Regime Disciplinar Lei 8.112/1990 Explicado
Regime Disciplinar Lei 8.112/1990 Explicado
Autor:
Herbert Almeida, Equipe Direito
Administrativo
17 de Abril de 2025
Herbert Almeida, Equipe Direito Administrativo
Aula única
Índice
1) Abertura de curso
..............................................................................................................................................................................................3
APRESENTAÇÃO DO CURSO
Olá concurseiros e concurseiras.
É com muita satisfação que estamos lançando este livro digital de Direito Administrativo.
Antes de mais nada, gostaria de me apresentar. Meu nome é Herbert Almeida, sou ex-Auditor de Controle
Externo do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo aprovado em 1º lugar no concurso para o cargo.
Além disso, obtive o 1º lugar no concurso de Analista Administrativo do TRT/23º Região/2011.
Meu primeiro contato com a Administração Pública ocorreu através das Forças Armadas. Durante sete anos,
fui militar do Exército Brasileiro, exercendo atividades de administração como Gestor Financeiro, Pregoeiro,
responsável pela Conformidade de Registros de Gestão e Chefe de Seção. Sou professor de Direito
Administrativo, Administração Financeira e Orçamentária e Controle Externo aqui no Estratégia Concursos
e mentor para concursos.
Além disso, tenho quatro paixões na minha vida! Primeiramente, sou apaixonado pelo que eu faço. Amo dar
aulas aqui no Estratégia Concursos e espero que essa paixão possa contribuir na sua busca pela aprovação.
Minhas outras três paixões são a minha esposa, Aline, e meus filhotes, Pietro e Gael (que de tão especial foi
presenteado com um cromossomosinho a mais).
Agora, vamos falar do nosso curso! O curso é composto por teoria, exercícios e videoaulas. Além disso,
abordaremos a teoria completa, mas de forma objetiva, motivo pelo qual você não precisará complementar
os estudos por outras fontes. As nossas aulas terão o conteúdo suficiente para você fazer a prova,
abrangendo a teoria, jurisprudência e questões.
Observo ainda que o nosso curso contará com o apoio da Prof. Leticia Cabral, que nos auxiliará com as
respostas no fórum de dúvidas. A Prof. Leticia é advogada e especialista em Direito Público. Com isso,
daremos uma atenção mais completa e pontual ao nosso fórum.
Vamos fazer uma observação importante! Ao longo da aula, vamos utilizar questões de várias bancas de
concurso, porém com assertivas adaptadas para verdadeiro ou falso. O motivo dessa adaptação é permitir a
contextualização do conteúdo do capítulo recém estudado com o tema da questão. Já ao final da aula,
teremos uma super bateria de questões devidamente comentadas para você resolver.
Por fim, se você quiser receber dicas diárias de preparação para concursos em alto nível e também sobre
Direito Administrativo e Administração Financeira e Orçamentária, siga-me nas redes sociais (não esqueça
de habilitar as notificações no Instagram e Youtube, assim você será informado sempre que eu postar uma
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Sem mais delongas, espero que gostem do material e vamos ao nosso curso.
Observação importante: este curso é protegido por direitos autorais (copyright), nos termos da Lei
9.610/98, que altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências.
Grupos de rateio e pirataria são clandestinos, violam a lei e prejudicam os professores que elaboram os
cursos. Valorize o trabalho de nossa equipe adquirindo os cursos honestamente através do site Estratégia
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Antes de começar, eu sugiro que você baixe a nossa lei esquematizada como material de apoio para
acompanhar a nossa aula:
O regime disciplinar dos servidores públicos está disposto no Título IV da Lei 8.112/1990 (artigos 116 a 182).
Nesse Título, encontramos os deveres e proibições dos servidores, as penalidades a que estão sujeitos e as
regras sobre as responsabilidades.
Os deveres são as obrigações ou condutas que os agentes devem adotar em conjunto com as suas
atribuições funcionais. Na Lei 8.112/1990, eles estão dispostos no art. 116, nos seguintes termos:
Conforme podemos observar, o inciso XII determina que o servidor público deve representar contra
ilegalidade, omissão ou abuso de poder. Nessa linha, o parágrafo único do mesmo artigo dispõe que essa
representação será encaminhada pela via hierárquica, ou seja, o servidor público deve encaminhá-la para
o seu superior imediato. Contudo, a apreciação será feita pela autoridade superior àquela contra a qual foi
formulada a representação, assegurando-se ao representando ampla defesa.
Com efeito, também é dever do servidor cumprir as ordens superiores, com exceção apenas daquelas
ordens consideradas manifestamente ilegais (inc. IV). Além disso, deve o servidor público levar as
irregularidades de que tiver ciência, em razão do seu cargo, ao conhecimento da autoridade superior ou,
quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra autoridade competente para
apuração (inc. VI).
Da análise conjunta desses dispositivos, podemos perceber que, sempre que receber uma ordem, o
servidor público terá algum dever a cumprir. Em regra, ele deve cumprir a ordem emanada da autoridade
superior. Porém, quando receber uma ordem manifestamente ilegal, ele deverá abster-se de cumpri-la;
devendo, por outro lado, levar a conhecimento da autoridade superior – ou, quando esta for suspeita de
envolvimento, de outra autoridade competente para realizar a apuração. Portanto, ou o servidor cumpre
a ordem, ou representa a outra autoridade quando for manifestamente ilegal.
As proibições são condutas vedadas aos servidores públicos, estando enumeradas no art. 117 da Lei
8.112/1990. Interessante notar que o Estatuto prevê, para cada proibição, um tipo de penalidade.
Assim, vamos descrever, abaixo, as proibições em conjunto com as respectivas penalidades aplicáveis 1.
1 O quadro destina-se apenas a demonstrar as penalidades previstas para o cometimento das proibições. Contudo,
veremos ainda nesta aula que existem outras hipóteses de aplicação das penas previstas na Lei 8.112/1990, além das
decorrentes de cometimento das proibições.
➢ A pena de advertência será aplicada no caso de violação das seguintes proibições (no caso de
reincidência, o servidor poderá sofrer a pena de suspensão):
a) ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato;
f) cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de atribuição
que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado;
h) manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente
até o segundo grau civil;
➢ A pena de suspensão será aplicada no caso de reincidência do cometimento das vedações acima e
também quando o servidor infringir as seguintes proibições:
a) cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de
emergência e transitórias;
b) exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou função e com o
horário de trabalho.
➢ A penalidade de demissão será aplicada no caso de infringência das seguintes proibições:
a) receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas atribuições;
b) aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
c) praticar usura sob qualquer de suas formas (isto é, cobrar juros excessivos, superiores aos praticados
no mercado);
d) proceder de forma desidiosa;
e) utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares;
f) participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada,
exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário.
Esta última penalidade não se aplica nos seguintes casos: (a) participação nos conselhos de administração
e fiscal de empresas ou entidades em que a União detenha, direta ou indiretamente, participação no capital
social ou em sociedade cooperativa constituída para prestar serviços a seus membros; e (b) gozo de licença
para o trato de interesses particulares, observada a legislação sobre conflito de interesses.
(CNJ - 2013) O servidor que carregar consigo documentos institucionais sem prévia autorização não
poderá sofrer penalidade se for constatado que não havia ninguém responsável por autorizar a retirada
dos documentos.
Comentários: o art. 117, II, estabelece que o servidor não pode retirar, sem prévia anuência da autoridade
competente, qualquer documento ou objeto da repartição. Portanto, ele não pode simplesmente alegar
que não havia ninguém para autorizá-lo, uma vez que a retirada de documentos da repartição sempre
depende da devida autorização.
Gabarito: errado.
(CNJ - 2013) O servidor público deve adotar um comportamento de colaboração com seus colegas quando
perceber que, em sua organização, os deveres e os papéis são desempenhados adequadamente e em
conformidade com a lei.
Comentários: esse é um item lógico. Ele não possui previsão expressa na Lei 8.112/1990, mas decorre da
interpretação de seus dispositivos. Nesse contexto, o art. 116, dispõe, entre outras coisas, que é dever do
servidor exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo (inc. I), manter conduta compatível com a
moralidade administrativa (inc. IX) e tratar com urbanidade as pessoas (inc. XI).
Assim, sempre que os deveres e os papéis são desempenhados adequadamente e em conformidade com a
lei, o servidor deverá adotar um comportamento de colaboração com seus colegas. Logo, o item está
correto.
Por outro lado, se constatar que as condutas não estão em conformidade com a lei, é dever do servidor
“levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da autoridade superior
ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra autoridade competente para
apuração” (inc. VI) e “representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder” (inc. XII).
Portanto, a questão está perfeita.
Gabarito: correto.
(SUFRAMA - 2014) Considere que, a pessoa sem qualquer relação com as funções do seu cargo, um
servidor público tenha emprestado dinheiro a juros muito superiores aos praticados pelas instituições
financeiras. Nesse caso, o servidor praticou a usura, conduta proibida na Lei n.° 8.112/1990.
Comentários: a usura pode ser definida como a cobrança de juros excessivos pelo uso de capital, ou seja,
é a cobrança de juros acima do que o praticado no mercado pelo empréstimo de dinheiro. A usura, sob
qualquer de suas formas, é uma prática proibida pela Lei 8.112/1990 (art. 117, XIV).
Gabarito: correto.
(SUFRAMA - 2014) Considere que determinado servidor participe, na qualidade de sócio cotista, de
sociedade empresária cujo objeto social seja o comércio de bens e que desempenhe atividades
administrativas nessa empresa. Nessa situação, não se pode atribuir falta funcional ao referido servidor,
porque a vedação legal refere-se ao desempenho da gerência ou administração de sociedade privada.
Comentários: o art. 117, X, veda que o servidor participe de gerência ou administração de sociedade
privada, personificada ou não personificada, ou exerça o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista
ou comanditário. Portanto, a proibição não se aplica quando o servidor participar da sociedade como sócio
cotista. Por isso, o item está correto.
Além disso, tal proibição também não se aplica nos casos de:
• participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas ou entidades em que a União detenha,
direta ou indiretamente, participação no capital social ou em sociedade cooperativa constituída para
prestar serviços a seus membros; e
• gozo de licença para o trato de interesses particulares, observada a legislação sobre conflito de interesses.
Gabarito: correto.
(ICMBio - 2014) Age em consonância com a Lei n.º 8.112/1990 servidor público brasileiro, em exercício,
que recusa pensão oferecida pelos Estados Unidos da América.
Comentários: é vedado aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro (art. 117, XIII). Assim,
o servidor agiu em consonância com a Lei 8.112/1990.
Gabarito: correto.
A acumulação já foi mencionada em várias partes de nosso curso. Contudo, vamos esmiuçar o assunto.
De acordo com a Constituição Federal, é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto,
quando houver compatibilidade de horários, a acumulação:
Com efeito, a acumulação, ainda que lícita, deve possuir compatibilidade de horários.
Ademais, será considerada proibida a acumulação de cargo ou emprego público em que se tenha a
percepção de vencimento e de proventos da inatividade, exceto quando os cargos de que decorram essas
remunerações forem acumuláveis na atividade.
Prosseguindo, o art. 119 da Lei dispõe que o servidor não poderá exercer mais de um cargo em comissão,
exceto quando for nomeado para ter exercício, interinamente, em outro cargo de confiança, devendo
optar pela remuneração de um deles durante o período da interinidade.
Além disso, o servidor também não poderá ser remunerado pela participação em órgão de deliberação
coletiva. Todavia, isso não se aplica à remuneração devida pela participação em conselhos de
administração e fiscal das empresas públicas e sociedades de economia mista, suas subsidiárias e
controladas. O mesmo é válido para quaisquer empresas ou entidades em que a União, direta ou
indiretamente, detenha participação no capital social, observado o que, a respeito, dispuser legislação
específica.
Fechando o assunto, nas hipóteses em que a acumulação é permitida, quando o servidor estiver investido
em cargo de provimento em comissão, deverá ficar afastado de ambos os cargos efetivos, salvo o caso em
que houver compatibilidade de horário e local com o exercício de um deles, declarada pelas autoridades
máximas dos órgãos ou entidades envolvidos (art. 120).
Vamos explicar melhor. Imagine que Pedro acumule licitamente dois cargos efetivos e acabou sendo
designado para ocupar um cargo em comissão de diretor de uma unidade administrativa. Nessa situação,
a regra é que Pedro fique afastado dos dois cargos efetivos, ou seja, ele ocupará unicamente o cargo em
comissão. No entanto, o Estatuto permite que Pedro acumule o cargo em comissão com um único cargo
efetivo, desde que exista compatibilidade de horário e local com o exercício, declarada pelas autoridades
máximas dos órgãos ou entidades envolvidos.
Pelo exercício irregular de suas atribuições, o servidor público poderá responder nas esferas civil, penal e
administrativa (art. 121). Basicamente, a esfera civil decorre da ocorrência de dano e consiste no respectivo
ressarcimento; a espera penal ocasiona a aplicação de sanções penais (p. ex.: detenção); por fim, a esfera
administrativa decorre da prática dos ilícitos administrativos, previstos no Estatuto dos Servidores.
