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Desenvolvimento Cognitivo Infantil: Piaget

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PSICOLOGIA

CONSTRUTIVISTA
UNIDADE III
O Desenvolvimento
Cognitivo Segundo
Piaget: do Bebê
à Criança
Carolina Cunha Seidel
O Desenvolvimento
Cognitivo Segundo Piaget:
do Bebê à Criança

Introdução
Nesta unidade, aprenderemos que o desenvolvimento cognitivo infantil nos ajuda a
entender como as crianças constroem seu entendimento do mundo ao seu redor e
como essa compreensão evolui ao longo do tempo. Jean Piaget, referência nos estudos
sobre desenvolvimento humano, destaca estágios distintos de desenvolvimento que
esclarecem a forma como as crianças pensam, raciocinam e resolvem problemas
em cada fase de suas vidas. Estudaremos, neste momento, desde o sensório-motor
até o pré-operatório, compreendendo suas características, seus marcos e como eles
interferem na compreensão das crianças sobre o mundo e sua capacidade de aprender
e crescer intelectualmente.

Objetivos de aprendizagem
Ao final do conteúdo esperamos que você seja capaz de:

• Ampliar os conhecimentos dos conceitos de Piaget a respeito da criança.


• Estabelecer e ampliar as características do estágio sensório-motor.
• Estabelecer e ampliar as características do estágio pré-operatório.

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Piaget e a Criança
A teoria de desenvolvimento infantil, formulada e proposta por Jean Piaget, deixou uma
marca duradoura na psicologia do desenvolvimento, sendo amplamente estudada e
aplicada em diversos campos, desde a psicologia até a educação.

Uma das principais contribuições do autor foi a ênfase na ideia de que as crianças não
são meros receptores passivos de informações do ambiente, mas sim construtores
ativos de seu próprio entendimento. Ele observou que, à medida que as crianças
interagem com o mundo ao seu redor, elas criam esquemas mentais para compreender
e organizar essas experiências, sendo estes as estruturas cognitivas que sustentam
seu pensamento e sua compreensão.

Sua teoria também enfatiza os processos de adaptação e assimilação, sendo a


adaptação a maneira como as crianças ajustam e expandem seus esquemas mentais
à medida que aprendem coisas novas, e a assimilação a incorporação de novas
informações ao seu esquema existente.

Atenção
Por exemplo, quando uma criança que já entende o conceito de
“pássaro” e vê um pato pela primeira vez, ela pode assimilar o pato
ao seu esquema existente de pássaros. No entanto, a acomodação é
necessária quando a nova informação não se encaixa perfeitamente
no esquema existente. Nesse caso, a criança precisa modificar seu
esquema de pássaros para acomodar a ideia de que nem todos os
pássaros se parecem com o que ela conhecia anteriormente.

Os estágios do desenvolvimento cognitivo propostos por Piaget representam


transições qualitativas no pensamento da criança, a partir desta dinâmica, como
veremos adiante.

Outro aspecto relevante foi sua observação da noção de “objeto permanente”. Antes
de adquirir essa compreensão, os bebês acreditam que os objetos continuam a existir,
mesmo quando não estão à vista. A aquisição da noção de objeto permanente é um
marco a ser notado no desenvolvimento infantil.

Piaget também enfatizou o papel da interação social no desenvolvimento cognitivo das


crianças, como já estudamos anteriormente. Embora sua teoria seja frequentemente
descrita como uma abordagem construtivista individualista, ele reconheceu que

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a interação com outras pessoas desempenha um papel vital na construção do
conhecimento e no desenvolvimento das habilidades de raciocínio.

Estágios do desenvolvimento segundo Piaget

Atividade intelectual
a partir de expressões
sensoriais e motoras.

Sensório-motor 0 a 2 anos
Ainda não há
capacidade de
Desenvolvimento cognitivo

abstração.

Desenvolvimento da
Pré-operacional 2 a 6 anos capacidade simbólica e
das habilidades verbais.

Operações 7 a 11 anos Início da abstração


concretas

Desenvolvimento de
Operações 12 anos em habilidades de siste-
formais diante matização e lógicas

Fonte: adaptado de Piletti (2012).


#pratodosverem: infográfico com os estágios do desenvolvimento segundo Pia-
get: sensório-motor, pré-operacional, operações concretas e operações formais.

