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Simulado de Inquérito Policial: Questões e Respostas

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SIMULADO TEMÁTICO
INQUÉRITO POLICIAL

CADERNO DE QUESTÕES

1. (Questão Adaptada – FGV). A autoridade policial indiciou Gregório pelo crime de injúria
racial praticado em face de Tomás. Os autos do inquérito foram remetidos ao Ministério
Público, que, como titular do direito de ação penal, entendeu diversamente e promoveu o
arquivamento da investigação em razão da falta de justa causa para o exercício da ação,
comunicando à vítima, ao investigado, à autoridade policial e ao juízo.

Nesse cenário, poderá a vítima, não concordando, no prazo de 30 dias do recebimento da


comunicação, submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão
ministerial.

2. (Questão Adaptada – FGV). O Código de Processo Penal aborda uma série de diligências
que devem ser tomadas pelo Delegado de Polícia ao ser informado de uma infração penal.
Acerca das diligencias, logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a
autoridade policial deverá colher informações sobre a existência de filhos, respectivas
idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável
pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa.

3. (Questão Adaptada – FGV). De acordo com o Código de Processo Penal, para verificar a
possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a autoridade
policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que essa não contrarie
a moralidade ou a ordem pública.

4. (Questão Adaptada – FGV). De acordo com o Código de Processo Penal, nos crimes em
que não couber ação penal de iniciativa pública, os autos do inquérito permanecerão na
Delegacia de Polícia, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante
legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado.

5. (Questão Adaptada – FGV). João Paulo, advogado, caluniou seu desafeto, Rubens,
empresário de renome na comarca, imputando-lhe falsamente fato definido como crime.
Relativamente à investigação do crime de calúnia, com vistas a se determinar a sua
existência e autoria, é correto afirmar que o inquérito policial poderá ser iniciado pela
autoridade policial, mediante requerimento do ofendido.

6. (Questão Adaptada – FGV). Em inquérito policial instaurado para apurar crime de furto, a
autoridade policial concluiu pela existência de elementos mínimos sobre a autoria e a
materialidade do delito e remeteu os autos ao Ministério Público. O promotor de justiça,
3

discordando do relatório, promoveu o arquivamento fundamentadamente e comunicou à


vítima, ao investigado, ao juiz e ao delegado de polícia.

Diante desse cenário, no caso de discordância, a vítima poderá, no prazo de 30 dias do


recebimento da comunicação, submeter a matéria à revisão da instância competente do
órgão ministerial.

7. (Questão Adaptada – FGV). Jonas, delegado de polícia, deflagrou um inquérito policial


para apurar a prática de crime de roubo circunstanciado pelo emprego de arma de fogo.
Contudo, meses após o início das investigações e esgotadas todas as diligências policiais
cabíveis, não logrou êxito em apurar a autoria delitiva. Nesse cenário, considerando as
disposições do Código de Processo Penal e os entendimentos doutrinário e jurisprudencial
dominantes, é correto afirmar que o delegado de polícia não poderá mandar arquivar os
autos do inquérito policial, em razão da indisponibilidade do procedimento investigativo.

8. (Questão Adaptada – FGV). Nos termos da legislação processual vigente, acerca do


inquérito policial, julgue o item. Em respeito ao princípio da ampla defesa, o advogado
devidamente constituído pelo investigado poderá ter acesso integral aos autos do
inquérito policial, independentemente de qualquer condição ou circunstância.

9. (Questão Adaptada – FGV). Miguel, empresário, foi difamado por Carlos, que lhe imputou
fato ofensivo à sua reputação, por meio de palavras. Nessa hipótese, o inquérito policial
destinado à investigação do referido delito, deverá ser iniciado por requisição do juiz.

10. (Questão Adaptada – FGV). O delegado de polícia relatou inquérito policial sugerindo o
arquivamento da investigação, em razão da inexistência de justa causa para o crime de
estelionato cometido por Roberto, por se tratar a hipótese de mero ilícito civil. Nesse caso,
poderá o Ministério Público promover fundamentadamente o arquivamento do inquérito
policial, submetendo sua manifestação ao juiz competente e comunicando à vítima, ao
investigado e à autoridade policial.

11. (Questão Adaptada – FGV). Instaurado inquérito policial para apurar o crime de tráfico de
pessoas previsto no Art. 149-A do Código Penal, o Ministério Público requereu autorização
judicial para que as empresas prestadoras de serviços de telecomunicação
disponibilizassem imediatamente os meios técnicos adequados que permitissem a
localização da vítima.

Nesse contexto, não havendo manifestação judicial no prazo de 24 horas, o Ministério


Público requisitará às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações que
disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados, com imediata comunicação
ao juiz.
4

12. (Questão Adaptada – FGV). Relativamente ao inquérito policial, às autoridades que nele
atuam e às diligências nele levadas a efeito, é correto afirmar que poderá o órgão do
Ministério Público requerer ao juiz a devolução do inquérito à autoridade policial para a
realização de diligências imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.

13. (Questão Adaptada – MC). O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado
tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta
hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias,
quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela.

14. (Questão Adaptada – MC). A respeito do inquérito policial, assinale a opção correta, tendo
como referência a doutrina majoritária e o entendimento dos tribunais superiores.

De acordo com a Lei de Drogas, estando o indiciado preso por crime de tráfico de drogas,
o prazo de conclusão do inquérito policial é de noventa dias, prorrogável por igual período
desde que imprescindível para as investigações.

15. (Questão Adaptada – MC). O arquivamento implícito é uma construção doutrinária. Ele
seria, inicialmente, decorrente da omissão do Ministério Público que deixa de narrar na
denúncia um fato investigado no inquérito ou um indiciado.

16. (Questão Inédita – MC). Acerca da investigação preliminar, julgue o item subsequente:

De acordo com o entendimento dos Tribunais Superiores, não se admite a técnica do


fishing expedition.

17. (Questão Adaptada – MC). O IP é indispensável para o oferecimento da denúncia; o


promotor de justiça não poderá denunciar o réu sem esse procedimento investigatório
prévio.

18. (Questão Adaptada – MC). Em relação ao processo penal brasileiro, julgue o item seguinte.

O delegado de polícia pode requisitar, sem necessidade de autorização judicial, dados e


informações cadastrais de suspeito da prática de crime de extorsão mediante sequestro.

19. (Questão Adaptada – MC). Durante a tramitação de um inquérito policial, um delegado,


convencido da autoria de uma determinada infração penal por certo investigado, realizou
a análise técnico-jurídica do fato e indiciou o suspeito.

Com referência a essa situação hipotética, assinale a opção correta, considerando a


doutrina e os entendimentos do STF.
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Inexiste fundamento jurídico que autorize o magistrado, após receber a denúncia, a


requisitar ao delegado o indiciamento de determinada pessoa.

