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Fundamentos do Direito Empresarial

O documento aborda os fundamentos históricos do direito empresarial, destacando a evolução do direito comercial e a teoria dos atos de comércio, que influenciaram a formação do conceito de empresário. Define-se empresário como aquele que exerce atividade econômica organizada com intuito lucrativo, diferenciando-o de sócios e profissionais intelectuais. Além disso, discute as atividades não empresariais, perfis da empresa e a natureza jurídica de entidades como cooperativas e EIRELI.

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Fundamentos do Direito Empresarial

O documento aborda os fundamentos históricos do direito empresarial, destacando a evolução do direito comercial e a teoria dos atos de comércio, que influenciaram a formação do conceito de empresário. Define-se empresário como aquele que exerce atividade econômica organizada com intuito lucrativo, diferenciando-o de sócios e profissionais intelectuais. Além disso, discute as atividades não empresariais, perfis da empresa e a natureza jurídica de entidades como cooperativas e EIRELI.

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Empresário

1. Fundamentos históricos do direito empresarial


A despeito de o comércio existir há milênios, o direito comercial (posteriormente chamado de empresarial
com o advento da teoria da empresa) remonta ao final da idade média e ao Renascimento, com o
surgimento das corporações de ofício.
Assim, o direito comercial nasceu, em um primeiro momento, de forma autônoma e aplicável tão somente
a cada corporação de ofício.
Ou seja, é possível afirmar que o surgimento do direito comercial não remontou à figura do Estado, mas às
corporações de ofício, ou seja, nasceu como um direito extraestatal.

a) TEORIA DOS ATOS DE COMÉRCIO:


Surgida em 1808, na França, com o Código Comercial Napoleônico, foi influenciada pelo momento
histórico em que se desenvolveu, ou seja, o pós-Revolução Francesa, com o fortalecimento da burguesia
nascente.
Dentre as medidas adotadas pela burguesia, ganhou destaque a bipartição do direito privado em direito
civil e direito comercial, com a criação de privilégios para o setor empresarial, pex formas de reorganização
empresarial, tratamento tributário favorecido.
Outra característica dos atos de comércio foi a ausência de um conceito fundamental para a disciplina,
justamente em razão do risco de os atos de comércio acabarem por abranger outras classes que não os
burgueses.
Nesse sentido, o Código Napoleônico só listou os atos de comércio, de maneira meramente
exemplificativa.
Diversos doutrinadores tentaram desenvolver um conceito de ato de comércio, porém ninguém obteve
sucesso. Quem mais se aproximou foi Rocco, que concebeu o ato de comércio a partir da existência de
uma troca marcada por uma intermediação.
Características mais importantes: bipartição do direito privado e ausência de conceito fundamental.
A teoria dos atos de comércio foi adotada pelo CCo de 1850 no Brasil.

b) TEORIA DA EMPRESA:
Surgiu em razão dos defeitos e lacunas da teoria dos atos de comércio.
O Código Italiano de 1942, no seu art. 2082, trouxe o conceito de empresário, qual seja, é aquele que
desenvolve profissionalmente atividade econômica organizada voltada à prestação de serviços ou
fornecimento de produtos.
Outra novidade da teoria da empresa foi a tentativa de reunificação do direito privado, com destaque na
doutrina para Cesare Vivante, o qual, posteriormente, mudou de ideia, em razão do grau de especialização
do direito empresarial.
No Brasil, o primeiro que defendeu a reunificação do direito privado foi Teixeira de Freitas.
Importante mencionar que a reunificação do direito privado foi parcial (formal) e se restringiu ao campo
legislativo.
Características mais importantes: tentativa de reunificação do direito privado e existência de um conceito
fundamental.

2. Conceito de empresário
Não se confunde com a figura do sócio, que consiste naquele que possui participação no capital social da
empresa e cuja responsabilidade é subsidiária (ressalvados alguns casos legais).

Art. 966, do CC/02. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica
organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

ELEMENTOS RELEVANTES:
 Profissionalismo: corresponde à congregação de três características:
o Habitualidade: é o atendimento à demanda periódica daquela atividade, isto é, regularidade
no exercício da atividade;
o Pessoalidade: o exercício da atividade deve se dar em nome do empresário, em nome dele
ou ao seu mando. Disso decorre a responsabilidade do empresário pelos atos praticados
pelos seus prepostos;
o Monopólio de informações: são as informações repassadas ao consumidor por meio do
manual de instruções.
 Atividade econômica com intuito lucrativo: a atividade econômica perpassa a ideia de lucro. O
requisito não é ter lucro, mas sim persegui-lo, como objetivo. Ademais, a noção de atividade
econômica também implica que é o empresário aquele que deve ficar sujeito aos riscos técnicos e
econômicos da atividade por ele explorada.
 Organização: é articulação dos 4 fatores de produção:
o Capital: próprio ou alheio;
o Mão de obra: direta ou indireta (sem vínculo empregatício);
 Para Vicenzo Buonocori, a mão de obra não é requisito do conceito de empresário,
uma vez que o empresário pode fazer tudo sozinho, pex lavagem de autoprodução.
o Tecnologia: aprimoramento da técnica para atender a demanda;
o Insumos: é a matéria prima que o empresário se vale.
 Produção ou circulação de bens e serviços: para o prof., não possui caráter distintivo e por isso não
estaria dentro do conceito de empresário. Contudo, para a doutrina majoritária, é elemento do
conceito de empresário.

PRINCÍPIOS DO DIREITO EMPRESARIAL:


 Livre iniciativa: dela decorre a imprescindibilidade da empresa privada para que a coletividade
tenha acesso aos bens de consumo, a busca pelo lucro, a necessidade de proteção jurídica dos
investimentos privados e o reconhecimento da função social da empresa.
 Livre concorrência;
 Garantia e defesa da propriedade;
 Preservação da empresa: é o próprio fundamento da LRE.
 Função social da empresa: é a atenção aos direitos das partes relacionadas.
Obs1: registro do empresário: comprova-se a atividade entre empresários ou em face de empresários por
meio de prova documental.

