O Impacto do Pronaf sobre a
Sustentabilidade da Agricultura Familiar,
Geração de Emprego e Renda no Estado do Ceará
Nagilane Parente Damasceno1
Ahmad Saeed Khan2
Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima3
Resumo: O estudo analisa a contribuição do Pronaf (Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura Familiar) para o desenvolvimento sustentável
da agricultura familiar no estado do Ceará. Para tal finalidade, foi realizado
um levantamento de dados primários nos municípios de Baturité, Igutau e
Quixadá. Foram aplicados 30 questionários em cada município, sendo 15 para
beneficiários e 15 para não beneficiários, totalizando 90 questionários. Através
do cálculo do Índice de Sustentabilidade (IS), do emprego agropecuário por
hectare cultivado e da renda agropecuária por hectare cultivado foi possível
mensurar o nível de desenvolvimento sustentável dos agricultores familiares
beneficiários e não beneficiários, e o efeito do programa sobre a renda e o
emprego. Com base em análise descritiva e na aplicação dos testes t de Student,
Qui-Quadrado e U de Mann-Whitney foram realizadas comparações entre os
grupos de agricultores familiares selecionados. Tanto os agricultores familiares
beneficiários quanto aqueles não beneficiários apresentaram baixo nível de
sustentabilidade. O Pronaf teve impacto positivo, mas não significante sobre a
geração de renda, e efeito positivo sobre o emprego.
Palavras-chave: Pronaf, sustentabilidade, agricultura familiar, renda, emprego.
Abstract: This study analyzes the contribution of Pronaf (National Program for
Strengthening of Family Farming) for the sustainable development of family farming in
the Ceará state. For this purpose, primary data was obtained through the application of
15 questionnaires to beneficiaries and the equal number to non-beneficiaries in Baturite,
Iguatu and Quixada counties, totaling 90 questionnaires. The sustainability index,
1
Economista, Mestre em Economia Rural pela Universidade Federal do Ceará.
2
PhD em Economia Agrícola e Recursos Naturais, Professor da Universidade Federal
do Ceará, Bolsista CNPq.
3
Doutora em Economia Aplicada, Professora da Universidade Federal do Ceará, Bolsista
CNPq.
130 O Impacto do Pronaf sobre a Sustentabilidade da Agricultura Familiar,
Geração de Emprego e Renda no Estado do Ceará
employment and farm income per cultivated hectare were calculated to measure the impact
of the program on the sustainable development, generation of income and employment
on family farms of beneficiaries. Based on the descriptive analysis and the application of
the t Student test, Chi-Square test and Mann-Whitney U test, comparisons between the
selected groups of family farming were promoted. Results showed that the beneficiaries
and non-beneficiaries have a low sustainability level. Pronaf had a positive impact, but not
significant on farm income generation, and positive effect on the creation of employment.
Key-words: Pronaf, sustainability, family farming, income, employment.
Classificação JEL: Q16, Q18.
1. Introdução
A agricultura familiar exerce um papel fundamental no desenvolvimento
social e no crescimento equilibrado do País. Os milhões de pequenos produtores
que compõem a agricultura familiar fazem dela um setor em expansão e de
vital importância para o Brasil. Todos os anos, a agricultura familiar movimenta
bilhões de reais no País, produzindo a maioria dos alimentos que são consumidos
nas mesas brasileiras. Além disso, contribui para a criação de empregos, geração
e distribuição de renda e diminuição do êxodo rural.
De modo a promover o acesso democrático aos recursos produtivos, reduzir
as desigualdades e melhorar o bem-estar das famílias inseridas no setor rural,
o governo tem implementado diversos mecanismos de fomento à produção,
combate à fome e geração de emprego e renda.
Nesse sentido, a primeira iniciativa concreta ocorreu em 1996, com a
instituição do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura
Familiar), ampliado a partir de 2004. Com o programa, os agricultores familiares
conquistaram maior atenção do governo federal e ações específicas destinadas
a promover a melhoria das suas condições de vida. Até então, os instrumentos
de apoio destinados a esta categoria estavam divididos em diversas políticas
setoriais (política agrícola, programas de colonização, política de combate à
pobreza rural etc.) e em categorias operacionais (BUAINAIN, 2006).
A partir de então, o Pronaf passa a ser considerado um importante
instrumento de Estado ao possibilitar a captação de capital financeiro e humano,
o que pode viabilizar a obtenção da sustentabilidade dos agricultores e de suas
famílias. Com base nos princípios de participação, parceria, descentralização e
gestão social, o Pronaf tem como alicerce o amadurecimento do exercício da
democracia, o que ocorre, principalmente, por meio dos Conselhos Municipais
de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS), onde o agricultor familiar
e os diversos representantes dos segmentos sociais dos municípios debatem
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Nagilane Parente Damasceno, Ahmad Saeed Khan e 131
Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima
seus problemas e apontam as alternativas de solução, a partir de suas próprias
experiências, necessidades e prioridades (LIMA NETO, 1999).
Os relatórios institucionais recentes do Pronaf destacam que este foi,
[...] desde o início, concebido e executado como um programa de apoio
ao desenvolvimento local, e não somente como meio de levar crédito
aos agricultores e enviar recursos a municípios carentes: tão importante
quanto o crédito, os recursos e a formação dos agricultores e dos técnicos,
é a integração dessas políticas, que se consegue, antes de tudo, pelo
esforço das organizações e do estimulo à coordenação entre os atores
econômicos privados, organizações associativas e diferentes esferas do
governo (PRONAF, 2002).
Para a safra 2007/2008, o governo federal colocou à disposição dos agricultores
familiares de todo o País R$ 12 bilhões em financiamento rural do Pronaf, com a
meta de alcançar 2,2 milhões de famílias (MDA, 2007). Já o Plano Safra 2008/2009
lançou significativas alterações no Pronaf, além de disponibilizar R$ 13 bilhões
para a agricultura familiar (MDA, 2008).
Com o surgimento do Pronaf, o discurso a favor da sustentabilidade se
fez presente. No entanto, a realidade tem mostrado que este programa ainda
deixa muito a desejar, tendo em vista que predomina o simples incentivo à
produtividade e supersafras, sem refutação dos processos produtivos vigentes
no País (ALTAFIN, 2003).
Embora o volume de crédito disponibilizado pelo governo federal e a
quantidade de famílias beneficiadas aumentem a cada ano, não há um consenso
a respeito dos impactos do programa em relação ao crescimento da renda e
à melhoria do padrão de vida dos agricultores. Algumas pesquisas realizadas
com o intuito de avaliar o Pronaf mostraram que o programa apresenta efeitos
positivos. No entanto, outros estudos mostraram que o programa apresenta
resultados negativos em termos de impacto, além de piorar a situação dos
beneficiários em relação à dos não beneficiários (GUANZIROLI, 2007).
A democratização das políticas públicas representa um caminho promissor
para a construção de um desenvolvimento que seja sustentável não só do
ponto de vista ambiental, social e econômico, mas também político. Apesar da
importância da agricultura familiar para o desenvolvimento local, regional e
nacional, e dos elevados custos de operacionalização do Pronaf, poucos estudos
foram realizados para avaliar o programa no que diz respeito à contribuição
para o desenvolvimento sustentável dos agricultores familiares, assim como
ao seu impacto na geração de emprego e renda. Um estudo com esse objetivo
pode oferecer subsídio ao governo federal para verificar se as políticas que
pretendem melhorar o bem-estar dos agricultores familiares estão funcionando
adequadamente.
