AO JUÍZO DA 1ª VARA DA FAZENDA E REGISTROS PÚBLICOS DA COMARCA DE
GURUPI, ESTADO DO TOCANTINS.
AUTOS DO PROCESSO Nº.: 0007670-10.2024.8.27.2722.
MUNICÍPIO DE DUERÉ, ESTADO DO TOCANTINS, devidamente
qualificados nos autos em epígrafe, por seu procurador que esta subscreve, vem
respeitosamente à presença de Vossa Excelência, nos termos do art. 335 e seguintes
do CPC, apresentar:
CONTESTAÇÃO
Face a ACÃO COLETIVA ORDINÁRIA DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C
COBRANÇA DE ADICIONAL DE INSLUBRIDADE COM PEDIDO DE TUTELA DE
EVIDÊNCIA (art. 311, IV CPC) proposta pelo SINDICATO DOS AGENTES DE SAÚDE E
ENDEMIAS DO SUL E SUDESTE DO TOCANTINS – SASES, pelas razões de fato e
direito a seguir expostos:
I - DA SÍNTESE PROCESSUAL.
Trata-se de ação coletiva de obrigação de fazer, em apertada
síntese, afim de compelir o Município de Dueré – TO a conceder a implementação do
pagamento da insalubridade dos substituídos da autora, calculados em razão dos
vencimentos/salário-base, aos Agentes Comunitários de Saúde o grau moderado
(20%) e aos Agentes de Combate às Endemias o grau máximo de insalubridade
(40%).
Av. Maranhão, Nº. 1.262, Centro, Gurupi-
TO, CEP: 77.410-020. massaruokada@[Link] 63 99930-7762
63 3301-6041
Em suma, é exposto na exordial, que embora tenha previsão
legislativa, o Município não faz os referidos pagamentos aos servidores que
detenham o direito.
Portanto, pugna o Autor em sua peça inaugural, a reclamação de
ausência de concessão de insalubridade e seus respectivos pagamentos.
Traz como anexos à inicial: Procuração; Atos Constitutivos do
Sindicato; Leis Municipais, Documentos de Representação Processual, várias
decisões judiciais, contracheques de servidores e laudo técnico de PCMSO/LTCAT
de Dueré – TO.
Contudo, razão não assiste ao Autor quanto a suas pretensões, face
as razões de fato e direitos que serão amplamente apresentados, a fim de rechaçar
integralmente a tese aventada em sede de exordial.
É o resumo necessário.
II – DAS PRELIMINARES.
a) IMPUGNAÇÃO DO VALOR DA CAUSA.
O valor da causa revela-se fundamental para várias finalidades no
curso do processo, pois serve de baliza para fixação de competência, aplicação de
multas processuais, cobrança de custas judiciais e, sobretudo, fixação de honorários
sucumbenciais, conforme reconhecido pela própria recorrente.
Nos termos dos arts. 291 e 292 do CPC/2015, o valor da causa deve
corresponder, em princípio, ao conteúdo econômico a ser obtido na demanda, ainda
que o provimento jurisdicional buscado tenha conteúdo meramente declaratório.
Neste aspecto, é o entendimento jurisprudencial sob a temática,
vejamos:
TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO
COLETIVA. VALOR DA CAUSA. 1. De acordo com o art. 291 do
Av. Maranhão, Nº. 1.262, Centro, Gurupi-
TO, CEP: 77.410-020. massaruokada@[Link] 63 99930-7762
63 3301-6041
CPC, o valor da causa deve apresentar correspondência com
seu conteúdo econômico, considerado como tal o benefício
financeiro que o autor pretende obter com a demanda, ainda
que o provimento jurisdicional buscado tenha conteúdo
meramente declaratório. 2. Tratando-se de hipótese de
fixação do valor da causa de modo voluntário, a parte autora
apresenta uma estimativa, que não pode se distanciar do
conteúdo patrimonial do pedido. A estimativa deve ser feita
com razoabilidade. Quanto à repercussão econômica, tendo
a ação coletiva sido proposta por sindicato com abrangência
em todo o Estado do Paraná, na qual serão beneficiados em
caso de êxito servidores e empregados públicos de diversas
instituições, esse deve ser o critério a ser considerado na
fixação do valor da causa. (TRF-4 - AG:
50550836320204040000 5055083-63.2020.4.04.0000,
Relator: ALEXANDRE ROSSATO DA SILVA ÁVILA, Data de
Julgamento: 23/03/2021, SEGUNDA TURMA).
