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História das Comunidades Europeias

O documento aborda a gênese e evolução das Comunidades Europeias, destacando a importância da integração europeia após a Segunda Guerra Mundial, iniciada com o Tratado de Paris em 1951 e consolidada pelos Tratados de Roma em 1957. Além disso, discute as fontes do direito da União Europeia, incluindo o direito originário e derivado, e a transicionalidade do direito europeu que influencia tanto a legislação interna dos Estados-membros quanto o direito internacional. O texto também menciona as diferentes categorias de atos jurídicos, como regulamentos, diretivas e decisões, e suas implicações para a harmonização das legislações nacionais.
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História das Comunidades Europeias

O documento aborda a gênese e evolução das Comunidades Europeias, destacando a importância da integração europeia após a Segunda Guerra Mundial, iniciada com o Tratado de Paris em 1951 e consolidada pelos Tratados de Roma em 1957. Além disso, discute as fontes do direito da União Europeia, incluindo o direito originário e derivado, e a transicionalidade do direito europeu que influencia tanto a legislação interna dos Estados-membros quanto o direito internacional. O texto também menciona as diferentes categorias de atos jurídicos, como regulamentos, diretivas e decisões, e suas implicações para a harmonização das legislações nacionais.
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GÉNESE E EVOLUÇÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS

1. Génese
O conhecimento da história da União europeia constitui uma base
para entender cada conceito do hoje chamado direito da União
Europeia.

Os efeitos desastrosos da Segunda Guerra Mundial e a ameaça


permanente de um confronto Leste-Oeste fizeram com que a
reconciliação franco-alemã se tornasse uma prioridade máxima.
A partilha da indústria do carvão e do aço por seis países europeus,
instituída pelo Tratado de Paris em 1951, constituiu o primeiro passo
para a integração europeia. Os Tratados de Roma, de 1957,
consolidaram subsequentemente os alicerces desta integração e a
ideia de um futuro comum para os seis países europeus envolvidos.

POR TERMINAR

Surge uma nova palavra que ganhou protagonismo recente e traduz


as ideias úteis no DUE como direito transacional porque integra
dimensões que transcendem as fronteiras do Estado com ordens,
instituições e problemas para além do Estado.

No âmbito do direito da DUE, os tratados enquanto atos bilaterais, os


regulamentos e as diretivas enquanto atos unilaterais, pode ser
interpretado como sendo transacional uma vez que se aplica a todos
os Estados-membros pertencentes à UE.
Nesta medida pode falar-se em “transicionalidade” do direito
europeu. O DUE, atua num sentido de harmonização do direito, no
que toca à escala europeia, mas também influencia o direito externo
à UE, ou seja, direito a nível mundial.

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Fontes Do Direito Da União Europeia

O direito objetivo da União Europeia consiste num sistema organizado


de princípios e normas que se destinam aos membros da
comunidade, visando a realização das suas finalidades comuns.
A ordem jurídica em que as organizações internacionais estão sujeitas
é constituída pelas regras do direito internacional comum aplicáveis
pelas regras de direito internacional particular estabelecidas no
respetivo pacto constitutivo e que constituem no seu direito
primário/originário e pelo direito secundário/derivado.
Assim surge o direito da União Europeia!

A. FONTES ESCRITAS:

A.1 Fontes internas


I. Direito Originário
II. Direito Derivado
III. Actos Sui Generis ou Atos Atípicos
IV. Direito Complementar dos Tratados

2
I. Direito Originário: Este direito, o direito originário ou primário
da UE,
tende a seguir um critério formal, como o direito criado pelos Estados-
membros através de Tratados internacionais, constituído pelas
normas que criaram a UE, conferindo-lhe as suas atribuições
regulando a sua organização e funcionamento internos, bem como
aquelas normas que vêm modificando e completando o sentido dos
tratados originários. Aqui incluem-se os Tratados. Estes podem ser:

Tratados Institutivos ou Fundadores


São os Tratados originários que instituíram/criaram/fundaram as 3
Comunidades:
 CECA - Comunidade europeia do carvão e aço;
Tratado de paris de 18 de abril de 1951 até 23 de julho de 2002

 CE – Comunidade (Económica) Europeia;


Tratado de Roma de 25 de março de 1957

 EURATROM – Comunidade Europeia de Energia Atómica;


Tratado de Roma de 25 de março de1957

Tratados Modificativos ou de Revisão


São os Tratados que vieram modificar/rever globalmente os
originários:
 Ato único europeu – entrou em vigor a 1 de julho de 1987;
 Tratado de Maastricht ou TUE - entrou em vigor a 1 de novembro
de 1993;
 Tratado de Amesterdão - entrou em vigor a 1 de maio de 1999;
 Tratado de Nice - entrou em vigor de 1 de fevereiro de 2009;
 Tratado de Lisboa - entrou em vigor a 1 de dezembro de 2009.

Por regra, seguindo o processo comum previsto no artigo 48º do TUE


(processo criado em 1992).