FONTES DO DIREITO MATERIAL:


 Materiais: são os fatores econômicos;
 Formais:
o Primárias: são os diplomas normativos do direito de empresa;
o Subsidiárias: usos e costumes e normas civis.

2. Perfis da empresa
Atenção: não há conceito de empresa no Código Civil, haja vista que não se trata de sujeito nem objeto,
mas sim vínculo jurídico, apto a caracterizar a atividade empresarial.
Para Alberto Asquini, a empresa é um fenômeno econômico poliédrico, dotado de 4 perfis:
 Subjetivo: é o empresário.
 Objetivo: é o estabelecimento empresarial.
 Funcional/abstrato: é a empresa, tomada como o vínculo jurídico que liga o sujeito ao objeto, ou
seja, uma atividade econômica com intuito de lucro. Foi o perfil adotado pelo art. 966 do CC/02.
Noutras palavras, o perfil funcional define a empresa como a atividade empresarial organizada.
 Corporativo: é formada pelos prepostos do empresário. É um perfil típico do fascismo. Está
vinculado ao direito do trabalho.
No CC/02, a empresa é tomada como sinônimo de atividade empresarial, ou seja, adotou-se o perfil
funcional ou abstrato.
Para Gierke, a mão de obra não é um elemento de empresa, mas sim mero fator de produção.

3. Atividades não-empresariais
Como regra, não são submetidas ao regime jurídico empresarial.

3.1 PROFISSIONAIS INTELECTUAIS


Correspondem àqueles que não atendem aos requisitos do art. 966, pex não há intuito lucrativo, não
exercem a atividade visando à obtenção de lucro como fim em si mesmo da sua atividade.
É o caso, por exemplo, do médico, professor, advogado.
Art. 966, Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza
científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício
da profissão constituir elemento de empresa.
São, em suma, os profissionais liberais.
O fato de contratar auxiliares ou colaboradores não faz com que esses profissionais liberais sejam tratados
como empresários.
Atenção: elemento de empresa – se o profissional deixar de ser a referência daquela atividade para a sua
clientela, a atividade passará a ser considerada empresarial. Em suma, a atividade intelectual passou a ser
absorvida pela atividade empresarial, funcionando como um dos fatores da organização empresarial.
Ex: médico no hospital, que deixa de ser o referencial, passando a ser a instituição, isto é, a atividade
hospitalar, o referencial.
Não é o tamanho da atividade que define ser ela empresária ou não. O que define o caráter empresarial é
a organização.
É o caso clássico, outrossim, do setor de advocacia dentro de um grande banco, que consiste em mero
elemento de empresa.

3.2 ATIVIDADE RURAL


Aquele que exerce atividade rural pode optar por realizar seu registro na Junta Comercial ou no Registro
Civil de PJ, desde que a atividade rural seja a sua principal atividade.
Nesse caso, a atividade poderá ser empresarial, desde que o registro tenha sido feito na JC, contanto que
sejam cumpridos os requisitos do art. 966 do CC.
Atenção: diferente das demais hipóteses de registro, em que o registro na JC é meramente declaratório,
para aquele que exerce a atividade rural, o registro terá caráter CONSTITUTIVO.
Obs1: para o CJF, é possível, inclusive, que o produtor rural constitua EIRELI, se observadas as condições do
art. 971, do CC.

3.3 SOCIEDADES SIMPLES (SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS)


Ressalvadas as exceções do art. 982, p.ú, o que define uma sociedade como como simples ou empresária é
o seu objeto social.
Obs1: sociedade de advocacia: a lei 13247/16 trouxe a figura da sociedade unipessoal de advocacia.
Obs2: o TJSP chama a sociedade de advogados de sociedade profissional.
Art. 15. Os advogados podem reunir-se em sociedade simples de prestação de serviços de advocacia ou
constituir sociedade unipessoal de advocacia, na forma disciplinada nesta Lei e no regulamento geral.
§ 1o A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia adquirem personalidade jurídica
com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja base
territorial tiver sede.
 O registro civil de associações e sociedades não empresárias é requisito de validade delas.
§ 2o Aplica-se à sociedade de advogados e à sociedade unipessoal de advocacia o Código de Ética e
Disciplina, no que couber.
§ 3º As procurações devem ser outorgadas individualmente aos advogados e indicar a sociedade de que
façam parte.
§ 4o Nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de advogados, constituir mais de uma
sociedade unipessoal de advocacia, ou integrar, simultaneamente, uma sociedade de advogados e uma
sociedade unipessoal de advocacia, com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho
Seccional.
§ 5o O ato de constituição de filial deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado no Conselho
Seccional onde se instalar, ficando os sócios, inclusive o titular da sociedade unipessoal de advocacia,
obrigados à inscrição suplementar.
§ 6º Os advogados sócios de uma mesma sociedade profissional não podem representar em juízo clientes
de interesses opostos.
§ 7o A sociedade unipessoal de advocacia pode resultar da concentração por um advogado das quotas de
uma sociedade de advogados, independentemente das razões que motivaram tal concentração.
Art. 16. Não são admitidas a registro nem podem funcionar todas as espécies de sociedades de advogados
que apresentem forma ou características de sociedade empresária, que adotem denominação de fantasia,
que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou titular de sociedade unipessoal
de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou totalmente proibida de advogar.
§ 1º A razão social deve ter, obrigatoriamente, o nome de, pelo menos, um advogado responsável pela
sociedade, podendo permanecer o de sócio falecido, desde que prevista tal possibilidade no ato
constitutivo.
§ 2º O licenciamento do sócio para exercer atividade incompatível com a advocacia em caráter temporário
deve ser averbado no registro da sociedade, não alterando sua constituição.
§ 3º É proibido o registro, nos cartórios de registro civil de pessoas jurídicas e nas juntas comerciais, de
sociedade que inclua, entre outras finalidades, a atividade de advocacia.
§ 4o A denominação da sociedade unipessoal de advocacia deve ser obrigatoriamente formada pelo nome
do seu titular, completo ou parcial, com a expressão “Sociedade Individual de Advocacia”.
Art. 17. Além da sociedade, o sócio e o titular da sociedade individual de advocacia respondem
subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados aos clientes por ação ou omissão no exercício da
advocacia, sem prejuízo da responsabilidade disciplinar em que possam incorrer.

