 126 (47%) são mulheres e 119
extrínsecas, tem-se: (44%) são homens, e curiosamente, 23 (9%)
a) regulação por identificação, que pessoas não responderam a esta questão. Com
significa aquilo que o indivíduo faz relação ao estado civil, 119 (44%) alunos são
porque decidiu fazê-lo; solteiros; 126 (47%) são casados e 4 (2%) viú-
b) regulação por introjeção, que significa vos. Em relação à faixa etária, a média geral foi
que o indivíduo faz algo porque se de 31 anos, com desvio padrão de 9.
sente pressionado a fazê-lo, e a; Com relação à renda familiar, 72 (27%)
c) regulação externa, que é quando o in- responderam possuir até um salário mínimo (R$
divíduo faz algo porque se sente pres- 724,00) de renda; 104 (39%) possuem renda de
sionado por outras pessoas a fazê-lo. R$ 725,00 até R$ 2.172,00; 58 (21%) dos alu-
Por fim, o conceito de desmotivação nos disserem ter renda de R$ 2.2173,00 até R$
(amotivation) implica ausência de percepção de 4.344,00; 10 (4%) responderam que sua renda vai
contingências entre as ações e seus desfechos de R$ 4.345,00 até R$ 6.516,00; 6(2%) afirmaram
(falta de motivos intrínsecos ou extrínsecos). que sua é renda de R$ 6.517,00 até R$ 8.688,00 e
18 (7%) alunos não responderam a esta questão.
6 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO Dos 268 alunos, 88 (33%) encontram-se
DOS RESULTADOS entre o 1° e o 4° semestre, e 162 (60%) alunos
estão entre o 5° e o 8° semestre; 18 (7%) estão
Em relação ao perfil, constatou-se que em situações diferentes, fazendo apenas TCC
ou entre semestres.
Após análise dos resultados e das postas obtidas permitiram constatar que o grau
médias das variáveis extrínsecas e intrínsecas foi de 92 em uma escala que variava de 0 (zero)
e de desmotivação, constatou-se que os a 100 (cem), com desvio padrão de 16. Esse re-
níveis motivacionais intrínsecos e extrínsecos sultado reforça as altas médias obtidas na EMA
estão entre os patamares regular e alto, tendo já apresentadas anteriormente.
as varáveis de motivação extrínseca (mé- Outro dado relevante da pesquisa consis-
dia de 4.00) um resultado levemente maior tiu em compreender a percepção dessas variá-
que as variáveis intrínsecas (média de 3,82). veis em momentos diferentes do curso. Nesse
Consequentemente, os resultados relacionados sentido, o gráfico a seguir permite uma visão
à desmotivação foram baixos (média de 1,43). geral dos resultados obtidos a partir da aplica-
Quando perguntado sobre o quanto se ção da escala.
encontra motivado para realizar o curso, as res-
R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 129-135, jul./dez. 2015 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTORES | Lucas Renan Monteiro de Oliveira | Ellen Campos Sousa | Marcos Antonio Chaves Ricarte 133
ABSTRACT
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
The student motivation is a fundamental fac-
Com base nos dados e nas informações tor from quality teaching in any institution or
coletadas e apresentadas, tem-se que a pergunta modality, in the special case of distance edu-
da pesquisa foi respondida com êxito, pois os cation, this aspect revel even more important,
fatores motivacionais extrínsecos prepondera- as the student of this modality needs to have
ram, mesmo considerando que a diferença foi more freedom and control of the learning pro-
pequena em relação aos fatores intrínsecos. cess. This work is a exploratory, descriptive
Os resultados refutam o pressuposto prin- and quantitative, has as its objective to identify,
cipal e secundário, uma vez que se acreditava que using the academics motivational scale created
os fatores intrínsecos iriam preponderar e que by Deci and Ryan (1985; 2000), what kind of
não haveria alterações nesta percepção ao longo motivational factors prevail, such as intrinsics
do curso, o que não é verdade, apesar da pouca or extrinsic. The study has made with 268 bu-
variação, conforme apresentado no Gráfico 1. siness distance graduation students from Uni-
A pesquisa, apesar de esclarecedora, está versidade Estadual do Ceara and revels that the
longe de esgotar os estudos no campo da mo- extrinsic factors prevail, even if low difference
tivação acadêmica, pois, além de refletir uma between the intrinsic factor.
situação em especial, não busca analisar o pro-
blema em sua devida profundidade. Pesquisas
Keywords: Motivation. Distance educa-
futuras devem ser feitas nesse sentido, buscan-
do identificar os porquês da motivação desses tion. Student.
alunos e as influências de comportamento para
1 Artigo apresentado ao XXI CIAED – Congresso
o seu desempenho acadêmico. Internacional de Educação a Distancia, no ano de
2015, na cidade de Bento Gonçalves – Rio Grande do
Sul. Autores: Lucas Renan Monteiro de Oliveira, Ellen
Campos Sousa e Marcos Antonio Chaves Ricarte.
ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 129-135, jul./dez. 2015
134 ARTIGOS | O estudo da motivação dos discentes em um curso de graduação a distância, à luz da escala de motivação acadêmica
R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 129-135, jul./dez. 2015 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTORES | Lucas Renan Monteiro de Oliveira | Ellen Campos Sousa | Marcos Antonio Chaves Ricarte 135
ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 129-135, jul./dez. 2015
136 ARTIGOS | Análise da qualidade do curso e da prática do empreendedorismo na percepção dos alunos de graduação em administração
doi:10.12662/2359-618xregea.v4i2.p136-151.2015
ARTIGOS
RESUMO
R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 136-151, jul./dez. 2015 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTORES | Laodicéia Amorim Weersma | Vanessa Pio dos Santos | Menno Rutger Weersma | Estevão Lima de Carvalho Rocha 137
ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 136-151, jul./dez. 2015
138 ARTIGOS | Análise da qualidade do curso e da prática do empreendedorismo na percepção dos alunos de graduação em administração
cisa ter um conjunto de atitudes que colaboram Corroborando, Chiavenato (2008) define
para transformar oportunidades em realidade. o empreendedor como aquela pessoa que pos-
Cruz Junior et al. (2006) acrescentam sui sensibilidade para os negócios, esperteza
que a prática do Empreendedorismo se dava financeira e capacidade de identificar oportuni-
essencialmente pela redução de oportunidades dades, transformando ideias em realidade para
em face das dificuldades socioeconômicas para benefício próprio e para benefício dos que o
aqueles que querem ingressar e se manterem no cercam. Por ter criatividade e um alto nível de
mercado de trabalho. Atualmente, torna-se co- energia, o empreendedor demonstra imagina-
mum às pessoas transformarem ideias em algo ção e perseverança, aspectos que o habilitam a
real com o intuito de ser dono do seu próprio transformar uma ideia em algo concreto e bem
negócio e obter lucro por meio da prática do sucedido no mercado.
Empreendedorismo por oportunidade. Pode-se dizer que o empreendedor é um
Dornelas (2001) considera situações e visionário que enxerga as oportunidades, ao pas-
fatos históricos para demonstrar que o espírito so que traça estratégias para a implantação de
do Empreendedorismo está presente há tempos seu negócio. Schumpeter (1934 apud MINTZ-
nos feitos da humanidade: BERG et al., 2000, p. 101) acrescenta que:
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rida a um emprego (DOLABELA, 2008). No cesso empreendedor pode ser assimilado por
Quadro 1, são apresentadas algumas caracterís- qualquer pessoa, e o sucesso será consequência
ticas e práticas empreendedoras que preparam de fatores internos e externos ligados ao negó-
as pessoas para ser empreendedores. Como cio, ao perfil do empreendedor e de como ele
pode ser observado, empreendedores são pes- gerencia as adversidades que pode encontrar
soas que gostam de desafios e são proativos. diariamente.
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140 ARTIGOS | Análise da qualidade do curso e da prática do empreendedorismo na percepção dos alunos de graduação em administração
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educação infantil até o ensino superior devem mesmo serviço é utilizado com outro fornece-
investir na prática de ensino das habilidades dor, surge um sentimento de comparação. Esse
empreendedoras, pois elas são fundamentais sentimento serve pra julgar as experiências já
para se exercer qualquer profissão, além de aju- vividas anteriormente e, dessa forma, saber a
dar na formação de melhores empreendedores, partir de suas expectativas que serviço foi ofe-
melhores empresas e numa maior geração de recido e desenvolvido da melhor maneira e qual
riqueza para o País. tem a melhor qualidade. Todavia, o processo de
Nesse contexto, Rocha e Bacchi (2010) percepção da qualidade é um tanto complexo,
afirmam que o ensino do Empreendedorismo pois envolve aspectos subjetivos do indivíduo
é praticado por diversas Instituições de Ensino (GRÖNROOS, 2003). O autor argumenta que
Superior (IES), sobretudo nos cursos de Admi- uma boa qualidade constata quando ela é expe-
nistração em que uma das principais bases de rimentada e atende às expectativas do cliente.
referência adotadas por essas IES para a inclu- Além disso, Corrêa e Caon (2002) afirmam que
são do ensino de Empreendedorismo é o Pro- uma gestão da qualidade eficiente é responsá-
jeto de Ensino Universitário de Empreendedo- vel por gerar níveis de satisfação que garantam
rismo (PEUE), por meio do qual as instituições que os usuários fiquem fidelizados.
inserem procedimentos relacionados à cultura e A educação universitária insere-se no
ao ensino do Empreendedorismo. contexto da instituição prestadora de servi-
O ensino de Administração junto com ços educacionais. Nessa perspectiva, Neves e
o ensino de Empreendedorismo formam um Ramos (2002) advertem que para ser bem su-
composto educacional importante e capaz de cedida na oferta de serviços, uma instituição
propiciar a ampliação da capacidade inovadora, educacional deve lidar eficazmente com seus
a geração de novos negócios e, por conseguin- públicos e gerar alto nível de satisfação. Assim,
te, o crescimento econômico. Todavia, requer, a vantagem competitiva passa a depender prin-
segundo Gralik et al. (2009) a atenção das IES cipalmente da qualidade e do valor dos bens e
no estabelecimento de práticas que possibili- serviços que oferece e, para fortalecer a posição
tam que empreendedores em potenciais sejam no mercado, necessita-se entregar um serviço
auxiliados com qualidade nesses requisitos. superior às expectativas dos clientes para ga-
rantir a sua satisfação.