Tratados de Adesão
Do direito originário fazem também parte estes Tratados, que
provocam alterações
nos Tratados institutivos:
 Tratado de Bruxelas: alargamento ao Reino Unido + Dinamarca +
Irlanda (1972);
 Tratado de Atenas: Grécia (1979);

3
 Tratado de Lisboa: Portugal + Espanha (1985);
 Tratado de Corfu: Áustria + Suécia + Finlândia (1994);
 Tratado de Atenas: Estónia + Polónia + República Checa +
Eslovénia + Hungria +
Letónia + Lituânia + Eslováquia + Malta + Chipre (2003);
 Tratado do Luxemburgo: Roménia + Bulgária (2005);
 Tratado de Bruxelas: Croácia (concretizado apenas em 2013).
Nos termos do tratado atual artigo 49º do TUE, onde estão definidas
as condições e os princípios (6º, nº1 TUE) que devem ser respeitados
por qualquer país que pretenda aderir à EU.
Para aderirem à EU, os países têm de cumprir determinados critérios,
estabelecidos anteriormente pelo Conselho Europeu de Copenhaga
em 1993, mais tarde reforçados pelo conselho europeu de Madrid em
1995. Estas condições, conhecidas como critérios de Copenhaga,
implicam a existência de uma economia de mercado livre, de uma
democracia estável e de um Estado de Direito, bem como a aceitação
de toda a legislação e regulamentação europeia anterior (acquis
communautaire).

Outros Tratados
 Convenção relativa a certas instituições comuns às Comunidades
Europeias;
 Tratado de Merger, acordo que institui a fusão dos órgãos
executivos das 3
Comunidades;
 Tratado do Luxemburgo, 1970, que prevê o financiamento da
Comunidade
através de recursos próprios, alterando as disposições orçamentais
dos Tratados;
 Tratado de Bruxelas, 1975, que reforça os poderes orçamentais do
Parlamento
e institui um Tribunal de Contas.
 Ato de Bruxelas relativo à eleição dos representantes ao
Parlamento por
sufrágio universal direto de 20 de setembro de 1976.
 Carta dos Direitos Fundamentais.
1ª retirada da EU: Reino Unido, 31 de janeiro de 2020 (artigo 50º do
TUE).

II. Direito Derivado: é o direito que resulta dos Tratados


institutivos e é
constituído pelos atos adotados pelos órgãos da EU no desempenho
das competências que os tratados lhes conferem.

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Pode assumir formas típicas, previstas no artigo 288º TFUE:
regulamentos, diretivas, decisões e ainda recomendações e
pareceres.
É a natureza jurídica da UE que vai criar direito não somente da
própria organização, isto é, uma realidade transnacional (transcende
fronteiras -» direito que avança fronteiras e tem consequências no
direito dos Estados-membros).
Os atos redigidos no artigo 288º TFUE são típicos, os atos que não se
encontram redigidos neste artigo são igualmente válidos sendo
denominados de atos atípicos.
Os artigos 289.º, 290.º e 291.º do TFUE estabelecem uma hierarquia
das normas de direito derivado, nomeadamente entre atos
legislativos, atos delegados e atos de execução.

Regulamentos (fontes obrigatórias)


Os regulamentos têm carácter geral, são obrigatórios em todos os
seus elementos e diretamente aplicáveis. Devem ser integralmente
respeitados por todas as entidades às quais são aplicáveis
(particulares, Estados-Membros, instituições da União).
São diretamente aplicáveis por todos os Estados-Membros desde a
sua entrada em vigor, sem que devam ser objeto de um ato nacional
de transposição.
Podem resultar do Conselho, da Comissão ou do Conselho e do
Parlamento, nos
termos do processo de codecisão, e ainda do Banco Central Europeu.
Os regulamentos visam garantir a aplicação uniforme do direito da
União em todos os Estados-Membros. Simultaneamente, tornam não
aplicáveis quaisquer normas nacionais que sejam incompatíveis com
as disposições materiais neles contidas.
Aqui a palavra importante é: UNIFORMIZAR.

Diretivas (fontes obrigatórias)


São obrigatórias e vinculam os Estados-membros quanto aos
objetivos a alcançar num determinado prazo deixando às instâncias
nacionais a competência quanto à forma e aos meios a utilizar. Estas
têm de ser transpostas para o direito interno de cada país de acordo
com os seus procedimentos específicos.
Podem resultar do Conselho, da Comissão ou ainda do Conselho e do
Parlamento nos termos do processo legislativo ordinário do artigo
294º do TFUE.
Para que os cidadãos e as empresas possam tirar pleno partido da
legislação da UE,
é indispensável que os Estados-membros transponham as diretivas
europeias para a ordem jurídica nacional dentro dos prazos com que
se comprometeram.
Por um lado, o Parlamento realça a necessidade de respeitar os
prazos para a transposição.

5
No caso português, devem ser transpostas através do ato legislativo:
lei, decreto-lei ou decreto legislativo regional, nos termos do artigo
112º, número 8 da CRP.
Depois disso, os Estados-membros têm a obrigação de notificar a
Comissão Europeia, de acordo com o princípio da cooperação leal do
artigo 4º, nº3 TUE, de modo claro e preciso sobre a forma como
transpõem as diretivas da UE nas respetivas normas nacionais.
Aqui a palavra importante é: HARMONIZAR.

