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Direitos da Criança e do Adolescente

O documento aborda o Direito da Criança e do Adolescente, destacando a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) como marcos legais que garantem proteção integral e prioridade aos direitos infanto-juvenis. O ECA estabelece princípios fundamentais, define criança e adolescente, e prevê medidas de proteção em situações de risco, enfatizando a responsabilidade do Estado, da família e da sociedade. Além disso, o texto discute a evolução histórica do tratamento jurídico das crianças e adolescentes, desde a indiferença até a proteção integral.

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Direitos da Criança e do Adolescente

O documento aborda o Direito da Criança e do Adolescente, destacando a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) como marcos legais que garantem proteção integral e prioridade aos direitos infanto-juvenis. O ECA estabelece princípios fundamentais, define criança e adolescente, e prevê medidas de proteção em situações de risco, enfatizando a responsabilidade do Estado, da família e da sociedade. Além disso, o texto discute a evolução histórica do tratamento jurídico das crianças e adolescentes, desde a indiferença até a proteção integral.

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DIREITO DA

CRIANÇA E DO
ADOLESCENTE:
LIÇÕES PRELIMINARES:
A CONSTITUIÇÃO FEDERAL, em seu artigo 227, estabelece:
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem,
com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária,
além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade
e opressão. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)
- A LEI nº 8.069/90 (ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE) materializa o comando
constitucional ao disciplinar largamente os direitos e deveres infanto-juvenis.
 Substituiu o antigo CÓDIGO DE MENORES (LEI nº 6.697/79) = incidência era voltada
precipuamente ao menor em situação de irregular.
- Antes mesmo da promulgação da Constituição cidadã e da promulgação do mencionada
Estatuto, já se falava na comunidade internacional sobre a necessidade de proteção especial
ao ser humano nas primeiras etapas de sua vida, infância e juventude:
 Declaração de Genebra de 1924;
 Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas de 1948;
 Convenção Americana sobre direitos humanos de 1969:
Artigo 19 - Toda criança terá direito às medidas de proteção que a sua condição de menor requer, por
parte da sua família, da sociedade e do Estado.
- Percebe-se que o CÓDIGO DE MENORES já estava em dissonância com a compreensão
jurídica e social sobre a forma de tratamento da peculiar situação de crianças e adolescentes.
- A mudança de paradigma da nova constituição já importava, por si só, a impossibilidade de se
recepcionar boa parte das regras do CÓDIGO DE MENORES, sendo necessário a edição de
novo diploma legal no plano infraconstitucional com visão mais humana.
- O ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE é o principal diploma legal no que se refere à
tutela dos direitos infanto-juvenis  Trata-se de um verdadeiro microssistema que cuida de
todo o arcabouço necessário para se efetivar o ditame constitucional.

PROTEÇÃO INTEGRAL E ABSOLUTA PRIORIDADE:


- O ECA é formado por um conjunto de princípios e regras que regem diversos aspectos da
vida, desde o nascimento até a maioridade.
- Toda sua sistemática se ampara no PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO INTEGRAL.
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente.
- Por PROTEÇÃO INTEGRAL deve-se compreender o conjunto amplo de mecanismos jurídicos
voltados à tutela da criança e do adolescente.
- A doutrina da PROTEÇÃO INTEGRAL guarda ligação com o PRINCÍPIO DO MELHOR INTERESSE
DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE  devem buscar a solução que proporcione o maior
benefício possível para a criança ou adolescente.]
Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com
absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao
esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência
familiar e comunitária.
Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende: ALGUNS DIREITOS – meramente explicativo!!!
a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;
b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;
c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;
d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à
juventude.
- ABSOLUTA PRIORIDADE = Dever que recai sobre a família e o poder público de priorizar o
atendimento dos direitos de criança e adolescente.
Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana,
sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros
meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental,
moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.
- Se à luz do ordenamento anterior havia a percepção de que elas eram objeto de tutela, agora
desponta o tratamento jurídico de sujeitos de direitos.
Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou
omissão, aos seus direitos fundamentais.
- Enumera de forma ampla qualquer conduta que possa violar direitos da criança e do
adolescente, sendo certo que o Estatuto prevê sanções de natureza civil, penal e
administrativa.
- Além disto, o Estatuto estabelece o dever do Poder Público promover periodicamente
divulgação desses direitos nos meios de comunicação social, em linguagem acessível a
crianças com idade inferior a 06 anos.
Art. 265-A. O poder público fará periodicamente ampla divulgação dos direitos da criança e do
adolescente nos meios de comunicação social. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
Parágrafo único. A divulgação a que se refere o caput será veiculada em linguagem clara, compreensível
e adequada a crianças e adolescentes, especialmente às crianças com idade inferior a 6 (seis) anos.
(Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)