3.4 COOPERATIVAS
Também são uma espécie de atividade excludente do conceito de empresário.
Art. 982, Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por
ações; e, simples, a cooperativa.
Sociedades por ações são aquelas cujo capital social é dividido em valores mobiliários chamados de ações.
São elas a sociedade anônima e a comandita por ações.
Atenção: a sociedade cooperativa é sempre civil, a despeito de realizar seu registro na junta comercial.
Obs1: é irrelevante o objeto da cooperativa, sendo ela sempre considerada civil, ainda que exerça
atividade econômica organizada de maneira profissional.

Características da sociedade cooperativa:


Art. 1.094. São características da sociedade cooperativa:
I - variabilidade, ou dispensa do capital social;
II - concurso de sócios em número mínimo necessário a compor a administração da sociedade, sem
limitação de número máximo;
III - limitação do valor da soma de quotas do capital social que cada sócio poderá tomar;
IV - intransferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos à sociedade, ainda que por herança;
V - quórum, para a assembléia geral funcionar e deliberar, fundado no número de sócios presentes à
reunião, e não no capital social representado;
VI - direito de cada sócio a um só voto nas deliberações, tenha ou não capital a sociedade, e qualquer
que seja o valor de sua participação;
VII - distribuição dos resultados, proporcionalmente ao valor das operações efetuadas pelo sócio com a
sociedade, podendo ser atribuído juro fixo ao capital realizado;
VIII - indivisibilidade do fundo de reserva entre os sócios, ainda que em caso de dissolução da sociedade.

Art. 1.095. Na sociedade cooperativa, a responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada.
§ 1o É limitada a responsabilidade na cooperativa em que o sócio responde somente pelo valor de suas
quotas e pelo prejuízo verificado nas operações sociais, guardada a proporção de sua participação nas
mesmas operações.
§ 2o É ilimitada a responsabilidade na cooperativa em que o sócio responde solidária e ilimitadamente
pelas obrigações sociais.

Art. 1.096. No que a lei for omissa, aplicam-se as disposições referentes à sociedade simples, resguardadas
as características estabelecidas no art. 1.094.

4. EIRELI (empresa individual de responsabilidade limitada)


A empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI) não é empresário individual, mas sim uma
pessoa jurídica de direito privado que constitui um verdadeiro patrimônio de afetação (muito embora
tenha personalidade jurídica) à disposição daquele que constituir a EIRELI sem a preocupação de ter o seu
patrimônio particular afetado por dívidas decorrentes do exercício da atividade empresarial.
Previsão normativa:
Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pessoa titular
da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior
salário-mínimo vigente no País.
§ 1º O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão "EIRELI" após a firma ou a
denominação social da empresa individual de responsabilidade limitada.
§ 2º A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade limitada somente poderá
figurar em uma única empresa dessa modalidade.
§ 3º A empresa individual de responsabilidade limitada também poderá resultar da concentração das
quotas de outra modalidade societária num único sócio, independentemente das razões que motivaram tal
concentração.
§ 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída para a prestação
de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou
de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade
profissional.
§ 6º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade limitada, no que couber, as regras previstas para
as sociedades limitadas.
§ 7º Somente o patrimônio social da empresa responderá pelas dívidas da empresa individual de
responsabilidade limitada, hipótese em que não se confundirá, em qualquer situação, com o patrimônio do
titular que a constitui, ressalvados os casos de fraude. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
O legislador brasileiro preferiu, ao invés de instituir as figuras da sociedade unipessoal ou do empresário
individual de responsabilidade limitada, criou um novo instituto jurídico.

Pontos relevantes acerca da EIRELI:


 Natureza jurídica: uma nova espécie de pessoa jurídica no ordenamento brasileiro, não se
confundindo com a figura das sociedades.
 Exige-se capital social mínimo correspondente a 100 SM integralizado para a constituição da EIRELI,
valor este correspondente àquele no momento da constituição da EIRELI, não se sujeitando aos
aumentos posteriores no SM.
o Há uma ADI (4637) no STF contra tal previsão, uma vez que o SM não poderia ser utilizado
como critério de indexação para a determinação do capital mínimo necessário para a
abertura de uma EIRELI.
 Nome empresarial: pode ser tanto denominação social quanto firma, devendo constar a expressão
EIRELI após o nome empresarial.
 A despeito do veto ao §4º, o patrimônio da pessoa natural que constitui a EIRELI não pode ser
atingido pelos débitos dela, ressalvadas as hipóteses de desconsideração da PJ: o veto se deu
porque o dispositivo mencionava a proteção do capital em qualquer hipótese, o que acabaria por
afastar a possibilidade de desconsideração da PJ.
 Constituição por PJ: a despeito do silêncio, o CJF e o DREI entendem que só pessoas naturais
podem constituir uma EIRELI.
 Cada pessoa natural pode constituir tão somente uma EIRELI.

5. Vedações ao exercício da atividade empresarial


Podem ser divididas em duas espécies:
a) INCAPACIDADES: existem para proteger o indivíduo que não tem a capacidade de praticar atos da vida
civil (incapacidade civil). É a proteção do incapaz em face da coletividade.
Atenção: o emancipado pode livremente exercer a atividade empresarial.
1) Pode o incapaz ser empresário individual?
 Não pode iniciar uma atividade empresarial.
 Pode continuá-la, nos casos que era capaz e deixou de sê-lo ou nos casos em que sucede um
empresário.
o Obs1: nesse caso, depende de autorização judicial por meio de alvará, que listará os bens
particulares do incapaz ao momento da sucessão ou incapacidade superveniente, que não
serão alcançados pelas dívidas empresariais, salvo se forem utilizados na atividade
empresarial.
o Obs2: a atividade empresarial do incapaz sempre dependerá de representante ou
assistente. Contudo, nos casos em que o representante ou assistente for proibido de
exercer a atividade empresarial, o juiz nomeará um gerente para o exercício da atividade ou
sempre que achar conveniente.
2) Pode o incapaz ser sócio de sociedade empresária ou integrante da EIRELI?
 Sim, desde o começo, desde que os requisitos do §3º do art. 974 sejam atendidos:
o O capital social subscrito esteja totalmente integralizado;
o O incapaz não participa da administração da sociedade;
o O incapaz esteja devidamente representado ou assistido.

