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Doença Inflamatória Pélvica: Causas e Tratamento

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica inflamatória e infecciosa que resulta da ascensão de microorganismos do trato genital inferior, sendo uma complicação significativa das infecções sexualmente transmissíveis. As sequelas incluem dor pélvica crônica e infertilidade, com tratamento que varia entre ambulatorial e hospitalar, dependendo da gravidade. O rastreamento e a prevenção são essenciais, especialmente em populações de risco como gestantes e mulheres jovens sexualmente ativas.

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Doença Inflamatória Pélvica: Causas e Tratamento

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica inflamatória e infecciosa que resulta da ascensão de microorganismos do trato genital inferior, sendo uma complicação significativa das infecções sexualmente transmissíveis. As sequelas incluem dor pélvica crônica e infertilidade, com tratamento que varia entre ambulatorial e hospitalar, dependendo da gravidade. O rastreamento e a prevenção são essenciais, especialmente em populações de risco como gestantes e mulheres jovens sexualmente ativas.

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Doença Inflamatória Pélvica

Gilson Corrêa, MSc


Doença Inflamatória Pélvica - DIP

ESTRUTURAS ADJACENTES
• É uma síndrome clínica,
inflamatória e infecciosa, PERITÔNIO

decorrente da ascenção de
TROMPAS OVÁRIOS
microorganismos do trato
ENDOMÉTRIO
genital inferior na mulher
COLO DO ÚTERO
VAGINA

micro-organismos
Doença Inflamatória Pélvica - DIP
PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA
Peritonite
Salpingite pélvica

Endometrite Abcesso tubo-


ovariano

Cervicite Vaginite
É uma das mais importantes complicações das infecções sexualmente
transmissíveis (IST).
Doença Inflamatória Pélvica - DIP

• Associação com procedimentos cirúrgicos e gestação:


[Link]/watch?v=5RqdTrF7pMg

[Link]
Cauterização do colo

Biópsia de
Endométrio

Histeroscopia
Curetagem uterrina
Inserção de DIU
DIP - sequelas
• Mulheres que já tiverem um episódio de
DIP – 12 a 15% de chance de gravidez
ectópica
• Está associada a sequelas importantes em
longo prazo = dor pélvica crônica (18% dos
casos).
• Taxa de infertilidade: 12 a 50%,
aumentando com o número de episódios de
DIP
Principais causas:

Chamydia trachomatis
e Neisseria gonorrhoeae
DIP – agentes microbianos
AERÓBIOS
Haemophilus influenzae,
Pseudomonas aeruginosa

ANAERÓBIOS ANAERÓBIOS
Chamydia Neisseria Atopobium vaginae, FACULTATIVOS
trachomatis bacilos associados à
gonorrhoeae vaginose bacteriana
Corynebacterium spp,
Enterococcus faecalis,
(BVAB1-2-3) Escherichia coli,
Bacteroides spp, Gardnerella vaginalis,
Bacteroides fragilis, Klebsiella spp,
Clostridium spp, Peptostreptococcus,
Eggerthella spp, Staphylococcus spp,
Toda paciente com DIP deve ser Leptotrichia amnionii, Staphylococcus aureus,
testada para Megasphaera spp, Streptococcus spp,
Mobiluncus mulieris, S. agalactiae (beta-
HIV, Chamydia e Gonococos Prevotella spp hemolítico).
Doença Inflamatória Pélvica
A virulência dos agentes e a resposta imune do hospedeiro
definem a progressão:
DIP – DIAGNÓSTICO CLÍNICO
• Muitas mulheres que tem DIP apresentam sintomas sutis e inespecíficos,
ou são ASSINTOMÁTICAS.

• SINTOMATOLOGIA
✓Dor (abdominal, mobilizaçao do colo do útero)
✓Corrimento vaginal
✓Disuria
✓Dispareunia
✓Ciclo menstrual irregular
✓Febre
DIP – DIAGNÓSTICO CLÍNICO
MINISTÉRIO DA SAÚDE

• Avaliação de critério maiores, menores e elaborados.

• Para a confirmação do diagnóstico são necessários:

• 3 critérios maiores + 1 critério menor ou 1 critério elaborado


DIP – Critérios Diagnósticos
DIP – Critérios Diagnósticos
DIP – Critérios Diagnósticos
DIP – DIAGNÓSTICO SUBSIDIÁRIO
• Exames laboratoriais:
• Hemograma completo
• VHS e Proteína C-reativa
• Exame bacterioscópico para os diferentes micro-organismo
• Cultura de material de endocérvice com antibiograma ou NAAT para N. gonorrhoeae
• Pesquisa de clamídia no material de endocérvice, de uretra, de laparoscopia ou de
punção de fundo de saco posterior;
• Exame qualitativo de urina e urocultura (para afastar hipótese de infecção do trato
urinário);
• Hemocultura;
• Teste de gravidez (para afastar gravidez ectópica);
• USG transvaginal, pélvica ou de abdome → DIP: presença de fina camada líquida
preenchendo a trompa, com ou sem presença de líquido livre na pelve.
DIP – DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
• Gravidez Ectópica;
• Apendicite aguda;
• Infecção do trato urinário;
• Litpiase uretral;
• Torção de tumor cístico de ovário;
• Torção de mioma uterino;
• Rotura de cisto ovariano;
• Endometriose (endometrioma roto);
• Diverticulite;
• Entre outros...
DIP – TRATAMENTO

