Baseado em como Deus se condicionou a atender nossas orações para agir aqui na terra, ainda
que seja por sua vontade, me veio uma compreensão sobre os sentimentos de Deus em
relação às nossas orações, e porque não recebemos sempre o que pedimos. Se a terra é nossa
jurisdição, a jurisdição dos humanos, então é nossa responsabilidade fazê-la funcionar do jeito
que Deus quer, através da oração e clamor, pedindo a Deus que sua vontade seja feita, e
agindo segundo a palavra dele para validar. Essa é a lei que ele mesmo estabeleceu, e embora
seja soberano pra fazer o que quer, uma vez que ele criou tal lei, ele limitou seus movimentos
aqui na terra, pois passar por cima da lei seria como trair a si mesmo, como trapacear nas
próprias regras. A terra é jurisdição do homem, os céus, a jurisdição de Deus (Sl. 115:16).
Sendo assim, a salvação dos homens, embora seja a vontade de Deus (1Tm. 2:4-6), foi posta
como nossa responsabilidade ao anunciar e orar para que Deus interfira e salve as almas. Neste
caso, compreendo que almas são o principal foco da missão que nos foi dada.
Eu entendi um pouco sobre o imenso amor que Deus tem por nós, pelas almas, e o ardente
desejo dele pela salvação de todas elas. Mas para isso é preciso que haja um clamor pelas
almas perdidas, o nosso amor precisa estar alinhado ao amor de Deus, nossos corações
precisam bater em sintonia, desse modo, o que quebranta o coração de Deus, quebrantará o
nosso também, o que arder no coração de Deus, arderá no nosso também, o que machuca o
coração de Deus, machucará o nosso, e nossos pedidos e súplicas não serão para nós mesmos,
mas focará na vontade de Deus, naquilo que ele quer fazer aqui na terra por nós mesmos, para
o nosso próprio bem, e esse será nosso clamor e suplica. A terra é como um barco que está
afundando, e o que Deus quer fazer é tirar o máximo de pessoas possível desse barco e
transferi-las para o barco da salvação. Ou seja, o principal foco do reino de Deus não é o de
atender nossas orações egoístas, mas sim o de salvar o máximo de almas possivel através de
nós. Que pensemos no outro quando orarmos, que oremos em prol do outro e não em prol de
nós mesmos. Embora orar por nós mesmos não seja um pecado, não nos alinha ao coração de
Deus, pois é um ato egoísta, e a oração foi a ferramenta mais poderosa que Deus nos deu para
interferir na vida do próximo.
O que me fez ter essa compreensão da dor que invade o coração de Deus para que haja
intercessores para que sejamos salvos?
No dorama “Genie, Make a Wish (O Gênio Dos Desejos)”, no episodio 11, entre os minutos 32 e
43 do vídeo, vemos o gênio dos desejos realizando um desejo cuja consequência foi a morte da
pessoa que ele amava. Ele tinha uma regra que o limitava, não trazer pessoas dos mortos nem
realizar desejos para o próprio benefício ou sem que alguém o deseje. Então, quando a mulher
que ele ama é esfaqueada e sufoca no próprio sangue em seus braços, ele se ve de mãos
atadas pois não pode usar seus poderes para curá-la, sem que alguém deseje isso, e se ela
morrer, então significa que ele não terá como salvá-la, mesmo que alguém deseje.
Para atender um desejo ele precisa que alguém pegue sua lâmpada e esfregue. Isso dará
àquela pessoa o direito a 3 desejos, que ele é obrigado a realizar. Então desesperado por um
desejo que pedisse a ele para ajudar a sua amada que estava morrendo em seus braços, ele
traz a lâmpada para o local e diz: “por favor, alguém me ajude a salvá-la. Eu darei 3 desejos
para quem possuir a lâmpada, eu só peço que usem o primeiro desejo para que eu a salve. Me
peçam para salvá-la. Qualquer um de vocês. Quem quiser, peçam o que quiser e eu dou, mas
usem o primeiro desejo para pedir que eu salve a vida dela. E eu lhe darei tudo mais o que
você pedir!” Então, um homem se aproxima da lâmpada e a esfrega, mas ao invés de pedir
para que o gênio salve a mulher agonizante em seus braços, o homem se enche de ganância e
pede riqueza. O poder emana do gênio, e a riqueza vem, então o gênio olha com expectativa e
desespero para o homem aguardando ansioso pelo próximo desejo. E com uma ganancia
furiosa nos olhos, o homem pede ainda mais ouro, e seus 3 desejos são por ouro e muita
riqueza. Quando o ouro começa a cair do céu todos correm para junto do homem, rindo e
festejando, e ninguém se importa com a mulher morrendo em seus braços, e muito menos
com o desespero dele em querer salvá-la e não poder, porque depende do desejo de outro.
Ninguém se importa com o choro angustiante ou com a dor que ele sente naquele momento,
ao ver o amor de sua vida morrendo em seus braços. Aquele gênio tinha toda riqueza do
mundo em suas mãos, e poderia dar a quem ele quisesse. A pessoa que desejasse a cura da
sua amada poderia obter até 100 vezes mais do que riquezas, mas escolheram ignorar o
sofrimento e vontade do gênio e consequentemente a sua amada morreu em seus braços. E
ninguém no meio daquela multidão se importou. Enquanto o gênio deixava o local com a
amada morta em seus braços, eles festejavam debaixo da chuva de ouro que caia do céu.
Para mim esta cena revoltante retrata quem nós temos sidos diante de Deus. O desespero
representado pelo gênio me ajudou a enxergar o desespero de Deus ao ver seus amados se
perdendo e morrendo bem diante de seus olhos, esperando ansiosamente que nos
coloquemos na brecha, como intercessores, pedindo misericórdia pela vida daqueles que estão
morrendo, mas ninguém parece se importar mais. (Ez. 22: 30-31).
Nossa ganância nos cegou, e já não enxergamos nada nem ninguém além de nós mesmos. Já
não nos importamos com a vontade de Deus ou com o sofrimento dele pelas almas perdidas. E
por isso nossas orações não são mais ouvidas.