CONCEITO DE CRIANÇA E ADOLESCENTE:


Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e
adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade.
CRIANÇA ADOLESCENTE
0 – 12 anos incompletos 12 ANOS completos a 18 anos
incompletos
- O critério adotado pelo legislador é puramente cronológico.
- Distinção entre criança e adolescente tem importância, principalmente no que tange às
medidas aplicáveis à prática de ato infracional (criança = medida de proteção; adolescente = medida
socioeducativa).
- A Lei 13.257/16 dá ênfase especial às políticas públicas da primeira infância  período dos
primeiros 06 anos de vida.

APLICAÇÃO DO ESTATUTO A QUEM JÁ COMPLETOU A MAIORIDADE:


Art. 2º, Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às
pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade.
- É aplicável excepcionalmente às pessoas entre 18 a 21 anos.
- Tanto no campo infracional, quanto na área cível (adoção pode ser pleiteado mesmo que o
adotando já tenha completado 18 anos, nos casos em que já se encontre sob guarda ou a tutela dos
adotantes).
Art. 40. O adotando deve contar com, no máximo, dezoito anos à data do pedido, salvo se já estiver sob
a guarda ou tutela dos adotantes.
- Somente cessa a aplicação do ECA quando o jovem completa 21 anos.
Art. 121, § 5º A liberação será compulsória aos vinte e um anos de idade.

INTERPRETAÇÃO DO ESTATUTO:
Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências
do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do
adolescente como pessoas em desenvolvimento.
- Está em perfeita harmonia com o art. 5º da LINDB.
- Chama-se TELEOLÓGICO o método interpretativo que procura revelar o fim da norma.
- Todos devem extrair da norma o maior conteúdo protetivo possível para a criança e
adolescente.

COMPETÊNCIA LEGISLATIVA:
- Competência legislativa é concorrente.
Art. 24, inciso XV, CF - proteção à infância e à juventude;

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO
TRATAMENTO DA CRIANÇA E DO
ADOLESCENTE:
Sobre as fases da evolução do tratamento da criança e do adolescente, a doutrina costuma
divergir:
 1ª CORRENTE - Existem 04 fases:
- 1ª FASE/SISTEMA: ABSOLUTA INDIFERENÇA  A indiferença é em sentido amplo, não
apenas com relação ao ato infracional, sendo que o Estado era totalmente indiferente à
criança e ao adolescente, ou seja, não existia normas, e a proteção existente era apenas
reflexa.
- 2ª FASE/SISTEMA: FASE DA MERA IMPUTAÇÃO CRIMINAL  Nesta fase, entre os séculos
XVI ao XIX, as leis tinham como único escopo punir as crianças e adolescentes que praticassem
infração penal.
 ordenações do reino;
 Código Criminal do Império – 1830 = imputabilidade penal aos
14 anos, todavia, a partir dos 07 anos, o juiz poderia
mandar para cadeia (casa de correção), caso vislumbra-se que o
menor pudesse distinguir o bem do mal;
 Código Penal – 1890 = inimputabilidade absoluta para os
menores 09 anos. A partir dos 09 anos até os 14 anos, era
indicado o recolhimento a estabelecimento disciplinar industrial
e o limite da pena era até os 17 anos, sob discricionariedade
do juiz.
- 3ª FASE: FASE DA TUTELA 
- 4ª FASE: FASE DA PROTEÇÃO INTEGRAL.
Doutrinadores: Paulo Afonso Garrido de Paula, Rossato/Lépore/Cunha, Paulo Henrique Aranda
Fuller e Gustavo Seabra Cives.
OBS: corrente mais aceita nos certames de prova  Prof. Paulo Afonso Garrido de Paula.
 2ª CORRENTE – vincula a evolução ao ato infracional. Existem 03 etapas:
- Etapa penal indiferenciada;
- Etapa tutelar;
- Etapa garantista.
 OUTROS DOUTRINADORES – Cristiane Dupret e Válter Kenji Ishida.
Classificam a evolução em 03 períodos:
- Direito penal indiferenciado (ou direito penal do menor);
- Período ou doutrina da situação irregular;
- Período ou doutrina da proteção integral.