b) PROIBIÇÕES: trata dos casos de indivíduos que podem ser nocivos à coletividade se exercerem a
atividade empresarial, vedando, por isso, o exercício da empresa. São eles:
 Falido, apenas enquanto não for reabilitado: a reabilitação ocorrerá com o trânsito em julgado da
decisão que reconhece a extinção das obrigações do falido.
 Condenado por crime incompatível com o exercício da empresa: é o tipo penal cujo resultado é
potencializado pelo exercício da atividade empresarial.
o Art. 1011, § 1o Não podem ser administradores, além das pessoas impedidas por lei
especial, os condenados a pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos
públicos; ou por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato;
ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as normas de
defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a propriedade,
enquanto perdurarem os efeitos da condenação.
 Leiloeiro;
 Devedor de tributos: abrange as contribuições sociais.
 Estrangeiro: algumas atividades empresariais são vedadas, atinentes à segurança nacional e
interesse nacional.
o Art. 222, da CF: o estrangeiro não pode ter mais de 30% do capital social de companhias de
radiodifusão e televisão, nem exercer cargo de direção e tampouco definir o quadro de
programação.
o Atenção: atualmente, os estrangeiros podem ter 100% de participação em companhias de
aviação civil e doméstica.
 Servidor público: não pode ser empresário individual nem sócio administrador (a depender do
estatuto, pode), sem prejuízo de ser sócio investidor. Militares, servidores da União não podem ser
empresários nem administradores. No caso de servidores de SP, é vedada a administração e
atividade empresarial naquilo que contrariar a função pública exercida pelo agente, isto é, no
mesmo ramo, ou seja, médico não pode ser sócio administrador de empresa hospitalar.
o MP 792 (do PDV): estimulou a demissão de servidores e a redução de carga horária, por
meio da possibilidade de exercício da atividade empresarial.
Atenção: o proibido que exerce a atividade empresarial deve cumprir com as suas obrigações (ou sejam
seus atos não são nulos), uma vez que ninguém pode se beneficiar da própria torpeza.

c) CÔNJUGES: não há óbice para que contratem entre si ou com terceiros, DESDE QUE NÃO SEJAM
CASADOS NO REGIME DE SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA OU COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS.
 Atenção: o empresário casado pode alienar e onerar com direito reais os bens da empresa sem
autorização do outro cônjuge, independentemente do regime de bens. Contudo, deve haver prévia
averbação de autorização conjugal à conferência do imóvel ao patrimônio empresarial no CRI, com
a consequente averbação do ato à margem de sua inscrição no registro público de empresas
mercantis.
 Obs1: pactos antenupciais, contratos de doação, herança, legado, testamento e incomunicabilidade
de bens do empresário deverão ser registrados na JC, sob pena de não poderem ser opostos contra
terceiros.

6. Prepostos do empresário
Corresponde à toda mão de obra utilizada pelo empresário, seja ela mão de obra direta, seja indireta, a
depender da existência de vínculo empregatício.

Regra geral: os atos praticados pelo preposto vinculam o preponente, desde que dois requisitos sejam
observados:
 Ato praticado no estabelecimento, ainda que este venha ser ampliado;
 Ato deve estar relacionado com o objeto da atividade (não se exige autorização escrita se o ato
tiver sido praticado dentro do estabelecimento).
 Atenção 1: quando tais atos forem praticados fora do estabelecimento, somente obrigarão o
preponente nos limites dos poderes conferidos por escrito, cujo instrumento pode ser suprido pela
certidão ou cópia autêntica do seu teor.
 Atenção 2: No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os
preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos
atos dolosos.
Obs1: ainda que o empresário não autorize aquela determinada conduta, se os requisitos tiverem sido
observados, haverá a responsabilização do preponente.
Obs2: em se tratando de relação de consumo e a proposta for irrisória (fora dos parâmetros de mercado),
a conduta do preposto discordante do empresário não responsabilizará este.
Obs3: para que o preposto substitua-se no exercício da atividade, é necessária autorização escritamdo
preponente.

O preposto não pode concorrer com o empresário, sob pena de praticar o crime de concorrência desleal,
ressalvada a autorização expressa do preponente ou atividades não exclusivas, pex médico e professor.
Nesse caso, seus lucros deverão ser retidos pelo preponente.

Principais prepostos:
 Gerente: é o preposto com funções de chefia. O preponente pode limitar seus poderes, desde que
por forma escrita e arquivado na junta comercial, a fim de produzir efeitos em face de terceiros.
Não se exige formação específica.
o Atenção: o preponente responde com o gerente pelos atos que este pratique em seu
próprio nome, mas à conta do preponente.
 Contabilista: cuida da escrituração do empresário, devendo ter formação específica e registro no
conselho competente. É caso de preposto obrigatório, contudo, não precisa ser empregado do
empresário. Nas localidades em que não há contador, é possível que o próprio empresário realize
escrituração ou contrate terceiro não habilitado.

7. Registro empresarial
Consiste ao aviso ao Estado de que o agente passará a exercer uma atividade econômica organizada. O
registro empresarial deve se dar antes do início da atividade e possuirá efeitos meramente declaratórios,
ressalvada a situação do empresário rural, cujo registro terá caráter constitutivo.
Atenção: o registro não é requisito para a caracterização do empresário e sua consequente submissão ao
regime jurídico empresarial. Isso porque o registro é requisito delineador de sua regularidade e não da
caracterização da empresa.
Obs1: ressalvadas as ME e EPP, os atos de registro das sociedades empresárias e empresários individuais
precisam estar visados por um advogado.