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO JULGAMENTO
DETERMINADO PELO STJ. AGRAVO DE INSTRUMENTO.
IMPUGNAÇÃO DO VALOR DA CAUSA. AÇÃO COLETIVA. 1. O
litisconsórcio, instituto pelo qual mais de uma pessoa está
incluída na relação jurídica processual, participando
ativamente desta, possuindo direitos e deveres de natureza
processual, praticando atos processuais, não se confunde
com a legitimação extraordinária dos sindicatos no direito
coletivo (Precedentes do STJ), não configurando, esta última,
hipótese de aplicação da súmula 261 do TFR e/ou do artigo
48 do CPC/73, os quais tratam de litisconsórcio. 2. A função
do valor da causa não é exclusivamente servir de base para
distribuição dos ônus econômicos da demanda, possuindo
outras funções, entre elas, a fixação de competência e rito
processual. A fixação do valor da causa segundo os critérios
legais e jurisprudenciais, além de adequada, não viola o art.
5º, inciso XXXV e art. 8º, inciso III da CF/88, pois o acesso ao
Poder Judiciário e efetividade da legitimação extraordinária
dos sindicatos estão resguardados, comprovada a
necessidade no caso da pessoa jurídica, pelo instituto da
justiça gratuita. 3. O artigo 14, § 5º da Lei 9.289/96 não
dispõe sobre valor da causa, mas tão somente sobre custas,
mais especificamente sobre quando estas são devidas, a
quem cabe o ônus de pagá-las e em qual momento
processual deve se dar o pagamento. Não serve de critério
para fixação do valor da causa. 4. Consoante a jurisprudência
do STJ, tanto na época do julgado embargado, quanto na
atualidade, "...o valor da causa deve corresponder ao
conteúdo econômico da demanda, considerado como tal o
benefício a ser auferido pela parte, caso o pedido venha a ser
julgado procedente..." e "...Admite-se que o valor da causa
seja fixado por estimativa, quando não for possível a
determinação exata da expressão econômica da demanda..."
( AgInt no AREsp 813.474/RJ). 5. Hipótese em que a parte
autora, não trouxe justificativa plausível para sustentar o
valor ínfimo de R$5.000,00 atribuído a causa. Tampouco
defendeu nova estimativa e/ou anexou novos elementos de
prova destinados sustentar valor diverso, ônus que lhe cabia
Av. Maranhão, Nº. 1.262, Centro, Gurupi-
TO, CEP: 77.410-020. massaruokada@[Link] 63 99930-7762
63 3301-6041
desde o ajuizamento (art. 282, V, CPC/73). Limitou-se a
argumentar que o valor da causa estava correto, devendo
corresponder à extensão econômica da pretensão de um
único substituído. A ré, por outro lado, embasou o valor
defendido por meio de ação similar proposta por sindicato
de menor abrangência do que o dos autos, fundamentos
estes que possuem maior aptidão para a estimativa e que
não foram impugnados e refutados pela autora, devendo
prevalecer na fixação por estimativa, como autorizamos
precedentes do STJ, o valor defendido pela ré. 6. Na medida
que o critério adotado parte do valor da causa atribuído pela
própria autora e tão somente proporcionaliza este a fim de
que corresponda ao ganho econômico pretendido na
demanda para toda categoria e não apenas de um
substituído, não ocorre violação ao art. 260 do CPC/75, pois
tal implicaria reconhecer que própria autora não adotou o
critério por ela defendido, o que não se admite segundo a
boa-fé e a proibição dos comportamentos contraditórios. 7.
Embargos de declaração parcialmente providos. Resultado
do julgamento mantido. (TRF-4 - AG:
50000405920114040000 5000040-59.2011.4.04.0000,
Relator: CÂNDIDO ALFREDO SILVA LEAL JUNIOR, Data de
Julgamento: 20/05/2020, QUARTA TURMA)
No caso em tela, discute-se o pagamento de insalubridade aos
agentes comunitários, que em uma fácil análise à remuneração de cada servidor é
possível obter o valor aproximado da causa, visto que o Sindicato autor, tem acesso
aos contracheques dos servidores ora substituídos processualmente.
Não obstante a isso, a documentação capaz de se expressar valor do
proveito econômico pretendido na inicial, pode ser adquirida também sob o aspecto
extrajudicial por meio de Requerimento Administrativo; e, mediante aspecto
judicial por medida de antecipação de provas, não se justificando, na oportunidade
a indicação do valor da causa em patamar ínfimo para fins de alçada fiscal.
