CAPÍTULO II
DESDE A INICIAÇÃO AO POSTO ESPECÍFICO: IDEIAS CHAVE PARA ENSINAR E
TREINAR BEM O HANDEBOL
Patricia I. Sosa González Universidade de Sevilha
INTRODUÇÃO
Em relação a como deve ser o processo de iniciação desportiva, existem inúmeras
propostas de diferentes autores, a maioria delas centra-se em defender a estruturação de tal
processo através de diferentes fases ou etapas pelas quais o desportista tem que passar até
conseguir um adequado grau de formação (Antón, 1990; Blázquez, 1995; De Oliveira &
Rodrigues, 2004; Delgado-Noguera, 1994; Devís & Peyró, 1992; Giménez, 1999, 2000, 2002;
Giménez, Abad, & Robles, 2010; Martínez de Dios, 1996; Sánchez-Bañuelos, 1986; Santos,
Viciana, & Delgado-Noguera, 1996). A maioria destas propostas tem em comum que o processo
de ensino-aprendizagem de um desporto deve ser progressivo, sistematizado e bem estruturado
(Blázquez, 1986).
Do mesmo modo, a maioria dos autores promulga que previamente se deve realizar uma
boa Educação Física de base, com jogos e tarefas variadas (Pintor, 1989) que permitam a
aquisição de padrões motores básicos (Blázquez, 1995) e o desenvolvimento de uma boa
motricidade geral ou um rico acervo motor (Antón, 1990), base para a posterior aprendizagem de
habilidades motrizes genéricas através de jogos pré-desportivos (Antón & López, 1988;
García-Fojeda, 1987) e jogos modificados (Devís, 1996). As habilidades motrizes genéricas são
importantes já que ajudam em grande medida a conseguir uma aprendizagem global, inespecífica
e polivalente, propondo para isso situações de jogo reduzidas com oposição, e situações
reduzidas com colaboração/oposição (Giménez et al., 2010).
Posteriormente, e com elas como base, se deve iniciar a aprendizagem das habilidades
específicas de um desporto concreto (Delgado-Noguera, 1994), através de uma iniciação de
forma globalizada mediante jogos e formas jogadas em espaços amplos, com um ensino paralela
dos elementos técnicos e dos princípios táticos e a prática do minihandebol (minibalonmano).
Segundo (Hernández-Moreno et al., 2001) isso deve se levar a cabo mediante a prática de
situações básicas simplificadas dos elementos fundamentais e existenciais da lógica interna dos
desportos de cooperação/oposição. O handebol estaria dentro dos desportos de
cooperação/oposição que se desenvolvem em espaços comuns e com participação simultânea, tal
como o futebol ou o basquetebol, segundo a classificação de Hernández-Moreno (1994).
A filosofia da iniciação e formação em handebol que aqui se propõe está baseada no
promulgado por Oliver y Sosa (1996), advogando que a formação do desportista deve ser regida
pelo grau de desenvolvimento das suas capacidades físicas, perceptivo-motrizes, assim como
pelo nível de conhecimento e de aprendizagem das habilidades motrizes prévias, sem esquecer a
sua necessidade de maturação cognitiva, biológica e psicológica. Com base em tudo isso,
propõe-se a estruturação deste processo de ensino-aprendizagem em uma série de etapas que
progressivamente irão formando o desportista, desde os seus primeiros contatos com o handebol,
até aos graus mais altos de especialização no mesmo, respeitando sempre tanto as características
dos participantes, como os seus momentos ou idades de desenvolvimento, que às vezes não
coincidem com as idades biológicas e cronológicas. Quer dizer, em cada idade há que ensinar
aquilo que se é capaz de aprender.
Se bem existe a necessidade de estruturação do processo de aprendizagem ou formação
desportiva em uma série de etapas ou fases no postulado pela maioria dos autores, os quais
costumam concordar que "o que" se deve trabalhar em cada uma delas, é necessário refletir e
aprofundar também sobre outras questões, entre elas "como" se deve levar a cabo o processo de
ensino-aprendizagem-treinamento em handebol, desde a iniciação ao posto específico.
Neste trabalho pretende-se resgatar de forma resumida o mais importante das diferentes
etapas, assim como dar resposta aos principais interrogantes que todo treinador ou técnico
desportivo deve planear e ter em conta para ensinar e treinar bem o handebol. Tais interrogantes
são os que a sabedoria popular tem sintetizado na frase: “Quê?, Quando?, Onde?, Como?, Por
quê? e Quem?”. Tais interrogantes foram atribuídos a Rudyard Kipling, escritor britânico e
Prémio Nobel de Literatura em 1907 (Wikiquote).
Para finalizar, se planeiam uma série de ideias chave para ensinar e treinar bem o
handebol, organizadas com respeito ao treinador ou técnico desportivo, e com respeito ao
ensino/treinamento do handebol propriamente dito.
O QUE ENSINAR / TREINAR?
No processo de iniciação desportiva específica ao handebol um dos principais conteúdos
que há que ensinar são as habilidades motrizes próprias ou específicas deste esporte, quer dizer,
os elementos técnico-táticos individuais, tanto ofensivos como defensivos, denominados por
muitos autores como gestos ou fundamentos técnicos do desporto. É assim que para que a
criança ou o menino que se inicia neste desporto tenha aprendido ou adquirido as habilidades
motrizes prévias, como são as habilidades motrizes básicas e genéricas, e, portanto, tem uma
base de formação, não só motriz, senão também cognitiva relacionada com os princípios gerais
que regem os jogos desportivos coletivos de cooperação-oposição, sobre a qual se vai assentar a
iniciação, a aprendizagem e a consolidação das habilidades motrizes específicas do handebol, ou
seja, os seus elementos técnico-táticos individuais, ofensivos e defensivos. De não ser assim,
teria que começar por a aprendizagem das habilidades motrizes básicas e/ou genéricas,
dependendo de em que momento do processo de aprendizagem e desenvolvimento motor se
encontre a persona que se inicia especificamente neste desporto.
Segundo Prieto (2010), as habilidades motrizes básicas são um conjunto de movimentos
fundamentais e ações motrizes que surgem na evolução humana dos padrões motrizes, tendo o
seu fundamento na dotação hereditária (genética). As habilidades motrizes básicas se apoiam
para o seu desenvolvimento e melhora nas capacidades perceptivo-motrizes, evolucionando com
elas. São decisivas para o desenvolvimento da motricidade humana, justificando a sua presença
em dentro da Educação Física Escolar. São características das habilidades motrizes básicas, entre
outras, ser comuns a todos os indivíduos, decisivas para o desenvolvimento e ser o fundamento
das aprendizagens motoras posteriores.
