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A Vingança de Miyamoto: Sombras de Quioto

Miyamoto, marcado pela violência e tragédia de sua infância, testemunha o assassinato de sua família por uma Criatura e um culto obscuro. Após a destruição de seu lar, ele faz um pacto com seu avô, Yamamoto, para se tornar uma arma de vingança contra as forças que destruíram sua vida. Treinado em habilidades de combate e conhecimento oculto, Miyamoto se transforma em um caçador de monstros, determinado a vingar sua família e eliminar a ameaça que assola o mundo.

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A Vingança de Miyamoto: Sombras de Quioto

Miyamoto, marcado pela violência e tragédia de sua infância, testemunha o assassinato de sua família por uma Criatura e um culto obscuro. Após a destruição de seu lar, ele faz um pacto com seu avô, Yamamoto, para se tornar uma arma de vingança contra as forças que destruíram sua vida. Treinado em habilidades de combate e conhecimento oculto, Miyamoto se transforma em um caçador de monstros, determinado a vingar sua família e eliminar a ameaça que assola o mundo.

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Lore de Miyamoto

Na fria periferia de Quioto, a infância de Miyamoto foi esculpida em sombras. Sua


família – o pai Jhin, a mãe Miyuri e as irmãs mais novas, Lisa e Misa – vivia sob o
espectro constante da decadência. Exilado dos prósperos negócios da família da
esposa, Jhin afundou-se no álcool, um vazio ambulante que tropeçava em casa todas
as noites, arrastando consigo um fedor de ressentimento e sakê barato. O desespero,
porém, atingiu um abismo inimaginável numa noite silenciosa. Por falta de dinheiro
para o vício, Jhin, com uma frieza que paralisou a alma do filho, segurou a cabeça
de Miyamoto com uma mão de ferro. Na outra, uma faca de cozinha cega e suja
cintilou sob a luz fraca do lampião. O grito de Miyamoto foi abafado pelo pano
imundo que seu próprio pai lhe enfiou na boca. Houve um pressão horrenda, um rasgo
úmido, e então um vazio ensurdecedor e úmido onde antes estava seu olho direito.
Jhin saiu, deixando o filho se contorcer em silêncio no chão de terra batida, a
moeda do olho já apertada em seu punho suado. Miyuri, encontrando a cena, não
gritou. Seu pranto foi silencioso e feroz. Naquela mesma madrugada, ela agarrou
Miyamoto, o olho ensanguentado envolto em trapos, pegou as meninas adormecidas e
fugiu para as entranhas mais obscuras da cidade, deixando para trás o cheiro de
sangue e traição.

Miyamoto cresceu marcado, tanto por dentro quanto por fora. O vazio no lugar do
olho era um convite para o bullying, mas cada provação revelava nele uma verdade
perturbadora: ele tinha facilidade para, e pior, começava a gostar do confronto. A
violência era uma linguagem que seu corpo entendia perfeitamente, um frenesi que
fazia o mundo exterior sumir, junto com a memória da dor.

Aos quinze anos, uma briga escolar particularmente brutal o manteve até tarde na
escola, sob os sermões furiosos do diretor. A noite já estava negra quando ele
finalmente foi liberado, uma quietude pesada pairando sobre as ruas desertas. Ao se
aproximar do casebre humilde que chamavam de lar, um som o gelou: não um grito
qualquer, mas um coro estridente de vozes femininas entoando cânticos guturais em
uma língua que arrepiou seus pelos. E, entre os cantos, gritos – os gritos
agonizantes de sua mãe e irmãs.

O coração disparou contra as costelas. Ele correu, o mundo reduzindo-se ao portão


de madeira rachada de casa. Ao empurrá-lo, a visão que se abateu sobre ele foi um
pesadelo tornado carne.

O pátio estava irreconhecível. Círculos sinistros, pintados com um pigmento escuro


que cheirava a ferro e cinzas, brilhavam à luz de tochas fumegantes. Figuras
encapuzadas, movendo-se com uma sincronia robótica, rodeavam um altar improvisado
com a mesa da cozinha. Sobre ela, Miyuri estava imobilizada, seus olhos, outrora
tão cheios de ternura, estavam arregalados de um terror puro e silencioso, enquanto
lágrimas limpas traçavam caminhos em seu rosto sujo. Lisa e Misa, suas irmãzinhas,
estavam ajoelhadas ao lado, contidas por mãos ossudas, seus pequenos corpos
tremendo como folhas no vento.