20. (Questão Adaptada – MC). Denomina-se notitia criminis de cognição imediata quando a
autoridade policial fica sabendo da infração penal em razão do desempenho de suas
atividades regulares.

21. (Questão Adaptada – MC). Acerca dos atos do delegado de polícia durante o inquérito
policial, julgue o item subsequente:

Diante de notitia criminis inqualificada, antes de determinar a abertura do inquérito


policial, o delegado de polícia deve promover a diligência de verificação de procedência
das informações, a fim de evitar delação inescrupulosa.

22. (Questão Inédita – MC). De acordo com a doutrina e a Jurisprudência, em regra, eventuais
nulidades existentes no inquérito policial acarretam a nulidade do processo penal
subsequente.

23. (Questão Inédita – MC). De acordo com o Código de Processo Penal, o juiz formará sua
convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não
podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos
na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.

24. (Questão Inédita – MC). Conforme entendimento da doutrina moderna, o inquérito policial
além da sua função preparatória, possui uma função preservadora. Acerca do tema,
julgue o item subsequente:

De acordo com a função preservadora, o Inquérito Policial visa o retorno ao status quo
ante, é dizer, restaurar as condições existentes antes da prática criminosa, para o autor e
para a vítima. Nos crimes patrimoniais, por exemplo, sob o ponto de vista da vítima, mais
importante do que a responsabilização do criminoso é a recuperação do produto da
infração.

25. (Questão Inédita – MC). Com base na legislação, na jurisprudência e na doutrina


majoritária, assinale a alternativa correta acerca do inquérito policial, da prisão
temporária e da participação do Ministério Público na investigação criminal.

Conforme o STJ, a participação de um membro do Ministério Público na fase de


investigação criminal não acarreta o seu impedimento ou a sua suspeição para o
oferecimento da denúncia.

QUESTÕES EXTRAS
6

26. (Questão Inédita – MC). De acordo com o Código de Processo Penal, após ser ordenado o
arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia,
a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia.

27. (Questão Inédita – MC). À luz da Jurisprudência do STF, uma vez arquivado o inquérito
policial, por despacho do juiz, a requerimento do Promotor de Justiça, não pode a ação
penal ser iniciada, sem novas provas.

28. (Questão Inédita – MC). De acordo com o entendimento do STJ, o requerimento ministerial
de arquivamento de inquérito ou procedimento investigatório criminal fundamentado na
extinção da punibilidade ou atipicidade da conduta exige do Judiciário uma análise
meritória do caso, com aptidão para formação da coisa julgada material com seu inerente
efeito preclusivo.

29. (Questão Inédita – MC). Conforme entendimento da Jurisprudência do Supremo Tribunal


Federal, não se admite a decretação de busca e apreensão com base em simples notícia
anônima.

30. (Questão inédita – MC). À luz da Jurisprudência do STF, análise a presente situação
concreta e assinale a assertiva:

Em determinada investigação preliminar, a Polícia Federal sob a supervisão do Ministério


Público estadual e do Juízo de Direito, conduziu inquérito policial destinado a apurar crimes
cuja competência era da Justiça Estadual. Nessa circunstância, é correto afirmamos que
a Polícia Federal não tinha atribuição para apurar tais delitos considerando que não se
enquadravam nas hipóteses do art. 144, § 1º da CF/88 e do art. 1º da Lei nº 10.446/2002,
consequentemente, haverá nulidade da ação penal instaurada a partir dessa
investigação.

31. (Questão Inédita – MC). Acerca do indiciamento, julgue o item subsequente:

O ato de indiciamento é exclusivo da fase investigativa, dessa forma, uma vez iniciada a
fase processual o indiciamento não é mais possível, sob pena de constrangimento ilegal.

32. (Questão Inédita – MC). À luz do entendimento da doutrina e da Jurisprudência, o


indiciamento é atribuição exclusiva do Delegado de Polícia.

33. (Questão Inédita – MC). À luz da Jurisprudência do STF, é constitucional o inquérito


instaurado para investigar “fake news” e ameaças contra o STF.

34. (Questão Adaptada – MC). O inquérito policial é atividade investigatória realizada por
órgãos oficiais, não podendo ficar a cargo do particular, ainda que a titularidade do
exercício da ação penal pelo crime investigado seja atribuída ao ofendido.
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Considerando-se as características do inquérito policial, é correto afirmar que o texto


anterior discorre sobre a oficiosidade do inquérito policial.

35. (Questão Inédita – MC). À luz da Jurisprudência do STF, o arquivamento com base em
excludente de ilicitude faz coisa julgada material.
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SIMULADO TEMÁTICO
INQUÉRITO POLICIAL

CADERNO DE QUESTÕES com Gabarito Comentado

1. (Questão Adaptada – FGV). A autoridade policial indiciou Gregório pelo crime de injúria
racial praticado em face de Tomás. Os autos do inquérito foram remetidos ao Ministério
Público, que, como titular do direito de ação penal, entendeu diversamente e promoveu o
arquivamento da investigação em razão da falta de justa causa para o exercício da ação,
comunicando à vítima, ao investigado, à autoridade policial e ao juízo.

Nesse cenário, poderá a vítima, não concordando, no prazo de 30 dias do recebimento da


comunicação, submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão
ministerial.

Gabarito CERTO.

Com a nova sistemática de arquivamento com o advento do Pacote Anticrime, após o


Ministério Público promover o arquivamento de um inquérito policial ou de elementos
informativos da mesma natureza, ele tem o dever de comunicar essa decisão à vítima, ao
investigado e à autoridade policial. Nesse momento, abre-se uma nova possibilidade
para a vítima ou seu representante legal: caso não concorde com o arquivamento, a
vítima poderá, no prazo de 30 dias contados do recebimento da comunicação, submeter
essa decisão à revisão da instância competente do órgão ministerial — ou seja, pode
pedir que outro órgão no Ministério Público reveja a decisão de arquivamento.

Vejamos:

Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos


informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará à vítima, ao
investigado e à autoridade policial e encaminhará os autos para a instância de revisão
ministerial para fins de homologação, na forma da lei

§ 1º Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o arquivamento do


inquérito policial, poderá, no prazo de 30 (trinta) dias do recebimento da comunicação,
submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme
dispuser a respectiva lei orgânica.

2. (Questão Adaptada – FGV). O Código de Processo Penal aborda uma série de diligências
que devem ser tomadas pelo Delegado de Polícia ao ser informado de uma infração penal.
Acerca das diligencias, logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a
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autoridade policial deverá colher informações sobre a existência de filhos, respectivas


idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável
pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa.