Decisões (fontes obrigatórias)


As decisões são obrigatórias em todos os seus elementos e não
requerem legislação de transposição nacional. Uma decisão pode ter
destinatários específicos e ser dirigida a um ou todos os Estados-
membros, bem como a empresas ou pessoas singulares.
O TFUE veio excluir a obrigatoriedade de indicação de destinatários, o
que aumenta o número de matérias e situações em que poderá ser
utilizada levando a distinguir as decisões de aplicação geral das
decisões que designam destinatários.

Os regulamentos, diretivas e decisões devem seguir algumas


regras gerais de tramitação (artigo 296º e 297º do TFUE):
o Fundamentação os atos jurídicos carecerem desta
fundamentação e de uma
menção obrigatória às propostas, iniciativas, recomendações, pedidos
ou pareceres previstos pelos Tratados (artigo 296º TFUE) e mesmo de
uma menção de base jurídica.
Se não forem fundamentados entende-se que há um vício de violação
das formalidades essenciais e pode intentar-se um recurso de
anulação, nos termos do artigo 263º do TFUE.
o Assinatura: são assinados pelos Presidentes de cada uma das
instituições que
está na origem da adoção (artigo 297º, números 1 e 2 TUE).
o Publicação e entrada em vigor: os atos legislativos entram em
vigor mediante
publicação (artigo 297º, número 1, do TFUE).

Os regulamentos, diretivas e decisões devem seguir algumas


regras gerais relativas à forma:
o Título: que caracteriza o ato, indica o órgão de onde emana o ato,
número de
ordem e a sua data.
o Preâmbulo: indica de onde emana o ato, as disposições do
Tratado em que se
baseia, os pareceres que foram obtidos, seguidos dos fundamentos
do ato. Estes preâmbulos das normas de direito derivado são

6
valiosos porque são usados como elementos de interpretação de tais
normas.
o Disposições jurídicas
o Fórmula final

Recomendações (fontes não obrigatórias)


Aconselham a adoção de determinado comportamento relativamente
a certas matérias. Trata-se de um instrumento de ação indireta com o
fim de harmonizar as legislações (artigo 288º TFUE).
Pareceres (fontes não obrigatórias)
Estes, não sendo vinculativos, traduzem a opinião de uma instituição,
órgãos ou organismo da União sobre qualquer matéria concreta.
Podem criar condições prévias para atos jurídicos vinculativos ou ser
requisitos para ações no Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE),
conforme os artigos 258.º e 259.º do TFUE.

III. Actos sui generis ou atos atípicos: os documentos


legislativos são aqueles
que são elaborados ou recebidos no âmbito dos procedimentos tendo
em vista a aprovação de atos juridicamente vinculativos.
O tratado tenta limitar o recurso a atos sui generis (ou atos atípicos)
num apelo à contenção através do artigo 296º, no último parágrafo
do TFUE, no sentido de salvaguardar a segurança jurídica.
Estes são: resoluções; regulamentos internos, comunicações, livros
verdes; etc.

IV. Direito complementar dos tratados: são convenções


concluídas por
estados-membros em execução do artigo 293º do TCE.

A.2 Fontes externas


I. Acordos concluídos pela UE com terceiros Estados ou
organizações
internacionais
II. Tratados concluídos pelos Estados-membros com
terceiros Estados ou organizações internacionais
III. Tratados concluídos pelos Estados-membros entre si
Na medida em que é dotada de personalidade jurídica internacional,
(artigo 47º TUE), a União Europeia goza do ius tractum (artigos 37º
TUE + 216º a 220º TFUE).
A União Europeia tem capacidade para celebrar acordos em que, para
além da União, os estados-membros são também parte.

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I. Acordos concluídos pela UE com terceiros Estados ou
organizações
internacionais: na medida em que foi conferida personalidade
jurídica internacional à EU, no artigo 47º TUE, permite-lhe agir
autonomamente, em seu próprio nome, quer na ordem interna, quer
na ordem internacional.

II. Tratados concluídos pelos Estados-membros com


terceiros Estados ou
Organizações Internacionais: 207º, nº 5 e 218º TFUE.

III. Tratados concluídos pelos Estados-membros entre si:


muito recente é
exemplo a criação do tribunal unificado de Patentes, pelo acordo do
Conselho que entrou em vigor a 1 de janeiro de 2014.

B. FONTES NÃO ESCRITAS


I. Jurisprudência do TJUE
II. Costume

I. Jurisprudência do TJUE
Inclui os acórdãos dos tribunais comunitários que são hoje numerosos
e resultam de três instâncias: TJUE, Tribunal Geral e Tribunal da
Função Pública da UE (desde a sua criação em 2005 até à sua
extinção em 2016).
Publicados em Coletâneas de Jurisprudência, constam também de
menção resumida periódica no Jornal Oficial.

II. Costume
A doutrina não considera o costume como fonte de direito da UE.
Um exemplo de aplicação do costume comunitário encontrava-se no
modo de funcionamento das reuniões do Conselho, mas foi
ultrapassado.

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