4 EXPECTATIVAS NA COMPRA DE Segundo Mainardes, Domingues e Des-
SERVIÇOS EDUCACIONAIS champs (2009), vários estudos avaliaram a
qualidade das IES, examinando diversos atri-
Segundo Clarke (2001) tudo que perma- butos. No final, foram encontrados 63 atributos
nece de um serviço prestado é aquilo que se diferentes para avaliar a percepção dos estu-
lembra dele de maneira como ele respondeu às dantes quanto à qualidade de uma Instituição de
expectativas. Fornecer serviços de qualidade Ensino Superior. Foram analisados os aspectos
não é mais simplesmente uma questão de op- referentes ao curso, à gestão da IES, à própria
ção. É um diferencial, que vai fazer com que IES, ao corpo docente, à equipe administrati-
o serviço ganhe destaque diante do mercado va da IES e, ainda, àqueles aspectos ligados ao
competitivo. De acordo com os autores Love- mercado de trabalho.
lock e Wright (2006), as expectativas podem Diante deste contexto, apresenta-se o
ser entendidas como padrões internos que os quadro, adaptado, que compõe os grupos e
clientes utilizam para julgar a qualidade de uma cada atributo que foi utilizado para elaboração
experiência de serviço. Essas expectativas são do questionário utilizado na parte empírica da
influenciadas, sobretudo, por suas experiências presente pesquisa.
anteriores como usuários.
Quando um serviço já é conhecido e esse
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142 ARTIGOS | Análise da qualidade do curso e da prática do empreendedorismo na percepção dos alunos de graduação em administração
Mercado de Trabalho
Controle de qualidade na IES Conteúdo aprendido para empregabilidade
Funcionários e professores da IES Diploma do curso para o mercado
Qualidade do curso na formação para o
Serviços administrativos da IES
trabalho em equipe
Qualidade do curso visando beneficiar a
Serviços em geral oferecidos pela IES
sociedade
Soluções de Problemas pela IES Qualidade do curso para o mercado de trabalho
Avaliações realizadas pelos professores Cortesia, honestidade, confiança, empatia
e segurança dos funcionários da IES
Equipe Adm.
Disciplinas oferecidas no curso
Forma de ensinar pelos professores Pessoal administrativo disponível
IES
Curso
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(2006) argumenta que o método de survey en- 6.1 PERFIL DAS INSTITUIÇÕES DE
volve um questionário estruturado aplicado em ENSINO SUPERIOR
uma amostra da população e destinado a obter
informações específicas dos entrevistados. O A composição do ambiente de pesquisa é
autor afirma que o método survey se baseia no caracterizada de amostra por acessibilidade em
interrogatório dos participantes, aos quais se fa- que alunos de três instituições privadas do ensi-
zem várias perguntas sobre seu comportamen- no superior na Região Metropolitana de Forta-
to, intenções, atitudes, percepção, motivações, leza responderam ao questionário aplicado em
características demográficas e de estilo de vida. sala de aula, esboçando, assim, a caracterização
A amostra se dá por acessibilidade e o instru- das instituições de ensino superior.
mento de pesquisa é caracterizado por um questioná- A primeira instituição, considerada aqui no es-
rio aplicado a 80 alunos do curso de Administração de tudo como Z, possui 40 anos de atuação em ensino, atu-
três instituições de ensino superior em Fortaleza. Para almente com mais de 330 mil alunos e presente em 20
coletar as informações, foi utilizado um questionário estados e no Distrito Federal, integrando universidade,
contendo três partes; a primeira foi para compor a ca- centros universitários e faculdades. A segunda institui-
racterização do aluno como: semestre; nível do cur- ção, tratada aqui como X, é instalada em um campus de
so, área profissional, idade, gênero e benefícios, este 720 mil metros quadrados, com cerca de 300 salas de
último, a exemplo do FIES e do Prouni. A segunda aula e mais de 230 laboratórios especializados; possui
parte tratou das práticas empreendedoras adquiridas a também um corpo docente composto por 1.200 profes-
partir do curso de graduação, na percepção dos alunos sores, sendo mais de 80% mestres e doutores. A terceira
de administração. E a terceira, analisou a qualidade instituição, denominada aqui como Y, tem três sedes si-
do curso de Administração referente a 34 atributos di- tuadas em Fortaleza, possui biblioteca com acervo que
vididos em 6 grupos: Administração das IES, Curso, conta com mais de 56.000 títulos, espaço cultural com
IES, Mercado de Trabalho, Equipe Administrativa da atividades artísticas e culturais desenvolvidas tanto pela
IES e Professores, também na percepção dos alunos. comunidade acadêmica quanto pelos artistas da região,
Destaca-se que, na segunda e terceira oportunidades de estágio monitorado para seus alunos
parte do instrumento de pesquisa, foi utilizada a e curso de extensão.
Escala Likert, para mensurar o grau das respos-
tas, em que variam de um extremo a outro, con- 6.2 PERFIL DOS ALUNOS RESPON-
siderando 1- Extremamente Fraco; 2- Fraco; 3-
DENTES
Moderado; 4- Forte e 5- Extremamente Forte.