Assim, justamente por possuírem fundamentos diversos, a regra é que cada uma dessas instâncias seja
independente. Portanto, um mesmo servidor público poderá ser condenado simultaneamente a ressarcir
o dano (esfera civil), sofrer a pena de demissão (esfera administrativa) e ainda ser condenado à prisão
(esfera penal). É possível, por outro lado, que um servidor seja condenado civil e administrativamente, mas
absolvido no processo penal. Logo, existem várias combinações possíveis. Todavia, veremos, adiante, que
a regra da independência das instâncias possui algumas exceções.
A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que resulte em prejuízo
ao erário ou a terceiros (art. 122). Nesse caso, exige-se a responsabilidade subjetiva ou com culpa do
servidor público. Portanto, para que o servidor público seja condenado civilmente a ressarcir o dano, deverá
ser comprovado que ele agiu com dolo (intenção) ou com culpa em sentido estrito.
Caso o dano seja causado contra a Administração, o servidor será diretamente contra ela responsabilizado.
No entanto, se o dano ocorrer contra terceiros, o servidor responderá perante a Fazenda Pública por meio
de ação regressiva (art. 122, §2º).
Nesse contexto, o art. 37, §6º, da Constituição Federal, determina que as “pessoas jurídicas de direito
público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes,
nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos
de dolo ou culpa”. Assim, se um servidor público causar dano a terceiro, o Estado deverá primeiro ressarcir
o prejudicado para, em seguida, mover a ação de regresso contra o servidor, para dele recuperar os valores
gastos com a indenização.
De forma bem simples, se o servidor público “A” causar dano, com dolo ou culpa, ao cidadão “B”; o Estado
será responsável por ressarcir “B”, podendo em seguida mover a ação de regresso contra “A” para
recuperar esses valores.
Destaca-se, ainda, que a obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles será
executada, até o limite do valor da herança recebida (art. 122, §3).
Por outro lado, a responsabilidade penal abrange os crimes e contravenções imputadas ao servidor, nessa
qualidade (art. 123). Na Lei Penal, os crimes praticados pelo funcionário público contra a Administração
constam nos artigos 312 a 326.
decorre da prática dos ilícitos administrativos, como por exemplo a infringência em algumas das vedações
que vimos acima ou a falta de observância dos deveres funcionais do servidor.
Voltando ao assunto da independência das instâncias, dispõe o art. 125 que as sanções civis, penais e
administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre si.
Ocorre, todavia, que a esfera penal poderá, em alguns casos, influenciar as demais órbitas de
responsabilidade, a depender do conteúdo da sentença penal.
Nesse contexto, dispõe expressamente o art. 126 da Lei 8.112/1990 que a responsabilidade administrativa
do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria.
Isso porque a apuração penal é muito mais solene, exigindo um aprofundamento nas provas bem maior do
que se exige nas demais esferas. Assim, se ao final do processo penal restar comprovado que o fato não
existiu ou então que o servidor não é o autor da conduta investigada, não há porque condená-lo nas demais
esferas.
É importante ficar claro, porém, que tal relação ocorre apenas quando ficar comprovado no processo penal
que o fato não existiu ou então que o servidor não é o seu autor.
Por outro lado, se o servidor for absolvido simplesmente pela falta de provas, ou por ausência de tipicidade
ou de culpabilidade penal, ou por qualquer outro motivo que não sejam os dois mencionados acima, a
esfera penal não influenciará nas demais.
Assim, um servidor pode ser absolvido penalmente por falta de provas, mas ser condenado civil e
administrativamente, pois essas últimas não exigem um rigor probatório tão grande. Da mesma forma, um
servidor pode ser absolvido penalmente por falta de tipicidade de sua conduta, ou seja, aquilo que ele
cometeu não se enquadra perfeitamente com a conduta prevista na Lei Penal (tipo penal), porém a mesma
conduta poderá ser enquadrada em alguma falta funcional, acarretando a responsabilidade administrativa.
Com efeito, a doutrina2 utiliza a expressão conduta residual para se referir àquelas condutas que não são
puníveis na órbita penal, mas que geram responsabilização civil e administrativa. Nesse contexto, vale
transcrevermos o enunciado da Súmula 18 do STF, vejamos:
Súmula 18:
Pela falta residual, não compreendida na absolvição pelo juízo criminal, é admissível a
punição administrativa do servidor público.
Dessa forma, com exceção da sentença penal que negar a existência do fato ou a sua autoria, as instâncias
de responsabilização são independentes, podendo o servidor ser responsabilizado pela conduta residual.
Para finalizar, o art. 126-A estabelece que nenhum servidor poderá ser responsabilizado civil, penal ou
administrativamente por dar ciência à autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento
desta, a outra autoridade competente para apuração de informação concernente à prática de crimes ou
2
e.g. Carvalho Filho, 2014, p. 782.
improbidade de que tenha conhecimento, ainda que em decorrência do exercício de cargo, emprego ou
função pública.
(SUFRAMA - 2014) Um veículo da SUFRAMA, conduzido por um servidor do órgão, derrapou, invadiu a
pista contrária e colidiu com o veículo de um particular. O acidente resultou em danos a ambos os
veículos e lesões graves no motorista do veículo particular. Com referência a essa situação hipotética,
julgue o item que se segue. O motorista da SUFRAMA poderá ser responsabilizado administrativamente
pelo acidente, ainda que tenha sido absolvido por falta de provas em eventual ação penal instaurada
para apurar a responsabilidade pelas lesões causadas ao motorista particular.
Comentários: as instâncias penal, civil e administrativa são, em regra, independentes. Assim, de acordo
com o art. 126 da Lei 8.112/1990, a responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de
absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria. Nos demais casos, a esfera penal não irá
influenciar as demais instâncias.
Assim, a absolvição penal por falta de provas não gera efeitos nas esferas civil e administrativa, podendo o
motorista poderá ser responsabilizado administrativamente pelo acidente.
Gabarito: correto.
(CNJ - 2013) Considere que determinado servidor público, dentro de suas atribuições, tenha se afastado
do interesse público e atuado abusivamente. Nessa situação hipotética, esta conduta estará sujeita à
revisão judicial ou administrativa, podendo, inclusive, o servidor responder por ilícito penal.
Comentários: se o servidor se afastou do interesse público e atuou abusivamente, significa que ele cometeu
irregularidades. Nesse caso, sua conduta pode ser revista judicial ou administrativamente, podendo o
servidor responder por eventuais ilícitos administrativos, civis e penais.
Gabarito: correto.
(PRF - 2013) Um PRF, ao desviar de um cachorro que surgiu inesperadamente na pista em que ele
trafegava com a viatura de polícia, colidiu com veículo que trafegava em sentido contrário, o que
ocasionou a morte do condutor desse veículo. Com base nessa situação hipotética, julgue o item a seguir.
Ainda que seja absolvido por ausência de provas em processo penal, o PRF poderá ser processado
administrativamente por eventual infração disciplinar cometida em razão do acidente.
Comentários: a absolvição por falta de provas no processo penal não impede a aplicação de sanções na
esfera civil e administrativa. Somente a sentença que inocentar o réu por inexistência do fato ou ausência
de autoria, na esfera criminal, é que afastará a responsabilidade civil (art. 126).
Gabarito: correto.
(MDIC - 2014) Se determinado servidor público for preso em operação deflagrada pela Polícia Federal,
devido a fraude em licitações, a ação penal, caso seja ajuizada, obstará a abertura ou o prosseguimento
do processo administrativo disciplinar, visto que o servidor poderá ser demitido apenas após o trânsito
em julgado da sentença criminal.
Comentários: já discutimos exaustivamente que as esferas civil, penal e administrativa são, em regra,
independentes. Assim, a instauração da ação penal não impede o prosseguimento do processo
administrativo disciplinar.
Gabarito: errado.
Advertência
Suspensão
Demissão
Penalidades disciplinares
Cassação de aposentadoria ou
disponibilidade
Destituição de cargo em comissão
Na aplicação das penalidades, serão considerados: (i) a natureza e a gravidade da infração cometida; (ii) os
danos que dela provierem para o serviço público; (iii) as circunstâncias agravantes ou atenuantes; e (iv) os
antecedentes funcionais (art. 128).
Além disso, a Administração sempre deve dar a devida motivação para os atos administrativos que
imponham sanções aos servidores, permitindo que o servidor e o Poder Judiciário tenham condições de
realizar o devido controle. Dessa forma, impõe o art. 128, parágrafo único, que o ato de imposição de
penalidade sempre mencionará o fundamento legal e a causa da sanção disciplinar.
O sistema punitivo na esfera administrativa é bem diferente do que ocorre no plano criminal.
No direito penal, as condutas são tipificadas, existindo uma sanção específica para a conduta que estiver
vinculada. Por exemplo, o crime de lesões corporais enseja especificamente a pena de detenção de três
meses a um ano (CP, art. 129).
Por outro lado, na esfera administrativa, não há essa relação direta. Segundo José dos Santos Carvalho
Filho, os “estatutos funcionais apresentam um elenco de deveres e vedações para os servidores, e o
ilícito administrativo vai configurar-se exatamente quando tais deveres e vedações são inobservados.
Além do mais, os estatutos relacionam as penalidades administrativas, sem, contudo, fixar qualquer elo
de ligação a priori com a conduta”.
Por exemplo, o art. 116 descreve os deveres funcionais, enquanto o art. 117 dispõe sobre as proibições.
Já o art. 127, por outro lado, apresenta o rol de penalidades administrativas. Com efeito, não há total
precisão na descrição dos deveres e das proibições. Por exemplo, o art. 116, I, dispõe que o servidor
deve exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo. Não há uma descrição clara do que seja “zelo”
ou “dedicação”.
Dessa forma, a autoridade responsável pela apuração do ilícito administrativo é que deve enquadrar
determinada conduta em algum tipo de previsão legal, impondo-lhe a pena cabível ao caso.
Com efeito, a Lei 8.112/1990 descreve, ainda que de forma genérica, a penalidade aplicável para cada tipo
de ilícito administrativo. Devemos relembrar que, no tópico sobre as proibições, vimos as penas aplicáveis
para cada tipo de infringência. Assim, vamos descrever abaixo as situações que ensejam cada tipo de
penalidade, sem repetir a relação de proibições. Por isso, o aluno deverá retomar o tópico sobre as
proibições para evitar repetições desnecessárias.
a) violação de proibição constante do art. 117, incisos I a VIII e XIX – conforme relação apresentada no
tópico sobre as proibições; e
b) inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna, que não
justifique a imposição de penalidade mais grave.
Pena de advertência (deve ser aplicada por escrito)
▪ Violação dos deveres funcionais previsto em normas (entre eles os previstos no art. 116)
▪ Violação de proibição constante do art. 117, incisos I a VIII e XIX:
ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato;
retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da
repartição;
recusar fé a documentos públicos;
opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de
serviço;
promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;
cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de
atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado;
coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou sindical,
ou a partido político;
manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou
parente até o segundo grau civil;
recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado.
A suspensão, que não poderá exceder a noventa dias, será aplicada nos seguintes casos (art. 130):
Como podemos notar, a lei determina que a pena de suspensão não poderá exceder a noventa dias.
Portanto, caberá à autoridade competente analisar o caso e decidir, de forma discricionária, qual o prazo
da suspensão. Claro que a decisão será devidamente fundamentada, devendo ser aplicada dentro dos
parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade.
Há ainda uma situação em que a lei estabelece um limite menor do prazo de suspensão. Assim, determina
o art. 130, §1º, que será punido com suspensão de até quinze dias o servidor que, injustificadamente,
recusar-se a ser submetido à inspeção médica determinada pela autoridade competente, cessando os
efeitos da penalidade uma vez cumprida a determinação.
Ademais, permite o Estatuto dos Servidores que a penalidade de suspensão poderá ser convertida em
multa, na base de cinquenta por cento por dia de vencimento ou remuneração, desde que haja
conveniência para o serviço. Nesse caso, a suspensão será trocada pela multa e, assim, o servidor ficará
obrigado a permanecer em serviço (art. 130, §2º).
Além disso, as penalidades de advertência e de suspensão terão seus registros cancelados, após o decurso
de três e cinco anos de efetivo exercício, respectivamente, desde que o servidor não tenha praticado,
nesse período, nova infração (art. 131). Todavia, o cancelamento da penalidade não surtirá efeitos
retroativos (art. 131, parágrafo único).
Pena de suspensão
▪ Reincidência das faltas punidas com advertência ==13425b==
O abandono de cargo decorre da ausência intencional do servidor ao serviço por mais de trinta dias
consecutivos (art. 138). Por outro lado, a inassiduidade habitual representa a falta ao serviço, sem causa
justificada, por sessenta dias, interpoladamente, durante o período de doze meses (art. 139).
