Relatório de Projeto Interdisciplinar
Alan Kauê Souza Mendonça
Álvaro Sodré Baima
Kauê Sousa Costa
Data:
07/10/2025
Título
GERADOR DE ONDAS ARBITRÁRIO DE BAIXO CUSTO
Objetivo
Aplicar a teoria obtida através de estudos em diversas matérias realizado em
salas de aula, para aproveitar das diferentes configurações de circuitos que utilizam de
amplificadores operacionais com o propósito final de criar um gerador de forma de onda
arbitrária de baixo custo.
Resumo
Este projeto tem como objetivo construir um circuito que gerasse uma forma de
onda arbitrária de baixo custo, podendo ser senoidal, quadrada ou triangular. Para a
realização deste projeto foi estudo as diferentes formas de se aproveitar os
amplificadores operacionais (Amp-op), e com a parte teórica aprendida utilizou-se de
dois simuladores sendo eles o LTspice e o multisim. Por meio da ajuda das simulações
foi possível aplicar os conhecimentos teóricos e na prática para realizar a montagem do
circuito usando diferentes configurações de amplificadores operacionais, resistores e
capacitores.
Introdução
O projeto contido neste relatório tem como propósito construir um gerador de
ondas arbitrário de baixo custo, com base na teoria de matérias estudadas em semestres
anteriores, sendo capaz de criar sua própria onda sem a necessidade de um gerador de
sinal externo, e que fosse possível alterar a sua forma de onda para senoidal, triangular
ou quadrada conforme desejado. Ao longo deste relatório será apresentado todos os
circuitos e componentes utilizados para a realização do projeto, também como a
simulação do mesmo através do uso dos simuladores LTspice e Multisim.
Metodologia
Para a realização deste projeto que necessitava criar uma onda, e permitir a
modificação de sua forma foi optado por montar o circuito em forma de três estágios,
onde cada um entregava uma forma de onda de saída diferente, e todas as três partes
principais do circuito estavam conectadas ao mesmo ponto de saída. Ao conectar as
saídas foi implementado um sistema de chaveamento para que fosse possível diferir
qual forma de onda realmente seria entregue naquele ponto, assim as chaves tiveram a
finalidade de possibilitar o controle de qual forma de onda fosse escolhida.
O primeiro estágio do circuito consistia na parte em que se criava a onda
senoidal inicial, no qual foi utilizado um amplificador operacional, resistores, e
capacitores, e o circuito foi configurado de tal forma que tivesse a função de um
oscilador em ponte de Wien, capaz de criar uma onda senoidal constante. É nesse
estágio que é realizado também a variação da frequência das ondas, que servirá como a
frequência para todas as formas de ondas mais à frente do circuito.
Ao sair do primeiro estágio a onda senoidal segue para o segundo estágio do
circuito que utilizou de um Amp-op e resistores para que fosse feita a conversão da
onda senoidal para a quadrada através de um circuito Schmitt trigger.
Por fim ao chegar no terceiro estágio é encontrado um circuito integrador
formada por um Amp-op, resistores e capacitores que tem o propósito de transformar a
onda quadrada do segundo estágio em uma onda de forma triangular.
• Primeiro estágio
O circuito de entrada é um oscilador com ponte de Wien, que gera a onda
alternada senoidal com a alimentaçãono Lm741 com onda contínua, é um circuito especial
que quando inicialmente ligado, existe mais realimentação positiva do que negativa,
fazendo com que as oscilações cresçam, após o sinal de saída alcançar um certo nível,
ele se estabiliza e a tensão permanece constante, pra essa condição acontecer o ganho do
circuito tem q ser aproximadamente 3, dado pela relação do resistor de realimentação e
o resistor do terra, ligados a entrada inversora do amplificador operacional, a saída
desse circuito é controlado por dois diodos paralelos com polaridade invertida para
limitar a saída e não haver a saturação do circuito.
