CADEIAS PRODUTIVAS
DO AGRONEGÓCIO I -
PROPRIEDADE
AGRÍCOLA E PRODUÇÃO
Alan Fabricio Malinski
Infraestrutura dos sistemas
de produção vegetal
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Descrever a infraestrutura de sistemas de produção vegetal.
Planejar a infraestrutura de sistemas de produção vegetal.
Resolver os fluxos operacionais e a infraestrutura em propriedades
agrícolas da cadeia vegetal.
Introdução
Em boletins sobre o setor agrícola, é comum ecoarem queixas de pro-
dutores rurais e de entidades de classe sobre a falta de infraestrutura
para desenvolverem suas atividades de forma competitiva. Enquanto a
agricultura vai mobilizando o cultivo para novas fronteiras, mais adequadas
climaticamente e com preços de terras mais acessíveis, sua infraestrutura
é relegada a segundo plano.
As pesquisas recentes indicam o relevante papel desempenhado pela
infraestrutura rural na melhoria da produtividade agrícola nas economias
em desenvolvimento. Embora a disponibilidade e a qualidade da infra-
estrutura rural nunca sejam substitutas de políticas macroeconômicas
e agrícolas eficientes, a infraestrutura inadequada pode inviabilizar o
crescimento e a produtividade das cadeias produtivas.
A infraestrutura rural, como outros investimentos públicos e privados,
aumenta a produtividade agrícola. Isso, por sua vez, induz o crescimento
das áreas de cultivo, aumentando os salários agrícolas e melhorando
as oportunidades de mão de obra não agrícola. Esses indicadores se
refletem nos custos e preços dos alimentos, ampliando os benefícios às
populações urbanas.
Assim, conhecer os conceitos relacionados à infraestrutura de pro-
priedades rurais, bem como planejar e adequar suas necessidades, é
fundamental e tem uma repercussão que vai além das cadeias agrícolas.
2 Infraestrutura dos sistemas de produção vegetal
Neste capítulo, você vai ver os conceitos relacionados a esse assunto.
Além disso, vai trabalhar com os requisitos para planejar e implantar uma
infraestrutura adequada em propriedades vinculadas à produção vegetal.
A infraestrutura como suporte do
sistema produtivo
Os resultados gerais indicam uma ligação significativa entre a infraestrutura
rural e a produtividade agrícola. Além disso, mostram que uma infraestrutura
adequada melhora significativamente a qualidade da vida no campo e nas
cidades. Já uma infraestrutura pobre é decisiva para aumentar o custo de
produção e tem um impacto adverso significativo na competitividade percebida
e na atratividade do cultivo agrícola.
No sentido econômico, a infraestrutura é o conjunto de elementos que
possibilitam a produção de bens e serviços. Não há crescimento econômico
sustentável sem a existência de infraestrutura eficiente e eficaz. Uma boa
infraestrutura deve atender aos objetivos diversos de uma nação, viabilizando
o produto potencial e integrando a população à economia nacional por meio de
modais de transportes e sistemas de comunicação eficientes que interliguem
as regiões do país e minimizem os desperdícios de recursos ao otimizar sua
utilização.
A infraestrutura é um elemento estratégico para o crescimento e a competitividade
do agronegócio brasileiro.
A infraestrutura na agropecuária engloba todas as obras estruturantes
dos elementos do sistema produtivo dentro da porteira, ampliando-se para os
setores de comunicação, elétrico, viário e portuário. Como você sabe, esses
setores têm implicações na movimentação da produção destinada ao abas-
tecimento e à exportação. Independentemente do tipo de operação, todas as
propriedades terão uma série de estruturas para fins específicos e dependerão
de equipamentos para maximizar o seu potencial econômico.
Infraestrutura dos sistemas de produção vegetal 3
Infraestrutura, superestrutura e estruturas agrícolas
De acordo com a teoria marxista, os aspectos sociais são constituídos de
três partes: a infraestrutura, a superestrutura e a estrutura. A infraestrutura
compreende as forças e relações de produção — condições de trabalho humano-
-humano e humano-natureza, divisão do trabalho e relações de propriedade;
as pessoas entram nela para produzir as necessidades e comodidades da vida.
Essas relações determinam outros vínculos e ideias vigentes na sociedade, que
são descritas como a sua superestrutura. A superestrutura de uma sociedade
inclui cultura, instituições, estruturas de poder político, papel social, rituais
e Estado. Já a estrutura é o sistema produtivo, em geral determinado pelo
modelo econômico.
