Boas Práticas em Licitação e BIM
Boas Práticas em Licitação e BIM
DEMOCRATIZANDO BIM:
AGENTES PÚBLICOS
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Módulo 1: Boas práticas – Licitação e Contratação de Projetos e Obras em BIM
Parte 1 – Alinhamento Conceitual
Ficha Institucional
ABDI
SENAI
Ficha Técnica
Coordenação
Leonardo Santana
Felipe Guerrero
Autores
João Gaspar
Rafael Fernandes
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Parte 1 – Alinhamento Conceitual
Sumário
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Parte 1 – Alinhamento Conceitual
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Parte 1 – Alinhamento Conceitual
1. O que é BIM?
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Parte 1 – Alinhamento Conceitual
O caderno destaca que o uso de BIM “desloca a maior parte das tomadas de decisões para o
começo do processo de elaboração do projeto, sendo a modelagem um dos componentes mais
importantes nesse contexto”, uma vez que são modelos BIM devem conter informações sobre
seus elementos e estes devem ser criados de forma a atender as necessidades de projeto [5].
A cartilha destaca a importância do "I" de Informação no BIM, enfatizando que ele não é apenas
um software, mas sim uma nova forma de fazer arquitetura e engenharia de maneira
colaborativa [6].
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forma, o uso de BIM contribui para facilitar a comunicação, reduzir conflitos e melhorar a qualidade das
entregas de projeto e obra.
Sobre a relação entre BIM e as políticas, para que os serviços a serem prestados com uso de BIM sejam
realizados a contento, uma série de diretrizes e normas devem ser elaboradas e respeitadas. Essas diretrizes
devem, entre outras atribuições, regular o uso e a troca de informações digitais em projetos, garantindo
padrões de interoperabilidade e promovendo a transparência e a confiabilidade dos dados utilizados e
compartilhados entre os participantes.
No que se refere aos processos, o uso de BIM tende a induzir mudanças significativas na forma de planejar,
projetar e executar construções, o que resulta em uma melhora na capacidade de se realizar simulações, de
identificar e resolver conflitos de forma antecipada e também de gerir cronogramas, orçamentos e recursos.
Além disso, os processos baseados em BIM são, de forma geral, bastante transparentes, o que contribui para
reduzir desperdícios e retrabalhos.
Finalmente, em relação às tecnologias, para se trabalhar em BIM, é preciso utilizar ferramentas digitais.
Assim, é possível elaborar modelos digitais de um ambiente a ser construído, desde edificações até obras
de infraestrutura, integrando as geometrias tridimensionais — que representam elementos da construção
— às informações que definem e qualificam estes elementos. Esses modelos digitais são feitos em um
ambiente que é compartilhado entre as partes interessadas, e que deve ser estruturado de modo a facilitar
o trabalho cooperativo e colaborativo.
Aliado a uma gestão eficiente e transparente dos processos, com dados centralizados, o uso de BIM pode
facilitar a comunicação e a colaboração entre todas as partes envolvidas. Além disso, o uso de BIM na
elaboração de Estudos Técnicos Preliminares pode contribuir para promover a construção de
empreendimentos mais sustentáveis, com menos desperdício em canteiro e com melhor eficiência
energética.
Sendo proprietárias e operadoras de seus ativos, as instituições públicas podem utilizar os modelos BIM
como referência para a execução da obra e como suporte digital para a produção de modelos BIM para a
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operação do empreendimento, de forma a ser capaz de realizar uma gestão mais eficaz do ciclo de vida
destes ativos, que poderão ser mais duráveis e eficientes.
A elaboração de modelos BIM facilita a avaliação da conformidade do projeto com as mais variadas normas,
além de possibilitar um maior engajamento público nos processos de tomada de decisões, através de
visualizações claras, o que colabora para a geração de impactos econômicos e sociais positivos, melhorando
a produtividade e a alocação de recursos.
Uma das principais constatações a serem apresentadas à equipe, quando se dá início a um processo de
adoção de BIM, é a de que, independentemente da denominação usada para identificar a tarefa a ser
realizada em BIM — “metodologia BIM”, “tecnologia BIM” ou “plataforma BIM” — e independentemente
dos softwares utilizados, o resultado a ser entregue sempre será um modelo BIM, conforme Sinaenco [8].