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132 O Impacto do Pronaf sobre a Sustentabilidade da Agricultura Familiar,
Geração de Emprego e Renda no Estado do Ceará
1.1. Objetivos
Os objetivos do estudo são:
• Mensurar o desenvolvimento sustentável dos agricultores familiares
selecionados;
• Verificar as principais fontes de renda dos agricultores familiares benefi
ciários e não beneficiários do Pronaf;
• Verificar a diferença na renda agropecuária e não agropecuária dos
beneficiários e não beneficiários do Pronaf;
• Verificar a diferença na quantidade de mão de obra empregada pelos
beneficiários em relação aos não beneficiários do Pronaf.
2. Referencial Teórico
2.1. Desenvolvimento Sustentável
A idéia de sustentável indica algo capaz de ser suportável, duradouro e
conservável, apresentando imagem de continuidade. Trata-se da emergência
de um paradigma, voltado para a orientação dos processos, ou ainda de uma
reavaliação dos relacionamentos da economia e da sociedade com a natureza e
do Estado com a sociedade civil.
O conceito de desenvolvimento sustentável tem dimensões ambientais,
econômicas, sociais, políticas e culturais, o que necessariamente traduz várias
preocupações: com o presente e o futuro das pessoas; com a produção e o
consumo de bens e serviços; com as necessidades básicas de subsistência; com
os recursos naturais e o equilíbrio ecossistêmico; com as práticas decisórias
e a distribuição de poder; e com os valores pessoais e a cultura. O conceito é
abrangente e integral e, necessariamente, distinto, quando aplicado às diversas
formações sociais e realidades históricas (JARA, 1996).
O que é sustentável nos países desenvolvidos da pós-modernidade
globalizada não é necessariamente sustentável para os países dependentes e
pobres. A sustentabilidade diz respeito a um significado dinâmico e flexível,
centrado no respeito à vida. A redução da pobreza, a satisfação das necessidades
básicas, a melhoria da qualidade de vida da população, o resgate da equidade e
o estabelecimento de uma forma de governo que garanta a participação social
nas decisões são condições essenciais para que o processo de desenvolvimento
seja julgado como sustentável (JARA, 1996).
O desenvolvimento sustentável refere-se aos processos de transformação
socioeconômica e institucional que intencionam assegurar a satisfação das
necessidades básicas da população e a equidade social, tanto no presente quanto
no futuro, promovendo oportunidades de bem-estar econômico que sejam
compatíveis com as circunstâncias ecológicas de longo prazo (SIENA, 2002 apud
RABELO, 2008).
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Nagilane Parente Damasceno, Ahmad Saeed Khan e 133
Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima
O conceito de desenvolvimento sustentável teve origem a partir do Clube
de Roma, formado por intelectuais e empresários que não eram militantes
ecologistas. Por intermédio dele foram produzidos os primeiros estudos
científicos a respeito da preservação ambiental, apresentados entre 1972 e 1974.
Tais estudos relacionavam quatro grandes questões que deveriam ser
solucionadas para que se alcançasse a sustentabilidade: o controle do crescimento
populacional, o controle do crescimento industrial, a insuficiência da produção
de alimentos e o esgotamento dos recursos naturais.
Essas discussões se ampliaram e o movimento ambientalista foi se formando
e ganhando importância no plano internacional, sendo que, em 1972, foi
realizada a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente,
em Estocolmo (Suécia), na qual foram destacados 27 princípios norteadores da
relação homem-natureza.
Este conjunto de princípios denunciava, em grande parte, a responsabilidade
do subdesenvolvimento pela degradação ambiental e estabelecia a base teórica
para a expressão desenvolvimento sustentável.
Em 1987, a Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento,
presidida pela primeira ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland,
elaborou um documento denominado “Nosso Futuro Comum”, segundo o
qual os governos signatários se comprometiam a promover o desenvolvimento
econômico e social em conformidade com a preservação ambiental.
Nesse documento, que também ficou conhecido como Relatório Brundtland,
foram apresentados a definição oficial do conceito de desenvolvimento
sustentável e os métodos para enfrentar a crise pela qual o mundo passava. O
referido documento busca um mundo mais humano e enfatiza que a redução
da pobreza é a precondição para um desenvolvimento ambientalmente justo.
Está implícita também a idéia de alcançar um desenvolvimento contínuo
sem exaurir os recursos naturais, ou seja, o raciocínio sobre o uso racional do
capital ecológico, evitando causar prejuízos para a comunidade como um todo.
A proposta de desenvolvimento sustentável teve a vantagem de denunciar
como são inviáveis os atuais modelos de desenvolvimento que seguem padrões
de crescimento econômico não sustentáveis no longo prazo. Além disso, este
conceito prevê que o crescimento econômico não pode ocorrer sem a superação
da pobreza e o respeito aos limites ecológicos.
São esses quatro parâmetros – preservação da natureza, eliminação da
pobreza, crescimento econômico e garantia de existência das gerações futuras
–, concebidos em conjunto, que conferem a possibilidade de alcançar uma
sustentabilidade que seja global.
A definição mais consagrada e simplificada de desenvolvimento sustentável é
apresentada no relatório Nosso Futuro Comum, da Comissão Brundtland, em 1987:
[...] aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer
a capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias neces
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134 O Impacto do Pronaf sobre a Sustentabilidade da Agricultura Familiar,
Geração de Emprego e Renda no Estado do Ceará
sidades, ou como um processo de mudança na qual a exploração dos
recursos, a orientação dos investimentos, os rumos do desenvolvimento
tecnológico e a mudança institucional estão de acordo com as necessidades
atuais e futuras (CMMAD, 1991).
Os conceitos de desenvolvimento sustentável pressupõem continuidade e
permanência da qualidade de vida e da sociedade no longo prazo, caracterizados
pela interação de quatro componentes: econômico, social, cultural e ambiental.
O econômico relaciona-se com a eficiência econômica e com o crescimento
econômico, que são pré-requisitos fundamentais para a elevação da qualidade
de vida com equidade. Esta é a condição necessária, mas não suficiente, do
desenvolvimento sustentável. O segundo, social, tem como propósito a elevação
da qualidade de vida e a equidade social, que são os objetivos centrais do modelo
de desenvolvimento sustentável.
No terceiro componente, associado à questão cultural, pode ser inserida a
variável capital social na perspectiva do “empowerment”4, uma abordagem que
coloca as pessoas e o poder no centro dos processos de desenvolvimento. É
um processo pelo qual as pessoas, as organizações e as comunidades tomam
o controle de seus próprios assuntos, de sua própria vida e tomam consciência
da sua habilidade e competência para produzir, criar e gerir (ROMANO, 2002).
Já o quarto, ambiental, é o componente decisivo da sustentabilidade
do desenvolvimento, pois a conservação ambiental permite a segurança da
qualidade de vida das gerações futuras e equidade social sustentável e contínua
ao longo do tempo.
O conceito da Comissão Brundtland, porém, não esclarece como vão ser
satisfeitas as necessidades, nem sequer quais são essas necessidades ou de quais
comunidades ou grupos sociais. As reflexões presentes no Relatório Brundtland
e, em especial, o conceito de “desenvolvimento sustentável”, serviram de
fundamentação teórica para as principais propostas levadas à Conferência
das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD),
realizada em 1992, no Rio de Janeiro.
4
O conceito de empowerment (literalmente, dotação de poder) etimologicamente alude
a: permitir, capacitar, autorizar ou dar poder sobre algo a alguém ou para fazer algo.