A realização dessa parte empírica da pesquisa
deu-se entre os meses de maio e junho de 2014. Considerando as respostas recebidas na
Para a tabulação dos dados, utilizou-se de primeira parte do trabalho, a caracterização
uma planilha eletrônica Excel, em que foram ge- dos respondentes pode ser resumida da seguin-
radas medidas estatísticas como a média, a moda te forma: Predominância do gênero feminino
e o desvio padrão. A análise dos dados se deu con- (52,50% de respondentes); a maioria (66,25%
siderando as maiores e menores médias obtidas. de respondentes) tem até 30 anos de idade, es-
tão cursando o 7º semestre do curso (50% de
respondentes), com o nível de graduação em
6 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO bacharelado (78,5% de respondentes) e em
DOS RESULTADOS graduação executiva (20% de respondentes); a
maioria (47,50% de respondentes) não possui
Este tópico contempla a análise e a dis- nenhum tipo de benefício a exemplo do Fies ou
cussão dos resultados dos dados oriundos da Prouni. Acerca da atuação profissional, 36,25%
pesquisa, mediante aplicação do questionário a dos respondentes exerce atividades em empre-
80 alunos do curso de graduação em administra- sas além da atividade acadêmica e estas estão
ção de instituições privadas do ensino superior. concentradas na área de serviços.
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Essa parte da pesquisa permitiu o estudo o praticam com a mesma frequência quando
das características empreendedoras que os alu- comparados aos outros atributos.
nos de administração perceberam ter adquirido Por fim, depois da análise sobre a per-
a partir do curso. cepção das características empreendedoras,
Analisando-se os resultados na Tabela colocadas em prática a partir do curso de Ad-
1, em geral, pode ser observado que as respos- ministração, achou-se importante mensurar a
tas se concentram mais entre 3 e 4, ou seja, a qualidade do curso de modo geral.
média das respostas pode ser considerada entre
moderada e forte, com moda em 4, em outras 6.4 ANÁLISE DA QUALIDADE DO
palavras, foi onde se obteve o maior número de CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
observações, referente à quantidade de respos-
tas obtidas. O principal intento dessa terceira parte
A partir do entendimento que o desvio do trabalho foi identificar os atributos referen-
padrão mostra o quanto de variação ou disper- tes à qualidade do Curso de Administração na
são existe em relação à média, pode-se concluir percepção dos alunos de graduação, tentando,
que os valores originais das repostas tendem inicialmente, identificar os que mais contribu-
a estar, em geral, bem próximos da média de íram e os que realmente fazem a diferença em
acordo com os resultados apresentados. Pode- relação à qualidade do Curso, conforme apre-
-se dizer que os respondentes estão bastante senta a tabela a seguir.
homogêneos nas suas respostas.
Os resultados demonstram a percepção
dos alunos sob a prática do empreendedorismo a
partir do curso de administração. De acordo com
a pesquisa, a maioria dos estudantes, o que re-
presentou 45,99% dos respondentes, possui uma
característica forte em relação à prática do empre-
endedorismo, desenvolvidas através do curso de
Administração. Eles perceberam que essas carac-
terísticas vão além de obter seu próprio negócio
e que podem ser utilizadas no dia a dia, seja no
ambiente de trabalho, educacional ou familiar.
A pesquisa evidenciou que o atributo -
não desistir diante dos obstáculos - referentes
à prática do empreendedorismo obteve a maior
média observada na Tabela 1. Portanto, este
atributo pode ser considerado determinante,
referente às habilidades desenvolvidas pelos
alunos associadas às práticas empreendedoras.
Ademais, observa-se que o atributo que
obteve a menor média foi - criar objetivos men-
suráveis com indicadores de resultado. Consi-
derando que os alunos, apesar de terem objeti-
vos, não levam em conta a questão de medir os
resultados, de comparar o melhor em relação
ao pior, qual o melhor caminho a seguir para
alcançar esse objetivo de uma maneira mais rá-
pida e mais eficaz. Podem até fazer, mas não
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146 ARTIGOS | Análise da qualidade do curso e da prática do empreendedorismo na percepção dos alunos de graduação em administração
Qualidade da IES no
desenvolvimento de novos cursos 80 5 4 11 35 21 4 3,13 3 0,92024
Proteção dos alunos a perigos,
riscos ou dúvidas 80 6 11 10 28 21 4 2,96 3 1,11576
Ofertas extras de cursos e
atividades 80 6 8 12 23 28 3 3,08 4 1,06959
Reputação do curso e da IES 80 6 1 4 39 24 6 3,41 3 0,77493
Conteúdo aprendido para
empregabilidade 80 4 0 6 32 32 6 3,50 3e4 0,75719
Diploma do curso para o
Merc. Trabalho
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Cortesia, honestidade,
confiança, empatia e segurança
dos funcionários da IES 80 5 5 17 30 17 6 3,03 3 1,02632
Pessoal administrativo
Equipe Adm. IES
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148 ARTIGOS | Análise da qualidade do curso e da prática do empreendedorismo na percepção dos alunos de graduação em administração
alunos têm em relação ao curso. O pior desem- terminante, pois foi o que obteve a maior mé-
penho foi o atributo Pessoal Administrativo dia. Os estudantes consideram-se persistentes,
Disponível. Assim, deve receber mais atenção vão em busca de atingir seus objetivos, buscam
e ser mais trabalhado para mudar esse quadro, realizar seus sonhos e, independentemente das
pois prejudica o conceito que os alunos têm em dificuldades encontradas no caminho, não cos-
relação às IES. tumam desistir de seus sonhos.