Desta forma, para que os processos de contratação de projetos e obras em BIM possam ser realizados de
forma tecnicamente consistente e fundamentada, é preciso compreender que,
É a partir dos modelos BIM “que são extraídos outros documentos técnicos, como pranchas com desenhos
técnicos, memoriais descritivos, memórias de cálculo, relatórios etc.” [8].
É por este motivo, portanto, que a maior parte das considerações apresentadas neste material didático se
refere à elaboração e à utilização de modelos BIM.
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Além disso, os Modelos BIM podem ser usados para simular as diversas etapas da construção, permitindo a
identificação e a eliminação de conflitos, o que contribui para uma redução de retrabalhos e desperdícios
durante a execução da obra.
Além da conformidade com as normas que tratam especificamente de BIM, os modelos BIM também deverão
ser auditados e validados para que representem ambientes a serem construídos conforme as demais normas
técnicas vigentes sobre todos os aspectos da construção civil, desde as normativas relacionadas ao projeto
estrutural, por exemplo, até as normas de acessibilidade e desempenho das edificações.
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Parte 1 – Alinhamento Conceitual
Os modelos BIM que representam os ativos, além das informações e documentos associados
a estes, devem ser armazenados de forma segura e permanente; informações organizadas são
cruciais para futuras operações e reformas de edificações públicas.
Embora os termos sejam amplamente utilizados pela comunidade ligada ao uso de BIM, observa-se que não
há consenso entre os profissionais a respeito do significado que deve ser atribuído a “Usos BIM” ou a “Usos
para modelos BIM”. Do mesmo modo, existem diversos trabalhos que elencam “Usos BIM” ou “Usos para
modelos BIM” das mais variadas formas, o que pode inviabilizar o uso destes guias, ou cadernos, ou
pesquisas, como referência pelo poder público, caso haja o interesse em citar “Usos BIM” ou “Usos para
modelos BIM” em um pacote licitatório.
Sendo assim, o presente material didático propõe que os “Usos BIM” ou “Usos para modelos BIM” em
licitações públicas sejam estruturados a partir do que regem as Leis e normas brasileiras, começando pela
Lei 14.133/2021.
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“independentemente de terem sido produzidos à mão, com soluções CAD ou com auxílio
de BIM... a prestação de tais serviços ocorre sempre sob a responsabilidade técnica de
profissionais devidamente habilitados e registrados pelos conselhos profissionais de
arquitetura e engenharia” [8]
Desta forma, compreende-se que os serviços que resultam na entrega de modelos BIM são
tecnicamente subsidiários aos serviços técnicos de natureza predominantemente intelectual
de arquitetura e engenharia [8].
Portanto, para realizar a descrição de Usos BIM ou Usos para Modelos BIM relacionados à
contratação de projetos e obras públicas no âmbito da Lei 14.133/2021, é preciso observar
quais são as áreas de atuação e quais são as atividades regulamentadas para as profissões de
arquitetura e engenharia, conforme será explicitado na próxima seção.
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Parte 1 – Alinhamento Conceitual
I - da Arquitetura e Urbanismo;
II - da Arquitetura de Interiores;
III - da Arquitetura Paisagística;
IV - do Patrimônio Histórico Cultural e Artístico, arquitetônico, urbanístico,
paisagístico;
V - do Planejamento Urbano e Regional;
VI - da Topografia;
VII - da Tecnologia e resistência dos materiais;
VIII - dos sistemas construtivos e estruturais;
IX - de instalações e equipamentos referentes à arquitetura e urbanismo;
X - do Conforto Ambiental;
XI - do Meio Ambiente, Estudo e Avaliação dos Impactos Ambientais [14].
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Parte 1 – Alinhamento Conceitual
Porém, o fato de que as áreas de atuação acima discriminadas não incidem sobre as
engenharias faz com que seja preciso procurar outra referência, de modo a estabelecer uma
relação juridicamente fundamentada entre a 14.133/2021 e o conceitos “Usos BIM” e “Usos
para Modelos BIM”. A referência em questão pode ser a ABNT NBR 15965, o sistema brasileiro
de classificação da informação da construção.