Figura 1. Estruturas de coordenação, infraestrutura e serviços na cadeia do agronegócio.
Fonte: Shelman (1991).
4 Infraestrutura dos sistemas de produção vegetal
A infraestrutura determina a superestrutura, mas sua relação não é estritamente causal.
Afinal, a superestrutura muitas vezes influencia a infraestrutura.
As estruturas agrícolas incluem (mas não se limitam às) instalações de
armazenamento e embalagem, salas de balanças, instalações de contenção de
resíduos, terreiros, moegas, silos, centros de preparação de alimentos, oficinas,
estufas, centros de varejo de fazenda, entre outros.
As estruturas agrícolas, mais comumente referidas como “construções agrícolas”, são
definidas como instalações que não possuem ocupação residencial e estão sujeitas
às seguintes qualificações:
devem estar associadas e localizadas em terras dedicadas à prática da agricultura;
devem ser utilizadas essencialmente para a habitação de equipamentos ou pecuária,
ou para produção, armazenamento ou processamento de produtos agrícolas, ou
hortícolas, ou alimentos;
normalmente, são consideradas pequenas construções de ocupação humana, o
que significa que a carga do ocupante não é superior a uma pessoa por 40 m2 de
área durante o uso normal.
As construções agrícolas são designadas como estruturas principais ou
estruturas complementares. As principais estruturas são essenciais para criar
ambientes que protejam as colheitas e maximizem a produtividade, bem como
para guardar os equipamentos utilizados. A maioria das construções comple-
mentares é normalmente utilizada para armazenamento, beneficiamento ou
como área dos trabalhos acessórios.
A estrutura de mecanização abrange uma variedade de equipamentos
dependentes do tipo de cultivo e do sistema de produção, desde tratores que
economizam mão de obra até sofisticados sensores eletrônicos e robótica. A
mecanização agrícola foi um dos principais fatores sociais responsáveis pelo
desenvolvimento da urbanização.
Infraestrutura dos sistemas de produção vegetal 5
O uso intensivo de maquinário agrícola define qualquer operação das pro-
priedades ditas tecnificadas. O desenvolvimento de tecnologias que incorporam
sensores e computadores está mudando a paisagem agrícola rapidamente.
Sistemas de posicionamento global, veículos aéreos não tripulados e robótica
terão um papel crescente na agricultura de precisão.
A importância do planejamento da fazenda deve ser enfatizada quando se
consideram novos projetos de inovações do sistema produtivo. A integração
de estruturas agrícolas em locais estratégicos da propriedade rural é um
componente crítico de uma operação que deve ser executada eficientemente.
A incorporação de recursos e práticas que contribuam para a viabilidade
econômica, a proteção e a conservação ambiental e legal deve ser o objetivo
de todas as propriedades agrícolas.
A eletricidade e as estradas são determinantes significativos para alavancar
a produtividade agrícola. Isso é consistente com uma descoberta relacionada
nas restrições impostas ao crescimento por uma infraestrutura inadequada.
Estradas rurais fornecem a importante conectividade com os mercados cres-
centes adjacentes às áreas rurais; elas também diminuem os custos de insumos
e os custos de transação dos produtores e consumidores rurais. O acesso à
eletricidade cria vários rendimentos e oportunidades para famílias rurais.
As preocupações ambientais relacionadas com edifícios e estradas são:
localização e construção que resultam em poluição da água ou inaceitáveis odores
para os vizinhos;
escape de conteúdos de edifícios que resultam em poluição do ar ou da água;
superfícies impermeáveis, como telhados de construção, estradas e estaleiros que
resultam em mudança de fluxo, volumes e direção do escoamento, causando
erosão ou inundações a jusante;
ruptura da mata ciliar de córregos, lagos ou zonas úmidas devido a cruzamentos
e pontes que podem resultar em impactos para a vida aquática, a vida selvagem
e a qualidade da água.
6 Infraestrutura dos sistemas de produção vegetal
Localização e gestão das estruturas agrícolas
A localização adequada e a gestão de edifícios e operações de fazenda desem-
penham um papel crucial para garantir boas relações com os vizinhos nas áreas
rurais e ao longo das fronteiras urbano-agrícolas. As estruturas agrícolas são
mais do que estruturas inertes concebidas apenas para armazenar insumos,
maquinário ou colheitas. No verdadeiro sentido do termo, são “estruturas
de produção de alimentos”. Em muitos casos, as estruturas são concebidas
para proporcionar um ambiente completamente controlado em termos de
luz, regulação da temperatura do ar, umidade, correntes de ar e saneamento.