MEDIDAS DE PROTEÇÃO:
Providências que visam salvaguardar qualquer criança/adolescente cujos direitos
tenham sido violados ou estejam ameaçados de violação.

SITUAÇÃO DE RISCO:
Quando os direitos estão ameaçados ou foram violados, ocasião em que podem ser
aplicadas as medidas de proteção.
Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os
direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados:
I - por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável;
III - em razão de sua conduta.

OBJETIVO DAS MEDIDAS: Sanar a violação do direito ou impedir que ele ocorra.

AGENTES: Referido artigo elenca os agentes responsáveis pelas lesões ou ameaças de


lesões, quais sejam, a Sociedade, o Estado, os pais, o responsável, a própria criança
ou adolescente.
A proteção do Estatuto é tão ampla que elenca o próprio adolescente como agente,
quando sua conduta está em desacordo com os ditames do Estatuto, ainda que
terceiros não sejam prejudicados, fica caracterizada a situação de risco para abrir
portas à aplicação de medida de proteção.
Em relação a ATOS LESIVOS aos direitos infanto-juvenis praticados pela Sociedade, o
Estatuto prevê a previsão de crimes e infrações administrativas (art. 225-258-C).
Quanto o Poder Público, muitos são os seus deveres, e diante do descumprimento,
podem ser propostas ações individuais ou coletivas.
PRINCÍPIOS:
O parágrafo único do artigo 100 do ECA, apresenta um rol de PRINCÍPIOS que devem
ser utilizados para permear todo o Estatuto, todo o sistema jurídico da criança e do
adolescente, não apenas as medidas de proteção, considerando que trazem valores e
mandados de otimização.

Parágrafo único. São também PRINCÍPIOS que regem a aplicação das medidas:
I - CONDIÇÃO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE COMO SUJEITOS DE DIREITOS: crianças e
adolescentes são os titulares dos direitos previstos nesta e em outras Leis, bem como na
Constituição Federal;
II - PROTEÇÃO INTEGRAL E PRIORITÁRIA: a interpretação e aplicação de toda e qualquer
norma contida nesta Lei deve ser voltada à proteção integral e prioritária dos direitos de que
crianças e adolescentes são titulares;
III - RESPONSABILIDADE PRIMÁRIA E SOLIDÁRIA DO PODER PÚBLICO: a plena efetivação dos
direitos assegurados a crianças e a adolescentes por esta Lei e pela Constituição Federal, salvo
nos casos por esta expressamente ressalvados, é de responsabilidade primária e solidária
das 3 (três) esferas de governo, sem prejuízo da municipalização do atendimento e da
possibilidade da execução de programas por entidades não governamentais;
IV - INTERESSE SUPERIOR DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE: a intervenção deve atender
prioritariamente aos interesses e direitos da criança e do adolescente, sem prejuízo da
consideração que for devida a outros interesses legítimos no âmbito da pluralidade dos
interesses presentes no caso concreto;
V - PRIVACIDADE: a promoção dos direitos e proteção da criança e do adolescente deve ser
efetuada no respeito pela intimidade, direito à imagem e reserva da sua vida privada;
VI - INTERVENÇÃO PRECOCE: a intervenção das autoridades competentes deve ser efetuada
logo que a situação de perigo seja conhecida;
VII - INTERVENÇÃO MÍNIMA: a intervenção deve ser exercida exclusivamente pelas
autoridades e instituições cuja ação seja indispensável à efetiva promoção dos direitos e à
proteção da criança e do adolescente;
VIII - PROPORCIONALIDADE E ATUALIDADE: a intervenção deve ser a necessária e adequada à
situação de perigo em que a criança ou o adolescente se encontram no momento em que a
decisão é tomada;
IX - RESPONSABILIDADE PARENTAL: a intervenção deve ser efetuada de modo que os pais
assumam os seus deveres para com a criança e ao adolescente;
X - PREVALÊNCIA DA FAMÍLIA: na promoção de direitos e na proteção da criança e do
adolescente deve ser dada prevalência às medidas que os mantenham ou reintegrem na sua
família natural ou extensa ou, se isso não for possível, que promovam a sua integração em
família adotiva;
XI - OBRIGATORIEDADE DA INFORMAÇÃO: a criança e o adolescente, respeitado seu estágio
de desenvolvimento e capacidade de compreensão, seus pais ou responsável devem ser
informados dos seus direitos, dos motivos que determinaram a intervenção e da forma como
esta se processa;
XII - OITIVA OBRIGATÓRIA E PARTICIPAÇÃO: a criança e o adolescente, em separado ou na
companhia dos pais, de responsável ou de pessoa por si indicada, bem como os seus pais ou
responsável, têm direito a ser ouvidos e a participar nos atos e na definição da medida de
promoção dos direitos e de proteção, sendo sua opinião devidamente considerada pela
autoridade judiciária competente, observado o disposto nos §§ 1 o e 2 o do art. 28 desta Lei.