Em nossa opinião, as habilidades motrizes básicas, adquiridas por aprendizagem, como
os deslocamentos, saltos, giros, lançamentos, recepções, batidas e batidas de bola, são
comportamentos motores fundamentais que evolucionam a partir dos movimentos rudimentares
(rodar, raptar, gatinhar, etc), e a partir dos quais o indivíduo poderá aprender habilidades mais
complexas, como as genéricas, e em base a estas, as específicas de um desporto concreto, e por
último, as especializadas, que não são mais do que as específicas de um desporto adaptadas às
peculiaridades da posição de jogo onde se executam. Esta evolução da motricidade fica refletida
na Figura 1.
FIGURA 1. Evolução da motricidade, tomada de López-Martínez e López-Menchero (2012),
adaptada de Gallahue e Donnelly (2003).
Entre as habilidades motrizes básicas e as específicas se encontrariam as habilidades
motrizes genéricas, ou padrões de movimento comuns a diferentes modalidades desportivas,
resultantes da combinação de mais de uma habilidade motriz básica e com um maior nível de
complexidade. Por isso, se devem aprender ou adquirir antes da iniciação desportiva em um
desporto concreto, pois como respondem aos mesmos padrões de movimento, a aprendizagem da
habilidade motriz específica posterior se realizará, por transferência positiva, com maior
facilidade. Exemplos de habilidades motrizes genéricas podemos citar: botes (dribles),
desmarques, intercepções de bola, etc.
Exemplos de habilidades motrizes específicas seriam os botes (dribles), os desmarques ou
as intercepções de bola, em handebol. Habilidades motrizes especializadas em handebol seriam
os lançamentos desde o posto específico de extremo, ou as fintas de deslocamento do pivô.
Destacar que a aprendizagem das habilidades motrizes se baseia, por sua vez, no
desenvolvimento das capacidades físicas, como a força, a resistência, a velocidade e a
flexibilidade (aspetos mais quantitativos do movimento), e dos aspetos motrizes como as
capacidades de coordenação (coordenação e equilíbrio) e perceptivo-motrizes, como a percepção
e orientação espacial, a percepção temporal, e a estruturação espaço-temporal.
Centrando-nos nos conteúdos próprios do handebol, na figura 2 (omissis, ver figura no
original) se recolhem de um modo gráfico e de forma muito resumida os conteúdos a ensinar /
treinar desde a iniciação até o posto específico, propondo como base os Princípios Táticos
Individuais e Coletivos e as Intenções Táticas, nas quais se assenta a formação técnico-tática
individual. A qual se deve passar de espaços amplos a espaços mais reduzidos, até chegar ao
posto específico, incidindo em uma grande variedade e riqueza de cada elemento técnico-tático
individual, e de forma paralela aos ofensivos e aos defensivos.
A iniciação deve primar pelos segundos (defensivos), dado que é mais fácil defender,
"destruir", que atacar, "construir", baseando-se nas próprias Regras do Jogo (Real Federación
Española de Balonmano, 2016), o que, à diferença de outros esportes de equipe de
colaboração-oposição, "permitem" muito mais contato em defesa.
FIGURA 2. Principais conteúdos a ensinar/treinar em handebol, desde a iniciação ao posto
específico: (Handebol, TÉCNICO-TÁTICA INDIVIDUAL, RELAÇÕES ENTRE POSTOS
ESPECÍFICOS, O JOGO COLETIVO. Variedade e riqueza, de A→ Espaço, de A→ Postos
Específicos. Ofensivo, Defensivo, de Transição. PTI/Tática (Intenções Táticas) Individuais e
Coletivos).
A PRÁTICA INTEGRADA
A partir de uma boa formação técnico-tática individual, construída através do
ensino-aprendizagem de forma integrada dos princípios e intenções táticas e dos elementos
técnico-táticos individuais, se começará a trabalhar a formação tática grupal e coletiva a partir
dos meios táticos coletivos. Quer dizer, se tratará de coordenar as ações técnico-táticas
individuais, primeiro desde o ponto de vista ofensivo (pelos mais comentados anteriormente) de,
pelo menos, dois companheiros, em espaços amplos. Depois, em espaços mais reduzidos, para,
finalmente, trabalhar as relações entre postos específicos, e desde a superioridade numérica em
ataque (2x1, 3x2...), até a igualdade numérica. Começando por o 2x2 como unidade básica de
trabalho dos meios táticos coletivos ofensivos básicos (passe e vai, cruzes, bloqueios...) e
avançando em igualdade numérica com o 3x3, até o jogo coletivo de 6x6, e incluso com as novas
Regras de Jogo que entraram em vigor em julho de 2016, 7x6 (7 atacantes, em caso de não
contar com um goleiro em pista, contra 6 defensores). Além de trabalhar o jogo coletivo
posicional, tanto ofensivo como defensivo, não se deve olvidar trabalhar as fases de
contra-ataque e repliegue ou fases de transição, desde sua forma mais elementar em 1ª onda,
como apoio ou estruturada em 2ª e 3ª onda.
QUANDO ENSINAR / TREINAR?
Em base a todo o exposto, se pretende resgatar sobre a filosofia da iniciação e formação
em handebol nos apartados “Introdução” e “Quê ensinar / treinar” deste capítulo, e seguindo o
promulgado por Oliver y Sosa (1996), se propõe a estruturação deste processo de
ensino-aprendizagem de handebol em uma série de etapas que progressivamente irão formando o
desportista, desde os seus primeiros contatos com o handebol até os graus mais altos de
especialização no mesmo, tendo em conta dois parâmetros fundamentais: o momento evolutivo
físico e motor dos participantes e o nível de aprendizagem específico de handebol que tenham.
Na Figura 3 se representa de um modo gráfico as etapas que se propõem.
FIGURA 3. Estruturação em etapas do processo de ensino-aprendizagem de handebol: (I:
Iniciação Específica 9-10 / 11-12. Benjamim / Alevin; II: Aprendizagem Específica 13/14 anos.
Infantil; III: Aprendizagem Especializada 15/16 anos. Cadete; III: Aperfeiçoamento 17/18 anos.
Juvenil; Alto Rendimento 19+ anos).
A estruturação que se propõe, tomando e completando a proposta de Oliver y Sosa (1996)
é a seguinte:
• Etapa I: Iniciação Específica. O participante se inicia na prática desportiva do handebol (9-10 a
11-12 anos, benjamim-alevín).
• Etapa II: Aprendizagem Específica. O participante vai consolidando a aprendizagem do
handebol (13-14 anos, infantil).