Gabarito CERTO.
O artigo 6º do CPP impõe à autoridade policial um dever imediato e específico de colher
essas informações para assegurar os cuidados necessários aos filhos da pessoa presa,
integrando o processo penal a uma dimensão social fundamental. Trata-se de importante
inclusão feita pela Lei nº 13.257, de 2016. Vejamos:

Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial
deverá:
I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das
coisas, até a chegada dos peritos criminais;
II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos
criminais;
III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas
circunstâncias;
IV - ouvir o ofendido;
V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do
Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que
Ihe tenham ouvido a leitura;
VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações;
VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer
outras perícias;
VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer
juntar aos autos sua folha de antecedentes;
IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e
social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e
durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu
temperamento e caráter.

X - colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem


alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos
filhos, indicado pela pessoa presa. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)

3. (Questão Adaptada – FGV). De acordo com o Código de Processo Penal, para verificar a
possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a autoridade
policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que essa não contrarie
a moralidade ou a ordem pública.

Gabarito CERTO.
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CPP, Art. 7° Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de


determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos
fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública.

4. (Questão Adaptada – FGV). De acordo com o Código de Processo Penal, nos crimes em
que não couber ação penal de iniciativa pública, os autos do inquérito permanecerão na
Delegacia de Polícia, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante
legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado.

Gabarito ERRADO.
Os autos não permanecem na delegacia, conforme prevê o art. 19 do CPP, eles serão
remetidos ao juízo.

CPP, Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão
remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu
representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado.

5. (Questão Adaptada – FGV). João Paulo, advogado, caluniou seu desafeto, Rubens,
empresário de renome na comarca, imputando-lhe falsamente fato definido como crime.
Relativamente à investigação do crime de calúnia, com vistas a se determinar a sua
existência e autoria, é correto afirmar que o inquérito policial poderá ser iniciado pela
autoridade policial, mediante requerimento do ofendido.

Gabarito CERTO.
Para responder a questão corretamente, o candidato deve recordar antes de tudo a
natureza da ação penal no crime de calúnia. In casu, trata-se de ação penal privada. Em
sendo de ação penal privada, a instauração do inquérito policial fica condicionado ao
requerimento da vítima, é o que dispõe o art. 5°,§ 5o do CPP. Vejamos:

Art. 5°. § 5o Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder
a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.

INÍCIO DO INQUÉRITO1
- de ofício, pela autoridade policial, que elabora portaria
Ação Penal Pública inaugural;
Incondicionada - por requisição do juiz;
(Art. 5º, caput) - por requisição do MP;
- por requerimento do ofendido ou seu representante legal; ou
- por auto de prisão em flagrante - APF.
Ação Penal Pública Condicionada - por representação do ofendido ou seu procurador; ou
a Representação (Art. 5º, § 4°) - por requisição do Ministro da Justiça, quando cabível.
Ação Penal Privada (Art. 5º, § 5º) - por requerimento do ofendido.

1
Tabela extraída do LEGISLAÇÃO BIZURADA @ DeltaCaveira10.
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6. (Questão Adaptada – FGV). Em inquérito policial instaurado para apurar crime de furto, a
autoridade policial concluiu pela existência de elementos mínimos sobre a autoria e a
materialidade do delito e remeteu os autos ao Ministério Público. O promotor de justiça,
discordando do relatório, promoveu o arquivamento fundamentadamente e comunicou à
vítima, ao investigado, ao juiz e ao delegado de polícia.

Diante desse cenário, no caso de discordância, a vítima poderá, no prazo de 30 dias do


recebimento da comunicação, submeter a matéria à revisão da instância competente do
órgão ministerial.

Gabarito CERTO.
O mesmo tema foi cobrado em 2024 e depois em 2025, fique atento!
Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos
informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará à vítima, ao
investigado e à autoridade policial e encaminhará os autos para a instância de revisão
ministerial para fins de homologação, na forma da lei

§ 1º Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o arquivamento do


inquérito policial, poderá, no prazo de 30 (trinta) dias do recebimento da comunicação,
submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme
dispuser a respectiva lei orgânica.

7. (Questão Adaptada – FGV). Jonas, delegado de polícia, deflagrou um inquérito policial


para apurar a prática de crime de roubo circunstanciado pelo emprego de arma de fogo.
Contudo, meses após o início das investigações e esgotadas todas as diligências policiais
cabíveis, não logrou êxito em apurar a autoria delitiva. Nesse cenário, considerando as
disposições do Código de Processo Penal e os entendimentos doutrinário e jurisprudencial
dominantes, é correto afirmar que o delegado de polícia não poderá mandar arquivar os
autos do inquérito policial, em razão da indisponibilidade do procedimento investigativo.

Gabarito CERTO.
De fato, a autoridade policial não pode mandar arquivar o Inquérito Policial. Diante da
indisponibilidade do procedimento investigativo, o arquivamento apenas pode ocorrer por
ordem judicial.
Observe o artigo 17 do CPP:

CPP, Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.

Delegado não pode mandar arquivar inquérito policial. Nesse sentido, ensina Guilherme
de Souza Nucci:
Arquivamento do inquérito: somente o Ministério Público, titular da ação penal, órgão para
o qual se destina o inquérito policial, pode se manifestar acerca do seu arquivamento,
dando por encerradas as possibilidades de investigação. Não é atribuição da polícia
12

judiciária dar por findo o seu trabalho, nem do juiz, como se pode ver na próxima nota,
concluir pela inviabilidade do prosseguimento da colheita de provas. É possível, no
entanto, que o representante do Ministério Público expresse o seu parecer pelo
arquivamento, sem qualquer fundamento plausível. Ora, sendo a ação penal obrigatória,
cabe a interferência do juiz, fazendo a remessa dos autos ao Procurador-Geral de Justiça
para que, nos termos do art. 28 do Código de Processo Penal, possa dar a última palavra
a respeito do caso, nos termos de decisão do STF. Pode, ainda, a vítima pleitear a remessa
dos autos do inquérito à superior instância do MP. Por outro lado, caso as investigações
sejam manifestamente infrutíferas e o promotor deseje prosseguir com o inquérito
somente para prejudicar alguém, é possível a concessão de ordem de habeas corpus
para trancar a investigação por falta de justa causa. Esta situação, no entanto, deve ser
sempre excepcional.
Fonte: Nucci, Guilherme de S. Código de Processo Penal Comentado. Grupo GEN, 2024.

8. (Questão Adaptada – FGV). Nos termos da legislação processual vigente, acerca do


inquérito policial, julgue o item. Em respeito ao princípio da ampla defesa, o advogado
devidamente constituído pelo investigado poderá ter acesso integral aos autos do
inquérito policial, independentemente de qualquer condição ou circunstância.

Gabarito ERRADO.
Distintamente do afirmado, em respeito ao princípio da ampla defesa, o advogado
devidamente constituído pelo investigado poderá ter acesso integral aos autos do
inquérito policial, desde que as peças já estejam documentadas.

Súmula Vinculante 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso


amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório
realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do
direito de defesa.

9. (Questão Adaptada – FGV). Miguel, empresário, foi difamado por Carlos, que lhe imputou
fato ofensivo à sua reputação, por meio de palavras. Nessa hipótese, o inquérito policial
destinado à investigação do referido delito, deverá ser iniciado por requisição do juiz.