Lei 8934/94: desenvolveu o SINREM, dividido em dois âmbitos:


 Federal: DREI (Departamento de Registro Empresarial e Integração) – regulamenta o registro
realizado pelas juntas comerciais. Tem uma atuação supervisora.
 Estadual: são as juntas comerciais, responsáveis por promoverem o registro. Possuem dupla
subordinação:
o Técnica: ao DREI – é quem diz como fará o registro;
o Administrativa: ao governo estadual.
 STJ: em razão dessa divisão, entende que os atos que digam respeito a critérios
técnicos devem ser submetidos à Justiça Federal, haja vista que o DREI é integrante
da estrutura da União. Por sua vez, se a impugnação judicial versar sobre matéria
meramente administrativa, a competência para a apreciação das ações judiciais será
da Justiça estadual. Posteriormente, passou a entender que a competência da JF se
restringe aos atos que discutem a lisura do ato praticado pela junta, bem como os
MS impetrados contra ato de seu presidente, sendo que todas as demais ações
deverão ser ajuizadas na justiça estadual.
 Obs1: a JC do DF não possui dupla subordinação, estando sujeita tão somente ao
DREI.

Atos de registro:
 Matrícula: é o ato de registro dos auxiliares do empresário, pex tradutores, intérpretes comerciais e
leiloeiros.
 Arquivamento: é o ato de registro do empresário individual e constituição, alteração e dissolução
das sociedades empresárias e da EIRELI, bem como cooperativas.
o Atenção: o prazo para o requerimento arquivamento é de 30 dias a contar da assinatura. Se
realizado no prazo, o arquivamento produzirá efeitos retroativos. Por outro lado, se
realizado fora do prazo, os efeitos serão ex nunc, a contar da data de sua aprovação. Nessa
última hipótese, o empresário responderá ilimitadamente pelos atos praticados na condição
de irregular.
 Autenticação: possui dupla função, sendo um requisito extrínseco de regularidade na escrituração
dos atos empresariais.
o Veracidade: é a atribuição de fé pública às cópias.
o Regularidade: evita a fraude empresarial
Obs1: a JC examina tão somente os aspectos formais do pedido, não analisando questões materiais, uma
vez que são questões atinentes à regularidade do registro. Contudo, admite-se que a junta comercial se
debruce sobre o aspecto material, quando o objeto da empresa for flagrantemente ilícito.
Obs2: caso o vício do pedido seja sanável, a JC pode converter o pedido em exigência, para que o
interessado corrija o problema em 30 dias.
STJ: por não estar prevista na lei como requisito, as juntas comerciais não podem exigir a certidão de
regularidade fiscal para promoverem atos de registro dos empresários e sociedades empresárias.

Processo decisório: os atos são divididos em duas categorias, a depender da maior ou menor
complexidade.
 A) de maior complexidade: são decididos por um colegiado. Divide-se em turmas de vogais ou
plenário. O plenário funciona como instância recursal das decisões do presidente e das turmas. Por
sua vez, estas são responsáveis pelo arquivamento relacionado às SA e operações societárias, bem
como arquivamentos de grupos de sociedade e consórcio de empresas. Prazo: 5 dias úteis para a
decisão.
 B) de menor complexidade: são decididos de forma singular pelo presidente da JC, que poderá
delegar a referida função. Já o presidente da JC é responsável pelos demais arquivamentos, bem
como a matrícula e a autenticação. Prazo: dois dias úteis.

Obs1: no caso de ausência de decisão no prazo, considerar-se-á o pedido de registro deferido tacitamente.
Obs2: indeferimento do registro:
 Esfera administrativa: deve seguir o trâmite do processo revisional, por meio de um pedido de
reconsideração ao órgão julgador. Caso não mude a decisão, há interposição de um recurso
administrativo ao plenário da junta. Nesse caso, se o plenário mantiver o indeferimento, caberá
recurso ao Secretário do DREI. O prazo para recorrer administrativo é de 10 dias úteis a contar da
publicação ou ciência da decisão.
 Esfera judicial.

Atenção: Considera-se o empresário como inativo e consequentemente irregular aquele que não
promover nenhum arquivamento em 10 anos a contar do último arquivamento. Nesse caso, responderá
ilimitadamente e não poderá pedir a falência de nenhum outro empresário (mas pode pedir a própria).
Tampouco terá matrícula junto ao INSS nem poderá contratar com o poder público.
 Nessa hipótese, perde automaticamente a proteção dada ao nome.

8. Livros empresariais e balanços


A escrituração do empresário deve sempre ficar sob a responsabilidade de um contabilista, ressalvadas as
exceções legais.
Os livros empresarias são fruto da obrigação da escrituração empresarial, possuindo, para a doutrina, três
funções:
 Gerencial: por meio do exame dos livros, o empresário poderá tomar a melhor decisão no âmbito
de seus investimentos.
 Documental: servem para que o empresário possa mostrar a terceiros o funcionamento saudável
de sua atividade.
 Fiscal: decorre da necessidade que tem empresário de demonstrar o pagamento de tributos e
demais encargos ao Estado.
Obs1: não são empresários os livros relativos a obrigações trabalhistas, previdenciárias e tributárias.

Categorias dos livros empresariais:


 Obrigatórios: são aqueles impostos pela legislação. A ausência de um livro obrigatório acarreta
sanção ao empresário e a sua ausência na falência pode ensejar, inclusive, crime falimentar.
Dividem-se em:
o Obrigatórios comuns: são aqueles impostos a todos empresários, indistintamente. O diário é
o único livro obrigatório comum, que pode ser substituído por fichas.
 Exceção: microempresário e empresário de pequeno porte, que estão dispensados
da escrituração do diário. Caso sejam optantes do SIMPLES, não precisam escriturar
o diário, mas precisam guardar os documentos que comprovam as operações
realizadas. Já os não optantes, podem substituir o diário pelo livro caixa.
 ME: receita anual bruta igual ou inferior a 360 mil reais.
 EPP: receita anual bruta a 360 mil reais e igual ou inferior a 4,8 milhões de
reais.
o Obrigatórios especiais: são impostos a apenas certas categorias de empresários, pex livro de
registro de duplicatas, atas de assembleia de uma SA.
 Facultativos: não são impostos pela legislação, e a sua ausência não traz qualquer sanção ao
empresário (doutrina diverge). São os chamados auxiliares. Nessa hipótese, para serem exibidos, é
necessário que a parte demonstre a sua existência, bem como a necessidade em exibi-los.
Obs1: os livros deverão ser autenticados no registro empresarial.