A frequência da onda senoidal gerada pelo oscilador é dada relação dos
resistores e capacitores, do circuito de avanço-atraso, onde o circuito opera apenas em
uma determinada frequência, q é a de ressonância, a equação dessa frequência é:
1
=
2
Figura 1 – Oscilador em ponte de Wien.
• Segundo estágio
O segundo estágio do circuito é formado por um amplificador, para elevar e controlar
a amplitude de saída do primeiro estágio que está sendo limitado pelos dois diodos em
paralelo, usando a configuração não inversora do amp op 741 é possível fazer isso sem
inverter a onda controlando o seu ganho, onde é controlado pela seguinte equação:
Av(CL) = +1
1
• Terceiro estágio
O circuito Schmitt trigger tem a tensão de saída versus a tensão de entrada.
Quando o sinal de entrada é periódico (ciclos repetitivos), o Schmitt trigger produz uma
saída retangular, como mostrado. Considera-se que o sinal de entrada é maior o
suficiente para passar através dos dois pontos de comutação. Quando a tensão de
entrada excede o UTP na subida do semiciclo positivo, a tensão de saída comuta para –
Vsat. No semiciclo posterior, a tensão de entrada torna-se mais negativa que LTP e a
saída comuta de volta para +Vsat.
Um Schmitt trigger sempre produz uma saída retangular, independentemente da
forma do sinal de entrada, a tensão de entrada não tem que ser senoidal. Enquanto a
forma de onda for periódica e tiver uma amplitude suficientemente grande para passar
pelos pontos de comutação, obteremos por meio de um Schmitt trigger uma forma de
onda retangular. Essa onda retangular tem a mesma frequência que o sinal de entrada.
Figura 2 – Circuito Schmitt trigger.
Figura 3 – Relação da tensão de saída e entrada.
Figura 4 – Sinal de entrada e saída do circuito Schmitt trigger.
• Quarto estágio
Um integrador é um circuito que realiza a operação matemática de integração.
Sua aplicação mais comum é a geração de uma rampa de tensão na saída, ou seja, um
aumento ou uma queda linear da tensão ao longo do tempo.
No projeto do gerador de formas de onda, o circuito integrador foi utilizado para
converter uma onda retangular em uma onda triangular. Isso é feito aplicando a onda
retangular na entrada do integrador. Como a tensão de entrada tem valor médio (ou
componente contínua) igual a zero, a saída também mantém um valor médio nulo.
Durante o semiciclo positivo da entrada, o integrador gera uma rampa
descendente na saída. Já no semiciclo negativo, ele gera uma rampa ascendente. O
resultado é uma onda triangular na saída, com a mesma frequência da onda retangular
de entrada. A amplitude da onda triangular gerada pode ser calculada pela expressão:
( ) =2
Figura 5 – Circuito integrador
Figura 6 – Sinal de entrada e saída do circuito integrador.
Materiais utilizados
• 4 Resistores de 15 kohms;
• 1 Resistor de 12 kohms;
• 1 Resistor de 5.6 kohms;
• 2 Diodos 1N4004;
• 3 Resistores de 1 kohms;
• 1 Resistor de 3.3 kohms;
• 1 Poteciometro de 1 kohms;
• 1 Poteciometro de 10 kohms;
• 3 Capacitores de 11nF;
• 3 Capaciores de 100 nF;
• 4 Ci´s Lm741;
Tabela de materiais
MATERIAIS UNIDADES COMPRADO PREÇO
Resistor de 15k 4 Eletrônica Cabral R$ 6,00
Resistor de 12k 1 Eletrônica Cabral R$ 1,00
Resistor de 5,6k 1 Eletrônica Cabral R$ 1,50
Diodo 1N4004 2 Eletrônica Cabral R$ 0,50
Resistor de 1k 2 Eletrônica R$ 4,00
Lafayette
CI LM741 10 Mercado Livre R$ 19,00
Capacitor 100 nF 3 Eletrônica Cabral R$ 4,50
Resistor de 10k 1 Eletrônica Cabral R$ 1,70
Resistor de 3.3k 1 Mercado Livre R$ 1,00
Capacitor 11 nF 3 Eletrônica Cabral R$ 15,00
Potenciometro de 1k 1 Eletrônica R$ 15,00
Lafayette
Potenciometro de 10k 1 Eletrônica R$ 15,00
Lafayette
Bornes 3 Eletrônica Cabral R$ 9,00
Placa PCB 2 Mercado Livre R$ 29,00
TOTAL GASTO R$ 122,20
Resultados obtidos com a simulação
O simulador utilizado para obter os resultados do circuito foi o LTspice
XVII, pois era o melhor que atendia a funcionalidade do circuito e a observação
das ondas geradas.