De acordo com Palangana (2015), os estágios de desenvolvimento preveem uma


sistemática, em etapas sequenciais, porém Piaget enfatiza a importância de criar
ambientes de aprendizado que permitam às crianças explorar e descobrir por si
mesmas, promovendo um desenvolvimento cognitivo saudável.

Estágio Sensório-Motor (0 a 2 anos)


O estágio sensório-motor é a primeira etapa do desenvolvimento cognitivo na teoria de
Jean Piaget sobre o desenvolvimento infantil. Esse estágio abrange o período desde
o nascimento até aproximadamente os dois anos. Durante ele, as crianças estão se
desenvolvendo rapidamente e adquirindo uma compreensão inicial do mundo ao seu
redor. Essa fase estabelece as bases para as atividades intelectuais mais avançadas
que se desenvolverão no futuro. O estágio sensório-motor pode ser dividido em seis
etapas distintas, como observamos a seguir.

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Reflexos

No início da vida, os bebês exibem reflexos automáticos, como o de sucção, que


ocorre mesmo quando estão dormindo e não há nada em suas bocas. Esses
reflexos são os primeiros sinais da atividade neuromuscular.

Reações circulares primárias

Nesta fase, a criança concentra-se em seu próprio corpo e tende a repetir


comportamentos que lhe proporcionem prazer. Por exemplo, um bebê pode
continuar chupando o dedo porque anteriormente experimentou a mesma
sensação ao sugar o seio materno.

Reações circulares secundárias

A criança começa a explorar e manipular objetos, não apenas o próprio corpo.


Ela aprende a repetir ações que produzem resultados interessantes, como tocar
um móbile que emite som quando é manipulado.

Coordenação de esquemas secundários

Nesta etapa, a criança adquire a capacidade de superar obstáculos e encontrar


objetos escondidos por meio de tentativas e erros. Ela utiliza esquemas mentais
previamente desenvolvidos de maneira combinada para alcançar seus objetivos.

Reações circulares terciárias

A criança começa a explorar novos comportamentos e situações, não apenas


imitando o que já fez. Um exemplo é jogar repetidamente um objeto no chão
para experimentar diferentes alturas, sons e intensidades de queda.

Início do simbolismo

Essa fase marca a transição do estágio sensório-motor para o estágio pré-


operacional. O desenvolvimento da linguagem é um marco importante nesta
fase, pois a criança começa a aprender palavras que representam objetos
ausentes, desejos e outros conceitos.

Assim, temos como principal característica do estágio sensório-motor a maneira como


as crianças exploram o ambiente e interagem com ele por meio de seus sentidos
(sensorial) e ações motoras (movimentos físicos).

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Vamos conhecer alguns dos marcos importantes no desenvolvimento motor das crianças?

Controle da cabeça

Aproximadamente aos três meses de vida, as crianças iniciam o


desenvolvimento da habilidade de sustentar suas próprias cabeças. No início,
essa capacidade é frágil e oscilante, mas, à medida que os músculos do
pescoço se fortalecem, elas conseguem manter a cabeça ereta por períodos
progressivamente mais longos.

Controle da cabeça
Fonte: © [Link], Freepik (2023).
#pratodosverem: na imagem, temos uma bebê de bruços, com os braços apoiados e a cabeça sustentada.

Rolar

Entre os quatro e seis meses de vida, a criança inicia o processo de aprendizado


de rolar de um lado para o outro. Inicialmente, ela realiza a rotação da posição
de barriga para cima para a de barriga para baixo e, posteriormente, aprimora
a habilidade de realizar o movimento inverso. Essa conquista é significativa,
uma vez que permite à criança explorar seu ambiente e contribui para o
desenvolvimento e fortalecimento dos músculos.

Rolar
Fonte: © bristekjegor, Freepik (2023).
#pratodosverem: na imagem, temos um bebê segurando o pé e o colocando na boca, de roupas e meias brancas.

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Sentar-se sem apoio

Geralmente, entre os seis e oito meses de vida, as crianças alcançam a


capacidade de se sentar sem depender de suporte externo. Inicialmente,
elas podem necessitar de algum auxílio ou ter apoios ao redor para manter o
equilíbrio, mas, com o tempo, desenvolvem maior estabilidade e independência
nessa postura. A habilidade de se sentar sem apoio é um marco relevante, pois
altera sua perspectiva na percepção do ambiente e o proporciona o início do
desenvolvimento de habilidades motoras finas.