Balanços: todo empresário tem a obrigação de levantar dois balanços distintos por ano:
 Patrimonial: demonstra o ativo e passivo. Os bens destinados à exploração da atividade devem ser
avaliados consoante o seu custo de aquisição.
 Resultado econômico: demonstra o lucro ou prejuízo das operações.
Obs1: as IF têm de levantar os dois balanços a cada 6 meses.
Obs2: ME e EPP estão dispensados de levantar referidos balanços.

Eficácia probante dos livros: para que eles façam prova contra o empresário e entre sócios, é irrelevante
se estão ou não devidamente escriturados. Por outro lado, para fazerem prova a favor do empresário, é
indispensável que estejam devidamente escriturados.

Dispositivos e súmulas importantes:


 Art. 1190: Ressalvados os casos previstos em lei, nenhuma autoridade, juiz ou tribunal, sob qualquer
pretexto, poderá fazer ou ordenar diligência para verificar se o empresário ou a sociedade
empresária observam, ou não, em seus livros e fichas, as formalidades prescritas em lei.
 Art. 1191, caput: O juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis de escrituração
quando necessária para resolver questões relativas a sucessão, comunhão ou sociedade,
administração ou gestão à conta de outrem, ou em caso de falência.
o A exibição pode ser cautelar ou definitiva.
o SA: é possível que o juiz defira a exibição total dos livros da SA quando houver
requerimento de pelo menos 5% do capital social, apontando violação ao estatuto ou à lei,
bem como suspeita de graves irregularidades levadas a efeito pelo órgão da companhia.
o Art. 421, do CPC: a exibição de todos os livros pode ser determinada a requerimento da
parte ou de ofício pelo juiz.
 Art. 1.192. Recusada a apresentação dos livros, nos casos do artigo antecedente, serão apreendidos
judicialmente e, no do seu § 1o, ter-se-á como verdadeiro o alegado pela parte contrária para se
provar pelos livros – mas pode ser elidida por prova documental em sentido contrário.
 Art. 1193: As restrições estabelecidas neste Capítulo ao exame da escrituração, em parte ou por
inteiro, não se aplicam às autoridades fazendárias, no exercício da fiscalização do pagamento de
impostos, nos termos estritos das respectivas leis especiais.
 Art. 1194: O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a
escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer
prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados.
 Súmula 260 do STF: o exame dos livros comerciais, em ação judicial, fica limitado às transações
entre os litigantes.
 Súmula 439 do STF: estão sujeitos a fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros
comerciais, limitado o exame ao ponto objeto da investigação.

9. Estabelecimento empresarial
É o instrumento de trabalho do empresário.
Atenção: é equivocada a menção ao lugar onde a atividade empresarial é exercida. O local de exercício da
atividade empresarial se chama ponto empresarial.
Conceito: é o complexo de bens do empresário destinado ao exercício da atividade empresarial
organizada.
 Para a doutrina italiana, os elementos caracterizadores do estabelecimento são o complexo de bens
e a organização.
Compreende os bens materiais, pex imóveis e mercadorias em estoque (STJ), bem como os imateriais, pex
marca, registro e ponto. Não se cuida ao patrimônio do sócio, mas sim do patrimônio profissional do
empresário individual e o patrimônio da sociedade, desde que destinados ao exercício da atividade
econômica organizada. Ou seja, cuida-se de um patrimônio de afetação, já que nem todo patrimônio do
empresário ou da sociedade pode ser considerado como integrante do estabelecimento empresarial.
 Natureza jurídica: o estabelecimento é uma universalidade. Diverge-se se de direito (TJSP) ou de
fato. Prevalece na doutrina que se trata de uma universalidade de fato, uma vez que a sua
configuração como bem coletivo decorre da vontade do empresário e não por força de lei (que é
característica da universalidade de direito).

TRESPASSE: é o contrato oneroso de transferência do estabelecimento empresarial.


Depende do atendimento de alguns requisitos:
 Contrato deve ser escrito, para que seja inscrito na JC.
 Publicado na imprensa oficial: é condição de eficácia e não de validade do contrato.
 Anuência dos credores: quando o empresário não tiver dinheiro para pagar todos os seus
credores, dependerá de anuência dos credores, que pode ser expressa ou tácita (comunicado, não
se manifesta no prazo de 30 dias). É possível dispensar a anuência dos credores se o patrimônio for
solvente, isto é, suficiente para saldar todas as dívidas do empresário.
Caso não haja observância dos referidos requisitos, não haverá nulidade, mas sim ineficácia do contrato
perante terceiros.
A alienação sem a observância dos requisitos, além de ineficaz, pode ensejar o pedido de falência por parte
de algum credor prejudicado.

Efeitos do contrato de trespasse:


 A) Cláusula de não concorrência (1147): nos 5 anos seguintes à celebração do contrato, não poderá
o alienante fazer concorrência contra o adquirente, ressalvada disposição em contrário. É a
chamada cláusula de não restabelecimento ou não concorrência, que, para a jurisprudência do STJ
é considerada implícita ao próprio contrato de trespasse. O fundamento de referida cláusula é a
boa-fé objetiva.
o STJ: as partes não podem prever que a cláusula de não restabelecimento se dê por prazo
indeterminado.
o STJ: para que a cláusula de não concorrência seja considerada válida, é necessário que ela
seja limitada nos âmbitos espacial e territorial.
o TRF-3: não pode ultrapassar 5 anos a cláusula de não concorrência.
o No caso dos contratos de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, o prazo será
aquele de vigência dos contratos.
o CADE: ao analisar a cláusula de não concorrência, leva em conta o mercado relevante
daquele determinado setor, haja vista o risco de causar danos à livre concorrência.
 B) Sub-rogação do adquirente nos contratos do alienante: ressalvados os contratos de caráter
pessoal.
o Obs1: doutrina diverge a respeito da natureza do contrato de locação. Enquanto para o CJF
o contrato de locação não é intuito personae, para a doutrina e legislação, ele aparenta sê-
lo.