• Circuito completo no LTspice:
Figura 7 – circuito no LTspice.
• Primeiro e segundo estágio:
Figura 8 – Circuito do primeiro estágio no LTspice.
O primeiro estágio gera a onda alternada com o Ci, onde a saída é
limitada aproximadamente em 0.7 V, e é conectada ao segundo estágio de
amplificação com a amplitude sendo controlada pelo potenciometrro de 10k em
série com o resistor de 3.3k, com a relação ja mencionada anteriormente, que
inicialmente com o pot. em 0 a saída vai para 3.5V, e o pot. em 10k ela vai para
10V .
• Forma de onda do primeiro estágio:
Figura 9 – Forma de onda senoidal oscilatória.
A onda senoidal é formada e oscila de modo que sua amplitude vai
aumentando até se estabilizar em 0.7 V aproximadamente com a tensão dos
diodos.
• Formas de ondas senoidais do segundo estágio:
Figura 10 – Forma de onda senoidal em 3.3V.
Com o pot. em 0 ohms a saída vai para 3.5V aproximadamente de
acordo com a simulação.
Figura 11 – Forma de onda senoidal em 11.44V.
Com o pot. em 10k ohms a saída vai para 11.44V aproximadamente de
acordo com a simulação.
• Terceiro estágio:
Figura 12 – Circuito comparador no LTspice.
O terceiro estágio é um comparador, uma forma alternativa de
apresentar o circuito que transforma a onda senoidal para uma quadrada
apresentado anteriormente, o capacitor em serie com o resistor serve para
dar estabilidade para o circuito por causa do grande aumento de tensão
rapidamente por conta da saturação do amplificador, e o potencioemtro de
1k na saída tem como objetivo controlar a amplitude de saída.
• Formas de ondas quadradas do terceiro estágio:
Figura 13 – Forma de onda quadrada com 12.6V.
Com o pot. em 0 ohms a saída do comparador é de 12.6 V aproximadamente.
Figura 14 – Forma de onda quadrada com 6.4V.
Com o pot. em 1k a saída do comparador é de 6.4 V aproximadamente.
• Quarto estágio:
Figura 15 – Circuito integrador no LTspice.
O quarto estágio é o intregador, que transforma a onda quadrada vinda
do comparador em triangular, o potenciometro de 1k ohms de ajuste de
amplitude de saída é aproveitado do estágio anterior para controlar a saída deste
estágio também.
• Formas de ondas triangular do quarto estágio:
Figura 16 – Forma de onda triangular com 11.21V.
Com o pot. em 0 ohms a amplitude de saída do circuito integrador é de
11.2V aproximadamente.
Figura 17 – Forma de onda triangular com 5.54V.
Com o pot. em 1k ohms a saída é de 5.5V aproximadamente.
Processo de Montagem na PCB
A placa de circuito impresso (PCB) foi desenvolvida utilizando o software EasyEDA, uma
plataforma online e gratuita amplamente empregada no projeto de circuitos eletrônicos, que
integra ferramentas para a criação de esquemáticos, roteamento de trilhas e visualização
tridimensional da placa. Inicialmente, foi elaborado o esquema elétrico, no qual os componentes
foram selecionados e interligados conforme o funcionamento desejado do circuito.