Conceitualmente, refere-se ao processo ou mecanismo através do qual pessoas,
organizações ou comunidades adquirem controle ou domínio sobre assuntos ou temas
de seu interesse. O conceito em nível comunitário centra-se na determinação social
e se refere à possibilidade de participação democrática (no sentido de competência
comunitária). Muitos estudos evidenciam o efeito positivo da sinergia entre Estado e
sociedade civil. Como indicado por Durston (1999), em seu trabalho na Guatemala,
a política pública pode contribuir para a formação e fortalecimento do capital social,
empowerment, os setores sociais excluídos, ampliando o impacto dos serviços sociais
sobre a base do compromisso da comunidade e dos agentes de desenvolvimento.
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Nagilane Parente Damasceno, Ahmad Saeed Khan e 135
Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima
Entre os diversos documentos internacionais assinados na conferência,
destaca-se a “Agenda 21”, elaborada como um plano de ação estratégica para
o desenvolvimento sustentável global, tendo como signatários 174 chefes de
governo. A “Agenda 21” apresenta-se como instrumento que tem como propósito
“identificar atores, parceiros e metodologias para a obtenção de consensos e os
mecanismos institucionais necessários para sua implementação e monitoramento”.
Nos anos recentes, tanto no Brasil quanto no exterior, surgiram inúmeras
políticas públicas valorativas da dimensão local, baseadas em estratégias de
planejamento participativo, as quais gravitam em termo polifônico o ideário da
sustentabilidade.
Neste sentido, não é difícil encontrar agentes públicos que fomentam
processos “participativos” – quer seja por modismo, demagogia ou até por falta
de clareza política – e que, no decorrer das discussões, perdem a condução
política do processo frente às demandas da sociedade civil organizada.
Paralelamente, outras experiências, formalmente nomeadas como “Agenda
21 Local”, podem significar um mero exercício de demagogia, representando,
assim, pouco ou nenhum avanço em termos de inovação em políticas públicas.
De modo geral, contudo, quando focada na esfera local – mesmo tendo em conta
os limites de municípios ou até mesmo bairros – as experiências de planejamento
e de intervenção possibilitam o surgimento de um campo fértil para a reflexão
sobre a realidade, além de permitir, ao mesmo tempo, o afloramento e a
canalização de esforços voltados à transformação desta realidade.
Diversos fatores fortalecem esta opção privilegiada pela ação local. O capítulo
40 da “Agenda 21” contém um plano de ação que abriga mais de 200 propostas
de introdução de mudanças a partir de 1992, que foi reforçado pela terceira5
conferência sobre desenvolvimento sustentável (Rio + 10), realizada em agosto/
setembro de 2002, em Johanesburgo, África do Sul. Tal proposta, além de clamar
pelo desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade, tem a finalidade de
fornecer subsídios à formulação de políticas estaduais e acordos internacionais,
bem como à tomada de decisão por atores públicos e privados. Também busca
conferir ao conceito de sustentabilidade maior concretude e funcionalidade.
3. Metodologia
3.1. Área de Estudo e Fonte de Dados
A presente pesquisa foi realizada com agricultores familiares beneficiários e
não beneficiários do Pronaf B nos municípios de Baturité, Iguatu e Quixadá, no
estado do Ceará.
5
A primeira conferência sobre desenvolvimento sustentável ocorreu em Estocolmo,
Suécia, em 1972, e a segunda no Rio de Janeiro, em 1992 (Eco-92).
RESR, Piracicaba, SP, vol. 49, nº 01, p. 129-156, jan/mar 2011 – Impressa em maio 2011
136 O Impacto do Pronaf sobre a Sustentabilidade da Agricultura Familiar,
Geração de Emprego e Renda no Estado do Ceará
O município de Baturité situa-se no norte cearense, faz parte da macrorregião
de planejamento de Baturité e encontra-se localizado a 79 km de Fortaleza,
ocupando uma área geográfica de 308,78 km2. A população do município em
2007 era de 31.630 habitantes, sendo 27,68% residentes na zona rural (IPECE,
2007a, 2008).
O município de Iguatu situa-se no centro-sul cearense, faz parte da
macrorregião de planejamento do Cariri/Centro Sul e encontra-se localizado a
306 km de Fortaleza, ocupando uma área geográfica de 1.029,00 km2. A população
do município em 2007 era de 92.305 habitantes, sendo 24,38% residentes na zona
rural. (IPECE, 2007b, 2008).
O município de Quixadá situa-se no sertão cearense, faz parte da macror
região de planejamento do Sertão Central e encontra-se localizado a 147 km
de Fortaleza, ocupando uma área geográfica de 2.019,82 km2. A população do
município era de 76.114 habitantes em 2007, sendo 30,36% residentes na zona
rural. (IPECE, 2007c, 2008).
Este estudo foi realizado com base em dados primários oriundos da aplicação
de questionários semiestruturados para informações qualitativas e quantitativas
junto a 45 produtores beneficiários, incluídos na categoria B do Pronaf, e a 45
produtores não beneficiários do programa, selecionados aleatoriamente nos
municípios de Baturité, Iguatu e Quixadá.
3.2. Modelo Empírico
3.2.1. Procedimento Metodológico
para a Criação do Índice de Sustentabilidade (IS)
Para a elaboração do índice de sustentabilidade da agricultura familiar nos
municípios selecionados, foi necessária a elaboração de quatro índices adicionais
(índice de desenvolvimento econômico-social, índice de capital social, índice
ambiental e índice político-institucional), considerando-se um elenco de indica
dores representativos dos mesmos.
Nesta visão, foi desenvolvido o seguinte Índice de Sustentabilidade:
k
IS = 1 / Ih (1)
K h=1
Em que:
IS = Índice de Sustentabilidade;
Ih = valor do h-ésimo índice;
h = 1, ..., k (índice).
O valor do h-ésimo índice foi calculado pela seguinte equação:
s
Ih = 1 / Cl (2)
S l=1
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Nagilane Parente Damasceno, Ahmad Saeed Khan e 137
Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima
A contribuição de cada indicador no Ih dos municípios foi obtida da seguinte
maneira:
Cl = 1 / ; 1 / c mE
m n
Eij
(3)
M j = 1 n i = 1 E max i
Em que:
Cl = contribuição do indicador “l” no lh dos agricultores familiares;
Eij = escore da i-ésima variável do indicador “l” obtida pelo j-ésimo agricultor
familiar;
E max i = escore máximo da i-ésima variável do indicador “l”;
i = 1, ..., n (variáveis que compõem o indicador “l”);
j = 1, ..., m (agricultores familiares);
l = 1, ..., s (indicadores que compõem o lh).
O valor do Índice de Sustentabilidade é a média aritmética dos quatro
índices citados anteriormente; quanto mais próximo de 1, maior o nível de
sustentabilidade dos agricultores familiares. O índice está situado dentro do
intervalo 0 ≤ IS ≤ 1, sendo:
a) Baixo nível de sustentabilidade 0 ≤ IS ≤ 0,5
b) Médio nível de sustentabilidade 0,5 < IS ≤ 0,8
c) Alto nível de sustentabilidade 0,8 < IS ≤ 1
[Link]. Índice de Desenvolvimento Econômico-Social (IDES)
A seguir são apresentadas as variáveis, com os seus respectivos escores,
que fizeram parte dos indicadores utilizados para a aferição do índice de
Desenvolvimento Econômico e Social. Foram considerados os seguintes
indicadores: I) saúde; II) educação; III) habitação; IV) condições sanitárias e de
higiene; V) lazer; VI) econômico.
