Direito Ambiental
(Áreas de Preservação Permanente – Conceito e Regime
Jurídico)
Prof. Sergio Alfieri
APP’s
1. Conceito: Gabriel Lino começa explicando que as áreas de preservação
permanente são espaços especialmente protegidos definidos por normas gerais e
abstratas em função da presença de determinadas características naturais da
área, de seu entorno ou de elementos da natureza ali presentes.
➢ Já o artigo 3º, II, do Código Florestal, traz uma definição legal do instituto:
II - Área de Preservação Permanente - APP: área protegida, coberta ou não por
vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a
paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de
fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas;
APP’s
➢ Note que a configuração de uma APP depende das características naturais
presentes numa certa região. Por exemplo, uma APP pode incidir em áreas por
conta da presença de rios, lagos, morros, altitude, etc.
➢ Perceba que uma vez presente a característica que enseja a instituição da APP,
é irrelevante o destinatário do dever de proteção, daí porque se afirma que as
APP’s são criadas por normas gerais.
➢ Ademais, também será irrelevante o território ou região em que ela se localiza,
pois são criadas por normas abstratas.
APP’s
2. Regime Jurídico: o artigo 7º do Código traz o regime a ser aplicado às APPs:
Art. 7º A vegetação situada em Área de Preservação Permanente deverá ser
mantida pelo proprietário da área, possuidor ou ocupante a qualquer título,
pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado.
§ 1º Tendo ocorrido supressão de vegetação situada em Área de Preservação
Permanente, o proprietário da área, possuidor ou ocupante a qualquer título é
obrigado a promover a recomposição da vegetação, ressalvados os usos
autorizados previstos nesta Lei.
APP’s
§ 2º A obrigação prevista no § 1º tem natureza real e é transmitida ao sucessor no
caso de transferência de domínio ou posse do imóvel rural.
§ 3º No caso de supressão não autorizada de vegetação realizada após 22 de
julho de 2008, é vedada a concessão de novas autorizações de supressão de
vegetação enquanto não cumpridas as obrigações previstas no § 1º .
APP’s
➢ Em primeiro lugar devemos destacar as duas características centrais desse
regime jurídico:
o Proteção das áreas consideradas como APPs;
o Manutenção da vegetação natural.
➢ Caso a vegetação nativa tenha sido suprimida, deverá o proprietário ou
possuidor recompô-la, como manda o artigo 7º, §1º.
APP’s
➢ Suponha que o atual proprietário da área alegue em sua defesa que não foi ele
quem suprimiu a vegetação e sim o antigo proprietário. Isso o exime do dever
de recompor a vegetação? Não! Porque o artigo 7º, §2º, diz que essa obrigação
tem natureza real, ou seja, propter rem, de modo que ela acompanha a coisa
com quem quer que esteja, inclusive novos proprietários (sucessores).
➢ Apesar de extremamente protetivo, o regime jurídico das APPs pode ser
excepcionado naquelas hipóteses trazidas pelo Código Florestal, notadamente
em seus artigos 8º e 9º.
APP’s
Art. 8º A intervenção ou a supressão de vegetação nativa em Área de Preservação
Permanente somente ocorrerá nas hipóteses de utilidade pública, de interesse
social ou de baixo impacto ambiental previstas nesta Lei.
➢ O caput do artigo 8º prevê 3 circunstâncias nas quais excepcionalmente se
admite a intervenção na APP.
➢ O artigo 3º do Código descreve hipóteses configuradoras de utilidade pública,
interesse social e baixo impacto ambiental. Resumidamente, esses conceitos
podem ser definidos da seguinte forma:
APP’s
A) Utilidade Pública = obras e atividades próprias do Poder Público, a serem
admitidas em razão do interesse público inerente a tais atividades.
B) Interesse Social = atividades privadas com caráter de relevância ou expressão
social.
C) Baixo Impacto Ambiental = atividades relevantes no aspecto econômico e
social que não produzem graves danos ambientais.
APP’s
➢ Ademais, o artigo 9º ainda dispõe:
Art. 9º É permitido o acesso de pessoas e animais às Áreas de Preservação
Permanente para obtenção de água e para realização de atividades de baixo
impacto ambiental.
➢ Acontece que todas as atividades listadas pelo artigo 8º, incluído o artigo 9º,
dependem de autorização do órgão ambiental competente, sem a qual não
poderão ocorrer. Essa conclusão pode ser extraída do disposto no parágrafo 3º
do artigo 8º:
APP’s
§ 3º É dispensada a autorização do órgão ambiental competente para a execução,
em caráter de urgência, de atividades de segurança nacional e obras de interesse
da defesa civil destinadas à prevenção e mitigação de acidentes em áreas
urbanas.
➢ Basta interpretar o dispositivo a contrario sensu: se o parágrafo dispensa a
autorização do órgão para execução em caráter de urgência de atividades de
segurança nacional e obras de interesse da defesa civil destinadas à prevenção
e mitigação de acidentes, então nas demais hipóteses essa autorização é
exigida.
APP’s
➢ No julgamento do Resp 1.546.415/SC, o Superior Tribunal de Justiça entendeu
que as normas do Código Florestal devem prevalecer em relação àquelas
contidas em outras leis quando o tema for relacionado às normas definidoras
de APPs.
➢ Em outras palavras, se houver conflito entre duas normas versando sobre
definição de área de preservação permanente, deve prevalecer a norma
constante do Código Florestal.
➢ Entretanto, se uma outra lei contiver norma mais protetiva ao meio ambiente
do que o Código Florestal, parece certo que essa norma mais benéfica
prevaleça, em que pese o posicionamento exarado pelo STJ.
APP’s
3. Hipóteses de configuração das APPs: como já explicado, as APPs são definidas
a partir de elementos específicos da natureza. Assim, a doutrina especializada
criou a seguinte classificação:
➢ APPs definidas para proteção das águas;
➢ APPs definidas em função do relevo;
➢ APPs definidas para proteção de ecossistemas específicos.
Questões
1. No que diz respeito às chamadas Áreas de Preservação Permanente, julgue o item
abaixo:
As Áreas de Preservação Permanente são criadas por normas gerais e abstratas em
função de elementos específicos da natureza, sendo vedada a intervenção nessas áreas
exceto nas hipóteses previstas em lei.
( ) Certo
( ) Errado