Assim dispõe a Lei Federal Nº. 12.527/2011 – Lei de Acesso à
Informação, in verbis:
Art. 10. Qualquer interessado poderá apresentar pedido de
acesso a informações aos órgãos e entidades referidos no art.
1º desta Lei, por qualquer meio legítimo, devendo o pedido
conter a identificação do requerente e a especificação da
informação requerida.
§ 1º Para o acesso a informações de interesse público, a
identificação do requerente não pode conter exigências que
inviabilizem a solicitação.
Av. Maranhão, Nº. 1.262, Centro, Gurupi-
TO, CEP: 77.410-020. massaruokada@[Link] 63 99930-7762
63 3301-6041
§ 2º Os órgãos e entidades do poder público devem viabilizar
alternativa de encaminhamento de pedidos de acesso por
meio de seus sítios oficiais na internet.
§ 3º São vedadas quaisquer exigências relativas aos motivos
determinantes da solicitação de informações de interesse
público.
Importante no alegado, quanto a acessibilidade às informações
indicadas, considerando ser a natureza do Sindicato, ora autor, o de detentor e
guarnecedor dos direitos aos servidores vinculados a fim de manejar procedimentos
capazes de buscar o direito pretendido. Não se justifica aqui a impossibilidade do
Autor de mensurar o valor do proveito econômico pretendido, sob pena de
configuração de burla processual.
Registre-se, ademais, que o STJ tem entendimento consolidado no
sentido de que, na impossibilidade de mensuração da expressão econômica da
demanda, admite-se que o valor da causa seja fixado por estimativa, sujeito a
posterior adequação ao valor apurado na sentença ou no procedimento de
liquidação.
"PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS
COMO AGRAVO REGIMENTAL. VALOR DA CAUSA. AÇÃO
ANULATÓRIA. CEBAS. CRITÉRIOS. CONTEÚDO ECONÔMICO DA
DEMANDA. TRIBUTOS DEVIDOS. POSSIBILIDADE. 1. Em respeito
aos princípios da fungibilidade e da economia processual, é
possível o recebimento de embargos declaratórios com exclusivo
propósito infringente como agravo regimental. Precedentes. 2.
Ainda que a repercussão econômica da controvérsia não possa
ser mensurada diretamente - como sucede, em regra, com as
pretensões declaratórias - o magistrado deve buscar critérios
para aferir a relevância patrimonial da causa, atribuindo-lhe
valor compatível com a realidade. 3. Nos casos em que se
pretende a anulação de um ato administrativo, como a concessão
da Certificação de Entidade Beneficente da Assistência Social -
CEBAS, é válido estipular-se o valor da causa com base nos tributos
que passaram a ser devidos em virtude da cassação da imunidade,
isto é, os valores que deixaram de ser carreados aos cofres públicos
por conta da certificação pretensamente irregular. Precedentes:
AREsp 532.917/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques e REsp
1.263.675/RS, Rel. Min. Herman Benjamin. 4. Embargos de
declaração recebidos como agravo regimental a que se nega
provimento." A propósito: (EDcl no REsp 1.432.073/RS, Rel.
Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em
09/06/2015, DJe 23/06/2015 - grifou-se)
Av. Maranhão, Nº. 1.262, Centro, Gurupi-
TO, CEP: 77.410-020. massaruokada@[Link] 63 99930-7762
63 3301-6041
Portanto, não assiste razão ao Autor para indicação do valor da
causa em patamar ínfimo para fins de alçada fiscal, considerando existir elementos
capazes de identificar o proveito econômico pretendida na demanda, e, ainda, o
valor estimado eventualmente.
Ainda, é de conhecimento o grande volume de ações capitaneadas
por Sindicatos, no que tange a direitos genéricos e subjetivos, estes que, visam a
fixação do valor de custas no mínimo para fins de alçada, como forma de resguardar
a entidade em eventual condenação desfavorável da demanda, resultando em
fixação de custas finais e de honorários sucumbenciais.
Neste caso, conforme se verifica em relatórios emitidos pelo Portal
da Transparência, referente a folha de março de 20225, o conteúdo econômico
discutido teria um reflexo de R$ 14.856,60 (quatorze mil, oitocentos e cinquenta
e seis reais, e sessenta centavos).
b) DO INTERESSE DA REALIZAÇÃO DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO.