I) Indicador Saúde
As condições de saúde podem refletir o impacto do Pronaf sobre a geração
de renda e sobre o nível de investimento em capital humano, pois os indivíduos
mais pobres apresentam maior probabilidade de adoecer. A perda de rendimento
decorrente desse pior estado de saúde pode torná-lo ainda mais pobre.
Para este indicador, foi considerada a disponibilidade de serviços de saúde
aos agricultores familiares e suas famílias, tais como:
a) Ausência de atendimento médico e ambulatorial 0
b) Atendimento de primeiros socorros 1
c) Atendimento por agente de saúde 2
d) Atendimento médico 3
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138 O Impacto do Pronaf sobre a Sustentabilidade da Agricultura Familiar,
Geração de Emprego e Renda no Estado do Ceará
II) Indicador Educação
Para este indicador, foi considerada a existência ou ausência de serviços
educacionais para os agricultores familiares e suas famílias, com os respectivos
escores:
a) Ausência de escolas públicas ou comunitárias 0
b) Escolas de curso de alfabetização 1
c) Escolas de ensino fundamental 2
d) Escolas de ensino médio 3
e) Instituições de ensino superior 4
III) Indicador Habitacional
Foram considerados os seguintes aspectos habitacionais dos agricultores
familiares: i) condição de domicílio; ii) tipo de construção de residência; iii)
energia utilizada na residência.
III.1 – Condição de domicílio:
a) Alugada 0
b) Cedida 1
c) Própria 2
III.2 – Tipo de construção da residência:
a) Casa de taipa 0
b) Casa de tijolo, sem reboco e piso de terra 1
c) Casa de tijolo, com reboco e piso de cimento 2
d) Casa de tijolo, com reboco e piso de cerâmica 3
III. 3 – Iluminação utilizada na residência:
a) Lamparina e/ou velas 0
b) Lampião a querosene e/ou a gás 1
c) Energia elétrica 2
IV) Indicador Condições Sanitárias e Higiene
Este indicador foi elaborado com base em quatro variáveis: i) destino dado
aos dejetos humanos; ii) origem da água para consumo humano; iii) tipo de
tratamento dado à água para o consumo humano; iv) destino dado ao lixo
domiciliar.
IV.1 – Destino dado aos dejetos humanos:
a) Jogado a céu aberto ou enterrado 0
b) Dirigido à fossa rudimentar 1
c) Dirigido à fossa séptica 2
d) Rede pública de esgoto 3
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Nagilane Parente Damasceno, Ahmad Saeed Khan e 139
Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima
IV.2 – Origem da água para consumo humano:
a) Caminhão pipa 0
b) Diretamente do açude ou rio 1
c) Poço ou cacimba 2
d) Chafariz 3
e) Água encanada da rede pública 4
IV. 3 – Tipo de tratamento dado à água para consumo humano:
a) Nenhum tratamento 0
b) Fervida, filtrada ou com hipoclorito de sódio 1
IV.4 – Destino dado ao lixo domiciliar:
a) Jogado ao solo ou queimado 0
b) Enterrado 1
c) Recolhido através de coleta domiciliar 2
V) Indicador Econômico
Foi utilizada a renda anual da família (renda agropecuária + renda não
agropecuária) como indicador econômico.
Os agricultores familiares foram divididos nos quatro grupos apresentados
a seguir:
a) R ≤ R$ 4.980,00 0
b) R$ 4.980,00 < R ≤ R$ 9.960,00 1
c) R$ 9.960,00 < R ≤ R$ 14.940,00 2
d) R > 14.940,00 3
VI) Indicador Lazer
Concernente a este indicador, o agricultor familiar foi indagado a respeito
do tipo de entretenimento disponível, considerando-se os seguintes escores:
a) Nenhuma infraestrutura de lazer 0
b) Barragem/balneário/rio ou salão de festa ou campo de futebol
ou acesso à praia ou festas religiosas/populares 1
c) Duas opções pertencentes ao item b 2
d) Três opções pertencentes ao item b 3
e) Mais de três opções pertencentes ao item b 4
[Link]. Índice de Capital Social (ICS)
O índice de capital social neste estudo foi elaborado a partir de indicadores
que expressam as relações interpessoais dos agricultores familiares pesquisados.
A acumulação de capital social dos agricultores familiares nos municípios
selecionados foi mensurada com base no Índice de Capital Social, resultante da
agregação dos seguintes indicadores:
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140 O Impacto do Pronaf sobre a Sustentabilidade da Agricultura Familiar,
Geração de Emprego e Renda no Estado do Ceará
I) As pessoas sempre se interessam mais pelo seu bem-estar e de suas
famílias, e não se preocupam muito com o bem-estar da comunidade?
(0) Sim
(1) Não
II) Quanta influência você acredita que tem para fazer da sua comunidade
um local melhor para viver?
(0) Nenhuma influência
(1) Pouca influência
(2) Média influência
(3) Grande influência
As demais perguntas relativas aos indicadores que compõem o índice de
capital social foram respondidas de acordo com o seguinte critério: (0) Não ou
(1) Sim.
III) O (a) Sr. (Sra.) foi comunicado(a) e convidado(a) para assistir reuniões/
assembléias da associação?
IV) O (a) Sr. (Sra.) frequenta as reuniões da associação?
V) Todas as questões são respondidas em reuniões?
VI) O (a) Sr. (Sra.) participa da escolha dos líderes da associação?
VII) As decisões são aprovadas em reuniões/assembléias?
VIII) Nas reuniões, o (a) Sr. (Sra.) apresenta sugestões?
IX) As decisões tomadas são efetivamente executadas pela diretoria?
X) A associação realiza a prestação de contas com os associados?
XI) O (a) Sr. (Sra.) participa com cota (taxa)?
XII) O (a) Sr. (Sra.) participa na elaboração de eventos sociais?
XIII) Se o (a) Sr. (Sra.) tiver um problema, sempre aparecerá alguém para
ajudar?
XIV) O (a) Sr. (Sra.) está satisfeito com o processo de escolha dos dirigentes?
XV) O (a) Sr. (Sra.) confia na maioria dos moradores da comunidade ou
sócios da associação?
XVI) O (a) Sr. (Sra.) tem confiança nos líderes comunitários ou na maioria da
diretoria da associação?
XVII) (a) Sr. (Sra.) tem confiança nas autoridades do seu município?
XVIII) O (a) Sr. (Sra.) tem confiança na sua própria capacidade para ajudar a
resolver problemas de sua comunidade?
[Link]. Índice Ambiental (IA)
Conforme Pereira (2001), uma justificativa para a utilização do indicador
de sustentabilidade ambiental é a seguinte: a preservação e a recuperação do
solo constituem uma questão básica, ou seja, qualquer atividade agrícola que
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Nagilane Parente Damasceno, Ahmad Saeed Khan e 141
Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima
destrua o solo, seja no curto ou longo prazo, não pode de forma alguma ser
considerada uma atividade que esteja de acordo com o conceito e a prática de
desenvolvimento sustentável.
A seguir é apresentada a relação dos indicadores que foram utilizados
no cálculo do índice, com seus respectivos escores, para a aferição do Índice
Ambiental.
I) Como é feita a conservação do solo?
(0) Não é realizada nenhuma prática de conservação
(1) Através de práticas mecânicas
(2) Através de práticas biológicas
II) Que método de controle de praga o (a) Sr. (Sra.) utiliza na unidade
produtiva?
(0) Agrotóxico
(1) Nenhum método
(2) Biológico
III) Faz utilização de fogo nas atividades agropecuárias?