Pena de demissão
▪ crime contra a administração pública;
▪ abandono de cargo;
▪ inassiduidade habitual;
▪ improbidade administrativa;
▪ incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição;
▪ insubordinação grave em serviço;
▪ ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria ou de
outrem;
▪ aplicação irregular de dinheiros públicos;
▪ revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo;
▪ lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;
▪ corrupção;
▪ acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas;
▪ transgressão das seguintes proibições (art. 117, incisos X e XII a XVI):
valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da
função pública;
participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não
personificada, exercer o comércio, exceto:
− na qualidade de acionista, cotista ou comanditário;
− na participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas ou entidades em
que a União detenha, direta ou indiretamente, participação no capital social ou em
sociedade cooperativa constituída para prestar serviços a seus membros; e
− no gozo de licença para o trato de interesses particulares, observada a legislação sobre
conflito de interesses.
atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se
tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de
cônjuge ou companheiro
receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas
atribuições;
aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
praticar usura sob qualquer de suas formas;
proceder de forma desidiosa;
utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares;
Proibições que, além da demissão, incompatibilizam o servidor para nova investidura em cargo público
federal pelo prazo de 5 anos (art. 117, inc. IX e XI):
▪ valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da
função pública;
▪ atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de
benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou
companheiro
Observação
▪ O art. 137, parágrafo único, definia hipóteses em que o servidor demitido nunca mais poderia
retornar ao serviço público federal. Mas esse dispositivo foi declarado inconstitucional.
Situações que, além da demissão e destituição de cargo em comissão, implicam em:
(a) indisponibilidade dos bens; e
(b) ressarcimento ao erário (art. 132, IV, VIII, X e XI):
▪ improbidade administrativa;
▪ aplicação irregular de dinheiros públicos
▪ lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional
▪ corrupção
Será cassada a aposentadoria ou a disponibilidade do inativo que houver praticado, na atividade, falta
punível com a demissão (art. 134).
A destituição de cargo em comissão exercido por não ocupante de cargo efetivo será aplicada nos casos
de infração sujeita às penalidades de suspensão e de demissão (art. 135).
Caso o servidor tenha sido exonerado e, posteriormente, seja constatada a prática de infração punível com
suspensão ou demissão, a exoneração será convertida em destituição de cargo em comissão (art. 135,
parágrafo único).
Cassação de aposentadoria ou
Demissão
disponibilidade
Suspensão
Destituição de cargo em comissão
Demissão
O art. 137, parágrafo único, da Lei 8.112/1990 definia que o servidor público federal demitido em
determinadas hipóteses não poderia retornar ao serviço público federal.
As hipóteses eram as seguintes: (a) crime contra a administração pública; (b) improbidade
administrativa; (c) lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional; (d) corrupção; e (e)
aplicação irregular de dinheiros públicos.
Assim, teoricamente, o servidor que fosse demitido por alguma dessas hipóteses não poderia (nunca
mais) voltar ao serviço público federal.
Entretanto, o STF entendeu que a previsão configurava pena de caráter perpetuo e declarou
inconstitucional tal previsão. Assim, o servidor demitido por crime contra a administração, improbidade,
etc., apenas será demitido, não havendo qualquer impedimento de retornar ao serviço público.
Por exemplo: João é demitido por improbidade no dia 30 de junho. Mas alguns meses depois é nomeado
para outro cargo público federal, em virtude de aprovação em concurso. Ele poderá retornar sem
qualquer problema, salvo se houver outro impedimento legal.
Observação: contudo, o art. 137 caput continua em vigor. Esse dispositivo prevê outras hipóteses, nas
quais o servidor será demitido e não poderá retornar ao serviço público durante cinco anos.
(ICMBio - 2014) De acordo com a Lei n.º 8.112/1990, a demissão não é aplicável aos ocupantes de cargos
em comissão.
Comentários: essa questão ajuda a deixar as coisas mais claras. Ao servidor ocupante exclusivamente de
cargo em comissão, aplica-se a pena de destituição do cargo em comissão. Por outro lado, ao servidor
ocupante de cargo em comissão, mas que também seja servidor público efetivo, aplica-se a pena de
demissão.
Nesses termos, vejamos o conteúdo do art. 135 da Lei 8.112/1990:
Art. 135. A destituição de cargo em comissão exercido por não ocupante de cargo efetivo será aplicada nos
casos de infração sujeita às penalidades de suspensão e de demissão.
Gabarito: errado.
Gabarito: errado.
(SUFRAMA - 2014) Considere a seguinte situação hipotética. Um servidor da SUFRAMA, visando
contribuir para a realização de maiores investimentos em Manaus, aceitou que empresa estrangeira
patrocinasse viagem sua ao exterior, a fim de que, durante o passeio, ele expusesse para os diretores na
sede da referida sociedade empresária os diferenciais competitivos e os benefícios de se investir na
região amazônica. Nessa situação hipotética, apesar de bem intencionada, a atitude do servidor
configurou falta funcional, uma vez que é vedado o recebimento de vantagem em virtude das atribuições
funcionais, incluído o pagamento de viagens.
Comentários: o art. 117, XII, da Lei 8.112/1990 veda que o servidor receba propina, comissão, presente ou
vantagem de qualquer espécie, em razão de suas atribuições. Portanto, ainda que bem intencionado, ele
não poderia ter aceitado o patrocínio da viagem. Esse tipo de infração poderá ensejar a aplicação da pena
de demissão (art. 132, XIII).
Gabarito: correto.
(MDIC - 2014) Considere que um servidor vinculado à administração unicamente por cargo em comissão
cometa uma infração para a qual a Lei n.º 8.112/1990 preveja a sanção de suspensão. Nesse caso, se
comprovadas a autoria e a materialidade da irregularidade, o servidor sofrerá a penalidade de
destituição do cargo em comissão.
Comentários: a destituição de cargo em comissão exercido por não ocupante de cargo efetivo – ou seja,
aquele que ocupa unicamente o cargo em comissão – será aplicada nos casos de infração sujeita às
penalidades de suspensão e de demissão (art. 135).
Gabarito: correto.
(ICMBio - 2014) A demissão, espécie de penalidade disciplinar, será aplicada ao servidor, assegurado o
contraditório e a ampla defesa prévios, quando houver, entre outros casos, crime contra a administração
pública, abandono de cargo, corrupção e insubordinação grave em serviço.
Comentários: os casos de aplicação da pena de demissão, que estão enumerados no art. 132, da Lei
8.112/1990, são os seguintes: (a) crime contra a administração pública; (b) abandono de cargo; (c)
inassiduidade habitual; (d) improbidade administrativa; (e) incontinência pública e conduta escandalosa,
na repartição; (f) insubordinação grave em serviço; (g) ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular,
salvo em legítima defesa própria ou de outrem; (h) aplicação irregular de dinheiros públicos; (i) revelação
de segredo do qual se apropriou em razão do cargo; (j) lesão aos cofres públicos e dilapidação do
patrimônio nacional; (k) corrupção; (l) acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas; (m)
transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117.
Com efeito, a demissão é uma penalidade disciplinar e, como tal, somente poderá ser aplicada quando for
concedido o contraditório e a ampla defesa por meio do devido processo administrativo disciplinar.
Logo, a questão está perfeita.
Gabarito: correto.
(CADE - 2014) Considere que, após regular processo administrativo contra servidor vinculado à
administração pública unicamente por cargo em comissão, a autoridade julgadora tenha concluído que
o servidor cometeu infração punível com a penalidade de suspensão. Nesse caso, a penalidade a ser
aplicada será a exoneração de ofício do servidor faltoso.
As competências para aplicação das penalidades disciplinares estão previstas no art. 141 da Lei 8.112/1990,
da seguinte forma:
3
MS 25.518.
(CNJ - 2013) Cabe ao presidente da República aplicar a penalidade de demissão ao servidor público, sendo
essa competência não delegável.
Comentários: no MS 25.518, o STF entendeu que é possível delegar a competência para demitir servidores
a Ministro de Estado, vejamos:
EMENTA: I. Presidente da República: competência para prover cargos públicos (CF, art. 84, XXV, primeira
parte), que abrange a de desprovê-los, a qual, portanto é susceptível de delegação a Ministro de Estado (CF,
art. 84, parágrafo único): validade da Portaria do Ministro de Estado que, no uso de competência delegada,
aplicou a pena de demissão ao impetrante. Precedentes. [...].
Assim, a questão vai contra a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
Gabarito: errado.
A prescrição é a situação em que o Poder Público perde a sua capacidade punitiva, ou seja, transcorrido o
prazo previsto em lei, o Estado não poderá mais impor penalidade ao agente infrator.
Nesse sentido, a prescrição da ação disciplinar ocorre, a partir da data em que o fato se tornou conhecido,
em (art. 142):
Todavia, se a infração disciplinar também for capitulada como crime ou contravenção, o prazo de prescrição
será o mesmo previsto na legislação penal (art. 142, §2º).
A expressão “data em que o fato se tornou conhecido” configura-se quando o fato se tornar conhecido pela
autoridade competente para instaurar o procedimento administrativo. Nessa linha, o STJ formulou a
Súmula 635, que dispõe que:
635 – Os prazos prescricionais previstos no art. 142 da lei 8.112/90 iniciam-se na data em que a
autoridade competente para a abertura do procedimento administrativo toma conhecimento do fato,
interrompem-se com o primeiro ato de instauração válido – sindicância de caráter punitivo ou processo
disciplinar – e voltam a fluir por inteiro, após decorridos 140 dias desde a interrupção.
Ressalta-se, ainda, que de acordo com o § 3º, do art. 142, a abertura de sindicância ou a instauração de
processo administrativo disciplinar interrompe a prescrição, até a decisão final proferida por autoridade
competente. A interrupção faz com que o prazo comece a correr do zero no momento em que se encerrar
o seu motivo. Por exemplo, se determinada ação prescreve em 180 dias, caso o prazo seja interrompido
aos 110 dias, no momento em que cessar o motivo da interrupção, o prazo começará a contar novamente,
iniciando do zero.
Nesse contexto, o § 4º, do art. 142, determina que interrompido o curso da prescrição, o prazo começará
a correr a partir do dia em que cessar a interrupção.
Dessa forma, uma vez iniciada a sindicância ou o processo administrativo, o prazo de prescrição será
interrompido, reiniciando-se, em regra, ao término da conclusão do processo. No entanto, o STF e o STJ já
concluíram que tal prazo não pode ficar interrompido eternamente.
Assim, a Lei 8.112/1990 dispõe que o prazo para conclusão do processo administrativo disciplinar é de
sessenta dias, prorrogáveis uma única vez por igual prazo (art. 152). Acrescenta-se a esse prazo o período
de julgamento, que é de mais vinte dias (art. 167). Somando os mencionados prazos, podemos observar
que a conclusão e o julgamento do processo administrativo disciplinar devem ocorrer em até 140 dias.
Trata-se de prazo impróprio, ou seja, se não for observado não gera a nulidade do processo. Entretanto,
uma vez transcorrido este prazo, cessa-se a interrupção, iniciando novamente a contagem do prazo, mesmo
que o processo não tenha sido concluído.
O trecho final da Súmula 635, citada acima, esclarece esse tema, dispondo que “os prazos prescricionais
[...] interrompem-se com o primeiro ato de instauração válido – sindicância de caráter punitivo ou processo
disciplinar – e voltam a fluir por inteiro, após decorridos 140 dias desde a interrupção”.
(TCDF) Nas hipóteses em que o ilícito administrativo praticado por servidor, nessa condição, dê ensejo à
cassação de aposentadoria e também seja capitulado como crime, a prescrição da pretensão punitiva da
administração terá como baliza temporal a pena em concreto, aplicada no âmbito criminal, devendo ser
observados os prazos prescricionais do CP.
Comentários: a expressão “prescrição da pretensão punitiva da administração” é utilizada para designar a
situação em que a Administração Pública perde a capacidade de aplicar as sanções administrativas em
decorrência da aplicação do prazo de prescrição.
Nesse contexto, a ação disciplinar prescreve em cinco anos, quanto às infrações puníveis com demissão,
cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão (art. 142, I).
Entretanto, quando a infração disciplinar também for capitulada como crime ou contravenção, o prazo de
prescrição será o mesmo previsto na legislação penal (art. 142, §2º).
Assim, deverá ser observado o prazo prescricional do Código Penal, de acordo com a pena aplicada no caso
em concreto.
Gabarito: correto.
Comentário:
A prática de improbidade administrativa por um agente público é uma conduta que gera demissão (Lei
8.112/1990, art. 132, IV).
A demissão ou a destituição de cargo em comissão, por sua vez, nos casos de improbidade administrativa,
aplicação irregular de dinheiros públicos, lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional e
corrupção, implica a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, sem prejuízo da ação penal
cabível (Lei 8.112/1990, art. 136).
Gabarito: correto.
Comentário:
O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições (art. 121).