Gabarito ERRADO.
Distintamente do afirmado, tratando-se de crime de difamação, isto é, crime contra a
honra, a ação penal será privada, exigindo-se requerimento da vítima para a promoção
do inquérito policial, vejamos:

Art. 5º § 5o Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a
inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.

Ensina Nucci:
13

Indispensabilidade do requerimento: quando se tratar de crime de ação privada, cuja


iniciativa é do particular, não há representação, uma vez que o Ministério Público não é
legitimado a agir. Assim, para que o inquérito seja instaurado, deve haver requerimento
expresso do ofendido, que demonstra, então, o seu objetivo de, futuramente, ingressar
com a ação penal.
Fonte: Nucci, Guilherme de S. Código de Processo Penal Comentado. Grupo GEN, 2024.

10. (Questão Adaptada – FGV). O delegado de polícia relatou inquérito policial sugerindo o
arquivamento da investigação, em razão da inexistência de justa causa para o crime de
estelionato cometido por Roberto, por se tratar a hipótese de mero ilícito civil. Nesse caso,
poderá o Ministério Público promover fundamentadamente o arquivamento do inquérito
policial, submetendo sua manifestação ao juiz competente e comunicando à vítima, ao
investigado e à autoridade policial.

Gabarito CERTO.
Atenção, verificamos a cobrança desse tema sendo cobrado pela FGV em 2025 e 2024, 3x!

Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos


informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará à vítima, ao
investigado e à autoridade policial e encaminhará os autos para a instância de revisão
ministerial para fins de homologação, na forma da lei

JURISPRUDÊNCIA

O MP possui o dever de submeter a sua manifestação de arquivamento à autoridade


judicial, que poderá submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão
ministerial, caso verifique patente ilegalidade ou teratologia no ato do arquivamento

Resumo do julgado:
A Lei nº 13.964/2019 alterou a redação do art. 28 do CPP, que tem atualmente a seguinte
redação:

Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos


informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará à vítima,
ao investigado e à autoridade policial e encaminhará os autos para a instância de
revisão ministerial para fins de homologação, na forma da lei.

§ 1º Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o arquivamento do


inquérito policial, poderá, no prazo de 30 (trinta) dias do recebimento da comunicação,
submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme
dispuser a respectiva lei orgânica.
14

§ 2º Nas ações penais relativas a crimes praticados em detrimento da União, Estados e


Municípios, a revisão do arquivamento do inquérito policial poderá ser provocada pela
chefia do órgão a quem couber a sua representação judicial.

O STF atribuiu interpretação conforme à Constituição ao dispositivo para assentar que:

1) Mesmo sem previsão legal expressa, o MP possui o dever de submeter a sua


manifestação de arquivamento à autoridade judicial. Assim, ao se manifestar pelo
arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos informativos da mesma
natureza, o órgão do Ministério Público submeterá sua manifestação ao juiz competente e
comunicará à vítima, ao investigado e à autoridade policial.
2) Não existe uma obrigatoriedade de o MP encaminhar os autos para o PGJ ou para a
CCR.

Segundo decidiu o STF, o membro do Ministério Público poderá encaminhar os autos para
o Procurador-Geral ou para a instância de revisão ministerial, quando houver, para fins de
homologação, na forma da lei.

3) Mesmo sem previsão legal expressa, o juiz pode provocar o PGJ ou a CCR caso entenda
que o arquivamento é ilegal ou teratológico.
Desse modo, além da vítima ou de seu representante legal, a autoridade judicial
competente também poderá submeter a matéria à revisão da instância competente do
órgão ministerial, caso verifique patente ilegalidade ou teratologia no ato do
arquivamento.

Se o juiz entender que a manifestação de arquivamento foi correta, ele não precisa proferir
decisão homologatória. Basta se manter inerte. STF. Plenário. ADI 6.298/DF, ADI 6.299/DF,
ADI 6.300/DF e ADI 6.305/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 24/08/2023 (Info 1106).

11. (Questão Adaptada – FGV). Instaurado inquérito policial para apurar o crime de tráfico de
pessoas previsto no Art. 149-A do Código Penal, o Ministério Público requereu autorização
judicial para que as empresas prestadoras de serviços de telecomunicação
disponibilizassem imediatamente os meios técnicos adequados que permitissem a
localização da vítima.

Nesse contexto, não havendo manifestação judicial no prazo de 24 horas, o Ministério


Público requisitará às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações que
disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados, com imediata comunicação
ao juiz.

Gabarito ERRADO.
O erro da assertiva consiste apenas no prazo, que é, em verdade, de 12 horas. Vejamos:
15

Art. 13-B. Se necessário à prevenção e à repressão dos crimes relacionados ao tráfico de


pessoas, o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia poderão requisitar,
mediante autorização judicial, às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações
e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como
sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do
delito em curso.

§ 1° Para os efeitos deste artigo, sinal significa posicionamento da estação de cobertura,


setorização e intensidade de radiofrequência.

§ 2° Na hipótese de que trata o caput, o sinal:

I - não permitirá acesso ao conteúdo da comunicação de qualquer natureza, que


dependerá de autorização judicial, conforme disposto em lei;

II - deverá ser fornecido pela prestadora de telefonia móvel celular por período não
superior a 30 (trinta) dias, renovável por uma única vez, por igual período;

III - para períodos superiores àquele de que trata o inciso II, será necessária a
apresentação de ordem judicial.

§ 3° Na hipótese prevista neste artigo, o inquérito policial deverá ser instaurado no prazo
máximo de 72 (setenta e duas) horas, contado do registro da respectiva ocorrência
policial.

§ 4º Não havendo manifestação judicial no prazo de 12 (doze) horas, a autoridade


competente requisitará às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou
telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como
sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do
delito em curso, com imediata comunicação ao juiz.

12. (Questão Adaptada – FGV). Relativamente ao inquérito policial, às autoridades que nele
atuam e às diligências nele levadas a efeito, é correto afirmar que poderá o órgão do
Ministério Público requerer ao juiz a devolução do inquérito à autoridade policial para a
realização de diligências imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.

Gabarito CERTO.
CPP, Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à
autoridade policial, senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da
denúncia.

13. (Questão Adaptada – MC). O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado
tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta
16

hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias,


quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela.

Gabarito CERTO.
Conforme prevê o Art. 10 do CPP, “o inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o
indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo,
nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30
dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela”.

PRAZO PARA CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL

PRAZO PRESO SOLTO


10 dias
Justiça Estadual (podendo ser prorrogado 30 (prorrogáveis)
por até 15 dias)2
Justiça Federal 15+15 30 (prorrogáveis)

Justiça Militar 20 40+20


Lei de Drogas 30+30 90+90
Crimes Contra a Econ.
10 10
Popular

14. (Questão Adaptada – MC). A respeito do inquérito policial, assinale a opção correta, tendo
como referência a doutrina majoritária e o entendimento dos tribunais superiores.