7.3. A ABNT NBR 15965, os “Usos BIM” e “Usos para Modelos BIM”
A ABNT NBR 15965-1:2011
De acordo com o que foi exposto pelo texto normativo, observa-se que o “sistema 15965” é o
responsável pelo oferecimento de uma estrutura de classificação que seja capaz de descrever
todos os conceitos e objetos da indústria da construção civil, o que inclui as áreas de atuação
e atividades de arquitetos e engenheiros e, por consequência, os “Usos BIM e “Usos para
Modelos BIM”.
Tabela 1S – Serviços
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Parte 1 – Alinhamento Conceitual
Código Termo
1S 40 00 00 00 00 00 Serviços de conceituação
1S 40 10 00 00 00 00 Visualização
1S 40 25 00 00 00 00 Autoria
1S 40 65 00 00 00 00 Definição de escopo
1S 40 70 00 00 00 00 Coleta de dados
1S 40 70 01 00 00 00 Estudo
1S 40 70 07 00 00 00 Levantamento
1S 40 70 08 00 00 00 Locação
1S 40 75 00 00 00 00 Quantificação
1S 40 75 01 00 00 00 Retratação de quantidades
1S 40 75 02 00 00 00 Medição
1S 40 75 03 00 00 00 Enumeração
1S 40 80 05 00 00 00 Coordenação
1S 40 95 00 00 00 00 Engenharia de valor
1S 50 00 00 00 00 00 Serviços de projeto
1S 50 10 00 00 00 00 Programação
1S 50 20 00 00 00 00 Planejamento
1S 50 40 00 00 00 00 Desenvolvimento de projeto
1S 50 50 00 00 00 00 Validação de projeto
1S 50 50 01 00 00 00 Verificação de projeto
1S 50 50 02 00 00 00 Confirmação de projeto
1S 50 50 03 00 00 00 Esclarecimento de projeto
1S 60 00 00 00 00 00 Serviços de documentação
1S 60 10 00 00 00 00 Modelagem
1S 70 00 00 00 00 00 Serviços de implementação
1S 70 35 00 00 00 00 Construção
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1S 70 35 01 00 00 00 Edificação
1S 70 35 02 00 00 00 Forma
1S 70 35 03 00 00 00 Concretagem
1S 70 35 04 00 00 00 Montagem
1S 70 35 05 00 00 00 Ligação
1S 70 35 06 00 00 00 Fixação
1S 70 40 00 00 00 00 Pós-construção
1S 70 40 03 00 00 00 Comissionamento
1S 80 00 00 00 00 00 Serviços de utilização
1S 80 15 00 00 00 00 Operação
1S 80 20 00 00 00 00 Manutenção
1S 92 00 00 00 00 00 Serviços do governo
1S 92 10 00 00 00 00 Licenciamento
1S 92 60 00 00 00 00 Inspeção
Tabela 1D – Disciplinas
Código Termos
1D 11 00 00 00 00 00 Planejamento
1D 11 11 00 00 00 00 Planejamento regional
1D 11 31 00 00 00 00 Planejamento rural
1D 11 41 00 00 00 00 Planejamento urbano
1D 21 00 00 00 00 00 Projetos
1D 21 11 00 00 00 00 Arquitetura
1D 21 21 00 00 00 00 Paisagismo
1D 21 23 00 00 00 00 Projeto de interiores
1D 21 27 11 00 00 00 Projeto de sinalização
1D 21 25 00 00 00 00 Especificações/caderno de encargos
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1D 21 27 00 00 00 00 Projeto gráfico
1D 21 31 00 00 00 00 Engenharia
1D 21 31 02 00 00 00 Engenharia agronômica
1D 21 31 11 00 00 00 Engenharia civil
1D 21 31 11 11 00 00 Engenharia geotécnica
1D 21 31 14 00 00 00 Engenharia de estruturas
1D 21 31 14 11 00 00 Engenharia de fundações
1D 21 31 21 00 00 00 Engenharia elétrica
Sendo assim, sempre que for pertinente ao objeto da licitação que se faça alguma relação de
“Usos BIM” ou “Usos para Modelos BIM” no escopo da prestação de serviços técnicos
especializados de natureza predominantemente intelectual de arquitetura e engenharia,
recomenda-se que esta relação seja realizada preferencialmente com base nas Tabelas 1S –
Serviços e 1D – Disciplinas da NBR 15965- 3:2014 [15].
