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Conceito e Funções da Ideologia

O documento explora o conceito de ideologia em diferentes contextos, incluindo político, educacional e religioso, destacando a visão marxista que a considera uma ferramenta de dominação de classe. Características como naturalização, universalização e inversão são discutidas, assim como a influência da ideologia em produtos culturais e na mídia. O texto conclui que a conscientização e o questionamento são essenciais para identificar e superar a ideologia que perpetua desigualdades sociais.

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Kennedy Chaves
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Conceito e Funções da Ideologia

O documento explora o conceito de ideologia em diferentes contextos, incluindo político, educacional e religioso, destacando a visão marxista que a considera uma ferramenta de dominação de classe. Características como naturalização, universalização e inversão são discutidas, assim como a influência da ideologia em produtos culturais e na mídia. O texto conclui que a conscientização e o questionamento são essenciais para identificar e superar a ideologia que perpetua desigualdades sociais.

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IDEOLOGIAS

→ CONCEITO GERAL DE IDEOLOGIA:


 Sentido positivo: conjunto de ideias, crenças ou opiniões sobre algum ponto sujeito a discussão;
 Sentido “filosófico”: corpo sistemático de ideias, de um pensador, seu posicionamento interpretativo
diante de certos fatos;
 Sentido político: fornece as diretrizes de ações a seus filiados e políticos em exercício;
 Sentido educacional: serve para designar a teoria pedagógica que orienta a pratica de uma escola;
 Sentido religioso: determina as regras de conduta dos fiéis.

→ IDEOLOGIA: SENTIDO RESTRITO:


→ Destutt de Tracy, filósofo e político francês do século XIX:
 “Ciência da ideias” → pretendia compreender a formação das ideias numa sociedade por
meio de método semelhante ao das ciências da natureza.
→ Karl Marx, filósofo, cientista social, historiador e revolucionário alemão do século XIX:
 “conhecimento ilusório” → serve para mascarar os conflitos sociais, sentido negativo, de
instrumento de dominação de classe.

→ CONCEITO MARXISTA DE IDEOLOGIA:


 Alienação → manifesta-se na vida do trabalhador quando o produto do seu trabalho deixa de lhe
pertencer, por ser comandado de fora torna-se “alheio”, “estranho” a si mesmo, portanto alienado;
 A ideologia, segundo Marx, impede a tomada de consciência da alienação, portanto, a coesão social
é mantida sem o recurso à violência;
 Ideologia → é o conjunto de representações e ideias, bem como de normas de conduta, por meio
das quais o indivíduo é levado a pensar, sentir e agir da maneira que convém à classe que detém o
poder, camuflando os conflitos sociais, ao apresentá-la una e harmônica, isto é, coesa.
 Portanto a ideologia:
→ nos ensina a pensar e a agir;
→ determina as relações entre os indivíduos;
→ camufla as diferenças de classe e os conflitos sociais;
→ garante a coesão social e a aceitação sem criticas das tarefas penosas e pouco recompensadoras
em nome da “vontade de Deus”, do “dever moral” ou “da ordem natural das coisas”
→ mantém a dominação de uma classe sobre a outra.

→ CARACTERISTICAS DA IDEOLOGIA:
 Naturalização → consiste em aceitar como naturais situações que na verdade resultam da ação
humana e, como tais, são históricas.
 Universalização → os valores da classe dominante são estendidos aos que a ela se submetem.
 Abstração e aparecer social → as representações ideológicas não se referem ao concreto, mas ao
aparecer social, a sociedade “una e harmônica” é uma abstração, pois, as relações sociais são
sustentadas pelo conflito de interesses de classes sociais.
 Lacuna → é a ocultação de algo que não pode ser explicitado, sob pena de desmascarar a ideologia,
por isso, ela é ilusória, por ser uma aparência que oculta a maneira pela qual a realidade social foi
construída.
 Inversão → a ideologia representa a realidade invertida, ou seja, o que seria a origem da realidade é
posto como produto e vice-versa: o que é efeito é tomado como causa.