De acordo com a Lei de Drogas, estando o indiciado preso por crime de tráfico de drogas,
o prazo de conclusão do inquérito policial é de noventa dias, prorrogável por igual período
desde que imprescindível para as investigações.

Gabarito ERRADO.
Conforme prevê o art. 51 da Lei n.°11.343/2006, estando o indiciado PRESO o prazo será de
30 dias.

Art. 51. O inquérito policial será concluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o indiciado
estiver preso, e de 90 (noventa) dias, quando solto.

2
No julgamento das ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305, o STF conferiu interpretação conforme ao dispositivo, reconhecendo a
necessidade de novas prorrogações do inquérito. Vejamos:

IX) atribuir interpretação conforme ao § 2º do art. 3º-B do CPP, para assentar que:
a) o juiz pode decidir de forma fundamentada, reconhecendo a necessidade de novas prorrogações do inquérito, diante
de elementos concretos e da complexidade da investigação; e

b) a inobservância do prazo previsto em lei não implica a revogação automática da prisão preventiva, devendo o juízo
competente ser instado a avaliar os motivos que a ensejaram;
17

Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo podem ser duplicados pelo juiz,
ouvido o Ministério Público, mediante pedido justificado da autoridade de polícia
judiciária.

15. (Questão Adaptada – MC). O arquivamento implícito é uma construção doutrinária. Ele
seria, inicialmente, decorrente da omissão do Ministério Público que deixa de narrar na
denúncia um fato investigado no inquérito ou um indiciado.

Gabarito CERTO.
Conforme ensina o professor Noberto Avena, o fenômeno do arquivamento implícito pode
ocorrer em duas hipóteses:

- Quando o Ministério Público deixa de incluir na denúncia algum dos fatos investigados
no inquérito ou algum dos indivíduos nele indiciados, sem qualquer justificativa para
tanto, quer no sentido de requerer diligências, quer no sentido de promover o
arquivamento expresso quanto a fatos ou indiciados remanescentes.

- Quando o Ministério Público, diante de inquérito policial que indiciou mais de um


investigado ou apurou mais de um fato criminoso, postula e tem deferido pelo juiz o
arquivamento do procedimento policial, referindo-se, todavia, a apenas um ou alguns
investigados ou um ou alguns fatos, sem qualquer menção aos demais.

16. (Questão Inédita – MC). Acerca da investigação preliminar, julgue o item subsequente:

De acordo com o entendimento dos Tribunais Superiores, não se admite a técnica do


fishing expedition.

Gabarito CERTO.
A partir do momento que a lei exige indícios mínimos da existência do crime, fica vedada
a técnica do fishing expedition (pesca predatória).
Conceito de pesca predatória: trata-se de uma investigação especulativa indiscriminada,
sem objetivo certo ou declarado, que lança suas redes com a esperança de pescar
qualquer prova, para subsidiar uma futura acusação.

17. (Questão Adaptada – MC). O IP é indispensável para o oferecimento da denúncia; o


promotor de justiça não poderá denunciar o réu sem esse procedimento investigatório
prévio.

Gabarito ERRADO.
O inquérito policial possui entre outras características, a característica de ser dispensável.
Desse modo, é possível que seja instaurada ação penal sem inquérito policial prévio, desde
que haja outros elementos hábeis a substanciar a ação penal. Nesse sentido, vejamos a
legislação:
18

Art. 39, § 5º. O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a representação
forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, neste caso,
oferecerá a denúncia no prazo de quinze dias.

CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO POLICIAL


Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado,
Procedimento
reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas
Escrito
pela autoridade.
Na eventual hipótese de o titular da ação penal já contar com
elementos de informação suficientes para subsidiar a futura
ação penal, o inquérito policial poderá ser dispensado.
Dispensável O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a
representação forem oferecidos elementos que o habilitem a
promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no
prazo de quinze dias.
Sigiloso A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à
elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.
O delegado de polícia conduz as investigações da forma que
melhor se apresenta e mostra-se necessária. Nessa esteira,
existe um rol não taxativo nos art. 6º e 7º do CPP de diligências
previstas para serem cumpridas. Destaca-se, porém, que essas
diligências não são vinculantes, obrigatórias, e o delegado
Discricionário pode verificar quais serão necessárias, bem como, poderá
também realizar alguma que não esteja prevista. Inobstante a
regra da não obrigatoriedade de diligências pré-estipuladas, o
Ordenamento Jurídico comporta uma exceção, qual seja, a
realização do exame de corpo de delito nos crimes que deixam
vestígios.

Indisponível A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de


inquérito.

O art. 10 do CPP prevê um prazo determinado para o


Temporário encerramento do inquérito policial.

Procedimento O inquérito policial é realizado por uma autoridade oficial, no


Oficial caso o delegado de polícia, devidamente habilitado.

A instauração do inquérito policial por parte do Delegado de


Procedimento Polícia ocorre, em regra, de ofício, salvo nos casos de ação
Oficioso privada e pública condicionada, em que o início dependerá do
requerimento ou representação.
19

18. (Questão Adaptada – MC). Em relação ao processo penal brasileiro, julgue o item seguinte.

O delegado de polícia pode requisitar, sem necessidade de autorização judicial, dados e


informações cadastrais de suspeito da prática de crime de extorsão mediante sequestro.

Gabarito CERTO.
CPP, Art. 13-A. Nos crimes previstos nos arts. 148, 149 e 149-A, no § 3º do art. 158 e no art. 159
do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), e no art. 239 da Lei no
8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), o membro do
Ministério Público ou o delegado de polícia poderá requisitar, de quaisquer órgãos do
poder público ou de empresas da iniciativa privada, dados e informações cadastrais da
vítima ou de suspeitos

Parágrafo único. A requisição, que será atendida no prazo de 24 (vinte e quatro) horas,
conterá:
I - o nome da autoridade requisitante;
II - o número do inquérito policial; e
III - a identificação da unidade de polícia judiciária responsável pela investigação.

19. (Questão Adaptada – MC). Durante a tramitação de um inquérito policial, um delegado,


convencido da autoria de uma determinada infração penal por certo investigado, realizou
a análise técnico-jurídica do fato e indiciou o suspeito.

Com referência a essa situação hipotética, assinale a opção correta, considerando a


doutrina e os entendimentos do STF.

Inexiste fundamento jurídico que autorize o magistrado, após receber a denúncia, a


requisitar ao delegado o indiciamento de determinada pessoa.

Gabarito CERTO.
O ato de indiciamento é exclusivo da fase investigatória. Se o processo criminal já teve
início, sem que tenha tido o indiciamento formalmente, não é mais possível o indiciamento,
constituindo-se em constrangimento ilegal. Nesse sentido, o entendimento do STJ.O
INDICIAMENTO após o oferecimento da denúncia constitui-se em constrangimento
ilegal.