Descrição: utiliza escaneamento a laser embarcado em drones, veículos ou outros meios para
realizar a captura da realidade, ou das condições existentes, com o propósito de fornecer as
informações necessárias, para a construção de modelos BIM, das condições físicas e
geométricas do local que receberá o objeto da licitação.
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Descrição: os modelos BIM são utilizados para detectar e solucionar interferências entre
diferentes disciplinas (estrutural, elétrica, hidráulica etc.).
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Descrição: integra a programação de atividades construtivas com o modelo BIM para realizar
simulações de sequências de execução da obra, até que se conclua qual a sequência mais
vantajosa para a realização do empreendimento.
Recomenda-se que esta atividade só seja iniciada após a finalização da etapa de auditoria e
a validação dos modelos BIM, sob risco de os dados extraídos não corresponderem ao que será
realmente executado em obra.
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Especificação em Licitação: deverá ser exigida a entrega do modelo “as built” com critérios
de atualização e precisão definidos.
Aplicação: permite a gestão eficiente dos ativos públicos e a integração com sistemas de
Facility Management (FM).
Especificação em Licitação: detalha quais tipos de informações devem ser associadas aos
modelos BIM e demais documentações a serem estruturadas pelos sistemas de gestão a serem
utilizados.
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Referências
[1] BRASIL. 11.888. Brasil (2024). DECRETO No 11.888, DE 22 DE JANEIRO DE 2024. Dispõe sobre a
Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modelling no Brasil - Estratégia BIM BR
e institui o Comitê Gestor da Estratégia do Building Information Modelling - BIM BR. . 2024, p. 1.
[2] ABDI. Coletânea Guias BIM ABDI-MDIC. Brasília, DF: ABDI, 2017.
[4] PLANBIM. Norma BIM para projetos públicos - Troca de informação entre solicitante e
fornecedores. Santiago, Chile: CORFO, 2019.
[5] SEHAB. Caderno de Projetos em BIM 2a Edição. 1. ed. São Paulo: KPMO Cultura e Arte, 2022.
[6] PARANÁ. BIM NAS PREFEITURAS: Primeiros Passos para Inovação Digital nas Obras
Públicas. Curitiba, PR: DGI/SEIL, 2023.
[7] BRASIL. Brasil (2020). DECRETO No 10.306, DE 2 DE ABRIL DE 2020. Estabelece a utilização do
Building Information Modelling na execução direta ou indireta de obras e serviços de engenharia... .
2020.
[9] GASPAR, J. A. DA M. Auditoria de Modelos BIM. . Simpósio apresentado em XIX SINAOP - Simpósio
Nacional de Auditoria de Obras Públicas. Brasília, DF, 22 nov. 2021. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 25
dez. 2023
[11] RALPH G. KREIDER; JOHN I. MESSNER. The Uses of BIM: Classifying and Selecting BIM Uses.
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[12] SUCCAR, B. et al. Model uses: foundations for modular requirements clarification language.
. Em: AUSTRALASIAN UNIVERSITIES BUILDING EDUCATION ASSOCIATION CONFERENCE. Cairns, 2016.
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Parte 1 – Alinhamento Conceitual
[15] ABNT. ABNT NBR 15965-3, Sistema de classificação da informação da construção – Parte
3: Processos da construção. Rio de Janeiro, [Link], , 28 nov. 2014. . Acesso em: 25 dez. 2023
[16] ASTM. ASTM E2807-11(2019)e1, Standard Specification for 3D Imaging Data Exchange,
Version 1.0. West Conshohocken, EUA, 2022. Disponível em: <[Link]
[Link]>. Acesso em: 29 out. 2024
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