(0) Sim
(1) Não
IV) Qual é a intensidade do uso de agrotóxicos?
(0) 2 ou mais produtos
(1) 1 produto
(2) Nenhum produto
V) Qual é o destino dos restos das culturas?
(0) Queima
(1) Alimentação animal/venda a terceiros
(2) Incorporação ao solo após a colheita
As demais questões relativas aos indicadores que compõem o índice ambiental
foram respondidas de acordo com o seguinte critério: (0) Não (1) Sim
VI) Faz plantio de árvore para fins de conservação de solos?
VII) Existe alguma área de reserva de mata nativa na propriedade?
VIII) A casa tem sistema de esgoto ou algum tipo de fossa?
IX) Faz rotação de cultura?
X) Se necessário, faz calagem?
XI) Faz análise de solo?
XII) Faz adubação verde?
XIII) Utiliza material orgânico?
XIV) Utiliza o solo de acordo com a sua vocação?
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142 O Impacto do Pronaf sobre a Sustentabilidade da Agricultura Familiar,
Geração de Emprego e Renda no Estado do Ceará
[Link]. Índice Político-Institucional (IPI)
O Índice Político-Institucional caracteriza-se pela efetividade ou não de
políticas públicas voltadas para os agricultores familiares, como, por exemplo:
assistência técnica, difusão de tecnologias e crédito. Nesse contexto, foram
observados os tipos de políticas públicas com os quais a agricultura familiar
é contemplada e, ao mesmo tempo, se essas políticas são eficazes, eficientes e
efetivas.
São apresentadas a seguir as questões relativas aos indicadores que compõem
o índice político-institucional. As questões foram respondidas de acordo com o
seguinte critério: (0) Não ou (1) Sim.
I) Recebeu assistência técnica pública?
II) Recebeu crédito de instituição pública?
III) Participou do Programa Hora de Plantar?
IV) Recebeu produtos e serviços oferecidos pelo escritório municipal de
agricultura?
V) Participou de algum curso de capacitação?
VI) Recebeu tecnologias geradas ou apropriadas por instituições públicas?
3.2.2. Análise do Efeito do Programa sobre a Renda
[Link]. Renda Agropecuária
O cálculo da diferença na renda agropecuária do beneficiário do Pronaf em
relação à renda do não beneficiário foi realizado da seguinte forma:
c S c S
DRagb = c/ Pgb Agb Zgb + / Pvb Qvb m - c/ Pgn Agn Agn + / Pvn Qvn m
g=1 v=1 g=1 v=1
(4)
DRagb = Ragb - Ragn
Em que:
Pgb = preço da cultura g recebido pelo produtor beneficiário do Pronaf;
Pgn = preço da cultura g recebido pelo produtor não beneficiário do Pronaf;
Agb = área colhida da cultura g pelo produtor beneficiário do Pronaf;
Agn = área colhida da cultura g pelo produtor não beneficiário do Pronaf;
Zgb = produtividade da cultura g obtida pelo produtor beneficiário do Pronaf;
Zgn = produtividade da cultura g obtida pelo produtor não beneficiário do Pronaf;
Pvb = preço do produto v de origem pecuária recebido pelo beneficiário;
Qvb = quantidade produzida do produto v de origem pecuária pelo beneficiário
do Pronaf;
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Nagilane Parente Damasceno, Ahmad Saeed Khan e 143
Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima
Pvn = preço do produto v de origem pecuária recebido pelo não beneficiário do
Pronaf;
Qvn = quantidade produzida do produto v de origem pecuária pelo não
beneficiário do Pronaf;
R agb = renda agropecuária do beneficiário do Pronaf;
R agn = renda não agropecuária do não beneficiário do Pronaf;
∆R agn = diferença na renda agropecuária do produtor beneficiário;
g = 1, 2, ..., c (culturas);
v = 1, 2, ..., s (atividades de origem pecuária);
b = 1, 2, ..., m (beneficiários);
n = 1, 2, ..., d (não beneficiários)
[Link]. Renda Não Agropecuária
A diferença na renda não agropecuária da família do beneficiário em relação
à família do não beneficiário pelo Pronaf foi verificada pela seguinte equação:
S S
DRnab = / Rkb - / Rkn
k=1 k=1
(5)
DRnab = Rnab - Rnan
Em que:
Rkb = renda associada à atividade não agropecuária k dos membros da família do
beneficiário do Pronaf;
Rkn = renda associada à atividade não agropecuária k dos membros da família do
não beneficiário do Pronaf;
Rnab = renda não agropecuária dos membros da família do beneficiário do Pronaf;
Rnan = renda não agropecuária dos membros da família do não beneficiário do
Pronaf.
k = 1, ..., s (atividades não agropecuárias).
[Link]. Renda Total
A diferença na renda total da família do agricultor beneficiário em relação
à família do agricultor não beneficiário pelo Pronaf foi dada pela seguinte
equação:
DRtb = DRagb + DRnab (6)
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144 O Impacto do Pronaf sobre a Sustentabilidade da Agricultura Familiar,
Geração de Emprego e Renda no Estado do Ceará
[Link]. Renda Agropecuária por Hectare Cultivado
A diferença na renda agropecuária por hectare cultivado do beneficiário
do Pronaf em relação à renda do não beneficiário foi calculada pela seguinte
equação:
Ragb Ragn
DRagbh = c - c
/A gb /A gn
g=1 g=1
(7)
DRagbh = Ragbh - Ragnh
Em que:
R agbh = renda agropecuária por hectare cultivado do beneficiário;
R agnh = renda agropecuária por hectare cultivado do não beneficiário.
A diferença na média da renda agropecuária por hectare cultivado dos
beneficiários e não beneficiários foi obtida da seguinte forma:
m d
DR agbh = 1 / Ragbh - 1 / Ragnh
m b=1 d n=1
(8)
DR agbh = R agbh - R agnh
Em que:
Ragb = média da renda agropecuária por hectare cultivado dos beneficiários;
Ragnh = média da renda agropecuária por hectare cultivado dos não beneficiários.
3.2.3. Análise do Efeito do Programa sobre o Emprego
[Link]. Emprego Agropecuário
O total de emprego agropecuário na propriedade do beneficiário do
Pronaf foi determinado com base no trabalho requerido na área cultivada na
propriedade, conforme descrito a seguir:
c s
E1b = / tgb agb + / tvb (9)
g=1 v=1
Em que:
E1b = emprego agropecuário total na propriedade do beneficiário;
tgb = quantidade de mão de obra empregada por hectare da cultura g na
propriedade do beneficiário do Pronaf;
agb = área cultivada da cultura g na propriedade do beneficiário do Pronaf;
tvb = quantidade de mão de obra empregada na atividade pecuária v na pro
priedade do beneficiário do Pronaf;
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Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima
O cálculo da diferença no trabalho total foi realizado tomando-se a
diferença na mão de obra total empregada na propriedade dos beneficiários e
não beneficiários do Pronaf, como escrito a seguir:
m c d c m s d s
DE1 = c/ / tgb agb - / / tgn agn m + c/ / tvb - / / tvn m (10)
b=1 g=1 n=1 g=1 b=1 v=1 n=1 v=1
Em que:
∆E1 = diferença no emprego agropecuário, na propriedade do beneficiário,
resultante do Pronaf;
tgb, agb e tvb = descritos anteriormente;
tgn = quantidade de mão de obra empregada na cultura g por hectare na
propriedade do não beneficiário;
agn = área cultivada da cultura g na propriedade do não beneficiário;
tvn = quantidade de mão de obra empregada na atividade pecuária v pelo não
beneficiário;
g = 1, ..., c (culturas);
v =1, ..., s (atividades pecuárias);
b = 1, ..., m (beneficiários do Pronaf);
n = 1, ..., d (não beneficiários do Pronaf).
