Direito Ambiental
(Áreas de Preservação Permanente – APPs protetoras de
águas)
Prof. Sergio Alfieri
APP’s
3.1 APP’s protetoras de águas: conforme visto no bloco anterior, a doutrina
classificou as áreas de proteção permanente em 3 categorias de acordo com o
elemento da natureza ao qual estão atreladas, isto é, o elemento que buscam
proteger. Na primeira categoria temos as APPs que foram definidas pela lei para
proteger as águas. Elas estão previstas no artigo 4º, I a IV, do Código Florestal:
Art. 4º Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou
urbanas, para os efeitos desta Lei:
APP’s
I - as faixas marginais de qualquer curso d’água natural perene e intermitente,
excluídos os efêmeros, desde a borda da calha do leito regular, em largura
mínima de:
a) 30 (trinta) metros, para os cursos d’água de menos de 10 (dez) metros de
largura;
b) 50 (cinquenta) metros, para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50
(cinquenta) metros de largura;
c) 100 (cem) metros, para os cursos d’água que tenham de 50 (cinquenta) a 200
(duzentos) metros de largura;
d) 200 (duzentos) metros, para os cursos d’água que tenham de 200 (duzentos) a
600 (seiscentos) metros de largura;
e) 500 (quinhentos) metros, para os cursos d’água que tenham largura superior a
600 (seiscentos) metros;
APP’s
Alguns esclarecimentos preliminares. Gabriel Lino explica que a expressão
“cursos d’água” deve ser entendida como corpos de água corrente que se
revelam na superfície como rios, córregos, ribeirões, riachos.
As alíneas do inciso I definem a faixa de APP desses elementos (ex.: rio). Elas
são estabelecidas nas suas margens em metragens fixadas em relação
diretamente proporcional à variação da largura do leito do curso d’água.
Ex.: curso d’água que tenha de 10 a 50 metros de largura, a faixa de APP será
de 50 metros. Uma imagem ajudará a entender.
APP’s
APP’s
A doutrina ambientalista critica o termo “leito regular” empregada pelo inciso
I do artigo 4º por conta das variações naturais que ele pode sofrer conforme o
período do ano. Paulo de Bessa Antunes explica que a concepção de leito
regular como aquele leito pelo qual o rio flui durante o ano merece crítica, pois
a variação das chuvas, secas e outros fatores faz com que o leito dos rios se
desloque durante o ciclo anual. Assim, podemos falar em leito médio, jamais
em um leito regular, como se ele permanecesse estático durante todo o ano.
APP’s
Para provas e concursos é preciso ter atenção porque o inciso I excluiu
expressamente da proteção os cursos d’água efêmeros, conferindo proteção
apenas aos cursos d’água perenes e intermitentes.
A definição dos conceitos de curso d’água varia de acordo com a sazonalidade
respectiva. Um rio perene é aquele corpo de água lótico (fluxo de água
constante que vai da nascente à foz) que possui naturalmente escoamento
superficial durante todo o período do ano.
Já o rio efêmero é o corpo de água lótico que possui escoamento superficial
apenas durante ou imediatamente após períodos de precipitação (ex.: chuva).
APP’s
II - as áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais, em faixa com largura
mínima de:
a) 100 (cem) metros, em zonas rurais, exceto para o corpo d’água com até 20
(vinte) hectares de superfície, cuja faixa marginal será de 50 (cinquenta) metros;
b) 30 (trinta) metros, em zonas urbanas;
Atente-se para o fato de que as faixas de APP variam conforme a localização da
área. Observe:
APP’s
o Lago/lagoa em zona rural:
✔ Faixa de APP deve ter 50 metros = corpo d’água com área de superfície de até
20 hectares, o que equivale a 200.000 m2.
✔ Faixa de APP deve ter 100 metros = lago/lagoa com superfície maior que 20
hectares.
o Lago/lagoa em zona urbana:
✔ Faixa de APP deve ter sempre 30 metros.
