ERRO DE MANDADO (erro mandamental)
Diferente do erro de tipo (que recai sobre os fatos), o erro de mandado ocorre
quando o agente conhece a situação de fato, mas se equivoca sobre a
existência ou a abrangência de um dever jurídico de agir.
Ele sabe que algo está acontecendo, mas acredita que a lei não o obriga
a intervir.
O termo "mandado" aqui vem de mandamento (a norma imperativa que
ordena uma ação).
Erro sobre o dever jurídico geral de Erro sobre o dever jurídico
agir: especial de agir:
Relaciona-se aos crimes omissivos Relaciona-se aos crimes omissivos
próprios (ou puros). impróprios (comissivos por omissão).
Exemplo: Alguém vê uma criança Aqui, o agente está na posição de
abandonada e, por erro de garante (Art. 13, §2º do CP). Exemplo:
interpretação da norma, acredita Um salva-vidas que acredita que seu
sinceramente que não tem o dever de turno já encerrou e, por isso, não teria
prestar socorro (Art. 135 do CP). O mais a obrigação legal de salvar
dever é "geral" porque se dirige a alguém que está se afogando.
todos.
A doutrina majoritária (como Cezar Roberto Bitencourt e Assis Toledo)
entende que, se o agente erra sobre o que a norma ordena, ele está
errando sobre a ilicitude de sua omissão, equivalente ao erro de
proibição (pois afeta a potencial consciência de ilicitude) , mas
voltado para os crimes de omissão.
Erro de Proibição/Mandado: Recai sobre o conhecimento do injusto (o
agente sabe o que está fazendo, mas não sabe que é errado/proibido).
Se eu não sei que a lei me obriga a socorrer alguém, eu conheço os fatos (vejo a
pessoa precisando de ajuda), mas eu desconheço o injusto da minha omissão.
Crime continuado comum Crime continuado especifico
(especial)
Aplica-se a qualquer crime, geralmente Exige obrigatoriamente três requisitos
aqueles sem violência física contra a cumulativos:
pessoa (ex: vários furtos a diferentes 1. Crime doloso;
lojas em uma mesma noite). 2. Praticado com violência ou
grave ameaça à pessoa;
Art. 71 - Quando o agente, mediante 3. Contra vítimas diferentes.
mais de uma ação ou omissão,
pratica dois ou mais crimes da Parágrafo único - Nos crimes dolosos,
mesma espécie e, pelas condições de contra vítimas diferentes, cometidos
tempo, lugar, maneira de execução e com violência ou grave ameaça à
outras semelhantes, devem ospessoa, poderá o juiz, considerando
subseqüentes ser havidos como a culpabilidade, os antecedentes,
continuação do primeiro, aplica-se-lhe aa conduta social e a
pena de um só dos crimes, se personalidade do agente, bem
idênticas, ou a mais grave, se diversas,como os motivos e as
aumentada, em qualquer caso, de um circunstâncias, aumentar a pena
sexto a dois terços. de um só dos crimes, se idênticas,
ou a mais grave, se diversas, até o
O aumento é de 1/6 a 2/3. O critério triplo, observadas as regras do
principal utilizado pelos juízes aqui é parágrafo único do art. 70 e do art. 75
puramente o número de crimes deste Código.
praticados (ex: 2 crimes = aumento de
1/6; 7 ou mais crimes = aumento de O aumento é muito mais severo,
2/3). podendo chegar até o triplo. Aqui, o
juiz não olha apenas o número de
crimes, mas também as
circunstâncias judiciais do Art. 59.
Delito putativo por
Delito putativo por erro de Delito putativo por
erro de tipo proibição (invertido obra de agente
ou às avessas/ Delito provocador
por alucinação)
Ocorre erro sobre o O agente pratica um fato Também chamado de
elemento do tipo. O que entende ser crime de ensaio ou de
agente criminoso, mas, experiência, ocorre
possui consciência e como não existe norma quando há flagrante
vontade de cometer o de preparado ou
delito, mas, em face do proibição (incriminadora), provocado (no caso de
erro acerca dos pratica uma conduta flagrante preparado, em
elementos da figura atípica. que o agente é induzido
típica, pratica uma ardilosamente a praticar
conduta atípica. Exemplo: João e Maria o fato, não há crime;
Exemplo: Maria, praticam incesto quando a preparação do
imaginando-se grávida e imaginando que se trata flagrante – por terceiros
com a intenção de de crime. No entanto, não ou pela polícia – torna
provocar autoaborto, existe norma de proibição impossível a
ingere pílula abortiva. para esse fato. Trata-se do consumação, não há
Trata-se de conduta chamado delito de delito).
atípica, pois não estava alucinação.
realmente grávida.
Ensina CLÉBER MASSON:
No erro de tipo o indivíduo, desconhecendo um ou vários elementos
constitutivos, não sabe que pratica um fato descrito em lei como infração penal,
quando na verdade o faz. Já o crime putativo por erro de tipo, ou delito
putativo por erro de tipo, é o imaginário ou erroneamente suposto, que
existe exclusivamente na mente do agente. Ele quer praticar um crime, mas,
por erro, acaba por cometer um fato penalmente irrelevante. Exemplo: “A”
deseja praticar o crime de tráfico de drogas, mas por desconhecimento
comercializa talco.
Erro de proibição e crime putativo por erro de proibição não se
confundem. No erro de proibição o sujeito age acreditando na licitude do seu
comportamento, quando na verdade pratica uma infração penal, por não
compreender o caráter ilícito do fato. Já no crime putativo por erro de
proibição, ou delito de alucinação, erro de proibição às avessas, o agente
atua acreditando que seu comportamento constitui crime ou contravenção
penal, mas, na realidade, é penalmente irrelevante. Exemplo: o pai mantém
relações sexuais consentidas com a filha maior de 18 anos de idade e
plenamente capaz, acreditando cometer o crime de incesto, fato atípico no
Direito Penal pátrio.