E ao fundo, pairando sobre a cena como uma mancha na própria realidade, estava a
Criatura. Não era simplesmente grotesca; era uma profanação à forma. Seu corpo era
um emaranhado de membros alongados e articulados de maneira antinatural, como os de
um inseto monstruoso, recobertos por uma pele que parecia muda e úmida, refletindo
as chamas de forma doentia. Não tinha rosto, apenas um vórtice de sombra onde
deveriam estar os olhos, e uma fenda que se abria e fechava, liberando um sussurro
gelado que parecia rasgar a mente.

Um dos capuzes ergueu um punhal serpenteante, sua lâmina gravada com runas que
doíam aos olhos. Miyamoto não pensou. Com um rugido que nasceu das entranhas, ele
arrebatou o velho machado de lenhador ao lado do galpão e arremessou-se contra o
cultista. O ar sibilou ao redor da lâmina.
Mas ele nunca chegou perto.

A Criatura moveu-se. Não foi um movimento, foi um deslocamento da realidade. Um


instante estava a metros de distância, no outro, o ar à frente de Miyamoto se
coagulou e aqueceu. Ele não viu o golpe, apenas sentiu o universo explodir em uma
dor branca quando algo – um membro, uma garrra, uma extensão daquela escuridão
sólida – impactou seu torso. O som de suas costelas quebrando foi abafado pelo
estrondo de ele ser arremessado para trás, através da parede de bambu da casa,
mergulhando em um mar de escombros, madeira esfacelada e poeira. A última coisa que
seus olhos – o que restava deles – registraram, foi o punhal descendendo sobre o
pescoço de sua mãe, e o sussurro da Criatura se tornando um cacarejo de triunfo que
envenenou sua escuridão.

A consciência voltou com o peso de um mundo despedaçado. A dor em seu peito era um
fogo latejante, mas insignificante comparada ao vazio devastador que o consumia por
dentro. Ele jazia entre os destroços da única coisa que lhe restara, a poeira ainda
assentando sobre um silêncio mais aterrador que qualquer grito. O cheiro era de
cinzas, sangue seco e algo mais, um odor doce e nauseante de carne queimada e algo…
antigo.

Foi então que uma sombra bloqueou o sol fraco da manhã. Um velho, vestido com um
kimono impecável que contrastava brutalmente com a destruição ao redor, olhava para
ele. Seus olhos eram poços de experiência e de uma tristeza resoluta.

“Miyamoto”, a voz do velho era áspera, mas não desprovida de calor. “Eu sou
Yamamoto Sukehiro. Seu avô.”

Miyamoto, sem forças até mesmo para a descrença, apenas o fitou com seu único olho,
um olhar opaco de ruína.

Yamamoto estendeu a mão, não com piedade, mas com oferta. “Eles pagarão. Cada um
deles. A Criatura que servem, o culto que a adora… todos serão varridos. Mas para
isso, você precisa levantar-se. A minha casa é um arsenal. Meu conhecimento, uma
arma. Aceite minha ajuda, e eu forjarei você no instrumento da vingança da sua
família. Treinarei você para enfrentar o paranormal que destruiu sua vida. Em
troca, você jurará caçar e extinguir essa praga, e todos os que a serviram. Você
será a espada que cortará essa sombra do mundo. A qualquer custo.”

Sem família, sem futuro, com apenas uma dor cega e um ódio recém-nascido para guiá-
lo, Miyamoto colocou sua mão ensanguentada na de seu avô. Foi um pacto selado em
cinzas.

Os anos que se seguiram foram um purgatório de aço e disciplina brutal. Miyamoto


treinou sua arte com a espada e o machado – o mesmo machado que falhara em salvar
sua família – até que suas mãos ficaram calejadas e seus movimentos se tornaram uma
extensão mortal de sua vontade. Sob o teto da mansão Yamamoto, ele aprendeu sobre o
mundo oculto que fervilha nas sombras, sobre entidades antigas e os homens tolos
que as servem.

Ao completar vinte anos, ele já não era um jovem, mas uma arma humana. E por cinco
anos, Miyamoto executou os serviços da família, caçando o paranormal. Cada monstro
abatido, cada cultista eliminado, era um ensaio. Um passo mais perto da noite em
Quioto, daquele sussurro gelado, e do juramento de vingança que mantinha seu
coração único batendo no peito, sob a cicatriz onde um olho outrora viu o amor, e
agora só ansiava por sangue.

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