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Crimes Contra a Honra e Violência Doméstica

O documento aborda os crimes contra a honra, destacando sua proteção jurídica e as distinções entre honra subjetiva e objetiva. Também menciona a legislação pertinente, como o Art. 5º da Constituição e o Pacto de São José da Costa Rica, além de discutir a relação entre crimes de calúnia, difamação e injúria, e suas respectivas penas. Por fim, aborda a violência doméstica e familiar, definindo suas formas e implicações legais.

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Crimes Contra a Honra e Violência Doméstica

O documento aborda os crimes contra a honra, destacando sua proteção jurídica e as distinções entre honra subjetiva e objetiva. Também menciona a legislação pertinente, como o Art. 5º da Constituição e o Pacto de São José da Costa Rica, além de discutir a relação entre crimes de calúnia, difamação e injúria, e suas respectivas penas. Por fim, aborda a violência doméstica e familiar, definindo suas formas e implicações legais.

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Direito Penal III

Professor Pujol

RESUMO P2 --------------------------
Crimes contra a honra

- Os crimes contra a honra, são tidos como os menos eficazmente protegidos


pelo ramo jurídico-criminal diante do fato de que a honra seria um bem
jurídico com caráter subjetivo. A honra impõe uma consideração ética. O
prestígio social promove-se à categoria de respeito, poder-se-ia mesmo dizer,
estético.

Segundo Hans Welzel, a honra seria uma pretensão jurídica tendo seu
conceito dado de forma normativa e não fática.

• Honra subjetiva: é o sentimento da própria dignidade ou decoro.


Engloba os tipos de calúnia e difamação.
• Honra objetiva: diz respeito ao apreço e respeito da pessoa com relação
aos demais concidadãos; é a reputação que o sujeito detém num
contexto social. Engloba o tipo de injúria.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida,
à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,


assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua
violação;

Pacto São José da Costa Rica de 1969 – Decreto Federal n° 678/1992 – Art. 11

Proteção da Honra e da Dignidade

1. Toda pessoa tem direito ao respeito de sua honra e ao reconhecimento de sua


dignidade.

2. Ninguém pode ser objeto de ingerências arbitrárias ou abusivas em sua vida


privada, na de sua família, em seu domicílio ou em sua correspondência, nem de
ofensas ilegais à sua honra ou reputação.

3. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais ingerências ou tais ofensas.
- Sendo a honra, um bem disponível, o consentimento do ofendido exclui a
ilicitude da conduta.

- Diante a posição majoritária, os crimes contra a honra cuidam de crime de


perigo, exigindo apenas a potencialidade concreta de ofensa, sendo esta,
indemonstrável. Segundo lente oposta, cuida-se de crime de dano, pois o dolo
do agente é de ofender a honra alheia e, não simplesmente expô-la a perigo,
tomando perfil de crime de consumação antecipada (crime formal).

Lei 5.250/1967 – Art. 37

- Abordava a responsabilidade penal da imprensa no que tange os crimes


contra a honra, no entanto, a ADF 130 do STD revogou a lei, porém,
continuam tipificados no Código Penal, os crimes contra a honra praticados
pela imprensa.

- Há uma linha tênue no que diz respeito aos crimes contra honra, à liberdade
de expressão e o direito à informação do sujeito ativo.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes:

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,


independentemente de censura ou licença;

XIV - e assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte,


quando necessário ao exercício profissional;

- O animus narrandi tende a excluir a tipicidade de imputação verídica de um


fato ou característica ofensiva. O limite, portanto, encontra-se na forma em
que a informação é narrada.

A temática das fake news, tem ganhado destaque na sociedade, sendo possível
que uma publicação inverídica, configure crime contra a honra de terceiros
(calúnia, difamação e injúria). Um exemplo dos perigos de notícias falsas é
ocorrido na tentativa de golpe.
Violência doméstica e familiar

Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a
mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão,
sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial:

I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio


permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente
agregadas;

II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos


que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou
por vontade expressa;

III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha


convivido com a ofendida, independentemente de coabitação.

Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de


orientação sexual.

Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:

I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou
saúde corporal;

II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano
emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno
desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos,
crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação,
isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação
de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou
qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à
autodeterminação; (Redação dada pela Lei nº 13.772, de 2018)

III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a


presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante
intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a
utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método
contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição,
mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o
exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;

IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure


retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de
trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos,
incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;

V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia,


difamação ou injúria.
1 – Calúnia

Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.

§ 2º - É punível a calúnia contra os mortos.

Exceção da verdade

§ 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo:

I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi
condenado por sentença irrecorrível;

II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;

III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por
sentença irrecorrível.

- Sendo a falsa imputação a alguém de fato definido como crime, a objetividade


jurídica no delito de calúnia é a incolumidade moral, tutelando a honra
objetiva, ou seja, o bom nome, a reputação diante o grupo social a qual a
vítima integra.

Em razão da pena cominada, aplicam-se os benefícios de transação penal


(acordo feito antes da denúncia, para evitar o processo penal) e suspensão
condicional do processo (suspende o processo após o oferecimento da
denúncia), salvo se no caso de incidência da causa de aumento da pena.

• Elemento subjetivo do crime: cuida-se de dolo genérico, ou seja, a


vontade de imputar alguém, falsamente, de fato definido como crime.
• Elemento subjetivo do tipo: caracterizado pelo animus injuriandi vel
diffamandi (animus caluminiandi).

Dolo direto e dolo eventual

• Primeira corrente: se o agente não tiver a certeza da falsidade e, mesmo


assim fizer a afirmação caluniosa, responde pelo crime a título de dolo
eventual. Se presente a dúvida, ingressa na órbita do dolo eventual da
calúnia.
• Segunda corrente: o tipo subjetivo de calúnia tipificado no Art. 138 do
Código Penal, exige o dolo direto, dessa forma, não incide o dolo
eventual nessa modalidade típica.

- A exceção da verdade, contida no §3° do aludido artigo, é a possibilidade que


se dá ao autor da ofensa, de provar, nos mesmos autos, que a imputação por
ele feita contra a vítima, é verdadeira. Trata-se de uma forma de defesa
indireta, através da qual o acusado de ter praticado calúnia, pretende provar
a veracidade do que alegou.

2 – Difamação
Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Exceção da verdade

Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é


funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.

- O bem jurídico tutelado é a honra objetiva da vítima, ao imputar-lhe de fato


determinado que, embora sem revestir caráter criminoso, é ofensivo à
reputação da pessoa a quem atribui, no que se refere a sua fama perante
terceiros.

3 – Injúria
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:

I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;

II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.

§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo
meio empregado, se considerem aviltantes:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à


violência.

§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a religião ou à condição


de pessoa idosa ou com deficiência: (Redação dada pela Lei nº 14.532, de 2023)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 14.532,
de 2023)

- O bem jurídico é a honra subjetiva do ofendido, ou seja, sua autoestima


(dignidade e decoro).

Disposições comuns
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer
dos crimes é cometido:

I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;

II - contra funcionário público, em razão de suas funções, ou contra os Presidentes do


Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal;
(Redação dada pela Lei nº 14.197, de 2021) (Vigência)

III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia,
da difamação ou da injúria.

IV - contra criança, adolescente, pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou pessoa com


deficiência, exceto na hipótese prevista no § 3º do art. 140 deste Código. (Redação
dada pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência

§ 1º - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a


pena em dobro. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

§ 2º - (VETADO).

§ 2º Se o crime é cometido ou divulgado em quaisquer modalidades das redes sociais


da rede mundial de computadores, aplica-se em triplo a pena. (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019) (Vigência)

§ 3º Se o crime é cometido contra a mulher por razões da condição do sexo feminino,


nos termos do § 1º do art. 121-A deste Código, aplica-se a pena em dobro. (Incluído
pela Lei nº 14.994, de 2024)

Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível:

I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu


procurador;

II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando


inequívoca a intenção de injuriar ou difamar;

III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou


informação que preste no cumprimento de dever do ofício.

Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação
quem lhe dá publicidade.

Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou


da difamação, fica isento de pena.
Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a
difamação utilizando-se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim
desejar o ofendido, pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa. (Incluído pela
Lei nº 13.188, de 2015)

Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou


injúria, quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa
a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa.

Art. 145. Há suspeição do juiz:

I - amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados;

II - que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes ou depois
de iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa
ou que subministrar meios para atender às despesas do litígio;

III - quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu cônjuge ou
companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive;

IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes.

§ 1º Poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem necessidade de
declarar suas razões.

§ 2º Será ilegítima a alegação de suspeição quando:

I - houver sido provocada por quem a alega;

II - a parte que a alega houver praticado ato que signifique manifesta aceitação do
arguido.

- Frisa-se que a imunidade do advogado se dá no exercício de sua atividade


profissional no patrocínio de causas. Não abrange o crime de calúnia,
restringindo-se, portanto, aos crimes de difamação e injúria.

Outra observação relevante, é de que a maioria da doutrina, não admite a


possibilidade de a pessoa jurídica figurar como vítima de calúnia ou injúria,
mas sim, como de difamação.

Crimes de constrangimento ilegal

Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe
haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o
que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda:

Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

Aumento de pena
§ 1º - As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, quando, para a execução do
crime, se reúnem mais de três pessoas, ou há emprego de armas.

§ 2º - Além das penas cominadas, aplicam-se as correspondentes à violência.

§ 3º - Não se compreendem na disposição deste artigo:

I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu


representante legal, se justificada por iminente perigo de vida;

II - a coação exercida para impedir suicídio.

- Integrando a seção intitulada “Dos crimes contra a liberdade pessoal”,


assegura ao cidadão, a liberdade de ação ou omissão tolhida pela ação
arbitrária do Estado e dos demais cidadãos. A ação de constranger deve ser
ilegítima, ou seja, o coator não deve ter o direito de exigir da vítima a
realização ou abstenção de determinado comportamento.

A coação mediante violência, pode ser:

• Direta ou imediata – empregada diretamente contra a vítima, por


exemplo, amordaçá-la, dar-lhe choques elétricos etc.
• Indireta ou mediata – empregada sobe terceira pessoa ou coisa, a que
o coagido esteja de tal modo vinculado que sem uma ou outra fica
tolhido na sua faculdade de ação, por exemplo, empregar violência
contra o filho coagido, tirar muletas de um aleijado etc.

A coação pode ser feita mediante ameaça, cuidando-se de violência moral. É a


promessa, oral ou escrita, dirigida a alguém, da prática de um mal iminente
ou futuro, de forma a exercer poder intimidatório sobre ele. A ameaça deve
ser grave, o mal anunciado deve ser certo, verossímil e inevitável e não exige
a presença do ameaçado.

Importante notar, que diferente do crime de ameaça, aqui o objetivo é da


obtenção de determinado comportamento da vítima.

O crime, podendo ser praticado por qualquer pessoa, é comum, entretanto,


cometido por funcionário público no exercício de suas funções, tipificadamente
se enquadra nos exemplos descritos na Lei de Abuso de Autoridade.

Em suma, trata-se de crime comum, material, abarca a tentativa (quando o


ofendido não se submete à vontade do agente) e doloso.

• Quando crime único – o agente emprega diversos meios violentos ou


ameaçadores visando obter um comportamento da vítima.
• Quando crime continuado – o agente emprega meios violentos ou
ameaçadores visando obter sucessivamente ações ou omissões.
• Quando crime formal – mediante emprego de arma de fogo, por
exemplo, o agente coage um grupo de pessoas a acompanhá-lo a
determinado local.

• Consequências da coação física – exclui a conduta, uma vez que elimina


totalmente a vontade da vítima, passando o fato, a ser atípico.

• Consequências da coação moral irresistível – há crime, mesmo diante


grave ameaça, em razão de ainda haver resquício de vontade da vítima.
Contudo, a vítima não será considerada culpada, uma vez que o
responsável pela coação, será autor mediato do crime cometido,
respondendo ele em concurso material.