APP’s
Cabe destacar que as regras do inciso II valem apenas para acumulações de
água naturais. Observe:
APP’s
III - as áreas no entorno dos reservatórios d’água artificiais, decorrentes de
barramento ou represamento de cursos d’água naturais, na faixa definida na
licença ambiental do empreendimento;
A norma do inciso III se aplica às acumulações de água artificiais. Perceba que
o inciso III acaba deixando a definição das APPs nestes casos para o momento
do licenciamento ambiental. Contudo, o artigo 5º do Código Florestal traz
alguns parâmetros mínimos e máximos a serem observados:
APP’s
Art. 5º Na implantação de reservatório d’água artificial destinado a geração de
energia ou abastecimento público, é obrigatória a aquisição, desapropriação ou
instituição de servidão administrativa pelo empreendedor das Áreas de
Preservação Permanente criadas em seu entorno, conforme estabelecido no
licenciamento ambiental, observando-se a faixa mínima de 30 (trinta) metros e
máxima de 100 (cem) metros em área rural, e a faixa mínima de 15 (quinze)
metros e máxima de 30 (trinta) metros em área urbana.
Também merecem transcrição os parágrafos 1º e 4º do artigo 4º do Código que
tratam sobre o assunto:
APP’s
§ 1º Não será exigida Área de Preservação Permanente no entorno de
reservatórios artificiais de água que não decorram de barramento ou
represamento de cursos d’água naturais.
§ 4º Nas acumulações naturais ou artificiais de água com superfície inferior a 1
(um) hectare, fica dispensada a reserva da faixa de proteção prevista nos incisos II
e III do caput , vedada nova supressão de áreas de vegetação nativa, salvo
autorização do órgão ambiental competente do Sistema Nacional do Meio
Ambiente - Sisnama.
APP’s
IV - as áreas no entorno das nascentes e dos olhos d’água perenes, qualquer
que seja sua situação topográfica, no raio mínimo de 50 (cinquenta) metros;
Para melhor compreender o inciso IV é preciso analisar os conceitos de
nascente e olho d’água previstos pelos incisos XVII e XVIII do artigo 3º,
respectivamente:
XVII - nascente: afloramento natural do lençol freático que apresenta perenidade
e dá início a um curso d’água;
XVIII - olho d’água: afloramento natural do lençol freático, mesmo que
intermitente;
APP’s
Note que, nos termos do Código, tanto a nascente como o olho d’água são
afloramentos naturais do lençol freático, sendo que a diferença seria que a
nascente é sempre perene e dá início a um curso d’água, ao passo que o olho
d’água pode ser intermitente (ou perene) e não necessariamente dá início a
curso d’água.
Acontece que nos termos do artigo 4º, IV, apenas seriam protegidas as faixas
localizadas no entorno das nascentes e olhos d’água perenes; intermitente
não. Sobre este assunto, o STF foi questionado, e entendeu que os entornos
das nascentes e olhos d’água intermitentes também configuram APP (ADIs
4901, 4902, 4903 e 4937).
APP’s
Questões
1. Acerca das normas referentes às Áreas de Preservação Permanentes constantes do
Código Florestal, assinale a alternativa correta:
A) São consideradas área de preservação permanente em zonas rurais ou urbanas as
áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais, em faixa com largura mínima de 50
metros, em zonas urbanas.
B) São consideradas área de preservação permanente em zonas rurais ou urbanas as
faixas marginais de qualquer curso d’água natural perene e intermitente, excluídos os
efêmeros, desde a borda da calha do leito regular, em largura mínima de 200 metros,
para os cursos d’água que tenham de 200 a 600 metros de largura.
Questões
C) São consideradas área de preservação permanente em zonas rurais ou urbanas as
áreas no entorno das nascentes e dos olhos d’água perenes, qualquer que seja sua
situação topográfica, no raio mínimo de 100 metros.
D) São consideradas área de preservação permanente em zonas rurais ou urbanas as
áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais, em faixa com largura mínima de 100
metros, em zonas rurais, exceto para o corpo d’água com até 40 hectares de superfície,
cuja faixa marginal será de 50 metros.
E) São consideradas área de preservação permanente em zonas rurais ou urbanas as
áreas no entorno dos reservatórios d’água naturais, decorrentes de barramento ou
represamento de cursos d’água naturais, na faixa definida na licença ambiental do
empreendimento.
APP’s
Imagens retiradas dos sites:
[Link]
[Link]
que-sabemos-sobre-as-apps