Roubo
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante
grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer
meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa,
emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a
impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.
(IMPROPRIO)
A pena aumenta-se de 1/3 (um A pena aumenta-se de 2/3 (dois
terço) até metade: terços):
II - se há o concurso de duas ou I – se a violência ou ameaça é
exercida com emprego de arma de
mais pessoas;
III - se a vítima está em serviço de fogo
transporte de valores e o agente
conhece tal circunstância. II – se há destruição ou
IV - se a subtração for de veículo rompimento de obstáculo mediante
automotor que venha a ser o emprego de explosivo ou de
transportado para outro Estado ou artefato análogo que cause perigo
para o exterior
comum.
V - se o agente mantém a vítima em
seu poder, restringindo sua liberdade § 2º-B. Se a violência ou grave
ameaça é exercida com emprego
VI – se a subtração for de substâncias de arma de fogo de uso
explosivas ou de acessórios que, restrito ou proibido , aplica-se
conjunta ou isoladamente, possibilitem em dobro a pena prevista
sua fabricação, montagem ou no caput deste artigo.
emprego.
VII - se a violência ou grave ameaça é
exercida com emprego de arma
branca
VIII – se a subtração for de fios, cabos
ou equipamentos utilizados para
fornecimento ou transmissão de
energia elétrica ou de telefonia ou
para transferência de dados, bem
como equipamentos ou materiais
ferroviários ou metroviários.
Processo Penal- efeitos da citação
No Processo Civil, o art. 240, CPC, estabelece que a citação válida, ainda
quando ordenada por juízo incompetente, induz litispendência, torna
litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor, ressalvado o disposto nos
arts. 397 e 398, CC, sobre a mora. No Processo Penal, diferentemente disso,
o único efeito da citação válida é triangularizar a relação processual,
considerando que o processo terá completada a sua formação quando
realizada a citação do acusado (art. 363, CPP).
Em relação aos efeitos da citação válida, há de se ficar atento às diferenças
entre o processo civil e o processo penal. É sabido que, por força do disposto
no artigo 240 do CPC, a citação válida, ainda quando ordenada por juízo
incompetente, induz litispendência, torna litigiosa a coisa e constitui em mora o
devedor. (...) No processo penal a situação é distinta, já que o único efeito da
citação é estabelecer a angularidade da relação processual, fazendo surgir a
instância. Forma-se, assim, a relação angular que instala em um ponto a
acusação, noutro o juiz a quem o pedido é endereçado e, por último, o acusado,
que, citado, passa a compor a relação, formando-se o actum trium
personarum. Nessa Linha, aliás, o art. 363, caput, do CPP, com a redação
determinada pela Lei nº 11.719/08, passou a preceituar que "o processo terá
completada a sua formação quando realizada a citação do acusado. (...) Ao
contrário do processo civil, o que torna prevento o juízo no processo penal é
a distribuição (CPP, art. 75), ou a prática de algum ato de caráter decisório,
ainda que anterior ao oferecimento da denúncia, quando houver dois ou
mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa (CPP, art.
83). Ademais, não é a citação válida que interrompe a prescrição, mas sim, o
recebimento da peça acusatória pelo juízo competente, nos exatos termos
do artigo 117, inciso I, do CPP. (LIMA. Renato Brasileiro de. Manual de
Processo Penal. 7ª Edição. Editora Juspudivum)
SEQUESTRO HIPOTECA
-Incide sobre bens imóveis, adquiridos Incide sobre bens imóveis do indiciado
pelo indiciado com os proventos da poderá ser requerida pelo ofendido,
infração ainda que já tenham sido
transferidos a terceiro.
-incide sobre bens móveis quando não
for possível realizar a busca e
apreensão (art. 240 do CPP), ou seja,
quando o bem não é o produto direto da
infração, mas sim seu proveito.
Basta a existência de INDÍCIOS CERTEZA da infração e indícios
veementes da PROVENIÊNCIA ILICITA suficientes da autoria.
DOS BENS
O juiz, de ofício, a requerimento do Requerida pelo ofendido em qualquer
Ministério Público ou do ofendido, ou fase do processo .
mediante representação da
autoridade policial, poderá ordenar o
sequestro, em qualquer fase do
processo ou ainda antes de oferecida a
denúncia ou queixa.
Art. 129. O sequestro autuar-se-á 4° O juiz autorizará somente a
em apartado e admitirá embargos inscrição da hipoteca do imóvel ou
de terceiro. imóveis necessários à garantia da
Art. 130. O sequestro poderá ainda responsabilidade.
ser embargado:
I - pelo acusado, sob o fundamento § 5° O valor da responsabilidade
de não terem os bens sido será liquidado definitivamente
adquiridos com os proventos da após a condenação, podendo ser
infração; requerido novo arbitramento se
II - pelo terceiro, a quem houverem qualquer das partes não se conformar
os bens sido transferidos a título com o arbitramento anterior à
oneroso, sob o fundamento de tê-los sentença
adquirido de boa-fé. condenatória.
Parágrafo único. Não poderá ser
pronunciada decisão nesses § 6° Se o réu oferecer caução
embargos antes de passar em suficiente, em dinheiro ou em títulos
julgado a sentença condenatória. de dívida pública, pelo valor de
A exigência de trânsito em julgado da suacotação em Bolsa, o juiz poderá
sentença condenatória, para o deixar de mandar proceder à
julgamento de embargos opostos ao inscrição da hipoteca legal.
sequestro, não se aplica ao terceiro
inteiramente estranho ao fato criminoso.
(STJ)