Considerando as razões nucleares da presente ação, tratando-se de
matéria a ser discutido verbas remuneratórias de servidor municipal e um tema
sensível aos olhos do gestor público, assim, o Ente Municipal de forma breve e
antecipada manifesta pelo interesse na realização da audiência conciliatória.
III – DAS RAZÕES DE MÉRITO DA CONTESTAÇÃO.
a) DA INEXISTÊNCIA DE DIREITO AO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE.
AUSÊNCIA DE REQUISITOS SINGULARES PARA CARACTERIZAÇÃO DO
DIREITO PRETENDIDO.
É de opinião unívoca que a legislação municipal do Município de
Dueré não regulamenta de forma específica a concessão do adicional de
insalubridade, apenas prevê de forma genérica, o que não é suficiente para a
concessão do benefício pleiteado pelo sindicato autor. Além disso, o Laudo Técnico
das Condições dos Ambientes de Trabalho (LTCAT) apresentado pelo autor, ainda
que vencido, não constatou níveis de insalubridade em grau alto (40%) nas
Av. Maranhão, Nº. 1.262, Centro, Gurupi-
TO, CEP: 77.410-020. massaruokada@[Link] 63 99930-7762
63 3301-6041
atividades dos agentes combate às endemias, afastando qualquer direito ao
adicional de insalubridade em tal patamar.
Neste aspecto no Direito trabalhista, em especial o artigo 192 da
CLT, estabelece que o exercício de trabalho em condições insalubres, acima dos
limites de tolerância, assegura a percepção de adicional de insalubridade. No
entanto, para que tal adicional seja concedido, é necessária a caracterização e
classificação da insalubridade por meio de perícia técnica, conforme disposto no
artigo 195 da CLT.
Art. 192 - O exercício de trabalho em condições insalubres,
acima dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério
do Trabalho, assegura a percepção de adicional
respectivamente de 40% (quarenta por cento), 20% (vinte
por cento) e 10% (dez por cento) do salário-mínimo da
região, segundo se classifiquem nos graus máximo, médio e
mínimo. (Redação dada pela Lei nº 6.514, de 22.12.1977)
Art. 195 - A caracterização e a classificação da insalubridade
e da periculosidade, segundo as normas do Ministério do
Trabalho, far-se-ão através de perícia a cargo de Médico do
Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, registrados no
Ministério do Trabalho. (Redação dada pela Lei nº 6.514, de
22.12.1977)
No caso em tela, não há regulamentação específica no município de
Dueré para a concessão do adicional, e não se pode aplicar a legislação trabalhista
citada como referência normativa, e por outro lado o LTCAT apresentado pela parte
autora, além de vencido, não identificou condições e níveis de insalubres nas
atividades dos substituídos, conforme apresentado pela parte autora.
Nesse sentido, a jurisprudência pátria corrobora o entendimento
de que, na ausência de regulamentação específica em lei local, não é possível deferir
o adicional de insalubridade com base apenas na tese de labor em condições
insalubres. A respeito de questão análoga a esta, verifica-se o entendimento adotado
pelo Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins pela ementa abaixo:
Av. Maranhão, Nº. 1.262, Centro, Gurupi-
TO, CEP: 77.410-020. massaruokada@[Link] 63 99930-7762
63 3301-6041
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA.
SERVIDOR PÚBLICO. MUNICIPIO DE GURUPI. ADICIONAL
DE INSALUBRIDADE. AUSÊNCIA DE NORMA
REGULAMENTADORA. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA. LEI
MUNICIPAL GENÉRICA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO
ESPECÍFICA. PERÍCIA TÉCNICA. AUSÊNCIA DE CARÁTER
NORMATIVO. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. 1. A
concessão de adicional de insalubridade aos servidores
públicos municipais depende de norma regulamentadora
dos benefícios, especificando as GOVERNO MUNICIPAL DE
DUERÉ PREFEITURA MUNICIPAL ADM. 2021/2024
categorias abrangidas, os graus de insalubridade e o
percentual atribuído, conforme a exposição dos agentes
nocivos. 2. Na hipótese, o pleito do apelante está
fundamentado em lei que prevê apenas genericamente o
pagamento do adicional, o que não dispensa a necessidade
de regulamentação específica. 3. Para a concessão de
adicional de insalubridade a servidor público mostra-se
imprescindível a existência de lei que preveja o pagamento
deste adicional, bem como de norma regulamentadora deste
benefício, a qual definirá as atividades consideradas
insalubres, os diferentes graus de insalubridade e o
percentual do adicional para cada patamar, e ainda exame
pericial que ateste a condição insalubre a que é submetida o
servidor. 4. A perícia técnica não é instrumento normativo a
conferir legalidade ao pagamento do adicional, nem mesmo
passível de regulamentar, por si só, direitos e garantias
previstos na constituição. Violação ao princípio da
legalidade. Precedentes TJTO. 5. In casu, não obstante tenha
sido realizada perícia pelo município para aferição dos graus
de insalubridade da atividade desenvolvida pelos servidores
substituídos pelo sindicato apelante, tal fato, por si só, não
ampara o direito ao recebimento do adicional de
insalubridade, visto que não é instrumento normativo
regulamentador. 6. Recurso conhecido e improvido.