• Consequências da coação moral resistível – há crime, pois a vontade


restou inatingida, sendo a vítima culpável em vista de exigível conduta
diversa.

Crimes de ameaça

Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio
simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

§ 1º Se o crime é cometido contra a mulher por razões da condição do sexo feminino,


nos termos do § 1º do art. 121-A deste Código, aplica-se a pena em dobro. (Incluído
pela Lei nº 14.994, de 2024)

§ 2º Somente se procede mediante representação, exceto na hipótese prevista no § 1º


deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.994, de 2024)

- A ameaça inibe durante um período, a livre manifestação da vontade,


observando-se como dispositivo tutelado, a liberdade psíquica e íntima.
Antemão do crime de constrangimento ilegal, o ameaçado não é obrigado a
fazer ou não, unicamente sofrendo intimidação através do prenúncio da
prática de um mal injusto e grave contra ele, o gerindo sentimentos de temor,
agitação e instabilidade emocional.

Os meios de execução da ameaça são feitos mediante palavras, escritos, gestos


ou outros meios simbólicos.
• Ameaça direta – a promessa de mal refere-se ao sujeito passivo ou seu
patrimônio.
• Ameaça indireta – a promessa se refere a terceira pessoa ligada à
vítima.
• Ameaça explícita – a manifestação é dada de forma clara e induvidosa.
• Ameaça implícita – embora não formulada de modo expresso, pode ser
depreendida do comportamento, gestos ou palavras do agente.
• Ameaça condicional – quando o mal prometido estiver na dependência
de um acontecimento.

O mal prenunciado deve ser injusto, no sentido de não haver apoio legal para
realizá-lo, como por exemplo ameaçar alguém de sequestro; e grave, ao
abarcar dano de importância capital, físico ou moral à vítima.

Em relação ao tempo do mal prenunciado, há duas vertentes:

• Futuro – embora próxima a sua realização, não se configura o crime se


ele se concretizar no instante que a ameaça é proferida.
• Atual ou futuro – não havendo distinção entre ameaça “em ato” ou
ameaça de “mal futuro”.

Em suma, cuida-se de crime comum, não engloba crianças ou mentalmente


enfermos, doloso (direto ou eventual), subsidiário e formal, engloba tentativa.

Art. 147-A. Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe


a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de
qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade.
(Incluído pela Lei nº 14.132, de 2021)

Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 14.132,
de 2021)

§ 1º A pena é aumentada de metade se o crime é cometido: (Incluído pela Lei nº 14.132,


de 2021)

I – contra criança, adolescente ou idoso; (Incluído pela Lei nº 14.132, de 2021)

II – contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do § 2º-A do
art. 121 deste Código; (Incluído pela Lei nº 14.132, de 2021)

III – mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas ou com o emprego de arma.


(Incluído pela Lei nº 14.132, de 2021)

§ 2º As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à


violência. (Incluído pela Lei nº 14.132, de 2021)
§ 3º Somente se procede mediante representação. (Incluído pela Lei nº 14.132, de
2021)

Redução à condição análoga a escravo

Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a


trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes
de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida
contraída com o empregador ou preposto: (Redação dada pela Lei nº 10.803, de
11.12.2003)

Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
(Redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)

§ 1 o Nas mesmas penas incorre quem: (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)

I - cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim
de retê-lo no local de trabalho; (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)

II - mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos


ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. (Incluído
pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)

§ 2 o A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido: (Incluído pela Lei nº


10.803, de 11.12.2003)

I - contra criança ou adolescente; (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)

II - por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem. (Incluído pela
Lei nº 10.803, de 11.12.2003)

- É a completa sujeição de uma pessoa ao poder de outra. O bem tutelado, é o


status libertatis, ou seja, a liberdade nos conjuntos de suas manifestações.
Entre o agente e o sujeito passivo se estabelece uma relação em que aquele se
apodera totalmente da liberdade pessoal daquele, ficando o último reduzido,
de fato, a um estado de passividade idêntica a um cativeiro.