[Link]. Emprego Agropecuário por Hectare
Como foi observado no estudo que a área média cultivada pelos produtores
beneficiários é bem inferior à área média cultivada pelos não beneficiários, e
este fator pode influenciar a utilização de mão de obra nas propriedades,
ocasionando um viés, o emprego total calculado foi dividido pela área total
cultivada, de modo a obter-se o emprego agropecuário por hectare.
Para calcular o emprego agropecuário por hectare, considerou-se que o
trabalhador trabalha oito horas por dia e 240 dias por ano. Utilizou-se ainda
o coeficiente idade, com base no trabalho de Pereira (2007), sobre a agricultura
familiar em Mato Grosso, descrito a seguir:
14 a 17 anos = 65% de homem/dia
18 a 60 anos = 100% de homem/dia
Acima de 60 anos = 75% de homem/dia
Já o coeficiente sexo foi obtido do artigo de Silva e Kageyama (1983), no
qual é apresentado o conceito de equivalente homem que, segundo os autores,
representa a força de trabalho de um homem adulto ocupando todos os dias do
ano. Sendo assim, para cada tipo de emprego, há um peso distinto para homens,
mulheres e adolescentes, exibido a seguir:
Homem = 1
Mulher = 0,66
Adolescente = 0,4
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146 O Impacto do Pronaf sobre a Sustentabilidade da Agricultura Familiar,
Geração de Emprego e Renda no Estado do Ceará
A diferença na mão de obra por hectare cultivado na propriedade do
beneficiário foi calculada pela seguinte equação:
DE3 = E1b - E1n
Atb Atn
(11)
DE3 = E4 - E5
Em que:
E1b = mão de obra agropecuária total empregada na propriedade do beneficiário
do Pronaf;
E1n = mão de obra agropecuária total empregada na propriedade do não
beneficiário do Pronaf;
Atb = área total cultivada na propriedade do beneficiário;
Atn = área total cultivada na propriedade do não beneficiário;
E4 = mão de obra agropecuária por hectare cultivado empregada na propriedade
do beneficiário;
E5 = mão de obra agropecuária por hectare cultivado empregada na propriedade
do não beneficiário.
A diferença na média da mão de obra agropecuária por hectare cultivado
empregada nas propriedades dos beneficiários e não beneficiários foi obtida
como a seguir:
m d
DE6 = 1 / E4 - 1 / E5
m b=1 d n=1
(12)
DE6 = E 4 - E 5
Em que:
E 4 = média da mão de obra agropecuária por hectare cultivado empregada nas
propriedades dos beneficiários;
E 5 = média da mão de obra agropecuária por hectare cultivado empregada nas
propriedades dos não beneficiários.
3.2.4. Comparação dos Agricultores Beneficiários
e não Beneficiários do Pronaf
Com o objetivo de realizar comparações entre os agricultores beneficiários
e não beneficiários do Pronaf, foram realizados testes de hipótese, que variam
de acordo com a natureza da variável analisada. Foi considerado o nível de
significância de 5%. A seguir, são apresentados os testes estatísticos adotados.
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Nagilane Parente Damasceno, Ahmad Saeed Khan e 147
Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima
[Link]. Teste “t” de Student para Dados não Pareados
O teste “t” de Student para dados não pareados é um teste paramétrico
que permite comparar uma mesma variável em duas amostras diferentes, em
um determinado instante. Foi empregado nas análises envolvendo variáveis
quantitativas e com distribuição normal.
[Link]. Teste Qui-Quadrado para Independência ou Associação (χ²)
Uma das importantes aplicações do teste qui-quadrado ocorre quando se
deseja verificar a associação ou dependência entre duas variáveis qualitativas,
diga-se X e Y, ou quando se quer comparar dois grupos (caso deste estudo).
Um teste de homogeneidade ou aderência testa a hipótese nula de que um
grupo A não difere de um grupo B quanto a uma determinada variável.
[Link]. Teste U de Mann-Whitney
Trata-se de um teste não paramétrico que pode ser aplicado para variáveis
intervalares ou ordinais e é utilizado para verificar diferenças entre duas
amostras independentes.
4. Análise dos Resultados
4.1. Índice de Sustentabilidade
Dada a importância da agricultura familiar para o desenvolvimento do
País, é fundamental que este setor tenha condições de se desenvolver de forma
sustentável.
As informações pertinentes à distribuição absoluta e relativa dos beneficiários
e não beneficiários, segundo o IS, são apresentadas na Tabela 1.
Tabela 1. Frequência absoluta e relativa dos beneficiários e não beneficiários,
segundo o IS, no estado do Ceará, 2008.
Beneficiários Não Beneficiários
IS Frequência Frequência Frequência Frequência
Absoluta Relativa (%) Absoluta Relativa (%)
0 > 0,5 24 53,3 41 91,1
0,5 > 0,8 21 46,7 4 8,9
0,8 > 1 0 0,0 0 0,0
Total 45 100,0 45 100,0
Teste U de Mann-Whitney Estatística do teste = 630,0 Sig. = 0,000
Fonte: Dados da pesquisa.
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148 O Impacto do Pronaf sobre a Sustentabilidade da Agricultura Familiar,
Geração de Emprego e Renda no Estado do Ceará
Segundo os resultados, observa-se que a maioria dos produtores beneficiários
(53,3%) e não beneficiários (91,1%) apresenta baixo nível de sustentabilidade. Por
outro lado, 46,7% e 8,9% dos beneficiários e não beneficiários, respectivamente,
apresentam médio nível de sustentabilidade. Além disso, em nenhum dos
grupos de produtores foi verificado alto nível de sustentabilidade. O valor do
teste U de Mann-Whitney revela que a classificação do IS não é a mesma para
beneficiários e não beneficiários.
Os dados relativos à participação absoluta e relativa do IDES, ICS, IA e IPI
na composição do IS dos beneficiários e não beneficiários são apresentados na
Tabela 2.
Observa-se que os valores absolutos de todos os índices que compõem o
IS são maiores para os beneficiários. Os resultados evidenciam que as maiores
contribuições na composição do IS dos beneficiários foram do IDES e do ICS.
As maiores participações na composição do IS dos não beneficiários foram do
IDES e do IA. Considerando-se o IS de cada grupo de produtores, verifica-se
que os beneficiários e não beneficiários apresentam índices de 0,4649 e 0,3072,
respectivamente. O resultado do teste t mostra que há diferença significativa no
IS médio de beneficiários e não beneficiários.
Tabela 2. Participação do IDES, IA, ICS e IPI na composição do Índice de
Sustentabilidade no estado do Ceará, 2008.
Beneficiários Não Beneficiários
Índice
Valor Absoluto Valor Relativo (%) Valor Absoluto Valor Relativo (%)
IDES 0,1426 30,6774 0,1406 45,7594
IA 0,0841 18,0914 0,0786 25,5738
ICS 0,1345 28,9355 0,0723 23,5471
IPI 0,1037 22,3011 0,0157 5,1196
IS 0,4649 100,0 0,3072 100,0
Teste T para o IS t = 5,581 g.l. = 88 Sig. = 0,000
Fonte: Dados da pesquisa.