• Etapa III: Aprendizagem Especializada. O participante vai perfilando a sua especialização em
postos específicos (15-16 anos, cadete).
• Etapa IV: Aperfeiçoamento. O participante vai aperfeiçoando a sua especialização em postos
específicos (17 em diante, juvenil, sênior).
• Etapa V: Alto Rendimento. O participante alcança níveis de excelência e mestria no jogo.
É importante esclarecer que as idades ou categorias desportivas são simples referências, e
que, portanto, não são compartimentos estanques, senão que devem entender-se e aplicar-se com
flexibilidade, dado que pode variar em função das características dos participantes, da idade de
começo no handebol e das experiências motrizes prévias, etc.
Esta divisão em Etapas facilitará:
a) A ubicação dos desportistas em cada uma delas.
b) O planejamento do trabalho, ao estabelecer os objetivos, conteúdos e atividades,
básicas, próprias de cada etapa.
c) O processo de avaliação e promoção de uma etapa a outra.
A continuação se apresentam, de forma resumida, as três primeiras etapas.
Etapa I: Iniciação Específica
Características:
• Primeiro contato organizado com o handebol.
• Iniciação a este esporte de forma globalizada e em espaços amplos.
• Utilização do jogo como meio educativo no processo de ensino-aprendizagem (doravante E/A),
adaptando-o às características dos sujeitos.
• Experiências motrizes ricas e variadas que ampliem a bagagem motriz.
• Ensino paralela dos elementos técnico-táticos individuais (doravante ETTI) ofensivos e
defensivos e dos princípios táticos individuais (doravante PTI).
• Fomento do pensamento tático e criativo, não respostas estereotipadas.
Objetivos da Etapa:
• Transferir motricidade geral a específica do handebol.
• Adquirir padrões motrizes básicos deste esporte (ETTI ou habilidades motrizes específicas) em
espaços amplos, dotando-os de conteúdo tático individual.
• Assimilar PTI básicos ofensivos e defensivos em espaços amplos, paralelamente ao
aprendizagem dos ETTI.
• Encadear ETTI.
• Iniciar a construção do pensamento tático e criativo.
• Aprender as regras básicas do jogo de handebol.
• Fomentar interesse e motivação pela prática do handebol.
• Satisfazer necessidades lúdicas.
Objetivos Didáticos:
• Destacar a importância de trabalhar em espaços amplos e de forma paralela o aprendizagem dos
PTI e intenções táticas.
• Desenvolver as capacidades perceptivo-motrizes.
• Interiorizar as posições de base ofensivas e defensivas.
• Familiarizar-se com a adaptação e manejo de bola.
• Adquirir padrões de deslocamentos ofensivos e defensivos, sem bola ao handebol.
• Adquirir padrões de deslocamentos ofensivos com bola.
• Manejar o drible de bola, estático e em deslocamento.
• Passar e receber estático e em deslocamento.
• Lançar parados e em corrida, em apoio e em salto.
• Recuperar a bola mediante intercepções.
• Impedir a recepção e a progressão do atacante: marcação e controle.
• Iniciar os ETTI básicos do goleiro.
• Encadear os ETTI, ofensivos e defensivos, individual e colectivamente, aplicando os PTI no
jogo real.
Conteúdos:
• Princípios Táticos Individuais: Ligados ao aprendizagem dos ETTI, dotando-os a todos eles de
finalidade tática.
• Se relacionam e trabalham os ETTI, ajustando-os aos parâmetros de espaço e tempo.
• Construção da formação tática elementar, onde se assenta a eleição e o timing de execução do
movimento, raciocinado com “inteligência tática” na sua ação.
• Desenvolvimento dos 3 mecanismos (percepção, decisão e execução) a través do os conteúdos
do BM, sobre tudo percepção e decisão.
• Elementos técnico-táticos individuais:
◦ Se ensinam os básicos e de modo geral.
◦ Não importa a perfeição na execução.
◦ A variedade dentro de cada ETTI (ofensivos, defensivos e do goleiro) virá determinada pela
própria metodologia ativa.
◦ Os ETTI devem ser encadeados progressivamente.
A partir de jogos globais, e condicionado às suas regras, serão aprendidos os princípios e
intenções táticas individuais e coletivas. Pelo ponto de vista ofensivo, se trabalhará a
aprendizagem de ETTI e o encadeamento individual primeiro, e coletivo depois, de 2-3 ETTI.
• Posição de base + Adaptação e manejo de bola.
• Posição de base + Deslocamento + Bote.
• Deslocamento + Bote + Lançamento.
• Recepção + Deslocamento + Lançamento.
• Adaptação e manejo de bola + Passe.
• Passe + Bote + Passe.
• Recepção + Bote + Passe.
• Recepção + Deslocamento + Lançamento.
• Deslocamento + Passe.
• Adaptação e manejo de bola + Desmarque de B + Passe de A + Recepção de B.
• Desmarque de A + Passe de B + Recepção + Deslocamento de A - Etc.
Do mesmo modo se procederá com o trabalho e a aprendizagem de ETTI defensivos para
evitar a progressão dos atacantes, primeiro encadeamento individual, e depois encadeamento
coletivo, de 2-3 ETTI.
• Posição de base + Deslocamento.
• Posição de base + Intercepção de bola.
• Posição de base + Marcação.
• Posição de base + Controle do oponente.
• Posição de base + Deslocamento + Marcação.
• Posição de base + Deslocamento + Ajuda - Etc.
Em quanto à aprendizagem dos ETTI do goleiro, se fará também através de jogos e todos
os participantes experimentarão sua aprendizagem nesta Etapa I.
• Posição de Base + Deslocamento.
• Manipulações e golpes de móveis.
• Intervenções variadas (paradas e desvios).
• Encadeamento na Etapa I
Etapa II: Aprendizagem Específico
Características:
• Os padrões motrizes básicos servem para perfilar os ETTI próprios do handebol.
• Utilização de uma metodologia mais analítica, sem abandonar completamente a globalização.
Estratégias Mistas.
• Os espaços se vão reduzindo.
• Os jogos globais vão deixando passo a atividades mais específicas, sem olvidar o conteúdo
lúdico das mesmas.
• Aquisição de aprendizagens mais concretas mediante a aquisição e melhora de habilidades
motrizes específicas do handebol.
• Desenvolvimento das capacidades físicas básicas em transição para uma preparação física mais
específica.
• Evolução na assimilação dos princípios táticos individuais.
• Iniciação aos meios táticos coletivos (MTC) básicos.
• Maior conhecimento e exigência no cumprimento das regras de jogo.