Para atender a esses requisitos, as estruturas devem ser bem construídas,
devidamente aquecidas, isoladas e ventiladas.
Uma edificação é muitas vezes construída apenas para preencher uma necessidade
imediata, com pouca consideração quanto à forma como será integrada com outros
componentes do pátio. O aconselhamento sobre a localização de um silo é pratica-
mente impossível até que todo o plano geral tenha sido elaborado e quaisquer planos
de expansão tenham sido considerados. Boas Práticas de Construção (BPC) incluem
design e engenharia adequados, seleção dos materiais corretos e boas práticas de
construção.
Operacionalizando a infraestrutura de sistemas
produtivos vegetais
O principal papel da fazenda é ser a sede da produção agrícola. Muitos locais
de produção agrícola estão localizados em áreas sob forte pressão de atividades
não agrícolas. As preocupações decorrentes de atividades agrícolas muitas
vezes se relacionam com construções agroindustriais e estradas. A localização,
a orientação e a gestão das estruturas podem influenciar significativamente
os impactos ambientais. O bom planejamento e o gerenciamento de suas
localizações também podem impedir disputas entre vizinhos.
Infraestrutura dos sistemas de produção vegetal 7
A paisagem e a topografia influenciam fortemente a drenagem, o acesso
e a vista. Além disso, muitas vezes determinam como os edifícios agrícolas
são projetados e construídos. Prefira construir as instalações em terreno alto.
Aterros e terraplanagem podem corrigir alguns problemas, mas o trabalho de
terra é caro e deve ser reduzido ao mínimo. Use as encostas existentes para
direcionar o escoamento superficial de edifícios e outras partes da fazenda.
As instalações rurais e a ambiência englobam estudos relacionados à
resistência e ao comportamento estrutural de materiais de construção (con-
vencionais e alternativos), de instalações rurais e obras de infraestrutura e
do solo. Assim, merecem atenção o controle térmico de instalações rurais e
o uso de energia (com enfoques voltados ao meio rural), bem como o estudo
de fontes alternativas e dos aspectos econômicos, de conservação e de ra-
cionalização. Compre equipamentos eficientes em energia e use tecnologias
que reduzam o consumo de energia e as emissões de gases que contribuem
para a mudança climática. Os serviços de auditoria de energia são valiosos
na identificação de áreas onde tais vantagens podem ser obtidas. Embora a
agricultura brasileira seja uma grande fornecedora de energia por meio da
produção dos componentes da agroenergia, ela tem sua matriz de consumo
não muito “renovável” (Figura 2).
Figura 2. Utilização de energia pela agricultura.
Fonte: Empresa de Pesquisa Energética (2010, documento on-line).
8 Infraestrutura dos sistemas de produção vegetal
Quando for conveniente e possível, aplique boas práticas de gestão do uso de energia:
projete e construa edifícios para tirar proveito da luz natural e da energia solar
do local;
use fornos de alta eficiência para aquecimento de espaço e água;
utilize controles com sensores de temperatura, umidade e luz — temporizador e
foto/termossensores;
leve em conta as condições climáticas locais;
direcione a iluminação em áreas que exigem tarefas focalizadas;
em estufas, use cortinas para minimizar as perdas de calor noturnas;
use, quando possível, fontes renováveis como biodigestor, energia eólica, solar,
geotérmica e biomassa produzidas na propriedade rural.
Seja para armazenamento de grãos ou estocagem de insumos, uma boa
construção garante uso efetivo e baixo impacto ambiental das estruturas.
Para localização, saneamento e tratamento de resíduos, construa todos os
prédios agrícolas usando as seguintes práticas: use layouts de construção que
permitam uma limpeza efetiva e eficiente; em instalações para depósito de
materiais perigosos, assegure-se de que as superfícies sejam impermeáveis
e tenham portas com soleiras para contenção; colete e administre a água do
telhado, evitando alterações no fluxo de águas pluviais; em áreas de alta
precipitação, construa valetas para desviar e drenar cursos d´agua, poços e
fontes de possíveis contaminantes (por exemplo, esterqueiras, biodigestores,
pilhas de compostagem); instale valas com cascalho na base das paredes;
instale dispositivos de prevenção de refluxo em locais de abastecimento de
água para aplicação de agrotóxico e limpeza de equipamentos de pulverização.