O IDES calculado em ambos os grupos foi relativamente superior aos demais
índices utilizados. No índice em questão, os indicadores de menor relevância
foram lazer, renda das famílias e acesso aos serviços de educação, tanto nos
grupos de beneficiários quanto no grupo de não beneficiários.
Os baixos valores observados no índice de sustentabilidade ambiental nos
grupos de beneficiários e não beneficiários podem ser atribuídos a práticas
agrícolas inadequadas como: não realização de análises de solo e de calagem,
o não uso de adubação verde, ausência de métodos de controle de pragas e
doenças, bem como de conservação de solo.
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Nagilane Parente Damasceno, Ahmad Saeed Khan e 149
Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima
O capital social, avaliado por meio do ICS (Índice de Capital Social), mostrou-
se baixo em ambos os grupos, no entanto, no grupo dos não beneficiários foram
identificadas fragilidades maiores, o que pode ser uma consequência do baixo
nível de influência dos agricultores nas decisões tomadas pela associação da qual
participam, desinteresse dos dirigentes destas associações em relação ao bem-
estar da comunidade, ausência de participação dos associados na organização
de eventos sociais, e baixo nível de confiança entre os associados.
Quanto ao índice de sustentabilidade político-institucional, o baixo valor
verificado nos grupos dos não beneficiários pode ser associado ao não recebimento
de assistência técnica, dificuldades de acesso ao crédito, indisponibilidade de
tecnologias adequadas e baixa participação em cursos de capacitação.
4.2. Efeito do Programa sobre a Renda
A Tabela 3 expõe as informações sobre frequência absoluta e relativa dos
beneficiários e não beneficiários segundo a renda agropecuária anual. De
acordo com os dados apresentados, a maioria dos beneficiários (93,3%) e
não beneficiários (80,0%) possui uma renda agropecuária anual de até R$
4.980,00. Observa-se ainda que nenhum beneficiário tem renda agropecuária
anual superior a R$ 9.960,00, enquanto dois não beneficiários detêm renda
agropecuária anual superior a R$ 14.940,00. O resultado do teste U de Mann-
Whitney mostra que não há diferença entre as faixas de renda agropecuária
anual de beneficiários e não beneficiários.
Tabela 3. Frequência absoluta e relativa dos beneficiários e não beneficiários segundo a
renda agropecuária anual no estado do Ceará, 2008.
Beneficiários Não Beneficiários
Renda
Agropecuária Anual Frequência Frequência Frequência Frequência
Absoluta Relativa (%) Absoluta Relativa (%)
≤ 4.980,00 42 93,3 36 80,0
4.980,00 > 9.960,00 3 6,7 6 13,3
9.960,00 > 14.940,00 0 0,0 1 2,2
> 14.940,00 0 0,0 2 4,4
Total 45 100,0 45 100,0
Teste U de Mann-Whitney Estatística do teste = 873,0 Sig. = 0,056
Fonte: Dados da pesquisa.
Segundo os dados da Tabela 4, verifica-se que 68,9% dos beneficiários e 57,8%
dos não beneficiários têm renda não agropecuária anual de até R$ 4.980,00.
Observa-se também que 4,4% dos produtores de cada grupo têm renda não
agropecuária anual superior a R$ 14.940,00. Com base no valor do teste U de
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150 O Impacto do Pronaf sobre a Sustentabilidade da Agricultura Familiar,
Geração de Emprego e Renda no Estado do Ceará
Mann-Whitney, pode-se inferir que não há diferença entre as faixas de renda
não agropecuária anual de beneficiários e não beneficiários.
Tabela 4. Frequência absoluta e relativa dos beneficiários e não beneficiários segundo a
renda não agropecuária anual no estado do Ceará, 2008.
Beneficiários Não Beneficiários
Renda Não
Agropecuária Anual Frequência Frequência Frequência Frequência
Absoluta Relativa (%) Absoluta Relativa (%)
≤ 4.980,00 31 68,9 26 57,8
4.980,00 > 9.960,00 8 17,8 14 31,1
9.960,00 > 14.940,00 4 8,9 3 6,7
> 14.940,00 2 4,4 2 4,4
Total 45 100,0 45 100,0
Teste U de Mann-Whitney Estatística do teste = 921,0 Sig. = 0,388
Fonte: Dados da pesquisa.
As informações sobre a renda agropecuária anual média, renda total
anual média e média da renda agropecuária anual por hectare cultivado são
apresentadas na Tabela 5. De acordo com os resultados, a renda agropecuária
anual média e a renda familiar total anual média dos não beneficiários são
maiores do que as dos beneficiários. Esses resultados são explicados, em parte,
pelo tamanho médio da propriedade dos não beneficiários, quase três vezes
maior que o tamanho médio da propriedade dos beneficiários. Os resultados
do teste t mostram que a renda agropecuária anual média e a renda total anual
média não são as mesmas para beneficiários e não beneficiários.
Tabela 5. Teste t para diferença entre as médias de renda anual de beneficiários e não
beneficiários no estado do Ceará, 2008.
Renda Benef. (R$) Não Benef. (R$) Estatística t Sig.
Renda agropecuária anual média 2.144,44 4.455,51 -2,302 0,026
Renda familiar total anual média 7.101,8 9.982,71 -2,018 0,047
Média da renda agropecuária
1518,75 1.207,61 0,919 0,361
anual por ha cultivado
Fonte: Dados da pesquisa.
Para eliminar o efeito do tamanho da propriedade, foi calculada a média da
renda agropecuária anual por hectare cultivado. Dessa forma, pode-se observar
que a média da renda agropecuária anual por hectare cultivado dos beneficiários
(R$ 1.518,75) é superior à média dos não beneficiários (R$ 1.207,61). O resultado
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Nagilane Parente Damasceno, Ahmad Saeed Khan e 151
Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima
do teste t revela que a média da renda agropecuária anual por hectare cultivado
é a mesma para beneficiários e não beneficiários.
Estudos realizados por Kageyama (2003) e Dias et al. (2006) mostraram que o
Pronaf não causou impacto positivo significante sobre a renda dos beneficiários,
enquanto as pesquisas da Fecamp (2002) e de Magalhães et al. (2005) revelaram
resultados negativos em termos de impacto.
A Tabela 6 apresenta a distribuição absoluta e relativa dos beneficiários e
não beneficiários segundo as principais fontes de renda não agropecuária.
Conforme evidenciam os dados, nota-se que 28,9% dos beneficiários e 55,6%
dos não beneficiários recebem aposentadoria, o que explica, parcialmente, a
superioridade da renda familiar total anual média dos não beneficiários em
relação à dos beneficiários. O valor do teste qui-quadrado revela que não há
diferença entre os grupos quanto ao recebimento de aposentadoria.
Tabela 6. Frequência absoluta e relativa dos beneficiários e não beneficiários segundo as
principais fontes de renda não agropecuária no estado do Ceará, 2008.
Beneficiários Não Beneficiários
Variável Resposta Frequência Frequência Frequência Frequência
Absoluta Relativa (%) Absoluta Relativa (%)
Sim 13 28,9 25 55,6
Aposenta-
Não 32 71,1 20 44,4
doria
Teste Qui-Quadrado Estatística do teste = 6,559 g.l. = 1 Sig. = 0,010
Sim 31 68,9 18 40,0
Bolsa-Família Não 14 31,1 27 60,0
Teste Qui-Quadrado Estatística do teste = 7,571 g.l. = 1 Sig. = 0,006
Sim 10 22,2 5 11,1
Comércio Não 35 77,8 40 88,9
Teste Qui-Quadrado Estatística do teste = 2,000 g.l. = 1 Sig. = 0,157
Sim 9 20,0 6 13,3
Trabalho
Não 36 80,0 39 86,7
Permanente
Teste Qui-Quadrado Estatística do teste = 0,720 g.l. = 1 Sig. = 0,396
Sim 13 28,9 7 15,6
Trabalho
Não 32 71,1 38 84,4
Temporário
Teste Qui-Quadrado Estatística do teste = 2,314 g.l. = 1 Sig. = 0,128
Fonte: Dados da pesquisa.