Essas responsabilidades poderão cumular-se, sendo independentes entre si (art. 125). Logo, a apuração
ocorre em processos separados (independência), e o agente poderá, pelo mesmo fato, sofrer sanções em
todas essas esferas (cumulatividade). Por exemplo: o agente que desviar recursos públicos poderá ser
demitido (via administrativa), preso (via penal) e condenado ao ressarcimento (via civil).
Todavia, a responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que
negue a existência do fato ou sua autoria (art. 126). Essa é uma exceção à independência das instâncias,
mas somente se aplica se a absolvição penal decorrer da negativa do fato (o fato não ocorreu) ou negativa
da autoria (o servidor não foi o responsável). Se a absolvição decorrer de qualquer outro motivo, como a
falta de provas, não haverá vinculação das instâncias. Por isso, a questão está errada.
Gabarito: errado.
3. (Cebraspe – ANAC/2024) Segundo a Lei n.º 8.112/1990, a penalidade aplicada ao servidor que,
injustificadamente, se recusar a ser submetido à inspeção médica determinada pela autoridade
competente terá seu registro cancelado, com efeitos retroativos, após o decurso de três anos de efetivo
exercício, se o servidor não houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar.
Comentário:
De acordo com a Lei 8.112/1990, será punido com suspensão de até 15 (quinze) dias o servidor que,
injustificadamente, recusar-se a ser submetido a inspeção médica determinada pela autoridade competente,
cessando os efeitos da penalidade uma vez cumprida a determinação (art. 130, § 1º).
Por outro lado, as penalidades de advertência e de suspensão terão seus registros cancelados, após o
decurso de três e cinco anos de efetivo exercício, respectivamente, se o servidor não houver, nesse período,
praticado nova infração disciplinar (art. 130, caput). Para ajudar, lembre-se da 5U5PEN5ÃO e da
ADV3RT3NCIA.
O cancelamento consiste em “apagar” da ficha do servidor o registro das penalidades. O objetivo é não
“penalizar” o servidor “no futuro”, ou seja, não deixar um registro eterno na ficha dele. Contudo, o
cancelamento da penalidade não surtirá efeitos retroativos (art. 130, parágrafo único).
Portanto, a questão possui dois erros: o prazo (que é de cinco anos) e os efeitos (que não são retroativos).
Gabarito: errado.
4. (Cebraspe – ABIN/2018) De acordo com a Lei n.º 8.112/1990, é dever do servidor atender o público
em geral com presteza, fornecendo as informações requeridas, salvo aquelas protegidas por sigilo.
Comentário:
Dentre os deveres dos servidores listados no art. 116 do Estatuto, consta que devem atender com presteza:
(i) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas por sigilo;
Gabarito: correto.
5. (Cebraspe – STJ/2018) Será cassada a aposentadoria voluntária do servidor inativo que for
condenado pela prática de ato de improbidade administrativa à época em que ainda estava na atividade.
Comentário:
Na forma do art. 134 do Estatuto, será cassada a aposentadoria ou a disponibilidade do inativo que houver
praticado, na atividade, falta punível com a demissão. No rol do art. 132, que trata dos casos em que a
demissão será aplicada, consta a prática de improbidade administrativa (inciso IV). Dessa forma, o inativo
que praticou ato de improbidade na atividade terá sua aposentadoria cassada.
Gabarito: correto.
6. (Cebraspe – EBSERH/2018) É dever do servidor público respeitar a hierarquia, respeito esse que
veda a ele representar contra comprometimentos da estrutura do poder estatal.
Comentário:
Representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder é um dever do servidor (art. 116, XII). Inclusive,
é também seu dever levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da
autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra
autoridade competente para apuração (inciso VI). Logo, tal conduta não compromete a estrutura do poder
estatal.
Ademais, o Código de Ética do Poder Executivo Federal complementa a questão, dispondo que: “XIV - São
deveres fundamentais do servidor público: [...] h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de
representar contra qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal”.
Gabarito: errado.
7. (Cebraspe – EBSERH/2018) Nos termos da Lei n.º 8.112/1990, os deveres do servidor público
incluem representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder e promover manifestação de apreço
no recinto da repartição.
Comentário:
Representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder é realmente um dever do servidor. Mas
promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição é uma proibição trazida pelo art.
117, V.
Gabarito: errado.
8. (Cebraspe – IFF/2018) Servidor público que comete irregularidade no exercício da sua função
poderá responder civil, penal e administrativamente pelo ato. Nesse sentido, segundo a Lei n.º
8.027/1990, as cominações civis, penais e administrativas podem cumular-se, no entanto
a) são independentes entre si.
b) a administrativa depende da civil.
c) a administrativa depende da penal.
d) a civil depende da penal.
e) a penal depende da civil.
Comentário:
Conforme previsão do art. 125 da Lei 8.112/90, as sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-
se, sendo independentes entre si. Ademais, o art. 8º da Lei 8.027/90 dispõe que pelo exercício irregular de
suas atribuições o servidor público civil responde civil, penal e administrativamente, podendo as cominações
civis, penais e disciplinares cumular-se, sendo umas e outras independentes entre si, bem assim as instâncias
civil, penal e administrativa.
Gabarito: alternativa A.
9. (Cebraspe – Polícia Federal/2018) João, servidor público responsável pelo setor financeiro de uma
autarquia federal, sem observar as formalidades legais necessárias, facilitou a incorporação, ao patrimônio
particular de entidade privada sem fins lucrativos, de valores a ela repassados mediante a celebração de
parceria.
Comentário:
A lei de improbidade prevê essa conduta como sendo um ato de improbidade que causa lesão ao erário (art.
10, I, da Lei 8.429/92). Assim, João cometeu ato de improbidade administrativa, de forma que, nos termos
do art. 132, IV da Lei 8.112/90, será demitido do serviço público, e não suspenso, como diz a afirmativa.
Gabarito: errado.
10. (Cebraspe – IPHAN/2018) Maria tomou posse recentemente no IPHAN e ficou responsável por
desenvolver um projeto cujo objetivo era restaurar um acervo de pinturas pertencentes ao município do
Rio de Janeiro e reformar uma área específica de um museu municipal, para a exposição das pinturas
restauradas. Essas pinturas possuem grande valor histórico, artístico e cultural, consideradas peças de
grande raridade pelo estilo e método de pintura utilizado. Essa restauração é uma tarefa que somente
pode ser realizada por técnico especializado, e há no país somente uma profissional habilitada para o
trabalho.
Se o servidor responsável pelo serviço de pintura do local de exposição levar, para seu uso pessoal, parte
das tintas compradas e não utilizadas na reforma, ele não incorrerá em falha.
Comentário:
A lei de improbidade prevê essa conduta como sendo um ato de importa em enriquecimento ilícito (art. 9º,
IV, da Lei 8.429/92). Assim, no caso, o servidor cometeu ato de improbidade, de forma que, nos termos do
art. 132, IV da Lei 8.112/90, será demitido do serviço público.
Gabarito: errado.
O chefe da Seção de Transporte comunica que o veículo caminhonete X, placa YYY, foi abastecido com
combustível distinto de sua configuração de fábrica (diesel), quando utilizado em diligência por servidores
técnicos do MPU. Relata que o abastecimento equivocado gerou danos ao veículo, cujo conserto, no valor
total de cinco mil reais, foi pago com verbas do erário. Acrescenta também que, dada a indisponibilidade
de diesel no momento do abastecimento, o servidor condutor do veículo autorizou o frentista do posto de
combustível a pôr gasolina no tanque da referida caminhonete. Por fim, menciona que o servidor condutor
do veículo não se dispôs a ressarcir voluntariamente aos cofres públicos os valores gastos a título de
despesas extraordinárias com o reparo do veículo.
Acerca dos fatos relatados no trecho do parecer hipotético apresentado, julgue o item a seguir, com base
na Lei n.º 8.112/1990.
A conduta do servidor que conduzia o veículo configura inobservância do dever funcional de zelar pela
economia do material e pela conservação do patrimônio público.
Comentário:
Podemos notar que houve violação ao dever que consta no art. 116, VII, isto é: “zelar pela economia do
material e a conservação do patrimônio público”, uma vez que a conduta displicente do servidor ocasionou
dano ao material público.
Gabarito: correto.
O chefe da Seção de Transporte comunica que o veículo caminhonete X, placa YYY, foi abastecido com
combustível distinto de sua configuração de fábrica (diesel), quando utilizado em diligência por servidores
técnicos do MPU. Relata que o abastecimento equivocado gerou danos ao veículo, cujo conserto, no valor
total de cinco mil reais, foi pago com verbas do erário. Acrescenta também que, dada a indisponibilidade
de diesel no momento do abastecimento, o servidor condutor do veículo autorizou o frentista do posto de
combustível a pôr gasolina no tanque da referida caminhonete. Por fim, menciona que o servidor condutor
do veículo não se dispôs a ressarcir voluntariamente aos cofres públicos os valores gastos a título de
despesas extraordinárias com o reparo do veículo.
Acerca dos fatos relatados no trecho do parecer hipotético apresentado, julgue o item a seguir, com base
na Lei n.º 8.112/1990.
A referida lei prevê pena de suspensão para o servidor que conduzia o veículo, em razão da natureza e
gravidade da sua falta bem como dos danos desta provenientes.
Comentário:
A pena de suspensão será aplicada no caso de reincidência das infrações puníveis com advertência ou ainda
quando não justificar a aplicação de demissão. Por esse motivo, diz-se que a suspensão tem caráter residual,
aplicando-se quando a Lei 8.112/1990 não enquadrar o caso em demissão nem em advertência.
Logo, não há previsão deste caso específico para a pena de suspensão. Aplicando o “caráter residual”, a
suspensão seria aplicável (além da reincidência da advertência) nos seguintes casos:
a) cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de emergência
e transitórias;
b) exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou função e com o
horário de trabalho.
Ademais, seria possível enquadrar o caso na situação prevista no art. 132, X: “lesão aos cofres públicos e
dilapidação do patrimônio nacional”, caso que justificaria, pelo menos em tese, a aplicação da demissão.
Gabarito: errado.
13. (Cebraspe – STM/2018) No caso de acumulação ilegal de cargos públicos, o servidor será notificado
para apresentar opção e, se ele permanecer omisso, será instaurado procedimento administrativo
disciplinar sumário conduzido por comissão composta por dois servidores estáveis.
Comentário:
Detectada a qualquer tempo a acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas, a autoridade
responsável notificará o servidor, por intermédio de sua chefia imediata, para apresentar opção no prazo
improrrogável de dez dias, contados da data da ciência e, na hipótese de omissão, adotará procedimento
sumário para a sua apuração e regularização imediata, cujo processo administrativo disciplinar se
desenvolverá nas seguintes fases (art. 133):
I - instauração, com a publicação do ato que constituir a comissão, a ser composta por dois
servidores estáveis, e simultaneamente indicar a autoria e a materialidade da transgressão
objeto da apuração;
III - julgamento.
Gabarito: correto.
14. (Cebraspe – MPU/2018) É cabível penalidade de suspensão ao servidor que reincidir em faltas
punidas com advertência.
Comentário:
Segundo o Estatuto, a suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com advertência
e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão, não
podendo exceder de noventa dias (art. 130). Ademais, também será punido com suspensão de até quinze
dias o servidor que, injustificadamente, recusar-se a ser submetido a inspeção médica determinada pela
autoridade competente, cessando os efeitos da penalidade uma vez cumprida a determinação.
Gabarito: correto.
15. (Cebraspe – MPU/2018) Além de ser uma violação ética, a inassiduidade habitual é uma conduta
passível de suspensão por até noventa dias, conforme a Lei n.º 8.112/1990.
Comentário:
A inassiduidade habitual é listada como hipótese de demissão do servidor, conforme art. 132, III do Estatuto.
Vale lembrar que se entende por inassiduidade habitual a falta ao serviço, sem causa justificada, por sessenta
dias, interpoladamente, durante o período de doze meses (art. 139). Ademais, a inassiduidade será apurada
mediante processo administrativo disciplinar em rito sumário (art. 140).
Gabarito: errado.
16. (Cebraspe – IPHAN/2018) A ação disciplinar contra servidor que cometa ato ilícito punível com
suspensão prescreverá em dois anos contados da data em que o fato se tornou conhecido; todavia, se tal
ato ilícito também configurar crime, então se aplicará o prazo prescricional da lei penal para a ação
disciplinar.
Comentário:
A ação disciplinar prescreverá nos seguintes prazos (art. 142): (i) em cinco anos, quanto às infrações puníveis
com demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão; (ii) em
dois anos, quanto à suspensão; em 180 dias, quanto à advertência. Ademais, o prazo conta da data em que
o fato se tornou conhecido (art. 142, § 1º). Além disso, os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-
se às infrações disciplinares capituladas também como crime (art. 142, § 2º). Logo, o item está devidamente
correto.
Gabarito: correto.