Sucumbência majorada. (Apelação Cível 0009219-
Av. Maranhão, Nº. 1.262, Centro, Gurupi-
TO, CEP: 77.410-020. massaruokada@[Link] 63 99930-7762
63 3301-6041
94.2020.8.27.2722, Rel. ADOLFO AMARO MENDES, GAB. DO
DES. ADOLFO AMARO MENDES, julgado em 20/07/2022,
DJe 29/07/2022 11:16:02) (TJ-TO - AC:
00092199420208272722, Relator: ADOLFO AMARO
MENDES, Data de Julgamento: 20/07/2022, TURMAS DAS
CAMARAS CIVEIS, Data de Publicação: 29/07/2022)
Também acerca desta matéria, recentemente, o Superior Tribunal
de Justiça (STJ) julgou:
AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR
PÚBLICO. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. TERMO
INICIAL. DATA DO LAUDO PERICIAL. PRECEDENTES. 1.
Ressalte-se que "'o pagamento de adicional de insalubridade
ou periculosidade está condicionado ao laudo que prova
efetivamente as condições insalubres ou perigosas a que
estão submetidos os servidores, de modo que não cabe seu
pagamento pelo período que antecedeu a perícia e a
formalização do laudo comprobatório, devendo ser afastada
a possibilidade de presumir insalubridade em épocas
passadas, emprestando-se efeitos retroativos a laudo
pericial atual'. Nesse sentido, assim decidiu recentemente a
Primeira Seção do STJ, no julgamento do PUIL 413/RS (Rel.
Min. Bendito Gonçalves, DJe de 18/4/2018) (Grifei). Dessa
forma, é de se esclarecer que o termo a quo do adicional de
insalubridade ou periculosidade é da data do laudo em que
o perito efetivamente reconhece que o embargante exerceu
atividades periculosas." ( EDcl no REsp 1755087/RS, Rel.
Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado
em 27/8/2019, DJe 5/9/2019). 2. Agravo interno não
provido. (STJ - AgInt no REsp: 1921219 RS 2021/0036851-
6, Data de Julgamento: 13/06/2022, T1 - PRIMEIRA TURMA,
Data de Publicação: DJe 20/06/2022)
Destarte, pondera-se que para a apreciação da situação em análise,
é preciso fixar a premissa de que, não obstante a previsão constitucional,
estabelecendo o direito ao percebimento do referido adicional, e a sua criação por
lei local, são imprescindíveis a regulamentação municipal e o levantamento das
Av. Maranhão, Nº. 1.262, Centro, Gurupi-
TO, CEP: 77.410-020. massaruokada@[Link] 63 99930-7762
63 3301-6041
condições e grau de insalubridade do ambiente de trabalho para a imposição desse
benefício.
b) DA IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA APLICAÇÃO DO GRAU MÁXIMO
DE INSALUBRIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA
LEGALIDADE.
Impende salientar que a aplicação do grau máximo de
insalubridade requer comprovação técnica de exposição a agentes insalubres em
grau máximo, o que não foi constatado pelo Laudo Técnico das Condições dos
Ambientes de Trabalho (LTCAT) nas atividades dos agentes de combate às
endemias. A ausência de comprovação técnica inviabiliza a concessão do adicional
de insalubridade em grau máximo pleiteado pelo sindicato autor.
No caso em tela, o LTCAT que o autor apresentou, ainda que
vencido, já não identificou condições insalubres em grau máximo nas atividades dos
agentes de combate às endemias, afastando a possibilidade de concessão do
adicional em grau máximo.
