Educação Sexual para Adolescentes com TEA
Educação Sexual para Adolescentes com TEA
ARTIGO DE REVISÃO
Sex education for adolescents with autism spectrum disorder:
an integrative literature review
Felipe Franklin Leite Lira [Link] 1; Maria Júlia Barros da Silva Martins [Link]
4656-3541 1; Ana Beatriz Salgueiro dos Santos [Link] 1; Lucas Cavalcante Chalegre [Link]
org/0009-0008-4950-277X 1; Ivanise Gomes de Souza Bittencourt [Link] 1
Resumo O estudo teve como objetivo identificar abordagens científicas sobre o ensino de educação em sexualidade a
adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA), analisando implicações sociais e o papel de pais, responsáveis
e profissionais. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, baseada no método do Instituto Joanna Briggs,
que permite mapear conceitos-chave e lacunas na literatura. A pergunta de pesquisa utilizou a estratégia População,
Conceito e Contexto para a revisão, sendo: P – pais, responsáveis e profissionais da saúde; C – como aplicar adequa-
damente a educação em sexualidade na adolescência; C – adolescentes com TEA. A amostra final contou com 24
estudos analisados, organizados em quatro eixos: mudanças corporais, relações sexuais, relações afetivas e autopro-
teção. Os achados revelaram divergências sobre quem deve abordar o tema com os adolescentes (pais, escolas ou pro-
fissionais de saúde), além da escassez de programas personalizados e eficazes. Diante disso, destaca-se a necessidade
de iniciativas que garantam uma educação em sexualidade adaptada às particularidades dos adolescentes com TEA,
promovendo o desenvolvimento saudável e a proteção desses indivíduos.
Palavras-chave Transtorno do espectro autista, Adolescente, Educação em sexualidade, Saude
Abstract The present study aimed to identify scientific approaches to teaching sex education to adolescents with
autism spectrum disorder (ASD), analyzing social implications and the roles of parents, caregivers, and professionals.
This is an integrative literature review based on the Joanna Briggs Institute methodology, which allows for mapping
key concepts and identifying gaps in the literature. The research question was developed using the Population, Con-
cept, and Context (PCC) strategy for the review, as follows: P – parents, caregivers, and health professionals; C – how
to adequately implement sexuality education during adolescence; C – adolescents with ASD. The final sample in-
cluded 24 studies, which were organized into four thematic axes: bodily changes, sexual relationships, affective rela-
tionships, and self-protection. The findings revealed divergences regarding who should address the topic with adoles-
cents (parents, schools, or health professionals), in addition to the scarcity of personalized and effective programs. In
this light, our study highlighted the need for initiatives that ensure sexuality education adapted to the particularities
of adolescents with ASD, promoting their healthy development and protection.
Key words Autism spectrum disorder, Adolescent, Sex education Health
Resumen El estudio tuvo como objetivo identificar enfoques científicos sobre la enseñanza de la educación en sexu-
alidad a adolescentes con trastorno del espectro autista (TEA), analizando las implicaciones sociales y el papel de los
padres, tutores y profesionales. Se trata de una revisión integrativa de la literatura, basada en el método del Instituto
Joanna Briggs, que permite mapear conceptos clave y brechas en la literatura. La pregunta de investigación utilizó la
estrategia Población, Concepto y Contexto (PCC), siendo: P – padres, tutores y profesionales de la salud; C – cómo
aplicar adecuadamente la educación en sexualidad durante la adolescencia; C – adolescentes con TEA. La muestra
1
Universidade Federal de final incluyó 24 estudios analizados, organizados en cuatro ejes: cambios corporales, relaciones sexuales, relaciones
Alagoas – Campus A. C.
afectivas y autoprotección. Los hallazgos revelaron divergencias sobre quién debe abordar el tema con los adolescentes
Simões. Av. Lourival Melo
Mota s/n, Tabuleiro dos
(padres, escuelas o profesionales de la salud), además de la escasez de programas personalizados y eficaces. Ante ello,
Martins. 57072-970 se destaca la necesidad de iniciativas que garanticen una educación en sexualidad adaptada a las particularidades de
Maceió AL Brasil. los adolescentes con TEA, promoviendo un desarrollo saludable y la protección de estos individuos.
fflira82@[Link] Palabras clave Trastorno del espectro autista, Adolescente, Educación en sexualidad, Salud
Cien Saude Colet 2025; 30:e10992025
2
Lira FFL et al.
(n = 21) (n=0)
Figura 1. Fluxograma de revisão integrativa da literatura que inclui buscas em bases de dados – PRISMA.
Fonte: Autores.