O que obteve o menor desempenho foi
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS a prática empreendedora a qual cria objetivos
com indicadores de resultado. Os alunos per-
A prática do empreendedorismo incenti- ceberam que não desenvolveram essa prática
vou o desenvolvimento e o crescimento econô- com tanta frequência: apesar de criar objetivos,
mico do país. Apesar de o Brasil ser considerado traçar metas, eles não levam em consideração
um dos países mais empreendedores em nível mensurar o melhor caminho, forma ou proce-
mundial, a mortalidade precoce das empresas dimento que seguiu para alcançar determinado
ainda é constante. Com a intenção de mudar essa resultado. Por essa razão, obteve a menor mé-
situação, testemunha-se a aceleração de cursos e dia, indicando que essa prática foi pouco desen-
programas sobre empreendedorismo em diver- volvida ao longo do Curso.
sos níveis da educação. Diante disso, as institui- No que se refere à percepção dos alunos
ções privadas no Brasil devem estar atentas com sobre a qualidade do curso de Administração,
essa expansão contínua. Torna-se importante o estudo evidencia que determinados atributos
e ético que toda a equipe acadêmica, gestores, vem carregados de maior peso e importância,
dirigentes, docentes e pesquisadores cumpram por exemplo, a Qualidade do Curso para o Mer-
com os compromissos assumidos com os alunos cado de Trabalho, considerado o atributo mais
da instituição, para que esse crescimento não importante, pois foi o que obteve a maior mé-
aconteça de forma desorganizada e a IES possa dia. Os alunos levam em consideração o fato de
oferecer um curso de qualidade. que a área de Administração é ampla e torna-se
Assim, o estudo permitiu identificar o essencial para a qualidade do curso para a sua
perfil de três instituições privadas do ensino inserção em alguma dessas áreas, pelo motivo
superior, do curso de Administração no Muni- de ser abrangente e reconhecido.
cípio de Fortaleza. A Instituição Z integra uni- O pior desempenho foi o atributo Pes-
versidades, centros universitários e faculdades, soal Administrativo Disponível. Pelo resultado
com milhares de alunos e com 40 anos de atua- negativo apresentado, deve ser revisto pelas
ção em ensino. A instituição X possui um corpo três instituições. Os alunos precisam de pesso-
docente altamente qualificado, sendo a maioria as que resolvam seus problemas acadêmicos e
mestres e doutores. A terceira instituição, deno- financeiros relacionados a seu curso. Precisam
minada Y, oferece um acervo de livros em sua de informações sobre alguns processos, formas
biblioteca com mais de 56.000 registros, além ou procedimentos que devem ser tomados so-
de várias atividades e cursos de extensão ofere- bre determinados assuntos. Para isso, precisam
cidos a seus alunos. de pessoas treinadas, capacitadas, que estejam
De acordo com a pesquisa, quanto à per- disponíveis e que resolvam esses problemas de
cepção acerca das práticas empreendedoras de- maneira mais rápida e eficaz.
senvolvidas a partir do curso de Administração, Dessa forma, pode-se dizer que as práti-
observa-se que cerca de 46% dos estudantes cas empreendedoras podem ser desenvolvidas
consideram possuir um grau de práticas em- por meio do ensino do Empreendedorismo, e
preendedoras forte. A atenção dos estudantes que essas habilidades podem ser percebidas ao
voltou-se para a percepção do atributo - Não longo do Curso de Administração.
desiste diante dos obstáculos, considerado de- Em relação à qualidade do Curso de Ad-
R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 136-151, jul./dez. 2015 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTORES | Laodicéia Amorim Weersma | Vanessa Pio dos Santos | Menno Rutger Weersma | Estevão Lima de Carvalho Rocha 149
ministração, pode-se dizer que o diferencial minant factor for the success of undergraduate
está no serviço oferecido, ou seja, quando essa Management Courses.
qualidade não somente atende às necessidades
dos clientes (alunos), mas quando supera as Keywords: Perception of Students. Entrepre-
suas expectativas. neurial Practices. Quality of the Management
Diante do exposto, pode-se dizer que a Course.
pesquisa cumpriu os objetivos estabelecidos.
Todavia, sugere-se que, em pesquisas futuras, 1 Artigo apresentado ao XXI CIAED – Congresso
Internacional de Educação a Distancia, no ano de
seja ampliado o tamanho da amostra para 200
2015, na cidade de Bento Gonçalves – Rio Grande do
respondentes, a qual se utiliza para um universo Sul. Autores: Lucas Renan Monteiro de Oliveira, Ellen
tido como infinito. Campos Sousa e Marcos Antonio Chaves Ricarte.
ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 136-151, jul./dez. 2015
150 ARTIGOS | Análise da qualidade do curso e da prática do empreendedorismo na percepção dos alunos de graduação em administração
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos NEVES, Adriane Bayerl; RAMOS, Cleber Fa-
de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2008. gundes. A imagem das instituições de ensino
superior e a qualidade do Ensino de graduação:
GRALIK, Elizabeth et al. Ensino em empreende- a percepção dos acadêmicos do curso de Ad-
dorismo no curso de Administração em duas ins- ministração. Revista de Economia e Adminis-
tituições de ensino superior públicas do estado do tração, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 75 - 83, jan./
Paraná. Ciências sociais aplicadas em revista, mar. 2002.
Marechal Cândido Rondon, v. 9, n. 16, 2009.