Indiciamento é atribuição exclusiva da autoridade policial 3

3
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Indiciamento é atribuição exclusiva da autoridade policial. Buscador Dizer o Direito,
Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em:
16/02/2020.
20

O magistrado não pode requisitar o indiciamento em investigação criminal. Isso porque o


indiciamento constitui atribuição exclusiva da autoridade policial. É por meio do
indiciamento que a autoridade policial aponta determinada pessoa como a autora do
ilícito em apuração. Por se tratar de medida ínsita à fase investigatória, por meio da qual
o delegado de polícia externa o seu convencimento sobre a autoria dos fatos apurados,
não se admite que seja requerida ou determinada pelo magistrado, já que tal
procedimento obrigaria o presidente do inquérito à conclusão de que determinado
indivíduo seria o responsável pela prática criminosa, em nítida violação ao sistema
acusatório adotado pelo ordenamento jurídico pátrio. Nesse mesmo sentido é a
inteligência do art. 2º, § 6º, da Lei 12.830/2013, que afirma que o indiciamento é ato inserto
na esfera de atribuições da polícia judiciária. STJ. 5ª Turma. RHC 47984-SP, Rel. Min. Jorge
Mussi, julgado em 4/11/2014 (Info 552). STF. 2ª Turma. HC 115015/SP, Rel. Min. Teori Zavascki,
julgado em 27/8/2013 (Info 717).

20. (Questão Adaptada – MC). Denomina-se notitia criminis de cognição imediata quando a
autoridade policial fica sabendo da infração penal em razão do desempenho de suas
atividades regulares.

Gabarito CERTO.

Quando o delegado por meio de atividades rotineiras toma


conhecimento do crime. Segundo Norberto Avena, “a autoridade
policial toma conhecimento da ocorrência de um crime de forma
Notitia criminis de direta por meio de suas atividades funcionais rotineiras, podendo ser
cognição imediata por meio de investigações por ela mesma realizadas, por notícia
(espontânea) veiculada na imprensa, por meio de serviços de Disque-Denúncia
(denúncias anônimas ou não) etc.”.
Quando o delegado recebe um expediente escrito informando do
crime. Conforme leciona Norberto Avena, “a autoridade policial toma
conhecimento da ocorrência do crime por meio de algum ato jurídico
Notitia criminis de de comunicação formal do delito dentre os previstos na legislação
cognição mediata ou processual. Este ato pode ser o requerimento da vítima ou de qualquer
provocada pessoa do povo, a requisição do juiz ou do Ministério Público, a
requisição do Ministro da Justiça e a representação do ofendido”.
Quando o delegado toma conhecimento do fato criminoso ao realizar
uma prisão em flagrante. Explica Norberto Avena “ocorre na hipótese
de prisão em flagrante delito, em que a autoridade policial lavra o
Notitia criminis de respectivo auto. Veja-se que o auto de prisão em flagrante é forma de
cognição coercitiva início do inquérito policial, independentemente da natureza da ação
penal. Entretanto, nos crimes de ação penal pública condicionada e
de ação penal privada sua lavratura apenas poderá ocorrer se for
acompanhado, respectivamente, da representação ou do
requerimento do ofendido (art. 5., §§ 4. e 5, do CPP)”.
21

21. (Questão Adaptada – MC). Acerca dos atos do delegado de polícia durante o inquérito
policial, julgue o item subsequente:

Diante de notitia criminis inqualificada, antes de determinar a abertura do inquérito


policial, o delegado de polícia deve promover a diligência de verificação de procedência
das informações, a fim de evitar delação inescrupulosa.

Gabarito CERTO.
Notitia criminis inqualificada: ocorre quando o delegado de polícia toma conhecimento do
fato delituoso por meio de denúncia anônima.

ATENÇÃO! O delegado de polícia, em razão de uma denúncia anônima, não pode instaurar
um inquérito policial imediatamente. Antes de instaurar um inquérito policial, o delegado
deverá fazer a verificação da procedência das informações – VPI;
1º - Recebimento da notitia criminis inqualificada;
2º - Verificação de procedência das informações (VPI) – análise da verossimilhança dos
fatos denunciados – art. 5º, § 3º, CPP;
3º - Instauração de Inquérito Policial;
4º - Representação por medidas cautelares.

Diante do exposto, temos que a denúncia anônima pode oportunizar a instauração de


inquérito policial, desde que haja a verificação de procedência das informações.

Conforme explica Márcio André4, a denúncia anônima ocorre quando alguém, sem se
identificar, relata para as autoridades (ex: Delegado de Polícia, MP etc.) que determinada
pessoa praticou um crime. É o caso, por exemplo, dos serviços conhecidos como "disk-
denúncia" ou, então, dos aplicativos de celular por meio dos quais se "denuncia" a
ocorrência de delitos. O termo "denúncia anônima" não é tecnicamente correto porque
em processo penal denúncia é o nome dado para a peça inaugural da ação penal
proposta pelo Ministério Público. Assim, a doutrina prefere falar em "delação apócrifa",
"notícia anônima" ou "notitia criminis inqualificada".

22. (Questão Inédita – MC). De acordo com a doutrina e a Jurisprudência, em regra, eventuais
nulidades existentes no inquérito policial acarretam a nulidade do processo penal
subsequente.

Gabarito ERRADO.
Sendo o IP um procedimento de índole administrativa, eventuais nulidades nele
existentes NÃO acarretam a nulidade do processo penal subsequente.

4
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Denúncia anônimaa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em:
14/09/2020.
22

Em regra, como o IP é um procedimento administrativo dispensável para a persecução


penal eventuais nulidades não maculam o subsequente processo penal (STF, 2ª Turma, HC
85.286, Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. 29/11/2005, DJ 24/03/2006). Excepcionalmente, caso
seja produzida uma prova ilícita no bojo do IP ela não poderá fundamentar eventual
sentença condenatória. (ex. tortura).

23. (Questão Inédita – MC). De acordo com o Código de Processo Penal, o juiz formará sua
convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não
podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos
na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.

Gabarito CERTO.
CPP, art. 155: “O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em
contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos
elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não
repetíveis e antecipadas.”

Cumpre destacarmos que, os elementos de informação servem para: (i) decretação de


medidas cautelares; (ii) auxiliar na formação da opinio delicti.

24. (Questão Inédita – MC). Conforme entendimento da doutrina moderna, o inquérito policial
além da sua função preparatória, possui uma função preservadora. Acerca do tema,
julgue o item subsequente:

De acordo com a função preservadora, o Inquérito Policial visa o retorno ao status quo
ante, é dizer, restaurar as condições existentes antes da prática criminosa, para o autor e
para a vítima. Nos crimes patrimoniais, por exemplo, sob o ponto de vista da vítima, mais
importante do que a responsabilização do criminoso é a recuperação do produto da
infração.