• Competição como meio de aprendizagem, nunca como busca de rendimento.
Objetivos da Etapa:
• Desenvolver a motricidade específica do handebol.
• Encadear ETTI com soltura com bagagem motriz, redobrando os conteúdos de conteúdo tático
individual.
• Aplicar os PTI básicos ofensivos e defensivos em espaços reduzidos e com maior
complexidade, paralelamente ao aprendizagem dos ETTI.
• Iniciar o aprendizagem dos MTC básicos, baseando-se no maior domínio do os PTI e os ETTI.
• Iniciar e consolidar o aprendizagem dos sistemas de jogo zonais básicos ofensivos e defensivos
em duas linhas.
• Aplicar os conteúdos aprendidos em situações de jogo real.
• Iniciar e levar à prática a aprendizagem das diferentes fases de jogo.
• Desenvolver a formação tática individual e coletiva.
• Adquirir atitudes de respeito, abertura e comunicação.
• Valorar os aspetos positivos da prática sistemática do handebol.
Objetivos Didáticos:
• Destacar a importância de trabalhar em espaços amplos e reduzidos e de forma paralela o
aprendizagem dos PTI e intenções táticas, e os ETTI.
• Dominar com naturalidade e soltura a adaptação e manejo de bola.
• Encadear posições de base e deslocamentos, ofensivos e defensivos.
• Passar e receber estático e em deslocamento: em apoio e em salto.
• Dominar todos os tipos de drible de bola.
• Encadear o drible com lançamentos variados e com fintas de deslocamento.
• Efetuar com soltura a intercepção da bola em passe e drible, os marcações e o controle
defensivo.
• Iniciar o aprendizagem do bloqueio.
• Afiançar e aplicar os PTI básicos ofensivos e defensivos.
• Iniciar o aprendizagem de MTC básicos ofensivos e defensivos.
• Executar ações básicas de contra-ataque e repliegue.
• Encadear os ETTI ofensivos e defensivos, individual e coletivamente, aplicando os PTI e os
MTC, ofensivos e defensivos, em jogo real.
Conteúdos:
• Princípios táticos individuais: Continuar com o ensino paralelo dos PTI e os ETTI, dotando-os
de finalidade tática. Construção das tarefas aumentando o grau de complexidade em cada um dos
mecanismos: percepção, decisão e execução.
• Elementos técnico-táticos individuais:
◦ Se introduz progressivamente uma ensino mais analítica dos ETTI e de os MTC.
◦ Pesquisa programada da correta execução dos ETTI.
◦ Inclusão da variedade dentro de cada ETTI.
◦ Maior encadeamento de ETTI em espaços reduzidos, com oposição graduada.
◦ Trabalho de os elementos do goleiro (especialização).
◦ Prática de jogo real.
• Meios táticos coletivos:
◦ Se inicia o aprendizagem dos MTC como “organização” coordenada entre 2 ou mais
jogadores, no como “encadeamento” de ações.
◦ Aumento progressivo do nº de jogadores que intervêm.
◦ De espaços amplos a espaços reduzidos.
• Sistemas de Jogo: Ataque e defesa em duas linhas. Utilização de ETTI, encadeados tanto
individual como coletivamente, relacionados com os PTI e com os MTC.
Etapa III: Aprendizagem Especializado
Características:
• Os padrões motrizes específicos servem para especializados em zonas concretas denominadas
postos específicos (doravante P.E.).
• O Aprendizagem se faz mais analítico, embora se podem seguir utilizando estratégias mistas.
• As atividades são mais concretas e específicas, sem olvidar o enfoque lúdico do aprendizagem.
• O espaço se reduz ao P.E..
• Maior volume e intensidade de trabalho. Preparação física mais específica.
• Desenvolvimento dos PTI conhecidos e evolução para outros novos, especializando-os dentro
do P.E..
• Desenvolvimento dos MTC e evolução para outros novos, especializando-os dentro do P.E..
• Os jogadores devem trabalhar em vários postos específicos, mas não se especializar só em
tarefas ofensivas ou defensivas.
• Total conhecimento e exigência no cumprimento das regras de jogo.
• Competição como elemento de avaliação e melhora do seu processo de aprendizagem e
superação, e em geral, de formação pessoal e desportiva.
Objetivos da Etapa:
• Desenvolver as habilidades motrizes especializadas dentro do P.E..
• Adaptar os ETTI ofensivos e defensivos aos P.E..
• Concretizar os PTI e coletivos, ofensivos e defensivos em los P.E..
• Concretizar os MTC (y procedimentos táticos coletivos), ofensivos e defensivos em os P.E..
• Adquirir a base dos Sistemas de Jogo Ofensivos zonais 3:3 e 2:4, e suas transformações.
• Adquirir a base dos Sistemas de Jogo Defensivos zonais 6:0, 5:1 e 4:2.
• Desenvolver as estruturas básicas do Contra-ataque e do Repliegue.
• Consolidar a postura em prática de todo o conteúdo do jogo de handebol em situações de jogo
real.
• Assumir e cooperar nas funções e papéis atribuídos a cada membro do grupo.
• Aceitar atitudes de reto ou superação pessoal, reconhecendo e aceitando as diferenças
individuais, as possibilidades e limitações próprias e dos demais.
• Afiançar hábitos de higiene e saúde mediante a prática desportiva, para melhorar a qualidade de
vida.
Objetivos Didáticos:
• Destacar a importância de trabalhar em postos específicos e de forma paralela o aprendizagem
dos PTI e intenções táticas, e os ETTI em los P.E..
• Dominar a execução e variedade dos ETTI ofensivos e defensivos, especializados em cada
posto específico, aumentando o grau de oposição.
• Dominar a execução e variedade dos ETTI do goleiro.
• Dominar MTC entre jogadores de mesma e diferente linha; assim como adquirir outros novos.
• Dominar o Posto Específico (P.E.) nos Sistemas, tanto ofensivos como defensivos.
• Dominar os ETTI, os PTI e os MTC na fase de transição: contra-ataque e repliegue (em seus
2-3 ondas), relacionados com o P.E..
• Levar à prática todo o conteúdo do jogo de handebol em jogo real.
Conteúdos:
• Princípios táticos individuais:
Trabalhar em os P.E. todos os de as etapas anteriores, tanto ofensivos como defensivos,
mediante la resolução de problemas e tarefas motrizes com maior complexidade em cada um dos
3 mecanismos: percepção, decisão e execução.
• Desenvolvimento da formação tática, adaptando-a a os P.E..
• Elementos técnico-táticos individuais:
◦ Maior grau de exigência em quanto a variedade e correta execução dos ETTI, dentro do P.E..