Dívidas do estabelecimento na alienação:


No que toca às dívidas do estabelecimento, as dívidas contabilizadas serão transferidas ao adquirente, mas
o alienante permanecerá solidariamente responsável pelo prazo de um ano, a contar da publicação do
contrato de trespasse para as dívidas vencidas ou a contar do vencimento, para as dívidas vincendas.
Contudo, é possível que as partes fixem, entre si, de modo distinto as obrigações, o que não afetará os
terceiros, que observarão as regras do CC.
 Dívidas tributárias (133, do CTN): se no prazo de 6 meses a contar da alienação, o alienante exerça
qualquer outra atividade, a responsabilidade permanecerá com ele, respondendo o adquirente de
modo subsidiário. Se o alienante encerrar a atividade ou se para e volta depois de 6 meses, não se
sujeitará à responsabilidade tributária, que será integral do adquirente.
 Dívidas trabalhistas (448-A, da CLT): as dívidas se transferem, na sua integralidade, ao adquirente,
sem responsabilidade do alienante, salvo na hipótese de fraude, situação em que alienante e
adquirente responderão solidariamente.
STJ: para que haja a sub-rogação do adquirente nas dívidas do alienante, é necessário que tenha havido a
transmissão da funcionalidade do estabelecimento – por conta disso, o novo locatário que só ocupa o
prédio do antigo empresário não pode ser responsabilizado pelas dívidas deste, notadamente quando não
houve nem mesmo o contrato de trespasse, mas tão somente novo contrato de locação.
Atenção: em matéria de recuperação judicial e falência, o adquirente do estabelecimento não se sub-
rogará nas dívidas do alienante, sejam elas fiscais ou trabalhistas.

PONTO EMPRESARIAL: é o local em que o empresário exerce a sua atividade. Ainda que a propriedade do
imóvel não pertença ao empresário, os direitos e obrigações relativas ao ponto empresarial serão
integrantes do conceito de estabelecimento empresarial.
 Locação não residencial: dentre as várias hipóteses, há a locação empresarial, na qual o imóvel é
utilizado no exercício da atividade econômica organizada, em que há um regramento de proteção
específica ao empresário locatário:
 Direito de inerência ao ponto: é a renovação contratual forçada do contrato de locação
empresarial, materializada por meio da propositura da ação renovatória, desde que observados
os requisitos do art. 51, da lei 8245/91:
o 1) Contrato escrito e por prazo determinado
o 2) Ter o locatário por 5 anos ininterruptos de contrato: admite-se que haja contratos
cuja soma dê 5 anos ou mesmo com locadores distintos, desde que mantido o imóvel.
 STJ: vêm afastando a tentativa dos locadores de fraudarem o direito de
inerência. Se a interrupção é apenas do vínculo formal, mantendo-se o contrato
por prazo indeterminado, continuará o locatário com o direito de inerência ao
ponto.
o 3) Ter o locatário, ao menos, 3 anos de efetivo exercício da mesma atividade quando
da propositura da ação renovatória.
 Prazo para a propositura da ação renovatória: inicia-se se estiver a um ano do fim do contrato
e termina quando se estiver a 6 meses do fim do contrato. Cuida-se de um prazo decadencial.
Ou seja, a ação renovatória deve ser proposta nos primeiros 6 meses do último ano do
contrato de aluguel.
 Renovação por igual período: para o STJ, corresponde ao mesmo prazo do ajuste anterior,
observado o prazo máximo de 5 anos.
 Valor do aluguel: será reajustado pelo valor de mercado. Admite-se, ainda, nos moldes do art.
72, a fixação de aluguel provisório correspondente a até 80% do valor pedido pelo locador,
situação na qual passará a vigorar no primeiro mês do ajuizamento da ação renovatória.
 Exceção de retomada: são as defesas que impedem a renovação do contrato (arts. 52 e 72, da
lei de locações). São 5 as hipóteses que fundamentam a exceção de retomada:
o 1) Uso próprio: o proprietário não poderá, porém, exercer a mesma atividade do
empresário locatário pelo prazo de 5 anos, salvo se o locador já exercia a atividade
empresarial que era objeto do locatário.
o 2) Reforma substancial: deve ser iniciada no prazo de 3 meses.
o 3) Locatário não ofereceu o valor de mercado;
o 4) Proposta melhor de terceiro: o terceiro e o locador responderão solidariamente pela
indenização pela perda do ponto ao locatário.
o 5) Transferência de estabelecimento existente há mais de um ano pertencente a cônjuge,
descendente ou ascendente ou que estes possuam a maioria do capital social: nesse
caso, não poderá realizar a mesma atividade que era exercida anteriormente pelo
locatário.
STJ: se julgada improcedente a ação renovatória, terá o locatário o prazo de 30 dias para sair do imóvel, a
contar do trânsito em julgado.
Obs1: nos casos de reforma substancial, uso próprio ou transferência do estabelecimento empresarial, o
locador tem um prazo de 3 meses para dar a destinação específica ao imóvel, a contar da entrega pelo
locatário, sob pena de indenizá-lo pelos danos emergentes e lucros cessantes decorrentes da mudança,
perda do lugar e desvalorização do estabelecimento comercial.

Contrato de shopping center: cuida-se de um contrato atípico - por conta disso, admitem a livre fixação de
cláusulas que outrora não seriam admitidas nos contratos típicos.
Ex: são válidas as cláusulas de fiscalização e de raio.

AVIAMENTO E CLIENTELA:
 aviamento: é a aptidão que um determinado estabelecimento possui para gerar lucros ao
exercente da empresa, ou seja, é uma qualidade ou atributo do estabelecimento que vai influir na
sua valoração econômica.
o STJ: mesmo a empresa temporariamente inativa deve ter o seu potencial de aviamento
analisado.
 Clientela: é a manifestação externa do aviamento, consistindo no conjunto de pessoas que mantém
relações com o empresário.
Atenção: para Santa Cruz, aviamento e clientela não são elementos do estabelecimento empresarial, ,as
sim qualidades a ele inerentes.
Obs1: freguesia não se confunde com a clientela, consistindo em um critério geográfico, sem vínculo de
lealdade, representado pelo núcleo transeunte, passageiro e que somente adquire produtos de
determinado estabelecimento por razões particulares.

PENHORA DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL: é legítima, desde que não exista outro meio eficaz para a
efetivação do crédito.
É possível, também, a penhora da sede do estabelecimento (S. 451-STJ).