MEDIDAS ESPECÍFICAS DE PROTEÇÃO:


O artigo 101 do ECA traz um rol exemplificativo de medidas específicas de proteção:
Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade competente
poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas:
I - ENCAMINHAMENTO AOS PAIS OU RESPONSÁVEL, mediante termo de responsabilidade;
II - orientação, apoio e acompanhamento temporários;
III - MATRÍCULA E FREQUÊNCIA OBRIGATÓRIAS em estabelecimento oficial de ensino
fundamental;
IV - inclusão em serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e promoção
da família, da criança e do adolescente;
V - REQUISIÇÃO DE TRATAMENTO MÉDICO, PSICOLÓGICO OU PSIQUIÁTRICO, em regime
hospitalar ou ambulatorial;
VI - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a
alcoólatras e toxicômanos;
VII - ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL;
VIII - inclusão em programa de acolhimento familiar;
IX - colocação em FAMÍLIA SUBSTITUTA.

a) ACOLHIMENTO:
É uma modalidade de medida de proteção em que consiste na determinação, pela
autoridade competente, do encaminhamento da criança ou adolescente à entidade
que desenvolve PROGRAMA DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL, em razão de
abandono ou após a constatação de que a manutenção na família ou no ambiente de
origem não é a alternativa mais apropriada ao seu cuidado e à sua proteção.
 O acolhimento é medida provisória e excepcional.
o
§ 1 O ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL e o ACOLHIMENTO FAMILIAR são MEDIDAS
PROVISÓRIAS e EXCEPCIONAIS, utilizáveis como forma de transição para reintegração
familiar ou, não sendo esta possível, para colocação em família substituta, não implicando
privação de liberdade.
 O contato entre o acolhido e sua família deve ser estimulado, motivo pelo qual,
o acolhimento deve ser realizado em local próximo da residência dos pais ou
responsáveis para permitir e estimular a convivência.
§ 4 o Salvo determinação em contrário da autoridade judiciária competente, as entidades que
desenvolvem PROGRAMAS DE ACOLHIMENTO FAMILIAR OU INSTITUCIONAL, se necessário
com o auxílio do Conselho Tutelar e dos órgãos de assistência social, estimularão o contato da
criança ou adolescente com seus pais e parentes, em cumprimento ao disposto nos incisos I e
VIII do caput deste artigo.
 A família de origem deve ser incluída em PROGRAMAS OFICIAIS DE
ORIENTAÇÃO, DE APOIO E DE PROMOÇÃO SOCIAL, sempre que identificada a
necessidade.
§ 7 o O acolhimento familiar ou institucional ocorrerá no local mais próximo à residência dos
pais ou do responsável e, como parte do processo de reintegração familiar, sempre que
identificada a necessidade, a família de origem será incluída em programas oficiais de
orientação, de apoio e de promoção social, sendo facilitado e estimulado o contato com a
criança ou com o adolescente acolhido.