O principal problema para a conservação de estradas é o controle do fluxo
de água. As estradas agrícolas de ligação entre as instalações ou campos de
trabalho podem afetar o fluxo natural de água dos campos e áreas circundantes,
impactando negativamente os cursos de água nas proximidades. Recomenda-
-se implementar as seguintes práticas para minimizar o impacto das estradas
nos cursos d’água:
instalar bueiros para permitir a drenagem controlada de escoamento
(o risco de fluxo concentrado de água causando erosão do solo cresce
conforme o aumento da inclinação e do comprimento de uma estrada);
Infraestrutura dos sistemas de produção vegetal 9
construir estradas para seguir o nível do terreno, evitar declividades
maiores que 10%, isto é, 1 m de queda por 10 m de comprimento da
estrada.
Uma prática de gestão de resíduos de propriedades rurais é a construção
de sistemas domésticos de esgotos de residências agrícolas, celeiros e outras
estruturas, incluindo fossas sépticas, campos de adsorção e sistemas de lagoa
residencial. Todos os sistemas devem funcionar para evitar perigos à saúde.
O funcionamento eficiente do sistema de deposição depende principalmente
da manutenção do tanque séptico. Remova periodicamente os sólidos que se
acumulam no tanque. Os proprietários devem manter os sistemas de esgoto
(incluindo a remoção de sólidos do tanque) de acordo com os planos de ma-
nutenção, conforme determinado por um profissional qualificado. A distância
de separação dos poços e pontos de captação de água deve ser de pelo menos:
15 m de um tanque de retenção;
30 m de um sistema de esgotos.
Implemente as seguintes práticas para os locais de eliminação e deposição de resíduos:
não implantar em locais com solo muito arenoso, declivoso ou barrancos;
distanciar de águas subterrâneas e áreas sujeitas a inundação;
distanciar pelo menos 122 m de poços e 30 m ou mais (sugerido) de qualquer
curso de água;
manter registro do local, da quantidade e do tipo de material para os locais de
disposição na propriedade.
As máquinas agrícolas foram desenvolvidas para diversas operações,
possibilitando ao agricultor uma maior produtividade. Elas podem ser classi-
ficadas como: máquinas de preparo do solo, máquinas de semeadura, plantio
e transplante, além de máquinas de carregamento, transporte e aplicação de
adubos químicos e corretivos do solo. Há também as máquinas para cultivo,
desbaste e poda, as máquinas aplicadoras de defensivos, bem como as má-
quinas de colheita.
10 Infraestrutura dos sistemas de produção vegetal
O surgimento dos tratores fez com que diminuíssem os trabalhos manuais
e de tração animal, que retardavam os processos agrícolas. No entanto, isso
exigiu um maior investimento nas mais modernas tecnologias e técnicas
de conservação do solo e aplicação de fertilizantes e defensivos, além de
possibilitar que surgisse um planejamento agrícola melhor estruturado. Entre
as principais funcionalidades dos tratores, você pode considerar: tração de
máquinas e implementos agrícolas, acionamento de colhedoras e pulverizadores
de defensivos ou ainda de máquinas estacionárias.
Para operações de campo, implemente as seguintes práticas para economia de
combustível:
use tratores, caminhões e equipamentos estacionários eficientes em termos de
combustível;
use combustíveis apropriados e evite a inatividade prolongada do motor;
combine o poder do trator com as cargas usadas;
minimize o número de passagens sobre um campo executando múltiplas operações;
mantenha os pneus em pressões e lastros recomendados pelo fabricante.
Com as máquinas agrícolas de preparo do solo e semeadura, os agricultores
devem praticar agricultura conservacionista. Atualmente, existem semeadoras
projetadas para trabalhos agrícolas, como as de semeio convencional do solo
e as de plantio direto. Há também as manuais e a lanço. Alguns requisitos
devem ser observados na escolha desse equipamento. Se o equipamento ideal
existisse, possuiria os seguintes recursos:
colocação conjunta e aferição precisa e uniforme de sementes e
fertilizantes;
possibilidade de trabalhar com uma ampla gama de tamanhos e culturas
de sementes;
capacidade de semente e fertilizante adequada às necessidades da
propriedade;
fornecimento de um bom contato da semente com o solo;
boa visibilidade para controle das operações, de frente para trás e de
cima para baixo;
capacidade de trabalhar em diferentes tipos e condições de solo;
Infraestrutura dos sistemas de produção vegetal 11
fácil transporte;
compra e manutenção economicamente viáveis.