◦ Encadeamento superior em el nº elementos, dentro do P.E. com oposição crescente.
◦ Jogo real em P.E..
◦ Trabalho especializado do P.E. do goleiro.
• Meios táticos coletivos:
Desenvolvimento dos MTC, tanto ofensivos como defensivos, entre jogadores de
diferentes P.E., de la mesma linha ou diferente linha. Maior complexidade, aumentando o nº de
jogadores que intervêm, e por tanto de sus P.E.
• Sistemas de Jogo:
◦ Ofensivos: Zonais 3:3, 2:4 e 3:3 com dois pivôs.
◦ Defensivos: Zonais em 1, 2 o 3 linhas defensivas (6:0, 5:1, 4:2, 3:2:1), e mistos o
combinados 5+1, 4+2.
A modo de síntese, na Figura 4 se apresenta um modo de resumo onde se resume a
filosofia da aprendizagem nas três primeiras etapas.
FIGURA 4. Resumo da filosofia de ensino da aprendizagem nas três primeiras etapas do
processo de ensino-aprendizagem de handebol.
ONDE ENSINAR / TREINAR? (O ESPAÇO DE JOGO)
O processo de ensino-aprendizagem-treinamento em handebol deve realizar-se de
espaços amplos, próprios da Etapa I, a espaços mais reduzidos, conforme os participantes vão
tendo maior controle motor e destreza no domínio das habilidades motrizes específicas (Etapa
II), até chegar a trabalhar em um posto específico (Etapa III).
Ao propor o trabalho de espaços amplos a espaços mais reduzidos, se deve buscar,
embora se trabalhe separadamente, a iniciação em ETTI ofensivos e depois em ETTI defensivos.
A razão principal é a limitação que existe com respeito ao contato e a não limitação dos
deslocamentos defensivos, frente a as limitações dos deslocamentos ofensivos com bola (ciclo de
passos: 1, 2 ou 3 passos, mais drible, mais 1, 2 ou 3 passos), emanando das regras 7 y 8 das
Regras de Jogo (Real Federación Española de Balonmano, 2016), sendo mais fáceis, em
handebol, aprender a realizar ações defensivas (“destruir”) que ofensivas (“construir”). Por isso,
na iniciação, quando se está enfocando o trabalho de aprendizagem de ETTI ofensivos, os
espaços serão mais amplos que se se incidir no aprendizagem de ETTI defensivos. Quer dizer, se
por exemplo na Etapa II se requer ensinar a atacar 1x1 (finta de deslocamento), o espaço será de
maior ou menor, já que o domínio e menor controle motor das ações com bola é menor que sem
bola (el handebol é um "lastre" para os participantes), e ademais o regulamento permite ao
defensor o contato corporal. Pelo contrário, se se quiser ensinar o 1x1 desde o ponto de vista
defensivo (marcação e controle do oponente), se começará em defesa com espaços mais
reduzidos, para ir ampliando-os progressivamente.
Coincidindo com diferentes autores (García-Herrero, 2003; Oliver, 2006;
Sánchez-Montesinos & Gómez-López, 2013; Sosa & Oliver, 2011) dada a riqueza motriz e tática
que isto acarreta, na iniciação se deve começar com uma defesa individual todo campo, depois
individual meio campo, para passar posteriormente à aprendizagem de uma defesa zonal 3:3
aberta. Incluso antes de esta defesa 3:3 zonal, o trânsito natural da defesa individual à zonal em
duas linhas, seria conveniente e adequado trabalhar a defesa mista ou combinada 3+3, onde os 3
defensores da 2ª linha defensiva continuam defendendo com conceitos individuais, enquanto que
os 3 defensores da 1ª linha começam a aprender e a aplicar conceitos básicos de defesa zonal
(como os câmbios de oponente ante circulações de extremos), e posteriormente se começaria o
processo de aprendizagem de os conceitos zonais de os 3 defensores da 2ª linha defensiva (como
os câmbios de oponente ante cruzes de os jogadores de la 1ª linha ofensiva), chegando assim a
trabalhar de forma completa a defesa zonal 3:3 aberta. Tal e como promulgam Sosa y Oliver
(2011), este primer sistema defensivo zonal 3:3 aberto no só nos possibilitará ir trabalhando e
melhorando en la execução de os principais ETTI defensivos como la posição de base e
orientações, os deslocamentos, los marcações, etc., sinopse que nos brindará a oportunidade de
incidir en la formação tática individual e coletiva de os jogadores mais jovens ao ser um marco
inmejorável para ir aprendendo PTI defensivos básicos desde la iniciação, tais como: linha de
intercepção de bola, dissuasão, ou colaboração e continuidade defensiva mediante MTC como as
basculações, coberturas, ajudas, etc.
Na Figura 5 se apresenta de forma esquemática as ideias propostas em este apartado
sobre a evolução de os espaços onde ensinar/treinar em as três primeiras etapas.
FIGURA 5. Evolução dos espaços onde ensinar/treinar em as etapas de formação em handebol:
(Iniciação Específica (Benjamins/Alevins): Espaços amplos, Defesas Individuais, Infantis.
Transição: Reduzindo Espaços. Aprendizagem Especializado (Cadetes): Posto Específico,
Defesas Zonais, Profundidade).
COMO ENSINAR / TREINAR? (O PLANEJAMENTO)
O “como” ensinar / treinar é um dos elementos mais importantes que conformam o
processo de ensino-aprendizagem-treinamento desportivo. Para isso, antes de ensinar/treinar a
qualquer desportista ou grupo de desportistas, é muito importante que previamente nos sentemos
a pensar, a refletir, a analisar onde estamos e donde queremos chegar. Qual é a realidade e o
contexto de donde partimos, quais são as características de nossos desportistas, em que nível se
encontram, quais são os seus interesses, os objetivos que se pretendem alcançar, que blocos de
conteúdos e que conteúdos temos que ensinar em cada momento, a través de que tarefas, com
que recursos humanos e materiais contamos, de cuánto tempo dispomos, etc. Quer dizer, antes de
desenhar de forma isolada as sessões e as tarefas propriamente ditas, ou de se planear como será
a intervenção didática, há que planear e programar.
FIGURA 6. Alguns elementos a ter em conta antes de abordar os processos de intervenção
didática.
Neste sentido, e tomando e adaptando o que diz o Diccionario de la Lengua Española
(RAE, 2014) entendemos por planificação a ordem prévia e racional de um processo organizado
e hierarquizado de grande amplitude para conseguir unos objetivos. Programação é a ação e
efeito de ordenar as ações necessárias para levar a cabo um projeto. Assim, dentro do processo
de planificação, o projeto se situaria na fase intermédia, entre a planificação e a programação.