 Tão logo esteja apta, a família deve ser reunida novamente, ocasião em que o
programa de acolhimento deve comunicar ao Juízo.
§ 8 o Verificada a possibilidade de reintegração familiar, o responsável pelo programa de
acolhimento familiar ou institucional fará imediata comunicação à autoridade judiciária, que
dará vista ao Ministério Público, pelo prazo de 5 (cinco) dias, decidindo em igual prazo.
 Esgotadas todas as possibilidades de reintegração familiar, o Programa de
Acolhimento deverá encaminhar relatório ao Ministério Público, para que este
tome providências com relação à destituição do poder familiar, tutela ou
guarda.
§ 9 o Em sendo constatada a impossibilidade de reintegração da criança ou do adolescente à
família de origem, após seu encaminhamento a programas oficiais ou comunitários de
orientação, apoio e promoção social, será enviado relatório fundamentado ao Ministério
Público, no qual conste a descrição pormenorizada das providências tomadas e a expressa
recomendação, subscrita pelos técnicos da entidade ou responsáveis pela execução da política
municipal de garantia do direito à convivência familiar, para a destituição do poder familiar, ou
destituição de tutela ou guarda.
 Período máximo de permanência em PROGRAMA DE ACOLHIMENTO é de 18
meses, salvo comprovada necessidade que atenda o interesse da
criança/adolescente  PRINCÍPIO DO MELHOR INTERESSE.
§ 2 o A permanência da criança e do adolescente em programa de acolhimento institucional
não se prolongará por mais de 18 (dezoito meses), salvo comprovada necessidade que atenda
ao seu superior interesse, devidamente fundamentada pela autoridade judiciária.

 Obrigatoriedade de envio de RELATÓRIOS à Autoridade Judiciária sobre a


situação de cada criança ou adolescente e de sua família, no máximo, a cada 06
meses. Todavia, conforme interpretação sistêmica do art. 19, §1º, do ECA, as
entidades devem enviar a cada 03 meses.
Art. 92, § 2 o Os dirigentes de entidades que desenvolvem programas de acolhimento familiar
ou institucional remeterão à autoridade judiciária, no máximo a cada 6 (seis) meses, relatório
circunstanciado acerca da situação de cada criança ou adolescente acolhido e sua família, para
fins da reavaliação prevista no § 1 o do art. 19 desta Lei.
Art. 19, § 1 o Toda criança ou adolescente que estiver inserido em programa de acolhimento
familiar ou institucional terá sua SITUAÇÃO REAVALIADA, no máximo, a cada 3 (três) meses,
devendo a autoridade judiciária competente, com base em relatório elaborado por equipe
interprofissional ou multidisciplinar, decidir de forma fundamentada pela possibilidade de
reintegração familiar ou pela colocação em família substituta, em quaisquer das modalidades
previstas no art. 28 desta Lei.

GUIA DE ACOLHIMENTO:
O acolhimento institucional é realizado mediante GUIA DE ACOLHIMENTO expedida
pelo Juízo da Vara da Infância e Juventude.
Excepcionalmente, as entidades de acolhimento podem receber
crianças/adolescentes SEM DETERMINAÇÃO JUDICIAL, mas a comunicação do ocorrido
deve ser feita ao Juizado da Infância e da Juventude no prazo de 24 horas.

PLANO INDIVIDUAL DE ATENDIMENTO (PIA):


Realizado o acolhimento institucional ou familiar, deve ser elaborado um plano
individual de atendimento, pela equipe técnica do programa.
§ 4 o Imediatamente após o acolhimento da criança ou do adolescente, a entidade responsável
pelo programa de acolhimento institucional ou familiar elaborará um plano individual de
atendimento, visando à reintegração familiar, ressalvada a existência de ordem escrita e
fundamentada em contrário de autoridade judiciária competente, caso em que também
deverá contemplar sua colocação em família substituta, observadas as regras e princípios
desta Lei.
Os ELEMENTOS que devem constar do plano:
§ 6 o Constarão do plano individual, dentre outros:
I - os resultados da avaliação interdisciplinar;
II - os compromissos assumidos pelos pais ou responsável; e
III - a previsão das atividades a serem desenvolvidas com a criança ou com o adolescente
acolhido e seus pais ou responsável, com vista na reintegração familiar ou, caso seja esta
vedada por expressa e fundamentada determinação judicial, as providências a serem tomadas
para sua colocação em família substituta, sob direta supervisão da autoridade judiciária.