Se a abordagem de agricultura de conservação estiver garantida, sua
próxima compra de equipamentos deve levar em consideração uma série
de variáveis: quantidade de palhada na sua rotação de culturas, sistema de
gerenciamento de resíduos, tamanho da sua fazenda, capacitação da sua mão
de obra, custos e benefícios da mudança.
Para fornecer alimentos para a população, a agricultura convencional
precisa de herbicidas, inseticidas e fungicidas. Novas tecnologias estão sendo
desenvolvidas para minimizar o uso dessas substâncias. É importante que os
agrotóxicos sejam aplicados somente quando necessário e que o equipamento
utilizado para aplicar esses produtos de controle esteja funcionando efetiva-
mente. A calibração e o conhecimento dos pulverizadores são essenciais para
qualquer operação agrícola.
No mercado, os pulverizadores mais comuns são os manuais, os motorizados
costais (acionados por um motor de alta rotação), os tratorizados acionados
pela tomada de potência do trator e, mais recentemente, os autopropelidos.
O tamanho da cultura a ser pulverizada e o propósito da pulverização é que
especificarão qual pulverizador deverá ser usado.
A primeira colheitadeira surgiu por volta de 1792, com a principal função
de colher os mais diversos tipos de cultura, principalmente cereais e grãos. As
mais utilizadas são: as automotrizes, capazes de realizar todas as atividades
que envolvem a colheita; as montadas, que são tracionadas por meio de tratores
agrícolas; e as de arrasto, que podem possuir um motor auxiliar ou ainda ser
tracionadas por um trator. As colheitadeiras utilizadas em Agricultura de
Precisão (AP) possuem quatro tipos de sensores (eixo da roda motriz, radar,
ultrassom e GPS) para medir a sua velocidade de deslocamento. Além disso,
elas possuem um monitor de funções das operações montado na cabina,
conectado a todos os sensores. Ele permite monitorar todas as operações que
estão sendo medidas para calcular o mapa de produtividade dos grãos.
Investimentos em infraestrutura para
propriedades agrícolas das cadeias vegetais
A agricultura brasileira vem demonstrando, nos últimos anos, variadas trans-
formações em sua estrutura. Nesse sentido, o Estado vem sustentando ampla
parcela das mudanças por meio de uma política direcionada de desenvolvimento
12 Infraestrutura dos sistemas de produção vegetal
tecnológico. Dentro dessa articulação, a política de inovação na agricultura
tem se centrado em três importantes temáticas de oportunidades tecnológicas:
segurança alimentar, matriz energética e sustentabilidade ambiental.
Todas essas questões também são pautadas pela competitividade da agri-
cultura no cenário mundial. Na recente Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), ficaram evidentes as preocupações
acerca da dinâmica populacional e do aumento da demanda por energia,
alimentos e fontes de água potáveis. As consequências desses fatores sobre
as futuras pressões no uso da terra, especialmente para a agricultura, têm
sido questionadas. Nesse contexto, os estudos vinculados às restrições de
infraestrutura, em várias economias, têm assombrado as previsões de muitos
pesquisadores. Até 2030, espera-se que as demandas por energia, alimentos e
água potável cresçam, em média, 50%, 45% e 30%, respectivamente.
As características continentais do Brasil, assim como as diferenças de
infraestrutura e de mercado, têm limitado o crescimento do País, haja vista que
o desenvolvimento vem se apresentando de forma cada vez mais assimétrica
entre antigas e novas fronteiras agrícolas. Para contornar as consequências
negativas de uma política desequilibrada, a concepção interligada entre pro-
gresso técnico e estágios de desenvolvimento tem sido cada vez mais necessária
nos estudos de crescimento endógeno.
Contudo, poucas aplicações nessa abordagem têm se aventurado a aplicar
as modernas técnicas da Teoria do Controle Ótimo, diagnosticando os efeitos
de determinada política nas condições de longo prazo da economia. Além
dessa restrição, uma parcela ainda menor tem aplicado ambas as abordagens
nas questões da agricultura ou mesmo a níveis agregados.