Em relação ao recebimento de Bolsa-Família, observa-se que 68,9% dos
beneficiários recebem este auxílio, enquanto 60% dos não beneficiários não
o recebem. O valor do teste qui-quadrado mostra que há diferença entre os
grupos quanto ao recebimento do Bolsa-Família.
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152 O Impacto do Pronaf sobre a Sustentabilidade da Agricultura Familiar,
Geração de Emprego e Renda no Estado do Ceará
Também é possível verificar que 22,2% e 11,1% dos beneficiários e não
beneficiários, respectivamente, realizam atividades relacionadas ao comércio.
O resultado do teste qui-quadrado evidencia que não há diferença entre os
grupos quanto à realização de atividades de comércio.
A maioria dos beneficiários e não beneficiários não possui trabalho
permanente nem realiza trabalho temporário. O valor do teste qui-quadrado
mostra que não há diferença entre os grupos quanto a esta variável.
4.3. Efeito do Programa sobre o Emprego
De acordo com os dados da Tabela 7, a mão de obra total média empregada
nas atividades agropecuárias nas propriedades dos beneficiários é maior
quando comparada com a média dos não beneficiários. O teste t, no entanto,
indica que não há diferença significativa entre a mão de obra total média
empregada nas atividades agropecuárias nas propriedades dos beneficiários
e dos não beneficiários. É importante ressaltar que uma parte substancial das
propriedades dos não beneficiários é utilizada para atividades pecuárias que
necessitam relativamente de uma quantidade de mão de obra menor em relação
às atividades agrícolas.
Comparando-se a média da mão de obra familiar empregada por hectare,
observa-se que os beneficiários geram 1,32 emprego, enquanto os não
beneficiários criam somente 0,37 emprego. O resultado do teste t sugere que
existe diferença significativa na média da mão de obra familiar empregada nas
atividades agropecuárias por hectare nas propriedades de beneficiários e não
beneficiários.
Tabela 7. Teste t para diferença entre as médias de mão de obra empregada nas
propriedades dos beneficiários e não beneficiários no estado do Ceará, 2008.
Mão de Obra Beneficiários Não Beneficiários Estatística t Sig.
Média da mão de obra total empregada
1,69 1,42 1,202 0,232
nas atividades agropecuárias
Média da mão de obra familiar empre-
gada nas atividades agropecuárias por 1,32 0,37 3,049 0,004
hectare cultivado
Média da mão de obra total empregada
nas atividades agropecuárias por hectare 1,52 0,46 3,104 0,003
cultivado
Fonte: Dados da pesquisa.
Em relação à comparação da média da mão de obra total por hectare
cultivado, verifica-se que a média de utilização da mão de obra nas propriedades
dos beneficiários é maior que a média dos não beneficiários. Com base no valor
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do teste t, pode-se afirmar que há diferença significativa entre os valores médios
de mão de obra total por hectare empregada nas propriedades de beneficiários
e não beneficiários.
5. Conclusões e Sugestões
Com base nos resultados encontrados no presente estudo, conclui-se
que a categoria dos beneficiários e não beneficiários apresenta médio nível
de desenvolvimento econômico-social. Os indicadores saúde e habitação
apresentaram as maiores contribuições ao IDES dos beneficiários e não
beneficiários, enquanto os indicadores de menor participação no IDES foram
o lazer e o econômico, tanto para beneficiários quanto para não beneficiários.
O grupo dos beneficiários apresenta médio nível de acumulação de capital
social. O grupo dos não beneficiários, por sua vez, apresenta baixo nível de
acumulação de capital social.
O baixo nível de preservação ambiental das categorias dos beneficiários e não
beneficiários demonstra que os mesmos seguem práticas pouco sustentáveis,
evidenciando que a preservação dos recursos ambientais exige maior atenção
por parte das instituições de apoio e orientação aos produtores.
O grupo dos beneficiários apresenta médio nível de acesso às políticas
públicas. A categoria dos não beneficiários, por sua vez, apresenta baixo nível
de acesso às políticas públicas.
Tanto o grupo dos beneficiários quanto o dos não beneficiários apresentam
baixo nível de sustentabilidade. No entanto, os valores absolutos dos índices
que compõem o Índice de Sustentabilidade dos beneficiários são maiores que os
respectivos valores obtidos pelos não beneficiários.
Os produtores beneficiários e não beneficiários, em sua maioria, têm renda
agropecuária anual de até R$ 4.980,00. O Bolsa-Família e a aposentadoria
são as fontes de renda de destaque entre os beneficiários e não beneficiários,
respectivamente.
A renda agropecuária anual média e a renda total anual média das famílias
dos não beneficiários são superiores às das famílias dos beneficiários. Por outro
lado, a renda agropecuária anual por hectare cultivado média dos beneficiários
é superior à dos não beneficiários.
As médias da mão de obra familiar empregada nas atividades agropecuárias
por hectare cultivado e da mão de obra total empregada nas atividades
agropecuárias por hectare cultivado dos beneficiários são superiores às médias
dos não beneficiários. A média da mão de obra total empregada nas atividades
agropecuárias dos beneficiários é superior à média dos não beneficiários.
O Pronaf B nos municípios de Baturité, Iguatu e Quixadá está sendo operado
de forma genérica, sem levar em consideração o contexto de desenvolvimento de
cada uma dessas regiões (disponibilidade de escolas, postos de saúde, estradas,
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Geração de Emprego e Renda no Estado do Ceará
transportes, telecomunicações etc.) que, evidentemente, não está sob o controle
das unidades de produção, mas afeta significativamente o desempenho dos
produtores.
Assim, considera-se que devem ser implementadas políticas educacionais
básicas que proporcionem aos produtores maior nível educacional, fator
de extrema importância, tanto para a absorção de conhecimentos e práticas
tradicionais de cultivo e criação, como para a adoção de novas tecnologias e
viabilização do uso de técnicas de gestão. A educação ambiental também é um
importante instrumento a ser implantado, a fim de conscientizar agricultores a
respeito das consequências relacionadas à degradação do meio ambiente, o que
pode contribuir para a obtenção de maior nível de preservação ambiental.
O poder público deve realizar investimentos no sentido de melhorar as
condições de saúde e o estado nutricional dos agricultores e de suas famílias
que, aliado aos investimentos educacionais, possibilitam maior acumulação de
capital humano por parte dos agricultores. Além disso, é essencial a canalização
de recursos para o desenvolvimento de infraestrutura produtiva nas localidades
em que o estudo foi realizado. Assim como o nível educacional, a existência
de infraestrutura física é fator fundamental para viabilizar a adoção de pacotes
tecnológicos modernos.
De modo a minimizar a desarmonia entre a política de crédito e os demais
componentes da política agrícola, é essencial a implementação de uma política
fundiária e a melhoria da abrangência e da qualidade do serviço de assistência
técnica. A mudança da condição fundiária da maioria dos beneficiários
pode proporcionar maior estímulo para a realização de investimentos em
tecnologia, aumentando a produtividade das atividades agropecuárias e,
consequentemente, a renda dos produtores.
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