CADASTRO DE CRIANÇA E ADOLESCENTE EM PROGRAMAS DE ACOLHIMENTO:


O Estatuto determina a obrigação de a Justiça criar e manter um CADASTRO
ATUALIZADO das crianças e adolescentes em programas de acolhimento, ao qual terão
acesso o MP, Conselho tutelar, órgão gestor de Assistência Social e os Conselhos
Municipais de Direitos da criança e do adolescente e da Assistência social.

PROTEÇÃO À VÍTIMA DE ABUSO SEXUAL:


§ 2 o Sem prejuízo da tomada de medidas emergenciais para proteção de vítimas de violência
ou abuso sexual e das providências a que alude o art. 130 desta Lei, o afastamento da criança
ou adolescente do convívio familiar é de competência exclusiva da autoridade judiciária e
importará na deflagração, a pedido do Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse,
de procedimento judicial contencioso, no qual se garanta aos pais ou ao responsável legal o
exercício do contraditório e da ampla defesa.

REGULARIZAÇÃO DO REGISTRO:
Art. 102. As medidas de proteção de que trata este Capítulo serão acompanhadas da
regularização do registro civil.
Quando as crianças/adolescentes vítimas não tiverem registro civil regular, seja pela
falta de certidão de nascimento ou pela identificação de pai.
Incumbe ao MP, através da ação de investigação de paternidade, a regularização do
registro no que se refere à identificação do genitor, sendo que as modificações nos
assentos são isentas de multas, custas ou emolumentos e gozam de prioridade.
§ 3 o Caso ainda não definida a paternidade, será deflagrado procedimento específico
destinado à sua averiguação, conforme previsto pela Lei nº 8.560, de 29 de dezembro de 1992.
§ 5 o Os registros e certidões necessários à inclusão, a qualquer tempo, do nome do pai no
assento de nascimento são isentos de multas, custas e emolumentos, gozando de absoluta
prioridade.
§ 6 o São gratuitas, a qualquer tempo, a averbação requerida do reconhecimento de
paternidade no assento de nascimento e a certidão correspondente.
EXCEPCIONALMENTE, o MP pode deixar de ajuizar a ação quando a criança for
encaminhada para a adoção.
§ 4 o Nas hipóteses previstas no § 3 o deste artigo, é dispensável o ajuizamento de ação de
investigação de paternidade pelo Ministério Público se, após o não comparecimento ou a
recusa do suposto pai em assumir a paternidade a ele atribuída, a criança for encaminhada
para adoção.

SITUAÇÃO DE RISCO E FIXAÇÃO DE COMPETÊNCIA:


A ocorrência de SITUAÇÃO DE RISCO serve como critério de fixação de competência da
Justiça da Infância e Juventude, sendo que, diante de uma situação de risco, podem ser
necessárias diferentes medidas de proteção e outras providências que precisem ser
adotadas de forma coordenada e, ao concentrar a competência em um só juízo, a
solução é mais eficaz.
Art. 148, Parágrafo único. Quando se tratar de criança ou adolescente nas hipóteses do art. 98,
é também competente a Justiça da Infância e da Juventude para o fim de:
a) conhecer de pedidos de guarda e tutela;
b) conhecer de ações de destituição do poder familiar, perda ou modificação da tutela ou
guarda;
c) suprir a capacidade ou o consentimento para o casamento;
d) conhecer de pedidos baseados em discordância paterna ou materna, em relação ao
exercício do poder familiar;
e) conceder a emancipação, nos termos da lei civil, quando faltarem os pais;
f) designar curador especial em casos de apresentação de queixa ou representação, ou de
outros procedimentos judiciais ou extrajudiciais em que haja interesses de criança ou
adolescente;
g) conhecer de ações de alimentos;
h) determinar o cancelamento, a retificação e o suprimento dos registros de nascimento e
óbito.

MEDIDA DE PROTEÇÃO X MEDIDA SOCIOEDUCATIVA:


São 02 institutos com características e incidência próprias.
- A MEDIDA DE PROTEÇÃO é aplicável a criança e adolescente, sempre que verificada
hipótese de lesão ou ameaça de lesão a seus direitos.
- A MEDIDA SOCIOEDUCATIVA é aplicável ao adolescente que pratica ato infracional
análogo a crime ou contravenção.

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