Los planos se suelen diseñar para consegui-lo a largo prazo, estes se suelen concretar algo más
en proyectos (meio prazo), e os projetos a su vez se suelen estruturar e concretar en programas o
programações didáticas, término utilizado indistintamente tanto si se refieren al âmbito
académico, como desportivo.
Toda programação didática deve contar, pelo menos, com os seguintes elementos:
objetivos, conteúdos, metodologia, recursos, temporalização, atividades (sessões), e avaliação.
Por tanto, seu desenho implica todo um processo de reflexão crítica e de toma de decisão, com o
fim de estruturar de forma lógica, progressiva e adequada todos os elementos que a compõem.
Ademais, toda programação deve ser dinâmica, aberta e flexível, para poder adaptar-se a as
características dos participantes, as exigências do aprendizagem e la competição desportiva, a as
características do contexto em el que se implementa.
FIGURA 8. Elementos fundamentais na programação didática.
Se trata, pois, de um processo de ensino-aprendizagem articulado e completo.
No obstante, en el ámbito de la planificación del treinamento desportivo, se suelen utilizar más
los términos de macrociclo, mesociclo y microciclo.
Segundo Bompá (2000), os macrociclos são as estruturas de maior tamanho, se suelen
corresponder con ciclos anuais e compreender vários mesociclos. Los mesociclos suelen ser
ciclos de 2 a 8 semanas de treinamento e aglutinan por afinidad a um determinado número de
microciclos com orientação e objetivos comuns. Segundo Harre (1987), os mesociclos
tradicionais são: introdutório, básico, preparatório e de controle, pré-competitivo, competitivo,
intermédio, e de recuperação. Os microciclos suelen ser ciclos de aproximadamente uma semana,
sendo estes de iniciação o introdutório, de carga, de choque, de acumulação, de competição, e de
recuperação o regeneração. Cada sessão seria uma unidade de treinamento.
Assim pois, e coincidindo com González-Arévalo (2003), para muitos profissionais,
preparar as sessões é sua função mais importante. Mas, com tudo, ademais de ser importante, se
há de fazer dentro do marco de uma programação a médio-longo prazo que dará coerência à
planificação anual, ordenando nossas ações e dando-lhes uma direção. Seguindo a Mora (2016),
a programação didática ocupa um lugar relevante em o conjunto de as tarefas del técnico. É um
instrumento fundamental que ajuda e orienta em el desenvolvimento do processo de
ensino-aprendizagem. Sua fim último é evitar la improvisação recolhendo em ela os distintos
elementos didáticos a desenvolver, assim como la secuenciación de los diferentes contenidos.
Devemos reconhecer que um trabalho bem planificado e/ou programado, oferece
importantes vantagens, tais como: segurança, ordem, variedade, eficiência, melhora,
coordenação, etc. Ademais, toda programação debe ser, entre outras, realizável, sistematizada,
flexível, criativa, dinâmica, prospectiva e autocrítica.
Adaptando y adaptando lo propuesto por Díaz-Lucas (1995) en la programación se
distinguen varias fases:
1. Análise e Diagnóstico prévio: Permite conhecer as condições reais prévias, tais como o
entorno sociocultural, as características dos participantes, de la entidade desportiva, os recursos
materiais, humanos e econômicos, etc.
2. Fase de planejamento ou elaboração: Delimitação e definição de objetivos (que se pretende
conseguir), conteúdos (quê ensinar/treinar para alcançar os objetivos), estratégias metodológicas
(como vai ser a intervenção didática), temporalização (quando, distribuição de os diferentes
conteúdos e unidades de programação), atividades (desenho adequado de tarefas), e desenho da
avaliação.
3. Fase de execução: Posta em prática de todo o trabalho desenhado.
4. Fase de avaliação do trabalho programado y executado: Grado de adequação de todos os
elementos desenhados, ajustes ou modificações, verificação de la consecução de os objetivos, e
propostas de revisão y/o melhora para futuros programas.
A continuação, se apresenta de forma muito resumida e esquemática os passos a seguir
para realizar uma programação didática:
1. Formular os objetivos que se pretendem alcançar.
2. Organizar, sequenciar e temporalizar os conteúdos e o posterior desenho e desenvolvimento de
as distintas UDs e sessões em base a os objetivos.
3. Planear e justificar a metodologia a utilizar.
4. Revisar as instalações e recursos disponíveis e necessários.
5. Desenhar a avaliação de todos os elementos da programação.
Partindo da programação didática, o técnico desportivo deve concretizar seu plano de
atuação que le va a servir de guia detalhada de sua intervenção docente. Concretamente, em
handebol, donde normalmente os equipos têm competição cada fim de semana, se recomenda ir
desenhando microciclos ou cronogramas semanais de trabalho, donde se estruturem, de forma
coerente e coordenada, os principais blocos de conteúdos e os conteúdos a trabalhar em cada
uma de as sessões que compõem cada microciclo.
FIGURA 10. Princípios elementos a ter em conta por o técnico desportivo à hora de planificar,
programar e desenhar sessões de ensino-treinamento: (CALENDÁRIO DA TEMPORADA,
“MEU” EQUIPE, FILOSOFIA, MODELO DE JOGO, OBJETIVOS... ETAPAS / PERÍODOS /
MACROCICLOS / MESOCICLOS... CRONOGRAMA SEMANAL (Microciclos), SESSÕES
(Objetivos, Conteúdos...)).
O técnico desportivo é o responsável pelo desenho e a aplicação das sessões de trabalho,
para o qual deverá tomar uma série de decisões antes de iniciar a prática (concretização de os
objetivos a trabalhar, conteúdos, tarefas de enseñanza, recursos, metodologia e avaliação);
durante a prática (apresentação, organização e gestão do tempo, de as tarefas, de os feedback,
adecuar as cargas, regular la intensidade, animar y motivar a os desportistas, etc.), e também ao
finalizar a sessão (valorando e avaliando el trabalho programado e executado, sua adequação,
nível de assimilação, etc.).
FIGURA 11. Modelo de planilha para registrar os principais conteúdos de trabalho por sessão em
Handebol.
Por último, em o esquema de as sessões de treinamento em handebol se devem
contemplar três partes fundamentais: a parte inicial, donde se informa sobre os objetivos e
conteúdos principais de la sessão e se realiza o aquecimento para estar preparados para a parte
principal, tanto a nível fisiológico como psicológico, e evitar lesões (recomendar incluir
atividades de propriocepção, coordenação e força); la parte central ou principal, donde se levam
a cabo distintas tarefas de forma progressiva em sua complexidade para alcançar os objetivos de
la sessão, e la parte final o de volta à calma, en la que se intenta reduzir progressivamente o
grado de ativação que ha produzido la prática, se recolhem os materiais empregados e a reflexão,
tanto de forma individual como grupal, sobre el trabalho realizado.