Os resultados do estudo de Rocha, Khan e Lima (2015) mostraram que,
nas regiões menos desenvolvidas (mais afastadas da fronteira tecnológica),
os investimentos de CT&I (Ciência, Tecnologia e Inovação) precisam ser
complementados com os investimentos em infraestrutura. Essa articulação
aponta que, nos Estados mais afastados da fronteira, a dependência entre os
investimentos é maior em decorrência dos potenciais custos de oportunidade
dos recursos, ao contrário do que ocorre nas economias mais avançadas.
Essa investigação analisou os impactos dos investimentos em infraestrutura
e dos fundos setoriais de ciência e tecnologia (CT–AGRONEGÓCIO) no
crescimento da produtividade da agricultura entre os Estados, conforme o
estágio de desenvolvimento de cada economia. Ela sugere que uma política
bem coordenada precisa distribuir os investimentos de forma diferenciada,
conforme o estágio de desenvolvimento de cada economia. Nos Estados mais
afastados, as necessidades de investimentos em infraestrutura são relativamente
Infraestrutura dos sistemas de produção vegetal 13
maiores em relação aos gastos de CT&I. A ausência dessa compreensão pode
conduzir a uma política desequilibrada, com custos para a convergência.
Já faz bastante tempo que os projetos de desenvolvimento agrícola se
tornaram objeto de severas críticas nos países do terceiro mundo. Uma fração
considerável da opinião pública estima que os esforços despendidos nesse
domínio têm sido em vão, às vezes até com resultados negativos sobre o
crescimento econômico e o meio ambiente ecológico das populações.
Alguns consideram que, hoje em dia, os projetos de desenvolvimento não
representam uma forma de intervenção estatal apropriada. O papel dos Estados
deveria, então, limitar-se à regulação dos desequilíbrios macroeconômicos e à
instalação de algumas infraestruturas de interesse coletivo. A população e as
empresas deveriam permanecer livres para agir em função de seus próprios
interesses em uma economia regulada apenas pelas “leis do mercado”.
A experiência dos novos países industrializados da Ásia Oriental mostra que os poderes
públicos podem, ao contrário, desempenhar um papel decisivo e positivo em matéria
de desenvolvimento, desde que os frutos do crescimento não sejam confiscados por
alguns poucos.
Dufumier (2010) reconhece que numerosos projetos de desenvolvimento
são comprometidos pelos fracassos do passado. Ele relaciona esses resultados
às seguintes causas:
— Pouca importância dada à agricultura e ao campesinato. Fracassaram quase
todas as tentativas de industrialização sem um prévio desenvolvimento agrí-
cola. Em contrapartida, os países do terceiro mundo que puderam desenvolver
suas indústrias de maneira durável são geralmente aqueles cujos Estados
intervieram antes, e de modo eficaz, junto ao campesinato (cf. as reformas
agrárias de Taiwan e da Coreia);
— Excessiva expropriação das rendas dos agricultores, em favor de cama-
das sociais parasitas. A experiência tem mostrado que os trabalhadores só
participam verdadeiramente de projetos que atendam aos seus interesses.
A falta de incentivos materiais reais é a principal causa da passividade e do
imobilismo de muitos produtores;
— Extrema centralização do poder de decisão no que se refere à definição dos
investimentos e à alocação dos recursos disponíveis, sem a real participação
14 Infraestrutura dos sistemas de produção vegetal
das populações teoricamente “beneficiárias”. Os tecnocratas geralmente se
limitam a explicar as ações do Estado sem deixar espaço de decisão para os
agentes sociais diretamente interessados na concepção das operações;
— O desconhecimento, por parte dos tecnocratas, das realidades econômicas e
sociais a serem trabalhadas. Essa constatação é particularmente verdadeira no
que se refere à realidade agrária: os diversos elementos ecológicos, econômicos
e sociais, capazes de condicionar o desenvolvimento sustentado dos sistemas
de produção agrícola, raramente são considerados na formulação dos projetos.
— Rigidez do processo operacional de financiamento das intervenções e de
execução das ações. O rigor exagerado das receitas dos pacotes operacionais
entra em choque com a necessária flexibilidade no caso de comunidades que
são submetidas a mudanças imprevisíveis (DUFUMIER, 2010, p. 11).
Raros são os Estados que não intervêm diretamente para orientar as trans-
formações da agricultura em seus respectivos países. Os Estados Unidos da
América são conhecidos por terem adotado políticas agrícolas relativamente
flexíveis e evolutivas, capazes de conciliar medidas de apoio à renda dos
agricultores com intervenções destinadas a regular o equilíbrio entre a oferta e
a demanda de produtos agrícolas no mercado interno: os “preços de objetivo”.