Lei 10.803/2003

A redução a condição análoga à de escravo pode dar-se: mediante submissão


a trabalhos forçados ou jornada exaustiva; mediante a sujeição a condições
degradantes de trabalho; mediante restrição, por qualquer meio, de sua
locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto.
Crime doloso, material, permanente, admite tentativa.

Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou


acolher pessoa, mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a
finalidade de: (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)

I - remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo; (Incluído pela Lei nº 13.344, de


2016) (Vigência)

II - submetê-la a trabalho em condições análogas à de escravo; (Incluído pela Lei nº


13.344, de 2016) (Vigência)

III - submetê-la a qualquer tipo de servidão; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
(Vigência)

IV - adoção ilegal; ou (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)

V - exploração sexual. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)

Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 13.344, de
2016) (Vigência)

§ 1º A pena é aumentada de um terço até a metade se: (Incluído pela Lei nº 13.344,
de 2016) (Vigência)

I - o crime for cometido por funcionário público no exercício de suas funções ou a


pretexto de exercê-las; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)

II - o crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com


deficiência; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)

III - o agente se prevalecer de relações de parentesco, domésticas, de coabitação, de


hospitalidade, de dependência econômica, de autoridade ou de superioridade
hierárquica inerente ao exercício de emprego, cargo ou função; ou (Incluído pela Lei
nº 13.344, de 2016) (Vigência)

IV - a vítima do tráfico de pessoas for retirada do território nacional. (Incluído pela


Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)

§ 2º A pena é reduzida de um a dois terços se o agente for primário e não integrar


organização criminosa. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
Violação de domicílio

Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade


expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências:

Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.

§ 1º - Se o crime é cometido durante a noite, ou em lugar ermo, ou com o emprego de


violência ou de arma, ou por duas ou mais pessoas:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da pena correspondente à violência.

§ 3º - Não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas


dependências:

I - durante o dia, com observância das formalidades legais, para efetuar prisão ou
outra diligência;

II - a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado
ou na iminência de o ser.

§ 4º - A expressão "casa" compreende:

I - qualquer compartimento habitado;

II - aposento ocupado de habitação coletiva;

III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade.

§ 5º - Não se compreendem na expressão "casa":

I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta,


salvo a restrição do n.º II do parágrafo anterior;

II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero.

- A Constituição Federal visa a proteção da tranquilidade e segurança da


pessoa em sua vida privada, no reduto de seu lar, impedindo com a repressão
penal, que terceiros se arvorem no direito de perturbar, invadir a vida íntima
alheia delimitada no âmbito de sua morada. Em suma, o bem tutelado, é a
tranquilidade do indivíduo em determinado espaço privado, e não a sua posse
ou propriedade, ao contrário dos crimes patrimoniais.

Tratando-se de crime de ação múltipla, tendo como núcleo o entrar e


permanecer em casa alheia ou em suas dependências:

• Clandestina – quando realizada às ocultas, às escondidas, sem que o


morador tome conhecimento.
• Astuciosa – quando o agente emprega algum artifício, fraude, ardil
para induzir o morador em erro, obtendo, com isso, o seu consentimento
para adentrar ou permanecer na habitação.
• Ostensiva – quando a entrada ou permanência é realizada contra a
vontade expressa ou tácita de quem de direito.

• Divergência entre cônjuges – o direito de admissão ou não à entrada ou


permanência de estranhos é concedido a ambos em igualdade de
condições. Havendo divergência, prevalece a negativa.

• Divergência entre os cônjuges e os demais dependentes – prevalece a


vontade dos pais.

• Divergência entre os cônjuges e os subordinados – o direito de admissão


também recai sobre os empregados da casa, no entanto, sua vontade
não deve conflitar com a vontade dos chefes da família.

• Conventos, colégios e pensionatos – prevalece sempre a autoridade de


seu representante.

• Habitação coletiva e apartamento – havendo divergência, prevalecerá


a proibição (melior est conditio prohibentis). No caso de aparamento, os
moradores têm direito de impedir a entrada de estranhos nas
respectivas unidades condominiais, também prevalece aqui, a
proibição.