17. (Cebraspe – IFF/2018) De acordo com o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das
autarquias e das fundações públicas federais, caso seja verificado que, reincidentemente, determinado
servidor incumbia a outro atribuições estranhas ao cargo que este último ocupava, a penalidade prevista
é de
a) suspensão.
b) advertência.
c) demissão.
d) censura.
e) destituição do cargo.
Comentário:
Primeiro precisamos ter em mente que é proibido ao servidor cometer a outro servidor atribuições estranhas
ao cargo que ocupa, exceto em situações de emergência e transitórias (art. 117, XVII). Também, de acordo
com o dispositivo legal, a suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com
advertência e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de
demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias (art. 130).
Assim, a pena de suspensão tem caráter residual, isto é, será aplicada quando não couber nem advertência
nem demissão, justamente como ocorreu no caso da questão.
A pena de censura não é sanção prevista na Lei 8.112/1990 (ela pode ser aplicada pela comissão de ética por
infração ao código de ética). Já a destituição do cargo (em comissão) se aplica ao servidor que ocupe
exclusivamente cargo em comissão, mas tal informação não consta no enunciado.
Gabarito: alternativa A.
Comentário:
O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições (art. 121).
Logo, o “apenas” tornou o quesito errado. O restante da questão, no entanto, estaria correto, pois a
aplicação de sanções deve ser motivada e o servidor pode sofrer até a pena de demissão, se for o caso.
Gabarito: errado.
19. (Cebraspe – EBSERH/2018) A demissão será a penalidade disciplinar cabível para o servidor que se
recusar a ser submetido a inspeção médica determinada pela autoridade competente.
Comentário:
Será punido com suspensão de até quinze dias o servidor que, injustificadamente, recusar-se a ser
submetido a inspeção médica determinada pela autoridade competente, cessando os efeitos da penalidade
uma vez cumprida a determinação (art. 130, § 1º).
Gabarito: errado.
20. (Cebraspe – STJ/2018) Apesar de as instâncias administrativa e penal serem independentes entre
si, a eventual responsabilidade administrativa do servidor será afastada se, na esfera criminal, ele for
beneficiado por absolvição que negue a existência do fato ou a sua autoria.
Comentário:
Conforme dispõe o art. 126 da Lei, a responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de
absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria. Portanto, correta a questão.
Vale lembrar que somente nesses casos a absolvição irá vincular a instância administrativa. Se, por outro
lado, o servidor for absolvido por falta de provas ou por qualquer outro motivo, não haverá impedimento de
ele ser punido administrativamente.
Gabarito: correto.
21. (Cebraspe – ABIN/2018) Situação hipotética: José, servidor nomeado para cargo efetivo, passou
pelo estágio probatório com nota dez na avaliação de desempenho do cargo, adquirindo a estabilidade no
serviço público. Assertiva: Nessa situação, a despeito da excelência do seu desempenho, José poderá ser
exonerado do serviço público seis meses após a conclusão do seu estágio probatório, caso apresente
queda na produtividade por dois meses seguidos.
Comentário:
Uma vez que o servidor adquiriu a estabilidade, ele somente poderia perder o cargo por:
(i) processo administrativo disciplinar, no qual lhe seja assegurada a ampla defesa;
(ii) processo judicial transitado em julgado;
(iii) avaliação especial de desempenho, na forma de lei complementar, com direito de defesa;
(iv) excesso de despesa com pessoal.
Assim, após a aquisição da estabilidade, José não poderia ser exonerado da forma como ocorreu. Vale
reforçar ainda que o sistema de avaliação especial de desempenho ainda não foi regulamentado, logo ele
não poderia ser exonerado sob alegação de baixa produtividade. Só um detalhe: o STF entende que o ato de
exoneração do servidor é meramente declaratório, podendo ocorrer após o prazo de três anos fixados para
o estágio probatório, desde que as avaliações de desempenho sejam efetuadas dentro do prazo
constitucional (RE 805.491 AgR). Mas não foi isso que ocorreu no caso da questão, pois o enunciado deixou
claro que o servidor foi aprovado no estágio.
Gabarito: errado.
22. (Cebraspe – PC MA/2018) Pela suposta prática de falta funcional, foi instaurado procedimento
administrativo disciplinar contra Luiz, servidor público estadual. Luiz respondeu, relativamente aos
mesmos fatos, a ação penal ajuizada pelo MP local.
À luz da disciplina da responsabilização dos servidores públicos, é correto afirmar que, nessa situação
hipotética,
a) eventual sentença absolutória criminal fundamentada no fato de a conduta do servidor público não
constituir infração penal não impede a aplicação de penalidade em âmbito administrativo, com base na
chamada falta residual.
b) em razão da independência entre as instâncias administrativa e penal, eventual sentença absolutória
criminal não repercutirá na esfera administrativa.
c) eventual sentença absolutória criminal fundamentada na falta de provas implicará absolvição na esfera
administrativa.
d) em razão da possível influência da sentença criminal na instância administrativa, o procedimento
administrativo disciplinar deverá permanecer suspenso até o término da ação penal.
e) eventual sentença extintiva da punibilidade do crime, independentemente de seu fundamento, implicará
no arquivamento do procedimento administrativo disciplinar.
Comentário:
a) a sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre si (art. 125) –
CORRETA;
b) e c) a responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue
a existência do fato ou sua autoria (art. 126) – ERRADAS;
d) como explanado no comentário da assertiva ‘a’, a regra é a independência entre as instâncias – ERRADA;
Gabarito: alternativa A.
Comentário:
a) não são vedadas pois possuem expressa previsão no art. 65, da Lei 9.784/99 – ERRADA;
b) a questão tenta confundir o princípio da autotutela com oficialidade. Vamos ver a característica de cada
um, segundo a Lei 9.784/99: oficialidade - as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os
dados necessários à tomada de decisão realizam-se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável
pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias (art. 29) e a
autotutela - os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo,
a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a
inadequação da sanção aplicada (art. 65) – claramente, o que ocorre na situação em apreço é a oficialidade
e não a autotutela - ERRADA;
c) essa mesmo! Conforme restou evidenciado na questão acima, na oficialidade a Administração competente
para decidir tem o poder/dever de inaugurar e impulsionar o processo. Diferente dos processos do Judiciário
onde prevalece o Princípio da Inércia. A oficialidade existe porque a Administração Pública tem o dever
elementar de satisfazer o interesse público, ela não pode, para isso, depender da iniciativa de algum
particular. A previsão para a revisão do processo administrativo está no art. 65 da Lei 9.784/99– CORRETA;
d) e) os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido
ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a
inadequação da sanção aplicada (art. 65) – ERRADAS.
24. (Cebraspe – TRE TO/2017) João delegou a Maria, sua esposa e pessoa estranha à repartição pública
onde ele exerce suas funções, o desempenho das atribuições de sua responsabilidade. Descoberto, João
sofreu um processo administrativo disciplinar, que resultou em sua condenação à penalidade de
advertência. Três meses após o trânsito em julgado do procedimento administrativo, João recusou fé a
documento público. Nessa situação hipotética, de acordo com a Lei n.º 8.112/1990, João está sujeito à
pena de
a) suspensão de até noventa dias.
b) suspensão de até cento e vinte dias.
c) suspensão de até cento e oitenta dias.
d) repreensão verbal.
e) demissão.
Comentário:
Ambas as condutas praticadas por João são proibições constantes do rol do art. 117 do Estatuto (incisos XVII
e III, respectivamente). Na forma do art. 129, a advertência será aplicada por escrito, nos casos de violação
de proibição constante do art. 117, incisos I a VIII e XIX (como no caso do enunciado), e de inobservância de
dever funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna, que não justifique imposição de
penalidade mais grave. No caso de reincidência das faltas punidas com advertência, a sanção cabível é a pena
de suspensão, que não pode exceder 90 dias (art. 130).
VI - cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de
atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado;
Art. 129. A advertência será aplicada por escrito, nos casos de violação de proibição constante
do art. 117, incisos I a VIII e XIX, e de inobservância de dever funcional previsto em lei,
regulamentação ou norma interna, que não justifique imposição de penalidade mais grave.
Art. 130. A suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com advertência
e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de
demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias.
Gabarito: alternativa A.
25. (Cebraspe – TRE BA/2017) Pedro, servidor de órgão público federal, a mando de Lucas, seu chefe
imediato, mensalmente entregava dez resmas de papel a uma empregada terceirizada, a título de
colaboração para a escola em que um filho dessa empregada estudava. Nessa situação hipotética,
a) Lucas deu ordem manifestamente ilegal, razão por que Pedro deveria ter-se recusado a cumpri-la.
b) Pedro cometeu infração que não representou grave dano ao patrimônio público e, por isso, deverá ser-
lhe aplicada a penalidade mais branda.
c) o desconhecimento da ilegalidade da conduta afastará a aplicação de penalidade a Pedro.
d) Pedro cometeu infração, mas Lucas, não, já que não praticou a conduta proibida.
e) a nobreza da conduta de Pedro poderá justificar a não instauração de processo administrativo contra si.
Comentário:
Os servidores têm o dever de cumprir as ordens emanadas de seus superiores, exceto no caso daquelas
manifestamente ilegais, como foi o caso da ordem que Lucas deu a Pedro.
Vale dizer: todo mundo sabe que não é lícito retirar material de órgão público e dá-lo a particulares (ainda
que a intenção seja boa). Para isso, existem programas sociais especialmente destinados a este fim (ou Lucas
poderia ter comprado com seu dinheiro o material).
Dessa forma, Pedro deveria ter se recusado a cumprir tal ordem e ainda ter levado a informação dessa
irregularidade para apuração pela autoridade competente.
A letra “b” está errada, já que o fato de o dano ser baixo não afasta a ilegalidade do ato. O erro na opção “c”
é que um servidor não pode alegar desconhecimento de norma, até porque é dever dos agentes públicos
“observar as normas legais e regulamentares” (art. 116, III). No caso da letra “d”, Lucas apenas não cometeu
“materialmente” o ato, mas foi dele a ordem para cometer a infração, por isso ele também responderá pelo
fato; por fim, a letra “e” está incorreta já que a “nobreza” não se justifica neste caso, pois o patrimônio
público é indisponível e, por isso, ele não poderia doar o que não lhe pertence.
Gabarito: alternativa A.
26. (Cebraspe – TRF 1ª Região/2017) Situação hipotética: Rafael e Caio, servidores públicos federais,
respondem, cumulativamente, a processos administrativo e criminal por atos cometidos no exercício de
suas funções. Na esfera criminal, Rafael foi absolvido por ter comprovado a inexistência do fato; Caio foi
absolvido por ter apresentado prova de não ter sido o autor do fato. Assertiva: Nessa situação, Rafael e
Caio não poderão ser responsabilizados administrativamente.
Comentário:
Em regra, as instâncias civil, penal e administrativa são independentes. Portanto, elas podem ser aplicadas
de forma cumulativa ou não. Além disso, um servidor pode ser punido em uma esfera, mas absolvido em
outra. Contudo, existem hipóteses em que a decisão na esfera penal (somente nela) obriga a decisão nas
demais esferas (civil e administrativa). Os casos são os seguintes: a condenação penal invariavelmente enseja
a responsabilização civil e administrativa pelo mesmo fato; a absolvição penal por negativa de autoria ou
inexistência do fato gera a absolvição civil e administrativa pelo mesmo fato, na forma como ocorreu com
Rafael e Caio.
Gabarito: correto.
27. (Cebraspe – TRF 1ª Região/2017) Situação hipotética: Em 2015, Joaquim, servidor público federal,
aposentou-se voluntariamente. Em 2016, comprovou-se que Joaquim, em 2015, ainda no exercício de suas
funções, havia cometido ato de improbidade administrativa. Assertiva: Nessa situação, a aposentadoria
de Joaquim deverá ser cassada.
Comentário:
Na forma do art. 134, será cassada a aposentadoria ou a disponibilidade do inativo que houver praticado, na
atividade, falta punível com a demissão. É exatamente o caso do cometimento de ato de improbidade
administrativa (art. 132, IV). Como Joaquim estava em atividade quando do cometimento do fato (2015), ele
sofrerá a pena de cassação da aposentadoria.
Gabarito: correto.
28. (Cebraspe – TRF 1ª Região/2017) Não há vedação para que servidor público que esteja em gozo de
licença para tratar de interesse particular participe da gerência ou administração de sociedade privada.
Comentário:
Perfeito! De fato, não há vedação para o servidor que esteja em gozo de licença para tratar de interesse
particular participar de gerência ou administração de sociedade privada, uma vez que essa é justamente uma
das exceções constantes no art. 117, parágrafo único, II, da Lei 8.112/1990. Ressalva-se, porém, que deverá
ser observada a legislação de conflito de interesses.
Gabarito: correto.
29. (Cebraspe – TRF 1ª Região/2017) Servidor público poderá acumular o seu cargo público com
emprego público remunerado vinculado a sociedade de economia mista.