POR QUÊ ENSINAR / TREINAR? (A APRENDIZAGEM MOTORA)
A resposta é óbvia: para que se produza a aprendizagem.
Segundo Onofre (1998), o aprendizagem é o processo por o qual a conduta se desenvolve
e altera a través da prática e la experiência. Para Lawther (1988) o aprendizagem é um câmbio
relativamente permanente que se produz na conduta como resultado de la experiência, em
oposição a os câmbios ocasionados por el crescimento, o envelhecimento, la fadiga o as
flutuações fisiológicas temporais.
Assim pois, a aprendizagem, em geral, supõe um processo de modificação da conduta, enquanto
que o aprendizagem motor supõe um câmbio o modificação de condutas motoras a través de la
prática. Em el aprendizagem motor a conduta se fundamenta, se controla o se modifica a través
de la administração, organização e controle da informação, e la prática engloba los distintos
procedimentos o atividades utilizadas para manejar esta informação com objeto de produzir a
conduta desexada. Além disso, controlar y organizar a informação, podemos intervir a nível de
informação inicial (feedforward) a nível de informação final o conhecimento de os resultados
(feedback) y a nivel de estratégias de processamento de informação (atenção, memória), etc. Por
ello, para explicar os processos que se dão em o aprendizagem motor é fundamental conhecer o
modelo básico de processamento da informação, que de forma abreviada vem a dizer que,
acudindo a experiências de movimentos armazenados na memória, se reproduz um programa
motor que tem as maiores possibilidades de conseguir o objetivo proposto. Como consequência
de la execução do movimento se chega a uma nova comparação entre o que se queria e o que se
queria conseguir. Esta comparação recebe o feedback (informação sobre a desviação ou erro
entre ambos aspetos fundamentais para o processo de aprendizagem, que se caracteriza pela
diminuição do erro e seu armazenamento em memória.
Por outra parte, em el aprendizagem motor também influi outra área de conhecimento
importante de la motricidade humana, el desenvolvimento motor, entendido este como las
modificações estruturais e funcionais do sistema motor ao longo do tempo. Depende de os
processos de maturação y aprendizagem, e supõe o desenvolvimento de capacidades que são
essenciais para el movimento y a posterior aquisição de habilidades motoras. Las personas temos
uma serie de capacidades físicas, perceptivo-motrizes e motrizes que devemos desenvolver, e que
estão estreitamente interrelacionadas com umas habilidades motrizes que devemos aprender.
Em base a todo o exposto anteriormente, destacar a importância de la informação, la
prática e a repetição para conseguir câmbios estáveis e duradouros na conduta motora, é dizer,
para que realmente se produza aprendizagem motor.
Segundo la pirâmide de aprendizagem de Edgar Dale (Dale, 1969) baseada em sua ideia sobre o
"cono da experiência" (Dale, 1946, pp. 37-54), praticar e ensinar a outros são as experiências
mais ricas para que se produza aprendizagem. Se aprende o 90% do que dizemos e fazemos, e o
70% do que fazemos.
FIGURA 13. Pirâmide de aprendizagem, baseada em el cono de la experiencia de Edgar Dale.
Com respeito a como se produz o aprendizagem motor, se distinguem três etapas o fases
(Fitts y Posner, 1967) dentro de as quais existem distintos níveis de evolução en la aquisição de
as habilidades e que o técnico desportivo deve conhecer para adaptar as tarefas a os distintos
ritmos de aprendizagem de os desportistas: Estas são: etapa o fase verbal-cognitiva, etapa o fase
motora-associativa, y etapa autônoma.
FIGURA 14. Fases del aprendizagem motor (Fitts y Posner, 1967):
• Cognitiva: O esportista necessita um controle consciente e Comete muitos erros.
• Associativa: Menor necessidade de “pensar” el movimento. Maior fluidez e menos erros na
estrutura geral del movimento.
• Autônoma: Não necessita “pensar” para executar la habilidad. Pode liberar sua atenção para
perceber o entorno.
QUEM DEVE ENSINAR / TREINAR? (O TREINADOR)
O treinador o técnico desportivo é la persona responsável de todo o processo de
ensino-aprendizagem-treinamento desportivo. Este processo se vê afetado, por sua vez, pelo
feedback, entre outras coisas, as estratégias de processamento de informação (atenção,
memória...), e o contexto de prática para que seus desportistas aprendam.
FIGURA 15. A importância da informação (inicial e final) a transmitir por o técnico desportivo
para o aprendizagem motor.
Para ello, el treinador o técnico desportivo no solo tiene que “saber” os conhecimentos do
material que va a ensinar (factor conhecimento), sinopse que também tiene que “saber ensinar”
(factor didático). De nada serve um sem o outro.
Em la enseñanza do handebol, como desporte coletivo de colaboração oposição que se
desenvolve em espaços comuns e com participação simultânea, segundo la classificação de
Hernández Moreno (1994), é muy importante que desde as primeiras idades se desenhem e se
proponham tarefas donde primem la percepção e la toma de decisão, assim se irá aprendendo de
forma paralela la técnico-tática individual y desenvolvendo el pensamento tático y la Inteligência
motriz de os desportistas. Inteligência motriz entendida como a capacidade de perceber, decidir y
executar com eficácia a melhor opção em cada contexto espaço-temporal determinado. De nada
serve la execução técnica sin la tática individual, ambas são inseparáveis, por isso, em handebol,
sempre se deveria falar de técnico-tática individual, em vez de técnica.
Além disso, se devem desenhar e propor tarefas adequadas para o aprendizagem, o técnico
desportivo também deve ser capaz de observar, detetar y desenhar tarefas para corrigir erros
analisando previamente se o erro vem ocasionado por problemas em la percepção (relacionados
com o campo visual, la atenção seletiva o la antecipação perceptiva); em la decisão (capacidade
cognitiva o de formação tática), o en la execução (fatores quantitativos o del movimiento).
FIGURA 16. Las tareas de percepción, decisión y ejecución en el aprendizagem de la
técnico-tática individual en handebol.
O treinador o técnico desportivo ¿CÓMO CORRIGIR ERROS?
• A Percepção: Erro cognitivo, atenção seletiva, antecipação perceptiva, campo visual.