A política agrícola comum da União Europeia é outro exemplo da vontade que
os Estados manifestam de transformar o desenvolvimento da sua agricultura
a partir da fixação dos preços, do estabelecimento de quotas de produção e
da concessão de subsídios.
Para promover e provocar as evoluções dos sistemas de produção agrí-
cola mais condizentes com a sua política, a ação do Estado não deve se ater
à realização de projetos de pesquisa agronômica e de extensão rural. Ao
contrário, ela deve intervir de preferência nos elementos socioeconômicos
mais significativos que condicionam a escolha e a evolução dos sistemas de
cultivo, principalmente:
a disponibilidade de meios de produção (infraestrutura, materiais,
insumos, etc.);
o acesso ao crédito para os investimentos e as despesas correntes;
as formas de posse e uso da terra;
a comercialização dos produtos e a formação dos preços agrícolas.
A edificação de instalações e a implantação de infraestruturas de interesse
coletivo são componentes fundamentais nos projetos de desenvolvimento
agrícola. Essas instalações podem ser essenciais à boa execução dos trabalhos
agrícolas propriamente ditos e das atividades situadas a montante e a jusante da
agricultura: abastecimento, transporte, operações pós-colheitas, etc. Trata-se
Infraestrutura dos sistemas de produção vegetal 15
principalmente de construções rurais (estábulos, pocilgas, granjas, galpões),
de infraestruturas para irrigação e drenagem (poços, barragens, canais), de
estradas, vias secundárias e caminhos carroçáveis, silos para a estocagem e
a conservação dos produtos, bem como de unidades industriais ou artesanais
para a sua transformação e o seu acondicionamento.
Nunes e colaboradores (2015) pesquisaram dois territórios para estudar a
inserção da agricultura familiar a partir de processos de agregação de valor
de produtos e abertura de mercados com recursos do Programa de Apoio à
Infraestrutura nos Territórios Rurais (Proinf). A pesquisa revelou deficiências
da gestão social quanto ao modus operandi do arranjo organizacional. Quanto
à estruturação econômica nos territórios, a pesquisa constatou que o finan-
ciamento por meio do Proinf não tem sido satisfatório. Os autores destacam
que o cenário de construção da estrutura de produção econômica, nos projetos
avaliadores, afirma ainda mais a necessidade de unir esforços para ofertar mais
recursos do Proinf (quanto a financiar mais projetos de infraestrutura), assim
como para buscar formas de melhorar e aperfeiçoar o arranjo institucional.
Ou seja, além da infraestrutura, é imperativo o planejamento adequado e a
capacitação das lideranças e pessoas envolvidas no processo produtivo.
DUFUMIER, M. Projetos de desenvolvimento agrícola: manual para especialistas. 2. ed.
Salvador: EDUFBA, 2010. Disponível em: <[Link]
ri/22672/1/ProjetosDeDesenvolvimentoAgr%C3%ADcolaManualParaEspecialistas_
[Link]>. Acesso em: 28 mar. 2018.
EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Balanço Energético Nacional: resultados preli-
minares do BEN 2010. 2010. Disponível em: <[Link]
[Link]>. Acesso em: 29 mar. 2018.
NUNES, E. M. et al. Dinamização Econômica e Agricultura Familiar: limites e desafios
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Piracicaba, v. 53, n. 3, p. 529-554, jul./set. 2015. Disponível em: <[Link]
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ROCHA, L. A.; KHAN, A. S.; LIMA, P. V. P. S. Construindo competências tecnológicas
na agricultura brasileira: articulando a Política Nacional de Inovação com os inves-
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set./dez. 2015. Disponível em: <[Link]
pid=S0103-63512015000300621>. Acesso em: 29 mar. 2018.
16 Infraestrutura dos sistemas de produção vegetal
SHELMAN, M. L. The Agribusiness System Approach: cases and concepts. Proceedings
of the international Agribusiness Management Association inaugural Symposium, Boston,
p. 47- 51,1991.
Leitura recomendada
BRITISH COLUMBIA. Farm Mechanization. 2018. Disponível em: <[Link]
[Link]/gov/content/industry/agriculture-seafood/business-market-development/
structures-mechanization/farm-mechanization>. Acesso em: 29 mar. 2018.