Comentário:
A questão, inicialmente, foi dada como errada pela banca. Depois, houve alteração do gabarito para certo,
sob a seguinte justificativa: “servidor público poderá, em algumas das hipóteses excepcionais previstas na
Constituição Federal, acumular o seu cargo público em emprego público remunerado vinculado a sociedade
de economia mista”. Assim, a banca entendeu que as hipóteses excepcionais do art. 37, XVI aplicam-se ao
caso. Seria o caso de um empregado público, ocupante de emprego técnico ou científico, acumular um cargo
público de professor, por exemplo.
Gabarito: correto.
30. (Cebraspe – TRF 1ª Região/2017) Situação hipotética: Em 2015, Mateus, servidor público, na
presença de vários outros servidores, insubordinou-se gravemente em serviço. Assertiva: Nessa situação,
Mateus poderá ser demitido do serviço público e a ação disciplinar relativa a esse fato prescreverá em
2020; no entanto, a instauração de processo disciplinar interromperá a prescrição daquela ação até a
decisão final a ser proferida pela autoridade competente.
Comentário:
A insubordinação grave em serviço é hipótese de aplicação da pena de demissão (art. 132, VI). A ação
disciplinar quanto às infrações puníveis com demissão prescreve em 5 anos (art. 142, I), sendo que, de fato,
a abertura de sindicância ou a instauração de processo disciplinar interrompe a prescrição, até a decisão final
proferida por autoridade competente (art. 142, § 3º).
Gabarito: correto.
31. (Cebraspe – TRT 7ª Região (CE)/2017) Ao servidor público que intencionalmente e sem nenhuma
justificativa se ausentar do país por trinta e um dias ininterruptos será aplicável, de acordo com a Lei n.º
8.112/1990, a penalidade de
a) demissão.
b) censura.
c) advertência.
d) suspensão.
Comentário:
A situação narrada configurou abandono de cargo (art. 138), que ocorre quando há a ausência intencional
do servidor ao serviço por mais de trinta dias consecutivos. Essa situação autoriza a demissão do servidor
(art. 132, II).
Gabarito: alternativa A.
32. (Cebraspe – TRT 7ª Região (CE)/2017) Na hipótese de acumular ilegalmente cargos, empregos, ou
funções públicas, o funcionário público estará sujeito à penalidade disciplinar de
a) destituição de cargo em comissão.
b) suspensão.
c) demissão.
d) advertência.
Comentário:
Sabemos que, ressalvados os casos previstos no art. 37 da Constituição, é vedada a acumulação remunerada
de cargos públicos. A acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas gera a demissão do servidor
(art. 132, XII).
Gabarito: alternativa C.
33. (Cebraspe – TRT 7ª Região (CE)/2017) As esferas penal e administrativa são independentes para
apurar a responsabilidade de servidor público. Contudo, o procedimento criminal vincula o procedimento
administrativo quando conclui que
a) há insuficiência de provas quanto à existência do fato imputado ao servidor.
b) o servidor não foi o autor da conduta a ele imputada.
c) há insuficiência de provas quanto à autoria do fato.
d) o fato não constitui infração penal.
Comentário:
As esferas de responsabilidade são cumuláveis e independentes entre si. No entanto, a esfera penal vincula
as demais quando houver absolvição penal por negativa do fato ou da autoria. Em termos mais simples, deve
ficar provado que o servidor não foi o autor do crime (ausência de autoria) ou que, simplesmente, o crime
não existiu (negativa do fato). Nos demais casos, a absolvição penal não vincula as outras instâncias. Logo, o
gabarito é a letra B, pois se ficou provado que o servidor não é o autor da conduta, ele deverá ser absolvido
nas outras esferas de responsabilização.
A insuficiência de provas não vincula as outras instâncias, motivo pela qual as letras A e C estão erradas.
Além disso, mesmo que o fato não constitua infração penal, ele pode ser uma infração administrativa. Por
exemplo, a inassiduidade não é um crime, mas é uma infração administrativa. Assim, a letra D está errada.
Gabarito: alternativa B.
Comentário:
Essa é tranquila. São penalidades disciplinares (art. 127): (i) advertência; (ii) suspensão; (iii) demissão; (iv)
cassação de aposentadoria ou disponibilidade; (v) destituição de cargo em comissão; (vi) destituição de
função comissionada. Logo, elas são sim penalidades disciplinares que podem ser impostas ao servidor
público.
Gabarito: errado.
35. (Cebraspe – TRE GO/2015) Flávia, analista judiciária do TRE/GO, acumula licitamente o cargo de
analista e um cargo de professora na rede pública de ensino em Goiânia. Por sua competência, foi
convidada a ocupar cargo em comissão no governo estadual de Goiás. Nesse caso, para ocupar o cargo em
comissão, Flávia deve afastar-se dos dois cargos efetivos.
Comentário:
De acordo com o art. 120 do Estatuto, o servidor que acumular licitamente dois cargos efetivos, quando
investido em cargo de provimento em comissão, ficará afastado de ambos os cargos efetivos, salvo na
hipótese em que houver compatibilidade de horário e local com o exercício de um deles, declarada pelas
autoridades máximas dos órgãos ou entidades envolvidos. Portanto, não necessariamente Flávia terá que se
afastar dos dois cargos efetivos, pois existe a possibilidade de acumulação com um deles.
Gabarito: errado.
36. (Cebraspe – TRE GO/2015) Luana, analista judiciária do TRE/GO, tem procedido de forma desidiosa
no exercício de suas atribuições. Nessa situação, Luana comete transgressão disciplinar e está sujeita à
pena de demissão do serviço público.
Comentário:
Agir de forma desidiosa é o mesmo que agir com desleixo, desatenção, preguiça, etc. De acordo com o art.
117, XV, é proibido ao servidor proceder de forma desidiosa, que é um dos casos que pode ensejar a
demissão, conforme o art. 132 do Estatuto. Portanto, Luana cometeu uma transgressão e está sujeita à pena
de demissão do serviço público.
Gabarito: correto.
Maria, servidora pública federal estável, integrante de comissão de licitação de determinado órgão público
do Poder Executivo federal, recebeu diretamente, no exercício do cargo, vantagem econômica indevida para
que favorecesse determinada empresa em um procedimento licitatório. Após o curso regular do processo
administrativo disciplinar, confirmada a responsabilidade de Maria na prática delituosa, foi aplicada a pena
de demissão. Considerando essa situação hipotética, julgue os itens a seguir, com base na legislação aplicável
ao caso.
37. (Cebraspe – FUB/2015) Caso Maria, notoriamente, possuísse boa conduta no ambiente de trabalho
e não houvesse registros negativos em seus assentamentos funcionais, a administração poderia, com
fundamento em tais atenuantes, ter optado pela imposição de penalidade menos gravosa.
Comentário:
Nessa situação, Maria cometeu uma infração grave, que pode ser enquadrada em vários dispositivos da Lei
8.112/1990, que ensejam a demissão. Por exemplo: “crime contra a administração pública”; “improbidade
administrativa”; “lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional”; “corrupção” (art. 132, I,
IV, X, XI). A conduta ainda pode ser enquadrada em algumas das proibições cuja transgressão também
poderá ensejar a demissão: “receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em
razão de suas atribuições”; “valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da
dignidade da função pública” (art. 117, IX e XII).
Assim, em que pese as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes funcionais devam ser
considerados na aplicação da pena; a natureza, a gravidade e os danos decorrentes da conduta de Maria são
tão relevantes que não é possível impor uma penalidade menos gravoso, pois a infração disciplinar se
enquadra em diversos dispositivos que ensejam a demissão.
Gabarito: errado.
Com base no disposto no Decreto n.º 6.029/2007 e na Lei n.º 8.112/1990, julgue os itens subsequentes, que
versam sobre direitos e deveres de servidores públicos.
38. (Cebraspe – INSS/2016) É proibido ao servidor público atuar como intermediário junto a repartições
públicas, salvo quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo
grau e de cônjuge ou companheiro.
Comentário:
De acordo com o art. 117, inciso XI, da Lei 8.112/1990, é proibido ao servidor “atuar, como procurador ou
intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de benefícios previdenciários ou
assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro”.
Portanto, a questão reflete uma das vedações aplicáveis aos servidores públicos, exatamente como previsto
na Lei 8.112/1990.
Gabarito: correto.
Ainda com base no disposto na Lei n.º 8.112/1990 e na Constituição Federal de 1988 (CF), julgue os próximos
itens.
Comentário:
O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições (art. 121).
Essas sanções poderão cumular-se, sendo independentes entre si (art. 125). Entretanto, a responsabilidade
administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou
sua autoria (art. 126).
Portanto, quando a sentença penal comprovar que não houve a irregularidade (negativa do fato) ou que não
foi o servidor o responsável (negativa de autoria), não poderá o servidor ser sancionado nas instâncias
administrativa e civil. Porém, se a absolvição decorrer de outro motivo (como a insuficiência de provas), aí
não ocorrerá a vinculação das demais instâncias.
Gabarito: correto.
40. (Cebraspe – DPU/2016) A inassiduidade habitual será apurada mediante procedimento sumário,
cabendo, nesse caso, a penalidade de remoção ou de advertência.
Comentário:
Por inassiduidade habitual entende-se a falta ao serviço, sem causa justificada, por sessenta dias,
interpoladamente, durante o período de doze meses. Com efeito, a inassiduidade habitual do servidor será
punida com a demissão (art. 132, III) e não com a advertência ou remoção.
Ademais, a remoção é apenas uma forma de deslocamento do servidor, dentro do mesmo quadro de pessoal
(Lei 8.112/1990, art. 36), não podendo ser utilizada como punição por alguma transgressão.
Gabarito: errado.
41. (Cebraspe – DPU/2016) Servidor do Instituto Nacional do Seguro Social que agir como procurador
de seu cônjuge na obtenção de benefício previdenciário violará proibição estabelecida no regime
disciplinar dos servidores públicos federais.
Comentário:
Pelo contrário. O art. 117, XI, pontua que é proibido ao servidor atuar, como procurador ou intermediário,
junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes
até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro.
Gabarito: errado.
42. (Cebraspe – DPU/2016) É permitido o exercício de mais de um cargo em comissão, desde que seja
na condição de interino.
Comentário:
O servidor não poderá exercer mais de um cargo em comissão, nem ser remunerado pela participação em
órgão de deliberação coletiva (art. 119). Entretanto, o referido artigo faz uma ressalva: o servidor ocupante
de cargo em comissão ou de natureza especial poderá ser nomeado para ter exercício, interinamente, em
outro cargo de confiança, sem prejuízo das atribuições do que atualmente ocupa, hipótese em que deverá
optar pela remuneração de um deles durante o período da interinidade.
Portanto, é permitido o exercício de mais de um cargo em comissão, desde que seja na condição de interino.
Gabarito: correto.
43. (Cebraspe – DPU/2016) Ao servidor público federal que tenha recebido certidão emitida por órgão
público estadual para instruir pedido administrativo é lícito exigir o reconhecimento de firma da
autoridade estadual.
Comentário:
Se a certidão foi emitida por um órgão público, pressupõem-se que ela seja legítima, ou seja, não existe
dúvida sobre a autenticidade do documento. Assim, não existe motivo para exigir o reconhecimento de
firma.
Justamente por esse motivo é expressamente vedado ao servidor, com base no art. 117, III, da Lei
8.112/1990, recusar fé a documentos públicos.
Logo, nossa questão está incorreta, pois o servidor não poderia negar fé a documentos públicos.
Vale acrescentar ainda que a Lei 9.784/1999 dispõe que o reconhecimento de firma somente será exigido
quando houver dúvida de autenticidade, salvo se houver imposição legal exigindo o reconhecimento.
Gabarito: errado.
44. (Cebraspe – TRE PI/2016) Com relação à conduta que a Lei n.o 8.112/1990 impõe ao servidor
público, assinale a opção correta.
a) O servidor pode emprestar dinheiro e cobrar juros similares aos bancários, desde que observada a taxa
média do mercado.
b) O servidor pode, no turno contrário a sua jornada de trabalho, exercer o comércio, mantendo, por
exemplo, pequena padaria no bairro em que resida.
c) O servidor público não pode recusar fé a documentos públicos.
d) O servidor não pode atuar como procurador junto a repartições públicas, para tratar de benefício
previdenciário de seu irmão.
e) O servidor pode ausentar-se do serviço, durante o expediente, para tratar de assunto particular, sem
prévia autorização do chefe imediato, desde que reponha o tempo em outra oportunidade.
Comentário:
a) uma das proibições encontradas na Lei 8.112/1990 é a de praticar usura (emprestar dinheiro, cobrando
juros exorbitantes) sob qualquer de suas formas (art. 117, XIV). Logo, não é permitido que o servidor
empreste dinheiro e cobre pagamento de juros por parte do devedor – ERRADA;
b) outra proibição, desta vez localizada no art. 117, X, é a de participar de gerência ou administração de
sociedade privada, personificada ou não personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista,
cotista ou comanditário. Como na alternativa o servidor figura como proprietário, ele não poderá manter a
padaria – ERRADA;
c) o servidor também não pode recusar fé a documentos públicos (art. 117, III) – CORRETA;
d) quase isso. O servidor não pode atuar como procurador ou intermediário junto a repartições públicas,
salvo quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de
cônjuge ou companheiro (art. 117, XI) – ERRADA;
e) essa alternativa está nitidamente incorreta. Com base no art. 117, I, é vedado ao servidor ausentar-se do
serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato – ERRADA.