• A Decisão: Erro na toma de decisão, formação tática, seleção cognitiva.
• A Execução: Erro na execução, controlo neuromuscular, coordenação, quantitativos.
Se apresentam a continuação alguns aspetos, considerações y/o sugestões metodológicas que o
técnico desportivo deve ter sempre presente en la iniciação ao handebol:
• Utilização de uma metodologia ativa, participativa, comunicativa e investigativa.
• Baseada nos interesses dos participantes e implicando a estes no processo de
ensino-aprendizagem.
• Propondo atividades motivantes e adequadas a sus possibilidades.
• Fomentando aspetos positivos de relação com os demais, respeito, colaboração,
companheirismo, responsabilidade, autonomia, afã de superação, etc.
• Aprendizagens significativas, pensados, raciocinados, e não aprendizagens mecanizadas, sin
toma de decisiones.
• Utilização de agrupamentos flexíveis e ritmos distintos de aprendizagem.
• Organização de grupos de trabalho flexíveis en el seio del grupo básico (subgrupos mais
homogêneos por nível e/ou postos específicos).
• Utilização del jogo como meio de aprendizagem. La atividade lúdica é intrinsecamente
motivadora, desenvolve a inteligência motriz, permite de forma natural la aquisição de padrões
motores e é um meio fundamental para os aprendizagens desportivas.
• As atividades com formas jogadas favorecerão o respeito e aceitação de las normas
estabelecidas, la valoração de las posibilidades y limitações próprias y las de os demais, la
aceitação de funções o papéis, la comunicação, socialização e integração em um grupo com
companheiros colaboradores y companheiros oponentes, el trabalho y el esfuerzo individual y
colectivo para superar os retos propostos, la aplicação de estratégias o pensamento tático
apropriado a cada situação e momento del juego, etc.
• Partir do jogo real e ir introduzindo PTI, ETTI e regras para dar sentido ao jovem jogador da
própria dinâmica del juego o desporte, y familiarizar-se com sus elementos estruturais y
funcionales.
• Planear situações-problemas táticos básicos que les provoque la necessidade de aprender
nuevos PTI, ETTI y MTC para sua resolução.
• Destacar sempre o aspeto lúdico frente ao competitivo, embora sem descartar la competição
como meio de aprendizagem e melhora.
• Introduzir a competição de maneira adequada, com um marcado caráter educativo-formativo,
aludindo em todo momento um modelo de ensino centrado en la competição, destacando ante
todo los valores de desportividade, socialização, integração, coesão e trabalho em grupo.
• No se ha de olvidar que, como la maioria de os autores propugnan, el melhor professor é o
próprio jogo.
IDEIAS CHAVE PARA ENSINAR E TREINAR BEM O HANDEBOL
Para finalizar este capítulo, apresentamos uma série de ideias-chave para ensinar e treinar bem o
handebol, organizadas com relação ao treinador ou técnico esportivo e com relação ao
ensino/treinamento do handebol propriamente dito.
Com Respeito ao Treinador ou Técnico Desportivo:
• Ter verdadeira vocação e ilusão de ensinar/treinar bem.
• Querer ser um bom treinador o técnico desportivo.
• Ter la formação/titulação adequada (ao menos o título de Técnico Desportivo o Técnico
Desportivo Superior em Handebol, o equivalentes) y realizar um reciclagem contínua.
• Mostrar interesse, compromisso y una atitude positiva, sempre.
• Crer e trabalhar muito, e se é em equipe, muito melhor.
• Motivar y transmitir entusiasmo.
• Tratar com equidade y respeito a todos.
• Criar um bom clima de trabalho y segurança.
• Ir criando, construindo seu próprio discurso.
• Ser receptivo, assumir a crítica e ter boa capacidade de autocrítica.
• Cuidar de sua imagem y ser exemplo dentro y fora de la cancha.
• Interessar-se por conhecer bem a sus desportistas.
• Incidir na formação global do desportista.
• Saber gestionar bem el grupo.
• Sentar-se a reflexionar, planificar, criar com Respeito ao Ensino/Treinamento do Handebol
propriamente dito:
• Aplicar, sempre que se possa, um treinamento integrado (trabalhar condição física, motora e
aspetos psicológicos de forma integrada en el handebol).
• Utilizar uma metodologia lúdica e competitiva.
• Ir construindo seu próprio modelo de jogo.
• Desenhar e propor tarefas com transferência positiva ao jogo real.
• Encaixar bem as tarefas.
• Avaliar/comprovar o trabalho e se cumprem os objetivos.
• Controlar /dosificar una relação óptima atividade/pausa (transferência ao jogo real).
• Ir de o geral ao específico e do simples ao complexo.
• Aplicar progressão das cargas.
• Individualizar as cargas.
• Programar adequadamente as cargas e os descansos.
• Ajustar especificidade e alternância.
• Não olvidar a variabilidade e multilateralidade como princípios del treinamento.
• Ajustar la intensidade y duração do atividade.
• Controlar la intensidade y duração do esforço.
• Atender sintomas de cansaço o fatiga.
• Evitar riscos por fatiga o sobretreinamento.
• Evitar y prevenir lesões (mal aquecimento, movimentos bruscos...).
• Ter em conta: Recuperação, regeneração, descanso.
• Ensinar/treinar desde as tarefas do aquecimento.
• Promover máxima ativação y participação ativa.
• Desenvolver a atenção y la concentração.
• Promover ações motrizes específicas y com velocidade.
• Propor progressões y/o variantes adequadas.
• Ensinar não solo a “fazer” o jogo, sinopse também a “escrever” el juego.
• Saber manejar bem os constrangimentos (contexto, indivíduo e tarefa).
• Aproveitar ao máximo o espaço e os materiais.
• Aproveitar al máximo o tempo de prática.
• Proponer actividades motivantes y adecuadas.
• Evolucionar por todo o espaço estimulando a participar.
• Reduzir ao máximo os jogos o competições de eliminação utilizando en su lugar un sistema de
pontos.
• Observar y dar feedback adequados.
• Desenhar a consciência das tarefas de cada sessão.
Essas têm sido só algumas ideias que podem ajudar ao treinador o técnico desportivo a
ensinar/treinar bem o handebol, e por suposto, suscetíveis de modificação, ampliação e melhora.
Em resumo, ao longo deste capítulo foram abordadas diferentes questões sobre como
deve ser realizado o processo de ensino-aprendizagem-treinamento no handebol, desde a
iniciação até a posição específica, recolhendo e respondendo às principais perguntas que todo
treinador ou técnico esportivo deve se colocar para ensinar/treinar bem o handebol: O quê?
Quando? onde?, como?