Após a finalização do esquemático, procedeu-se à conversão para o layout da PCB, etapa em
que foram definidos o posicionamento dos componentes, o tamanho da placa (20 × 10) e a
disposição das trilhas condutoras. Durante essa fase, buscou-se realizar todas as trilhas em uma
única camada e evitar o cruzamento entre elas, a fim de reduzir a necessidade do uso de jumpers
e de diferentes tipos de metais, com o objetivo de minimizar interferências e garantir a correta
conexão elétrica entre os componentes.
Concluído o layout, realizou-se a transferência das trilhas do EasyEDA para a placa de cobre
por meio do método de transferência térmica. Nesse processo, o circuito foi impresso em uma
folha de papel fotográfico e, em seguida, posicionado sobre a placa de PCB. Utilizou-se um ferro
de passar roupa para aplicar calor sobre o papel; como o ferro de passar não distribui o calor
uniformemente, a trilha ficou com algumas falhas, nas quais foi necessário utilizar uma caneta
permanente para corrigir as imperfeições, formando o desenho das trilhas
Após a transferência, a placa passou pelo processo de corrosão química utilizando percloreto
de ferro, responsável por remover o excesso de cobre das áreas não protegidas pela tinta,
deixando apenas as trilhas do circuito. Finalizada a corrosão, a placa foi lavada para remover
resíduos químicos e a tinta foi retirada, revelando o circuito definitivo.
A etapa de montagem da PCB consistiu na soldagem dos componentes eletrônicos sobre a
placa, conforme o layout previamente definido. Após a conclusão da soldagem, foi realizada uma
inspeção visual detalhada, juntamente com medições utilizando um multímetro, com o objetivo de
verificar a qualidade das soldas, a correta fixação dos componentes e a continuidade das trilhas.
Essas verificações permitiram confirmar que a placa estava em conformidade com o projeto.
Por fim, a placa foi submetida a testes funcionais, assegurando que o circuito operasse
conforme o esperado. Dessa forma, o uso do EasyEDA, aliado ao método de transferência
térmica e ao processo de corrosão com percloreto de ferro, contribuiu significativamente para a
organização, precisão e eficiência no desenvolvimento e montagem da PCB, resultando em um
projeto funcional e bem estruturado.
Figura 20 – Layout elétrico
Figura 21 – Método de transferência térmica
Figura 22- Trilhas após a transferência de calor
Figura 23 – Passando caneta permanente nas trilhas para fazer corrosão na placa
Figura 24 – Percloreto de ferro diluido na água
Figura 25 – Corrosão utilizando percloreto
Figura 26 – Lavagem na placa após corrosão
Figura 27 - Resultado final da etapa de corrosão na pcb, com as trilhas de cobre definidas
Figura 28 – Processo de soldagem
Figura 29 – Processo de solda completo
Figura 30 – Placa pronta para uso
Resultados obtidos
Figura 31 – Preparação para realizar medidas na pcb
Figura 32 – Forma de onda senoidal
Figura 33 – Forma de onda senoidal após variar o potenciômetro
Figura 34 – Forma de onda triângular
Figura 35 – Forma de onda triângular após variar potenciômetro
Figura 36 – Forma de onda retangular
Figura 37 – Forma de onda triângular após variar o potenciômetro
OBS: Após um período de operação, verificou-se que o capacitor presente no circuito estava
carregando de forma muito rápida, o que ocasionava a distorção da forma de onda triângular e
retangular observada na saída. Diante desse comportamento, realizou-se um estudo teórico do
circuito, no qual foi constatado que o capacitor não era um componente obrigatório para o correto
funcionamento do sistema. Em função disso, optou-se por curto-circuitar o capacitor, resultando na
eliminação da distorção e no funcionamento adequado do circuito, conforme o esperado.
Figura 38 – Forma de onda retangular com distorção por causa do capacitor
Figura 39 – Forma de onda triângular com distorção por causa do capacitor
Figura 40 – Após realizarmos curto-circuito no capacitor
Figura 41 – Formas de ondas: triângular e retangular após curto-circuito no capacitor
Figura 42 – Forma de onda senoidal após curto-circuito no capacitor
Figura 43 - Formas de ondas: triângular, retangular e senoidal após curto-circuito no capacitor