Gabarito: alternativa C.
45. (Cebraspe – TRE PI/2016) Ainda sobre a disciplina legal acerca dos servidores públicos, assinale a
opção correta.
a) A abertura de sindicância punitiva não interrompe a prescrição.
b) A responsabilidade civil do servidor público pode decorrer de ato comissivo, doloso ou culposo, que resulte
em prejuízo ao erário ou a terceiros, mas não de ato omissivo.
c) Não se admite a cumulação de sanções civis, penais e administrativas.
d) A incontinência pública do servidor sujeita-se à pena de suspensão.
e) A ação disciplinar prescreve em cinco anos quanto às infrações punidas com demissão, cassação de
aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão.
Comentário:
b) a responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que resulte em prejuízo
ao erário ou a terceiros (art. 122) – ERRADA;
c) pelo contrário. As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre
si (art. 125) – ERRADA;
e) agora sim! Esse é o exato texto do art. 142, I: “Art. 142. A ação disciplinar prescreverá: I - em 5
(cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade e
destituição de cargo em comissão” – CORRETA.
Gabarito: alternativa E.
Comentário:
Nossa resposta é encontrada na Lei 8.112/1990. Lá podemos ver que a demissão é a penalidade aplicada aos
seguintes casos (art. 132): (i) crime contra a administração pública; (ii) abandono de cargo; (iii) inassiduidade
habitual; (iv) improbidade administrativa; (v) incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição; (vi)
insubordinação grave em serviço; (vii) ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima
defesa própria ou de outrem; (viii) aplicação irregular de dinheiros públicos; (ix) revelação de segredo do
qual se apropriou em razão do cargo; (x) lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional; (xi)
corrupção; (xii) acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas; (xiii) transgressão dos incisos IX
a XVI do art. 117. Por esse motivo, temos a correção da assertiva.
Gabarito: correto.
47. (Cebraspe – TRT 8/2016) Com base no disposto na Lei n.º 8.112/1990, assinale a opção correta
acerca da acumulação de cargos.
a) O servidor ocupante de cargo em comissão pode exercer interinamente cargo em comissão diverso, sem
prejuízo das atribuições do cargo por ele regularmente ocupado.
b) O servidor ocupante de cargo em comissão não poderá perceber, adicionalmente, remuneração por
eventual participação em conselhos de administração de empresa pública.
c) O servidor que acumular licitamente dois cargos efetivos poderá ser investido em um terceiro cargo, em
comissão, se houver compatibilidade de horários.
d) A proibição de acumular cargos não alcança cargos dos quadros de entidades da administração indireta.
e) Proventos de aposentadoria de emprego público não podem ser cumulados com o exercício de cargo
temporário.
Comentário:
a) o servidor ocupante de cargo em comissão ou de natureza especial poderá ser nomeado para ter exercício,
interinamente, em outro cargo de confiança, sem prejuízo das atribuições do que atualmente ocupa,
hipótese em que deverá optar pela remuneração de um deles durante o período da interinidade (art. 9º,
parágrafo único) – CORRETA;
b) em regra, o servidor ocupante de cargo em comissão não poderá exercer mais de um cargo em comissão
nem ser remunerado pela participação em órgão de deliberação coletiva (art. 119, caput). Porém, existem
exceções para as duas vedações. Sobre exercer mais de um cargo em comissão, acabamos de ver a exceção
quando comentamos a letra A. Já a exceção sobre ser remunerado pela participação de órgão de deliberação
coletiva consta no art. 119, parágrafo único, da Lei 8.112/1990:
Art. 119. O servidor não poderá exercer mais de um cargo em comissão, exceto no caso previsto
no parágrafo único do art. 9º, nem ser remunerado pela participação em órgão de deliberação
coletiva.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à remuneração devida pela participação
em conselhos de administração e fiscal das empresas públicas e sociedades de economia mista,
suas subsidiárias e controladas, bem como quaisquer empresas ou entidades em que a União,
direta ou indiretamente, detenha participação no capital social, observado o que, a respeito,
dispuser legislação específica.
Logo, o servidor ocupante de cargo em comissão pode ser remunerado pela participação em conselhos de
administração e fiscal de empresa pública – ERRADA;
c) o servidor que acumular licitamente dois cargos efetivos, quando investido em cargo de provimento em
comissão, ficará afastado de ambos os cargos efetivos, salvo na hipótese em que houver compatibilidade de
horário e local com o exercício de um deles, declarada pelas autoridades máximas dos órgãos ou entidades
envolvidos (art. 120). Portanto, para ser investido no cargo em comissão, o servidor terá que ser afastado de
pelo menos um dos cargos efetivos – ERRADA;
e) de acordo com o STJ, inexiste expressa vedação legal que impeça a acumulação de proventos de
aposentadoria no RGPS, ainda que em emprego público, com remuneração de função pública, natureza de
que se reveste o conjunto de atribuições exercidas por força de contratação temporária, há que se manter a
segurança concedida (REsp 1.298.503/DF) – ERRADA.
Gabarito: alternativa A.
48. (Cebraspe – TRT 8/2016) A respeito da responsabilidade do servidor, assinale a opção correta à luz
da Lei n.º 8.112/1990.
a) A responsabilidade regressiva do servidor por dano praticado contra terceiro no exercício de suas funções
é objetiva.
b) A responsabilidade criminal do servidor alcança contravenções eventualmente por ele praticadas no
exercício de suas funções.
c) A responsabilidade regressiva do servidor por dano praticado contra terceiro é personalíssima, não se
estendendo a seus herdeiros e sucessores.
d) Eventual decisão que absolva servidor público na esfera penal não interfere nas esferas civil e
administrativa.
e) A denúncia feita pelo servidor à autoridade competente a respeito da suspeita de envolvimento de seu
superior em ato de improbidade acarreta a sua responsabilidade, se posteriormente verificada a inexistência
de infração.
Comentário:
d) as esferas, normalmente, são independentes e cumuláveis entre si. Contudo, a absolvição criminal que
negue a existência do fato ou sua autoria afasta a responsabilidade nas demais instâncias (art. 126) –
ERRADA;
e) nenhum servidor poderá ser responsabilizado civil, penal ou administrativamente por dar ciência à
autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, a outra autoridade competente
para apuração de informação concernente à prática de crimes ou improbidade de que tenha conhecimento,
ainda que em decorrência do exercício de cargo, emprego ou função pública (art. 126-A) – ERRADA.
Gabarito: alternativa B.
49. (Cebraspe – TRT 8/2016) De acordo com a Lei n.º 8.112/1990, estará sujeito à penalidade de
demissão o servidor público que
a) negar fé a documento público.
b) opor resistência injustificada a processo administrativo.
c) reincidir na retirada de documento da repartição sem prévia autorização da autoridade competente.
d) coagir subordinado a filiar-se a partido político.
e) utilizar recurso material da repartição em atividade particular
Comentário:
a) negar fé a documento público – advertência (art. 117, III; art. 129) – ERRADA;
b) opor resistência injustificada a processo administrativo – advertência (art. 117, IV; art. 129) – ERRADA;
d) coagir subordinado a filiar-se a partido político – advertência (art. 117, VII; art. 129) – ERRADA;
e) utilizar recurso material da repartição em atividade particular – demissão (art. 117, XVI; art. 132, XIII) –
CORRETA.
Gabarito: alternativa E.
Bons estudos.
HERBERT ALMEIDA.
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3. (Cebraspe – ANAC/2024) Segundo a Lei n.º 8.112/1990, a penalidade aplicada ao servidor que,
injustificadamente, se recusar a ser submetido à inspeção médica determinada pela autoridade
competente terá seu registro cancelado, com efeitos retroativos, após o decurso de três anos de efetivo
exercício, se o servidor não houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar.
4. (Cebraspe – ABIN/2018) De acordo com a Lei n.º 8.112/1990, é dever do servidor atender o público
em geral com presteza, fornecendo as informações requeridas, salvo aquelas protegidas por sigilo.
5. (Cebraspe – STJ/2018) Será cassada a aposentadoria voluntária do servidor inativo que for
condenado pela prática de ato de improbidade administrativa à época em que ainda estava na atividade.
6. (Cebraspe – EBSERH/2018) É dever do servidor público respeitar a hierarquia, respeito esse que
veda a ele representar contra comprometimentos da estrutura do poder estatal.
7. (Cebraspe – EBSERH/2018) Nos termos da Lei n.º 8.112/1990, os deveres do servidor público
incluem representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder e promover manifestação de apreço
no recinto da repartição.
8. (Cebraspe – IFF/2018) Servidor público que comete irregularidade no exercício da sua função
poderá responder civil, penal e administrativamente pelo ato. Nesse sentido, segundo a Lei n.º
8.027/1990, as cominações civis, penais e administrativas podem cumular-se, no entanto
a) são independentes entre si.
b) a administrativa depende da civil.
c) a administrativa depende da penal.
d) a civil depende da penal.
e) a penal depende da civil.
9. (Cebraspe – Polícia Federal/2018) João, servidor público responsável pelo setor financeiro de uma
autarquia federal, sem observar as formalidades legais necessárias, facilitou a incorporação, ao
patrimônio particular de entidade privada sem fins lucrativos, de valores a ela repassados mediante a
celebração de parceria.
10. (Cebraspe – IPHAN/2018) Maria tomou posse recentemente no IPHAN e ficou responsável por
desenvolver um projeto cujo objetivo era restaurar um acervo de pinturas pertencentes ao município do
Rio de Janeiro e reformar uma área específica de um museu municipal, para a exposição das pinturas
restauradas. Essas pinturas possuem grande valor histórico, artístico e cultural, consideradas peças de
grande raridade pelo estilo e método de pintura utilizado. Essa restauração é uma tarefa que somente
pode ser realizada por técnico especializado, e há no país somente uma profissional habilitada para o
trabalho.
Se o servidor responsável pelo serviço de pintura do local de exposição levar, para seu uso pessoal, parte
das tintas compradas e não utilizadas na reforma, ele não incorrerá em falha.
O chefe da Seção de Transporte comunica que o veículo caminhonete X, placa YYY, foi abastecido com
combustível distinto de sua configuração de fábrica (diesel), quando utilizado em diligência por
servidores técnicos do MPU. Relata que o abastecimento equivocado gerou danos ao veículo, cujo
conserto, no valor total de cinco mil reais, foi pago com verbas do erário. Acrescenta também que, dada
a indisponibilidade de diesel no momento do abastecimento, o servidor condutor do veículo autorizou o
frentista do posto de combustível a pôr gasolina no tanque da referida caminhonete. Por fim, menciona
que o servidor condutor do veículo não se dispôs a ressarcir voluntariamente aos cofres públicos os
valores gastos a título de despesas extraordinárias com o reparo do veículo.
Acerca dos fatos relatados no trecho do parecer hipotético apresentado, julgue o item a seguir, com base
na Lei n.º 8.112/1990.
A conduta do servidor que conduzia o veículo configura inobservância do dever funcional de zelar pela
economia do material e pela conservação do patrimônio público.
O chefe da Seção de Transporte comunica que o veículo caminhonete X, placa YYY, foi abastecido com
combustível distinto de sua configuração de fábrica (diesel), quando utilizado em diligência por
servidores técnicos do MPU. Relata que o abastecimento equivocado gerou danos ao veículo, cujo
conserto, no valor total de cinco mil reais, foi pago com verbas do erário. Acrescenta também que, dada
a indisponibilidade de diesel no momento do abastecimento, o servidor condutor do veículo autorizou o
frentista do posto de combustível a pôr gasolina no tanque da referida caminhonete. Por fim, menciona
que o servidor condutor do veículo não se dispôs a ressarcir voluntariamente aos cofres públicos os
valores gastos a título de despesas extraordinárias com o reparo do veículo.
Acerca dos fatos relatados no trecho do parecer hipotético apresentado, julgue o item a seguir, com base
na Lei n.º 8.112/1990.
A referida lei prevê pena de suspensão para o servidor que conduzia o veículo, em razão da natureza e
gravidade da sua falta bem como dos danos desta provenientes.
13. (Cebraspe – STM/2018) No caso de acumulação ilegal de cargos públicos, o servidor será
notificado para apresentar opção e, se ele permanecer omisso, será instaurado procedimento
administrativo disciplinar sumário conduzido por comissão composta por dois servidores estáveis.
14. (Cebraspe – MPU/2018) É cabível penalidade de suspensão ao servidor que reincidir em faltas
punidas com advertência.
15. (Cebraspe – MPU/2018) Além de ser uma violação ética, a inassiduidade habitual é uma conduta
passível de suspensão por até noventa dias, conforme a Lei n.º 8.112/1990.