ROCHA, Estevão Lima de Carvalho; BACCHI,
GRÖNROOS, Christian. Marketing: geren- Gino Augusto. Ensino de Empreendedorismo
ciamento de serviços, 2. ed. Rio de Janeiro: El- nos Cursos de Graduação em Administração
sevier, 2003. na Cidade de Fortaleza: um estudo comparati-
IBGE. Economia brasileira cresce 2,3% vo dos conteúdos e instrumentos pedagógicos.
R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 136-151, jul./dez. 2015 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTORES | Laodicéia Amorim Weersma | Vanessa Pio dos Santos | Menno Rutger Weersma | Estevão Lima de Carvalho Rocha 151
ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 136-151, jul./dez. 2015
152 ARTIGOS | Análise dos propósitos de práticas de responsabilidade social empresarial de indústrias cearenses participantes do prêmio SESI de qualidade no trabalho
doi:10.12662/2359-618xregea.v4i2.p152-165.2015
ARTIGOS
RESUMO
R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 152-165, jul./dez. 2015 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTORES | Raphael de Jesus Campos de Andrade | Laodicéia Amorim Weersma | Eleazar de Castro Ribeiro 153
Garriga e Melé (2004) afirmam que os a) São empresas que decidiram concor-
modelos conceituais que tratam da RSE apre- rer a um prêmio que avalia suas práti-
sentam diferentes perspectivas em função da cas sob a perspectiva da Responsabi-
variedade de autores e de demandas históricas. lidade Social;
Tais perspectivas, naturalmente, comple- b) São empresas que, para concorrer a tal
mentam-se e se contrapõem entre si, eviden- prêmio, deram-se ao trabalho de escre-
ciando a busca contínua das organizações, da ver e submeter suas próprias práticas
sociedade e da academia pela atuação empre- de Responsabilidade Social e;
sarial socialmente responsável (CAMPOS FI- c) Tais práticas escritas e submetidas ao
LHO; PEREIRA, 2007). PSQT puderam ser acessadas e utiliza-
Por outro lado, nota-se que, diante dessa das como objeto de pesquisa documen-
diversidade e divergência de proposições teóri- tal e análise de conteúdo neste trabalho,
cas e metodológicas e das recorrentes cobran- que, além desta Introdução, está, enfim,
ças sociais, muitas empresas no mundo inteiro, estruturado em mais seis capítulos.
quando optam por atuar de forma socialmente O segundo capítulo diz respeito à evolu-
responsável, não sabem muito bem por onde ção histórica do conceito de Responsabilidade
começar e no que investir, adotando práticas Social Empresarial – da Teoria do Acionista aos
assistencialistas, sem qualquer relação com o movimentos pelo Desenvolvimento Sustentá-
core business e/ou obtendo impactos modestos vel – e às proposições mais recentes de Orga-
ou sequer mensurados (KRAMER; PORTER, nizações Sustentáveis. O terceiro capítulo, no
2002, 2006). sentido de se constituir os fundamentos teóricos
De fato, não faltam estudos capazes de re- para a análise dos dados, trata dos objetivos de-
tratar os níveis de compreensão e maturidade das correntes das práticas de Responsabilidade So-
empresas no tocante à questão da Responsabili- cial recomendadas pela literatura especializada
dade Social. De maneira geral, sabe-se como as como um todo e, de forma sintética e justificada,
empresas estão – inclusive de forma comparada pela ISO 26000 em particular. O quarto capítu-
umas com as outras, a partir de levantamentos, lo discorre sobre os aspectos metodológicos da
estudos múltiplos de casos, rankings e premia- pesquisa. O quinto capítulo analisa as práticas
ções nacionais e internacionais, dentre outras das indústrias cearenses à luz dos fundamentos
estratégias. Entretanto, não se encontram na lite- teóricos do segundo capítulo e apresenta os re-
ratura especializada questionamentos acerca do sultados encontrados quanto aos objetivos e à
que as empresas querem (!) ao se envolverem eficácia organizacionais. Por fim, no sexto capí-
com a temática em questão. tulo, são feitas as considerações finais.
Este trabalho tem como objetivo prin-
cipal analisar os propósitos de práticas de 2 RESPONSABILIDADE SOCIAL
Responsabilidade Social das empresas; mais EMPRESARIAL: DA TEORIA DO
especificamente, de 52 indústrias cearenses ACIONISTA ÀS ORGANIZAÇÕES
participantes do Prêmio SESI de Qualidade no
SUSTENTÁVEIS
Trabalho (PSQT) em 2012.
Trata-se de um estudo que se justifica na
As definições acerca da Responsabilidade
medida em que evidencia demandas e boas prá-
Social Empresarial não demonstram pleno con-
ticas, recomenda melhorias à luz da literatura
senso teórico em função do contexto sociocultu-
especializada e orienta a oferta de serviços de
ral e econômico em que cada uma delas foi con-
consultoria e a elaboração de políticas públicas
cebida (CAMPOS FILHO; PEREIRA, 2007).
de desenvolvimento sustentável.
