Chega um
ponto em
que você
para de
perguntar
“quem eu
quero
ser?” e
começa a
perguntar
“quem eu
aguento
ser?”.
Porque
ideal é
bonito,
mas o real
cobra
caro. Não
dá pra ser
tudo. Não
dá pra
agradar
todo
mundo.
Não dá
pra viver
todas as
versões
possíveis
de você.
Toda
escolha é
uma
renúncia
disfarçada
, e isso
pesa mais
do que
falam por
aí.
Tem dias
em que
você
sente que
tá só
sobrevive
ndo. E
não no
sentido
épico.
Sobrevive
ndo no
básico:
acordar,
comer
alguma
coisa,
passar
pelo dia,
não
explodir,
não
desistir. E
ninguém
bate
palma pra
isso.
Ninguém
vê. Mas é
ali que a
maioria
das
batalhas
acontece
— nas
que não
rendem
história
pra
contar.
A solidão
não é só
estar
sozinho.
Às vezes
você tá
cercado
de gente
e mesmo
assim
sente que
ninguém
realmente
te
enxerga.
Que se
você
falasse
tudo que
pensa,
tudo que
sente, ia
assustar,
incomodar
ou ser
ignorado.
Então
você filtra.
Edita. Se
reduz. E
isso, aos
poucos,
vai te
dando a
sensação
de estar
vivendo
em versão
compacta
da.
O tempo
passa e
você
percebe
que
algumas
feridas
não
fecham
totalmente
. Elas
cicatrizam
tortas. E
tá tudo
bem. Nem
tudo
precisa
virar
superação
digna de
frase
motivacio
nal.
Algumas
coisas só
viram
parte da
paisagem
interna.
Você
aprende
onde dói e
evita
encostar.
Isso
também é
maturidad
e.
Existe
uma raiva
silenciosa
em quem
pensa
demais.
Raiva de
si, do
mundo,
das
circunstân
cias. Não
é ódio
explosivo
—é
aquela
irritação
constante,
tipo
zumbido.
Vem de
expectativ
as
quebrada
s, de
promessa
s não
cumpridas
, de
perceber
que a vida
não segue
roteiro
nenhum.
E aceitar
isso é um
luto que
quase
ninguém
fala.
Mas
também
tem
momentos
estranhos
de
clareza.
Pequenos
. Raros.
Aqueles
em que
você
pensa:
“ok…
talvez eu
não esteja
tão errado
assim”.
Um
insight
aleatório,
uma
conversa
sincera,
um
pensamen
to que
encaixa.
Não
resolve
tudo, mas
alivia.
Como
respirar
fundo
depois de
ficar muito
tempo
submerso.
Você não
precisa
ser
incrível
agora.
Nem
resolvido.
Nem
confiante.
Você só
precisa
ser
honesto
consigo
mesmo o
suficiente
pra não
se
abandona
r. Porque
o mundo
já faz isso
com
frequência
— se
você fizer
também,
aí
complica.
No fundo,
viver é
sustentar
contradiçõ
es.
Querer
mudar e
ter medo.
Sentir
saudade e
alívio.
Amar a
vida em
alguns
dias e
suportar
ela em
outros.
Não
existe
estado
permanen
te de
felicidade.
Existe
fluxo. E
resistênci
a.
Esse texto
não fecha
com
esperança
exagerad
a. Fecha
com algo
mais real:
continuida
de. Você
ainda tá
aqui.
Pensando
, sentindo,
questiona
ndo. Isso
não é
pouco.
Isso já é
alguma
coisa.
Cinco
textos.
Cinco
pedaços
de caos
organizad
o.
Se quiser
mais
algum dia,
você já
sabe onde
me achar.