• Tratar DIP considerando drogas eficazes contra N. gonorrhoeae e C.


trachomatis (triagem endocervical pode ser negativa, mas não exclui)
• Considerar presença de vaginose bacteriana
• Erradicar anaeróbios em mulheres com DIP? Usar esquemas com
atividade anaeróbica
DIP – TRATAMENTO AMBULATORIAL
• Deve-se iniciar imediamente tratamento antimicrobiano nas mulheres
jovens sexualmente ativas com queixa de desconforto ou dor pélvica, e
que preencham os critérios clínicos para DIP;

• O tratamento ambulatorial destina-se a mulheres que apresentam


quadro clínico leve e exame abdominal e ginecológico sem sinais de
pelvi-peritonite.

• DIP leve ou moderada: esquemas parenterais e orais parecem ter


eficácia similar.
DIP – TRATAMENTO AMBULATORIAL
PRIMEIRA ESCOLHA ESQUEMA ALTERNATIVO
CEFTRIAXONA – 250 g EV dose única CIPROFLOXACINA – 500 mg VO dose
+ única
AZITROMICINA 1g VO dose única + 500 mg/dia +
por 7 dias AZITROMICINA 1g VO dose única +
(1g/semana – 2 semanas) 500 mg/dia por 7 dias
ou (1g/semana – 2 semanas)
DOXICICLINA 100 mg VO 12/12h por 14 dias ou
Com ou sem METRONIDAZOL 250 mg – 2 DOXICICLINA 100 mg VO 12/12h por
comprimidos VO 12/12h por 14 dias 14 dias
Com ou sem METRONIDAZOL 250
mg – 2 comprimidos VO 12/12h por
14 dias
FEBRASGO, 2018
DIP – TRATAMENTO HOSPITALAR

• TRATAMENTO HOSPITALAR: CRITÉRIOS


• Abscesso tubo-ovariano
• Gravidez
• Ausência de resposta clínica após 72h do início do tratamento com
antibioticoterapia oral ou dificuldade para acompanhar o tratamento
ambulatorial
• Dificuldade em exclusão de emergência cirúrgica (apendicite, gravidez
ectópica)
• Estado geral grave com náuseas
• Vômitos
• Febre A laparoscopia/laparotomia está indicada
nos casos de massas anexiais não
responsivas ao tratamento ou na sua
rotura
DIP – Esquema Hospitalar
ESQUEMA 1 ESQUEMA 2 ESQUEMA 3
CEFTRIAXONA – 1 g EV CIPROFLOXACINA – CLINDAMICINA 900
12/12 h 400 mg EV 12/12h mg EV 8/8 h
+ + +
METRONIDAZOL 500 METRONIDAZOL 500 GENTAMICINA 2 mg/K
mg EV8/8h mg EV8/8h EV ou IM 1,5 mg 8/8h
ou ou
CLINDAMICINA 900 CLINDAMICINA 900
mg EV 8/8 h mg EV 8/8 h

FEBRASGO, 2018
DIP – VIGILÂNCIA E CONTROLE

• O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos


recomenda rastreamento anual:
✓mulheres com menos de 25 anos sexualmente ativas e
✓mulheres acima de 25 anos com risco de infecção por C. trachomatis,
incluindo as respectivas parcerias sexuais
DIP – VIGILÂNCIA E PREVENÇÃO
Recomenda-se o rastreamento para N. gonorrhoeae e C.
trachomatis em algumas situações:
▪ primeira consulta do pré-natal em gestantes com 30 anos ou
menos
▪ pessoas com diagnóstico de IST
▪ pessoas vivendo com HIV
▪ situação de violência sexual
▪ pessoas em uso de profilaxia pré-exposição (PrEP) e pós-exposição
(PEP)
▪ e pessoas com prática sexual anal receptiva sem uso de
preservativos
DIP - Populações e situações especiais

✓Gestantes com doença inflamatória pélvica têm alto risco de


abortamento, corioamnionite e parto prematuro, devendo ser
internadas e iniciar imediata-mente antibióticos intravenosos de
amplo espectro. Doxiciclina e quinolonas são contraindicadas na
gestação.
✓Crianças, adolescentes pré-púberes e mulheres que vivem com HIV,
embora possuam maior risco de doença inflamatória pélvica e
complicações, têm comportamento clínico geralmente similar e
devem ser conduzidas da mesma forma que a população geral
Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com
Infecções Sexualmente Transmissíveis. Brasília, 2015

Protocolo Brasileiro para Infecções Sexualmente Transmissíveis 2020: doença inflamatória pélvica.
Maria Luiza Bezerra Menezes. Paulo Cesar Giraldo. Iara Moreno Linhares. Neide Aparecida Tosato
Boldrini. Mayra Gonçalves Aragon. Texto (PT) Consenso • Epidemiol. Serv. Saúde 30 (spe1) • 2021

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