Crime comum, doloso, de mera conduta (de entrar e permanecer, instantâneo


e permanente, respectivamente) e engloba tentativa.

Violação do segredo profissional

Art. 154 - Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de
função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem:

Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa de um conto a dez contos de réis.
(Vide Lei nº 7.209, de 1984)

Parágrafo único - Somente se procede mediante representação.


- Também um crime contra a liberdade individual, tutela-se aqui, a liberdade
individual concernente à inviolabilidade do segredo profissional, assegurando
à todos, o direito de solucionar seus problemas particulares ao buscas auxílio
profissional de terceiros, seja um advogado, um médico, um psicólogo, um
padre, todos denominados de confidentes necessários.

A ação nuclear do tipo consiste em revelar a outrem, segredo de que tem


ciência em razão da atividade que exerce e que possa produzir dano a outrem
e seu objeto material é o segredo.

Havendo justa causa para a revelação, o fato é atípico. Isso ocorre diante de
interesses jurídicos maiores, como por exemplo, quando um criminoso
confessa a prática de um crime a seu advogado, que revela o segredo visando
inocentar terceiro acusado. Nota-se também quando há necessidade de
cobrança de honorários advocatícios decorrentes do trabalho realizado pelo
causídico, quando há consentimento do titular do segredo, quando é
necessário para comprovar crime ou sua autoria e quando norma legal
impuser a revelação do segredo.

O sujeito ativo é a pessoa que tiver conhecimento de um segredo em razão do


exercício de função, ministério, ofício ou profissão.

Crime doloso, formal, admite tentativa.

Violação de dispositivo informático

Art. 154-A. Invadir dispositivo informático de uso alheio, conectado ou não à rede de
computadores, com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem
autorização expressa ou tácita do usuário do dispositivo ou de instalar
vulnerabilidades para obter vantagem ilícita: (Redação dada pela Lei nº 14.155, de
2021)

Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº
14.155, de 2021)

§ 1º Na mesma pena incorre quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde


dispositivo ou programa de computador com o intuito de permitir a prática da conduta
definida no caput. (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência

§ 2º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se da invasão resulta
prejuízo econômico. (Redação dada pela Lei nº 14.155, de 2021)

§ 3º Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo de comunicações eletrônicas


privadas, segredos comerciais ou industriais, informações sigilosas, assim definidas
em lei, ou o controle remoto não autorizado do dispositivo invadido: (Incluído pela Lei
nº 12.737, de 2012) Vigência
§ 4º Na hipótese do § 3o, aumenta-se a pena de um a dois terços se houver divulgação,
comercialização ou transmissão a terceiro, a qualquer título, dos dados ou
informações obtidos. (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência

§ 5º Aumenta-se a pena de um terço à metade se o crime for praticado contra:


(Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência

I - Presidente da República, governadores e prefeitos; (Incluído pela Lei nº 12.737, de


2012) Vigência

II - Presidente do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012)


Vigência

III - Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Assembleia


Legislativa de Estado, da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou de Câmara
Municipal; ou (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência

IV - dirigente máximo da administração direta e indireta federal, estadual, municipal


ou do Distrito Federal. (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência

Art. 154-B. Nos crimes definidos no art. 154-A, somente se procede mediante
representação, salvo se o crime é cometido contra a administração pública direta ou
indireta de qualquer dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios
ou contra empresas concessionárias de serviços públicos. (Incluído pela Lei nº 12.737,
de 2012) Vigência

- São tutelados a intimidade, a vida privada e o direito ao sigilo de dados


constantes de dispositivo informático. Foram introduzidos no Código Penal
pela Lei 12.737/2012 (Lei Carolina Dieckmann).

Aqui, o núcleo central da conduta típica consubstancia-se na invasão virtual,


sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo e exige a
finalidade especial do agente de buscar a obtenção, a adulteração ou a
destruição de dados ou informações. Existem, portanto, descrições típicas
distintas, onde uma é invadir dispositivo informático alheio e a outra de
instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita.

Crime comum, doloso, formal, admite tentativa.

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