16. (Cebraspe – IPHAN/2018) A ação disciplinar contra servidor que cometa ato ilícito punível com
suspensão prescreverá em dois anos contados da data em que o fato se tornou conhecido; todavia, se
tal ato ilícito também configurar crime, então se aplicará o prazo prescricional da lei penal para a ação
disciplinar.
17. (Cebraspe – IFF/2018) De acordo com o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das
autarquias e das fundações públicas federais, caso seja verificado que, reincidentemente, determinado
servidor incumbia a outro atribuições estranhas ao cargo que este último ocupava, a penalidade prevista
é de
a) suspensão.
b) advertência.
c) demissão.
d) censura.
e) destituição do cargo.
20. (Cebraspe – STJ/2018) Apesar de as instâncias administrativa e penal serem independentes entre
si, a eventual responsabilidade administrativa do servidor será afastada se, na esfera criminal, ele for
beneficiado por absolvição que negue a existência do fato ou a sua autoria.
21. (Cebraspe – ABIN/2018) Situação hipotética: José, servidor nomeado para cargo efetivo, passou
pelo estágio probatório com nota dez na avaliação de desempenho do cargo, adquirindo a estabilidade
no serviço público. Assertiva: Nessa situação, a despeito da excelência do seu desempenho, José poderá
ser exonerado do serviço público seis meses após a conclusão do seu estágio probatório, caso apresente
queda na produtividade por dois meses seguidos.
22. (Cebraspe – PC MA/2018) Pela suposta prática de falta funcional, foi instaurado procedimento
administrativo disciplinar contra Luiz, servidor público estadual. Luiz respondeu, relativamente aos
mesmos fatos, a ação penal ajuizada pelo MP local.
À luz da disciplina da responsabilização dos servidores públicos, é correto afirmar que, nessa situação
hipotética,
a) eventual sentença absolutória criminal fundamentada no fato de a conduta do servidor público não
constituir infração penal não impede a aplicação de penalidade em âmbito administrativo, com base na
chamada falta residual.
b) em razão da independência entre as instâncias administrativa e penal, eventual sentença absolutória
criminal não repercutirá na esfera administrativa.
c) eventual sentença absolutória criminal fundamentada na falta de provas implicará absolvição na esfera
administrativa.
d) em razão da possível influência da sentença criminal na instância administrativa, o procedimento
administrativo disciplinar deverá permanecer suspenso até o término da ação penal.
e) eventual sentença extintiva da punibilidade do crime, independentemente de seu fundamento, implicará
no arquivamento do procedimento administrativo disciplinar.
24. (Cebraspe – TRE TO/2017) João delegou a Maria, sua esposa e pessoa estranha à repartição
pública onde ele exerce suas funções, o desempenho das atribuições de sua responsabilidade.
Descoberto, João sofreu um processo administrativo disciplinar, que resultou em sua condenação à
penalidade de advertência. Três meses após o trânsito em julgado do procedimento administrativo, João
recusou fé a documento público. Nessa situação hipotética, de acordo com a Lei n.º 8.112/1990, João
está sujeito à pena de
a) suspensão de até noventa dias.
b) suspensão de até cento e vinte dias.
c) suspensão de até cento e oitenta dias.
d) repreensão verbal.
e) demissão.
25. (Cebraspe – TRE BA/2017) Pedro, servidor de órgão público federal, a mando de Lucas, seu chefe
imediato, mensalmente entregava dez resmas de papel a uma empregada terceirizada, a título de
colaboração para a escola em que um filho dessa empregada estudava. Nessa situação hipotética,
a) Lucas deu ordem manifestamente ilegal, razão por que Pedro deveria ter-se recusado a cumpri-la.
b) Pedro cometeu infração que não representou grave dano ao patrimônio público e, por isso, deverá ser-
lhe aplicada a penalidade mais branda.
c) o desconhecimento da ilegalidade da conduta afastará a aplicação de penalidade a Pedro.
d) Pedro cometeu infração, mas Lucas, não, já que não praticou a conduta proibida.
e) a nobreza da conduta de Pedro poderá justificar a não instauração de processo administrativo contra si.
26. (Cebraspe – TRF 1ª Região/2017) Situação hipotética: Rafael e Caio, servidores públicos federais,
respondem, cumulativamente, a processos administrativo e criminal por atos cometidos no exercício de
suas funções. Na esfera criminal, Rafael foi absolvido por ter comprovado a inexistência do fato; Caio foi
absolvido por ter apresentado prova de não ter sido o autor do fato. Assertiva: Nessa situação, Rafael e
Caio não poderão ser responsabilizados administrativamente.
27. (Cebraspe – TRF 1ª Região/2017) Situação hipotética: Em 2015, Joaquim, servidor público federal,
aposentou-se voluntariamente. Em 2016, comprovou-se que Joaquim, em 2015, ainda no exercício de
suas funções, havia cometido ato de improbidade administrativa. Assertiva: Nessa situação, a
aposentadoria de Joaquim deverá ser cassada.
28. (Cebraspe – TRF 1ª Região/2017) Não há vedação para que servidor público que esteja em gozo
de licença para tratar de interesse particular participe da gerência ou administração de sociedade
privada.
29. (Cebraspe – TRF 1ª Região/2017) Servidor público poderá acumular o seu cargo público com
emprego público remunerado vinculado a sociedade de economia mista.
30. (Cebraspe – TRF 1ª Região/2017) Situação hipotética: Em 2015, Mateus, servidor público, na
presença de vários outros servidores, insubordinou-se gravemente em serviço. Assertiva: Nessa situação,
Mateus poderá ser demitido do serviço público e a ação disciplinar relativa a esse fato prescreverá em
2020; no entanto, a instauração de processo disciplinar interromperá a prescrição daquela ação até a
decisão final a ser proferida pela autoridade competente.
31. (Cebraspe – TRT 7ª Região (CE)/2017) Ao servidor público que intencionalmente e sem nenhuma
justificativa se ausentar do país por trinta e um dias ininterruptos será aplicável, de acordo com a Lei n.º
8.112/1990, a penalidade de
a) demissão.
b) censura.
c) advertência.
d) suspensão.
32. (Cebraspe – TRT 7ª Região (CE)/2017) Na hipótese de acumular ilegalmente cargos, empregos, ou
funções públicas, o funcionário público estará sujeito à penalidade disciplinar de
a) destituição de cargo em comissão.
b) suspensão.
c) demissão.
d) advertência.
33. (Cebraspe – TRT 7ª Região (CE)/2017) As esferas penal e administrativa são independentes para
apurar a responsabilidade de servidor público. Contudo, o procedimento criminal vincula o
procedimento administrativo quando conclui que
a) há insuficiência de provas quanto à existência do fato imputado ao servidor.
b) o servidor não foi o autor da conduta a ele imputada.
c) há insuficiência de provas quanto à autoria do fato.
d) o fato não constitui infração penal.
35. (Cebraspe – TRE GO/2015) Flávia, analista judiciária do TRE/GO, acumula licitamente o cargo de
analista e um cargo de professora na rede pública de ensino em Goiânia. Por sua competência, foi
convidada a ocupar cargo em comissão no governo estadual de Goiás. Nesse caso, para ocupar o cargo
em comissão, Flávia deve afastar-se dos dois cargos efetivos.
36. (Cebraspe – TRE GO/2015) Luana, analista judiciária do TRE/GO, tem procedido de forma
desidiosa no exercício de suas atribuições. Nessa situação, Luana comete transgressão disciplinar e está
sujeita à pena de demissão do serviço público.
Maria, servidora pública federal estável, integrante de comissão de licitação de determinado órgão público
do Poder Executivo federal, recebeu diretamente, no exercício do cargo, vantagem econômica indevida
para que favorecesse determinada empresa em um procedimento licitatório. Após o curso regular do
processo administrativo disciplinar, confirmada a responsabilidade de Maria na prática delituosa, foi
aplicada a pena de demissão. Considerando essa situação hipotética, julgue os itens a seguir, com base na
legislação aplicável ao caso.
37. (Cebraspe – FUB/2015) Caso Maria, notoriamente, possuísse boa conduta no ambiente de
trabalho e não houvesse registros negativos em seus assentamentos funcionais, a administração poderia,
com fundamento em tais atenuantes, ter optado pela imposição de penalidade menos gravosa.
Com base no disposto no Decreto n.º 6.029/2007 e na Lei n.º 8.112/1990, julgue os itens subsequentes,
que versam sobre direitos e deveres de servidores públicos.
38. (Cebraspe – INSS/2016) É proibido ao servidor público atuar como intermediário junto a
repartições públicas, salvo quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes
até o segundo grau e de cônjuge ou companheiro.
Ainda com base no disposto na Lei n.º 8.112/1990 e na Constituição Federal de 1988 (CF), julgue os
próximos itens.
40. (Cebraspe – DPU/2016) A inassiduidade habitual será apurada mediante procedimento sumário,
cabendo, nesse caso, a penalidade de remoção ou de advertência.
41. (Cebraspe – DPU/2016) Servidor do Instituto Nacional do Seguro Social que agir como procurador
de seu cônjuge na obtenção de benefício previdenciário violará proibição estabelecida no regime
disciplinar dos servidores públicos federais.
42. (Cebraspe – DPU/2016) É permitido o exercício de mais de um cargo em comissão, desde que seja
na condição de interino.
43. (Cebraspe – DPU/2016) Ao servidor público federal que tenha recebido certidão emitida por órgão
público estadual para instruir pedido administrativo é lícito exigir o reconhecimento de firma da
autoridade estadual.
44. (Cebraspe – TRE PI/2016) Com relação à conduta que a Lei n.o 8.112/1990 impõe ao servidor
público, assinale a opção correta.
a) O servidor pode emprestar dinheiro e cobrar juros similares aos bancários, desde que observada a taxa
média do mercado.
b) O servidor pode, no turno contrário a sua jornada de trabalho, exercer o comércio, mantendo, por
exemplo, pequena padaria no bairro em que resida.
c) O servidor público não pode recusar fé a documentos públicos.
d) O servidor não pode atuar como procurador junto a repartições públicas, para tratar de benefício
previdenciário de seu irmão.
e) O servidor pode ausentar-se do serviço, durante o expediente, para tratar de assunto particular, sem
prévia autorização do chefe imediato, desde que reponha o tempo em outra oportunidade.
45. (Cebraspe – TRE PI/2016) Ainda sobre a disciplina legal acerca dos servidores públicos, assinale a
opção correta.
a) A abertura de sindicância punitiva não interrompe a prescrição.
b) A responsabilidade civil do servidor público pode decorrer de ato comissivo, doloso ou culposo, que
resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros, mas não de ato omissivo.
c) Não se admite a cumulação de sanções civis, penais e administrativas.
d) A incontinência pública do servidor sujeita-se à pena de suspensão.
e) A ação disciplinar prescreve em cinco anos quanto às infrações punidas com demissão, cassação de
aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão.
47. (Cebraspe – TRT 8/2016) Com base no disposto na Lei n.º 8.112/1990, assinale a opção correta
acerca da acumulação de cargos.
a) O servidor ocupante de cargo em comissão pode exercer interinamente cargo em comissão diverso, sem
prejuízo das atribuições do cargo por ele regularmente ocupado.
b) O servidor ocupante de cargo em comissão não poderá perceber, adicionalmente, remuneração por
eventual participação em conselhos de administração de empresa pública.
c) O servidor que acumular licitamente dois cargos efetivos poderá ser investido em um terceiro cargo, em
comissão, se houver compatibilidade de horários.
d) A proibição de acumular cargos não alcança cargos dos quadros de entidades da administração indireta.
e) Proventos de aposentadoria de emprego público não podem ser cumulados com o exercício de cargo
temporário.
48. (Cebraspe – TRT 8/2016) A respeito da responsabilidade do servidor, assinale a opção correta à
luz da Lei n.º 8.112/1990.
a) A responsabilidade regressiva do servidor por dano praticado contra terceiro no exercício de suas
funções é objetiva.
b) A responsabilidade criminal do servidor alcança contravenções eventualmente por ele praticadas no
exercício de suas funções.
c) A responsabilidade regressiva do servidor por dano praticado contra terceiro é personalíssima, não se
estendendo a seus herdeiros e sucessores.
d) Eventual decisão que absolva servidor público na esfera penal não interfere nas esferas civil e
administrativa.
e) A denúncia feita pelo servidor à autoridade competente a respeito da suspeita de envolvimento de seu
superior em ato de improbidade acarreta a sua responsabilidade, se posteriormente verificada a
inexistência de infração.
49. (Cebraspe – TRT 8/2016) De acordo com a Lei n.º 8.112/1990, estará sujeito à penalidade de
demissão o servidor público que
ALEXANDRINO, Marcelo; PAULO, Vicente. Direito administrativo descomplicado. 19ª Ed. Rio de Janeiro:
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ARAGÃO, Alexandre Santos de. Curso de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 2012.
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