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Lei Maria da Penha: Proteção à Mulher

LEI MARIA DA PENHA Nº 11.340, DE 07 DE AGOSTO DE 2006. A Lei Maria da Penha que foi criada para proteger a vítima do seu agressor traz em seus 46 artigos eficácia na seguridade legal da mulher brasileira ponderando em sua legislação considerações sobre o que seria violência doméstica e familiar e também estabelecendo critérios objetivos para sua execução e proteção a vítima.

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Lei Maria da Penha: Proteção à Mulher

LEI MARIA DA PENHA Nº 11.340, DE 07 DE AGOSTO DE 2006. A Lei Maria da Penha que foi criada para proteger a vítima do seu agressor traz em seus 46 artigos eficácia na seguridade legal da mulher brasileira ponderando em sua legislação considerações sobre o que seria violência doméstica e familiar e também estabelecendo critérios objetivos para sua execução e proteção a vítima.

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FICHAMENTO

LEI MARIA DA PENHA Nº 11.340, DE 07 DE AGOSTO DE 2006.

Discorrer sobre a temática acima abordada é necessário, primeiramente, um


discernimento teórico acerca da historiografia da Lei Maria da Penha nº 11.340/06.
Esta Lei foi criada para estabelecer como crime todo caso de violência doméstica e
intrafamiliar, sendo apurado através de inquerido policial e remetido ao Ministério
Público, para serem julgados nos “Juizados Especializados de Violência Doméstica
contra a Mulher”, criados a partir dessa legislação, ou nas “Varas Criminais” nas
cidades em que ainda não existem os juizados especializados citados anteriormente.
De acordo com o artigo 1º da Lei Maria da Penha;

Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e


familiar contra a mulher, nos termos do § 8o do art. 226 da Constituição
Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de
Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir,
Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados
internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre
a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e
estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de
violência doméstica e familiar (BRASIL, 2006, p. 11).

Mas, por que Maria da Penha? Em seu contexto histórico a Lei ganhou este
nome em homenagem à brasileira Maria da Penha Maia Fernandes, que como
muitas outras mulheres sofreu violência doméstica. A biofarmacêutica cearense
Maria da Penha buscou ajuda jurídica após sofrer diversos abusos e agressões por
parte de seu marido o professor universitário Marco Antonio Herradia Viveros. As
agressões ocorreram no ano de 1983, quando o professor simulando um assalto
com arma de fogo disparou contra sua esposa que dormia na tentativa de matá-la
resultando em sequelas irreparáveis como sua paraplegia permanente. Após alguns
dias, pouco mais de uma semana, nova tentativa, tentou eletrocutá-la por meio de
uma descarga elétrica enquanto ela tomava banho.
A advogada Ana Virginia Rodrigues (2013, p. 2) em seu artigo sobre “a ação
penal nos crimes cometidos no âmbito da Lei Maria da Penha”, em relação ação
movida pela brasileira Maria da Penha contra seu agressor relatam que:

A ação penal que Maria da Penha Maia Fernandes moveu contra seu
agressor e marido durou cerca de 15 (quinze) anos, sem que o judiciário
desse qualquer resposta e, ainda, com o acusado solto. Desacreditada na
Justiça Brasileira, em 1998, Maria da Penha denunciou o caso à Comissão
Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados
Americanos (OEA). Em razão da denúncia, a Comissão de Direitos
Humanos da OEA, recomendou ao Estado Brasileiro, o procedimento e a
intensificação do processo de reforma destinado a evitar a tolerância do
Estado e o tratamento discriminatório com respeito à violência doméstica
contra as mulheres.

A partir de então, foi criado o “Projeto de Lei” baseado na Constituição


Federal do Brasil de 1988 em seu artigo 226, Inciso 8º que prevê a família sendo “a
base da sociedade tendo o Estado o dever de provê-la em especial proteção,
assegurando a assistência na pessoa de cada um dos que integram o grupo familiar,
criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações” (BRASIL,
CF, 1988, p. 144). O projeto iniciou no ano de 2002, mais só foi sancionado em 7 de
agosto de 2006, trazendo consolidação dos direitos humanos em relação a mulher
vítima de violência doméstica e familiar. Brasil (2006, p. 13) no artigo 6º “a violência
doméstica e familiar contra a mulher constitui uma das formas de violação dos
direitos humanos”.
De acordo com Lei em seu artigo 5: “configura violência doméstica e familiar
contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão,
sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”. Já no artigo 7 e seus
incisos dispõe as cinco espécies de violência contra mulher, desmitificando a ideia
de que a violência sofrida pela mulher se configura somente na física e sexual, tendo
também abrangência nos âmbitos de violência mental, patrimonial, moral e social
que desestrutura a figura feminina diante a sociedade.

Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre


outras:
I – a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua
integridade ou saúde corporal;
II – a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause
dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e
perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas
ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça,
constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância
constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização,
exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe
cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;
III – a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja
a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada,
mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a
comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a
impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao
matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação,
chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de
seus direitos sexuais e reprodutivos; ação parlamentar 15 Procuradoria
Especial da Mulher
IV – a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure
retenção, subtra- ção, destruição parcial ou total de seus objetos,
instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou
recursos econô- micos, incluindo os destinados a satisfazer suas
necessidades;
V – a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure
calúnia, difamação ou injúria (BRASIL, 2006, p. 14-15).

A Lei Maria da Penha que foi criada para proteger a vítima do seu agressor
traz em seus 46 artigos eficácia na seguridade legal da mulher brasileira ponderando
em sua legislação considerações sobre o que seria violência doméstica e familiar e
também estabelecendo critérios objetivos para sua execução e proteção a vítima.
Porém, a Lei mostra muitas falhas em sua aplicabilidade e certa incompetência na
atuação do poder público (Executivo, Judiciário e Ministério Público) que não
estrutura os órgãos competentes gerando desconfiança por parte da população e
impunidade na apuração dos fatos pelos sistemas policiais e jurídicos.
É importante relatar que a Lei tem sua funcionalidade, mas só ela não basta.
É necessária uma efetiva implementação de políticas públicas que resulte numa
melhora concreta no tratamento não só da mulher, mas de todos. Já que no artigo 5º
no Inciso I: “todos são iguais perante a lei, sendo homens e mulheres iguais em
direitos e obrigações” como estabelece a Constituição Federal do Brasil de 1988.

REFERENCIAS

BRASIL. Lei Maria da Penha. Lei no 11.340, de 7 de agosto de 2006, que dispõe
sobre mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.
Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2010.

BRASIL. Constituição. Constituição da República Federativa do Brasil.


Brasília/DF: Senado, 1988.

RODRIGUES, Ana Virginia Lacerda. Da representação da vítima para inicio da


ação penal nos crimes cometidos no âmbito da Lei Maria da Penha diante do
entendimento do STF. 24Fls. Artigo Científico (Bacharel em Direito) – Faculdade de
Ensino Superior da Paraíba. João Pessoa, 2013.

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