Prof. Me. Rodrigo J. F.
de Barros
Gênero e
sexualidade
Livro Base
Escrito por duas mulheres
australianas, sendo uma delas
transsexual.
Desigualdades de gênero
1. No mundo, as mulheres tem em média 25% menos acesso à internet do que os homens.
2. Elas ocupam menos cargos de liderança, sejam na iniciativa privada ou em cargos
públicos.
3. A maioria dos países jamais foi chefiado/governado por uma mulher; e a maioria dos que
já foram chefiados por mulheres o foram apenas uma vez.
4. Os homens compõem 79% dos postos de representantes políticos.
5. As mulheres são 4,4% das lideranças relevantes do mundo dos negócios; os homens são
95,6% desse setor.
Desigual entre os desiguais
Quanto mais ao sul, mais desigual
Trabalho
domestico
A maior parte do trabalho
doméstico, de limpeza,
criação dos filhos, cuidado
com os idosos, é realizado por
mulheres e esse trabalho não
é remunerado e muitas das
vezes é invisível.
Trabalho
domestico
Reflexão: para pessoas que
tem em média 44 horas de
trabalho semanal, é fácil
conciliar com trabalhos
domésticos e cuidados de
filhos?
Desigualdades de gênero
1. Nós definimos arbitrariamente, por padrões culturais, que as mulheres seriam mais
qualificadas para exercer essas funções porque elas seriam necessariamente mais
cuidadosas e gentis; aos pais espera-se que trabalhe e seja o principal provedor para a
família.
2. As mulheres, de modo geral, não ganham os mesmos salários que os homens; muitas
delas, especialmente as que tem filhos, dependem economicamente dos homens.
3. Isso também reproduz um senso de propriedade que é difundido na mentalidade
masculina: as mulheres seriam equivalente a uma posse material.
4. Não é raro presenciarmos relações de violência doméstica alimentadas por essa lógica.
Desigualdades de gênero
1. Dificilmente encontraremos casos de homens que são mortos ou sofrem violência
sexual ou psicológica ou assédio por serem homens; a não ser que não correspondam
ao perfil de masculinidade desejada por aquela sociedade.
2. No entanto, os homens são os que compõem a maior parte da população carcerária do
mundo, assim como são os que mais morrem de maneira geral na sociedade, muito em
vista porque eles são parcialmente preparados para isso.
3. Desde a infância os homens são educados em esportes, convívios, comportamentos,
mídia e artes que valorizam a dominância, a violência, a coragem e o risco – os homens
que não seguem esses padrões sofrem exclusões e humilhações, sendo desvalorizados.
Desigualdades de gênero
1. Os homens jovens – principalmente os com menos recursos, de classes mais baixas –
são o que recrutados ou encaminham-se para funções que operam com a violência:
forças policiais, forças armadas, segurança privada, crime, esportes etc.
2. As mulheres jovens são recrutadas para funções que lidam com as consequências
dessa violência: enfermagem, psicologia, assistência social.
3. Na sociologia nós defendemos que tais fatos não são aleatórios, pois formam um
padrão e fazem sentido quando vistos como parte de arranjos gerais do gênero que
denominamos “ordem de gênero” nas sociedades contemporâneas; Perceber a ordem
de gênero é fácil; compreendê-la, não.
01
Entendendo gênero
Afinal de contas, o que seria o gênero?
Entendendo gênero
1. Normalmente interpretamos gênero como algo automático e dado – reconhecemos as
pessoas como homens ou como mulheres rapidamente.
2. Nossas sociedades são altamente generificadas: homens compram itens diferentes das
mulheres, em lojas diferentes; vestem-se diferentes; penteiam os cabelos de forma
diferente; somos tão habituados a esses arranjos que consideramos que eles são
naturais, ou seja, que são biologicamente determinados, mas eles não são.
3. Qualquer comportamento que fuja a esses padrões normalmente é recriminado, como no
caso do afeto entre pessoas do mesmo sexo ou quando alguém aparenta ser diferente
do que idealmente a sociedade espera que ela seja.
Entendendo gênero
1. Esses comportamentos não são determinados biologicamente, caso contrário não
haveriam comportamentos divergentes e nem a necessidade de punir, como algumas
sociedades fazem, os sujeitos que não se encaixam nesses padrões – a
homossexualidade existe no mundo animal também.
2. Ser um homem ou uma mulher não é um estado predeterminado; é um processo, uma
condição ativamente em construção.
3. “Não se nasce mulher; torna-se” – Simone de Beauvoir.
4. E todos nós desenvolvemos identidades de gênero, e essas identidades são diferentes a
depender do país, religião, raça, cultura e classe social, e mudam com o tempo.
Século XVII
Século XIX
Roma Antiga
Escócia Japão
Índia
Por mais autêntico que você possa achar
que é, talvez você só esteja reproduzindo
um padrão generificado.
Entendendo gênero
1. A identidade de gênero é, a grosso modo, a sensação de pertencimento a uma categoria
de gênero; inclui nossas ideias sobre esse pertencimento e o que este significa, que tipo
de pessoa somos ao nos identificarmos como feminino ou masculino.
2. Essa identidade, portanto, não é nem definida biologicamente, nem somente uma
imposição cultural/social – o gênero é uma construção individual e social.
3. Isso nos leva a verificar que existem ambiguidades de gênero que não são raras: existem
pessoas homossexuais, bissexuais, assexuais* etc; existem mulheres que são chefes de
família e homens que são donos de casa; temos indivíduos que são de um sexo
biológico, mas se identificam com um gênero diverso, como os andrógenos ou
transgênero.
* Assexualidade ou espectro assexual é a falta total, parcial ou condicional de atração
sexual a qualquer pessoa, independente do sexo biológico ou gênero.
Entendendo gênero
1. A psicologia já comprovou que todos nós combinamos em maior ou menor grau
características masculinas e femininas.
2. No entanto, muitos movimentos conservadores sentem-se ameaçados pelas teorias de
gênero, afirmando que elas colocam em risco a sobrevivência da espécie e daquilo que
elas consideram como fixo, estável, estático – uma vertente essencialista.
3. Muitas dessas atitudes na verdade se tratam de medidas para garantir privilégios, visto
que essas instituições e movimentos são normalmente comandadas por homens.
Muitas dessas organizações depositam imagens pejorativas para as mulheres.
4. Temos diversos campos em que as mulheres tem um papel depreciado ou objetificado
sexualmente: no humor, nas artes, na dança, na prostituição, na pornografia, etc.
Precisamos nos envolver e discutir essas temáticas para que esses
estigmas e preconceitos se tornem cada vez mais rarefeitos!
Até a próxima!