Bebê sentado
Fonte: © gpointstudio, Freepik (2023).
#pratodosverem: na imagem, temos um bebê sentado sem apoio, de roupas verdes

Engatinhar

Por volta dos oito aos dez meses, é comum que muitas crianças iniciem o
processo de engatinhar. Esse estágio é de suma importância para a exploração
do ambiente, pois permite à criança se movimentar de maneira autônoma. Além
disso, o ato de engatinhar contribui significativamente para o fortalecimento
dos músculos e o aprimoramento da coordenação motora.

Engatinhar
Fonte: © [Link], Freepik (2023).
#pratodosverem: na imagem, temos um bebê sorrindo e engatinhando, de blusa marrom.

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Dar os primeiros passos

Aproximadamente aos 12 meses, é comum que muitas crianças iniciem o processo


de dar seus primeiros passos. Inicialmente, esses passos podem ser vacilantes e
desequilibrados, mas, à medida que a criança pratica e fortalece seus músculos,
ela desenvolve uma marcha mais segura. Alcançar a habilidade de andar de
forma independente é um marco de grande importância no desenvolvimento
motor, uma vez que proporciona maior autonomia na locomoção.

Caminhar
Fonte: © user18526052, Freepik (2023).
#pratodosverem: na imagem, temos um bebê aprendendo a caminhar com o apoio de uma pessoa adulta que não
aparece por completo.

Correr e pular

Entre um ano e meio a dois anos, é comum que as crianças comecem a adquirir
as habilidades de correr e pular, atividades que requerem maior coordenação
motora, equilíbrio e fortalecimento muscular. O desenvolvimento dessas
habilidades é bastante importante para exploração do ambiente, aprimoração
da coordenação motora e fortalecimento dos músculos.

Correr e pular
Fonte: Freepik (2023).
#pratodosverem: na imagem, temos uma criança pequena correndo em espaço aberto, com gramado e árvores ao fundo.

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Em relação ao desenvolvimento sensorial, durante o estágio sensório-motor, as crianças
exploram e compreendem o mundo ao seu redor por meio de seus sentidos. Neste
estágio, as crianças ainda não têm a capacidade de raciocinar ou de utilizar conceitos
abstratos, como os adultos, portanto sua compreensão do mundo é principalmente
guiada pelos sentidos e pela interação física direta com objetos e pessoas.

Essa dependência dos sentidos na primeira infância é fundamental para o


desenvolvimento cognitivo posterior. À medida que as crianças crescem e avançam
nos estágios de desenvolvimento, elas passam a integrar essas experiências sensoriais
em um entendimento mais abstrato do mundo, que inclui símbolos, linguagem e
conceitos. Portanto, essa fase inicial de exploração sensorial é o alicerce sobre o qual
as futuras habilidades cognitivas se constroem.

Estágio Pré-operatório (2 a 7 anos)


O estágio pré-operatório é a segunda fase no esquema de desenvolvimento cognitivo
proposto por Jean Piaget. Esse estágio ocorre aproximadamente dos 2 aos 6 ou 7
anos e é caracterizado por uma série de mudanças significativas na forma como as
crianças pensam e compreendem o mundo ao seu redor. É importante destacar que,
durante esse estágio, as crianças ainda não desenvolveram a capacidade de pensar
de maneira lógica e sistemática, como os adultos.

Atenção
Este é um estágio que representa um aumento significativo na
capacidade simbólica da criança. Nessa fase, a criança começa
a associar objetos às palavras que os descrevem. Esse processo
é conhecido como a “explosão linguística”. Inicialmente, a criança
inicia essa fase com um vocabulário limitado, composto de
centenas de palavras; aproximadamente um ano depois, esse
vocabulário se expande para incluir milhares de palavras.