Gabarito ERRADO.
A questão trocou os conceitos de função preservadora e função restaurativa do inquérito
policial. Vejamos:

Função Preservadora à A existência prévia de um inquérito inibe a instauração de um


processo penal infundado, temerário, resguardando a liberdade do inocente e evitando
custos desnecessários para o Estado.

Função Restaurativa à a partir dessa função, o IP visa o retorno ao status quo ante, é dizer,
restaurar as condições existentes antes da prática criminosa, para o autor e para a vítima.
Nos crimes patrimoniais, por exemplo, sob o ponto de vista da vítima, mais importante do
que a responsabilização do criminoso é a recuperação do produto da infração.
23

25. (Questão Inédita – MC). Com base na legislação, na jurisprudência e na doutrina


majoritária, assinale a alternativa correta acerca do inquérito policial, da prisão
temporária e da participação do Ministério Público na investigação criminal.

Conforme o STJ, a participação de um membro do Ministério Público na fase de


investigação criminal não acarreta o seu impedimento ou a sua suspeição para o
oferecimento da denúncia.

Gabarito: CERTO. Conforme a Súmula 234 do STJ - a Participação de membro do Ministério


Público na fase investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição
para o oferecimento da denúncia.

QUESTÕES EXTRAS

26. (Questão Inédita – MC). De acordo com o Código de Processo Penal, após ser ordenado o
arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia,
a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia.

Gabarito CERTO.
De acordo com o art. 18 do CPP.
Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por
falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas,
se de outras provas tiver notícia.

27. (Questão Inédita – MC). À luz da Jurisprudência do STF, uma vez arquivado o inquérito
policial, por despacho do juiz, a requerimento do Promotor de Justiça, não pode a ação
penal ser iniciada, sem novas provas.

Gabarito CERTO.
Trata-se do entendimento proposto na súmula 524 do STF.

Súmula 524-STF: Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do


Promotor de Justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas.

28. (Questão Inédita – MC). De acordo com o entendimento do STJ, o requerimento ministerial
de arquivamento de inquérito ou procedimento investigatório criminal fundamentado na
extinção da punibilidade ou atipicidade da conduta exige do Judiciário uma análise
meritória do caso, com aptidão para formação da coisa julgada material com seu inerente
efeito preclusivo.

Gabarito CERTO.
O requerimento ministerial de arquivamento de inquérito ou procedimento investigatório
criminal fundamentado na extinção da punibilidade ou atipicidade da conduta exige do
24

Judiciário uma análise meritória do caso, com aptidão para formação da coisa julgada
material com seu inerente efeito preclusivo, não se aplicando as disposições do art. 18 do
Código de Processo Penal.
STJ. Corte Especial. Inq 1.721-DF, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 2/10/2024 (Info
829).

29. (Questão Inédita – MC). Conforme entendimento da Jurisprudência do Supremo Tribunal


Federal, não se admite a decretação de busca e apreensão com base em simples notícia
anônima.

Gabarito CERTO.
Denúncias anônimas não podem embasar, por si sós, medidas invasivas como
interceptações telefônicas, buscas e apreensões, e devem ser complementadas por
diligências investigativas posteriores. Se há notícia anônima de comércio de drogas ilícitas
numa determinada casa, a polícia deve, antes de representar pela expedição de
mandado de busca e apreensão, proceder a diligências veladas no intuito de reunir e
documentar outras evidências que confirmem, indiciariamente, a notícia. Se confirmadas,
com base nesses novos elementos de informação o juiz deferirá o pedido. Se não
confirmadas, não será possível violar o domicílio, sendo a expedição do mandado
desautorizada pela ausência de justa causa. O mandado de busca e apreensão expedido
exclusivamente com apoio em denúncia anônima é abusivo. STF. 2ª Turma. HC 180709/SP,
Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 5/5/2020 (Info 976).

30. (Questão inédita – MC). À luz da Jurisprudência do STF, análise a presente situação
concreta e assinale a assertiva:

Em determinada investigação preliminar, a Polícia Federal sob a supervisão do Ministério


Público estadual e do Juízo de Direito, conduziu inquérito policial destinado a apurar crimes
cuja competência era da Justiça Estadual. Nessa circunstância, é correto afirmamos que
a Polícia Federal não tinha atribuição para apurar tais delitos considerando que não se
enquadravam nas hipóteses do art. 144, § 1º da CF/88 e do art. 1º da Lei nº 10.446/2002,
consequentemente, haverá nulidade da ação penal instaurada a partir dessa
investigação.

Gabarito ERRADO.
Não há nulidade na ação penal instaurada a partir de elementos informativos colhidos
em inquérito policial que não deveria ter sido conduzido pela Polícia Federal considerando
que a situação não se enquadrava no art. 1º da Lei 10.446/2002.
Vejamos:
Caso concreto: a Polícia Federal, sob a supervisão do Ministério Público estadual e do Juízo
de Direito, conduziu inquérito policial destinado a apurar crimes de competência da
Justiça Estadual. Entendeu-se que a Polícia Federal não tinha atribuição para apurar tais
25

delitos considerando que não se enquadravam nas hipóteses do art. 144, § 1º da CF/88 e
do art. 1º da Lei nº 10.446/2002.
A despeito disso, o STF entendeu que não havia nulidade na ação penal instaurada com
base nos elementos informativos colhidos.
O fato de os crimes de competência da Justiça Estadual terem sido investigados pela
Polícia Federal não geram nulidade. Isso porque esse procedimento investigatório,
presidido por autoridade de Polícia Federal, foi supervisionado pelo Juízo estadual (juízo
competente) e por membro do Ministério Público estadual (que tinha a atribuição para
a causa).
O inquérito policial constitui procedimento administrativo, de caráter meramente
informativo e não obrigatório à regular instauração do processo-crime, cuja finalidade
consiste em subsidiar eventual denúncia a ser apresentada pelo Ministério Público, razão
pela qual irregularidades ocorridas não implicam, de regra, nulidade de processo-
crime.
O art. 5º, LIII, da Constituição Federal, afirma que “ninguém será processado nem
sentenciado senão pela autoridade competente”. Esse dispositivo contempla o chamado
“princípio do juiz natural”, princípio esse que não se estende para autoridades policiais,
considerando que estas não possuem competência para julgar.
Logo, não é possível anular provas ou processos em tramitação com base no argumento
de que a Polícia Federal não teria atribuição para investigar os crimes apurados.
A desconformidade da atuação da Polícia Federal com as disposições da Lei nº
10.446/2002 e eventuais abusos cometidos por autoridade policial, embora possam
implicar responsabilidade no âmbito administrativo ou criminal dos agentes, não podem
gerar a nulidade do inquérito ou do processo penal.
STF. 1ª Turma. HC 169348/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 17/12/2019 (Info 964).