Para Gomes e Moretti (2007), trata-se de
A escolha de indústrias participantes do
uma área polissêmica, com ampla profusão de
PSQT se deu em razão dos seguintes motivos:
significados para os conceitos utilizados. Dessa
ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 152-165, jul./dez. 2015
154 ARTIGOS | Análise dos propósitos de práticas de responsabilidade social empresarial de indústrias cearenses participantes do prêmio SESI de qualidade no trabalho
R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 152-165, jul./dez. 2015 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
AUTORES | Raphael de Jesus Campos de Andrade | Laodicéia Amorim Weersma | Eleazar de Castro Ribeiro 155
Atualmente, não faltam iniciativas empresa- que tentam traduzir as perspectivas dos movimentos
riais locais, regionais, nacionais e internacionais, na de Responsabilidade Social e de Desenvolvimento
forma de diretrizes, normas de gestão voluntárias e Sustentável, isto é, de Organizações Sustentáveis,
outros instrumentos administrativos e operacionais conforme detalhamentos do capítulo a seguir.
ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 152-165, jul./dez. 2015
156 ARTIGOS | Análise dos propósitos de práticas de responsabilidade social empresarial de indústrias cearenses participantes do prêmio SESI de qualidade no trabalho
R. Gest. Anál., Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 152-165, jul./dez. 2015 ISSN 1984-7297 | e-ISSN 2359-618X
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pesquisa e outros), a ISO 26000, que traz orientações sobre conceitos, princípios, práticas e temas
da Responsabilidade Social para todos os tipos de organizações, pode ser entendida como capaz
de sintetizar em si os elementos de gestão apontados pela Figura 2, podendo, portanto, constituir
definitivamente os fundamentos teóricos de análise dos dados a serem coletados na etapa empírica
deste trabalho, conforme detalhado na Figura 3 abaixo.
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158 ARTIGOS | Análise dos propósitos de práticas de responsabilidade social empresarial de indústrias cearenses participantes do prêmio SESI de qualidade no trabalho
Tratam-se, portanto, considerando a dupla Social Empresarial, que possuem uma caracterís-
ocorrência do propósito “respeitar os direitos hu- tica em comum: não estão colocados como meios
manos”, de 23 propósitos de Responsabilidade para o alcance de outros objetivos para a empresa,
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seus proprietários e dirigentes, mas como fins em Em relação ao campo empírico, optou-
si mesmos, como valores a serem primeiramente -se por 74 práticas de 52 indústrias cearenses
internalizados e, em seguida, buscados e preser- participantes do Prêmio SESI de Qualidade no
vados de forma estratégica, por meio de gestão Trabalho (PSQT) no ano de 2012. A escolha
(BARBIERI; CAJAZEIRA, 2009). de indústrias participantes do PSQT se deu por
Tais propósitos são específicos de um pro- conta dos seguintes motivos:
pósito ainda maior da ISO 26000 e da Respon- a) São empresas que decidiram concor-
sabilidade Social: maximizar a contribuição da rer a um prêmio que avalia suas práti-
organização para o desenvolvimento sustentável. cas sob a perspectiva da Responsabi-
O propósito “obter o reconhecimento da lidade Social;
sociedade por suas práticas socialmente res- b) São empresas que, para concorrer a tal
ponsáveis”, por exemplo, não se refere – como prêmio, deram-se ao trabalho de escre-
Kramer e Porter (2002, 2006) apontam como ver e submeter suas próprias práticas
práticas comuns – a atitudes cosméticas, mas à de Responsabilidade Social e;
ideia de inspirar boas práticas, de gerar orgulho c) Tais práticas, escritas e submetidas a
e sentimento de pertença nas partes interessadas. partir de formulário padrão, puderam
Tratam-se, enfim, de propósitos teóricos ide- ser acessadas e utilizadas como objeto
ais, que servirão, portanto, de parâmetro para a de pesquisa documental (GIL, 1996).
análise de propósitos práticos reais, objetos do Uma vez coletados, os dados foram cate-
estudo apresentados mais a seguir, logo após os gorizados por meio da análise de conteúdo de
aspectos metodológicos descritos abaixo. grade fechada (BARDIN, 1977). As categori-
zações se deram em três etapas:
4 METODOLOGIA a) Filtraram-se os propósitos declarados
das práticas em questão, explicitados
No sentido de se atingir o objetivo geral nos arquivos em campo denominado
deste trabalho, isto é, analisar os propósitos e a “principais objetivos”;
eficácia de práticas de Responsabilidade Social b) Deduziram-se os propósitos tácitos
de indústrias cearenses participantes do Prêmio a partir de leituras rigorosas dos ar-
SESI de Qualidade no Trabalho (PSQT), deci- quivos como um todo, sempre sob o
diu-se por uma metodologia constituída pelos questionamento de quais os porquês
seguintes elementos: natureza, nível, delinea- dos objetivos declarados e;
mento do campo empírico e estratégias de co- c) Compararam-se os propósitos empí-
leta e análise de dados. ricos identificados com os propósitos
Quanto à natureza, este trabalho pode teóricos deduzidos da ISO 26000 no
ser caracterizado como qualitativo, uma vez terceiro capítulo deste trabalho.
que centrou suas atenções sobre a análise de Os resultados encontrados foram deta-
dados linguísticos (GIL, 1996), isto é, de prá- lhados no quinto capítulo a seguir.
ticas de Responsabilidade Social apresentadas
sob a forma de textos redigidos por seus pró- 5 ANÁLISE DE DADOS E RESULTA-
prios praticantes. No que se refere ao nível, DOS
trata-se de uma pesquisa explicativa, uma vez
que buscou, à luz dos propósitos recomenda- Este capítulo faz uma análise dos propó-
dos pela literatura especializada, inferir so- sitos de 74 práticas de Responsabilidade Social
bre determinado fenômeno (RICHARDSON, realizadas e escritas por 52 indústrias de dife-
1999), isto é, sobre o que querem as empresas rentes segmentos participantes da última edi-
ao se envolverem com a temática da Respon- ção do PSQT, realizada em 2012, conforme o
sabilidade Social. Gráfico 1 abaixo.