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Aqui estão algumas das características desse estágio:

• Pensamento egocêntrico: uma das características mais marcantes do pen-


samento pré-operatório é o egocentrismo. As crianças tendem a ver o mundo
apenas a partir de sua própria perspectiva e têm dificuldade de compreender
o ponto de vista de outras pessoas. Elas assumem erroneamente que os ou-
tros veem e pensam da mesma maneira que elas.
• Animismo: as crianças nesse estágio atribuem características humanas, in-
tenções e sentimentos a objetos inanimados ou fenômenos naturais. Por
exemplo, podem acreditar que o sol “está bravo” quando está quente ou que a
lua está seguindo-as.
• Pensamento mágico: as crianças pré-operacionais frequentemente acreditam
em causas e efeitos mágicos. Elas podem acreditar que pensamentos ou de-
sejos podem causar eventos na realidade, como acreditar que desejando mui-
to algo fará com que isso aconteça.
• Raciocínio transdutivo: quando uma criança estabelece uma relação de cau-
sa e efeito entre eventos que não têm uma conexão real, mas parecem estar
relacionados apenas porque ocorreram sequencialmente. Um exemplo adi-
cional disso pode ser quando uma criança pensa que ela trouxe sorte para
sua equipe de futebol porque vestiu uma camisa específica. Mesmo que
o resultado do jogo seja determinado por fatores completamente indepen-
dentes da escolha de sua roupa, ela associa erroneamente sua ação (vestir
a camisa) ao resultado (a vitória da equipe), criando uma conexão ilusória
entre os dois eventos.
• Centração: as crianças tendem a se concentrar em um único aspecto de uma
situação e têm dificuldade em considerar múltiplas variáveis ao mesmo tem-
po. Isso pode levar a erros de julgamento, como acreditar que um copo alto
contém mais líquido do que um copo curto, mesmo que ambos contenham a
mesma quantidade.
• Irreversibilidade: as crianças pré-operacionais têm dificuldade em com-
preender que algumas ações podem ser desfeitas ou revertidas. Por exem-
plo, se você despejar água de um copo em um copo de formato diferente,
elas podem acreditar que há mais água no segundo copo simplesmente por-
que ele parece maior.
• Pensamento simbólico: neste estágio, as crianças iniciam o desenvolvimento
da capacidade de usar símbolos, como imagens e palavras, a fim de represen-
tar ideias e objetos. Isso é um passo importante para o desenvolvimento da
linguagem e da imaginação.

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• Falta de conservação: as crianças pré-operacionais geralmente não com-
preendem o conceito de conservação, o que significa que elas não reconhe-
cem que a quantidade ou as características de uma substância podem per-
manecer as mesmas, mesmo que sua aparência física mude. Por exemplo,
elas podem acreditar que a massa de um objeto muda se for moldada de uma
forma diferente, mesmo que nada tenha sido adicionado ou removido.

Embora o estágio pré-operatório seja marcado por essas características cognitivas


distintas, é importante lembrar que ele é uma fase no desenvolvimento e que as crianças
progridem para estágios mais avançados, como o estágio das operações concretas
e o das operações formais, nos quais desenvolvem habilidades de pensamento mais
lógico e abstrato. A compreensão dessas características do estágio pré-operatório
é fundamental para educadores e pais, pois ajuda a adaptar abordagens de ensino
e comunicação às capacidades cognitivas das crianças nesse estágio específico de
desenvolvimento.

Saiba mais
Para saber mais sobre o tema, acesse o link e leia o artigo O
desenvolvimento da criança nos primeiros anos de vida.

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Conclusão
Nesta unidade, pudemos compreender que o desenvolvimento cognitivo foi
sistematizado em estágios por Piaget. Aqui, estudamos do sensório-motor até o pré-
operatório, suas características e a progressão das habilidades mentais das crianças
à medida que elas interagem e exploram o mundo ao seu redor. À medida que as
crianças passam por essas fases, desenvolvem bases para o pensamento lógico,
simbólico e abstrato no futuro. No entanto, ressaltamos que cada criança é única, e o
desenvolvimento pode ocorrer em ritmos diferentes.

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Referências
CAVICCHIA, D. de C. O desenvolvimento da criança nos primeiros anos de vida.
Caderno de Formação: Formação de Professores: Educação Infantil: princípios e
fundamentos, São Paulo, Univesp, v. 1, n. 6, p. 13-27, 2010. Disponível em: https://
[Link]/bitstream/123456789/224/1/[Link]. Acesso em: 3
out. 2023.

PALANGANA, I. C. Desenvolvimento e aprendizagem em Piaget e Vigotski. São Paulo:


Summus, 2015.

PILETTI, N. Psicologia da aprendizagem: da teoria do conhecimento ao construtivismo.


São Paulo: Contexto, 2012.

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