→ A IDEOLOGIA EM AÇÃO:
→ As histórias em quadrinhos:
 Como toda produção cultural, os quadrinhos contem ambigüidade: ao mesmo tempo em que
servem à consciência, podem servir à alienação; tanto levam ao conhecimento da realidade
como à escamoteação (distorção) da realidade; tanto podem ser criativos como alienantes.
→ Publicidade e mídia:
 A publicidade não vende apenas produtos, mas também ideias. Com o produto são
veiculados valores que influenciam a vida no trabalho e nas relações afetivas: “compramos”
o desejo de “subir na vida”, “compramos” estilos de vida e “compramos” convicções
políticas e éticas.
 Os meios de comunicação de massa informam, mas diante de um fato, certos aspectos são
ressaltados e outros são descartados como menos importante. Essa seleção é necessária,
contudo ela pode ter caráter: econômico, político, culturais, sociais e religiosos que levam a
distorções que nos proporcionam representações ideológicas da realidade.

→ O DISCURSO NÃO IDEOLOGICO:


 O discurso não ideológico deve identificar as distorções e procurar demonstrar como elas foram
produzidas historicamente. Alem disso, deve restabelecer a relação entre a ação e a reflexão, a fim de
não esclerosar cada uma delas como procedimentos e verdades definitivos.

→ OUTRAS CONCEPÇÕES MARXISTAS DE IDEOLOGIA:


→ Gramsci e a hegemonia:
 Em um primeiro momento a ideologia tem a função positiva de atuar como cimento da
estrutura social. Confere hegemonia a uma determinada classe, que passará a ser dominante.
 Os conflitos posteriores entre burgueses e proletariados exigem destes últimos a elaboração
intelectual de seus próprios valores, o proletariado precisa então de intelectuais orgânicos.
 Os intelectuais orgânicos tem a missão constituírem coerentemente a concepção de mundo
dos dominados.
→ Habermas: ciência e ideologia:
 Relacionou ciência técnica e ideologia para compreender como a consciência tecnocrática do
mundo atual impõe-se em nome da economia e da eficiência.
 O agir instrumental (mundo do trabalho) → saber empírico que visa a objetivos específicos e
bem definidos, orientados para o sucesso e a eficácia da ação. Na economia, o valor é o
dinheiro; na política, o poder; na técnica, a eficácia.
 O agir comunicativo (mundo da vida) → pela comunicação livre de dominação, as pessoas
procuram chegar ao consenso, ao entendimento mutuo, expressando sentimentos,
expectativas, concordância e discordância e visando ao bem-estar de cada um.
 O problema surge quando a racionalidade instrumental estende-se a outros domínios da vida
pessoal nos quais deveria prevalecer a ação comunicativa.
 Essa intromissão empobrece a subjetividade humana, as ações orientam-se pela eficiência,
competitividade, individualismo e não pela justiça, pelos valores morais ou relações afetivas.
→ Paul Ricoeur: interpretação e ideologia:
 Não nega a ideologia, mas também não aceita separar ciência e ideologia como alternativas
inconciliáveis, para aceitá-las como pólos relacionados dialeticamente.
 A ideologia não é mais que uma das possíveis interpretações da realidade, nem
absolutamente correta nem absolutamente incorreta, mas apenas uma das possíveis
interpretações da realidade.

→ QESTIONAMENTO E CONSCIENTIZAÇÃO:
 Os produtos culturais, os bens de serviços à nossa disposição, as instituições, como escolas, fabricas,
igrejas, imprensa falada e escrita etc..., podem ser instrumentos de alienação quando nos passam a
ilusão que de que as desigualdades sociais, econômicas, políticas e culturais são naturais e que
portanto não podemos mudá-las.
 É pelo esforço de conscientização, pela abertura ao questionamento que identificamos a ideologia e
podemos superá-la.

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