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ações paliativas e reativas, focadas na qualida- pectivas analíticas para além dos propósitos
de de vida e no bem-estar humano apenas como organizacionais, como a eficácia, a eficiência,
meios para o aumento da eficiência. dentre outras.
Outro detalhe é que as práticas são, em
geral, realizadas como projetos específicos, AN ANALYSIS OF THE PURPOSES
voltados para determinada parte interessada, OF CORPORATE SOCIAL
não estando, portanto, pautadas pelos propó- RESPONSIBILITY PRACTICES OF
sitos teóricos mais ligados aos aspectos estra-
INDUSTRIES FROM THE STATE
tégicos da empresa, como “responsabilizar-se
por suas ações” e “comportar-se eticamente”,
OF CEARÁ THAT PARTICIPATE IN
ambos sem nenhuma ocorrência. SESI’S QUALITY AT WORK AWARD
A Filantropia se destaca como uma prá-
tica com frequência relativamente alta, eviden- ABSTRACT
ciando iniciativas pessoais dos acionistas, desa-
treladas de seus negócios. The main objective of this study is to analyze
Merece destaque, por outro lado, apesar the purposes of Corporate Social Responsibili-
da baixíssima frequência, o propósito empírico ty practices of industries from the state of Ceará
“Promover a inclusão social e a cidadania”, por that participate in SESI’s Quality at Work
retratar, de fato, grande parte dos princípios da Award (abbreviated as PSQT in Portuguese);
Responsabilidade Social. these companies: a) decided to make an effort
Por fim, pode-se perceber a influência da to run for this award to evaluate their Social Re-
teoria sobre a prática, pois, mesmo nos casos sponsibility practices; b) run for this award by
em que se busca privilegiar determinada parte describing and submitting their own Social Re-
interessada, como os acionistas, em detrimento sponsibility practices; and c) had their practices
de outras, os princípios de Responsabilidade assessed and used as the object for a documental
Social ao menos inspiram os discursos das em- research and content analysis in this work. The
presas pesquisadas, a ponto de se ter para cada main results show that industries that took part
propósito empírico identificado um propósito in this investigation are inspired by the purposes
teórico semelhante correspondente. recommended by the theory, but normally adapt
them to their shareholders perspectives.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Keywords: Corporate social responsibility.
Este trabalho cumpriu seu objetivo geral Sustainable development. Shareholders. Stake-
na medida em que apresentou e analisou, à luz holders.
da teoria especializada, os propósitos de indús-
1 Artigo apresentado ao X Congresso Mundial de Ad-
trias cearenses engajadas com a temática da ministração, no ano de 2015, na cidade de Porto - Por-
Responsabilidade Social. tugal. Autores: Raphael de Jesus Campos de Andrade,
Pôde-se evidenciar como resultados Laodicéia Amorim Weersma e Eleazar de Castro Ri-
principais que as empresas se inspiram nos beiro.
princípios da Responsabilidade Social, mas
quase sempre os adaptam aos interesses dos REFERÊNCIAS
acionistas, atuando a partir de projetos paliati-
vos voltados para determinada demanda, e não ALVES, E. A. Dimensões da responsabilidade
para a identificação e para o engajamento das social da empresa: uma abordagem desenvolvi-
partes interessadas como um todo. da a partir da visão de Bowen. Revista de Ad-
Como estudos futuros, sugere-se, dada ministração de São Paulo, São Paulo, v. 38, n.
a riqueza das práticas analisadas, outras pers- 1, p. 37-45, jan./fev./mar. 2003.
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166 Editorial | Editorial
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Editorial | Editorial 167
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168 Instruções aos Autores | Instructions for Authors
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Instruções aos Autores | Instructions for Authors 169
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170 Instruções aos Autores | Instructions for Authors
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Instruções aos Autores | Instructions for Authors 171
f) the contents of the cases should in- copyright holders. In case someone should
clude, where possible: introduction; need any kind of clarification, we remain at the
context with characterization of the disposal for answering any eventual questions.
market; presentation of the company;
the actions undertaken by the com- Exception: For the researches originated
pany; the dilemma and the arguments from papers presented at scientific congresses
with supporting evidence; the no- and symposia that are submitted to the special
tes of education contemplating the fast track issue it´s required that authors indi-
educational objectives, matters for cate the origin of the article and the references
discussion / decision; the theoretical of the event.
framework that supports the text and,
finally, references. IMPORTANT:
5. The citations in the text should be written Information on the author should be con-
in accordance with the ABNT NBR 10520 or veyed only in the e-mail body, containing the
equivalent ISO standard. following data: name (s) (s) of author (s), affi-
liation; e-mail, city, state, country of each au-
6. The use of notes, quotes, charts, tables, fi- thor and title of the work. The work should be
gures, charts or photographs should be limited attached to the same e-mail. To ensure anony-
to a minimum; these texts must be submitted mity in the process of evaluation of the work,
according to ABNT NBR 15724, 2011 in size the author (s) (s) should not (m) be identified
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