31. (Questão Inédita – MC). Acerca do indiciamento, julgue o item subsequente:

O ato de indiciamento é exclusivo da fase investigativa, dessa forma, uma vez iniciada a
fase processual o indiciamento não é mais possível, sob pena de constrangimento ilegal.

Gabarito CERTO.
STJ: “(...) Esta Corte Superior de Justiça, reiteradamente, vem decidindo que o indiciamento
formal dos acusados, após o recebimento da denúncia, submete os pacientes a
constrangimento ilegal e desnecessário, uma vez que tal procedimento, que é próprio da
fase inquisitorial, não mais se justifica quando a ação penal já se encontra em curso.
Habeas corpus concedido para cassar a decisão que determinou o indiciamento formal
dos pacientes, excluindo-se todos os registros e anotações, relativos ao processo de que
aqui se cuida, sem prejuízo do regular andamento da ação penal. (STJ, 6ª Turma, HC
182.455/SP, Rel. Min. Haroldo Rodrigues, j. 05/05/2011).

32. (Questão Inédita – MC). À luz do entendimento da doutrina e da Jurisprudência, o


indiciamento é atribuição exclusiva do Delegado de Polícia.
26

Gabarito CERTO.
Lei n. 12.830/13. Art. 2º (...) § 6º O indiciamento, privativo do delegado de polícia, dar-se-á
por ato fundamentado, mediante análise técnico-jurídica do fato, que deverá indicar a
autoria, materialidade e suas circunstâncias.

STF: “(...) Sendo o ato de indiciamento de atribuição exclusiva da autoridade policial, não
existe fundamento jurídico que autorize o magistrado, após receber a denúncia, requisitar
ao Delegado de Polícia o indiciamento de determinada pessoa.

A rigor, requisição dessa natureza é incompatível com o sistema acusatório, que impõe a
separação orgânica das funções concernentes à persecução penal, de modo a impedir
que o juiz adote qualquer postura inerente à função investigatória. Doutrina. Lei 12.830/2013.
Ordem concedida. (STF, 2ª Turma, HC 115.015/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 27/08/2013).

33. (Questão Inédita – MC). À luz da Jurisprudência do STF, é constitucional o inquérito


instaurado para investigar “fake news” e ameaças contra o STF.

Gabarito CERTO.
É constitucional a Portaria GP 69/2019, por meio da qual o Presidente do STF determinou a
instauração do Inquérito 4781, com o intuito de apurar a existência de notícias fraudulentas
(fake news), denunciações caluniosas, ameaças e atos que podem configurar crimes
contra a honra e atingir a honorabilidade e a segurança do STF, de seus membros e
familiares.
Também é constitucional o art. 43 do Regimento Interno do STF, que foi recepcionado pela
CF/88 como lei ordinária.
O STF, contudo, afirmou que o referido inquérito, para ser constitucional, deve cumprir as
seguintes condicionantes:
a) o procedimento deve ser acompanhado pelo Ministério Público;
b) deve ser integralmente observado o Enunciado 14 da Súmula Vinculante.
c) o objeto do inquérito deve se limitar a investigar manifestações que acarretem risco
efetivo à independência do Poder Judiciário (art. 2º da CF/88). Isso pode ocorrer por meio
de ameaças aos membros do STF e a seus familiares ou por atos que atentem contra os
Poderes instituídos, contra o Estado de Direito e contra a democracia; e, por fim,
d) a investigação deve respeitar a proteção da liberdade de expressão e de imprensa,
excluindo do escopo do inquérito matérias jornalísticas e postagens, compartilhamentos
ou outras manifestações (inclusive pessoais) na internet, feitas anonimamente ou não,
desde que não integrem esquemas de financiamento e divulgação em massa nas redes
sociais.
O art. 43 do RISTF prevê o seguinte: “Art. 43. Ocorrendo infração à lei penal na sede ou
dependência do Tribunal, o Presidente instaurará inquérito, se envolver autoridade ou
pessoa sujeita à sua jurisdição, ou delegará esta atribuição a outro Ministro.”
27

Muito embora o dispositivo exija que os fatos apurados ocorram na “sede ou dependência”
do próprio STF, o caráter difuso dos crimes cometidos por meio da internet permite
estender (ampliar) o conceito de “sede”, uma vez que o STF exerce jurisdição em todo o
território nacional. Logo, os crimes objeto do inquérito, contra a honra e, portanto, formais,
cometidos em ambiente virtual, podem ser considerados como cometidos na sede ou
dependência do STF.
STF. Plenário. ADPF 572 MC/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 17 e 18/6/2020 (Info 982).

34. (Questão Adaptada – MC). O inquérito policial é atividade investigatória realizada por
órgãos oficiais, não podendo ficar a cargo do particular, ainda que a titularidade do
exercício da ação penal pelo crime investigado seja atribuída ao ofendido.

Considerando-se as características do inquérito policial, é correto afirmar que o texto


anterior discorre sobre a oficiosidade do inquérito policial.

Gabarito ERRADO. Trata-se da característica da OFICIALIDADE.

Oficialidade à O delegado de polícia, autoridade que preside o inquérito policial, constitui-


se em órgão oficial do Estado (art. 144, §4º, CF/88 c/c art. 2º, §1º, Lei nº 12.830/13).

Oficiosidade à atuação de OFÍCIO.


Se o crime for processado mediante ação penal pública incondicionada, a autoridade
policial deve atuar de ofício, é dizer, prescinde de que qualquer autorização para agir.

Por outro lado, nos crimes de ação penal pública condicionada e ação penal privada o
legislador achou por bem condicionar o início da persecução penal à autorização da
vítima, ou lhe conferir a própria iniciativa do exercício da ação.

35. (Questão Inédita – MC). À luz da Jurisprudência do STF, o arquivamento com base em
excludente de ilicitude faz coisa julgada material.

Gabarito ERRADO.
Para o STF, o arquivamento de inquérito policial em razão do reconhecimento de
excludente de ilicitude não faz coisa julgada material. Logo, surgindo novas provas seria
possível reabrir o inquérito policial, com base no art. 18 do CPP e na Súmula 524 do STF. STF.
1ª Turma. HC 95211, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 10/03/2009. STF. 2ª Turma. HC
125101/SP , rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em
25/8/2015 (Info 796).

Atenção! Para o STJ, o arquivamento do inquérito policial com base na existência de causa
excludente da ilicitude faz coisa julgada material e impede a rediscussão do caso penal.
O mencionado art. 18 do CPP e a Súmula 524 do STF realmente permitem o
desarquivamento do inquérito caso surjam provas novas. No entanto, essa possibilidade
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só existe na hipótese em que o arquivamento ocorreu por falta de provas, ou seja, por falta
de suporte probatório mínimo (inexistência de indícios de autoria e certeza de
materialidade). STJ. 6ª Turma. REsp 791.471/RJ , Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 25/11/2014
(Info 554).

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