Para algumas pessoas com TEA, a princi- ções incompletas e imprecisas sobre sexualida-
pal causa da má compreensão dessas mudan- de. Stankova e Trajkovski7 avaliaram os efeitos
ças podem ser especialmente as dificuldades de do uso de histórias sociais para implementar a
comunicação. Como resultado, muitos adoles- educação em sexualidade em três participantes
centes e adultos com TEA podem ter informa- com TEA. Foram determinadas através da ava-
6
Lira FFL et al.
liação das seguintes áreas: as partes privadas e De acordo com os estudos analisados por
reprodutivas do corpo, mudanças que ocorrem Maggio et al.10, a consciência sexual é composta
durante o período da puberdade, distinguir to- por quatro dimensões: consciência íntima, que
que agradável e desagradável, relações sexuais e envolve a capacidade de refletir e contemplar
contracepção, que se mostraram efetivas dentro as próprias características sexuais, incluindo
do objetivo proposto. Um dos relatos dos pais a atenção aos sinais de excitação e motivação
foi a percepção de que seu filho estava mais sexual; vigilância sexual, que diz respeito à per-
consciente a respeito de seu próprio corpo e que cepção da avaliação dos outros sobre a própria
tentava aplicar as mesmas coisas das ilustrações sexualidade; assertividade íntima, que implica
das histórias sociais, tais como: fechar a porta ao ser assertivo em relação à própria sexualidade;
ir ao banheiro e raramente tocar as partes ínti- e reconhecimento do apelo sexual, relacionado à
mas quando rodeado de pessoas. O período de consciência de sua própria atratividade sexual.
seis meses de aplicação da educação em sexua- A percepção da privacidade é menos pronun-
lidade por meio de histórias sociais mostrou-se ciada em pessoas com TEA do que naquelas
eficaz para atualizar e ampliar o entendimento, sem esse transtorno. Isso pode levar os pacien-
porém claramente não foi adequado para obser- tes com TEA a terem uma compreensão redu-
var mudanças comportamentais visíveis, visto zida das nuances das interações sexuais e das
que a comunicação com adolescentes com TEA normas de privacidade que devem ser seguidas,
deve ser feita de maneira individualizada e cor- aumentando a probabilidade de se envolverem
respondendo a cada tipo de necessidade7,8. em comportamentos inapropriados ou até mes-
mo abusivos11.
Relações sexuais Ortega JT et al.12 enfatizam a necessidade
de uma capacitação especializada para todos os
O estudo de André e colaboradores9 exami- profissionais envolvidos na prestação de cuida-
nou predominantemente questões relacionadas dos de saúde a esses jovens, além de uma co-
à sexualidade, expectativas românticas dos pais ordenação mais eficaz das necessidades desses
em relação aos filhos e experiências sexuais. adolescentes em diferentes áreas. Tanto os pro-
No que diz respeito à sexualidade, as pesquisas fissionais de saúde quanto os educadores con-
indicaram que os pais geralmente têm conver- cordam que é fundamental receber capacitação
sas genéricas com seus filhos sobre o assunto. especializada em questões de afetividade e sexu-
Discutem sobre higiene, contato físico, puber- alidade, o que lhes permitiria lidar de maneira
dade e privacidade corporal. No entanto, pou- mais eficaz com esse tema ao interagir com pais,
cos estudos mencionaram uma comunicação alunos e outros envolvidos. É imperativo desen-
mais específica sobre tópicos relevantes, temas volver programas de educação precoce nesta
como menstruação, relação sexual, gravidez e área, que posteriormente possam evoluir para
infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), uma abordagem integrada, abrangente e des-
que são importantes para essa população espe- tituída de estigmas tanto na educação quanto
cífica. Isso pode ser atribuído ao medo dos pais na saúde. Um dos pontos-chave que os autores
ou à crença de que essas informações são des- trazem em seu artigo é a não infantilização de
necessárias para seus filhos9. Apesar dessa falta palavras como medida de minimizar futuros
de comunicação entre pais com filhos autistas, transtornos para que os adolescentes com TEA
um estudo mostra que, de maneira geral, foram entendam o real sentido, pois eles levam ao pé
observadas poucas diferenças quantitativas na da letra12.
atividade sexual entre participantes autistas e André TG reafirmam essa necessidade de
não autistas. Confirmaram-se descobertas ante- capacitação de profissionais de saúde e de pro-
riores em amostras menores, em que os homens gramas de educação em sexualidade para pais
autistas e as mulheres autistas eram ambos me- de adolescentes com TEA13. Alguns estudos
nos propensos a relatar terem se envolvido em mostraram a relevância do desenvolvimento de
atividade sexual do que seus pares não autis- estratégias que devem ser ajustadas e personali-
tas. Especificamente, os homens autistas eram zadas, visto que essas estratégias precisam levar
particularmente menos propensos a terem se em conta a ampla diversidade dentro do espec-
envolvido em atividade sexual. No entanto, a tro do TEA. Essa abordagem individualizada é
maioria de todos os grupos, incluindo mulheres crucial para abordar as necessidades específicas
autistas, homens autistas, mulheres não autistas de cada pessoa com TEA, reconhecendo as di-
e homens não autistas, relataram ter sido sexu- ferentes formas como o transtorno se manifesta
almente ativos10. em cada indivíduo. Os estudos também enfati-
7
Colaboradores
Financiamento
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