10. Nome empresarial


É um dos elementos identificadores do empresário enquanto sujeito da atividade econômica organizada.
Para a doutrina, o nome é um elemento imaterial do estabelecimento, consistindo em um direito
personalíssimo do empresário ou da sociedade empresária.
 STJ: se mudou o nome empresarial, devem ser outorgadas novas procurações aos mandatários de
sociedade empresária.
Funções do nome:
 Subjetiva: individualizar e identificar o sujeito de direitos exercente da empresa.
 Objetiva: garantia de fama, renome e reputação.

Elementos identificadores da atividade empresarial:


 Nome empresarial: identifica o empresário enquanto sujeito da atividade econômica organizada. É
protegido pelo registro na JC.
 Marca: identifica os produtos e serviços oferecidos pelo empresário. É protegida pelo registro no
INPI.
 Título de estabelecimento (nome fantasia ou insígnia): identifica o ponto empresarial. É protegido
pelas regras de concorrência desleal. Não possui proteção específica.
 Nome de domínio: identifica o ponto empresarial eletrônico. É protegido por meio do registro no
[Link] (núcleo de informação e coordenação do ponto br).
o STJ: integra o estabelecimento do mesmo modo que o nome empresarial, sendo que no
Brasil, a regra em matéria de nome de domínio é o first come, first served, de sorte que o
registro de um nome empresarial não significa que ele tenha automaticamente o direito
exclusivo de usar essa expressão como nome de domínio, quando notadamente outra
sociedade já usava referida expressão em seu nome de domínio antes do registro.
 Sinal de propaganda: são aqueles que, a despeito de não identificar o produto, têm a função de
chamarem a atenção dos consumidores. com o advento da LPI, deixou de usufruir de regramento
de proteção específico.

Diferenças relevantes entre nome empresarial e marca:


 Âmbito territorial: o nome empresarial é protegido apenas no Estado em que foi registrado,
enquanto que a marca abrange todo o território nacional. Para estender a proteção do nome
empresarial, é necessário o registro nas JCs de outros estados.
o Marca notoriamente reconhecida: ganha proteção em outros países, ainda que não tenha
havido o registro lá. Mas se limita àquela determinada atividade econômica.
 Âmbito material da tutela: a marca é protegida apenas na classe em que foi registrada, enquanto
que o nome empresarial é protegido em todos os ramos.
o Marca de alto renome: desde que registrada, é protegida em todos os ramos de atividade.

Espécies de nome empresarial:


 Firma: tem por base o nome civil dos integrantes, podendo vir acompanhada ou não pelo ramo da
atividade. A firma é privativa das sociedades de pessoas (e de responsabilidade ilimitada, em
regra) e a EIRELI. Além da função de identificação, a firma exerce a função de assinatura do
empresário. Divide-se em:
o Firma individual: é utilizada pelo empresário individual.
o Firma social: é utilizada pela sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita simples,
sociedade limitada, sociedade em comandita por ações e EIRELI.
o Atenção: morto o sócio ou retirado da sociedade, o seu nome civil deverá ser retirado do
nome empresarial, caso esteja nele presente (por força do princípio da veracidade).
 Denominação: tem por base um elemento fantasia, obrigatoriamente acompanhado do objeto ou
ramo da atividade. É privativa das sociedades da capital e da EIRELI (que pode usar tanto firma
como denominação).
o Podem se valer da denominação: sociedade responsabilidade limitada, bem como outras –
SA, limitada, comandita por ações e EIRELI. Ou seja, são as sociedades por ações, LTDA e
EIRELI.
o Na SA, o elemento fantasia pode ser substituído pelo nome daquele que a fundou ou
alguém que muito contribuiu para o seu desenvolvimento.
Atenção: a sociedade em conta de participação, por não possuir personalidade jurídica, não pode ter
firma ou denominação.

Princípios regentes do nome empresarial:


 Veracidade: o nome empresarial não pode conter informações falsas. Por conta disso, a sociedade
limitada determina a responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores, bem como a
necessidade de se retirar o nome civil do empresário falecido ou retirante do nome empresarial.
 Novidade: é a vedação à utilização de nomes empresariais iguais ou muito semelhantes. Nesse
caso, a proteção do empresarial é concomitante com o registro dos atos constitutivos, limitando-se,
contudo, ao espaço territorial sob jurisdição daquela JC.
o Prazo prescricional para questionar a utilização do nome: apesar de sob a égide do CC/16 ter
sido previsto o prazo de 10 anos, o art. 1167 do CC/02 perpassa a ideia que se trata de
prazo indeterminado, por se tratar de direito personalíssimo.

Atenção: muito embora seja vedada a alienação do nome empresarial, é possível que ele seja transmitido
por meio do contrato de trespasse, na condição de elemento integrante do estabelecimento. Diante da
confusão feita pelo CC/02, o CJF recomenda a revogação do art. 1164, do CC/02.

Jurisprudência do STJ a respeito do nome empresarial: ficando afastada a possibilidade de confusão do


consumidor, seja porque atuam em ramos distintos, seja porque estão registradas em JC de estados
distintos, não há vedação ao uso do mesmo nome empresarial por duas sociedades empresárias
domiciliadas em entes federativos diversos e cuja atividade empresarial é totalmente distinta.

11. Shopping center


Conceito: é um estabelecimento empresarial voltado a abrigar outros estabelecimentos comerciais, com a
promessa de atrair consumidores.
Natureza jurídica: há duas correntes:
 Minoritária: é apenas um contrato de locação especial;
 Majoritária (STJ): é um contrato atípico misto em que prevalece a autonomia da vontade, donde
surge a possibilidade de se instituir cláusulas que, outrora, não seriam admitidas em contratos civis,
pex cláusula de raio que veda a constituição de um mesmo empreendimento com aquele objeto de
atividade empresarial nas redondezas do shopping.
o STJ: a despeito do CADE já ter entendido que a cláusula de raio viola a concorrência, o STJ
fixou entendimento segundo o qual tal cláusula é válida.
Obs1: as exceções de retomada no contrato de locação de shopping center são restritas, não se aplicando
a integralidade da lei 8245/91.

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