A título exemplificativo, a jurisprudência do Tribunal Regional do
Trabalho da 4ª Região destaca que a aplicação do grau máximo de insalubridade
requer comprovação técnica de exposição a agentes insalubres em grau máximo, o
que não foi constatado no caso concreto.
EMENTA ADICIONAL DE INSALUBRIDADE EM GRAU
MÁXIMO. CONTATO COM TINTAS E SOLVENTES. PINTOR.
HIDROCARBONETOS E OUTROS COMPOSTOS DE CARBONO.
Contato habitual do empregado com tintas e solventes,
ficando exposto à inalação e contato dérmico com
hidrocarbonetos aromáticos, na atividade de pintura através
de pistola de ar comprimido e tintas líquidas do tipo esmalte
sintético, torna devido o adicional de insalubridade em grau
máximo, nos termos da NR 15, Anexo 13, do MTE.
ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. CONTATO COM ÓLEO
MINERAL. ADICIONAL DEVIDO. GRAU MÁXIMO. A apuração
do contato com óleo e graxa é qualitativa. O trabalhador que
mantém contato com tais produtos, cuja ação nociva não é
Av. Maranhão, Nº. 1.262, Centro, Gurupi-
TO, CEP: 77.410-020. massaruokada@[Link] 63 99930-7762
63 3301-6041
elidida pela utilização de luvas e cremes protetores, faz jus
ao adicional de insalubridade em grau máximo, nos termos
da NR-15, Anexo 13, da Portaria 3.214/78 do MTE.
ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. RUÍDOS. ADICIONAL EM
GRAU MÉDIO. A utilização do protetor auricular, ainda que
eficiente para reduzir o ruído a níveis inferiores ao
estabelecido na legislação, não tem o condão de eliminar por
completo os efeitos nocivos ao organismo humano,
mormente as vibrações, sendo devido o pagamento do
adicional de insalubridade em grau médio, conforme Anexo
1 da NR-15 da Portaria 3.214/78. (TRT-4 -
ROT: 00203464220225040752, Data de Julgamento:
22/08/2024, 8ª Turma).
A jurisprudência do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região,
por seu turno, reforça que a aplicação do grau máximo de insalubridade requer
comprovação técnica de exposição a agentes insalubres em grau máximo, o que não
foi constatado no caso em tela.
Assim, a base de cálculo e a aplicação de alíquota de 40%, por
exposição a grau máximo de insalubridade, requeridas na Inicial e fundamentadas
em legislação federal e trabalhista, não podem por si só serem impostas para
determinação do valor do referente adicional, a não ser que haja regulamentação
própria e específica do município estabelecendo isso. Afora que não houve até este
instante nenhuma perícia comprovando essa suposta exposição a grau máximo de
insalubridade.
IV - DOS PEDIDOS
Isto posto, REQUER a Vossa Excelência:
a) Recebimento da presente contestação, para
análise quanto a arguição da preliminar, e, das
razões de fato e de direito do mérito.
b) Em sede de preliminar pelo acolhimento da
impugnação ao valor da causa, considerando
Av. Maranhão, Nº. 1.262, Centro, Gurupi-
TO, CEP: 77.410-020. massaruokada@[Link] 63 99930-7762
63 3301-6041
restar cristalino a identificação do valor do
proveito econômico da ação pretendida, a fim de
que seja corrigido o valor da causa para R$
14.856,60 (quatorze mil, oitocentos e
cinquenta e seis reais, e sessenta centavos),
com as consequências cabíveis para o feito.
c) O Município manifesta desde já seu INTERESSE
em realizar a audiência de conciliação.
d) Em sede de mérito, seja acolhida as razões da
contestação, para julgar a presente ação
TOTALMENTE IMPROCEDENTE, em razão da
inexistência de direito ao adicional de
insalubridade, sem prévia regulamentação, e da
impossibilidade de aplicação do grau máximo de
insalubridade.
e) Protesta provar o alegado por todos os meios de
prova em direito admitidos, em especial prova
documental, prova testemunhal, prova pericial e
inspeção judicial.
f) A condenação do autor no ônus da sucumbência,
em 10% do valor da causa, nos termos do art. 85,
§§ 2º e 6º, do CPC/2015.
Nestes termos, pede deferimento.
Gurupi-TO, data e hora pelo sistema.
MASSARU CORACINI OKADA
OAB/TO 6.155
Av. Maranhão, Nº. 1.262, Centro, Gurupi-
TO, CEP: 77.410-020. massaruokada@[Link] 63 99930-7762
63 3301-6041